2 de nov de 2012

Veja envolve Gilberto e Lula no caso Celso Daniel

:
Reportagem deste fim de semana aponta o que seria a delação premiada pretendida por Marcos Valério; objetivo seria narrar uma reunião com Ronan Maria Pinto, empresário do ABC paulista frequentemente citado como possível mandante do crime, e Silvio Pereira, ex-homem forte do partido; suposta missão de Valério seria levantar recursos para conter chantagem de Ronan contra o ex-presidente Lula e o ministro Gilberto Carvalho; mais uma vez, não há evidências que Valério falou à revista e não se sabe se a fonte foi ele ou a procuradoria-geral da República, que estaria quebrando a confidencialidade e colocando a vida de Valério em risco; prossegue a caçada a Lula
Marcos Valério é um homem à beira do precipício, condenado a mais de 40 anos prisão. Em setembro, procurou o procurador-geral da República, propondo uma delação premiada e pedindo proteção. Dizia correr risco de ser assassinado. Portanto, é improvável que uma pessoa, nessas condições, tenha sido a fonte de mais uma capa da revista Veja, a que circula neste fim de semana, com as baterias apontadas contra o PT e o  ex-presidente Lula. O mais plausível é imaginar que as informações tenham partido do próprio Ministério Público Federal, comandado por Roberto Gurgel, que teria a missão institucional e legal de preservar a confidencialidade de uma proposta de delação feita por uma pessoa supostamente ameaçada de morte.
Na reportagem deste fim de semana, assim como na de 19 de setembro (a da "entrevista"), apresentam-se falas de Marcos Valério, que não foram gravadas pela revista Veja. “Eu falei assim: nisso aí eu não me meto, não”, teria dito o empresário. A frase atribuída a Valério seria uma resposta ao pedido de dinheiro feito por Sílvio Pereira, ex-secretário-geral do PT, para calar Ronan Maria Pinto, empresário do ABC paulista frequentemente citado como um dos possíveis mandantes da morte de Celso Daniel. Ronan, segundo o relato de Veja, ameaçava envolver o ex-presidente Lula e o ministro Gilberto Carvalho no caso Celso Daniel. Participante desta reunião com Ronan e Silvinho, Valério teria a missão de acalmar o suposto chantagista – o que ele não teria aceito.
A proposta de delação premiada veio à tona ontem, em reportagem do Estado de S. Paulo. Ao saber que a mesma seria publicada, o advogado Marcelo Leonardo, que representa Valério, reagiu com indignação. “Se meu cliente vier a ser assassinado, terei que dizer que foi por causa da sua matéria”, disse ele ao Estadão. Portanto, mais uma razão para descrer que Valério tenha sido a fonte de Veja. Afinal, se Celso Daniel foi assassinado e Ronan Maria Pinto é frequentemente citado como responsável, não é razoável imaginar que a essa altura do campeonato, prestes a ser transferido para um presídio, onde de se mata e se morre com facilidade, que Valério fosse se envolver com algo tão perigoso.
Sobre Antônio Palocci, também citado na reportagem do Estado de S. Paulo, Valério apenas diz que o ex-ministro também participou dos esquemas de arrecadação do PT – o que não é novidade.
O que espanta, na capa de Veja desta semana, é imaginar que a própria Procuradoria-Geral da República possa estar colaborando para a colocar em risco a vida de um indivíduo.
No 247
Leia Mais ►

O dilema do PSDB

O dilema do PSDB, após a derrota em São Paulo, não diz respeito apenas à opção entre continuidade ou renovação de quadros. Arthur Virgilio expressou muito bem a parte mais profunda do dilema vivido pelos tucanos. O partido tem que se decidir. Ou bem continua sendo o porta-voz da extrema direita brasileira, abrigando desde o discurso preconceituoso contra homossexuais até uma critica neoliberal a políticas de distribuição direta de renda; ou então retoma o discurso social-democrata que motivou sua formação e seu batismo, desvinculando-se desse discurso antipovo que o transformou no principal opositor de um governo que tirou 30 milhões de brasileiros da miséria absoluta.
O que Arthur Virgílio não disse, nem irá dizer, é que a história não termina aí. Se resolver voltar às origens, o PSDB precisará rever completamente seu posicionamento no jogo político nacional.
A questão é bem simples. O PT é, hoje, o partido que implementa o projeto social-democrata no Brasil. Não é possível para os tucanos "voltar às origens" e, ao mesmo tempo, manter uma oposição diametral em relação a Lula e ao Partido dos Trabalhadores. Se fizer isso, será um partido esquizofrênico, bifronte, com duas personalidades - uma inscrita no programa partidário, outra constitutiva de seu arco de alianças.
O único caminho de volta às origens dos tucanos passa necessariamente por uma aliança ESTRATÉGICA com o PT, dando-lhe sustentação no Legislativo. Em princípio, isso não teria nada a ver com o lançamento de candidaturas independentes às eleições majoritárias. A depender das circunstâncias, essas candidaturas concorrentes seriam perfeitamente viáveis. Quando não o fossem, seria relativamente fácil fechar questão em torno de um candidato único da base governista com base numa partilha do poder. Não há dificuldade alguma aí. Funciona assim no mundo todo.
Se é tão fácil, por que isso não é feito? Por um motivo simples. O PSDB tornou-se refém de um discurso raivoso e cheio de preconceito. Sua base eleitoral (ou parte significativa dela) se identifica com a truculência verbal, e se regozija entretendo o pensamento ilusório de que constitui uma espécie de "elite intelectual" capaz de ver na política profundezas de que as pessoas comuns não desconfiam.
Mais ainda. Esses militantes se veem como uma espécie de "elite ética" da nação, numa postura muito semelhante àquela que caracterizava o petismo nascente. A diferença é que, no PT da década de 80, esse sentimento era de algum modo justificado. Enquanto os outros partidos montavam suas campanhas com dinheiro doado pelas grandes corporações, ou simplesmente surrupiado dos cofres estatais pelas vias conhecidas, os petistas sustentavam o partido na base de rifas, quermesses, almoços e recolhimento de um dízimo do salário dos militantes eleitos. Sentiam-se diferentes, e ERAM diferentes. Parafraseando Woody Allen, os tucanos de hoje têm todos os sintomas da tal "superioridade ética", mas não têm a "doença". São santinhos do pau oco, caras-de-pau fingindo a preocupação ética na sala de visitas e recolhendo a graninha da Alston no quintal.
Seja como for, essa mitologia é poderosa. Basta ler os blogs que os tucanos frequentam para sentir isso imediatamente. Qual é a mitologia divulgada ali? O autor do blog se apresenta como um homem de cultura e sentimentos éticos superiores que se dirige a seus pares - uma elite que é mais inteligente, mais culta, mais educada e moralmente impoluta. Nada os abate. Dão capa para o Arruda e, quando este é pego com a boca na botija, dão capa ao Demóstenes. Sai Demóstenes, entra Joaquim Barbosa, que deverá ser logo logo vomitado das primeiras páginas, assim que se constatar que ele representa muito mais um perigo que uma esperança. Veremos.
Pouco importa. Cai um santo, outros são prontamente fabricados, e o eleitor tucano segue firme na sua convicção de que pertence ao mundo dos bons e dos justos. O Professor Hariovaldo foi quem melhor captou essa mitologia no registro do humor. Nem seria necessário. Ela não está oculta. Está escancarada nos textos com os quais essa gente se identifica e na qual sorve sua dose diária de satisfação narcísica.
O PSDB tornou-se, portanto, refém do eleitorado preconceituoso e reacionário que criou. É ali que tem sua base mais firme, seu militante entusiasmado, que vem às redes repetir termos como "apedeuta" e "petralha" de boca cheia.
Para "voltar às origens" sem exibir uma personalidade cindida, teria que abandonar seus fiéis seguidores, coisa que o partido dificilmente fará. É um beco sem saída, a meu ver. O discurso ensandecido de políticos como José Serra criou um monstro, que agora se volta contra seus criadores, tolhendo-lhes os movimentos e anulando as alternativas mais interessantes que, de outro modo, eles teriam. O prefeito Arthur Virgílio pode querer voltar, se quiser. Mas há um rio maior que o Amazonas a ser transposto, e todas as pontes que uniam as duas margens foram dinamitadas ao longo de dez anos da mais completa insensatez.
Que o destino trágico dos tucanos sirva de lição ao PSB. Também ele está sendo chamado pela imprensa conservadora a ocupar as primeiras páginas e receber as honras da casa, desde que concorde em representar o papel do canastrão careca que agora se aposenta. Se fizer isso, estará caindo na mesmíssima armadilha, e terá exatamente o mesmo destino. Ficará condenado a encarnar um personagem cada vez mais distorcido, cada vez mais virulento, cada vez mais antipovo, cada vez mais afastado da palavra "socialismo" que dá nome ao partido.
O Brasil precisa de uma base estável de esquerda que se reconheça enquanto tal e se oponha em bloco às tentativas de sabotar os projetos de modificação do perfil absurdamente injusto de distribuição de renda com o qual temos que conviver. O lugar do PSB é nessa base de apoio.
Quando chegarem as eleições presidenciais, veremos o que se faz. No limite, o partido será sempre livre para lançar candidatura própria e tentar a sorte, e o PT terá que ter a sabedoria de compreender que isso é perfeitamente natural. A alternativa é enveredar pelo caminho sem volta no fim do qual estão pessoas como Silas Malafaia e o coronel Telhada. É pegar ou largar.
Os principais líderes do partido, que são jovens, devem refletir muito a respeito disso, e não se esquecer de que, se um dia estiverem fazendo coro ao que há de mais nojento e irracional na imprensa brasileira, nem sequer terão o consolo de estarem mortos, como Mário Covas, para não ter que presenciar essa vergonha.
Jotavê
No Advivo
Leia Mais ►

