2 de out de 2012

O vazamento da música de Adele para o novo Bond chacoalha Londres

Adele
Londres está ansiosa. A Inglaterra está ansiosa. A Europa está ansiosa. O mundo está ansioso.
Tudo isso por causa do vazamento, hoje, de um trecho da música que Adele fez para Skyfall, o próximo James Bond.
As vitrines da Harrods amanheceram decoradas com o tema de 007 – kitsch grau máximo, como tudo naquela loja.
Vou tentar compartilhar com vocês. Não sei se vou conseguir. Muita gente está postando a música no Youtube, e os vídeos vão sendo retirados pelos zeladores dos direitos autorais. Vou tentar, de toda forma. No pé deste artigo, colocarei o vídeo que estou vendo agora. Se ele tiver removido, basta pesquisar no Youtube – Adele Skyfall – que algum vídeo haverá de estar no ar.
A música é a cara de Adele. É uma canção gorducha, quero dizer. Melódica, doce, com ar de anos 60, o que é bem apropriado quando se trata de um Bond. James Bond.
Adele é a Amy Winehouse que, em vez de beber e se drogar, comeu doce ou muita gordura, talvez as duas coisas juntas com mais carboidrato. O talento é parecido: um ecletismo que permitiu a ambas cantar e, mais que isso, compor.
As duas se inspiraram no passado, no soul americano, nas divas negras que alisavam os cabelos, punham vestidos justos e enfeitiçavam até brancos racistas com o corpo escultural e a voz única, nascida de quem sofreu preconceitos e humilhações raciais por muito tempo.
A diferença é que Amy, tatuada, despenteada, descontrolada, representou o lado desleixado e autodestrutivo das grandes cantoras do passado, como Billie Holiday, morta jovem e na miséria de tanto se drogar. Amy, ao menos para mim, é mais cansativa. Sua voz às vezes soa como a de um carneiro faminto.
Adele não. Ela se veste com apuro, está sempre maquiada, seu rosto é rosado nas bochechas balofas.
Adele, se fosse mais magra, poderia ser até uma Bond girl. Amy só poderia ser Lisbeth Salander no cinema.
Ouvi a música três vezes. É o bastante. Não vou baixar. E não vou ver o filme, porque James Bond é chato pra caramba – nem Sean Connery conseguiu salvar.
Paulo Nogueira
No Diário do Centro do Mundo
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FHC comprou a reeleição. E o STF não viu!


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Os últimos movimentos dos eleitores paulistanos

As últimas pesquisas e trackings mostram os seguintes movimentos:
1. Há uma perda acentuada de votos de Russomano, que tende a se aproximar de Fernando Haddad e José Serra.
2. Esses votos não estão beneficiando especificamente um candidato, mas se distribuindo por todos.
3. Há um crescimento maior de Gabriel Chalita, mas não a ponto de disputar o segundo lugar.
4. Haddad continua à frente de Serra, mas por poucos corpos. Analistas mais próximos a João Santana continuam apostando na tendência de alta de Haddad e de queda de Serra. O último tracking do PT apontou dois pontos de vantagem de Haddad - dentro do empate técnico.
Luis Nassif
No Advivo
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Dilma veio meter o bico em SP. Chora, Serra!

