13 de dez de 2012

Manual de sobrevivência na selva das notícias

No meu "O jornalismo dos anos 90', de 2002. As vítimas eram outras, mas o padrão jornalístico era o mesmo.

Manual de Sobrevivência

Há cerca de dois anos preparei um Manual de Sobrevivência na Selva, com algumas indicações simples e óbvias sobre como se precaver contra as falsas matérias.
Dossiê Cayman, reportagens sobre Chico Lopes, armação em torno do depoimento da conselheira do Cade (Conselho Administrativo de Direito Econômico) Hebe Tolosa na Polícia Federal, o sujeito que se dizia lobista do diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo (que, depois, descobriu-se que era meio desequilibrado), todos esses fatos comprovam que não há mais o menor controle de qualidade na produção jornalística como um todo.
Conhecimento. Parte dos leitores tende a considerar que tudo sai em letra impressa é, por princípio, verdadeiro. Um pouco de ceticismo não faria mal.
Tipo, toda denúncia é por princípio falsa, a menos que apresentem provas de que é verdadeira. Trata-se de princípio básico de direito, que reza que o acusador tem o ônus da prova.
Verossimilhança. É o critério inicial básico para se avaliar uma matéria:
conferir se tem lógica. Se a denúncia diz que o sujeito que quebrou recebia do presidente do BC informações privilegiadas sobre o câmbio, a denúncia não tem lógica: se recebesse, teria enriquecido e não quebrado. Da mesma maneira, supor que quatro políticos, sem afinidades pessoais entre si, pudessem abrir uma conta conjunta, e batizá-la com suas iniciais é algo tão extravagante que deveria desqualificar a denúncia no seu nascedouro.
Evidências. Há denúncias que vêm acompanhadas de provas, outras que apresentam meras conclusões. O repórter que chegou à determinada conclusão, mesmo que não revele a fonte ou não disponha de provas, tem por obrigação revelar todos os elementos que lhe permitiram concluir. Quem tem elementos, apresenta. Quem não apresenta, é porque não tem. Se não pode apresentar testemunhas, o repórter tem, no mínimo, que apresentar fatos, circunstâncias, detalhes que lhe foram contados, para que o leitor possa avaliar se a suposição tem base ou se é chute. Se não apresentar, é chute.
Fitas. Não acredite no jornalista que, ao mencionar determinadas gravações, use adjetivos tonitruantes para qualificá-las (“explosivas”, “impactantes”), mas não mostre nem a cobra nem o pau. Só acredite nos trechos entre aspas, e só acredite naquilo que você está lendo. Se o trecho mencionado não significar nada para você, é porque não tem significado algum mesmo.
Qualquer conclusão que a matéria apresente, que não for aquela que você pode tirar objetivamente da frase entre aspas, é cascata. Se os trechos do “grampo” que foram publicados não tiverem importância, é porque o que não foi publicado tem menos importância ainda.
Luis Nassif
No Advivo
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Líder do PT agora defende a CPI da Privataria Tucana

O livro e o autor
foto LCA
O líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), conseguiu aprovar hoje (12), na Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência, requerimento em que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é convidado a dar explicações sobre a chamada “Lista de Furnas”, esquema criado por tucanos em Minas Gerais para financiar campanhas políticas com “caixa dois” às custas da empresa estatal.
“O depoimento de FHC é fundamental, já que ele tem expertise na área e deve explicar como se deu o envolvimento dele e de seus auxiliares com o esquema”, disse o líder. A justificativa envolve o esclarecimento de “informações contraditórias sobre documento relativo a doações a agentes políticos que teriam sido levadas a efeito por Furnas”.
Na mesma sessão da comissão foi aprovado convite para que o Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, também preste depoimento. O requerimento a respeito de Gurgel é de autoria do presidente do colegiado, senador Fernando Collor (PTB-AL). O objetivo é obter de Gurgel explicações sobre como se dá a relação entre o MPF e os órgãos de inteligência do Estado.
O líder Jilmar Tatto também defendeu hoje a instalação imediata da CPI da Privataria, cujas assinaturas já foram coletadas pelo deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP). O líder vai tratar deste tema hoje, com o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), de quem depende a decisão de instalar a CPI.
O pedido de abertura da CPI baseia-se no livro “A Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr. A obra, resultado de 12 anos de investigação sobre o processo de privatizações das empresas estatais no Brasil, destaca documentos que apresentam indícios e evidências de irregularidades nas privatizações que ocorreram durante a administração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, além de amigos e parentes de seu companheiro de partido, José Serra.
Os documentos procuram demonstrar que estes políticos e pessoas ligadas a eles realizaram, entre 1993 e 2003,movimentos de milhões de dólares, lavagem de dinheiro através de offshores – empresas de fachada que operam em Paraísos Fiscais – no Caribe.
Do PT na Câmara
No Viomundo
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Chávez en condiciones estables tras operación en La Habana


