30 de set de 2012

Quatro anos depois, vídeo pode mudar eleição de BH

Em 2008, uma paródia feita por Tom Cavalcante decidiu a eleição em favor do atual prefeito Marcio Lacerda. Desta vez, não é humor. É o próprio vice de Lacerda, Délio Malheiros,  quem o ataca virulentamente, dias antes de ingressar na chapa e o vídeo começa a bombar no YouTube. Possibilidade de segundo turno entre Lacerda e Patrus Ananias é crescente
Quatro anos depois, um vídeo na web volta a chamar a atenção e pode ser decisivo na eleição para a Prefeitura de Belo Horizonte. O novo material, que traz frases nada abonadoras do deputado Délio Malheiros sobre o atual prefeito Marcio Lacerda (apenas cinco dias antes de o parlamentar aceitar ser o companheiro de chapa de Lacerda), foi postado na tarde da última sexta-feira (28/09). Menos de 48 horas depois, já tem quase 40 mil visualizações no Youtube - é, até o momento, o maior hit da eleição de BH no Youtube. O fenômeno repete o que ocorreu no pleito de 2008, quando imitações do humorista Tom Cavalcante lembrando a “caipirice” do então adversário de Lacerda (o peemedebista Leonardo Quintão) bombaram no Youtube.
O novo vídeo mostra trechos de entrevista coletiva do então pré-candidato do PV à prefeitura, Délio Malheiros em 29 de junho (clique aqui e veja a cobertura que o Minas 247 fez do assunto naquele dia).
Délio, que é deputado estadual, fazia oposição ferrenha ao atual prefeito Marcio Lacerda. Cinco dias depois, ele desistiu da candidatura e aderiu à chapa pela reeleição, como candidato a vice. O ponto mais polêmico, e que tem gerado mais comentários nas redes sociais, é quando Délio denuncia supostas obras “eleitoreiras” de Lacerda. “Pode escrever aí: semana que vem ele vai fazer um buraco na Praça 7 e falar que começou a sondagem para o metrô”. Coincidência ou não, o tal buraco de fato foi feito em plena campanha eleitoral, acompanhado de uma placa na qual se lê “execução de sondagens”, acompanhada de outra: “O metrô é a solução”. Assista abaixo ao vídeo:
O sucesso do vídeo se dá pela contundência das afirmações do deputado do PV, o que causou espanto a muita gente que não conhecia suas posições políticas antes da adesão a Lacerda. Na época da mudança, Délio alegou à imprensa que estava mudando de lado porque o PT teria abandonado a PBH. “Quem estiver contra o PT, conta comigo”.
Em 2008, no segundo turno envolvendo Lacerda e o deputado federal Leonardo Quintão (PMDB), um vídeo postado inicialmente na internet também roubou a cena. Daquela vez, era uma ficção, mas o resultado foi bombástico: com milhares de visualizações, todos se divertiam com as imitações do humorista Tom Cavalcante, em paródias que lembravam o jeitão caipiria de Quintão e sua suposta falta de propostas para BH. O assunto é polêmico, mas muita gente acredita que os vídeos do humorista foram fundamentais para convencer o eleitorado da capital mineira a votar em Marcio Lacerda.
Não se sabe o real efeito que o vídeo com Délio Malheiros terá sobre o eleitor - se é que terá algum. No campo petista, há certo otimismo com o último Datafolha, que mostrou redução na diferença entre Lacerda e Patrus Ananias, e principalmente com as últimas sondagens internas - uma delas teria mostrado Patrus ligeiramente à frente do candidato à reeleição.
Assista também ao vídeo de Tom Cavalcante:
No 247
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Charge online - Bessinha - # 1498

