17 de out de 2012

Aos Amigos, Tudo...

Onde terão estado nossos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) nos últimos anos? Em que país moravam?
É fato que muitos só chegaram recentemente à Suprema Corte. E que, portanto, não seria razoável perguntar o que fizeram - e, especialmente, deixaram de fazer - no passado frente a casos e decisões que suscitam questões semelhantes às do julgamento do “mensalão”.
Como não exerciam a função, nada teriam a dizer.
Mas todos eram cidadãos e profissionais do direito com notório saber e elevada reputação. Muitos pertenciam à Magistratura ou ao Ministério Público. Alguns eram conhecidos professores. Outros tinham experiência na administração pública e no Congresso, como assessores de governos ou partidos políticos.
O que pensavam a respeito dessas matérias?
Sabemos, por exemplo, como votaram vários dos atuais integrantes do STF quando, em 2006, julgaram inconstitucional o dispositivo da Lei nº 9.054, que estabelecia uma cláusula de desempenho para os partidos políticos, limitando, na prática, o multipartidarismo caótico que temos.
Há seis anos, em seu voto, o ministro Ayres Britto foi enfático ao assinalar o prestígio que a Constituição confere aos partidos como forma de associação, sublinhando que ela tem por eles “especial apreço”. E sustentou que a Constituição assegura aos eleitos a liberdade de “escolher lideranças, participar de bancadas, atuar em blocos, participar de comissões (...)”.
Fez, portanto, a correta defesa da autonomia dos partidos e dos parlamentares.
Que diferença em relação ao voto que emitiu agora! Nesse, considerou espúria qualquer forma de coligação partidária que perdure após a eleição. Sabe-se lá com qual fundamento, condenou algo que a prática política mundial considera absolutamente normal.
Afinal, para ele, o eleito pode “atuar em blocos” ou não?
Alguns dos atuais ministros já pertenciam ao STF quando, em 1997, foi votada a Emenda Constitucional nº 16, que estabeleceu a reeleição.
Qual foi seu comportamento quando a imprensa denunciou a compra de votos de parlamentares para aprová-la? Quando conversas de deputados a respeito de valores recebidos foram gravadas e publicadas?
No caso, não se precisava elucubrar sobre se, em determinada votação, o governo comprou determinado voto. Ficava claro quem estava sendo comprado, por quanto e por quê. O beneficiário era óbvio, tinha o “domínio do fato” e a identidade do operador era inequívoca.
Algum dos atuais ministros ficou indignado? Externou sua indignação? E os que integravam o Ministério Público Federal, se manifestaram?
Se o fizeram, não ficou registro. Pelo que parece, preferiram um cauteloso silêncio. O inverso da tonitruância de hoje.
E quando votaram pela ausência de provas contra Collor? Quando consideraram que ninguém pode ser punido sem prova cabal? Estavam errados e estão certos agora, quando dispensam essa formalidade?
O que explica contradições como essas?
De uma coisa podemos estar certos: não foi em resposta aos “anseios da sociedade” que mudaram na hora de julgar o “mensalão”, ficando, subitamente, ferozes. O País sempre desejou firmeza e rigor.
Talvez alguém afirmasse “Antes tarde do que nunca!”. Mas seria muito grave se fossem apenas manifestações de um dos piores defeitos de nosso sistema jurídico: a seletividade na administração da Justiça.
Como está em outro aforismo: “Aos amigos, tudo! Aos inimigos, a lei!”.
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
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Ley de Medios argentina é modelo, diz relator da ONU

“A Argentina tem uma lei avançada. É um modelo para todo o continente e para outras regiões do mundo”, afirmou Frank La Rue, relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Liberdade de Opinião e de Expressão, ao se referir à Lei de Serviços de Comunicação Audiovisual. "Eu a considero um modelo e a mencionei no Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra. E ela é importante porque para a liberdade de expressão os princípios da diversidade de meios de comunicação e de pluralismo de ideias é fundamental”, defendeu.
Buenos Aires - “A Argentina tem uma lei avançada. É um modelo para todo o continente e para outras regiões do mundo”, afirmou Frank La Rue, relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Liberdade de Opinião e de Expressão, ao se referir à Lei de Serviços de Comunicação Audiovisual, logo após reunir-se com Martín Sabbatella, titular da Afsca (Autoridade Federal de Serviços de Comunicação Audiovisual). “Falamos da importância da aplicação plena desta lei”, assinalou Sabbatella após o encontro que manteve com o funcionário guatemalteco da ONU na sede portenha da Afsca.
Durante a reunião com Sabbatella, La Rue voltou a expressar seu especial interesse na implementação da chamada “Ley de Medios” da Argentina. “Essa é uma lei muito importante. Eu a considero um modelo e a mencionei no Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra. E ela é importante porque para a liberdade de expressão os princípios da diversidade de meios de comunicação e de pluralismo de ideias é fundamental”, defendeu o relator da ONU após o encontro na Afsca.
“Eu venho de um país multicultural, muito pequeno, mas com 22 idiomas indígenas, onde essa diversidade de meios e esse pluralismo de expressão, assim como o manejo dos serviços de comunicação audiovisual, desempenham um papel muito importante para garantir essa riqueza cultural”, disse o guatemalteco, para quem “neste sentido a lei argentina é realmente muito importante”.
Por sua parte, Sabbatella destacou ao término da reunião que “para os argentinos e as argentinas é um orgulho ter uma lei modelo e é extremamente importante o acompanhamento de Frank La Rue, uma pessoa que tem um forte compromisso com a liberdade, a pluralidade, a diversidade e a democratização da palavra”.
“La Rue tem uma profunda valoração da lei e expressou em várias oportunidades a importância de sua aplicação. Contar com sua atenção sobre o andamento desse processo é fundamental”, acrescentou o titular da Afsca, destacando que foi discutida com o relator da ONU “a importância da aplicação da lei”.
O funcionário da ONU se mostrou interessado pelas medidas que a Afsca deve tomar no dia 7 de dezembro, quando vence o prazo fixado pela Corte Suprema para a medida cautelar com a qual o Grupo Clarín paralisou a implementação da lei, durante três anos, após sua aprovação no Congresso. Assim como o cabo de guerra no Conselho da Magistratura, onde a oposição impede a nomeação de um juiz titular no tribunal que deve resolver a questão da inconstitucionalidade defendida pelo grupo quanto ao artigo 161 da lei, que obriga as empresas a abrir mão das licenças que superam o limite estabelecido pela nova legislação para evitar práticas monopólicas.
La Rue, que foi a Argentina para participar de um congresso mundial sobre direitos da infância em San Juan, também assinalou que logo após sua passagem pela Argentina visitará o Uruguai onde, destacou, “vem ocorrendo uma discussão parecida com a que ocorreu aqui (sobre a ‘ley de medios’ audivovisuais), mas ainda não foi aprovada a lei, o que eu gostaria muito que acontecesse”. O relator da ONU também se mostrou disposto a promover fóruns em toda a América Latina para debater a lei implementada pela Argentina.
Página/12
Tradução: Katarina Peixoto
No Carta Maior
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Enem, Serra e a fraude da Folha



José Serra ainda vai criar constrangimentos para o seu grande amigo Otávio Frias, chefão da Folha. No seu programa na rádio e tevê, o eterno candidato tucano tem insistido em retomar a discussão sobre as fraudes no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como forma de fustigar Fernando Haddad, ex-ministro da Educação e seu rival na disputa pela prefeitura paulistana. Ocorre que este assunto é um trauma para os donos do Grupo Folha. Afinal, a fraude ocorreu na gráfica da empresa, que já foi multada pelo crime.
Na semana passada, a Justiça Federal determinou que o consórcio formado pela Gráfica Plural, do Grupo Folha, pague ao governo R$ 73,4 milhões em função do vazamento das provas do Enem em 2009. O valor deverá ser encaminhado ao INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) e o ressarcimento servirá para indenizar o órgão que na época precisou contratar emergencialmente outra instituição para repetir a aplicação da prova.
A Justiça Federal de Brasília concluiu que a Gráfica Plural, sediada em Santana do Parnaíba, na região metropolitana de São Paulo, foi a principal culpada pelo vazamento. Na época, inclusive, correu o boato de que o crime teria motivação política, como forma de desgastar o governo federal – mas nada foi comprovado. A Justiça deu um prazo de cinco dias para que a empresa pague a multa. Se a decisão não for cumprida, o consórcio poderá sofrer pena de penhora de bens para garantir que a dívida seja paga.
A Folha evita tratar do assunto por motivos óbvios. E os seus concorrentes são solidários na desgraça. O silêncio sobre a decisão da Justiça Federal é impressionante. Ninguém fala da condenação e da multa de R$ 73,4 milhões. Exatamente nesta hora, quando o pacto dos mafiosos da mídia é tão forte, José Serra decide explorar o tema no horário eleitoral de rádio e tevê. Otavinho deve estar uma fera!
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Serra: Dia de Levar Esporro

Serra leva esporro do eleitor, quase ao meio-dia: Isso é hora de começar a trabalhar? 


... isso é hora de dar BOM DIA Serra? 
E ainda quer se eleger? 
Vai começar na prefeitura a trabalhar essa hora? 
Fala sério.
Disse o eleitor no twitter. Eram 11:38 quando José Serra acordou, entrou no twitter e deu "bom dia".
É por isso que José Serra ganhou a fama de prefeito de meio expediente.
O próprio tucano sempre confessou ser notívago. Nas eleições de 2010 disse em uma rádio que não dava para ficar de bom humor quando acordava cedo.

