5 de nov de 2012

Hackers manipulam urna eletrônica durante eleições americanas

Responsável por mostrar falha de segurança em urna eletrônica mostra como poderia modificar votos. Foto: Reprodução
Responsável por mostrar falha de segurança em urna eletrônica mostra como poderia modificar votos
Cientistas conseguiram alterar os resultados de uma urna eletrônica de forma a conseguir trapacear e mudar a intenção expressa pelos eleitores. A experiência, realizada em uma máquina como aquelas utilizadas nas eleições dos Estados Unidos, permite o controle da votação computada pelo dispositivo e apresenta um alerta à segurança eleitoral. As informações são do site da revista Popular Science.
Com a instalação de um microprocessador - ou algum outro dispositivo eletrônico - na urna eletrônica, os responsáveis pela fraude conseguiram interferir na transmissão do voto às autoridades eleitorais, caso o aparelho estivesse em funcionamento oficial. A tática empregada, conhecida como ataque man-in-the-middle, é um clássico em casos semelhantes. Através do processo, os americanos do Argonne National Laboratory foram capazes de ver a informação sendo trocada dentro do aparelho e também modificá-la.
O anúncio, feito nesta segunda-feira, levanta preocupações quanto à confidencialidade e segurança do sistema eleitoral americano em plenas eleições presidenciais entre o democrata Barack Obama, que busca a reeleição, e o seu adversário republicano, o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney. De acordo com os responsáveis pelo "hack", a maior parte das máquinas de votação não é encriptada; então, segundo eles, é fácil descobrir as informações que estão sendo trocadas.
Leia Mais ►

Por que entrei na Veja. E por que saí

(Brenda Starr, repórter da HQ de Dale Messick)
No final de 1997, após minha aventura espanhola – economizei um dinheirinho e fui estudar Literatura Espanhola e Hispanoamericana em Madri –, voltei ao Brasil para morar em São Paulo. Desempregada, fui convidada por uma grande amiga a fazer um frila para a revista Marie Claire, onde ela era editora: uma entrevista com o pré-candidato a presidente Ciro Gomes que acabou sendo um dos mais marcantes trabalhos da minha carreira. Ciro abriu a alma, talvez mais do que gostaria, e a matéria de uma revista feminina surpreendentemente repercutiu em todos os jornais.
O sucesso foi tão grande que aquela entrevista, publicada na edição de janeiro do ano seguinte, foi a responsável por minha reinserção no mercado brasileiro após dois anos fora. Fui sondada por alguns veículos e acabei sendo convidada para voltar à Folha de S.Paulo, onde havia trabalhado na sucursal de Brasília, para ocupar uma vaga na editoria de Cotidiano. Meses depois, mudei para a Ilustrada, que almejava quando fui para a Espanha. (Qualquer hora tiro um tempinho para digitar a entrevista com o Ciro e postar aqui para vocês. É muito divertida.)
Sete anos mais tarde, em maio de 2004, eu estava havia apenas três meses trabalhando no Estadão quando a mesma querida amiga me procurou para fazer um convite: iria assumir a editoria de Brasil da revista Veja e queria que eu fosse para lá fazer coisas bacanas, reportagens especiais, entrevistas. “Quem você gostaria de entrevistar?”, ela perguntou. Respondi que sempre quis entrevistar Diego Maradona sobre política. Até hoje acho que seria uma entrevista e tanto. Ela ficou entusiasmada e eu também. Mas e hard news?, perguntei. Este nunca foi meu forte. “Ah, você vai ter que fazer, mas ocasionalmente”. Pensei uns dias e topei. Lembro que até comprei, num sebo de São Paulo, um livro de Oriana Falacci, a grande entrevistadora italiana, para me inspirar…
Costumo dizer que existem dois tipos de repórteres: os que têm boas fontes e apuram muito, mas têm um texto apenas razoável, e os que não têm tantas fontes nem são incríveis apuradores, mas escrevem bem. Eu não tenho fonte nenhuma e apuro o suficiente; o texto é o diferencial. Portanto, o primeiro choque para mim após a estreia na Veja foi que a alentada matéria de capa sobre corrupção que eu e dois colegas apuramos não foi escrita por nós. Eu escrevi o texto inteirinho. E ele foi inteirinho modificado para publicação. Obviamente não recebi aquilo de bom grado, mas uma colega que estava lá há mais tempo me acalmou dizendo que logo eu “pegaria o jeito” para escrever no estilo da revista e não mexeriam tanto no texto.
Bom, hoje sei que nunca iria “pegar o jeito” de escrever da Veja porque, para começo de conversa, não é o meu. Meus textos em geral têm bastante aspas, adoro colocar frases boas de entrevistados e especialistas para dar um colorido. Na Veja, podem reparar, os textos quase não têm aspas, é tudo assumido pelo redator. Além disso, tem uns clichês do tipo “os números impressionam” que eu não conseguiria incluir num texto meu nem que trabalhasse lá durante 100 anos.
Vi, de cara, que tinha entrado numa enrascada, que só piorou quando me destacaram para cobrir a campanha de Marta Suplicy à reeleição em São Paulo. Não havia ninguém no PT que aceitasse falar com a Veja. As fontes das reportagens tinham que ser pessoas, mesmo dentro do partido, de oposição à prefeita. Eu fazia a apuração possível, mas absolutamente nenhum daqueles textos foi escrito por mim. Àquela altura, eu só pensava num jeito de sair da Veja sem ficar desempregada – afinal, eu acabara de entrar no Estadão quando decidi ir para lá. E tinha um filho para criar, não sou nenhuma filhinha-de-papai para me dar ao luxo de ficar sem trabalhar.
Para driblar as dificuldades, minha amiga e chefe escalou outra repórter para trabalhar em parceria comigo: eu fazia a apuração pelo lado petista a partir de uma pauta sugerida por mim e ela redigia o texto e apurava o lado do PSDB, incluindo os obrigatórios elogios ao tucanato, como na reportagem dos políticos “picolés de chuchu”. Quem acompanha meu trabalho há mais tempo sabe que essa é uma pauta tipicamente minha, para tirar sarro de políticos. Foi transformada por Veja em uma peça de bajulação a Geraldo Alckmin – reparem que a reportagem em questão é assinada em dupla com outra pessoa, assim como várias outras do meu curto período na revista.
Algumas alterações foram menos dramáticas: o perfil do advogado Kakay, apesar de nenhuma frase do texto ter sido escrita por mim, pelo menos manteve-se fiel ao que apurei, não tem nada do que me envergonhe ali. A hilária história do “embargo auricular” foi descoberta minha, e já foi citada em vários perfis dele depois. Mas o único texto integralmente meu, desde o título, é a ótima entrevista que fiz com a namorada do senador Eduardo Suplicy, Mônica Dallari. Um furo. Sou, antes de tudo, uma repórter. E minha maior especialidade (é a segunda vez que volto a elas neste texto) sempre foram as entrevistas. Tenho um belo portfólio, modéstia à parte: escritores, políticos, atletas, cineastas.
Em revista, mais do que em jornal, pode acontecer de o redator-chefe modificar um pouco seu texto, isso não é incomum. Mas o difícil de tolerar em Veja, para mim, além de eles mexerem no texto todo, eram as torcidas de raciocínio. Certa vez, fui convocada a colaborar em uma reportagem sobre educação e me pediram alguém para falar sobre cotas. Lembrei de um antigo colega da faculdade que era do movimento negro, liguei para ele e peguei uma frase favorável às cotas. Qual não foi a minha surpresa quando a autora do texto simplesmente transformou a frase dele em contrária às cotas! Fiquei furiosa e felizmente, neste caso, consegui reverter. Mas o pior estava por vir.
Quando as discussões com minha chefe começaram a desandar em gritaria na redação, decidi que estava na hora de sair. Escrevi um e-mail para ela dizendo que preferia manter sua amizade e me demiti da revista. Ela aceitou, me pediu um mês para arranjar outra pessoa e saiu de férias. Neste meio tempo, me pediram uma matéria sobre as dívidas que Marta Suplicy deixaria a seu sucessor na prefeitura de São Paulo, que não eram mesmo coisa pequena. Mas no texto aconteceu algo pelo qual nunca passei em mais de 20 anos de carreira: foi incluída uma frase, entre aspas, que não apurei.
Em 14 anos de Folha de S.Paulo, entre indas e vindas, como repórter fixa ou colaboradora, jamais modificaram um texto meu desta maneira. Em seis anos de CartaCapital, muito menos. Em nenhum lugar onde trabalhei aconteceu algo nem sequer parecido. Está lá a frase, no primeiro parágrafo da matéria: “Parece a madrasta de Cinderela”. Não sei quem disse isto. Eu não a ouvi de ninguém, mesmo porque não tenho ascendência italiana nem conheço ninguém em Roma. Quando minha chefe chegou de férias, me encontrou arrasada. Tenho certeza que, se ela estivesse ali, a frase não teria aparecido magicamente no texto. Detalhe: não me importaria de fazer uma reportagem crítica ao PT ou a quem quer que fosse, desde que eu a tivesse escrito – e que fosse verdade. Isso se chama profissionalismo.
Felizmente, almas boas me ajudaram a sair da Veja logo depois das férias coletivas de final de ano, e em fevereiro eu começaria na revista VIP, onde já havia atuado como colunista, no ano anterior. Passei dois anos e meio na VIP, de onde não tenho nenhuma queixa, pelo contrário. Voltei a ter a coluna, fiz matérias engraçadas e algumas entrevistas bobas com bonitonas da capa, mas também com pessoas interessantíssimas, como o cineasta Hector Babenco, o jogador Zico e o produtor musical Nelson Motta, entre outras. (Com o tempo, postarei elas aqui, na seção vintage do blog.) Ironia: enquanto na Veja o que escrevia era trucidado, na VIP uma coluna minha concorreu ao prêmio Abril de 2006 como melhor texto do ano na categoria artigo.
Uma tarde, na VIP, uma das advogadas da editora Abril entrou em contato comigo para me comunicar que Marta Suplicy estava processando a Veja por conta daquela reportagem, e me perguntou quem foi o “jornalista italiano” que me disse a frase. Perguntei se tinha conhecimento de que as matérias da Veja eram mexidas depois de escritas, e ela me disse que sim. Falei, então, que não fora eu quem apurara aquela história e não tinha falado com jornalista italiano algum. Nunca soube o resultado do processo.
Se você me perguntar: mas isso acontece com todos os jornalistas que trabalham na Veja e eles aceitam, são coniventes com essa prática? Não sei, só posso falar por mim. Não sou o tipo de jornalista que coleciona inimigos. Coleciono amigos, essa é minha natureza. Tenho amigos em todos os lugares em que atuei como repórter, inclusive na Veja. Posso dizer que tem vários jornalistas excelentes na revista, por quem tenho apreço genuíno – minha querida amiga, por exemplo. Mas desprezo o veículo onde trabalham. Tenho razões de sobra para isso. Sinto consideração e carinho por todas as redações por onde passei. Respeito a editora Abril. Veja, não.
E sabem o que é pior disso tudo? Nunca entrevistei Maradona.
Cynara Menezes
No Socialista Morena
Leia Mais ►

Linguística: Preconceito de quem?

