12 de dez de 2012

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A guerrilheira holandesa das FARC

"Um Governo não vai se sentar à mesa com uma parte derrotada. Isso eles não fazem. Sentam-se conosco porque sabem que, militarmente, não podem nos derrotar".


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Entrevista exclusiva com Tanja Nijmeijer, a guerrilheira holandesa das FARC.
Russia Today: Com o tempo, muitos líderes revolucionários abandonaram a ideia da luta armada e alguns, inclusive, consideram que é um anacronismo. Esta abertura das FARC ao diálogo evidencia esta tendência? Vocês de desiludiram com seus métodos de luta? 

Nijmeijer: Não, eu acredito que não se possa dizer dessa forma. Nós estamos aqui em Havana porque sempre pedimos o diálogo, sempre pedimos a paz, porém o governo colombiano nunca nos permitiu participar politicamente. Então, por esse fato, nós tomamos as armas. Não por gosto ou porque gostamos da guerra. Tomamos as armas em uma legítima defesa contra o terrorismo do Estado colombiano. Ao longo da história ficou claro que nós sempre quisemos o diálogo, quisemos a paz e, por isso, estamos aqui em Havana. Se o governo nos pede diálogo, dialogamos. Se nos pedem guerra, também nos defendemos.

RT: Nesse sentido, como vê a realidade latino-americana atual? Existem as condições para outras formas de oposição, sem armas?

Nijmeijer: Eu diria que na América Latina está ocorrendo um processo muito interessante. Na Venezuela, no Equador e até na Argentina, em quase todas as partes da América Latina esses processos estão se desenvolvendo. São processos muito significativos e que nos interessam. Assim, nos interessaria fazer política dessa forma, porém, infelizmente, até o momento, não foi possível fazê-lo na Colômbia. Vamos ver se, o quanto antes, com este processo, conquistemos a paz e possamos participar politicamente.

RT: Durante décadas o governo colombiano tentou colocar fim a este conflito armado. Existe algo que diferencie esta nova tentativa aqui em Havana das anteriores? Existem algumas razões para o otimismo?

Nijmeije: Nós somos muito otimistas. Nós da delegação da paz das FARC somos muito otimistas, porque pensamos que neste momento... Na Colômbia, as mudanças sempre se dão como um fluxo e refluxo do movimento social, dos movimentos camponeses, operários. No entanto, pensamos que, neste momento, esse movimento está se voltando muito grande. Se vê na Colômbia que o povo já não aguenta mais esta guerra e que o próprio povo está pedindo paz. Se vê uma guerra de mobilização social do povo colombiano, que queremos que nos acompanhe nesta tentativa de diálogo e isso é o que vai acontecer. Essa é uma diferença que eu vejo muito grande com os processos de paz anteriores, que existe uma mobilização de paz muito grande, que se vê todos os dias na Colômbia, gente que sai às ruas para protestar. São pessoas que perderam o medo do terrorismo de Estado porque não aguentam mais.
Outra coisa que eu vejo neste processo de paz é, digamos, o que já falamos, a situação da América Latina que vem mudando e isso nos ajuda bastante para nos entendermos com o governo colombiano, o acompanhamento dos cubanos, da Venezuela, de todos os países da América Latina. Isso também é um fator externo importante.

RT: No entanto, uma grande maioria dos colombianos considera que os membros das FARC têm que assumir a responsabilidade e receber castigo pelos crimes que cometeram. O que você pensa sobre esse respeito?

Nijmeijer: Bem, eu penso que é um pouco, poderia até dizer absurdo, pedir castigo para as pessoas que sempre atuaram em legítima defesa. É o que já falamos antes, ou seja, nós não estamos fazendo a guerra porque queremos a guerra. Nós queremos a paz, porém a paz com justiça social e isso nunca se deu na Colômbia. Então, não se pode dizer... se uma pessoa bate em você, como exemplo, e você, em legítima defesa, revida, então a pessoa que começou tem que receber o castigo por essa defesa. Isso é um exemplo para mostrar como nós vemos a guerra na Colômbia e o papel que temos nela, como uma defesa.

RT: Você é uma das negociadoras neste processo de paz aqui em Havana. Que ambiente, que clima é sentido na mesa das negociações? É possível que as FARC e o governo colombiano encontrem uma língua comum?

Nijmeijer: Eu penso que o clima na mesa está bom, inclusive existe espaço para piadas, existe espaço para risos e existe um diálogo fluído, bom. Nós apenas estamos começando. É muito difícil dizer até onde vai chegar este processo, porém temos muito otimismo e pensamos que as duas partes querem a paz para o povo colombiano. E onde existe vontade, existe caminho, disse um refrão holandês. Eu penso que é assim, onde existem duas partes que mostram sua vontade de fazer a paz, tem que existir uma solução.

RT: Bom, vamos imaginar que o processo de paz se conclua com êxito e chegue a hora da desmobilização. O que fariam os membros das FARC então?

Nijmeijer: Nós somos uma organização político-militar, porém, em primeiro lugar, somos políticos. Ou seja, para nós os fuzis são coisas de ferro, uns ferros que não são necessários. São necessários nos momentos em que não nos deixam fazer política de outra forma. Porém, se nos deixam fazer política de outra forma, os aposentamos e seguimos fazendo a política, como movimento político, porque é o que somos. Somos o partido comunista rebelado em armas.

RT: Há alguns anos, você, pessoalmente, esteve no centro da atenção mundial, depois da publicação dos diários que foram capturados pelo exército. Muitos entenderam que você estava criticando nestas notas o regime que existe na organização. Poderia comentar isto? E se sim, como pode ser membro da organização se não está completamente de acordo com as regras que existem nela?

Nijmeijer: Em primeiro lugar, tenho que dizer que foi uma forma antiética de tratar um diário pessoal. Penso que deveria ter sido entregue aos meus pais. Porém, isso é um aparte, entre aspas. As coisas que eu escrevi eram sobre a vida cotidiana. Ou seja, por exemplo, qualquer pessoa no mundo que trabalhe em uma empresa tem seus dias bons, tem seus dias ruins e tem críticas. E estas críticas também são expressas dentro da organização. E, assim, se solucionam os problemas. Porém, para mim, esta época era mais difícil porque estava em adaptação às montanhas, à guerrilha, em adaptação cultural, à cultura colombiana, a tudo isso. E isso nem sempre é fácil. Porém, eu muitas vezes faço esta reflexão.

Veja, se todo mundo diz que nós somos terroristas, que atacamos a população civil, como tantas vezes é dito, que recrutamos crianças à força, por que isso não aparece no diário? Esta reflexão ninguém fez. Em nenhum meio li esta reflexão. Então, por que eu não escrevi no diário que “acabo de chegar de um terrível massacre de população civil e agora ou recrutar umas crianças”? Isso não está no diário. No diário está “ai, meu Deus, eu não tenho cigarros e o comandante sim”. Ou seja, são coisas que, quando eu relia, pareciam até infantis. Porém, eram pensamentos meus e reflexos de todo o processo de adaptação na guerrilha e na montanha.

RT: Porém, além de todos estes pequenos detalhes, digamos, levando em conta sua experiência nas FARC, você poderia fazer algumas críticas ao funcionamento desta organização hoje em dia?

Nijmeijer: Claro, você pode fazer suas críticas nos espaços adequados. Para mim, o importante é que, em todos esses anos que estou nas FARC, eu vi que as críticas que fazemos, cedo ou tarde, são escutadas e são resolvidas. Por exemplo, notamos que em tal unidade existe muito machismo por parte dos homens e também pode existir por parte das mulheres. Então, vamos começar uma campanha educativa, para que as pessoas compreendam e adotem o nosso pensamento. Ou em tal unidade existe o caso, por exemplo, do tratamento dispensado por um comandante que não está bem claro ou existe dúvida sobre o que está fazendo. Então, recorremos ao comandante, o enviamos a outro comandante, lhe damos educação/ formação e dizemos como deve fazer as coisas. Então, um vê que existem problemas. Em todas as organizações existem problemas e contradições. Isto se vê até em estados, isto se vê em todas as partes. Até em um clube de futebol você vê contradições. A coisa está em como se resolvem essas contradições. E eu tenho visto que nas FARC as contradições se resolvem de uma forma dialética. Uma forma que eu gosto: se resolvem os problemas. Então, isto para mim é importante.