Cidadã desafia Serra a ir no hospital público e dá esporro: 'sem-vergonha e mentiroso'


Uma cidadã mal atendida em um hospital público de São Paulo, deu um esporro em José Serra e o desafiou a ir até o hospital naquele momento para mostrar que a propaganda eleitoral de Serra na TV era enganosa.
José Serra pedia votos por uma rua comercial na região do Ipiranga (zona sul). A pensionista Nilza Franzé, 58 anos, quando viu o candidato, o parou aos gritos, reclamando do descaso no Hospital Heliópolis:
"Isso é uma sem-vergonhice. Filma o hospital. Vamos lá comigo agora", disse para o tucano, que refutou a ideia de ir ao local.
Fiel escudeiro de Serra, o deputado estadual Orlando Morando (PSDB-SP) tentou chamar a discussão para si, e disse que a cidadã estava fazendo "show".
"Show não. Mande a sua mãe ir no hospital e pergunta para ela", disse a senhora Nilza.
O tucano afirmou que ela estava sendo "mal educada". "Principio elementar de educação é um político atender a gente bem", argumentou ela.
Ela afirmou que estava irritada porque na última segunda-feira (15) levou uma amiga “com princípio de AVC” (Acidente Vascular Cerebral) ao Hospital Heliópolis.
— Eu queria que vocês vissem. O inferno é muito melhor do que aquilo. O descaso com o ser-humano.
Ela disse que avisou uma enfermeira que uma pessoa sob efeito de drogas ia embora apesar de estar com o dedo cortado:
— Ela respondeu, ‘deixa, é um a menos’. Você não quer que eu fique brava? Vai dizer que estou fazendo show? Eu não estou fazendo show, estou relatando a realidade brasileira.
Depois que José Serra fugiu dali, a senhora Nilza falou com a reportagem do R7 e mostrou-se desiludida com a política após anos de gestão demotucana:
— Eu dei uma passadinha no banco e, infelizmente, cruzei com ele aqui porque se eu pegasse qualquer político hoje e tivesse uma arma, eu juro por Deus, eu ia presa! Qualquer político é sem-vergonha. Todo o político é corrupto.
Questionado por repórteres após o incidente, Serra tentou desqualificar as reclamações de dona Nilza de forma arrogante. Disse que "naquele mesmo dia havia recebido uns 15 elogios a questões da saúde, mas isso não é registrado”.
Alertado que a resposta só confirmava o descaso com a população, reclamado por Dona Nilza, Serra tentou remendar jogando a culpa em Kassab e Alckmin, como se ele não tivesse nada a ver com os dois:
— Teve uma mulher que reclamou, e eu, sinceramente, não sei o que dizer. Tem de olhar isso. Mas pode ter problema, sem dúvida não tem um sistema perfeito. Eu respeito as reclamações. Se eu fosse prefeito… Se bem que [o hospital] é do Estado. Da mesma maneira que têm pessoas maravilhadas, têm pessoas indignadas, eu respeito e se pudesse averiguaria na hora.
No Amigos do Presidente Lula e Justiceira de Esquerda
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Presidenta Dilma veta nove itens do Código Florestal

 
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, afirmou nesta quarta-feira (17), durante entrevista no Palácio do Planalto, que a presidenta Dilma Rousseff vetou nove itens da medida provisória aprovada pelo Congresso que altera o texto do novo Código Florestal.
Segundo a ministra, os vetos tiveram como diretriz não não estimular desmatamentos ilegais e não anistiar quem descumpriu a lei. A ministra disse que um decreto presidencial será publicado na edição desta quinta-feira (18) do Diário Oficial para suprir as lacunas ocasionadas em razão dos vetos.
”São nove vetos. Aquilo que nós entendemos que o Congresso fez que na realidade contribui para o aperfeiçoamento da medida provisória e que não fere os princípios de levar ao desmatamento, à anistia; e a questão da inclusão social e da permanência do pequeno agricultor, isso foi mantido”, disse a ministra.
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Um grande aliado de Serra

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Gráfico mostra o "respeito" que Serra tem por jornalistas

“Candidato que briga com repórter das duas uma: ou não tem o que dizer ou tem o que esconder.”
— Johnson Alencar

Comparação de desempenho

Os gráficos abaixo comparam o desempenho dos dois candidatos à prefeitura de SP no segundo turno das eleições de 2012.
reporteres destratados 
A linha azul fina é o modelo matemático N = exp[(t/15)2] onde N é o número de repórteres destratados e t é o número de dias transcorridos desde 27/set/2012. Por este modelo, Serra deverá ter destratado 54.6 repórteres até 27/out.
Créditos
Os dados foram obtidos do blog Viomundo e aqui
NOTA: Estes dados e análises são de responsabilidade exclusiva do autor e não devem ser tomadas como informações ou opiniões oficiais da UNICAMP.
Jorge Stolfi
17 de outubro de 2012
No Brasil Mobilizado

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Serra não perdoa. Mata

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Serra não se compromete a ficar na prefeitura

Na foto, a palhaçada
Numa entrevista à rádio que troca a notícia, a CBN, o "Padim Pade Cerra", primeiro, desqualificou uma pergunta do respeitado jornalista Kennedy Alencar sobre o kit-gay de sua autoria.

Depois, o "colonista" da Folha Gilberto Dimenstein perguntou se alguma circunstância justificaria ele fugir, de novo, da prefeitura.

O amigo navegante perceberá que a resposta dele é ambígua e serve para referendar qualquer decisão.
O mais grave, porém, foi que ele se recusou a assinar, de novo, um outro documento em que se comprometesse a exercer o mandato até o fim.

Cerra diz que o primeiro documento assinado se tornou uma palhaçada e por isso não se comprometeria de novo por escrito.

Clique aqui para ver o vídeo em que ele assegura que ficaria na prefeitura até o fim e contemple o documento em papel timbrado da Folha que ele, agora, considera uma palhaçada.

Paulo Henrique Amorim
No Conversa Afiada

Enquanto isso...

Haddad assina compromisso com o povo de São Paulo

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Ditadura: um mal necessário, por Marco Aurélio Mello

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'O PSDB está acabando, o DEM acabou', diz ator José de Abreu

