3 de dez de 2012

Catarata

Quando levantei suspeitas acerca da recém-criada CPI do Cachoeira, algumas críticas me acusaram de fazer o jogo da imprensa corporativa, tentando gorar antecipadamente os trabalhos. Ao longo dos seis conturbados meses que eles tomaram, de fato houve momentos alvissareiros, recebidos com desmedida euforia por setores da blogosfera. Agora que é possível fazer um balanço dos resultados, porém, lamento a confirmação das minhas expectativas.
O fracasso parecia inevitável desde que a Delta ganhou destaque na CPI. A idéia de que o relatório pudesse partir das vastas conexões políticas da empresa para envolver ao mesmo tempo a revista de maior circulação no país e o Procurador-Geral da República, sem que as audiências lhes dedicassem um mínimo rigor investigativo, ultrapassava qualquer juízo sensato. A tentativa inicial do relator Odair Cunha de citá-los só pode ser entendida, portanto, como esforço para salvaguardar sua reputação junto à militância mais crédula.
O episódio evidencia a inabilidade estratégica do PT na condução da base parlamentar federal. Buscando criar um legítimo e necessário contraponto à tendenciosa cobertura midiática do julgamento no STF, o partido investiu esforços na pior alternativa possível. Atraiu inimigos fortes e numerosos demais, misturou polêmicas de abrangência descabida, forneceu pretextos para a desmoralização seletiva do noticiário e criou uma esperança irreal na platéia progressista. Com o devido respeito, parece até de propósito.
É curioso perceber que o equívoco praticamente sepultou as chances de uma CPI sobre as privatizações dos governos FHC. Esta constrangeria o Ministério Público a debruçar-se sobre um tema explosivo, que no futuro colocaria à prova o espírito saneador do STF. Mesmo que a decepção fosse previsível (ninguém imagina que Roberto Gurgel pediria a prisão de Verônica Serra ou que Joaquim Barbosa condenaria um ministro de FHC baseado no “domínio do fato”), os tiroteios resultantes ajudariam a divulgar as estranhas coincidências registradas no livro “A Privataria Tucana”.
A questão de combater os abusos do poder midiático passa por caminho diverso. A tão sonhada “murdochização” da imprensa antidemocrática exige que a esquerda parlamentar assuma essa bandeira com a necessária coragem, propondo CPI específica, mobilizando grupos de trabalho, utilizando seus laços com o Judiciário e pressionando governos a suspenderem a publicidade estatal em certos veículos. Se não há condições políticas para tanto, cabe à intelectualidade progressista redimensionar suas esperanças, adotando propostas menos irrealizáveis e frustrantes.
Guilherme Scalzilli
Leia Mais ►

NASA encontra água em Mercúrio

NASA encontra água em Mercúrio 
Com base em dados obtidos pela sonda espacial Messenger, a NASA confirmou que Mercúrio, o planeta mais próximo do Sol, conta com água em sua superfície. E não se trata de uma pequena quantidade.
Segundo a agência espacial, o planeta apresenta uma abundante quantidade de gelo e outros materiais voláteis congelados nas crateras polares. Apesar da proximidade com o Sol e das altas temperaturas registradas na superfície, as regiões polares de Mercúrio jamais são atingidas pelos raios solares graças à inclinação de seu eixo de rotação, que apresenta um ângulo de apenas 1 grau.
Água e matéria orgânica
O curioso é que, além da incrível confirmação de que existe água em Mercúrio, os cientistas da NASA também observaram que o gelo encontrado nas crateras polares está coberto por uma camada de um material mais escuro. Essa cobertura mantém o gelo em isolamento térmico e evita que ele se torne instável.
Contudo, o mais surpreendente é que a NASA acredita que essa camada mais escura seja uma complexa mistura de materiais orgânicos. Tais compostos seriam semelhantes aos que deram origem à vida aqui na Terra e provavelmente chegaram à superfície de Mercúrio graças à colisão de cometas e asteroides.
Fonte: NASA
Leia Mais ►