O alvo agora é Lula na guerra sem fim


lula ok O alvo agora é Lula na guerra sem fim
Pouco antes do segundo turno do segundo turno das eleições presidenciais de 2006, o sujeito viu a manchete do jornal na banca e não se conformou.
"Esse aí, só matando!", disse ao dono da banca, apontando o resultado da última pesquisa Datafolha que apontava a reeleição de Lula.
Passados seis anos desta cena nos Jardins, tradicional reduto tucano na capital paulista, o ódio de uma parcela da sociedade - cada vez menor, é verdade - contra Lula e tudo o que ele representa só fez aumentar.
Nem se trata mais de questão ideológica ou de simples preconceito de classe. Ao perder o poder em 2002, e não conseguir mais resgatá-lo nas sucessivas eleições seguintes, os antigos donos da opinião pública e dos destinos do país parecem já não acreditar mais na redenção pelas urnas.
Montados nos canhões do Instituto Millenium, os artilheiros do esquadrão Globo-Veja-Estadão miraram no julgamento do chamado mensalão, na esperança de "acabar com esta raça", como queria, já em 2005, o grande estadista nativo Jorge Bornhausen, que sumiu de cena, mas deixou alguns seguidores fanáticos para consumar a vingança.
A batalha final se daria no domingo passado, como consequência da "blitzkrieg" desfechada nos últimos três meses, que levou à condenação pelo STF de José Dirceu e José Genóino, duas lideranças históricas do PT.
Faltou combinar com os eleitores e o resultado acabou sendo o oposto do planejado: o PT de Lula e seus aliados saíram das urnas como os grandes vencedores em mais de 80% dos municípios brasileiros. E as oposições continuaram definhando.
Ato contínuo, os derrotados de domingo passado esqueceram-se de Dirceu e Genoíno, e mudaram o alvo diretamente para Lula, o inimigo principal a ser abatido, como queriam aquele personagem da banca de jornal e o antigo líder dos demo-tucanos.
Não passa um dia sem que qualquer declaração de qualquer cidadão contra Lula vá para a capa de jornal ou de revista, na tentativa de desconstruir o legado deixado por seu governo, ao final aprovado por mais de 80% da população - o mesmo contingente de eleitores que votou agora nos candidatos dos partidos por ele apoiados.
Enganei-me ao prever que teríamos alguns dias de trégua neste feriadão. Esta é uma guerra sem fim. Quanto mais perdem, mais furiosos ficam, inconformados com a realidade que não se dobra mais aos seus canhões midiáticos movidos a intolerância e manipulação dos fatos.
O país em que eles mandavam não existe mais.
Leia Mais ►

DEM e PSDB negam pedido para investigar Lula

Em nota, PPS afirmou que, junto dos dois partidos, formalizaria pedido na próxima terça
O presidente do DEM, senador José Agripino (RN), e o líder do PSDB na Câmara, Bruno Araújo (PE), negaram a intenção dos dois partidos de recorrer ao Ministério Público pedindo abertura de investigação para apurar a participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no esquema do mensalão. Mais cedo, o presidente do PPS, deputado Roberto Freire (SP), divulgou nota afirmando que os três partidos formalizariam o pedido na próxima terça-feira, com o protocolo da representação na Procuradoria-Geral da República.
"É muito prudente aguardar uma manifestação do procurador-geral da República antes de fazer qualquer coisa", afirmou Bruno Araújo. Agripino Maia concorda. No mesmo sentido, o presidente do DEM considerou que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, está levando adiante o processo envolvendo as declarações de Marcos Valério.
Ao saber da negativa dos dois partidos, Roberto Freire reagiu: "Se eles não quiserem entrar, é problema deles. Não tem de esperar mais nada". O presidente do PPS disse que havia combinado com os dois outros partidos de oposição esperar o julgamento do mensalão para pedir a abertura de investigação de eventual participação de Lula no esquema.
No Estadão
Leia Mais ►

De Ferro e de Flor

 Assista o Documentário 


..
No De ferro e de flor
Leia Mais ►

Caso Valério: Quem foi a fonte de Veja?

 
Estão muito estranhas as datas e não datas destes depoimentos, entrevistas e fax. Procurando entre as várias reportagens sobre o assunto que saíram na quinta-feira, dia 1º, pode-se fazer uma colagem interessante e verificar que realmente “existe algo de podre no reino da Vejalândia.”
Revista Veja: Entrevista “bomba” saiu no sábado, 15 de setembro de 2012, e já se tinha notícia da tal fato desde dia 13 de Setembro (blogs falam muito).
O Portal Terra afirma com clareza que o fax para o STF foi enviado em 22 de setembro de 2012, sábado seguinte à entrevista “bomba”, ou seja uma semana após (clique aqui).
Fausto Macedo de O Estado de S.Paulo, também de quinta-feira, dia 1º, traz sobre o depoimento sigiloso e encontramos diversas contradições justamente neste texto. Vamos lá:
1. Fausto diz “[...] prestou depoimento ao Ministério Público Federal no fim de setembro [...]”.
2. Fausto diz a seguir: “[...] Dias depois do novo depoimento, Valério formalizou o pedido para sua inclusão no programa de testemunhas enviando um fax ao Supremo Tribunal Federal [...]”.
Fica a questão: se Marcos Valério mandou o fax depois do depoimento, o que todos os sites concordam, ele não poderia ter dado seu depoimento “no fim de setembro” e sim antes de 22 de setembro, o que convenhamos não é o fim, era uma semana antes.
Em outro texto do jornal Estadão temos mais lenha para esta fogueira de datas: “Em 22 de setembro, pouco depois de ter prestado o novo depoimento ao Ministério Público, um fax subscrito por Marcelo Leonardo, advogado de Valério, foi enviado ao Supremo com pedido para que o empresário pudesse dar detalhes sobre o que havia dito em troca de ser incluído no programa de proteção à testemunha. O fax de Valério também fazia referência à possibilidade da delação premiada.”
Finalmente a revista Veja publica também na quinta-feira, dia 1º, um texto a respeito do assunto e diz: “Em sua edição desta semana, Veja revela que Marcos Valério, o operador do mensalão, informou ao Supremo Tribunal Federal (STF), por meio de um fax enviado à Corte em 22 de setembro, seu desejo de prestar novas declarações ao tribunal sobre o esquema [...]. O fax foi encaminhado ao Ministério Público (MP) pelo presidente do STF, Carlos Ayres Britto. Pouco depois, Valério prestou novo depoimento ao MP [...]”.
Afinal, quantos depoimentos Marcos Valério deu ao MPF?
Neste mesmo texto ainda há algo intrigante:
Investigadores ouvidos pela publicação disseram que Valério informou o MP a respeito de outras remessas feitas ao exterior durante a vigência do esquema de corrupção, além das julgadas pelo Supremo. No julgamento do mensalão, a Corte analisou vários pagamentos feitos a Duda Mendonça no exterior, e acabou absolvendo o publicitário. A íntegra do depoimento de Valério é mantida sob sigilo. Ao informar à Procuradoria já ter sido ameaçado de morte, o operador do mensalão citou o caso do assassinato de Celso Daniel, ex-prefeito de Santo André, em São Paulo.”
Semanas antes do depoimento, Veja publicara em reportagem um resumo dos segredos do mensalão até então guardados por Valério.
Ficam as perguntas:
– Que investigadores são estes que falam a Veja de depoimentos sob sigilo?
– “Semanas antes do depoimento [...]”, quem está mentindo, pois se o fax foi enviado em 22 de setembro e a reportagem saiu dia 15 de setembro (sabia-se antes dia 13 sobre a mesma), o período é de menos de uma semana entre reportagem “bomba” e fax para o STF e no meio disso tem o depoimento ao MPF e a briga intestina do advogado com a revista logo após a reportagem “bomba”.
Fica muito evidente que se a entrevista “bomba” saiu logo após o depoimento de Marcos Valério ao MPF. Se isso ocorreu, a fonte de Veja está dentro do MPF e aí…
Finalizando, a data do depoimento é fundamental para sabermos se o MPF é ou não a fonte de Veja.
Alberto Porém Júnior
No Limpinho & Cheiroso
Leia Mais ►