A revista Carta Capital publica esta semana matéria sobre Madalena, travesti, negra, eleita para a Câmara de Vereadores de Piracicaba, no interior de S. Paulo. O que deveria ser um texto capaz de mostrar a importância desse fato histórico acabou por se revelar mais uma instância do preconceito linguístico tão fartamente documentado em nossa imprensa. Fui obrigado a escrever uma carta à redação. Aqui vai ela para leitura compartilhada de todos os que se indignam com esse tipo de exploração bisonha das diferenças linguísticas.
Caro professor Bagno, como vai?
Escrevo-lhe apenas para dizer quão triste fico com uma interpretação rasa e apressada do meu texto como a que me chega. Não tenho uma teoria linguística calcada em uma década de pesquisa que precise exemplificar com qualquer excerto que me caia nas mãos, então não vou teorizar sobre suas intenções, como senhor se arvorou o direito de fazer comigo. Só digo, não em minha defesa, mas em defesa da revista em que trabalho (e que não compartilha dos dois pesos e duas medidas da “nossa mídia conservadora e mentirosa") que decidi reproduzir o “linguajar” de Madalena porque é assim que ela falará na Câmara dos Deputados (sic), quando o assumir o inédito cargo com toda sua pompa e glória. Madalena é dessas figuras ímpares, respeitáveis, admiráveis. Não teria eu coragem de “traduzir” ou “normatizar” sua fala. Aplicar uma norma culta a seu modo de fala seria tão grotesco quanto o senhor julga ser o contrário. Madalena não peca por desvios de um plural aqui ou uma concordância ali: fala uma língua sem relação com a escrita, de um jeito todo seu. É belo o jeito que ela fala: e mais, ele reproduz instantaneamente o local onde nasceu e viveu, seu (pouco) acesso à educação, seu total status de não pertencimento à uma sociedade de “elite” à qual invadirá em 1º de janeiro, quando tomar posse, a despeito das ameaças de morte. 
Fomos até Madalena para retratar sua vitória pessoal. Após algumas horas de entrevista, de lá saí com uma pequena aula de política brasileira. Mas, acima de tudo, o objetivo era retratar, o mais veridicamente possível, a aura daquela figura que só chegará ao público por meio da imprensa. 
Por que não se fez o mesmo em outros textos da edição? Por que qualquer pessoa com um conhecimento mínimo de jornalismo sabe que diferentes pessoas escrevem diferentes textos. Em Carta Capital, não há padronização acachapante de ideias, nem de narrativa. O texto como publicado foi de responsabilidade inteiramente minha, do início ao fim. Se o senhor de fato tivesse feito a pesquisa que mencionou, constataria que em uma série de outros textos publicados por mim na mesma seção o mesmo procedimento de “tacanha reprodução”, foi realizado. Nem só com pessoas negras, pobres e travestis, devo afirmar. Confesso desconhecer sua tese e, agora, sinto-me pouco disposto a buscá-la. Mas se ela cria pressupostos que sugiram apagar a riqueza da língua em narrativas da imprensa para evitar possíveis mal-entendidos pseudopsicológicos como esse, devo dizer que passará ao largo de minha vida profissional.
Leia Mais ►

FHC, Aécio e o balanço eleitoral

 
Neste feriadão de finados, três caciques tucanos publicaram artigos nos jornalões para jurar que o PSDB está vivo e que saiu ainda mais fortalecido das eleições municipais de outubro: o ex-presidente FHC, o cambaleante Aécio Neves e o presidente em exercício da sigla, Alberto Goldman. Pelo jeito, nem os filiados e seguidores da decadente legenda estão convencidos destes “êxitos”. Haja saliva, papel e malabarismos para animar a fauna e para evitar novas bicadas e divisões no ninho tucano.
A estranha contabilidade do mineiro
Em seu artigo na Folha de hoje, o senador mineiro chega a contabilizar como “vitórias” do PSDB a eleição de prefeitos de siglas aliadas da presidenta Dilma. Ele não explica porque os tucanos não lançaram candidatos próprios em vários municípios brasileiros, porque se esconderam atrás de outras legendas. Na maior caradura, Aécio Neves afirma que “os números não se mostram tão favoráveis ao PT”. Que números, cara pálida? Ele agradece os 13,9 milhões de votos do PSDB no primeiro turno e esconde os 17,2 milhões obtidos pelo PT.
Maroto, ele também nada fala sobre a estrondosa derrota da sigla em São Paulo – talvez porque a maior capital do Brasil seja um mero detalhe ou porque o cambaleante presidenciável tucano prefira não cutucar o seu “amigo” José Serra. No final, ele se jacta que “o PSDB reafirmou a sua posição de principal polo de oposição no país”. Será? Muitos tucanos e demos já ameaçam rifar a legenda em 2014. Arthur Virgílio e ACM Neto até já andam dizendo que a melhor opção seria Aécio Neves como vice de Eduardo Campos!
A estratégia de mentor tucano
Na mesma toada, o ex-presidente FHC escreveu no Estadão neste sábado (04). Mais cauteloso, ele afirma que “os resultados eleitorais foram muito dispersos”. Mesmo assim, ele enfatiza a expansão do PSDB no Norte e Nordeste e menospreza a derrota em São Paulo e no restante do Sudeste. Como os números permitem qualquer manobra, ele afirma que seu partido fez mais prefeitos do que o PT – 689 a 636. Só não diz que o PSDB elegeu 789 em 2008 e que o PT elegeu 554. Um subiu e outro desceu! Mero detalhe!
Principal estrategista tucano, FHC aproveita o balanço eleitoral para fazer projeções. Ele indica que o principal movimento da direita no país deve ser o de atrair as forças de centro e centro-esquerda. Daí toda a bajulação para cima do PSB, que “derrotou o lulopetismo no Recife e em Fortaleza. Isso abre margens à especulação sobre suas possibilidades para as eleições presidenciais, com a cisão no bloco que até agora apoia o governo Dilma”. Mas ele mesmo pondera que a manobra não é fácil. Ou seja: admite as dificuldades do PSDB.
O presidente risível do PSDB
Neste sentido é que ele insiste no papel do PSDB como “carro-chefe” da oposição. De forma tímida, FHC volta a falar sobre a urgência de renovação da legenda, mas evitando novos confrontos com o irritadiço José Serra. Ele até fala que a sigla precisa ser “progressista nos costumes”, numa estocada no tucano da Mooca que se aliou ao “pastor” Malafaia e atacou o “kit-gay”. Diz que o PSDB deve superar o estigma de partidos “dos ricos” e dá outras dicas. Ou seja: tarefas difíceis para quem se saiu tão bem na eleição de outubro!
Dos três artigos, o mais risível é o do anódino Alberto Goldman, presidente em exercício do PSDB e ex-vice-governador de São Paulo. Para ele, o PSDB “obteve excelente resultado nas eleições. Avançou muito nas capitais e nas grandes cidades, retomou seu ímpeto no Norte e Nordeste e acumula forças para se contrapor ao projeto de hegemonia do PT”. Na sua cômica avaliação, ele garante que o resultado do pleito “tornou mais distante o sonho lulopetista” de se manter no governo central. Sem comentários!
Leia Mais ►

Nota de repúdio da Aty Guasu frente à divulgação de Guarani e Kaiowá na revista Veja