“Haddad é um realizador de sonhos”, diz Dilma

A presidenta Dilma participou nesta segunda-feira do Grande Comício de Fernando Haddad, mostrando seu apoio ao candidato do PT. Foi o maior evento da campanha nas ruas, que tomou a Praça Brasil, em Itaquera, na zona leste. Dilma dividiu o palco com Haddad, a mulher dele, Ana Estela, o presidente Lula, a ministra Marta Suplicy (da Cultura), a candidata a vice Nádia Campeão, o ministro Aloizio Mercadante (da Educação), o senador Eduardo Suplicy, além de outras lideranças do PT.
Dilma começou respondendo a ataques de adversários. “Estou metendo meu bico aqui. São Paulo é um lugar onde moram milhões de brasileiros. Não tem como dirigir o Brasil sem meter o bico em São Paulo.” E alertou: “Quem vive falando mal dos outros, a gente deve ficar de olho aberto. São intolerantes, não respeitam os outros. Esse pessoal não é o nosso pessoal. O nosso é como o presidente Lula, que lutou e defendeu os pobres. Lutou e defendeu o Brasil”.
Depois, Dilma destacou a gestão de Haddad no Ministério da Educação. “Eu vim aqui prestar um testemunho. Fernando Haddad é um companheiro de fé. Ele provou isso na prática. As pessoas que não tinham esperança passaram a ter. A filha da faxineira virou doutora. Ele fez com que cada um consiga o que é mais importante: realizar seus sonhos. Esse é o Fernando Haddad, um realizador de sonhos.”
Segundo Dilma, com Haddad, “São Paulo crescerá, se desenvolverá, mas, sobretudo será uma cidade muito mais humana”.
A presidenta também ressaltou o histórico legado do presidente Lula. “Se tem um homem neste país que fez a diferença, esse homem se chama Luiz Inácio Lula da Silva. Um homem que o mundo inteiro respeita. Está no coração de todos os brasileiros, porque merece. Ele mudou o nosso país. Tenho muito orgulho de suceder o Lula. Ele deixou uma herança bendita. E não há quem mude o fato de que ele fez o melhor governo que nós podíamos ter nesse país. Ninguém vai tirar de nós essa herança.”
Dilma também deu seu próprio exemplo na eleição presidencial. “Assim como o presidente Lula me ajudou a ser presidenta do Brasil, eu venho aqui ajudar o Haddad. Um homem decente, honesto, trabalhador.”
Já Haddad falou de seus projetos para a cidade e disse que é hora de os eleitores saírem às ruas e batalharem por uma nova São Paulo. “Vamos usar o tempo para conversar com nosso vizinho, nosso colega de trabalho, nosso parente. Sobretudo com aquela pessoa que está indecisa, explicando a diferença entre o nosso plano de governo e a ausência de propostas dos outros candidatos. Temos agora que convencer os indecisos a vir para o nosso lado, a votar 13 no domingo.”
O candidato contou como vai funcionar seus principais planos nas áreas da saúde, da educação, do emprego e do transporte. “O Bilhete Único Mensal não substitui o da Marta, que vai continuar funcionando normalmente. Você não é só trabalhador, você é cidadão. Você tem direito ao esporte, ao lazer, à cultura. Vocês vão agora poder circular pela cidade com liberdade. Esta cidade tem muita riqueza, muita cultura, muita coisa para descobrir. Queremos que você circule por ela, para aproveitá-la ao máximo.”
Lula também pediu à militância que saia às ruas nesta reta final. “Nós temos amanhã, quarta, quinta, sexta e ainda sábado para trabalhar. No dia 7 de outubro, a gente não tem apenas que trabalhar e votar, mas pedir para os nossos vizinhos que votem no Fernando Haddad.”
Em Itaquera, onde se constrói o estádio do Corinthians para abrir a Copa
No Conversa Afiada
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Lula: "Foi uma honra ser contemporâneo e conviver com Hobsbawm"

Lula e Hobsbawm, durante encontro em abril do ano passado
 Ottoni Fernandes/Instituto Lula

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou nesta segunda-feira (1º) uma mensagem a Marlene Schwartz, viúva do historiador Eric Hobsbawm, que morreu nesta segunda-feira em Londres, aos 95 anos. Um dos intelectuais mais influentes da segunda metade do século 20, Eric Hobsbawm elogiou e incentivou publicamente o governo Lula em várias ocasiões. Para o ex-presidente, o historiador foi “um dos mais lúcidos, brilhantes e corajosos intelectuais do século 20”.