Estudo Sobre a Felicidade e o Prazer pela Univerdade de Canterbury

Sexo e beber álcool são as duas atividades humanas mais agradáveis, de acordo com os resultados do projeto de pesquisa da Universidade de Canterbury.
Carsten Grimm, pesquisador de pós-graduação de psicologia da UC, disse que beber álcool ou participar de festas vem segundo lugar, atrás de sexo ou fazer amor, em termos de felicidade e prazer (em significância, ficou na 10ª posição).
A higiene pessoal e vestir bem ficou em último em termos de motivacionais, enquanto se sentir doente era, obviamente, menor avaliado em termos de felicidade e prazer.
Surpreendentemente, estar logado no Facebook, foi avaliado em última posição em níveis de satisfação pessoal.
A Pesquisa Carsten revelou a complexa relação entre a felicidade e o bem-estar na vida cotidiana das pessoas.
O recente boom na pesquisa da felicidade humana tem sido avaliado com freqüência nos meios acadêmicos e os governantes estão interessados na metodologia e nos resultados da medição e no acompanhamento do grau de felicidade das pessoas.
Carsten disse que o bem-estar foi focalizado como instrumento para a decisão política ao lado de tradicionais indicadores econômicos, como o PIB.
Mas como a sociedade avaliou o seu entendimento sobre o que é a base para uma vida boa e como aumentar o bem-estar?
...
"Até agora, os governos de todo o mundo e a mídia têm se concentrado principalmente na satisfação com a vida humana na discussão sobre bem-estar e a inclusão do tema felicidade é muito mais complicado."
"Uma das áreas que eu estou pesquisando - orientações para a felicidade - avalia se há diferentes maneiras de buscar a felicidade."
"Psicólogos propuseram que as pessoas podem aumentar o seu bem-estar através de três principais orientações comportamentais: via prazer, através de namoro e pelo real significado das atividades para cada pessoa."
"Endossando o prazer como um caminho para a felicidade, significa que você se concentrar em se sentir bem para desfrutar dos prazeres sensoriais."
"Engajamento é o que você experimenta quando você está totalmente absorvido no que você está fazendo."
"As pessoas chamam isso de experiência de um estado de 'fluxo' e isso pode ser uma orientação dominante para a felicidade de algumas pessoas."
Ter um sentido na vida, para uma pessoa, era uma maneira de buscar a felicidade, de ser parte de algo maior e de contribuir para o bem maior.
Carsten usou a técnica chamada "amostragem-experimental", coletando dados em mensagens de texto da telefonia móvel para detectar sobre o que as pessoas fizeram durante o dia e como se sentiram sobre isso.
O uso de dados dos telefones móveis provou que as informações pessoais, sobre o bem-estar e as relações do cotidiano, eram mais ricas do que as informações obtidas pelas pesquisas tradicionais.
"Eu mandei uma mensagem para algumas pessoas, três vezes ao dia, durante uma semana e taxa de resposta foi muito alta. As pessoas nunca estão longe de seus celulares nos dias de hoje e responderam a 97 por cento, em média, de todas as mensagens em texto. Os textos foram enviados em momentos aleatórios, então, olhando de forma bem acurada, não seria uma amostra muito rica da vida cotidiana."
"Na minha pesquisa, verifiquei que as atividades são rotineiramente classificadas como a de maior e a de menor importância na vida diária das pessoas."
"Sem nenhuma surpresa, ter relações sexuais foi destacada como a atividade humana da medida mais elevada (), entre todas as medidas de felicidade."
"Estar doente é, obviamente, a mais baixa situação avaliada entre todas as medições."
Participar de palestras ou de estudos curriculares são definidos como baixa no prazer e na felicidade, porém é classificada com atividade, relativamente, alta em significado (no nível 7 de 30 categorias de comportamento).
"Os resultados têm implicações para o que os psicólogos têm chamado de 'a vida plena'. Aqueles que tendem a obter nível alto de prazer em todas as três mais elevadas orientações de pontuação de felicidade (não só na ampla satisfação com a vida, de modo geral), também tendem a ter experiências mais elevadas de prazer, no namoro e na busca da felicidade em suas vidas diárias."
"Isso significa que a possibilidade de procurar a felicidade de formas diferentes pode enriquecer a sua experiência cotidiana e aumentar o seu bem-estar geral."
"Esta é uma área fascinante de estudo e eu estou realmente animado em contribuir e fazer parte dela."
"Esperemos que, como aprendemos mais sobre o que contribui para uma vida plena, possamos ajudar as pessoas a aumentar a sua felicidade em suas vidas diárias."
A pesquisa de Carsten na UC foi supervisionada pelo professor Simon Kemp.
Departamento de Psicologia da Universidade de Canterbury
jns
No Advivo
Leia Mais ►

Relatório Leveson: um pesadelo para a velha guarda da mídia


 

