6 de out de 2012

A hora de refletir

É sábia a legislação ao impor silêncio à propaganda eleitoral nas horas que antecedem o voto. Ainda que esse silêncio não seja total, com a violação das regras pelos candidatos e seus cabos eleitorais, a redução do bombardeio de slogans, insultos e intrigas pelos meios eletrônicos permite aos eleitores fazer o inventário das informações, promessas e projetos, avaliar seus próprios sentimentos e emoções e comparecer às urnas com o seu voto. Os especialistas afirmam que é nessas horas que a eleição é decidida. A política se faz com a emoção e com a razão, mas é difícil saber qual das duas categorias prevalece no momento final. Muitos afirmam que, embora não seja a melhor conselheira, a emoção domina no processo de escolha. A liderança é um ato de sedução.
Há, sem embargo disso, que contar com uma terceira posição na hora de votar: o interesse próprio. Há vários tipos de “cabresto”, para usar a imagem conhecida. Ainda há o eleitor que vota por um par de botinas, o remédio para seus achaques ou uma quantia em dinheiro vivo.
Mais graves são os interesses maiores, os do grande capital, que financiam candidatos, partidos e pessoas influentes. Desde os tempos bem antigos, dinheiro e poder têm sido irmãos quase inseparáveis. Como dizia – na velha e sempre citada Grécia – o venerado Platão, há duas cidades na cidade: a cidade dos ricos e a cidade dos pobres.
Enquanto houver ricos, haverá pobres. Para que não haja mais pobres na cidade – o endereço de todas as utopias – é necessário que não haja mais ricos. Dessa forma, desde que há sociedades organizadas, a História se faz nessa tensão permanente entre os que oprimem e os que resistem. A política se encarrega de administrar esse conflito, seja pela força das ditaduras, seja pelas regras republicanas, mais democráticas umas e menos democráticas outras. Ainda que dominada pela associação entre os patrícios ricos – quase sempre bem sucedidos concessionários do Estado – e o poder militar, a República Romana sabia engambelar as massas, mediante o tribunato da plebe e a possibilidade de ascensão dos pobres ao mando, pelo desempenho bélico, como foi o caso exemplar de Caio Mário. Como também ocorre em nossos dias, o poder de fato sabia como cooptar homens de talento para garantir o sistema.
Os que se dedicam ao estudo da História sabem que as coisas mudaram pouco e “as duas cidades” continuam opondo-se uma à outra, até que a utopia cristã da igualdade (vivida por Pedro e a sua Igreja do Caminho) se imponha na Terra. A vida dos pobres é a crônica de uma eterna resistência em nome da esperança.
As eleições municipais de domingo se realizam em momento delicado. O Procurador Geral da República, em momento de descuido de seu ofício, manifestou o desejo de que o julgamento da Ação 470 influa no pleito. Sua escolha, assim obliquamente manifestada, prevaleceu sobre os seus cuidados de primeiro promotor da justiça do país. Salvo melhor juízo, ele teria agido com mais prudência, se se limitasse aos autos do volumoso processo e, sobre o resto – nesse resto o momento eleitoral – fizesse o necessário silêncio.
Ao votar, se houver eleição em seu município, que o faça como quiser. Mas não parece adequado que o Procurador se transforme em porta-voz dessa ou daquela facção política. Já basta que o candidato do PSDB de São Paulo, José Serra, atribua ao STF a tarefa de agir contra Lula como, em 1954 e 1964, agiram os meios de comunicação contra Vargas e Jango.
No caso de Serra, as suas dificuldades eleitorais podem ter desatado os freios da razão, e, com eles a sua língua. O Procurador, não estando sob o redemoinho do processo eleitoral, está poupado desses descuidos. O Procurador Geral da República é, em certo sentido, o príncipe do Ministério Público. E, como advertia Richelieu, le premier devoir d’un Prince c’est de tenir sa langue.
Há uma tendência em considerar o pleito de domingo como manifestação prévia de como se comportará o eleitorado nas eleições gerais de 2014. É certo que nas alianças que se desenham nas grandes capitais podem prever-se as coalizões do futuro próximo. Mas, sob as doutrinas, e sob as aparências, o que está em questão é o eterno conflito entre as duas cidades que Platão identificara na emblemática Atenas de seu tempo.
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O lugar de Genoino

Nossos crocodilos ficaram sentimentais. Em toda parte vejo lágrimas que acompanham os votos que condenam José Genoino.
Na imprensa, em conversas com amigos, ouço o comentário, em tom de solidariedade. Parece consciência pesada, em alguns casos.
Não estamos diante de um melodrama mas de uma tragédia.
Genoino está sendo condenado num julgamento marcado por incongruências, denuncias incompletas e presunções de culpa que começam a incomodar estudiosos e acadêmicos. Foi isso que explicou Margarida Lacombe, professora de Direito da UFRJ, em comentário na Globo News. Sem perder suavidade na voz, a professora falou sobre necessidade de provas contundentes quando se pretende privar a liberdade de uma pessoa. Não falou de casos concretos, não criticou. Fez o melhor: informou. Lembrou como esse ponto – a liberdade – é importante.
Vamos começar.
O STF que está condenando Genoino absolveu Fernando Collor com o argumento de “falta de provas.”
É o mesmo STF que, em tempos muito mais recentes, impediu que o país apurasse, investigasse e punisse a tortura ocorrida no regime militar.
Então ficamos assim. José Genoino, vítima da tortura que o STF impediu que fosse apurada, será condenado por corrupção, ao contrário de Fernando Collor.
Parece o Samba do Crioulo Doido do Stanislaw Ponte Preta. É. Mas não é o texto. E a “realidade brasileira”, como se dizia no tempo em que a polícia política perseguia militantes como Genoino.
Não há provas materiais contra Genoino e tudo que se pode alegar contra ele é menos consistente do que se poderia alegar contra Collor. Mas as provas da tortura são abundantes. Estão nos arquivos do Brasil Nunca Mais e em outros trabalhos. Foram arrancadas na dor, no sofrimento, na porrada, no sangue e, algumas vezes, na morte. Em plena ditadura, 1918 vítimas da tortura deixaram registros dessa violência nos arquivos da Justiça Militar. Nenhuma foi apurada e, se depender da decisão do STF, nunca será.
Collor foi beneficiado porque provas muito contundentes contra ele foram anuladas. Considerou-se, na época, que a privacidade do tesoureiro PC Farias havia sido violada quando a Polícia Federal quebrou o sigilo de um computador que servia ao esquema. Essa decisão – em nome da privacidade — salvou Collor.
Você pode dizer que os tempos eram outros e que agora não se aceita mais tanta impunidade. Aceita-se. Basta lembrar que, na mesma época, o mensalão do PSDB-MG virou fumaça na Justiça Comum. E quando Márcio Thomaz Bastos tentou mudar o julgamento do mensalão federal, alegou-se que era no STF que os crimes graves são punidos.
Vamos continuar.
Genoino está sendo condenado porque “não é plausível” que não soubesse do esquema. “Plausível”, informa o Houaiss, é sinônimo de aceitável, razoável. Olha o tamanho da subjetividade, da incerteza.
Isso porque ele assinou o pedido de empréstimo de R$ 3,5 milhões para o Banco Rural e por dez vezes refez o pedido. Não é plausível imaginar que um presidente do PT fizesse tudo isso sem saber de nada, acreditam três ministros do Supremo.
Mas fatos que são líquidos e certos não comoveram a acusação com a mesma clareza.
O empresário Daniel Dantas deu R$ 3,5 milhões para amolecer Delúbio Soares e Marcos Valério e cair nas graças do esquema. Não foram R$ 3,5 milhões subjetivos mas inteiramente objetivos.
Um pouco mais tarde, seu braço direito Carla Cicco assinou um contrato de R$ 50 milhões com as agências de Marcos Valério para transformar a turma do PT em geléia. Chegaram tarde. Depois de pagar a primeira prestação, a casa caiu e eles suspenderam o pagamento.
Como não gosto de pré-julgar, não acho que Daniel Dantas seja culpado por antecipação. Não acho mesmo. Vai ver que estava tudo lá, bonitinho. Também podia ser ajuda para o Fome Zero rsrsrsrsrs
Ou quem sabe fosse tudo para Valubio.
Mas não teria sido melhor que ele fosse ouvido no tribunal, para mostrar sua inocência?
Não teria sido uma forma de mostrar que a Justiça é cega?
Mas ela não foi.
O esquema privado do mensalão, informa a CPMI, chegou a R$ 200 milhões. Quantos empresários foram lá, dar explicações? Nenhum.
Alguém acha plausível, aceitável, razoável, que fossem inocentados por antecipação?
Não há nada “plausível” que se possa fazer com R$ 200 milhões?
Só a Telemig, que pertencia ao grupo Opportunity, de Daniel Dantas, entregou mais dinheiro às agências de Valério do que o Visanet, que jogou o petista Henrique Pizzolato na vala dos condenados logo nos primeiros dias.
O que é plausível, neste caso?
Nós sabemos – e ninguém duvida disso – que Genoino fazia política o tempo inteiro. Fez isso a vida toda, com tamanha inquietação que, numa fase andou pela guerrilha do Araguaia e, em outra, ficou tão moderado que parecia que ia preencher ficha de ingresso no PSDB.
Chegou a liderar um partido revolucionário à esquerda do PC do B e depois integrou as correntes mais à direita do PT.
Então vamos lá. É plausível imaginar que Genoino tenha ido atrás de recursos de campanha? Sim. É plausível e até natural. Basta deixar de ser hipócrita para compreender. Política se faz com quadros, imprensa, propaganda, funcionários. Isso custa dinheiro.
Isso fez dele um dirigente que subornava adversários para convencê-los a mudar de lado, como quer a acusação? Não.
Eu não acho plausível, nem aceitável nem razoável. Duvido inteiramente, aliás.
E se eu tiver errado, quero que me provem – de forma clara, contundente. Sem essas suposições, sem um quebra-cabeças que joga com a liberdade humana.
Sem fogueira de tantas vaidades.
Não chore por nós Genoino.
Alegou-se que a tortura não poderia ser apurada para preservar a transicão democrática.
A democracia avançou, as conquistas foram imensas. Mas os perseguidos, no fundo, bem no fundo, são os mesmos.
Não é um melodrama. É uma tragédia.
Paulo Moreira Leite
No Vamos combinar
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A essência da nação militante petista