RT: Já que falamos do dia a dia da organização, durante os últimos anos, a guerrilha perdeu vários de seus líderes, o que a enfraqueceu. Como você vê hoje o movimento, quão numeroso é e como está organizado?

Nijmeijer: Bom, eu penso que, hoje em dia, ou seja, como já está falando do movimento de fluxos e refluxos... Sempre existem altos e baixos. Um dos refluxos para a organização é que o terrorismo de estado e o imperialismo agem com toda a força. Por exemplo, vimos no Plano Colômbia, no Plano Patriota, onde nos envolvem e acusam de tudo: bombardeios, imensos operativos. Então, o movimento está se defendendo. Porém, eu penso que é preciso enxergar as coisas em longo prazo. Nós começamos com 48 homens. Se, hoje em dia, estivéssemos com 48 homens, não estaríamos sentados aqui em Havana. Estamos aqui já que, militarmente, um Governo não vai se sentar à mesa com uma parte derrotada. Isso eles não fazem. Sentam-se conosco porque sabem que, militarmente, não podem nos derrotar e isso é importante.

RT: E na organização, os membros das FARC vivem segundo as normas comunistas, como se programava no início ou, talvez, algo do capitalismo penetrou nas fileiras?

Nijmeijer: Nós temos um regulamento, um estatuto, temos uma cartilha militar que são as normas e as regras para os guerrilheiros das FARC em todos os escalões, desde o comandante Timoleón até o guerrilheiro que ingressou ontem. Então, essas normas são de cumprimento obrigatório. Claro que muitas vezes ocorrem infrações dessas normas, ou seja, pessoas que... por exemplo, na guerrilha é muito complicado comprar um MP3 ou uma rádio, porque, através deles é possível nos localizarem e, assim, nos bombardearem.

Então, quando um guerrilheiro infringe a disciplina, tratamos de educa-lo. Pode ser com um castigo, pode ser com a escrita de algumas páginas, fazendo uma crítica na reunião do partido. Nós fazemos a reunião do partido a cada 8 dias. Então, se critica ao companheiro. Por exemplo, se algum camarada tem algum comportamento que se vê como prejudicial, como não muito bom, pode ser de machismo ou de coisas, como você disso, do capitalismo, de querer ter coisas, não pensar no coletivo, então, ali se chama a atenção e os outros camaradas vão criticando-o e é feita a autocrítica correspondente e resolvidos os problemas.

RT: O Governo colombiano, assim como o governo dos EUA, sempre insistiu que as FARC vivem do narcotráfico, o que sempre foi negado pela guerrilha. Se não é esta a fonte, qual é o apoio recebido pela luta revolucionária?

Nijmeijer: Nós temos uma lei que se chama Lei 002. Todo colombiano tem que pagar impostos ao Estado colombiano, que faz guerra contra o próprio povo. Então, ao criarmos a Lei 002, nós pensamos que seria justo cada pessoa que ganhe mais de um milhão de dólares pague um imposto revolucionário à guerrilha. Assim, nós cobramos esses impostos e nas zonas “cocaleras”, onde somente existe coca, nós pedimos imposto revolucionário aos mafiosos, às pessoas que ganham muito dinheiro com este negócio. Nós não vamos pedir impostos a um camponês que tem um hectare com coca. Não. Então, esse é o laço entre a guerrilha e a coca. Em outras zonas, onde existem outros negócios, são levantados outros impostos. Porém, essa é a lógica utilizada quando cobramos impostos em um país, onde todas as instituições e todas as partes estão impregnadas de narcotráfico. Na Colômbia existem mafiosos e narcotraficantes que têm que nos pagar os impostos. Porque uma guerra sem financiamento não possui motor.

RT: Este ano, as FARC anunciaram o abandono da a prática dos sequestros. No entanto, existem alguns reféns. Como será o futuro destas pessoas? Existe algum plano para libertá-los?

Nijmeijer: Há algum tempo existia uma fundação, cujo nome não me recordo. Acho que era Nuevo Arcoíris (Novo Arco-íris). Ela dizia que nós tínhamos 3.000 reféns em nosso poder. Isso foi antes de fevereiro deste ano, quando dissemos que não íamos manter reféns por questões econômicas. Na época, nós fizemos uma contagem e chegamos ao número de nove detidos, em todas as frentes. Seria muito bom, penso eu, é uma reflexão minha, que o governo fizesse um cessar fogo. Assim, poderíamos solicitar que comissões da Cruz Vermelha ou comissões de direitos humanos inspecionassem nossas frentes e vissem quais são os detidos que temos em nosso poder e ver que já não existem tantos reféns. Em compensação, em uma guerra de tantos anos, existem hoje mais de 50.000 desaparecidos do estado. Eu imagino que uma parte desses 50.000 está, supostamente, em nosso poder. Então, vamos ver a verdade, vamos fazer com que a verdade venha à tona.

RT: Em diferentes meios de comunicação circula a informação de que as FARC ajudam, apoiam os governos socialistas, vizinhos e, inclusive, hospedam alguns de seus membros em seu território. É verdade que existe este tipo de colaboração?

Nijmeijer: Eu penso que, para nós, esses governos são um exemplo, nos dão moral, são muito importantes e, neste processo de paz nos brindam com uma colaboração muito grande sim, porém, como mediadores. Eu penso que não se pode falar... Nós das FARC nunca recebemos colaboração, em nenhum sentido, de nenhum governo, por exemplo, nem da União Soviética quando existia, nem da Venezuela, nem do Equador. Nós somos um movimento com um pensamento próprio, porém também com ideias próprias. Então, nós não temos... Eles são estados. Nós somos um estado, mas em formação. Assim, não existem relações. Eles têm relações econômicas e políticas, mas com o estado colombiano.

RT: Você declarou estar orgulhosa de ser guerrilheira, de ser membro das FARC. O que alimenta este orgulho?

Nijmeijer: PO orgulho de ser guerrilheira das FARC é o orgulho de pertencer a uma organização que, apesar de tanta raiva midiática, apesar de um terrorismo de estado, apesar de tanto dinheiro gasto para guerrear contra nós, nunca nos rendemos e sempre continuamos lutando pelo que acreditamos que é justo e isso faz com que eu me sinta muito orgulhosa. Sinto-me orgulhosa por tudo que temos. O fato de sermos farianos, de termos cultura, termos livros, termos canções, centenas de canções, termos gente, gente boa, capacitada, mulheres lindas, revolucionárias.

RT: Você me disse que é melhor chama-la de Alexandra. Por que é tão importante para os guerrilheiros ter outro nome?

Nijmeijer: Porque é o nome de guerra e, então, quando se chega à montanha, você adota outro nome. Isso ocorre porque em uma guerra é preciso existir clandestinidade. Para uma guerrilha é muito importante o segredo, a clandestinidade. Assim, nós não nos conhecemos e não nos tratamos pelos nomes civis para guardar o segredo. Eu acredito que isso aconteça em todas as guerras.

RT: É como uma norma, não?

Nijmeijer: Sim, é uma norma. Todo o tempo, a imprensa me chama pelo nome civil e isso não me importa. No entanto, prefiro meu nome guerrilheiro. É assim que meus companheiros chamam e ele expressa o sentir revolucionário e guerrilheiro.

RT: O que você conquistou após ingressar nas fileiras dos guerrilheiros e que não podia receber na Europa, onde, segundo muitas pessoas, tinha o futuro seguro?