Londres - Olhemos primeiro para os pesadelos que não se tornaram realidade.
O governo não está sendo convidado a assumir o controle da imprensa. Todos as propagandas de página inteira que ligavam o lorde Brian Leveson a Robert Mugabe e Bashar Assad, toda a cobertura dos jornais The Sun e Daily Mail sobre a “imposição de uma coleira à mídia” e a ameaça de “regulação estatal da imprensa livre britânica” se provou não mais do que bobagens ditas por marqueteiros, não mais do que outro round da velha distorção que, afinal, tanto fez para a criação deste inquérito.
O relatório tampouco afirma que Fleet Street deva ser recompensada pelo repetido abuso de poder com concessão de ainda mais poder. Este, aliás, era o plano criado pelo lado conservador de Fleet Street, ainda cegamente confiante de que seriam nomeados os que tornariam a fiscalização da mídia confortabilíssima para Richard Desmond, proprietário do Express (que, quando perguntado sobre a ética que a imprensa deve seguir, respondeu “não conhecer o significado da tal palavra”), e que executivos do News International de Rupert Murdoch - que enganaram a imprensa, o público e o parlamento – ocupariam cargos nas investigações. Lorde Leveson rejeitou esse plano com uma frase só: “assim, a indústria se manteria dando nota para a própria lição de casa”.
Também, não estamos diante de uma catástrofe para o jornalismo britânico. Do ponto de vista de um repórter, o núcleo do Relatório Leveson, seu sistema de “auto-regulação independente”, não apresenta problemas óbvios.
Esse sistema desempenha três funções. Em primeiro lugar, ele lida com as reclamações. Mas o faz com um corpo organizado que nem é indicado nem responsável pela Fleet Street. A parte mais obscura da indústria reclama que essa é uma ameaça terrível à mídia livre, situação análoga à de um estuprador alegando que a polícia é uma ameaça ao amor livre. Por que devemos temer um julgamento independente? Por que não deveríamos nos envergonhar da velha Comissão de Queixas contra a Imprensa que, como diz o relatório, “falhou, não é, de modo algum, um regulador, carece de independência e provou seu alinhamento com os interesses da imprensa”? É difícil pensar em outra resposta decente ao testemunho de Kate e Gerry McCann, falsamente acusados do assassinato do próprio filho. Ou ao de Christopher Jefferis, difamado perversamente como homicida.
Em segundo, a nova regulação investigaria violações sistêmicas. Aqui, o relatório apresenta fraquezas. Não há (nem deve haver) qualquer sugestão de que o regulador detém o poder de obrigar a divulgação de documentos ou de vasculhar a mesa de um repórter. Isso diz respeito à investigação de quebras sistêmicas do código de conduta – por exemplo, entrevistar crianças sem o aval de seus pais ou fotografar a privacidade de alguém. Sem poderes policiais, o órgão regulador acaba apoiando-se no voluntarismo dos jornalistas. A história sugere que haverá os relutantes, já que as carreiras de alguns estarão em jogo.
Finalmente, e mais importante, a regulação se conduziria num novo sistema de arbitragem, mais barato e mais rápido do que as cortes civis.
Isso parece uma ótima notícia para repórteres que atualmente trabalham sob uma legislação relativa à difamação, privacidade e confidencialidade que realmente restringe a liberdade de imprensa, uma vez que estão ameaçados de danos e custos legais de uma escala tal que encoraja a supressão da verdade. Gente como Jimmy Savile acaba se dando bem nessas condições. O sistema de Leveson nos ajudaria a lidar com isso.
Há nisso tudo um pesadelo, mas ele pertence à velha guarda de Fleet Street. A perda do controle do regulador é a perda da permissão que eles têm para fazer tudo que querem.
Enquanto a atenção política foca-se nos planos de Leveson para o futuro, o real poder do relatório está no detalhamento do que essa permissão autorizou. “Partes da imprensa atuaram como se seu próprio código inexistisse. Houve muita imprudência em relação ao sensacionalismo, ignorou-se os danos que as histórias podiam causar. Desconsiderou-se qualquer rigor, alguns jornais lançaram mão de volumosos ataques extremamente pessoais àqueles que os contestavam”.
O relatório afirma que o Daily Mail e seu editor, Paul Dacre, “foram longe demais” ao acusar Hugh Grant de “vilipêndios mentirosos” em seu testemunho à investigação e questiona a decisão do diário The Sun, que noticiou a fibrose cística do filho de Gordon Brown, uma vez que “não havia qualquer interesse público que justificasse a publicação sem o consentimento do senhor e da senhora Brown”, além de reconhecer a possibilidade da informação ter sido obtida por “meios ilícitos e antiéticos”.
Ainda, o relatório detalha o comportamento dos periódicos Daily Mail, The Sun e The Telegraph que, enquanto Leveson conduzia sua sessão, optaram por publicar materiais sobre a morte de um garoto de 12 anos, decorrentes de um acidente de ônibus na Suíça, o que “inegavelmente suscita dúvidas quanto à conduta do editor”.
Isso não quer dizer que o relatório não apresente problemas para o jornalismo.
Em suas letras mais miúdas, ele parece mesmo sugerir que policiais não devem poder oferecer instruções aos repórteres. Se essa lei fosse aprovada há 10 anos, o jornal The Guardian provavelmente não teria sido capaz de expor o escândalo das escutas telefônicas. Uma seção implica que repórteres só poderão manter ocultas as identidades de suas fontes se tiverem uma prova do que foi acordado com a fonte, como um documento escrito por ela – coisa praticamente impossível se sua fonte é um criminoso descrevendo corrupção policial ou uma prostituta infantil falando de seu cafetão.
Mas o verdadeiro problema é que, quando se declara a guerra, o diabo alarga o inferno. Esse debate não passará a ser resolvido com fatos e argumentação razoável, ele será conduzido sob as já conhecidas regras: falsidade, distorção e ameaças. Algum governo se levantará contra isso? Talvez more aí o verdadeiro pesadelo.
Nick Davies - The Guardian
Tradução de André Cristi
No Carta Maior
Leia Mais ►

A ANAC e a qualidade do transporte aéreo


 

