4 de set de 2012

Roy Orbison, o esquecido rei do cha-la-lá

O cara foi uma “sucessão de sucessos”, e muito inspirou os Beatles. Roy nasceu em 1936, um ano depois de dois contemporâneos seus, Elvis Presley e Jerry Lee Lewis, que eram de 1935. Os três podem ser considerados os pioneiros do rockabilly, o rock and roll no mundo branco estadunidense.
Aqui com Blue Angel, um cha-la-la-zão no capricho. A música foi cantada pela Isabela Rosselini, no filme do diretor David Lynch, 'Veludo Azul' (1986), onde Denis Hopper aparece balbuciando junto a letra de Blue Angel.
Aqui Only the lonely.
O rock foi um dos elementos culturais que ajudaram a dar visibilidade social ao jovem (estamos falando de anos 1940/50, coincidindo com a ascensão inexorável do fordismo). Ele - o rock - praticamente eleva a juventude à categoria de coadjuvante da cena pública, e pode-se afirmar que está na raiz daquilo que hoje constitui a chamada sociedade de massas - para o bem e para o mal.
É certo que tudo isso foi invadido e colonizado pela publicidade, como braço auxiliar (e privilegiado) da necessidade de "realização da mercadoria" (esfera do consumo), onde o valor de troca esmaga o valor de uso, gerando mais alienação e fetichismos de toda a ordem. Mas isso é outra história, bem mais complexa e cabeluda.
It's over
Oh, Pretty woman, com a participação dos jovens Bruce Springsteen, Tom Waits (piano) e Elvis Costello (que se recusa a tocar em Israel, enquanto lá estiverem instalados governos beligerantes e protofascistas).
Aqui I drove all night.
Vejam, pois, que o rock já foi revolucionário. Já foi um ponteiro indicando que caminhos (tortos) o mundo trilharia.
A arte, as manifestações artísticas em geral, aliás, têm essa propriedade, a de apontarem os esboços e os sinais (quase sempre embotados) do futuro.
É preciso estar atento à arte autêntica (excluindo portanto os Michel Teló, Paulo Coelho e lixinhos afins), nas suas múltiplas expressões (música, literatura, pintura, etc.) e buscar a interpretação das distintas gramáticas e linguagens que flutuam no real.
As novas tecnologias podem também fazer esse papel de oráculo do tempo pagão. Mas suas previsões são parciais, por que só levam em conta o mundo da objetividade e da consciência, enquanto as artes levam em consideração o homem como totalidade sensível, incluindo o nosso lado-escuro-da-lua, o inconsciente.
Aqui You got it.
Roy Kelton Orbison (1936-1988) era chamado "The Big O". No Brasil, vários baladeiros pop se inspiraram no velho Orbison, mas ocultam essa condição de filhos estéticos do Big O. Exemplos: Lulu Santos, Ritchie e o próprio Roberto Carlos, antes de virar a torta indigesta e turbo-açucarada no qual se degradou. E tem muitos outros.
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Márcio Lacerda em Pisca Lacerda

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Little Mouse Jr continua cometendo suas "ratas"...

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Resposta de Raul Pont à coluna Página 10, de ZH

(*) O texto abaixo foi enviado nesta terça-feira pelo deputado Raul Pont, presidente estadual do PT/RS, à jornalista Rosane de Oliveira, responsável pela coluna Página/10, do jornal Zero Hora. Em sua edição de hoje, a coluna classifica como “desastrada” a estratégia do PT em lançar candidaturas próprias em Porto Alegre e Caxias do Sul, ao invés de optar por uma aliança com o PC do B.
Raul Pont
A Página 10 de Zero Hora supera-se, diariamente, em subjetividade e parcialidade de seus comentários. Hoje, 4/9, aponta como “desastrada” a posição do PT em Caxias do Sul e Porto Alegre por não ter feito aliança com o PC do B e, segundo “antigos aliados” (as eternas “fontes” não identificadas), o PT “é incapaz de retribuir o apoio que recebe”.
A tese não se sustenta, pois podemos dizer o mesmo em dezenas de municípios onde não recebemos o apoio de aliados apesar de evidentes relações de força ou de pesquisas realizadas nos municípios.
A questão principal é que vivemos num sistema eleitoral de dois turnos e isso pressupõe o desejo da sociedade e dos partidos de apresentarem-se com seus programas e candidatos no maior número possível, afinal, essa é a razão de ser de um partido político. Apresentar-se por inteiro e utilizar o direito às coalizões no primeiro ou no segundo turno de acordo com suas decisões internas, democraticamente construídas.
Somos um partido que se orgulha da disputa permanentemente a hegemonia política pois essa é a essência e a razão da existência partidária. Isso é primário na teoria e na prática política.
De acordo com a avaliação e análise dos filiados em cada município, das relações de força, das relações com o Estado e o governo federal definimos uma tática eleitoral que foi seguida em todo o Estado. Disso resultou a apresentação de quase 200 candidaturas a prefeito em chapas próprias e com aliados. Em mais de 150 municípios temos a indicação de vice-prefeitos em coligações em que estamos apoiando chapas majoritárias de outros partidos.
Portanto, em que se sustenta a tese da “estratégia desastrada”? Em que se sustenta a tese de “não retribuição de apoio”? Em nada, puro subjetivismo e busca de crítica preconceituosa e dirigida para criar uma imagem negativa ao PT.
Por sinal, acima da “estratégia desastrada” está a foto com destaque da “força do Sartori” em Caxias do Sul. Sem nenhum comentário de que Simon e Rigotto discordaram da “tática”, não estão na campanha e para o PMDB entregar um “governo tão bem avaliado” para outro partifo não se constitui em nenhuma “tática desastrada”. Uma bela forma de construir um partido e hegemonia. Mas aí não interessa nem cabe nenhuma avaliação objetiva. O que importa é criticar o PT apesar da insustentabilidade da tese.
No RS Urgente
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Sem saída

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Dez perguntas sobre os incêndios em favelas de SP

Mais um incêndio atingiu ontem mais uma favela da cidade de São Paulo - desta feita, as vítimas foram os moradores da Favela do Piolho, no bairro do Campo Belo, na zona sul da capital, numa área que fica próxima, bem pertinho mesmo do aeroporto de Congonhas, imponentemente encravado em região nobre da metrópole. Em 2012, foi o trigésimo segundo incêndio dessa natureza em São Paulo (média de quatro por mês); já tinham sido registrados outros 79, no ano passado. Só ontem, quase 300 casas foram destruídas e mais de mil pessoas ficaram desabrigadas. Não tenho, confesso, condições de fazer afirmações. Mas, como sugeria e ensinava o filósofo grego Sócrates, ao reconhecer que "só sei que nada sei", posso fazer perguntas. Questionar não ofende. E ajuda a pensar. Minhas dúvidas:
1) Será que a Prefeitura de São Paulo nos considera mesmo tolinhos e imagina que vamos acreditar, num exercício de fé profunda, que os incêndios são apenas coincidências, lamentáveis tragédias?
2) Incêndios em favelas nessa quantidade acontecem em alguma outra cidade do planeta? Ou São Paulo é um foco isolado, um ponto fora da curva, uma "metrópole incendiária exclusiva"?
3) Será que apenas os moradores de favelas não sabem acender o gás ou riscar um fósforo, não sabem lidar com o fogo?
4) Por que essa mesma quantidade de incêndios não acontece em condomínios de luxo dos bairros nobres da cidade?
5) Por que a Prefeitura paulistana, à época da administração de José Serra, desativou o Programa de Segurança contra Incêndio, implantado durante a gestão da prefeita Marta Suplicy e que tinha como propósito justamente desenvolver ações de prevenção e orientação especificamente em favelas? E por que o atual prefeito, Gilberto Kassab, não retomou o programa?
6) Por que os bombeiros e as demais autoridades públicas responsáveis pelas investigações não conseguem explicar ou definir as causas e os responsáveis pelos incêndios, com os laudos finais invariavelmente apontando para "motivos indeterminados"?
7) Será que o que de fato move esses incêndios é uma deliberada política de higienização e limpeza social, destinada a expulsar os moradores das favelas, que "enfeiam as paisagens", para aproveitar os terrenos finalmente "limpos" para a especulação imobiliária, tornando assim a fotografia da capital "mais bela e atraente"?
8) Por que nenhum jornal de referência e de grande circulação faz as perguntas que devem ser feitas, com intuito de construir a melhor versão possível da realidade?
9) Por que os repórteres de emissoras de rádio e de TV que transmitem informações ao vivo sobre os incêndios (incluindo os repórteres aéreos) parecem sempre mais preocupados com os reflexos dos incêndios sobre o trânsito, em apontar rotas alternativas para os motoristas, do que em dedicar atenção às vítimas das tragédias (muitas fatais) ou à destruição de casas e de sonhos?
10) Por que nos acostumamos aos incêndios nas favelas e passamos a considerá-los algo "natural, normal", como se já fizessem parte da paisagem urbana e do cotidiano da metrópole, aceitando resignadamente a banalização da tragédia e da violência? Em que lugar do passado ficou perdida nossa capacidade de indignação e de reação?
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Cidinha Campos x Marcelo Freixo