Leia abaixo a mensagem na íntegra:
São Paulo, 1° de outubro de 2012
Prezada Senhora Marlene Schwartz
Acabo de receber, com profunda tristeza, a notícia do falecimento do seu marido, o querido amigo Eric Hobsbawm, um dos mais lúcidos, brilhantes e corajosos intelectuais do século 20.
Desde que o conheci pessoalmente, muitos anos atrás, recebi de Eric, como ele preferia que eu o tratasse, incontáveis manifestações de estímulo à implantação de políticas que incorporassem os trabalhadores aos benefícios e à riqueza produzidos pelo conjunto da sociedade brasileira.
Ao longo da última década, li com um sentimento de orgulho as entrevistas em que ele atribuía ao nosso governo a responsabilidade por “mudar o equilíbrio do mundo e levar os países em desenvolvimento para o centro da política internacional”.
Quatro meses atrás, poucos dias antes de completar 95 anos, Eric Hobsbawm enviou-me, por um amigo comum, uma carinhosa mensagem. “Diga ao Lula para seguir lutando pelo Brasil”, disse ele, “mas não se esquecer jamais da sofrida África”. A partir de agora meu comprometimento com os irmãos africanos passará a ser, também, uma homenagem à memória de seu marido.
Mais que um privilégio, foi uma honra ser contemporâneo e ter convivido com Eric Hobsbawm.
Receba e, por favor, transmita aos filhos, netos e bisnetos dele as minhas homenagens.
Luiz Inácio Lula da Silva
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Carnavalesco Marco Antonio da Vila apresenta enredo 'Adeus, Lula, vai atrás dona Dilma, vem comigo Zé Dirceu'

Mais do que uma festa dos sentidos, o Carnaval da Tucanolândia é a festa dos ressentidos. Nele, extravasamos nossas frustrações e caímos na doce magia da folia, somos pierrôs, arlequins e colombinas de nós mesmos e nos divertimos com muito luxo, pondo ioiôs e iaiás pra fora.
Nesse ano não será diferente. Para tanto, eu, Marco Antonio da Vila, formado com muita honra na Acadêmicos de São Carlos em História, Coreografias de Passo Marcado e outros babados, comunico ao distinto público nosso enredo para o desfile de nossa grande Tucanolândia: "Adeus, Lula, vai atrás dona Dilma, vem comigo Zé Dirceu".
A presença constante no nosso pensamento de Luís Inácio Lula da Silva impõe a discussão sobre o papel que deveriam desempenhar os ex-presidentes que saíram com uma aprovação de 80% como ele. A democracia brasileira é muito jovem. Ainda não sabemos o que fazer institucionalmente com um ex-presidente adorado pelo povo, enquanto nosso ex-presidente FHC só recebe convites de Dilma para humilhá-lo.
Exercer tão alto cargo é o ápice da carreira de qualquer brasileiro. Ainda mais com aquela aprovação indecorosa, humilhante, mas maaaravilhosa. Por isso, em nosso enredo defendemos que Lula querer continuar na arena política diminui a sua importância histórica.
No caso de Lula, o que chama a atenção é que ele não deseja simplesmente estar participando da política, o que já seria ruim. Isso não nos deixa oportunidade de voltar ao poder e promover as privatizações da Petrobrax, do pré-sal, da Floresta Amazônica, do Aquífero Guarani e todas as maravilhas que seriam tão bem administradas por aquele povo louro, musculoso, de olhos azuis e botinas.
Lula quer ser o dirigente máximo, uma espécie de guia genial dos povos do século XXI. É um misto de Moisés e Stalin, sem que tenhamos nenhum Mar Vermelho para atravessar e muito menos vivamos sob um regime totalitário, como gostaríamos. Recentemente, foi chamado de deus pela então senadora Marta Suplicy. Nem na ditadura do Estado Novo alguém teve a ousadia de dizer que Getúlio Vargas era um deus. É desta forma que agem os aduladores do ex-presidente. O pior é que o povo brasileiro concorda com isso e já se assanha querendo Lula de novo na presidência.
E ele deve adorar, não? No entanto, logo após passar o bastão para Dilma, Lula disse que não via a hora de voltar para casa, descansar e organizar no domingo um churrasco reunindo os amigos.
Pois aí entra o carro que será a grande apoteose de nosso Carnaval,  "Adeus, Lula, vai atrás dona Dilma, vem comigo Zé Dirceu". Um imenso terreirão, o Mundo do Nunca Dantes, onde uma enoooorme churrasqueira vai fazer a alegria dos convivas, que se despedirão assim da cena pública brasileira, retirando-se eternamente para esse idílico terreirão em São Bernardo, deixando a arena livre para nós da Tucanolândia. Lula, Dilma e todos os petistas numa grande e eterna festa da Carne.
Quer dizer, todos os petistas não. O Zé Dirceu vem comigo, que eu tenho um enredo especial só para ele lá na Vila.
Por Marco Antonio da Vila, formado pela Acadêmicos de São Carlos em História, Coreografias de Passo Marcado e outros babados, a partir de Adeus, Lula, de meu quase xará Marco Antonio Villa
No Blog do Mello
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Orwell e a “compra de votos” no mensalão