Charge online - Bessinha - # 1556

Leia Mais ►

Saldo eleitoral

Embalados pela grande vitória obtida no primeiro turno, o Partido dos Trabalhadores e seus aliados confirmaram no último domingo um desempenho que os transforma nos grandes vencedores das eleições municipais deste ano.
O único partido a crescer a cada nova eleição, o PT somou ao excelente resultado da primeira etapa a conquista de oito grandes cidades, consagrada com a vitória de Fernando Haddad em São Paulo.
As vitórias nas capitais São Paulo, Rio Branco e João Pessoa — derrotando o PSDB —, em Guarulhos, Santo André e Mauá — as duas últimas especialmente importantes, por fazerem parte da região do ABCD paulista, berço do partido — e em Niteroi (RJ) e Vitória da Conquista (BA) levarão o PT a governar, a partir de 2013, com 37,1 milhões de brasileiros, dentre os quais 20,4 milhões concentrados nas 83 maiores cidades do país.
Nesses grandes centros urbanos, os petistas são seguidos pelo PSB, que governará para 10,6 milhões, pelo PMDB, para 9,7 milhões e pelo PSDB, para 9,4 milhões.
Esse resultado singular do PT, a despeito de todo empenho e apostas negativas da oposição e da grande mídia, teve em São Paulo a sua conquista mais emblemática.
Pela terceira vez desde a redemocratização, o partido estará no comando da principal cidade brasileira. O prefeito eleito tem muitos desafios para frente, mas está determinado a inserir a capital paulista no grande projeto nacional de desenvolvimento desencadeado no país a partir de 2003.
O avanço do PT de duas para nove cidades na região paulista do Vale do Paraíba, berço político do governador Geraldo Alckmin, e a maior votação entre os partidos em Minas Gerais, reduto do senador Aécio Neves (PSDB-MG), também são bastante significativos.
Já o desempenho do partido na região Nordeste — onde, apesar das campanhas vitoriosas no interior dos Estados, perdeu nas capitais Fortaleza, Recife e Salvador —, precisa ser avaliado.
Sobre os outros partidos há os que cresceram, como o PSB, e os que amargaram contundentes derrotas, como é o caso do PSDB.
O PMDB teve bom desempenho. Ainda que tenha perdido em Florianópolis e Campo Grande, elegeu o prefeito de Boa Vista e teve sua vitória mais expressiva no Rio de Janeiro, com a reeleição de Eduardo Paes.
O PSB foi de fato o segundo mais vitorioso destas eleições e sai fortalecido com a conquista de seis capitais, depois de levar Fortaleza, Cuiabá e Porto Velho no segundo turno.
O PDT também obteve um saldo positivo e administrará três capitais — Porto Alegre, Curitiba e Natal —, enquanto o PSD, partido recém fundado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, venceu apenas em Florianópolis, capital do Estado que já administra.
Kassab, aliás, foi um dos grandes perdedores destas eleições. Além do desempenho pífio de seu partido e da derrota de José Serra, candidato que apoiou e de quem “herdou” a prefeitura, deixa o cargo com uma das maiores rejeições e piores avaliações de todo país.
Já o DEM ganhou sobrevida com as vitórias de Aracajú e Salvador, onde o carlismo renasce.
O PSDB foi, sem dúvidas, o partido que mais acumulou desgastes. Apesar de vencer em Manaus, Belém e Teresina, os reveses sofridos em Rio Branco, João Pessoa, São Luis e, especialmente, em São Paulo e Vitória imprimem aos tucanos perdas que os obrigarão a repensar suas estratégias.
O principal partido de oposição perdeu massa de votos (queda de 5,02% ante 2008) número de prefeituras e de vereadores e foi literalmente varrido das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
Em São Paulo, a derrota do partido e, em particular, de José Serra, diz muito sobre a rejeição a um discurso reacionário e conservador, muito mais empenhado em desconstruir adversários do que em apresentar um projeto alternativo com propostas para solucionar problemas concretos.
Em contrapartida, a vitória do PT nas urnas não se restringe aos números. Trata-se da vitória política de um projeto que, na última década, tem transformado o país e tem ampla aprovação popular.
Aprovação que se confirma e que não pode ser atribuída apenas às suas principais lideranças. É uma vitória do partido, que sobrevive ao bombardeio midiático e renasce, cresce, se renova.
A força de sua militância e o profundo enraizamento social do PT em todo o país são as principais razões de seus sucessos eleitorais. Esse é um capital político que, por mais que insistam, não pode ser subtraído do partido.
O povo brasileiro percebe que há projetos diferentes para o país e está fazendo a sua opção. Por isso, a vitória inconteste do PT e de seus aliados nestas eleições deve ser entendida não apenas como aprovação e apoio, mas, sobretudo, como a expressão do desejo dos brasileiros de avançar para superar as desigualdades e os muitos problemas que ainda temos, a fim de construirmos uma nação plenamente desenvolvida.
José Dirceu
Leia Mais ►

Golpe: vai faltar combinar com o povo

Quem vai explicar a eles a moderníssima teoria do “Domínio de Fato”?
Durante a última campanha eleitoral, estive em 3 comícios. Menos por entender que minha presença faria a diferença e mais para rever a militância, sentir a vibração “offline” da campanha de Haddad pelas ruas de São Paulo. Aventura que remeteu-me aos idos anos 80, quando o PT ainda cheirava leite.
Naquela época éramos, idealistas e apaixonados por uma causa que só se concretizaria em 2002. Embora houvessem muitas subdivisões e linhas de pensamento na esquerda – desde os que participaram da luta armada contra o regime militar até os estudantes de classe média da USP – naquele momento, todos convergeram à ideia central, a construção e o fortalecimento do Partido dos Trabalhadores.
Talvez o PT tenha sido o único partido que foi construído por uma ampla maioria de forças populares em torno das quais gravitaram outras forças menores, não menos importantes. O partido definiu-se a partir de um amplo debate, reunindo as melhores cabeças da esquerda, lideranças sindicais de todas as categorias de trabalhadores, políticos, artistas, intelectuais, educadores etc. Mas, essencialmente, o PT seguiria sua vocação para ser um partido de massas. E Lula era o líder, o candidato natural para disputar eleições.
De lá para cá, a história do partido coleciona muitas vitórias e algumas derrotas, muitos acertos e alguns erros e, mais do que tudo, é uma história de crescimento em tamanho e importância tanto no Brasil, como em toda a América do Sul.
A militância que encontrei nos comícios não é mais a mesma que conheci na minha juventude. O PT não tem mais a cara da USP, dos artistas, dos intelectuais e dos sindicalistas do ABC. Não vi nenhum “curioso”, o tipo que não sabe o que está acontecendo ao redor, mas entra no “clima da festa”.
O PT de hoje, tem a cara do povão. O que vi nos comícios eram pessoas que estavam lá marcando seu território, ocupando o espaço e mostrando ao palco que a platéia é o verdadeiro centro do poder. Gente que descobriu sua cidadania e agarrou-se a ela com unhas e dentes e, por isso mesmo, têm muito a perder. E essas pessoas amam Lula. Festejaram muito as vitórias do PT em todo o Brasil, embora o PiG tenha escondido sua alegria.
Os golpistas estão aí, conspirando no subsolo fedorento das redações do PiG e da bancada do Jornal Nacional, transformando o STF na casa da mãe Joana do anti-petismo.
Deram com os burros n’água na campanha “mensalão na eleição” e ainda não foi dessa vez que o PT foi apagado do mapa. Ao contrário, foi campeão nas urnas, como se viu. Mas parece que isso não abalou o projeto dos barões da mídia. O golpe é um só: destruir o mito. Sem isso, sem chance. Vão tomar um vareio a cada dois anos.
O julgamento da 470 foi só o primeiro passo. Para chegar até Lula, precisam condenar Dirceu e Genoino e dar ares lógicos ao delírio que tentam vender à opinião pública. Para condená-los é preciso rasgar a Constituição. E para rasgar a Constituição, é preciso combinar com Deus – o único que não deve satisfações a ninguém sobre suas decisões. Neste caso, Deus é o STF – que “condena certo por suposições tortas”.
A pena de Marcos Valério somou 40 anos de cadeia – embora, na prática, a Constituição determine que, seja lá qual for o crime, não ultrapasse 30 anos, com direito a sair por bom comportamento depois de cumprir 1/6 da pena (se é justo ou não, são outros quinhentos). Mesmo assim, a sentença de Valério é mais severa, por exemplo, que a do casal Nardoni que pegou 26 anos de cadeia por ter jogado a filha pela janela do apartamento ou a da moça Richthofen, que pegou 39 anos pela encomenda do assassinato a pauladas dos próprios pais. A intenção aí é de superfaturar a condenação de Valério. Fazer seu crime parecer mais grave que os mais hediondos.
Mesmo tendo sido condenado, Marcos Valério está sofrendo tortura psicológica. Está sendo coagido a atender às exigências dos golpistas e trazer Lula para a cena de um crime que não se provou. Usam de ameaças de morte, bloqueio dos bens de toda a família, multa de quase 1 milhão de reais… É o pau de arara do século 21. Se ele ceder, fazem-no assinar um documento acusando Lula e dão um sumiço nele no programa de proteção às testemunhas.
Mas pelo que vi nos comícios e pelo sentimento geral da maioria do povo brasileiro expresso seguidamente nas Urnas e nas pesquisas de popularidade de Lula e Dilma, é melhor pensarem mil vezes antes de darem esse bote traiçoeiro. Porque o efeito pode ser devastador para o país. Com STF e tudo!
Mais uma vez: o Brasil não é Paraguai, Honduras ou Venezuela (com todo respeito a seus povos).
Blogueiro do esgoto do PiG xingar políticos do PT e internautas petistas, é normal. Também é xingado por todos eles. Jornal mentir, manipular e atacar o PT, é normal. São desmentidos na hora por mídias alternativas que assistem de camarote à sua decadência moral e financeira.
Agora, vá o Reinaldo Azevedo à Zona Leste, chamar aquela gente de petralha e falar mal de Lula. Vá até a periferia, avisar que pretendem prender Lula. Experimentem fazer isso, Augusto Nunes, Noblat, Merval, Kamel, Policarpo Jr e espécies similares. Entrem na quadra lotada da Gaviões da Fiel e gritem “viva o Palmeiras”.
Precisa desenhar?
Torcendo aqui para que os capas-pretas desembarquem dessa canoa que segue perigosamente em direção ao precipício da convulsão social. Acreditem: se tocarem no Lula, sob qualquer pretexto, (não sou eu quem ameaça) o povo não assistirá calado. Não dessa vez. Eu vi em seus olhos.
No O que será que me dá?
Leia Mais ►

