28 de out de 2012

PT lidera no "G85"

Petistas elegeram 16 prefeitos; tucanos, 15…
…PT governará eleitorado 2,3 vezes maior que o PSDB nos grandes centros.
Com o resultado do 2º turno divulgado neste domingo (28) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o PT é o partido que mais venceu disputas no grupo das 85 maiores cidades do país – o “G85”, que reúne as 26 capitais e as 59 cidades do interior com mais de 200 mil eleitores. Ao todo, petistas elegeram 16 prefeitos nessas cidades. Tucanos, 15. O PSB elegeu 11 e o PMDB, 10.
Como em 2008, mais partidos elegeram prefeitos no G85. Na última eleição só 11 siglas conseguiram ter prefeitos no grupo dos grandes municípios. Desta vez, foram 16.
Outra mudança é o crescimento do PSB, presidido por Eduardo Campos, governador de Pernambuco e potencial candidato a presidente da República em 2014. Entre as grandes legendas, esta foi a que mais cresceu: fez 6 prefeitos a mais que em 2008 (passou de 5 para 11 eleitos). O PSDB teve pequeno crescimento, de 13 para 15. Já o PT diminuiu de 22 para 16. E o PMDB caiu de 19 para 10.
Eleitorado
A vitória sempre mais desejada é na cidade de São Paulo, a maior do país, com 8.619.170 eleitores. Por ter vencido em solo paulistano, o PT pulou de 9.916.640 eleitores governados atualmente no G85 para 15.205.854 eleitores (10,8% do total brasileiro e 29,8% das 85 grandes cidades) a partir de 1º de janeiro de 2013, quando tomarão posse os novos prefeitos.
O eleitorado que será governado por petistas nos grandes centros é 2,3 vezes maior do que a quantidade de eleitores dessas localidades que ficará sob governo tucano: 6.398.000 eleitores (4,5% do total nacional e 12,5% das maiores localidades). O PSDB também ficou atrás de PSB, que governará 7.731.426 eleitores do G-85, e do PMDB, que ficará com 7.391.104 eleitores.
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O segundo turno

Neste segundo turno, PT venceu em 8 municípios (4 na Grande São Paulo) e perdeu em 14 (com destaque para Minas Gerais, onde perdeu nos 3 que disputou).
O PSDB venceu em 9 e perdeu em 8 (destaque negativo para São Paulo, onde perdeu em 4).
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Charge online - Bessinha - # 1547

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Besteiras “imortais” de Merval Pereira

Muitos “calunistas” da velha mídia estão com enxaqueca. Eles previram que as esquerdas - principalmente o PT - seriam derrotadas nas eleições municipais; que a liderança do ex-presidente Lula estava “definhando”; que Serra atropelaria o “poste” Fernando Haddad; e que o midiático julgamento do “mensalão” ressuscitaria a oposição demotucana. Erraram feio nas suas previsões – ou melhor, na sua torcida! Entre eles, um merece destaque pelas besteiras “imortais” que escreveu: Merval Pereira, o colunista das Organizações Globo.
Em junho, no artigo intitulado “O mito e os fatos”, publicado no jornal O Globo, ele escreveu: “O candidato do bolso do colete de Lula, o ex-ministro Fernando Haddad, continua sendo apenas isso, mais uma invenção do ex-presidente... Se juntarmos a redução da influência de Lula no eleitorado com a incapacidade demonstrada até agora por Fernando Haddad de ser um candidato minimamente competitivo, teremos uma eleição que sugere ser muito mais difícil para o PT do que parecia meses atrás”.
Na véspera do primeiro turno, Merval Pereira voltou a fazer suas “brilhantes” previsões. “A ‘mais complicada’ eleição paulistana pode acabar deixando de fora da disputa Fernando Haddad, o candidato que o ex-presidente Lula tirou do bolso de seu colete, outrora considerado milagreiro. Terá sido a primeira vez em que o PT não disputará o 2º turno na capital paulista, derrota capaz de quebrar o encanto que se criou em torno das qualidades quase mágicas do líder operário tornado presidente”.
O “imortal” da Academia Brasileira de Letras (ABL) não errou apenas nas suas avaliações sobre a eleição no Brasil. Ele também se destacou neste ano por ter anunciado a morte iminente do presidente da Venezuela. Em fevereiro passado, ele garantiu que “a saúde de Hugo Chávez pode afetar a eleição presidencial. Os últimos exames, analisados por médicos brasileiros, indicam que o câncer está em processo de metástase, se alastrando em direção ao fígado, deixando pouca margem a uma recuperação”.
Por estas e outras bravatas – que confundem jornalismo com torcida partidária –, Merval Pereira deveria ganhar outro prêmio da ABL: o de “imortal em besteiras” publicadas na velha imprensa nativa.
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Os absurdos políticos de Minas Gerais

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Lula é um oráculo da política!

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Serra atinge seu ponto de depuração: é só terrorismo