El Ministro de Comunicaciones de Venezuela, Ernesto Villegas, se dirigió a la nación este miércoles para informar sobre la salud del presidente Hugo Chávez e informó que se encuentra “estable y en pleno proceso evolutivo”, tras su cuarta intervención quirúrgica, por la reincidencia de un cáncer en la región pélvica.
"Realizada la compleja y delicada intervención quirúrgica, el paciente se encuentra en un proceso postoperatorio igualmente complejo. Confiamos en la fortaleza física y espiritual del comandante Hugo Chávez y en el tratamiento médico", informó Villegas, quien añadió que "a esta hora el parte médico indica que el paciente se encuentra en condiciones estables en su proceso evolutivo".
El titular invitó a acompañar al presidente Chávez y a sus familiares, ante el nuevo reto de salud que enfrenta el mandatario suramericano.
“El gobierno bolivariano invita al pueblo venezolano y a los pueblos hermanos a acompañar al presidente Chávez en esta nueva prueba con sus oraciones y expresiones de solidaridad, que con toda seguridad lo fortalecen cada día más”, dijo.
Chávez, de 58 años de edad fue sometido el pasado martes en Cuba a su cuarta operación contra el cáncer que le fue detectado en junio de 2011.
Según informó el vicepresidente de Venezuela, Nicolás Maduro, la intervención quirúrgica “culminó de manera exitosa”.
El pasado 9 de diciembre, en un mensaje transmitido a la nación, Hugo Chávez explicó que tras una revisión surgió "la presencia de algunas células malignas", por lo que sus médicos tratantes consideraron que "es absolutamente necesario e imprescindible someterme a una nueva intervención quirúrgica".
Lea el comunicado emitido por el Gobierno venezolano en este enlace
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Folha dá aula de como tirar frase de Lula do contexto

Eu ouvi o discurso do ex-presidente Lula em Paris, ontem. Quem quiser ouvir, clique abaixo:



Lula falou sobre a crise econômica internacional, além de exaltar as conquistas de seu próprio governo.
A crise econômica internacional foi consequência da desregulamentação dos mercados financeiros e os bancos receberam bilhões de dólares e euros em dinheiro público como forma de resgate.
Conforme descrito por Eduardo Febbro na Carta Maior:
Interrompido várias vezes por aplausos, Lula denunciou “a falta de representatividade” dos organismos internacionais e defendeu a criação de mais espaços representativos multilaterais, que aumentem o peso das vozes alternativas em nível internacional. “Precisamos criar instrumentos e mecanismos com mais solidariedade, mais democracia, para que as decisões não estejam subordinadas a quem tem mais dinheiro, mais poder ou uma indústria maior”.  O senso de humor e a pertinência do ex-presidente fizeram da jornada final do fórum um momento especial. Lula criticou os banqueiros que gozam de uma impunidade absoluta: “o mais fantástico é que o Lehman Brothers quebra e ninguém vai preso, enquanto o banco recebe os bilhões que os países nunca recebem no mundo”.
No início do discurso, Lula chegou a mencionar um “sociólogo” e empresários não identificados, dizendo que esperavam que ele, Lula, fosse um fracasso no governo, mas que “a história os enganou e eu muito mais”.
Mais para a frente, deu alguns alguns foras diplomáticos, como ao mencionar o Fórum Mundial Social de Porto Alegre como reunião de “xiitas” ou ao dizer que tinha viajado muito, inclusive ao Timor Leste, sem entender o motivo de ter ido até lá. Coisas da descontração de um ex-presidente.
Porém, é importante ouvir o discurso na íntegra para constatar que a absoluta ênfase de Lula foi na crise econômica internacional, suas consequências e soluções.
Ele propôs debates sobre o tema e foi nesse contexto que afirmou:
“Essa crise não é de nenhum de nós individualmente. Essa crise é da responsabilidade de pessoas que nós nem conhecemos. Porque, quando um político é denunciado, a cara dele sai de manhã, de tarde e de noite no jornal. Vocês já viram a cara de algum banqueiro no jornal? Sabe por que não sai? Porque é ele que paga as propagandas dos jornais. Então, não sai nunca”.
O que a Folha fez com a frase?
Retirou a menção de Lula à crise e fez um acréscimo que mudou completamente o sentido da frase (grifo meu):
Sem citar diretamente o depoimento de Valério, ele criticou a imprensa. ”Quando um político é denunciado, a cara dele sai de manhã, de tarde e de noite no jornal. Vocês já viram a cara de algum banqueiro no jornal? Sabe por que não sai? Porque é ele que paga as propagandas nos jornais”, disse.
Pronto, segundo a Folha Lula usou o discurso para rebater depoimento de Marcos Valério e criticar a imprensa brasileira, como em Acusado, Lula ataca imprensa e volta a falar em candidatura.
Uma verdadeira aula sobre como esquentar uma manchete.
Luiz Carlos Azenha
No Viomundo
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São Luiz Gonzaga