Nijmeijer: Eu penso que o mais importante para mim é estar dentro das fileiras guerrilheiras, o fato de receber o reconhecimento dos próprios guerrilheiros pela solidariedade internacional. Muitas vezes eu chego a qualquer parte, estou fazendo qualquer tarefa e me chega alguém e diz: “Sinto-me orgulhoso de que você esteja aqui. Sinto-me feliz ao saber que não estamos sós nesta luta. Mesmo com tudo o que dizem as mídias, com toda a má propaganda que nos fazem, você veio para cá nos apoiar”. Isso é o mais importante para mim. Eu não teria recebido isso na Holanda.

RT: E nunca se arrependeu, pensando como muitas mulheres jovens: será que, talvez, me case, forme uma família, tenha filhos?

Nijmeijer: Não, nunca. Na verdade, eu me arrependi várias vezes quando pensava que não conseguiria mais participar das marchas. Eu dizia “eu não vou conseguir, não posso, não posso”. Porém, cada vez que chegava de uma marcha, estava feliz novamente por ter conseguido. São barreiras que existem e que você vai superando, cada vez mais, cada vez mais. Mas, estar arrependida porque gostaria de ter uma família, não. Eu não desejo essa vida.

RT: Não sente falta de nada de sua vida anterior, da família, de algumas coisas com as quais estava acostumada?

Nijmeijer: Minha família, claro. Eu acredito que qualquer guerrilheiro que esteja neste momento na montanha sente falta de sua família. Claro que as FARC são como minha segunda família. Uma família com a qual você vive coisas mais intensas e muito diferentes das vividas com uma família normal. Mas é inegável, sempre fica na cabeça o retrato da família. É uma grande alegria quando você tem a possibilidade de vê-los, de chama-los, porém é um sacrifício que todos somos conscientes que temos que fazer, porque, caso contrário, não fazemos nada.

RT: E como vê seu futuro? Você se vê inserida na política colombiana, por exemplo?

Nijmeijer: Eu vejo meu futuro dentro das FARC e empregando-me no que for necessário, no que a organização necessite. Se a organização necessitar de uma professora, serei professora. Se necessitarem de uma política, estarei às ordens.

RT: As FARC protagonizam o conflito armado, que já dura décadas, e custou milhares de vidas. Você assume esta responsabilidade? Existe algo pelo qual pediria perdão?

Nijmeijer: Eu não gostaria de pedir perdão. Gostaria de pedir justiça. Isso e nada mais.

RT: Muito obrigado pela entrevista, Tanja.
Russia Today (RT)
No ANNCOL Brasil
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"Fernandinho Beira-Mar aumenta cerco a Fernando Henrique Cardoso"

A manchete do jornal Zero Hora (fac-símile acima) opõe um lúmpen de colarinho branco contra Lula, o ex-presidente do Brasil, por duas vezes, o mais democrata dos presidentes brasileiros em todos os tempos, e o mais querido dos ex-presidentes. A popularidade de Lula, hoje, é tão intensa quanto no período do seus dois mandatos.
Pois bem, a mídia brasileira, ZH em especial, quer colocar no mesmo nível, esse grande brasileiro e um operador do submundo da subpolítica tucana, reciclado por setores ultrapragmáticos do PT.
O curioso é que essa mesma mídia, nos tempos das pastas rosas, da compra de votos para o segundo mandato de FHC, dos escândalos abismais da privataria tucana no afã de vender o patrimônio nacional na bacia das almas, jamais contrapôs o então presidente Cardoso a um operador de esgotos como Marcos Valério ou assemelhado. Imaginemos a hipotética manchete "Fernandinho Beira-Mar aumenta cerco a Fernando Henrique Cardoso".
Ontem mesmo, esse mesmo jornal ZH (grupo RBS, que apoiou o golpe militar de 1964 e se beneficiou dos seus resultados continuados por quase vinte anos) chamava Marcos Valério de “empresário”. Há como que um esquecimento de quem é Marcos Valério. De onde ele surgiu, como se alçou à condição de criminoso regional mineiro à graduação conquistada com a projeção nacional que logrou alcançar.
Mas não, a mídia conservadora insiste na tecla de desconstituir e arruinar a reputação de Lula. Há uma fila, o próximo alvo é a presidenta Dilma. Já se viu que os expedientes são os mais rebaixados. Não há limite. A meta é retomar o poder no Brasil. Fazer do País um Estado para 20 milhões de felizardos habitantes eventuais (porque essa gente quer ser cosmopolita e mundana, vai viver parte do ano entre Miami e Dubai). O resto dos brasileiros que se explodam, quem mandou serem pobres, burros, pretos e preguiçosos.
Cristóvão Feil
No Diário Gauche
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Jornalistas e STF constroem versão bizarra de direito alternativo no Brasil

 
Li, com alguma surpresa, uma chamada na página da Zero Hora on-line nesta quarta-feira, referente a um texto da colunista política Rosane Oliveira: “Não é possível que Lula nada tenha a dizer”. A surpresa deveu-se ao fato de que eu acabara de ler as declarações feitas pelo ex-presidente Lula, ontem, em Paris, qualificando como “mentiras” as mais recentes “denúncias” de Marcos Valério. Como assim não tem nada dizer se ele já disse? – pensei, e fui ler o texto. Nele, a afirmação é qualificada: “Não é possível que Lula se limite a dizer que é mentira”, escreve a jornalista no texto que traz como título: “Fala, Lula, que a casa caiu”. Como assim, não é possível que Lula se limite a dizer que é mentira? O que significa mesmo essa frase?
Pode significar, em linhas gerais: que ele tem que dizer que é verdade, ou, então, que ele tem que provar que é mentira. Inteligente que é, a jornalista sabe que, segundo as regras e princípios que regem o Estado Democrático de Direito no Brasil o ônus da prova é de quem acusa. Então, Lula disse o que tinha que dizer. Cabe a Marcos Valério provar o que disse. A menos, é claro, que se aposte no novo tipo de “direito alternativo” que vem se desenvolvendo no Supremo Tribunal Federal e revolucionando o conceito de “prova”. Assim caberia ao acusado provar que é inocente e não ao acusador provar que ele é culpado, com provas, de preferência. Se não for pedir demais, é claro.
É notável também a reprodução de um velho mecanismo na grande imprensa brasileira que, supostamente, reza pela cartilha da diversidade de opinião. Qualquer denúncia dirigida contra Lula encontra ampla e imediata repercussão, com reportagens, textos de opinião, charges, infográficos, interativas, comentários em jornal, rádio, tv e internet. Quando as denúncias são dirigidas, por exemplo, contra José Serra (no caso do livro sobre a privataria tucana), ou contra Gilmar Mendes (como fez, recentemente, a Carta Capital), a repercussão é zero ou, alguns dias depois, minimalista, esquálida. Ou seja, a chamada grande imprensa parece andar de mãos juntas com o Supremo na dura tarefa de criar um novo “direito alternativo” no Brasil, um direito, onde o ônus da prova recai sobre o acusado e onde alguns acusados são mais acusados do que outros.
Marco Aurélio Weissheimer
No RS Urgente
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Em 2010, Vitória (ES) e São Bernardo do Campo (SP) ganharam e São Paulo e Rio de Janeiro perderam participação no PIB do país

