8 de set de 2012

Carta Aberta a Fernando Henrique Cardoso

Meu caro Fernando,
Vejo-me na obrigação de responder a carta aberta que você dirigiu ao Lula, em nome de uma velha polêmica que você e o José Serra iniciaram em 1978 contra o Rui Mauro Marini, eu, André Gunder Frank e Vânia Bambirra, rompendo com um esforço teórico comum que iniciamos no Chile na segunda metade dos anos 1960.
A discussão agora não é entre os cientistas sociais e sim a partir de uma experiência política que reflete contudo este debate teórico. Esta carta assinada por você como ex-presidente é uma defesa muito frágil teórica e politicamente de sua gestão. Quem a lê não pode compreender porque você saiu do governo com 23% de aprovação enquanto Lula deixa o seu governo com 96% de aprovação.
Já discutimos em várias oportunidades os mitos que se criaram em torno dos chamados êxitos do seu governo. Já no seu governo vários estudiosos discutimos, o inevitável caminho de seu fracasso junto à maioria da população. Pois as premissas teóricas em que baseava sua ação política eram profundamente equivocadas e contraditórias com os interesses da maioria da população. (Se os leitores têm interesse de conhecer o debate sobre estas bases teóricas lhes recomendo meu livro já esgotado: Teoria da Dependencia: Balanço e Perspectivas, Editora Civilização Brasileira, Rio, 2000). Contudo nesta oportunidade me cabe concentrar-me nos mitos criados em torno do seu governo, os quais você repete exaustivamente nesta carta aberta.
O primeiro mito é de que seu governo foi um êxito econômico a partir do fortalecimento do real e que o governo Lula estaria apoiado neste êxito alcançando assim resultados positivos que não quer compartilhar com você… Em primeiro lugar vamos desmitificar a afirmação de que foi o plano real que acabou com a inflação. Os dados mostram que até 1993 a economia mundial vivia uma hiperinflação na qual todas as economias apresentavam inflações superiores a 10%. A partir de 1994, TODAS AS ECONOMIAS DO MUNDO APRESENTARAM UMA QUEDA DA INFLAÇÃO PARA MENOS DE 10%. Claro que em cada pais apareceram os “gênios” locais que se apresentaram como os autores desta queda. Mas isto é falso: tratava-se de um movimento planetário. No caso brasileiro, a nossa inflação girou, durante todo seu governo, próxima dos 10% mais altos. TIVEMOS NO SEU GOVERNO UMA DAS MAIS ALTAS INFLAÇÕES DO MUNDO. E aqui chegamos no outro mito incrível. Segundo você e seus seguidores (e até setores de oposição ao seu governo que acreditam neste mito) sua política econômica assegurou a transformação do real numa moeda forte. Ora Fernando, sejamos cordatos: chamar uma moeda que começou em 1994 valendo 0,85 centavos por dólar e mantendo um valor falso até 1998, quando o próprio FMI exigia uma desvalorização de pelo menos uns 40% e o seu ministro da economia recusou-se a realizá-la “pelo menos até as eleições”, indicando assim a época em que esta desvalorização viria e quando os capitais estrangeiros deveriam sair do país antes de sua desvalorização, O fato é que quando você flexibilizou o cambio o real se desvalorizou chegando até a 4,00 reais por dólar. E não venha por a culpa da “ameaça petista” pois esta desvalorização ocorreu muito antes da “ameaça Lula”. ORA, UMA MOEDA QUE SE DESVALORIZA 4 VEZES EM 8 ANOS PODE SER CONSIDERADA UMA MOEDA FORTE? Em que manual de economia? Que economista respeitável sustenta esta tese? Conclusões: O plano Real não derrubou a inflação e sim uma deflação mundial que fez cair as inflações no mundo inteiro. A inflação brasileira continuou sendo uma das maiores do mundo durante o seu governo. O real foi uma moeda drasticamente debilitada. Isto é evidente: quando nossa inflação esteve acima da inflação mundial por vários anos, nossa moeda tinha que ser altamente desvalorizada. De maneira suicida ela foi mantida artificialmente com um alto valor que levou à crise brutal de 1999.
Segundo mito - Segundo você, o seu governo foi um exemplo de rigor fiscal. Meu Deus: um governo que elevou a dívida pública do Brasil de uns 60 bilhões de reais em 1994 para mais de 850 bilhões de dólares quando entregou o governo ao Lula, oito anos depois, é um exemplo de rigor fiscal? Gostaria de saber que economista poderia sustentar esta tese. Isto é um dos casos mais sérios de irresponsabilidade fiscal em toda a história da humanidade. E não adianta atribuir este endividamento colossal aos chamados “esqueletos” das dívidas dos estados, como o fez seu ministro de economia burlando a boa fé daqueles que preferiam não enfrentar a triste realidade de seu governo. Um governo que chegou a pagar 50% ao ano de juros por seus títulos para, em seguida, depositar os investimentos vindos do exterior em moeda forte a juros nominais de 3 a 4%, não pode fugir do fato de que criou uma dívida colossal só para atrair capitais do exterior para cobrir os déficits comerciais colossais gerados por uma moeda sobrevalorizada que impedia a exportação, agravada ainda mais pelos juros absurdos que pagava para cobrir o déficit que gerava. Este nível de irresponsabilidade cambial se transforma em irresponsabilidade fiscal que o povo brasileiro pagou sob a forma de uma queda da renda de cada brasileiro pobre. Nem falar da brutal concentração de renda que esta política agravou drasticamente neste pais da maior concentração de renda no mundo. Vergonha, Fernando. Muita vergonha. Baixa a cabeça e entenda porque nem seus companheiros de partido querem se identificar com o seu governo…te obrigando a sair sozinho nesta tarefa insana.
