7 de dez de 2012

Melhor e Mais Justo: Ação Penal 470



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Aonde eles pretendem chegar?

Ri do quê? Este ministro nos deixa intranquilos.
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
Mala tempora currunt, costumava dizer meu pai quando a situação política azedava. Maus tempos chegaram, em tradução livre. Ele usava relógio de bolso de ouro de celebérrima marca suíça, presente de meu avô materno, Luigi, munido de tampa sobre a qual se lia, gravado em latim, o seguinte dizer: nada aconteça que você não queira lembrar. Nem sempre, contudo, a vida sorri. Falo de cátedra, porque, quando meu pai morreu, herdei o relógio na qualidade de filho primogênito. Não o uso, mas o guardo com carinho e neste momento vejo meu pai a erguer a tampa com um leve toque de ponta de indicador e pronunciar, entre a solenidade e a pompa, mala tempora currunt.
Há qualquer coisa no ar que me excita negativamente e me induz a pensamentos sombrios, algo a recordar tempos turvos, idos e vividos. É a lembrança de toda uma década, espraiada malignamente entre o suicídio de Getúlio Vargas e o golpe de 1964, aquele executado pelos gendarmes da casa-grande, e exército de ocupação. Dez anos a fio, a mídia nativa vociferou contra líderes democraticamente eleitos e se expandiu em retórica golpista logo após a renúncia de Jânio Quadros.
Muita água passou debaixo das pontes, embora algumas delas levem o nome de ditadores e até de torturadores, mas o tom atual desfraldado à larga pelos barões midiáticos e seus sabujos não deixa de evocar um passado que preferiria ver enterrado. Talvez esteja, de alguma forma, mesmo porque as personagens têm outra dimensão. Os propósitos são, porém, semelhantes, segundo meus intrigados botões. Acabava de lhes perguntar: qual será o propósito destes comunicadores, tão compactamente unidos no ataque concentrado ao PT no governo? Qual é o alvo derradeiro?
A memória traz à tona Jango Goulart e Leonel Brizola, a possibilidade de uma mudança, por mais remota, e os alertas uivantes quanto ao avanço da marcha da subversão. Os temas agora são outros, igual é o timbre. Além disso, na comparação, mudança houve, a despeito de todas as cautelas e do engajamento tucano, com a eleição de Lula e Dilma Rousseff. Progressos sociais e econômicos aconteceram. O ex-presidente tornou-se o “cara” do povo brasileiro e do mundo, a presidenta, se as eleições presidenciais se dessem hoje, ganharia com 70% dos votos.
Percebe-se, também, a ausência de Carlos Lacerda. Ao menos, o torquemada de Getúlio e Jânio lidava melhor com o vernáculo do que os medíocres inquisidores de hoje. Medíocres? Toscos, primários, sempre certos da audiência dos titulares e dos aspirantes do privilégio, em perfeita sintonia com sua própria ignorância. Contamos, isto sim, com o Instituto Millenium. Há quem enxergue na misteriosa entidade, apoiada inclusive com empresários tidos como próximos do governo, uma exumação do Ibad e do Ipes, usinas
da ideologia fascistoide que foi plataforma de lançamento do golpe de 64.
Até onde vai a parvoíce e onde começa o fingimento? É possível que graúdos representantes do poder econômico não se apercebam das responsabilidades e alcances da sua adesão ao insondável Millenium? Ou estariam eles incluídos na derradeira prece de Cristo na cruz: perdoe-os, Pai, eles não sabem o que fazem? Que o golpismo da mídia da casa-grande seja irreversível é do conhecimento do mundo mineral. Causa espécie o envolvimento de personalidades aparentemente voltadas aos interesses do País em lugar daqueles da minoria.

