22 de dez de 2012

‘Marighella’ resgata protagonista da luta armada esquecido pela história oficial

Livro do jornalista Mário Magalhães revela que guerrilheiro estava desarmado quando foi morto pelo Dops, em 69. Biografia revela doações de artistas como Miró e Godard e “mensalinho” pago por Adhemar de Barros ao comunista


Dops-RJ / Divulgação biografia Marighella
Marighella mostra a jornalistas ferimento a bala em prisão no cinema, em 1964


O jornal francês “Le Monde” o chamava de “mulato hercúleo”, a revista Time fantasiou olhos verdes – eram castanhos –, a CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos) o descreveu em relatórios como “sucessor de Guevara” e inspirador de movimentos revolucionários na América Latina. Deputado da constituinte de 1946, cassado quando o partido foi declarado ilegal, o baiano Carlos Marighella aderiu à luta armada durante a ditadura militar, instituída em 1964.
Fundou e comandou a maior organização do gênero, a ALN (Ação Libertadora Nacional), e passou a “inimigo público número 1”, nas palavras do ministro da Justiça, Gama e Silva. Marighella viveu e sofreu quatro das décadas mais intensas da política nacional.
Desarmado, sem seguranças e de peruca, sua vida acabou com quatro tiros, em novembro de 1969, ao tentar alcançar o veneno que levava na pasta, em um “ponto” da ALN, na Alameda Casa Branca, em São Paulo. Organizada pelo temido delegado do Dops (Departamento de Ordem Política e Social) paulista Sérgio Paranhos Fleury, que lhe deu voz de prisão antes da fuzilaria, a operação tinha mais de 30 policiais. “Matamos Carlos Marighella”, contou uma agente à mãe, por telefone.
Figura notória na ditadura, quando estampou duas capas da revista Veja, Marighella passou a um nome esquecido da História brasileira, quase ausente nos livros escolares e desconhecido da juventude. O jornalista Mário Magalhães, 48, dedicou nove anos – mais de um terço de sua carreira de 26 anos – para resgatar a história “de cinema” desse neto de escravos e filho de italiano em 732 páginas no livro “Marighella – O Guerrilheiro que incendiou o mundo”, da Companhia das Letras (R$ 56,50).
Invisível nos livros de História


Polícia SP/ Divulgação biografia
Marighella fichado pela polícia política, em 1939, em São Paulo


“De todos os brasileiros, a vida que identifiquei como a mais fascinante a ser contada foi a de Marighella. Pode-se não gostar dele, mas é impossível ficar indiferente a ele. É um gigante da História do Brasil e um dos brasileiros com maior projeção no exterior. A ausência dele nos livros de História é uma desonestidade intelectual – seria o equivalente a tirar Carlos Lacerda. Não defendo que o promovam, mas não podem omiti-lo”, disse Mário Magalhães ao iG.
Tendo passado boa parte de sua atividade política na clandestinidade, Marighella dificultou o trabalho de seu biógrafo, não tendo deixado diários ou agendas. Para escrever sua reportagem predileta, Magalhães entrevistou 256 pessoas, consultou bibliografia de 600 livros e pesquisou em 32 arquivos públicos – no Brasil, Rússia, República Tcheca, Estados Unidos e Paraguai.
A obstinação – quase obsessão – de Mário Magalhães pela comprovação da prova jornalística o levou a fazer 2580 notas. “A vida de Marighella é tão espetacular que daria margem ao leitor imaginar que havia ficção em um livro que só narra fatos reais. Além disso, é direito do leitor saber a origem de cada informação”, justificou.
Pelo projeto de contar a história “de um brasileiro maldito”, “tido como meio amalucado até por amigos próximos”, Magalhães deixou um confortável emprego na Folha de S.Paulo, onde tinha sido ombudsman e trilhara carreira de destaque e prêmios.
Ateu no candomblé e doações de artistas


Divulgação/Biografia Marighella
Após ser baleado no cinema no Rio, é levado preso


Na pesquisa, foram ouvidos da professora no Ginásio da Bahia ao policial que o revistou logo após a morte e revelou que o guerrilheiro não estava armado – refutando a versão policial, que ficou registrada na História. As descobertas do autor corrigiram lendas, como essa, e revelaram histórias pitorescas.
Mulato baiano da Fonte Nova, Marighella não bebia, não fumava e, embora se declarasse ateu, Magalhães descobriu que o filho de mãe carola iniciou-se no candomblé, e se descobriu “filho de Oxóssi”. Amante da poesia – no colégio, respondeu uma prova de física com versos –, o guerrilheiro mais procurado do País encontrou tempo para, na clandestinidade, escrever, imprimir e distribuir um livro de versos, boa parte deles eróticos. Inspirou artistas como o catalão Joan Miró e os cineastas Jean-Luc Godard e Luchino Visconti a fazer doações a sua causa.
Tortura


Divulgação biografia Marighella
Marighella, aos 24 anos, após três semanas de tortura, no Rio