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O Risco-Jornalismo

Capa Época 748 (Foto: divulgação)
A revista Época fez uma ótima reportagem sobre a venda de votos no Brasil. A reportagem, assinada por Marcelo Rocha e Hudson Corrêa, se inicia com uma denúncia sensacional: em Betim, Minas Gerais, o candidato do PSDB à prefeitura, Carlaile Pedrosa, foi filmado enquanto comprava votos de pobres carroceiros por 280 reais. O vídeo está (ou estava) no site da Época para quem quiser ver.
Vale a pena ler o lead da matéria:
“Na lista das profissões em extinção num Brasil que se moderniza, está o carroceiro. Os poucos que resistem evocam gravuras de Debret (1768-1848), o pintor francês que fez a crônica visual do Brasil Colônia. No tempo de Debret, eles transportavam tonéis de água num Rio de Janeiro onde não havia saneamento básico. No Brasil de hoje, puxam pesadas carroças de lixo reciclável, em troca de vencimentos que raramente chegam ao salário mínimo. Na cidade mineira de Betim, município da Grande Belo Horizonte, um carroceiro ganha em média R$ 600 por mês. Para ele, R$ 280 fazem diferença no orçamento. É essa a quantia que o candidato Carlaile Pedrosa (PSDB) paga a carroceiros em troca de apoio político – como mostra um vídeo obtido com exclusividade por ÉPOCA e que evoca, na era da urna eletrônica, o Brasil do tempo das carroças. As imagens abaixo mostram Carlaile, postulante à cadeira de prefeito de Betim, chegando de carro a um bairro pobre da cidade. Logo depois, uma correligionária dele se encontra com carroceiros. Tira do envelope um maço de dinheiro. Eles ficam felizes. “Só de o pagamento ser em dinheiro já tá bom demais. Da outra vez foi em cheque”, afirma um deles. “Vai ter mais 140 ou é só este?”, diz outro – e é imediatamente informado de que receberá a mesma quantia depois do pleito, caso Carlaile seja eleito. As imagens evocam, tristemente, o folclore do tempo dos coronéis, quando lavradores descalços recebiam o pé direito do sapato antes da eleição, e o pé esquerdo depois, apenas no caso de vitória do candidato.”
Uma denúncia contra tucanos na Época é coisa rara de se ver, embora os editores tenham tido o cuidado de, na capa, não escrever o nome do PSDB na chamada para o texto. Lá está assim: “O vídeo que mostra carroceiros mineiros recebendo R$ 140 em troca de apoio”. Imagine se o corruptor fosse do PT... Bom, mas isso não tira o mérito da matéria, muito menos da informação.
Os repórteres, no entanto, não tiveram muito tempo para se cobrir de glórias. No mesmo dia em que a revista chegou às bancas, o site da Época foi obrigado a publicar uma nota oficial do PSDB de 5,5 mil caracteres desqualificando o trabalho dos jornalistas. Contra eles, a incrível acusação de utilizarem um vídeo que não havia sido produzido por eles. E esse não é o único argumento ridículo levantado contra a reportagem. A coordenação da campanha do tucano Carlaile duvida até do sotaque dos personagens do vídeo. Tentam, assim, explicar o inexplicável.
E Época submeteu seus leitores a isso.
Ao que parece, houve um ruído de comunicação dentro das Organizações Globo sobre o assunto. Como se sabe, a blindagem do PSDB em Minas Gerais tem sido absoluta desde o primeiro governo de Aécio Neves, sobretudo na imprensa. Nada sai sem o crivo dos tucanos. Mas a Globo é uma família muito desunida, basta reparar na quantidade de matérias que o Jornal Nacional repercute da Veja, e quantas da Época.
O tal vídeo com a compra de votos de carroceiros em Betim estava nas mãos da TV Globo Minas havia duas semanas, mas a direção da emissora decidiu ignorar a denúncia. Como nada saía na televisão, a coordenação de campanha da candidata Maria do Carmo Lara, do PT, de posse do vídeo, procurou a revista Época. De Brasília e do Rio, os repórteres foram a Betim e fizeram o dever de casa bem feito. Como prêmio, receberam a nota-reprimenda do PSDB.
Fato consumado, a TV Globo de Brasília solicitou as fitas que estavam na Globo Minas, no fim de semana, para verificar a possibilidade de ao menos repercutir no Jornal Nacional ou quiçá no noticiário da Globo News a reportagem da coirmã Época.
Mas não saiu nem uma nota coberta.
Por que será?"
Leandro Fortes
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Jesus realmente existiu?