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Até quando o futuro pode esperar?

O artigo deste domingo de FHC no 'Estadão' é uma das excrescências mórbidas de que falava o italiano comunista Antonio Gramsci. Morto em 1937, ele ensinou: o que caracteriza uma crise é justamente o fato de que 'o velho já morreu e o que é verdadeiramente novo não consegue nascer; nesse interregno, aparecem toda uma série de sintomas mórbidos”.
Que poderia haver de mais sintomaticamente mórbido nesse arrastado colapso neoliberal do que um ex-presidente tucano vir a público pontificar lições de ética, finanças e desenvolvimento tendo como régua e compasso o governo e o credo que o ralo da história digere há quatro anos?
FHC, Serra e outros valem-se do limbo pegajoso dos dias que correm para insistir em políticas e agendas condenadas, mas ainda não substituídas no plano mundial - o que dificulta a sua ruptura definitiva também no Brasil.
Debater com FHC nesse ambiente movediço traz a angústia das reiterações inúteis. 'O velho já morreu', dizia Gramsci.
Mas o novo não consegue nascer.
A quebra do banco Lehamn Brothers completa 4 anos no próximo dia 15. A falência do 4º banco de investimento dos EUA rompeu o sistema financeiro mundial e desencadeou a deriva da qual somos passageiros desde 2008.
Sugestivamente, nesta 3ª feira de setembro, começa também a convenção do Partido democrata nos EUA, da qual Obama sairá candidato à releição.
Visto como esperança de recomeço no terremoto de 2008, o democrata tornou-se ele também um ponto dentro da curva. Mais tragável que o antecessor ou o adversário, sem dúvida. Mas a nicotina mentolada de que é feito provou-se insuficiente para arejar o quadro asifixiante da maior crise capitalista desde 1929.
2008 não encontrou seu Roosevelt. E parece cada vez mais improvável que encontre um new New Deal capaz de afrontá-lo a partir do centro rico.
George Soros, o megaespeculador de cuja argúcia não se deve duvidar, declarou em recente entrevista ao El País que teme pelo desfecho político da deterioração em marcha. Sobretudo na Europa, coalhada de governos histericamente ortodoxos.
Profundamente pessimista com o futuro do euro, vítima da incapacidade alemã de assumir-se como um 'Roosevelt na UE', Soros, a 20ª maior fortuna do planeta, inquieta-se com os fantasmas que povoam seu ângulo de visão privilegiado. Um pouco como aconteceu depois da Depressão de 29, ele adverte, o salve-se quem puder será entremeado de nacionalismos econômicos e totalitarismo político.
A margem de manobra se estreita de uma ponta a outra do impasse.
O extremismo mercadista dobrou a aposta neoliberal na sua versão arrocho. O resultado desespera eleitores que se voltaram à direita desde 2008.Espanha, Portugal, Itália, Grécia etc fazem água e desemprego por todos os lados. Ninguém leva a sério 'os esforços' do direitista Rajoy para esfolar a Espanha até o osso, em troca de maior confiança dos mercados. Os mercados tiraram mais de 240 bi de euros da economia espanhola só no primeiro semestre deste ano.
Não é exatamente convidativo, tampouco, o horizonte de forças que se opõem à razia conservadora, mas o fazem na margem, sem afrontar o cuore da austeridade suicida.
O liquidificador dos interesses contrariados e das expectativas insatisfeitas tende a moe-los com virulência até superior à mastigação lenta dedicada às administrações direitistas.
Na França,o socialista recém-eleito François Hollande vê o seu espaço de governo estreitar-se sob duplo torniquete: de um lado, a voz rouca de 3 milhões de desempregados; de outro, pressões do bureau do euro para cortar 33 bilhões de euros do orçamento público.
O ambiente é cada vez mais abafado na sala VIP do mundo. Mas a brisa da esperança que sopra da América Latina tampouco exibe vigor, por enquanto, para fixar uma nova rota de longo curso, à margem do engessamento neoliberal.
A AL - Brasil à frente - logrou em pleno colapso preservar baixas taxas de pobreza e desemprego, com alguma retomada de investimento.
Havia a expectativa de que o vendaval da crise pudesse amainar mais depressa devolvendo fôlego a essa travessia lenta e gradual, feita de redistribuição do crescimento com maior convergência de direitos e oportunidades.
A visibilidade dessa zona de conforto político torna-se a cada dia mais opaca.
Tudo indica que os avanços sociais tendem a se tornar mais difíceis. Sobretudo porque, após vitórias significativas contra a pobreza, ir além implica afrontar a desigualdade. Essa requer mudanças estruturais na alocação do estoque da riqueza existente para ser alterada (seja na esfera fundiária, urbana, patrimonial ou financeira).
Não é um mantra ideológico. Que ninguém se iluda com fábulas amenas de retorno a um mundo de desconcentração financeira amigável à produção e ao desenvolvimento. Regulação não significa diluição, mas sim subordinação do capital financeiro aos desígnios da sociedade e seu retorno ao papel de alavanca da produção.
A concentração de capitais, a formação de grandes fundos de recursos, é um traço intrínsec à dinâmica capitalista. Num certo sentido é também uma necessidade da escala de financiamento requerida pelas demandas por infraestrutura, planos de universalização de serviços e direitos, ademais da reordenação ambiental.
Essa agregação de grandes volumes de recursos terá que ser feita por alguém. O colapso neoliberal mostra para onde a coisa caminha quando os mercados ficam livres e capturam o crédito, o financiamento e o juro para estrepulias especulativas dissociadas do circuito da produção.
A alternativa com capacidade para fazê-lo de maneira socialmente democrática é o Estado.
O prolongamento da crise exige que ele ocupe espaços crescentes na economia. Sem esse salto político será impossível comandar a retomada do crescimento e colocar os mercados e a serviço da sociedade.
Não se cumpre esse papel indutor e planejador sem fundos públicos em escala correspondente.
A carga fiscal média vigente na AL, de 18% a 19%, trava esse passo. (Dados da CEPAL, "Mudança Estrutural para a Igualdade: Uma Visão Integrada do Desenvolvimento").
Na Europa e na América Latina, incluindo-se o caso específico do Brasil, a alavanca fiscal emperrada reflete um flanco mais grave: o desarmamento político das forças sociais que deveriam assumir a tarefa de acionar o papel hegemônico da iniciativa pública. Ou seja, erguer as linhas de passagem para equacionar a crise com uma socialização democrática dos recursos disponíveis.
É o cerne do impasse de que fala Gramasci.
A questão que se coloca aos partidos progressistas é de urgência transparente: quanto tempo o futuro ainda pode esperar antes que manifestações mórbidas, como a de FHC, tentem se impor à sociedade com sua agenda zumbi? A ver.
Saul Leblon
No Carta Maior
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Folha mente para assumir posição a favor da direita venezuelana