Considerando os 23 municípios com participação de ao menos 0,5% do PIB brasileiro, entre 2009 e 2010, Vitória (ES) e São Bernardo do Campo (SP) aumentaram suas participações em 0,1 ponto percentual cada um, enquanto as principais perdas foram de São Paulo (-0,3 p.p.) e Rio de Janeiro (-0,2 p.p.). Os principais movimentos observados em 2010 estão vinculados às commodities. Enquanto alguns municípios tipicamente agrícolas experimentaram perdas de participação relativa, por conta dos baixos preços das commodities agrícolas, principalmente os grandes produtores de soja, os produtores de minérios, especialmente o minério de ferro, tiveram ganhos de participação.
Na análise do PIB per capita, os municípios com atividades de produção e beneficiamento de minérios também se destacaram.
Em 2010, seis capitais concentravam aproximadamente 25,0% da geração de renda do país, dos quais cinco se caracterizavam pela concentração da atividade de serviços (intermediação financeira, comércio e administração pública).
No que tange ao valor adicionado bruto na agropecuária, destacaram-se municípios produtores de café, trigo, feijão, algodão herbáceo e frutas. Cristalina (GO) subiu da 11ª colocação em 2009 para a primeira em 2010. Na indústria, 12 municípios respondiam por aproximadamente 25,0% do valor adicionado, com 14,8% da população nacional. Já no setor de serviços, com 40 municípios, chegava-se à metade do valor adicionado bruto dos serviços e a 28,5% da população.
Essas e outras informações estão disponíveis na publicação do Produto Interno Bruto dos Municípios 2010, resultado de projeto desenvolvido em parceria com os Órgãos Estaduais de Estatística, Secretarias Estaduais e a Superintendência da Zona Franca de Manaus – Suframa. A publicação completa do PIB dos Municípios pode ser acessada na página:
http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/economia/pibmunicipios/2010/default.shtm
Entre os municípios com pelo menos 0,5% do PIB nacional, aumenta a participação dos produtores de minérios
Em Vitória (ES), a variação positiva na participação deveu-se principalmente à atividade extrativa mineral. Em 2010 ocorreu forte recuperação da produção de pelotas de minério de ferro, fato que influenciou, também, no aumento de participação do segmento energia.
Em São Bernardo do Campo (SP), destacava-se a indústria automotiva e demais ramos industriais ligados a essa cadeia produtiva, além da indústria de artigos de perfumaria e cosmético. Esses segmentos foram os principais responsáveis pelo ganho de participação do município.
Em São Paulo, os segmentos indústria de transformação e comércio e serviços de manutenção e reparação foram os principais responsáveis pela perda de participação.
A queda de participação do Rio de Janeiro ocorreu principalmente em função da indústria de transformação, no segmento fabricação de máquinas e equipamentos utilizados na extração mineral e na construção. O município do Rio de Janeiro também perdeu participação devido ao ganho da atividade extrativa mineral, atividade que não é típica da capital carioca.
Barueri (SP) perdeu participação em 2010 principalmente em função dos segmentos comércio e serviços de manutenção e reparação e indústria de transformação. Segundo as Contas Regionais do Brasil, em 2010, os serviços geravam 93,2% da economia do Distrito Federal. Nesse ano, o segmento que mais pesava era a administração, saúde e educação públicas e seguridade social, com 54,4%, e perdeu 0,9 ponto percentual de participação em relação ao ano anterior.
A perda de participação de Duque de Caxias (RJ) ocorreu devido, principalmente, à queda do segmento comércio atacadista especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo.
Seis capitais concentravam 25% da geração de renda do país
Em 2010, a renda gerada por seis municípios (13,7% da população) correspondia a aproximadamente 25,0% de toda a geração de renda do país. Agregando a renda de 54 municípios, alcançava-se, aproximadamente, a metade do PIB e 30,7% da população. Já os 1.325 municípios que pertenciam à última faixa de participação relativa respondiam por, aproximadamente, 1,0% do PIB e concentraram 3,3% da população. Nessa faixa estavam 75,0% dos municípios do Piauí, 61,4% dos municípios da Paraíba, 50,9% dos municípios do Rio Grande do Norte e 48,9% dos municípios do Tocantins.
Os seis municípios responsáveis por aproximadamente 25% do PIB em 2010 eram todos capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba, Belo Horizonte e Manaus) e tradicionalmente identificados como concentradores da atividade de serviços, exceto Manaus, cuja economia tinha equilíbrio entre as atividades industriais e de serviços.
Excluindo-se os municípios das capitais, 11 municípios destacaram-se por gerarem individualmente mais de 0,5% do PIB nacional, agregando 8,6% da renda gerada no país. Esses municípios, com grande integração entre a indústria e os serviços, eram: Guarulhos (SP), Campinas (SP) e Osasco (SP), que geravam, individualmente, 1,0%; São Bernardo do Campo (SP), 0,9%; Betim (MG), 0,8%; Barueri (SP), Santos (SP), Duque de Caxias (RJ) e Campos dos Goytacazes (RJ), que geravam 0,7% individualmente; São José dos Campos (SP), 0,6%, e Jundiaí (SP), 0,5%.
Dos 449 municípios que compunham a região Norte, o agregado dos seis municípios com as maiores economias alcançava aproximadamente 50% de toda a renda gerada na região. Já entre os 1.794 municípios nordestinos, 1,2% (21 municípios) agregava metade da renda regional. O mesmo se dava com 27 dos 1.188 municípios da região Sul e 15 dos 1.668 municípios do Sudeste. No Centro-Oeste, Brasília (DF) gerava 42,8% da renda da região, que contava ao todo 466 municípios. A análise da concentração indicou que a média do PIB dos 10,0% dos municípios com maior PIB geraram 96,8 vezes mais renda que a média dos 60,0% dos municípios com menor PIB.
Produção e beneficiamento de minérios caracterizam vários dos municípios com mais altos valores de PIB per capita
Os municípios com os maiores valores de PIB per capita tinham em comum a baixa densidade demográfica. São Francisco do Conde (BA), com um PIB per capita de R$ 296,9 mil, abrigava a segunda maior refinaria em capacidade instalada de refino do País. Em Porto Real (RJ, R$ 290,8 mil), situava-se uma indústria automobilística. Louveira (SP, R$ 240,0 mil) concentrava centros de distribuição de grandes empresas e, em 2010, passou da quinta para a terceira posição. Confins (MG, R$ 239,8 mil) que ganhou posições desde 2006 com a transferência da maior parte dos voos do aeroporto em Belo Horizonte para o aeroporto internacional situado no município, manteve a quarta posição, enquanto Triunfo (R$ 223,8 mil), na região metropolitana de Porto Alegre, sede de um polo petroquímico importante, passou da terceira para a quinta colocação. Anchieta (ES, R$ 175,2 mil) caracterizava-se pela pelotização e sinterização de minério de ferro. Alto Horizonte (GO, R$ 167,4 mil) produzia e beneficiava sulfeto de cobre. Presidente Kennedy (ES, R$ 155,8 mil) e Quissamã (RJ, R$ 153,8 mil) eram municípios produtores de petróleo. Araporã (MG, R$ 148,0 mil), localizado na região do Triângulo Mineiro, tinha a maior hidrelétrica do seu estado, com capacidade instalada de 2.082 megawatts.
O menor PIB per capita, em 2010, foi R$ 2.269,82, verificado no município paraense de Curralinho. Esse município, localizado no arquipélago de Marajó, sustentava-se pela transferência de recursos federais: a administração pública participou com 61,0% do VAB total. Outras atividades importantes no município eram construção civil, pesca e agricultura extrativista. Em 2009, o município com menor PIB per capita era São Vicente Ferrer (MA).
Cristalina (GO) foi o município que mais gerou renda na agropecuária em 2010
Cristalina (GO) foi o que obteve o maior valor adicionado bruto (VAB) da atividade agropecuária no país, em 2010, R$ 624,1 milhões, ganhando participação em relação a 2009 e passando do 11º lugar para o topo da lista, graças à valorização dos preços dos principais produtos cultivados no município, especialmente café, trigo, feijão e alho. Em segundo lugar ficou Petrolina (PE), com R$ 620,4 milhões, que foi o maior produtor nacional de uva, goiaba e manga, em valor de produção, no ano. A seguir veio São Desidério (BA), o maior produtor de algodão herbáceo do país, com R$ 559,6 milhões.
Os maiores acréscimos na participação relativa do valor adicionado da agropecuária em relação ao ano anterior foram verificados nos municípios de Petrolina (PE) e Ipameri (GO). Em Petrolina, o aumento da produção de frutas e a valorização da uva levou o município a ter o maior valor de produção gerado por frutíferas. Em Ipameri, o ganho foi devido aos cultivos de café, cana-de-açúcar, alho e à criação de bovinos. Os maiores decréscimos na participação relativa ocorreram nos municípios mato-grossenses grandes produtores de soja - Sapezal e de Sorriso.
Indústria permanece concentrada: 12 municípios correspondem a 25% do valor adicionado
Em 2010, apenas 12 municípios concentravam aproximadamente 25,0% do valor adicionado bruto da indústria. Esse grupo concentrava 14,8% da população brasileira. Com 65 municípios, chegava-se à metade do VAB da indústria e a 28,6% da população. No mesmo ano, 2.354 municípios, com os menores VAB industriais, responderam por 1,0% do valor adicionado bruto da indústria e concentravam 8,4% da população. Esse quadro não se diferenciou muito do de 2009. No ranking dos municípios por participação relativa no valor adicionado da indústria, São Paulo (SP) se manteve como o principal polo industrial do país, com 8,2%. O Rio de Janeiro (RJ) veio em segundo lugar, com 2,5%.
As maiores variações positivas em relação ao ano anterior foram verificadas nos municípios de Parauapebas (PA) e de Itabira (MG) e deveram-se ao aumento da produção de minério de ferro. O crescimento de Joinville (SC) ocorreu em função de novas empresas instaladas. O município possuía indústria diversificada e era conhecido polo metalúrgico e de ferramentaria. A variação na participação relativa do município de Vitória (ES) deveu-se à recuperação da produção de pelotas de minério de ferro nesse ano, influenciada pela rápida expansão da demanda, a produção alcançou nível recorde.
Em 2010, 40 municípios concentravam 50% do valor adicionado dos serviços
Em 2010, com 40 municípios, chegava-se aproximadamente à metade do valor adicionado bruto dos serviços e a 28,5% da população. No mesmo ano, pode-se notar que 1.317 municípios, com os menores VAB dos serviços, que pertenciam à última faixa respondiam por 1,0% do VAB dos serviços e concentravam 2,8% da população. Os dois primeiros municípios no ranking foram São Paulo e Rio de Janeiro, como nos anos anteriores.
Realizando um corte nos municípios que representavam pelo menos 0,5% do VAB dos serviços do País, os maiores ganhos de participação em relação a 2009, no VAB dos serviços ocorreram em Recife (PE) e Fortaleza (CE). Recife sempre teve perfil econômico relacionado à atividade serviços. Em 2010, os segmentos de maior destaque foram: comércio, serviços médicos, serviços de informática e de engenharia, consultoria empresarial, ensino e pesquisa, atividades ligadas ao turismo. Fortaleza praticamente não possui zona rural, sendo o setor de serviços o principal ramo de sua economia, notadamente o comércio, o turismo e a prestação de serviços às famílias e às empresas.
Norte e Nordeste concentram municípios com grande dependência da administração pública
Dos 5.565 municípios brasileiros, 1.980 (35,6%) tinham mais do que 1/3 da sua economia dependente da administração, saúde e educação públicas e seguridade social. Em 2010, o peso do VAB da administração, saúde e educação públicas e seguridade social no PIB do Brasil foi de 13,9%. Municípios com grande dependência da máquina administrativa na sua economia estavam localizados nas regiões Norte e Nordeste. Três municípios apresentaram participação da administração pública em relação ao PIB superior a 70,0%, em 2010: Uiramutã (RR), 81,0%; Poço Dantas (PB), 71,4% e Areia de Baraúnas (PB), 70,9%. Entre as capitais, as que tiveram os menores pesos da administração pública foram Vitória (4,8%), São Paulo (5,8%), Curitiba (7,2%) e Manaus (9,3%) e os maiores foram: Brasília (DF), 48,4%, Macapá (AP) 42,3% e Boa Vista (RR) 40,1%.
No IBGE
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Empresária revela ter sido amante do ditador João Figueiredo