A OUTRA MARGEM - Crianças caiovás brincam na área invadida em Iguatemi. Seus pais deixaram a reserva do outro lado do rio em busca de mais terras 
Esta nota das lideranças de Aty Guasu Guarani e Kaiowá visa destacar a importância das manifestações públicas conscientes de cidadão (ã) do Brasil em defesa da vida Guarani e Kaiowá.
Além disso, pretendemos repudiar reiteradamente a divulgação e posição racista e discriminante de jornalista Leonardo Coutinho da REVISTA VEJA.
Observamos que na última semana, a REVISTA VEJA divulgou os temas: “VISÃO MEDIEVAL DE ANTROPÓLOGOS DEIXA ÍNDIOS NA PENÚRIA” E “NAÇÃO” GUARANI. Autor-jornalista é o Leonardo Coutinho.
A princípio, nós lideranças Guarani e Kaiowá entendemos que os cidadãos (ãs) brasileiros (as) merecem respeito, em geral, esperam de um jornalismo democrático um resultado da investigação justa e séria dos fatos para divulgá-los com ética e responsabilidade, demonstrando fielmente versões das partes envolvidas de modo a que a opinião pública possa construir conhecimento isento a respeito do tema divulgado, não é o que se constata na REVISTA VEJA diante da situação do Guarani e Kaiowá em foco.
Em primeiro lugar, constatamos que na divulgação mencionada de REVISTA VEJA há manifestação de racismo, preconceito e discriminação. Assim, fica evidente que o jornalista Leonardo Coutinho é racista, ele não procura compreender e divulgar a realidade dos Guarani e Kaiowá, faltando com a verdade total consigo mesmo, ou melhor, se desrespeitando e mentindo para todos (as) cidadãos (ãs) do Brasil. Visto que esse jornalista racista da REVISTA VEJA nem se preocupa em fazer o trabalho de jornalista a partir de uma aproximação minimamente científica, mas ele fez e divulgou o tema Guarani e Kaiowá de modo distorcida a partir de corpus de informações sem fundamento, meramente embasado em senso comum e sem valores científicos.
No contexto atual, é importante se observar que diante da manifestação contínua dos cidadãos (ãs) do Brasil em favor da demarcação e devolução de territórios tradicionais aos Guarani e Kaiowá, a imprensa REVISTA VEJA, como sempre, não perdeu a oportunidade de apresentar, mais uma vez, a imagem dos Guarani e Kaiowá como seres incapazes, como nós indígenas não fossemos seres humanos pensantes, fomos considerados como selvagens e truculentos; assim, nesta manchete da REVISTA VEJA há, antes de tudo, incitação ao preconceito, a discriminação e ao ódio o que acaba por colocar em risco total toda a população Guarani e Kaiowá, alimentando violências, racismo, discriminação e estigmas sobre os Guarani e Kaiowá, por isso, nós lideranças da Aty Guasu pedimos as autoridades competentes para realizar uma investigação rigorosa e punição cabível ao autor, Leonardo Coutinho que foi responsável pela divulgação de imagem negativa Guarani e Kaiowá na REVISTA VEJA.
Diante dessa divulgação infundada da REVISTA VEJA a respeito de luta Guarani e Kaiowá, nós lideranças indígenas não acreditamos que a maioria dos cidadãos (ãs) do Mato Grosso do Sul e do Brasil tenha conhecimento sobre Guarani e Kaiowá somente a partir do senso comum a distância, porém compreendemos que todos (as) brasileiros (as) manifestantes são educados e adquirem os seus conhecimentos sobre a situação atual Guarani e Kaiowá a partir de observações diretas da realidade do grupo social que por isso têm fundamentos para refletir e se manifestar como cidadão (ã). De fato, é isso que está ocorrendo no último mês no Brasil, cidadãos (ãs) conscientes se manifestaram e ainda se manifestam, através das redes sociais e em espaços públicos, em favor da vida dos Guarani e Kaiowá, exigindo as efetivações de direitos humanos e indígenas. Porém, o jornalista Leonardo da REVISTA VEJA considera que esses cidadãos (ãs) manifestantes seriam ignorantes e não conheceriam as situações dos Guarani e Kaiowá, os tachando de ignorantes aos cidadãos (ãs) em manifestação. Em nosso entendimento, como indígenas Guarani e Kaiowá, consideramos sim que esses cidadãos (ãs) manifestantes de várias federações do Brasil conhecem muito bem a nossa história e nossa situação atual, por essa razão ampla se manifestam em favor de nossa vida para garantir a nossa sobrevivência. Enquanto o Leonardo Coutinho da REVISTA VEJA tenta colocar os Guarani e Kaiowá em risco total além de ignorar os conhecimentos dos cidadãos (ãs) manifestantes.
Queremos deixar evidentes que nós lideranças da Aty Guasu Guarani e Kaiowá de modo autônomos e conscientes vimos lutando pela recuperação de nossos territórios antigos, essa luta pelas terras tradicionais é exclusivamente nossa, nós somos protagonistas e autores da luta pelas terras indígenas, nós envolvemos os agentes dos órgãos do Estado Brasileiro, os agentes das ONGs e todos os cidadãos (ãs) do Brasil e de outros países do Mundo.
Finalizando, nós lideranças da Aty Guasu Guarani e Kaiowá de modo conscientes vamos lutar sem parar pela recuperação de nossas terras antigas, juntamente com cidadãos (ãs) manifestantes do Brasil em destaque, continuremos a lutar contra GENOCÍDIO Guarani e Kaiowá e iremos insistir na necessidade premente do Estado brasileiro se envolver profundamente com o nosso problema Guarani e Kaiowá do Mato Grosso do Sul. Sabemos que Governo do Brasil tem seu dever Constitucional assumir e decidir com firmeza e rigor uma dinâmica eficaz para fazer respeitar Direitos Humanos e Indígenas no Mato Grosso do Sul. Entendemos perfeitamente que é dever do Estado brasileiro viabilizar recursos financeiros e humanos, refletir e planejar estratégias que culminem em soluções efetivas aos problemas fundiários dos Guarani e Kaiowá aqui focada. Diferentemente da REVISTA VEJA, temos grande esperança e entendemos que os apoios de manifestantes dos cidadãos (ãs) do Brasil deverão contribuir, no tempo, para melhorar a qualidade de vida dessa grande parcela do nosso povo Guarani e Kaiowá do Mato Grosso do Sul.
Por fim, prestamos o nosso imenso agradecimento a todos (as) cidadãos (ãs) manifestantes pela compreensão e atenção merecida. A nossa luta continua contra GENOCÍDIO.
Atenciosamente,
Tekoha Guasu Guarani e Kaiowá, 04 de novembro de 2012
Lideranças da Aty Guasu Guarani e Kaiowá-MS
No CIMI
Leia Mais ►

Esqueçam o que escrevi 2

FHC agora não fala mais, textualmente, em esquecer o povão. Pelo menos é o que se depreende da leitura de seu artigo "Hora de balanço" (publicado neste domingo, 4/11, em alguns jornais do País).
O ex-presidente diz:
"O PSDB, como escrevi tantas vezes, deve se dirigir aos mais pobres, mas também às classes médias, tanto às antigas como às camadas que aumentaram a renda, mas ainda não têm identificação social própria".
O "como escrevi tantas vezes" traz imediatamente à memória o artigo "O papel da oposição", publicado em 2011 na revista Interesse Nacional. Lá se expressa um pensamento diametralmente oposto. O recado foi entendido à época como: esqueçam os pobres, pois eles estão irremediável vinculados ao PT. Concentrem-se na classe média, principalmente a classe C, que está crescendo e se tornando majoritária - portanto, tem votos suficientes para ganhar eleições.
De forma bastante categórica, o artigo de 2011 não deixava margem a dúvidas:
"Enquanto o PSDB e seus aliados persistirem em disputar com o PT influência sobre os "movimentos sociais" ou o "povão", isto é, sobre as massas carentes e pouco informadas, falarão sozinhos. Isto porque o governo "aparelhou", cooptou com benesses e recursos as principais centrais sindicais e os movimentos organizados da sociedade civil e dispõe de mecanismos de concessão de benesses às massas carentes mais eficazes do que a palavra dos oposicionistas, além da influência que exerce na mídia com as verbas publicitárias.
Sendo assim, dirão os céticos, as oposições estão perdidas, pois não atingem a maioria. Só que a realidade não é bem essa. Existe toda uma gama de classes médias, de novas classes possuidoras (empresários de novo tipo e mais jovens), de profissionais das atividades contemporâneas ligadas à ti (tecnologia da informação) e ao entretenimento, aos novos serviços espalhados pelo Brasil afora, às quais se soma o que vem sendo chamado sem muita precisão de "classe c" ou de nova classe média".
[...]
"É a estes que as oposições devem dirigir suas mensagens prioritariamente, sobretudo no período entre as eleições, quando os partidos falam para si mesmo, no Congresso e nos governos".
Impossível ser mais claro: o povão não é prioridade para o PSDB. A prioridade seria supostamente a classe C, ou "nova classe média". Este era o recado.
Como a mudança de discurso vem na esteira de um balanço das eleições municipais de 2012, entende-se que principalmente o revés sofrido em S. Paulo pode ter falado mais alto. FHC talvez seja o primeiro a reconhecer que as derrotas amargadas em 2002, 2006 e 2010 foram mais que eventos episódicos. Pode ser que os tucanos, "quae sera tamem", tenham começado a compreender que as perdas eleitorais sucessivas foram fruto não só da estratégia bem sucedida do PT quanto da orientação programática equivocada que o PSDB e seus aliados abraçaram no longo prazo. Equívocos que se reverberaram pelo Estado de S. Paulo e fragilizaram suas perspectivas de formar uma coalizão nacional mais competitiva nas próximas eleições presidenciais.
O ex-presidente agora inverteu a posição da classe C na equação tucana. Na frase exposta, esta classe deixou de figurar como "prioritária" para virar um "mas também". Mesmo assim, o balanço de FHC termina com um ato falho. Revela-se uma visão estratosférica e estereotipada da dita classe C. A frase sobre as "camadas que aumentaram a renda, mas ainda não têm identificação social própria" sugere que os emergentes são "ainda" pobres de espírito e andam órfãos em busca de quem lhes dê uma razão de ser. De novo erram o alvo do problema a ser por eles enfrentado. Na verdade, quem de fato anda à cata de uma "identificação social própria" não é a classe média. É o próprio PSDB.
Leia Mais ►