A edição desta terça-feira (4) do jornal Folha de S. Paulo traz um editorial em que o diário da grande burguesia paulistana mais uma vez demonstra seu indisfarçável engajamento na campanha presidencial venezuelana ao lado do candidato das forças reacionárias e imperialistas, Henrique Capriles Radonski.
Ninguém pode reprovar que o jornalão da familia Frias assuma seu campo político nas batalhas em curso na América Latina. A sua neutralidade sempre foi uma fachada e a Folha não falha quando trata de expressar nitidamente seu papel como propagandista do neoliberalismo e do conservadorismo.
É uma questão de ideologia e linha política, determinantes das posições que o jornal assume sobre as questões de fundo, tanto no quadro nacional como no mundial. Para a luta de ideias isto não deixa de ser bom. Nada como fazer uma luta em campo aberto, com as posições claramente definidas, os contendores frente a frente atuando sem tergiversações.
Mas quando a posição do diário, além do reacionarismo, caracteriza-se também pela mentira, ofende não só os seus adversários mas os leitores em geral.
O editorial desta terça-feira incorre em semelhante prática, quando afirma que “Chávez ameaça”. Isto porque o presidente da República Bolivariana da Venezuela e candidato da pátria à reeleição, Hugo Chávez, alertou para a crise política, econômica e social no país caso o candidato apátrida, Henrique Capriles Radonski, vencesse as eleições de 7 de outubro próximo. Poderíamos acrescentar: a crise se estenderia a toda a região, pois uma vitória da direita na Venezuela abriria caminho a uma maior ingerência do imperialismo estadunidense sobre uma América Latina que tem infligido a essa potência contundentes derrotas políticas.
A Folha viu no alerta do líder bolivariano uma “ameaça mal dissimulada” à democracia e acusa o presidente de “demonizar a oposição”.
Contudo, o que fez o presidente venezuelano, em campanha pela reeleição, foi um apelo à luta, que tem todo o sentido e nada tem a ver com ameaças antidemocráticas.
Ele alertou para a essência entreguista e antipopular das propostas do candidato da direita e para seu comportamento hipócrita, pois em campanha, em público, diz uma coisa, enquanto mantém um programa secreto que fala de acabar com o "nacionalismo" petroleiro e desmontar o sistema de subsídios estatais à construção de habitações e ao incremento dos serviços básicos.
O presidente tem alertado também que o pacote do candidato da oposição seria um conjunto de medidas econômicas pior que a chamada grande viragem de Carlos Andrés Pérez e que gerou grande descontentamento social no país. Um pacote, na opínião do mandatário, que se inscreve no neoliberalismo mais selvagem e tangencia o fascismo, pois só se pode impor através de governos tirânicos altamente repressivos.
A campanha de Chávez tem ainda desmascarado o adversario Henrique Capriles Radonski, como portador de um discurso semelhante ao que fazia Manuel Rosales, o ex-candidato que foi derrotado nas eleições de seis anos atrás e hoje é um fugitivo da justiça.
Em contraposição com tais programas, pacotes e discursos, Chávez apresenta o seu programa patriótico e socialista, para assegurar a soberania nacional, a integração latino-americana, o desenvolvimento nacional e o progresso social.
Quanto às ameaças antidemocráticas, estas provêm do candidato apoiado pela Folha e de toda a sua entourage nacional e internacional, ao atacar o Conselho Nacional Eleitoral, titular legítimo e constitucional do Poder Eleitoral, e fabricar pretextos para não reconhecer os resultados do pleito de 7 de outubro.
Como se vê, a pouco mais de um mês da eleição presidencial na Venezuela, o país e toda a América Latina se encontram em face de uma disjuntiva – a manutenção do rumo progressista aberto pela Revolução Bolivariana ou o retrocesso para o entreguismo e o conservadorismo.
Uma nota final sobre o editorial da Folha. O texto termina fazendo um apelo ao Brasil e demais membros do Mercosul a refutarem “qualquer desvio da normalidade democrática” na Venezuela. A preocupação é vã. Todo o proceso eleitoral venezuelano é conduzido por um Poder Eleitoral constitucionalmente independente. O país tem um sólido sistema democrático cada vez mais baseado em mecanismos de participação da população e de exercício do poder popular.
José Reinaldo Carvalho
No Vermelho
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O "fracasso" de Lula ao escolher Haddad

Qual a diferença entre burocratas e inovadores? Os primeiros se baseiam em pesquisas para saber o que os consumidores querem. Os segundos se baseiam na intuição para saber o que os consumidores irão querer. Se medíocres, produzirão fracassos; se geniais, produzirão revoluções.
É diferença fundamental. Se deixar a bola com o consumidor, ele só poderá opinar sobre o que conhece, isto é, sobre o padrão antigo. Já os  inovadores intuem o novo, correm o risco de apresentar o que o consumidor ainda não conhece. Se não conhece, como saber se aceitará o novo?
Daí a dificuldade do chamado pensamento médio em captar o alcance dos grandes lances políticos, conforme se pode conferir nas análises prévias sobre o lançamento da candidatura Fernando Haddad por Lula.

A infalível bola de cristal das(dos) jornalistas do PIG


1. Dora Kramer.
"Lula achou que pudesse descartar impunemente a senadora Marta Suplicy, aproximar-se de Gilberto Kassab ao custo do constrangimento da militância e do discurso petista, anular uma prévia reconhecida como legal no Recife, pedir bênção a Paulo Maluf, direcionar a posição de um ministro do Supremo Tribunal Federal e administrar uma comissão de inquérito ao molde de seus interesses como se não houvesse amanhã."
"Lula não é o espetacular articulador que se imagina. Apenas tinha, e agora não tem mais, todos os instrumentos de poder nas mãos, os quais utilizou com ausência total de escrúpulos."
2. Eliane Cantanhêde.
"Além de ficar "feio", a foto é uma espécie de documento não só dos erros como das derrotas de Lula ultimamente. O nosso gênio da política tem levado vários tombos: o drible de Kassab, o gol contra no jogo com Maluf, a petulância de Marta e a lição pública de Luiza Erundina."
3. Merval Pereira.
A foto que incomodou Luiza Erundina e chocou o país, do ex-presidente Lula ao lado de Paulo Maluf para fechar um acordo político de apoio ao candidato petista à prefeitura paulistana (o nome dele pouco importa a essa altura), é simbólica de um momento muito especial da infalibilidade política de Lula.
" O choque causado por esse movimento radical pouco importará se a vitória vier em outubro. Mas se sobrevier uma derrota, a foto nos jardins da mansão daquele que não pode sair do país porque está na lista dos mais procurados pela Interpol será a marca da decadência política de Lula, que estará então encerrando um largo ciclo político em que foi considerado insuperável na estratégia eleitoral."
4. Mãe Dinah.
Opa! Desculpe.
5. A voz dos patrões.
"O que chama a atenção é a sua confiança nos superpoderes de que se acha detentor, graças aos quais, imagina, conseguirá dar a volta por cima na hora da verdade, elegendo Haddad e sufocando a memória da indecência a que se submeteu. Não parece passar por sua cabeça que um número talvez decisivo de eleitores possa preferir outros candidatos, não pelo confronto de méritos com o petista, mas por repulsa à genuflexão de seu patrono perante a figura que representa o que a política brasileira tem de pior."
Confirma, em primeiro lugar, o mau estado em que se encontram os tão proclamados instintos políticos do chefe petista. Seu senso de onipotência, alimentado pela criação vitoriosa de uma candidata quase desconhecida à sua própria sucessão, terá provavelmente feito com que desprezasse os riscos dessa excursão fotográfica.
* * *
E quando o futuro chega, e o candidato-cujo-nome-não-importa ultrapassa, nas intenções de voto, o supercandidato eterno de 43 milhões de votos, um mês antes da eleição...
"A propósito, o tracking diário feito pelo PT – ou seja, a pesquisa eleitoral telefônica da campanha – mostrou hoje,pela primeira vez, Fernando Haddad à frente de José Serra. Celso Russomanno continua inabalável na liderança. Aos números: Haddad, 18%; Serra, 16%; e Russomanno, 31%.
"Até quinta-feira, nova pesquisa do Datafolha comprovará ou não essa ultrapassagem – ainda dentro da margem de erro.
Por Lauro Jardim"
... bem, muda-se de opinião.
"Muita água ainda vai rolar na eleição e convém resistir ao "adivinhômetro", mas já há constatações. Uma é que o abraço em Paulo Maluf fez muito menos mal a Haddad do que a aliança com Gilberto Kassab está fazendo a Serra. Outra é que Haddad é muito forte tanto para ser prefeito quanto para ser uma volta por cima do PT."
O Escritor
No Advivo
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FHC: A inveja é uma merda!