José de Abreu, 66, acompanha com a mesma intensidade o desfecho de "Avenida Brasil" e a conclusão do julgamento do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal).
No caso do folhetim da Globo, que termina na sexta-feira, a morte de seu personagem, Nilo, que começaria a ser exibida no capítulo de terça (16), não o elimina da lista de suspeitos do assassinato de Max (Marcello Novaes), seu próprio filho.
Em conversa com a Folha, o ator fala da novela e de política. Confira a íntegra da entrevista abaixo:
O ator José de Abreu, intérprete de Nilo em "Avenida Brasil"
O ator José de Abreu, intérprete de Nilo em "Avenida Brasil"
"AVENIDA BRASIL"
"O fim de de um trabalho dá uma certa dor, porque você sabe que não consegue manter a amizade e o contato com essa família que se forma. Foi um privilégio trabalhar com a Vera Holtz. Que mulher! Que atriz!. A Adriana Esteves também, o Juca de Oliveira, a Débora Falabella, que está indo gravar doentinha, que vontade de pegar no colo."
"Ator é um ser privilegiado. Em cada personagem, a gente encarna de novo. Como se fosse uma nova vida. E a impressão que a gente tem é que isso nos faz ficar melhor, entender o outro melhor. O Nilo, por exemplo, me faz entender um mundo que eu nunca vivi, que eu nunca tive. Costumo brincar que o bom de fazer vilão é que não precisarei fazer maldade na vida real [risos]."
"Costumo brincar que estou na Globo há 32 anos e os diretores sempre pediam menos, Zé, menos. Nesse personagem eles disseram para eu fazer mais, que eles iam atrás. Fizemos algo incrível nessa novela, um lixão bonito e lúdico. A casa do Tufão [Murilo Benício] como uma Torre de Babel, onde todos falavam ao mesmo tempo. O João Emanuel Carneiro foi buscar inspiração em Charles Dickens [1812-1870]. Viajei a Londres, durante um intervalo na novela, com minha mulher e meu filho, para pedir a bênção ao escritor na casa que foi dele. Fiz um um Nilo meio inspirado naquele judeu Fagin, do livro 'Oliver Twist'. Uma obra de arte quando dá certo, o Boni[ex-diretor da Globo] falava de química, quando a soma dos componentes funciona e dá a química é impressionante. Acho que deu certo."
"A risada. O hihihi do Nilo fui eu quem trouxe. Tinha a necessidade de mostrar o trabalho das maquiadores da Globo, que conseguiram deixar meu dente apodrecido para o personagem. Depois, o autor começou a colocar a risada no texto."
"Estou bastante feliz com o Nilo, é sem dúvida um dos meus melhores personagens e sabia que iria ouvir as piadinhas da direita. Até coloquei no meu perfil do Twitter 'piadinhas sobre o Nilo e o Zé de Abreu é muito fácil de fazer". Recentemente, um cara escreveu: 'revelada a verdadeira personalidade de Zé de Abreu: um lixão'". Eles me atacam demais. Eu me envolvo. Não é sempre que você está a fim de ser xingado."
*
"SALVE JORGE" (nova novela das nove da Globo)
"Certamente, se não estivesse em 'Avenida Brasil', eu participaria de 'Salve Jorge', da Gloria Perez, com quem trabalhei em 'Amazônia, de Galvez a Chico Mendes' [2007] e 'Caminho das Índias' [2009]. Essa novela será o contrário da atual. Deve vir muita dança, cor e alegria. Mas também o lado negro do tráfico de mulheres. Acho que tem que ser isso mesmo. A Globo investe nessas mudanças. Você vê a diferença de na novela das sete atual ['Guerra dos Sexos'], com a anterior. Não sou muito consumidor de novela, mas por acaso eu assisti 'Cheias de Charme' bastante, porque gostei muito."
*
O MENSALÃO E O PT
"Eu nunca conversei com o Zé [José Dirceu] a respeito das denúncias. Acho que o PT fez o que sempre se fez. É errado? Sim! Mas fez o que sempre se fez".
"Por que o PPS apoia o Serra em São Paulo e o Paes/Lula/Dilma no Rio? Qual o sentido disso? Roberto Freire [presidente do PPS] passa 24 horas por dia no Twitter metendo o pau no Lula, chamando de ladrão e de corrupto, e fecha com o Paes aqui, com um vice-candidato a prefeito do PT? É venda de espaço, venda de horário, venda da sigla. Vou ser processado. Já estou sendo processado pelo Gilmar Mendes [ministro do STF, por chamá-lo de corrupto no Twitter]]. Agora, talvez seja processado pelo Freire." --procurado pela reportagem, Roberto Freire declarou: "Esse ator tem uma ética política que orbitava ao redor do PCB [Partido Comunista Brasileiro]. Agora, ele não tem mais nada disso. Não merece meu respeito nem a minha resposta."
"O Supremo quer mudar a maneira de fazer política no Brasil. Ótimo, maravilha! Óbvio que tinha que começar com o PT. Então, agora para ser condenado no Brasil basta ser preto, puta, pobre e petista."
"O grande organizador da base foi o Zé Dirceu. Eu não tenho informação de cocheira para falar. Lendo a imprensa, deu para notar o seguinte. Antes do Lula ser eleito, houve uma reunião dele com o Zé Dirceu dizendo que ele não queria mais concorrer, né? E o Zé o convenceu com a ideia do José de Alencar [ex-vice-presidente] ser vice, de abrir um pouco mais o PT, de fazer coligação etc. Isso tudo foi o Dirceu quem fez não o Lula. Mas se for a história do domínio do fato, tem que prender o Fernando Henrique por comprar a eleição dele, porque tem provas. Agora se fala, eu sei que houve, mas não sei quem fez. O deputado Ronnie Von Santiago [que era do PFL-AC] falou eu ganhou R$ 200 mil para votar a favor da reeleição do Fernando Henrique. Ah, o FHC não sabia? Mas pelo domínio do fato, não saber é como saber. Então se pode enquadrar qualquer um, até o Lula, que sem dúvida nenhuma é o grande objetivo..."
"O PT está virando o Brasil de cabeça para baixo, está colocando uma mulher na presidência, um negro na presidência do STF, tirando 40 milhões da pobreza, fazendo um cara que sai do Bolsa Família, do ProUni, fazer mestrado em Harvard, ter os primeiros lugares do Enem."
"Como é que um operário sem dedo, semianalfabeto faz isso que nunca fizeram? O nosso querido Fernando Henrique Cardoso, que era a minha literatura de axila na faculdade, que era meu ídolo. Não o Lula. O Lula era da minha geração, o FHC de uma anterior. Fernando Henrique, Florestan Fernandes eram os caras que queria mudar o Brasil. Aí o Fernando Henrique tem a oportunidade e não faz? Vai para a direita? É uma coisa louca. O que aconteceu? O PT e o PSDB nasceram da mesma vértebra. Era para ser um partido só. O que acontece é que chegam ao poder e vendem a alma ao diabo. Fica igual ao que foi feito nos 500 anos. O PT teve o peito de tentar romper, rompeu e está pagando por isso."
"Eu votei no Fernando Henrique na primeira vez [na eleição de 1993]. Achava que ele era melhor do que o Lula naquela oportunidade. E foi mesmo. O Lula foi melhor depois."
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JOSÉ DIRCEU E A DITADURA
"Conheci o Dirceu quando entrei na faculdade [no curso de direito da PUC-SP], na década de 1960. Eu entrei na faculdade já no pau, tem uma piadinha que eu faço, que quem não era de esquerda não comia ninguém. Porque ser de direita naquela época era ou ser extremamente mau-caráter ou alienado. Alienado era bobão, não sabia nem que existia a ditadura. Eu fui um dos representantes da faculdade na UNE [União Nacional dos Estudantes]. Foi nessa época que eu fiquei mais próximo do Dirceu."
"Não fui torturado durante a ditadura. Fui preso junto com o Zé Dirceu em Ibiúna, no congresso da UNE,e m 1968. Eu fiquei preso uns dois meses, levei uns tapas na cabeça, quando ia para o Dops [Departamento de Ordem Política e Social] prestar depoimento."
"A coisa ficou pesada depois do AI-5 [ato institucional que restringiu mais as liberdades civis], eu fui solto dois dias antes, foi a maior sorte. No dia 13 de dezembro, fui na faculdade, no Tuca e o porteiro disse que a polícia tinha ido atrás de mim, de armas. Nunca peguei em armas, fui embora para o Rio, e fiquei prestando apoio logístico para uma organização de esquerda. A única ação que eu fiquei sabendo depois e eu participei foi transportar o dinheiro tirado de um cofre do governador Adhemar de Barros [1901-1969]."
"O meu contato com a organização era um concunhado que foi preso junto com a Dilma, na rua da Consolação. Só tinha duas atitudes, ou entrar na luta armada ou deixar a organização. Minha companheira estava grávida do meu primeiro filho. Conversamos. Eu nunca pensei que poderíamos derrotar as forças armadas. Éramos 500 mil, 600 mil estudantes, tinha operário e militar, mas a grande maioria era estudante classe média."
"Foi quando eu fui para a Europa, em 1972, para Londres, Amsterdã. Virei místico, fui estudar hinduísmo, filosofia oriental. Fiz ioga, meditação, macrobiótica, fui vegetariano, meditava quatro vezes por dia, vivia numa ilha grega, comendo frugal. Lá tomei ácidos. Muitos com orientação, para fazer pesquisa. Tinha um livro que ensinava. Tinha uma pessoa que brincava com o incenso. O contato foi maravilhoso. Era algo cósmico. No Brasil, enquanto a gente estava gritando paz no Vietnã, nos EUA eles gritavam 'make love' [faça amor]. Era a mesma coisa, mas um tinha um lado hippie, lisérgico. A minha geração, alguns amigos ficaram na esquerda, outros fizeram a revolução já hippie. Eu tive o privilégio de fazer parte dos dois lados."
"Quando voltei ao Brasil anos depois, fui dar aulas em Pelotas, me desliguei dessa parte política e me foquei na arte. Me meti na profissão, fui ter filho e cuidar deles como o John Lennon fez. Limpando a bunda, acordando de madrugada para dar de mamar. Sendo um pai e mãe. Dividindo igualmente tudo e foi lindo.Depois fui para Porto Alegre, comecei a produzir música, levei Gilberto Gil, Rita Lee, Novos Baianos. Montei uma peça do Chico Buarque, 'Saltimbancos'. Acabei fazendo um filme muito louco, 'A Intrusa', ganhei um prêmio em Gramado e a Globo estava lá e me chamou."
*
INTERNET
"Na segunda eleição do Lula, eu tinha um blog e fui muito atacado. Eu estava no Acre, fazendo a minissérie 'Amazônia'. Aquela eleição já foi muito radicalizada. Eu sou viciado em internet há muito tempo. Fui um dos primeiros atores a ter uma senha do Ministérios das Comunicações. Em 1994, 1995, já usava internet num provedor que o Betinho [Hebert de Souza] tinha por causa do Ibase [Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas]. Eu, o Paulo Betti, o Pedro Paulo Rangel fomos os primeiros atores a usar internet. Eu fiz muito ator comprar computador e ter internet. O mais comum era ouvir 'não gosto de internet'. Mas no futuro ia ser algo como não gostar de telefone, de liquidificador. O José Mayer me apelidou de Zé Windows."
"Sou geminiano, gosto de comunicação e cai no Twitter com a história da campanha da Dilma, que foi a primeira campanha em que as redes sociais foram muito usadas."
*
DILMA ROUSSEFF
"Não tive contato com a Dilma durante a ditadura. A gente era da mesma organização [VAR-Palmares]. Só se for fazer muita ilação. Não vou dar uma de Joaquim Barbosa..."
"Lula é Dilma e Dilma é Lula. Isso é um mantra, a cumplicidade dos dois é total. Quando o Lula começou com essa história de ter Dilma como candidato, todo mundo assustou. O pessoal do PT mesmo, o Lula pirou, como faz? Nunca tinha acontecido isso, uma pessoa que não tinha ganhado nenhuma eleição ser candidata a presidente."
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MINISTÉRIO DA CULTURA E A POLÍTICAS DE COTAS
"Eu não sei o que foi aquilo [Ana de Hollanda]. Um dia a gente ainda vai saber o que aconteceu. Depois ferrou, a Dilma é teimosa, não ia tirá-la na pressão. Ela esperou acabar tudo para trocar o ministério. A Ana é esquisita, uma pessoa difícil. Eu fui falar com ela uma vez, foi muito difícil. Quando entrou, batia de frente com o PT inteiro, com os deputados todos que cuidavam da cultura. Achei uma desfaçatez com o ministério da Cultura."
"Agora precisa um levantamento para saber o deve ser feito. Mas a chegada da Marta [Suplicy] foi muito boa."
"Sou a favorzaço de cota em tudo. Nós temos uma dívida. Há quantos anos um negro não podia entrar na faculdade? Podia pela lei, mas não entrava. Não tinha oportunidade igual. Na minha classe, tinha um negro em 50 alunos. Os ricos têm a impressão de que vão roubar deles. Mas o Lula conseguiu mostrar que dá para dividir e eles ganharam mais dinheiro ainda porque entrou muita gente no mercado para comprar coisas. Por mais que a Dilma dê porrada nas montadoras, elas estão amando a presidente."
"Foi uma surpresa [cota para negros em edital do MinC], eu não li o projeto, mas a rigor, eu acho que o Brasil tem um débito muito grande e se for contar a escravatura, o débito não se paga nunca."
"Não esperava que o Brasil fosse dar esse salto de assumir que é racista, de o governo assumir que existe racismo, de que existem problemas sérios, de que o brasileiro não é cordial com os seus. O brasileiro sabe explorar seus empregados. Hoje em dia, ter empregada doméstica está cada vez mais difícil. É claro! Quem quer lavar a cueca de um marido que não seja seu. É degradante."
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FUTURO DO PT E PRESIDÊNCIA EM 2014 e 2018
"Vou chutar aqui. Se o Eduardo Paes [prefeito do Rio] fizer um puta governo, agora com a Olimpíada, com a Copa, vai ganhar uma visibilidade absurda, pode enlouquecer e querer ser presidente pelo PMDB, sem ter sido governador. Obviamente, o Eduardo Campos [governador de Pernambuco, pelo PSB] é uma coisa natural, neto do Miguel Arraes."
"O PSDB está acabando, o DEM acabou, o partido do Kassab [PSD] conseguiu algumas coisas, mas ele tomou o partido e agora está perdendo força. Kassab quis ser o Lula. Se o Haddad fizer um bom governo, se for eleito prefeito e ficar quatro, depois mais quatro pode ser um candidato em 2018. Daqui a seis anos o Lula ainda tem idade para tentar a presidência, mas se eu fosse ele, ia ser governador de São Paulo, só para acabar com a brincadeira [do PSDB]. Aí ficava Lula, Dilma e Haddad. São Paulo ia ser capital do mundo."
*
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"Os publicitários acham que o público não sabe diferenciar ficção e vida real, mas ele sabe. Talvez tenha acontecido com a Odete Roitman [Beatriz Segall, em 'Vale Tudo (1989)], agressões e tal, mas é um negócio tão antigo. Nunca apanhei de telespectador. Os caras falam 'oh, cuidado com a Nina, para de fazer maldades com as crianças'. Mas não tem essa de xingarem. Sabem que não sou eu, é o Nilo."
"A Adriana Esteves não fez nenhum comercial. Ela é uma mulher que para o Brasil. Ela pode vender qualquer coisa, mas ninguém chama porque ela é vilã."
Alberto Pereira Jr
No Falha
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Uniões consensuais já representam mais de 1/3 dos casamentos