Os vencedores, ainda

Manda a tradição que o eleitor brasileiro vote em pessoas em lugar do ideário deste ou daquele partido. De resto, os partidos nas nossas latitudes sempre funcionaram como clubes recreativos de uma ou outra turma graúda. Se alternativa digna houve, foi o PT, mas durou pouco. No poder, portou-se como os demais.
Unidos. A maior personalidade da história política brasileira
e quem lhe segue os passos.
Foto: José Cruz/ABr
Deste ponto de vista, as eleições municipais recém-encerradas com o segundo turno mantiveram-se no leito antigo. Mudou, porém, o peso das lideranças capazes de influência decisiva. Lideranças autênticas, diferentes daquelas forjadas pelo populismo mais desbragado, tão frequentes no passado, mesmo recente. Refiro-me, em primeiro lugar, ao ex-metalúrgico e ex-presidente Lula, que evoluiu do palanque da Vila Euclydes para a plateia mundial.
Neste pleito, Lula confirmou o que já é do conhecimento até do mundo mineral, tirante a mídia nativa. Trata-se da personalidade mais forte da história política do País, sua popularidade, avassaladora, supera inclusive aquela de Getúlio Vargas. Dilma Rousseff segue-lhe os passos. A afirmação peremptória dos candidatos da chamada base aliada resulta antes de mais nada da boa atuação do seu governo.
Outras figuras começam a ganhar dimensão nacional, como Eduardo Campos e Cid Gomes, enquanto o momento projeta naturalmente o nome de Aécio Neves, em quem há tempo CartaCapital reconhece autoridade e tino para conduzir uma oposição moderada e responsável, conforme as conveniências da democracia.
Neste terreno o Brasil ainda engatinha. Não basta a realização periódica de eleições para provar a maioridade democrática. Outros fatores surgidos nos últimos dez anos deságuam, contudo, em importantes avanços, não somente a caminho de uma sociedade menos injusta, mas também na conquista da consciência da cidadania por um número crescente de brasileiros. É quanto transparece dos resultados deste pleito municipal, bem menos provinciano e mais significativo do que se podia imaginar.
A mídia nativa é a primeira derrotada no embate, antes que o PSDB paulista e o PT baiano. O espetáculo encenado pelos barões midiáticos e seus cortesãos na tentativa de mascarar a verdade proporcionou momentos de involuntário hu­morismo à altura do teatro do absurdo, sobretudo na linha de Ionesco, embora sem esconder a expectativa da súbita chegada de Godot, segundo Beckett. José Serra seria Godot?
Não se exclua a possibilidade, a considerar o tom de editoriais, colunas, artigos, rubricas. No sábado 27, o editorial de um jornalão estampava como título: “Resistir é preciso”. De volta de uma viagem ao exterior, ausente havia duas semanas, sofri um abalo sísmico entre o fígado e a alma. Supus que a revolução vermelha batesse às portas liderada por Fernando Haddad. Tragicômico destino de uma direita tão extremada, tão anacrônica, tão romneyana (de Romney) a ponto de soçobrar nas ondas do ridículo atroz. Espetáculo a seu modo magnífico, por obra da incapacidade dos protagonistas de perceber a enrascada patética (do Pateta de Walt Disney, herói da Editora Abril) em que se atiraram.
Dou agora com a soturna expressão dos bairros paulistanos, ditos nobres não se sabe por quê. Varridos pelo siroco de um eterno temor e pela aspiração a se instalarem, pelo menos no modus operandi, entre Coral Gables e Dubai. Abastecidos com solércia inaudita pelos evangelhos midiáticos. E agarrados à lembrança de Fernando Henrique Cardoso e à esperança vã da vitória de José Serra. Estes ninhos tucanos estão mais para aqueles das andorinhas doentes, iguaria da cozinha chinesa. Altamente recomendados para o cardápio dos barões midiáticos.
É o ocaso de um PSDB que já foi de André Franco Montoro e Mário Covas e foi entregue ao cabo a um cínico e um obsessivo e, sustentado pela fanfarra dos jornalões e revistões, passou a cuidar dos negócios dos vetustos donos do poder. O mesmo que o cínico e o obsessivo diziam combater nos seus anos verdes. É nesta moldura que a ribalta cabe a Aécio, capa desta edição.
Mino Carta
No CartaCapital
Leia Mais ►

A volta do filho (de papai) pródigo ou a parábola do roqueiro burguês

Nem todo direitista é derrotista, mas todo derrotista é direitista. Reparem no capricho do léxico: as duas palavras são quase idênticas. Ambas têm dez letras, soam similares e até rimam. Se você tem dúvida se alguém é de direita observe essas características. Começou a falar mal do Brasil e dos brasileiros, a demonstrar desprezo por tudo daqui, a comparar de forma depreciativa com outros países, é batata. Derrotista/direitista detectado.
Temos hoje no Brasil duas personalidades célebres pelo derrotismo explícito e pelo direitismo não assumido: os roqueiros Lobão e Roger Moreira, do Ultraje a Rigor. Eu ia citar também Leo Jaime, outro direitoso do rock nacional, mas não posso classificá-lo como um derrotista típico –fora isso, no entanto, cabe perfeitamente no figurino que descreverei aqui. Os três são cinquentões: Lobão tem 57, Roger, 56 e Leo, 52.
Da geração dos 80, Lobão sempre foi meu favorito. Eu simplesmente amo suas canções. Para mim, Rádio Blá, Vida Bandida, Vida Louca Vida e Decadence Avec Elegance são clássicos. Além de Corações Psicodélicos, em parceria com Bernardo Vilhena e Julio Barroso, ai, ai… Adoro. E não é porque Lobão se transformou em um reacionário que vou deixar de gostar. Sim, Lobão virou um reaça no último. Alguém que voltasse agora de uma viagem longa ao exterior ia ficar de queixo caído: aquele personagem alucinado, torto, jeitão de poeta romântico, que ficou preso um ano por porte de drogas, se identifica hoje com a direita brasileira mais podre.
Não me importa que Lobão critique o PT ou qualquer outro partido. O que me entristece é ele ter se unido ao conservadorismo hidrófobo para perpetrar barbaridades como a frase, dita ano passado, em tom de pilhéria: “Há um excesso de vitimização na cultura brasileira. Essa tendência esquerdista vem da época da ditadura. Hoje, dão indenização a quem seqüestrou embaixadores e crucificam os torturadores, que arrancaram umas unhazinhas”. No twitter (@lobaoeletrico), se diverte esculhambando o país e os brasileiros, sempre nos colocando para baixo. “Antigamente éramos um país pobre e medíocre… terrível. Hoje em dia somos um país rico e medíocre… pior ainda”, escreveu dia desses.
Os anos não foram mais generosos com Roger Moreira, do Ultraje. O cara que cantava músicas divertidíssimas como Nós Vamos Invadir Sua Praia, Marylou ou Inútil virou um coroa amargo que deplora o Brasil e vive reclamando de absolutamente tudo com a desculpa de ser “contra os corruptos”. É um daqueles manés que vivem com a frase “imagine na Copa” na ponta da língua para criticar o transporte público, por exemplo, sem nem saber o que é pegar um ônibus. Os brasileiros, segundo Roger, são um “povo cego, ignorante, impotente e bunda-mole”. Sofre de um complexo de vira-lata que beira o patológico. Ao ver a apresentação bacana dirigida por Daniela Thomas ao final das Olimpíadas de Londres, tuitou, vaticinando o desastre no Rio em 2014: “Começou o vexame”. Não à toa, sua biografia na rede social (@roxmo) é em inglês.
Muita gente se pergunta como é que isso aconteceu. O que faz um roqueiro virar reaça? No caso de ambos, a resposta é simples. Tanto Roger quanto Lobão são parte de um fenômeno muito comum: o sujeito burguês que, na juventude, se transforma em rebelde para contrariar a família. Mais tarde, com os primeiros cabelos brancos, começa a brotar também a vontade irresistível, inconsciente ou não, de voltar às origens. Aos poucos, o ex-revoltadex vai se metamorfoseando naqueles que criticava quando jovem artista. “Você culpa seus pais por tudo, isso é um absurdo. São crianças como você, é o que você vai ser quando você crescer” – Renato Russo, outro roqueiro dos 80′s, já sabia.
O carioca Lobão, nascido João Luiz Woerdenbag Filho, descendente de holandeses e filhinho mimado da mamãe, estudou a vida toda em colégio de playboy, ele mesmo conta em sua biografia. O paulistano Roger estudou no Liceu Pasteur, na Universidade Mackenzie e nos EUA. Nada mais natural que, à medida que a ira juvenil foi arrefecendo – infelizmente junto com o vigor criativo – o lado burguês, muito mais genuíno, fosse se impondo. Até mesmo por uma estratégia de sobrevivência: se não estivessem causando polêmica com seu direitismo, será que ainda falaríamos de Roger e Lobão? Eu nunca mais ouvi nem sequer uma música nova vinda deles. O Ultraje, inclusive, se rendeu aos imbecis politicamente incorretos e virou a “banda do Jô” do programa de Danilo Gentili.
Enfim, incrível seria se Mano Brown ou Emicida, nascidos na periferia de São Paulo, se tornassem, aos 50, uns reaças de marca maior. Pago para ver. Mas Lobão e Roger? Normal. O bom filho de papai à casa torna. A família deles, agora, deve estar orgulhosíssima.
Cynara Menezes
No Socialista Morena
Leia Mais ►