Petrobras desmente Veja, mais uma vez

Em relação a "reporcagem" "O enrosco do subsídio" (ver abaixo) publicada na última sexta-feira (02/11) pela revista Veja. Confira, abaixo, as respostas encaminhadas pela Petrobras ao veículo. (Fonte: Fatos e Dados)
Pergunta: A perda da autossuficiência estava prevista pela empresa? Qual o plano para retomá-la?
Resposta: De acordo com os dados internos e as projeções do Plano de Negócios e Gestão 2012-2016 da Companhia, a autossuficiência em petróleo, definida pelo saldo líquido volumétrico positivo das exportações, menos importações, será mantida, mesmo nos anos de 2012 e 2013, quando teremos produção estável em relação a 2011 e consumo crescente de derivados. Desconhecemos a memória de cálculo que sustente os números apresentados pelo gráfico e tabela encaminhados pela Revista Veja.
Pergunta: Ao longo dos últimos anos, a Petrobras aboliu indicadores específicos de desempenho, como as metas de produção por plataformas e bônus específicos por função gerencial (a remuneração variável passou a ser a mesma para todas as funções.) É possível saber o quanto a falta desses indicadores influenciou a queda de eficiência na operação? A retomada dessas métricas indica que elas podem ajudar a retomar a produtividade?
Resposta: A Petrobras nunca deixou de trabalhar com metas e indicadores. Com o Plano de Negócios e Gestão 2012/2016, essa questão foi reforçada: as metas corporativas do plano de negócios serão desdobradas até o nível de cada empregado. Quanto à meta de produção de óleo, especificamente, é composta pela soma das metas de produção de óleo de cada unidade de produção. Ou seja: cada gerente de plataforma de campo marítimo ou de operação de um campo terrestre conhece claramente qual a sua meta específica de produção e trabalha para atingi-la ao longo do ano. Não atribuímos, portanto, à falta de indicadores a queda de eficiência na operação de algumas plataformas.
Pergunta: Quais as principais medidas para recuperar a eficiência das plataformas da Bacia de Campos?
Resposta: Um programa especial foi elaborado de forma a estruturar ações especificas para cada sistema de produção da Unidade de Operações da Bacia de Campos (UO-BC), com o objetivo de restaurar e consolidar o retorno aos níveis históricos de eficiência operacional da citada unidade. Esse programa é o PROEF – Programa de Aumento da Eficiência Operacional da Bacia de Campos – UO-BC.
Essa unidade de operações, complexa estrutura de produção de petróleo marítima, já considerada madura, com plataformas e sistemas submarinos em operação há 20, e até 30 anos, que atua em larga escala e em lâminas d´água rasas e profundas. Há, ali, um desafio intrínseco na manutenção de elevados índices de eficiência operacional e, consequentemente, da produção de petróleo e gás, nesse cenário.
Inspeções recentes em todo esse complexo marítimo constataram a necessidade de alocar ainda mais recursos para a recuperação da operação de poços, sistemas submarinos e plataformas. Essas ações terão como resultado um retorno da eficiência operacional da UO-BC a patamares que a tornarão perfeitamente alinhada às demais unidades de operações, que oscilam em torno de 90%. Com esse programa, espera-se um potencial de recuperação entre 150 mil e 200 mil barris de óleo por dia (bopd) nos próximos cinco anos, com significativo impacto econômico positivo. Desde abril até agosto de 2012, foram despendidos US$ 398 milhões com o PROEF e o Valor Presente Líquido (VPL) estimado para essas operações é de US$ 357 milhões. O mesmo programa começa a ser implantado agora na Unidade de Operações Rio (UO-Rio), que abriga os sistemas de produção mais recentes da Bacia de Campos.
Pergunta: As paradas obrigatórias de manutenção demoraram mais tempo do que o esperado. Que tipo de problema fez com que essa manutenção levasse mais tempo? Foi preciso adotar algum procedimento específico desta vez?
Resposta: Há uma iniciativa específica no Programa de Aumento da Eficiência Operacional da Bacia de Campos (PROEF), que trata dos problemas enfrentados com as paradas programadas de plataformas. As paradas para manutenção em unidades de produção offshore estão sujeitas a diversas restrições. Como exemplo, podemos citar a plataforma P-52. Durante a parada para manutenção dessa unidade de produção, enfrentamos ventos acima de 30 Knots, que impediram, por vários dias, o trabalho dos escaladores na torre do flare (equipamento destinado a queimar o gás descartado de um poço em produção). Além disso, há problemas que só podem ser detectados quando o equipamento está sob intervenção, como no caso de trincas na base do queimador do flare, uma área com temperatura de quase 1.000oC, que exigiu uma mobilização excepcional.
Pergunta: As equipes de manutenção que trabalham na Bacia de Campos estão há quanto tempo trabalhando lá? Qual o turn over na manutenção da Bacia de Campos?
Resposta: As equipes de manutenção vêm sendo renovadas, com a admissão de novos empregados, que também têm contribuído para a tripulação das muitas plataformas que entraram em operação ao longo dos últimos anos. Ao mesmo tempo, a Companhia conta com empregados que têm até 35 anos de experiência e são responsáveis pela manutenção das plataformas. Cerca de 50% dos empregados da Petrobras têm até 10 anos de empresa. Os mecanismos de retenção de talentos da Companhia têm contribuído para que a empresa tenha uma baixíssima perda nas suas equipes na Bacia de Campos, que está, hoje, em torno de apenas 1% . Além das equipes próprias de manutenção, a Petrobras conta com serviços especializados nessa área, contratados regularmente junto ao mercado.

A reporcagem

http://fatosedados.blogspetrobras.com.br/wp-content/uploads/2012/11/Veja-1.jpg

Observação deste blog: O dedo tucano na fonte da Veja
O Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) no qual Veja obteve com exclusividade o estudo inédito, [último parágrafo da primeira coluna acima] tem como sócio-fundador Adriano Pires, que atuou na Agência Nacional de Petróleo (ANP) durante a gestão de David Zylbersztajn, ex-genro de FHC.

http://fatosedados.blogspetrobras.com.br/wp-content/uploads/2012/11/Veja-2.jpg
http://fatosedados.blogspetrobras.com.br/wp-content/uploads/2012/11/Veja-3.jpg
Leia Mais ►

Catastroika

O novo documentário da equipe responsável por Dividocracia (assista-o aqui) chama-se Castastroika e faz um relato avassalador sobre o impacto da privatização massiva de bens públicos e sobre toda a ideologia neoliberal que está por detrás. Catastroika denuncia exemplos concretos na Rússia, Chile, Inglaterra, França, Estados Unidos e, óbviamente, na Grécia, em setores como os transportes, a água ou a energia. Produzido através de contribuições do público, conta com o testemunho de nomes como Slavoj Žižek, Naomi Klein, Luis Sepúlveda, Ken Loach, Dean Baker e Aditya Chakrabortyy.
De forma deliberada e com uma motivação ideológica clara, os governos daqueles países estrangulam ou estrangularam serviços públicos fundamentais, elegendo os funcionários públicos como bodes expiatórios, para apresentarem, em seguida, a privatização como solução óbvia e inevitável. Sacrifica-se a qualidade, a segurança e a sustentabilidade, provocando, invariavelmente, uma deterioração generalizada da qualidade de vida dos cidadãos.
As consequências mais devastadores registram-se nos países obrigados, por credores e instituições internacionais (como a Troika), a proceder a privatizações massivas, como contrapartida dos planos de «resgate». Catastroika evidencia, por exemplo, que o endividamento consiste numa estratégia para suspender a democracia e implementar medidas que nunca nenhum regime democrático ousou sequer propor antes de serem testadas nas ditaduras do Chile e da Turquia. O objetivo é a transferência para mãos privadas da riqueza gerada, ao longo dos tempos, pelos cidadãos. Nada disto seria possível, num país democrático, sem a implementação de medidas de austeridade que deixem a economia refém dos mecanismos da especulação e da chantagem — o que implica, como se está a ver na Grécia, o total aniquilamento das estruturas basilares da sociedade, nomeadamente as que garantem a sustentabilidade, a coesão social e níveis de vida condignos.
Se a Grécia é o melhor exemplo da relação entre a dividocracia e a catastroika, ela é também, nestes dias, a prova de que as pessoas não abdicaram da responsabilidade de exigir um futuro. Cá e lá, é importante saber o que está em jogo — e Catastroika rompe com o discurso hegemônico onipresente nas mídias convencionais, tornando bem claro que o desafio que temos pela frente é optar entre a luta ou a barbárie.
Leia Mais ►

A dosimetria da ditadura e o mensalão


 

Se você já viu pessoas preocupadas com o tamanho das penas do mensalão, é bom prestar atenção numa coisa.
Tanto Dirceu como Genoíno já foram presos durante a ditadura militar. Eram considerados perigosíssimos por um regime que não respeitava as liberdades nem os direitos fundamentais.
Nenhum cumpriu pena semelhante às que podem receber agora, nesta semana em que o STF volta a definir as penas dos réus do mensalão.
Temos réus, como Marcos Valério, condenados a 40 anos. Um de seus sócios, Ramon Hollerbach, já chegou a 14 anos. Não sabemos até onde isso vai chegar.
(Francamente: nem Suzana Richthofen, que matou o pai e a mãe e fugiu com o namorado para o motel pegou pena tão larga. Nem o Nardoni, condenado por jogar a filha da janela do sexto andar.)
A maioria dos estudiosos calcula que as penas de José Dirceu podem chegar ao infinito. Ele foi condenado 9 vezes por corrução ativa. Se pegar a pena mínima 9 vezes, já são 18 anos. Dirceu também foi condenado por formação de quadrilha. No ambiente de quem condena mais que tem animado debates que poderiam ser mais sóbrios, é difícil imaginar até onde os ministros podem ir.
Muitos observadores calculam que José Genoíno pode ser condenado a 12 anos.
São penas duríssimas, como você já deve ter reparado. Estamos falando da privação de liberdade de pessoas contra as quais não há assim provas “robustas”, para empregar uma linguagem de quem é especialista. Estamos no mundo do plausível, do acredito, do só pode ser assim.
Mas também estamos numa democracia, onde todos tem direito a uma defesa e merecem ser considerados inocentes até prova em contrário, não é mesmo?
Não deixa de ser curioso reparar o que aconteceu com Dirceu e Genoíno, quando foram presos pelo regime militar.
Acusado de integrar o “núcleo político” do mensalão, Genoíno tinha lá sua hierarquia em 1972, quando foi preso na guerrilha do Araguaia. Foi acusado de ser “coordenador e chefe do grupo de guerrilheiros” da região da Gameleira. Esperou três anos para ser julgado e, no fim, recebeu a pena máxima. Sabe quanto? Cinco anos.
Na sentença, os juízes militares ainda tiveram o cuidado de explicar que uma pena tão elevada se devia à “periculosidade do criminoso e não do crime.” Contribuiu para a severidade da pena o fato de que Genoíno denunciou ter sido torturado na prisão.
Considerou-se que isso ajudava a definir Genoíno como “fanático guerrilheiro e político perigosíssimo.”
Depois de cumprir três anos de cadeia, Genoíno tentou transformar a pena restante em liberdade condicional. Não conseguiu e ficou preso até o último dia.
José Dirceu foi preso no Congresso da UNE, em Ibiúna, e só recuperou a liberdade porque, no ano seguinte, foi incluído no grupo de presos políticos trocados pelo embaixador Charles Elbrick. Até então, já havia ficado um ano na prisão, sem julgamento.
Não interessava a ditadura levar Dirceu para o banco dos réus. O plano era que ficasse ali, no puro arbítrio.
O único crime de que poderia ser acusado era de tentar reorganizar “entidade extinta”, o que não era grande coisa pelos parâmetros da ditadura. Teve gente condenada por isso que pegou seis meses de prisão. Era tão pouco tempo, na época, que a maioria já tinha cumprido a pena antes do julgamento.
A pena de banimento de Dirceu, anunciada depois que foi trocado pelo embaixador, durou nove anos.
Metade da pena que poderá receber caso o STF aplique a pena mínima para as nove condenações por corrupção ativa – apenas.
E é claro que, no STF, estamos assistindo a um julgamento político.
Como os julgamentos da auditoria militar, num tempo em que o Supremo convivia subjugado com um tribunal que usurpava a mais nobre das funções de um juiz, que é fazer o justo sem ameaçar a liberdade.
Não acho que a Justiça militar seja exemplo de coisa alguma para alguma coisa. Tolerava a tortura, fingia não enxergar execuções, agia com docilidade perante a ditadura. Julgava com provas sem valor legal, pois obtidas sob tortura.
Mas é lamentável constatar que nem um regime que não tinha o menor compromisso com a democracia, considerando-se no direito de suspender as liberdades públicas para combater a “subversão e a corrupção,” aplicou penas tão duras. Uma ditadura, como sabemos, trabalha na lógica da presunção da culpa.
E vamos combinar. De armas na mão, vivendo no meio de agricultores miseráveis do interior do Pará, não havia como negar que Genoíno estivesse envolvido na guerrilha.
Dirceu era candidato a presidente da UNE, fora presidente da UEE. Sua prisão, em Ibiuna, foi um flagrante, digamos assim. A lei era arbitrária, pois proibia uma entidade legítima. Mas a prova existia, certo?
E aí chegamos ao Supremo, em 2102. Temos penas máximas, contra provas mínimas.
Nenhuma história contra José Dirceu fechou. Até agora estão investigando o Banco Central para ver se aparece alguma coisa a mais na atuação de Marcos Valério. Já se passaram sete anos…
Contra José Genoíno, tem-se a dedução de que o pedido de empréstimo que assinou era fajuto. Mas o empréstimo estava lá, registrado, foi renovado, mais uma vez, e outra.
Um ministro já comparou os envolvidos no mensalão com o Comando Vermelho e com o PCC. Outro, falou que eles queriam dar um golpe de Estado. Mais de uma vez, entre uma sentença e outra, ouviram-se ironias sobre o Partido dos Trabalhadores, e até insinuações que envolviam Dilma Rousseff.
Que dosimetria, não?
Paulo Moreira Leite
No Vamos combinar
Leia Mais ►