O percentual de uniões consensuais subiu de 28,6% para 36,4% das uniões entre 2000 e 2010, sendo mais frequente nos grupos com rendimentos menores, representando 48,9% na classe com rendimento de até 1/2 salário mínimo. Já o percentual de pessoas que não viviam, mas já viveram em união conjugal passou de 11,9% em 2000 para 14,6% em 2010. O Rio de Janeiro foi o estado que mais registrou essa situação: 17,5%. Dentre os casais do mesmo sexo, observou-se que 25,8% das pessoas declararam possuir superior completo, e 47,4% se declararam católicos. Estes e outros dados sobre nupcialidade foram pesquisados pelo Censo Demográfico 2010, que mostra também que a proporção de divorciados quase dobrou, passando de 1,7% para 3,1%. Verificou-se ainda que o Sudeste é a região onde os homens se casam mais tarde (26,7 anos) e que 69,3% dos brasileiros escolhem parceiros da mesma cor ou raça.
Na análise da fecundidade por cor ou raça, o Censo revelou que as maiores quedas percentuais ocorreram entre as mulheres pretas no Nordeste (29,1%), Norte (27,8%) e Sul (25,3%). Os padrões de fecundidade das mulheres pretas, pardas e indígenas têm estrutura mais jovem (valor máximo entre 20 e 24 anos), contrastando com o padrão das mulheres brancas, que têm maior concentração no grupo de 25 a 29 anos e ainda apresentam grande concentração entre 30 e 34 anos. Para as mulheres com mais de 40 anos, a fecundidade indígena é sempre maior que a dos demais grupos. Entre as mulheres sem instrução e com ensino fundamental incompleto, a taxa de fecundidade chega a 3,09 filhos por mulher, enquanto que, no outro extremo (mulheres com ensino superior completo), a taxa é de 1,14 filho. As mulheres que em 2010 viviam em domicílio com rendimento per capita de até 1/4 de salário mínimo apresentam uma fecundidade ainda muito alta (3,90 filhos) frente a média brasileira (1,90 filhos). Por outro lado, as mulheres nos quatro grupos com rendimento domiciliar per capita de mais de um salário mínimo já apresentam níveis de fecundidade muito baixos (entre 1,30 e 0,97), com decréscimos da fecundidade com o aumento da renda.
Quanto aos domicílios, embora tenha havido melhorias, o Censo mostrou que 52,5% deles eram considerados adequados (em 2000 eram 43,9%), ou seja, tinham abastecimento de água por rede geral, esgotamento sanitário por rede geral ou fossa séptica, coleta de lixo direta e indireta e possuíam até dois moradores por dormitório.
O rendimento médio dos domicílios adequados era de R$ 3.537,95, enquanto o dos inadequados (sem nenhuma das condições de adequação) era de R$ 708,94. Entre os domicílios cujo responsável era branco, 63,0% eram adequados; naqueles com responsável preto, 45,9%. O Censo revelou, ainda, que os percentuais de domicílios inadequados onde viviam crianças de 0 a 6 anos eram altos no Norte (18,6%) e Nordeste (14,5%). A existência de moto no domicílio, pela primeira vez investigada pelo Censo, se comprovou alternativa de transporte para os domicílios inadequados (22,5%).
Em relação às famílias, na comparação entre 2000 e 2010, houve um crescimento na proporção de unidades domésticas unipessoais (domicílios com um só morador), que passaram de 9,2% para 12,1%. No Brasil, predominavam, em 2010, as famílias de duas ou mais pessoas com parentesco (54,3 milhões). Além disso, verificou-se uma aumento na proporção de famílias sob responsabilidade exclusiva da mulher (22,2%, em 2000, contra 37,3% em 2010). A novidade foi a investigação da responsabilidade compartilhada, verificada em 34,5% dos domicílios ocupados por apenas uma família (15,8 milhões). Já as famílias reconstituídas, formadas após a separação ou morte de um dos cônjuges, representavam 16,3% das formadas por casais.
O Censo 2010 investigou também os movimentos migratórios no país e revela que Minas Gerais (3,6 milhões ou 13,6% dos naturais do estado) e Bahia (3,1 milhões ou 11,7% dos naturais do estado) eram, em 2010, os estados com maior número de população natural residindo fora da unidade da federação. O principal local de residência era São Paulo, onde residiam 1,6 milhões de mineiros e 1,7 milhões de baianos.
O estudo completo, dividido em duas publicações, Censo Demográfico 2010: famílias e domicílios e Censo Demográfico 2010: nupcialidade, fecundidade e migração, pode ser acessado na página www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/censo2010/default.shtm.
Nupcialidade: Uniões consensuais crescem de 28,6% para 36,4% em dez anos
O Censo 2010 indica um crescimento significativo das uniões consensuais em relação a 2000. Em 2010, das pessoas casadas, 36,4% viviam em união consensual, contra 28,6% em 2000. O Amapá foi o estado que apresentou o maior percentual de uniões consensuais (63,5%) e Minas Gerais, o menor (25,9%). Reduziram-se os percentuais de pessoas que viviam unidas através do casamento civil e religioso (de 49,4% para 42,9%) e daquelas unidas apenas no religioso (de 4,4% para 3,4%). O percentual de pessoas casadas apenas no civil variou pouco, passando de 17,5% em 2000 para 17,2% em 2010.
Esse perfil se reflete nos estados civis: os solteiros continuam sendo mais da metade da população (55,3%), subindo 0,5 ponto percentual em relação a 2000 (54,8%). Os casados caíram de 37,0% para 34,8%. Já o percentual de divorciados quase dobrou, passando de 1,7%, em 2000, para 3,1% em 2010. O grupo de desquitados ou separados caiu de 1,9% para 1,7%. Em relação às unidades da federação, Rio de Janeiro (4,1%), Mato Grosso do Sul (4,1%) e Distrito Federal (4,2%) apresentaram os maiores valores de pessoas divorciadas e o estado com o menor percentual foi o Maranhão, com 1,2%.
Em relação a 2000, o percentual de pessoas separadas aumentou de 11,9% para 14,6% em 2010. Verificou-se também redução no percentual de pessoas que nunca viveram em união, de 38,6% para 35,4%. O percentual de pessoas que viviam com o cônjuge passou de 49,5% em 2000 para 50,1% em 2010. O Rio de Janeiro apresentou o maior percentual de pessoas que viveram separações, 17,5%. Rondônia foi o estado com o maior aumento do percentual de pessoas que não viviam, mas já viveram em união conjugal: de 10,0% em 2000 para 13,3% em 2010.
Mais da metade dos casais do mesmo sexo (52,6%) estão no Sudeste
O Censo 2010 investigou ainda algumas características das uniões entre cônjuges do mesmo sexo. Em relação ao nível educacional, 25,8% das pessoas envolvidas em uniões com cônjuges do mesmo sexo declararam possuir superior completo. Em termos de opção religiosa, houve predominância de pessoas católicas (47,4%), seguida por pessoas sem religião (20,4%). O estado civil preponderante foi o de solteiros (81,6%), e 99,6% viviam em união consensual. Mais da metade dessas uniões se encontrava na região Sudeste (52,6%).
União consensual é principal escolha entre pretos (46,6%) e pardos (42,6%)
A distribuição por cor ou raça das pessoas que viviam em união revela que aqueles que se declararam pretos ou pardos optaram em maior proporção pela união consensual (46,6% e 42,6%, respectivamente). Observou-se ainda que esse tipo de união é mais frequente entre as pessoas de até 39 anos, o que estaria relacionado a condições socioeconômicas mais precárias, uma vez que o maior percentual foi encontrado na classe de rendimento até ½ salário mínimo per capita (48,9%), decrescendo conforme o rendimento aumentava.
O Censo também analisou o estado conjugal em relação à religião. Entre os que optaram pelo casamento civil e religioso, houve uma maior frequência de pessoas que se declararam católicas (37,5%) ou evangélicas (26,5%), enquanto a união consensual foi a principal escolha para os sem religião (59,9%).
Homens no Sudeste se casam mais tarde
O Censo 2010 também verificou que, até os 39 anos de idade, as mulheres estavam unidas em maior proporção do que homens, que se casam, em média, com 25,9 anos, contra 23,0 anos para as mulheres. A média para o país é 24,4 anos, e a região Sudeste apresentou a mais alta idade média ao casar (24,8 anos), tanto para os homens (26,7 anos) como para as mulheres (23,8 anos).
Em relação àqueles que não viviam e nunca viveram em união, observou-se que entre os jovens de 10 a 19 anos de idade, 96,8% dos homens e 90,0% das mulheres não estavam unidos. No caso dos idosos (60 anos ou mais de idade), o percentual de mulheres que nunca contraíram uma união foi mais elevada, 7,4%, contra 4,6% para os homens. As diferenças foram ainda mais marcantes no grupo de 20 a 29 anos de idade, no qual 53,6% dos homens e 38,5% das mulheres não viviam e nunca viveram em união.
69,3% dos brasileiros escolhem parceiros da mesma cor ou raça
Em relação às configurações das uniões conjugais no tocante à cor ou raça dos cônjuges, os dados do Censo Demográfico 2010 mostraram que 69,3% das pessoas de 10 anos ou mais estavam unidas a pessoas do mesmo grupo de cor ou raça, enquanto, em 2000, esse percentual era 70,9%. Esse comportamento foi mais forte dentre os grupos de brancos (74,5%), pardos (68,5%) e indígenas (65,0%). Já dentre os pretos (45,1%), observou-se que os homens tenderam a escolher mulheres pretas em menor percentual (39,9%) do que as mulheres pretas em relação a homens do mesmo grupo (50,3%).
No que se refere à escolaridade, 68,2% das pessoas uniram-se a outras de mesmo nível de instrução, percentual superior ao observado em 2000 (63,0%). Em 2010, 51,2% das mulheres com nível superior completo estavam unidas a homens desse mesmo grupo, enquanto somente 47,0% dos homens com esse nível de instrução estavam unidos a mulheres do mesmo grupo.
Fecundidade: Taxa de fecundidade está abaixo do nível de reposição e influencia pirâmide etária
A redução dos níveis de fecundidade nos últimos 50 anos foi a principal razão para a queda do ritmo de crescimento da população, que chegou a aumentar cerca de 3,0% ao ano na década de 1950, sendo de 1,17% na última década. A fecundidade teve influência também na mudança da estrutura etária populacional, que se apresenta bem mais envelhecida, em função do aumento proporcional de idosos e diminuição de crianças. A taxa de fecundidade (número médio de filhos que teria uma mulher ao final do seu período fértil) caiu de 6,16 em 1940 para 1,90 em 2010, portanto, abaixo do nível de reposição, que é de 2,10 filhos por mulher. Em 2010, a região Norte foi a única que ainda tinha taxa de fecundidade acima do nível de reposição.
O declínio da fecundidade no Brasil resultou da queda nas taxas específicas por idade (número médio de filhos que uma mulher teria dentro daquele grupo etário) em todas as faixas etárias entre 2000 e 2010. Porém, em 2010, essa queda foi maior nos grupos etários mais jovens, revertendo uma tendência observada nos Censos de 1991 e 2000 de concentração das taxas específicas de fecundidade nas idades mais jovens dentro do período fértil, entre 15 e 24 anos.
Aumento no nível de instrução reflete redução na fecundidade
Entre as mulheres sem instrução e com ensino fundamental incompleto, a taxa de fecundidade chega a 3,00 filhos por mulher, enquanto que, entre as mulheres com ensino superior completo, a taxa é de 1,14 filho. A maior taxa de fecundidade no grupo de mulheres sem instrução e fundamental incompleto foi observada na região Norte (3,67); a menor taxa para as mulheres com ensino superior completo foi observada no Sudeste (1,10). As mulheres sem instrução ou com fundamental incompleto apresentaram importante redução da fecundidade, de 3,43 filhos em 2000 para 3,00 em 2010, fazendo com que diminuísse a diferença entre os grupos extremos, que em 2000 era de 67,1%, para 61,9%.
Quanto mais alto o nível de instrução da mulher, mais tardio se torna o padrão etário da fecundidade. Das mulheres sem instrução e com ensino fundamental completo, a maior contribuição da fecundidade vem do grupo de mulheres com idades entre 20 e 24 anos. O grupo de médio completo e superior incompleto mostra um comportamento do padrão da fecundidade mais dilatado, com concentração no grupo de 25 a 29 anos, enquanto no grupo de mulheres com ensino superior completo a maior contribuição da fecundidade vem daquelas com idades entre 30 e 34 anos, que concentram 1/3 da sua fecundidade total neste grupo. As mulheres com ensino superior completo têm seus filhos, em média, 5,5 anos depois do que as sem instrução e com ensino fundamental incompleto, 30,9 contra 25,4 anos. Como as mulheres com ensino superior completo representam 11,2% das mulheres em idade fértil, contra 33,7% sem instrução e ensino fundamental incompleto, o perfil da fecundidade para o conjunto da população ainda apresenta uma tendência predominante de ter filhos mais cedo.
Taxa de fecundidade das mulheres com rendimento domiciliar per capita acima de um salário mínimo fica abaixo do nível de reposição
As mulheres que em 2010 viviam em domicílio com rendimento per capita de até ¼ de salário mínimo apresentam uma fecundidade alta para os padrões recentes brasileiros, de 3,90 filhos. Já as mulheres nos quatro grupos com rendimento domiciliar per capita de mais de um salário mínimo apresentam níveis de fecundidade muito baixos (entre 1,30 e 0,97), com decréscimos da fecundidade com o aumento da renda. Essa tendência de diminuição da fecundidade com o aumento da renda pode ser observada em todas as grandes regiões.
Domicílios: Densidade de moradores por dormitório melhora em dez anos
Entre os Censos de 2000 e 2010, observou-se melhoria no bem-estar dos moradores no que se refere à densidade de moradores por dormitório nos domicílios. A ocupação é adequada quando nos domicílios existem até dois moradores por dormitório. O percentual de domicílios nesse padrão cresceu de 62,9% (1991) para 81,9% (2010). No entanto, as diferenças regionais persistiram, com a região Sul apresentando, em 2010, 90,1% dos domicílios com até dois moradores por cômodo, enquanto no Norte apenas 66,2% tinham essa característica.
No Censo 2010, foi pesquisado o tipo de revestimento das paredes externas dos domicílios: 97,8% dos domicílios tinham as paredes externas construídas com algum tipo de material durável, com predomínio de alvenaria com revestimento (80,0%). A região Sudeste era a que apresentava a mais alta incidência de domicílios com paredes externas de alvenaria com revestimento (88,6%), enquanto os domicílios com paredes externas de alvenaria sem revestimento eram mais frequentes na região Norte (13,3%), seguida da Nordeste (12,3%) e da Sudeste (10,2%).
Nordeste apresentou maiores avanços em saneamento básico