Pela tortura, passou uma vez, em 1936, sob Getúlio Vargas, nunca durante a ditadura militar iniciada em 64. Foram 22 dias de suplícios nas mãos da polícia. Socos no estômago, golpes com canos de borracha nas plantas dos pés, foi açoitado nos rins, costas e nádegas. Pontas de cigarro eram apagadas no seu corpo. Com um alfinete tirado da gravata, um policial enfiou-lhe o metal sob as unhas, dedo por dedo.
Tornou-se liderança do Partido Comunista Brasileiro nos anos 40, década que dividiu entre presídios em locais paradisíacos, como Fernando de Noronha (PE) e Ilha Grande (RJ), e a Assembleia Constituinte, no Rio. Após ser libertado da prisão política pelo regime de Getúlio Vargas, no pós-guerra, elegeu-se deputado pela Bahia, na bancada comunista que incluía o escritor conterrâneo Jorge Amado. O “Cavaleiro da Esperança” e líder máximo do PCB Luís Carlos Prestes, foi eleito senador pelo Distrito Federal.
O deputado tinha três ternos, doados, e amarrava as mangas da camisa com cordinhas; o cinto partiu-se e adaptou outra corda, qual capoeirista. Homem de partido, destinava 92% do seus 15 mil cruzeiros mensais – equivalente a R$ 20.926, em valor corrigido pelo IGP-DI – ao PCB. Vivia com 1200 cruzeiros – R$ 1674 – por mês, e dividia o apartamento com uma família e um amigo. Acabou cassado em 47, com o voto do futuro presidente Juscelino Kubitschek, depois de o TSE pôr o PCB na ilegalidade.
Terrorista


Nos anos 50, organizou greves, foi à China e à União Soviética. Veio a ditadura em abril de 64, e em julho quiseram prendê-lo em um cinema na Tijuca. Reagiu, levou um tiro e foi levado no camburão. Mais adiante, passou à luta armada, quando Moscou era contra e rompeu com o PCB. Criou a ALN e aparecia nos cartazes de “terroristas procurados” do regime militar.
Homem de ação, escreveu o “Minimanual do Guerrilheiro Urbano”, apanhado de erros e acertos da ALN que se tornou um sucesso na esquerda internacional. Em “Ditadura Escancarada”, o jornalista Elio Gaspari diz que o “guerrilheiro urbano de Marighella é algo mais que um super-homem”. A descrição é a de, no mínimo, um James Bond, o 007 dos filmes e livros de Ian Fleming.


Divulgação/ Biografia Marighella
Marighella deputado, com um dos seus três ternos
“É muito importante aprender a conduzir um automóvel, pilotar um avião, dirigir um barco a motor ou a vela”, [o guerrilheiro] deve “conhecer a arte de se disfarçar”, ter “conhecimento de química e de combinação de cores, fabricação de carimbos, o perfeito conhecimento de caligrafia e de imitação das escritas”, “ser um grande tático e um bom atirador”. O próprio Marighella falharia em cumprir uma das mais prosaicas “exigências”: não dirigia. A peruca do disfarce tampouco enganou a polícia na noite de sua morte.


Divulgação / biografia Marighella
Capa da biografia de Marighella, de Mário Magalhães


Magalhães afirma que, apesar de se definir como “terrorista” e guerrilheiro, Marighella condenava atentados contra alvos civis e usava a concepção de “terror” da Resistência francesa à ocupação nazista na 2ª Guerra Mundial.
Na ilegalidade, o protagonista do livro recebeu dinheiro da União Soviética e o autor revela até um “mensalinho” do insuspeito governador de São Paulo Adhemar de Barros – cujo cofre, após a morte, abasteceria outra organização armada, a VAR-Palmares, que o roubou no Rio.
O famoso “ouro de Moscou”, entregue ao PCB no início dos anos 1960, equivaleria hoje a algo entre US$ 752 mil e US$ 1,13 milhão pagos anualmente e superava, para efeito de comparação, o arrecadado em 30 roubos pela ALN em 1968. Antes chamado de “traidor” por Marighella, Adhemar de Barros lhe pagava um “mensalinho” de cerca de US$ 10 mil, em apoio ao PCB clandestino. “Esse mensalinho não lustra a biografia de ninguém”, disse Mário Magalhães.
Fez curso de guerrilha em Cuba e mandou guerrilheiros para lá, comandou assaltos, teve amantes – dizia que “o adultério é tão inevitável como a morte” – e foi espionado pela CIA e o KGB. Mesmo dirigente máximo da ALN, organização de luta armada que fundou, foi “o último a saber” do mais audacioso golpe da guerrilha no Brasil: o sequestro do embaixador americano Charles Elbrick, em setembro de 69. Foi ação da DI-GB (Dissidência Comunista da Guanabara), com o apoio da ALN. “Cutucaram a onça com vara curta”, pressentiu Marighella.
Morte


Divulgação/ Biografia Marighella
Mário Magalhães levou nove anos para escrever a biografia de Marighella

Foi morto exatos dois meses depois, pela equipe do policial Sergio Fleury, cujos métodos de tortura superavam os do nazista Klaus Barbie, o “Açougueiro de Lyon” da 2ª Guerra Mundial, na avaliação de um ex-membro da Resistência francesa, sobrevivente do suplício físico nos dois lugares.
Diferentemente do que a polícia alardeou à época, estava desarmado e sem seguranças. Segundo o autor, Marighella só portava seu revólver calibre 32 ou sua pistola 9mm em ações, o que não ocorria já havia algum tempo.
O guerrilheiro – ou terrorista, dependendo do ponto de vista – mais procurado do País morreu sozinho, cercado de inimigos.
Lançado no fim de outubro, no ano seguinte ao centenário de nascimento do protagonista, o livro já teve 27 mil exemplares impressos (a tiragem inicial foi de 12 mil) e recebeu o Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Artes, como melhor biografia de 2012.
O autor disse ter recebido três sondagens para adaptações para o cinema. “A dúvida é se o ator principal será Denzel Washington ou Wesley Snipes. As mulheres preferem Washington”, brinca.

