2 de set de 2012

Vídeo do Celso #RussoNãoMano em campanha para colocar o voto dentro da urna

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Chefe da quadrilha Civita continua à solta

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FHC é um pulha!

Dilma acabou com o Bolsa Família? Não. Acabou como Minha Casa, Minha Vida? Não. Acabou com o ProUni? Não. Pelo contrário. Aprofundou esses programas e criou outros, como o Brasil Sem Miséria, que foi atrás daqueles que nem dos cadastros cartorários constam para lhes dar o que comer.
Se Dilma não fez ruptura alguma com o modo petista de governar, sendo sua mais benfazeja continuação, desmentindo a canalhice do 'poste' cunhada pelo PIG e ecoada pela direita, então, falar em herança maldita de Lula para a presidenta, como fez o arqui-patife FHC, só pode ser ressentimento misturado à frustração de ver a oposição desmanchando no ar por conta do desprezo que a população lhes devota depois que venderam uma parte das riquezas do país a preço de banana e ainda permitiram o pagamento da conta com "moeda podre".
Triste ver um homem avançar na idade e, em vez de somar dignidade à vivência política de décadas destila ódio, chafurda no lamaçal da mesquinharia e exime-se covardemente de assumir o papel que a história lhe reservou porque em seu íntimo tem vergonha do que fez. Lamentável!
No Ilharga
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Charge online - Bessinha - # 1435

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A evolução do 'sertanejo universitário'

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Quadro Previsível

As recentes pesquisas da Vox Populi, do Ibope e do Datafolha, realizadas nas principais capitais nos últimos dias, revelam um quadro que, em seus traços gerais, era previsível.
Incluindo os números de São Paulo, onde os três institutos apontaram cenário muito desfavorável a Serra. Só seus defensores mais extremados terão se surpreendido, pois as dificuldades que o tucano enfrentaria este ano eram óbvias.
As pesquisas confirmam características conhecidas das eleições municipais brasileiras e do funcionamento atual de nosso sistema político. Indicam coisas que sabíamos:
1 - A força da reeleição: Em todas as capitais em que os atuais prefeitos buscam a reeleição, eles lideram.
A maior vantagem está no Rio de Janeiro, onde Eduardo Paes (PMDB) tem ampla perspectiva de vitória no primeiro turno, apesar de enfrentar diversos adversários de biografia conhecida e respeitável.
Em Belo Horizonte e Curitiba, estão na dianteira os prefeitos Marcio Lacerda e Luciano Ducci, ambos do PSB. O mineiro tem um só concorrente de peso, Patrus Ananias, do PT. No Paraná, a situação é de empate triplo, entre ele, Ratinho Junior (PSC) e Gustavo Fruet (PDT).
São três casos de prefeitos que investiram pesadamente na propaganda de suas administrações ao longo do mandato. Não têm novidades a informar aos eleitores, mas fazem agora, usando a imensa mídia “gratuita”, uma personalização dos resultados de suas gestões.
As obras e programas que o cidadão conhecia como sendo da prefeitura são reapresentadas como de autoria do prefeito. Tudo de bom que aconteceu na cidade é mostrado como resultado de sua ação pessoal (e tudo de mau é suprimido).
Talvez nem todos vençam, mas isso ajuda a explicar sua performance.
2 - O declínio dos partidos de oposição: Considerando o melancólico desempenho de Serra - que parece que sequer estará no segundo turno, para o qual são favoritos Celso Russomano (PRB) e Fernando Haddad (PT) -, os principais partidos de oposição só têm candidatos próprios bem posicionados em poucas cidades.
Desses, apenas ACM Neto (DEM), em Salvador, é considerado competitivo. Moroni Torgan, seu correligionário que disputa a eleição em Fortaleza, dá sinais de que, em breve, será ultrapassado por Elmano de Freitas (PT) e Roberto Cláudio (PSB).
Se o quadro atual se confirmar, seria possível dizer que o PSDB terminará vencendo em Belo Horizonte e Curitiba, pois tanto Aécio e Anastasia, quanto Beto Richa, apóiam os líderes.
Pode ser verdade no curto prazo e, para Aécio, será ainda mais relevante, face à derrocada de Serra. Mas, para o partido, é ruim atravessar mais uma eleição sem apresentar nomes para disputas futuras. Na política, como na moda, é preciso aproveitar as vitrines para mostrar os lançamentos da próxima temporada.
3 - A decisão ilusória: Embora essas pesquisas indiquem níveis elevados de “definição de voto”, os profissionais do ramo, analisando outras - especialmente qualitativas -, percebem que as certezas dos eleitores são, a esta altura, provisórias.
As campanhas recém começaram e eles se veem alvo de uma comunicação maciça, tão grande que os deixa desconfiados.
O cidadão comum não se sente pressionado a resolver seu voto agora e nem acha que já tem informação suficiente para fazê-lo. Até a eleição, acredita ter tempo para conhecer melhor os concorrentes e se decidir com calma.
Curiosamente, há candidatos que hoje torcem para que os eleitores não mudem de ideia, com a mesma intensidade com que já torceram, em outras eleições, para que mudassem.
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
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Cachoeira tentou barrar nomeação do tucano Marconi Perillo