Terceiro mito – Segundo você, o Brasil tinha dificuldade de pagar sua dívida externa por causa da ameaça de um caos econômico que se esperava do governo Lula. Fernando, não brinca com a compreensão das pessoas. Em 1999 o Brasil tinha chegado à drástica situação de ter perdido TODAS AS SUAS DIVISAS. Você teve que pedir ajuda ao seu amigo Clinton que colocou à sua disposição os 20 bilhões de dólares do tesouro dos Estados Unidos e mais uns 25 BILHÕES DE DÓLARES DO FMI, Banco Mundial e BID. Tudo isto sem nenhuma garantia. Esperava-se aumentar as exportações do pais para gerar divisas para pagar esta dívida. O fracasso do setor exportador brasileiro mesmo com a espetacular desvalorização do real não permitiu juntar nenhum recurso em dólar para pagar a dívida. Não tem nada a ver com a ameaça de Lula. A ameaça de Lula existiu exatamente em consequência deste fracasso colossal de sua política macro-econômica. Sua política externa submissa aos interesses norte-americanos, apesar de algumas declarações críticas, ligava nossas exportações a uma economia decadente e um mercado já copado. A recusa dos seus neoliberais de promover uma política industrial na qual o Estado apoiava e orientava nossas exportações. A loucura do endividamento interno colossal. A impossibilidade de realizar inversões públicas apesar dos enormes recursos obtidos com a venda de uns 100 bilhões de dólares de empresas brasileiras. Os juros mais altos do mundo que inviabilizava e ainda inviabiliza a competitividade de qualquer empresa. Enfim, UM FRACASSO ECONOMICO ROTUNDO que se traduzia nos mais altos índices de risco do mundo, mesmo tratando-se de avaliadoras amigas. Uma dívida sem dinheiro para pagar… Fernando, o Lula não era ameaça de caos. Você era o caos. E o povo brasileiro correu tranquilamente o risco de eleger um torneiro mecânico e um partido de agitadores, segundo a avaliação de vocês, do que continuar a aventura econômica que você e seu partido criou para este país.
Gostaria de destacar a qualidade do seu governo em algum campo mas não posso fazê-lo nem no campo cultural para o qual foi chamado o nosso querido Francisco Weffort (neste então secretário geral do PT) e não criou um só museu, uma só campanha significativa. Que vergonha foi a comemoração dos 500 anos da “descoberta do Brasil”. E no plano educacional onde você não criou uma só universidade e entrou em choque com a maioria dos professores universitários sucateados em seus salários e em seu prestígio profissional. Não Fernando, não posso reconhecer nada que não pudesse ser feito por um medíocre presidente. Lamento muito o destino do Serra. Se ele não ganhar esta eleição vai ficar sem mandato, mas esta é a política. Vocês vão ter que revisar profundamente esta tentativa de encerrar a Era Vargas com a qual se identifica tão fortemente nosso povo. E terão que pensar que o capitalismo dependente que São Paulo construiu não é o que o povo brasileiro quer. E por mais que vocês tenham alcançado o domínio da imprensa brasileira, devido suas alianças internacionais e nacionais, está claro que isto não poderia assegurar ao PSDB um governo querido pelo nosso povo. Vocês vão ficar na nossa história com um episódio de reação contra o verdadeiro progresso que Dilma nos promete aprofundar. Ela nos disse que a luta contra a desigualdade é o verdadeiro fundamento de uma política progressista. E dessa política vocês estão fora. Apesar de tudo isto, me dá pena colocar em choque tão radical uma velha amizade. Apesar deste caminho tão equivocado, eu ainda gosto de vocês (e tenho a melhor recordação de Ruth) mas quero vocês longe do poder no Brasil. Como a grande maioria do povo brasileiro. Poderemos bater um papo inocente em algum congresso internacional se é que vocês algum dia voltarão a frequentar este mundo dos intelectuais afastados das lides do poder. Com a melhor disposição possível mas com amor à verdade, me despeço.
Theotonio dos Santos Júnior
Theotonio Dos Santos, Professor Emérito da Universidade Federal Fluminense, Presidente da Cátedra da UNESCO e da Universidade das Nações Unidas sobre economia global e desenvolvimentos sustentável. Professor visitante nacional sênior da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
thdossantos@terra.com.br
No theotoniodossantos.blogspot.com