Causa espécie, em grau ainda maior, a falta de reação adequada por parte do governo, inerte diante da ofensiva da autêntica oposição, o partido midiático. Não basta dizer, como o ministro Gilberto Carvalho, que o povo está satisfeito com o bom governo de Lula e Dilma, enquanto a própria liderança do PT recomenda ao relator da CPI do Cachoeira, o intimorato Odair Cunha, que retire os halfos para o morrinho e Policarpo Jr. do rol dos passíveis de indiciamento.
E aí se apresenta o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, empenhado no esforço de demonstrar que não foi ignorado pela Polícia Federal no episódio destinado a exibir as mazelas do terceiro escalão governista. Notável protagonista, altamente representativo. Precioso aliado do banqueiro Daniel Dantas em determinadas ocasiões, como, de resto, muitos outros “esquerdistas” brasileiros. Ah, sim, Cardozo acha que Lula provou sua inocência no caso da secretária Rose e de suas consequências. Acha? Ainda
bem. Soletra ele, diante das câmeras da tevê: “Imaginar que o ex-presidente estivesse envolvido por trás disso, está, a meu ver, desmentido”. A meu ver? Estivesse eu no lugar de Lula e de Dilma, viveria apavorado ao perceber este gênero de comandantes à frente do meu efetivo.
E à presidenta, que CartaCapital apoiou e apoia, recomendamos a leitura de um dos mais qualificados arautos da direita golpista. Merval Pereira não se confunde com Carlos Lacerda, mas na semana passada avisou não ser o caso de isentar Dilma das denúncias de
corrupção, presentes e passadas. Está clara a intenção de aplicar à presidenta a tese do domínio do fato.
Mino Carta
No CartaCapital
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Os caminhos para o alto

Não consta que entre os demais ministros haja histórico assemelhado ao do ministro Luiz Fux
A repercussão do relato feito pelo ministro Luiz Fux, do périplo de anos até obter sua nomeação para o Supremo, tem incluído uma dedução incabível, por distorcer negativamente o regime atual mais do que seria justo fazê-lo.
À parte os seus possíveis componentes não apenas formais, o percurso do ministro Luiz Fux foi a sua maneira, não a regra, de ir do desejo à realização. E não é regra porque não há um percurso comum aos ministros. Vale o chavão: cada caso é um caso.
Não estou entre os capazes de descrever em minúcias, verdadeiras ou não, o que levou à nomeação de cada um dos ministros em exercício. Mas sei que não é correto debitar as nomeações, por exemplo, das ministras Cármen Lúcia e Rosa Weber à intensidade das respectivas buscas de apoios políticos e empresariais. Para a nomeação da primeira, ainda que tivesse mais adeptos, decisiva foi a indicação feita por Sepúlveda Pertence, em sua aposentadoria antecipada no Supremo. A segunda foi, acima de tudo ou tão só, escolha da própria Dilma Rousseff.
Não consta, nem remotamente, que entre os demais ministros haja histórico assemelhado às deduções negativas provocadas, sem o pretender, pelo relato de Luiz Fux.
É certo que, sem estar no confronto de influências, ninguém sobe degrau algum em Brasília. Nisso há razão bastante para a mudança do sistema de nomeações ao Supremo. Mas não a principal, que é a adoção verdadeira da separação de Poderes, como fundamento do regime democrático. Não tem sentido a escolha dos componentes do Supremo pelo presidente da República, mesmo submetida à (aparente) apreciação do Senado.
Nem adiantaria efetivar tal mudança apenas para o Supremo. Mais graves são as vulnerabilidades do atual sistema quando se trata de nomeações para outros tribunais, como o Superior Tribunal de Justiça. E no nível de desembargador, aí então é que as ambições e os interesses - políticos e outros - tornam mínimas as chances de legitimidade das escolhas e designações.
Esperar que a mudança se dê, no entanto, não se sustenta nem como visão do futuro distante.
Janio de Freitas
No fAlha
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Presidenta Dilma fala da "sugestão" da revista The Economist

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Charge online - Bessinha - # 1603

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Homenagem



Em homenagem à memória do mestre, publico dois desenhos que fiz dele.
Em cima, uma aquarela de 2010 para o livro "Brasília", sobre a parceria com Lúcio Costa,
que gerou a nova capital . Em baixo, uma caricatura em nanquim (bico de pena) para uma
exposição comemorativa dos cem anos de Oscar, em 2007.

