3 de jan de 2013

Números impressionantes sobre a internet

Conheça algumas informações curiosas sobre o meio de comunicação que mudou completamente o planeta.

9 números impressionantes sobre a internet 
(Fonte da imagem: iStock)
Há 22 anos, seria nula a probabilidade de que você estivesse lendo este texto. Não somente porque ele trata de dados recentes, mas sim porque essa é a idade que a internet comercial como a conhecemos possui — período durante o qual a rede mundial de computadores sofreu uma quantidade imensa de transformações.
Durante esse tempo de vida, esse meio de comunicação presenciou o surgimento de empresas como a Google (15 anos de vida) e o YouTube (8 anos) e a ascensão e queda de nomes como Yahoo e AOL, entre outros. Neste artigo, reunimos alguns números interessantes sobre essa rede gigantesca que domina o tempo de milhões de pessoas por todo o mundo. Confira nossa seleção e não deixe de falar sua opinião sobre o assunto em nossa seção de comentários.

Maior parte dos acessos é feita por desktops

9 números impressionantes sobre a internet 
(Fonte da imagem: Reprodução/Flickr de William Pitcher)
Embora muitos já tenham decretado a morte dos computadores de mesa, eles permanecem fortes no que diz respeito ao número de acessos à internet. 79% das pessoas costumam usar um aparelho do tipo para entrar na rede, enquanto somente 45% delas realizam essa ação através de celulares. Em seguida, vêm os consoles de video game (11%), reprodutores multimídia (8%) e tablets (6%).

294 bilhões de emails são enviados diariamente


As mensagens virtuais há muito tempo superaram qualquer espécie de comunicação que envolva a velha combinação papel e caneta. Atualmente, somente cerca de 3,5 bilhões de envelopes e cartas físicas são enviadas a cada dia ao redor do mundo — número que tende a diminuir drasticamente conforme mais pessoas aderem à rede mundial de computadores.

Hong Kong tem a banda larga mais rápida do mundo


Um dos dados mais surpreendentes sobre a rede mundial de computadores é que a velocidade média de conexão não está exatamente relacionada à quantidade de pessoas que a utilizam. Prova disso é o fato de que Hong Kong é o local que apresenta a conexão mais rápida do mundo: em média, o país navega a 41,9 Mbps.
9 números impressionantes sobre a internet 
(Fonte da imagem: Reprodução/Flickr de inkelv1122)
Em seguida, vem nomes como Andorra (35,6 Mbps), Lituânia (35,2 Mbps), Coreia do Sul (34 Mbps) e Macau (33,4 Mbps). Para efeitos de comparação, o Reino Unido possui uma velocidade média de 17,7 Mbps, valor que parece surpreendente para quem tem que lidar com as velocidades (e preços) disponíveis no Brasil.

A humanidade gasta 22% de seu tempo em redes sociais


Provando que a internet ainda é vista essencialmente como um meio de entretenimento, em média as pessoas gastam 22% de seu tempo em redes sociais. Em seguida, vêm as pesquisas (21%), leituras (20%), comunicações através de emails e mensageiros instantâneos (19%), conteúdos multimídia (13%) e compras em lojas virtuais (5%).
Em média, quem possui uma conta no Facebook costuma dedicar 7 horas e 46 minutos verificando atualizações, reclamando da vida ou simplesmente compartilhando conteúdos  —56% das pessoas também aproveitam esse tempo para espionar a vida privada de seus parceiros amorosos. Para completar, os brasileiros são os que mais possuem amigos no serviço: em geral, cada pessoa do país possui nada menos que 481 conexões na rede social.

79% da América do Norte está conectada à rede

9 números impressionantes sobre a internet 
(Fonte da imagem: Reprodução/Free Press Pics)
Enquanto nossos vizinhos do norte possuem quase 80% de conexão à internet, na América do Sul a tecnologia está restrita a somente 39% de seus moradores — número que só supera a África (11%) e a Europa Oriental (22%). Já a Europa Ocidental conta com 65% de disponibilidade de conexões, enquanto 58% da Oceania possui alguma espécie de cobertura.

1,63 bilhão de GB


Essa é a quantidade de dados que são enviados através da rede mundial de computadores a cada 24 horas. Ou seja, você pode passar a vida inteira conectado à internet que dificilmente vai ver sequer uma fração mínima do que ela disponibiliza  — algo que surge como uma ótima notícia, já que isso torna mais fácil evitar a maior parte dos conteúdos bizarros disponíveis no meio.

250 milhões de tweets são enviados diariamente


Ao todo, nada menos que 250 milhões de atualizações são feitas diariamente no sistema de microblogs Twitter. O difícil é tentar descobrir quantas delas realmente são úteis em meio a um universo de reclamações, piadinhas sem graça e links para fotografias que retratam o que alguém está prestes a comer no almoço.

72 horas de vídeo

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(Fonte da imagem: Reprodução/YouTube)
É essa a quantidade de conteúdo que é enviada para o YouTube, maior site de vídeos do mundo, a cada minuto que passa. Ou seja, a cada vídeo com gatos fofinhos que você vê, é grande a chance de que algumas horas de conteúdos semelhantes estejam chegando ao serviço no mesmo momento.

Existem 45 bilhões de páginas na rede


Caso seu objetivo na internet seja conhecer ao menos um site interessante por dia, saiba que isso é plenamente possível — e você provavelmente vai morrer antes de completar seu objetivo. Atualmente, existem nada menos que 45 bilhões de páginas, compreendendo desde blogs pessoais até sites de tecnologia como o Tecmundo.
No Tecmundo
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Desmoronando