Em 2010, 52,5% dos domicílios do país eram adequados (domicílios com abastecimento de água por rede geral, esgotamento sanitário por rede geral ou fossa séptica, coleta de lixo direta e indireta e com até dois moradores por dormitório;) e 4,1% inadequados (domicílios sem nenhuma das condições de adequação consideradas). No entanto, apenas no Sul (68,9%) e no Sudeste (59,35%) mais da metade dos domicílios eram adequados, pois nas regiões restantes os percentuais não chegavam a metade dos domicílios. A região Norte foi a que apresentou o quadro mais desfavorável, com apenas 16,3% de domicílios adequados.
O crescimento do serviço de abastecimento de água por rede geral ocorreu em todas as regiões, embora de forma desigual. A região Nordeste foi a que apresentou o desenvolvimento mais acelerado no período, crescendo de 52,8%, em 1991, para, 76,3%, em 2010.
O esgotamento sanitário por rede geral ou fossa séptica foi o indicador de saneamento básico que mostrou situação mais crítica e maiores desigualdades entra as regiões. As regiões Norte (32,9%), Nordeste (45,4%) e Centro-Oeste (51,8%) eram as que apresentavam as menores proporções de domicílios com esgotamento sanitário adequado. Mesmo com baixas proporções de domicílios com rede geral de esgoto ou fossa séptica, a região Nordeste foi a que apresentou o maior aumento proporcional, passando de 24,2% de domicílios com esgotamento adequado, em 1991, para 45,4%, em 2010. Por outro lado, a região Norte registrou queda de 36,3% para 32,9% dos domicílios ligados à rede geral de esgoto ou com fossa séptica, entre 2000 e 2010.
Já a coleta direta e indireta de lixo por serviço de limpeza apresentou desempenho significativo em 2010, variando entre 74,4%, na região Norte, e 95,0%, no Sudeste. Esse foi o serviço que, proporcionalmente, mais cresceu em todas as regiões. Entre 1991 a 2010, as regiões Norte (36,9% para 74,4% dos domicílios) e Nordeste (41,6% para 75,0%) tiveram os mais altos avanços no serviço.
Em 2010, o fornecimento de energia elétrica por companhias de distribuição era o serviço mais abrangente, chegando à quase totalidade dos domicílios, principalmente no Sul (99,3%) e Sudeste (99,0%). O Norte (89,3%) e o Nordeste (96,9%) alcançaram os maiores avanços quando comparados a 1991(67,0% e 71,7%, respectivamente).
Domicílios adequados no Sudeste tinham rendimento nominal mensal médio cerca de seis vezes maior que os domicílios inadequados no Nordeste
O valor médio do rendimento mensal domiciliar variou entre os tipos de adequação dos domicílios. Em 2010, o rendimento médio do domicílio adequado era de R$ 3.537,95, o dos semiadequados, R$ 1.746,35, e o dos inadequados, R$ 708,94 para o total do país.
A desigualdade por cor ou raça permaneceu entre os Censos. Enquanto 53,9% e 63,0% dos brancos, em 2000 e 2010, viviam em domicílios adequados, os pretos eram 34,0% e 45,9% e os pardos 30,4% e 41,2%, nos dois períodos respectivamente.
Cabe destacar os altos percentuais de domicílios inadequados onde viviam crianças de 0 a 6 anos no Norte (18,6%) e Nordeste (14,5%). Entre os domicílios em que moravam idosos (60 anos ou mais), eram inadequados 9,4% no Norte e 8,5% no Nordeste.
Motos estavam presentes em 22,5% dos domicílios inadequados
No Censo de 2010 foram incluídos bens existentes nos domicílios que não constavam de levantamentos anteriores, como telefone celular, microcomputador com acesso à internet e motocicleta. A existência de telefone fixo decresceu de 62,0% para 57,4% nos domicílios adequados (com abastecimento de água por rede geral, esgotamento sanitário por rede geral ou fossa séptica, coleta de lixo direta ou indireta, até dois moradores por dormitório), e nos inadequados (sem nenhuma das condições de adequação), de 1,6% pra 1,1%, em razão da disseminação do telefone celular. Em contrapartida, por ordem de grandeza, aumentou a proporção de domicílios com televisão, geladeira e máquina de lavar roupa, em todos os tipos de adequação do domicílio. Enquanto cresceu a proporção de domicílios adequados com automóvel de 47,3% para 51,1%, e de semiadequados (que não têm uma das condições de adequação), de 22,7% para 28,6%, houve uma queda de 7,6% para 6,1% de automóveis em domicílios inadequados. Esta queda pode estar relacionada ao crescimento da motocicleta, que em 2010 estava presente em 22,5% dos domicílios inadequados.
Famílias: Em dez anos, mulheres responsáveis pela família passam de 22,2% para 37,3%
Dos cerca de 57 milhões de domicílios recenseados em 2010, quase 50 milhões (87,2%) eram ocupados por duas ou mais pessoas com parentesco, totalizando 54,3 milhões de famílias; 6,9 milhões (12,1%) eram unidades unipessoais, ou seja, pessoas que viviam sozinhas, e perto de 400 mil unidades (0,7%) não contavam com pessoas aparentadas entre si. Esse padrão de distribuição variava pouco em função da situação de domicílio, sendo a proporção de unidades domésticas unipessoais rurais ligeiramente inferior à urbana (10,3% contra 12,4%).
Nesses dez anos, houve um aumento de famílias tendo a mulher como responsável (de 22,2% para 37,3%), inclusive em presença de cônjuge (de 19,5% para 46,4%), contra o decréscimo de 77,8% para 62,7% no caso de homem responsável. Também houve queda no percentual de homens responsáveis em domicílios com presença de cônjuge, de 95,3% para 92,2%. Os motivos podem ser creditados a uma mudança de valores relativas ao papel da mulher na sociedade e a fatores como o ingresso maciço no mercado de trabalho e o aumento da escolaridade em nível superior, combinados com a redução da fecundidade.
20,2% das famílias eram formadas por casais sem filhos
Mudanças na estrutura da família, maior participação da mulher no mercado de trabalho, baixas taxas de fecundidade e envelhecimento da população influenciaram no aumento da proporção de casais sem filhos entre 2000 e 2010, que passou de 14,9% para 20,2% do total.
O percentual de famílias compostas por casais com filhos é superior na área rural, em função das taxas de fecundidade historicamente mais elevadas, e também, devido a valores culturais mais tradicionais. Observa-se, ainda, nas áreas rurais, um percentual consideravelmente inferior de famílias monoparentais femininas: 9,1% contra 17,4% nas áreas urbanas.
O tipo mais frequente dentre as famílias conviventes (residem na mesma unidade doméstica) é o das monoparentais femininas (53,5%), 98,6% delas formadas por parentes da família principal. Ao examinar o parentesco dos núcleos secundários, verifica-se que, em 78% dos casos, há presença de filhos do responsável ou do cônjuge da família principal que poderiam ser considerados membros da família principal. As monoparentais femininas são provavelmente compostas por filhas dos responsáveis e/ou dos cônjuges, que tiveram seus filhos sem contrair matrimônio ou retornaram à casa dos pais por motivo de separação ou divórcio.
Região Norte possui a maior proporção (23,1%) de famílias conviventes
As famílias conviventes, que residem em uma mesma unidade doméstica, possuem maior representatividade nas regiões Norte (23,1%) e Nordeste (17,6%). Uma possível explicação reside no fato de que, por motivos culturais, há uma proporção mais significativa de famílias extensas (mais de cinco pessoas), o que permite maiores economias de escala em localidades com situação econômica menos favorável.
Famílias reconstituídas representam 16,3% dos casais
O Censo 2010 também investigou a condição dos filhos em relação aos responsáveis ou cônjuges e observou que 16,3% das famílias formadas por casais com filhos podem ser consideradas reconstituídas, ou seja, os filhos eram apenas do responsável, apenas do cônjuge ou uma combinação dessas duas situações.
Em 21,2% das famílias chefiadas por mulheres, o rendimento provém do cônjuge
Nas famílias formadas por casais, 62,7% dos responsáveis e cônjuges possuem rendimento. Esse percentual é superior em famílias nas quais a mulher é responsável, 66,4%, contra 61,6% para famílias nas quais o responsável é homem. Vale destacar que em 21,2% das famílias com responsabilidade feminina, a responsável não possuía rendimento, enquanto o cônjuge (provavelmente do sexo masculino) apresentava fontes de renda.
Além disso, mais da metade (56,8%) das pessoas reconhecidas como responsáveis pela família tinham entre 30 e 54 anos. Na distribuição por cor ou raça, 48,6% se declararam brancos, 41,0% pardos e 8,9% pretos.
Entre os que moram sós, 40% das mulheres são viúvas e 58,9% dos homens, solteiros
O perfil das 6,9 milhões de unidades domésticas unipessoais revela a característica eminentemente urbana do fenômeno: no Brasil, 88% (6,1 milhões) dessas unidades estavam situadas em cidades. Porto Alegre é a capital com maior proporção de pessoas que moram sozinhas (21,4% ou 508,5 mil domicílios) e a 15ª cidade no ranking do país. A análise dos dados sobre o estado civil dos que vivem sós mostra diferenças em relação ao sexo do responsável pelo domicílio: entre as mulheres, cerca de 40% são viúvas, enquanto, entre os homens, 10% dos responsáveis possuem este estado civil e a maioria é de solteiros, 58,9% .
Quando se analisa esse perfil por grupos de idade, verifica-se, no caso das mulheres, uma concentração nos grupos de idade mais avançada (cerca de 53% eram mulheres de 60 anos ou mais).
O nível de instrução é uma variável importante na configuração do perfil das unidades domésticas unipessoais, especialmente, quando a análise leva em conta o sexo dos responsáveis. O nível geral de escolaridade não é satisfatório, pois mais da metade dos indivíduos que viviam em unidades domésticas unipessoais não tinham instrução ou nem o fundamental incompleto. Por outro lado, as mulheres que viviam sozinhas apresentavam um nível de instrução melhor que o dos homens, com 16% delas com superior completo.
Migração: 35,4% da população brasileira não reside no município onde nasceu
O Censo 2010 mostra que 35,4% da população não residia no município onde nasceu, sendo que 14,5% (26,3 milhões de pessoas) moravam em outro estado. São Paulo (8 milhões de pessoas), Rio de Janeiro (2,1 milhões), Paraná (1,7 milhão) e Goiás (1,6 milhão) acumularam o maior contingente de não naturais residentes. Minas Gerais (3,6 milhões de pessoas), Bahia (3,1 milhões), São Paulo (2,4 milhões) e Paraná (2,2 milhões) foram os estados com os maiores volumes de população natural residindo em outras unidades da federação.
A comparação entre os valores de residentes não naturais com o de naturais não residentes mostra que, historicamente, 15 estados vêm apresentando resultados positivos no processo de migração (chegam mais migrantes do que saem) e 12 estados, resultados negativos (o número de saídas é maior do que o de chegadas). São Paulo tem apresentado o maior ganho populacional resultante desse processo histórico de migração interestadual, com 5,6 milhões de pessoas. Minas Gerais e Bahia, estados com histórico de emigração, foram os que apresentaram a maior diferença negativa entre naturais não-residentes e não-naturais residentes (ambos com 2,2 milhões de pessoas).
Na região Sudeste, estão as duas unidades da federação que contabilizaram os maiores números de não naturais residentes em nível nacional, São Paulo e Rio de Janeiro. O primeiro destacou-se pelo número de naturais da Bahia (1,7 milhão de pessoas), Minas Gerais (1,6 milhão) e Paraná (1 milhão). A maior parcela dos não naturais residentes no Rio de Janeiro nasceu em Minas Gerais, Paraíba e Ceará, que, juntos, alcançaram 45,9% do total de não naturais.
A maior parte dos migrantes (53,6%) não naturais do estado onde residiam era de origem nordestina, 9,5 milhões de indivíduos. Historicamente, o Sudeste foi o principal destino, onde residiam 66,6% dos nordestinos que viviam fora da região. A exceção da região Norte, cuja maior parte dos naturais que residiam fora viviam no Centro-Oeste, para todos os naturais das demais regiões, inclusive países estrangeiros (66,4%), a região Sudeste era a principal região de residência.
9,9 milhões de pessoas migraram nos últimos 10 anos
O Censo 2010 detectou uma redução na chamada migração de última etapa, que se refere à última mudança realizada pelo indivíduo nos dez anos anteriores à pesquisa. Em 2000, 11,3 milhões de pessoas eram migrantes de última etapa, ao passo que, em 2010, esse número caiu para 9,9 milhões de pessoas. Esta queda foi observada em 24 estados, sendo que, em Roraima, diminuiu 30,0% e, em Rondônia, Ceará e São Paulo, cerca de 25,0%. O estado que apresentou maior aumento no volume de imigrantes de última etapa foi Santa Catarina (33,0%).
A região Nordeste apresentou o maior número de estados com altos percentuais de imigrantes vindos de outras grandes regiões. Dos seus nove estados, seis apresentaram, em 2010, mais de 50,0% do total de imigrantes de última etapa vindos de outras regiões, destacando-se a Bahia, onde 73,5% de seus imigrantes eram oriundos de outras grandes regiões.
O Censo observou também um aumento no volume de imigrantes internacionais de última etapa entre 2000 e 2010. Aproximadamente 455 mil pessoas migraram de países estrangeiros nos 10 anos que antecederam o Censo. Em 2000 esse número era de 279 mil pessoas. Esses migrantes, em 2010, dirigiram-se majoritariamente para São Paulo (30,0% do total de imigrantes internacionais), Paraná (14,7%), Minas Gerais (9,8%), Rio de Janeiro (7,6%) e Rio Grande do Sul (5,3%). Quanto ao país de origem dos migrantes, 17,6% vieram dos Estados Unidos, 13,7%, do Japão, e 9,8%, do Paraguai.
Em cinco anos, 1,3 milhão de pessoas deixaram o Nordeste
Em relação à chamada migração de data-fixa, que investiga o local de residência do indivíduo cinco anos antes do Censo, observou-se que a região Nordeste foi a única que perdeu população. Em 2005 e 2010, 1,3 milhão de pessoas deixaram a região, 828 mil dirigindo-se para o Sudeste e 386 mil fazendo o caminho inverso. Os estados que tiveram o maior ganho de população no período, com saldos migratórios positivos, foram São Paulo, Goiás e Santa Catarina. Maranhão e Bahia tiveram as maiores perdas.
Entre os 4,6 milhões de indivíduos que migraram entre as unidades da federação nos cinco anos antes do Censo, 2,4 milhões eram homens e 2,3 milhões, mulheres. A maior parte era formada por adultos entre 20 e 29 anos (31,5%). Em seguida, vieram os migrantes que tinham entre 30 e 39 anos (19,8%). Em termos gerais, 89% dos migrantes tinham menos de 50 anos e 5% eram idosos, com 60 anos ou mais.
No IBGE
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Caríssima Regina Duarte