Edgar Vasques
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Arco da Maldade


Maquete da escultura de autoria de Oscar Niemeyer intitulada Arco da Maldade. O projeto dessa escultura, feito em homenagem a todos os que lutaram contra a ditadura, foi doado pelo autor aos movimentos de anistia.
“Quando Flora de Abreu e João Luiz de Moraes me convidaram para desenhar o monumento ´Tortura Nunca Mais´, senti a oportunidade de me iniciar no campo da escultura. Dessa escultura de maior porte, mais livre, mais ligada aos problemas da vida que o concreto armado oferece. E como o tema exigia, a fiz democrática, denunciadora, lembrando o longo período de tortura e morte que pesou sobre o nosso país. Meu desenho representa esses negros tempos, com a pessoa transpassada pelas forças do mal, impotente diante do ódio organizado. Para os mais sensíveis, para os que veem."
Oscar Niemeyer
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Por que a oposição, a Veja e a Globo blindam Gilberto Miranda?

Por que a oposição, a Veja e a Globo blindam Gilberto Miranda?

Diz o noticiário que o ex-senador Gilberto Miranda estaria indiciado na operação da Polícia Federal por conseguir um parecer favorável para ocupar uma ilha, sob licença do Patrimônio da União.
Mas a operação da PF não se chama "Ilha da Fantasia", e sim "Porto Seguro", porque está associada a pareceres fraudulentos ou "acelerados" do interesse de empresas que exploram terminais portuários.
Em decorrência da Operação, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) exonerou Ênio Soares Dias, chefe de gabinete da agência, e determinou o afastamento, com abertura de sindicância interna, do procurador-geral do órgão, Glauco Alves Cardoso Moreira, e do ouvidor Jailson Santos Soares.
Agora, olhem esta "singela" notícia da revista Veja, de fevereiro deste ano (imagem ao lado). Por ela, a gente fica sabendo que Gilberto Miranda fez lobby para levar um indicado seu a ocupar a Antaq. Adivinhou quem? Pois é, Ênio Soares Dias, ele mesmo.
Se fosse alguém do PT ou do PCdoB falando em emplacar alguém na presidência de uma agência reguladora, o mundo viria abaixo. Como é um dos homens mais ricos do Brasil, amigo dos barões da mídia, da Veja, da Globo, Folha e Estadão, ninguém parece interessado em apurar esta pauta, que parece ser a essência da investigação.
Ontem (5), o Jornal Nacional também encontrou enorme dificuldade em fazer uma matéria de dois minutos, mesmo tendo o dia inteiro para produzi-la, sobre um seu amigo, cartola do futebol, alvo de investigação em outra operação da PF, que também identificou arapongas bisbilhotando "uma Rede de TV".
Helena Sthephanowitz
No Rede Brasil Atual
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Crise da Mídia de Papel pega a Abril: 150 Demissões

Grupo dirigido por Roberto Civita e Fábio Barbosa não descarta novos cortes; nove revistas editadas na torre da avenida Marginal, em São Paulo, sofrem perdas de pessoal; grande aposta é a divisão de livros didáticos Abril Educação; cortes sucedem fechamento do Jornal da Tarde, do Grupo Estado, e do tradicional Correio do Povo, de Campinas
A crise da mídia que veicula conteúdo em papel não poupa ninguém. Depois do fechamento, nas últimas semanas, do Jornal da Tarde, do Grupo Estado, e do diário Correio do Povo, editado em Campinas e um dos mais tradicionais do interior de São Paulo, agora os problemas atingem o mundo das revistas. Numa decisão comunicada à última hora a seus funcionários, a Editora Abril promoveu no início desta semana cerca de 150 demissões em áreas ligadas a nove de suas publicações. Além de jornalistas, foram cortados empregos na área administrativa.
O Grupo Abril, liderado pelo presidente do Conselho, Roberto Civita, e pelo ex-banqueiro Fábio Barbosa, que tem missão executiva, está passando por transformações. A grande aposta, ali, é a divisão Abril Educação, na qual seus executivos vislumbram possibilidades de grandes negócios em parceria com os governos federal e estaduais, na área de material didático. No campo editorial, a Abril manteve intacta a estrutura da revista Veja. A publicação vai se constuíndo em um dos principais veículos de oposição ao governo da presidente Dilma Rousseff.
Os cortes desta semana podem ser sucedidos por novas demissões. O portal Imprensa informa que o maior corte foi na revista Quatro Rodas (sete, no total), além de Claudia (três) e Manequim (três). Outras demissões forem nas revistas Alfa, Vip, Men's Health, Viva Mais, Máxima e Club. De acordo com a apuração do portal, a Editora Abril não descarta outros cortes — que estariam sendo feitos devido a "ajustes no balanço da empresa".
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A moral de velhas prostitutas

