20 de set de 2012

Serra, entre álcool e drogas, chora ao ver pesquisa verdadeira

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A invenção do 'gaúcho' e a maldição conservadora no RS

Antes de entrar no tema que quero comentar, chamo a atenção para o “Desfile Cívico-Militar do Vinte de Setembro” (conforme consta da programação dos seus organizadores, os dirigentes do MTG – Movimento Tradicionalista Gaúcho) que está se desenrolando hoje, precisamente 20 de setembro de 2012. 
Quero sublinhar a ênfase na expressão “cívico-militar” dado pelo MTG, em pleno século 21. Me explico. Ninguém desconhece a filiação positivista-comtiana dos republicanos brasileiros, na segunda metade do século 19. No Rio Grande do Sul, onde a República aconteceu depois de uma revolução cruenta que durou de 1893 a 1895, os positivistas foram mais radicais e, por isso, mais exitosos do que no resto do Brasil. Julio de Castilhos e os militantes do Partido Republicano Rio-Grandense (PRR) modificaram completamente o cenário político e social do estado mais meridional do País. No RS não houve a chamada troca de placa: sai a Monarquia dos Bragança, entra a República constitucional. Aqui, houve a mais completa e absoluta troca da elite no poder. Saem os velhos estancieiros pecuaristas da Campanha, entra uma composição de classes formada por uma pequena burguesia urbana, uma classe média rural, profissionais liberais e colonos de origem europeia da região serrana.
Os positivistas sulinos, fiéis aos ensinamentos dogmáticos de Auguste Comte, propugnavam – como o mestre – pela superação das fases pregressas da Humanidade. À fase militar-feudal deve seguir-se a fase industrial da Humanidade. Ou seja, à fase militar corresponderia a insurreição farroupilha de 1835-45 contra o Império do Brasil, agora – com o advento republicano – estávamos, pois, na hora de criar condições para o desenvolvimento e o progresso material que se daria por um processo intensivo de industrialização manufatureira.   
Vejam, pois, que os tradicionalistas do século 21 continuam com os olhos fixos num passado praticamente feudal, marcadamente militarista, embora não tenhamos experimentado, de forma hegemônica e total, esse modo de produção pré-capitalista no Brasil.  
Um dos formuladores intelectuais do que chamamos de ordem delirante do atraso – o pensamento tradicionalista da estância – foi Ramiro Frota Barcellos. Na obra “Rio Grande, tradição e cultura” (1915), o santiaguense é de uma clareza solar quanto aos propósitos enfermiços do tradicionalismo estancieiro: “O que agora se verifica, mercê do atual movimento tradicionalista, é a transposição simbólica dos remanescentes dos ‘grupos locais’, com suas estâncias e seus galpões para o coração das cidades. Transposição simbólica, mas que fará sobreviver, na mais singular aculturação de todos os tempos, o Rio Grande latifundiário e pecuarista”.
Qualquer semelhança com o enclave da bombacha e da fumaça que anualmente acampa, no mês de Setembro, no Parque da Harmonia, em plena área central de Porto Alegre, não é mera coincidência. A “mais singular aculturação de todos os tempos”, como premonitoriamente afirma Barcellos. Neste caso, “aculturação” é sinônimo de regressismo e estagnação.
É sobre isso que eu quero comentar brevemente.
Quando estudantes em São Paulo, Júlio de Castilhos e Assis Brasil chegaram a fundar um chamado “Clube 20 de Setembro”, que promoveu estudos – com algumas publicações - sobre o movimento farroupilha da primeira metade do século 19. Curiosamente, Castilhos abandonou as pesquisas sobre a guerra civil que varreu o Rio Grande por dez longos anos. Assis, em 1882, publicou a obra “História da República Rio-Grandense”. Por algum motivo, carente de melhores investigações, tanto os positivistas do PRR, quanto os liberais sulinos não foram muito enfáticos no culto farrapo. Tal fenômeno veio a ocorrer somente depois da Segunda Guerra, em Porto Alegre, no meio estudantil secundarista urbano do Colégio Estadual Julio de Castilhos. Daí se difundiu como rastilho de pólvora sob a forma dos onipresentes Centro de Tradição Gaúcho – CTG, que são clubes de convivência social onde se cultua o passado sob a forma fixa da mitologia farrapa, tendo como matriz formal a estética e o ethos do latifúndio da pecuária extensiva de exportação – subordinado à cadeia mercantil dos interesses hegemônicos ingleses na América do Sul. Quando os tradicionalistas se ufanam do pretensioso espírito autônomo e emancipado do chamado 'gaúcho' tout court, se referem ao Império dos Bragança, mas esquecem a dependência econômica e subordinação negocial estrita com os interesses ingleses, via portos de escoamento no Prata (Montevideo e Buenos Aires). 
[Das relevantes realizações modernizantes do castilhismo-borgismo foram a estatização e incremento do porto de Rio Grande, bem como a encampação das ferrovias controladas por capitais europeus, de forma a dotar o estado de infraestrutura e fomentar o desenvolvimento, sem depender do Rio ou do Prata.]   
A grande data a comemorar no Rio Grande do Sul, pelo lado do senso comum, é o 20 de Setembro, que marca o início da insurreição farroupilha (é um equívoco chamá-la de “revolução”, uma vez que os rebeldes foram derrotados pelo Império e não ocorreu nenhuma modificação política, social ou econômica na província sulina depois de 1º de março de 1845, na chamada Paz de Ponche Verde). No entanto, se houve revolução no sentido rigoroso e clássico do termo, esta ocorreu a partir da promulgação da Constituição Rio-Grandense, e da posse do governador (então, presidente do Estado) Julio de Castilhos, no dia 14 de julho de 1891. Meses depois, os conservadores e latifundiários alijados do poder, eternos aliados e sustentáculos da Monarquia, deram início à luta armada contra os jovens que governavam o Rio Grande (Castilhos tinha 30 anos quando assume a presidência do estado). A partir da revolução cruenta, se inicia um processo de grandes modificações e modernizações no RS. Em 1902, já com Borges de Medeiros no poder, depois da morte precoce de Castilhos, o estado passou a tributar com impostos progressivos as terras privadas, bem como reaver dos estancieiros as imensas glebas públicas apropriadas ilegalmente durante todo o século 19.   
A hegemonia política do castilhismo-borgismo perdura até a década de 1930. Getúlio Vargas foi presidente do estado de 1928 a 1930, quando sai para o Catete, e já deixa um governo mais conciliador com os conservadores da Campanha.
É intrigante, pois, que a apropriação do imaginário social tenha se dado pelo lado dos conservadores, através do simbolismo inventado do 20 de Setembro, e não pelas forças burguesas, progressistas e renovadoras do Rio Grande do Sul, que seria pelo 14 de Julho.
Eric Hobsbawn e Terence Ranger que estudaram o fenômeno da chamada “invenção das tradições” suspeitam que quando ocorrem mudanças sociais muito bruscas e profundas, produzindo novos padrões com os quais essas tradições são incompatíveis, inventam-se novas tradições e novos imaginários de identidade social e cultural. Para os dois autores britânicos, a teoria da modernização pode sim conceber que as mudanças operadas pela infraestrutura da sociedade demandem tradições inventadas no plano da superestrutura.
Neste sentido, a revolução burguesa positivista-castilhista de inspiração saint-simoniana, introdutora do Estado-Providência, mobilizou somente as instâncias da infraestrutura (base material e econômica), deixando uma vasta lacuna, um boqueirão ideológico, diríamos, na esfera da superestrutura. 
Assim, teria restado um formidável vácuo em distintos setores da vida social e no espírito dos indivíduos, como nas artes, no pensamento político, no Direito, na identidade, nas subjetividades individuais e de grupos, na cultura e no imaginário como um todo. O homem é, antes de tudo, um animal simbólico, e este domínio da razão e da cultura foi deixado vago, motivado, talvez, pelas duras urgências da vida real, mas também – suspeito eu – pelo próprio autoritarismo do poder estendido do castilhismo-borgismo.
O tradicionalismo seria, assim, um desagravo mítico-ideológico dos derrotados de 1893/95, os mesmos derrotados de Ponche Verde. Uma vingança de classe – a do latifúndio subalterno e associado – contra a modernização burguesa do positivismo pampeiro, seria isso? Uma maldição contra o futuro do Rio Grande? “Vocês estarão condenados a viver no passado, em meio à fumaça e o cheiro de esterco, festejando derrotas, e considerando heróico, cavalgando durezas e incomodidades, e considerando genuíno, fruindo uma arte primária e mambembe, e considerando autêntico, cultuando velhos ressentimentos e considerando lúcido, ignorando o rico mosaico cultural da província e considerando o tradicionalismo de matriz latifundiária como a síntese de tudo. Vocês são os gaúchos, velhos vagabundos redimidos, são os heróis de um passado que nunca existiu” – foi a sentença de fogo dos que trouxeram o tradicionalismo como vanguarda do atraso no pensamento guasca. 
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Joaquim Barbosa, o herói da mídia