Temos paixão. Somos convictos e contagiantes. Provavelmente a militância mais numerosa do planeta. Somos autênticos, corajosos e batalhadores. Estamos impregnados de verdade e nossa causa é a mais justa de todas. Por isso não desistimos jamais. O que nos move passa longe de vingança, ódio a um partido ou a um candidato e o que aprendemos não está nas manchetes das cartilhas penduradas nas bancas de jornal. Ao contrário de nossos adversários, não ecoamos preconceito racial e social, individualismo e limpeza étnica. Nossos desejos não se realizam às custas do sofrimento alheio e não pretendemos derrubar o Brasil e humilhar seu povo em nome de nossa vitória.
Não nos enganam mais os apresentadores, os locutores, os porta-vozes, os tradutores, os comentaristas e os novelistas que tentam corromper nossas consciências a todo custo. Não nos interessam mais as teorias, os modelos, as tendências, as fachadas, os apelidos, a maquiagem e as máscaras dos falsos patriotas.
Sonhamos um Brasil forte, justo e soberano. Um Brasil que já quase podemos tocar, que vibra nos rostos iluminados de nossas crianças. Enxergamos um horizonte real, atingível, construído por cada um de nós através dos governos vitoriosos que elegemos. Somos NÓS que estamos lá. Mais do que representados, donos do nosso destino. Estamos encravados na história e no futuro deste novo Brasil e desta nova América para sempre. Não seremos demovidos por qualquer instrumento que não seja a vontade soberana do povo, expressa em eleições justas e democráticas.
Não buscamos lucro ou vantagem pessoal. O que nos move é a confiança, a certeza de que é possível melhorar nossas vidas e a vida de todas pessoas, independente da cor, do sexo e da classe social. Acreditamos que é possível tornar este país mais justo, um lugar melhor de se viver. Para que nossos filhos não tenham vergonha de serem brasileiros. É isso que nossos adversários não compreendem. Essa entrega a uma causa que beneficia milhões de pessoas do norte ao sul do país. Os conservadores estacionados no século passado e sua imprensa podre nos estranham porque só conhecem os caminhos do preconceito, da inveja e da trapaça para se alcançar um objetivo.
Os inimigos da democracia conspiram cada dia mais abertamente em nome de uma elite que decidiu “reaver seu país” a qualquer custo. Mais do que isso, planejam reescrever a história recente deste país. Devolver ao Brasil a condição de vira-latas da comunidade internacional, sempre submisso às vontades dos mercadores e assaltantes estrangeiros.
O desrespeito à constituição e às bases mais elementares do direito e da justiça exibidos pelo STF no julgamento da 470 e festejados pelo PiG durante e em função da campanha eleitoral, mostra que os conspiradores não estão ensaiando. Estão armando o bote – associados agora aos senhores das togas, que a cada dia que passa, tornam-se mais parecidos com seus colegas de cargo paraguaios.
Por isso enfrentamos essas forças predadoras e sua imprensa a cada dois anos. Sabemos que jamais desistirão – seja no voto, seja na marra. E sabemos que somente a vitória das forças progressistas nas eleições deste domingo poderá conter sua voracidade bestial e golpista que ameaça roubar-nos o estado de direito.
Somos amantes da verdade, da justiça e da prosperidade. Não nos vendemos e não nos rendemos.
Tudo isso nos diferencia dos mercenários da outra margem. E é por tudo isso que venceremos!
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Campanha de Serra distribui panfleto apócrifo que ataca PT

Panfleto apócrifo pede para que eleitor não vote no PT; um dos CNPJs informados é do PSDB

Malafaia ataca Haddad para defender Serra. Edir Macedo ataca Haddad pra defender Russomanno...

....Este blog apóia Hadadd pra livrar SP desta raia espectral

No Saraiva e Brasil! Brasil!
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O apresentador sem programa

 
Mesmo o esquálido volume de propostas revela Russomanno
É difícil saber o que o candidato Celso Russomanno (PRB) faria no comando da Prefeitura de São Paulo caso eleito. O apresentador evitou ao máximo, durante toda a campanha, dizer o que pensa. Quando decidiu se pronunciar, defendeu uma proposta aparentemente lógica, mas perigosa eleitoralmente: quem utiliza mais ônibus, pagará mais pelo transporte.
Como os usuários que andam mais são os moradores da periferia - e, logo, os mais pobres - Russomanno jogou contra o eleitorado que lhe pôs na liderança das pesquisas. Sem ter como voltar atrás e atacado pelos adversários, o ex-deputado federal caiu sete pontos percentuais pelo Ibope, divulgado anteontem, e cinco, pelo Datafolha de ontem.
Russomanno foi obrigado a parar de surfar na popularidade de apresentador de TV, cultivada há quase três décadas, e mergulhar na realidade dos problemas concretos da cidade.
Grandes problemas, complexos, mas cuja abordagem em sua propaganda eleitoral recebeu tratamento estrategicamente superficial, cosmético. Quanto menos se comprometer, melhor.
A questão do transporte público, essencial numa cidade com mais de 11 milhões de habitantes como São Paulo, já havia sido contemplada por Russomanno.
Ao estilo defensor dos direitos dos consumidores, pelo qual fez sua carreira em programas populares, o candidato propôs lutar pela entrega de um produto melhor: ônibus com piso rebaixado e ar-condicionado.
Nada muito sistêmico, estruturador - e sem previsão de custos. E nada muito diferente do restante de suas propostas, sequer organizadas em algo que se poderia chamar de programa de governo. O próprio candidato reconheceu ainda não ter um. Mas somente depois de ser instado a explicar a diferença entre o que anunciou como tal, em debate de TV, e o fino e genérico panfleto que já havia divulgado. Russomanno admitiu, então, que tem só um plano de governo - e não um programa.
Nos primeiros 26 dias de propaganda na TV, o candidato do PRB dedicou menos de 20% de suas inserções, os chamados spots, para tratar de políticas públicas, conforme mostrou o Valor. Em 80% dos spots, Russomanno falou de si mesmo ou de sua liderança nas pesquisas eleitorais.
Seu roteiro foi andar pelas ruas da cidade e apontar problemas como um repórter e apresentar soluções em forma de bandeira: "mais saúde", "melhor educação", "qualidade no transporte", sem entrar demasiadamente no mérito, em como mudar.
Os adversários demoraram a explorar o flanco - talvez até porque, entre eles mesmos, as propostas também não são levadas em alta conta. Queriam mais falar de religião. Enquanto as críticas a Russomanno se resumiam à acusação de pertencer a um partido que seria o braço político da Igreja Universal do Reino de Deus, o candidato do PRB empurrava a discussão para o campo, digamos, laico. A resposta - "Vamos falar de São Paulo?" - virou quase um bordão.
Ironicamente, quando os concorrentes resolveram questioná-lo sobre a cidade, Russomanno pareceu um leigo.
Às pressas, os cardeais - ou bispos - de sua candidatura procuram especialista de renome que possa assinar o incipiente programa de governo.
A falta de um corpo de ideias pode refletir uma decisão estratégica. Candidatos teimam em apresentar programas de governo quando isso deveria ser uma obrigação prévia - a legislação só exige que seja feito o registro de um plano. Também pode refletir o descaso, o despreparo ou a falta de um partido ou grupo político com formulações mais ou menos claras a respeito dos principais problemas a serem enfrentados.
Mas mesmo o esquálido volume de propostas sugerido pelo franzino candidato do PRB pode revelar suas preferências. Governar é fazer decisões políticas, que na maioria das vezes privilegiam um segmento em detrimento do outro.
Russomanno já foi filiado ao PFL (hoje DEM), ao PSDB e ao PP, e no início de sua vida política assessorou o então governador Paulo Maluf e o último vice-presidente do regime militar, Aureliano Chaves, ambos oriundos da Arena, partido que sustentava a ditadura. Sua linhagem partidária é conhecida e coerente. E diz muito sobre seu perfil ideológico, embora Russomanno, como a maioria dos políticos de direita no Brasil, não se assuma como tal.
A proposta do candidato para o transporte público de São Paulo segue a mesma lógica do pensamento que está por trás, por exemplo, das críticas às cotas sociais no ensino público e às transferência de renda para populações mais pobres.
É a lógica da não interferência do Estado na correlação de forças sociais e que leva à manutenção do status quo - uma das premissas clássicas do conservadorismo. A proposta de Russomanno, aparentemente igualitária, é, na verdade, liberal.
Não é um pecado capital para a candidatura, dado que o eleitorado em São Paulo tem se comportado tradicionalmente de modo conservador. Mas causou um estrago. Deu munição, principalmente para o petista Fernando Haddad, que esperava obter uma maior proporção de votos da periferia e tenta desmascarar Russomanno como o legítimo defensor dos interesses da população mais pobre.
É de se perguntar também por que o tropeço de Russomanno ocorreu na área de transporte. Uma explicação plausível é a limitação percebida em outros campos, como a saúde (seara mais afeita ao tucano José Serra, ex-ministro desta Pasta) e a educação (especialidade de Haddad, também ex-ministro, e do pemedebista Gabriel Chalita, ex-secretário estadual).
Se, por um lado, a disputa em São Paulo põe em xeque a importância dos dois principais partidos, o PT e o PSDB, em estruturar as preferências do eleitorado, por outro, a ascensão personalista de Russomanno não ficou imune às pressões dos sempre imponderáveis fatores de campanha. Resta saber se ele vai sobreviver.
Cristian Klein
No Valor
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Por que votar em Fernando Haddad?