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Trilha Sonora para uma Revolução

Inspirador, emocionante!
Momentos em que a barbárie aplicada a uma parcela da sociedade é considerada normal e quando qualquer manifestação contra ela é considerada ilegal podem parecer coisa de séculos atrás ou de pequenos países sob ditadura declarada. Mas não, nos anos 60, nos Estados Unidos da América, havia lugares onde negros não podiam comer, sentar, não tinham direito a voto e muito menos a se manifestar.
Era comum nos Estados sulistas, negros serem alvejados, mutilados, queimados, surrados, sem que os seus agressores sofressem alguma punição. Neste contexto começa o movimento social mais forte que já aconteceu no país sob a liderança de uma das figuras mais emblemáticas da história ocidental, Martin Luther King.
Imagens emocionantes, mostram toda a cronologia desse movimento, com depoimentos atuais dos integrantes. Músicas que eram cantadas como hinos, são exibidas com grande produção moderna.
Um grande exemplo de desobediência civil e resistência pacífica.
(EUA, 2009, 82 min - Direção: Bill Guttentag, Dan Sturman)
No DocVerdade
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O que é uma teoria científica? - Aula 3

Curso ministrado pelo Prof. Michel Ghins durante Escola Paranaense de História e Filosofia da Ciência 2011, realizada de 10 a 13 de agosto de 2011, na Universidade Federal do Paraná, em Curitiba-PR, Brasil.

Roteiro das aulas:


Aula 1: O que é uma teoria cientifica?
1. Abstração e atitude objetivante (Aula 1(1))
2. A modelização e a adequação empírica (Aula 1(2-3))
3. Os requisitos de cientificidade (Aula 1(4))
4. A concepção sintética das teorias (Aula 1(5))
5. Explicação e mecanismo causal (Aula 1(6-7))
Aula 2: A interpretação realista das teorias científicas
1. A objeção da perda de realidade (Aula 2(1-2))
2. O argumento antirealista da subdeterminação das teorias pelos dados empíricos (Aula 2(3))
3. O paralelismo com a experiência ordinária (Aula 2(4))
4. Retorno à explicação (Aula 2(5))
Aula 3: Existem leis científicas?
1. A concepção regularista das leis (Aula 3(1-3))
2. A concepção necessitarista das leis (Aula 3(4))
3. O realismo científico (Aula 3(5))
Aula 4: A metafísica da ciência
1. As propriedades disposicionais (Aula 4(1))
2. As propriedades categóricas (Aula 4(2))
3. A explicação categorial (Aula 4(3))
4. O realismo categórico (Aula 4(4))
5. O fundamento metafísico das leis: os poderes causais (Aula 4(5))
6. Conclusão: boa metafísica ou metafísica ruim? (Aula 4(6))
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O que é uma teoria científica? - Aula 2

Curso ministrado pelo Prof. Michel Ghins durante Escola Paranaense de História e Filosofia da Ciência 2011, realizada de 10 a 13 de agosto de 2011, na Universidade Federal do Paraná, em Curitiba-PR, Brasil.

Roteiro das aulas:


Aula 1: O que é uma teoria cientifica?
1. Abstração e atitude objetivante (Aula 1(1))
2. A modelização e a adequação empírica (Aula 1(2-3))
3. Os requisitos de cientificidade (Aula 1(4))
4. A concepção sintética das teorias (Aula 1(5))
5. Explicação e mecanismo causal (Aula 1(6-7))
Aula 2: A interpretação realista das teorias científicas
1. A objeção da perda de realidade (Aula 2(1-2))
2. O argumento antirealista da subdeterminação das teorias pelos dados empíricos (Aula 2(3))
3. O paralelismo com a experiência ordinária (Aula 2(4))
4. Retorno à explicação (Aula 2(5))
Aula 3: Existem leis científicas?
1. A concepção regularista das leis (Aula 3(1-3))
2. A concepção necessitarista das leis (Aula 3(4))
3. O realismo científico (Aula 3(5))
Aula 4: A metafísica da ciência
1. As propriedades disposicionais (Aula 4(1))
2. As propriedades categóricas (Aula 4(2))
3. A explicação categorial (Aula 4(3))
4. O realismo categórico (Aula 4(4))
5. O fundamento metafísico das leis: os poderes causais (Aula 4(5))
6. Conclusão: boa metafísica ou metafísica ruim? (Aula 4(6))
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O que é uma teoria científica? - Aula 1

Curso ministrado pelo Prof. Michel Ghins durante Escola Paranaense de História e Filosofia da Ciência 2011, realizada de 10 a 13 de agosto de 2011, na Universidade Federal do Paraná, em Curitiba-PR, Brasil.