O prédio de lata estava desmoronando e eu estava dentro dele, desmoronando também. Caía de bruços como um super-herói que esqueceu como voar, com a cara virada para o chão, ou para o saguão do prédio, que se aproximava rapidamente. Se eu me espatifasse no saguão, certamente morreria, pois seria soterrado pela lataria em decomposição que acompanhava meu voo. O fim do sonho seria o meu fim também. Mas a queda era interrompida, a intervalos, como naquelas "lojas de departamento" em que o elevador parava, o ascensorista abria a porta e anunciava: "Lingerie", "adereços femininos", etc. Levei algum tempo para me dar conta que aquelas paradas não eram só para interromper o terror da queda. Eram oportunidades de fuga. O sonho me oferecia alternativas para a morte, se eu fizesse a escolha certa. Ou então me dava um minuto para pensar em todas as escolhas erradas que tinham me levado àquele momento e à morte certa: os exageros, os caminhos não tomados e as bebidas tomadas, as decisões equivocadas e as indecisões fatais, o excesso de açúcar e de sal, a falta de juízo e de moderação. Não posso afirmar com certeza, mas acho que ouvi o ascensorista fantasma dizer, em vez de "lingerie" e "adereços femininos": "desce aqui e salva a tua alma" ou "pense no que poderia ter sido, pense no que poderia ter sido...". As paradas não eram para diminuir o terror, as paradas eram parte do terror! Eu não tinha tempo nem para a fuga nem para a contrição. E o saguão se aproximava. Decidi me resignar. É uma das maneiras que a morte nos pega, pensei: pela resignação, pela desistência. Meu corpo não me pertencia mais, era parte de uma representação da minha morte, o protagonista de um sonho, absurdo como todos os sonhos. Talvez a morte fosse sempre precedida de um sonho como aquele, uma súmula de entrega e renúncia à vida, mais ou menos dramática conforme a personalidade do morto. Um sonho com anjos e nuvens rosas ou um sonho de destruição, como eu merecia. Eu nunca saberia por que meu sonho terminal fora aquele, eu desmoronando junto com um prédio de lata. Mas nossas explicações morrem com a gente.
No fim do sonho me espatifei no chão do saguão e esperei que o prédio caísse nas minhas costas. Em vez disso ouvi a voz do dr. Alberto Augusto Rosa me perguntando se eu sabia onde estava. "Hospital Moinhos de Vento" arrisquei. Acertei. Lá juntaram as minhas partes, me espanaram e me mandaram para casa. E eu não disse para ninguém que deveria estar morto.
Luis Fernando Veríssimo
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Banco Central de Itália diz que finanças do Vaticano não são transparentes

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Memórias dos Anos de Chumbo no Brasil

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Documentos inéditos sobre envolvidos na Condor

O futebol nos tempos do Condor que é parte do título de "Memórias do Chumbo ...", aqui na ESPN Brasil, de 18 a 21 próximos, tem razões muito além do óbvio recorte temporal que o nome sugere. A série vai mostrar que os anos do condor estiveram presentes no futebol obedecendo a um receituário e ideário comum aos países que fizeram parte da sinistra multinacional do terror.
As mesmas práticas que foram adotadas pelos participantes em todos os setores das sociedades onde pousou se fizeram presentes no mais popular dos esportes. Umas das grandes convicções formadas ao fim de todo esse tempo em arquivos, entrevistas e leituras é a de como o aparelhamento e controle do futebol foi sistematizado e pensado ao longo das ditaduras militares do continente. Você vai ver isso na série "Memórias do Chumbo - O Futebol nos Tempos do Condor".
Explicado didaticamente como se deu esse controle no capítulo que encerra, o quarto e último, sobre o Brasil. (Argentina, Chile e Uruguai antecedem). Se num primeiro momento o futebol não necessariamente esteve no campo de visão dos golpes militares (excetuando a Argentina, onde essa preocupação com o futebol se fez presente desde o primeiro comunicado), tão logo o poder se consolidava, os regimes enxergavam a necessidade de controle do futebol e o potencial de utilização. Documentos até aqui desconhecidos e entrevistas são definitivos para tal constatação.
O condor que está presente no título vem da infame operação que se inaugura oficialmente em novembro de 1975 e que vai pensar e executar conjuntamente a repressão no continente, dizimando milhares de vidas. Naquela que é considerada a mais articulada e ampla operação de terrorismo estatal da história, com coordenação, realização e abrangência multinacional. Veremos que a maior manifestação cultural do continente não poderia ficar de fora das garras dos órgãos de informação.
Mas a origem do Condor é bem anterior a data oficial de fundação. A Guerra Colonial da Argélia, nos anos 50, é o grande embrião de todo o genocídio. Um verdadeiro laboratório. Personagens dali e suas práticas, estiveram entre os mestres dos genocidas do nosso continente.
Foi na antiga colônia Argélia que a França desenvolveu metodologias de combate às guerras de guerrilha, sem escrúpulos para torturas, extermínio ou o desaparecimento para implementar o terror. Uma das estrelas desse esquadrão da morte francês foi o coronel Charles Lacheroy. O outro, Paul Aussaresses, que viria a ser general, acabou sendo íntimo do Brasil e seus mandatários alguns anos depois. Vivendo aqui com todas as benesses do status diplomático solicitado pela França e concedido de bom grado pelo Brasil, como vemos aqui em documentação inédita.

Se nos anos 60 o americano Dan Mitrione se movimentou com liberdade por aqui, ensinando práticas de tortura e formando gerações de homens da lei à margem dela, na década de 70 o papel de mestre do horror foi de Paul Aussaresses. O veterano da Argélia veio, apesar de todo o currículo de genocida no final dos anos 50, com status de "adido militar" da França no Brasil entre 1973 e 1975.

Sob esta fachada, instruiu e iniciou na tortura milhares de militares do continente, operando como instrutor do Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS), em Manaus. Por suas mãos homens como Sérgio Fleury se desenvolveram no genocídio e na tortura. Amigo íntimo e pessoal de João Baptista Figueiredo. Por ele torturou e assassinou uma mulher, suspeita de vir ao país espionar o amigo.

Foi pelos seus ensinamentos que uma máxima vigente até então nas fileiras do exército brasileiro foi pervertida, como ensina o gaúcho Jair Krischke, brasileiro maior, homem que deveria ter sua história contada nos bancos escolares e assim ainda será, por sua incansável luta pelos direitos humanos, responsável por salvar a vida de milhares de brasileiros nos anos de chumbo.

"Nossos militares não adotavam a tortura como 'ferramenta de trabalho', pois eram formados na velha escola militar de guerra convencional. Foram os militares franceses os criadores e difusores da prática da tortura em quartéis, quando elaboraram a tristemente famosa 'Doutrina da Contra-Insurgência', que acabaram por impor em toda nossa região", conta Jair Krischke, presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos. 
Antes da Operação Condor, homens como Aussaresses, se espalham em diversos países sob a fachada de adidos militares. Era a rede "Agremil" (de "agregados militares", os adidos militares), embrião da Condor. O francês passou também pela famosa Escola das Américas, no Panamá, e pelo Fort Bragg, nos Estados Unidos, onde ensinou seus métodos na reorganização das forças especiais americanas, que hoje mostram suas lições em lugares como o Afeganistão e Iraque. Além do CIGS, na selva, Aussaresses deu aula na Escola Nacional de Informações (ESNI), em Brasília. Por suas mãos, em terras brasileiras, dezenas de militares de todo continente aprenderam seus ensinamentos, depois difundidos em seus países. 
Suas lições e passagem sob a capa de adido militar no Brasil foram importante estágio para a fundação da Condor. Cujo receituário e terror estaria em todos os segmentos de nossa sociedade, como veremos. Os documentos anexos, obtidos junto ao Ministério das Relações Exteriores por esta reportagem, relatam a estadia de Aussauresses no Brasil e mostram a deferência com que foi tratado no Brasil. Aqui estão os diversos pedidos especiais do governo francês, cujo embaixador no Brasil, Michel Legendre, segundo entrevista do próprio Aussaresses, sabia exatamente o que fazia. Todas as facilidades possíveis. Que seguiram mesmo depois de sua saída. Até para sua filha, que seguiu por aqui estudando jornalismo na Universidade de Brasília (UNB). É possível até que ao lado de alguma vítima de seu pai.