1. Bilhete Único Mensal
Haddad vai criar uma ótima opção para quem usa o transporte público frequentemente. O Bilhete Único Mensal custará R$140,00 e metade disso, R$70,00, para estudantes. E você vai usar o transporte sem limites, o mês todo, inclusive nos fins de semana. Quem não usa muito poderá continuar com o Bilhete Único de três horas.
Com o Bilhete Mensal do Haddad, mais pessoas poderão deixar seus carros de lado e optar pelo transporte público. Para atender ao aumento da demanda e proporcionar maior velocidade ao transporte público, Haddad criará mais 150 km de corredores de ônibus e mais 150 km de faixas exclusivas. Dará apoio financeiro ao metrô para a ampliação da rede e a integração com o Bilhete Único Mensal, exigindo metas. Também será garantida a acessibilidade universal, ou seja, a toda a frota de ônibus.
2. Rede Hora Certa
Serão 31 centros de saúde – um em cada subprefeitura – para a realização de consultas, exames e cirurgias simples, tudo com hora marcada e no mesmo lugar. Assim, os hospitais terão menos filas, porque vão se dedicar às emergências e às cirurgias que necessitam de internação.
Haddad ainda vai construir três novos hospitais – aqueles prometidos e não entregues pela gestão Serra/Kassab – e cinco novos prontos-socorros, além de implantar o Plano de Carreira para o Médico do Município, estimulando os atuais e atraindo novos profissionais para a rede pública.
3. Educação em tempo integral
O plano de Haddad é intensificar em São Paulo o programa Mais Educação, modelo de ensino em tempo integral que ele criou quando era ministro da Educação. O Mais Educação aumenta de quatro para sete horas a jornada escolar e o aprendizado acontece dentro e fora da escola – em um turno o estudante aprende na sala de aula e, no outro turno, o estudante é levado para museus, teatros e quadras poliesportivas.
A prefeitura de São Paulo não quis ou não soube trabalhar em parceria com o governo federal. Por isso, o Mais Educação avançou pouco em São Paulo. Com Haddad, o programa virá com força para cá.
Haddad também vai oferecer mais e melhor capacitação aos professores da rede pública, trazendo à cidade a Universidade Aberta do Brasil, que fornece aos professores municipais e estaduais cursos à distância de especialização, mestrado e doutorado. A implantação será feita com a participação dos professores, que terão seus direitos respeitados.
4. 20 novos CEUs
A construção de CEUs será retomada na gestão de Haddad. Ele vai fazer 20 novas unidades em quatro anos e ainda criará a Rede CEU, que integrará as demais escolas aos equipamentos e ao projeto pedagógico dos CEUs. Os avanços na educação conquistados no governo Marta serão ampliados.
O projeto pedagógico original dos CEUs vai ser retomado, articulando a educação com o esporte e a cultura. Também serão criados dois novos Centros Culturais, com Escolas Municipais de Artes e Casas de Cultura Digital. Haddad implementará o Fundo Municipal de Fomento à Cultura, ampliando os Pontos de Cultura, o VAI e criando o Bolsa-Cultura. Haddad também iniciará o projeto Internet Popular, com implantação de rede sem fio gratuita na cidade.
5. 172 novas creches
Eleito prefeito, Haddad terá a educação infantil como prioridade. Ele trará imediatamente os recursos federais disponíveis para São Paulo e construirá 172 creches. Em quatro anos, serão criadas 150 mil vagas de educação infantil.
Quando era ministro da educação, Haddad aprovou recursos do Proinfância para a construção dessas 172 creches, mas até hoje providências mínimas, como o preenchimento de um cadastro, não foram tomadas pela Prefeitura. E o dinheiro continua parado. Enquanto a prefeitura perde tempo, 150 mil crianças de 0 a 5 anos de idade esperam vaga em creche e pré-escola.
6. 55 mil novas moradias
Em quatro anos, a meta de Haddad é entregar 55 mil novas moradias, dando oportunidade para que milhares de famílias possam não só mudar de casa, mas mudar de vida, nas comunidades mais afastadas e no centro. Em espaços mal aproveitados, Haddad estimulará o surgimento de centralidades habitacionais, para atrair moradores de todas as classes sociais. Além disso, será retomado o projeto de produção de moradias no centro. Haddad vai trazer o Programa Minha Casa Minha Vida com toda força para a cidade.
O programa de urbanização de favelas será acelerado, para beneficiar 70 mil famílias em quatro anos. Haddad também dará novo ritmo ao processo de regularização fundiária. Em quatro anos, 200 mil famílias terão a segurança do seu título de propriedade.
7. Arco do Futuro
O Arco do Futuro é uma proposta de planejamento estratégico que visa equilibrar a cidade, levando trabalho a regiões periféricas e moradia ao centro, aproximando emprego e serviços públicos de qualidade do lugar onde as pessoas moram.
Com o Arco do Futuro, Haddad pretende resolver um dos problemas mais agudos enfrentados pelos paulistanos: o ir e vir. O projeto traça uma espécie de zona especial, uma linha que se inicia na Avenida Cupecê, na zona sul, segue pelas Avenidas Vicente Rao e Roque Petroni, continua pelas vias expressas que contornam o Centro Expandido, as Marginais Tietê e Pinheiros, e termina entrando para a zona leste, ao longo da ferrovia, até chegar e percorrer a Avenida Jacu-Pêssego.
Imagine essa linha como um Eixo de Desenvolvimento, para onde serão atraídas empresas e levadas construções e melhorias no sistema viário, através de novas vias e melhor aproveitamento das avenidas já existentes. Esse novo polo, além de facilitar a integração com a região metropolitana, vai redirecionar o crescimento, deixando o emprego bem perto de onde moram milhões de paulistanos. Além disso, esse modelo de desenvolvimento é capaz de criar novas centralidades em São Paulo, ou seja, requalificar outras regiões da cidade para atrair pessoas, negócios, serviços públicos e privados e, assim, diminuir a pressão sobre o centro histórico, que precisa ser preservado.
8. Imposto inteligente
Na prefeitura, Haddad vai usar o imposto de forma inteligente, para gerar benefícios reais, como ele já fez no Ministério da Educação. Quando era ministro, Haddad criou o ProUni, que troca os impostos que as universidades particulares já não pagavam pela oferta de vagas.
Na prefeitura, Haddad usará o imposto para levar o desenvolvimento ao eixo formado pelo Arco do Futuro, oferecendo incentivos em razão inversa à demanda do mercado imobiliário. Ou seja, o empresário que investir nas áreas onde há potencial construtivo terá desconto no IPTU. E o ISS vai cair de 5% para 2%.
Outra medida será a revisão das regras de Potencial Construtivo, para permitir a chegada de novos empreendimentos a lugares pouco desenvolvidos.
9. Fim da taxa da inspeção veicular
Haddad acabará com a taxa de inspeção veicular, aquela da Controlar. A prefeitura vai continuar fazendo a inspeção, uma vez que ela diminui a poluição. Mas não haverá custos para o contribuinte, pois este custo já está embutido no IPVA. Haddad sabe que é possível gerir a cidade sem cobrança abusiva de impostos.
Ainda no programa de governo de Haddad, a questão do meio ambiente passa pela redefinição urbanística, por uma descompressão da cidade, que também chega às águas. Os rios paulistanos devem, de fato, integrar a nossa paisagem, voltar à vida, com significado ecológico, social e econômico. Parques e prédios vão chegar ao Tietê e a construção de “prédios verdes” receberá incentivo fiscal.
10. Polícia comunitária
Na gestão de Haddad, a Guarda Civil Metropolitana passará a atuar como polícia comunitária. Será criado o Programa Territorializado de Prevenção da Violência e da Criminalidade, nos moldes dos Territórios da Paz do Pronasci, do Ministério da Justiça. E, em parceria com o governo federal, a prefeitura poderá aumentar sua ação preventiva e implementar ações sociais capazes de afastar os jovens do crime e das drogas, como o programa “Crack, é possível vencer”, do governo Dilma.
Haddad também vai melhorar a iluminação pública e aperfeiçoar o sistema de vigilância por câmeras. O vídeo monitoramento integrará a Guarda Metropolitana com a CET, o Samu, a Defesa Civil, a Polícia Militar e os bombeiros. As informações das câmeras de segurança serão compartilhadas pelos diversos serviços de proteção.
São Paulo ainda terá esporte 24 horas. Na periferia e no centro, quadras e parques serão equipados e iluminados para receber a juventude dia e noite, como acontece em outras cidades do mundo. Será criado também um Parque de Esportes Radicais na cidade. Mais esportes, cultura e lazer na cidade fazem os bairros mais seguros.
11. Controladoria Geral do Município
Com Haddad, a cidade ganhará uma Controladoria Geral do Município, para fiscalizar e prevenir a corrupção. Ela funcionará como a Controladoria Geral da União e vai coibir casos de conduta irregular de funcionários e órgãos da prefeitura. “O prefeito de São Paulo precisa contar com um controle interno. E o controlador terá status de secretário, para que consiga incidir nas demais secretarias, prevenindo o prefeito daquilo que pode acontecer”, explica o candidato.
12. São Paulo sem Miséria
O programa São Paulo sem Miséria de Haddad vai integrar a cidade ao Sistema Único de Assistência Social (SUAS), a rede de proteção social organizada pelo governo federal que reúne um conjunto de programas para atenção aos mais pobres. Com isso, Haddad vai construir, no mínimo, 60 novos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e um Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREA) em cada subprefeitura.
Com Haddad na prefeitura, São Paulo será uma cidade que garante os direitos humanos de todos. Uma cidade que combate a violência contra as mulheres e as crianças, que respeita a diversidade, valoriza as diferenças e combate o racismo e todas as formas de discriminação.
13. O melhor ministro da Educação
Fernando Haddad bateu todos os recordes de realizações quando foi ministro da Educação, da creche à universidade. Ele desenvolveu dezenas de programas novos, como o ProUni, que colocou 1 milhão de jovens pobres na universidade. Com Lula, Haddad criou 224 escolas técnicas e 618 polos da Universidade Aberta do Brasil. No Fies, beneficiou 530 mil estudantes. E levou a universidade federal para 126 municípios. O trabalho foi tanto que Lula e Haddad triplicaram o orçamento da educação do Brasil.
Com Dilma, a trajetória se repetiu: “Criamos o programa que dá bolsas no exterior a 100 mil brasileiros. Administrei um orçamento de R$80 bilhões, o dobro do de São Paulo, sem uma única denúncia”, conta. Haddad também criou o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Tecnológico e Emprego (Pronatec), ampliando a oferta de cursos de educação profissional e tecnológica.
Haddad também criou o sistema de ensino em tempo integral Mais Educação e o Caminho da Escola, que entregou milhares de ônibus, bicicletas e barcos novos para o transporte escolar. Ainda ampliou a Educação Inclusiva, fazendo com que mais crianças com deficiência estudem em salas de aula regulares. E implantou o Fundeb e o Proinfância, garantindo recursos para milhares de creches em todo o país.
No Limpinho & Cheiroso
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Carromero e a fraude Yoani Sánchez