Afinal, o que tem sido feito pela ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) para melhorar o atendimento aos usuários de transporte aéreo?
Na agência, há uma espécie de álibi tácito de que os usuários são muito mais exigentes do que os de outros serviços regulados de natureza continuada, como a telefonia.
Obviamente, é uma visão defensiva sem pé na realidade: tanto na telefonia celular como no transporte aéreo os serviços são pessimamente prestados pelos concessionários.
***
O grande desafio é saber como a ANAC poderá contribuir para a melhoria dos serviços, já que balança entre dois objetivos de certo modo conflitantes: garantir a qualidade dos serviços e, ao mesmo tempo, o equilíbrio econômico-financeiro das companhias.
O setor funciona em rede. Um problema em Porto Alegre pode se estender para o nordeste. Independentemente dos fatores de atraso, explica Danielle Crema, Superintendente de Regulação e Acompanhamento de Mercado da ANAC, a companhia tem responsabilidades com os passageiros, como prover alimentação, transporte e acomodação.
***
O desafio da regulação é separar as falhas gerenciáveis das companhias daquelas inevitáveis. Aeroportos fechados por restrição meteorológica é um problema não administrado pela companhia; atrasos no checkin, sim.
***
A agência trabalha com dois conceitos de falhas de gestão.
O primeiro é a falha crítica, aquela que compromete toda a malha aérea da empresa, afetando mais voos. Em audiência pública recente, foi proposta uma penalidade maior do que a individual por passageiro.
O segundo é o da falha crônica. Muitas vezes a companhia adota comportamentos oportunistas de ofertar voos a mais do que pretende comercializar. Por exemplo, oferece voos pela ponte aérea às 09:00, 09:30 e 10:00. Depois, cancela dois e junta os passageiros no voo remanescente. Segundo Danielle, trata-se de prática reiterada que compromete a infraestrutura existente e frustra as expectativas dos passageiros. A agência está estudando penalidades mais pesadas, que coíbam essa prática.
***
Por outro lado, não pretende interferir na liberdade tarifária da companhia.
O que viabiliza as tarifas promocionais é a possibilidade da companhia extrair renda de quem tem mais disposição de pagar. Assim, o executivo compra tarifa cheia para poder remanejar os voos de acordo com sua necessidade, enquanto o turista ou o passageiro ocasional pode marcar com antecedência e ter direito a descontos expressivos.
Em 2002, diz a ANAC, apenas 27% dos assentos pagavam tarifas inferiores a R$ 300,00, e não havia nenhuma oferta com tarifa inferior a R$ 100,00. Em 2011, 16% dos assentos foram de valor inferior a R$ 100,00 e 65% inferiores a R$ 300,00.
***
De qualquer modo, não justifica processos de concentração, como na recente aquisição da Webjet pela Gol, que eliminou 100 linhas superpostas entre ambas as companhias.
Há uma convicção no setor de que a competição só se instalará quando houver melhoria na infraestrutura portuária e flexibilidade para a entrada de capital externo.
Luis Nassif
No Advivo
Leia Mais ►

Campeonato Brasileiro marcou pior audiência da história em 2012

A temporada de 2012 do Campeonato Brasileiro que foi a mais cara da história para a Rede Globo – especulasse que a emissora desembolsou mais de R$ 600 milhões pelos direitos de TV aberta, também foi a de pior audiência.
Até o domingo (25) passado os jogos renderam para a Globo 17,2 pontos de média. No ano passado o Brasileirão marcou média de 20,9 até sua 37º rodada.
Em um ano, o Campeonato Brasileiro caiu 18% na audiência, o que equivale que um em cada cinco telespectadores deixaram de assistir os jogos na Globo.
Mas não foi só o canal carioca que perdeu audiência do Brasileirão. A Band caiu 23% em um ano. Marcou, em 2012, média de 5,1 pontos contra 6,6 de 2011.
Somadas, as perdas de audiência de Globo e Band apontam que mais de 1 milhão de pessoas fugiram da frente da TV na hora do futebol na Grande S. Paulo, onde cada ponto no Ibope equivale a cerca de 60 mil domicílios.
Em tese, os pontos perdidos pelas emissoras que transmitem o Campeonato Brasileiro na TV aberta não migraram para nenhum outro canal. No ano passado, o total de TVs ligadas durante o Brasileirão era de 56,5%. Neste ano, é de 50,9%. Somente o SBT cresceu na TV aberta durante esse período.
As informações são do jornalista Daniel Castro, do portal R7. Ainda de acordo com o jornalista, a queda de audiência no Campeonato Brasileiro 2012 fortalece uma ala da Globo que defende a volta do Brasileirão com mata-mata (realização de um jogo final entre equipes de ponta) para definir o campeão.
Leia Mais ►

Entrevista Exclusiva al presidente de Ecuador Rafael Correa

En entrevista exclusiva, el presidente de Ecuador, Rafael Correa, reiteró que el proyecto Yasuni es una iniciativa inédita a nivel planetario que busca compensar la generación de valor, así como afirmó que hay sectores que “intentarán realizar un golpe de Estado en su país”.
..
Leia Mais ►

Deu na Veja: "PSDB vai bater em Dilma"