O ministro Joaquim Benedito Barbosa Gomes teria todas as características para fazer da sua vida uma história de superação. “Superação”, como se chama hoje na imprensa a luta de pessoas que partindo de condições difíceis chegam a um final feliz, no que a imprensa julga ser um final feliz. De  fato, a  jornada do ministro do STF, desde o nascimento, mostra a trajetória de um jovem que não aceitou o destino dos  pobres do Brasil. Atentem para o Benedito do seu nome, que longe está de ser algo abençoado, bendito. Benedito é marca com foros de genética, pois  era o nome desde a senzala em homenagem ao santo dos pobres, o franciscano negro São Benedito, que virou um qualificativo do passado de violência e exclusão.
No breve resumo da sua vida, Joaquim Benedito Barbosa é filho mais velho entre oito crianças de  pai pedreiro e mãe doméstica. Aos 16 saiu de Minas sozinho para Brasília, onde arranjou emprego na gráfica do Correio Braziliense. Então se formou em Direito na Universidade de Brasília e concluiu o mestrado em Direito do Estado. Mais adiante, informa a montagem do seu perfil no STF, seguiu uma reta somente para cima: Chefe da Consultoria Jurídica do Ministério da Saúde, Oficial de Chancelaria do Ministério das Relações Exteriores, ministro do Supremo Tribunal Federal. Ali será presidente. Mas pelo andar da carruagem, ocupará, depois desse estágio, a direção da revista Veja ou da Rede Globo.  
Entendam. Na parte Barbosa do seu nome, o ministro Joaquim Benedito tem sido fiel discípulo das aulas de Direito Constitucional, Penal e Administrativo dos jornais brasileiros. No chamado Julgamento do Mensalão, a sua reta vem sendo também ascendente, desde o roteiro montado pela mídia no Brasil, repetido em todas tevês e jornais com pequenas alterações, já antes do julgamento:
O mensalão seria – não, era! - um esquema clandestino de financiamento político organizado pelo PT para garantir apoio ao governo Lula no Congresso em 2003 e 2004, logo após a chegada dos petistas ao poder. Três grupos organizaram e puseram o esquema para funcionar, a  saber: o núcleo político, organizado pelo então ministro da Casa Civil, José Dirceu, e integrado por outros três dirigentes partidários que integravam a cúpula do PT no início do governo Lula; o núcleo operacional, de Marcos Valério, dono de agências de publicidade que tinham contratos com o governo federal, para usar empresas com o fito de desviar recursos dos cofres públicos para os políticos indicados pelos petistas; e o núcleo financeiro, o banco Rural, que deu suporte ao mensalão, alimentando o esquema com empréstimos fraudulentos. Etc. etc.
Além de seguir esse roteiro monótono, repetido à exaustão, em que os jornais anunciam o crime e o relator confirma,  o ministro Joaquim Benedito Barbosa nesta semana foi mais longe, em sessão pública, filmada: ele comentou que os partidos políticos no Brasil são todos iguais, pois não se registram diferenças ideológicas entre eles. O que vale dizer, no mundo brasileiro não há diferenças de classe na luta parlamentar, pois os petistas são petralhas, e os socialistas, comunistas e  o governo Lula são um saco de gatos ou negócios. Com tal descrédito, o ministro paga o pedágio contra o passado Benedito:  os tribunais hão de corrigir o que o povo ignorante  elegeu pelo voto.
É natural que Joaquim Benedito recolha agora os frutos da sua glória Barbosa. Todas as noites, até os rincões profundos, em todos os noticiários o ministro aparece. Ele jamais acordará para o que um dia disse de si um personagem de Tchekhov: “Eu não gosto da fama do meu nome. É como se ela estivese me enganando”. Pelo contrário. Diferente do Benedito da sua origem, sobre quem a lenda conta que, preocupado com os mais pobres, furtava alimentos  do convento, escondendo-os dentro de suas roupas, mas foi surpreendido um dia pelo novo Superior do Convento, que desconfiado perguntou: “O que escondes aí, debaixo do teu manto, irmão Benedito?”. E o santo humildemente respondeu: “Rosas, meu senhor!” e, abrindo o manto, de fato apareceram rosas de grande beleza e não os alimentos de que suspeitava o Superior...
Diferente das rosas do santo,  o ministro Joaquim exibe todas as noites o furto pautado na imprensa. No processo do chamado  mensalão, o ministro saiu do STF  para um novo STJ, o Superior Tribunal dos Jornais.  Lá ele tem os seus diários 5 minutos de fama. Tão pouco, para mudar a glória de uma vida que começou por Benedito e virou Barbosa.
Urariano Mota
No Direto da Redação
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Dia do Gaúcho: Coisas que gaúcho fala - 3

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Manchetes para Valério, silêncio para Dirceu

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O mito sobre a fragilidade do PT

Prender José Dirceu e interditar Lula. Está clara a estratégia da direita brasileira, ou pelo menos daquela que se organiza em torno do PSDB e do — na feliz definição da Carta Maior — consórcio midiático. Sim, porque há a direita no poder, em coligação com o PT e beneficiária das políticas do PT, mesmo daquelas que ajudam direta ou indiretamente um grande número de brasileiros. O Prouni, sem dúvida, é também um grande negócio para os empresários da educação. A desoneração do setor automotivo preserva empregos e estimula a economia, mas permite às montadoras grandes remessas de lucros.
Em 2014 o PT completará 12 anos no Planalto. Tem governadores em estados importantes, como a Bahia e o Rio Grande do Sul. Controla centenas de prefeituras. Elege milhares de vereadores. Aparece consistentemente nas pesquisas como o partido da preferência de um grande número de brasileiros. Tem grandes bancadas na Câmara e no Senado. Controla bilhões de reais em orçamentos. Aliados do PT governam cidades e estados importantes.
A situação da oposição é, esta sim, desesperadora. Apesar da crise econômica, Dilma é favoritíssima para a reeleição. Lula, hoje, é imbatível. A perspectiva é de mais três mandatos petistas em Brasília. Como disse Álvaro Dias, no debate com o senador petista Jorge Viana, a oposição brasileira é menor que a da Venezuela. O tucano atribui isso ao “poder de convencimento” do PT, do qual o mensalão seria um exemplo.
Eu diria que o governismo é assim mesmo, especialmente em um Executivo com crescente poder de arrecadação e investimento. Os partidos gravitam em torno da caneta salvadora. Olhem o estado da oposição em São Paulo e vocês vão entender.
O desespero é justificável: apesar do julgamento do mensalão, os tucanos correm o sério risco de perder justamente sua maior arrecadação, na Prefeitura de São Paulo. Isso, no ninho tucano. Seria o equivalente ao PT perder de lavada as eleições no Nordeste com Lula candidato.
A derrota de José Serra em São Paulo — que, em minha opinião, nem de longe é certa — terá um impacto tão devastador no PSDB quanto a prisão do “núcleo político” do mensalão.
Vitimizar o Lula, mais adiante, não parece ser uma grande ideia.
Atacá-lo agora, sim, já que qualquer murmúrio da oposição é transformado em clamor pelo consórcio midiático. Tensionar o ambiente é importante para revigorar as tropas, convencer indecisos e ocupar espaços. É campanha eleitoral — esqueceram? — e PSDB e PT disputam o direito de ir ao segundo turno na eleição municipal mais importante desta temporada.
Luiz Carlos Azenha
No Viomundo
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Candidato tucano em São Leopoldo é indiciado pela polícia na Operação Cosa Nostra

O candidato do PSDB à prefeitura de São Leopoldo, o médico Aníbal Moacir da Silva, foi indiciado pela Polícia Civil, sob a acusação de cobrança indevida de pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Na manhã de terça-feira, o responsável pela Delegacia Fazendária do Departamento de Investigações Criminais (DEIC), Joebert Nunes, confirmou, em entrevista à rádio Gaúcha, que dois médicos do Hospital Centenário haviam sido indiciados por cobrarem de pacientes que eram atendidos pelo SUS, o que configuraria crime de corrupção passiva. O inquérito, resultado das investigações da Operação Cosa Nostra, já foi encaminhado ao Judiciário. Em nota oficial, o candidato tucano classificou o indiciamento como uma “manobra eleitoreira” e se disse vítima de ataques do PT.
No RS Urgente
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Charge online - Bessinha - # 1479

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Dia do Gaúcho: Coisas que gaúcho fala - 2

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Datafolha e Vox Populi: pesquisa de intenção de voto em São Paulo acaba na PF