Eu também estou com medo. Com medo não, com um medão danado… E sabe por qual razão, dona Regina Duarte? Eu sou amigo do José Dirceu e do José Genoíno… Sou amigo dos chefes de quadrilha… E aí, como é que fica?
Já pensou se a Polícia Federal chega à minha casa e pergunta: Senhor Izaías Almada, o senhor disse aí num desses blogues sujos que o senhor é amigo do Dirceu e do Genoíno? E eu respondo: é verdade, além do que está escrito, não tenho como negar.
Como é que eu vou fazer para provar a minha inocência? E se a PF e o MP enviarem a investigação para o STF? Tô lascado… Eu deveria ter escolhido ser amigo do Duda Mendonça, seria bem mais interessante e eu não estaria com medo, pois ele foi absolvido e não tem nada a temer…
Embora eu tenha medo como a senhora, dona Regina Duarte (aliás, que maravilha de discurso na SIP, hein? Foi a senhora mesmo que o escreveu?), fiquei aqui pensando por qual motivo o STF condenou meus amigos e absolveu o Duda Mendonça… Não são todos da mesma laia? Não estão todos envolvidos com o tal “mensalão”?
Saiba que eu também estou um bocado chateado com o Zé Dirceu e o Zé Genoíno, pois sendo meus amigos e chefes de quadrilha, os dois botaram a mão numa grana danada e não me deram nem um centavo, nem para uma caipirinha? E não fica por aí não. Tenho alguns amigos em comum com os dois maiores corruptos do Brasil e fui perguntar a eles quantos eles tinham amealhado do servicinho dos quadrilheiros? Sabe quanto? Nada, dona Regina, nadinha… E eu fiquei pensando, grandes amigos esses, heim? Botam a mão na massa e depois se esquecem dos amigos. Devem ter ido gastar tudo lá na Europa, escondidinhos, se bobear com passaportes falsos.
Por tudo isso eu tenho medo. Sabe que fui preso da ditadura civil/militar de 64, dona Regina? Depois de ficar 25 meses vendo o sol nascer quadrado e de umas boas sessões de tortura, a Justiça, no caso o STM e não o STF, mandou me chamar em juízo e disse: “senhor Almada, o senhor vai ser solto hoje, mas é porque nós queremos, o seu advogado não tem nada com isso, ele não manda nada aqui..”
Izaías Almada é escritor, dramaturgo e roteirista cinematográfico, É autor, entre outros, dos livros “Teatro de Arena, uma estética de resistência”, da Boitempo Editorial e “Venezuela, povo e Forças Armadas”, Editora Caros Amigos.
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Charge online - Bessinha - # 1524