Observação: Esta carta aberta foi escrita em outubro de 2010, em resposta a uma carta aberta de FHC à Lula que reproduzo a seguir:

PT Sem Medo do Passado

Fernando Henrique Cardoso
O presidente Lula passa por momentos de euforia que o levam a inventar inimigos e enunciar inverdades. Para ganhar sua guerra imaginária, distorce o ocorrido no governo do antecessor, autoglorifica-se na comparação e sugere que se a oposição ganhar será o caos.
Por trás dessas bravatas está o personalismo e o fantasma da intolerância: só eu e os meus somos capazes de tanta glória. Houve quem dissesse “o Estado sou eu”. Lula dirá, o Brasil sou eu! Ecos de um autoritarismo mais chegado à direita.
Lamento que Lula se deixe contaminar por impulsos tão toscos e perigosos. Ele possui méritos de sobra para defender a candidatura que queira. Deu passos adiante no que fora plantado por seus antecessores. Para que, então, baixar o nível da política à dissimulação e à mentira?
A estratégia do petismo-lulista é simples: desconstruir o inimigo principal, o PSDB e FHC (muita honra para um pobre marquês…). Por que seríamos o inimigo principal? Porque podemos ganhar as eleições. Como desconstruir o inimigo? Negando o que de bom foi feito e apossando-se de tudo que dele herdaram como se deles sempre tivesse sido. Onde está a política mais consciente e benéfica para todos? No ralo. 
Na campanha haverá um mote – o governo do PSDB foi “neoliberal” – e dois alvos principais: a privatização das estatais e a suposta inação na área social. Os dados dizem outra coisa. Mas os dados, ora os dados… O que conta é repetir a versão conveniente. 
Há três semanas Lula disse que recebeu um governo estagnado, sem plano de desenvolvimento. Esqueceu-se da estabilidade da moeda, da lei de responsabilidade fiscal, da recuperação do BNDES, da modernização da Petrobras, que triplicou a produção depois do fim do monopólio e, premida pela competição e beneficiada pela flexibilidade, chegou à descoberta do pré-sal. Esqueceu-se do fortalecimento do Banco do Brasil, capitalizado com mais de R$ 6 bilhões e, junto com a Caixa Econômica, libertados da politicagem e recuperados para a execução de políticas de Estado. Esqueceu-se dos investimentos do programa Avança Brasil, que, com menos alarde e mais eficiência que o PAC, permitiu concluir um número maior de obras essenciais ao país. Esqueceu-se dos ganhos que a privatização do sistema Telebrás trouxe para o povo brasileiro, com a democratização do acesso à internet e aos celulares, do fato de que a Vale privatizada paga mais impostos ao governo do que este jamais recebeu em dividendos quando a empresa era estatal, de que a Embraer, hoje orgulho nacional, só pôde dar o salto que deu depois de privatizada, de que essas empresas continuam em mãos brasileiras, gerando empregos e desenvolvimento no país. Esqueceu-se de que o país pagou um custo alto por anos de “bravata” do PT e dele próprio. Esqueceu-se de sua responsabilidade e de seu partido pelo temor que tomou conta dos mercados em 2002, quando fomos obrigados a pedir socorro ao FMI – com aval de Lula, diga-se – para que houvesse um colchão de reservas no início do governo seguinte. Esqueceu-se de que foi esse temor que atiçou a inflação e levou seu governo a elevar o superávit primário e os juros às nuvens em 2003, para comprar a confiança dos mercados, mesmo que à custa de tudo que haviam pregado, ele e seu partido, nos anos anteriores.
Os exemplos são inúmeros para desmontar o espantalho petista sobre o suposto “neoliberalismo” peessedebista. Alguns vêm do próprio campo petista. Vejam o que disse o atual presidente do partido, José Eduardo Dutra, ex-presidente da Petrobras, citado por Adriano Pires, no Brasil Econômico de 13/1/2010. “Se eu voltar ao parlamento e tiver uma emenda propondo a situação anterior (monopólio), voto contra. Quando foi quebrado o monopólio, a Petrobras produzia 600 mil barris por dia e tinha 6 milhões de barris de reservas. Dez anos depois, produz 1,8 milhão por dia, tem reservas de 13 bilhões. Venceu a realidade, que muitas vezes é bem diferente da idealização que a gente faz dela”. (José Eduardo Dutra).
O outro alvo da distorção petista refere-se à insensibilidade social de quem só se preocuparia com a economia. Os fatos são diferentes: com o Real, a população pobre diminuiu de 35% para 28% do total. A pobreza continuou caindo, com alguma oscilação, até atingir 18% em 2007, fruto do efeito acumulado de políticas sociais e econômicas, entre elas o aumento do salário mínimo. De 1995 a 2002, houve um aumento real de 47,4%; de 2003 a 2009, de 49,5%. O rendimento médio mensal dos trabalhadores, descontada a inflação, não cresceu espetacularmente no período, salvo entre 1993 e 1997, quando saltou de R$ 800 para aproximadamente R$ 1.200. Hoje se encontra abaixo do nível alcançado nos anos iniciais do Plano Real.
Por fim, os programas de transferência direta de renda (hoje Bolsa-Família), vendidos como uma exclusividade deste governo. Na verdade, eles começaram em um município (Campinas) e no Distrito Federal, estenderam-se para Estados (Goiás) e ganharam abrangência nacional em meu governo. O Bolsa-Escola atingiu cerca de 5 milhões de famílias, às quais o governo atual juntou outras 6 milhões, já com o nome de Bolsa-Família, englobando em uma só bolsa os programas anteriores. É mentira, portanto, dizer que o PSDB “não olhou para o social”. Não apenas olhou como fez e fez muito nessa área: o SUS saiu do papel à realidade; o programa da aids tornou-se referência mundial; viabilizamos os medicamentos genéricos, sem temor às multinacionais; as equipes de Saúde da Família, pouco mais de 300 em 1994, tornaram-se mais de 16 mil em 2002; o programa “Toda Criança na Escola” trouxe para o Ensino Fundamental quase 100% das crianças de sete a 14 anos. Foi também no governo do PSDB que se pôs em prática a política que assiste hoje a mais de 3 milhões de idosos e deficientes (em 1996, eram apenas 300 mil). 
Eleições não se ganham com o retrovisor. O eleitor vota em quem confia e lhe abre um horizonte de esperanças. Mas se o lulismo quiser comparar, sem mentir e sem descontextualizar, a briga é boa. Nada a temer.
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Folha informa: petralha é lenda