Aos poucos, sem nenhum respeito ou rigor jornalístico, boa parte da mídia passou a tratar Rosemary Noronha como amante do ex-presidente Lula. A “namorada” de Lula, a acompanhante de suas viagens internacionais, a versão tupiniquim de Ana Bolena, quiçá a reencarnação de Giselle, a espiã nua que abalou Paris.
Foto: Ricardo Stuckert / Instituto Lula
Como a versão das conversas grampeadas entre ela e Lula foi desmentida pelo Ministério Público Federal, e é pouco provável que o submundo midiático volte a apelar para grampos sem áudio, restou essa nova sanha: acabar com o casamento de Lula e Marisa.
Já que a torcida pelo câncer não vingou e a tentativa de incluí-lo no processo do “mensalão” está, por ora, restrita a umas poucas colunas diárias do golpismo nacional, o jeito foi apelar para a vida privada.
Lula pode continuar sendo popular, pode continuar como referência internacional de grande estadista que foi, pode até eleger o prefeito de São Paulo e se anunciar possível candidato ao governo paulista, para desespero das senhoras de Santana. Mas não pode ser feliz. Como não é possível vencê-lo nas urnas, urge, ao menos, atingi-lo na vida pessoal.
Isso vem da mesma mídia que, por oito anos, escondeu uma notícia, essa sim, relevante, sobre uma amante de um presidente da República.
Por dois mandatos, Fernando Henrique Cardoso foi refém da Rede Globo, uma empresa beneficiária de uma concessão pública que exilou uma repórter, Míriam Dutra, alegadamente grávida do presidente. Miriam foi ter o filho na Europa e, enquanto FHC foi presidente, virou uma espécie de prisioneira da torre do castelo, a maior parte do tempo na Espanha.
Não há um único tucano que não saiba a dimensão da dor que essa velhacaria causou no coração de Ruth Cardoso, a discreta e brilhante primeira-dama que o Brasil aprendeu desde muito cedo a admirar e respeitar. Dona Ruth morreu com essa mágoa, antes de saber que o incauto marido, além de tudo, havia sido vítima do famoso “golpe da barriga”. O filho, a quem ele reconheceu quando o garoto fez 18 anos, não é dele, segundo exame de DNA exigido pelos filhos de Ruth Cardoso. Uma tragicomédia varrida para debaixo do tapete, portanto.
O assunto, salvo uma reportagem da revista Caros Amigos, jamais foi sequer aventado por essa mesma mídia que, agora, destila fel sobre a “namorada” de Lula. Assim, sem nenhum respeito ao constrangimento que isso deve estar causando ao ex-presidente, a Dona Marisa e aos filhos do casal. Liberados pela falta de caráter, bom senso e humanidade, a baixa assessoria de tucanos, entre os quais alguns jornalistas, tem usado as redes sociais para fazer piadas sobre o tema, palhaços da tristeza absorvidos pela vilania de quem lhes confere o soldo.
Esse tipo de abordagem, hipócrita sob qualquer prisma, era o fruto que faltava ser parido desse ventre recheado de ódio e ressentimento transformado em doutrina pela fracassada oposição política e por jornalistas que, sob a justificativa da sobrevivência e do emprego, se prestam ao emporcalhamento do jornalismo.
Leandro Fortes
No CartaCapital
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Presidente Chávez arribó a Venezuela tras recibir tratamiento médico en Cuba

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Charge online - Bessinha - # 1602

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Desespero: Mídia brasileira vai a Argentina pressionar contra democratização da comunicação

