7 de out de 2012

O Brasil, a partir de amanhã

Há os que vêem, nas eleições municipais de São Paulo, os rumos futuros do Brasil. Talvez lhes fosse mais proveitoso vê-los nas votações em todo o Brasil, principalmente nos municípios mais pobres da Federação, espalhados pelas regiões do Norte e do Nordeste. Os leitores dos comentaristas dos grandes jornais, salvo alguns, menos jovens e mais prudentes, não conhecem esse Brasil profundo, que começa a descobrir que a vida pode ser mais do que o dia a dia do sofrimento dos pobres.
Estas eleições são importantes não porque, em São Paulo, em Belo Horizonte ou Recife possam ser eventualmente debuxadas as cartas da sucessão presidencial de aqui a dois anos. Elas são importantes por duas grandes razões: com a Bolsa Família já consolidada e trazendo os seus primeiros grandes efeitos, na libertação dos mais pobres, o voto não precisa mais ser trocado por uma cesta básica. Mais do que ter o almoço garantido, os mais pobres passaram a ter a liberdade de escolher seus dirigentes. Nem sempre os melhores, mas com o tempo irão aprendendo.
A outra grande razão é a vigência da Lei da Ficha Limpa, uma conquista direta dos cidadãos sobre a indolência conveniente dos parlamentares. Como bem assinalou a Ministra Carmem Lúcia, presidente do TSE, essa sim, poderá influir nos resultados eleitorais, mais do que o julgamento do mal denominado mensalão. Segundo os cálculos, mais de três mil candidatos disputarão o pleito sob o risco de, sendo vitoriosos, ter o mandato cassado em seguida pela justiça. Essa limpeza ética animará os cidadãos honrados a disputar, nas eleições a vir, os mandatos eletivos, com o saneamento efetivo das atividades políticas.
Como o pleito de hoje se limita aos municípios, os grandes temas nacionais se ausentam das campanhas, menos alguns. Em Minas, por exemplo, o veto da Presidente Dilma Rousseff à maior participação dos municípios e dos estados na divisão dos royalties pela extração de minérios, ainda que de forma discreta, prejudicará os candidatos do PT.
Mesmo que se trate de um assunto pontual, os que conhecem bem os mineiros sabem que o tema é delicado no Estado. Basta lembrar que, por causa da espoliação dos mineradores pelos portugueses, dois homens se rebelaram, foram perseguidos e executados, e se tornaram os heróis das montanhas: Felipe dos Santos, em 1720, e Tiradentes, em 1792.
Com toda sua importância para os cidadãos de São Paulo, a eleição deste domingo não irá decidir os rumos futuros do país. O que está em jogo, no desenho do futuro é, mais uma vez, a economia. Em razão disso, é bom concentrar a atenção nas conversações entre a China, a Rússia, o Brasil, a Índia e a África do Sul, em seu projeto, já adiantado, de romper com a famigerada governança mundial, com a criação do que poderíamos chamar de um Fundo Monetário Internacional dos Brics, e a fundação de um novo Banco Mundial para atender a todos os países emergentes e a uma agência independente para a classificação de riscos. As existentes foram incapazes de prever as crises que enfrentamos, porque, na verdade, são controladas pelos grandes bancos que as provocaram com as fraudes conhecidas.
O Brasil realizou uma importante revolução social, nestes últimos dez anos, e não pode recuar. Como já constataram alguns pensadores, não é o desespero que faz as revoluções, mas, sim, a esperança. Os milhões e milhões de brasileiros que passaram a viver melhor não aceitarão voltar ao passado de miséria e opróbrio.
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Jornalismo? Rodapé sujo

A GloboNews, integrante do Sistema Globo, apresentou no domingo 7 programa sobre os 20 anos do impeachment e da consequente renúncia do presidente Fernando Collor, formalizada em 29 de setembro de 1992.
Para a emissora, a história daquela eleição começa com o presidente eleito subindo a rampa no dia da posse. Um calculado corte no tempo.
Fez-se um voo rasante sobre a explicação da vitória. Uma aposta do eleitor na suposta “juventude e renovação” de Collor. Seria exigir demais dos sofridos editores do programa referências à manipulação do debate entre Collor e Lula no segundo turno? Ao remontar o encontro para divulgação nos jornais da emissora antecipou uma futura e famosa regra, cujo original era assim: o que é ruim para Lula a gente mostra, o que é bom a gente esconde.
Ao final do programa Arquivo N, um texto intrometeu-se na tela. Algo como nota de rodapé em tom de alerta: “Fernando Collor integra hoje a base de apoio ao governo Dilma”. Não há justificativa jornalística capaz de encobrir o objetivo político da mensagem.
Maurício Dias
No CartaCapital
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A igualdade dos extremos