Os documentos revelam muito mais. Curiosamente, como mostram os anexos aqui, em 26 de setembro de 1975, a embaixada francesa comunica que Aussaresses, homem-chave e mestre de tortura da Operação Condor, encerra sua missão no Brasil em novembro. O encontro de fundação oficial da multinacional do terror, a Operação Condor, é de 25 de novembro daquele ano. Poucos dias depois da saída do adido militar da França no Brasil. Saiu estrategicamente? Missão cumprida? Coincidência? Com a palavra, a França. Recentemente, com a chegada de François Hollande ao poder, o país instituiu uma data para homenagear os argelinos mortos pelo país. Mas ainda não formalizou o pedido de desculpas, necessário para passar a história a limpo. Os arquivos mostram que existe mais gente para quem pedir desculpas. Os arquivos franceses certamente possuem mais detalhes quanto a passagem de Aussaresses por aqui. E devem elucidar o que os documentos anexos agora nos mostram: a estratégica retirada do facínora, em missão oficial, com sua missão genocida concluída.
País único, presente nos corações e mentes de todo mundo que preza as luzes no lugar do obscurantismo, precisa abrir todos os arquivos relativos ao tema e ainda passar parte de sua história a limpo. E isso passa pelo pedido de desculpas pela cumplicidade no genocídio recente em nosso continente. 
PS - Como dissemos aqui, muito do que foi garimpado nos arquivos durante a pesquisa para "Memórias do Chumbo - O Futebol nos Tempos do Condor" acabou não entrando na série, de 18 a 21, na ESPN Brasil. Por tempo, espaço ou por termos privilegiado na série alguns aspectos mais diretamente ligados ao futebol. Vamos abrindo arquivos por aqui nesses dias com o que não entrou.  
Reprodução/Lúcio de Castro
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Lúcio de Castro
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Argentina solicita devolución de lslas Malvinas

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"Ocultação de Patrimônio". Laranja complica Aécio e Andréa Neves