Secretaria da Segurança Pública SP/DIvulgação
Marighella, morto no Fusca, em 1969

Raphael Gomide
No iG
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Médico diz que o "Brasil pode ser 1º país a derrotar a Aids"

Dr. Luiz Loures, médico especialista em cuidados intensivos
(Crédito da foto: Nicolas Lieber | Divulgação)
Médico brasileiro espera ver o fim da epidemia da Aids em 15 anos. O Dr. Luiz Loures foi escolhido pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, para coordenar as políticas públicas da Unaids. A informação foi divulgada na coluna "equilíbrio e saúde", da Folha de S. Paulo.
A reportagem de Johanna Nublat informa que o médico vai assumir em janeiro a vice-diretoria executiva dos programas da entidade e também um cargo mais político, o de secretário-geral assistente da ONU.
Luiz foi um dos pioneiros no cuidado a pacientes com Aids no Brasil. Loures está há 16 anos na Unaids, hoje em Genebra.
O especialista diz que o Brasil tem condições de ser o primeiro país a declarar o fim da Aids. Mas, para isso, é preciso quase dobrar o número de pessoas em tratamento, investir em diagnóstico precoce e no fim do preconceito.
Dr Luiz Loures explica que "o teste de Aids tem de virar rotina. Não é bicho de sete cabeças, tem de haver mudança nesse sentido. Qualquer pessoa no mundo tem o direito e tem de saber se está ou não infectada. É aí que começa o fim da Aids, começa com cada indivíduo."
O médico também falou sobre dois desafios fundamentais. Segundo ele o primeiro é: "nos grupos mais vulneráveis, como o homossexual masculino. A discriminação ainda é o fator mais importante em muitos países, 78 países criminalizam a relação com o mesmo sexo. Não tem como pensar que o homossexual vai procurar o serviço de saúde se tem o risco de ser pego."
Já o segundo está relacionado ao usuário de droga: "a epidemia na Europa Oriental é a que me preocupa mais no panorama mundial. A questão fundamental é o seguinte: o usuário de droga é um problema de saúde, não é um problema de polícia," disse o especialista.
"Quem se trata não só cuida da sua saúde como corta a transmissão", ressaltou o Dr. Luiz Loures.
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As chances que o STF perdeu de se mostrar isento

Toda crítica baseia-se em parâmetros, critérios e valores que teriam sido desrespeitados por quem as recebe. Vamos explicitar esse conteúdo, então. Como deveria ter transcorrido o julgamento da AP 470?
1. Os ministros deveriam ter revelado autonomia na marcação do julgamento, escolhendo a data mais apropriada às suas conveniências. Ao contrário, cederam à imposição da mídia, que baseou sua pressão numa mentira: o processo correria o risco de prescrição se não fosse resolvido neste ano.
2. Aceita a pressão, os ministros deveriam ter disciplinado a transmissão pela TV para não transformar o julgamento em programa televisivo com torcidas contra e a favor. Liberaram a transmissão contínua, e o julgamento se transformou no maior reality show da história do Direito: mais de 250 horas de transmissão (53 sessões plenárias).
3. Consumado o cenário de show, deveriam ter se comportado como juízes, mantendo um comportamento digno de sua posição: os mais importantes magistrados do País. Não foi o que aconteceu com os principais protagonistas: vários agiram como celebridades ante os holofotes ligados, "jogando para a plateia", transformando intervenções para os autos em discursos para os espectadores, e enunciando juízos que extrapolaram em muito o conteúdo do processo – apenas porque tinham certeza de sua repercussão imediata. Quantas declarações dessas trouxeram o selo "Jornal Nacional"?
4. Durante o julgamento, deveriam ter firmado uma posição contra interferências externas, em especial a mais flagrante: a pressão da grande mídia. Ao contrário, o mais destacado membro da Corte demonstrava nervosismo toda vez que a programação (da mídia, não do tribunal) parecia atrasar um pouco. Quase se podia ler no seu comportamento: "As eleições se aproximam; vamos acabar logo com isso?"
5. Escancaradas as sessões, tinha-se uma grande oportunidade de mostrar ao País o funcionamento democrático de uma instituição. E o que se viu? Afirmações ríspidas, desrespeitosas e agressivas do relator contra o único membro que ousava divergir de suas posições. A demonização do colega oponente pela mídia e por parte da sociedade não recebeu nenhum comentário da parte daquele que a comandava, internamente. Coleguismo zero.
6. Outra grande oportunidade: reforçar na mente dos cidadãos os preceitos básicos da Justiça: todos têm direito a um duplo julgamento, ninguém será condenado sem prova conclusiva, o que vale para um caso também vale para casos semelhantes, réus e advogados merecem o respeito da Corte, o acesso a informações e processos decisivos para uma boa defesa será garantido com plenitude, as alegações dos defensores serão consideradas e refutadas, se for o caso, com propriedade. Qual a impressão geral deixada pelo julgamento? Se um juiz quiser, condena – basta ele querer.
7. Ao decidirem as penas dos condenados, os juízes deveriam ter avaliado a relação delas com penas de crimes muito mais graves, contendo o ímpeto inquisitorial, e deveriam refutar qualquer tentativa externa de impor alterações nessas penas. Ao contrário, fixaram penas que mesmo os seus admiradores consideraram excessivas e depois cederam à pressão orquestrada da mídia, que no último momento exigiu um benefício ao delator dos demais condenados.
8. Ao darem seus votos finais, os ministros deveriam aproveitar a oportunidade para deixar uma impressão positiva do funcionamento da Justiça, reafirmando seus valores e, no caso em questão, adiantando sugestões para que casos semelhantes fossem evitados. Intoxicados pela fama, alguns deles preferiram dar vazão à agressividade contra os réus e optaram por discursos de palanque em que a própria atividade política saiu criminalizada. A saideira? Chamar o Legislativo para o confronto aberto.
9. O iniciador do processo, o Procurador-Geral da República, deveria demonstrar em seus atos e falas a intenção de que a Justiça fosse feita, independentemente de suas conclusões, já que o caso estava nas mãos dos principais juízes do País. Mas logo no início do julgamento solicitou a prisão imediata dos condenados, fez declarações partidárias contra o PT, lançou uma inédita "cartilha do mensalão" (cuja existência ainda não estava provada) e depois, às vésperas das eleições, afirmou que desejaria que o resultado do julgamento influenciasse as eleições, politizando de vez a sua atuação.
10. Ele mesmo, o PGR, deveria respeitar a vontade majoritária do Supremo, conhecida de todos, quanto à questão da prisão dos condenados. O que fez? Deixou de lado pudores e valores, retirou o pedido ao final do julgamento e o reapresentou para decisão exclusiva do mais rígido de todos os magistrados. E baseou seu pedido na pressuposição (ou melhor, previsão) maldosa de que todos os recursos teriam mera função protelatória (sem ter acesso ao conteúdo de nenhum deles). Chocou, mais uma vez, a consciência jurídica do País, com um pedido para que houvesse prisões antes do trânsito em julgado das sentenças – mais uma possível violação de um direito constitucional do cidadão.
Para quem pouco entende dessa sopinha de siglas (STF, PGR, MPF), a discrepância entre o que deveria ter acontecido e o que aconteceu trouxe somente uma certeza: a Justiça que merecemos não é a Justiça que temos.
O Escritor
No Advivo
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No Blog do Zé