 
O ar está carregado de ressentimento tucano. A 24 horas do que se prenuncia como uma derrota histórica do PSDB em São Paulo, setas encharcadas de calúnia, sabotagem, sites falsos, panfletos apócrifos etc cortam os céus em busca de frestas no discernimento dos eleitores.
Serra destila desespero e atira a esmo, como um serial killer demencial que sai de casa para esgotar o arsenal de fúria, truques e fraudes: contra o PT, contra Haddad, contra Lula, Dilma, Zé Dirceu etc.
Quanto vale a sua palavra nessa hora?
Um exemplo-síntese destrincha essa contabilidade de forma pedagógica: sábado, 26 de outubro de 2002; faltam menos de 24 horas para o 2º turno das eleições presidenciais brasileiras. Lula está virtualmente eleito: segundo as pesquisas, o líder operário tem 67% dos votos válidos.
Serra, seu oponente, então com 60 anos, personifica uma derrota de envergadura histórica do conservadorismo: contra ele o PT está prestes a se tornar governo do país.
O tucano já balança o pé na cova da derrota. Mas ainda exercita o que sabe fazer melhor: o terrorismo político.
Na edição da Folha daquele domingo, 27 de dezembro, ele não economia esse 'talento': " Lula está tirando o corpo", acusa e dardeja: "O PT está dando a entender que não vai reajustar o salário mínimo".
Isso: o PT estava mentindo, dizia Serra ontem, como hoje. E, como hoje, buscava atingir a essência do partido, jogando-o contra a população mais humilde.
O partido nascido da luta operária contra a injustiça social, se eleito, privaria os mais humildes do pouco chão firme a que tem direito: a correção do salário mínimo. Só isso.
Foi seu último ganido antes da derrota, assim como hoje corneteia: Haddad vai fechar creches; o PT vai liquidar o sistema de saúde; Zé Dirceu e Genoíno, as lideranças petistas, de um modo geral, são crápulas, e não um patrimônio da luta social brasileira - o que não os imuniza de erros e equívocos porque são filhos desta sociedade e não da pureza sociológica que a direita exige da esquerda, mas da qual se exime.
Como hoje, em 2002 a mensagem do tucano na boca de urna atingia seu ponto de depuração para atingir a essência daquilo a que Serra se propôs na política brasileira: ser o líder e instrumento do conservadorismo para destruir o PT nos seus próprios termos. Único modo de anular -pela desmoralização-- a mais importante ferramenta de organização do campo popular já surgida no país, com todas as lacunas e contradições sabidas.
Em vez do 'mensalão', o alvo era o salário mínimo. Mas o método e a meta, idênticos aos atuais.
O exemplo de 2002 é oportuno porque extrapola a discussão ideológica e permite aferir matematicamente o peso e a medida das palavras do tucano na ante-sala do voto.
Às contas, portanto, sobre o salário que o PT não iria reajustar.
De 2002 a 2012, uma década de governo do PT, a política de valorização do salário mínimo registrou um aumento real (acima da inflação) de 65,96% . Esse ganho de renda alteraria os contornos da produção e do mercado interno brasileiro. Ao beneficiar diretamente cerca de 48 milhões de pessoas da base da pirâmide - cujos rendimentos estão associados ao mínimo - inaugurou uma nova avenida para ancorar o desenvolvimento em bases menos excludentes; tarefa que está começando apenas, mas já reúne evidências do impressionante alcance se for explorada em todo o seu potencial.
Se a avaliação do que aconteceu com o salário mínimo no governo do PT ficar circunscrita à comparação entre os mandatos de FHC e Lula, o saldo é distinto. Ainda assim, o desmentido às palavras de véspera de José Serra é igualmente eloquente.
O aumento real do salário mínimo durante o Governo Lula foi o dobro daquele verificado no governo FHC: respectivamente, 58,7% e 29,8%.
Esse é o tamanho do despautério embutido no terrorismo feito por Serra na véspera de sua derrota para Lula, em 2002.
Contra todas as evidências históricas ele anunciava, na sempre disponível 'Folha de SP', que o PT, o Partido dos Trabalhadores, iria proceder de forma radicalmente oposta ao que de fato aconteceu.
Esse não foi o seu teto, porque Serra não tem teto quando se trata de calúnia e fraude.
Resta saber qual será a sua marca superlativa desta vez. Do que mais será capaz esse astuto rapaz, nas horas que antecedem o desfecho eleitoral em que o favoritismo original do PSDB caminha, novamente, para um desmentido contundente nas urnas. A ver.
Saul Leblon
No Blog das Frases
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PT X PSDB: Afinal, o povo está com quem?

Vejam, nas imagens abaixo, a pequena diferença que existe entre o PT e o PSDB. A imagem de cima é a de uma manifestação convocada pelos tucanos para a nova Praça Roosevelt e que foi realizada ontem à noite. 
A foto de baixo, era a da semana anterior, convocada por movimentos culturais e sociais que apóiam a candidatura de Haddad e que foi realizada no mesmo local. Foi a 'ExisteAmoremSP'. 
No Facebook, Lino Bochini escreveu o seguinte:
Tinham 4 pessoas com camisetas amarelas do PSDB no "Mega Festival" convocado pela juventude reaça "contra o mensalão". Montaram um palco gigante na Roosevelt, bem maior que o do #ExisteAmorEmSP e não conseguiram atrair nem 10 pessoas. Como disse o Bruno Torturra: presença marcante da Soninha e do cover do Metallica. Amanhã a 'Folha' dá que foram 2 mil pessoas, fácil. As duas fotos foram tiradas no mesmo horário, 20h. De que lado você tá?

Na imagem acima, a manifestação tucana em defesa de Serra e do PSDB. Embaixo, vemos a manifestação de movimentos culturais  e sociais progressistas da capital paulista que apoiaram Haddad. 
Precisa dizer mais alguma coisa?
Marcos Doniseti
No Guerrilheiro do Entardecer
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Charge online - Bessinha - # 1546

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A grande vitória política que está ao alcance do PT