A Polícia Federal receberá, nas próximas horas, uma denúncia quanto à possível prática de ato condenável por parte do Instituto Datafolha, de propriedade do diário conservador paulistano Folha de S. Paulo. O veículo, declaradamente favorável à candidatura do tucano José Serra, divulgou nesta quinta-feira que o representante do PSDB na corrida à prefeitura de São Paulo ocupa agora o segundo lugar isolado, com 21% das intenções de voto, com 6 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado Fernando Haddad (PT). Celso Russomanno (PRB) teria mantido a liderança na disputa, agora com 14 pontos de frente. Em pesquisa semelhante, no mesmo período, o Instituto Vox Populi, também especializado no setor, aponta continuidade tanto da subida do candidato do PT (18%) quanto da queda do candidato do PSDB (17%).
Serra, segundo o Datafolha, que oscilou um ponto para cima em relação à pesquisa anterior, realizada em 10 e 11 de setembro, beneficiou-se da variação de Haddad de 17% para 15%. Na sondagem anterior, realizada entre os dias 11 e 12 de setembro, ambos estavam em empate técnico, com 20 e 17 por cento, respectivamente, dentro da margem de erro de três pontos. A margem de erro da pesquisa realizada esta semana é de dois pontos para mais ou para menos, o que teria feito com que Serra despontasse à frente de Haddad na disputa pela segunda posição.
Russomanno teria crescido de 32% para 35%, retomando o patamar do início do mês, após ter oscilado os mesmos três pontos para baixo no levantamento de 10 e 11 de setembro em comparação com pesquisa dos dias 3 e 4. No panorama atual, Serra e Russomanno disputariam um segundo turno, com Russomanno vencendo com 57% contra 31% de Serra, segundo simulação do instituto. O candidato Gabriel Chalita (PMDB) teria se estabilizado com 8%, de acordo com a pesquisa, seguido por Soninha Francine (PPS), que oscilou 1 ponto para baixo e aparece com 4%. A pesquisa, que entrevistou 1,8 mil pessoas nos dias 18 e 19 de setembro, foi divulgada nesta quinta-feira pelo jornal e causou espécie ao coordenador-geral da campanha de Haddad, o vereador Antonio Donato (PT-SP).
– Na verdade, a grande mídia se alinha com a única bala que ela tem para tentar salvar o Serra nessa eleição: é dar uma super-dimensão à questão do chamado ‘mensalão’. Mas eles perderam duas vezes a eleição falando de ‘mensalão’ (Lula,em 2006, Dilma, em 2010) e vão perder a terceira – afirmou à repórter Conceição Lemes, do sítio Viomundo.
Na opinião de Donato, o diário que integra o grupo conhecido como Partido da Mídia Golpista (PIG) “distorceu totalmente a informação” em uma matéria na qual parece que Haddad quer afastar sua imagem de réus no processo do ‘mensalão’, como o ex-deputado José Dirceu e o ex-presidente do PT José Genoíno.
– Primeiro que não é o Haddad que fala. É uma peça na Justiça que fala. E o que a peça na Justiça diz é que a maneira como a questão foi abordada é que é degradante. Na verdade, degradante é ter um jornal que se presta a distorcer, mentir… A ligação Serra-mídia é antiga e umbilical. O desespero da campanha do Serra contamina a mídia. O Serra, por sua vez, é realimentado pelo desespero da mídia que tenta salvá-lo. Mas o Serra não estará no segundo turno. A ‘grande mídia’ está tentando mostrar uma realidade sobre o PT e a candidatura Haddad que a população não enxerga dessa maneira. Eles (da mídia conservadora) tentam manter um núcleo duro de antipetismo, que é forte na cidade de SP. Nós sabemos disso. Mas esse núcleo duro está se desagregando graças ao governo Kassab, ao Serra, ao cansaço, ao enjôo – ou seja lá o nome que se dê – a um político que a cidade quer virar a página. São Paulo decidiu virar a página em relação ao Serra e isso os deixa (mídia ligada à direita) muito atordoados – afirmou ao Viomundo.
Quanto às últimas pesquisas de opinião, Donato foi claro ao afirmar que no trackking (pesquisa instantânea) desta quarta-feira, realizado pelo PT, o candidato Haddad estaria 2 pontos à frente de Serra.
– Mais precisamente nós estamos com 18 e o Serra com 16 – disse, com Russomanno aparecendo em primeiro lugar com 35 pontos.
Arrecadação
Para o jornalista Renato Rovai, editor da revista Fórum, a pesquisa Datafolha “parece estar forçando a mão na margem de erro”. Segundo Rovai, “o resultado (Russomano, 35; Serra, 21; Haddad, 15; Chalita, 8; Soninha, 4) é bem diferente dos treckings dos candidatos e das pesquisas que empresas utilizam para definir onde aplicam seus tostões. Em nenhum desses levantamentos Serra tem vantagem de seis pontos. Em alguns casos, chegava a dois, mais isso há duas semanas”.
“No entanto, essa não é a primeira nem a última vez que o Datafolha solta uma pesquisa que depois vai sendo corrigida com a proximidade das eleições. Alguns costumam perguntar, mas por que o instituto faz isso se o resultado da eleição não vai mudar? Mais do que o efeito psicológico que um resultado adverso neste momento acarreta a uma candidatura, pior efeito é na arrecadação. Este pode ser devastador. E no caso de Serra, seria a pá de cal que falta para enterrar de vez sua candidatura. Afinal seu índice de rejeição já afastou muitos doadores”, continuou.
Para o analista político, “esse é o nó da questão”. Ele explica que as pesquisas, nesse momento da campanha, a um mês do dia das eleições, prestam-se muito mais para “arrecadar do que para ajudar na definição do resultado final”. Da mesma forma, devido ao prazo mais estendido, se um instituto forçar na margem de erro, “tem espaço suficiente para corrigir o resultado até o dia da eleição”.
Para o editor do Blog da Cidadania, Eduardo Guimarães, no entanto, a discussão é ainda mais séria, pois a intenção do Datafolha ao possivelmente alterar os resultados das últimas pesquisas de intenção de voto “constitui uma verdadeira afronta ao eleitorado paulistano e, portanto, tem que ser esclarecida”.
“Resumindo, o Datafolha traz uma reviravolta no que vinha acontecendo e mostra queda de Fernando Haddad (15%) e subida de José Serra (21%). Já o Vox Populi, aponta continuidade tanto da subida do candidato do PT (18%) quanto da queda do candidato do PSDB (17%)”. A esse fato, soma-se entrevista que a jornalista Conceição Lemes com o Antonio Donato “na qual ele afirma que o Datafolha está distorcendo números para beneficiar Serra”, apontou.
“Para quem não sabe, é crime fraudar pesquisas eleitorais. Dá até cadeia. É nesse contexto que se conclui que há realmente algo de muito estranho na diferença entre as tendências apontadas por cada instituto na eleição paulistana. Alguns podem achar que eventuais manipulações ‘dentro da margem de erro’ ou próximas a ela podem ficar impunes. Engano. Há, sim, como detectar se houve manipulação dos dados coletados. Em poucas palavras, os resultados que as pesquisas mostram são produtos de relações numéricas. Um número pode estar dentro da margem de erro em relação a outro, mas, numericamente, ou é maior ou é menor ou é igual”, desvenda.
Para descobrir se o Datafolha ou o Vox Populi aproveitaram-se da “margem de erro” para modificar números que não agradaram “basta contar os dados das fichas de entrevista”, afirmou Guimarães.
“Vale lembrar, olhando a questão da perspectiva da Justiça, que só o que se pode pedir a ela é que aceite investigar a diferença suspeita entre os números daqueles institutos e ao menos uma acusação de manipulação feita por um dos atores envolvidos. A Justiça Eleitoral, por sua vez, já aceitou investigar pesquisas a pedido deste blog e da ONG Movimento dos Sem Mídia ainda em 2010 e mandou a Polícia Federal abrir sindicância. Em tese, portanto, não será necessário recorrer à Justiça Eleitoral, pois a investigação está aberta. À PF haverá que oferecer, também, noticiário francamente desfavorável ao PT que a Folha de São Paulo, dona do Datafolha, vem produzindo incessantemente”, concluiu.
No Correio do Brasil
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Os intelectuais de FHC e Serra são de fato especiais

A notícia FHC e Serra participam de encontro com intelectuais em São Paulo, publicada pelo portal G1 narra o encontro realizado ontem para apoiar a campanha tucana nas eleições de São Paulo.
Vamos a parte que me chamou a atenção.
A jornalista do G1, Giovana Sanches, citou como exemplos de intelectuais e artistas presentes no encontro os seguintes nomes: Agnaldo Timóteo, Bruna Lombardi, João Grandino Rodas, Celso Lafer e Odilon Wagner.
Vou presumir que a jornalista fez um bom trabalho na redação da notícia e citou os nomes de maior destaque. Dito isso, analiso os nomes citados.
Celso Lafer
Ministro de Relações Exteriores no governo Collor e FHC.
O renomado historiador Luiz Alberto Moniz Bandeira critica duramente a atuação do ex-ministro durante a gestão FHC.
No livro “As relações perigosas: Brasil-Estados Unidos (de Collor a Lula, 1990-2004)”, Bandeira relata alguns episódios de Lafer no comando do ministério de Relações Exteriores.
Entre eles, a exoneração do embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, que dirigia o Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais (IPRI) do Itamaraty, por ter alertado o governo sobre os riscos da implantação da Alca. Cita também a atitude covarde de Lafer ao ceder as pressões dos EUA para afastar José Maurício Bustani da direção da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ), ligada à ONU, por ter tentado evitar a guerra no Iraque. Bandeira também lembra os discursos do ex-ministro sugerindo a participação do Brasil na guerra do Iraque baseando-se no Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR).
Segundo Bandeira, o ápice dessa postura servil aconteceu quando o ex-ministro aceitou tirar os sapatos nos aeroportos dos EUA. Veja como o historiador descreve o episódio:
“Em 31 de janeiro de 2002, Celso Lafer, ministro de Estado das Relações Exteriores do Brasil, sujeitou-se a tirar os sapatos e ficar descalço, a fim de ser revistado por seguranças do aeroporto, ao desembarcar em Miami. Esse desaire, ele novamente aceitou, antes de tomar o avião para Washington, e mais uma vez desrespeitou a si próprio e desonrou não apenas o cargo de ministro de Estado, como também o governo ao qual servia. E, ao desembarcar em Nova York, voltou a tirar os sapatos, submetendo-se, pela terceira vez, ao mesmo tratamento, humilhante, dispensado a um dignatário estrangeiro, exatamente ele, o herói que tomara a iniciativa de convocar a Reunião de Consulta da ONU, invocando o TIAR, para demonstrar solidariedade com os Estados Unidos por causa dos atentados de 11 de setembro”, registra.
Aguinaldo Timóteo
Cantor e vereador de São Paulo pelo PR, Aguinaldo é conhecido por defender posições polêmicas. Em agosto deste ano, o vereador defendeu a ditadura militar durante discurso na Câmara Municipal de São Paulo.
“Não se pode condenar todo o Regime pelos erros de alguns de seus agentes”, afirmou o vereador que tenta se reeleger este ano.  Não vejo um documentário falando das estradas que os militares construíram, das grandes obras. Só falam mal, a grande mídia faz uma perseguição odiosa ao Regime”, completou Timóteo.
Diante da vaia de cerca de 100 servidores municipais, o vereador usou toda sua educação e decoro. “Calem a boca seus animais, seus idiotas!”, esbravejou contra aqueles que discordavam da sua defesa do regime militar.
Aguinaldo Timóteo também possui posições controversas em relação a homossexualidade. Em entrevista concedida a Veja São Paulo, o vereador declara que é a favor “de que pessoas do mesmo sexo se amem profundamente”. Porém, afirma ser contrário “que essas pessoas agridam a sociedade com atitudes irresponsáveis, vulgares e não convencionais”.
Perguntado pelo repórter sobre quais seriam essas atitudes, o vereador deu a seguinte resposta:
“Homens se beijarem no meio da rua e mulheres se beijando. Isso é uma violência contra a família brasileira. Viva sua vida na intimidade ou em bares especializados nisso. Tem tanta boate LGBT por aí. Tanto lugar para se encontrarem..”, cravou Timóteo.
João Grandino Rodas
Atual reitor da USP e ex-diretor da Faculdade de Direito da USP, Rodas foi o primeiro graduado da São Francisco a ser declarado persona non grata pela própria faculdade.
Quando era diretor da Faculdade de Direito, Rodas foi o responsável por solicitar a presença da tropa de choque da PM, na madrugada do dia 22 de agosto de 2007, para expulsar do Pátio das Arcadas manifestantes que participavam da Jornada em Defesa da Educação, na qual estavam presentes representantes da União Nacional dos Estudantes (UNE) e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Rodas também foi quem lavrou o documento que viabilizou a entrada da PM no campus da USP, em 2009, durante a gestão do então governador José Serra. Em agosto de 2011, Rodas assinou um convênio com a Polícia Militar para que esta pudesse entrar na universidade definitivamente.
Cabe lembrar que Rodas não foi eleito pela comunidade acadêmica. Seu nome era o segundo colocado numa lista de três indicações. Ainda durante a gestão de José Serra, Grandino Rodas foi escolhido reitor da USP através de um decreto publicado no dia 13 de novembro de 2009. A última vez que um governador não acatou o nome mais votado pela comunidade acadêmica — utilizando-se de um dispositivo legal criado no regime militar — foi durante a gestão do governador Paulo Maluf, que indicou Miguel Reale para assumir a reitoria entre 1969 e 1973.
Odilon Wagner
De acordo com nota publicada pelo colunista da revista Época, Felipe Patury, o ator foi contratado pelo PSDB para ministrar cursos de mídia para os candidatos tucanos a prefeito das capitais. Explicado o apoio e fim da análise.
Bruna Lombardi
Não sabia que Bruna Lombardi era artista e nem intelectual. Pensei que ela só trabalhava em novelas da Globo.