Boas Festas!
Publicado em 22-Dez-2012

Desejo a todos vocês e a seus familiares um Feliz Natal e um excelente 2013.
A partir de hoje, o nosso blog entra em recesso. Minha gratidão pelo apoio, solidariedade e carinho que, mais uma vez, vocês me prestaram neste ano.
Temos um encontro aqui no próximo dia 7 de janeiro.
Abraços do Zé  
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Charge online - Bessinha - # 1620

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Quando a liberdade de expressão incomoda



Justiça proibe Record de reprisar entrevista. Cadê a mídia golpista clamando por liberdade de expressão?
Record é proibida de reprisar entrevista com assassino da filha de Gloria Perez
Depois da repercussão que teve a entrevista que o assassino de Daniella Perez, filha da autora Gloria Perez, 64, concedeu à rede Record, a mãe da vítima não deixou barato e tomou providências. Após entrar com um pedido judicial, Gloria conseguiu proibir a emissora de reprisar a reportagem em que o Guilherme Pádua aparece falando sobre o crime.
A autora postou em seu Twitter uma imagem onde explica o que foi decidido pela Justiça: "A 12ª Vara Cível do Rio proibiu a TV Record de reprisar reportagem em que Guilherme Pádua, condenado pelo assassinato de Daniella Perez, fala sobre o crime. A Justiça também proibiu a exibição, sem autorização prévia, de imagens da atriz e de sua mãe, a novelista Gloria Perez".
Na mesma imagem, ainda é definido o que acontecerá caso a emissora descumpra a ordem judicial. "A multa será de R$ 500 mil por aparição, segundo o advogado Paulo Cezar Pinheiro Carneiro Filho.". O advogado ainda falou que não pode permitir que o assassinato de Daniella seja usado para gerar lucros para o seu assassino e para quem lhe cede o palco, já que a moça faleceu, mas sua mãe ainda está viva.
O crime aconteceu em 1992, quando Guilherme Pádua, que tinha 23 anos, e sua mulher Paula Thomas, que tinha 19 anos, se envolveram em uma discussão com Daniella e deram 18 golpes com uma tesoura, matando a atriz. O motivo do assassinato não foi esclarecido até hoje. Guilherme fazia par romântico com Daniella na novela "De Corpo e Alma".
No Terra Brasilis
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CGU demite dirigente da UFRJ e suspende outros dois

Controladoria conclui processo disciplinar e demite dirigente da UFRJ acusado de valer-se do cargo em proveito pessoal. Outros dois sofreram pena de suspensão por 30 e 90 dias.
A Controladoria-Geral da União (CGU) concluiu o julgamento do Processo Administrativo Disciplinar instaurado para apurar responsabilidades por irregularidades ocorridas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). No julgamento, publicado nesta sexta-feira (21) no Diário Oficial da União (DOU), o ministro-chefe da Controladoria, Jorge Hage, decidiu aplicar a penalidade de demissão ao professor Geraldo Luiz dos Reis Nunes, acusado de valer-se do cargo para contratar, de forma irregular, empresa na qual figura como sócio-proprietário.
Outra decisão foi a suspensão, convertida em multa de 50% da remuneração, a outros dois dirigentes. Um deles, o atual reitor, Carlos Antônio Levi da Conceição, que era pró-reitor de Planejamento e Desenvolvimento à época dos fatos, foi punido com penalidade de suspensão por 30 dias. O outro, João Eduardo do Nascimento Fonseca, que era o chefe do Gabinete da Reitoria e ordenador de despesas, foi punido com suspensão por 90 dias. Ambas as suspensões foram convertidas em multa de 50% da remuneração e os servidores devem permanecer em serviço, conforme autoriza a Lei 8.112/90.
O processo apurou que a empresa Turbulência Consultoria e Serviços Ltda., da qual Geraldo Nunes era sócio proprietário, foi contratada, sem licitação, por R$ 27,7 mil, para prestar serviços ao setor que Nunes comandava na época (Setor de Convênios e Relações Internacionais). Segundo o processo, “houve flagrante violação ao princípio da impessoalidade, de forma dolosa, em razão do evidente conflito de interesses verificado tanto na titularidade da empresa contratada, como em razão do benefício próprio auferido com a contratação”. Por essas razões, incidiu ele na hipótese legal do denominado valimento do cargo para lograr proveito próprio, além da vedação de participar da gerência ou administração de empresa (art, 117, incisos IX e X, da Lei 8.112/90).
Já Carlos Levi e João Eduardo Fonseca descumpriram os deveres legais previstos no art. 116 da mesma lei: observar as normas legais e regulamentares e exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo.
No CGU
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CIA, elites, setores do judiciário e oposição preparam golpe na Argentina e no Brasil