Saiu neste domingo (02) na coluna Radar de Lauro Jardim, no sítio da revista Veja:
A cúpula do PSDB vai deixar um pouco Lula de lado e centrar fogo em Dilma Rousseff. Não vai mais poupá-la. Com o olho voltado para 2014, quer botar as mazelas do Brasil na conta dela o quanto antes.
O colunista da Veja é bem familiarizado no ninho tucano e também detesta o chamado "lulopetismo" - como quase todos os jornalistas amestrados da famigllia Civita. A notinha, apesar de não revelar as fontes, indica uma mudança de postura da direita nativa. No show midiático do julgamento do "mensalão", ela desgastou ao máximo importantes lideranças petistas. Agora, com o badalado "Caso Rosemary", a direita investe com toda a fúria contra o ex-presidente Lula. O ataque é raivoso, quase doentio! 
Não há nada de nobre nesta ofensiva udenista, liderada por figuras mais sujas do que pau de galinheiro. O discurso "ético" visa apenas desgastar o atual governo e preparar o cenário para a sucessão presidencial de 2014. Daí a nova orientação do PSDB, segundo um de seus prestigiados porta-vozes na mídia. O trabalho sujo contra Lula continuará nas páginas das revistonas, jornalões e concessionárias públicas de televisão. Já a direita partidária concentrará mais suas atenções na presidenta, forte candidata à reeleição em 2014.
A mudança de foco já é perceptível. Nas últimas semanas, Aécio Neves, o cambaleante presidenciável do PSDB, tem concentrado sua críticas aos rumos econômicos do país. Neste sentido, ele não esconde a sua alegria com o baixo crescimento do país - o chamado "pibinho" - e prega o retorno de velhos dogmas neoliberais - como privatizações, a redução da carga tributária para os ricaços e a demissão de servidores públicos. Recentemente, o senador mineiro defendeu a flexibilização das leis trabalhistas, atacando a CLT.
A batalha de 2014 já está em curso. Não haverá paz ou civilidade no próximo período. Infelizmente, ainda tem muita gente no Palácio do Planalto que não percebe a radicalização da luta política e segue com a sua visão tecnocrática. Acovardada, esta turma fica na defensiva e é pautada pela própria mídia oposicionista. Ela inclusive continua alimentando as cobras, com fartos recursos em publicidade oficial. Quando perceber a manobra da direita partidária e midiática já poderá ser tarde!
Altamiro Borges
No Justiceira de Esquerda
Leia Mais ►

FHC

Ele imita ditador e fica angustiado: 'o povo vai bem, mas os investidores vão mal'


Acostumando a quebrar o Brasil e deixar os brasileiros numa pindaíba danada, quando havia alguma crise internacional (em qualquer canto do mundo), o ex-presidente FHC escreveu um artigo angustiado porque o povo vai bem, mesmo diante da crise internacional, e tem votado pela continuidade dos governos petistas de Lula e Dilma.
O tucano reclama das políticas nacionalistas sobre o petróleo do pré-sal, reclama das políticas anti-cíclicas e, pasmem, depois de seu governo produzir o racionamento elétrico do apagão, tem a cara de pau de reclamar da queda na conta de luz proposta por Dilma, porque "prejudica" investidores privados do setor elétrico, segundo o tucano. Certamente está dizendo isso de comum acordo com o senador Aécio Neves (PSDB), o mais ferrenho opositor da queda no valor da conta de luz para o brasileiro.
Por fim o ex-presidente tucano recorre ao "udenismo" que tem marcado o discurso fajuto do PSDB, porém o povo, que não é bobo, sabe que o partido campeão de fichas sujas é o PSDB, e que as riquezas nacionais foram vergonhosamente saqueadas no governo tucano vendilhão da Pátria. 
FHC ainda teve a cara de pau de criticar o nepotismo, "se esquecendo" que empregou sua filha no Palácio do Planalto durante 8 anos de presidência, e depois a colocou com funcionária "fantasma" no gabinete do ex-senador Heráclito Fortes (DEM-PI). Só faltou reclamar da queda de juros. Deve ter sentido que pegaria mal.
FHC só elogiou a mídia.
A moral da história do artigo de FHC lembra o ditador Médici, só que adaptado à realidade atual. Médici disse durante o chamado "milagre brasileiro" no início dos anos 70: "O Brasil vai bem, mas o povo vai mal". Só faltou FHC escrever "O povo vai bem, mas o neoliberalismo demotucano vai mal".
ZéAugusto
No Amigos do Presidente Lula
* * *