O jornalista da rádio de Bayamo, Yunior Garcia Ginarte, relatou na noite de 4 de outubro, através da rede social do twitter, a detenção da blogueira Yoani Sánchez e de seu marido Reinaldo Escobar nessa cidade. Afirmou que o casal viajava sob “orientações da Sina (Seção de Interesses dos Estados Unidos em Cuba) recebidas na semana passada para criar um show midiático e causar danos ao julgamento” do político espanhol do Partido Popular Ángel Carromero. Ele é acusado de ser o responsável da morte de cubanos quando dirigia um veículo em viagem pela Ilha para assessorar e financiar atividades políticas. Carromero admitiu a sua culpa no acidente.
Garcia Ginarte escreveu que “Yoani Sánchez viajou a Bayamo para fazer um show provocativo e atrapalhar o julgamento de Carromero” e que foi detida por autoridades locais. Segundo informa, as autoridades “têm provas que indicam uma repetição da desgastada historieta da famosa golpista”, numa referência à feroz campanha midiática orquestrada sem provas, em novembro de 2009, que terminou em uma entrevista falsa com o presidente estadunidense Barack Obama.
Yoani é correspondente do diário espanhol El País por milhares de euros, sem estar credenciada pelas autoridades cubanas e, além da entrevista fraudulenta com Obama, difundiu volumes de informações falsas como a invasão policial em uma igreja em Havana que nunca ocorreu, ou um tiroteio em um carro diplomático venezuelano que “não passou de uma pedra lançada por um cortador”. No caso de Carromero, Yoani Sánchez desencadeou uma rede de mentiras que levou o El País a suspender temporariamente sua cobertura e reativar seu correspondente em Cuba, Mauricio Vicent.
São elementos que em qualquer país do mundo seriam tratados como difamação, mas, como disse Garcia Ginarte, é previsível que a indústria midiática tenha construído este personagem e amplificado suas mentiras para repetir desta vez uma farsa similar a de 2009, ignorando seu histórico fraudulento. Em 29 de setembro, a polícia espanhola retirou os jornalistas da Praça Neptuno para atacar os manifestantes e somente o secretário-geral da Esquerda Unida, Cayo Lara, protestou. É possível que agora vejamos que os que se calaram, arranquem os cabelos para defender uma correspondente fraudulenta.
Os correspondentes estrangeiros em Cuba acabam de viver uma amarga experiência quando foram cúmplices em uma “greve de fome” que não passou de uma festança. Esperamos que desta vez sejam melhores profissionais.
Tradução de Sandra Luiz Alves
Iroel Sánchez
No La Pupila Insomne
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Um dos mais seguros do mundo, sistema eleitoral venezuelano une biometria e impressão

Um dos mais seguros do mundo, sistema eleitoral venezuelano une biometria e impressão
Ao todo são cinco processos distintos e separados, o que permite que até quatro eleitores possam votar simultaneamente
Caracas – Nas eleições de amanhã (7) na Venezuela, não será preciso levar uma cola com o número do candidato para o centro de votação. Ao contrário do Brasil, os quase 19 milhões de eleitores aptos a votar escolherão apenas o presidente – governadores e deputados são escolhidos em outras datas. Além disso, no sistema venezuelano o voto é dado também para os partidos políticos.
Cada partido apoia um candidato, logo, na urna eletrônica, haverá 12 fotos do presidente e candidato a reeleição, Hugo Chávez; 22 fotos do opositor Henrique Capriles e uma foto de cada um dos cinco candidatos independentes: María Bolívar, Yoel Acosta Chirinos, Reina Sequera, Luis Reyes e Orlando Chirinos. Acosta Chirinos já desistiu da disputa, mas a foto permanece.
Diferentemente das urnas eletrônicas brasileiras, onde se utilizam números para identificar cada candidato a presidente, na Venezuela cada partido registrado no Conselho Nacional Eleitoral (CNE) terá um espaço com a foto do candidato que apoia. A urna venezuelana é composta por uma tela tátil, como se fosse um enorme aparelho celular touch screen, e uma pequena impressora. O partido que obteve mais votos nas eleições legislativas de 2008 escolhe onde posicionar seu espaço. Neste caso, o Partido Socialista Unificado da Venezuela (PSUV), ao qual é filiado o presidente Chávez, é o primeiro da lista. Chavistas e opositores separaram a enorme tela com fotos dos dois candidatos juntas para facilitar a vida do eleitor.
Elogiado pelo renomado Centro Carter, comandado pelo ex-presidente dos EUA Jimmy Carter, o sistema eleitoral venezuelano promete ser blindado contra fraudes e erros, já que passou por duas simulações nacionais, 16 auditorias e está sendo observado por 245 acompanhantes internacionais e cerca de quatro mil observadores nacionais. O chefe da missão de acompanhamento da União das Nações Sul-americanas (Unasul) na Venezuela, Carlos Álvarez, destacou a confiabilidade do sistema. “Em um processo em que se joga com certas notas dramáticas, o importante é contar com um árbitro de confiança”, afirmou.
A sala de votação deverá esta pronta para o voto às 06h. Se não houver mais eleitores nas filas, o local é fechado pontualmente às 18h. Serão 13.810 centros de votação. Dentro deles, 39.322 mesas eleitorais, o que dá uma média de três urnas por local de votação. Geralmente são utilizados colégios da rede pública.
Durante a disputa eleitoral, iniciada em 1º de julho, houve algumas modificações nos 39 partidos que concorrerem às eleições. De acordo com a normativa do CNE, até 10 dias antes das eleições os partidos podem fazer mudanças ou declinar de apoiar algum candidato. Uma dessas mudanças foi a de Acosta Chirinos, que irá apoiar Chávez. Os partidos Vota Piedra, Cambio Pana e Manos por Venezuela retiraram o apoio a Henrique Capriles. Quem escolher por eles estará anulando o voto. O Partido Unidade Democrática também retirou seu apoio a Capriles e migrou para o lado de Sequera. Como nenhuma dessas mudanças pode ser realizada na urna, o CNE vai afixar em todos os centros de votação advertências para os eleitores desavisados.
Ferradura
Outro processo criado para agilizar o voto é o formato de ferradura utilizado na sala de votação. A sala é organizada em cinco processos distintos e separados, o que permite que até quatro eleitores possam votar simultaneamente.
Primeiro, o eleitor apresentará a cédula de identidade e colocará seu polegar direito na máquina para a impressão digital. A urna então é habilitada quando os dados do eleitor aparecem na tela, conferidos com a identidade. Se os dados não aparecerem, o mesário utiliza outros dedos do eleitor. Se mesmo assim a máquina não reconhecer a impressão digital, é utilizada uma planilha de incidência para registrar o fato, verifica-se a documentação, toma-se as impressões digitais do eleitor, e é autorizada a votação. “Há algum problema com trabalhadores da construção civil, com pessoas mais velhas e com quem faz trabalho manual. Mas das 16 auditorias que foram feitas no sistema até hoje, uma delas foi a revisão das impressões digitais”, explica Karlha Velasquez, jornalista venezuelana especializada no tema.
Esta sai "papelzinho" confirmando o voto.
Depois de terminada essa etapa, o eleitor escolhe na tela tátil seu partido de preferência, entre os atuais 36 que estão habilitados. Aparecerá então em outra tela em frente ao eleitor a foto do candidato, o nome do partido e a opção “votar”. A máquina imprimirá um boleto com o voto para que o eleitor verifique-o e deposite-o em uma urna de papelão que estará ao lado.
O terceiro passo será assinar a ata de presença e colocar outra vez sua impressão digital no caderno. Por último, cada eleitor deverá pintar seu dedo mindinho com uma tinta indelével, também para evitar qualquer tipo de fraude. O eleitor” tem seis minutos para votar”, explica o diretor de planejamento do CNE Luis Piedra. Depois desse tempo, a urna se bloqueia e abre-se para outro eleitor.
Além de todo esse processo, os principais partidos políticos mobilizaram grandes grupos de fiscais para verificar a votação em cada uma das urnas do país. O PSUV terá 50.397 fiscais, a MUD (Mesa da Unidade), coligação de Capriles, 52.776 e o candidato Luis Reyes, 830.
Marina Terra
No OperaMundi
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¿Por qué Chávez?