George Orwell ensinou a todos nós que a linguagem pode ser uma arma do conhecimento mas também pode servir à mentira. Pode encobrir a realidade e também pode desvendá-la.
Vejamos, por exemplo, por onde caminham as conclusões do julgamento do mensalão no STF. Não vou discutir as sentenças proferidas. Quero discutir a interpretação.
A principal é dizer o seguinte: está provado que houve compra de votos e que o mensalão não era, portanto, caixa 2 de campanha. Parece haver uma relação de causa entre uma coisa e outra.
Essa é a teoria desde a denúncia inicial, em 2006. Mas há um problema elementar neste raciocínio.
Não há nexo entre as coisas. Dinheiro de caixa 2 é dinheiro não registrado, sem origem declarada. Sua origem pode ser uma atividade criminosa, como tráfico de drogas, ou propina conseguida em negociações escusas com o governo.
O dentista que dá desconto no tratamento mas não dá recibo inclui-se no mundo imenso do Caixa 2.
O mesmo acontece com com uma empresa legal, que dá emprego a milhares de pessoas – e não cumpre suas obrigações com o fisco. Muitas empresas privadas têm um caixa 2 especialmente reservado para pagamentos por fora. Isso inclui, como nós sabemos, as contribuições de campanha.
A CPMI dos correios demonstrou que grandes empresas privadas deixaram mais de R$ 200 milhões com o esquema de Marcos Valério, entre 2000 e 2005. Nenhuma foi levada ao julgamento agora em pauta, aliás.
Esse dinheiro, muitas vezes, era limpo e declarado. Outras vezes, não.
Isso não muda a natureza do problema.
Quando falou que movimentava recursos “não declarados” Delubio contou uma parte da história. Tentou amenizar sua pena, o que eu acho compreensível, Numa democracia ninguém é obrigado a se auto-incriminar, como a gente aprende em seriado americano quando a policia interroga um suspeito, certo?
Caixa 2 tem a ver com a origem. Não explica a finalidade do pagamento. Quem fala em “compra de consciências” está falando em finalidade. Embora alguns ministros tenham tido que isso era irrelevante, eu acho que tem importância, sim.
Está lá, na denúncia. Por que não tem importância?
É um ponto central do problema, quando se recorda nossa legislação eleitoral, tão favorável ao poder econômico privado.
Muito antes de Orwell denunciar o stalinismo, grande assunto de toda sua obra, adivinhar o que anda pela “consciência” dos homens intriga os filósofos e os políticos.
No auge do obscurantismo católico, até as fogueiras da inquisição ardiam para que os infiéis confessassem os pecados que lhe eram atribuídos – e não reconheciam como tais. Não comparo o julgamento à Inquisição. Mas aquela experiência terrível — e tantas outras — mostra que a consciência humana é materia muito delicada.
Às vezes tenho a impressão de que provas parecem não importar muito nos dias de hoje. Mas acho que falar em “compra de votos” implica em provar que a pessoa tinha uma convicção e mudou de ideia porque recebeu dinheiro no bolso.
Sei que isso pode acontecer. Quantos exemplos de carreirismo nós encontramos no cara que mente para subir na empresa, no puxa-saco que sorri o tempo inteiro para ter aumento e assim por diante?
Seria bobo pensar que não há pessoas assim na política. Mais. O inquérito mostrou até que o dinheiro do mensalão foi usado para pagar indenização a namorada de um político falecido. Tenho certeza de que muitos políticos fizeram desvios – quem sabe muito piores do que este.
Quem olhar as votações ocorridas no período – 2003 e 2004 — em que teria ocorrido a “compra de votos” ficará espantado em função de uma coisa. Os calendários dos pagamentos não são conclusivos. Aquilo que o ministério público alega com seu levantamento a defesa desmente com outra. Na melhor das hipóteses, é um empate de provas. Mas há um elemento maior e mais decisivo. É a política, estúpido.
Naquele momento, o governo Lula tinha aliados à direita e fazia uma política que, sob este critério, também estava à direita. A esquerda do PT e mesmo fora dele não cansava de denunciar o que ocorria. O PSOL preparava seu racha e, dentro do governo, personalidades de pensamento semelhante começavam a esvaziar gavetas.
O Planalto cumpria parte da agenda do PSDB, do PP, do PTB e assim por diante. Aprovou a reforma da previdência – que era uma continuação do governo FHC – e outras medidas no gênero. O primeiro ato público do governo Lula foi um protesto de 25 000 servidores na Esplanada.
O governo pagava direitinho as contas de um empréstimo no FMI e governava com os juros no céu. Achava que esse era um pacto necessário para assegurar as condições mínimas de governar, após o ambiente de colapso e pânico que o país atravessou em 2002.
Banqueiros internacionais elogiavam a política econômica.
Você acha que o Roberto Jefferson precisava de R$ 4 milhões no bolso para votar a favor de mudanças na Previdência? Ou o PL? Ou o PP?