A liberdade de expressão permite que cada um fale o que quer e escreva como quiser mas às vezes a literatura deve ceder seus direitos a matemática.
Trazida ao mundo político durante o governo Lula, o termo “petralha” é uma falsificação, revela um levantamento da Folha de S. Paulo.
Ao juntar PETista com metRALHA, dos irmãos Metralha, de Disney, aquele que tinha simpatias pelo fascismo, o que se pretende é sugerir que o Partido dos Trabalhados é, como diz o procurador-geral da República, uma “organização criminosa.”
Será?
Analisando os 317 políticos brasileiros que foram impedidos de se candidatar pela lei Ficha Limpa, a Folha de S. Paulo fez uma descoberta fantástica.
Os petistas tem 18 candidatos que a Justiça impediu de candidatar-se em função daquilo que em outros tempos se chamava de folha corrida. Não é pouco, certamente.
Homens públicos devem ter uma reputação sem manchas e seria preferível que nenhum candidato – do PT ou de qualquer outro partido – tivesse uma condenação nas costas.
O problema é que os supostos petralhas são apenas o 8o. partido em condenações. Se houvesse um campeonato nacional de ficha-suja, estariam desclassificados nas quartas-de-final e voltariam para casa sob vaias da torcida, que iria até o aeroporto jogar casta de laranja no desembarque da delegação.
E se você pensa que o primeiro colocado é o PMDB, tão associado às más práticas da política, símbolo do atraso, da fisiologia e da corrupção – em especial depois que se aliou a Lula, nunca antes — enganou-se. O líder é o PSDB.
Está lá, na Folha. Os tucanos tiveram 56 candidatos rejeitados pela Lei dos Ficha Suja. Isso dá três vezes mais do que os petistas. Para falar em termos relativos: a porcentagem de ficha suja tucana entre seus candidatos é de 3,5%. Dos petistas, 1%.
Em sua entrevista em Paris, logo depois da entrevista de Roberto Jefferson onde ele denunciou o mensalão, Lula disse que o PT apenas fazia “o que os outros partidos sempre fizeram.”
Lula foi muito criticado por isso, na época. Vê-se que Lula errou, mas por outro motivo: o PT fazia menos do que os outros partidos.
O levamento mostra, por exemplo, que até o PSD de Gilberto Kassab tem mais condenados do que os petistas. O PPS, que é infinitamente menor do que o PT, tem 9 condenados. O PMDB, tem 46.
E agora?
Paulo Moreira Leite
No Vamos combinar
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Dilma já gravou para Haddad

Dilma já gravou para Haddad
Depoimento pode ir ao ar nos próximos dias, para tentar fazer com que o petista ultrapasse José Serra na disputa pelo segundo lugar
A presidente Dilma Rousseff já gravou seu depoimento para o candidato Fernando Haddad, que irá ao ar nos próximos dias, em São Paulo. Leia na coluna de Monica Bergamo, da Folha de S. Paulo:
MAIS CEDO
E o depoimento que Dilma Rousseff gravou secretamente para apoiar a candidatura de Fernando Haddad (PT-SP) a prefeito pode ir ao ar já nos próximos dias. Ela antecipa, assim, em pelo menos duas semanas sua já prevista entrada na campanha de São Paulo. A fala só iria ao ar lá pelo fim do primeiro turno.
NA GAVETA
Dilma manteve em segredo a gravação que fez para Haddad, há vários dias, em Brasília, para evitar pressão de outros candidatos de todo o país que também querem seu depoimento.
RELÓGIO
E interlocutores de Dilma fizeram circular, até em setores do PT, a versão de que ela resistia a entrar na campanha. Mas isso sempre esteve fora de cogitação. Até mesmo o PSDB de SP trabalhava com a certeza de que Dilma participaria, para quebrar a resistência da classe média aos petistas. A dúvida era quando isso ocorreria.
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O sonho de Serra e o pesadelo do eleitor