Myrian Abicair e o então presidente Figueiredo: romance teve início depois de encontro em festa.
Myrian Abicair e o então presidente Figueiredo: romance teve início
depois de encontro em festa.
O jornal O Globo, de maneira angelical, traz texto em que Myrian Abicair assume romance, 30 anos depois, com o general-ditador João Figueiredo, aquele que preferia cheiro de cavalo ao do povo. Parece um conto de fadas. Ridículo. Leia abaixo.
Era a sua noite de gala. A empresária atravessa o salão solenemente em direção ao convidado especial da inauguração de mais um de seus empreendimentos: Sua Excelência o presidente da República Federativa do Brasil. Até chegar ao lugar onde estava o presidente, a belíssima anfitriã percorreu 35 metros contados, passando por políticos, empresários, artistas, um batalhão de fotógrafos e uma dezena de colunistas sociais do país inteiro.
Para chegar, finalmente, ao destino, teria a empresária que atravessar a piscina. Pretendia fazê-lo com seus passos de bailarina. Mas acabou fazendo a nado. Como? Isso mesmo! Quando estava já a poucos metros do homem por quem se apaixonaria ainda naquela noite, a anfitriã foi empurrada para dentro da piscina, por uma impertinente e desagradável brincadeira de uma amiga, já bêbada. O presidente até que insinuou um salvamento, mas foi contido pelos seguranças. Mas ela viu e, portanto, valeu o gesto.
Só que a anfitriã não queria apresentar-se daquela maneira ao presidente. Totalmente encharcado, o vestido colado ao corpo a deixava quase nua. Não teve alternativa, pois o presidente da República já estava à sua frente.
Assim começou o romance entre o então presidente João Baptista de Oliveira Figueiredo e a empresária Myrian Abicair. Tudo por puro acaso. Figueiredo estava em São Luís para uma conversa com o empresário Victor Civita, no hotel Quatro Rodas, então de propriedade do grupo Abril. Não gostou da distância e optou por hotel mais perto da cidade. Foi para o Villa Rica, que, por coincidência estava sendo inaugurado naquela noite. O hotel pertencia a uma rede do grupo do empresário Luis Serson, administrado pela sua então mulher, a personagem da nossa história.
O romance entre o presidente da República e a empresária é uma versão às avessas da novela “Salve Jorge”, de Glória Perez: a mocinha não era uma favelada, mas uma ricaça paulista; e a semelhança entre Ricardo Lombardi e Figueiredo é a preferência pelos cavalos, que o general deixou claro antes mesmo de assumir a Presidência: “prefiro o cheiro de cavalos ao cheiro do povo”. Mas, se vivo estivesse, e visse as cenas da novela, diria, certamente: “Esse cara sou eu.”
Passados 30 anos do romance, Myrian Abicair, dona de um dos mais badalados spas do país, o “Sete Voltas”, resolveu, finalmente, assumir de público o romance com Figueiredo. Na verdade, há mais de cinco anos que, durante as minhas constantes estadas no seu SPA – por que será? – que a empresária vem me relatando a história de sua vida. Ao lado de Figueiredo foram só três anos e meio, mas valeu por uma eternidade. Até hoje, ela fala dele com muita emoção:
– Eu abandonei a minha vida de luxo, de mulher milionária, para curtir a minha paixão. Saí do casamento de mãos abanando, por pura opção. Abri mão de tudo e voltei para o meu sítio em Itatiba, onde, anos depois, montei um spa.
Durante o período em que namorou com Figueiredo, Myrian ficava no eixo São Paulo – Brasília – Rio. Em Brasília, ela se hospedava na casa de um ministro de Figueiredo, que foi uma das mais importantes representantes civil nos governos militares. No Rio, ficava com Figueiredo “num bairro muito afastado da Zona Sul”, cujo nome não se lembra. Em São Paulo, bem, em São Paulo, a maioria das vezes no hotel Maksoud. Figueiredo nunca gostou que Myrian se aproximasse dos seus amigos:
– Não quero você perto do poder. O poder é perigoso. Se souberem que você tem um caso com o presidente da República, os políticos e meus próprios amigos vão começar a te bajular para que você, na cama, consiga comigo as coisas que eles não conseguem no meu gabinete nem nas minhas churrascadas.
Segundo Myrian, o então presidente tinha particular preocupação com o empresário Geoges Gazale:
– O Figueiredo me dizia que o Gazale era incansável, o perturbava sempre em busca de favores. Não dava folga. E, se fizesse amizade comigo, ele estaria ferrado.
Outra grande preocupação do presidente da República, segundo Myrian, era com a mídia. Já se especulava muito a fama do general de ser um mulherengo. Vira e mexe saiam notinhas maldosas nos jornais sobre os supostos casos de Figueiredo.
– Era o que mais o incomodava. Todos sabiam que, a partir de um determinado momento, seu casamento era só de fachada. Mas ele achava que a população brasileira, por ser essencialmente conservadora, não aceitaria um presidente adúltero. Para dizer a verdade, não foi ele que desprezou a mulher, mas a mulher que não gostava mais dele. E isso ela dizia na cara dele” – conta Myrian.
A empresária nega que o spa “Sete Voltas” tenha sido presente de Figueiredo:
– A coisa mais valiosa que eu ganhei dele foi um cavalo. O sítio eu já tinha desde 1969. Nunca me desfiz dele. O Figueiredo não era homem de dar muitos presentes e nem eu precisava. Por isso é que eu digo que a nossa relação foi de amor, pois era desinteressada. Acho que isso deu muita estabilidade ao nosso relacionamento: nunca lhe pedi nada, nem para nomear um contínuo.
Para não dizer que nunca intercedeu por ninguém, Myrian lembra que, certa vez, sugeriu a Figueiredo que nomeasse o coronel Luiz Carlos Coutinho como seu secretário particular.
– O Figueiredo não confiava em ninguém. Não queria, repito, ninguém no meio da nossa relação. Mas precisávamos ter alguém, uma pessoa de confiança, para nos comunicar. Eu já conhecia o Coutinho de longa data e o Figueiredo gostava muito dele. Mas, no fundo, o Coutinho foi escolhido pelo seu currículo. Foi o homem da confiança da maioria dos presidentes que o tinham antecedido. Eu só dei um empurrãozinho. O Coutinho tinha estatura para o cargo.
A empresária é cautelosa quando questionada sobre o uso aeronaves oficiais nos seus deslocamentos para encontrar-se com Figueiredo:
– Eu nunca entrei na aeronave presidencial. Ao que eu me lembre, uma vez eu peguei carona no avião reserva para ir de Brasília a São Paulo. Eu nunca viajei com ele para fora do país e, mesmo aqui dentro, nunca viajávamos juntos.
Segundo Myrian, ela também nunca entrou em carro oficial, durante o tempo em que namorou Figueiredo. A empresária rejeita a expressão amante e justifica:
– Para ele, eu era namorada. O dia em que ele esteve aqui em casa para conversar com meus filhos (ela é mãe de um casal) disse para eles: “Eu quero que saibam que a mãe de vocês não é minha amante, mas namorada. Meu casamento, hoje, é só uma formalidade.”
A empresária conta que Figueiredo, durante o tempo em que ficaram juntos, era um homem muito depressivo:
– Às vezes baixava um helicóptero aqui com um ajudante de ordens, dizendo: “Dona Myrian, a senhora tem que ir para Brasília imediatamente, o homem não quer nem sair do quarto”.
Myrian revela que o ex-presidente nunca conversou assuntos políticos com ela e nunca confidenciou nada sobre sua vida pessoal.
– Eu não participava da sua vida. Eu era uma alienada política. De político mesmo, eu só convivia com o governador do Maranhão, João Castelo, a quem conheci antes do Figueiredo. Meu marido e eu tínhamos empreendimentos no Maranhão.
Quando estavam juntos, revela a empresária, às vezes um assessor deixava na porta algumas páginas dos principais jornais do país:
– Ele nunca recebeu um jornal inteiro, completo, mas todo recortado, com as notícias do seu interesse. Nem mesmo nessas horas ele comentava sobre fatos ou pessoas que o teriam deixado triste ou alegre. Ele se fechava para mim. Eu conheci o João, um homem excepcional, mas nunca conheci o presidente João Figueiredo. Nunca soube o que pensava ou fazia o presidente da República.
O romance acabou como começou, repentinamente. Certo dia, Figueiredo contou-lhe uma história difícil de engolir, apelando para a memória do pai e sua condição de militar:
– Meu paizinho, lá do céu, não deve estar gostando nada de eu ter essa vida adúltera. Eu te prometi casamento, mas eu não posso, como militar, separar da minha mulher para casar com outra. Podemos continuar namorando, mas nada de casamento.
Myrian reagiu:
– Não posso viver num mundo de mentiras. Abandonei meu marido para poder viver um amor verdadeiro. Eu não vou continuar me escondendo. Fique aí com seu paizinho, que, mesmo estando lá em cima, não quer que o filho se case comigo.
E nunca mais se reencontraram, nem depois que Figueiredo deixou a Presidência da República.
Jorge Bastos Moreno
No Limpinho & Cheiroso
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Leucemia e HIV - tudo a ver