Eu acho que não. Eles dizem que não. Eles tinham embarcado no projeto Lula, como o PL fizera antes, ao garantir até a cadeira de vice-presidente. Falaram isso ao serem ouvidos na Polícia Federal. Falaram que iriam usar o dinheiro para a atividade mais importante de todo político: preparar a próxima campanha e pagar as contas anteriores.
E se você acha que isso é feio, subdesenvolvido, cínico, saiba que está enganado. Até na Alemanha esses acordos são feitos. Os verdes deixaram a ultraesquerda para assumir um governismo perpétuo. Hoje se aliaram ao governo de Angela Merkel, que comanda a reação européia contra o Estado de Bem-Estar Social. Democratas de centro e republicanos idem adoram trocar postos no primeiro escalão de presidentes do lado oposto, nos EUA.
Se você olhar os petistas que receberam dinheiro do esquema, irá reparar que eles pertenciam ao Campo Majoritário, que sustentava a política do governo, mesmo a contragosto às vezes. (Toda luta política depois do jardim de infância inclui momentos de contragosto, certo…?)
Isso acontecia porque o financiamento de Marcos Valério e Delúbio Soares não se destinava a alimentar uma “organização criminosa,” como os bandidos que roubam automóvel ou assaltam residências.
Não há como justificar nenhum desvio, roubo ou coisa parecida. Há crimes que devem ser punidos. Mas não é preciso aplicar a tecnologia tão bem explicada por Orwell para acreditar que a mentira virou verdade.
A menos, claro, que você pretenda tratar a política como crime. A vantagem de quem faz isso é atingir objetivos políticos enquanto se esconde atrás da ética. A desvantagem para os outros é fazer o papel de bobo.
Por mais que você goste de comparar a política brasileira a uma quitanda de bairro, não se iluda. Todos partidos têm seus compromissos, prioridades e assim por diante. Caso contrário, não sobrevivem.
O PP, o PL e outros se aliaram ao governo Lula depois da Carta ao Povo Brasileiro, que levou muitos petistas para debaixo do tapete, não é mesmo?
Os partidos podem ser e são muito parecidos pelos escândalos e eu acho que já discuti isso aqui algumas vezes. (O mais divertido dessa discussão é o escandalômetro. Dados do TSE mostram que o PSDB é o campeão nacional de fichas sujas enquanto PMDB, DEM, PP vêm depois. O PT fica em 8O lugar, o que é lamentável mas não parece compatível com a fama atual, quem sabe mais um efeito George Orwell – ou seria melhor falar em Goebells?)
Mas o esquema tinha um fundo político, alimentava a política e era alimentado por ela.
É difícil negar que ao longo do tempo governos de partidos diferentes produzem resultados diferentes, como as pesquisas de distribuição de renda, desemprego e redução da miséria não se cansam de demonstrar. (Não vamos nos estender muito sobre isso, é claro…)
Estas políticas se mostraram tão diferentes que hoje em dia os mais pobres costumam votar de um jeito e os mais ricos, de outro.
Veja que aí também há quem fale em “compra de votos”, que seria a versão popular da compra de “consciências”.
É o mesmo raciocínio. No Congresso, a compra de “consciência.” No povão, a compra de votos. Num caso, o “mensalão.”Em outro, o Bolsa Família, as políticas de estimulo ao crescimento para impedir a queda no emprego, o salário mínimo…
Deixando de lado, claro, a troca de voto por dentadura e por um par de sapatos, que é expressão da miséria política em sua face mais degradante, eu acho é preciso prestar atenção nessa visão.
É uma espécie de racismo social. Explico. Ninguém fala em compra de votos quando um governo conservador dá um pontapé nos juros, enriquece a clientela do mercado financeiro – que fará o possível para assegurar a manutenção dessa política no pleito seguinte. Vozes graves e olhares sisudos chegam a elogiar o massacre social que estamos assistindo na Europa, hoje em dia – da mesma foram que apoiaram a sangria dos países do Terceiro Mundo décadas atrás. Considera-se que essa é uma visão legítima no debate econômico. Se um partido social-democrata apóia esta medida, demonstra maturidade, espírito civico.
Mas quando um governo procura beneficiar os interesses dos pobres e indefesos, está fazendo compra de votos. Se um político conservador resolve apostar seu futuro nessa alternativa, só pode ser em troca de $$$. Curioso, não?
E é mais curioso ainda quando alguém tem o mau gosto de lembrar que outro escândalo, igualzinho, e mais antigo, foi conveniente retirado das manchetes e da televisão.
Estou falando, claro, do mensalão tucano que, em nova homenagem a Orwell, é chamado de “mineiro”, o que é uma ofensa a um estado inteiro. O mensalão, vá lá, PSDB-MG, ficou para as calendas, embora seja quatro anos mais antigo.
Considerando as eleições para prefeito, neste domingo, e as sentenças que nos aguardam, é impossível deixar de reparar na coincidência e deixar de perguntar: quem está “comprando consciências”?
Paulo Moreira Leite
No Vamos combinar
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Centenário de Maurício Grabois