Amigos (as) vejam o amálgama do golpe em curso na Argentina e por tabela no Brasil. A mídia, especialmente a Globo da Argentina (Clarín), aposta no caos econômico-social na América do Sul.
No Brasil está em curso o golpe, perpetrado por setores da mídia (Rede Globo, Veja, Folha, Estadão) em sintonia com setores da PF, MPF, STF. O primeiro passo é a criminalização da política e mostra uma falência das instituições e do caos político no Brasil. E por isso, devemos estar vigilantes. 
Vejam abaixo o modus operandi do golpe que se avizinha na Argentina. A luta será encarniçada. E mais uma vez os EUA estão por trás, dando a logística necessária para o golpe nesta parte de cá das Américas.

Saques terminam com 2 mortos na Argentina


STRINGER: People carry boxes taken from the
A polícia usou gás lacrimogêneo e balas de borracha para frear dezenas de pessoas que tentavam entrar à força em um hipermercado da rede francesa Carrefour na populosa periferia norte de Buenos Aires. A presidente Cristina Kirchner acusa a oposição, os meios de comunicação e os empresários de tentar desestabilizar seu governo
BUENOS AIRES, 21 Dez (Reuters) - Duas pessoas morreram na sexta-feira durante saques a supermercados em uma populosa cidade argentina, enquanto agentes de segurança tentavam evitar mais ataques em outras localidades, numa onda de violência atribuída pelo governo a sindicatos da oposição.
A polícia usou gás lacrimogêneo e balas de borracha para frear dezenas de pessoas que tentavam entrar à força em um hipermercado da rede francesa Carrefour na populosa periferia norte de Buenos Aires.
Imagens de TV mostraram dezenas de jovens atirando pedras nos policiais que cercavam o supermercado localizado em San Fernando, cidade cerca de 30 quilômetros ao norte de Buenos Aires, onde há vários bairros pobres.
Os saques a supermercados começaram na quinta-feira em Bariloche, pólo turístico no sul da Argentina, e depois se estenderam a outras localidades das províncias de Buenos Aires, Santa Fé e Chaco.
"Quando se vê que levaram (TVs de) plasma, não é fome", disse à jornalistas o governador da província de Buenos Aires, Daniel Scioli, garantindo que os saques não foram protagonizados por pessoas com queixas sociais.
As imagens evocam o triste Natal que os argentinos viveram em 2001, quando o então presidente Fernando de la Rúa renunciou em meio a uma onda de violência e uma grave crise econômica e social, que jogou metade da população na pobreza.
A presidente Cristina Kirchner acusou em várias ocasiões a oposição, os meios de comunicação e os empresários de tentarem desestabilizar seu governo para frear reformas economias e sociais que seus críticos qualificam de populistas.
Cerca de 250 pessoas foram detidas nos saques. Em Rosário, principal cidade da província de Santa Fé, duas pessoas morreram baleadas em meio à onda de ataques a supermercados.
O governo mobilizou 400 policiais para reforçar a segurança em Bariloche, onde centenas de pessoas com os rostos escondidos saquearam um loja da rede norte-americana Wal-mart.
"Há um setor na Argentina que quer levar o caos, à violência e tingir de sangue nossas festas", disse a uma rádio o vice-ministro da Segurança, Sergio Berni, que estava em Bariloche. "Esta não é a mesma Argentina de 2001", acrescentou.
Mas a economia, que vinha se recuperando desde 2003, estancou neste ano, a situação fiscal e o ambiente para negócios se deterioraram, e a elevada inflação golpeia os bolsos da classe média e de setores com menores recursos.
Berni disse que a violência registrada na localidade portuária de Campana, cerca de 80 quilômetros ao norte de Buenos Aires, foi orquestrada por grupos vinculados a um sindicato de caminhoneiros dirigido por Hugo Moyano, que também dirige a central sindical oposicionista CGT.
"Talvez isso seja fruto da necessidade que muita gente está passando. Não posso imaginar que isso possa ser organizado por alguém", disse Moyano a uma rádio, sem responder às acusações do governo.
(Reportagem de Guido Nejamkis e Alejandro Lifschitz)
No Olhos do Sertão
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Sobre o xadrez da política - Notas 1

 
Leia “Para entender o xadrez da política – 1”  e
Para entender o xadrez da política – 2
Adicionalmente,
O Supremo abriu a Caixa de Pandora”.
Vou utilizar os dois posts iniciais como fio condutor do que considero cenário político básico, para amarrare filtrar as informações que considero relevantes para o caso. 
As Notas são informações adicionais, que completam ou retificam o cenário maior. Quando houver necessidade de consolidar o novo cenário, utilizarei o título original, sem as Notas.

Sobre Lula

  1. Lula não pretende colocar multidões na rua enfrentando o MPF ou o STF, a não ser em situação extrema – que está longe de ocorrer.
  2. A estratégia de Dilma será se afastar de qualquer ligação com o julgamento do “mensalão”, inclusive evitando manifestações de solidariedade aos condenados. Com Lula, a postura será outra. Dilma e todos ministros assumirão sua defesa, sempre que se fizer necessária.
  3. Do ponto de visto jurídico, os casos Marcos Valério, Rosemary e Freud – nos quais a mídia aposta para atacar Lula – não inspiram o menor receio em Lula, a não ser criar marolas e marolas.