A grande mídia e a corrupção do espaço público

 Artigo de 22.08.2011 
Corrupção! Essa é a palavra-chave que tem pautado o noticiário político nacional. Qualquer pessoa que abre as páginas dos jornalões e das revistas semanais de maior circulação no país, ou que acompanha o noticiário televisivo, não tem como fugir da enxurrada de matérias jornalísticas e textos de opinião sobre o tema. A corrupção foi guindada à condição de questão maior da política brasileira nesse começo de governo Dilma, e a grande mídia parece muito empenhada em insuflar essa agenda.
Tão empenhada que até começou a empregar a expressão “faxina” associada a uma suposta luta contra a corrupção que a presidenta “deveria” liderar. Ainda que o governo resista a adotar tal metáfora de gosto duvidoso, e de memória dolorosa, ele está sendo chamado a responder incessantemente às demandas dessa pauta.
Tem mais. O tema da corrupção carrega o potencial de produzir uma sensação de perplexidade entre o público de orientação progressista. Tal perplexidade é até compreensível, mas ela é muito perigosa e para ser superada deve ser antes bem compreendida. A perplexidade é uma condição marcada pela incapacidade de se tomar uma decisão, incapacidade mesmo de agir, de tomar partido, etc. Perante o tema da corrupção, o cidadão progressista, ou de esquerda, se me permitem o uso do termo, tem frequentemente uma reação imediata de repúdio. Ora, em seu sentido mais corrente, o termo denota a roubalheira, a apropriação privada de patrimônio público, o uso de cargo público para enriquecimento privado, tráfico de influência, troca de favores etc. Essa lista poderia se estender bastante. É claro que todo mundo que é a favor de uma maior igualdade, de mais justiça social, não pode ser a favor do desvirtuamento da máquina e recursos estatais, que são os meios precípuos para se promover tais fins.
O problema de sermos tomados pela perplexidade é não percebermos a natureza de quem faz o agendamento: a grande mídia. A menos de um ano atrás a mesma mídia agia em bloco como partido político bombardeando a candidatura da atual presidenta, misturando fatos reais a ilações falaciosas e, mais importante, rasgando todos os manuais de boa conduta jornalística. Contra o candidato da oposição, quase nada foi aventado, com raríssimas exceções e mesmo assim já no final da campanha.
O estelionato eleitoral foi evitado pelo voto popular, mas os órgãos da grande mídia, de cá para lá, continuam os mesmos, com os mesmos poucos donos, os mesmos editores e colunistas conservadores, os mesmo jornalistas. E esse constitui o principal problema da democracia brasileira atual: a corrupção do espaço público.
A grande mídia ainda é responsável em boa medida pela informação da maior parte da população, e, dessa maneira, é influente na formação da opinião pública. Por mais que os grandes jornais tenham perdido um pouco de seu poder de agendamento, que o mito dos “formadores de opinião” da classe média tenha sido desmontado na prática, ainda resta a mídia televisiva, que alcança toda a sociedade. E a classe média continua sob a influência diuturna das revistas e jornais dos grandes conglomerados de mídia brasileiros. Temos aqui uma tensão estrutural em uma sociedade que ao mesmo tempo democrática e capitalista.
A propriedade privada dos meios de comunicação, particularmente em seu formato oligopolizado, conduz à usurpação do espaço público em prol dos interesses dos poucos grupos que detém os meios. Na prática, os proprietários tem poder de veto e de agenda sobre tudo o que é informado ao público. É claro que poderíamos imaginar hipoteticamente situações em que o conflito de interesses e de posições ideológicas entre diferentes grupos dentro do oligopólio abra espaço para certa diversidade de opiniões.
Infelizmente, não é isso que se observa em nosso país. Pelo contrário, há um grande alinhamento ideológico entre os principais grupos de mídia, a despeito da competição entre eles em diferentes mercados, como provimento de serviços de internet, TV a cabo etc. Na última eleição agiram de fato como bloco de oposição, comportamento que levou alguns comentaristas a apelida-los coletivamente de “partido da mídia”.
O problema é que finda a eleição, as pessoas parecem que se esqueceram da terrível tragédia que quase se consumou e passaram a tratar a grande mídia como fiel sustentáculo do debate público democrático. Não é! Abram as páginas dos principais jornais e revistas semanais de nosso país e verão que ali geralmente só há um lado da história, somente um pequeno punhado de ideologias afins e silêncios retumbantes. Políticos que são criticados veementemente e outros contra os quais nada se apura.
Ou seja, a corrupção do espaço público é o calcanhar de Aquiles da democracia brasileira, e esse é um calcanhar enfraquecido, luxado, distendido. Sem um sistema de informação plural e responsável não teremos uma formação saudável da opinião pública. Sem uma opinião pública bem informada como poderemos esperar o aprimoramento das instituições, o avanço das questões normativas que se colocam constantemente perante uma sociedade democrática (proibição do porte de armas, aborto, eutanásia, bioética etc) e mesmo a eleição de melhores quadros de representantes?
Mas o noticiário político, por razões óbvias de conflito de interesses, é totalmente impermeável a esse problema fundamental. Pior, toda vez que alguma associação, partido ou político se aventa a criticar o oligopólio midiático, são imediatamente acusados de violarem o princípio fundamental da liberdade de expressão.
Aqui estamos, mais de seis meses se passaram desde a posse da nova presidenta. A grande mídia continua unida, agora sob a égide do combate à corrupção. Querem agendar o debate político, e, claro, agendar o próprio executivo. Trata-se de fato de uma armadilha, pois é agenda eminentemente negativa e com grande potencial de corroer a base de sustentação partidária do executivo no congresso. A presidenta Dilma parece já ter percebido que está sendo atraída para tal armadilha. Sua resposta tem sido não ignorar a pauta completamente, e ao mesmo tempo tentar criar uma agenda positiva de novos programas governamentais e iniciativas de desenvolvimento. A questão é: qual a probabilidade de tal estratégia funcionar se a questão principal, que é a corrupção do espaço público sob o oligopólio da grande mídia, não é atacada? E nesse tocante o governo parece estar na defensiva, pois desde que tomou posse Dilma não manifestou vontade de trabalhar para mudar esse calamitoso estado de coisas.
Para além do problema conjuntural, devemos perguntar até que ponto a democracia brasileira pode continuar se aprimorando se no cerne de seu funcionamento temos um problema dessa monta. Seria ele intratável? Estaríamos fadados a presenciar a fascistização crescente da classe média, logo agora que ela se abre para receber um enorme contingente de brasileiros? Será que a internet, com seu grande potencial de pluralização de fontes de informação, pode nos salvar? Essas são questões fundamentais para o futuro de nosso país. Infelizmente, pouca gente parece interessada em refletir sobre elas.
João Feres Júnior | Instituto de Estudos Sociais e Políticos – IESP | Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ | Centro de Ciências Jurídicas e Políticas – UNIRIO
Leia Mais ►