Mídia brasileira vai a Buenos Aires pressionar contra Lei de Meios. Abert e outras entidades estrangeiras da mídia tradicional se reúnem na capital argentina com grupos locais para atacar projeto que democratiza comunicações naquele país
Entidades internacionais de empresários de rádio e televisão da mídia tradicional foram chamadas a Buenos Aires para pressionar contra o chamado 7D, uma data decisiva para a implementação da Lei de Meios Audiovisuais da Argentina. Uma reunião na próxima segunda-feira (10) contará com a presença de representantes da Associação Internacional de Radiodifusão e da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), famosa pela oposição que faz aos projetos que visam à desconcentração dos meios de comunicação. A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) também enviará representantes para o encontro, que será realizado no centro da capital.
ley medios argentina mídia brasil
Ley de Medios é passo fundamental para a democratização da comunicação e tem respaldo popular na Argentina e em outros países da América do Sul. No Brasil, as poucas famílias que monopolizam a comunicação estão temerárias. 
A RBA obteve a informação de que o documento de rechaço ao 7D começará a ser produzido no sábado pelas entidades locais, a Associação de Teleradiodifusoras Argentinas (ATA) e a Associação de Radiodifusoras Privadas Argentinas (ARPA). O tom do manifesto, porém, será definido apenas depois da meia-noite de sexta-feira (7), quando se terá uma ideia do que efetivamente irá ocorrer. Os empresários do setor têm incertezas quanto àquilo que pode fazer o governo frente a um quadro de indefinição jurídica.
O problema é que caduca na sexta o prazo que a Suprema Corte deu a uma liminar que desde 2009 proíbe a aplicação dos mecanismos anticoncentração de mercado no caso do Grupo Clarín, o maior conglomerado midiático do país. Na visão dos empresários, o fim da vigência da liminar não autoriza o Executivo a colocar as concessões de rádio e TV do Clarín à disposição, como tem prometido a Autoridade Federal de Serviços de Comunicação Audiovisual (Afsca), responsável por regular a aplicação da lei.
Há poucos dias, a Suprema Corte determinou que o juiz de primeira instância, Horácio Alfonso, julgue rapidamente o mérito da questão, dando fim a uma situação que deveria ser provisória, já que é este o caráter de uma liminar. Ao mesmo tempo, os magistrados esperavam que a Câmara Civil e Comercial se manifestasse sobre a possibilidade de prorrogar em alguns meses a validade da medida cautelar, o que parecia sensato aos olhos dos empresários da comunicação, já que Alfonso deu a entender que se manifestará em no máximo 60 dias sobre o mérito da ação movida em 2009.
Segundo informações obtidas pela RBA, mesmo os empresários que aceitaram se adequar à Lei de Meios têm sentido que o governo está exagerando quanto a esta questão. A fixação da data do 7D e a necessidade de que ocorra algo efetivamente estaria levando a Casa Rosada a agir com muito ímpeto para evitar uma protelação breve, de dois ou três meses, que levasse a uma decisão mais sólida. Estes mesmos empresários veem a falta de vontade do governo em aplicar outros aspectos da Lei de Meios como outra evidência de que o verdadeiro motivo seria o enfrentamento ao Clarín.
O que o processo movido logo após a sanção da legislação conseguiu foi frear a aplicação do artigo 161, que dá prazo de um ano para que todos os grupos de comunicação que tenham concessões de rádio e TV em excesso apresentem um plano de adequação. Ocorre, porém, que a Câmara Civil e Comercial está há meses sem quórum por oposição do governo de Cristina Fernández de Kirchner, que passou a bloquear a indicação de magistrados que considera afins ao grupo midiático.
Nos últimos dois dias, o governo apresentou pedidos de recusa de quatro nomes indicados pelo Judiciário para recompor a Câmara. Na terça-feira, os juízes Francisco de las Carreras e Gabriela Medina tiveram as nomeações protestadas pelo Executivo por supostas ligações pessoais com o Clarín. Ontem de manhã, a Casa Rosada se opôs às indicações de Francisco Recondo e de Francisco de las Carreras. A Recondo acusam de haver favorecido o conglomerado em uma decisão, e De las Carreras teve uma viagem a Miami paga por uma empresa que teria entre os sócios dirigentes do Clarín.
“As resoluções da Câmara Civil e Comercial foram adotadas com grande velocidade e são passíveis de serem contestadas por revogatória e por nulidade”, explicou o ministro da Justiça, Julio Alak, abrindo um novo front de bate-boca midiático com o grupo de comunicação. “Faltam apenas dois dias para o 7 de dezembro. Os argentinos estamos, com entusiasmo e expectativa, para que se aplique esta lei”, acrescentou. “A possibilidade de que a sala 1 da Câmara Civil e Comercial pretenda estender a cautelar para além de 7 de dezembro seria uma rebelião contra uma lei da Nação e um pronunciamento da Corte.”
O Clarín também elevou o tom. Durante todo o dia, estampou a história no topo de sua página na internet, acrescentando tratar-se de um fato inédito na democracia a recusa dos juízes indicados para a Câmara Civil e Comercial. Em nota, o grupo reiterou que está sofrendo “denegação de Justiça” ao se aplicar a Lei de Meios sem que uma ação sobre seus negócios tenha sido julgada no mérito. Trata-se de um expediente que prepara o caminho para uma eventual corrida à Corte Interamericana de Direitos Humanos, vinculada à Organização dos Estados Americanos (OEA).
O conglomerado acusou ainda o governo de desrespeitar a separação dos poderes e de trabalhar desde o começo pela máxima protelação de uma decisão judicial definitiva, ameaçando a democracia. “O desafio da divisão de poderes, base do sistema republicano, poucas vezes chegou tão longe”, concluiu a nota.
Fechando uma onda de ataque e contra-ataque, a Autoridade Federal de Serviços de Comunicação Audiovisual (Afsca), responsável pela implementação da Lei de Meios, comunicou que o sócio do Clarín em uma de suas várias empresas apresentou uma consulta para a adequação. A companhia norte-americana Fintech Advisory apresentou a ideia de que o Clarín se desfaça de sua participação acionária, hoje em 60%, sobre a Cablevisión, empresa de televisão por cabo que não pode mais ser mantida pelo gigante midiático, segundo os novos regulamentos.
A Afsca esclareceu, porém, que apenas o controlador de uma corporação, neste caso o Clarín, pode apresentar um plano de adequação. Na última nota do dia, a empresa manifestou que não dá aval à proposta feita pelo minoritário e que vai esperar uma decisão judicial definitiva sobre a Lei de Meios.
João Peres
No Rede Brasil Atual
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Lula tem o dever de processar Garotinho