Roteiro das aulas:


Aula 1: O que é uma teoria cientifica?
1. Abstração e atitude objetivante (Aula 1(1))
2. A modelização e a adequação empírica (Aula 1(2-3))
3. Os requisitos de cientificidade (Aula 1(4))
4. A concepção sintética das teorias (Aula 1(5))
5. Explicação e mecanismo causal (Aula 1(6-7))
Aula 2: A interpretação realista das teorias científicas
1. A objeção da perda de realidade (Aula 2(1-2))
2. O argumento antirealista da subdeterminação das teorias pelos dados empíricos (Aula 2(3))
3. O paralelismo com a experiência ordinária (Aula 2(4))
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Aula 3: Existem leis científicas?
1. A concepção regularista das leis (Aula 3(1-3))
2. A concepção necessitarista das leis (Aula 3(4))
3. O realismo científico (Aula 3(5))
Aula 4: A metafísica da ciência
1. As propriedades disposicionais (Aula 4(1))
2. As propriedades categóricas (Aula 4(2))
3. A explicação categorial (Aula 4(3))
4. O realismo categórico (Aula 4(4))
5. O fundamento metafísico das leis: os poderes causais (Aula 4(5))
6. Conclusão: boa metafísica ou metafísica ruim? (Aula 4(6))
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Por que eles têm medo do Lula?