É possível escolher, em lista razoavelmente variada, a razão para a dificuldade que enfrenta a candidatura de José Serra nesta nova disputa pela prefeitura paulistana. Uma delas: nos últimos 12 anos, ele participou de sete eleições para os três níveis do Executivo – municipal, estadual, nacional – e agora dá sinais de fadiga. Outra: sofre o efeito direto da administração do prefeito Gilberto Kassab, com alta avaliação negativa. O mau desempenho da criatura engole o criador. E não é tudo.
Na mosca.
As certeiras observações de Jairo Nicolau
Cada argumento tem, contudo um próprio e específico nível de influência nas dificuldades do candidato tucano. No entanto, o que parece ser o fator determinante são as renúncias movidas pela obstinação de chegar à Presidência. Dois os momentos frustrantes para os eleitores. Ele desistiu da prefeitura de São Paulo em 31 de março de 2006, pouco mais de um ano após ter sido eleito, e entregá-la a Kassab para entrar na corrida presidencial. Sem sucesso. Repetiu a dose, em abril de 2010, quando desistiu do governo estadual para se candidatar à Presidência pela segunda vez. Enfim, está sempre pronto a trocar São Paulo por Brasília. O sonho de Serra, hoje com mais de 40% de rejeição na capital paulista, virou pesadelo para os eleitores.
“A questão nacional pode contaminar a escolha do candidato a prefeito, mas isso não contamina a escolha do eleitor, que é essencialmente definida por questões locais, pela administração da cidade”, afirma o cientista político Jairo Nicolau, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Ele é um especialista atento às artimanhas do processo eleitoral. E demonstra em Eleições no Brasil – Do Império aos dias atuais (Zahar), que chegará às livrarias nos próximos dias, com documentação rica e inédita, como as atas das eleições das governanças das cidades de Cabo Frio e Paraty no período colonial.
“Esse material mostra a longa tradição das eleições locais”, diz Jairo Nicolau.
Essas competições eleitorais só sofreram interrupção nos hiatos autoritários entre os anos 1930 e 1945 e, posteriormente, nos 21 anos da ditadura implantada em 1964.
A normalização do processo foi retomada com pleitos locais alternados com as eleições nacionais a partir de 1986. Dessa alternância nasceu uma tese, furada, de influência nacional nas disputas municipais. Há três bons exemplos, no momento, capazes de ajudar a dirimir possíveis controvérsias.
No Recife, o candidato do PT, Humberto Costa, segundo as últimas pesquisas, está marcado para perder. Mesmo com apoio de Lula e de Dilma, carrega o peso de uma administração petista local (prefeito João da Costa) pessimamente avaliada. Perde a disputa para o candidato do governador Eduardo Campos, que tem grande aprovação do eleitorado.
Em São Paulo, onde Serra padece do mesmo mal (o prefeito Kassab) de Humberto Costa no Recife, tanto os tucanos quanto os petistas agem em função do plano nacional. Dilma e Lula, com enorme prestígio nacional, apoiam Haddad. Celso Russomanno, terceira via inesperada que lidera as pesquisas de intenção de voto, poderia ser o vencedor.
Belo Horizonte é o terceiro vetor do jogo no plano nacional. Marcio Lacerda, apoiado por Aécio Neves, é um socialista com plumagem tucana que busca a reeleição. Tem boa aprovação e, até agora, supera o petista Patrus Ananias (apoiado por Dilma e Lula), ex-prefeito e admirado pelos belo-horizontinos.
Corrupção: Um foco
Dnit tornou-se um nome mal-afamado. Esta é a sigla do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte, órgão do Ministério dos Transportes envolvido em suspeitas de  alianças de corrupção tanto com o escancarado mundo político quanto com o fechado mundo  da caserna.
Não por acaso, o ex-diretor-geral do Dnit Luís Fernando Pagot foi chamado a depor na CPI do Cachoeira. Ameaçou falar o que sabia. Porém, ao depor, se calou. Ele lidava com contratos de interesse das empreiteiras, como, por exemplo, a Delta de Fernando Cavendish.
Corre à margem do trabalho rumoroso desta CPI o caso envolvendo o Dnit e o Instituto Militar de Engenharia (IME), em curso na 2ª Auditoria Militar, no Rio de Janeiro. Há seis militares denunciados por crime de peculato em torno de licitações a partir de convênios firmados com o Dnit, apurado em Inquérito Policial Militar.
Afora esses oficiais, uma parte do problema aponta para o comandante do Exército, Enzo Peri.  Por ter foro privilegiado, a denúncia foi ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Desde então, ao que se sabe, adormece em alguma gaveta.
Complicação carioca.
Se o vice emplaca, PT e PMDB vão brigar.
Foto: Gabriel de Paiva/Ag. O Globo

Trilhas de Pezão

Após empréstimo de 5 bilhões de reais no Banco do Brasil, Sérgio Cabral recebeu há poucos dias do ministro da Fazenda, Guido Mantega, a informação de que o governo do Rio poderá dispor de mais 7 bilhões de reais em novas operações de crédito. No total são 12 bilhões para investimentos em obras.
Ele abriu uma trilha para a eventual candidatura do seu vice, o peemedebista Luiz Fernando Pezão, em 2014. Cabral pretende deixar o governo e já teria avisado sobre isso à presidenta  Dilma. Isso põe o PMDB e o PT no Rio, hoje aliados, em rota direta de colisão.
Voto: regra e exceção
Para definir o voto no pleito municipal, o eleitor, em regra, avalia os problemas reais da cidade em que vive e não os problemas nacionais. Por isso, olhando para o universo petista, a  ascensão de Fernando Haddad em São Paulo é a regra. A renúncia de João Paulo Cunha, em Osasco, é a exceção.
O tema “mensalão” não guia a escolha local, mas pode estar sendo um fator importante na  desmoralização da política e, por consequência, nas opções dos eleitores que estão causando  surpresa.
Voo de galinha
Em Fortaleza, também já há inversão nas pesquisas de intenção de voto. Moroni Torgan  (DEM) perdeu fôlego e dificilmente chegará ao segundo turno diante do crescimento das candidaturas de Roberto Cláudio (PSB) e Elmano de Freitas (PT).
A exemplo de Inácio Arruda (PCdoB), que também disputa a prefeitura, Moroni é bom de  largada e ruim de chegada.
Virgílio. Fim de carreira?
Foto: José Cruz/ABr