Dividocracia

Documentário que revela a crise econômico-social pela qual passam os países periféricos da União Europeia, em especial a Grécia. Vemos como as políticas econômicas neoliberais impostas pelos agentes financeiros da UE levam à bancarrota os países de sua periferia e os deixam maniatados às decisões das grandes corporações financeiras extranacionais. O interesse primordial é sempre a defesa dos ganhos dos grandes grupos financeiros dos países mais fortes, principalmente da Alemanha, em detrimento das maiorias populares dos países de segunda linha como Grécia e Irlanda.
O filme também nos mostra que é possível enfrentar com êxito às pressões dos aparelhos a serviço do capital financeiro mundial (FMI, Banco Mundial, etc.) quando os governantes do país ameaçado têm suficiente dignidade para colocar em primeiro lugar a satisfação das necessidades de seu povo, e não a obsessão por lucros dos magnatas financeiros. É o caso do Equador dirigido por Rafael Correa.
Este documentário expõe a crueldade que move o neoliberalismo em seu afã por ganhar cada vez mais às custas do sacrifício de todos os demais setores da população. Ele também deixa claro que, com a decidida mobilização das maiorias populares, o monstruoso aparato financeiro pode ser derrotado.
Assista também o documentário Catastroika, produzido pela mesma equipe.
Leia Mais ►

Terceirização sucateia a saúde pública

 
O gerenciamento de unidades de saúde por Organizações Sociais (OSs) é desastroso, antidemocrático e antissocial. A terceirização da saúde pública cria diversos problemas, pois gera a mercantilização de um sistema que por dever é de responsabilidade do poder público e por direito, da população, que deve ter acesso a uma saúde de qualidade, ágil e resolutiva.
Desde que foram implantas no Estado, em 1998, as OSs tem apresentado fragilidades. Com a privatização dos serviços públicos, os médicos, os profissionais da saúde e os usuários assistiram a um processo acelerado de sucateamento da saúde, artifício utilizado pelo gestor público para justificar a manutenção do serviço de privatização.
A discrepância pode ser vista em números. De acordo com o Tribunal de Contas do Município de São Paulo, somente na capital, em 2011, o governo repassou quase 40% de seu orçamento de mais de R$ 5 bilhões destinados à saúde para as OSs. No Estado de São Paulo, a situação não é diferente: estão sobre gerenciamento de OSs quase 40 hospitais, 44 unidades de saúde.
Temos consciência de que as organizações sociais aprofundaram os problemas da saúde pública do país e de São Paulo. As empresas maquiaram vários pontos de atendimento com pintura de paredes e modificação de pisos, mas o atendimento continua defasado, ineficiente e deficitário. No aspecto da prestação de contas, as OSs têm demonstrado dificuldades em apresentar eficiente controle do destino do dinheiro público para o privado.
Além disso, a terceirização gera uma rotatividade desastrosa nas contratações. Profissionais são contratados sem concurso público, sendo muitos deles sem qualificação adequada, o que gera grande desassistência aos usuários do sistema.
A lei das OSs se assemelha a outra experiência já rechaçada pela população de São Paulo anos atrás: o PAS (Plano de Atendimento à Saúde), do ex-prefeito Paulo Maluf. A alegação de que as empresas não têm fins lucrativos é desculpa para pagar polpudos salários a diretores e criar cargos em comissão por interesses administrativos, levantando a hipótese de benefícios eleiçoeiros e outros não declarados.
Após muitas lutas, em maio deste ano conseguimos sensibilizar a Justiça do Trabalho, que proibiu todas as contratações de funcionários nas parcerias entre a Secretaria de Saúde e as OSs por suposta terceirização irregular de mão de obra, mas a Procuradoria do Estado de São Paulo tenta desde o início de outubro reverter essa decisão.
Desde 1998, tramita uma ação direta de inconstitucionalidade para julgar a validade desses convênios. Nos últimos anos, houve também outras tentativas de impedir judicialmente os contratos com as OSs, mas uma definitiva do Supremo Tribunal Federal (STF) é aguardada.
O Brasil precisa ter um orçamento realista para a saúde e uma gestão eficiente, focada na melhoria da qualidade dos serviços prestados para todos os brasileiros, sem distinção. Para tanto, é necessário auscultar todos os representantes envolvidos com a saúde e direcionar soluções concretas, eficientes e definitivas de sorte a garantir à população brasileira uma saúde mais sadia.
Há que se fazer valer o direito de todo cidadão a um sistema de saúde de qualidade. Garantir a todos um ambiente de trabalho seguro e consistente. A verdadeira justiça só se faz pela equidade! Afinal de contas, a saúde é um bem público e não deve ter intermediários.
Cid Carvalhaes, neurocirurgião e advogado, é presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp). Foi presidente da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia
No fAlha
Leia Mais ►

Publicidade da revista Veja mostra que leitor é um idiota manipulável

Este vídeo é parte da campanha publicitária que a revista Veja lançou em 2003.
Bem ilustrativa, a peça ironicamente vem reforçar a opinião que as pessoas mais bem informadas têm sobre a revista do Grupo Abril, ou seja, a lavagem cerebral; o pensamento único desprovido de qualquer senso crítico. A opinião do leitor da Veja é, para os críticos, rigorosamente o reflexo daquilo que o dono do veículo pensa: a demonização da esquerda, ou, qualquer governo de orientação socialista; a galhofa com os movimentos sociais; a ditadura da beleza "branca e de olhos azuis"; o consumismo... A Veja é, pois, uma caricatura mal ajambrada de tudo aquilo que prega a chamada grande mídia.
Em 2006, o grupo sul-africano Naspers encampou 30% do Grupo Abril. Para quem não conhece a Naspers, tal grupo é acusado de ter dado respaldo ao vergonhoso regime racista do apartheid na África do Sul. A fonte desta informação você pode conferir na Wikipedia; pesquise também no Google por "naspers apartheid" (sem aspas).

Leia Mais ►

Mais de 300 famílias resistem a ordem de despejo em BH

À pedido do prefeito, Marcio Lacerda (PSB) – reeleito no primeiro turno nas eleições da capital de Minas Gerais –, a Justiça despejará 320 famílias das ocupações Camilo Torres e Elena Silva e Irmã Dorothy, na região de Barreiro, em Belo Horizonte. Para evitar este crime, movimentos sociais de todo país têm se solidarizado com a comunidade e se mobilizado para impedir a ordem de despejo.


O frei Gilvander Luís Moreira visitou a ocupação Camilo Torres. A comunidade está no local há quatro anos e meio e conta com 142 famílias habitando casas de alvenaria.
Em entrevista ao frei, Adriana, integrante da comunidade e cantora, poetisa e trabalhadora, com uma criança de 11 dias no colo, fala da luta que foi para construir a sua casa e clama para que o despejo não ocorra.
Detalhe: Adriana trabalha para uma empresa terceirizada que presta serviço para a BHTrans, que é da Prefeitura de Belo Horizonte, justamente quem está insistindo na Justiça para expulsá-la da casinha construída com muito suor e sangue.