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Haddad 18% X 17% Serra

Pesquisa encomendada pelo PT ao Vox Populi revela um cenário de estabilidade na disputa pela prefeitura de São Paulo. Celso Russomanno (35%) permanece na liderança. Fernando Haddad (18%) e José Serra (17%) continuam tecnicamente empatados na segunda colocação.
Haddad, mesmo empurrado por Lula, Dilma e Marta Suplicy, não virou o foguete que o PT gostaria. Quanto a Serra, aparentemente parou de cair. Mantido esse ritmo, esboça-se uma disputa encarniçada pelo segundo lugar.
Josias de Souza
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Semana Farroupilha

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“Enquanto estiver na margem de erro, eles não vão anunciar”

Na segunda-feira 17, a jornalista Mônica Bergamo, em sua coluna na Folha de S. Paulo, manchetou: “Eu não vou fugir do Brasil”, diz Dirceu.
Ontem, 18, reportagem de Cátia Seabra, também na Folha, afirmou: Abatido, Genoino, se prepara para enfrentar prisão.
Nesta quarta 19, matéria de Daniela Lima, de novo na Folha, assegurou: Haddad diz que é degradante ser ligado a Dirceu, Delúbio e Maluf.
Que a Folha de S. Paulo é visceralmente pró-PSDB e antipetista, até as águas de esgoto do rio Tietê sabem. Só que nos últimos dias forçou mais a mão.
Por que será?
A entrevista que fiz no final desta tarde com o vereador Antonio Donato (PT-SP), coordenador-geral da campanha de Fernando Haddad à prefeitura de São Paulo, ajuda a explicar.
Viomundo — Como o senhor interpreta as matérias que saíram na Folha nos últimos dias?
Antonio Donato — Na verdade, a grande mídia se alinha com a única bala que ela tem para tentar salvar o Serra nessa eleição: é dar uma super-dimensão à questão do chamado mensalão.  Mas eles perderam duas vezes a eleição falando de mensalão [Lula,em 2006, Dilma, em 2010] e vão perder a terceira.
Viomundo – Em relação à matéria que cita o Haddad, o que achou?
Antonio Donato — A Folha distorceu totalmente a informação. Primeiro que não é o Haddad que fala. É uma peça na Justiça que fala. E o que a peça na Justiça diz é que a maneira como a questão foi abordada é que é degradante.
Na verdade, degradante é ter um jornal que se presta a distorcer, mentir…
Viomundo – Seria desespero da grande mídia com a candidatura Serra?
Antonio Donato — A ligação Serra-mídia é antiga e umbilical. O desespero da campanha do Serra contamina a mídia. O Serra, por sua vez, é realimentado pelo desespero da mídia que tenta salvá-lo. Mas o Serra não estará no segundo turno.
A grande mídia está tentando mostrar uma realidade sobre o PT e a candidatura Haddad que a população não enxerga dessa maneira.
Eles [a grande mídia] tentam manter um núcleo duro de antipetismo, que é forte na cidade de SP. Nós sabemos disso. Mas esse núcleo duro está se desagregando graças ao governo Kassab, ao Serra, ao cansaço, ao enjôo — ou seja lá o nome que se dê – a um político que a cidade quer virar a página.
São Paulo decidiu virar a página em relação ao Serra e isso os deixa [grande mídia] muito atordoados.
Viomundo – E as pesquisas?
Antonio Donato – No trackking de hoje, 19 de setembro, nós estamos 2 pontos na frente do Serra. Mais precisamente nós estamos com 18 e o Serra com 16.
Viomundo – E o Russomanno?
Antonio Donato – 35.
Viomundo – Será que os grandes institutos vão acusar a passagem do Haddad sobre o Serra já na próxima pesquisa?
Antonio Donato – Se acusarem a ultrapassagem, a campanha do Serra termina. Você pode ter um voto útil contra o PT que pode ir para o Russomanno. E, aí, desfazer ainda mais a campanha do Serra nesse núcleo duro aqui em São Paulo.
Acredito que vão empurrar ao máximo com a barriga a divulgação dessa ultrapassagem, a menos que a gente consiga abrir uma vantagem muito grande. Enquanto estiver na margem de erro, eles não vão noticiar. Nós não podemos ter essa ilusão. O DataFolha, como o próprio nome diz, é da Folha. É o patrão.
Viomundo – Isso não desanima a militância petista?
Antonio Donato — Eles [os grandes institutos] sabem que a pesquisa tem impacto na militância, também por isso “seguram” os resultados. Mas a nossa militância está muito animada.
Quem está indo para rua fazer campanha, está se animando. É a realidade que nos anima. Independentemente da pesquisa, a gente está muito confiante.
Os números da pesquisa são o velho chavão: o retrato do momento. Mas há outros indicadores mais profundos  que nos dão garantia de que a gente vai crescer na reta final.
Viomundo – Que indicadores?
Antonio Donato – Por exemplo, tem todo um eleitorado de periferia que ainda está muito mal informado sobre eleição.
E na periferia, o Serra tem hoje 10% , 12%.  Uma parte grande desses votos que vai se definir nas próximas semanas, vai se definir por nós. Ou até pelo Russomanno, mas não pelo Serra.
O Serra sumiu hoje na cidade.
Você tem duas eleições na cidade de São Paulo hoje. Uma envolve a gente e o Serra. Mas a eleição real, no povo, na periferia que corresponde a 63% do eleitorado, é entre nós e o Russomanno. É outra eleição. É isso que nos mostram as pesquisas.
Viomundo — O Serra estaria emparedado?
Antonio Donato — O Serra está emparedado. A menos que aconteça uma catástrofe, que o voto conservador que  hoje está com o Russomanno passe para ele…
O Russomanno é um fenômeno que tem três vertentes.  Tem o voto dele próprio.  Ele já foi candidato a governador, foi deputado, tem a história profissional. Então, o Russomanno tem 10% que são dele mesmo. Tem outros 10%, 12%, que votavam no Serra e não querem mais saber do Serra. E tem uns 8% a 10%, que são voto de gente que se diz petista.
Viomundo – Petista que diz que vai votar no Russomanno?!
Antonio Donato – Uma parte, influenciada pelas pesquisas, acha que para derrotar o Serra é melhor votar no Russomanno.
Viomundo – Mas é petista mesmo?!
Antonio Donato — É. Conversando com o povo de bairro, você vê isso. Na hora da pesquisa, 27% do eleitorado paulista se declara petista, quando perguntado qual o partido da sua preferência.
Pedindo voto na rua, eu já encontrei isso. A pessoa diz vai votar no Russomanno porque ele vai ganhar do Serra.  Aí, geralmente, converso:
– Como você sabe que o Russomanno vai ganhar do Serra?
– Quer apostar? – ela me devolve.
– Mas pra eleição ainda tem tempo. E, no primeiro turno, a gente tem que votar no melhor, você não acha?
– O melhor é o candidato do PT.
– Então por que você não vota nele?
– Porque eu odeio o Serra, o do PT ainda está fraco nas pesquisas e eu vou votar no Russomanno para derrotar o Serra.
A pessoa é petista. Não é o petista de carteirinha, que já assistiu uma reunião. É um petismo difuso, que é muito forte, que gira em torno dos 30%.
Então tem um setor que quer derrotar o Serra e por isso, agora, está dizendo que vai votar no Russomanno. Mas na hora em que a gente passar o Serra, o debate não será mais sobre quem vai derrotar o Serra, mas sobre qual o melhor projeto para a cidade, qual é o nome em quem eu confio. Aí, será outra discussão.
Viomundo – Em que momento acha que isso vai acontecer?
Antonio Donato – Na reta final, faltando uns 10 dias para a eleição. A eleição está morna. O eleitor não está se ligando nela ainda.
PS do Viomundo: Em pesquisa Datafolha anunciada horas depois desta entrevista, Russomano tem 35%, Serra 21% (+1), Haddad 15% (-2).
Conceição Lemos
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Datafalha falha. Golpe paraguaio

Quando o Cerra mais precisa, lá está o Datafalha, firme e forte
A Folha expõe uma das etapas do Golpe Paraguaio do Brasil:

Russomanno segue à frente e Serra se descola de Haddad

Segundo o Datafalha, Cerra disparou: foi de 20% para 21%.
Haddad desabou: de 17% para 15%.
(Russomano continua na ponta, tranquilo: foi de 32 para 35%.)
A rejeição a Cerra desabou dramaticamente: caiu de 45% para 44%.
(Vai ser interessante o Cerra ganhar uma eleição com 44% de rejeição.
Ou, daqui até o fim do processo eleitoral, os paulistanos descobririam que ele é uma cruza de Papai Noel com Madre Tereza de Calcutá?
Que ele é do bem – como passou a dizer na tevê ?)
Até a última pesquisa, a margem de erro do Datafalha era de 3 pontos.
Ou seja, Haddad estaria na frente, como demonstrou ontem o Nassif: um ponto de vantagem sobre Cerra.
Um tréquin do próprio PT mostrava que o Haddad estava, ONTEM, dois pontos na frente.
Nos últimos dias, Haddad tem estado, consistentemente na frente de Cerra, um ou dois pontos.
O Datafalha registra nessa embromação de quinta-feira uma guinada sem precedentes na História Eleitoral do País.
A margem de erro apertou para dois pontos, e não dá a chance de Haddad estar, de fato, à frente de Cerra.
Cerra inverteu a queda fulminante e agora dispara celeremente: subiu um ponto (dentro de qualquer margem de erro).
O Zezinho Trinta caiu desabadamente de 30 para 20 – e agora se recupera de forma vigorosa: um ponto!
O Datafalha não falha.
Quando o Cerra mais precisa, lá está ela, firme e forte.
As pesquisas eleitorais no Brasil – dominadas pelo duopólio Golpista, o Datafalha e o Globope – fazem parte do Golpe paraguaio em curso.
Com provas tênues e “domínio do fato”, como o do FHC sobre a Privataria, o Supremo degola o Dirceu (e, breve, segundo o Ataulfo de Paiva Merval, o Lula).
E a opinião pública ou “publicada”, como diria o Paulo Moreira Leite – Datafalha e Globope – referendam.
Sem povo!
Viva o Brasil!
O Brasil da Casa Grande, diria o Mino Carta!
Quem manda não ter feito a Ley de Medios?
Quem manda financiar a Direita?
Paulo Henrique Amorim
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À Sociedade Brasileira

 O PT, PSB, PMDB, PCdoB, PDT e PRB, representados pelos seus presidentes nacionais, repudiam de forma veemente a ação de dirigentes do PSDB, DEM e PPS que, em nota, tentaram comprometer a honra e a dignidade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Valendo-se de fantasiosa matéria veiculada pela Revista Veja, pretendem transformar em verdade o amontoado de invencionices colecionado a partir de fontes sem identificação.
As forças conservadoras revelam-se dispostas a qualquer aventura. Não hesitam em recorrer a práticas golpistas, à calúnia e à difamação, à denúncia sem prova.
O gesto é fruto do desespero diante das derrotas seguidamente infligidas a eles pelo eleitorado brasileiro. Impotentes, tentam fazer política à margem do processo eleitoral, base e fundamento da democracia representativa, que não hesitam em golpear sempre que seus interesses são contrariados.
Assim foi em 1954, quando inventaram um "mar de lama" para afastar Getúlio Vargas. Assim foi em 1964, quando derrubaram Jango para levar o País a 21 anos de ditadura. O que querem agora é barrar e reverter o processo de mudanças iniciado por Lula, que colocou o Brasil na rota do desenvolvimento com distribuição de renda, incorporando à cidadania milhões de brasileiros marginalizados, e buscou inserção soberana na cena global, após anos de submissão a interesses externos.
Os partidos da oposição tentam apenas confundir a opinião pública. Quando pressionam a mais alta Corte do País, o STF, estão preocupados em fazer da ação penal 470 um julgamento político, para golpear a democracia e reverter as conquistas que marcaram a gestão do presidente Lula.
A mesquinharia será, mais uma vez, rejeitada pelo povo.
Rui Falcão, PT
Eduardo Campos, PSB
Valdir Raupp, PMDB
Renato Rabelo, PCdoB
Carlos Lupi, PDT
Marcos Pereira, PRB.
Brasília, 20 de setembro de 2012"
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Desemprego foi de 5,3% em agosto

A taxa de desocupação de agosto de 2012 foi estimada em 5,3% para o conjunto das seis regiões metropolitanas. Na comparação com julho (5,4%), não ocorreu variação estatisticamente significativa. Frente a agosto de 2011, quando a taxa foi de 6,0%, verificou-se declínio de 0,7 ponto percentual. O contingente de desocupados foi estimado em 1,3 milhão de pessoas em agosto no agregado das seis regiões investigadas, apresentando estabilidade em relação ao mês anterior e queda de 10,6% frente a agosto de 2011 (menos 153 mil pessoas nessa condição, em 12 meses). A população ocupada atingiu 23 milhões para o conjunto das seis regiões, assinalando variação de 0,7% frente ao mês de julho. No confronto com agosto de 2011, foi verificado aumento de 1,5%, o que representou um adicional de 328 mil pessoas nesse contingente em 12 meses. O número de trabalhadores com carteira de trabalho assinada no setor privado, em agosto desse ano, foi de 11,4 milhões no agregado das regiões pesquisadas. Este resultado não apresentou variação frente a julho, entretanto, verificou-se crescimento de 3,2% na comparação com agosto de 2011, o que representou um adicional de 356 mil postos de trabalho com carteira assinada no período de um ano. O rendimento médio real habitual dos trabalhadores, apurado em agosto de 2012 em R$ 1.758,10, para o conjunto das seis regiões, aumentou 1,9% em relação a julho. Na comparação com agosto de 2011 esta estimativa aumentou 2,3%. A massa de rendimento médio real habitual dos ocupados, estimada em 40,7 bilhões em agosto de 2012, apresentou alta de 2,3% frente a julho. Em comparação com agosto de 2011 esta estimativa cresceu 3,6%.
O IBGE também divulga hoje os dados completos dos meses de junho e julho, incluindo as Regiões Metropolitanas do Rio de Janeiro (resultados de junho e julho) e de Salvador (resultados de julho). A Pesquisa Mensal de Emprego é realizada nas regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. A publicação completa da pesquisa pode ser acessada na página
www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/trabalhoerendimento/pme_nova/default.shtm.
Taxa de desocupação (%)
Desocupação fica estável em todas as regiões metropolitanas na comparação com julho
Regionalmente, na análise mensal, não foi verificada variação na taxa de desocupação em nenhuma das regiões pesquisadas. No confronto com agosto de 2011, a taxa recuou em Salvador (2,5 pontos percentuais) e Porto Alegre (1,7 ponto percentual). Nas demais regiões o quadro foi de estabilidade.
Em relação a julho último, a análise regional mostrou que o contingente de desocupados não variou em nenhuma das seis regiões pesquisadas. No confronto com agosto do ano passado, verificou-se variação significativa no número de desocupados apenas nas Regiões Metropolitanas de Porto Alegre (queda de 33,1%) e de Salvador (queda de 27,2%). Nas demais regiões o quadro foi de estabilidade.
Nível da ocupação fica em 54,0%
O nível da ocupação (proporção de pessoas ocupadas em relação às pessoas em idade ativa) foi estimado em agosto de 2012 em 54,0% para o total das seis regiões. De julho para agosto esse indicador não variou. No confronto com agosto do ano passado, foi registrado comportamento semelhante. Regionalmente, na comparação mensal, esse indicador aumentou nas regiões metropolitanas de Salvador (1,4 ponto percentual), Porto Alegre (0,9 ponto percentual) e Rio de Janeiro (0,6 ponto percentual). Frente a agosto de 2011, ocorreu alta apenas em Recife (1,5 ponto percentual).
De julho para agosto de 2012, a análise do contingente de ocupados por grupamentos de atividade econômica, mostrou que apenas o grupamento da indústria extrativa, de transformação e distribuição de eletricidade, gás e água registrou variação significativa (2,7%, mais 100 mil pessoas). No confronto com agosto de 2011, ocorreu movimentação apenas no grupamento dos serviços prestados à empresas, aluguéis, atividades imobiliárias e intermediação financeira (3,7%, mais 133 mil pessoas).
Na comparação mensal, rendimento médio aumenta em quatro regiões metropolitanas
O rendimento médio real habitual dos trabalhadores, na análise regional, em relação a julho último, aumentou nas Regiões Metropolitanas de Recife (5,2%), São Paulo (3,3%), Salvador (1,5%) e Rio de Janeiro (1,0%). Apresentou queda em: Belo Horizonte (0,6%) e em Porto Alegre (0,4%). Na comparação com agosto do ano passado o rendimento registrou alta em Recife (8,7%), São Paulo (5,7%), Belo Horizonte (5,3%) e em Porto Alegre (1,5%). Nas Regiões Metropolitanas de Salvador e do Rio de Janeiro o rendimento apresentou queda de 4,3% e 3,7%, respectivamente.
Na classificação por grupamentos de atividade, o maior aumento no rendimento médio real habitualmente recebido em relação a agosto de 2011 foi de 7,3% em Serviços Domésticos.
Já na classificação por categorias de posição na ocupação, o maior aumento no rendimento médio real habitualmente recebido, em comparação com agosto de 2011, foi para os empregados com carteira no setor privado (4,4%).
No IBGE
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Prefeito de Londrina é preso em Balneário Piçarras (SC)