Recife (PE) - A vida de Luiz Gonzaga é como a Bíblia. As pessoas destacam nela o que mais  lhes convém, das coisas mais magníficas às menos dignificantes, de acordo com o que veem. Escrevo a frase anterior e me pergunto: mas não será assim com a vida de toda a gente?  Tentarei ser nestas linhas  mais ponderado na montagem da pessoa no seu aniversário.
Nos cem anos de nascimento de Gonzagão, do compositor, intérprete, sanfoneiro e símbolo do Nordeste do Brasil, todas as lembranças – ou recortes – vão para o santo e magnífico. É da justiça e do caráter da efeméride. Os críticos, num esforço de imparcialidade, falam que Gonzaga é não só o melhor dentre todos os cantores de alma sertaneja, mas também é o mais importante cantor-músico-compositor que o Nordeste  criou. E me pergunto outra vez: se a crítica não fosse tão imparcial, não diria que ele é o compositor brasileiro que melhor ilustra o Brasil para todo o universo, ao falar do seu pé de serra, da sua gente bárbara, que fala não só a terras do Oiapoque ao Chuí, mas da Groenlândia à Coreia, da  Oropa à  França e Bahia?
Vocês já veem  o quanto é difícil falar de Luiz Gonzaga com ponderação, imparcialidade e distanciamento. Já faz três noites que no norte relampeia e tento não me lembrar das terras onde um dia vivemos, sem rádio e sem notícia das rádios civilizadas. Eu queria compor um texto com a nota dissonante do papel de Gonzaga na ditadura, do seu canto de canário do rei no tempo de Médici e Castelo Branco. Mas isso vem de algo bem primário e anterior ao sentido de pátria. Essa coisa com militares descendia do tempo em que ele entrou para o Exército para comer e fugir da pobreza, ou como ele dizia, porque ali era o “colégio do pobre, o único lugar onde o pobre podia entrar para se desenvolver, para se promover”.
Sim, é verdade, ele foi um homem de política conservadora, que dizia votar em Marco Maciel e em outros políticos que foram sustentados pela ditadura. Mas que conservador tão diferente, que estranho conservador de sentimento entranhado pela gente pobre, e de tal modo que mais sensato será dizer: Luiz Gonzaga foi conservador da boca pra fora. Quero dizer, da boca para fora de tudo que não fosse o que ele cantava. Como chamar de conservador, pelo que ele era e interpretava, a um artista que se apresentava vestido de vaqueiro ou de cangaceiro, e mais importante que a roupa folclórica,  que cantou e revelou Asa Branca para todo o mundo? Esse é um hino que está mais para Canudos e bem longe do Rei, das forças da repressão e do Império. Pronto, dei a nota que me moveu para estas linhas, e agora devo falar do que dele vi e ficou no coração.
No começo, Luiz Gonzaga foi artista sem consciência do valor da sua gente, valor comercial, bem entendido, como ele gostava de dizer, que foi despertado para o seu lugar único e original por um grupo de universitários do Ceará, que lhe pediu pra tocar música do pé de serra do Nordeste. E nunca mais parou. Para lembrá-lo, para situá-lo no devido lugar que é seu por talento e natureza, acreditem, a gente nem precisa apelar para os seus compositores genialíssimos, como Zé Dantas, Humberto Teixeira e Zé Marcolino. Basta lembrá-lo como interprete. Luiz Gonzaga possuía o dom de conversar com o público enquanto cantava, improvisando falas e flexões de voz,  como eu nunca vi em outro cantor ou compositor até hoje.
E nem é preciso lembrar o que ele faz com a sua volta à casa paterna, ao chegar de madrugada, de volta do mundo da fama,  ao narrar o velho Januário acordando na madrugada. Não, lembro de coisa mais prosaica, indigna até das recordações hierarquizadas pela poesia.  Lembro da sua interpretação em “Apologia ao jumento”, que vi uma vez no Recife. Ele conversava de sanfona com o povo, imitando vozes do camponês e do jerico: “Seu Luíii, cumi seu mio, e como, e como, e como..”, esses últimos versos a imitar a voz de zurro do jumento; “e como, e como, e como”. Impagável a sua descrição do jumento sabido, esperto, a balançar as orelhas no milharal, como se fossem antenas de inteligência. E como, e como, e como...
O espaço acabou e não disse nada. Nem precisei falar da recriação que ele faz em Maria, a composição de Ary Barroso, aquela cujo “nome principia na palma da minha  mão”. Enfim, amigos, as enciclopédias informam que Luiz Gonzaga nasceu em Exu, em 13 de dezembro de 1912 e morreu em, não importa, porque a sua vida não tem fim. Nos seus primeiros cem anos, esta foi a minha tentativa de imparcialidade. Perdi.
Urariano Mota
No Direto da Redação
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No centenário de Gonzagão, reveja apresentação em homenagem ao rei do Baião Palácio do Planalto

Elba Ramalho, Daniel Gonzaga e Miguel Proença interpretaram Asa Branca durante a cerimônia de entrega da Ordem do Mérito Cultural 2012, em 5 de novembro, que teve como patrono o Rei do Baião, Luiz Gonzaga. Reveja!

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