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Galvão é sempre lembrado

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PT lambe as feridas e analisa erros na eleição de Porto Alegre

Apesar da presença do governador Tarso Genro na reta final de campanha,
votação de Adão Villaverde ficou abaixo da média histórica do PT em Porto Alegre
Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Em números, o resultado do Partido dos Trabalhadores (PT) nas eleições municipais de 2012, no Rio Grande do Sul, foi positivo. A sigla foi a mais votada no estado e apresentou crescimento na quantidade de candidaturas eleitas em comparado com as eleições de 2008. Por outro lado, o partido ainda busca compreender as razões que levaram à derrota ainda em primeiro turno em Porto Alegre, um dos seus principais redutos políticos. Os dirigentes estaduais do PT e o diretório da capital gaúcha se reúnem entre segunda (15) e terça-feira (16), para avaliar o processo eleitoral e o desempenho da legenda. Alguns já reconhecem, no entanto, que os principais erros no processo eleitoral teriam sido cometidos pelo próprio PT.
A necessidade de refletir sobre as eleições de 2012 surgiu ainda no domingo da eleição, quando nem 10% dos votos válidos em Porto Alegre foram dados ao candidato petista Adão Villaverde. A reunião do diretório municipal acontece às 19 horas desta terça-feira (16). O clima deve ser quente, uma vez que as diferentes tendências de pensamento dentro do PT divergiram sobre os rumos que o partido deveria ter adotado na disputa da capital. Porém, a ordem da direção estadual é não disputar quem tinha razão. “Não cabe agora alguma corrente fazer profecia do passado e assumir qualquer razão. A decisão da candidatura própria foi unânime. Talvez não se conseguiu o nome mais consensual, mas os mais conhecidos declinaram, como a Maria do Rosário, Olívio Dutra e Henrique Fontana”, diz o presidente do PT-RS e deputado estadual Raul Pont.
Raul Pont: "Tivemos uma perda de relações com movimentos sociais e sindicais.
Estes votos foram para o PSOL e PSTU"
Foto: Ramiro Furquim / Sul21
Reconhecendo a importância da reflexão sobre o resultado em Porto Alegre, Pont faz uma profunda autocrítica. “O uso da máquina pelo (atual prefeito José) Fortunati e a candidatura declarada de Manuela (D’Ávila) desde 2008 tornaram a disputa difícil, mas só isso não explica a nossa derrota. Tivemos uma perda de relações com movimentos sociais e com o movimento sindical. Estes votos foram para o PSOL e PSTU”, afirma o ex-prefeito de Porto Alegre.
O presidente do PT em Porto Alegre, vereador Adeli Sell acredita que não adianta “cristianizar o candidato” escolhido nas prévias internas do partido. A incapacidade de pactuar uma política de alianças com alguma das candidaturas adversárias que integram a base aliada do governo Tarso Genro foi um dos aspectos que ele considera como equivocados no processo interno do PT. “A direção nacional já demonstrou que onde se faz aliança com solidez nós ganhamos. O PT de Porto Alegre é bastante dividido, por isso não fez isso. Conversamos com o Fortunati, que vacilou em manter integrantes da base conservadora, mas depois nosso partido não aceitou a aliança com ele. Não demos a confiança de que teríamos uma aliança com ele (Fortunati)”, fala sobre a negociação das coligações.
“Retomada do diálogo com PDT e PCdoB é urgente”, diz presidente do PT municipal
O vereador disse que defenderá, como presidente do diretório municipal, a urgente retomada do diálogo com o PDT e PCdoB. “Temos que ter a base do governo estadual que queremos ter por oito anos. O diálogo neste momento está complicado, mas tem que ser feito porque 2014 está aí”, diz. Na avaliação de Adeli Sell, os aliados de Tarso não têm motivos para não aceitar conversar no âmbito municipal. “O PCdoB cometeu erro gravíssimo ao dialogar com Ana Amélia, portanto não pode nos cobrar a conta. O PDT está no governo estadual e mesmo assim preferiu manter alianças conservadoras. Temos que acertar as pontas”, defende.
“Não conseguimos passar nosso projeto de renovação e modernização aos eleitores",
lamentou presidente do PT de Porto Alegre, Adeli Sell
Foto: Ramiro Furquim/Sul21Adicionar legenda
A política de alianças foi pactuada no Encontro Estadual do PT em 2011 e deveria ter sido a preferência dos municípios gaúchos. Até mesmo diálogo com a oposição capitaneada pelo PMDB e PP foi adimitida. “O número de pequenos municípios é grande no estado. Nestas cidades a característica é a predominância de um partido ou o bipartidarismo. Mudanças são difíceis”, explica o presidente estadual Raul Pont.
Dos 497 municípios, o PT esteve na cabeça de chapa em 198. Como vice disputou em 125 cidades e em mais de 132 municípios participou de coligações. Foram conquistadas nesta eleição 12 prefeituras a mais do que o número alcançado em 2008. “Conquistamos 72 municípios e elegemos 656 vereadores”, diz Pont.
A dificuldade de seguir a política de alianças em Porto Alegre, local onde o PT registrou uma das principais derrotas, é vista pela secretária geral do PT-RS, Eliane Silveira, como algo que influenciou no eleitorado. “As três candidaturas tinham identidade com os governos de Tarso e Dilma. O discurso das políticas populares, como o Orçamento Participativo, também foi utilizado. O eleitorado de Porto Alegre tem o perfil de voto à esquerda, então, se dividiu entre as três candidaturas”, acredita.
De fato, a diluição dos votos que tradicionalmente eram do PT em Porto Alegre foi um aspecto marcante das eleições de 2012. O próprio presidente estadual da sigla admite. “Ficamos atrás até do índice de simpatizantes que votavam em nós. Não temos dados para constatar o voto de petistas nos demais candidatos. Porém, se tínhamos 18% da preferência na capital e não fizemos nem 10% dos votos, alguma coisa influenciou o nosso eleitor. Talvez o fato de já ter um campo popular no comando da cidade”, disse Pont, mencionando os lemas trabalhistas do PDT, que hoje abriga o ex-petista José Fortunati.
Petistas teriam optado por “voto útil” em Fortunati
Pont acredita que parte dos petistas que não abraçaram a candidatura de Adão Villaverde possa ter escolhido José Fortunati como uma espécie de voto útil. “Pode ter ocorrido migração de voto útil, que iria para a Manuela, para o candidato que até a proximidade do pleito surgia como vencedor”, considera. Mas, acentua que não se trata de um sintoma geral no PT. “Não é problema do PT. Na região tivemos vitórias significativas, como reassumir Alvorada, reeleger em Canoas, Sapucaia e Esteio. Até em Caxias do Sul tivemos boa votação, apesar de não vencer. E em Passo Fundo a oposição venceu de forma apertada”, salienta.
Alexandre Lindenmeyer foi eleito prefeito de Rio Grande,
em uma das principais vitórias do PT gaúcho nas eleições deste ano
Foto: PT-RS
O PT recebeu 1.446.655 votos, liderando a preferência dos eleitores no estado. Dois deputados estaduais foram escolhidos: Luiz Fernando Schmidt elegeu-se prefeito em Lajeado e Alexandre Lindenmeyer em Rio Grande. A sigla também está presente na única disputa de segundo turno, em Pelotas, com o deputado Fernando Marroni. “Nosso balanço é de crescimento do partido. Nos consolidamos como um dos maiores partidos no estado em termos de número de votos. A votação só não correspondeu ao número de prefeituras eleitas devido a predominância forte do PMDB e PP nos pequenos municípios”, avalia Pont.
Assim como a eleição de candidaturas em Santana do Livramento e Parobé foram significativas, os prejuízos para o PT em São Leopoldo, Sapiranga, Gravataí e Novo Hamburgo foram marcantes do ponto de vista jurídico. Porém, o resultado político da derrota histórica na eleição da capital gaúcha é o motivo de maior esforço da sigla para uma reestruturação política. “Não podemos avaliar agora apenas um episódio. Este resultado é fruto de um processo de perda de terreno em Porto Alegre. O antipetismo estagnou na última década com o desempenho positivo do PT a nível nacional e provado na eleição de Tarso Genro em primeiro turno. Mas qual o projeto de renovação que o PT trouxe nesse período?”, crítica o vice-presidente do PT em Porto Alegre, Rodrigo Oliveira.
Dificuldade de renovação e de aglutinar alianças são fatores apontados por alguns petistas como possíveis causas para baixa votação do PT em Porto Alegre
Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Incapacidade de renovação interna
Segundo ele, “o PT deixou de exercer poder hegemônico e quando perde isso, perde a capacidade de aglutinar alianças”. Para o dirigente petista, apontar problemas sobre o passado da eleição não irá contribuir para tirar lições do processo e recuperar espaço. “Temos que perder a mania da língua quente das correntes e ter a cabeça fria. Não podemos ficar querendo marcar posições internas e não olhar para o processo todo. Foram muitos fatores que influenciaram em Porto Alegre. A capacidade de disputa dos adversários é uma delas. O Fortunati é um quadro de esquerda, apoiado pela direita e que atrai o centro. Ele é o grande responsável por sua própria vitória”, argumenta.
Adeli Sell também defende a tese da renovação no PT. “Não conseguimos passar nosso projeto de renovação e modernização aos eleitores. O mensalão batendo no PT durante todo o mês. Os servidores púbicos estaduais e federais, principalmente professores descontentes com o piso, fazendo cobranças através dos sindicatos. O PT tem que começar a pensar mais a capital e as questões urbanas e deixar a política estadual com o diretório estadual. Ficamos muito na mesmice e sem conseguir nem sensibilizar o senso comum”, disse.
Rachel Duarte
No Sul21
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Golpista ladrão no Paraguai. E a Veja?