Charge online - Bessinha - # 1555

Leia Mais ►

O tratamento de Joaquim Barbosa

Leia Mais ►

Na OEA, Brasil afirma que resistência seguida de morte é 'homicídio'

Entidades avaliam em audiência na Comissão Interamericana que esforços feitos pelo país são bons, mas insuficientes; governo federal quer acabar com manipulação de boletins de ocorrência
Na OEA, Brasil afirma que resistência seguida de morte é 'homicídio'
Para o Cejil, um dos responsáveis pelo pedido de audiência, 
falta controle externo ao trabalho das polícias 
(Foto: Marcelo Camargo. Agência Brasil)
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) ouviu hoje (1º) em Washington, nos Estados Unidos, representantes do Estado brasileiro sobre os casos de violência praticados pelas forças policiais no país. A audiência foi requisitada por organizações da sociedade civil, como o Centro pela Justiça e Direito Internacional (Cejil), que expuseram às autoridades da CIDH os problemas relacionados à letalidade das polícias militares no Brasil e as dificuldades de apurar os crimes cometidos pelos agentes do Estado.
Após ouvir as críticas apresentadas por defensores dos direitos humanos no país, os comissionados abriram espaço para que o Estado brasileiro pudesse apresentar as ações que têm sido tomadas no sentido de combater os abusos policiais. “Reconhecemos que existe, não negligenciamos a realidade e queremos enfrentá-lo“, afirmou Augusto Rossini, diretor do Departamento Penitenciário Nacional, órgão ao Ministério da Justiça. “O Brasil vem fazendo esforços pra evitar a letalidade e criar um sistema eficaz para combater essas ocorrências, que tanto nos entristecem.”
Rossini citou o trabalho de qualificação das forças policiais que o Ministério da Justiça vem promovendo para capacitar os agentes públicos sobre a necessidade de conter o uso da força ao abordar os cidadãos. “Temos uma política de qualificação, além de investimentos de R$ 12,5 milhões aos estados da Federação para aquisição de armas não letais. Em 2012, com mais recursos no orçamento, já entregamos tasers [pistolas elétricas] e outros instrumentos no valor de R$ 10 milhões”, enumera o diretor do Departamento Penitenciário Nacional. “Isso mostra nossa boa vontade para enfrentar a questão.”
Durante sua intervenção, Augusto Rossini lembrou que o Ministério da Justiça está tentando eliminar dos boletins de ocorrência e dos registros policiais o termo “resistência seguida de morte”. É uma figura que não existe juridicamente e que, em teoria, não pode ser utilizada como causa da morte de cidadãos pelas forças policiais. “A terceira edição do Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH3), apresentado no final de 2010, já recomenda o fim do emprego de expressões genéricas”, disse. “Resistência seguida de morte é homicídio. Deve haver essa clareza.”
A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República abriu em outubro consulta pública sobre a questão da resistência seguida de morte. A intenção da ministra Maria do Rosário é garantir, pela legislação, o fim deste expediente, utilizado para ocultar a ocorrência de homicídios cometidos por policiais.
Durante a audiência, o diretor do Departamento Penitenciário Nacional citou ainda a aprovação da Lei de Acesso à Informação e a tramitação de projetos de lei que pretendem aumentar o rigor das investigações sobre crimes empreendidos pelas forças de segurança. “No Brasil, a investigação das mortes cometidas por policiais militares é de atribuição do Batalhão e, depois, da Polícia Civil”, lembra. “Deve haver uma investigação só, por uma autoridade civil. Não há como seccionar.”
A diretora do Cejil, Beatriz Affonso, uma das responsáveis pela petição que originou a audiência com o Estado brasileiro na CIDH, afirmou que, apesar de todos os esforços governamentais, “que reconheço e parabenizo”, as instituições de controle externo e interno das polícias militares não têm funcionado. “Gostaríamos de um posicionamento do Estado”, pediu. “Entendemos que existem medidas para o Ministério Público que devem ser adotadas de forma institucional. A medida que o MP tiver que prestar contas públicas sobre sua não atuação, isso vai gerar reações diferenciadas.”
Leia Mais ►

A sinuca americana

Os Estados Unidos advertiram o governo de Israel contra seu projeto de ataque preemptivo às instalações nucleares do Irã, conforme noticiou The Guardian, em sua edição de quarta-feira. O aviso não foi das autoridades civis de Washington e, sim, dos comandantes das tropas militares norte-americanas em operação na região do Golfo — o que, ao contrário do que se pode pensar, é ainda mais sério. O argumento dos militares é o de que esse ataque, além de não produzir os efeitos desejados — porque o Irã teria como retomar o seu programa nuclear — traria dificuldades políticas graves aos aliados ocidentais na região, sobretudo a Arábia Saudita e os Emirados Árabes — de cujo abastecimento direto depende a 5ª Frota e as bases das forças terrestres e aéreas que ali operam.
Embora as dinastias árabes pró-ocidentais temam o poderio militar do Irã, temem mais a insurreição de seus súditos, no caso de que se façam cúmplices de novo ataque a outro país muçulmano. Nunca é demais lembrar que os Estados Unidos e a Europa dependem também do petróleo que passa pelo golfo e atravessa o Canal de Suez, controlado pelo Egito.
Há, nos Estados Unidos — e, entre eles, alguns estrategistas do Pentágono — os que pensam ser hora de ver em Israel um país como os outros, sem a aura mitológica que o envolve, pelo fato de servir como lar a um povo milenarmente perseguido e trucidado pela brutalidade do nacional-socialismo. Uma coisa é o povo — e todos os povos têm, em sua história, tempos de sacrifício e de heroísmo, embora poucos com tanta intensidade quanto o judeu e, hoje, o palestino — e outra o Estado, com as elites e os interesses que o controlam.
Nenhum outro governo — nem mesmo o dos Estados Unidos — é tão dominado pelos seus militares quanto o de Israel. Eminente pensador judeu resumiu o problema com a frase forte: todos os Estados têm um exército; em Israel é o exército que tem um Estado.
O Pentágono acredita que uma guerra total contra o Irã seria apoiada pelos seus aliados da região, mas os observadores europeus mais sensatos não compartilham do mesmo otimismo. A ofensiva diplomática de Israel na Europa, em busca de apoio para — em seguida às eleições norte-americanas — uma ação imediata contra Teerã, não tem surtido efeito. Londres avisou que não só é contrária a qualquer ação armada mas, também, se nega a permitir o uso das ilhas de Diego Garcia e Ascensão (cedidas pela Inglaterra para as bases ianques no Oceano Índico), como plataforma para qualquer hostilidade contra o país muçulmano.
Negativa da mesma natureza foi feita pela França, que, conforme disse François Hollande a Netanyahu, não participará, nem apoiará, qualquer iniciativa nesse sentido. É possível, embora não muito provável, que Israel conte com Ângela Merkel. Israel tem esperança na vitória de Romney, e a comunidade israelita dos Estados Unidos se encontra dividida. Os banqueiros e grandes industriais de armamento, de origem judaica, trabalham com afã para a derrota de Obama. E há o temor de que, no caso da vitória republicana, os israelitas venham a aproveitar o esvaziamento do poder democrata para o ataque planejado.
Além disso, Netanyahu não tem o apoio unânime entre os militares de seu país para esse projeto. Amy Ayalon, antigo comandante da Marinha, e dos serviços internos de segurança, o Shin Bet, disse que Israel não pode negar a nova realidade nos países islâmicos: “Nós vivemos — avisa — em novo Meio Oriente, onde as ruas se fortalecem e os governantes se debilitam”. E vai ao problema fundamental: se Israel quer a ajuda dos governos pragmáticos da região, terá que encontrar uma saída para a questão palestina. É esta também a opinião, embora não manifestada com clareza, do governo de Obama, de altos chefes militares americanos, e dos círculos mais sensatos da comunidade judaica naquele país.
O fato é que os Estados Unidos se encontram em uma situação complicada. Eles não têm condições militares objetivas para entrar em nova guerra na região, sem resolver antes o problema do Iraque e do Afeganistão. Seus pensadores mais lúcidos sabem que invadir o Irã poderá significar a Terceira Guerra Mundial, com o envolvimento do Paquistão no conflito e, em movimento posterior, da China e da Rússia. Washington, na defesa de seus interesses geopolíticos, deu autonomia demasiada a Israel, armando seu exército e o ajudando a desenvolver armas atômicas. Já não conseguem controlar Tel Aviv.
Estarão dispostos, mesmo com o insensato Romney, a partir para uma terceira guerra mundial? No tabuleiro de xadrez, se trata de “xeque ao rei”; na mesa de bilhar, de sinuca de bico.
Leia Mais ►