presidente-chavez
Hugo Chávez es sin duda el jefe de Estado más difamado en el mundo. Al acercarse la elección presidencial del 7 de Octubre, esas difamaciones se tornan cada vez más infames. Tanto en Caracas como en Francia y en otros países. Atestiguan la desesperación de los adversarios de la revolución bolivariana ante la perspectiva (que las encuestas parecen confirmar) de una nueva victoria electoral de Chávez.
Un dirigente político debe ser valorado por sus actos, no por los rumores vehiculados en su contra. Los candidatos hacen promesas para ser elegidos: pocos son los que, una vez electos, las cumplen. Desde el principio, la promesa electoral de Chávez fue muy clara: trabajar en beneficio de los pobres, o sea -en aquel entonces-, la mayoría de los venezolanos. Y cumplió su palabra.
Por eso, este es el momento de recordar lo que está verdaderamente en juego en esta elección, ahora cuando el pueblo venezolano se alista para votar. Venezuela es un país muy rico, por los fabulosos tesoros de su subsuelo, en particular sus hidrocarburos. Pero casi todas esas riquezas estaban acaparadas por las élites políticas y las empresas transnacionales. Hasta 1999, el pueblo sólo recibía migajas.
Los gobiernos que se alternaban, demócrata-cristianos o social-demócratas, corruptos y sometidos a los mercados, privatizaban indiscriminadamente. Más de la mitad de los venezolanos vivía por debajo del umbral de pobreza (un 70,8% en 1996).
Chávez hizo que la voluntad política prevaliera. Domesticó los mercados, detuvo la ofensiva neoliberal y posteriormente, mediante la implicación popular, hizo que el Estado se reapropiara los sectores estratégicos de la economía. Recuperó la soberanía nacional. Y con ella, ha procedido a la redistribución de la riqueza, en favor de los servicios públicos y de los olvidados.
Políticas sociales, inversión pública, nacionalizaciones, reforma agraria, casi pleno empleo, salario mínimo, imperativos ecológicos, acceso a la vivienda, derecho a la salud, a la educación, a la jubilación… Chávez también se dedicó a la construcción de un Estado moderno. Ha puesto en marcha una ambiciosa política del ordenamiento del territorio : carreteras, ferrocarriles, puertos, represas, gasoductos, oleoductos.
En materia de política exterior, apostó por la integración latinoamericana y privilegió los ejes Sur-Sur, al mismo tiempo que imponía a los Estados Unidos una relación basada en el respecto mutuo… El impulso de Venezuela ha desencadenado una verdadera ola de revoluciones progresistas en América Latina, convirtiendo este continente en un ejemplar islote de resistencia de izquierdas alzado en contra de los estragos del neoliberalismo.
Tal huracán de cambios ha volteado las estructuras tradicionales del poder y acarreado la refundación de una sociedad que hasta entonces había sido jerárquica, vertical, elitista. Esto sólo podía desencadenar el odio de las clases dominantes, convencidas de ser los legítimos dueños del país. Son estas clases burguesas las que, con sus amigos protectores de Washington, vienen financiando las grandes campañas de difamación contra Chávez. Hasta llegaron a organizar -en alianza con los grandes medios que les pertenecen- un golpe de Estado el 11 de Abril del 2002.
Estas campañas continúan hoy en día y ciertos sectores políticos y mediáticos europeos se encargan de corearlas. Asumiendo -lamentablemente- la repetición como si fuera una demostración, los espíritus simples acaban creyendo que Hugo Chavez estaría encarnando «un régimen dictatorial en el que no hay libertad de expresión».
Pero los hechos son tozudos. ¿Alguién ha visto un «régimen dictatorial» ensanchar los límites de la democracia en vez de restringirlos? ¿Y otorgar el derecho de voto a millones de personas hasta entonces excluidas? Las elecciones en Venezuela sólo ocurrían cada cuatro años, Chávez organiza más de una por año (14 en 13 años), en condiciones de legalidad democrática, reconocidas por la ONU, la Unión Europea, la OEA, el Centro Carter, etc.
Chávez demuestra que se puede construir el socialismo en libertad y democracia. Y convierte incluso ese carácter democrático en una condición para el proceso de transformación social. Chávez ha probado su respeto al veredicto del pueblo, renunciando a una reforma constitucional rechazada por los electores vía referendum en 2007. No es casual que la Foundation for Democratic Advancement (FDA), de Canadá, en un estudio publicado en 2011, situara entonces Venezuela en el primer lugar de los países que respetan la justicia electoral[i].
El gobierno de Hugo Chávez dedica el 43,2% del presupuesto a las políticas sociales. Resultado: la tasa de mortalidad infantil ha sido dividida por dos. El analfabetismo, erradicado. El número de docentes, multiplicado por cinco (de 65 000 a 350 000). El país presenta el mejor coeficiente de Gini (que mide la desigualdad) de América latina. En su informe de Enero de 2012, la Comisión Económica para América Latina y el Caribe (CEPALC, un organismo de la ONU) establece que Venezuela es el país suramericano que -junto con el Ecuador-, entre 1996 y 2010, ha logrado la mayor reducción de la tasa de pobreza. Finalmente el instituto norteamericano de sondeos Gallup ubica al país de Hugo Chavez como la sexta nación «más feliz del mundo»[ii].
Lo más escandaloso, en la actual campaña de difamación, es pretender que la libertad de expresión esté constreñida en Venezuela. La verdad es que el sector privado, hostil a Chávez, controla allí ampliamente los medios de comunicación. Cada cual puede comprobarlo. De 111 canales de televisión, 61 son privados, 37 comunitarios y 13 públicos. Con la particularidad de que la parte de la audiencia de los canales públicos no pasa del 5,4%, mientras que la de los privados supera el 61%[iii]… Mismo escenario para los medios radiales. Y el 80% de la prensa escrita está en manos de la oposición, siendo los dos diarios más influyentes -El Universal y El Nacional-, adversos al gobierno.
Nada es perfecto, por supuesto, en la Venezuela bolivariana -¿Dónde existe un régimen perfecto?-. Pero nada justifica esas campañas de mentiras y de odio. La nueva Venezuela es la punta de lanza de la ola democrática que, en América Latina, ha barrido con los regímenes oligárquicos de nueve países, apenas caído el muro de Berlin, cuando algunos vaticinaban «el fin de la historia» y «el choque de las civilizaciones» como horizontes únicos para la humanidad. La Venezuela bolivariana es una fuente de inspiración de la que nos nutrimos, sin ceguera, sin inocencia. Con el orgullo, sin embargo, de estar del buen lado de la barricada y de reservar los golpes para el malévolo imperio de los Estados Unidos, sus tan estrechamente protegidas vitrinas del Oriente Próximo y donde quiera reinen el dinero y los privilegios. ¿Por qué Chávez despierta tanto resentimiento en sus adversarios?
Indudablemente porque, tal como lo hizo Bolívar, ha sabido emancipar a su pueblo de la resignación. Y abrirle el apetito por lo imposible.
[i] Venezuela obtiene 85 puntos; Estados Unidos, 30; Canada 26 … http://venezuelanalysis.com/news/6336
[ii]Estudio publicado el 29 de abril de 2011. http://www.gallup.com/poll/147167/High-Wellbeing-Eludes-Masses-Countries-Worldwide.aspx#2
[iii] Mark Weisbrot et Tara Ruttenberg, «Television in Venezuela : Who Dominates the Media ?» (pdf), Center for Economic and Policy Research, Washington, D.C., décembre 2010.
No CubaDebate
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"Processo eleitoral na Venezuela é o melhor do mundo", diz Jimmy Carter

Veja mente
Ex-presidente dos EUA coordena centro de monitoramento de eleições ao redor do mundo há mais de uma década
O ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter em conferência na Livraria da Presidência em Washington
O processo eleitoral na Venezuela é considerado o melhor do mundo pelo ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter, que coordena uma instituição de monitoramento de eleições ao redor do mundo há mais de uma década. Em conferência anual do Carter Center, o norte-americano também garantiu que Hugo Chávez venceu de forma “justa” o último pleito presidencial, em 2006.
Carter elogiou o sistema de votação venezuelano por incluir duas formas de contagem, o que dificulta qualquer tipo de tentativa de fraude. No país, os eleitores escolhem o seu candidato em uma urna eletrônica e ainda recebem um comprovante, que é depositado em uma caixa vedada, aberta para confirmar os resultados eleitorais. Além disso, um dos dedos é manchado com tinta indelével.
O democrata disse que enquanto os sistemas de financiamento de campanha nos países latino-americanos melhorou significativamente, nos EUA se consolidou uma “corrupção financeira” alimentada por “resoluções que facilitaram o fluxo de dinheiro privado para as contas dos candidatos”.
Suas declarações vieram no mesmo dia em que jornalistas se reuniram no Carter Center para um workshop sobre a cobertura midiática das eleições venezuelanas. A instituição quer preparar os profissionais para escreverem retratos profissionais e não partidários do próximo pleito no país, que ocorre no dia 7 de outubro deste ano.
"O espaço que o treinamento do Centro fornece para reunir jornalistas de mídia divergentes é uma contribuição importante para diminuir a polarização e fortalecer a democracia venezuelana”, afirmou Andres D’Alessandro que coordenou atividades em junhos deste ano.
“As oficinas me ensinaram que tenho de fazer jornalismo – não jornalismo de oposição ou jornalismo oficial”, disse David Ludovic da ONG Instituto Prensa y Sociedad, que monitora o direito à liberdade de expressão na Venezuela. “Eu devo trazer apenas dados e explicações para o meu público", acrescentou.
Por mais de uma década, o Carter Center conduziu observações eleitorais e treinamento para jornalistas na Venezuela. A organização norte-americana vai realizar estudo autônomo e independente sobre as eleições presidências deste ano no país, incluindo percepções da população sobre o processo eleitoral.
No Opera Mundi
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Justiça bloqueia bens do casal Garotinho