Leia abaixo a carta de apelo do Fórum Permanente de Solidariedade às Ocupações de Belo Horizonte:
Resistência, sim! Despejo, não!
Nós, do Fórum Permanente de Solidariedade às Ocupações de Belo Horizonte, manifestamos total apoio e solidariedade às 470 famílias das comunidades Camilo Torres, Irmã Dorothy e Eliana Silva que, para realizarem o direito humano à moradia, ocupam terrenos públicos no Barreiro – a maioria delas há mais de 4 anos. Há vinte anos, tais terrenos foram transferidos de modo irregular e ilegal a particulares. Estes, como se não bastasse, os mantiveram abandonados desde então, o que representa não cumprimento de sua função social.
Os terrenos pertenciam à Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig, ex-Companhia de Distritos Industriais – CDI) que os repassou a particulares por valores muito abaixo dos valores de mercado. A contrapartida seria a implementação de atividades industriais em até vinte e quatro meses. Nos duzentos meses subsequentes, nada foi construído. Além disso, os terrenos foram repassados – sempre irregularmente – a outras empresas, configurando a mais escrachada especulação imobiliária. Estes terrenos têm sido objeto de transação ilegal entre o governo de Minas Gerais, a Prefeitura de Belo Horizonte, a Victor Pneus, a TraMM Locação de Equipamentos Ltda e os Bancos Bradesco e Rural. Destacamos que o Banco Rural é réu já condenado pelo Supremo Tribunal Federal no “escândalo do mensalão”.
Os partidos que estão em conluio com as empresas que se apropriaram ilegalmente dos terrenos são os mesmos que, em São José dos Campos/SP, patrocinaram o despejo de Pinheirinho, em janeiro de 2012. Nesta ocasião, 1600 famílias foram massacradas e tiveram suas casas destruídas após oito anos de ocupação de terreno grilado pelo megaespeculador Naji Nahas. Estes mesmos interesses são representados em Minas Gerais pelo prefeito Márcio Lacerda (PSB), o ex-governador Aécio Neves e o atual Antonio Anastasia, ambos do PSDB. À jogatina com terrenos públicos, soma-se a podre jogatina da política profissional.
Há perigo de desocupação iminente a ser realizada pela Polícia Militar de Minas Gerais (PM-MG), o que acarretaria em banho de sangue. Sabemos que a PM-MG atua, nesta situação, como um exército no campo de batalha cujo objetivo é eliminar os inimigos. Aqueles que são considerados inimigos pela PM, nesse caso, são as 470 famílias pobres que têm resistido bravamente às investidas da propriedade privada e do capital. São cidadãos e cidadãs de todas as idades que construíram suas casas com as próprias mãos, preservam o espaço onde moram e imprimiram a mais legítima função social aos terrenos ocupados: o direito à moradia decente e à existência digna. Lembremos do despejo da Eliana Silva 1 (maio/2012) e da tentativa de despejo da Zilah Spósito-Helena Greco (outubro/2011) onde a PM, fortemente armada, usou desde gás de pimenta contra crianças asmáticas e idosos até caveirão, cachorros, cavalos e helicópteros contra todas e todos os membros destas comunidades.
Tampouco toleramos as investidas da PM-MG contra nosso companheiro Frei Gilvander Moreira, que tem sido permanentemente fustigado com telefonemas, ameaças e “visitas” noturnas. Sabemos que estas perseguições são devidas à sua combatividade na luta pelo direito à moradia e à terra para quem nela trabalha.
O Fórum Permanente de Solidariedade às Ocupações de Belo Horizonte definitivamente não aceita o despejo e defende o direito inalienável à resistência contra todas essas investidas. Exigimos esclarecimento e responsabilização dos envolvidos nessas transações inescrupulosas. Cobramos a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa de Minas Gerais para acabar com a farra da especulação imobiliária, equacionar a titularidade desses terrenos, responsabilizar e punir os envolvidos nas transações ilegais e, sobretudo, garantir a permanência das comunidades Camilo Torres, Irmã Dorothy e Eliana Silva nos espaços ocupados.
Reiteramos que não admitimos o despejo sob hipótese alguma. Continuaremos a combater, junto com as comunidades Camilo Torres, Irmã Dorothy, Eliana Silva, Dandara e Zilah Sposito-Helena Greco, o projeto segregacionista dos governos municipal, estadual e federal de higienização da cidade e privatização do espaço público.
Lutamos por uma cidade que incorpore as necessidades, as lutas e as conquistas da classe trabalhadora.
Fórum Permanente de Solidariedade às Ocupações de Belo Horizonte / FPSO-BH
Belo Horizonte, outubro/novembro de 2012
Leia Mais ►

Ley de Medios e o “lobby da mentira”

Na guerra contra a Ley de Medios da Argentina, os barões da mídia divulgam inúmeras mentiras. Afirmam, por exemplo, que a nova lei atenta contra a liberdade de expressão e que é rejeitada pelos organismos internacionais que tratam do tema. Difundem, ainda, que ela prejudicará os profissionais da imprensa – o que acaba ludibriando alguns jornalistas mais tacanhos. Esta campanha difamatória crescerá ainda mais com a proximidade do dia 7 de dezembro, data da entrada em vigor da Ley de Medios. Vale, então, desmenti-la.
Na semana retrasada, o relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Liberdade de Opinião e de Expressão, Frank La Rue, esteve na nação vizinha e foi taxativo numa entrevista coletiva: “A Argentina tem uma lei avançada. É um modelo para todo o continente e para outras regiões do mundo. Ela é importante porque para a liberdade de expressão os princípios da diversidade de meios de comunicação e de pluralismo de ideias são fundamentais”, afirmou. A sua opinião, porém, foi abafada pela mídia brasileira.
Campanha mundial dos barões da mídia
A imprensa nativa também tem evitado dar voz aos profissionais que trabalham nos impérios midiáticos do país vizinho. Em outubro, a Federação Argentina de Trabalhadores da Imprensa (Fatpren) criticou o “lobby da mentira” orquestrado pela Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), que realizou seu convescote anual em São Paulo. Segundo a entidade sindical, “os operadores do Grupo Clarín fazem lobby internacional para construir a grande mentira de transformar as restrições à sua posição dominante em restrições à imprensa”.
Segundo reportagem de Leonardo Severo, publicada no sítio da CUT, a Fatpren ajudou na elaboração da nova legislação e defende os seus princípios contrários à monopolização do setor. “Pela Ley de Medios, nenhum conglomerado de comunicação pode ter mais do que 24 outorgas de TV a cabo e 10 de rádio e televisão aberta. Mas o Grupo Clarín possui dez vezes mais licenças de cabo do que o número autorizado pela lei, além de quatro canais de televisão, uma rádio FM, 10 rádios AM, e o jornal de maior tiragem do país”.
SIP apoiou ditadores da Argentina
Com a proximidade da data fixada pela Corte Suprema de Justiça para que o Grupo Clarín cumpra a lei, “os empresários do continente se somam à estratégia de difundir que a legislação atenta contra a liberdade de expressão”. Com o objetivo de desmascarar a farsa da SIP, que aprovou o envio de uma delegação patronal à Argentina, a Fatpren convidou os sindicalistas brasileiros para que conheçam “a inédita liberdade de expressão que reina em nosso país e que permite que os meios publiquem o que desejam, sem qualquer restrição”.
A Fatpren rechaça a interferência dos barões da mídia do continente, reunidos na SIP. Lembra que esta “organização patronal tomada pela CIA e pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos na década de 50 outorgou a medalha ‘Prêmio das Américas’ ao ditador Pedro Eugenio Aramburu, líder da ‘Revolução Fuziladora’ [que derrubou o governo constitucional de Juan Domingo Perón em 16 de setembro de 1955], enquanto centenas de jornalistas eram perseguidos, torturados e encarcerados”.
“Os trabalhadores de imprensa da Argentina continuam batalhando a cada dia, nas redações, nos espaços públicos, onde a realidade nos convoque, para alcançar uma comunicação verdadeiramente democrática, plural, participativa e diversa, e condições dignas de trabalho que nos permitam garantir ao povo seu devido direito à informação”, conclui a Fatpren.

Eu sou argentino!

A mídia hegemônica não descansa e vive em permanente estado de guerra. Passadas as eleições municipais, em que ela apostou tudo no “show do mensalão” para evitar o desastre completo da oposição demotucana nas urnas, ela agora afia as suas armas para duas novas batalhas. Uma no front interno, com a tentativa de criminalizar o ex-presidente Lula. E outra no front externo, com a aproximação da data do fim do monopólio do Clarín na Argentina. A máfia midiática do planeta se une para derrotar a presidenta Cristina Kirchner.
Uma guerra aberta, frontal
No país vizinho, a situação já é de guerra aberta, frontal. Manifestações favoráveis e contrárias à “Ley de Medios”, que democratiza os meios de comunicação, são diárias e agitam até os estádios de futebol. A guerra também já está sendo travada nas emissoras de tevê. Os dois canais do Grupo Clarín – TN (Todo Notícia), no cabo, e El Trece, na TV aberta – promovem ataques raivosos ao governo. Jorge Lanata, âncora de um programa no El Trece, faz imitações grosseiras contra a presidenta Cristina Kirchner.
Já o governo responde através da TV Pública. Ele procura esclarecer que a Ley de Medios, que entrará em vigor no dia 7 de dezembro, visa garantir maior pluralidade e diversidade na radiodifusão. Aprovada em 2009, ela limita as licenças dos grupos midiáticos. Para o Clarín, que controla vários veículos desde a época da ditadura militar, ela será fatal. O império terá que se desfazer de várias emissoras de rádio e tevê. O seu espaço será ocupado por canais comunitários. O governo abrirá concurso para definir os futuros donos.
Com a proximidade do 7 de dezembro – o 7D da Democracia –, a guerra entre os dois campos se acirra. O Grupo Clarín já foi derrotado no Congresso, no Judiciário e nas ruas, com massivos atos de apoio à lei. Mas ele resiste. Para o sociólogo Martín Becerra, “o cenário mais provável é que o Clarín tente ganhar tempo, apresentando um plano de adequação indicando empresários aliados como testas de ferro, algo que o governo não aceitará. Haverá outra batalha judicial que daria ao grupo tempo para desenhar outras estratégias”.
A falta de coragem política no Brasil
É neste cenário de confronto que os barões da mídia da América Latina – reunidos no antro da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) – e do mundo inteiro se unem para salvar o império do Clarín. Na semana passada, o Jornal Nacional da TV Globo divulgou longa matéria contra o “atentado à liberdade de expressão” na Argentina. Os jornalões também já publicaram vários editorais e artigos sobre o tema. Esta será a principal batalha, no front externo, dos donos da mídia nativa. Eles temem uma “epidemia” na região.
Nesta guerra aberta não há espaço para vacilações. Diante da fúria monopolista dos barões da mídia, eu sou argentino! Na verdade, só lamento que o governo Dilma não tenha a mesma coragem da presidenta Cristina Kirchner para estimular um debate democrático sobre este tema tão estratégico na atualidade. Talvez a entrada em vigor da Ley de Medios ajude a espalhar esta “epidemia” democratizante em nosso país. A conferir!
Leia Mais ►

Charge online - Bessinha - # 1560

Leia Mais ►

Homenagem a Ventania - Líder camponês Manoel Aleixo

Manoel Aleixo, Desaparecido Político, Militante das Ligas Camponesas e do Partido Comunista Revolucionário(PCR)


Não importa que tenhas sido morto,
Pois na canção dos audazes e fortes
de espírito, serás sempre um exemplo vivo,
um chamamento orgulhoso à liberdade, à luz
(Máximo Gorki).