No último domingo, o ex-presidente Lula foi acusado pelo deputado federal Garotinho (PR-RJ) de ter utilizado Rosemary Noronha, no popular, como mula para transportar 25 milhões de euros do Brasil para um banco em Portugal. O parlamentar deu o nome do banco e garantiu que haveria um registro no aeroporto de Lisboa com o registro da operação.
A reportagem da Agência Brasil procurou o banco Espírito Santo, citado pelo parlamentar, e a a resposta foi clara: “O BES não tem registo de qualquer depósito realizado pela senhora mencionada na sua pergunta. Aliás, a referida senhora não é cliente do BES. O BES dispõe de um sistema de prevenção e detecção de branqueamento de capitais, equipado de ferramentas informáticas de última geração, que responde integral e eficazmente a todas as exigências da legislação em vigor em Portugal e dos normativos de referência internacional. Por maioria de razão, um depósito em numerário do montante referido, seria necessariamente detectado pelos sistemas de controlo instalados no BES”.
A irresponsabilidade do parlamentar não assombra. No primeiro governo Lula, a revista Veja produziu uma capa onde afirmava, sem uma fonte em on, que Lula e Gushiken, entre outros petistas, tinham contas em paraísos fiscais. A Veja não provou a acusação e tudo ficou como dantes na terra de abrantes.
Enquanto o PT continuar se acovardando no debate político, esse mar de acusações que criminalizam o partido e sua principal liderança continuarão. Se Lula não tem recursos dessa ordem fora do país, tem obrigação moral com aqueles que lhe devotam confiança em processar o parlamentar.
Essa passividade bovina do PT e de suas lideranças com todo e qualquer tipo de acusação não contribui em nada para o processo democrático. O exercício da liberdade de opinião tem que ser realizado no plano da responsabilidade. Se ele é ultrapassado, faz-se necessário buscar a Justiça. O que está acontecendo hoje não apenas transforma o PT em sinônimo de organização criminosa, mas a política em algo de bandidos. A falta de ação do petismo em defesa do partido e dos seus líderes, agride à política como um todo.
Ao que parece, suas lideranças não se deram conta disso. Que não deveriam fazer contas pensando apenas em resultados do hoje, mas do processo como um todo. Se não se sensibilizam em defender o partido, poderiam ao menos fazer algo para defender o exercício da política e a democracia.
Renato Rovai
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IPCA de novembro fica em 0,60%