Quem tem telhado de vidro não deveria ficar atirando pedra no telhado dos outros, mas tem gente que não aprende.
Seguindo a decisão do STJ semana passada, eis que O GLOBO divulga que a Justiça apreendeu bens do casal Garotinho e mais 17 pessoas em processo que corre sob segredo de Justiça.
O rombo era de R$ 1.061.124,63 sem estar corrigido!
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http://1.bp.blogspot.com/-xAvfyGzOEb4/UG-hYlutLCI/AAAAAAAAB8A/X0-BalGkrPc/s1600/ficha-suja-no-poder.png
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Casa de Ferreiro

A honestidade ao falar da imprensa americana e suas relações com os
republicanos nos EUA não se aplica em textos sobre a política brasileira
“O jornal de maior circulação do país é o conservador Wall Street Journal, pró Romney. Dos cinco radialistas com maior audiência, quatro tem sido, disparado, conservadores radicais. Na televisão por assinatura a Fox, voz de Romney, dá uma surra em todas outras juntas.”
A minha pergunta é a seguinte: Lucas Mendes escreveria isso sobre eleições no Brasil? Diria, por exemplo: “O jornal de maior circulação do país é a conservadora Folha de S.Paulo, pró Serra”? Diria o mesmo sobre O Globo, Estadão e Veja? Ou mesmo sobre a TV Globo?
Respondo: nunca.
A honestidade intelectual utilizada por Lucas Mendes ao falar da imprensa americana e suas relações com os republicanos nos Estados Unidos não se aplica em textos, cá e lá, sobre a política brasileira. Não trata sequer de espectros ideológicos: na imprensa brasileira existem partidos de esquerda, mas nunca de direita.
E isso é um elemento claríssimo de perpetuação da indigência jornalística nacional que se protege dessa crítica, aos berros, sob a falácia permanente da defesa da liberdade de imprensa.
Leandro Fortes
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McDonald’s ameaça acarajé na Copa

O McDonald’s, poderosa rede estadunidense de fast-food que explora condições degradantes de trabalho (assista o vídeo abaixo) e vende produtos nocivos à saúde, quer proibir a comercialização de acarajé durante os jogos da Copa das Confederações e da Copa de Mundo em Salvador. A informação – curiosa e revoltante – foi dada ontem pelo repórter Davi Lemos, do jornal A Tarde:
“A Arena Fonte Nova pode ficar sem acarajé. A venda do tradicional bolinho, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio imaterial, é caracterizada como comércio ambulante. A Fifa recomenda o afastamento dessa modalidade de comércio num perímetro de até dois quilômetros das praças de jogos. O acarajé, em tese, não pode ser concorrente dos hambúrgueres produzidos pela rede McDonald’s, patrocinadora oficial da Fifa”.
Rita Maria Ventura dos Santos, presidenta da Associação das Baianas de Acarajé e Vendedoras de Mingau (Abam), já rondou a baiana. Ela classificou como absurda a hipótese se ser proibida a venda de acarajé na Fonte Nova. “Eram oito baianas lá dentro que tiveram que sair devido à obra. Agora que está tudo novo vão retirar as baianas? Todas tinham carteira... Alegam que há risco para os torcedores. Se for assim, era proibido venda de acarajé no Carnaval. Nunca soube de ninguém queimado com azeite nestas festas”.
A Secretaria Estadual para Assuntos da Copa do Mundo da Fifa Brasil 2014 (Secopa) já garantiu que vendedoras da acarajé terão lugar garantido nos jogos das duas copas. “Elas serão contempladas”, garantiu a chefe de gabinete da Secopa, Liliam Pitanga. Ela também informou que estão sendo fornecidos cursos de capacitação para as baianas e outras categorias, como os taxistas. Até o final de setembro, cinco mil pessoas foram inscritas em cursos de inglês, espanhol e língua brasileira de sinais (Libras).
“A reportagem entrou em contato, ontem, com o Comitê Organizador Local da Copa (COL), mas não houve posicionamento sobre a venda do acarajé nos estádios até o fechamento da edição”, conclui a reportagem do jornal A Tarde. Caso se confirme a proibição, o assunto vai dar muito que falar. O acarajé é uma tradição da culinária baiana, adorada por todos os brasileiros e estrangeiros que visitam o estado.
Já o McDonald’s, um dos maiores símbolos do império ianque, é uma rede que merecia ser processada por explorar de forma desumana os trabalhadores e por ser responsável pela obesidade de inúmeras crianças e adolescentes.
Altamiro Borges
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O menino pobre que mudou o Brasil

O Verdadeiro
O (do golpe) Paraguaio
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Charge online - Bessinha - # 1507

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Fala que eu te escuto

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Tese de que o PT estaria sendo expelido dos grandes centros urbanos, é furada!

Petistas e tucanos são os que estão com chances de vencer ou de ter votações expressivas na maior parte das cidades grandes do país.
É o que mostram as pesquisas mais recentes no grupo de municípios que incluem 26 capitais e os 59 com mais de 200 mil eleitores - e por isso podem ter segundo turno. Esse grupo composto por 85 grandes cidades abriga cerca de 37% dos eleitores do país. Há pesquisas disponíveis em 82 dessas localidades. Nesse universo, o PT tem 37 candidatos competitivos: estão em primeiro lugar ou com chance de ir ao segundo turno. O PSDB tem 31 candidatos nessa situação.
O terceiro colocado nesse ranking é o PMDB (22 candidatos no páreo), seguido pelo PDT (15) e pelo PSB (13).
Quando se compara o cenário atual com o de 2008, também na semana final pré-eleição, nota-se que houve pouca mudança na ordem de partidos que lideram a lista de nomes competitivos.
Há duas alterações relevantes. Primeiro, o PSDB se mostra hoje mais bem posicionado do que em 2008. Segundo, o DEM agora está em posição mais frágil, pois cerca de metade de seus potenciais nomes competitivos migraram para o PSD.
No universo das maiores cidades, em 2008, o PT tinha menos do que hoje, 33 candidatos no páreo. Já o PSDB estava com apenas 20 nomes - dez a menos que os atuais. Ao fim da eleição há quatro anos, o PT elegeu 22 prefeitos. O PSDB teve 13 eleitos nesses grandes centros.
Nos caso de os prognósticos atuais se confirmarem nas urnas amanhã, não ficará comprovada a tese de que o PT estaria sendo expelido dos grandes centros urbanos. Também não se enxerga ainda um crescimento significativo do PSB, do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, um possível candidato presidencial em 2014.
O PSB tinha nesta época em 2008 apenas seis candidatos competitivos. Venceu em cinco cidades grandes. Hoje, tem 13 nomes no páreo nos centros urbanos. Mesmo que vença em todos, estará ainda bem distante de tucanos e de petistas.
Ainda que PT e PSDB não vençam em todas as cidades nas quais aparecem com chances, as pesquisas até agora mostram que as duas siglas terão muitos votos em municípios importantes, que irradiam opinião pelas suas regiões. Trata-se de patrimônio relevante, pois os votos de hoje indicam a força potencial das legendas em 2014.
O partido que tem sido o campeão em prefeitos eleitos em todo o país é o PMDB. Mas nas grandes cidades essa legenda sofreu durante várias eleições até chegar a 19 prefeitos em 2008. Nas disputas de amanhã, há 22 peemedebistas com chances.
Dispersão Partidária
Outro dado a observar: no grupo das 85 cidades mais relevantes há hoje um número maior de partidos com candidatos competitivos em relação a eleições passadas. São 18 as legendas com chances de eleger prefeitos em capitais ou cidades com mais de 200 mil eleitores. Nunca mais do que 13 partidos tiveram sucesso nessas localidades desde o fim da ditadura militar.
Essa tendência aparece não importa o recorte que se faça. Nas capitais de Estado também ocorre esse fracionamento. Se as urnas confirmarem as pesquisas, o Brasil estará assistindo à consolidação de um quadro de agremiações políticas mais disperso.
No Blog de Fernando Rodrigues
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Crise atinge campanha de Russomanno

http://ajusticeiradeesquerda.blogspot.com.br/
A Folha tucana noticia hoje que a abrupta queda nas pesquisas registrada nos últimos dias “abriu uma crise no comando da campanha de Celso Russomanno (PRB) à prefeitura de São Paulo. Às vésperas da eleição, o partido do candidato e seu principal aliado, o PTB, divergem sobre a estratégia na reta final. O comando da campanha sofrerá intervenção na segunda-feira caso Russomanno passe para o segundo turno”. Pelo visto, a hemorragia de votos do “azarão” é violenta e ele corre o sério risco de morrer novamente na praia.
Em duas semanas, o candidato “laranja”, que não tem história nem programa de governo, perdeu dez pontos percentuais, caindo de 35% para 25% das intenções de voto. As sondagens internas dos partidos, os tais trackings, já apontam que ele beira os 20%, empatado com o petista Fernando Haddad e o tucano José Serra. No desespero, o comando da sua campanha entrou em parafuso. O principal alvo das críticas é o marqueteiro Ricardo Bérgamo, mas também há fortes tensões entre os dois partidos coligados.
“O presidente estadual do PTB, Campos Machado, defendeu abertamente a troca de Bérgamo pelo publicitário Agnelo Pacheco. A intervenção irritou o candidato. Aliados de Russomanno reclamaram da atuação dos petebistas, que sugerem mudanças na agenda e escalaram um ‘time de notáveis’ para criar um programa de governo, principal fonte de críticas ao candidato. Petebistas se queixam, por sua vez, da defesa do candidato feita pelo bispo Edir Macedo num momento em que a sua vinculação com a Igreja Universal do Reino de Deus é alvo de contestação”, relata a Folha.
Haddad é o maior beneficiário da hemorragia
Ainda não é certo para onde migram os votos do candidato do PRB. Uma primeira hipótese é de que eles alavancaram a candidatura de Gabriel Chalita (PMDB), que também cresceu nas últimas sondagens e embaralhou ainda mais o quadro da disputa. Mas a pesquisa do Datafolha mostra que “Haddad é primeira opção de eleitor volátil de Russomanno”. Dos 26% dos eleitores do “azarão” que dizem que ainda podem trocar de candidato, 31% afirmam que, se mudar, tendem a votar em Fernando Haddad.
Atrás do petista, aparecem empatados Serra e Chalita – cada um teria 17% dos votos que eventualmente podem deixar de ir para Celso Russomanno. Não é para menos que a campanha de Fernando Haddad resolveu intensificar as críticas ao candidato do PRB. No último dia de propaganda na rádio e tevê, ela exigiu uma inserção ligando Russomanno à “máfia dos fiscais” do ex-prefeito Celso Pitta (1997-2000), que cobrava propinas de comerciantes e construtoras. “É, Russomanno, a verdade sempre aparece. Ainda bem que, desta vez, foi antes da eleição”, provoca o comercial.