 
O PT tem uma grande vitória política ao seu alcance no segundo turno das eleições municipais que ocorre neste domingo. E essa vitória não se resume à possibilidade de uma vitória de Fernando Haddad na maior cidade do país. No ano em que o conservadorismo e seus braços midiáticos sonhavam com a derrocada do partido, em meio ao julgamento do mensalão, o julgamento do voto popular subjugou o processo que pretendia colocá-lo de joelhos. O PT não só está fazendo a maior votação do país, como renovou seus quadros e está abrindo uma nova possibilidade de futuro para políticas que enfrentam grande resistência.
O Partido dos Trabalhadores (PT) tem uma grande vitória política ao seu alcance no segundo turno das eleições municipais que ocorre neste domingo (28). E essa vitória não se resume à possibilidade de uma consagradora vitória de Fernando Haddad em São Paulo. A sua dimensão maior é de natureza política. E não é nada pequena.
Há cerca de quatro meses, lideranças da oposição ao governo federal (se é que ela tem hoje nomes que mereçam esse título) e a maioria dos colunistas políticos dos jornalões e grandes redes de comunicação apostavam que o julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF) destroçaria o PT nas eleições municipais. Numa curiosa coincidência, o processo no Supremo adequou-se ao calendário eleitoral, especialmente no primeiro turno. A pressão era intensa e permanente para que o julgamento fosse concluído dentro do calendário eleitoral.
A frustração dessa expectativa foi total. O PT foi o partido mais votado no país, venceu 626 prefeituras (12% a mais do que em 2008), somando mais de 17 milhões de votos. Além disso, aumentou em 24% o número de vereadores e vereadoras, que chegou a 5.164. E levou 22 candidatos para disputar o segundo turno. Mas esse êxito não se resume aos números. O saldo político é muito mais significativo. Essas foram as eleições realizadas sob o contexto do “maior julgamento da história do Brasil”, como repetiram em uníssono colunistas políticos e lideranças da oposição. Ironicamente, o julgamento das urnas talvez seja, de fato, um dos mais impactantes da história do país, fortalecendo o projeto do partido que comanda a coalizão que governa o país há cerca de dez anos e impondo uma derrota categórica ao principal projeto político adversário representado até aqui pelo PSDB, seu fiel escudeiro DEM e pequeno elenco.
E essa derrota, é importante destacar, tem um caráter programático. É a derrota de uma agenda para o Brasil e a vitória do programa que vem sendo implementado na última década com ampla aprovação popular. Não é casual, portanto, que a oposição já comece a flertar com integrantes da própria base de apoio do governo federal numa tentativa de cooptar novos aliados para seu projeto que faz água por todos os lados.
Esse conjunto de fatores indica que o principal vitorioso nessa eleição não é nenhuma liderança individual, mas sim um partido que conseguiu sobreviver a um terremoto político, reelegeu seu projeto em nível nacional duas vezes e agora, como se não bastasse tudo isso, renova suas lideranças com quadros dirigentes que aliam capacidade intelectual com qualidade política.
Independente do resultado das urnas neste domingo, nomes como Fernando Haddad, Márcio Pochmann e Elmano de Freitas já representam a cara de um novo PT, fortalecido pela tempestade pela qual passou, pelas experiências de governo e, principalmente, pela possibilidade de futuro.
Essa possibilidade de futuro é representada por um conjunto de políticas que enfrentam grande resistência por parte do conservadorismo brasileiro: Reforma Política, nova regulamentação para o setor de comunicação, colocar a agenda ambiental no centro do debate sobre o padrão de desenvolvimento que queremos, fazer avançar a reforma agrária, fazer a educação pública brasileira dar um salto de qualidade, recuperar a ideia do Orçamento Participativo para aprofundar a democracia e abrir mais o Estado à participação cidadã, acelerar a integração política, econômica e cultural sulamericana, entre outras questões.
A “raça” petista não só não foi destruída, como sonhavam algumas vetustas lideranças oposicionistas que despontaram para o anonimato, como sai agora fortalecida no final do ano que era apontado como o do “fim do mundo”.
Mas as vitórias quantitativas do PT dependem de algumas condições para se confirmarem como vitórias políticas qualitativas. Uma delas diz respeito à vida orgânica cotidiana do partido que deve ser um espaço de pensamento e organização social, com a participação regular dos melhores quadros pensantes do país.
Uma das razões dos sucessos eleitorais do PT, que a oposição político-midiática teima em não reconhecer (para seu azar) é o profundo enraizamento social que o partido atingiu no país; a famosa capilaridade que faz com que o PT seja a principal referência partidária brasileira. Esse é um capital político acumulado extraordinário que pode ser multiplicado se não for usado apenas como espaço eleitoral, mas, fundamentalmente, como um espaço de defesa da democracia e do interesse público, de discussão do Brasil e da construção de uma sociedade que supere o paradigma mercantilista que empobrece as relações humanas, destrói a natureza e privatiza a vida e o saber.
A militância petista tem todos os motivos do mundo para estar orgulhosa e esperançosa neste final de ano. Afinal de contas, o julgamento do voto popular subjugou o processo que pretendia colocar o partido e sua principal liderança, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de joelhos. Não conseguiram.
Este é, obviamente, um texto otimista que não está considerando os inúmeros problemas – organizativos e programáticos – que precisam ser enfrentados no PT, assim como nos demais partidos da esquerda brasileira. Mas esse otimismo, mais do que justificável, é a expressão da voz do povo brasileiro que sai das urnas mais uma vez. A nossa democracia tem muito o que avançar, os problemas sociais ainda são grandes, mas o aprendizado político desses últimos anos abre uma extraordinária possibilidade de futuro. Que o PT e seus aliados tenham a sabedoria de ouvir a voz que sai das urnas. É uma voz de apoio, de sustentação, mas é também uma voz que quer avançar mais, participar mais e viver uma vida com mais orgulho e ousadia.
Marco Aurélio Weissheimer
No RS Urgente
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Campanha tucana fracassa nas três grandes áreas de SP

A pesquisa Ibope da véspera da eleição indica que a campanha de José Serra (PSDB) fracassou em todas as áreas homogêneas da cidade de São Paulo. A estratégia tucana não conseguiu conquistar os eleitores que moram longe e ganham mal, nem fidelizou quem vive nas áreas centrais e têm maior renda. E ainda perdeu a maior parte dos que estão no meio do caminho.
Na zona petista – onde candidatos do PT ganharam as últimas quatro eleições majoritárias -, Serra perde na proporção de 2 a 5 para Fernando Haddad (PT), segundo o Ibope. Nesses distritos periféricos, que somam 38% do eleitorado paulistano, o petista deve abrir 1 milhão de votos de vantagem sobre o tucano. É sinal de que na região mais pobre da cidade a campanha de Serra não conseguiu mudar a imagem de que ele governa para os ricos.
Na zona antipetista – a parte mais rica da cidade onde mora metade do eleitorado, e os candidatos do PT perderam as últimas quatro eleições majoritárias sem exceção -, Serra está dois pontos à frente de Haddad, segundo o Ibope. Desconsiderada a margem de erro, Serra abriria pouco menos de 100 mil votos sobre Haddad. É muito pouco se comparados aos resultados obtidos por Gilberto Kassab (PSD) em 2008 e pelo próprio Serra em 2004.
Isso indica que Haddad conseguiu seduzir muitos eleitores que, na média, têm renda duas vezes e meia mais alta do que os da zona petista. Seja pelo título de professor da USP, ou por ser neófito em eleições, Haddad conseguiu manter uma rejeição (36%) mais baixa do que a de Serra (40%) nas áreas centrais e ricas da cidade. Nem a campanha negativa de Serra ao longo do segundo turno conseguiu deixar a imagem de Haddad pior que a sua.
A zona volúvel que fica entre as zonas petista e antipetista pendeu em peso para Haddad. Segundo o Ibope, ele ganha de Serra nessa área onde votam 8% dos paulistanos na proporção de 2 votos para 1. Em números absolutos, isso deve significar uma vantagem de 150 mil a 200 mil votos para o petista. Ou seja, a campanha de Serra não conseguiu cativar os emergentes tampouco.
Somadas as três grandes zonas eleitorais da cidade, Haddad venceria com mais de 1 milhão de votos de vantagem, pelo Ibope.
O fracasso da campanha eleitoral tucana se reflete até no ânimo dos seus simpatizantes. Praticamente 1 a cada 3 eleitores de Serra acha que Haddad será eleito prefeito neste domingo. Pior: 40% dos paulistanos que se declaram tucanos acham que o candidato do partido rival será o vencedor no domingo. Essa taxa foi crescendo ao longo do segundo turno, mostrando que a campanha do PSDB não empolgou nem o núcleo duro do tucanato.
Enquanto isso, dos que declaram voto em Haddad, só 6% apostam em vitória de Serra. Uma maioria de 89% dos eleitores do petista está confiante na vitória de seu candidato, diz o Ibope.
José Roberto de Toledo
No Estadão
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O ar profundamente humano do STF