Sobre o grupo dos cinco do STF

A riqueza e a vitalidade da democracia consiste em sua fluidez, no fato da confluência de opiniões não ser rígida, moldar-se a cada circunstância e a cada episódio. Especialmente em uma sociedade rica e complexa, como a brasileira.
Não era inédito o modelo de cooptação política no qual incorreram os réus do mensalão. Praticamente todos os partidos no Poder se valem de práticas similares. Em algum momento ter-se-ia que dar um basta. Calhou de ser nesse julgamento. Podia-se ficar por aí para legitima-lo.
O que assustou no comportamento do STF (Supremo Tribunal Federal) foi a facilidade com que os Ministros superaram a falta de provas, o rigor inédito das condenações, o discurso político irresponsável de alguns deles (puxados por Celso de Mello) e, mais do que isso, a aliança até então mais que improvável entre os “cinco do STF” – Joaquim Barbosa, Gilmar Dantas, Marco Aurélio de Mello, Celso de Mello e Luiz Fux.
Essa aliança não se restringiu ao julgamento do mérito. Prosseguiu na análise sobre quem teria o direito de cassar. E com discursos, como do irresponsável Celso de Mello, claramente destinados a produzir uma crise institucional.
Compare-se com o comportamento das Ministras. Votaram penas severas, em várias situações; em outras, não; no caso da prerrogativa de cassar, sua opinião divergiu dos “cinco do Supremo”. Ou seja, julgavam cada caso de acordo com seu entendimento, sem a preocupação de produzir efeitos políticos.
O discurso de Luiz Fux, na posse de Joaquim Barbosa, foi a comprovação da tentativa do STF de açambarcar competências dos demais poderes. Foi de um atrevimento ímpar, e devidamente combinado com Barbosa, não se tenha dúvidas.
Essa atitude criou em muitos setores a sensação da falta de limites do STF. Hoje pode servir para atingir nossos adversários; e amanhã? 
O Supremo poderia ter desmanchado essa sensação de ação orquestrada caso o pedido de prisão dos réus pudesse ser analisado por todos os Ministros. Mas a pouca esperteza de Roberto Gurgel – de aguardar o fim das sessões para encaminhar o pedido de prisão, para a decisão solitária de Joaquim Barbosa – impediu a prova do pudim sobre a isenção do STF.
A reação do presidente da Câmara Marcos Maia mostrou que a corda tinha sido esticada ao máximo.
Agora tem-se os seguintes dados novos:
1. A decisão de Joaquim Barbosa, ao não enviar os réus para a prisão, baixou a fervura.
O PGR foi amigo da onça de Barbosa. Se enviasse o pedido ao pleno do STF, arriscava-se a ser rejeitado. Ao enviar para a decisão solitária de Barbosa, jogou nas costas do presidente do STF um risco intolerável: o de ser responsável, sozinho, sem a retaguarda da decisão colegiada, por uma crise institucional. De qualquer modo, rompeu-se a ideia do alinhamento automático entre os “cinco” e Gurgel.
O próximo ano ainda está por ser roteirizado, mas pelo menos começa com a água num ponto mais baixo de fervura.
2. Luiz Fux não teve coragem de abrir a Caixa de Pandora do MPF.
Releia o post “O Supremo abriu a Caixa de Pandora”, sobre os desdobramentos incontroláveis do mensalão, especialmente na atuação do Ministério Público. Esta semana mesmo, ao julgar o poder de investigar do MPF, o voto de Luiz Fux foi uma ducha de água fria nas pretensões do MPF. Acabou restringindo mais sua atuação do que anteriormente.
Interessa ao STF um PGR que atuasse como Gurgel; não um PGR entregue à iniciativa dos procuradores. Ao mesmo tempo, a politização desnecessária que o PGR imprimiu ao processo gerou resistências também no Congresso.
Pena! O MPF tem uma atuação excepcional de defesa dos direitos sociais e individuais. Ficou em segundo plano devido à politização imprudente imprimida por Gurgel.
Luis Nassif
No Advivo
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PSDB lança Serra para concorrer à prefeitura de Biritiba-Mirim em 2016

PSDB lança Serra para concorrer à prefeitura de Biritiba-Mirim em 2016
Já em campanha, Serra participou da pegadinha o elevador. Dessa vez, quem se assustou foi a menina macabra e o candidato registrou tudo em seu instagram @serra2016
OSCAR FREIRE - Animada com o lançamento da candidatura de Aécio Neves às eleições presidenciais de 2014, 2018, 2022 e 2026, a cúpula do PSDB resolveu definir logo as funções de seus principais quadros. Apressado, José Serra movimentou-se para garantir a chance de concorrer à prefeitura de Biritiba-Mirim em 2016.
Irritado, o pré-candidato negou que tenha optado por concorrer em uma cidade menos expressiva. "Isso é intriga promovida pelo PT. A prefeitura de Biritiba é tão importante quanto a Presidência da República", bradou. Após elencar a cultura de vanguarda e o espírito transgressor do povo biritibano, Serra completou: "Quero parabenizar o escrete Show de Bola que derrotou a Equipe Amigos do Robério e conquistou a Taça Cidade de Biritiba-Mirim de Futebol."
Sem tempo a perder, Serra iniciou a campanha. Enquanto abraçava populares e ensaiava passos de samba no pé, cantarolou: "Doutor, eu não me engano, meu coração é biritibano", batucando em um pandeiro.
Fernando Henrique Cardoso elogiou a capacidade de renovação de José Serra.
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A nossa Nasa