Não há dúvida de que o julgamento do Processo 470 ficará na história -por muitos motivos
Nem Joaquim Barbosa nem Ricardo Lewandowski. Nem a ânsia de condenação a granel nem a absolvição seletiva. Nem as suposições forçadas nem o escamoteio de evidências. Julgamento é outra coisa. Ou deve ser.
A origem fraudulenta do dinheiro repassado a políticos, como pessoas ou em nome dos seus partidos, está demonstrada com provas suficientes. A imprecisão do montante destinado aos repasses, pelo PT, não diminui a obviedade, também demonstrada, de que Delúbio Soares não agiu por decisão própria para tomar os empréstimos e para distribuí-los. Pois o próprio presidente do partido, José Genoino, avalizou um dos empréstimos e, também não há dúvida, as relações do comando petista com deputados e partidos eram influenciadas pelas quitações de dívidas ou, dizem as condenações, compras de votos na Câmara.
Os repasses conhecidos de dinheiro tinham essa precisa finalidade de influir nos relacionamentos políticos do PT. Finalidade que não conta, no processo, com provas da maneira como se tenha efetivado. A rigor, tais provas não seriam necessárias para haver consequências judiciais, para isso bastando os repasses de dinheiro com origem fraudulenta.
Mas a acusação quis atribuir um objetivo definido -indicou a compra de votos em apoio a projetos do governo-, para assim chegar à acusação maior a José Dirceu. Tanto o relator como ministros do Supremo Tribunal Federal subscreveram o objetivo petista indicado pelo procurador-geral. O revisor quis a linha oposta.
Na argumentação caótica do seu voto, o revisor Ricardo Lewandowski chegou a exageros de negação patéticos. Apresentar como "documento muito importante" a comprovação de que o empréstimo avalizado por José Genoino foi pago, mas silenciando que o pagamento se deu em 2011 e 2012, é de uma parcialidade gritante. Assim como negar a participação de Marcos Valério no mesmo aval, apesar da prova documental. E perder-se na invocação, para defender José Dirceu, de incontáveis depoimentos de petistas, vários deles com desempenhos grotescos na CPI que investigou o mensalão, foi desfazer da atenção alheia. Nem isso foi tudo.
No outro extremo ficam o relator Joaquim Barbosa e os ministros que o têm acompanhado. Considerar, como fazem, que as votações das reformas previdenciária e tributária confirmam a "compra" dos recebedores de repasses do PT, é comprometedor. Os oposicionistas também votaram a favor dos dois projetos, porque ali estava o PT dando as costas a si mesmo, lutando pelo que sempre repelira.
No PT, e não fora dele, foi necessária a ação do comando petista por votos nas reformas. A ponto de que esse empenho culminasse com a expulsão, por fidelidade à posição programática do petismo, da senadora Heloísa Helena e dos deputados Luciana Genro, Babá e João Fontes, logo seguidos pela exoneração voluntária de outros petistas tradicionais.
Se aquela é a demonstração mais firme da compra de votos, não é melhor a afirmação de que José Dirceu mandou o petebista Emerson Palmieri a Lisboa com Marcos Valério, em viagem para coletar milhões na Portugal Telecom. Tal versão criada por Roberto Jefferson, chefe de Palmieri, encobre algo importante, que permanece obscuro porque a Procuradoria-Geral da República preferiu, em vez de abrir uma investigação específica, beneficiar-se do valor acusatório da versão.
Não há dúvida de que o julgamento do Processo 470 ficará na história. Por muitos motivos.
Janio de Freitas
No Falha
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Um STF contra as leis?

