9 de dez de 2012

Marco Maia: ‘Não vou cumprir decisão que cassa mandatos’

 
O gaúcho Marco Maia (PT), presidente da Câmara, afirma que não cumprirá uma provável decisão do Supremo Tribunal Federal pela cassação dos mandatos dos deputados João Paulo Cunha (PT-SP), Valdemar da Costa Neto (PR-SP) e de José Borba (PMDB-PR), condenados no mensalão.
Ele afirma que perda de mandato é prerrogativa do Congresso e faz um diagnóstico preocupante sobre o impasse envolvendo Judiciário e Legislativo: diz que o país está “muito próximo” de uma crise institucional.
“Espero que o Supremo tome uma decisão olhando para a Constituição e para o equilíbrio entre os poderes”, diz.
Em entrevista, Maia também afirma que é provável que o Congresso derrube o veto do Palácio do Planalto ao projeto dos royalties e anuncia a votação da reforma política para esta semana.
- O STF decide esta semana se cassa os deputados condenados no mensalão. Qual é a sua expectativa?
- Espero que o Supremo Tribunal Federal tome uma posição equilibrada, olhando para a Constituição e para a necessidade de não se estabelecer uma crise institucional. Não há motivo para avançar sobre a prerrogativa da Câmara ou de medida que cause uma disputa. A cassação seria um ataque frontal a Constituição, à autonomia do Legislativo e ao equilíbrio dos poderes.
- Mas dá para perceber uma tendência no Supremo pela cassação.
- A lei é clara: cassação de mandados de parlamentar só pelo Congresso Nacional. É a Câmara ou Senado quem decide. Os constituintes originários colocaram lá esse artigo para garantir a imunidade parlamentar e dar ao Legislativo a prerrogativa de cassar. Se a decisão do Supremo for pela cassação o tema será colocado em exame na Mesa. Mas a Câmara não vai cumprir e recorrerá ao próprio STF.
- E se o Supremo considerar que os mandatos se extinguem com a perda dos direitos políticos?
- Isso só vale na área eleitoral. Decisão que implique em perda de mandato de deputado por condenação criminal é da Câmara em qualquer circunstância. Prefiro acreditar que a decisão do STF seja equilibrada e não unilateral, que desrespeite o outro poder.
- O país está à beira de uma crise institucional?
- Acho que estamos muito próximo disso. E se a Câmara não cumprir uma decisão do Supremo mandando cassar imediatamente, qual é a conseqüência? Não vou tomar decisão que abra mão da prerrogativa da Câmara. Acho que haverá um grande debate na Mesa e no plenário.
- Quais as conseqüências políticas do mensalão?
- O Supremo cumpre seu papel julgando a matéria, analisando os fatos e tomando as decisões. Mas nós podemos questionar uma ou outra decisão. Ao final vamos ter um debate sobre teses desenvolvidas e mudanças significativas, como a do domínio do fato e a não exigência de provas.
- Como o PT sai dessa crise?
- O processo levou o PT à exaustão. É óbvio que o partido tirou lições. E elas passaram a orientar decisões e debates objetivos. Vem daí a decisão pela reforma política, que será votada esta semana pelo plenário da Câmara.
- Que pontos da reforma devem ser votados?
- Tivemos uma reunião bastante positiva com os líderes. Parecia haver um consenso sobre vários temas. Questionei então se era só da boca pra fora. Todos foram categóricos em garantir que há entendimento para votar o financiamento público de campanha, o voto em lista partidária e o fim das coligações proporcionais. Sobre a coincidência das eleições, há dúvidas se os mandatos (dos prefeitos a serem eleitos em 2016) seriam prolongados ou encurtados em dois anos.
- Na eleição pela presidência da Câmara, o PT cumprirá o acordo com o PMDB?
- O acordo pelo rodízio na presidência da Câmara será mantido na íntegra e o PMDB comandará a Casa no próximo mandato (dois anos). Mas não são é só o PT e o PMDB, como fiadores, que podem garantir a eleição do deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). É preciso fazer campanha. Lembro sempre que quando saí candidato tive o apoio de 21 dos 22 partidos. Só o PSOL não me apoiou. No final tive 130 votos contra.
- O clima é favorável ao candidato do PMDB?
- Acho que o deputado Henrique Eduardo Alves está num bom momento. Está conversando muito e construindo a candidatura. A bola está quicando para ele.