José Joaquim Ribeiro
O prefeito de Londrina, José Joaquim Ribeiro (sem partido), foi preso na manhã desta quinta-feira (20), por policiais do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Santa Catarina, durante operação em parceria com o Gaeco do Paraná. Ribeiro estava em Balneário Piçarras.
Os catarinenses do Gaeco têm uma unidade em Itajaí, no litoral do estado. Os policiais faziam diligências em Balneário Camboriú, mas Ribeiro foi encontrado a 33 km de distância, num hotel em Balneário Piçarras, também no litoral de Santa Catarina.
A prisão do prefeito foi decretada pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) na tarde de quarta-feira (19). O prefeito confessou em depoimento ao Gaeco ter recebido R$ 150 mil de propina de empresários que venceram a licitação dos kits escolares em Londrina.
Na segunda-feira (17), o Ministério Público (MP) denunciou ele e outras 18 pessoas, incluindo o ex-prefeito Barbosa Neto (PDT). Para este último, o órgão também fez pedido de prisão preventiva, mas o TJ-PR não acatou.
Prisão foi decretada na quarta-feira
O desembargador José Maurício Pinto de Almeida, da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, decretou na quarta-feira (19) a prisão preventiva do prefeito de Londrina, José Joaquim Ribeiro (sem partido), que está licenciado do cargo há uma semana para tratamento de saúde.
Na mesma decisão, Almeida negou os pedidos de prisão contra o ex-prefeito Barbosa Neto (PDT), os ex-secretários Marco Cito e Lindomar dos Santos e o empresário Marcos Ramos. Ribeiro e outras 18 pessoas foram denunciados por supostamente terem participado de um esquema que desviou R$ 3,8 milhões de uma licitação de kit escolares.
A prisão foi acatada porque o desembargador entendeu que “os autos bem demonstram que ele (Joaquim Ribeiro) está causando uma inegável intranquilidade social, uma vez que confessou, inclusivamente em entrevista à imprensa, ter participado de alguns dos crimes mencionados na denúncia”.
Almeida classificou essa situação como “inusitada” e lembrou que o prefeito permanece “no comando absoluto da administração pública, com acesso pleno a documentos que possam ser imprescindíveis às investigações ou mesmo ao processo-crime”. O magistrado também levou em conta o fato de o prefeito “não ser encontrado sequer para ser intimado a prestar esclarecimentos de sua conduta ilícita à Câmara Municipal”.
O desembargador também afirmou que, ao convidar o filho da ex-secretária de Educação Karin Sabec para um cargo na administração municipal, Ribeiro “se utiliza do cargo para atenuar sua situação” e para “agradar uma importante testemunha e denunciada”. Todos esses fatos justificam a concessão da prisão preventiva contra o prefeito José Joaquim Ribeiro, pois a permanência dele no cargo poderia prejudicar o andamento das investigações.
Entenda o caso
1 – Em 2010 e 2011 a Prefeitura de Londrina comprou kits com uniformes escolares pegando “carona” numa licitação feita pela Prefeitura de São Bernardo do Campo. Segundo a CEI da Educação, foram R$ 20 milhões nesses dois anos. Em 2012 a compra seria licitada, mas o Ministério Público entrou na Justiça e o Judiciário segurou a licitação.
2 – A Câmara investigou a compra dos equipamentos. Uma das conclusões da CEI da Educação é de que houve um prejuízo de pelo menos R$ 2 milhões em um dos anos. Isso porque a Prefeitura pagou pela logística, que seria a entrega dos kits prontos em todas as escolas. As empresas entregaram num local único e servidores separaram os produtos para formar os kits.
3 – A ex-secretária de Educação, Karin Sabec, apontada no relatório da CEI como responsável pelas irregularidades, procurou o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) entregando as denúncias de irregularidades e atribuindo a responsabilidade ao ex-prefeito Barbosa Neto (PDT).
4 – Quatro empresários são presos, em cumprimento a mandato da 3ª Vara Criminal. Três deles confirmam o pagamento de propina e apontam o prefeito José Joaquim Ribeiro (PSC) como interlocutor e receptor de propina.
5 – Ribeiro admite ter recebido R$ 150 mil, repassando R$ 50 mil para Barbosa Neto (PDT), R$ 50 mil para Lindomar dos Santos e diz que ficou com R$ 50 mil. Barbosa e Santos negam.
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Os Segredos de Civita, partes 2 e 3

Os planos da quadrilha incluíam Serra no Planalto e Demóstenes no STF

Se você não leu a parte I, clique aqui e confira. Ou então, prossiga:
Com a segurança de quem transitava com desenvoltura pelos gabinetes oficiais, inclusive os palacianos, e era considerado um parceiro preferencial pela cúpula tucana, o presidente do Grupo Abril e da revista Veja Roberto Civita afirma que, primeiro FHC, mas, depois e até hoje, Serra “comandava tudo". Em sua própria defesa, diz que como operador das reportagens encomendadas contra o PT não passava de um “boy de luxo" de uma estrutura que tinha o então presidente e seu candidato no topo da cadeia de comando. "FHC era o chefe, hoje é Serra”, repete Civita às pessoas mais próximas.
A afirmação se choca com todas as versões apresentadas por Serra desde que o livro “A Privataria Tucana”, de Amaury Ribeiro, foi lançado, de que tudo era “lixo, lixo, lixo”.
A ira de Roberto Civita desafia a defesa clássica do ex-presidente FHC de que não sabia do Tucanoduto e nada teve a ver com o esquema arquitetado em seu primeiro mandato para sua reeleição. “Todo mundo sabe que ele comprou a emenda de sua reeleição. Sem contar os escândalos na área da saúde, comandada por Serra. E mais a lista de Furnas, a privataria, o Banestado, o Proer”...
Amigos contam que o que mais deprime Civita é a situação quase falimentar do Grupo Abril. A Veja se sustenta com anúncios. Para obtê-los deve produzir edições com tiragens de mais de um milhão de exemplares, que não se pagam com as assinaturas e vendas nas bancas. “Estamos queimando a casa [Grupo Abril – Nota do Blog] para produzir lenha para a Veja. Até cópia xerox, proibi na empresa”.
A rota de fuga de Serra evoluiu mais tarde para a negação completa, com a tese nefelibata de que a privataria tucana nunca existiu, tendo sido apenas uma armação do PT para chegar ao poder. A narrativa de Civita coloca Serra não apenas como sabedor de tudo o que se passava - Sanguessugas, Vampiros, Proer, Banestado, Privataria -, mas no comando das operações."Há até um vídeo na internet em que FHC confirma isso" [o vídeo é este aqui - Nota do Blog].
“O chefe é Serra. O objetivo era colocá-lo na presidência e Demóstenes [ex-senador cassado Demóstenes Torres, que também foi expulso do DEM – Nota do Blog] no Supremo. Com Demóstenes e Gilmar Mendes lá, o Brasil seria nosso”. No entanto, Demóstenes foi derrubado por operação da PF e Serra mais uma vez derrotado na luta pelo Planalto. “Agora, nem a prefeitura. Nossa salvação seriam os livros didáticos que ele colocaria nas escolas. Mas, agora, nem isso”...
Civita não esconde que se encontrou com Serra diversas vezes no Palácio do Planalto. Ele faz outra revelação: “Do FHC ao Serra era só descer a escada. Isso se faz sem marcar. Ele dizia vamos lá embaixo, vamos”. A frase famosa e enigmática de José Serra — "Tudo que eu faço é do conhecimento de FHC” — ganha contornos materiais depois das revelações de Civita sobre os encontros em palácio. Roberto Civita reafirma que pode acabar nas barras do Supremo Tribunal, mas faz uma sombria ressalva. “Não podem condenar apenas os mequetrefes. Só não sobrou para o Serra porque eu, o Paulo Preto e o FHC não falamos”, disse na semana passada a um dos únicos amigos do bar da periferia que tem freqüentado anonimamente.
“Mas, se eu quebrar, não vou sozinho. Produzi um vídeo com quatro cópias”... Nesse instante, o telefone de Civita tocou e ele se afastou. Foi possível ouvir apenas “Diogo, já estamos promovendo seu livro na revista e pagando os processos. Estou na lona. O dinheiro acabou”...
(O Blog diz que as afirmações foram feitas a diversos interlocutores. Procurado por nossa equipe, que atravessou a Dutra numa Kombi comprada com o Bolsa-Twitter, Civita não foi encontrado, não quis dar entrevista, mas não desmentiu nada. A maior parte desta reportagem foi copiada da própria Veja, trocando apenas os nomes das pessoas para dar veracidade às informações. Tentamos também contacto através de nosso celular. Mas nosso plano Infinity da Tim não permitiu que nenhuma ligação se completasse.Por isso não conseguimos entrevista com Civita, Serra ou FHC, mas, frisamos, nenhum deles desmentiu nada)

Segredos de Civita, parte 3 


Civita: 'Foi Serra quem me obrigou a fazer a reportagem do Valério acusando Lula'