Pérolas de Pereio sobre FHC no Twitter


Respeito até o mentiroso, o debilóide, um cretino com ideia fixa (tipo Serra). Mas não aceito cinismo.
Nunca fui cínico e o FHC é um.
Um sujeito que faz carreira como sociólogo de esquerda, respeitado e incensado, chega ao poder e pede "esqueçam o que eu escrevi", presta?
Só a elite paulistana, decadente, ridícula, quatrocentona de merda, pra achar que um presidente que quebrou o país vale alguma coisa, porra!
E o avião presidencial, levando o Paulo Henrique Cardoso, mulher e filhas para passear em Punta del Este? Já se esqueceram dessa esbórnia?
Centenas de conversas telefônicas entre Eduardo Jorge, braço-direito de FHC, e o juiz Lalau, aquele corruptaço.
Foi, também, no gov. FHC que um grampo mostrou conversas entre ele, André Lara Resende, Mendonção, direcionando a privatização da telefonia .
No governo do FHC um grampo pegou o embaixador Júlio César Santos, seu homem de confiança, se corrompendo. Foi na CPI do Sivam e caiu.
Governo FHC: a mulher, o filho, a filha e o genro. E quem confunde o público com o privado é o Lula, sem um parente no governo. Que cínico!
Luciana Cardoso, a mulher mais mal-educada da República, foi secretaria de qual presidente? Do Lula? Não! Do paizão FHC.E o Lula é o aético?
FHC diz que Lula confunde o público com privado. Paulo Henrique Cardoso, que torrou + de US$ 20 milhões na Feira de Hannover é filho de Lula?
FHC, aquele senhor simpático que protagonizou três quebradeiras do Brasil, criticando o PIB da Dilma. Tá faltando espelho para o Narciso.
David Zulberstajn, um esperto que foi presidente-dono da Agência Nacional do Petróleo no governo de FHC, era genro do Lula? Não! Era de FHC!
Recordar é viver: quem revelou as contas escandalosas da Comunidade Solidária, brinquedo da falecida Ruth, foi o tucano Álvaro Dias, porra!
FHC, volta para o seu mausoléu de luxo, volta.
No Brasil, mostra a tua cara
Leia Mais ►

É preciso salvar a oposição

Por mais fichas que tenham colocado na aposta de que o julgamento do mensalão teria impacto destrutivo, por mais que achassem que o "lulopetismo" sairia dele golpeado de morte, o fato é que os prognósticos para a eleição de 2014 continuam largamente favoráveis ao PT
2012 ainda não terminou, mas já se pode dizer que não foi um bom ano para a oposição. Certamente, não para a oposição institucionalizada, que disputa o jogo político e se expõe às suas incertezas.
Isso é mau para ela, especialmente por estar sendo outro ano desfavorável, depois de vários negativos.
Acresça-se a isso que suas perspectivas de curto e médio prazos também não são alvissareiras.
Passado complicado, presente difícil, futuro incerto.
Tudo isso poderia ser preocupante apenas para ela, mas o problema, para o país, é que suas agruras deixam inquieta e açodada a outra parte da oposição.
Em todos os países democráticos, existe uma oposição fora dos partidos e estranha ao mundo oficial da política. Ela é constituída por entidades de diferentes tipos: grupos de pressão, movimentos sociais e de opinião, associações de interesse, às vezes por sindicatos patronais ou de trabalhadores.
Também pela parcela mobilizada do eleitorado identificado com os partidos oposicionistas, nas elites, classes médias e no povo.
O "lulopetismo" é o inimigo declarado das oposições extra-partidárias e informais de hoje em dia. Elas assim batizaram o fenômeno político mais importante deste começo de século 21 no Brasil, o crescimento e a consolidação de um partido de origem popular, que chegou ao poder, organizou uma ampla coalizão, mostrou-se competente para governar e, por isso, tem chance de lá permanecer por muito tempo.
Enquanto esteve na oposição, o PT tinha suas "bases", que iam para as ruas e se manifestavam. O governismo da época morria de medo de seus "tentáculos": a CUT, o MST e assim por diante.
Mas nada de parecido ao que conhecemos hoje existia: quando a oposição era de esquerda, não havia uma "grande imprensa" para auxiliá-la. O PT e seus aliados dispunham, no máximo, de simpatizantes nas redações de alguns veículos da indústria da comunicação ou de pequenas tribunas na imprensa alternativa.
O oposicionismo petista tampouco possuía uma articulação empresarial e institucional significativa. Contavam-se nos dedos os empresários maiores, os integrantes do Judiciário, os poderosos que simpatizavam com a esquerda — e os que o faziam eram ridicularizados por seus pares, como se ser petista, para gente de "alto nível", fosse risível.
A atual oposição extra-partidária detesta o "lulopetismo".
Os "anti-lulopetistas" radicais — na opinião pública, nas instituições, nos grupos de pressão e na imprensa — não poupam a tibieza que enxergam nos partidos de oposição. E não confiam em sua capacidade de derrotar o adversário.
Por mais que tenham procurado motivos para se alegrar com a eleição municipal, não há como apagar o que aconteceu em São Paulo. Ou negar que foi a terceira eleição seguida em que a oposição perdeu tamanho.
Por mais fichas que tenham colocado na aposta de que o julgamento do mensalão teria impacto destrutivo, por mais que achassem que o "lulopetismo" sairia dele golpeado de morte, o fato é que os prognósticos para a eleição de 2014 continuam largamente favoráveis ao PT.
Aonde a impaciência e a frustração levarão essas pessoas?
Se fôssemos os Estados Unidos ou outros países democráticos estáveis, a resposta seria fácil. Mas não somos.
O Brasil precisa de uma oposição partidária e institucionalizada sólida. Sem ela, nunca estaremos livres dos que se acham capazes de "resolver a bagunça", "acabar com a corrupção" e "limpar a política". No bem bom, dispensando-se de conquistar um só voto.
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
Leia Mais ►