Tucano depenado

Na disputa pela prefeitura de Manaus, pesquisa do Ibope já registra empate numérico, de 29% das intenções de voto, entre a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB) e o ex-senador Arthur Virgílio (PSDB).
A diferença é que ela subiu de 17% e ele caiu de 40%. Há pouco tempo, em 2010, Vanessa tomou a cadeira de Virgílio no Senado. Aos 67 anos, este tucano eminente, fundador do partido, se perder esta eleição, corre o risco de ter a sua vida política encerrada  prematuramente.
Já em São Paulo…
Celso Russomanno parece ter abandonado esse grupo de candidatos de fôlego eleitoral curto. O  porcentual de intenção de voto nele atraiu boas contribuições e já abriu folga no caixa de  campanha.
Russomanno, por isso, encomendou o monitoramento diário da campanha por meio de um  processo telefônico chamado tracking.
E se ele ganha?
Cavalgando rápido, mas montado em partido nanico, o PRB, a possibilidade de vitória de  Russomanno, sem qualquer experiência administrativa, conduz à avaliação sobre as  possibilidades de governança para ele.
Se eleito, terá muitas possibilidades de fazer coligação e fatalmente será engolido por ela.
Serra ou Haddad?
Considerando os números do Datafolha – Russomanno 34%, Serra 21% (em queda) e Haddad 16% (em ascensão) –, quem disputará o 2º turno na surpreendente Pauliceia?
A esperança de Serra é a de que esteja no piso de votação. A de Haddad é a de que não tenha  atingido o teto.
Maurício Dias
No CartaCapital
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PSDB critica uso eleitoral do discurso de Dilma

PSDB critica uso eleitoral do discurso de Dilma
"Se não bastassem as dificuldades de o PT conviver com o contraditório, seus principais representantes no governo federal agora se valem da máquina pública para atacar adversários", diz o presidente nacional do partido, Sérgio Guerra, em nota; partido diz que usará meios legais para "defender a democracia brasileira"
O PSDB não engoliu as críticas da presidente Dilma Rousseff à política de privatizações adotada durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. "Se não bastassem as dificuldades de o PT conviver com o contraditório, seus principais representantes no governo federal agora se valem da máquina pública para atacar adversários, tentar reduzir o desgaste sofrido pelo avanço das condenações no julgamento do mensalão e ainda beneficiar os candidatos da base aliada nas eleições municipais deste ano", reclama, em nota, o presidente nacional do partido, Sérgio Guerra.
Sem citar FHC, Dilma disse, no discurso que foi ao ar em cadeia nacional na última quinta-feira, que o "antigo e questionável modelo de privatização de ferrovias (...) torrou patrimônio público para pagar dívida e ainda terminou por gerar monopólios, privilégios, frete elevado e baixa eficiência".
"A exemplo do que alguns de seus ministros vem fazendo nas campanhas municipais, prometendo tratamento privilegiado para os municípios que elegerem candidatos do PT, a presidente Dilma se valeu da prerrogativa de convocar uma cadeia nacional de rádio e TV para atacar a política de privatizações adotada pelo governo tucano do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, como se seu governo não tivesse aderido à mesma tese para garantir a retomada do crescimento da economia brasileira e obras indispensáveis para a infraestrutura do país", dizem os tucano na nota, que pode ser lida na íntegra abaixo.
Se não bastassem as dificuldades de o PT conviver com o contraditório, seus principais representantes no governo federal agora se valem da máquina pública para atacar adversários, tentar reduzir o desgaste sofrido pelo avanço das condenações no julgamento do mensalão e ainda beneficiar os candidatos da base aliada nas eleições municipais deste ano.
Foi exatamente isso que o país assistiu em cadeia nacional de rádio e TV, convocada pela presidente Dilma Rousseff no último dia 6 de setembro. O tradicional pronunciamento presidencial em comemoração ao Dia da Independência, este ano, ganhou contornos inusitados.
A menos de um mês das eleições municipais - nas quais seu partido vem registrando um desempenho sofrível, tendo em vista que só lidera a disputa em uma das 27 capitais do país - a presidente Dilma não se conteve apenas em exaltar seu próprio governo, anunciando a redução das tarifas de energia, uma medida que, curiosamente, só seria implementada de fato a partir de janeiro do próximo.
A exemplo do que alguns de seus ministros vem fazendo nas campanhas municipais, prometendo tratamento privilegiado para os municípios que elegerem candidatos do PT, a presidente Dilma se valeu da prerrogativa de convocar uma cadeia nacional de rádio e TV para atacar a política de privatizações adotada pelo governo tucano do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, como se seu governo não tivesse aderido à mesma tese para garantir a retomada do crescimento da economia brasileira e obras indispensáveis para a infraestrutura do país.
Por isso, o PSDB vem a público mais uma vez para anunciar que usará dos meios legais e compatíveis para defender a democracia brasileira e denunciar o uso indevido e eleitoral do último pronunciamento da presidente Dilma em cadeia nacional de rádio e TV.
Sérgio Guerra
Presidente nacional do PSDB e deputado federal
No 247
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PSDB tem o maior número de barrados pelo Ficha Limpa

Segundo levantamento da Folha, Rio de Janeiro lidera ranking dos estados com mais candidatos ficha-suja
Até agora, 317 candidatos a prefeito no Brasil tiveram suas candidaturas barradas pelos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs). Destes, 56 são vinculados ao PSDB, de acordo com levantamento do jornal Folha de São Paulo de hoje.
Com isso, o PSDB lidera o ranking dos partidos com mais prefeituráveis considerados ficha-suja. O PMDB está na segunda posição, com 49 candidatos barrados. O PT aparece em oitavo, com 18 barrados.
O estado de São Paulo, ainda segundo o levantamento, é o segundo com mais candidatos barrados com base na Lei Ficha Limpa. Ao todo, 53 foram afetados pelas decisões. O Rio de Janeiro congrega o maior número de fichas-sujas até agora com 54 barrados.
Até as eleições os números podem mudar já que ainda há casos sendo julgados por 16 tribunais. Os candidatos barrados podem recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral.