- O PMDB vai comandar também o Senado e terá hegemonia no Congresso. Isso é bom ou ruim?
- Não vejo a hegemonia do PMDB como riscos. No governo Lula as duas Casas foram comandadas pelo PMDB e não houve problema. A aliança entre PT e PMDB tem dado certo e vai continuar.
- Como o Congresso vai se posicionar sobre o veto da presidente Dilma ao projeto dos royalties?
- Da mesma forma que é natural que o Rio de Janeiro e o Espírito Santo tenham se movimentado pelo veto, é também natural que o Legislativo agora reproduza pressão pela derrubada do veto. É um movimento forte envolvendo 24 estados e mais de cinco mil prefeitos. Pela força da pressão é provável que o veto seja derrubado.
- O governo assimilaria uma derrota com apoio da base?
- Não considero que seja uma afronta ao governo ou a presidente Dilma. O debate vai evidenciar a pressão e o impacto dela levará o presidente José Sarney (do Senado) a colocar o veto em exame. As chances de derrubada são maiores.
- Em 2014 o PT vai de Dilma ou Lula?
- Dilma será a candidata do PT à Presidência com o apoio do PMDB. Esse acordo será mantido.
No iG
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Oscar Niemeyer, a Veja online e o Escaravelho

Escaravelho de Chifre 
Com a morte de Oscar Niemeyer aos 104 anos de idade ouviram-se vozes do mundo inteiro cheias de admiração, respeito e reverência face a sua obra genial, absolutamente inovadora e inspiradora de novas formas de leveza, simplicidade e elegância na arquitetura. Oscar Niemeyer foi e é uma pessoa que o Brasil e a humanidade podem se orgulhar.
E o fazemos por duas razões principais: a primeira, porque Oscar humildemente nunca considerou a arquitetura a coisa principal da vida; ela pertence ao campo da fantasia, da invenção e do lúdico. Para ele era um jogo das formas, jogado com a seriedade com que as crianças jogam.
A segunda, para Oscar, o principal era a vida. Ela é apenas um sopro, passageira e contraditória. Feliz para alguns mas para as grandes maiorias cruel e sem piedade. Por isso, a vida impõe uma tarefa que ele assumiu com coragem e com sérios riscos pessoais: a da transformação. E para transformar a vida e torná-la menos perversa, dizia, devemos nos dar as mãos, sermos solidários uns para com os outros, criarmos laços de afeto e de amorosidade entre todos. Numa palavra, nós humanos devemos aprender a nos tratar humanamente, sem considerar as classes, a cor da pele e o nível de sua instrução.
Isso foi que alimentou de sentido e de esperança a vida desse gênio brasileiro. Por aí se entende que escolheu o comunismo como a forma e o caminho para dar corpo a este sonho, pois, o comunismo, em seu ideário generoso, sempre se propôs a transformação social a partir das vítimas e dos mais invisíveis. Oscar Niemeyer foi um fiel militante comunista.
Mas seu comunismo era singular: no meu modo de ver, próximo dos cristãos originários pois era um comunismo ético, humanitário, solidário, doce, jocoso, alegre e leve. Foi fiel a esse sonho a vida inteira, para além de todos os avatares passados pelas várias formas de socialismo e de marxismo.
Na medida em que pudemos observar, a grande maioria da opinião pública mundial, foi unânime na celebração de sua arte e do significado humanista de sua vida. Curiosamente a revista VEJA de domingo, dedica-lhe 10 belas páginas. Outra coisa, porém, é a revista VEJA online de 7 de dezembro com um artigo do blog do jornalista Reinado Azevedo que a revista abriga.
Ele foi a voz destoante e de reles mau gosto. Até agora a VEJA não se distanciou daquele conteúdo, totalmente, contraditório àquele da edição impressa de domingo. Entende-se porque a ideologia de um é a ideologia do outro. Pouco importa que o jornalista Azevedo, de forma confusa, face às críticas vindas de todos os lados, procure se explicar. Ora se identifica com a revista, ora se distancia, mas finalmente seu blog é por ela publicado.