Certas decisões do Supremo Tribunal Federal, em razão da pauta de acusações do chamado “mensalão”, estão criando um contencioso com o meio jurídico, onde há, também, debates sobre a influência da mídia nas decisões do tribunal e, além disso, forte discussão sobre a punição apoiada no domínio do fato, bem como nova interpretação para o crime de lavagem de dinheiro.
Nessa pauta pontifica a resolução sobre a “despublicização” do dinheiro, onde se destacou a frase do ministro Ayres Britto: “O dinheiro público não se despubliciza”.
Ayres Britto. “O dinheiro público não se despubliciza”.
Foto: Nelson Jr/SCO/STF
A ênfase provocou críticas e, inclusive, ironias vazadas anonimamente para a imprensa. Mais fácil ainda foi ironizar Britto, presidente do tribunal, após ele ter interrompido o ministro Celso de Mello, decano da Corte, para lembrar judiciosamente que a corrupção era o “cupim da República”.
A afirmação sobre a impossibilidade de se “despublicizar” o dinheiro público foi feita no caso da aplicação do dinheiro da Visanet, uma companhia de capital aberto integrada por Bradesco, Banco do Brasil e Banco Real, entre outros.
Um dos focos de oposição à decisão do STF está no artigo 173 da Constituição, em que as sociedades de economia mista, como o BB, devem se sujeitar ao “regime jurídico próprio das empresas privadas”, além de não poderem gozar de “privilégios fiscais não extensivos ao setor privado”.
Se fosse verdade a afirmação de Britto, toda e qualquer malversação de recursos oriundos da União deveria ser julgada pela Justiça Federal. Isso só ocorre, entretanto, quando se trata de verba “carimbada”, de cujo emprego a municipalidade deve prestar contas. E cabe ao Tribunal de Contas da União cobrá-las. Recursos que se integram à receita do município, como, por exemplo, os royalties repassados, terão a regularidade do emprego examinada em nível estadual ou municipal.
Sobre isso, diz um dos advogados, já citado no julgamento com o merecido título de jurista, decidiu o STF no “paradigmático” do Mandado de Segurança (nº 24.312). Isso também ocorreria com recursos de quaisquer convênios firmados entre municípios e o governo federal. Ele aponta para a Súmula 209 do Superior Tribunal de Justiça: “…compete à Justiça estadual processar e julgar prefeito por desvio de verba transferida e incorporada ao patrimônio municipal”.
Isso também ocorreria com recursos que a União transfere para pessoas jurídicas de direito privado, como bancos “públicos” e empresas “estatais”, que devem ser julgados pela Justiça estadual. Esse raciocínio teria orientado a Súmula 508, do próprio STF: “… compete à Justiça Estadual, em ambas as instâncias, processar e julgar as causas em que for parte o Banco do Brasil S.A.”
Mais uma referência legal: “A modalidade de empréstimo de coisa fungível, chamada mútuo, transfere o domínio da coisa emprestada ao mutuário”, conforme o artigo 587 do Código Civil.
Na prática, isso significa que, quando o BNDES empresta dinheiro a um empresário, pouco importa a origem pública dos recursos: celebrado o empréstimo, o numerário emprestado passa à propriedade do mutuário (empresário).
Um exemplo quase caricatural, mas claro o bastante para o entendimento leigo: um furto no canteiro de uma obra pública executada pelo próprio órgão público, após o pagamento do funcionário. O dinheiro público, pago pelo serviço prestado à administração, no bolso do trabalhador ainda continua público?
Maurício Dias
No CartaCapital
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Abrem-se as urnas

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Charge online - Bessinha - # 1509

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Meu Coração é Vermelho

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Sebastião Rodrigues Maia - 70 anos