O ex-presidente FHC já deve ter se arrependido do artigo que publicou nos jornais O Globo e Estadão no último domingo. Tanto é que ele sumiu do mapa. “A Folha não conseguiu falar com FHC”, lamenta hoje o jornal tucano. Na sua defesa, apenas o jagunço que preside o PSDB, o Sérgio Guerra, e alguns servos da mídia – como Ricardo Noblat, Merval Pereira e o pitbull da Veja. José Serra, que despenca nas pesquisas, já deve estar achando que o “amigo” FHC escreveu as suas bravatas apenas para prejudicá-lo na eleição.
A resposta mais contundente ao artigo partiu da presidenta Dilma Rousseff. Em nota oficial, ela defendeu a “herança bendita” de Lula e esculhambou FHC, acusando-o de reescrever a história com “ressentimento”. “Não recebi um país sob a intervenção do FMI ou sob a ameaça de apagão”, fustigou, lembrando a herança maldita de FHC. Ela enfatizou também que Lula “não caiu na tentação de uma mudança constitucional que o beneficiasse”, outra bordoada, relembrando a compra de votos para a reeleição do grão-tucano.
Dilma e o fim do "namorico"
A dura resposta de Dilma até surpreendeu. Afinal, ela vinha mantendo uma relação amigável com o pavão do PSDB. Chegou a convidá-lo para jantar no Palácio do Planalto e enviou uma carta bajuladora no seu aniversário de 80 anos, confundido civilidade com conciliação. Talvez ela tenha se iludido com FHC que, como diz Luis Nassif, nunca abandonou a sua “síndrome de escorpião”. Quem sabe agora a presidenta também desperte diante de outros escorpiões e rompa de vez o seu “namorico com a mídia” – como já ironizou Lula.
Mas a contundência de Dilma é plenamente justificável. O artigo de FHC é realmente um horror, carregado de inveja e ressentimento. Caso não respondesse à altura, ia parecer que a presidenta sucumbira à manobra rasteira da oposição demotucana e da sua mídia venal, que tentam cravar uma cunha entre Dilma e Lula para estimular a cizânia. “A presidenta Dilma Rousseff recebeu uma herança pesada de seu antecessor”, afirma FHC já na abertura do seu texto, apostando exatamente nesta divisão.
Um comparativo entre FHC e Lula
Quanto ao mérito do artigo, ele é patético. O tucano pinta um quadro mentiroso sobre o governo de Lula em várias áreas. Parece até que a atual presidenta herdou um país quebrado, rumo ao colapso. Egocêntrico e narcisista, FHC não se olha no espelho! Um rápido comparativo demonstra que seu reinado é que foi um desastre completo. O povo sabe disto. Tanto que ele saiu do Planalto com a popularidade no ralo e Lula transmitiu a faixa presidencial com aprovação de mais de 80%. Mesmo assim, vale relembrar alguns dados:
Economia
Salário Mínimo – Passou de R$ 200,00, em 2002, para R$ 510,00, em 2010. Na comparação com o dólar, subiu de US$ 81 para US$ 288 no período. O poder de compra do mínimo subiu de 1,4 cestas básicas, em janeiro de 2003, para 2,4 cestas básicas em julho de 2010.
Emprego Formal – O governo Lula gerou 14,7 milhões de empregos (2003-2010), enquanto o reinado de FHC (1995-2002) criou apenas 5 milhões de empregos.
Taxa de desemprego – Em 2002, ela era 9,2%. Em setembro de 2010, baixou para 6,2%, a menor taxa desde o início da medição pelo IBGE.
Inflação – Baixou de 12,53% ao ano, em 2002, para 4,31% em 2009.
Exportações – Subiram de US$ 60,3 bilhões, em 2002, para US$ 152,9 bilhões em 2009.
Reservas internacionais – Passaram de US$ 38 bilhões em 2002 para US$ 275 bilhões em 2010.
Dívida com o FMI – FHC entregou ao governo com uma dívida acumulada de US$ 20,8 bilhões, em 2002. Lula quitou toda a dívida em 2005, e, hoje, é credor externo, tendo emprestado US$ 10 bilhões ao FMI em 2009.
Investimento Público - A taxa de investimento passou de 1,4% do PIB, em 2003, para 3,2% do PIB (abril de 2010).
Risco Brasil – Teve um pico de 1.439 pontos em 2002. No governo Lula, ela baixou para 206 pontos em setembro de 2010.
Desenvolvimento Social
Estrutura social – Em 2002, 44,7% da população tinha renda per capita mensal de até meio salário mínimo. Em 2009, o índice havia caído para 29,7%, o que significa que 27,9 milhões de pessoas superaram a pobreza entre 2003 e 2009.
Programas de transferência de renda – A soma de todos os programas de FHC totalizou R$ 2,3 bilhões, em 2002. Já o Bolsa Família, em 2010, destinou R$ 14,7 bilhões para as famílias mais carentes.
Saúde
Desnutrição infantil ­– Caiu de 12,5%, em 2003, para 4,8% em 2008.
Taxa de mortalidade infantil – Caiu de 24,3 mortes por mil nascidos vivos, em 2002, para 19,3 por mil em 2007.
Saúde da Família – Em 2002, 4.163 municípios eram atendidos por 16.734 equipes. Já em 2010, 5.275 municípios são atendidos por 31.500 equipes.
Agentes comunitários de saúde – Eram 175.463 agentes em 5.076 municípios em 2002. Hoje, são 243.022 agentes em 5.364 municípios.
SAMU 192 – Hoje, 1.437 municípios são atendidos pelo SAMU, que não existia antes do reinado de FHC. São 1.956 ambulâncias que percorrem o Brasil atendendo casos de urgência.
Assistência farmacêutica – Os recursos do Ministério da Saúde destinados à distribuição de medicamentos no SUS passaram de R$ 660 milhões, em 2002, para R$ 2,36 bilhões em 2010.
Educação
Analfabetismo – A taxa de analfabetismo no Brasil caiu de 11,9% da população, em 2002, para 9,6% em 2009.
Ensino Técnico – O número de escolas técnicas cresceu duas vezes e meia no governo Lula. No final de 2010, já existiam 214 novas escolas. FHC só construiu 11 escolas técnicas.
Prouni – Garantiu acesso à faculdade para 748,7 mil jovens de baixa renda. Com FHC, o programa não existia.
Universidades Federais – Lula criou 15 novas universidades e inaugurou 124 novos campi, a maioria pelo interior do país. FHC, o príncipe da Sorbonne, criou apenas uma universidade.
Matrículas no ensino superior – o número de matrículas no ensino superior cresceu 63% entre 2003 e 2009, passando de 3,94 milhões para 6,44 milhões.
Política urbana
Investimentos em habitação – Os recursos aplicados no setor foram R$ 7 bilhões em 2002. Em 2009, foram R$ 63,3 bilhões.
Minha Casa, Minha Vida – O governo Lula criou o Minha Casa, Minha Vida, com a meta de construção de um milhão de moradias. FHC nunca investiu em programas de habitação popular.
No artigo, o rejeitado FHC também critica a “crise moral” herdada do governo Lula e, aproveitando a onda midiática, cita o badalado “mensalão”. Sobre corrupção, o ex-presidente não tem qualquer moral para dar lições. Para não cansar o leitor, sugiro a leitura do texto "Os crimes de FHC serão punidos", que apresenta uma longa lista de escândalos do seu triste reinado. Em síntese, um rápido balanço confirma as palavras de Dilma. O tucano tentou reescrever a história com “ressentimento”. Ou como diz o ditado popular: a inveja é uma merda! 
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Onde andam os corruptores?