Danilo Bandeira/Editoria de arte/Folhapress
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Contra a Censura aos Blogs no Grito dos Exluídos 2012

Blogueir@s Progressistas do Paraná junto com outros movimentos protestam contra a censura aos Blogs e a judicialização da Censura durante o Grito do Excluídos 2012, em Curitiba, ou melhor, na Curitiba real. 
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Que Juiz é este?


Estadão — Escolher bem as palavras num processo de milhares de páginas é sempre muito difícil. Como o sr. chegou à síntese?
Joaquim Barbosa — Com muita reflexão, muita discussão com a minha equipe. É um trabalho de fazer, refazer, pensar, repensar. Um trabalho de crítica. Me coloco na situação de quem vai me ouvir.
Estadão — Esse didatismo, a leitura e a síntese geralmente não são comuns no mundo do Direito.
Joaquim Barbosa — Vocês ainda não tinham prestado atenção no meu voto. Isso é muito comum nos meus votos, essa busca de três coisas: simplicidade, clareza e objetividade. Meus votos são curtos, secos. Naqueles processos em que eu não sou o relator, minhas intervenções são curtas. Em geral, um parágrafo, às vezes uma frase. Isso é deliberado. Nos processos em que eu sou o relator, vou ao ponto. Ao ponto com essa busca da clareza e de simplicidade.
Estadão — O rebuscamento distancia a Justiça das pessoas comuns?
Joaquim Barbosa — Isso aí é um traço negativo a meu ver do Direito no Brasil. Infelizmente, veio do ensino jurídico. As pessoas acham que falar empolado é bonito. Tem gente que treina para isso.
Estadão — O voto do sr., o mais longo da história, segundo o ministro Celso de Mello, pode servir de lição para quem estuda Direito?
Joaquim Barbosa — Nesse aspecto didático sim. Eu tive essa preocupação. Eu fiz uma espécie de desconstrução da denúncia. Utilizei a estrutura da denúncia. A tradição aqui é examinar a situação de cada denunciado. Um por um. É assim que se faz em matéria penal. Pensei: isso não vai dar certo com 40 denunciados. Vai ser uma confusão, não vai dar. Então vamos estudar cada tópico, cada item da denúncia é uma historinha. Vou analisar. Vou costurar essa historinha para apresentá-la de maneira sintética e clara. Esse é um primeiro passo. O segundo passo, que acho que foi fundamental, foi a escolha dos tópicos, o momento de apresentar cada um deles. Eu comecei pelo quinto, não pelo primeiro.
Estadão — Por que essa inversão?
Joaquim Barbosa — Por uma razão simples. O julgamento começou às 5 da tarde. Os ministros já estavam cansados. Escolhi o tópico mais simples. Mais neutro. Era uma imputação apenas em relação ao pessoal do Banco Rural. Sem maiores complexidades. Eu queria terminar às 6, 7 horas.
Estadão — Por que no segundo dia o sr. não continuou a leitura com o item seguinte, o seis?
Joaquim Barbosa — Aí é que estava a preocupação didática. A idéia era começar pelo três, que era o início da descrição do que se chamou na denúncia de “desvio de verbas”. Mostrando como se processava o desvio de verbas estabelecia-se o início do entendimento do resto. O item três é aquele que fala do Banco do Brasil, do dinheiro do Visanet e do deputado João Paulo Cunha.É o pontapé inicial para entender toda a sistemática. A segunda razão é que o item seis era o maior de todos, era o clímax da história. Eu tinha que calcular muitas horas para contar essa parte. O item seis se dividia em duas partes, corrupção ativa e passiva. Primeiro apresentei a corrupção passiva. Ficou mais fácil para compreender o restante. Cada item foi iluminando o seguinte, foi basicamente isso.
Estadão — Onde o sr. aprendeu essa técnica?
Joaquim Barbosa — Aprendi basicamente no meu doutorado na França. O francês prima pela clareza. O texto do francês é formal, tem lá suas regrinhas. Mas quem escuta ou lê de imediato um trabalho jurídico francês, quem lê as quatro primeiras páginas de um trabalho de cem já sabe o que está lá.
Estadão — A leitura do clímax foi o momento mais difícil do voto?
Joaquim Barbosa —Não teve dificuldade. Da minha parte tinha a expectativa de como ia ser. Mas, à medida que o tempo foi passando, foi se tornando mais tranqüilo.
Estadão — A participação de alguns colegas do sr. facilitou o seu voto? Dos ministros Cezar Peluso, Marco Aurélio e Celso de Mello, por exemplo.
Joaquim Barbosa — Essas intervenções são normais. Há quem gosta de intervir, há quem não gosta. Isso é a regra, é o básico num julgamento de colegiado.
Estadão — Quando o sr. sentiu que tinha ganhado o plenário?
Joaquim Barbosa — Não fui preparado para ganhar ou perder. Fui preparado para apresentar mesmo. Só. Mas, no início, havia uma divisão. Depois houve consenso. Até o último momento você espera ficar vencido nesse ou naquele voto. O último tópico era da quadrilha. Quando eu cheguei à quadrilha, tudo já estava muito claro.
Estadão — O sr. poderia explicar por que o ex-deputado Dirceu era o mentor e chefe supremo do esquema e todos prestavam obediência a ele?
Joaquim Barbosa — Ali estava simplesmente tentando dizer com outras palavras o que estava na denúncia do procurador. Só isso.
Estadão — Havia a expectativa de o seu voto sofrer algum tipo de influência externa pelo fato de o sr. ter sido indicado pelo presidente Lula.
Joaquim Barbosa —O meu trabalho não sofre intervenção de ninguém. Não é nesse caso, não. É em todos os casos. Sou conhecido aqui por isso. Por gostar de tomar decisões solitariamente.
Estadão — Como o sr. avaliou a repercussão?
Joaquim Barbosa — Eu ainda estou digerindo.
Estadão — O réu José Dirceu afirmou que o julgamento está sob suspeição. Como avalia essa declaração?
Joaquim Barbosa — Os réus usam os argumentos que têm a seu alcance. Isso faz parte do jogo. Em alguns pontos, a denúncia do procurador Antonio Fernando de Souza precisa de mais provas, como no caso de Dirceu… Não posso dizer. Eu até agora examinei os indícios. Acabou a entrevista.
Estadão — Mas, ministro, como repercutiu entre as pessoas a sua decisão?
Joaquim Barbosa — A novidade de tudo isso é que o cidadão comum, as pessoas, nas ruas, compreenderam. Isso é gratificante, muito gratificante.
Publicada na Revista Consultor Jurídico, 2 de setembro de 2007   http://www.conjur.com.br/2007-set-02/joaquim_barbosa_entrevista_conquistou_publico Originalmente publicada no Jornal O Estado de São Paulo, 2 de setembro de 2007 http://acervo.estadao.com.br/pagina/#!/20070902-41592-nac-12-pol-a12-not
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A fortuna de Lula de acordo com a Forbes!