A revista Veja, a mesma que elegeu o ex-senador Demóstenes Torres como "paladino da ética", terá agora que justificar seu entusiástico apoio a outro bandido na política. O golpista Federico Franco, que usurpou o poder no Paraguai, está sendo acusado por irregularidade na sua declaração de bens e por elevar em 700% a sua fortuna pessoal. Os senadores paraguaios, que atentaram contra a democracia e cassaram Fernando Lugo em julho passado, já discutem a abertura de processo de impeachment contra o presidente golpista.
Segundo investigações da Controladoria Geral, Franco escondeu um suspeito aumento do seu patrimônio em US$ 645 mil num curto espaço de tempo. Ela não declarou um imóvel em Santa Catarina e registrou outra propriedade, em San Lorenzo, município vizinho a Assunção, por um valor irreal. Acuado, o golpista afirmou que apenas cometeu "um erro". Mas o Senado não engoliu o desculpa e o clima político no país voltou a esquentar - o que evidencia um racha na direita golpista do Paraguai.
Para o senador Carlos Filizla, do Partido Pais Solidário, a situação do atual "presidente" é delicada. "Junto com as acusações anteriores de nepotismo contra ele, as novas denúncias merecem ser submetidas a um julgamento político”. Já para o senador Hugo Estigarribia, do Partido Colorado, a confissão de "erro" de Federico Franco “não o exime da responsabilidade penal pelo ocorrido e da acusação de declaração falsa”. O promotor anticorrupção Carlos Arregui também disse que a confissão "não é compatível com os fatos".
As denúncias contra o presidente golpista dão novo alento às forças políticas que foram golpeadas em julho passado. Fernando Lugo tenta compor um novo bloco de centro-esquerda e não descarta sua candidatura para a eleição presidencial no primeiro semestre do próximo ano. Já Federico Franco se isola e pode ser retirado do poder usurpado mais cedo do que imaginava. Ele poderia pedir novamente uma ajudinha para a Veja e para o senador tucano Alvaro Dias, duas "instituições" brasileiras que adoram golpistas e corruptos!
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Acabou o Lexotan na SIP

 
Há quase 200 anos, os embaixadores das maiores potências da Europa se reuniram em Viena, na Áustria, com o mesmo objetivo que, por esses dias, juntou em São Paulo os barões da mídia panamericana na 68ª Assembleia da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP). Nos dois casos – no Congresso de Viena e no convescote da SIP – a nobreza presente tinha o mesmíssimo objetivo: restaurar o passado, voltar ao status quo e, principalmente, eliminar do futuro o germe da revolução. Em 1814, a intenção era redesenhar a geopolítica europeia após o fim da Era Napoleônica e banir das mentes e dos corações dos cidadãos de então as ideias e ideais da Revolução Francesa.
Em 2012, o baronato da mídia associado à SIP, também em franco desespero, tenta a mesma coisa: resgatar um mundo hegemônico onde a imprensa determinava o perfil e o caráter dos governantes, onde a mídia tinha a exclusividade da intermediação dos fatos, das informações, das notícias, e era, por si só, a própria ideologia da comunicação.
A História, como se sabe, se repete como farsa.
A SIP foi criada em 1943, em Havana, Cuba, durante a ditadura-bordel de Fulgencio Batista. Acabou sediada em Miami, nos Estados Unidos e, como tudo o mais durante da Guerra Fria, rapidamente foi transformada em braço funcional da CIA e do Departamento de Estado dos EUA para dar suporte aos movimentos golpistas bancados pelos ianques na América Latina. Os tempos mudaram, mas a SIP, como a maioria de seus associados, quedou-se estagnada, triste e ultrapassada, exatamente como a mídia que orgulhosamente representa.
Assim como os ventos revoltosos do século XIX surpreenderam os nobres europeus em Viena, perdidos estão, no tempo e na circunstância, os porta-vozes dos oligopólios de mídia convidados a participar da assembleia da SIP, em São Paulo. Também estão apavorados. Os une o desespero das perdas e a incerteza de um futuro nebuloso sobre o qual não há mais quaisquer garantias de poder e lucro. Buscam na encenação montada sob as bandeiras das liberdades de imprensa e expressão um Napoleão Bonaparte que os justifique e, por isso mesmo, os redima. Encontram, aturdidos, generais do povo, pior, eleitos. Gente a quem sempre consideraram serviçais de menor monta: índios, mamelucos, mulatos, negros, caboclos, operários, mulheres.
Como era de se esperar, os dirigentes da SIP tem se revezado na tribuna para demonizar os napoleões que elegeram como inimigos da liberdade de imprensa: Hugo Chávez, da Venezuela; Cristina Kirchner, da Argentina; Rafael Correa, do Equador; e Evo Morales, da Bolívia.
Dilma Rousseff, do Brasil, esperada para falar no festim da SIP, desistiu de última hora. Enfim, se redimiu de ter participado do aniversário de 90 anos da Folha de S.Paulo, jornal associado da SIP que, em 2010, estampou uma ficha falsa do DOPS da então candidata do PT à Presidência da República a fim de eternizá-la como terrorista e assassina.
Diante da cadeira vazia reservada a Dilma, os 600 participantes da assembleia da SIP sincronizaram um muxoxo generalizado, mas pelo menos se livraram da obrigação protocolar de respeitar a presidenta do País que os acolheu. Em poucos minutos, Dilma foi comparada ao general-ditador Ernesto Geisel e ao ex-presidente Fernando Collor, outros dois mandatários que se negaram a emoldurar, quando no Brasil, a feliz confraternização de empresários midiáticos do continente americano.
Até o final do encontro, espera-se que a presidenta seja igualada a Stalin, Hitler, Mussolini, Gengis Khan e Átila, o huno.
Embalados pelo medo do admirável mundo novo aberto pela internet, mas, sobretudo, unidos por um grau de descolamento da realidade muito próximo do delírio, os próceres da SIP vociferam em coro contra os governos progressistas aos quais, cada qual em seu canto americano, fazem oposição sistemática, partidária e, não raramente, golpista.
Temem, no detalhe, medidas como a Lei dos Meios, baixada na Argentina, que irá desmembrar, em breve, o império do Clarín, principal apoiador da sangrenta ditadura dos generais argentinos. No todo, se apavoram com a possibilidade de uma combinação capaz de disseminar, sobretudo na América do Sul, a ideia de um novo marco regulatório com poder de romper a hegemonia dos oligopólios de mídia e, enfim, criar mecanismos de democratização da informação – um direito humano imprescindível, mas negado desde sempre ao eleitor latino americano.
A tudo chamam de censura e, deliberadamente, misturam os conceitos de liberdade de expressão e liberdade de imprensa para que, justamente, não se discuta nem um, nem outro.
Em Viena, pelo menos, a nobreza era genuína.
Leandro Fortes
No CartaCapital
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