Emma Whitehead com sua mãe, Kari
Foto: The New York Times/Jeff Swensen 
Em janeiro de 1975, o doutor Robert Gallo anunciou que tinha isolado o vírus da leucemia (a partir desses estudos, chegou-se ao HTLV - (Human Thymus Lymphotropic Virus). Eu trabalhava em Nova York e fui lá entrevistá-lo no Instituto Nacional do Câncer, em Washington. Continuando suas pesquisas, ele anunciou, anos depois, que o retrovírus agora conhecido por HIV (Human Immunodeficiency Virus) -1 é a causa da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS). Graças a seus estudos, Gallo é a única pessoa a ter recebido o Prêmio Lasker e ninguém ainda entendeu porque ele foi preterido para o Nobel de Medicina.
Nesta segunda-feira (10), foi anunciada a cura de uma menina de 7 anos (Emma Whitehead) que estava com leucemia, graças ao uso de vírus tipo HIV desativados, método desenvolvido pela equipe de Carl June, da Universidade da Pensilvânia. Acho difícil que Gallo pudesse imaginar que um levaria à cura do outro, embora seus estudos, me parece, estarem na origem de tudo. Na entrevista que fiz (ouça trecho), ele disse acreditar que um dia será possível controlar (mesmo sem compreender) todas as causas do câncer. Mas que não estará vivo para testemunhar isso. Esse dia parece cada vez mais perto...
No Blog do Gadelha
* * *
HTLV-1
O HTLV-1 (Human T lymphotropic virus type 1) é um vírus pertencente a família retroviridae, a mesma do HIV, porém pertencente ao gênero deltaretrovius. Foi o primeiro retrovírus claramente associado a uma malignidade, sendo isolado em 1980 em pacientes de Linfoma de células T (EUA), já descrito primeiramente no Japão em 1977.
Além de associado a Linfoma de células T no adulto, esse vírus é responsável pela Paraparesia Espástica Tropical/Mielopatia associada ao HTLV-1 (PET/MAH). A maioria dos indivíduos infectados não desenvolvem doenças.
Estima-se que no mundo há entre 10 e 20 milhões de pessoas infectadas, sendo que apenas 2 a 3% dos indivíduos infectados desenvolvam ATL (leucemia/linfoma de células T no adulto) e entre 1% e 2% desenvolvam PET/MAH (mielopatia/paraparesia espástica tropical, que é um quadro neurológico degenerativo crônico). O HTLV ainda é associado a imunossupressão e outras desordens inflamatórias.
A transmissão viral entre indivíduos ocorre por relação sexual, amamentação, compartilhamento de seringas ou material perfurocortante contaminados, transfusão sangüínea e outros meios que envolvam contato com sangue infectado. A transmissão no organismo ocorre através do contato célula-célula.
As partículas virais do HTLV-1 tem baixa infecciosidade in vitro por suas células-alvo primárias, células T CD4+, assim como outras retroviroses, pois o número de partículas virais livres é muito baixo. As partículas virais livres também são poucos infectantes in vitro, pois requer o contato íntimo entre células. Linfócitos T promovem esse contato íntimo entre células por meio da sinapse virológica.
As células dendríticas (DC) são potentes apresentadoras de antígenos e são peças centrais contra infecções virais. Estão localizadas nos sítios de entrada do vírus: nas mucosas e no sangue periférico. Elas são capazes de capturar o antígeno, migrar para os órgãos linfóides e apresentá-los as células T, além de importante mediadoras da resposta imune inata. Muitas viroses infectam as células dendríticas que acabam por facilitar a transmissão, incluindo o HTLV-1.
Wikipédia
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Democracia argentina

Daniel Paz & Rudy
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Paraguai: a caminho de uma narcodemocracia?