Períodos eleitorais deixam nervos à flor da pele e o comportamento do STF (Supremo Tribunal Federal) não tem ajudado a trazer bom senso para o debate político.
O que se passa é apenas mais um capítulo de um penoso processo de aprendizado democrático. Especialmente em um momento em que as urnas tornam mais distantes os sonhos de uma rotatividade no poder.
Do lado de parte da mídia, há uma tentativa insistente de envolver Lula no julgamento e, se possível, de processá-lo e fazê-lo perder seus direitos civis. Do lado de parte do PT, um chamado à resistência capaz de elevar ainda mais a temperatura política.
No meio, botando lenha na fogueira, os doutos Ministros.
* * *
Mentes mais conspiratórias à esquerda podem suspeitar da preparação de um novo golpe. Mentes conspiradoras à direita podem mesmo acreditar que poderão fomentar o golpe.
No fundo, o que ocorre com o Supremo é apenas uma manifestação eloquente de humanidade. Não da grande humanidade, dos princípios que consagram homens e civilizações. Mas das fraquezas e vaidades que tornam - do mais solene magistrado ao mais simples cidadão - os homens iguais entre si.
* * *
O capítulo atual do aprendizado é o da exposição do STF à luz dos holofotes, com transmissão ao vivo e, pela primeira vez, analisando um processo penal. Vaidosos por natureza, como o são todos os intelectuais dotados de conhecimento especializado – e, no caso do STF, com esse conhecimento sendo manifestação de poder – os Ministros foram expostos ao desafio de se tornarem celebridades e não perderem a linha.
Alguns não conseguiram.
* * *
Foi o que levou um Celso de Mello a colocar gasolina na fogueira, e esforçar-se tanto pelo grande momento de oratória, insistir tanto na ênfase definitiva, a ponto de comparar partidos políticos ao PCC.
O mesmo fez Marco Aurélio de Mello, com sua defesa do golpe de 64. O Ministro que sempre se jactou de chocar os pares – inclusive com alguns posicionamentos históricos – com a concorrência inédita dos demais ministros precisou avançar alguns tons na competição. E pode haver prato melhor do que um Ministro da mais alta corte defendendo uma transgressão à Constituição?
* * *
Essa mesma sensação de poder acometeu Joaquim Barbosa, a ponto de avançar sobre colegas que ousassem discordar da voz de Deus. Contra os advogados dos réus, não a explosão de trovões – que só são utilizados contra iguais – mas o riso irônico de quem trata com personagens insignificantes, perto da grandeza do Olimpo.
Todos trovejam e Ayres Britto passarinha, com sua voz de pastor das almas, tentando alcançar o tom grave dos colegas mais eloquentes.
* * *
No plano real, fechadas as cortinas do espetáculo, não há possibilidade de se alcançar Lula. A teoria do “domínio do fato”, encampada pelo Procurador Geral da República, subiu na escala hierárquica e pegou José Dirceu e José Genoíno. Mas mesmo o PGR considerou exagero alçar voo para mais um degrau e alcançar Lula. Definitivamente, Lula está fora do processo.
* * *
Assim, as investidas dos Ministros do STF explicam-se muito mais pelas fraquezas humanas, pelo estrelismo que acomete espíritos menos sábios, do que pelo maquiavelismo político. Eles são humanos. Apenas não foram informados disso.
Luis Nassif
No Advivo
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Horas de pasmo

É incompreensível que a maioria do Supremo faça qualquer sentença com absoluta falta de método
Vossa Excelência aumenta a pena-base em um ano, e sua proposta fica igual à do eminente ministro fulano de tal.” Ou então: aumenta ali, ou muda acolá, e pronto.
Frases assim foram ditas inúmeras vezes, por vários ministros, nos dois últimos dias de sessão do Supremo Tribunal Federal, semana passada. Artifícios e manipulações sem conta. Foi por aí que se determinaram tantas das penas que, como todas, um tribunal deve compor de modo a serem justas e seguras. Ainda mais por se tratar do Supremo entre todos os tribunais.
Mas o que parecia estar naquelas transações não eram dias, meses e anos a serem retirados de pessoas, pelo castigo da reclusão. Em uma palavra pessoal: fiquei horrorizado.
As condições vigentes no país permitem aos juízes do Supremo a formulação das condenações mais apropriadas, sejam quem forem os réus e a extensão das penas. Por isso é incompreensível que a maioria do Supremo faça qualquer sentença sob balbúrdia de desentendimento, em absoluta falta de método e com o total descritério que se pôde ver, em sessões inteiras.
“Ajustamos no final” foi expressão também muito utilizada. Está nela denunciado o desajuste de uma decisão que é nada menos do que condenação à cadeia. Com erros tão grosseiros, por exemplo, como o de precisarem constatar que davam a Ramon Hollerbach, sócio a reboque de Marcos Valério, pena de cadeia maior, como réu secundário, que a de seu mentor e réu principal nas atividades sob julgamento.
Mas, outra vez em termos muito pessoais, não sei se foi mais chocante ver a inversão, tão óbvia desde que se encaminhava, ou a naturalidade com que quase todos os ministros a receberam, satisfeitos com o recurso à expressão “ajustamos no final”. Cuja forma sem excelências e eminências é “deixa pra lá, depois a gente vê”.
Tudo a levar o ministro Luiz Fux, até aqui uma espécie de eco do ministro relator, a uma participação própria: “Precisamos de um critério”. Não pedia o exagero de um critério geral, senão apenas para mais uma desinteligência aguda que acometia quase todos. A proposta remete, porém, a outro caso de critério proposto. E bem ilustrativo das duas sessões de determinação das penas.
O ministro Joaquim Barbosa valeu-se de uma lei inadequada para compor uma das condenações a quatro anos e seis meses. A “pena-base” de tal lei é de dois anos, e o máximo vai a 12. Logo, o ministro relator apenas multiplicara a “pena-base” por dois. Forçosa a conclusão de que a lei aplicável era outra, cuja “pena-base” é de um ano e a máxima, de oito, Joaquim Barbosa inflamou a divergência.
Luiz Fux fez a proposta conciliatória. Os quatro anos desejados pelo relator (mais seis meses de aditivo) cabem nos limites das duas leis, não implicando a mudança de lei em diferença de pena. Ora, é isso mesmo, tudo resolvido para todos.
Como assim? Na condenação proposta pelo duro relator, o réu merecia condenação a duas vezes a “pena mínima” da primeira lei, e, se mantidos os anos totais, passou a ser condenado a quatro vezes a “pena mínima” recomendada pela segunda lei, a aplicada.
Não nos esqueçamos de dizer aos filhos ou aos netos que, por decisão do Supremo, o dobro e o quádruplo agora dão no mesmo.
Por falar em proporções, Marcos Valério pegou 40 anos e Hollerbach, 14, já na inauguração de suas condenações, ainda incompletas. O casal Nardoni, acusado do crime monstruoso de maltratar e depois atirar pela janela a pequena filha do marido, foi condenado a 28 e 26 anos.
Como os ministros do STF gostam também de outras duas palavras referentes a sentenças - as “razoabilidade e proporcionalidade” necessárias à Justiça -, aquelas penas sugerem algo de muito errado em um dos julgamentos citados. Ou no Judiciário e seus códigos. Ou no Supremo.
Janio de Freitas
No fAlha
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Serra leva o Supremo a (fragorosa) derrota