Arrolada como testemunha de acusação, ex "sócia" dos irmãos Andréa e Aécio Neves abre o jogo na PF e confessa que era apenas laranja
A situação do Senador Aécio Neves (PSDB/MG), complica-se cada vez mais, depois de divulgada por Novojornal a “Lista de Danilo de Castro”, que fundamentou a “Lista de Furnas”, descrevendo como foram distribuídos os recursos arrecadados ilicitamente por Dimas Fabiano na campanha de Aécio para governador de Minas em 2002.
Denunciado juntamente com sua irmã Andréa pelos deputados estaduais de Minas Gerais Sávio Sousa Cruz (PMDB) e Rogério Correia (PT), perante a Procuradoria Geral de Justiça de Minas Gerais, Procuradoria Geral da República e Receita Federal, o senador mineiro e sua irmã viram de uma hora pra outra suas realidades patrimoniais devassada.
Em Minas Gerais, onde Aécio tem controle absoluto sobre decisões e ações dos que ocupam o cargo de Procurador Geral de Justiça desde 2002, quando assumiu o cargo Jarbas Soares, seu sucessor Alceu Torres, em uma decisão segundo seus próprios colegas, “desprovida de fundamentação legal e total parcialidade”, determinou o arquivamento do pedido de investigação.
Decisões idênticas foram tomadas em relação a todas as iniciativas de investigações contra Aécio Neves e integrantes do Governo de Minas Gerais, que tramitaram na PGJ-MG nos últimos 10 anos. Atualmente encontra-se pendente de julgamento o pedido de reconsideração da decisão tomada.
Em Brasília, o Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, determinou “sigilo total” sobre as investigações. Porém, procuradores críticos de sua atitude, por considerá-la partidária, informam que na semana anterior ao natal de 2012 chegou à mesa de Gurgel parecer de 35 páginas contendo levantamentos preliminares recomendando que fosse aberto procedimento investigatório.
Os mesmos procuradores informam ainda que desde 2004 já existiam informações suficientes para o indiciamento de Aécio e de sua irmã Andréa, fato que foi omitido na denúncia apresentada pelo ex-Procurador Geral da República Antônio Fernando de Souza, no esquema criminoso denominado “Mensalão do PSDB”, que arrecadou e distribuiu recursos ilícitos, alguns oriundos de empresas públicas mineiras, que operou na campanha de Azeredo em 1998 para o governo de Minas.
Fundamentam suas afirmações no que vinha sendo guardado a sete chaves, o “Relatório da Polícia Federal” sobre as investigações realizadas na época sobre o “Mensalão Tucano”. Procedimento “desarquivado” em novembro de 2012, devido a denúncia apresentada pelo ministro do STF Gilmar Mendes contra a revista Carta Capital por ter divulgado uma lista dos que teriam sido beneficiados pelo esquema criminoso, contendo seu nome.
A fundamentação da denúncia de Gilmar Mendes era de que a lista noticiada seria falsa, obrigando a Polícia Federal abrir procedimento investigatório para ouvir os apontados por Gilmar Mendes como envolvidos no caso. Segundo as mesmas fontes, o relatório encontrava-se “guardado”, porque no mesmo está provado documental e testemunhalmente como funcionou todo o esquema criminoso em relação ao PSDB, ao contrário do ocorrido em relação ao mensalão do PT.
O relatório comprova que a lista, publicada por Carta Capital, além de não ser falsa, era de conhecimento da Polícia Federal, da Procuradoria Geral da República e do STF a origem da lista e informada na pagina 11 em seqüência a;
“RESUMO DA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA OCORRIDA NO ANO DE 1988 NA CAMPANHA PARA REELEIÇÃO AO GOVERNO DO ESTADO DE MINAS GERAIS PELO ATUAL SENADOR DA REPÚBLICA, SR. EDUARDO BRANDÃO DE AZEREDO E DO ATUAL VICE-GOVERNADOR, SR. CLÉSIO SOARES DE ANDRADE. ELEIÇÃO DE 1998 – HISTÓRICO”.
Documento obtido através de apreensão, foi este resumo que possibilitou a investigação da PF, que fundamentou a denúncia do Procurador Geral da República, aceita e em curso no STF através da Ação Penal 536/MG, tendo como relator o ministro Joaquim Barbosa.
Assessores do STF mostraram-se assustados com as indagações do Novojornal, depois de confrontados com cópia do relatório e do protocolo, foram obrigados a reconhecer o fato informando que o inquérito encontrava-se “guardado”, por estratégia do ministro Joaquim Barbosa, para evitar pressões principalmente depois de cumprida determinação do ministro para que as testemunhas de acusação fossem ouvidas.
O apurado e descrito no Relatório da Polícia Federal comprova que Lídia Maria Alonso Lima, funcionara como “Laranja” de Aécio e Andréa Neves. Ouvida pela Polícia Federal, ela disse:
“Que em 1998 trabalhava na Empresa Comercial Factoring Ltda, de propriedade de Andréia Neves da Cunha, onde exercia a função de gerente na referida empresa.
Que indagada acerca das empresas denomínas Sistema de Comunicação Azaléia ltda, Editora Gazeta de São João Del Rey Ltda, e Taking Care Ltda, onde seu nome faz parte do quadro societário das mesmas, a declarante confirma tal participação. Que, quanto a empresa Sistema de Comunicação Azaléia Ltda, trata-se da Radio Azaléia FM, cujo contrato social foi registrado em 1997, conforme cópia que ora apresenta, porém, até o momento a mesma ainda não entrou em funcionamento por questões burocráticas; Que, quanto à empresa Editora Gazeta de São João Del Rey LTDA, a mesma foi aberta pelo senhor Herval da Cruz Braz (já falecido), esposo de Andréa Neves da Cunha, irmã de Aécio Neves; Que, com a morte do senhor Herval, a declarante foi convidada por Andréa Neves a integrar o quadro societário da mesma, uma vez que Andréa Neves se ausentou por três anos de Belo Horizonte/MG, indo morar no Rio de Janeiro, de 1999 a 2001, e por questões de confiança, deixou referida empresa sob a responsabilidade da declarante; Que, a declarante acredita que nunca fez nenhum tipo de retirada na mencionada editora, mesmo por que o histórico financeiro da empresa nunca foi dos melhores; Que, quanto à empresa Taking Care LTDA, a mesma foi fundada em 12/12/1995, por Andréa Neves da Cunha e Herval da Cruz Braz; Que, em outubro de 1999, com a morte do senhor Herval, a declarante foi convidada para integrar o quadro da Taking Care, com 0,01%, ou seja, apenas para cumprir exigência legal; Que, na 6ª Alteração Contratual a declarante deixou de figurar no quadro societário da Taking Care, passando a funcionária formalmente contratada, ocasião em que passou a fazer parte do quadro societário da mesma, com 49%, o senhor Aécio Neves da Cunha, irmão de Andréa Neves; Que, em 2003, quando o senhor Aécio Neves assumiu o cargo de governador do Estado de Minas Gerais, este solicitou a Andréa que retirasse o seu nome do quadro societário da Traking Care; Que, na sétima alteração contratual a declarante voltou a compor o quadro societário da Traking Care, desta feita com 49%, Que, na última alteração contratual a declarante passou a ter apenas 5% do capital social da Traking Care e a senhora Andréa Neves 95%.
A Radio Azaléia encontra-se instalada na cidade de Bocaiúva, FM 101,5 MHz. Em 1997, segundo depoimento de Lídia Maria Alonso Lima, quando foi registrada, Aécio era deputado federal e pela lei estaria impedido de ter concessões do Estado.
Segundo fontes da PGR, “apenas estes fatos seriam suficientes para apresentação de denúncia contra Aécio e Andréa Neves no processo do “Mensalão Tucano”, movido contra Eduardo Azeredo, o que não ocorrera por decisão política, porém, a situação complicou-se após a denúncia apresentada pelos deputados Sávio Souza Cruz (PMDB-MG) e Rogério Correia (PT-MG)”.
“A confissão de Lídia Maria Alonso Lima perante a Polícia Federal somada as denúncias apresentadas pelos dois deputados mineiros comprovam como vem operando a mais de uma década o esquema montado para ocultar o patrimônio, benefícios de concessões e recursos públicos sem que apareça Andréa e Aécio Neves”, conclui.
Sabe-se que investigações da Receita Federal aprofundaram-se na analise do patrimônio das empresas IM Participações e Administração Ltda e NC Participações Ltda, nas quais são sócios Aécio, Andréa e sua mãe Inês Maria, principalmente em relação ao patrimônio incorporado que não teve origem nos bens deixados por Gilberto Faria.
A denúncia dos deputados Sávio Souza Cruz e Rogério Correia relata a ocultação de patrimônio e rendas:
“A declaração de bens apresentada por Aécio na Justiça Eleitoral aponta um cidadão de pouco patrimônio, com rendas de servidor público incompatível com a vida de Aécio Neves, que viaja constantes ao exterior, utilização de veículos de luxo, refeições e hospedagens em points do jet set nacional e internacional e a utilização de jatinhos particulares para o seu deslocamento.