Quem não tem voto caça com Valério

 
O alvoroço provocado pela notícia de que Marcos Valério pode ter informações comprometedoras contra Lula, Antônio Palocci e até sobre o caso Celso Daniel chega a ser vergonhoso.
Desde a denúncia de Roberto Jefferson que Valério tem demonstrado grande disposição para colaborar com a polícia.
Foi ele quem entregou a relação de 32 beneficiários das verbas do mensalão, inclusive Duda Mendonça.
Conforme os advogados de um dos réus principais, ao longo do processo Valério fez quatro tentativas de oferecer novas delações em troca de uma redução de sua pena. As quatro foram rejeitadas.
O estranho, agora, não é a iniciativa de Valério, mais do que compreensível para quem se encontra numa situação como a sua. Não estou falando apenas dos 40 anos de prisão.
As condenações de José Dirceu e José Genoíno se baseiam em “não é possível que não soubessem”, “não é plausível”, “um desvio na caminhada” e assim por diante.
Eu acho legítimo pensar que deveriam ser questionadas em novo julgamento, o que certamente poderia ser feito se tivessem direito a uma segunda instância, como vai ocorrer com os réus do mensalão PSDB-MG que foram desmembrados nestes “dois pesos, dois mensalões,” na antológica definição de Janio de Freitas.
Parece muito difícil questionar o mérito das acusações contra Valério. Ele participava de um esquema para levantar recursos de campanha. Mas seu interesse era comercial, digamos assim. Pretendia levantar R$ 1 bilhão até o fim do governo, disse Silvio Pereira, secretário geral do PT, em entrevista a Soraya Agege, do Globo, em 2006.
Era o titular do esquema, o dono das agências de publicidade, aquele que recolhia e despachava o dinheiro, inclusive com carros forte e conta em paraíso fiscal.
O estranho, agora, não é o comportamento de Valério. São os outros.
É a torcida, o ambiente de vale-tudo.
Ele teve sete anos para apresentar qualquer informação relevante. A menos que tenha adquirido o costume de criar dificuldades para comprar facilidades até com a própria liberdade, o que não é bem o costume dos operadores financeiros, seu silêncio sugere a falta de fatos importantes para revelar. Ele enfrentou em silêncio a denúncia do primeiro procurador, Antônio Carlos Fernando de Souza, em 2006. Assistiu do mesmo modo à aceitação da denúncia pelo Supremo, em 2007. Deu não se sabe quantos depoimentos a Justiça e a Polícia. Seu advogado, Marcelo Leonardo, um dos mais competentes do julgamento, escreveu não sei quantas alegações finais no STF.
Nem mesmo quando, preso por outras razões, tomava porrada de colegas de presídio numa cadeia, lembrou que podia contar algo para se proteger?
A verdade é que os adversários de Lula não conseguem esconder a vontade de que Valério tenha grandes revelações a fazer. Deveriam estar acima de tudo desconfiados e cautelosos, já que as circunstâncias não garantem a menor credibilidade a qualquer denuncia feita DEPOIS que um réu enfrenta uma condenação de 40 anos e não se vislumbra nenhum atenuante para amenizar a situação.
É preocupante porque nós sabemos que é possível transformar versões falsas em fatos verdadeiros.
Basta que os melhores escrúpulos sejam deixados de lado, as versões anunciadas sejam convenientes e atendam aos interesses de várias partes envolvidas. O país tem uma longa experiência com essa turma. Ela denunciou um grampo telefônico que não houve. Falou de uma conta em paraíso fiscal – do próprio Lula e outros ministros – que eles próprios sabiam que era falsa. Também denunciou uma caixa de dólares enviados do exterior para a campanha de 2002 que ninguém foi capaz de abrir para dizer o que tinha lá dentro.
Na prática, os adversários de Lula querem que Valério entregue aquilo que o eleitor não entregou.
O próprio Valério sabe disso. De seu ponto de vista, qualquer coisa será melhor do que enfrentar uma pena de 40 anos, concorda? Qualquer coisa.
Do ponto de vista dos adversários de Lula, também. Qualquer coisa é melhor do que uma longa perspectiva de derrotas, não é mesmo? Talvez não por 40 anos mas quem sabe mais quatro?
É por isso que os interesses das partes, agora, coincidem. O mocinho da oposição tornou-se Valério.
No mundo do “não é possível”, do “é plausível”, do “não pode ser provado mas não poderia ser de outra forma” as coisas ficam fáceis para quem acusa. A moda ideológica, agora, é acusar de bonzinho quem acha que a obrigação da prova cabe a quem acusa.
E eu, que pensei que a presunção da inocência era um direito constitucional e fazia parte das garantias fundamentais. Mas não. Isso é ser bonzinho, é se fazer de ingênuo.
No novo figurino, as coisas parecem verdadeiras porque não podem ser provadas. É a inversão da inversão da inversão. O movimento estudantil tem uma corrente que se chama negação da negação. Estamos dando uma radicalizada…
A experiência ensina que há um meio infalível de levantar uma credibilidade em baixa. É a ameaça de morte, o que explica a lembrança do caso Celso Daniel.
Os advogados dizem que Valério sofreu ameaças de morte. Já se fala nos cuidados com a segurança pessoal e da família. Também li que a Polícia Federal “ainda“ não decidiu protegê-lo.
Algumas palavras tem importância especial em determinados momentos. A morte de Celso Daniel foi acompanhada por várias suspeitas de crime político mas, no fim de três meses de investigação, a Polícia Civil de São Paulo concluiu que fora crime comum.
Um delegado da Polícia Federal, que seguiu o caso e até participou das investigações a pedido de Fernando Henrique Cardoso, chegou a mesma conclusão. O caso parecia encerrado. Os suspeitos estavam presos, confessaram tudo e aguardavam julgamento. Quem fala em aparelho petista deve lembrar que a investigação tinha o respaldo do comando da polícia do governo Alckmin e da PF no tempo de FHC.
O caso saiu dos arquivos quando um irmão de Celso Daniel alegou que sofria ameaça de morte. Fiz várias entrevistas com familiares e policiais e posso afirmar que nunca ouvi um fato consistente. Nem um grito ameaçador ao telefone. Nem um palavrão no trânsito. Nem um empurrão no bandejão da faculdade.
Nunca. Respeito aquelas pessoas, fomos colegas de luta no movimento estudantil mas aquilo me pareceu uma história sem consistência. Eu ia fazer uma matéria sobre essa denúncia mas aquilo não dava uma linha. Não havia sequer um fato para ser narrado. Nem um boato para ser desmentido. Nada. Fiquei impressionado porque eu havia entrado na história achando que havia alguma coisa, seja lá o que fosse. Nada. Mas a família conseguiu o direito até de viver exilada na França. O caso foi reaberto e, embora uma segunda investigação policial tenha chegado a mesma conclusão, o suspeito de ser o mandante aguarda o momento de ir a julgamento.
Nos últimos meses, com o julgamento no mensalão, os adversários de Lula pensavam que seria possível reverter o ambiente político favorável a Lula, no país inteiro. É este ambiente que coloca a reeleição de Dilma no horizonte de 2014, embora muita enxurrada possa passar por debaixo da ponte. Mas, no momento, essa perspectiva, para a oposição, é insuportável e dolorosa – até porque ela não foi capaz de reavaliar suas sucessivas derrotas do ponto de vista político, não fez um balanço honesto dos acertos do governo Lula, o que dificulta aceitar que o país tem um presidente popular como nenhum outro antes dele, a tal ponto que até postes derrotam medalhões vistos como imbatíveis. No seu apogeu, a ideia de renovação sugerida por FHC foi descartada como proposta petista por José Serra. Assim fica difícil, né.
(Vamos homenagear os postes. Essa expressão foi cunhada por uma das principais vozes da luta pela democratização, Ulysses Guimarães, para quem “poste” era o candidato capaz de representar os interesses do povo e da democracia, mesmo que fosse um ilustre desconhecido. Certa vez, falando sobre a vitória estrondosa do MDB em 1974, quando elegeu 17 de 26 senadores, Ulysses falou que naquela eleição o partido elegeria “até um poste.” Postes, assim, são candidatos que entendem o vento da sua época.)
Semanas antes da eleição do poste Fernando Haddad, o procurador geral Roberto Gurgel chegou a dizer que ficaria muito feliz se o julgamento influenciasse a decisão do eleitor. Muita gente achou natural um procurador falar assim.
Eu não fiquei surpreso porque sempre achei a denúncia politizada demais, cheia de pressupostos e convicções anteriores aos fatos. Eu acho que a denúncia confunde aliança política com compra de votos e verba de campanha com suborno, o que a leva a querer criminalizar todo mundo que vê pela frente – embora, claro, tenha sido seletiva ao separar o mensalão PSDB-MG, como nós sabemos e nunca será demais lembrar. Mas não achei o pronunciamento do procurador natural. Em todo caso, considerando a liberdade de expressão…
Mas a fantasia oposicionista era tanta que teve gente até que se despediu de Lula, lembra?
Embora o julgamento tenha caminhado na base do “não é plausível”, “não poderia ter sido de outro jeito ”e outras considerações pouco conclusivas e nada robustas, faltou combinar com o eleitor.
Em campanha própria, com chapa pura, os adversários de Lula tiveram uma grande vitória em Manaus. Viraram a eleição em Belém onde o PSOL não quis apoio de Lula. Ganharam em Belo Horizonte em parceria com Eduardo Campos, que até segundo aviso é da base de Lula e Dilma.
O PT cresceu no número de prefeituras, no número de votos em escala nacional, e também levou o troféu principal da campanha, a prefeitura de São Paulo. Mesmo com a vitória em Salvador, os partidos conservadores, à direita do PSDB, tiveram a metade do eleitorado reunido em 2008. Isso aí: perderam 50% dos votos.
É neste ambiente que Valério passa ter importância. Quem não tem voto caça com Valério.
Paulo Moreira Leite
No Vamos combinar
Leia Mais ►