Sebastião Rodrigues Maia completaria 70 anos hoje. Como Tim Maia, ele foi um dos maiores músicos que o Brasil conheceu. Sua mistura de soul com samba e funk mudou os rumos da música brasileira, criando uma sonoridade originalíssima e que influenciou gerações.
Tim também era um grande frasista, com tiradas perspicazes e repletas de ironia. Para marcar esta data, separei algumas das melhores frases do saudoso síndico.
"Este país não pode dar certo. Aqui prostituta se apaixona, cafetão tem ciúme e traficante se vicia."
"Dizem que maconha vicia. Eu acho que é mentira. Tem um amigo meu que fuma há 25 anos e até hoje não é viciado."
"Que beleza, Tim Maia pelo preço de uma grama." (referindo-se ao preço do ingresso para um show seu)
"Não saio com mulheres famosas pois não pago acima da tabela."
"Se não fosse obrigado, não andaria de jeito nenhum de avião. Antigamente eu tomava uns goles para enfrentar. Teve vôo em que, se deixassem, eu até pilotava o avião."
"Eu poderia ser ministro da Cultura e não esses que andam por aí. Sou um músico que conhece a realidade. Já comi churrasquinho de gato, tomando ácido com ki-suco."
"Eu não fumo, não bebo e não cheiro. Meu único defeito é que eu minto um pouco."
"Quando me sinto solitário, contrato prostitutas para passar a noite e nem toco nelas."
"Com duas garrafas de uísque canto até de manhã."
"Maconha não chega a ser nem um entorpecente, é um estupeficante."
"Tudo é tudo e nada é nada."
"O Brasil é uma terra de mestiço pirado querendo ser puro-sangue."
"Passou de branco, preto é. Não existe este negócio de mulato. Mulato pra mim é cor de mula."
“Comecei uma dieta, cortei a bebida e as comidas pesadas. Em 14 dias, perdi duas semanas.”
“É só começar a fazer songbook que o cara morre. Esse negócio de biografia também é um pé na cova.”
“O problema do gordo é só um: quando ele penetra, não beija, e quando beija, não penetra.”
“Aprendi a voar nos ares da solidão, porque meu chão não me quis.”
“Fazer poesia é como fazer sexo.”
“Não sou nem menos, nem mais homem. Sou um homem melhor!”
“O esquecimento é saudável.”
“Só vivemos quando amamos. Aquele que não ama, já está morto.”
“Sou melhor do que você pensa, e pior do que você consegue imaginar.”
“Todos somos obscuros. A diferença é que poucos de nós assumimos.”
“Eu tô fazendo esse show aqui pra Brahma, mas eu gosto mesmo é de Antartica.”
“O segredo do meu sucesso é o equilíbrio. Metade das minhas músicas são esquenta-sovaco, e a outra metade é mela-cueca.”
“Ganhar pra foder com o Tim Maia é fácil, quero ver é dar pro Sebastião.”
“Eu quero parabenizar o presidente Collor, que está fazendo a campanha ‘Diga Não às Drogas’. Eu acho que é isso mesmo, deixa pra quem gosta, porque já está escasso nas bocas!”
“Tudo que sei sobre tóxicos aprendi nos livros.”
“Com os acordes que tem em uma música do Tom Jobim dá para fazer umas cinqüenta.”
“Agradeço à minha mãe, Maria Imaculada, meus sobrinhos, os padres capuchinhos e os trombadinhas da praça da Bandeira. Apesar de ter feito um comercial para a Mitsubishi, a Sharp mora no meu coração.” (ao receber o prêmio Sharp de 1991).
"Eu já sofri bastante por causa do amor, inclusive eu já sofri em dias maravilhosos como este dia de hoje aqui. Mas sofri tanto, mas tanto, que não dava nem pra perceber esse dia." (em entrevista histórica, gravada em um carro que passeava pela orla do Rio).
"O que nós temos de melhor no Brasil é a música, o futebol, o jogo do bicho e a batata doce, temos que exportar isso. E o Maguila, que vai matar o Mike Tyson. De susto, mas vai matar"
“O mundo só será bom no dia que todo o dinheiro acabar, mas que não me falte nenhum enquanto isso não acontece.”
"Somos agraciados pela nossa capacidade de transformar nossos defeitos em nossas mais belas qualidades. Só basta usarmos a sabedoria.”
“Evite acidentes, faça tudo de propósito.”
“A vida é o maior mistério e minha mente o maior mistério da vida.”
"Hoje sou latino, mas em Nova York eu era preto mesmo."
"Roberto Carlos não é geniozinho. Ele é inteligente, batalhados e canta mais ou menos."
"Dos artistas do Rio, metade é preto que acha que é intelectual, e metade é intelectual que acha que é preto."
"No meu disco de bossa nova gravei 'Garota de Ipanema' em inglês, sim. Em português, até o Dom Hélder Câmara já gravou. Só falta mesmo o delegado Romeu Tuma fazer uma versão também."
"Quando soube que o Prince pediu 180 toalhas no camarim pra tocar no Rock in Rio, passei a pedir 18 toalhas por show. Ou seja, pedi 10% do Prince pra ver se fico mais valorizado."
Marco St.
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A incoerência de Reinaldo é espantosa!