 Conheça o desafio do pré-sal 

“O desafio do pré-sal” - o documentário
Esse vídeo de 43 minutos foi produzido no Brasil, e está sendo exibido no Discovery Channel (como conteúdo brasileiro).
Mostra o desafio de explorar o petróleo em águas profundas (a mais de sete mil metros), a tecnologia, a inovação e os novos materiais necessários a essa empreitada que envolveu (envolve) pesquisadores da Petrobras, do COPPE (UFRJ), e da USP.
Pode-se observar a criação da robótica capaz de manejar com equipamentos a grandes profundidades marítimas em condições adversas e inusitadas pela ciência, uma vez que o operador humano só consegue chegar a 500 metros de profundidade.
O Lula tem razão, o "pré-sal é a nossa Nasa", face às inúmeras possibilidades que abre não só pela apropriação econômica de uma riqueza natural (o que não foi o caso da Nasa), mas o fomento a transpor as fronteiras do conhecimento, aquisição de novas tecnologias geradas no País e formação de uma "massa crítica" genuinamente brasileira que capacita-nos a adentrar na terceira revolução tecnológica mundial em condições mais vantajosas.
É de lembrar também a figura de Getúlio Vargas, que nos anos 1950 vislumbrou na Petrobras a possibilidade de o País vencer as dificuldades abissais que resultaram do passado colonial e escravagista.
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Zé Dirceu, bem consciente, diante da prisão que não houve

Muito boa a reportagem de Mônica Bergamo, da Folha, acompanhando, desde as 5,30h da manhã de ontem, aqueles que poderiam ter sido os minutos que antecederiam a prisão de José Dirceu. Seria o Dia JD do chamado “mensalão”. Felizmente, isso não aconteceu. Tudo me pareceu mais uma pirraça do Procurador Geral da República, uma bobagem.
Apesar da tensão natural do momento, Dirceu demonstrou tranquilidade e ainda soube fazer análise da luta política que se trava no país. Belo flagrante da vida real. Abaixo, a reportagem na íntegra.