Certamente, tais condutas e procedimentos não são próprias de um mero agente político, que ocupa cargos públicos desde os 18 anos de idade.
Perante a Justiça Eleitoral, para seu registro de candidatura ao Senado da República no ano de 2010, apresentou a seguinte relação de bens, com os seguintes valores:
a) Apartamento no Rio de Janeiro, no valor de R$ 109.500,00;
b) Lote, no valor de R$ 6.639,73;
c) Lote, no valor de R$ 9715,62;
d) Ações, no valor de R$ 0,09
e) Ações, no valor de R$ 217,26
f) Quotas de capital da IM Participações , no valor de R$ 95.179,12;
g) Empréstimo a NC Participações Ltda, no valor de R$ 8.544,12;
h) Objeto de Arte no valor de R$ 13.650,00;
i) 50% de imóvel rural, no valor de R$ 87.000,00;
j) Saldo em conta corrente no valor de R$ 331,07;
k) Aplicação financeira no valor de R$ 40.142,20;
l) Saldo em conta corrente no valor de R$ 10,00;
m) Aplicação financeira no valor de R$ 14.393,28;
n) Saldo em conta bancária no valor de R$ 496,93
o) Apartamento em Belo Horizonte no valor de R$ 222.000,00.
Total do patrimônio declarado : R$617.938,42
A declaração de bens apresentada pelo primeiro representado à Justiça Eleitoral possui os mesmos valores históricos, quanto ao patrimônio imobilizado, da declaração apresentada em 2006, quando de sua segunda candidatura a Governador de Minas Gerais, com pequenas variações. Quanto ao patrimônio total, houve uma redução nominal em quatro anos da ordem de cerca de 20% (vinte por cento).
Em quatro anos, o primeiro representado teve decrescido o seu patrimônio.
A remuneração do Governador do Estado de Minas Gerais, ocupação principal do primeiro representado no período de janeiro de 2003 a abril de 2010, era de R$ 10.500,00 (dez mil e quinhentos reais) brutos, nos termos da Lei Estadual 16658.
Durante este período apontado, o primeiro representado realizou 11 (onze) viagens ao exterior às suas expensas, segundo dados colhidos junto à Assembleia Legislativa, muitas vezes em companhia da família e segundo notas de imprensa, frequentemente a destinos de alto luxo como Aspen, estação de esqui nos Estados Unidos.
De abril de 2010 a Fevereiro de 2011, quando voltou a assumir mandato eletivo, o primeiro representado esteve desempregado. Entretanto, continuou realizando viagens ao exterior e com seus hábitos caros e pouco comuns à maioria esmagadora da população.
O primeiro representado tem uma de suas residências fixas na cidade do Rio de Janeiro, próximo à Lagoa Rodrigo de Freitas, no Bairro Leblon, considerado de classe alta. Outra, em Belo Horizonte, também em um bairro considerado zona residencial nobre.
As despesas com manutenção de suas residências e de seu nababesco estilo de vida, compreendendo restaurantes de primeira linha, festas com celebridades, boites e viagens a bordo de jatos particulares são incompatíveis com os seus rendimentos declarados.
É bem verdade que o primeiro representado tem declarado em seu patrimônio a participação societária nas empresas NC participações Ltda (CNPJ 23205958/0001-14), no valor de R$ 9.819,00 (nove mil e oitocentos e dezenove reais) e da IM Participações e Administração Ltda (CNPJ 28264463/0001-80) no valor de R$ 95.179,12 (noventa e cinco mil e cento e setenta e nove reais e doze centavos) esta com sede na residência de sua mãe, a anciã Inês Maria Neves de Faria, com endereço na Rua Pium-i, 1601, apto 901, em Belo Horizonte e agora, incorporada ao seu patrimônio a Rádio Arco-Iris Ltda, cujas operações serão detalhadas a seguir.
Mas seria o rendimento auferido pelo primeiro representado por sua participação acionária nestas empresas que suportariam todas as elevadas despesas de seu estilo de vida ostentoso ou, a exemplo do que acontece comprovadamente com a empresa Rádio Arco-Iris, o primeiro representado utiliza-se diretamente de recursos ou de patrimônio destas e de outras pessoas jurídicas para fazer frente aos seus gastos faraônicos?
Ao que se demonstra o primeiro representado, face os seus rendimentos oficiais, apresenta sinais exteriores de riqueza incompatíveis com seus rendimentos, nos exatos termos do art. 6º da Lei Federal 8021/90, fruto de ocultação de patrimônio, de fraude fiscal ou de ambos”.
Prosseguindo:
“Um dos instrumentos utilizados pelo primeiro representado para ocultação de patrimônio é a Rádio Arco-Iris Ltda.
A empresa Rádio Arco-Iris Ltda (terceira representada) é de propriedade do primeiro e da segunda representados, segundo consta de registro extraído da Junta Comercial do Estado de Minas Gerais.
A aquisição de cotas da empresa foi realizada pelo primeiro representado no ano de 2010, quando ainda se encontrava desempregado e, portanto, sem nenhuma renda formal.
Segundo o mesmo registro, a sociedade tem por objeto “a execução de serviços de radiodifusão sonora de quaisquer modalidades, em quaisquer localidades do país, desde que para tanto o Governo Federal lhe outorgue permissão e/ou concessões, podendo paralelamente explorar a propaganda comercial e a música funcional.”
Para a consecução de seu objeto social, a sociedade poderá ter os gastos de custeio exclusivamente vinculados aos seus fins.
Pressupõe-se pois que as despesas legítimas que podem ser utilizadas contabilmente para dedução na receita e via de consequência abatimento no lucro são aquelas afetas aos serviços de radiodifusão sonora e, paralelamente, exploração de propaganda comercial e a música funcional.
Assim, ter-se-ão como despesas ordinárias e possíveis de constar no passivo da terceira representada as referentes a aluguel de imóvel, compra e manutenção de equipamentos, salários e encargos trabalhistas, manutenção geral das suas dependências, bem como locação, manutenção e despesas referentes a veículos colocados à disposição das finalidades da empresa, dentre outros gastos, desde que não configurado o desvio das finalidades empresariais.
O recente episódio envolvendo o primeiro representado, Sr. Aécio Neves da Cunha, parado em operação policial na cidade do Rio de Janeiro, que ganhou repercussão nacional, face às infrações de trânsito cometidas por um Senador da República e ex-governador de Estado, não passariam de noticiário e de impressões de natureza política, não fosse o primeiro representado o condutor de um veículo de propriedade de uma empresa concessionária de serviço de radiodifusão, in casu, a terceira representada.
Constatou-se, à ocasião, que o primeiro representado conduzia o veículo Land Rover “TDV8 Vogue”, ano 2010, placa HMA 1003, de valor aproximado de mercado de R$ 255.000,00, adquirido após as últimas eleições pela “Rádio Arco-Iris”, de propriedade do segundo e da terceira representada.
Segundo informações fornecidas pela Assessoria de Imprensa do primeiro representado, o veículo ficava à disposição da família do primeiro e da segunda representada, que são irmãos, e era utilizado por eles durante seus deslocamentos de caráter particular e privado, no Estado do Rio de Janeiro.
Constatou-se também ser a empresa Rádio Arco-Iris, terceira representada, proprietária de 12 veículos registrados no DETRAN-MG, sendo eles:
Placa Marca/Modelo ano FIPE
HEZ 1502 Toyota Fieldes 2006 R$ 34.513,00
HMA 1003 Land Rover TDV8 Vogue 2010 R$ 254.625,00
HMO 9226 Fiat Strada Advent Flex 2009 R$ 38.723,00
HMO 8922 Microonibus Fiat Ducato 2009 R$ 67.785,00
HJO 1804 Moto Honda CG 150 Titan 2009 R$ 5.397,00
HHH 0211 Toyota Hilux SW4 SRV 4x4 2006 R$ 93.600,00
HBM 7500 Land Rover Discovery TD5 2004 R$ 65.210,00
HCL 4278 MMC L200 Sport 4x4 GLS 2004 R$ 47.215,00
GYV 7361 Microonibus M Bens 312D Sprinter 2000 R$ 40.055,00
LCQ 3053 Audi A6 1998 R$ 35.311,00
HCV 0083 Uno Mille Fire 2005 R$ 15.175,00
GZF 3318 Gol 1.0 2001 R$ 16.825,00
TOTAL R$ 714.434,00
Observe-se que dos 12 veículos registrados em nome da Rádio Arco-Iris, seis deles, pelo menos, não guardam qualquer nexo com os veículos de utilização normal da empresa e para os fins do objeto empresarial. Indubitavelmente são automóveis de passeio, não utilitários, e de categoria de luxo.
Além disso, tratando-se de emissora com sede e transmissão na região metropolitana de Belo Horizonte, a freqüente autuação de seus veículos, no Estado do Rio de Janeiro, também atesta que os veículos não são utilizados em serviços da empresa.