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Marilena Chauí analisa candidatos à prefeito de São Paulo

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Dedução subliminar

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Domínio do fato não exime quem acusa do ônus da prova

No julgamento da ação penal 470 – cognominada de mensalão – tem sido recorrente a invocação da teoria do domínio do fato. O que vem a ser isso? Praticado um crime, surge o desafio de estabelecer com precisão a responsabilidade, para que inocentes não venham a ser condenados ou culpados absolvidos. A maioria dos delitos tem natureza monossubjetiva, ou seja, podem ser praticados por uma única pessoa. É o caso do homicídio. Outros há em que se exige a presença de mais de um agente. São os plurissubjetivos: a bigamia é um bom exemplo.
As dificuldades de se divisar a participação ou o modus operandi de cada agente surgem no primeiro caso, vale dizer quando duas ou mais pessoas agem com unidade de desígnios para a realização de um determinado tipo penal monossubjetivo.
No concurso de pessoas, enquanto um realiza o verbo núcleo do tipo, como matar, subtrair, o outro presta auxílio: segurar a vítima enquanto o comparsa desfere facadas mortais. Ordinariamente, só é autor quem realiza o verbo nuclear do crime, sendo considerado partícipe quem de outra maneira contribui para a sua realização.
O primeiro tem pena mais grave que o segundo, daí a importância de se conhecer a diferença entre coautoria e mera participação.
O Código Penal resolve a dilemacidade do concurso de pessoas no artigo 29: “quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na medida de sua culpabilidade.” Essa é a regra regente, da qual, somadas a outras, extrai-se a possibilidade da aplicação da teoria do domínio do fato em nosso ordenamento jurídico.
Essa refinada teoria alemã supre, no pensamento de Roxin, a hipótese do autor mediato, aquele que não aparece e normalmente vale-se de terceira pessoa para a prática delitiva. Imagine-se o médico que, pretendendo matar o paciente diabético, determina à enfermeira a aplicação letal de glicose. Apenas o médico tinha conhecimento da doença e apenas ele tem o domínio funcional do fato: impedir que a glicose seja efetivamente ministrada. Portanto, tem domínio do fato quem pode fazer cessar a atividade criminosa ou quem domina a vontade do executor do crime.
Por conseguinte, o autor imediato do delito é quem o executa, aquele que seguiu as ordens do mandante realizando o verbo nuclear do tipo penal. Este efetua disparos de arma de fogo contra a vítima, visando matá-la, por determinação daquele. O mandante não aparece na cena do crime, não realiza o ato de matar, mas por ter o domínio funcional do fato pode impedir sua ocorrência.
Questão interessante atine ao aspecto da prova. Como e quando o autor mediato pode ser responsabilizado pelo delito?
Da mesma forma que se exigem provas para condenar o executor, devem existir provas também contra o mandante. A circunstância de ter o acusado o domínio do fato não exime quem o acusa do ônus de provar a acusação. Nosso sistema processual penal, na avaliação da prova, adota o sistema do livre convencimento motivado, exigindo do magistrado decidir a causa de acordo com sua livre convicção, desde que fundamentada em elementos constantes dos autos.
Neste sentido, “prova” seria a soma dos fatos produtores da convicção, o que pode se dar até mesmo por meios indiciários, analisados em conjunto, formando um quadro probatório robusto. A lei estabelece que indício é a circunstância conhecida e provada que, tendo relação com o fato que se quer provar, autorize, por indução, concluir-se a existência de outra. O método indutivo pretende extrair uma regra geral a partir da recorrência de determinadas circunstâncias particulares. Figurativamente, agente com faca em punho perto do corpo da vítima pode ser, prima facie, o assassino.
Percebe-se que a “teoria do domínio do fato” também requisita, ao menos, indícios para que se possa vincular o mandante ao crime realizado pelo executor. Indícios, porém, não suplantam indigência probatória. Inadmite-se presumir responsabilidades ou aplicar regras da experiência em substituição à prova. Não é na cabeça do juiz, nem da opinião pública ou da “opinião publicitária”, que esses indícios devem coeexistir, mas, sim, no bojo do processo criminal. Dali é que devem ser hauridos. Lidar com indícios, como se vê, requer muita cautela, pois nem sempre onde há fumaça há fogo!
Ali Mazloum, juiz federal em São Paulo, especialista em Direito Penal e professor de Direito Constitucional
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Candidato Caô Caô