O Partido Colorado escolheu Horacio Cartes (foto), suspeitos de ligações com o narcotráfico, para concorrer a presidência em abril de 2013. Com sua vitória nas internas,  cabe questionar fortemente se o Paraguai não estaria andando em direção a uma narcodemocracia. Seu passado obscuro e a ascensão meteórica dentro do Partido Colorado, que se juntou a dois anos atrás, geram suspeitas. O candidato presidencial agora conseguiu unificar o partido, depois de sua derrota em 2008. Ele ganhou três eleições sucessivas, as eleições municipais de 2010, as internas de março de 2011, e agora o último é imposta com uma maioria esmagadora.
Segundo relatos, Cartes seria um dos principais artífices a orquestrar o assassinato de policiais e agricultores em Curuguaty, e o enredo para o golpe que tirou Lugo do poder em junho passado. A sucessão de eventos: a morte, o golpe, a quebra da aliança liberal-esquerda que levou Lugo ao poder, parece indicar que tudo estava sendo planejado para ser Cartes o futuro presidente do Paraguai.
Documentos do WikiLeaks
Inúmeros telegramas diplomáticos dos EUA, vazados pelo WikiLeaks, nomeiam o empresário que virou político. A primeira, em 5 de janeiro de 2010, revelou que a Lei Enforcement Administration Drug Enforcement Agency (DEA, por sua sigla em Inglês) infiltraram-se nas supostas redes de lavagem de dinheiro de Cartes.
O segundo relatório diplomatico, de 27 de Agosto de 2007, menciona que o ex-diretor da Secretaria Nacional Antidroga (SENAD), Hugo Ibarra, tinha acusado Gabriel Gonzalez, ex-presidente do Banco Central do Paraguai (BCP), de lavagem de dinheiro para o Banco Amambay em nome de Horacio Cartes. Um terceiro relatório fala dos supostos homens fortes do Cartel Sinaloa, México, preso no Paraguai, tinha a intenção de investir no país em cooperação com um empresário chamado Cartes.
O Brasil também
O jornal O Globo, disse em uma publicação banco Amambay, de propriedade de Cartes, é uma "grande lavanderia", observando que lá o dinheiro é lavado com o tráfico de drogas. "Desde 2009, a Agência de Repressão de Drogas (DEA) monitora as operações feitas na Tríplice Fronteira pelo Banco Amambay com empresas de Horacio Cartes", assinala a publicação do jornal.
O Paraguai é o maior produtor de maconha do continente, e o maior consumidor mundial é o Brasil. 80% da maconha produzida localmente é vendido no país vizinho, e estima-se gerar um lucro de 3.6 bilhões de dólares anualmente. De acordo com o Relatório Mundial sobre Drogas 2008 do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, Paraguai produz 5.900 toneladas de maconha por ano, e os lucros gerados em 2008 foi muito maior do que todas as exportações formais do país.
Quanto à cocaína, o Paraguai é uma zona de trânsito para os países vizinhos, a Europa e os Estados Unidos. A droga vem da Colômbia, Bolívia e Peru, e estima-se gerar receitas de 7 bilhões. Tráfico de maconha e cocaína juntos geram uma receita de 10 bilhões de dólares, sem contar o tráfico de cigarros para o Brasil, onde há 50 milhões de fumantes. Cartes também possui as maiores empresas de tabaco instalados na fronteira brasileira.
Eles chamam Horacio
Horacio Cartes através de suas várias empresas tornou-se uma das maiores pautadores da mídia do Paraguai, e através deste mecanismo conseguiu domar jornalistas incontáveis, já bem caracterizados por sua pusilanimidade. Estes o tratam coloquialmente como "Horacio" com a inocultada intenção de ganhar a sua simpatia . "Horácio" venceu o jogo interno de seu partido, mas aos jornalistas ele os ganhou  faz tempo e com menos esforço.
O Partido Colorado, que durante os 35 anos (1954-1989) da ditadura Stroessner institucionalizou o contrabando, tráfico de drogas, a ilegalidade e a corrupção, afirmou que na "planície" se renovaria, agora apresenta como seu candidato Horacio Cartes para Presidente. O último presidente Colorado foi Nicanor Duarte Frutos, um teórico político, mas na semana passada foi eleito um suspeito de ser narcotraficante como candidato, o que provavelmente levará antes da renovação do Paraguai para uma nova era: a narcodemocracia.
Bernardo Coronel
No Aldeia Gaulesa
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Urna eletrônica: Hacker de 19 anos revela no Rio como fraudou eleição