DIRCEU TEM MOMENTOS DE TENSÃO À ESPERA DA POLÍCIA
Mônica Bergamo

O interfone tocou ontem às 5h30 da manhã na casa do ex-ministro José Dirceu, na Vila Mariana, em São Paulo.
Um de seus advogados, Rodrigo Dall'Acqua, e a Folha pediam para subir.
O porteiro hesita. "Como é o seu nome? Ele [Dirceu] não deixou autorização para vocês subirem, a gente não chama lá cedo assim." Ele acaba tocando no apartamento do ex-ministro, ninguém atende. Dall'Acqua liga para o advogado José Luis Oliveira Lima, que está a caminho. Telefonemas são trocados, e Dirceu autoriza a subida.
Na saída do elevador, o ex-ministro abre a porta de madeira que dá para o hall. Por uma fresta, pede alguns minutos para se trocar.
Abre a porta.
Pega a Folha entre vários jornais sobre uma mesa. Comenta algumas notícias. Nada sobre a possibilidade de Joaquim Barbosa, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), decretar a sua prisão ainda naquela manhã.
Intuição
Está de camiseta preta e calça jeans cinza.
Senta no sofá da sala. A empregada ainda não chegou. Ele se desculpa. Não tem nada o que servir.
"Eu não vou dar entrevista para você, não", diz à colunista da Folha. "Podemos conversar, mas não quero gravar. Não estou com cabeça. Dar uma entrevista agora, sem saber se vou ser preso? É loucura, eu não consigo."
E, diante da insistência: "Estou com uma intuição, não devo dar".
Em poucos minutos, chegam o advogado Oliveira Lima, três assessores e uma repórter que trabalha no blog que o petista mantém.
Dirceu pega o seu iPad.
"Acho que eu vou lá [no escritório do apartamento] fazer um artigo para o blog. Mas falar sobre a situação econômica do Brasil, gente? Hoje? Eu não estou com cabeça." {Nota deste Blog: o Blog do Zé fez 5 posts ontem}
Hora marcada
Os advogados alertam: se houver ordem de prisão, a polícia deve chegar em meia hora, às 6h. Se até as 7h nenhuma viatura aparecer, é porque eventual ordem só sairia mais tarde. Ou então Barbosa não decretaria a prisão (o que acabou ocorrendo).
A Folha questiona se ele já tinha preparado a mala para ir para um presídio. "Eu não. Eu fui procurar, estou sem mala aqui. Achei uma mochila esportiva. Depois o Juca [o advogado José Luis Oliveira Lima] leva as coisas para mim. Ele vai ser a minha babá." No primeiro momento, só os advogados podem visitar o detento.
"Os policiais dão um tempo para a pessoa se arrumar [antes de levá-la presa]", explica Oliveira Lima.
Dirceu diz acreditar que Joaquim Barbosa não determinará a sua reclusão. "Ele não vai fazer, ele estaria rasgando a Constituição."
Diz que não está com medo da prisão. "Eu me organizo. Eu vou voltar a estudar. Vou fazer um mestrado, alguma coisa. E tenho que imediatamente começar a trabalhar na prisão. Até para começar a abater da pena."
"Se eu for para [a penitenciária de] Tremembé 2 [no Vale do Paraíba], dá para trabalhar." O presídio ofereceria as condições necessárias.
"Eu não sou uma pessoa de me abater. Eu não costumo ter depressão. Mas a gente nunca sabe o que vai acontecer. Uma coisa é falar daqui de fora, né? A outra é quando eu estiver lá dentro. Eu posso ter algum tipo de abatimento, sim, de desânimo. Tudo vai depender das condições da prisão. Às vezes elas são muito ruins, isso pode te abater muito."
Leitura
Dirceu ainda não sabe se, na cela, terá acesso a livros, jornais, iPad. "A lei permite, para o preso trabalhar e estudar. Tem gente aí até querendo mudar essa lei. Foi aprovada proibição no Senado, o PT bloqueou na Câmara."
Se puder acessar publicações, acredita que o tempo passará mais rápido. "São 33 meses. Não é fácil."
Analisa que poderá ser colocado numa cela com outro preso. "Isso pode ser bom, mas pode ser ruim também. Vai depender da pessoa."
Escola do crime
Diz que não tem medo de sofrer eventual violência no presídio. "Mas em termos. É um ambiente de certo risco."
Acha que o sistema carcerário nunca vai melhorar. "Isso não é prioridade de nenhum governo, nem dos governos do PT", afirma.
"Nenhum governo nosso se preocupou com essa questão, nenhum Estado se preocupou em ter um sistema modelo. É caro, não tem dinheiro. O governo federal é que deveria dar os recursos. Nós [no governo Lula] fizemos, construímos os presídios federais para isolar os presos de maior periculosidade. Tinha que fazer, senão virava uma escola do crime."
Os advogados consultam o telefone, os assessores leem jornais e a internet em busca de alguma pista sobre a decisão que Joaquim Barbosa em breve tomará.
'Oi, Bonitinha'
"Se ele [Barbosa] mandar me prender, vai pedir para que nos apresentemos, vocês não acham?", pergunta Dirceu aos advogados. "Não vão mandar polícia aqui, eu acho que ele vai dar algumas horas para eu me apresentar em algum lugar."
Atende o celular. "Oi, bonitinha. Você vem aqui me visitar?" É Evanise Santos, sua companheira, que estava em Brasília porque não tinha conseguido lugar no avião na noite anterior. Ela avisa que já está embarcando para SP.
"Para mim é uma tragédia ser preso aos 66 anos. Eu vou sair da cadeia com 70. São mais de três anos. Porque parte [da pena] é cumprida em regime fechado, mas depois [no semiaberto] vou ter que dormir todos os dias na cadeia. Sabe o que é isso?"
"Eu perdi os melhores anos da minha vida nesses últimos sete anos [em que teve que se defender das acusações de chefiar a quadrilha do mensalão]. Os anos em que eu estava mais maduro, em que eu poderia servir ao país", diz.
Luta política
"Eu transformei isso [mensalão] em uma luta política. Eu poderia ter ganhado muito dinheiro como consultor. Poderia estar rico, ter ganhado R$ 100 milhões. Mas é por isso que eu sou o José Dirceu. Tudo o que eu ganhei eu gastei na luta política."
Ele avisa à Folha que o presidente do PT, Rui Falcão, chegará às 7h. E que terá que interromper a conversa.
"Eu sugeri a eles que fizéssemos uma manifestação em fevereiro, colocando 200 mil pessoas na rua". "Eles" são o ex-presidente Lula e dirigentes do PT. Acha que nem todos "da esquerda" fazem a avaliação correta sobre "a disputa política em curso". "É preciso dar uma demonstração de força."
A disputa, no seu entendimento, incluiria a desqualificação não só de petistas, mas da política de forma geral.
Clichê
"Sempre foi assim. Parece clichê, mas em 1954 [quando Getúlio Vargas se suicidou] foi assim, em 1964 [no golpe militar] foi assim. Era a guerra contra a subversão e a corrupção. Depois entrou a Arena [partido que apoiou a ditadura]. Aí sim foi tudo à base de corrupção."
Ele acha que o PT falhou ao não estimular, nos últimos anos, uma "comunicação e uma cultura" de esquerda no país. "Até nos Estados Unidos tem isso, jornais de esquerda, teatro de esquerda, cinema de esquerda. É uma esquerda diferente, deles, mas que é totalmente contra a direita. Aqui no Brasil não temos nada disso."
A classe média está "vivendo num paraíso, e isso graças ao Lula". Mas, ao mesmo tempo, está sendo "cooptada" por valores conservadores.
Já disse a Lula que "o jogo pode virar fácil. Nós [PT] não temos a maioria, a esquerda ganha eleição no Brasil com 54% dos votos".
"É preciso trabalhar. A esquerda nunca teve uma vida tranquila no Brasil nem no mundo. Nunca usufruiu das benesses do poder."
grampos
"De 1889 a 1946, o poder era militar. Tudo era decidido por tenentes e depois pela cúpula militar. Depois, o país viveu seu período político, mas sempre sob tutela militar, até o golpe de 64. Só em 1989 retornamos [civis]. É tudo muito recente", diz.
"Ninguém hoje vai bater nos quartéis. A situação é outra: a esquerda ganha [eleição], mas não tem o poder midiático, o poder econômico. E nós [PT] nunca fizemos política profissional nas indicações do Judiciário, no Ministério Público, como outros governos fizeram. Nunca."
Ele segue: "O Ministério Público e a polícia com esse poder, esses grampos... isso está virando uma Gestapo. Quando as pessoas acordarem, pode ser tarde demais."
Natal
Para Dirceu, a maioria dos empresários não apoia o que seriam investidas contra Lula e o PT. Teriam medo de uma crise política, com manifestações e greves combinadas com uma situação econômica mais delicada.
E o empresário Marcos Valério, pode atingir Lula com suas acusações? "Esquece. Nem a mim ele conhece direito. Nunca apertei direito a mão do Marcos Valério."
Os advogados o chamam na varanda. Dirceu em seguida diz à Folha que precisa encerrar a conversa. Ele ainda esperaria sete horas até que, às 13h30, Barbosa divulgasse que não mandaria prender os réus ontem. Fez as malas e foi passar o Natal na casa da mãe em Passa Quatro (MG).
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