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Fernando Morais declara voto

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A política de DESINFORMAÇÃO da Imprensa- Empresa no Brasil

Nacionalização do petróleo na Venezuela: Exxon perde em tribunal internacional de arbitragem 

O presidente venezuelano, Hugo Chávez adotou linha dura com as companhias petrolíferas multinacionais e está rindo à-tôa!
A notícia não é nova: é de janeiro desse ano. Nós a usamos, só, para um exercício de demonstração, a comprovar o que já se sabe: o ‘'jornalismo'’ no Brasil não vale naaaaaaaaaada, e comprado e pago para ser lido, é puuuuuuro prejuízo para qualquer leitor-consumidor à procura de informação.

No ponto em que paramos de copiar notícias, porque era tuuuudo igual, um veículo do Grupo GAFE (Globo-Abril-Folha de S.Paulo-Estadinho – e a BBC!) copiando o que o outro publicara e todos copiando as agências internacionais de repetição de noticiário gerado nos EUA, a situação, no “jornalismo” (só rindo!) no Brasil-2012 era a seguinte:


Nos dispensamos de traduzir a matéria da Al-Jazeera – que não faz nenhum jornalismo excepcionalmente excelente, mas é infinitamente melhor que o “jornalismo” do Grupo GAFE (Globo-Abril-FSP-Estadinho - e da BBC!), que é o pior do mundo – porque o que há a dizer até que quase-aparece, sim, no jornalismo desinformativo brasileiro, desde que devidamente despido das camadas e camadas de manipulação e encobrimento dos fatos.