Lula virou o diabo para a direita brasileira, comandada por seu partido – a mídia privada. Pelo que ele representa e por tê-los derrotado três vezes sucessivas nas eleições presidenciais, por se manter como o maior líder popular do Brasil, apesar dos ataques e manipulações de todo tipo que os donos da mídia – que não foram eleitos por ninguém para querer falar em nome do país – não param de maquinar contra ele.
Primeiro, ele causou medo quando surgiu como líder operário, que trazia para a luta política aos trabalhadores, reprimidos e super-explorados pela ditadura durante mais de uma década e o pânico que isso causava em um empresariado já acostumado ao arrocho salarial e à intervenção nos sindicatos.
Medo de que essa política que alimentava os superlucros das grandes empresas privadas nacionais e estrangeiras – o santo do chamado “milagre econômico” -, terminasse e, com ela, a possibilidade de seguirem lucrando tanto às custas da super-exploração dos trabalhadores.
Medo também de que isso tirasse as bases de sustentação da ditadura – além das outras bases, as baionetas e o terror – e eles tivessem que voltar às situações de incerteza relativa dos regimes eleitorais.
Medo que foi se acalmando conforme, na transição do fim do seu regime de ditadura militar para o restabelecimento da democracia liberal, triunfavam os conservadores. Derrotada a campanha das diretas, o Colégio Eleitoral consagrou um novo pacto de elite no Brasil, em que se misturavam o velho e o novo, promiscuamente na aliança PMDB-PFL, para dar nascimento a uma democracia que não estendia a democracia às profundas estruturas econômicas, sociais e midiáticas do país.
Sempre havia o medo de que Lula catalizasse os descontentamentos que não deixaram de existir com o fim da ditadura, porque a questão social continuava a arder no país mais desigual do continente mais desigual do mundo. Mas os processos eleitorais pareciam permitir que as elites tradicionais retomassem o controle da vida política brasileira.
Aí veio o novo medo, que chegou a pânico, quando Lula chegou ao segundo turno contra o seu novo queridinho, Collor, o filhote da ditadura. E foi necessário usar todo o peso da manipulação midiática para evitar que a força popular levasse Lula à presidencia do Brasil, da ameaça de debandada geral dos empresários se Lula ganhasse, à edição forjada de debate, para tentar evitar a vitória popular.
O fracasso do Collor levou a que Roberto Marinho confessasse que eles já não elegeriam um presidente deles, teriam que buscar alguém no outro campo, para fazê-lo seu representante. Se tratava de usar de tudo para evitar que o Lula ganhasse. Foram buscar ao FHC, que se prestou a esse papel e parecia se erigir em antidoto permanente contra o Lula, a quem derrotou duas vezes.
Como, porém, não conseguem resolver os problemas do país, mas apenas adiá-los – como fizeram com o Plano Real -, o fantasma voltou, com o governo FHC também fracassando. Tentaram alternativas – Roseana Sarney, Ciro Gomes, Serra -, mas não houve jeito.
Trataram de criar o pânico sobre a possibilidade da vitória do Lula, com ataque especulativo, com a transformação do chamado “risco Brasil” para “risco Lula”, mas não houve jeito.
Alivio, quando acreditaram que a postura moderada do Lula ao assumir a presidência significaria sua rendição à politica econômica de FHC, ao “pensamento único”, ao Consenso de Washington. Por um lado, saudavam essa postura do Lula, por outro incentivavam os setores que denunciavam uma “traição” do Lula, para buscar enfraquecer sua liderança popular. No fundo acreditavam que Lula demoraria pouco no governo, capitularia e perderia liderança popular ou colocaria suas propostas em prática e o país se tornaria ingovernável.
Quando se deram conta que Lula se consolidava, tentaram o golpe em 2005, valendo-se de acusações multiplicadas pela maior operação de marketing político que o pais ja conheceu – desde a ofensiva contra o Getúlio, em 1954 -, buscando derrubar o Lula e sepultar por muito tempo a possibilidade de um governo de esquerda no Brasil. Colocavam em prática o que um ministro da ditadura tinha dito: Um dia o PT vai ganhar, vai fracassar e aí vamos poder governar o país sem pressão.”
Chegaram a cogitar um impeachment, mas tiveram medo do Lula, da sua capacidade de mobilização popular contra eles. Recuaram e adotaram a tática de sangrar o governo, cercando-o no Parlamento e através da mídia, até que, inviabilizado, fosse derrotado nas eleições de 2006.