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do mês de novembro apresentou variação de 0,60% e ficou muito próximo da taxa de 0,59% registrada em outubro. O acumulado no ano foi para 5,01%, bem abaixo dos 5,97% registrados em igual período do ano anterior. Considerando os últimos doze meses, o índice situou-se em 5,53%, acima dos 5,45% relativos aos doze meses imediatamente anteriores. Em novembro de 2011 a taxa havia ficado em 0,52%.
A publicação completa da pesquisa pode ser acessada na página
www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/precos/inpc_ipca/defaultinpc.shtm
.
Enquanto os preços dos alimentos recuaram de 1,36% em outubro para 0,79% em novembro, os não alimentícios mostraram aceleração de 0,35% para 0,54%, mantendo a similaridade de resultados do IPCA de um mês para o outro.
Os alimentos, com 0,79%, embora tenham continuado em alta, apresentaram desaceleração na taxa de crescimento, subindo menos do que no mês anterior, que ficou com a maior variação do ano até agora, 1,36%. Carnes (de 2,04% em outubro para 0,40% em novembro) e outros produtos apresentaram redução na taxa de um mês para o outro, sendo que alguns alimentos chegaram a ficar mais baratos:
Em contraposição à perda de ritmo de crescimento de preços do grupo alimentação e bebidas, quatro nos nove grupos de produtos e serviços pesquisados pressionaram o IPCA do mês:
O grupo transporte subiu para 0,68% (0,24% em outubro) influenciado pelas passagens aéreas. Elas custaram, em média, 11,80% a mais em novembro e se constituíram no principal impacto do mês (0,06 ponto percentual), ao passo que, em outubro, a variação foi de 1,62%. O grupo foi influenciado, ainda, pela gasolina, que foi de 0,75% para 1,18%, pelo preço do litro do etanol, cuja variação de 0,04% em outubro passou para 0,63% em novembro, e pelos automóveis novos, que foram de 0,32% para 0,52%.
As despesas com habitação aumentaram de um mês para o outro (de 0,38% para 0,64%) devido, principalmente, à energia elétrica, que foi para 1,38% em novembro depois da queda de 0,24% registrada em outubro. A alta veio da variação de 6,01% no Rio de Janeiro (devido ao reajuste de 11,82% no valor do kWh de uma das empresas) e de 4,93% nas contas de Belém em razão de aumento no PIS/PASEP/COFINS. Além da energia elétrica, cabe destacar o gás de botijão (de 0,49% em outubro para 0,99% em novembro), condomínio (de 0,29% para 0,45%) e mão-de-obra para pequenos reparos (de 1,68% para 1,14%), que se manteve em alta mesmo mostrando desaceleração.
Como habitação as despesas pessoais também subiram, passando de 0,10% em outubro para 0,53% em novembro. Os principais destaques foram os itens empregados domésticos, que saiu da queda de 0,16% em outubro para alta de 0,66 em novembro, e excursão, que foi de 0,98% para 6,55%.
No grupo artigos de residência (de 0,37% em outubro para 0,47% em novembro) cabe destacar o item mobiliário, que foi para 1,11%, enquanto havia apresentado variação de 0,58% em outubro.
Já os grupos vestuário (de 1,09% em outubro para 0,86% em novembro) e saúde e cuidados pessoais (de 0,48% para 0,32%) mostraram resultados abaixo daqueles verificados em outubro, enquanto educação (0,05%) e comunicação (0,31%) ficaram com resultados idênticos aos do mês anterior.
Sobre os índices regionais, o maior foi o de Belém (1,27%) em virtude dos alimentos que aumentaram 2,16%, além da energia elétrica, cuja variação foi de 4,93% por causa do aumento no PIS/PASEP/COFINS. O menor foi o de Brasília (0,35%) devido, principalmente, ao resultado dos automóveis usados (-1,29%), aliados à queda nos preços da gasolina (-2,05%):
O IPCA é calculado pelo IBGE desde 1980, se refere às famílias com rendimento monetário de um a 40 salários mínimos, qualquer que seja a fonte, e abrange nove regiões metropolitanas do país, além de Brasília e do município de Goiânia. Para cálculo do índice do mês foram comparados os preços coletados no período de 30 de outubro a 28 de novembro de 2012 (referência) com os preços vigentes no período de 28 de setembro a 29 de outubro de 2012 (base).
INPC variou 0,54% em novembro
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) apresentou variação de 0,54% em novembro e ficou 0,17 ponto percentual abaixo do resultado de 0,71% de outubro. O acumulado do ano foi para 5,42%, abaixo da taxa de 5,54% relativa a igual período de 2011. Considerando os últimos doze meses, o índice situou-se em 5,95%, abaixo dos doze meses imediatamente anteriores (5,99%). Em novembro de 2011 o INPC ficou em 0,57%.
Os produtos alimentícios apresentaram variação de 0,80% em novembro, enquanto os não alimentícios aumentaram 0,43%. Em outubro, os resultados haviam ficado em 1,51% e 0,38%, respectivamente.
Quanto aos índices regionais, o maior foi o de Belém (1,24%) em virtude dos alimentos que aumentaram 2,07%, além da energia elétrica, cuja variação foi de 5,03% devido ao aumento no PIS/PASEP/COFINS. O menor foi o de Brasília (0,13%) onde os alimentos ficaram 0,03% mais baratos em novembro. A queda nos preços dos automóveis usados (-1,29%) e nos da gasolina (-2,05%) também contribuíram para o menor resultado do índice do mês:
O INPC é calculado pelo IBGE desde 1979, se refere às famílias com rendimento monetário de um a cinco salários mínimos, sendo o chefe assalariado, e abrange nove regiões metropolitanas do país, além de Brasília e do município de Goiânia. Para cálculo do índice do mês foram comparados os preços coletados no período de 30 de outubro a 28 de novembro de 2012 (referência) com os preços vigentes no período de 28 de setembro a 29 de outubro de 2012 (base).
No IBGE
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Sobre a foto de Dilma e Joaquim Barbosa no velório de Niemeyer

