25 de mai. de 2013

A revolução da carne artificial

Um pesquisador holandês desenvolveu o primeiro hambúrguer feito com células-tronco.
Legenda
Nada mais de abatedouros, nada mais de sofrimento animal?
A ONU recentemente sugeriu que a solução para a escassez de alimentos no mundo poderia ser suprida com a ingestão de insetos. A resposta que a ciência encontrou, porém, é outra: carne produzida em laboratório. Ou seja, nada mais de abatedouros, nada mais de sofrimento animal.
Já no ano retrasado, houve notícias sobre o desenvolvimento desta carne artificial. Mas apenas na semana passada o pesquisador holandês Mark Post anunciou oficialmente o primeiro hambúrguer feito a partir de células-tronco, o qual ele pretende disponibilizar para a degustação do público em breve, num evento em Londres.
Para realizar tal façanha, foi necessário extrair células do pescoço de uma vaca e criá-las em culturas de soro fetal de vitelo, entre outras requisições. A cultura de bilhões de células demora e é muito custosa; o hambúrguer saiu por 325 mil dólares. Então o próximo desafio de Mark e seus colegas é, agora, desenvolver um processo para baratear a sua produção.
A carne, em si, não tem aquela forma à qual estamos acostumados – não é somente jogar umas células numa placa de petri, esperar uns dias e ter uma peça de picanha suculenta à frente. Para se desenvolver desta forma, as células necessitam do estímulo do animal, para que o músculo tome forma. Sendo assim, o hambúrguer talvez tenha gosto de carne, mas não a sua consistência.
Estes, contudo, são os passos iniciais. A perspectiva do pesquisador é criar um conceito — de que é possível, sim, criar comida em laboratório. E, uma vez que este conceito seja desenvolvido e barateado, a criação de carne em laboratórios poderá revolucionar a escassez de alimentos que enfrentamos hoje, e o problema aparentemente insolúvel de sustentar 9 bilhões de habitantes na Terra nas próximas décadas.
A criação de alimentos produzidos artificialmente apresenta uma série de vantagens para o meio ambiente. Em primeiro lugar, é claro, os animais não terão quer ser mais criados para, depois, serem abatidos para o nosso consumo — o sonho de qualquer vegetariano ativista.
E, sem o gado, torna-se dispensável terra para pastagem, o que solucionaria tanto a falta de espaço para pecuária, como o desmatamento para criação de terras de pastagem. O espaço “sobressalente” poderia ser destinado a culturas do agronegócio e, por que não, reconstituição da fauna e compensação de liberação de gás carbônico utilizado na criação da carne. Além disso, sem gado pastando, boa parte do escoamento da produção de suas rações seria destinado para outros – no caso, seres humanos.
Estima-se que em 2030, a produção de metano pela agricultura pode aumentar em 60%. Atualmente, na Nova Zelândia, a atividade pecuária é responsável por 34% das emissões de gases do efeito estufa – o que é proporcional à quantidade de cabeças de animais por país. Sem a necessidade de animais para o abate, uma porcentagem considerável destes gases deixará de ser emitida para a atmosfera, contribuindo no controle do efeito estufa.
A carne produzida também economizará o gasto de água – tanto para o gado, quanto para as pastagens – o que ajudará a solucionar outro problema futuro: a escassez de água potável.
Mark Hunt
O pesquisador Mark Hunt em ação no laboratório
David Nordon
No DCM

Observação importante:
No futuro um hambúrguer de carne bovina natural é que custará cerca de US$ 325 mil. Aproveite agora!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários com links NÃO serão aceitos.

Os comentários são de total responsabilidade de seus autores e não representam necessariamente a opinião do blog

Comentários anônimos NÃO serão publicados, como também não serão tolerados spams, insultos, discriminação, difamação ou ataques pessoais a quem quer que seja.

É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O blog poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.