As multas aplicadas aos veículos de nº. 1 e de nº. 2 da lista acima, conforme site do DETRAN/MG esclarecem que estes foram flagrados em excesso de velocidade em Búzios (RJ), Rio Bonito (RJ) em rodovias no Estado do Rio de Janeiro e também na cidade do Rio de Janeiro.
Não é crível que tais automóveis estivessem a serviço da Rádio Arco-Iris naquele Estado, tanto mais considerando que a mesma é uma Rádio que não possui departamento de jornalismo, atendo-se tão somente ao entretenimento do público jovem e adolescente através de programação musical e, vale lembrar, transmite sua programação na região metropolitana de Belo Horizonte.
Ad argumentandum , apesar de a Rádio Arco-Iris ser a retransmissora da Rádio Jovem Pan, e conforme declarado pela Assessoria de Imprensa do primeiro representado, possuir alto faturamento anual(sic), mesmo sem entrar no mérito da destinação pelo primeiro e segundo representados de verbas públicas de publicidade ao terceiro representado, não se justifica a imobilização de patrimônio através de aquisição de veículos de luxo, imprestáveis à finalidade empresarial.
Obtempere-se que, a propriedade de tais veículos, ´por parte da terceira representada , poderão se prestar a:
a) contabilização de seu custeio como despesas da empresa. Assim, o pagamento dos altíssimos valores de seguro, IPVA, multas e taxas, são lançados como despesa e portanto dedutíveis para a apuração do lucro, o mesmo ocorrendo com as despesas de combustível, revisão e peças;
b) contabilização da depreciação patrimonial dos veículos, também dedutível para apuração do lucro;
c) contabilização dos possíveis contratos de arrendamento mercantil, se houverem, como despesa corrente, também passível de dedução no lucro.
Tais operações contábeis, se ocorreram, configuram burla ao fisco e evidenciam o lançamento de despesas estranhas à atividade empresarial na contabilidade da empresa, reduzindo a base de cálculo para a apuração do quantum devido à Receita Federal, em todos os tributos e contribuições fiscais e parafiscais em que o lucro for a base de cálculo. Constitui, portanto, sonegação fiscal, devendo ser apurada para a responsabilização dos envolvidos.
As cotas da Rádio Arco-Iris foram adquiridas pelo primeiro representado em 28/12/2010, com o valor declarado à Junta Comercial do Estado de Minas Gerais de R$88.000,00 (oitenta e oito mil reais) de um total de cotas da sociedade de 200.000 cotas, no valor total de R$200.000,00 (duzentos mil reais).
Sobre este item, deve-se considerar o seguinte:
a) O valor declarado à JUCEMG não representa necessariamente o valor real da empresa;
b) Somente os veículos registrados no DETRAN-MG em nome da empresa têm valor de mercado de aproximadamente R$715.000,00 (setecentos e quinze mil reais). – conforme Tabela FIPE
c) O valor comercial da concessão da Rádio Arco-Iris Ltda, retransmissora da Rádio Jovem Pan e ocupante do 6º lugar no ranking de audiência é de aproximadamente R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais), segundo informações de mercado;
d) o primeiro representado não possuía patrimônio declarado para a aquisição de tal empresa, conforme já demonstrado.
Como dito, a empresa Rádio Arco-Iris é apenas um dos mecanismos utilizados pelo primeiro representado para ocultação de seu patrimônio e a prática de sonegação fiscal. Só foi detectada em função de mais um excesso público cometido pelo primeiro representado, o qual é useiro e vezeiro. Apenas a investigação criteriosa da Receita Federal do Brasil poderá detectar outros métodos de sonegação utilizados pelo primeiro representado, bem como a extensão dos danos ao erário”.
Com relação às empresas IM Participações e Administração Ltda e NC Participações Ltda, das quais Aécio e Andréa são co-proprietários, solicitaram a verificação da utilização de suas rendas e patrimônio. Embora apenas a compra por Aécio Neves da participação na Radio Arco-Iris (Jovem Pan), por R$88.000,00 (oitenta e oito mil reais) enquanto o valor comercial da empresa seja de R$ 15.000.000,00 demonstre a ocultação de bens, outros fatos foram denunciados a PGR;
"O primeiro representado( Aécio Neves), faz uso frequente de aviões particulares para seu deslocamento no Brasil e no exterior.
Constata-se por declarações dadas pelo representado à imprensa, o uso frequente de um jato particular, cujo valor de avaliação é de 24 milhões de reais, de propriedade da Banjet Taxi Aéreo Ltda., é feito graciosamente, por cortesia da empresa.
Ocorre que tal empresa, pertencente ao grupo econômico do extinto Banco Bandeirantes, liquidado em ruidosa nuvem de má gestão, tem como sócio administrador o Sr. Oswaldo Borges da Costa Filho, presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, nomeado para aquele cargo pelo primeiro representado.
No que toca ao Sr. Oswaldo Borges da Costa Filho, figura das mais influentes na área de mineração em Minas Gerais, tendo em vista sua posição privilegiada como presidente de uma grande estatal, o mesmo participa da diretoria ou é sócio proprietário de outras pessoas jurídicas. Tal influência passou a ser exercida a partir da posse do primeiro representado no governo de Minas. Antes disso, o Sr. Oswaldo Borges da Costa Filho nada mais era do que um nome nas colunas sociais.
São elas: Minasmáquinas S/A, BAMAQ S/A Bandeirantes Máquinas e Equipamentos, Companhia Mineradora do Pirocloro de Araxá COMIPA, Comercial de Veículos Delta Ltda., CGO Administradora e Corretora de Seguros Ltda. e OEC Memória do Automóvel Ltda.
Foi também proprietário de outras empresas, juntamente com o ex banqueiro Clemente de Faria, como a Star Diamantes Ltda., de sua propriedade quando já era presidente de empresa estatal.. A primeira e a segunda empresas citadas mantém relações comerciais com o Estado de Minas Gerais, da qual o primeiro representado foi Governador nos últimos dois mandatos e o Sr. Oswaldo foi e continua sendo presidente de estatal e membro de conselhos de administração de outras empresas.
Ainda sobre a Banjet Taxi Aéreo Ltda., CNPJ 23.348.345/0001-36, frise-se, pertencente ao mesmo grupo econômico do extinto Banco Bandeirantes, e que cede graciosamente suas aeronaves ao primeiro representado, aponte-se que suas aeronaves foram utilizadas na campanha de 2010 ao Governo de Minas e ao Senado da República pelos candidatos Antônio Anastasia, Aécio Neves e Itamar Franco. Estas informações estão no sítio eletrônico do TSE e o custo de tais locações superou o valor de R$ 900.000,00 (novecentos mil reais). A Banjet ainda locou suas aeronaves ao PSDB nacional, pelo que consta da prestação de contas daquele partido, também registrada no TSE.
Estas informações apenas ilustram o perfil das empresas dirigidas pelo Sr. Oswaldo Borges da Costa Filho, figura das mais influentes no cenário empresarial mineiro.
Mas o que levanta suspeitas é o fato de que pertenceram ao grupo econômico do extinto Banco Bandeirantes, que tinha um de seus endereços na Avenida Rio de Janeiro, 600, Belo Horizonte, coincidentemente o mesmo endereço da empresa IM Participações e Administração Ltda., à época em que a genitora do primeiro representado, Inês Maria Neves Faria, era uma das gestoras do malfadado Banco, juntamente com o seu marido já falecido, o ex banqueiro Gilberto Faria.
Observe-se que a empresa IM Participações e Administração Ltda. é de propriedade do primeiro representado, da segunda representada e de sua mãe, viúva do ex banqueiro, conforme documento anexo.
Como é de praxe, são essas empresas de participação quem administram inteiras fortunas, para acobertar patrimônio de particulares, que não tem como justificar contabilmente a aquisição de ativos.
Haveria aí uma triangulação de patrimônio, de forma que não só a Banjet Taxi Aéreo Ltda., como outras empresas ligadas ao grupo econômico do extinto Banco Bandeirantes ou não fossem de co-propriedade do primeiro e da segunda representada? Certamente. Tal triangulação seria possível uma vez que a genitora de ambos representados era gestora de empresas ligadas ao banco e sócia daqueles."
Espera-se para o primeiro trimestre deste ano a divulgação, pela Procuradoria da República e Receita Federal, do resultado das investigações, além das medidas que serão tomadas em função das denúncias apresentadas. Novojornal consultou Aécio e Andréa Neves através de suas assessorias. Eles preferiram nada comentar a respeito dos fatos noticiados.
Documentos que fundamentaram a matéria:
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A intolerância elitista de Lya Luft