Há cinco séculos, um punhado de aristocráticos aventureiros, capitaneados pelo ambicioso escravocrata Duarte Coelho, ostensivamente armado, invadiu as melhores terras de Pernambuco e obrigou todos os seus habitantes a trabalharem para eles, à força.
Achando pouco, seqüestraram ao longo deste tempo, milhões de africanos livres, trazidos para cá como escravos acorrentados, com a mesma finalidade: produzir e acumular capital, riqueza e ostentação para as suas poucas famílias.
Com a orientação do governo de Portugal e o apoio da igreja, eles formaram uma vasta organização criminosa internacional especializada em sequestros, torturas, assassinatos, saques, ocultação de cadáveres aos milhares, praticaram um verdadeiro genocídio, com os negros e a população nativa, por eles batizada de índios.
Os usineiros e senhores de engenhos não conhecem limites para suas insaciáveis ganâncias na busca dos lucros. Para isto, recorrem, como na época do escravagismo, a toda sorte de guerra e violência para submeter e expropriar as imensas massas de trabalhadores. Enfim, por trás daquele suntuoso sindicato do açúcar existe a mais longa história do crime organizado pelo seguimento patronal mais reacionária da burguesia em Pernambuco.
Entretanto, apesar das condições de inferioridade do armamento bélico, verdadeiros guerreiros, heróicos estrategistas, desde as guerras dos escravos, se formaram e se elevaram à estatura de grandes líderes de massas e de estadista do porte de Zumbi.
Este gigantesco caldeirão efervescente da luta de classes da zona canavieira de Pernambuco, Alagoas e Paraíba, produziu muitos heróis como Amaro Luís de Carvalho, (A Verdade nº 09), Gregório Bezerra (A Verdade nº 4), Zumbi dos Palmares (A Verdade nº 01), o Espártaco do Novo Mundo e Manoel Aleixo da Silva, o Ventania, cuja heróica trajetória se confunde com a própria saga da sua classe e dos negros rebelados, que agora passamos a relatar.
Manoel Aleixo teria feito 74 anos de vida no dia 04 de junho deste ano, caso não houvesse sido assassinado há 39 anos. Nascido no dia 04 de junho de 1931, no engenho Cova Onça, em São Lourenço da Mata (PE), cidade cercada por canaviais e grandes usinas, como São José e Tiúma(desativada). Seus pais, João Aleixo da Silva e Maria Sabino da Silva eram negros e foram alcançados pela escravidão enquanto meninos.
Nosso herói, ainda criança, foi também levado ao duro trabalho de tirar contas no eito, de sol a sol, e de domingo a domingo, nos períodos da moagem, para ter direito a comida e ao tosco vestuário em tudo semelhante aos dos escravos da senzala. Ele não teve tempo e nem o direito de freqüentar a escola, que nos anos 30, era privilégio de poucos. Mas cresceu ouvindo atentamente as histórias dos homens valentes desta terra que muito lhe emocionavam, principalmente a história do Quilombo dos Palmares, que ergueu uma república de homens livres com território determinado, por quase um século.
Em 1955, já com 24 anos, acompanhou com interesse o ressurgimento das Ligas Camponesas no Engenho Galiléia, no vizinho município de Vitória de Santo Antão, sob a liderança de Zezé da Galiléia. Manoel Aleixo entusiasmou-se com aquela enorme passeata de camponeses pobres e assalariados agrícolas, que teve a participação de Julião e Clodomir Morais, da Assembléia Legislativa ao Palácio do Governo, em Recife, na qual arrancaram o decreto de desapropriação do Engenho Galiléia.
Daí em diante, passou a lutar pela organização de novas Ligas em outros municípios, até ver explodirem Ligas Camponesas por todo o Nordeste, Centro e Sul do país. Conheceu praticamente todos os engenhos de Pernambuco e Alagoas.
A reforma agrária na lei ou na marra e terra para quem nela trabalha eram as palavras de ordem que lhe causavam maior emoção.
Do outro lado, recrudesciam a repressão, as milícias privadas e o uso da polícia militar pelos senhores de engenho e usineiros para fazer despejo, sacrificar animais domésticos, arrancar a lavouras de subsistência e assassinar líderes camponeses. Latifundiários e usineiros como Agnaldo Veloso Borges(Itambé), Júlio Maranhão(Usina Caxangá) e José Lopes de Siqueira(Usina Estreliana) tinham prazer em amarrar trabalhadores rebelados no tronco e lambuzá-los de mel e sal para serem lambidos por seus bois mansos da usina até ficarem em carne viva.
Foi a partir daí que Manoel descobriu que somente pertencer às Ligas e politizar o Coco-de-Roda e suas emboladas de denúncias e esperança, não eram suficientes.
No final de agosto de 1963, os sindicatos e as Ligas de São Lourenço, Moreno e Jaboatão sob a sua influencia a de Amaro Luis de Carvalho (Palmeira, Capivara), sentindo que a confrontação se aproximava, convocaram deforma unitária grandes assembléias para responder à onda de assassinatos como os de João Pedro Teixeira (Ligas da PB) e Gerimias ativista comunista (Itambé-PE) e prisões como a de Júlio Santana, presidente do sindicato de Rio Formoso(PE).
As assembléias aprovaram por unanimidade as seguintes deliberações: “A cada militante morto, um ajuste de contas com o assassino ou seus mandantes”, e mais: “Agora será, olho por olho, dente por dente!”. Vibrante agitação tomou de conta daquela massa que “parecia uma densa floresta humana”. Nos respectivos municípios, compareceram também uma grande quantidade de ferroviários e dos representantes das entidades dos estudantes.
Golpe, repressão e luta clandestina
Em 1º de abril de 1964, os usineiros, latifundiários, a alta burguesia e seus mandados militares fascistas se consorciaram com os monopólios imperialistas dos Estados Unidos para acabar com aqueles que ameaçavam seus imensos lucros, eliminar as lideranças revolucionárias e a organização crescente dos operários e especialmente dos 400 mil assalariados agrícolas da zona canavieira de Pernambuco. E para concretizar todo este crime, foi preciso derrubar o governo de João Goulart, Arraes, em Pernambuco, e Brizola, no Rio Grande do Sul.
Como num pesadelo, milhares de operários das usinas e camponeses pobres dos engenhos de Pernambuco amanheceram nas delegacias e quartéis transformados em presídios.
Para não ser capturado e morto, Manoel Aleixo, ligeiro, como um vento forte, já com 34 anos, separa-se da família, dos amigos, de tudo, e passa a viver nos mais distantes engenhos.
Aos poucos, vai recomeçar tudo de novo, com 10, 20 trabalhadores politizando o conteúdo das letras do coco-de-roda, de emboladas nos terreiros e alpendres das casas mais afastadas das usinas, sempre nos domingos, feriados e noites de lua.
Apesar da resistência clandestina da Comissão Política das Ligas, os assassinatos, as prisões das lideranças e o exílio de Francisco Julião, Clodomir Moraes e Djací Magalhães levaram o movimento a mergulhar no mais completo descenso.
O Encontro com o PCR
Logo no inicio de 1967, um ano após a fundação do Partido Comunista Revolucionário (PCR), Manoel Aleixo reencontra, ocasionalmente, na cidade de Barreiros (PE) o mais procurado e mais experiente agitador e organizador comunista de toda a zona canavieira - Amaro Luís de Carvalho - que já havia integrado a Comissão do Trabalho Militar das Ligas Camponesas, feito cursos de formação política e militar em Cuba e na China.
Amaro, tomado de incontida alegria, retoma a conversação com Aleixo, interrompida pelo golpe militar de 1964. Passam em revista os nomes dos companheiros desaparecidos, assassinados, presos, a desmobilização e dispersão das massas.
Amaro, apoiado nos seus estudos e nos documentos do Partido, argumentou que as Ligas Camponesas e os Quilombos foram tão importantes que só têm paralelo na história com os Quilombos do Haiti e as Ligas Camponesas da Alemanha, que sustentaram uma longa guerra contra o pagamento do foro da terra e do dízimo aos senhores feudais e à igreja. Porém são incapazes de impedir o golpe contra-revolucionário das classes dominantes.
Para vencer os golpistas, faltou-nos um partido comunista revolucionário, reconhecido pelas massas, com capacidade de direção política para conduzi-las tanto na ofensiva armada para tomar o poder de estado dos inimigos de classe, quanto no recuo organizado, quando necessário.
Este partido terá de funcionar com a disciplina de um estado-maior da nossa classe, um partido guiado pelas idéias e experiências revolucionárias de Marx, Engels, Lênin e Stálin; este partido agora já existe, acabamos de fundar o Partido Comunista Revolucionário (PCR), do qual sou um dos dirigentes, e te convido a militar nele a partir de hoje, conclamou Palmeira. Com brilho nos olhos, Manoel Aleixo, emocionado, respondeu: “quero ser militante do PCR até a vitória ou morte”.
E para consolidar o recrutamento, Amaro naturalmente lhe apresentou a Linha Política e as Normas de Seguranças do partido sob as quais todos terão de militar. Ao que Aleixo replicou: “já tenho uma lista para serem recrutados para o Partido”.
Preparando militantes de têmpera comunista e revolucionária
Nesse ínterim, Manoel já tinha se transformado numa respeitável liderança no poderoso sindicato de Barreiros e tem influência em Água Preta e Joaquim Nabuco. Aí começa o seu primeiro Batismo de Fogo.