Notoriamente, VEJA se compraz em desfazer as figuras que melhor mostram nossa cultura e que mais penetraram na alma do povo brasileiro. Essa revista parece se envergonhar do Brasil, porque gostaria que ele fosse aquilo que não é e não quer ser: um xerox distorcido da cultura norte-americana. Ela dá a impressão de não amar os brasileiros, ao contrário expõe ao ridículo o que eles são e o que criam. Já o titulo da matéria referente a Oscar Niemeyer da autoria de Azevedo, revela seu caráter viciado e malevolente: ”Para instruir a canalha ignorante. O gênio e o idiota em imagens”. Seu texto piora mais ainda quando, se esforça, titubeante, em responder às críticas em seu blog do dia 8/12 também na VEJA online com um título que revela seu caráter despectivo e anti-democrático:”Metade gênio e metade idiota- Niemeyer na capa da VEJA com todas as honras! O que o bloco dos Sujos diz agora?” Sujo é ele que quer contaminar os outros com a própria sujeira de uma matéria tendenciosa e injusta.
O que se quer insinuar com os tipos de formulação usados? Que brasileiro não pode ser gênio; os gênios estão lá fora; se for gênio, porque lá fora assim o reconhecem, é apenas em sua terceira parte e, se melhor analisarmos, apenas numa quarta parte. Vamos e venhamos: Quem diz ser Oscar Niemeyer um idiota apenas revela que ele mesmo é um idiota consumado. Seguramente Azevedo está inscrito no número bem definido por Albert Einstein: ”conheço dois infinitos: o infinito do universo e o infinito dos idiotas; do primeiro tenho dúvidas, do segundo certeza”. O articulista nos deu a certeza que ele e a revista que o abriga possuem um lugar de honra no altar da idiotice.
O que não tolera em Oscar Niemeyer que, sendo comunista, se mostra solidário, compassivo com os que sofrem, que celebra a vida, exalta a amizade e glorifica o amor. Tais valores não cabem na ideologia capitalista de mercado, defendida por VEJA e seu albergado, que só sabe de concorrência, de “greed is good”(cobiça é coisa boa), de acumulação à custa da exploração ou da especulação, da falta de solidariedade e de justiça em nível internacional.
Mas não nos causa surpresa; a revista assim fez com Paulo Freire, Cândido Portinari, Lula, Dom Helder Câmara, Chico Buarque, Tom Jobim, João Gilberto, frei Betto, João Pedro Stédile, comigo mesmo e com tantos outros. Ela é um monumento à razão cínica. Segue desavergonhadamente a lógica hegeliana do senhor e do servo; internalizou o senhor que está lá no Norte opulento e o serve como servo submisso, condenado a viver na periferia. Por isso tanto a revista quanto o articulista revelam um completo descompromisso com a verdade daqui, da cultura brasileira.
A figura que me ocorre deste articulista e da revista semanal, em versão online, é a do escaravelho, popularmente chamado de rola-bosta. O escaravelho é um besouro que vive dos excrementos de animais herbívoros, fazendo rolinhos deles com os quais, em sua toca, se alimenta. Pois algo semelhante fez o blog de Azevedo na VEJA online: foi buscar excrementos de 60 e 70 anos atrás, deslocou-os de seu contexto (ela é hábil neste método) e lançou-os contra Oscar Niemeyer. Ela o faz com naturalidade e prazer, pois, é o meio no qual vive e se realimenta continuamente. Nada de surpreendente, portanto.
Paro por aqui. Mas quero apenas registrar minha indignação contra esta revista, em versão online, travestida de escaravelho por ter cometido um crime lesa-fama. Reproduzo igualmente dois testemunhos indignados de duas pessoas respeitáveis: Antonio Veronese, artista plástico vivendo em Paris e João Cândido Portinari, filho do genial pintor Cândido Portinari, cujas telas grandiosas estão na entrada do edifício da ONU em Nova York e cuja imagem foi desfigurada e deturpada, repetidas vezes, pela revista-escaravelho.
Leonardo Boff
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Collor: O Relator vai prevaricar?

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O apagão do PSDB e o mensalão midiático do colunismo brazuca

A maior parte dos brasileiros não deve ter a menor saudade do PSDB no governo, até por isso o partido nunca mais voltou ao poder. Mas também não há quem pareça feliz com o que os tucanos fazem na oposição. Exceto a turma do bloco midiático e da banca, o último lance dos caciques do partido desagradou a todos.