Saiu na Folha:
Trata-se de artigo do 'Padim Pade Cerra', também conhecido como Zezinho Trinta, sobre por que pretendia ser prefeito de São Paulo.
Dois terços do artigo são dedicados ao mensalão (o do PT).
A hipocrisia tucana começa assim:
Além de propostas, para nós também é importante falar de princípios. Partidos precisam ter compromisso com a ética e com a decência. Não é slogan, é uma divisa para nortear a atividade cotidiana da política. A política existe para o bem comum. Quem entra na vida pública deve servir às pessoas, não se servir delas. Sem esse compromisso, a democracia é deturpada, virando instrumento de abusos que a comprometem.
Não é um 'jenio', amigo navegante?
O que diria Aristóteles depois disso?
E aí começa a catilinária moralista.
Não trata da Privataria, do Paulo Preto, das ambulâncias super-faturadas, do Aref, da Lista de Furnas, do mensalão tucano nem menciona o Flávio Bierrembach.
Ele se considera, de fato, inimputável.
NENHUM, NENHUM candidato a prefeito manipulou o julgamento do STF como o 'Cerra'.
Nem o STF trabalhou tanto, e com tanta precisão, para ajudar outro candidato, que não, o 'Cerra'.
Foi um timing perfeito.
Só faltou, por culpa do Presidente Ayres Britto, que pagará caro por isso, no PiG, algemar o Dirceu na sexta feira antes do segundo turno, diante das câmeras da Globo.
Foi 'Cerra' quem submeteu o Supremo à eleição.
Foi o 'Cerra' quem levou o Supremo a TODOS os programas do horário eleitoral.
Foi o 'Cerra' quem levou o Supremo a TODOS os debates do primeiro e do segundo turno.
'Cerra' foi quem enfatizou o caráter eminente político, excepcional, do julgamento do mensalão (o do PT).
O Supremo deve a ele a popularização do novo conceito do Direito Penal brasileiro: em dúvida, pau no réu.
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Um novo tempo


De uns tempos para cá, 
nossa cidade ficou para trás, 
longe do ritmo geral da nação 
- a atual gestão não fez o que era preciso 
contra a desigualdade
 
Se for eleito prefeito de São Paulo, meu objetivo central será diminuir a distância que separa a cidade rica da cidade pobre. Hoje, vivemos numa cidade desequilibrada. Sofremos com a falta de planejamento urbanístico. Não temos grandes obras gerando transformação e trabalho. Não temos soluções criativas.
Nos livros de urbanismo, São Paulo só aparece como referência negativa. E a verdade é que merecemos mais que isso. Quero recuperar a autoestima desta cidade cheia de energia e de criatividade, com sua extraordinária capacidade de sonhar e de realizar sonhos.
São Paulo como que carrega 31 cidades dentro de si. Cada subprefeitura tem mais de 300 mil habitantes. Mas, de uns tempos para cá, estamos ficando para trás. Não estamos acompanhando o ritmo geral da nação. Não estamos contribuindo como poderíamos para o desenvolvimento do país. Não estamos exercendo nossa liderança nem ativando nossas vocações de vanguarda.
Nossos indicadores sociais retratam uma realidade perversamente desigual. Falam de uma cidade com pontos altos no centro expandido, que vão declinando à medida que nos aproximamos dos bairros mais distantes.
As regiões central, oeste e o início das zonas sul e leste concentram os empregos, os melhores hospitais, as melhores universidades, a renda, a infraestrutura urbana e as oportunidades. Mas não são as mais populosas. As seis subprefeituras do centro expandido contam com 64,1% dos empregos e 17,1% dos habitantes do município. As demais têm 82,9% dos habitantes e só 35,9% dos empregos.
As regiões menos desenvolvidas são também aquelas em que a desigualdade gera mais violência. Embora o Plano Diretor Estratégico de Marta Suplicy já tivesse apontado essa realidade e indicado ações e instrumentos para enfrentá-la, a atual administração não fez o que era preciso em matéria de desenvolvimento regional.
Nosso modelo de desenvolvimento continua concentrador e excludente. Se a cidade vem acompanhando o crescimento econômico do país, o mesmo não se pode dizer da distribuição da riqueza e de nossa situação socioterritorial.
A dimensão social não tem recebido a atenção necessária. Com isso, as regiões ricas ficam mais ricas e as pobres permanecem pobres.
Esse desequilíbrio explica por que São Paulo enfrenta graves problemas de mobilidade, como ruas congestionadas e trabalhadores gastando horas no trânsito. Se não superarmos o desequilíbrio, a distância entre moradia e emprego, outros problemas também não terão solução.
Sei que o que me espera, caso eleito, é um tremendo desafio. E vamos enfrentá-lo. O prefeito de São Paulo tem de ser o catalisador de todos aqueles que querem caminhos novos e soluções. De todos os que estão dispostos a se engajar num grande projeto de transformação social.
Se vejo a prefeitura como instrumento dessa transformação, sei também que isso só será alcançado com uma administração baseada no planejamento e na definição de metas de resultados. Trago um plano de governo claro e viável, que nasceu de conversas e discussões com a cidade. Milhares de pessoas participaram dos seminários Conversando com São Paulo. Das caravanas e debates por vários bairros e comunidades, num belo exemplo de compromisso cívico e citadino.
A cidade mais humana que pretendemos construir será boa para ricos e pobres. Não aceitamos mais uma São Paulo partida, com baixa qualidade de vida e uma população amedrontada pela violência. Queremos uma São Paulo unida e à altura de sua grandeza.
Fernando Haddad, mestre em economia, doutor em filosofia e professor licenciado da USP. Foi ministro da Educação (2005-2012, governos Lula e Dilma)
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Viva a política!