Quando se encerra parte do julgamento do chamado mensalão em que a maioria dos Ministros do Supremo Tribunal Federal considerou os acusados culpados, entre outros crimes, pelo desvio de dinheiro público, a pergunta que não quer calar é:  quando a opinião pública será informada sobre a punição dos corruptores? Por enquanto só foram incriminados os intermediários acusados de corrupção das mais variadas espécies, como Valério e outros, inclusive os funcionários do Banco Rural. João Paulo Cunha mandou a mulher pegar 50 mil reais no caixa e assim sucessivamente.
A mídia de mercado, que antes mesmo da decisão dos Ministros já havia condenado os acusados, não tem o mesmo interesse em apontar os corruptores, os grupos que sai ano entra ano, sai governo entra governo estão ditando regras e se locupletando, mas geralmente não são punidos. Fazem parte da rotina do sistema.
Na CPMI que apura os vínculos de Carlos Cachoeira com o mundo político, grupos econômicos e da mídia de mercado, como a revista Veja, são poupados. Nem mesmo evidências como as apontadas em gravações comprovando estreitos vínculos de Cachoeira com o jornalista Policarpo Júnior, diretor da revista Veja, têm força suficiente para que os parlamentares decidam convocá-lo, e ao poderoso chefão do grupo Abril, Roberto Civita, para esclarecer fatos.
A Construtora Delta tem maior raio de ação no Rio de Janeiro, mas os representantes do povo não convocaram, pelo menos por enquanto, o Governador Sergio Cabral e mesmo o Prefeito Eduardo Paes para prestar esclarecimentos sobre fortes indícios de condutas irregulares envolvendo o Poder Público. Há poucas cobranças nesse sentido, para falar a verdade, quase nenhuma.
Por estas e muitas outras, não basta apenas condenar os acusados de práticas de corrupção e deixar os corruptores de fora. Provavelmente, aproveitando a visível euforia pelas decisões dos Ministros do STF, os meios de comunicação de mercado continuem deliberadamente a ignorar os corruptores.
Nessa rotina, não será nenhuma surpresa se daqui a pouco surgirem, ou se já não surgiram, novas Deltas e demais corruptores com outros nomes, que contarão com o silêncio de sempre.
Não é preciso nenhuma bola de cristal para prever o surgimento de mais esquemas mafiosos envolvendo não apenas cidadãos acima de qualquer suspeita como corruptores das mais variadas espécies.
Em suma: tudo bem quanto a condenar corruptos, mas os corruptos só existem porque corruptores mafiosos agem há muitos e muitos anos, e seguem impunes, mesmo com o acompanhamento dos fatos pela opinião pública.
Há também quadrilhas mafiosas agindo nas mais variadas esferas e contando com a impunidade que lhes proporciona o próprio sistema do capital.
Enquanto isso, no Centro de Pesquisa da Petrobrás (Cenpes), três trabalhadores de uma empresa que presta serviços à estatal petrolífera foram retirados do trabalho em um camburão e processados criminalmente, segundo informa a Agência Petroleira de Notícias. Um deles, Cláudio Charles Gonçalves, de 33 anos, está preso na 54º DP, em Belford Roxo e já estava para ser transferido ao presídio de Bangu.
E sabem os leitores o motivo das prisões? De tentarem levar para casa um frango jogado no lixo. Eles prestavam serviços à firma Ultraserve, contratada pela Petrobrás e responsável por servir as refeições no restaurante do Cenpes.
Tal fato confirma uma coisa, a de que de um modo geral só os pobres são punidos, mesmo que tenham eventualmente roubado galinhas ou se apropriado de produtos recolhidos do lixo, como aconteceu com os três trabalhadores mencionados, mas empresas que cometem irregularidades ou os corruptores são poupados.
A propósito de trabalhadores, no Estado de Tocantins, a Superintendência Regional de Trabalho e Emprego libertou nestes dias 56 pessoas de condições análogas à escravidão da Fazenda Água Amarela, em Araguatins . A área reflorestada de eucaliptos, que também abrigava 99 fornos de carvão vegetal, estava sendo explorada pela RPC Energética.
De acordo com apurações da fiscalização trabalhista, ainda que registrada em nome de um "laranja", a empresa pertence a Paulo Alexandre Bernardes da Silva Júnior e André Luiz de Castro Abreu, irmão da senadora Kátia Abreu (PSD-TO), liderança ruralista que também é presidente da Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
Pois é, a senadora volta e meia discursa em defesa dos ruralistas, que ela representa no Congresso, e faz ameaças no caso de o Código Florestal não for promulgado de acordo com os interesses dos grupos fundiários por ela defendidos.
E no Rio de Janeiro, o candidato a vereador e ex-prefeito Cesar Maia, o ator Victor Fasano, a ex-presidente da Fundação Riozoo, Anita Carolina Levy Barra, o ex-secretário de Meio Ambiente do Rio,  Ayrton Xerez e o Criadouro de Aves Tropicus terão que devolver aos cofres públicos um total de R$ 520 mil. Eles foram condenados por ato de improbidade administrativa pela juíza Maria Paula Gouvea Galhardo, da 4ª Vara da Fazenda Pública da capital.
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Antes tarde do que nunca!  O coronel reformado Sebastião Moura, conhecido como major Curió, e o major da reserva Lucio Augusto Maciel foram denunciados pela Justiça do Pará por crimes de sequestro de guerrilheiros do Araguaia cometidos na época da ditadura. Os dois acusados pelo Ministério Público terão de responder por escrito às acusações.
A decisão da Justiça paraense demonstra também que crimes da natureza de que são acusados os referidos militares não prescrevem. Espera-se que desta vez a ação judicial chegue mesmo até o fim.
Mário Augusto Jakobskind
No Direto da Redação
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FHC ataca Lula e é atacado por Dilma