Candidato caô caô
Caô, caô a justiça chegou ...
Ele subiu o morro sem gravata
dizendo que gostava da raça, foi lá
na tendinha, bebeu cachaça e até
bagulho fumou
Foi no meu barracão, e lá
usou lata de goiabada como prato
eu logo percebi é mais um candidato
As próximas eleições
As próximas eleições
As próximas eleições
Fez questão de beber água da chuva
foi lá na macumba e pediu ajuda
bateu a cabeça no gongá
"deu azar"...
A entidade que estava incorporada disse:
- Esse político é safado cuidado na hora de votar !
também disse ...
- Meu irmão se liga no que eu vou lhe dizer
hoje ele pede seu voto, amanhã manda a polícia lhe bater ...
- Meu irmão se liga no que eu vou lhe dizer
hoje ele pede seu voto, amanhã manda a polícia lhe prender ...
hoje ele pede seu voto, amanhã manda a policia lhe bater ...
eu falei prá você, "viu"?
Falado por Bezerra da Silva:
Esse político é safadão hein !!!
Nesse país que se divide
em quem tem e quem não tem,
sempre o sacrifício cai no braço operário
Eu olho para um lado, eu olho para o outro
vejo desemprego e vejo quem manda no jogo
E você vem, vem, pede mais de mim
diz que tudo mudou e agora vai ter fim,
mas eu sei quem você é e ainda confio em mim
Esse jogo é muito sujo mas eu não desisto assim ...
Você me deve ... Ah ah ah ah !!!
Malandro é malandro e mané é mané !!!
Você me deve ....
Você me deve seu banana prata !!!
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Três Destaques

Sem desmerecer nenhuma, nestas eleições, o interesse nacional se concentrou em apenas três cidades.
Hoje à noite, saberemos o que nelas aconteceu - bem como em todas.
As eleições dos prefeitos de São Paulo, Belo Horizonte e do Recife motivaram mais discussões, receberam maior cobertura jornalística e foram mais atentamente acompanhadas que as outras. Mas não por ser as mais importantes.
É bom para qualquer partido, grupo político ou pretendente a candidato presidencial terminar a eleição como “vitorioso” nessas cidades. O que não quer dizer que seja inequívoco o significado da expressão “vitória”.
Tampouco é óbvio o impacto que sair-se bem nas três tem na política nacional ou estadual. Já tivemos tantas combinações de resultados que não faz sentido imaginar que só uma hipótese exista.
Em Belo Horizonte, por exemplo, o PT venceu a eleição de prefeito em 1992 com Patrus Ananias e o PSDB elegeu Eduardo Azeredo para o governo mineiro dois anos depois. O mesmo se repetiu em 2004 e 2006, com Fernando Pimentel e Aécio. O fato de o PT ter o prefeito da capital não foi garantia de sucesso na disputa seguinte para o governo do estado.
Assim como ocupar o Palácio da Liberdade não levou o PSDB à prefeitura da cidade.
Quanto às eleições presidenciais, a pouca vinculação entre escolhas locais, estaduais e nacionais fica evidente se lembrarmos que, em 2010, Marina Silva venceu o primeiro turno em Belo Horizonte, apesar do tamanho que PT e PSDB têm na cidade e em Minas.
A força de Eduardo Campos em Pernambuco não aumenta se o candidato que indicou, Geraldo Julio, vencer a eleição no Recife - hoje ou no segundo turno. Nem diminui se não.
Se vier a sofrer uma derrota (o que não parece provável), o governador continuará a principal liderança do estado. Se ganhar, apenas confirmará algo que ninguém discute.
E ele, mais que qualquer pessoa, sabe que não será o resultado do Recife que o tornará um presidenciável viável.
E São Paulo?
Não há exemplo maior da desconexão entre as eleições de prefeito e as outras que a vitória de Celso Pitta em 1996. O PSDB estava no governo do estado e na presidência da República, mas foi derrotado pelo herdeiro de Paulo Maluf. Permanece no Palácio dos Bandeirantes desde 1994, apesar das mudanças na administração da capital.
Lula perdeu e ganhou eleições presidenciais com o PT na prefeitura. E as derrotas tucanas desde 2006 nada tiveram a ver com quem lá estava.
O que as eleições nas três cidades têm é importância política e simbólica. Nas sucessões estaduais e nacionais, não são decisivas.
O “grande duelo” deste ano, que ocorreria em São Paulo, tendo Lula de um lado e o PSDB do outro, não aconteceu - pelo menos por enquanto, pois não se pode excluir um segundo turno entre os dois. Celso Russomano alterou o jogo.
Qualquer que seja o resultado final, PT e PSDB sofreram com isso. Se um dos dois não estiver no segundo turno, mais que o outro. Mas nenhum terá a vitória que desejava.
No Recife, o PSDB ganha, mesmo se Daniel Coelho não vencer. Fez a coisa certa apostando na renovação, o que, em política, costuma gerar dividendos, se não no curto, no longo prazo. E o PT errou, confundindo-se em conflitos internos que impediram a manutenção da aliança com Eduardo Campos. Só por isso não estão juntos e não por “estratégia do PSB”, como alguns, equivocadamente, interpretam.
Quanto a Belo Horizonte, em qualquer cenário, o PT sai fortalecido da eleição. Pela primeira vez em vários anos, está unificado.
Mas não é mais hora de imaginar o que pode acontecer.
Bom voto a todos!
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
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Caracas, Venezuela