 
Se há uma atitude que não dignifica o ser humano, esta é a falta de solidariedade.
Os programas sociais do governo foram, para muitos, um espelho revelador do elitismo que caracteriza a sua visão de mundo: "Para mim, sim; para eles, não". Bolsa Família, Bolsa Escola, ProUni, Brasil Carinhoso, Brasil sem Miséria, Luz para Todos, Minha Casa Minha Vida, entre outros, foram combatidos pelos representantes desse elitismo, na grande mídia e no Congresso.
Esse combate refletiu a estranheza, o constrangimento e a revolta que muitos sentiam ao conviver, no dia a dia, com novos personagens em meios antes exclusivos:
"O que essa turma está fazendo no meu aeroporto?"
"O quê! Esta família vai jantar no meu restaurante?"
"Peralá! Shopping é lugar de passeio dessa gente?"
"O que o meu porteiro está fazendo na minha cidade estrangeira preferida?"
Um desses programas, baseado na visão solidária e inclusiva do mundo, acaba receber mais um petardo vindo de uma representante de um mundo que custa a perceber que já morreu. Uma escritora, uma intelectual que se orgulha do rótulo de "artista" (Lya Luft), escreve na edição mais recente da "Veja" (onde?), sobre a educação inclusiva, política pedagógica de convivência entre deficientes e alunos regulares, nas salas de aula:
"O politicamente correto agora é a inclusão geral, significando também que crianças com deficiência devem ser forçadas (na minha opinião) a frequentar escolas dos ditos 'normais' (também não gosto da palavra), muitas vezes não só perturbando a turma, mas afligindo a criança, que tem de se adaptar e agir para além de seus limites - dentro dos quais poderia se sentir bem, confortável e feliz".
Ou seja, "inclusão geral" é somente um modismo politicamente correto – e não uma expressão do espírito de solidariedade do ser humano. Deficientes são "forçados" a conviver com seus coleguinhas da escola tradicional e se "afligem" por isso. Falando por eles, a escritora afirma que se sentiriam "bem, confortáveis e felizes" se segregados do convívio com crianças da mesma idade.
Na verdade, a escritora está somente projetando seus sentimentos sobre aquelas crianças: é ela que se sente "forçada" a conviver com realidades que preferia evitar; é ela que se "aflige" e se "perturba" com essa nova situação; é ela que sente dificuldade em se "adaptar" a algo que está "além dos seus limites" restritos – dentro dos quais vivia "bem, confortável e feliz". Um retrato perfeito do estrago que os novos tempos estão causando nos corações e nas mentes dos elitistas.
Por trás de supostos argumentos para defender direitos exclusivistas, vê-se claramente a imagem da tela de Edvard Munch, "O Grito". Da boca da imagem desesperada ouvimos: "Socorro! O que eles estão fazendo com o meu mundo?!".
No fundo, é simbólico: essa turma não consegue acessar sentimentos de solidariedade e congraçamento nem nas festas de fim de ano.
Um Ano Novo Solidário para todos.
O Escritor
* * *