O movimento conjunto dos governadores tucanos de São Paulo, Minas e Paraná contra a diminuição do valor no preço da conta de luz só se justifica a partir de uma fé cega no financismo mais barato. Importa mais para os tucanos o quanto acionistas das empresas podem vir a perder, do que quanto os cidadãos e o sistema produtivo podem vir a ganhar com o movimento liderado pela presidenta da República.
Além dos rentistas do capital financeiro, outro setor que parece ter lucrado bastante com o cavalo de pau dos tucanos foi o dos colunistas de caderneta. Você não sabe o que é colunista de caderneta? Explico: há uma turma que além de receber o salário dos veículos para onde trabalha, também é agraciada com convites para palestras e eventos de bancos e empresas do sistema financeiro. Alguns chegam a cobrar de 50 a 100 mil pelas palestras. Evidente que os banqueiros estão dando de ombros para as obviedades que eles têm a dizer . Mas ficam muito felizes em poder tê-los como porta-vozes nos seus veículos.
Pagam não pelas palestras, mas que pelas colunas que fazem. Esse mensalão midiático é que garante que contra todas as evidências, alguns não arredem pé do discurso pró-banca.
Infelizmente ainda há quem acredite na boa fé dessa turma. Mas isso está diminuindo bastante. Tanto que o PSDB não elegeu um prefeito sequer nas capitais da regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste. E estes colunistas não são comentados para além de alguns gabinetes de Brasília.
Aliás, faria enorme bem à política brasileira acabar com o clipping que a Radiobrás faz de jornais e revistas e que todos os ministros e seus principais assessores recebem. Aquilo é um falso recorte do que se debate no país. Não faz o menor sentido ainda existir. E, pior, pautar alguns dos que o recebem.
No Blog do Rovai
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Internacional parabeniza Grêmio pela nova Arena

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Alvaro Dias muito próximo de ingressar na base da presidenta Dilma Rousseff

Senador estuda convite para disputar governo do PR pelo PV
Senador Álvaro Dias.
Não se surpreenda o caro leitor se dentro de alguns meses o senador Alvaro Dias, hoje na liderança do PSDB no Senado, der uma guinada de 180º graus em seu discurso oposicionista.
Alvaro com os dois pés fora do ninho tucano. O blog apurou neste final de semana que o senador recebeu convite para ingressar no PV (Partido Verde). É questão de tempo para anunciar o rompimento com o PSDB. Os verdes compõem a base de sustentação da presidenta Dilma Rousseff no Congresso Nacional.
O namorico de Alvaro com PV vem de longa data. Em outubro de 2011, o tucano admitiu ao blog, pela primeira vez, a possibilidade de trocar de legenda. Ou seja, as rusgas internas vêm se arrastando há mais de anos.
O senador paranaense vai perder a liderança do PSDB, a partir de 2013, para o colega paraibano Cássio Cunha Lima, aliado do mineiro Aécio Neves, candidato do partido à presidência da República em 2014. Alvaro vem defendendo eleições primárias para escolher o candidato do PSDB e, consequentemente, isolando-se da cúpula tucana (Aécio, FHC, Sérgio Guerra).
No Paraná, a situação de Alvaro também é insustentável dentro do ninho. O senador, reiteradas vezes, disse que o tucano Beto Richa transformou seu governo num “balcão de negócios”. As críticas cristalizaram rompimento entre ambos chegaram ao ponto de o presidente do partido, deputado Valdir Rossoni, informar que Alvaro não terá a legenda para buscar a reeleição ao Senado.
O próprio Rossoni, que também é presidente da Assembleia Legislativa, colocou-se na disputa à Câmara Alta, mas, o mais provável, é que a vaga fique mesmo para um partido que venha encorpar o palanque reeleitoral de Richa daqui a dois anos.
No PV, segundo fontes ligadas ao senador, Alvaro Dias disputaria o governo do Paraná. A vaga para o Senado, ainda de acordo com a mesma fonte, ficaria reservada ao ex-senador Osmar Dias, presidente estadual do PDT e irmão do ainda tucano.
No jogo de 2014, visando o Palácio Iguaçu, além de Richa, tem a ministra Gleisi Hoffmann (PT) e o senador Roberto Requião (PMDB) busca a confirmação na convenção partidária do próximo dia 15.
A entrada de Alvaro no páreo, pelo PV, certamente animará ainda mais o processo eleitoral paranaense. A novidade, no entanto, como eu já disse nas primeiras linhas, será a mudança no discurso oposicionista do senador, que tende a ser suavizado em relação a petistas e ao governo Dilma.