O feudo de Rosemary

Ao narrar a ascensão do enfermeiro Rubião no clássico Quincas Borba, Machado de Assis construiu uma espécie de estrutura elementar do relacionamento humano (queria citar a “alma do brasileiro”, mas nunca vivi em outro país para dizer se há, de fato, outro tipo de “alma” mundo afora). A começar pelo fato de o personagem que dá nome ao livro não ser o personagem principal. Este papel é dado a Rubião, herdeiro do milionário filósofo, fundador do humanitismo, de quem cuidou até o fim da vida. Homem certo na hora certa, a ele é delegada a missão de cuidar de um cachorro (de nome Quincas Borba) e de administrar as posses deixadas pelo patrão. “A imortalidade é o meu lote ou o meu dote, ou como melhor nome haja”, diz Quincas Borba ao amigo fiel antes de legar a sua herança.
O fim da história estava escrito desde 1891
A oportunidade faz Rubião deixar a rotina humilde em Barbacena, no interior de Minas, em troca de uma vida de barão no Rio de Janeiro, então capital da República.
Ao chegar, ele logo se transforma em objeto de cobiça. Como enxame de abelhas no pote de mel, dele se aproximam as pessoas mais influentes de seu tempo. Eles almoçam às suas custas. Jantam às suas custas. Tomam empréstimos às suas custas. Rubião tinha outra origem, outro linguajar, outras referências, mas pouco importava: ele tinha tudo o que a burguesia ascendente, empreendedora e oportunista, precisava: uma janela para o capital. Para os amigos, Rubião não valia só o que tinha no bolso. Valia o quanto estava disposto a produzir em bolsos alheios.
É a melhor história sobre amizade já escrita nestas terras – justamente por expor ao sol o deslumbre como a força-motriz das relações humanas.
Este caráter universal e atemporal é o que separa uma boa história de um clássico. Mudam-se os tempos, mudam-se os nomes, o espírito permanece. Este espírito, pode-se dizer, se manifesta em qualquer empreendimento promissor – e só um grande herdeiro, um grande proprietário, um grande magnata, um grande artista ou um grande astro do futebol seria capaz de contar as toneladas diárias de bajulação produzidas em seu entorno. (Wilson Simonal e o goleiro Bruno, ex-Flamengo, não fariam um testemunho menos fidedigno sobre a gratidão aos amigos). O funcionamento do Estado, loteado como um bem a ser herdado e distribuído, não é diferente. Está tomado de Rubiões e asseclas de Rubiões, crentes de que o prestígio transitório é um bem inalienável.
No apagar das luzes de 2012, eles aparecem claramente na Operação Porto Seguro, o mais recente escândalo envolvendo o Planalto – ou a “sucursal” do Planalto instalada na Avenida Paulista.
Pegue-se o exemplo de Rosemary de Noronha, a amiga do homem que se tornou presidente da República e a levou à chefia do escritório da Presidência em São Paulo. Dela pouco se sabe além do fato de que se despedia dos amigos no e-mail corporativo com a palavra “bjokas”. Em tese, isso não prova o grau de competência para exercer um cargo de confiança. Mas deixa escancarada a sofisticação das formas com que outsiders são injetados para dentro da máquina.
A troca de e-mails interceptada pela Polícia Federal entre Rosemary e os irmãos Paulo e Rubens Vieira, nomeados para cargos em agências reguladoras meses depois, é uma fratura exposta de um sistema frágil, acessível e manipulável e movido pelo deslumbre de quem chegou ao topo. Graças a Rosemary, Paulo foi parar na Agência Nacional de Águas e Rubens, na Agência Nacional da Aviação Civil.
O caminho para atuar nas agências responsáveis por regular a aviação civil e o uso sustentado da água foi assim: o amigo do amigo levou as referências, falou com a pessoa certa, que prometeu falar com a pessoa ainda mais certa e a troca de favores ficou estabelecida. Num dos e-mails, antes da nomeação, Rosemary promete, supostamente, aproximar o candidato ao cargo na Anac do presidente Lula em um evento em São Paulo: “Aí eu ataco”, diz ela.
Vendo de longe, é possível supor que, apesar do cargo, uma opinião de Rosemary sobre as questões centrais do Planalto tivesse tanto peso quanto uma pena. Rosemary parece, ainda de longe, apenas uma assessora costa-quente que usou a confiança do chefe para construir um feudo ao seu redor com uma única carta: sou amiga do rei.
Mas a “carteirada” de hoje é a maldição de amanhã. Os irmãos Vieira, acomodados no Estado, são agora acusados de comandar um esquema de compra e venda de pareceres públicos favoráveis a interesses privados com a ajuda da Advocacia-Geral da União – um deles para a instalação de um complexo portuário, de impactos incertos, no valor de 2 bilhões de reais. E foi aos irmãos Vieira que a servidora recorreu para instalar a filha e o marido na mesma máquina – numa troca de mensagens encerrada com um gritante “FINALMENTE OBRIGADAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA”. (Sim, vale lembrar: ela era chefe do escritório da Presidência em São Paulo).
Rosemary ajudou os irmãos Viera, que depois ajudaram Rosemary. Para operar, não precisaram sequer consertar relógio com luva de boxe no escuro. Estavam à vontade, como estariam à vontade na casa de Rubião, que na verdade era de Quincas Borba. Não importa. O fim da história estava escrito desde 1891.
Matheus Pichonelli
No CartaCapital
Leia Mais ►