O fato que, dessa vez, o “jornalismo” do Grupo GAFE desinforma é simples:

O governo do presidente Chávez estatizou em 2007 as instalações e a operação da petroleira norte-americana Exxon, na Venezuela. A Exxon recorreu à Câmara Internacional de Comércio [orig. International Chamber of Commerce (ICC)], que tem sede em Paris, “exigindo” mundos e fundos a título de “reparação de danos”. Em janeiro de 2012, afinal, o recurso foi julgado.

Resultado desse julgamento, a ICC decidiu que a Exxon não tem direito a praticamente nenhuma das reparações que pediu.

“Dispensam-se comentários” – disse o presidente Chávez rindo de orelha a orelha. – O tribunal internacional decidiu que a Exxon só tem direito a 10% do que pediu. Vamos indenizar apenas o investimento inicial da empresa. Não chega a 10% do que a Exxon pedira. E pagaremos com dinheiro nosso congelado no exterior e dinheiro que a Exxon nos deve. Não desembolsaremos mais de $255 milhões”.

A única notícia, afinal, verdadeira, é a única que NÃO apareceu no “jornalismo” do Grupo GAFE e, pelo menos, apareceu em Al-Jazeera:

“Hugo Chávez está feliz. A Exxon pedira indenização de mais de $12 bilhões de dólares. A Venezuela pagará, no máximo, 5% do que a Exxon demandou, em processo que, de fato, a petroleira norte-americana perdeu – como admitiram vários especialistas consultados.
Eva Golinger, advogada, resumiu:

O governo da Venezuela oferecera $1 bilhão no início do processo de nacionalização. A Exxon recusou a oferta e processou a Venezuela exigindo $10 bilhões. Agora, depois de quatro anos de processo, com a sentença final do tribunal internacional, a Exxon receberá apenas $255 milhões.

“Tradicionalmente, a Exxon sempre procura o litígio, jamais o acordo” – disse a Al-Jazeera Steve LeVine, professor de segurança energética na Georgetown University. “Todo esse caso foi tentativa de a Exxon mandar “um recado” ao mundo, a todos que tentem discordar dos planos da empresa”.

Depois de recusar-se a obedecer às novas leis venezuelanas para o petróleo, em 2007, segundo as quais as empresas estrangeiras teriam de se tornar parceiras minoritárias da estatal venezuelana PDVSA, a Exxon e a ConocoPhillips, outra empresa norte-americana, retiraram todas as suas operações da Venezuela.

Há muitos boatos de que outras empresas estrangeiras estariam cancelando os projetos de petróleo na Venezuela. Mas além da Exxon e da ConocoPhillips, todas as demais multinacionais ocidentais ficaram, provavelmente porque os custos de saírem seriam altos demais – noticia a Al-Jazeera.

“A ChevronTexaco continua lá. Empresas europeias, francesas e italianas, continuam na Venezuela; os russos, chineses, indianos e brasileiros continuam onde sempre estiveram” – disse Golinger à Al-Jazeera. “Nenhuma empresa estrangeira deveria arriscar-se a usar o próprio poder político e econômico para tentar burlar legislação dos países onde operam. Foi o que a Exxon tentou fazer. E perdeu”.

A notícia de que a Exxon perdeu, em processo judicial contra a Venezuela, é, precisamente, o fato ativamente sonegado a quem busque informação no “jornalismo” brasileiro do grupo GAFE (Globo-Abril-FSP-Estadinho - e a BBC!). Até quando?!
Chris Arsenault
Do Al-Jazeera | Qatar
Traduzido e comentado pelo pessoal da Vila Vudu e redecastorphoto (título da postagem
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