Fracassaram uma vez mais, quando o Lula convocou as mobilizações populares contra os esquemas golpistas, ao mesmo tempo que a centralidade das políticas sociais – eixo do governo Lula, que a direita não enxergava, ou subestimava e tratava de esconder – começava a dar seus frutos. Como resultado, Lula triunfou na eleições de 2006, ao contrário do que a direita programava, impondo uma nova derrota grave às elites tradicionais.
O medo passou a ser que o Brasil mudasse muito, tirando suas bases de apoio tradicionais – a começar por seus feudos políticos no nordeste -, permitindo que o Lula elegesse sua sucessora. Se refugiaram no “favoritismo” do Serra nas pesquisas – confiando, uma vez mais, na certeza do Ibope de que o Lula não elegeria sua sucessora.
Foram de novo derrotados. Acumulam derrota atrás de derrota e identificam no Lula seu grande inimigo. Ainda mais que nos últimos anos do seu segundo mandato e na campanha eleitoral, Lula identificou e apontou claramente o papel das elites tradicionais, com afirmações como a de que ele demonstrou “que se pode governar o Brasil, sem almoçar e jantar com os donos de jornal”. Quando disse que “não haverá democracia no Brasil, enquanto os políticos tiverem medo da mídia”, entre outras afirmações.
Quando, depois de seminário que trouxe experiências de regulações democráticas da mídia em varias partes insuspeitas do mundo, elaborou uma proposta de lei de marco regulatório para a mídia, que democratize a formação da opinião pública, tirando o monopólio do restrito número de famílias e empresas que controlam o setor de forma antidemocrática.
Além de tudo, Lula representa para eles o sucesso de um presidente que se tornou o líder político mais popular da história do Brasil, não proveniente dos setores tradicionais, mas um operário proveniente do nordeste, que se tornou líder sindical de base desafiando a ditadura, que perdeu um dedo na máquina – trazendo no próprio corpo inscrita a sua origem e as condições de trabalho dos operários brasileiros.
Enquanto o queridinho da direita partidária e midiática brasileira, FHC, fracassou, Lula teve êxito em todos os campos – econômico, social, cultural, de políticas internacional -, elevando a auto-estima dos brasileiros e do povo brasileiro. Lula resgatou o papel do Estado – reduzido à sua mínima expressão com Collor e FHC – para um instrumento de indução do crescimento econômico e de garantia das políticas sociais. Derrotou a proposta norteamericana da Alca – fazer a América Latina uma imensa área de livre comércio, subordinada ao interesses dos EUA -, para priorizar os projetos de integração regional e os intercâmbios com o Sul do mundo.
Lula passou a representar o Brasil, a América Latina e o Sul do mundo, na luta contra a fome, contra a guerra, contra o monopólio de poder das nações centrais do sistema. Lula mostrou que é possível diminuir a desigualdade e a pobreza, terminar com a miséria no Brasil, ao contrário do que era dito e feito pelos governos tradicionais.
Lula saiu do governo com praticamente toda a mídia tradicional contra ele, mas com mais de 80% de apoio e apenas 3% de rejeição. Elegeu sua sucessora contra o “favoritismo” do candidato da direita.
Aí acreditaram que poderiam neutralizá-lo, elogiando a Dilma como contraponto a ele, até que se rendem que não conseguem promover conflitos entre eles. Temem o retorno do Lula como presidente, mas principalmente o temem como líder político, como quem melhor vocaliza os grandes temas nacionais, apontando para a direita como obstáculo para a democratização do Brasil.
Lula representa a esquerda realmente existente no Brasil, com liderança nacional, latino-americana e mundial. Lula representa o resgate da questão social no Brasil, promovendo o acesso a bens fundamentais da maioria da população, incorporando definitivamente os pobres e o mercado interno de consumo popular à vida do país.
Lula representa o líder que não foi cooptado pela direita, pela mídia, pelas nações imperiais. Por tudo isso, eles tem medo do Lula. Por tudo isso querem tentam desgastar sua imagem. Por isso 80% das referências ao Lula na mídia são negativas. Mas 69,8% dos brasileiros dizem que gostariam que ele volte a ser presidente do Brasil. Por isso eles tem tanto medo do Lula.
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Gilmar Dantas persegue José de Abreu