"Ou o argumento político está na boca do povo, ou não está em lugar algum. Nas 'pesquisas' e na 'mídia', então, é onde não está, mesmo, com certeza".

Grande Chávez!
Vila Vudu
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Choques do novo

Na noite de 29 de maio de 1913 quase tiveram que chamar a polícia para conter uma revolta que começara no interior do Théâtre des Champs-Élysées, em Paris, e ameaçava transbordar para a rua. A revolta era da plateia contra o balé “Ritos da primavera”, de Igor Stravinsky, com coreografia de Nijinski para o Ballet Russe, de Sergei Diaghilev.
Não se sabe o que provocou as primeiras manifestações de desagrado da plateia, que foram num “crescendo” até se transformarem em rebelião: se a música de Stravinsky ou a coreografia de Nijinski. Suponho que o balé tenha ido até o fim, apesar das vaias e da iminência de invasão do palco pelo público, com o risco de linchamento de bailarinos.
Hoje você ouve a música de Stravinsky e não consegue entender o que revoltou tanta gente. E não dá para imaginar uma coreografia tão estranha que destoasse do que se vê hoje em qualquer palco.
O que aconteceu com a plateia no Théâtre des Champs-Élysées na noite de 29 de maio de 1913 foi o mais notório exemplo do choque do novo na história da arte. Criadores incompreendidos que precisaram esperar anos para o reconhecimento da sua novidade foram muitos, mas nenhum episódio reverberou tanto, na sua época e depois, quanto a violenta rejeição de “Ritos da primavera”.
Até se pode dizer que a revolta da plateia naquela noite de primavera foi uma espécie de rito de passagem. Depois dela nenhum choque do novo foi tão grande, ou pelo menos tão barulhento.
Qualquer vanguardista lhe dirá que fica cada vez mais difícil espantar a burguesia. Coisas como a exposição de animais esquartejados como arte podem enojar, o que não é o mesmo que chocar.
É como se tivesse ficado na nossa memória coletiva o comportamento daquela plateia em 1913 e nos preocupássemos em não repetir o vexame. Nada mais nos choca, e se chocasse não diríamos.
Mas também não deixa de haver uma certa nostalgia pelo tempo em que a arte nova despertava paixões, mesmo paixões reacionárias. E ela tinha uma importância que perdeu, agora que se aceita tudo.
Luís Fernando Veríssimo
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Como fazer uma propaganda eleitoral