A democracia orientada por uma falsa elite de "homens de bem" - fardados ou vestidos com qualquer roupagem - não é de verdade. Mesmo quando seus pretensos benfeitores se imaginam sábios e se creem imbuídos das melhores intenções
Hoje, quando se encerra em todo o Brasil o processo eleitoral de 2012, é dia de celebrar a democracia e o instituto sem o qual ela não existe: a representação popular.
Em um país como o nosso, é sempre necessário lembrar a importância do ritual eleitoral. Ele foi mais a exceção que a regra em quase 125 anos de vida republicana.
Vivemos a maior parte de nossa experiência como nação moderna sem que a grande maioria da população pudesse se expressar e dizer o que desejava.
Até 1930, éramos uma República de participação fortemente limitada, em que as oligarquias mandavam sozinhas e apenas os “bem pensantes” podiam votar. A quase totalidade dos trabalhadores, dos pouco educados e dos jovens não tinha voz. Nenhuma mulher votava.
Por um breve período, as amarras foram relaxadas, mas voltaram a se fechar em 1937, quando uma ditadura baniu a política representativa. Só voltamos a fazer eleições em 1945.
Ainda que controlada, tivemos a primeira democracia ampla por 20 anos, quando uma nova ditadura foi implantada. Essa não eliminou as eleições, mas colocou o sistema político no cabresto.
O golpe de Estado de 1964 aconteceu quando as Forças Armadas entenderam que a democracia era ineficiente e perigosa. Que, em última instância, era impossível confiar no sistema eleitoral e nos partidos políticos.
Os generais não agiram sozinhos. Assumiram o poder em resposta aos “clamores” dos setores da sociedade incomodados com o trabalhismo de João Goulart, especialmente o empresariado tradicional, os grandes proprietários rurais e a parte mais conservadora da classe média.
Até o 1º de abril, a “grande imprensa” fez seu papel. Quem não se lembra das manchetes de um jornal carioca: “Basta!”, “Fora!”. A nascente indústria de comunicação brasileira tinha lado e estimulava a impaciência dos militares com a democracia.
Queria derrubar o governo.
Na nova ordem, a política permaneceu, mas foi “disciplinada”. Os golpistas achavam que precisavam “saneá-la”.
Todo ditador acredita que a democracia é corruptível, que a política é “suja” e que os políticos são inconfiáveis. Que existe uma política “certa” e uma “errada”.
Nisso, podem ser parecidos com as pessoas normais, que costumam preferir um partido e achar que é o correto.
Mas há uma imensa diferença. Os ditadores — e os autoritários, em geral — impõem sua visão. Decretam o que é certo ou errado, decidem o que é “limpo” e o que é “sujo”.
Não reconhecem o valor do processo eleitoral e acham que o povo é tolo e conduzido por demagogos. Que o cidadão precisa deles para protegê-lo, no fundo, de si mesmo.
Como várias coisas na vida, que só existem na inteireza, não há democracia “pela metade”. Quem acha que vai consertá-la, do alto de sua fantasia de onipotência e superioridade, a inviabiliza.
A democracia orientada por uma falsa elite de “homens de bem” — fardados ou vestidos com qualquer roupagem — não é de verdade. Mesmo quando seus pretensos benfeitores se imaginam sábios e se creem imbuídos das melhores intenções.
Hoje, quando formos à urnas nas cidades com segundo turno, é bom meditar a respeito de nosso passado.
Viva a política! Viva os políticos, que se expõem ao voto e conquistam o direito de representar as pessoas! Que só falam em nome dos outros depois de receber um mandato!
Viva os partidos autênticos, que juntam opiniões e visões de mundo! Que transformam convicções individuais em projetos coletivos!
Com seus acertos e erros, viva o processo eleitoral livre, sem interferência! Só assim expressa a vontade do cidadão, que ninguém tem o direito de confiscar!
Marcos Coimbra, sociólogo e diretor do Instituto Vox Populi
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A maluquice do dia

Se as pesquisas de opinião sobre a eleição estiverem corretas, só precisamos aguardar pela boca de urna, às cinco da tarde, para que alguns de nossos comentaristas muito badalados anunciem a notícia do dia: Fernando Haddad ganhou a eleição em São Paulo mas Lula é o grande derrotado da campanha.
Dirão também que o PT logo estará em agonia profunda, em função da luta interna, ampliada pela crise do mensalão agravada pelas longas penas de José Dirceu e José Genoíno – que logo vão estar brigando nos bastidores por um espaço no colchonete você sabe aonde.
Também é preciso lembrar o conflito de gerações de militantes aliados de Dilma e aqueles aliados de Lula e que logo vai se manifestar na guerra de cargos da prefeitura. Sem falar nos sindicalistas, inconformados com a perda de espaço junto a Haddad. E nos intelectuais, que assinaram um manifesto de apoio a Haddad mas no fundo, no fundo, no fundo, não acreditavam que fosse chegar lá.
É bom não esquecer que Haddad recebeu voto de eleitores conservadores e isso vai ter um peso na hora de montar o secretariado. Mais um motivo para brigar.
Ainda é preciso considerar quem vai concorrer na eleição para governador em 2014. Nós sabemos que ali a disputa já está fora de controle.
Outra crise é na eleição para o senado. Desta vez, teremos uma só vaga. Com o Ibope em baixa e tudo o mais, não haverá quem queira se candidatar.
É bom lembrar, claro, que haverá um problema grave nos próximos meses. Inconformado com a vida de ex-presidente, cercado de ex-ministros desempregados, cansado de viajar para o exterior depois que se recuperou da doença, Lula irá mesmo desafiar Dilma para disputar o Planalto dentro de dois anos e aí, sim, os dois vão brigar para sempre pelo bem do país. A briga, todo mundo sabe, é quem vai ter o Eduardo Campos como companheiro de chapa.
É delírio absoluto? É.
Duvida que vão anunciar essas maluquices se a vitória de Haddad for confirmada?
Eu não. Vamos aguardar.
O único aspecto monótono de determinadas fantasias políticas é que são inteiramente previsíveis. A vantagem de quem não perdeu o contato com a realidade é que pode rir bastante com elas.
Paulo Moreira Leite
No Vamos combinar
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Por que Haddad será eleito