Zé de Abreu, o ator (foto), foi notificado judicialmente pelo "ministro supremo" Gilmar Mendes, por causa de um tuite seu de junho p.p. relacionado com uma matéria da Carta Capital. É um absurdo esta perseguição à opinião, exatamente por aqueles que se arvoram como guardiões da liberdade de expressão e da Constituição.
O paradoxo é que isto acontece na mesma semana que o MPF arquiva denúncia sobre a acusação do "supremo ministro" e empresário do ensino, feita ao ex-presidente Lula. Ele, Gilmar Mendes, pode acusar sem provas quem quiser, sem ser importunado, enquanto críticas a ele não são permitidas. O judiciário brasileiro, com seus "ilustres" ministros, dá ao país um espetáculo bisonho jamais visto antes.
Toni
No Advivo
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Céli Pinto: “Enfrentamos um processo de glorificação da despolitização”

 
Entrevistei para a próxima edição do Adverso, publicação da Adufrgs Sindical (Sindicato dos Professores das Instituições Federais de Ensino Superior de Porto Alegre) a cientista política Céli Pinto, professora do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Na entrevista (disponibilizarei o link aqui assim que a entrevista for publicada), Céli Pinto analisa a atual conjuntura política do país a partir de três processos que vem ocorrendo simultaneamente: o julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), as eleições municipais e os trabalhos da Comissão da Verdade para investigar os crimes da ditadura.
A professora da UFRGS critica o processo de espetacularização do julgamento em curso no STF e identifica um preocupante quadro de esquizofrenia política no país com a degradação do quadro partidário, advertindo para os riscos da campanha sistemática contra a política e contra os políticos. Céli Pinto enxerga no horizonte uma configuração paradoxal que define como “o pior dos mundos”. Se por um lado os governos Lula e Dilma trazem consigo enormes avanços sociais, no plano de valores parece haver um avanço conservador:
“Há uma falta de vontade política de enfrentar mais de frente as forças conservadoras deste país. Essas forças conservadores ganham, por um lado, com o crescimento econômico e o aumento de consumo, e, por outro, há um avanço de valores conservadores, de avanço de valores das igrejas pentecostais e da igreja católica, dando o tom do que pode e do que não pode no país. Então, temos uma combinação que é o pior dos mundos. E esse pior dos mundos não é contra o desenvolvimento social. Nem a Igreja Católica nem os pentecostais são contra o aumento do consumo e de emprego. Muito menos a burguesia brasileira, desde que não haja aumento de poder das pessoas, que divida um pouco a imensa concentração de poder que há neste país”.
Como agravante, temos ainda uma campanha midiática diária e sistemática contra a política e os políticos, descrita assim por Céli Pinto:
“Enfrentamos um processo de despolitização e até de glorificação da despolitização que afirma que o que é político é ruim e o que não é político é bom. Esse discurso vem sendo repetido incessantemente, dia e noite. Em sempre disse para meus alunos e em entrevistas que eu não acreditava que a grande mídia dominava corações e mentes em lugar nenhum do mundo e muito menos no Brasil; que se dominasse o Lula não teria sido presidente da República ou o Olívio não teria sido governador aqui no Rio Grande do Sul. Mas, neste momento, eu acho que há uma influência sim, muito mais espalhada, menos política, mais na escala de valores, que está muito entranhada nas pessoas. Você pega um táxi, vai a um consultório, conversa com as pessoas e quase todas estão falando mal da política e dos políticos. Esse discurso é repetido à exaustão diariamente na mídia: os políticos são corruptos, não são sérios, não trabalham”.
Integrante da Comissão Estadual da Verdade no Rio Grande do Sul, ela define um dos principais objetivos desse trabalho: “queremos contar a história de quem foi preso, torturado, morto ou desaparecido e também apontar quem torturou e matou. Queremos mostrar que a tortura, a morte, o desaparecimento e a humilhação não foram exceções, mas sim uma política de Estado”.
Foto: Bruna Cabrera/Especial Palácio Piratini
Marco Aurélio Weissheimer
No RS Urgente
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Aliados de Dilma podem vencer em 65% das principais cidades, diz levantamento do PT