Texto que circula pela web afirma que o ex-presidente Lula estaria na lista dos 200 homens mais ricos do mundo. Mas será que a notícia é real? Veja o que descobrimos!
Circulando pela web desde maio de 2012, um texto ronda nossas caixas de entrada e revela o que seria um escândalo: o nosso ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou na lista dos homens mais ricos do mundo e isso teria sido publicado pela revista Forbes – uma das mais conceituadas do mundo!
Ainda, de acordo com o texto, Lula teria acumulado uma fortuna de “R$ 2 bilhões de dólares” e o artigo vem acompanhado da capa da revista:
Lula na capa da Forbes!
Lula na capa da Forbes! Será?

Será que isso é verdadeiro ou farsa?

É farsa!
O Texto possui todas aquelas características que já mostramos diversas vezes aqui no E-farsas:
  • Não possui data. Dessa forma, o leitor pode achar que o fato ocorreu há pouco tempo;
  • É contraditório e confuso nos dados;
  • Não cita as fontes ou cria fontes inexistentes;
  • Trata de um assunto que interessa a muitos leitores;
  • Possui tom alarmista e conspiratório;

Breve análise

Pra começar, vamos tentar encontrar quem começou com essa história.  Ao que parece, muita gente copiou o mesmo texto de uma única fonte. Um blog deve ter criado a história e repassado adiante.
Num pequeno trecho do texto, o autor afirma que:
Conforme amplamente noticiado em algumas ocasiões uma conceituada revista – a Forbes – trouxe à tona esse tema, reputando a Lula a posse de uma fortuna pessoal estimada em mais de R$ 2 bilhões de dólares, devendo-se ressaltar que a primeira denúncia ocorreu ao que tudo indica em 2006 [...]
A principal pergunta que surge é: quando e quem denunciou o que?
Quando foi “amplamente” noticiado?
O texto é muito vago e não prova muita coisa. Por exemplo, quando a revista teria publicado isso? Não se sabe. O autor do “artigo” afirma que os dados foram tirados da revista Forbes. Infelizmente, não é citada a edição na qual a informação teria sido publicada!
No site da Forbes podemos pesquisar na relação dos homens mais ricos do mundo , como imaginávamos, não há nenhuma menção ao Luiz Inácio.
Buscando apenas por brasileiros, encontramos 36 bilionários nas revista Forbes em 2012, também não há o nome do ex-presidente.
Se a publicação ocorreu em 2006, por que só agora começou a circular na web?
Nesse mesmo trecho do texto, o autor se atrapalhou com os valores e afirma que a fortuna do político é de “R$ 2 bilhões de dólares”. Não deu pra entender se Lula acumulou tanto dinheiro em reais ou em dólares.

A capa da revista

Alguns blogs postaram a capa da suposta edição da revista estampando o rosto do ex-presidente Lula. Como podemos ver no quadro abaixo, a capa foi adulterada digitalmente:
Revista Forbes - Capa real e montagem!
Revista Forbes - Capa real e montagem!
Ainda falando em montagem, alguns blogs também postaram uma suposta lista com os homens mais ricos do mundo. Como podemos ver a seguir, pela lógica, Lula deveria estar em 7° lugar.
Lista falsa mostra Lula entre os mais ricos!
Lista falsa mostra Lula entre os mais ricos!

Conclusão

História falsa! Não há nenhuma publicação na revista Forbes colocando o “Lulinha Paz e Amor” entre os homens mais ricos do mundo!

Sites citados

No E-farsas
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Entrevista o cartunista Carlos Latuff

Entrevista realizada pelo jornalista Sérgio Aguiar para o programa Globo News em Pauta no dia 30 de agosto de 2011.

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Charge online - Bessinha - # 1451

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