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Sujo, mas nem tanto

Esta semana tive o privilégio de jantar com dois colegas de profissão que se tornaram amigos. E todos sabemos que amigo é aquele que pode não concordar com nada do que você diga, mas será capaz de continuar te aturando mesmo assim.
A certa altura da conversa, um deles decidiu com muita franqueza tecer críticas ao trabalho de nós dois outros, que chamou de grupo dos blogueiros sujos. Disse que nosso trabalho tem estado muito chato e que é fácil ficar sentado de frente à tela do computador escrevendo o que vem à cabeça.
Também criticou a maneira como passamos boa parte do tempo um replicando o outro sem que tenhamos disposição para "tirar a bunda da cadeira" e fazer reportagem, ir para as ruas ouvir as pessoas. O resultado é que, com esta atitude, estaríamos nos distanciando no público.
Esta última afirmação não se sustenta com números. A frequência dos ditos "sujos" não para de aumentar mês a mês. Pelo menos foi o que ambos pudemos comprovar à priori.
Mas nossa primeira reação, claro, foi apresentar argumentos em nossa defesa. Primeiro, não escrevemos para o grande público. Isso já fazem os meios de comunicação de massa acrítica. Segundo, não temos o blog como ganha-pão, portanto, quando "tiramos a bunda da cadeira" é para fazer a atividade que nos sustenta.
Depois, explicamos um pouco a natureza horizontal do nosso trabalho. O fato de replicarmos um ao outro tem sua lógica. É assim que reforçamos nossas teses, criamos um sentimento de grupo, alinhamos argumentos e disputamos espaço com os formadores de opinião gigantes.
Para quem acompanha a par e passo nosso trabalho, como é o caso deste crítico colega, admito que às vezes é meio chato mesmo, principalmente quando o mesmo tema se repete em vários espaços simultaneamente.
Escrever o que vem à cabeça pode não ser reportagem, como ele tanto gosta, mas para quem viveu uma história rica em grandes redações, há matéria-prima abundante para grandes histórias, com personagens conhecidos e críticas à maneira vil com se faz jornalismo do ponto de vista de quem já passou pela cozinha.
O outro colega à mesa fez questão de frisar também que, não fossem os chamados blogueiros sujos, principalmente a partir de 2006, talvez Serra ainda estivesse no páreo, Ali Kamel seguiria fazendo seu mau jornalismo incólume e a turminha que aparelhou a Veja, a Folha e outros estaria nadando de braçadas.
Hoje, não é mais assim, ressaltou o colega. Exercemos uma vigilância e, em muitos casos, pautamos a grande imprensa. Aqui fui obrigado a concordar. Mas não me eximi de fazer uma autocrítica. Desde então, tenho pensado muito no meu papel e acho que, se ele que é amigo, não gosta de algumas coisas, quiçá os não tão amigos, ou não tão francos, ou mesmo os inimigos.
Claro que não dá para escrever visando alcançar "inimigos" (entendendo-se por inimigos aqueles que estão em outro campo político e ideológico), mas se não dá para alcançar, talvez ao menos tolerar.
Afinal, não é a tolerância o caminho permanente para o diálogo, Thomaz? E para um humanista e pacifista como eu deixa de ser caminho, para virar obrigação. Portanto, ainda que esteja alinhado aos "sujos", vou ter que aumentar a frequência do banho.
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Colômbia: a paz difícil e quase tardia

Mais uma vez, nestas últimas décadas, as duas Colômbias se encontram, para a busca da paz. O país andino e amazônico carrega dura e emocionante história, no confronto secular entre os brancos, ricos e de alma européia, e seu povo, quase todo mestiço, de face acobreada, seja pela origem amazônica ou pelas alturas frias da grande cordilheira. Até hoje, tantos séculos de história, não foi possível fundir em um só caráter as duas etnias principais, a dos autóctones e a de origem européia. Elas, ao longo da formação do país, tornaram-se classes sociais. A maioria absoluta é constituída dos pobres mestiços. Os mestiços acompanham uma ou outra visão de mundo.
As Farc, queiram ou não os políticos e intelectuais que têm dirigido o país, são a Colômbia predominantemente mestiça e pobre. A outra Colômbia é senhora das terras médias em que se produz o café – de excelente qualidade – e dos outros recursos nacionais. Grande parte dessa elite participa hoje da principal riqueza exportável da Colômbia, a das drogas. A maconha, que foi a primeira delas, tem hoje participação marginal no comércio ilegal. A cocaína continua sendo o principal produto, tendo superado, segundo as estimativas, a receita da venda ao exterior do café – mas a heroína, refinada do ópio extraído da papoula, começa a crescer em importância econômica.
Em 1946, com a vitória dos conservadores, iniciou-se a caçada aos liberais, acusados de violência contra os conservadores em 1930. As retaliações promovidas pelo governo encontraram a resistência de comitês liberais. Nessa época matava-se, de um lado e do outro, com “la corbata” (degolava-se parcialmente a vítima, e se puxava a língua para fora, simulando uma gravata) ou com a degola completa, “la franela”.
A situação atual, com os guerrilheiros dominando parcelas do território nacional, tem a sua raiz no famoso bogotazo de 9 de abril de 1948, quando Jorge Eliécer Gaytan, líder da ala esquerda dos liberais, foi assassinado, durante reunião da OEA em Bogotá, e sob a orientação da CIA, de acordo com algumas fontes. Os comitês de resistência organizados durante La Violencia, transformaram-se, pouco a pouco, nas Farc, que, em sua origem, nada tinham a ver com o marxismo, mas a ele aderiram no decorrer do processo.
Tudo isso – e mais as tentativas frustradas de conversações ao longo do tempo – recomendam o ceticismo nas próximas conversações em Oslo e em Havana. É nítido o interesse do governo da Colômbia e de Timoshenko, o atual comandante das Farc, em encontrar a paz. Mas, conforme o atual Procurador Geral da Colômbia, Eduardo Montalegre, a mão negra da direita sempre sabotou as anteriores negociações entre o governo e as Farc. Para lhe dar razão, oficiais militares da reserva da Colômbia divulgaram, ontem, uma proclamação de dez pontos, fazendo exigências que os guerrilheiros não podem aceitar.
A paz é difícil porque contraria grandes interesses nacionais e internacionais. A vitória militar sobre as Farc, ou delas sobre o governo, é praticamente impossível, conforme o resultado dos combates dos últimos 50 anos. Enquanto houver guerrilha, Washington continuará impondo sua vontade sobre Bogotá, os grandes traficantes continuarão dominando a economia e, de forma dissimulada, a política colombiana. Isso torna ainda mais difícil o pacto para a paz. Os que morrem, seja nas fileiras do Exército, seja nas forças revolucionárias, são apenas os pobres.
Como reconhece o presidente Santos, só a paz pode acabar com a guerra. E a paz, quando a vitória militar é improvável, só se consegue em negociações. A vitória militar de uma facção sobre a outra, se viesse a ocorrer, seria apenas uma trégua. Só o entendimento, com concessões de parte a parte, poderá levar a Colômbia a sair do alçapão histórico em que se encontra e se transformar em verdadeiro estado democrático, no qual os partidos possam alternar-se no poder, sem perseguições e retaliações.
A paz na Colômbia, que a libertará da tutela do Pentágono, é absolutamente necessária à unidade e à defesa comum da América do Sul.
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Um show de determinação do Brasil na Paralimpíada

Todo o nosso aplauso aos atletas brasileiros que com muita garra e determinação estão defendendo o Brasil na Paralimpíada de Londres. Foi um final de semana e tanto. Já estamos em 8º lugar no ranking, com 7 medalhas de ouro, 3 de prata e 3 de bronze nas modalidades da natação, do judô e do atletismo. E até o dia 9 certamente teremos novas conquistas.
Se, como eu, vocês assistiram aos jogos, puderam se emocionar com André Brasil (nos 100 metros, nado borboleta) e Daniel Dias que brilharam na natação e levaram nosso país ao pódio, com dois ouros cada (nos 50 metros livre e 200 metros livre). André também foi prata nos 200 metros medley e Daniel quebrou o recorde mundial, na sua categoria, nos 200 metros livres.
No judô, muita torcida para o Tetracampeão Paraolímpico Antônio Tenório, que conquistou o bronze. E o que dizer das nossas meninas do judô? Lúcia Teixeira levou prata na categoria até 57 kg; Michele Ferreira o bronze na de até 52 kg; e Daniele Bernardes também o bronze (62 kg).
Já no atletismo masculino tivemos a dupla surpresa de Yohansson Nascimento, que além de ouro e recordista mundial dos 200 metros (com 22s05) surpreendeu o mundo ao pedir sua companheira Thalita, em casamento, ao vivo.
E como foi bom ver Alan Fonteles, também nos 200 metros, desbancar o favorito da competição, o sul-africano Oscar Pistorius. Mais um ouro paralímpico para o Brasil.
Aplausos, também, às meninas do atletismo. Estão de parabéns Terezinha Guilhermina que conquistou o ouro com 24s84, Jerusa Santos, que nos trouxe a prata, e, claro, Jhulia Karol que por muito pouco não ficou com o bronze. Orgulho triplo para todos nós.
E os jogos paralímpicos continuam... Agora há pouco, o time de futebol 7, formado por jogadores que tiveram paralisia cerebral, derrotou o time dos EUA por 8 a zero, classificando-se para as semifinais. Mais uma promessa de ouro pela frente.
Não deixem de acompanhar. Um feito extraordinário do nosso esporte e dos atletas paralímpicos.
Uma curiosidade: desde dezembro do ano passado o Brasil passou a utilizar os termos Paralímpico-Paralimpíadas (sem a letra o de Olimpíadas), como já vinham fazendo todos os outros sete países de Língua Portuguesa. A palavra vem da contração de paraplégico + olimpíadas e assim também é na língua inglesa: paralympic = para(plegic) + (o)lympics.
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O estranho mundo de FHC

O artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre a herança do governo Lula à presidenta Dilma Rousseff não é só uma pérola do ressentimento, embora seja possível reduzi-lo quase a isso. Na verdade, antes fosse somente isso. O texto, amargo e transbordado de inveja, revela no todo um traço comum à oposição no Brasil, desde a posse do ex-metalúrgico, em 2003, e a eleição de sua sucessora, em 2010: o absoluto descolamento da realidade.
Foto: Antonio Cruz/ABr
Há muitas nuances nesse fenômeno, mas a causa central se encontra no círculo fechado no qual políticos e intelectuais oposicionistas, sobretudo do PSDB, buscam informações e trocam impressões sobre a política e a vida em geral. Esse círculo, formado pelos setores mais conservadores da mídia e seus batalhões de colunistas há muito se mostrou incapaz de retratar a diversidade  social brasileira, por incapaz de enxergá-la, compreendê-la e, por isso mesmo, reproduzi-la.
FHC é um produto direto dessa relação. Desde sua primeira candidatura, em 1994, pongado no sucesso do Plano Real, acostumou-se ao palanque seguro montado pelo baronato da imprensa brasileira, que o apoiou como um bloco inexpugnável, num movimento mais fechado até do que o apoio dado, 30 anos antes, aos militares que desfecharam o golpe de Estado de 31 de marco de1964. Os donos da mídia, claro, não se perfilaram incondicionalmente. Assim o fizeram em troca de favores e negócios, em um alinhamento ideológico de defesa do grande capital e das diretrizes de então, pautadas pelo chamado Consenso de Washington, carro-chefe da locomotiva neoliberal que iria atropelar o Brasil e a América Latina, transformando essa parte do mundo em um laboratório de produção de miséria humana, corrupção e ataque ambiental predatório.
O ex-presidente aproveitou dois momentos de fragilidade política, um do PT, outro do PSDB, para exercer sua conhecida veia oportunista que tanto o levou à Presidência, em 1994, como quase transformou o barco tucano em Titanic, em 1992, quando se tornou comandante do grupo que pretendia se agregar ao governo Fernando Collor às vésperas do impeachment. Não fosse pela sabedoria e visão política de Mário Covas, FHC teria enfiado todos pelo cano.
A fragilidade do PT, obviamente, é o julgamento do mensalão e sua escandalização diária pela mídia. Certo de que ainda conta com a blindagem do baronato que o ajudou a se eleger duas vezes, FHC é capaz de falar sobre o tema nesse tom de falso moralismo que também dá chancela aos discursos do senador Álvaro Dias, do PSDB, e permite a outro senador, Agripino Maia, do DEM, servir de fonte para jornalistas que fingem se indignar com esquemas de corrupção.
Fernando Henrique, como se sabe, foi reeleito, em 1998, graças a um esquema de compra de votos no Congresso Nacional. Esquema denunciado pela Folha de S.Paulo (mas para sempre esquecido por ela) que resultou na cassação de dois deputados, mas não trouxe consequência alguma. Na Procuradoria Geral da República estava Geraldo Brindeiro, o “engavetador-geral”, figura de proa do udenismo tucano ali mantido por oito anos, a fazer o serviço do entourage que lhe garantia o soldo.
A fragilidade do PSDB é o derretimento político-eleitoral de José Serra, a quem FHC nitidamente não suporta. Sentimento, aliás, que compartilha com o senador Aécio Neves, do PSDB de Minas Gerais. Transformado, desde as baixarias da campanha de 2010, em uma caricatura de si mesmo, Serra perdeu o resto de respeito e apoio que tinha dentro do partido, embora, curiosamente, continue encarado como tábua de salvação pela mídia nacional movida ora pela nostalgia dos tempos pré-internet, ora por um sentimento antipetista similar a uma catapora infantil. Assim, tucano travestido de fênix, FHC apoia-se nas cinzas de Serra para tentar renascer politicamente.
Faz enorme sucesso na Praça Vilaboim, em Higienópolis, e nos editoriais dos velhos jornalões de papel.
No mundo real, soa como uma piada antiga, roteiro de uma chanchada ultrapassada.
Leandro Fortes
No CartaCapital
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OTAN escraviza trabalhadores portugueses em Bruxelas

Maquete do bunker em construção
Trabalhadores imigrantes portugueses trabalham como escravos nas obras do novo e dispendioso quartel general da OTAN em Bruxelas, de acordo com a agência Lusa, relata Renato Soeiro.
As informações baseiam-se em dados divulgados pelo Sindicato português dos Trabalhadores da Construção Civil. São quase cem os trabalhadores portugueses que em obras de um edifício da OTAN em Bruxelas trabalham 14 horas por dia recebendo sete euros por hora; os seus companheiros belgas com a mesma categoria profissional e trabalhando ao seu lado, recebem um pouco mais do dobro,16 euros horários.
As instalações destinadas aos trabalhadores estrangeiros reforçam o regime de escravatura a que estão sujeitos. Os estrangeiros são acantonados em grupos de sete em dormitórios para duas pessoas, onde não têm sequer espaço para arrumar as roupas, mantidas nas bagagens tal como vieram de Portugal.
A crise do sector da construção civil em Portugal faz com que milhares de trabalhadores do sector viajem para a Bélgica de autocarro por iniciativa de "passadores" não registados que fornecem mão de obra barata e sem quaisquer direitos às grandes multinacionais da construção civil. A Aliança Atlântica, que mantém várias guerras no mundo em nome dos direitos humanos, das liberdades e da democracia, é uma das entidades que tira proveito desta forma de escravatura.
O novo quartel general da OTAN em Bruxelas, em cujas obras trabalham seres humanos nestas condições, é considerada mesmo internamente como "uma obra faraónica" avaliada um mil milhões de euros mas com os custos em disparo permanente. As despesas são pagas pelos 28 países membros, entre os quais Portugal, independentemente dos cortes para "combate à crise".
A situação tem gerado enorme polémica, por exemplo na Grã Bretanha, onde mesmo deputados da maioria governamental manifestam "frustração" com "gastos tão avultados" numa altura em que as forças armadas do país são obrigadas a restringir despesas. "Muitas sobrancelhas estão a erguer-se e o governo tem que ter a noção de que se trata de custos para os contribuintes britânicos", declarou, por seu turno, Jim Murphy, secretário "sombra" da Defesa citado pelo jornal The Daily Telegraph.
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Brasil em 31º no ranking da carga tributária 2010

 Post de 24 de setembro de 2011 

Compilei os dados da carga tributária de 183 países relativa a 2010. Muita gente precisa ver isto, principalmente os políticos da oposição e comentaristas econômicos da velha mídia.
A primeira tabela mostra a carga de impostos com relação ao Produto Interno Bruto (PIB), com dados da organização conservadora The Heritage Foundation. O Brasil ficou no 31º lugar em carga tributária. Existem 30 países com carga tributária maior que a do Brasil. Destes, 27 são países de grande desenvolvimento humano, europeus em geral.
Aí, confrontada com a realidade, a velha mídia vai dizer: "Ah, mas a população não vê o resultados dos impostos recolhidos". Para este tipo de mentalidade, preparei a segunda tabela, com os países ordenados pela arrecadação per capita. O Brasil está em 52º lugar em arrecadação per capita, recolhendo 5 vezes menos que os países desenvolvidos.
Querem nível de vida escandinavo com arrecadação de emergente? É a pobreza, estúpido!
Aí vão dizer: "A situação estaria bem melhor se não fosse a corrupção!". Será? Um estudo da Fundação Getúlio Vargas mostrou que a corrupção impacta 2% (dois por cento) de nosso PIB. Na década, o TCU apanhou 7 bilhões de reais por ano em corrupção, mas a sonegação fiscal anual atinge 200 bilhões de reais, segundo pesquisa de um instituto de estudos tributários. Por que o movimento "Cansei 2.0" não vai às ruas contra a sonegação, que é 28 vezes pior que a corrupção? Espero que se indignem 28 vezes mais...
Essa neo-UDN!
José Antonio Meira da Rocha
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Chalita desmonta o mentiroso Serra