 
Um novo caminho para fraudar as eleições informatizadas brasileiras foi apresentado nesta segunda-feira (10/12) para as mais de 100 pessoas que lotaram durante três horas e meia o auditório da Sociedade de Engenheiros e Arquitetos do Rio de Janeiro (SEAERJ), na Rua do Russel n° 1, no decorrer do seminário “A urna eletrônica é confiável?”, promovido pelos institutos de estudos políticos das seções fluminense do Partido da República (PR), o Instituto Republicano; e do Partido Democrático Trabalhista (PDT), a Fundação Leonel Brizola-Alberto Pasqualini.
Acompanhado por um especialista em transmissão de dados, Reinaldo Mendonça, e de um delegado de polícia, Alexandre Neto, um jovem hacker de 19 anos, identificado apenas como Rangel por questões de segurança, mostrou como — através de acesso ilegal e privilegiado à intranet da Justiça Eleitoral no Rio de Janeiro, sob a responsabilidade técnica da empresa Oi – interceptou os dados alimentadores do sistema de totalização e, após o retardo do envio desses dados aos computadores da Justiça Eleitoral, modificou resultados beneficiando candidatos em detrimento de outros – sem nada ser oficialmente detectado.
“A gente entra na rede da Justiça Eleitoral quando os resultados estão sendo transmitidos para a totalização e depois que 50% dos dados já foram transmitidos, atuamos. Modificamos resultados mesmo quando a totalização está prestes a ser fechada”, explicou Rangel, ao detalhar em linhas gerais como atuava para fraudar resultados.
O depoimento do hacker – disposto a colaborar com as autoridades – foi chocante até para os palestrantes convidados para o seminário, como a Dra. Maria Aparecida Cortiz, advogada que há dez anos representa o PDT no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para assuntos relacionados à urna eletrônica; o professor da Ciência da Computação da Universidade de Brasília, Pedro Antônio Dourado de Rezende, que estuda as fragilidades do voto eletrônico no Brasil, também há mais de dez anos; e o jornalista Osvaldo Maneschy, coordenador e organizador do livro Burla Eletrônica, escrito em 2002 ao término do primeiro seminário independente sobre o sistema eletrônico de votação em uso no país desde 1996.
Rangel, que está vivendo sob proteção policial e já prestou depoimento na Polícia Federal, declarou aos presentes que não atuava sozinho: fazia parte de pequeno grupo que – através de acessos privilegiados à rede de dados da Oi – alterava votações antes que elas fossem oficialmente computadas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
A fraude, acrescentou, era feita em benefício de políticos com base eleitoral na Região dos Lagos – sendo um dos beneficiários diretos dela, ele o citou explicitamente, o atual presidente da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), o deputado Paulo Melo (PMDB). A deputada Clarissa Garotinho, que também fazia parte da mesa, depois de dirigir algumas perguntas a Rangel - afirmou que se informará mais sobre o assunto e não pretende deixar a denúncia de Rangel cair no vazio.
Fernando Peregrino, coordenador do seminário, por sua vez, cobrou providências:
“Um crime grave foi cometido nas eleições municipais deste ano, Rangel o está denunciando com todas as letras – mas infelizmente até agora a Polícia Federal não tem dado a este caso a importância que ele merece porque ele atinge a essência da própria democracia no Brasil, o voto dos brasileiros” – argumentou Peregrino.
Por ordem de apresentação, falaram no seminário o presidente da FLB-AP, que fez um histórico do voto no Brasil desde a República Velha até os dias de hoje, passando pela tentativa de fraudar a eleição de Brizola no Rio de Janeiro em 1982 e a informatização total do processo, a partir do recadastramento eleitoral de 1986.
A Dra. Maria Aparecida Cortiz, por sua vez, relatou as dificuldades para fiscalizar o processo eleitoral por conta das barreiras criadas pela própria Justiça Eleitoral; citando, em seguida, casos concretos de fraudes ocorridas em diversas partes do país – todos abafados pela Justiça Eleitoral. Detalhou fatos ocorridos em Londrina (PR), em Guadalupe (PI), na Bahia e no Maranhão, entre outros.
Já o professor Pedro Rezende, especialista em Ciência da Computação, professor de criptografia da Universidade de Brasília (UnB), mostrou o trabalho permanente do TSE em “blindar” as urnas em uso no país, que na opinião deles são 100% seguras. Para Rezende, porém, elas são “ultrapassadas e inseguras”. Ele as comparou com sistemas de outros países, mais confiáveis, especialmente as urnas eletrônicas de terceira geração usadas em algumas províncias argentinas, que além de imprimirem o voto, ainda registram digitalmente o mesmo voto em um chip embutido na cédula, criando uma dupla segurança.
Encerrando a parte acadêmica do seminário, falou o professor Luiz Felipe, da Coppe da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que em 1992, no segundo Governo Brizola, implantou a Internet no Rio de Janeiro junto com o próprio Fernando Peregrino, que, na época, presidia a Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj). Luis Felipe reforçou a idéia de que é necessário aperfeiçoar o sistema eleitoral brasileiro – hoje inseguro, na sua opinião.
O relato de Rangel – precedido pela exposição do especialista em redes de dados, Reinaldo, que mostrou como ocorre a fraude dentro da intranet, que a Justiça Eleitoral garante ser segura e inexpugnável – foi o ponto alto do seminário.
Peregrino informou que o seminário será transformado em livro e tema de um documentário que com certeza dará origem a outros encontros sobre o mesmo assunto – ano que vem. Disse ainda estar disposto a levar a denuncia de Rangel as últimas conseqüências e já se considerava um militante pela transparência das eleições brasileiras: “Estamos aqui comprometidos com a trasnparência do sistema eletrônico de votação e com a democracia no Brasil”, concluiu.
Apio Gomes
No portal do PDT
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12/12/12

 
Data “cabalística” só voltará a acontecer daqui a 89 anos
A quarta-feira do dia 12 de dezembro de 2012 poderia ser considerado um dia normal para a maioria das pessoas. Afinal, a data não marca nenhum feriado tampouco dia histórico da humanidade. Porém, uma coincidência numérica faz a data ser especial este ano. Neste dia, o número 12 se repete tanto no dia, como no mês e no ano.
Por um segundo, a coincidência de “dozes” vai ser maior ainda. Às 12:12:12, a data terá nada menos do que seis repetições do “número cabalístico”. A repetição do mesmo número da data só acontecerá novamente no dia 1º de janeiro de 2101. Ou seja, o calendário só coincidirá em dia, mês e ano daqui a quase 89 anos.
Quem não quiser "esperar" 2101, pode se conformar com outra coincidência daqui a dez anos. No dia 2 de fevereiro de 2022, o calendário estará repleto de números repetidos: o "dois" vai se repetir no dia, mês e ano também.
Se os mais céticos consideram que esta “útil” informação não significa nada, alguns esotéricos e religiosos pensam justamente o contrário. Com o “temido” 21 de dezembro chegando, há algumas previsões de que o “começo do fim” ocorrerá no dia 12. Para outros grupos, a data pode marcar um recomeço na vida de muitas pessoas. Com vibrações positivas ou negativas, uma coisa é inegável: a data é, no mínimo, curiosa.
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Como será a redução das contas de luz

 
Há um desafio para a política energética a partir de 1o de janeiro próximo. As tarifas de energia elétrica serão reduzidas em até 20%. Mas a redução não será sobre a conta de dezembro, mas sobre o que seria a conta de janeiro sem a Medida Provisória do Setor Elétrico.
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As contas do governo ficaram prejudicadas pela decisão das três estatais estaduais de não aceitar o valor de indenização para antecipação do prazo de concessão de 2015 para 2013.
Pelas contas do governo, o custo da geração cairia R$ 25 por mwh para consumidores cativos. Com a saída das estaduais, se não houver aportes do Tesouro, a queda será de R$ 15,00 até 2015.
No caso dos encargos, o governo extinguiu a RGR (Reserva Geral de Reversão)  e o CCC (Conta de Consumo de Combustíveis). A conta do CCC foi transferida para a CDE (Conta de Desenvolvimento Energético). O Tesouro arcou com R$ 3,3 bilhões e, com isso, o CDE foi reduzido em 75%.
Agora, a conta final ficou assim: no caso da transmissão, a redução será de R$ 13,00 o mwh. Nos encargos, de R$ 18 o mwh. Com a resistência das estaduais, a meta de queda de de R$ 57 no mwh cai para R$ 46,00. Em vez de 20,2% de queda, 16,3%. A não ser que o Tesouro banque a diferença.
Essas contas são do consultor José Rosenblatt, da PSRE Soluções e Consultoria em Energia.
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Rosenblatt tem dúvidas em relação a alguns pontos.
Em 2012, o valor da CCC foi de R$ 3,2 bilhões. Para 2013, estima-se em R$ 6,5 bilhões. Haverá o ressarcimento de despesas que haviam sido glosados, além do aumento do preço do gás natural em sistemas isolados. Poderá haver uma perda de 2,6% na redução da conta.
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Outro desafio será o aumento já contratado de tarifas, como o caso da Light, cujas tarifas foram reajustadas recentemente em 10,77%. Além disso, há contratos de energia que entram em 2013, como é o caso da Bertin, da energia de Angra e o reajuste cambial, afetando a energia de Itaipu e os contratos com as térmicas.
No caso da Light, o efeito-dólar gerou um reajuste acima da inflação; outros reajustes serão incorporados no decorrer do ano.
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Assim, a redução da conta não será em relação à tarifa atual, mas em relação ao que seria cobrado em 2013.
Será um bom desafio de comunicação. “O que de pior acontecer é que uma redução importante como essa seja visto como fracasso”, explica Rosenblatt
Ele é da opinião de que a MP da Energia Elétrica não trouxe insegurança jurídica para o setor, nem afetará os investimentos previstos. Nos próximos dias haverá novos leilões de energia, com muita empresa demonstrando apetite para competir.
É possível que preços das eólicas e hidrelétricas aumentem, porem não por aversão ao risco, explica Rosenblatt. No caso das eólicas, pelas mudanças das regras de nacionalização para atender ao Finame.
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A MP foi fruto de uma maratona. Em 11 de setembro saiu a Medida Provisória; no dia 14, o decreto regulamentando; a partir de 11 de outubro, a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) fez 6 audiências públicas para detalhar o regulamento.
Ainda há pontos a serem esclarecidos, como as regras para calcular o novo modelo, que visará remunerar a operação e a manutenção.
No Advivo
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