Correligionários de Alvaro não veem prejuízos em uma eventual mudança no discurso. Segundo eles, operações desse mesmo calibre já foram realizadas com sucesso no Rio de Janeiro, com a conversão do prefeito reeleito Eduardo Paes (PMDB), e em Curitiba, com a transferência de Gustavo Fruet para o PDT.
No Blog do Esmael
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Oposição com bom-senso

Uma das mais lúcidas avaliações das perspectivas da oposição nos próximos dois anos foi apresentada esta semana pelo senador José Agripino (DEM-RN). Louve-se sua sinceridade e bom senso. Atributos que nem sempre revela possuir. Quem não se lembra de sua lamentável interpelação, em 2008, à então ministra Dilma Rousseff, a respeito de mentir sob tortura? Teve a resposta que merecia, registrada para a posteridade em um vídeo que é até hoje acessado no YouTube.
São, no entanto, águas passadas.
O senador ocupa, desde 2011, um cargo complicado. É o presidente de seu partido, função a que chegou sem tê-la pleiteado. Assumiu-a em um momento em que o DEM parecia prestes a se dissolver, sangrando a céu aberto depois da debandada da maioria de seus integrantes em direção ao PSD de Gilberto Kassab.
Para piorar o cenário, seus correligionários remanescentes se dividiam em dois grupos antagônicos, um ligado a Rodrigo Maia (DEM-RJ) e outro, ao ex-senador Jorge Bornhausen (SC). José Agripino tornou-se opção de conciliação.
Difícil encontrar alguém com currículo tão antilulopetista. Começou na política na Arena e daí foi para o PDS. Foi fundador do PFL, líder do partido no Senado, integrante da tropa de choque das oposições ao governo Lula. Biografia que o credencia a dizer o que disse e torna mais relevante a entrevista que concedeu à Folha de S.Paulo.
O essencial estava em seu prognóstico de que, sozinhos, PSDB e DEM “não têm chances de vitória em 2014”.
Foi franco desde a largada, sequer incluindo na lista o PPS. Com razão, pois a agremiação tornou-se pouco mais que estafeta para missões desagradáveis — como protocolar requerimentos de instalação de CPIs e pedidos de abertura de inquérito no Ministério Público. (Que destino triste o do velho Partido Comunista Brasileiro! Nesta semana em que perdemos Oscar Niemeyer, um dos mais ilustres militantes do Partidão, dá pena ver aonde foi levado por suas lideranças atuais.)
Mas José Agripino foi ainda mais incisivo: disse que não sabia o que poderia ser feito para atrair outras correntes de opinião a integrar uma frente capaz de derrotar o governo na próxima eleição. Para ele, a soma de PSDB, DEM e, vá lá, PPS, não é competitiva e tem pouca possibilidade de crescer significativamente.
Isso é mais verdadeiro que quase tudo que se lê hoje em dia. E tem consequências práticas, se ele e seus companheiros da oposição menos irracional forem ouvidos na hora de decidir que campanha farão na sucessão de Dilma. Em política, raramente o errado acaba dando certo. Quase sempre, a conta chega, com juros e correção monetária.
Tivessem as oposições pensado olhando para a frente, dificilmente teriam feito o que fizeram em 2010. Apostar outra vez em Serra foi adiar a tarefa que permanece à frente delas. Continuam tendo que criar um novo rosto, diferente do que tinham há vinte anos.
É difícil construir uma candidatura vencedora ao longo de uma só eleição, como ilustram as exceções que confirmam a regra. Em 1994, Fernando Henrique precisou das fanfarras de um plano econômico lançado na véspera. No caso de Dilma, apesar da extraordinária popularidade de Lula, apesar do forte desejo de continuidade, a dúvida a respeito de alguém pouco conhecido levou a eleição para o segundo turno.
Em 2014, se José Agripino estiver certo, o projeto fundamental das oposições é preparar-se para o futuro.
O que significa fazer uma campanha afirmativa, propositiva, otimista, que leve até quem não votará em seu candidato a simpatizar com ele. Significa não fazer como Serra, tentar ganhar a qualquer preço e apenas sair da eleição com a imagem destruída.