Russomanno pode morrer na praia?

A disputa pela prefeitura da capital paulista está tão embaralhada que até o inimaginável pode ocorrer. Na semana passada, todos os analistas tinham duas certezas sobre o pleito: de que haveria segundo turno e a de que o “azarão” Celso Russomanno já estava com seu lugar garantido na próxima fase da campanha. Agora, está última certeza já não existe mais. O midiático candidato do PRB está sofrendo uma “sangria” de votos, uma verdadeira hemorragia, e pode mais uma vez morrer na praia.
Os institutos de pesquisas, sempre suspeitos, concordam na avaliação de que Celso Russomanno está em declínio acelerado. O Ibope apontou uma queda de 5% das intenções de voto nas duas últimas semanas. Já o Datafolha foi mais apocalíptico ainda. Registrou uma perda de 10 pontos percentuais em apenas 15 dias. Dos confortáveis 35% que detinha, ele despencou para 25% e está tecnicamente empatado com o tucano José Serra (23%) e teme o crescimento do petista Fernando Haddad (19%) na arrancada final da campanha.
A histeria do "azarão"
Para tumultuar ainda mais o cenário, as pesquisas indicam que os votos perdidos por Russomanno renovam as esperanças de Gabriel Chalita (PMDB) – que subiu de 8% para 11% no Datafolha. Ou seja: no domingo (7), a eleição pode chegar com quatro postulantes em condições de disputar as duas vagas para o segundo turno. Todos na faixa dos 20% das intenções de voto, algo inédito desde o fim da ditadura e da conquista das eleições diretas. Será adrenalina pura! Uma disputa voto a voto. Qualquer cochilada será fatal!
Celso Russomanno é quem deve estar mais abalado com este quadro indefinido. Tão tranquilo com a passagem para o segundo turno, ele já havia até liberado parte da sua equipe e diminuído o ritmo de campanha. Agora, ele está histérico. Tanto que resolveu abandonar o figurino do bom-moço e partir pra baixaria. Seu alvo é Fernando Haddad – que teme como um rival mais difícil num segundo turno. Ontem, o candidato do PRB utilizou as suas últimas inserções na rádio e televisão, as “pílulas”, para atacar o candidato petista.
Edir Macedo entra na disputa
O desespero é tão grande que até o líder da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) e dono da TV Record, Edir Macedo, saiu da sombra e postou em seu blog um artigo contra o petista e em defesa do jornalista da sua emissora. Ele diz que “o PRB, partido de Russomanno, tem em seus cargos de direção verdadeiros homens de Deus” – a maioria ligada à Iurd – e faz ataques preconceituosos e homofóbicos contra Haddad, “o candidato do kit-gay” e do “mensalão”. A exposição de Edir Macedo indica que o “azarão” pode realmente morrer na praia!
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Mensalão e "exceção": Carl Schmitt e Lewandowsky

Quando o ministro Ricardo Lewandowski teve coragem de dissentir em alguns votos: relativizar, pedir provas, impugnar uma doutrina de ocasião, foi massacrado por comentários sardônicos, ataques a sua integridade e a sua sabedoria jurídica pela mídia vigilante. Os seus votos colocam uma questão de fundo para o futuro democrático do país. O Brasil deve a Lewandowsky este alerta, pela sua conduta ética em se indispor contra condenações já anunciadas. Este ministro é o Carl Schmitt ao contrário: quer que a regra seja sempre superior à exceção.
Um artigo que publiquei aqui sobre a questão do “estado de exceção permanente” mereceu algumas considerações que reputo importantes para a cultura política e jurídica do Estado de Democrático de Direito e também para o meu próprio proveito, como pessoa que preza o debate de ideias e milita - por vezes assumindo cargos públicos- no campo do ideário socialista.
Não desconheço as grandes contribuições de Agamben e sobretudo do maiúsculo Walter Benjamin sobre o assunto. Nem o juízo - sustentado por brilhantes analistas de esquerda - de que é possível, na profundidade do conceito de “exceção permanente” de Schmitt, matizar que o sistema de produção e reprodução das condições de existência no capitalismo ampara-se, sempre, na “excepcionalidade”. Tomada esta, enfim, como violação permanente das suas próprias normas de organização jurídica e política, de forma alheia às promessas das constituições democráticas, com seus “direitos fundamentais”.
Reconheço, também, que este plano de análise é adequado para compreender a gênese do Direito no capitalismo moderno, do seu processo de acumulação, das suas guerras e da sua perversidade. Esta gênese está recheada, no entanto, por conquistas civilizatórias importantes, que não devem ser ignoradas, sob pena de se cair no equívoco grave que o socialismo - ou o que suceder o capitalismo atual, para melhor - recomeça a História e reinventa o ser humano a partir do “zero”.
Entendo como conquista civilizatória tudo o que, nas instituições do estado e nas relações sociais, obriga e conscientiza os homens a terem o outro como uma extensão de si mesmos. Ou seja, promovem e orientam a “descoisificação” e instrumentalização do outro e, portanto, ampliam os horizontes das comunidades humanas, para se auto-reconhecerem como integrantes de um todo uno e diverso.
Reputo, então, que “dentro” deste processo - que nem sempre é “evolutivo”, pois às vezes ocorre por “saltos”, guerras revoluções - estão conquistas que têm um estatuto de universalidade para o humanismo, do qual a ideia do socialismo moderno é fruto ainda não acabado. Aponto dois “fundamentos” que, se não estiverem presentes naquela implementação de uma nova sociedade, as promessas de igualdade e solidariedade, na nova ordem, ficarão comprometidas.
Para que a nova ordem prospere ela deve ter uma base política e jurídica, cuja estabilidade relativa deverá ancorar-se em dois fundamentos: no princípio da “igualdade perante a lei” (“igualdade formal”) e no princípio da “inviolabilidade dos direitos”. Um princípio complementa o outro e eles mesmos nunca serão completamente realizados, mas expressam a utopia política e histórica da igualdade transformada em marco jurídico universal.
Apesar destes princípios estarem presentes como fundamentos das constituições democráticas atuais, com um olhar histórico realista ver-se-á que o Estado Democrático de Direito (não entendido, portanto, metafisicamente como uma panacéia para todas as violências e explorações) pode permitir a manutenção das opressões de classe, dos privilégios sociais, das injustiças inerentes às diversas fases e períodos de acumulação e “destruição criativa” do capital, sem violar as suas regras formais: sem apelar para a “exceção”. Nixon fez com os bombardeios “químicos” do Vietnam as mesmas barbáries que Hitler fez com o “ghetto” de Varsóvia. Num país, o Juiz da “exceção” era o Fuhrer (um indivíduo); no outro, era a Suprema Corte dos Estados Unidos (um coletivo).
A grande diferença formal entre o Estado Democrático de Direito e o Estado de Exceção Permanente é que, no primeiro, quem é o Juiz da Constituição é um coletivo originário de um processo constituinte, politicamente democrático; e no segundo (no Estado de Exceção Permanente) quem é o Juiz da constituição é o Lider, “pois toda a lei do Estado, toda a sentença judicial contém apenas tanto direito quanto lhe aflua dessa fonte (o líder, o Fuhrer)”, como assevera Schmitt.
Mas há uma grande diferença “material”, entre ambos os estados ou situações jurídico-políticas. O Fuhrer legitima-se a si mesmo, apenas pela força; e o consenso é um consenso obtido principalmente pela força. Aquele coletivo - que é o guardião e Juiz da Constituição nas democracias- não se legitima principalmente pela força; mas o faz principalmente pela ação política, pelo discurso da democracia. A força é uma “reserva” substancial, para ser usada, aí sim, na “exceção”, quando os mecanismos democráticos de dominação não mais correspondem às necessidades práticas de controle social e manutenção do poder.
Para sintetizar minha opinião sobre o assunto e, logo após, reportar-me a um fato histórico recente na democracia brasileira (o julgamento do “mensalão”), assevero o seguinte: na “exceção” o Líder julga e executa os “julgadores” e quem quiser, através da Polícia; no Estado Democrático de Direito todos tem o direito formal a um julgamento justo pelos Tribunais, dentro das “regras de jogo”, no qual a Polícia não é uma mera extensão do Lider; logo, não compete a ela finalizar os conflitos nem aplicar definitivamente a lei.
São diferenças formais, mas ocorre que as “diferenças formais” tem forte influência na vida das pessoas, nas possibilidades de ação política, na formação de núcleos de resistência ao arbítrio e ao aparelhamento do estado, pelo controle total que os interesses privados podem exercer sobre ele, de modo a subtrair completamente as suas funções públicas. Forma e conteúdo, dizia Hegel, “convertem-se incessantemente um no outro.” Os dois princípios mais revolucionários forjados, até hoje, no direito moderno (o princípio da igualdade perante a lei e o princípio da inviolabilidade dos direitos) são também princípios de organização política da sociedade, e eles não permitem -pois eles são exatamente a “anti-exceção”- o domínio da força bruta dos interesses de classe, sem legitimação política.
O caso do “mensalão” será emblemático para democracia brasileira daqui para diante e também para o Direito, em nosso país. Pode-se dizer, com absoluta certeza, que nenhum dos Ministros votou contra a sua consciência ou que tenha se comportado com venalidade. Nenhum dos Ministros votou “controlado pela Polícia” ou mostrou-se desonesto nas suas convicções e o julgamento dos réus deu-se, integralmente, dentro do Estado de Democrático de Direito. Ninguém pode dizer que foi vítima de pressão insuportável e ninguém pode dizer houve um julgamento de “exceção”.
Dentro do Estado Democrático de Direito e das suas regras, o julgamento transformou-se, isto sim, no julgamento de um Partido, de um projeto político e, muito suavemente, do sistema político vigente. Quem tinha a ideia de que o julgamento seria um julgamento a partir das provas, sobre o comportamento de cada um dos réus, ou que cada um dos Ministros não partiria da suas convicções ideológicas para chegar a uma das doutrinas penais conhecidas para abordar o processo, tinha e tem uma visão completamente equivocada do significado histórico do Estado de Direito. O Estado Democrático de Direito abre exatamente estas potencialidades de escolha, o Estado de Exceção não. Estas potencialidades de escolha estão contidas no terreno da política, não do direito.
No Estado Democrático de Direito, a ideologia do Magistrado “seleciona” a doutrina jurídica, que ampara a decisão. Na ditadura (ou na “exceção”) esta escolha é sufocada pelo olhar do Líder, através da Polícia. A Teoria do Domínio Funcional dos Fatos foi, portanto, uma escolha ideológica, feita para obter dois resultados: condenar os réus e politizar o julgamento. Talvez algumas condenações não pudessem ser proferidas apenas com as provas dos autos, mas sobretudo a doutrina escolhida mostra que não bastava condenar os réus - alguns deles tiveram seus delitos provados ou confessados - era preciso condená-los pela “compra de votos” no Parlamento: a política (dos partidos) não presta, os políticos são desonestos, a esquerda é a pior. Essa é a mensagem que era preciso deixar através da politização completa da decisão pela Teoria do Domínio.
O Supremo Tribunal Federal faz política o tempo inteiro como todos os Tribunais Superiores do mundo e a vitória obtida pela direita ideológica -muito bem representada pela maioria da mídia neste episódio - ao transformar delitos comuns em delitos de Estado (compra de votos), vai muito além deste episódio e não se sabe, ainda, quais os efeitos que ele terá no futuro. Numa “sociedade líquida”, sem balizas culturais firmes, onde a estética da violência é festejada em horário nobre –com sangue e vitórias do culto da força- pode ser que ela vá se diluindo ao longo do tempo.
Quando o Ministro Ricardo Lewandowski teve coragem de dissentir em alguns votos, apenas dissentir: relativizar, pedir provas, impugnar uma doutrina de ocasião, foi massacrado por comentários sardônicos, ataques a sua integridade e a sua sabedoria jurídica pela mídia vigilante. Além de pretender avisar que os réus já estavam julgados, a mídia uniforme queria unanimidade. E quase obteve, pois as convicções já estavam formadas, as decisões políticas já estavam consolidadas e o Supremo Tribunal Federal estava julgando num clima de total liberdade política, na semana das eleições.
Todos os Ministros se comportaram segundo as suas convicções e devem ser respeitados, gostemos ou não dos seus votos. Mas é necessário registrar que o único que o fez contra a maré, contra o senso comum já preparado para a condenação coletiva, foi o Ministro Lewandowsky. Os seus votos e a própria forma com que eles eram comentados pela mídia, totalmente partidarizada no episódio e a maior parte dela ignorante em Direito, também coloca uma questão de fundo para o futuro democrático do país.
O preparo da opinião pública para festejar a condenação réus, independentemente das provas, foi evidentemente uma ação política dentro dos marcos do nosso Estado Democrático de Direito. Mas, pergunta-se: isso não poderá ser, no futuro, um substitutivo da Polícia do Líder, que julga, em última instância, os julgadores num regime de exceção? A influência que os meios de comunicação exerceram para promover um “clamor público” - que afinal não houve mas é óbvio que repercutiu nos Ministros do Supremo - não foi além do saudável, numa democracia onde o equilíbrio e a isenção na informação não são propriamente um predicado?
Parece-me que esta questão não é somente dos partidos de esquerda, mas de todos os partidos democráticos do país, de todos os juristas sérios, de todos os cidadão que independentemente de “gostarem”, ou não, de política, apostam numa vida democrática cada vez mais sólida e generosa.
O Brasil deve a Lewandowsky este alerta, pela sua conduta ética em se indispor - por pura convicção - contra condenações já anunciadas. Este Ministro é o Carl Schmitt ao contrário: quer que a regra seja sempre superior à exceção. Lewandowski, além de ter feito história como os demais, também contribuiu para uma memória de coragem e altivez democrática.
Tarso Genro, Governador do Rio Grande do Sul
No Carta Maior
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Que país é este?