A menos que haja um terremoto de oito pontos na escala Richter, ou os céus derramem de novo o dilúvio – e desta vez só sobre São Paulo - Fernando Haddad deverá ser eleito hoje prefeito da maior cidade do Hemisfério Sul.
O ex-ministro da Educação não é ainda uma figura carismática da política, mas sendo homem jovem, não lhe foi difícil comunicar-se com a população. Homem de boa formação, soube dialogar com os auditórios de classe média e, não sendo de postura arrogante, tampouco teve dificuldades em conversar com os que sofrem na periferia. Além disso, a candidatura de seu adversário, fora outras dificuldades, arrastava o fardo da administração Kassab. Os paulistanos queriam mudança.
A cidade de São Paulo é, em si mesma, realidade política própria – pela densa população, pela identidade cultural, e pela economia que, há quase cem anos, é a mais importante da federação. Os poderes de fato da grande cidade raciocinam com pragmatismo e, em certo momento da campanha do primeiro turno, perceberam que não deviam ver o candidato do PT como ameaça aos seus interesses. Contra os seus interesses, sim, seria a eventual vitória de Russomano, comparável a uma caixa preta indevassável.
É certo que esses poderes não decidem, por eles mesmos, uma eleição desse porte, mas ao reduzirem seu apoio a Serra – que já iniciara a corrida com os pés amarrados a uma rejeição pesada – favoreceram, de alguma maneira o candidato do PT. Essa postura se deve à circunstância de que, nas duas vezes em que o Partido dos Trabalhadores administrou a cidade – com Luísa Erundina e com Marta Suplicy – seu desempenho foi excelente. Com todos os problemas crônicos da cidade, que se explicam no mau planejamento do passado e a conseqüente expansão urbana desordenada, e a manifestação aguda dessas dificuldades - sobretudo com as enchentes, apagões e violência -, o PT agiu com zelo e prudência quando governou a capital. Essa prudência e esse zelo contrastam com os últimos oito anos de governo dos tucanos, que transformaram São Paulo em uma cidade inabitável, conforme denunciam os mais conhecidos e respeitáveis intelectuais brasileiros, que redigiram e assinaram o manifesto em favor de Haddad - que pode ser lido nesta Carta Maior. Como se sabe, e o Manifesto destaca, o programa de governo de Haddad nasceu dos encontros com a população e com ela foi discutido exaustivamente. Seu propósito é o de devolver São Paulo ao humanismo e ao sentimento de solidariedade de todos para com todos os seus habitantes.
Esse passado a ser corrigido, somado às condições conjunturais da política, deu impulso à candidatura proposta por Lula. Houve também o convencimento político de Marta e de Erundina, de que não podiam fazer da presença do tempo de televisão de Maluf a razão para entregar a Serra a prefeitura. As duas engoliram em seco o que lhes pareceu demasia, e ajudaram a campanha, exatamente ali onde seus conselhos são mais ouvidos: na periferia.
Tempos novos pedem homens novos. Estas eleições são as primeiras que se disputam sob a vigência da Ficha Limpa. E, ao contrário do que muitos temiam, o julgamento da Ação 470, pelo STF, em nada influiu sobre o comportamento dos eleitores. Em todos os lugares, em que ganhou e perdeu e em que ganhará ou perderá hoje, o PT esteve e está sujeito ao seu desempenho próprio na circunscrição eleitoral em questão. Os eleitores, ao contrário do que, de um lado e do outro, podem pensar candidatos e partidos, está, sim, aprendendo a votar de acordo com os seus interesses e os interesses da comunidade.
Por tudo isso, pela sua gestão como Ministro da Educação, em que atuou decididamente para levar os pobres à Universidade, e mais o prestígio de Lula e Dilma, o que não é pouco, Haddad deve ganhar, e com folga, as eleições de hoje em São Paulo.
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Seria o Estadão um jornal “nascido para perder”?

:
Segundo o jornalista Mylton Severiano da Silva, que publicou livro sobre os Mesquita, a família perde disputas políticas desde 1932, quando enfrentou Getúlio Vargas. Neste domingo, comandado por Francisco de Mesquita Neto, o jornal pregou que São Paulo resista contra Fernando Haddad. A derrota é vocacional?
Nascidos para perder”. Assim o jornalista Mylton Severiano da Silva, conhecido no meio como “Miltainho”, batizou um livro que lançou sobre a família Mesquita, do jornal Estado de S. Paulo, no início deste ano. Um livro que, naturalmente, mereceu o silêncio dos demais meios de comunicação. No subtítulo, Miltainho foi ainda mais explícito: “História do Estadão, jornal da família que tentou tomar o poder pelo poder das palavras  – e das armas”.
No 247
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Caray !

Mário Moreno - Cantinflas
* Y como decia Napoleón: "El que parte y reparte, le toca su Bonaparte".
"Se você quiser dar o salário pro cara dê. O cargo eu não dou"! Aí a briga começou. 
Como seria o encontro entre Cantinflas e Almodóvar para ler na mesa o roteiro do mensação?