Nomes dos Furacões

Os nomes dos furacões e das tempestades tropicais são dados sempre que seus ventos atingem 62 km/h e ao contrário do muita gente pensa, seus nomes não são somente femininos.
Um comitê internacional mantém uma lista de 126 nomes, metade masculinos e metade femininos, que são repetidos em um ciclo de 6 anos.
Furacões violentos
Quando um furacão causa danos excessivos seu nome é retirado da lista.
Desde que foi implantada, 67 nomes já foram retirados. O primeiro a deixar a lista foi Hazel em 1954 e o últimos foram Dennis, Katrina, Rita, Wilma e Stan na violenta temporada de 2005.
Somente 3 furacões categoria 5 atingiram a costa dos EUA no século passado: um deles, sem nome, atingiu a Flórida em 1935, Furacão Camille em 1969 e Furacão Andrew em 1992.
Veja abaixo todos os nomes que já foram retirados da lista pelo comitê internacional:

1954 - Hazel
1954 - Carol
1955 - Connie
1955 - Diane
1955 - Ione
1955 - Janet
1957 - Audrey
1960 - Donna
1961 - Carla
1961 - Hattie
1963 - Flora
1964 - Cleo
1964 - Dora
1964 - Hilda
1965 - Betsy
1966 - Inez
1967 - Beulah
1968 - Edna
1969 - Camille
1970 - Celia
1972 - Agnes
1974 - Carmen
1974 - Fifi
1975 - Eloise
1977 - Anita
1979 - David
1979 - Frederic
1980 - Allen
1983 - Alicia
1985 - Elena
1985 - Gloria
1988 - Gilbert
1988 - Joan
1989 - Hugo
1990 - Diana
1990 - Klaus
1991 - Bob
1992 - Andrew
1995 - Luis
1995 - Marilyn
1995 - Opal
1995 - Roxanne
1996 - Cesar
1996 - Fran
1996 - Hortense
1998 - Georges
1998 - Mitch
1999 - Floyd
1999 - Lenny
2000 - Keith
2001 - Allison
2001 - Iris
2001 - Michelle
2002 - Isidore
2002 - Lili
2003 - Fabian
2003 - Isabel
2003 - Juan
2004 - Charley
2004 - Frances
2004 - Ivan
2004 - Jeanne
2005 - Dennis
2005 - Katrina
2005 - Rita
2005 - Stan
2005 - Wilma
Lista de nomes de furacões do Atlântico (Setembro de 2011)
Lista I
(2011)
Lista II
(2012)
Lista III
(2013)
Lista IV
(2014)
Lista V
(2015)
Lista VI
(2016)
Arlene Alberto Andrea Arthur Ana Alex
Bret Beryl Barry Bertha Bill Bonnie
Cindy Chris Chantal Cristobal Claudette Colin
Don Debby Dorian Dolly Danny Danielle
Emily Ernesto Erin Edouard Erika Earl
Franklin Florence Fernand Fay Fred Fiona
Gert Gordon Gabrielle Gonzalo Grace Gaston
Harvey Helene Humberto Hanna Henri Hermine
Irene Isaac Ingrid Isaias Ida Ian
Jose Joyce Jerry Josephine Joaquin Julia
Katia Kirk Karen Kyle Kate Karl
Lee Leslie Lorenzo Laura Larry Lisa
Maria Michael Melissa Marco Mindy Matthew
Nate Nadine Nestor Nana Nicholas Nicole
Ophelia Oscar Olga Omar Odette Otto
Philippe Patty Pablo Paulette Peter Paula
Rina Rafael Rebekah Rene Rose Richard
Sean Sandy Sebastien Sally Sam Shary
Tammy Tony Tanya Teddy Teresa Tobias
Vince Valerie Van Vicky Victor Virginie
Whitney William Wendy Wilfred Wanda Walter
Lista de nomes de furacões do Pacífico nordeste (Setembro de 2011)
Lista I
(2011)
Lista II
(2012)
Lista III
(2013)
Lista IV
(2014)
Lista V
(2015)
Lista VI
(2016)
Adrian Aletta Alvin Amanda Andres Agatha
Beatriz Bud Barbara Boris Blanca Blas
Calvin Carlotta Cosme Cristina Carlos Celia
Dora Daniel Dalila Douglas Dolores Darby
Eugene Emilia Erick Elida Enrique Estelle
Fernanda Fabio Flossie Fausto Felicia Frank
Greg Gilma Gil Genevieve Guillermo Georgette
Hilary Hector Henriette Hernan Hilda Howard
Irwin Ileana Ivo Iselle Ignacio Isis
Jova John Juliette Julio Jimena Javier
Kenneth Kristy Kiko Karina Kevin Kay
Lidia Lane Lorena Lowell Linda Lester
Max Miriam Manuel Marie Marty Madeline
Norma Norman Narda Norbert Nora Newton
Otis Olivia Octave Odile Olaf Orlene
Pilar Paul Priscilla Polo Patricia Paine
Ramon Rosa Raymond Rachel Rick Roslyn
Selma Sergio Sonia Simon Sandra Seymour
Todd Tara Tico Trudy Terry Tina
Veronica Vicente Velma Vance Vivian Virgil
Wiley Willa Wallis Winnie Waldo Winifred
Xina Xavier Xina Xavier Xina Xavier
York Yolanda York Yolanda York Yolanda
Zelda Zeke Zelda Zeke Zelda Zeke
Leia Mais ►

Tartufo Danilo Gentilli censura vídeo do Youtube

Vídeo denunciava racismo de apresentador, que perguntou "quantas bananas você quer pra deixar essa história pra lá" a ativista do movimento negro
Um vídeo que denunciava as piadas racistas do “comediante” Danilo Gentilli, postado no Youtube pelo Portal do PSTU, foi retirado do ar nesta quinta-feira.
Segundo a notificação do Youtube, o vídeo foi retirado devido a reivindicações de direitos autorais de Gentilli. “Recebemos reivindicações de direitos autorais sobre o material que você enviou, como segue: o de Danilo Gentili sobre o vídeo "Quantas bananas vc quer pra deixar essa história pra lá?", afirma o comunicado do Youtube.
Quantas bananas você quer?
O vídeo publicado pelo Portal do PSTU trazia uma entrevista com Thiago Ribeiro, jovem negro de 29 anos que, recentemente, denunciou Gentilli por suas piadas de explícito conteúdo racista. Cansado das piadas sem graça do “comediante”, Thiago Ribeiro postou no Youtube um vídeo com uma coletânea de piadas racistas de Gentili. O vídeo obteve 800 visualizações, inclusive uma visualização do próprio Gentili, que conseguiu tirar o vídeo do Youtube por meio da cláusula de uso de imagem.
Através do seu perfil no Twitter, Thiago interpelou Gentili sobre a proibição do vídeo. A resposta de Gentilli foi pra lá de desprezível: “vamos esquecer isso... Quantas bananas você quer pra deixar essa história pra lá?", escreveu o comediante em seu Twitter. Na sequência, muitos seguidores de Gentilli desataram ataques racistas contra Thiago. Todos eles, inclusive Gentilli, foram denunciados por crime de racismo ao Ministério Público de São Paulo e à Polícia Federal sobre o ocorrido. Também foi realizado um Boletim de Ocorrência na Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania e na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância.
Gentilli se utilizou do mesmo expediente para retirar, do youtube, a entrevista de Thiago ao Portal do PSTU. Em três dias de exibição, a entrevista já tinha sido visualizada por mais 4.100 usuários.
Como se não bastasse, para defender suas piadas racistas, Gentilli se apóia no direito à “liberdade de expressão”. O que só pode ser uma piada de mau gosto do “comediante” que não tem o menor escrúpulo em censurar qualquer crítica a algo que mais do que uma simples piada: é crime, tipificado em lei.
Se você ainda não viu o vídeo, assista aqui sua nova versão. Agora, com a censura imposta por Gentilli.
No PSTU
Leia Mais ►

Charge online - Bessinha - # 1554

Leia Mais ►