Direção: Pepe Mendina
Roteiro: Marcos Piangers, Pepe Mendina, Eduardo Mendonça, Thiago Prade
Argumento: Marcos Piangers
Atores: Eduardo Mendonça, Thiago Prade, Marcos Piangers, Adriano Ramos, Donato Oliveira, Bruno Krieger, Douglas Dias
Direção de Fotografia: Thiago Cauduro
Produção de Elenco: Kelly Goebel
Elenco de Apoio:
Rogério Fernandes
Matheus Silveira Corrêa
Stephanie Borges
Bruno Cardoso
Adriane Guerreiro
Bruno Kauer
Eduardo Weber
Nicky Cerato
Tiago Jardim
Bruna Schuler Eltz
Kelly Goebel
Suelen Antoniazzi
Maurício Peralta
Tayse Conter
Andi Morais
Montagem: Pepe Mendina, Eduardo Mendonça, Marcos Piangers
Edição: Pepe Mendina e Lui Felippe
Áudio direto: Pedro Zani
Locuções: Marcos Piangers e Eduardo Mendonça
Jingle/Composição: Marcos Piangers, Eduardo Mendonça e Pepe Mendina
Jingle/Produção e arranjo: Matheus Zingano
Jingle/Execução: Matheus Zingano e Otto Gomes
Assistência de Direção: Lui Felippe
Finalização: Zé Chico
Produção: Binho Lemes, Pepe Mendina, Eduardo Mendonça, Fábrica de Conteúdo
Agradecimentos: João Xavier, Sergio Costa
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Venezuelanos preparam-se para votar

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Pedro Cardoso: É hora da elite brasileira ceder!

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O patético discurso de um salafrário

Não há nada mais farsesco do que FHC falar de decência, quando fez um governo baseado na venda do patrimônio do povo brasileiro a preço vil, mas com direito a gorda propina aos quadrilheiros que o cercavam, tudo depositado em paraísos fiscais, não satisfeito, comprou criminosamente um segundo mandato, cujo desempenho foi tão desastrado que deixou o Brasil em situação semelhante à atual de Grécia, Espanha e outros; em bem estar social, quando relegou metade do povo brasileiro à miséria, quebrando as finanças do país por três vezes e sendo um dependente do socorro frequente do FMI; em democracia, quando administrou o país como se estivesse à frente de uma quadrilha de gangsters que pouco se importava com povo, lei, decência e tudo mais que é obrigação constitucional do governante.
Claro que não há sinceridade alguma no que ele escreve, apenas tenta ludibriar o eleitor que o enxotou e a  seu pretenso continuista, desde então impondo a esses malfeitores sucessivas derrotas eleitorais, amortecidas apenas pelo trabalho delinquente de desinformação a que se prestam as corporações midiático/empresariais, cujo papel na história do país é recorrentemente ação deletéria contra a construção de uma nação soberana.
Mesmo assim, é pouco provável que a população brasileira tenha esquecido o mal praticado por esse que foi o mais audacioso assaltante dos cofres públicos, com consequências danosas sentidas até hoje no custo da reconstrução de nossa indústria naval, do nosso sistema de transportes, na desconcentração da renda, no resgate do ensino público, da saúde pública, enfim, na reconstrução de um país cujo triste emblema foi, certa feita, ter seu embaixador revistado em um aeroporto estadunidense. Talvez, os fiscais que procederam a tal revista estivessem procurando algo tão diverso do que se passava na cabeça do revistado, certamente sabedor que o "limite da irresponsabilidade", marca registrada do governo a que servia, já havia sido ultrapassado há tempos. Patético! 
No Ilharga
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O prazer de votar

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Charge online - Bessinha - # 1508

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Verticalização da Pampulha por Oscar Niemeyer: "burrice ativa e devastadora"

Em debate entre os candidatos a prefeitura de Belo Horizonte, em 2008, o então candidato, Márcio Lacerda rechaça a ideia de verticalização na Pampulha.
Para encobrir a mentira e legitimar junto a população a ação, a velha tática do terror. A Copa está aí e se não for assim, destruindo ainda mais a cidade, não conseguiremos abrigar os turistas nos hotéis. Ou, a cidade precisa do desenvolvimento e dos empregos, ausentes sem a verticalização.
Oscar Niemeyer, informado sobre projetos para verticalização da Pampulha se indigna.
Na época o projeto foi barrado. Mas o prefeito e sua tropa, liderada pelo presidente da Câmara de Vereadores, Léo Coxinha Burguês, não se deram por vencidos.
Vamos barrar novamente.
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