Oh vida dura! A biografia do ministro Joaquim Barbosa,
nos surpreende, ao mostrar sua origem: além de pobre e negro, arrimo de família entre oito irmãos. As variáveis preconceituosas, o racismo dautônico sapateava, buliçosamente, em seu palco. Não há preconceito, entre iguais, no Brasil?
Se por seu lado "comeu o pão que o diabo amassou", por outro socializando a miséria, coisa que só os pobres são capazes reservou, uma fatia daquele pão envelhecido, ao ex-ministro Chefe da Casa Civil José Dirceu.
- É mensalão!
- É caixa dois!
O grande ministro do STF defendeu e ganhou: É mensalão sem Habeas Corpus. A última palavra é a primeira que detém o poder; que manda.
Essa novidade na justiça maior do brasil criada pelo ministro Joaquim, quer queiramos ou não, nos faz relembrar momentos contraditórios e degradantes, proporcionados por HCs coloridos.
Baseados em parcerias suspeitas, alguns HCs concedidos pela nossa última instância da lei. Lá no fundo do baú, podemos ver, o simpático e divertido banqueiro Cacciola e Dani Dantas, que inspiraram a Súmula Vinculante nº11, popularmente conhecida como "Súmula Cacciola-Dantas, ou o 'adeus às algemas'.
Juízes federais, no entanto, debocham e protestam contra a súmula ridícula.
Roger Abdelmassih, outra aberração 'legal' do velho STF. Estava na cadeia, meteu sob o braço um HC e aterissou no Líbano. Ele nos deve 278 anos de prisão por ter violentado 37 senhoras.
O despejo coletivo da Comunidade Pinheirinho que ocupava o terreno pertencente à massa falida da Seleta S/A do manjado Naji Nahas, representa uma força estranha conhecida pelos pobres: "A corda arrebenta no lado mais fraco".
Angélica A. S. Teodoro furtou num supermercado um pote de manteiga de R$3,10. Após cinco meses de prisão foi decidido, a seu favor, no Superior Tribunal de Justiça (STJ) um HC de soltura. O juíz não lê a realidade, apenas o Código Penal.
Joaquim Barbosa mineiro de Paracatu encontrou uma mineira de Belo Horizonte, na papelada do Gurgel, presidente do mineiro Banco Rural, Katia Rabello. Minas Gerais é um tapete acobertando um número desconhecido de corruptos. Nada contra o Estado mineiro do leite, do queijo e do Azeredo. Quem conhece sua história e sua geografia, um dos estados mais lindos do Brasil.
J. Barbosa não perdeu a oportunidade, condenou Katia Rabello, na Ação Penal 470. A primeira condenação feminina do STF ninguém esquece. Ela Dançou. Não esquece também o envolvimento 'acidental' do Banco Rural no esquema PC Farias. Há quanto tempo!
O julgamento é político, ideológico e por isso emocional. O trato entre políticos, investidos de mandato ou de cargo executivo, não cabe gentilezas. Solidariedade ou qualquer outra dose que sugira compreenções emocionais, muito menos. O cargo, o espaço ocupado por um quadro, sempre será o objetivo de outrem.
Uma frase forte, finalizando uma cobrança, de alguém que não renunciou: "Se você quiser dar o salário de presidente pro cara, dê; o cargo eu não dou"! Aí a briga começou.
O espaço da justiça em sua instância de poder, como encinou Montesquieu (executivo;legislativo;judiciário), por direito cabe ao político munido de suas imunidades, defender com seu discurso, contra ou a favor de um objetivo, em seu ambiente público.
O grito do afogado que agarra qualquer coisa para flutuar, partiu da boca de Roberto Jeferson, com o intuito de salvar a própria pele, para liquidar com a carreira política de José Dirceu:
- O chefe do mensalão é Zé Dirceu, bradou Jeferson. Eis a evidência criminosa.   
Em  política, o discurso é volátel, pode ser verdadeiro ou não. Nos tribunais onde se julgam crimes, o aditivo principal são as provas concretas reais e legitimas, para se chegar a um resultado justo. Ouvi dizer que disseram, não presta como prova.
É possível acreditar na palavra de RJ? Há entre os ministro os que acreditam sem o menor esforço: "Bati o olho na porta do armário" falou o deputado. O armário em questão, possivelmente, seja um dos seguranças da Esplanada.
Onde entra Maquiavel, e em que capitulo dessa história, com sua sabedoria política? A luta pelo poder de forças independentes e tão próximas, legislativo e judiciário, ambas ante a precariedade moral, perante a sociedade, o roto punindo o rasgado, num momento de grande exposição midiática, em plena campnha eleitoral a honra do supremo exposta será lavada.
Os brasileiros não aceitam mais presos com colarinho branco sem algemas. Chega! Quem perde na primeira e segunda instâcia não merece acesso ao STJ, muito menos receber de algum figurão togado um Habeas Corpus dourado.
As reflexões políticas de Machiavelli (1469-1527), sobre corrupção estão presentes em todos os personagens, entre juízes e suspeitos, num formato senoidal e ninguém pode dizer que não é isso. Após o poder  político conquistado justificam-se os crimes de traições, saques, falsidades ideológicas; vender liberdades e propriedades do Estado como se fossem bens privados; Roubar? Nesse meio, "os fins justificam os meios"?
Aguardamos a extinção das coligações e dos partidos nanicos, a eliminação dos cargo comissionados; Queremos o financiamento público de campanha, acabar com as emendas parlamentares, com a frota de automóveis de vereadores, deputados e senadores, com o fim dos apartamentos funcionais e impedir a distribuição farta de dinheiro público entre um coletivo gigantesco de assessores, absolutamente, descartáveis.
Não é pouca coisa, para opróximo presidente do STF o juíz Joaquim Barbosa, tudo é possível. Coragem não lhe falta. Aquela coragem de moleque de rua, aquele moleque que pode mudar a sociedade. Sociedade pobre que precisa de coragem, antes de qualquer coisa, para ser pobre.
O menino ainda não mudou o Brasil - menos, Veja, menos... - Há poucos dias, um dos pares de JB, declarou durante um 'bate boca' emocional, que este não estaria preparado para assumir a presidência do supremo. "Não é assim Joaquim".
Para isso bastam as evidências?
- E as provas?
- Só lá no posto Ipiranga!
* "No sospecho de nadie, pero desconfio de todos".
A desconfiança sufoca nossa consciência. Pensar em crer no supremo, mas com que roupa? De uma hora para outra, Senhor ministro, cede uma exclusiva para a Globo? Furou o esquema - as altas mídias não estão à procura de justiça - a direita quer os préstimos do juíz.
E nós que optamos pelo caixa dois, qual é o nosso caminho, para acreditar e conviver neste universo escandaloso? O juíz Ricardo Lewandoviski quer provas. As evidências são ou não são suficientes? E a razão, o contraditório e a dignidade etc. Coisas estranhas acontecem nesse ambiente habitado por funcionários públicos, otimamente remunerados, que não abdicam nada do "por fora".
Almodóvar faria uma comédia feminina erótica e deliciosa. Lá nas Alagoas, o ex-prefeito Beroaldo pagou no Amanda Night Club, um show erótico, com cheque da prefeitura sem fundos. A gostosona Denise Rocha transformou o gabinete de um senador em locação de filme privé.
O ambiente é pesado. Dificil acreditar que estão acontecendo coisas novas no palco da justiça. Perdoe-nos ministro, mas vamos dar um tempo.
Pra nós os leigos: É caixa dois!
* Cantinflas (1911-1993)
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