Chalita cita Paulo Preto ao rebater crítica de Serra em debate


O candidato do PMDB à Prefeitura de São Paulo, Gabriel Chalita, iniciou o debate desta segunda-feira (3), promovido pela Folha e pela RedeTV!, com críticas à gestão de José Serra (PSDB) na prefeitura e no governo do Estado.
Ex filiado do PSDB e ex-secretário estadual de Educação, Chalita questionou o tucano sobre ter fechado escolas de tempo integral na cidade, o que o tucano negou, acusando o peemedebista de mentir.
"Eu não posso ser chamado de mentiroso, não tenho histórico", rebateu Chalita. "Quem disse que não conhecia o Paulo Preto não fui eu. Quem disse que não nomeou o Aref não fui eu. Quem disse que não sairia da prefeitura não fui eu", disse o peemdebista, que deixou o PSDB após desavenças com Serra, então governador.
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Professor Ricardo Antunes no Roda Viva

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A obsessão do jornalismo partidário


Desde que o Ibope Inteligência começou a fazer levantamentos sobre o Índice de Confiança Social (ICS), em 2009, a mídia (meios de comunicação) foi a instituição brasileira que apresentou maior queda em sua credibilidade, atrás apenas do sistema público de saúde e das escolas públicas: de 71 pontos em 2009, chegou a 67 em 2010 e atingiu 55 pontos em 2011, vale dizer, 16 pontos a menos (ver aqui).

A queda acentuada de credibilidade da grande mídia não é um fenômeno que ocorre somente no Brasil. O respeitado Pew Research Center for the People and the Press divulgou recentemente resultado de levantamento sobre a credibilidade dos treze principais grupos de mídia nos Estados Unidos: nove registraram queda importante. A média positiva, que em 2010 era de 62%, caiu para 56%. Registre-se que em 2002 o índice era de 71%, isto é, 15 pontos percentuais acima (ver aqui, neste Observatório, “Credibilidade jornalística diminuiu, revela pesquisa“).

No Brasil, as razões para a acentuada queda de credibilidade da grande mídia são várias e já tive a oportunidade de tratar da questão em outras ocasiões (ver “Pontos dos Princípios reforçam dúvidas“ e “Ética e credibilidade de uma profissão“). Entre essas razões certamente está a inconteste e fartamente documentada partidarização que passou a caracterizar o “jornalismo político” que tem sido praticado nos últimos anos.

Retomo o assunto a propósito de um episódio certamente menor, mas emblemático.

Jornalismo ou oportunismo partidário


Alguns dos principais jornalões brasileiros estamparam em sua primeira página, na sexta-feira (31/8), a fotografia da presidente Dilma Rousseff lendo a resposta de duas de suas ministras a bilhete que ela mesma lhes mandou em solenidade no Palácio do Planalto, ocorrida na véspera. A foto saiu com grande destaque nas capas de O Globo, O Estado de S.Paulo, Estado de Minas e Correio Braziliense.

As matérias e colunas relativas à foto, em sua maioria, comentavam o desencontro entre a posição da presidente e o acordo que teria sido sacramentado entre as ministras de Relações Institucionais e do Meio Ambiente e parlamentares visando a aprovação de medida provisória relativa ao polêmico Código Florestal.

Algumas dessas matérias chamaram a atenção para o uso de bilhetes entre a presidente e suas ministras, prática que já foi utilizada no passado pelos ex-presidentes Getúlio Vargas e Jânio Quadros.

O Correio Braziliense, todavia, escolheu aproveitar a ocasião para atacar o ex-presidente Lula. Na capa do jornal está escrito ao lado da foto da presidenta Dilma: “A presidente não apenas é contra a censura como, ao contrário do antecessor, lê jornais”.

Na página interna (5) que trata do assunto, um box assinado pelo editor de política com o título “Uma presidente que lê jornais” diz:
“O mais importante no bilhete é que Dilma reconhece a importância dos jornais impressos, ao contrário do que já afirmaram outros presidentes, incluindo aí o petista Luiz Inácio Lula da Silva. É preciso comemorar a leitura de Dilma”.
Um pouco à frente, prossegue o editor:

“É bom saber que temos no maior posto de comando do país alguém que utiliza informações produzidas pelos jornais impressos para cobrar resultados dos auxiliares. Um ponto a mais para a presidente.”

O alvo é o ex-presidente


No momento em que o STF realiza o julgamento da Ação Penal nº 470 sob intensa artilharia da grande mídia que tem ignorado deliberadamente a presunção constitucional de inocência desde que estourou o escândalo no primeiro governo Lula [cf. Venício A. de Lima, Mídia: Crise Política e Poder no Brasil, Editora Perseu Abramo; 2006], a utilização do episódio do bilhete para atacar o ex-presidente, inclusive insinuando – irresponsavelmente – que ele seria a favor da censura, expressa o grau de partidarização a que chegou o jornalismo político praticado pela grande mídia.

O Brasil talvez seja hoje o único país do mundo onde a oposição sistemática da grande mídia se dirige não à presidente em exercício, mas a um ex-presidente da República. E para isso, além de promover a atual presidente – que o ex-presidente fez eleger – também dela se utiliza para perpetrar os ataques.
Não é sem razão que despenca a credibilidade da grande mídia.
Venício A. de Lima, jornalista, professor aposentado da UnB e autor de, entre outros livros, Política de Comunicações: um balanço dos Governos Lula (2003-2010). Editora Publisher Brasil, 2012.
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Morre Universindo Díaz, historiador uruguaio sequestrado pela ditadura no Brasil

Desde janeiro desde ano, o ativista político fazia tratamento contra um câncer de medula
O historiador uruguaio Universindo Rodríguez Díaz, 60 anos, morreu neste domingo (02/09) em Montevidéu, vítima de um câncer na medula, descoberto em janeiro passado. O ativista político é conhecido por ter sobrevivido após ser sequestrado e torturado pela ditadura uruguaia (1973-1985) no Brasil.
O sequestro de Díaz, ocorrido em novembro de 1978, marcou o início das ações da Operação Condor, aliança entre as ditaduras de Brasil, Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai para caçar opositores políticos, em Porto Alegre. A uruguaia Lílian Celiberti e seus dois filhos também foram sequestrados na mesma data, juntos com o historiador.
Díaz e Celiberti foram interrogados e torturados ainda no Brasil, antes de serem transferidos para o Uruguai. Na época, não havia a certeza de que o sumiço dos dois estivesse relacionado com a Operação Condor. Cogitou-se que fosse somente uma cooperação entre o Dops (Departamento de Ordem Política e Social) e a Companhia de Contrainformações do exército uruguaio.
Após os cinco anos em que ficou preso, Díaz, ainda durante a ditadura, entrou com um processo contra seus torturadores. A ação foi bloqueada pela anistia uruguaia, mas o atual presidente, José Mujica, permitiu a reabertura de 80 investigações sobre crimes no período de exceção, entre eles os sofridos pelo historiador.
O estado de saúde de Díaz começou a piorar no último sábado, segundo informações do jornal Zero Hora. Depois de um transplante de medula, ele estava com nível próximo de zero de glóbulos brancos no sangue. O ativista deixa o filho, Carlos Iván Rodríguez Trías, e a ex-mulher Ivonne Trías, que cuidavam dele durante a doença.
Nos últimos anos, Díaz se dedicava a explorar os arquivos da ditadura de seu país, além de criar documentários e escrever livros.
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Mensagem de Ângela Albino

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Charge online - Bessinha - # 1439

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