Dos tempos em que gozava das intimidades do poder em Brasília, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, Roberto Civita diz guardar muitas lembranças. Algumas revelam a desenvoltura com que personagens centrais do tucanoduto transitavam no coração do governo FHC, antes da eclosão do maior escândalo de corrupção da história política do país – a privataria tucana. Civita lembra das vezes em que José Serra, seu interlocutor frequente até a descoberta do esquema, participava de animados encontros à noite no Palácio da Alvorada, que não raro lhe servia de pernoite. "O Serra dormia (se é que se pode usar a palavra em relação a ele) no Alvorada. Ele e a mulher dele iam jogar baralho com FHC à noite. Alguma vez isso ficou registrado lá dentro? Quando você quer encontrar (alguém), você encontra, e sem registro." Civita deixa transparecer que ele próprio foi a uma dessas reuniões noturnas no Alvorada.
Sobre sua aproximação com Serra, Civita conta que, diferentemente do que os petistas dizem, ele conheceu Serra durante a campanha de 2002. Já o conhecia anteriormente, mas só a partir de sua campanha à presidência tornaram-se mais íntimos. FHC lhe disse que Serra precisava de uma imprensa que repercutisse o que os agentes da PF a serviço de Serra conseguiam sobre os adversários. "Ele precisava da Veja para publicar o escândalo. Depois a Globo repercutia e o Nove Dedos caía nas pesquisas”.
Só que isso não aconteceu e Lula foi eleito. Manteve-se o esquema, mas agora com o objetivo de derrubar o Nove Dedos e trazer os tucanos de volta ao poder. A parceria deu certo e desaguou no chamado mensalão do PT, uma parceria entre os arapongas de Serra e um bicheiro de Goiás, que hoje todos conhecem como Carlinhos Cachoeira.
Mas, nem isso, nem a provável condenação de todos os petistas pelo STF, parece servir de alguma coisa para José Serra. Por isso, Civita não se assustou quando recebeu uma vista, às três da madrugada, do candidato tucano à prefeitura de São Paulo. Com a “sutileza” que o caracteriza, Serra ordenou a Civita que a Veja ligasse diretamente Lula ao mensalão, para que ele não pudesse mais fazer campanha para Haddad. Tinha que ser uma matéria agressiva, definitiva. “Você tem que dizer que Marcos Valério declarou à Veja que Lula sabia de tudo e era o chefe do mensalão”.
Civita providenciou a reportagem e a enviou na terça-feira, para aprovação. "Foi Serra quem me obrigou a fazer a reportagem do Valério acusando Lula" - disse a amigos. Serra aprovou, mas fez uma ressalva: “Tem que por aspas, tem que colocar como se Valério estivesse afirmando aquilo”. Civita quis argumentar que aquilo queimaria a revista. Mas Serra foi intransigente: “Quem não pode se queimar sou eu. Se eu não me eleger, vocês perdem tudo da prefeitura e vão entregar o governo de São Paulo para o PT daqui a dois anos. Adeus, livros didáticos. Adeus, assinaturas das revistas. Adeus, parcerias. Nada de trololó. Bota aspas e depois se virem para dizer que ele declarou tudo aquilo. Vocês são especialistas nisso”.
Sem alternativa, Civita concordou. Pensou em ir falar com Policarpo, seu diretor em Brasília, especialista nesse tipo de manobra. Mas se conteve. Teria de falar com ele pessoalmente, pois o telefone poderia estar grampeado. Mas guarda ainda fresca na memória a surpresa que teve ao fazer uma visita inesperada ao diretor. Ao entrar na sala, encontrou Policarpo sentado na cadeira, calça e cueca abaixadas até o tornozelo, com um homem quase careca ajoelhado à sua frente, aparentemente... A palavra que lhe veio à cabeça foi "fellaccio"... Quem era o careca? (continua)
(O Blog diz que as afirmações foram feitas a diversos interlocutores. Procurado por nossa equipe, que atravessou a Dutra numa Kombi comprada com o Bolsa-Twitter, Civita não foi encontrado, não quis dar entrevista, mas não desmentiu nada. A maior parte desta reportagem foi copiada da própria Veja, trocando apenas os nomes das pessoas para dar veracidade às informações. Tentamos também contacto através de nosso celular. Mas nosso plano Infinity da Tim não permitiu que nenhuma ligação se completasse.Por isso não conseguimos entrevista com Civita, Serra ou FHC, mas, frisamos, nenhum deles desmentiu nada. E, por favor, ministro Paulo Bernardo e Anatel, vamos dar um jeito nessa pouca vergonha das operadoras, ou aumente a nossa Bolsa-Twitter)
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Razões de Cuba # 2

 
A televisão cubana produziu uma série de documentários em defesa da revolução cubana. O foco foi apresentar evidências de que os planos dos Estados Unidos para desabilitar o governo de Raúl Castro e por fim a soberania nacional conquistada em 1959 continuava a todo vapor. Além disso, ofereceram provas que mostraram que os estadunidenses usam a contrarrevolução interna para atingir seus objetivos.
Verdades e Princípios
Documentário "Verdades e Princípios", com informação desclassificada sobre planos subversivos dos Estados Unidos contra a Ilha.
Neste filme um agente da Segurança do Estado prova como os EUA organizam em Cuba redes informáticas ilegais para a transmissão e recepção de dados codificados.
Também se anuncia a intervenção de Josefina Vidal, diretora do Departamento da América do Norte da Chancelaria cubana.
Veja também:
Razões de Cuba # 1 - Razões de Cuba # 3 - Razões de Cuba # 4 - Razões de Cuba # 5
No Solidários
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No contexto

Minha filha estava lendo uma história do Monteiro Lobato para a minha neta e parou quando chegou num trecho que falava na Tia Nastácia. Hesitou, sem saber se lia o que estava escrito ou se exercia sua prerrogativa de leitora e mãe e pulava o trecho.
Decidiu-se pela censura.
Não me lembro se cheguei a ler Monteiro Lobato para meus filhos, mas tenho certeza de que não teria a mesma hesitação da Fernanda. Não me ocorreria que o texto era racista. Ou talvez ocorresse e eu o desculpasse, pois seria apenas um detalhe que em nada diminuía o imenso prazer de ler Monteiro Lobato. E escrito numa época em que o próprio autor não teria consciência de estar sendo ofensivo, ou menos que afetuoso com sua personagem.
Entre os anos em que eu lia Lobato e hoje mudou tudo no mundo, inclusive o contexto em que o racismo, consciente ou não, é encarado.
E não é preciso ir muito longe atrás de mudanças no contexto. Não faz tanto tempo assim que boa parte do humor na televisão brasileira era feito em cima de estereótipos caricatos de raças e minorias. O negro era sempre o “negrão” careteiro e não muito inteligente, o judeu era sempre um usurário atrás da prestação, o homossexual era sempre um grotesco. E era tudo inocente, baseado em preconceitos herdados e em hábitos culturais que ninguém questionava, já que era humor, não era por mal.
Hoje, no contexto atual, está havendo reação das partes que se sentem afrontadas, o que é ótimo — quando não é exagerada. No caso do “racismo” do Monteiro Lobato, minha posição sobre como o autor deva continuar sendo leitura deliciada das crianças apesar dos trechos abomináveis é um decidido “Não sei”.
Fala-se que nas edições adotadas nas escolas conste uma explicação que coloque os termos repreensíveis no contexto. Não sei. O essencial é que não se prive nenhuma criança brasileira de ler Monteiro Lobato.
Luís Fernando Veríssimo
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Por que a reeleição de FHC nunca chegou ao STF?