Morreu o Décio






Foto de Arnaldo Alves,
publicada no Globo



Quando li o seu Teoria da Poesia Concreta, acho que foi em 65 ou 66, no Correio da Manhã, se não me engano, minha cabeça revirou. Fiquei fascinado e ao mesmo tempo sem entender bem aquilo. Em 67, em Brasília, quando conheci o poeta Hugo Mund Jr., falamos muito sobre Décio Pignatari e sobre poesia concreta. Criei meu primeiro poema concreto, “Comunicação”, que publiquei no jornal da Universidade. Depois vieram “Blow up, Blow down”, “Olho por olho” e muitos outros, sempre com Décio e os irmãos Campos como principal referência. Já em São Paulo, em 68/69, quando estava na Veja, a presença da poesia concreta foi muito grande. Fizemos boas matérias mostrando o que havia de concreto no tropicalismo, que chegamos a chamar de movimento tropiconcreto. Lembro de uma vez entrevistando o Décio em seu apartamento nas Perdizes, ele falando da superioridade de Caetano sobre Chico como poeta, comparando Resnais e Godard e também mostrando com orgulho um pedaço de grade velha, enferrujada, que tinha na parede, com destaque, como se fosse uma grande obra de arte. Era um pedaço do túmulo do Mallarmé, que ele arrancou de lembrança durante viagem à Europa. Deve ter decidido devolver ao dono...
Uma perda imensa.
No Blog do Gadelha
Leia Mais ►

Arrastão político

A pretendida eliminação dos contratos vigentes para a exploração do petróleo, e respectivos royalties, é uma nova modalidade de ação política por parlamentares, governadores e partidos, inspirada pela mentalidade que se dissemina no Brasil atual.
Agrupar-se em maioria para tomar bens e direitos de minoria surpreendida e indefesa é - na política, na praia, na rua - arrastão. O lugar, a ocasião e o que é tomado (ou pretendem tomar) não faz diferença. Não mais do que a diferença entre o genérico e o remédio de marca, ou seja, o reduzido às suas condições verdadeiras e o protegido pelo facilitário das leis privilegiantes.
Foi fundamental para a sustentação do governo Lula, nos seus primórdios, a garantia de respeito integral a todos os contratos deixados pelo antecessor. A submissão aos contratos foi repetida ao longo do governo como uma ladainha. E transferiu-se como parte do mandato a Dilma Rousseff, passando, nesta etapa, a ser visto também como princípio pessoal da presidente.
Na praia e nas vias públicas, a horda atira-se ao arrastão sem meio de defesa das desavisadas vítimas, que se supõem protegidas pelo direito legal de estar onde estão. Da praia ao mar: o que dois ou três Estados produtores e retribuídos pelos royalties, com tal direito supostamente assegurado pela legislação, podem fazer em defesa desse direito se mais 23 ou 24 Estados agrupam-se para tomar-lhe a retribuição?
Não faz diferença se a arma para tanto é o voto na Câmara e no Senado e, na praia e na via pública, é outra. O voto parlamentar, por si só, não confere moralidade nem legitimidade. Durante 21 anos - para não discutir possíveis exemplos menos distantes -, os votos de Câmara e Senado consagraram indignidades por motivos, eles mesmos, os mais sórdidos.
Compete à União transferir em verbas ou serviços, aos Estados não produtores, a sua quota de recebimento pela exploração de bens nacionais.
O fato sem precedente, em tempo algum, de negar-se a um Estado o domínio do patrimônio natural de seu território, para transferir os benefícios a outros, nega a própria federação que define a ordem institucional do país. Até no nome República Federativa do Brasil.
Os arrastões pré-políticos levam os bens e o direito da pessoa. O arrastão político leva também a Constituição.
SUPREMA
Os ministros do Supremo não se entenderam muito bem em torno de confissão e colaboração. Deu no mesmo: queriam conceder a Roberto Jefferson o benefício da delação premiada e o concederam. Nem um dia de cárcere.
Decisão interessante para os conceitos de Justiça. A acusação inaugural de Jefferson era, de fato, uma forma de cobrança dos milhões que queria receber do PT. Não os recebeu mesmo, e na CPI fez, em represália, as acusações que silenciara. Daí não admitir, com certa razão, que seja delator. Interpretação muito original, portanto, a de que fez por merecer o prêmio.
Janio de Freitas
No fAlha
Leia Mais ►

Domingo Espetacular: Record parte para cima do diretor da "TV XUXA", da Globo

Leia Mais ►