Paulo Lacerda.
E ele disse: “Se abrirem o disco rígido, acaba a República”.
Foto: Marcello Casal Jr/ABr
Cena de um filme de Mario Monicelli, Os Companheiros. Estamos na ­penúltima ­década do século XIX e Marcello Mastroianni, agitador subversivo, chega de trem a Turim. Às portas da cidade, o comboio é bloqueado por uma multidão de operários, homens, mulheres e crianças. Em greve, ali estão para impedir a ­chegada de uma leva de colegas chamados de outra região pelos industriais turineses para substituir os grevistas. Do alto, Mastroianni pergunta a um dos líderes da parede: “Que país é este?” Responde um inesquecível Folco Lulli em meio à cerração que sai da tela e invade a plateia: “Um país de m…!”
O Brasil não é a Turim do fim de 1800, mesmo porque aqueles operários, menores inclusive, estão em greve para conseguir reduzir os horários de trabalho para 12 horas. Tampouco sou um agitador subversivo, embora muitos como tal me enxergassem em tempos idos e alguns me enxerguem até hoje. Ainda assim, encaro o Brasil de hoje e pergunto: “Que país é este?”
As perguntas apinham-se entre o fígado e a alma, a partir dos eventos contingentes. Por que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pode permitir-se esperar impunemente que o julgamento do chamado “mensalão” influa nos resultados das iminentes eleições? E por que vários ministros do Supremo, mesmo aqueles nomeados por Lula e Dilma Rousseff, esforçam-se com transparente denodo para apressar o processo? E por que não cuidam, enquanto o ciciar de ­suas togas enche a Praça dos Três Poderes, de moralizar o funcionamento do próprio STF, onde não falta quem transgrida leis e regras determinadas para a correta atuação do tribunal?
CartaCapital sempre sustentou a impossibilidade de se provar o “mensalão” no sentido de mesada, embora observasse na origem do julgamento crimes igualmente graves. Que se faça justiça é o que desejamos. Donde: por que nem sempre, e até de raro, os senhores ministros provem estar à altura da tarefa, súcubos das pressões da mídia do pensamento único?
E o presente reflui com naturalidade para o passado. Por que o mensalão petista vai ao tribunal antes daqueles tucanos que o precederam? E por que Daniel Dantas, que esteve por trás de todos, não está no banco dos réus? Por que as operações policiais que desnudaram seus crimes adernaram miseravelmente? Por que o disco rígido do Opportunity, sequestrado pela Polícia Federal durante a Operação Chacal e entregue ao STF, nunca foi aberto? No fim de 2005 dirigi esta pergunta ao então diretor da PF, Paulo Lacerda, na presença de Luiz Gonzaga Belluzzo e Sergio Lirio. O delegado, anos depois desterrado para Portugal, respondeu: “Se abrirem, a República acaba”.
Por que Dantas dispõe de tamanho poder, a ponto de receber as atenções e os serviços profissionais de Márcio Thomaz Bastos, inclusive quando ministro da Justiça, e o apoio de José Eduardo Cardozo, atual ministro da Justiça, desde seu tempo de deputado federal? E por que não duvidar da Justiça, no Brasil, sempre inclinada, como se sabe, a condenar os pobres em lugar dos ricos? E por que quem tentou enfrentar Dantas, o honrado ministro Luiz Gushiken, felizmente absolvido pelo processo do mensalão, pagou caro por sua ousadia?
Observam meus perplexos botões como às vezes caiba questionar o poder do próprio governo ao vê-lo forçado a compromissos e concessões. Por que de quando em quando, mas como o pano de fundo de uma ameaça constante, surge a forte impressão de que uma espécie de quinta coluna agita-se dentro de suas fronteiras, formada à sombra de seus aliados e mesmo dentro do PT? E por que o governo não hesita em favores e consistente apoio financeiro à mídia que, compacta, o denigre diuturnamente? E por que tantos governistas não escondem seu deleite ao se olharem no vídeo da Globo ou nas páginas amarelas de Veja?
Casa-grande e senzala ainda estão de pé: receio que nesta presença assente a resposta aos intermináveis porquês. Não tenho dúvidas de que tanto uma quanto outra ainda serão demolidas, e admito que já sofreram alguns sérios abalos nos alicerces. Gostaria de assistir à destruição definitiva, o adiantado da idade, contudo, me impede de arriscar esperanças exageradas.
Mino Carta
No CartaCapital
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