Uma coisa é certa: a foto não vai para o álbum de nenhum dos dois
Sorriso unilateral
De uma coisa não se pode acusar Dilma: de hipocrisia. É flagrante, é torrencial, é irreprimível o mal estar que a figura de Joaquim Barbosa provoca nela, como mostra a foto que o fotógrafo Gustavo Miranda, da Agência Globo, captou no velório de Oscar Niemeyer.
É o olhar de alguém que está oscilando entre o desprezo e o ódio, e que provavelmente se tenha visto na contingência de calar o que sente.
Que detalhes conhecerá Dilma das andanças de Barbosa por apoio político para ser nomeado para o STF?  Ou será que ela não perdoa o que julga ser deslealdade e ingratidão de JB perante o homem a quem ambos devem o cargo, Lula?
Interessante examinar o rosto de JB no encontro. Ali está um sorriso de quem espera aprovação, compreensão, atenção – ou pelo menos um sorriso de volta, ainda que protocolar e falso.
Mas não.
O que ele recebe de volta é um olhar glacial, uma mensagem clara da baixa opinião de Dilma sobre ele. Parece estar acima das forças de Dilma fingir que não sente o que sente, ainda que por frações de segundo. A fotografia não vai para o álbum de lembranças de nenhum dos dois.
A franqueza por vezes desconcertante é uma característica de quem, como ela, não fez carreira na política. Fosse uma política, esta foto não existiria, não pelo menos deste jeito singular, e seria uma pena porque esta é uma das imagens que decerto marcarão a República sob Dilma, de um lado, e Barbosa, de outro.
Paulo Nogueira
No Diário do Centro do Mundo
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