Significa manter-se ao largo das maluquices da extrema direita oposicionista, dos pitbulls cujo único sentimento é a raiva. E parar de ler alguns comentaristas que talvez saibam conspirar, mas de eleição não entendem nada.
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
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O beija-mão de Fux

Fora o beijo traidor de Judas relatado nos evangelhos de Mateus e Marcos, entrou para a história, como sinal de reverência e de subserviência, o cerimonial do “beija-mão” introduzido no ano 527 pela imperatriz bizantina Teodora, esposa de Justiniano I. A imperatriz, favorável ao aborto e contra a pena de morte à adúltera, virou santa da Igreja Ortodoxa. No seu rastro, os papas da Igreja Católica Apostólica Romana posicionaram-se como receptores do “beija-mão” e recebem visitantes que se inclinam e lançam um ósculo no anel pontifício.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, o ministro Luiz Fux, quando na sua terceira tentativa de obter uma cadeira vitalícia no Supremo Tribunal Federal (STF), buscou apoios variados e se submeteu ao “beija-mão”. É grande o elenco dos visitados por Fux. De José Dirceu a João Paulo Cunha. Sem falar em Antonio Palocci, Paulo Skaf, presidente da Fiesp, e João Pedro Stedile, do MST. Chegou ao ponto de buscar aproximação com a namorada de Dirceu, Evanise Santos. Segundo o deputado Cândido Vacarezza, Paulo Maluf, que responde a três ações no STF por lavagem de dinheiro da corrupção, intercedeu pelo magistrado. Fux só não buscou o apoio da torcida do Flamengo, pois nessas horas contam apenas os votos dos cartolas.
A conduta postulatória de Fux, na ocasião ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), serve para ilustrar como o lobby conta e nem sempre o mérito profissional representa o principal atributo para se chegar a uma cadeira na mais alta Corte. Não fosse primo do presidente Collor de Mello, o atual ministro Marco Aurélio, que nas últimas sessões propôs pena baixa e prescrita a Roberto Jefferson e, com relação ao segundo crime imputado, absolvição pela desconsideração ao voto condenatório do ministro Ayres Britto, não teria chegado ao STF como pouco conhecido juiz do trabalho. A então desembargadora Ellen Gracie havia sido vetada por Fernando Henrique Cardoso para o STJ, mas, após receber apoio do conterrâneo Nelson Jobim, fez um upgrade e foi indicada pelo mesmo FHC como ministra do Supremo. Se não era capacitada para um tribunal de hierarquia menor, como, num passe de mágica e em pouco tempo, Ellen Gracie acabou indicada para o órgão de cúpula da magistratura?
Fux, por escolha de Dilma Rousseff em fevereiro de 2011, chegou ao STF em março, quando a denúncia da ação penal apelidada de “mensalão” já havia sido recebida (agosto de 2007). O fato, aliás, contou com rumorosa audiência pública e total cobertura jornalística. Dirceu era, portanto, réu do “mensalão” quando Fux partiu para o “beija-mão”. Segundo o ministro, houve apenas um encontro. ­Dirceu ­­afirma terem sido duas visitas.
Sobre a visita ou visitas a Dirceu, Fux afirmou, sem corar, ter esquecido de que o ex-ministro era réu do “mensalão”. Com o deputado e também réu João Paulo Cunha, à época presidente da Câmara, o juiz esteve numa reunião para um café da manhã e se recusou a revelar o teor da conversa. É, no mínimo, estranho um ministro do STJ comparecer a esse tipo de reunião. Algo semelhante ao encontro do ministro Gilmar Mendes com representantes do partido Democratas após a conhecida reunião com Lula e Jobim.
Nos agendados encontros para o “beija-mão”, Fux admitiu que o tema “mensalão” foi mencionado. E restou claro que os apoiadores aguardavam do ministro um voto diferente do que deu. Sobre o processo, o magistrado, perante estrelas petistas, disse que “mataria no peito”. Na chave de leitura dos “mensaleiros” e “filomensaleiros”, o “matar no peito” seria o golaço da absolvição. Hoje interpretam a expressão como gol contra de um traíra. Fux agora ressalta com ênfase o que não disse quando do lobby: “Não troco consciência e independência por cargo”. E sentenciou: “A prova dos autos desmentia o discurso da falta de provas da responsabilidade de Dirceu e demais acusados”.