Com o nome de guerra Ventania, Amaro quiz expressar a força de vontade e a rapidez com que Manoel se dedicará ao trabalho profissional de construção do partido, retirando-se, aos poucos, do papel de líder de massa para atuar mais no aparelho clandestino do Partido no campo. Este aparelho se localizava no Sítio Borboleta, do engenho Constituinte, zona rural de Água Preta(PE).
Para lá, iam somente aqueles que mais se destacavam na luta, revelavam características de futuro militante para receber cursos de formação política e ingressar no PCR.
Passou a trabalhar em estreito contato com Amaro e Manoel Lisboa, constituindo-se assim, em pouco tempo, um coletivo dirigente desta frente, onde teve destacado papel de direção juntamente com o companheiro Amaro Félix Pereira (Procópio), ex-líder sindical de Barreiros que comprovou também a sua extrema dedicação e fidelidade ao Partido com um ano de prisão na Casa de Detenção do Recife (1971), para depois de conseguir a sua liberdade ser seqüestrado e, como nada revelou sobre o Partido, o torturam até a morte e o enterraram clandestinamente, seu nome sequer contava na lista oficial dos desaparecidos.
Só recentemente conseguimos com, o esforço dos seus filhos, obter o devido reconhecimento da Comissão Especial dos Mortos e Desaparecidos do Ministério da Justiça.
Manoel é preso e, por nada informar, é torturado e recolhido durante todo o ano de 1970 na Casa de Detenção do Recife; quando conquistou a liberdade, pouco a pouco, com muito cuidado, retomou suas atividades revolucionárias, clandestinamente, mas com muito mais disposição do que antes, pois sabia que teria de enfrentar grandes dificuldades com a repressão e especialmente com o desenvolvimento do seu trabalho, agora, sem o Sítio Borboleta e sem a sábia companhia de Palmeira que continua preso e torturado ora em Recife, ora no DOPS-SP, desde dezembro de 1969, quando foi detido em Palmares.
O frio e covarde assassinato do camarada Amaro Luiz de Carvalho na própria Casa de Detenção do Recife no dia 22 de agosto de 1971, não o apavorou; ao contrário, aumentou a sua fé no Parido e nas massas e sempre recordava uma velha lição de Palmeira “a vitória do partido e das massas será difícil, mas é inevitável”.
Assim se dera o seu segundo Batismo de Fogo, enfrentando o inimigo de classe no cárcere e as torturas com firmeza.
Ventania rapidamente procura recompor o trabalho e também a sua vida pessoal, casando-se com a companheira Izabel na cidade de Joaquim Nabuco(PE) e para que todo o seu tempo fosse dedicado ao crescimento do Partido, ele procurou convencer a sua esposa de que “ter filhos só depois de haver justiça no campo”.
Certa vez no final de uma reunião um camarada perguntou-lhe por que tanta pressa em tudo que fazia? Em cima da bucha, ele respondeu: “agora eu tenho de recrutar por dois, por mim e pelo companheiro Capivara que continua preso”.
Paixão e morte!
O ano de 1973 foi de cerco aos comunistas revolucionários. Seqüestraram Manoel Aleixo e o assassinaram sob as mais selvagens torturas, a lancinante dor foi dilacerando seu corpo e sua alma até morrer, sem que uma só informação fosse dada a seus torturadores.
Como provamos esta fé suprema no Partido? Havia um ponto marcado com o companheiro Valmir da direção do Partido no interior da igreja da cidade de Ribeirão(PE) no dia 06 de setembro, às 10hs; a direção do Partido decidiu que a cobertura do ponto fosse feita por mim, e, na hora exata, lá compareci e ele não estava, nem tão pouco a polícia, a repressão não conseguiu por as suas mãos sujas no Partido por seu intermédio.
O DOI-CODI do então IV Exército, o torturador Sérgio Paranhos Fleury, diretor do DOPS-SP, o torturador Moacir Sales de Araújo diretor do DOPS-PE, o delegado, José Oliveira Silvestre e o torturador Luís Miranda, agente da Polícia Civil foram os responsáveis diretos por todas as sevícias, assassinato e pela desavergonhada mentira veiculada nos grandes jornais da burguesia no dia 08 de setembro, de que Ventania teria morrido no dia 29 de agosto ao resistir a voz de prisão e travar um tiroteio com agentes da segurança na cidade de Ribeirão.
Desavergonhada mentira porque não houve qualquer tiroteio em Ribeirão no dia 29 de agosto, pois não há qualquer registro no livro de ocorrências da única delegacia da cidade. Mais: se a morte aconteceu no dia 29 de agosto porque o Diário de Pernambuco e o Jornal do Comércio divulgaram a notícia só no dia 08 de setembro, 09 dias depois? E porque seu corpo não foi entregue à sua família, a quem de direito cabe realizar o devido sepultamento?
Na verdade Manoel foi seqüestrado da sua própria casa em Joaquim Nabuco, na madrugada do dia 29 de agosto, fato testemunhado por Izabel Simplícia da Conceição, sua companheira e conduzido numa Veraneio de Exército até a sede do comando do IV exército no parque 13 de maio e assassinado, provavelmente, junto com Manoel Lisboa e Emannuel Bezerra e certamente temendo o impacto da divulgação do assassinato de três grandes revolucionários num só dia, 04 de setembro e também para dificultar o esclarecimento do seu hediondo crime, decidiram por divulgar em dois dias diferentes e locais falsos e circunstâncias totalmente mentirosas, apesar de bem urdidas.
Testemunhos e reconhecimento
Disse Suzana Keniger Lisboa, ao expressar seu parecer como relatora no processo de Manoel Aleixo perante a Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos do Ministério da Justiça:
“Torna-se evidente que Manoel Aleixo da Silva foi preso pelos agentes dos órgãos de repressão política, torturado até a morte em alguma dependência pessoal ou assemelhada e levado para Ribeirão, onde foi montado mais um dos macabros teatrinhos de tiroteio, destinados a esconder os assassinatos sob tortura”.
Izabel Simplício, sua esposa, declarou, ainda, em documento entregue à referida Comissão que “apoiava a luta e que agora espera justiça para que nunca mais aconteça outro final de agosto tão triste como aquele de 1973”.
Finalmente, o Estado reconheceu seu crime praticado contra Manoel Aleixo (Ventania), mas falta reconhecer as circunstâncias, identificar e punir severamente os responsáveis por tão bárbaro crime.
Nos Braços da História
Agora, 34 anos depois, podemos afirmar com Castro Alves: “Quem cai na luta com glória, tomba nos braços da história e no coração do Brasil!”.
Foi com base na sua profunda opção pelo PCR, como instrumento da libertação revolucionária dos explorados e oprimidos que Manoel Aleixo construiu a sua inquebrantável coerência.
Por isso, ele encontrou força e tranqüilidade suficientes para praticar também no cárcere do inimigo, com estoicismo, a sua orientação:
Não dar nenhuma informação sobre o Partido ao inimigo de classe e, de fato, para um revolucionário, a traição é pior do que a morte. Assim, antes de cerrar os seus olhos pela última vez, já nos seus últimos instantes, decidiu ele, de novo optar pela dignidade, pelo justo, por resguardar a vida do seu Partido e então, com profundo desprezo pelos verdugos, fechou os olhos para descansar coerentemente ao lado de Amaro, Manoel Lisboa, Emannuel Bezerra e Zumbi dos Palmares.
Coube ao Partido, depois de um rigoroso levantamento (cerca de um ano e três meses) de todas as informações, entre 40 companheiros nossos detidos naquelas dependência do exército) para oficialmente poder informar toda a verdade sobre o comportamento de cada companheiro. Sobre Ventania, assim se expressou a direção do PCR:
“Na sala de torturas, comportou-se como um autêntico herói nascido do povo; diante das torturas mais atrozes, cerrou os dentes, nada falou aos sádicos policiais. Morreu como herói do povo, um combatente do Partido, digno e firme como uma rocha”.
(Editorial do Jornal A Luta, nº 18, dezembro de 1974).
Camarada Manoel Aleixo, você conquistou, com a sua elevada coerência e honra comunista, um justo lugar no Panteão dos heróis da história e da dignidade humana.
Nesta homenagem, os trabalhadores conscientes vimos reafirmar que a sua bandeira de luta pela reforma agrária e pela sociedade socialista seguirá até a vitória e que seus algozes não ficarão impunes jamais. É uma questão de tempo e os ventos da história sopram a nosso favor.
Centro Cultural Manoel Lisboa
Joaquim Nabuco-PE, 04 de novembro de 2012
Bibliografia:
1- O Movimento Camponês na Zona Canavieira de Pernambuco – Amaro Luis de Carvalho, Editorial a Luta nº 01, 1966
2 – As Guerras Camponesas na Alemanha - F. Engels – Editorial Presença, 1975
3 – Jornal A LUTA, – Órgão Central do PCR nº 18, dezembro de 1974
4 – Dos Filhos Deste Solo – Nilmario Miranda /Carlos Tiburcio – Ed. Boitempo, 1999
5 – Castro Alves - Obra Completa, Ed. Nova Aguilar, 1986
6 – A Vida e A Luta do Comunista Manoel Lisboa,Ed.Centro Cultural Manoel Lisboa, 2000
7 – Jornal A Verdade – Nº 1, 9, 55
Edival Nunes Cajá
Este artigo foi escrito por Cajá e publicado, na sua essência, pelo jornal A Verdade na página dos heróis brasileiros,no número 87.Edival Nunes Cajá, foi preso político, é sociólogo, presidente do Centro Cultural Manoel Lisboa, é membro do Comitê Memória, Verdade e Justiça de Pernambuco, é integrante do Comitê Central do Partido Comunista Revolucionário (PCR).
Leia Mais ►