 

Recado para Lya Luft


Lya Luft, ofereço a você esta poesia. Quem sabe que, você, grande escritora, comece a entender que a sua intolerância, pautada aqui, é inútil, mesquinha e desumana. Tudo passa, amiga escritora. O Brilho da academia são os brilhos dos refletores que um dia apagam. Ah! amiga sofredora e desumana, a inclusão social do p.n.e (você sabe o que esta sigla significa?) não é uma questão do Estado e da sociedade feita pelo homem. É uma questão transcendental. Mas isto não se aprende na academia não é? Quanto à academia, parece que eu tirei mais proveito, pois sei tributar à inclusão social e a poesia.

TRIBUTO AO AUTISMO

Silvania Mendonça Almeida Margarida

Era preciso que pais, mães e
profissionais se unissem
Em torno de síndrome desconhecida
Aspirassem viver como uma poesia
o autismo e as labutas do dia a dia
A essencial atmosfera dos sonhos lúcidos
E dos ritmos elementares das estereotipias.
Era preciso que pais fossem
extremamente políticos
Polidos e, às vezes, oprimidos,
Mas na labuta constante
com filamentos de ternura
e risos dispersos
ao tempo de um heroísmo
Que só espalha alegria.

O autista tem ritmos elementares
Como vindos da cidadezinha do interior
Ou do canto do céu sem dizer o porquê.
Pequenos cantores teimosos
que cantam a liberdade no silêncio contido
as cantigas de ninar e a vontade de ser...

A vontade de ir ao futebol,
A alegria de se ter uma boneca
Os ritmos dos irmãos que saíram
E ele tristonho não pode acompanhar
E tentar dizer que se parece
Com qualquer gente do mundo
E a normalidade é coisa estéril...

Os olhos melancólicos a dizer:
“Pertenço também ao seu mundo
Embora de maneira diferente
Venha me resgatar!
E eu darei a você trejeitos!
Não me abandone aos remédios
Não me deixe sem orações
Você me ensina a rezar”.

“Se o mundo me repeliu,
Você que prolonga o meu amor
Que me dá carinho e fervor
Leva-me pelas estradas do meu universo
Autista sou e este é meu jeito de amar”...

“Pais, mães e profissionais
Também os amigos que possam me compreender
Falem por mim os que não estão sujos de tristeza
que não ficam ferozes no desgosto de tudo
e não são revoltados pelo recanto do meu eu
Cantem a música inédita, aquela que mais entendo
As músicas das mãos e da compreensão,
Do amor e do amadurecimento,
Do encantamento e da nobreza do olhar,
A mais bela poesia que o autista humilde pode encontrar.”

"E digam ao mundo inerte que o meu canto aquebranta
Que as Inteligências múltiplas, elas não existem,
nem faço muita questão do tema do meu hino
que foi criado por Deus em torno de você
“Eu autista que sou,
Faço as flores do outono,
nos dias de abril
que mando por via postal
ao inventor dos jardins"
para que precisamente no dia “dois”
Divulgue ao mundo que o autismo é um jeito de ser"...

"Ser tão sozinho em meio a tantos ombros,
andar aos mil num corpo só, franzino,
e ter braços enormes sobre as casas”
É ter asas para voar, para aprender,
A meditar, repito sem medo de errar,
O autismo é um jeito de ser
e um dia terá que passar”
Silvania Mendonça Almeida Margarida
* * *
Lya Luft demonstrou ignorância sobre a questão, misturando doença mental com deficiência, qualificando ironicamente de "politicamente correto" o que é fruto de décadas de estudos e pesquisas acadêmicas, luta e mobilização política das pessoas com deficiência no mundo todo. Há fundamentação teórica para sustentar a proposta de inclusão escolar; é só pesquisar que se encontram estudos a respeito. Além disso, há uma grande diferença entre inclusão - quando o ambiente se modifica e se abre para a diversidade, tornando-se acessível a todos - e "integração" - conceito ultrapassado, segundo o qual a pessoa com deficiência teria que se aproximar o máximo possível dos padrões "normais" para tentar se adequar, de modo que o esforço todo parte do próprio indivíduo, sem alterações no ambiente social. Seria interessante Lya Luft e outras pessoas darem uma olhadinha na Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência, da ONU, assinada por 192 países, da qual o Brasil é signatário, e cujas resoluções têm atualmente estatuto de lei no Brasil. Só para colocar mais lenha na fogueira, acrescento ainda que, diferentemente do que diz Luiz Nassif, não se trata de uma questão de solidariedade, mas de DIREITO. É diferente. A perspectiva é de cidadania, igualdade de direito de acesso aos bens sociais, e não "solidariedade", que parece conter, nos meandros de seus significado, a velha ideia de caridade. Como vemos, os sentidos historicamente construídos sobre deficiência estão entranhados em todos nós, e são debates como este que podem auxiliar a modificar esses sentidos.
Maria Eduarda Silva Leme
* * *
Sou mãe de uma criança com PC leve, com comprometimento motor leve, dificuldade de fala, e cognitivo preservado.
O Diego é uma criança amorosa, calmo, medroso até. Anda, pula, escreve, tudo do seu jeito, mas é independente.
Até aqui poderiam dizer, e daí???!!!! É uma criança normal. Não!!!
O Diego é normal para o "mundo" das crianças com deficiência, e é "deficiente " para o mundo dos "normais".
E ai eu pergunto, onde ele se encaixa?????
Com 2 anos ele foi para a escola regular, até os 4 anos tratado como bebe, e a partir daí tratado com "incapaz". "Incapaz" de acompanhar os amigos, incapaz de se alfabetizar, incapaz de alcançar os "objetivos propostos" ou seja, precocemente ROTULADO como INCAPAZ, e afinal para que "perder tempo em ensiná-lo"?????
Cheguei a ouvir da psicologa: " A vida é assim mesmo. Quem não tem capacidade fica para trás!!!.
Certíssima!!!! O que eu mãe poderia esperar dele??? O que estava fazendo ali no meio dos "normais"???
Questionei meu discernimento de mãe e fui buscar uma escola ESPECIAL.
O que descobri? Meu filho não se encaixa em escolas especiais. Ele não é TÃO COMPROMETIDO.
Bom, sim... e agora!??? Sai em busca de escolas (até então particulares) que aceitassem meu filho e pudessem trabalhar com suas dificuldades ( motoras, diga-se novamente). Resultado: Porta na cara!!!! várias...

As escolas regulares não o aceitaram... não sabiam o que fazer com ele.
Enfim... a tal INCLUSÃO realmente não é facil, porém carece muito mais de boa vontade, espirito aberto e bom senso do que propriamente recursos fisicos e teorias.
Não fosse pela "obrigatoriedade" da inclusão escolar, meu filho estaria em casa, impedido de desenvolver seu potencial, destinado ao isolamento social.
O que mais me incomoda no texto de Lya Luft é a generalização do dito "deficiente", o que mostra total ignorância sobre a diversidade de graus que esta condição apresenta.
Valeria Macedo
No Advivo
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Charge online - Bessinha - # 1637

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