Sobre o “beija-mão”, recordo uma antiga conversa com o juiz Márcio José de Moraes. Perguntei se ele seria escolhido para ocupar uma vaga aberta no Supremo. Moraes era um jurista de mão-cheia, juiz independente que, em plena regime de exceção, havia, por corajosa sentença e como magistrado de primeiro grau, condenado a ditadura pelo assassinato do jornalista Vladimir Herzog. A resposta, que guardo até hoje e que contei e recontei aos meus filhos bacharéis em Direito: “Wálter, não tenho nenhuma chance de ir para o Supremo, pois me recuso a fazer campanha, lobby e pedir apoio para políticos. Se algum presidente da República achar que tenho mérito, que me escolha”.
Do episódio Fux sai com a toga chamuscada. Não dá impeachment e ele não foi o inventor do “beija-mão”. Nem o Brasil, como muitos propagam, mudou depois das condenações no “mensalão”.
Wálter Maierovitch
Do CartaCapital
No Justiceira de Esquerda
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Chávez se someterá a una nueva intervención quirúrgica en Cuba

El presidente venezolano Hugo Chávez se dirigió al país este sábado en la noche en cadena de radio y televisión, para informar que debe somerterse a una nueva intervención quirúrgica.
A través de una transmisión desde el Palacio Presidencial de Miraflores en Caracas, (capital) el presidente de Venezuela Hugo Chávez informó que lamentablemente “tras una revisión médica exhaustiva” deberá someterse a una nueva intervención quirúrgica “y eso debe ocurrir en los próximos días”.
Chávez explicó que en Cuba, “debido a algunos síntomas decidimos adelantar exámenes, para realizar una nueva revisión exhaustiva y en esa revisión surge la presencia de algunas células malignas. Lo que nos ha obligado a revisar el diagnóstico, la evolución del tratamiento y consultar expertos y se ha decidido, que es absolutamente necesario someterme a una nueva intervención quirúrgica y eso debe ocurrir en los próximos días”, informó.
“Con el favor de Dios como en las ocasiones anteriores saldremos victoriosos y saldremos adelante”, reiteró el Mandatario venezolano.
El Jefe de Estado venezolano pidió autorización al Parlamento venezolano para viajar nuevamente a Cuba, este domingo, a fin de someterse a una nueva intervención médica.
Chávez fue enfático al asegurar que como toda intervención médica existen riesgos, sin embargo apeló a la unidad del pueblo venezolano para garantizar a marcha de la Revolución Bolivariana, y designó a Nicolás Maduro como sucesor.
“Si algo ocurriera, que a mi me inhabilite para continuar al frente de la presidencia de la República Bolivariana de Venezuela, Nicolás Maduro no sólo en esa situación debe concluir como manda la constitución el período, sino que mi opinión firme y plena, irrevocable, absoluta, total es que en ese escenario, que obligaría a convocar a elecciones presidenciales, ustedes elijan a Nicolás Maduro como presidente de la República Bolivariana”
Por otra parte Chávez aseguró que “inscribiremos otra página grandiosa el próximo domingo”, cuando se realicen las elecciones regionales en Venezuela.
“Hoy tenemos un liderazgo colectivo que se reparte por todas partes (...) Con fervor organizativo y participativo de las bases populares, que eso nunca se vio aquí”, aseguró el mandatario venezolano.
Chávez explicó que en esta etapa a nosotros “nos tocó retomar las bandera mancillada, y más allá las banderas del pueblo, banderas desgarradas y pisoteadas durante casi todo el siglo IXX y el siglo XX, comenzando el siglo XXI inició aquí una nueva era”.
“Además de todas esas batallas se presentó una batalla adicional. Hemos confrontado el problema de la salud con mucha mística, con mucha fe y mucha esperanza. Hemos enfrentado manipulaciones y miserias humanas. Pero por encima de todo con la frente en alto y la dignidad incólume”, aseguró Chávez.
Esta es la primera alocución del presidente Hugo Chávez tras su regresó a Venezuela procedente de Cuba, donde recibió tratamiento médico. A su llegada recordó que el 06 de diciembre se cumplieron 14 años del inicio de la Revolución Bolivariana en Venezuela, considerándolo un indicio de la “gran victoria” que obtendrán el próximo 16 de diciembre, en las elecciones regionales que se realizarán en la nación suramericana.
No La Isla Desconocida
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Oscar Niemeyer - A Vida é Um Sopro


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