A campanha à reeleição de Fernando Henrique Cardoso é considerada por especialistas a mais cara da história do país e nasceu contaminada. Segundo denúncia publicada na época pela Folha de São Paulo, a aprovação da emenda que possibilitou a reeleição contou com a compra do voto de vários parlamentares na Câmara dos Deputados, por R$200 mil cada um. 
Quem não sabe como são feitas as salsichas, as leis e as eleições? A novidade é que parte do Ministério Público e parte do Supremo Tribunal Federal resolveram julgar o “caixa dois”, feito para as eleições municipais de 2004, curvando-se à versão sobre o “mensalão” criada por Roberto Jefferson, pela oposição e por parte da imprensa que sempre tratou o PT como um intruso na política brasileira. Um precedente perigoso que coloca o STF acima dos demais poderes da República. O alvo é o PT. Destruir o PT. 
Afinal, a elite não acreditava que os de baixo fossem capazes de se organizar num partido politico de massa para fazer a luta social e eleitoral no país das desigualdades. Naquela eleição, em 2004, apesar de tudo, a esquerda cresceu eleitoralmente e em seguida reelegeu Lula. 
Agora, como num delírio narcísico diante do espelho (câmeras de TV, internet) ministros do STF, enrolados nas suas capas pretas, parecem fazer o jogo de setores da imprensa, que querem fazer valer a todo custo a versão do “Mensalão” e patrocinam um triste espetáculo. A hipocrisia, o cinismo aparecem reluzentes nas faces de alguns inquisidores como se o financiamento de campanhas eleitorais por meio de “caixa dois” fosse uma invenção do PT. As câmeras têm revelado com riqueza de detalhes aspectos sombrios do caráter de personagens centrais do julgamento no STF.
As investigações foram cirúrgicas e não foram além da superfície do sereno mar que encobre o financiamento das campanhas eleitorais de todos os partidos políticos. Não há nenhum questionamento sobre os demais partidos, como se os de oposição (PSDB, DEM, PPS) tivessem financiado as eleições de 2004 na mais perfeita ordem. 
Especialistas da Universidade de São Paulo (USP) calcularam que nas eleições municipais de 2004 cerca de 400 mil políticos empregaram algo em torno de 12 milhões a 16 milhões de trabalhadores, para disputar 55 mil vagas de vereador e 5.600 cargos de prefeito no país. 
A infraestrutura das campanhas eleitorais municipais de 2004 - propaganda dos candidatos veiculada pelos mais variados meios de comunicação - comícios, shows, alugueis, equipamentos de comitês eleitorais, assessores, enfim, custou cerca de 5 bilhões de reais. O total gasto atingiu a cifra de 41 reais por eleitor. Especialistas estimam que, por baixo, mais da metade do dinheiro envolvido em campanhas não aparece nas prestações de contas. 
Cerca de 70% a 80% das despesas dos candidatos não foram registradas como manda a lei. O que daria em média geral 1 real para o caixa oficial e 3 reais para o caixa dois. Quem adota o caixa dois costuma dizer que as contribuições sem registro são feitas a pedido dos contribuintes que não querem se expor como se o problema fosse a Lei Eleitoral.
O professor David Samuels, da Universidade de Minnesota, pesquisador do processo eleitoral no Brasil, analisou o perfil de doadores oficiais a partir dos registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e chegou a conclusão que as candidaturas a presidência da República são financiadas com maior volume de recursos do setor financeiro e da indústria pesada, como a de aço e a petroquímica. Isso porque a Presidência da República é quem responde pela macroeconomia (juros, tarifas, câmbio e política de exportação). Além disso, lida com marco regulatório e concessão de subsídios. Os setores financiadores das campanhas à presidência da República costumam ser os mesmos das candidaturas ao Senado Federal e à Câmara dos Deputados porque os assuntos tratados no Senado e na Câmara são também do âmbito da União; já as candidaturas a governador recebem mais recursos de empreiteiras, isso porque as grandes obras estão mais concentradas nos Estados; os candidatos a prefeito e vereador recebem mais recursos das empresas de transporte e de coleta de lixo.
A campanha à reeleição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é considerada por especialistas a mais cara da história do país e nasceu contaminada. Segundo denúncia publicada na época pelo jornal Folha de São Paulo, assinada pelo repórter Fernando Rodrigues, a aprovação da emenda que possibilitou a reeleição contou com a compra do voto de vários parlamentares na Câmara dos Deputados, por R$ 200 mil cada um. 
Naquele momento, Sérgio Motta, ministro das Comunicações havia declarado que o projeto dos tucanos era permanecer no poder por no mínimo 20 anos. Disse isso depois das privatizações dentre outras áreas, a de telecomunicações.
No início da campanha presidencial de 1998, o comitê eleitoral responsável pelas articulações da reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso elaborou um orçamento minucioso de gastos e concluiu que, para cobrir todas as despesas do pleito, seria necessário R$ 73 milhões. Esse orçamento prévio foi comunicado ao Tribunal Superior Eleitoral. 
Passadas as eleições o comitê fez as contas e encaminhou a declaração oficial de doações ao TSE, informando que o total arrecadado e gasto na campanha foi de R$ 43,022 milhões. A revista Época, de 30 de novembro de 1998, informou que a equipe que cuidou das finanças, coordenada pelo ex-ministro Bresser Pereira, dias depois do envio da lista ao Tribunal, refez as contas e concluiu que os gastos foram R$ 45,931 milhões, uma quantia muito superior ao total declarado ao TSE. 
Esse desencontro de valores, entre o que se arrecadou, o que se gastou e o que se declarou ao TSE jamais foi explicado pelos coordenadores. Paira sobre esse assunto uma nuvem de mistério. Curioso é que na campanha de 1998 o candidato Fernando Henrique Cardoso viajou menos, fez menos comícios do que em 1994, mas gastou R$ 10 milhões a mais. Bresser Pereira conta que, diante do volume das dívidas deixadas pelo comitê, ele foi obrigado a reunir a equipe financeira e colocá-la de novo em campo para arrecadar mais dinheiro dos empresários para cobrir o rombo. 
A revista Época informou ainda que as solicitações foram deliberadamente concentradas nos grupos empresariais que compraram as estatais. Na segunda quinzena de outubro daquele ano (período proibido pela lei) foram arrecadados R$ 8,2 milhões. Essa decisão foi absolutamente ilegal e contrariou a legislação eleitoral, mas mesmo assim a arrecadação de recurso foi feita. 
Dentre as empresas que doaram recursos após o pleito, constam a Vale do Rio Doce, Companhia Petroquímica do Sul (Copesul) e Telebras. As subsidiárias da Vale do Rio Doce doaram R$ 1,5 milhão. Os donos da Copesul, R$ 1 milhão e os grupos La Fonte/Jereissati/Andrade Gutierrez e Inepar, que haviam comprado as empresas do sistema Telebras, doaram R$ 2,5 milhões. No final da ofensiva dos coletores, os dirigentes do comitê disseram que ficou faltando R$ 2,9 milhões para liquidar as contas.
Na mesma matéria, a Época destacou o setor financeiro como o que mais contribuiu para a campanha à reeleição de Fernando Henrique Cardoso. Em 1994, os banqueiros deram R$ 7,1 milhões. De cada R$ 10,00 que entraram no caixa da campanha, R$ 4,30 originaram do setor financeiro. Em 1998, a aposta do setor no candidato à reeleição atingiu 43% (R$ 18,6 milhões) mais que o dobro da campanha anterior. Apenas cinco conglomerados financeiros contribuíram com quase R$ 10 milhões. Somados, responderam por 66,1% das doações feitas pelo setor financeiro e 28,6% do total de contribuições declaradas na campanha presidencial, informou a revista.
As controvérsias sobre o financiamento da milionária campanha à reeleição de Fernando Henrique Cardoso não pararam por aí. Para complicar ainda mais a vida do tucanato a Folha de São Paulo, de 12 de novembro de 2000, publicou uma vasta matéria com informações comprometedoras, obtidas de planilhas eletrônicas datadas de 30 de setembro de 1998, vazadas do comitê eleitoral do candidato tucano. Essas planilhas revelam a existência de uma contabilidade paralela de arrecadações e gastos da campanha. O jornal informou que pelo menos R$ 10,120 milhões deixaram de ser declarados ao TSE e que, de cada R$ 5,00 arrecadados R$ 1,00 era desviado para uma contabilidade particular desconhecida. 
Além dos R$ 10,120 milhões não declarados oficialmente ao Tribunal, feitos os cálculos, tomando por base a planilha completa, ficou de fora R$ 4,726 milhões, doados por empresas que constam da lista do TSE, com valores menores do que os da planilha, que aparecem sob a rubrica de uma associação de classe de empreiteiros. O dinheiro arrecadado pelo comitê financeiro, descrito em 34 registros na planilha principal obtida pelo jornal, totalizara R$ 53,120 milhões. Vale lembrar que na data constante da planilha, a qual os repórteres tiveram acesso, o comitê ainda não havia registrado todas as contribuições o que leva a crer que o volume de recursos não declarados devia ser muito maior, levando em consideração que o orçamento estimado inicialmente pelo comitê para os gastos, e comunicado ao TSE, era de R$ 73 milhões. 
Nota-se que havia margem suficiente para declarar os recursos constantes na contabilidade paralela em questão e a equipe financeira não o fez. As razões não foram esclarecidas à imprensa, que insistentemente tentou sem sucesso obter explicações dos responsáveis pelas contas. Toda essa história acabou envolta num manto de mistério.
A imprensa, na época da divulgação das planilhas pelo jornal, andou escarafunchando a lista de contribuintes da campanha da reeleição e trouxe à baila informações preciosas. Os colaboradores ao ver seus nomes e os nomes de suas empresas publicados nos jornais não conseguiram esconder o constrangimento. Muitos deles acabaram dando informações contraditórias. A lista mais parecia um condomínio de interesses escusos. A maior doação constante na planilha publicada foi de R$ 3 milhões e não está registrada no TSE. 
O jornal atribuiu à época essa contribuição ao então ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência, Andrea Matarazzo. Ele negou dizendo que não participou do grupo de arrecadadores e que apenas realizou alguns jantares com empresários. Mas, membros da equipe financeira como Bresser Pereira e o publicitário Luiz Fernando Furquim afirmam que Andrea Matarazzo fazia parte sim do grupo de coletores. Um detalhe: na planilha não consta registro da procedência do dinheiro.
O publicitário Roberto Duailibi, dono da agência DPZ, em entrevista à Folha de São Paulo, disse no primeiro momento que havia contribuído com R$7.500 mil. Quando ficou sabendo que a sua doação não estava registrada no TSE ligou para o jornal e disse que a empresa dele não havia contribuído com a campanha. Porém, consta na planilha que a DPZ contribuiu com R$200 mil. Outro publicitário, Geraldo Alonso, da agência Publicis Norton disse ao jornal que contribuiu para a campanha com serviços de publicidade. O valor do trabalho prestado pela agência dele registrado na planilha foi de R$ 50 mil. Em seguida ele negou que havia prestado serviços.
A empresa Atlântica Empreendimentos Imobiliários, da banqueira Kátia Almeida Braga, (Grupo Icatu), uma das coletoras de recursos, disse que contribuiu com R$ 100 mil e que tinha recibo emitido pelo PSDB. Esse valor aparece na planilha e não foi registrado na contabilidade oficial. Numa investida no Rio de Janeiro, Kátia Almeida Braga procurou dezoito empresários. Uma das empresa da lista era a Sacre, de Salvatore Cacciola, aquele banqueiro do caso Marka e FonteCindan, que fugiu para a Itália depois do escândalo financeiro. Kátia Braga conseguiu que a empresa dele doasse R$ 50 mil para a campanha. 
Outra empresa que chamou atenção na lista de contribuintes da campanha de Fernando Henrique Cardoso foi a Vasp, de Wagner Canhedo, um dos acusados de integrar o esquema PC no governo Collor e que responde até hoje vários processos na justiça. A empresa de Canhedo era devedora na época de mais de R$ 3 bilhões ao governo. Canhedo doou R$ 150 mil e não consta na declaração do TSE. No caso da Vasp a lei proíbe doações, mas a direção da empresa confirmou a doação à Folha de São Paulo.
Além desses casos existem muitas outras irregularidades reveladas pela imprensa, como por exemplo, doações feitas por universidades e escolas privadas. A legislação proíbe instituições de ensino de participar financeiramente de campanhas eleitorais, mas o presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), Edson Franco, confirmou a jornalistas que diversas instituições foram procuradas pelo ex-ministro Bresser Pereira e que várias delas fizeram doações. Ele citou a Unip, de João Carlos Di Gênio e a Faculdade Anhembi-Morumbi. Todos esses casos nunca foram investigados, o Ministério Público e o STF não se interessam por esse assunto.”
A diferença do caixa dois da reeleição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso do caixa dois das eleições municipais de 2004 é que o PT dançou, foi investigado e está sendo julgado, enquanto os tucanos e o PFL flanam na desgraça do PT. “O deputado José Dirceu, em seu depoimento no Conselho de Ética, lembrou que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse certa vez que não admitiu a instalação de CPIs durante seu governo porque sabia que uma CPI o derrubaria.”
Portanto, o financiamento de campanhas eleitorais por meio de caixa-dois é uma prática conhecida e só veio a público porque parte da cúpula do PT resolveu participar da festa e se deu mal. Agora o partido está sendo ridicularizado como se fosse um penetra. “Financiamento público já!”
Laurez Cerqueira, jornalista e escritor, autor, entre outros trabalhos de Florestan Fernandes – vida e obra, Florestan Fernandes – um mestre radical e O Outro Lado do Real, em parceria com o deputado Henrique Fontana.
No Justiceira de Esquerda
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