Segundo o PT, o partido pode sair vencedor em 20 de 98 cidades,
como São Bernardo, onde mora Lula
Partidos aliados ao governo da presidenta Dilma Rousseff caminham para vencer as eleições municipais deste ano em cerca de dois terços das cidades com mais de 150 mil eleitores, segundo levantamento feito pelo PT e obtido pela agência Rede Brasil Atual. Os números têm por base balanços atualizados de pesquisas públicas e internas.
Ao todo, há 119 municípios nessa faixa, mas em 21 deles não havia pesquisas recentes até o fechamento do relatório. Os candidatos de legendas aliadas ao Planalto despontam em primeiro lugar em 65% das demais 98 cidades – sendo 20 do PT, 15 do PMDB, 13 do PSB, 7 do PDT e 3 do PP, entre outros.
O PT também aparece bem posicionado em 15 das 83 cidades em que pode haver segundo turno (mais de 200 mil eleitores), incluindo oito capitais: Salvador, Fortaleza, João Pessoa, Porto Velho, Cuiabá, Rio Branco, São Paulo e Goiânia.
Nesse recorte, a disputa mais embolada ocorre em Porto Velho (RO). Pesquisa Ibope divulgada na quarta-feira (26) mostra Lindomar Garçon (PV) liderando com 29% das intenções de voto. Como a margem de erro é de 4 pontos percentuais, quatro candidatos aparecem tecnicamente empatados em segundo lugar: Mário Português (PPS) com 17%, Mauro Nazif (PSB) com 16%, Mariana Carvalho (PSDB) com 15% e Fatima Cleide (PT) com 12%.
Em Salvador (BA), segundo Ibope de ontem (27), a situação está mais bem definida: o petista Nelson Pelegrino tem 34%, seguido por ACM Neto (DEM), com 31%.
Na capital da Paraíba, João Pessoa, Luciano Cartaxo (PT) aparece em primeiro lugar com 29%, de acordo com Ibope do dia 21. Lutam pelo segundo posto Cícero Lucena (PSDB), com 20%; José Maranhão (PMDB), com 18%; e Estela Bezerra (PSB) com 14%.
Em Fortaleza (CE), há equilíbrio entre três candidatos, mas Elmano Freitas (PT) sobe nas intenções de voto e, segundo o Datafolha divulgado ontem (27), já está com 24%, ultrapassando Moroni Torgan (DEM), que tem 18% ficou atrás também de Roberto Claudio (PSB), com 19%.
Em Cuiabá (MT), as pesquisas mostram Mauro Mendes (PSB) liderando com 38%, tecnicamente empatado com Lúdio Cabral (PT) com 36%. Em Goiânia (GO), o candidato do PT, Paulo Garcia, tem 38% e é seguido de muito longe por Jovair Arantes (PTB), com 11,5%. Na soma de votos válidos, Garcia pode vencer no primeiro turno.
Na capital do Acre, Rio Branco, Marcos Alexandre (PT) lidera com 43%, à frente de Tião Bocalom (PSDB), que está com 39%. O movimento é de queda do tucano e de ascensão do petista.
Na capital de São Paulo, as pesquisas mostram Fernando Haddad (PT) brigando pelo segundo lugar com José Serra (PSDB), na casa dos 18%, enquanto Celso Russomano (PRB) lidera com índices que vão de 34% a 30%.
Além dessas oito capitais, os petistas também acreditam que podem virar o jogo em Belo Horizonte. O quadro atual, porém, mostra Márcio Lacerda (PSB) à frente de Patrus Ananias (PT) e em condições de vencer no primeiro turno, já que lá a disputa ficou polarizada entre os dois candidatos.
Disputas locais
Embora as pesquisas apontem o fortalecimento dos partidos que dão sustentação parlamentar ao governo Dilma, criando condições favoráveis para o projeto de reeleição em 2014, no plano local essas legendas muitas vezes atuam em campos opostos e travam disputas encarniçadas, tanto na política como nas concepções ideológicas e programáticas. É o que acontece hoje em municípios como Londrina (PR), Caxias do Sul (RS), São José do Rio Preto (SP), Belo Horizonte (MG), Santo André (SP), Cuiabá (MT), Recife (PE) e Fortaleza (CE), entre muitos outros.
O cenário embaralha a lógica tradicional da política e confunde a cabeça do eleitor. Em São Paulo, por exemplo, a campanha petista detectou que muitos eleitores potenciais do PT teriam migrado para Celso Russomanno, cujo partido, o PRB, está na base de apoio do governo federal.
Para a cientista política Maria Victoria Benevides, sem uma reforma política essas situações muitas vezes desconfortantes vão continuar. “Alianças muitas vezes espúrias, que não se dão em torno de propostas comuns ou ideologias, mas que são meras alianças eleitorais, muitas vezes exigem um preço elevado, exigem concessões”, disse. “Precisamos de uma reforma que exigisse mais autenticidade nas alianças, em torno de propostas políticas, ideológicas e programáticas”, disse a professora, que acrescentou: “Não sou contra alianças, mas contra a confusão que o atual sistema gera na cabeça do eleitor, e que faz ele acreditar que só existe política para politicagem, e não como um meio de organizar a sociedade”.
Maria Victoria Benevides defende uma reforma que faça valer de fato a fidelidade partidária, financiamento público de campanha, que mexa na questão do tempo de TV da propaganda eleitoral. “Grandes acordos são feitos para maximizar o tempo na TV”, constatou.
Embora afirme que todo o nosso sistema político “deva passar por uma revisão séria”, ela não crê que tal reforma passe no Congresso Nacional. Teria de ser feita com “amplo apoio popular e mobilização da sociedade civil”, disse. “Se depender só do Congresso, não acredito que saia. Já ouvi de políticos que aprovar uma reforma poderia ser um ‘suicídio político’”.
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