Com ajuda de ex-chefe de gabinete do governador, articulação ocorreu na véspera da Monte Carlo
Um dia antes de serem presos na Operação Monte Carlo, o bicheiro Carlinhos Cachoeira e o ex-vereador de Goiânia (GO) Wladimir Garcez (PSDB) comandaram articulações sobre nomeações para o primeiro escalão do governo de Marconi Perillo (PSDB) em Goiás. Novas gravações telefônicas remetidas pela Polícia Federal (PF) à CPI do Cachoeira, com base em grampos no rádio Nextel utilizado por Garcez, mostram uma tentativa do grupo criminoso de barrar a indicação de um promotor de Justiça para a Secretaria do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh).
Em 28 de fevereiro, às 12h06m, Garcez e a então chefe de gabinete de Perillo, Eliane Pinheiro, combinam pelo rádio Nextel uma estratégia para evitar que o governador nomeasse o promotor. Eles articulam uma indicação conjunta de um novo nome por parte dos três senadores goianos à época: Demóstenes Torres, Lúcia Vânia (PSDB) e Cyro Miranda (PSDB).
Plano do grupo fracassou
Às 12h12m, logo após a conversa com Eliane, Garcez conversa com Cachoeira, que diz que “o senador vai entrar no processo”, numa provável referência a Demóstenes, cassado em julho por deixar o mandato a serviço do bicheiro. Diante das evidências de proximidade a Cachoeira, inclusive por portar um rádio oferecido pelo grupo, Eliane deixou o cargo no gabinete de Marconi Perillo em abril deste ano.
Os planos de Carlinhos Cachoeira e Wladimir Garcez não prosperaram. Os dois foram presos na manhã seguinte, 29 de fevereiro, dia em que a PF deflagrou a Monte Carlo. O promotor de Justiça Umberto Machado, do Ministério Público (MP) de Goiás, assumiu o cargo de secretário um mês depois, mas deixou a função, em junho, diante das suspeitas de proximidade de outros integrantes do MP com Cachoeira, como o procurador-geral de Justiça (chefe do MP de Goiás), Benedito Torres, irmão de Demóstenes.
Perillo é investigado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), Benedito responde a processo no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), e Demóstenes, depois da cassação no Senado, é alvo de um processo que tramita no Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região.
O STJ investiga como Cachoeira influenciava nomeações no governo. Os diálogos registrados um dia antes da operação dão detalhes dessa atuação. “Temos de vencer mais essa batalha aí. Vai ser uma pedreira se indicarem o Umberto”, dizia Eliane a Wladimir, num diálogo de cerca de cinco minutos. Ela sugere que Demóstenes ligue para o governador e indique uma pessoa de nome Adriano — não há detalhes na investigação sobre a identidade do personagem.
No O Globo
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A boa-vida de Natan Donadon, um político condenado no Supremo

Em 2010, o STF sentenciou o deputado a 13 anos de cadeia. Mas ele continua livre – até para exercer o mandato
POR UM FIO O deputado Natan Donadon (PMDB) na Câmara. 
O último recurso que garante sua liberdade já deixou de ser julgado dez vezes 
(Foto: Igo Estrela/ÉPOCA)
Por um Fio
O deputado Natan Donadon (PMDB) na Câmara.
O último recurso que garante sua liberdade já deixou
de ser julgado dez vezes.
Foto: Igo estrela
Toda terça-feira, ou quando dá, Natan Donadon veste seu melhor terno, ajusta o broche dourado na lapela, ajeita o topetinho e pega um avião até Brasília. Lá, encaminha-se – pelas beiradas, olhando para os lados – ao gabinete 239 da Câmara dos Deputados. Quando se encerra essa delicada operação, tranca-se em sua sala. Volta e meia orienta as secretárias a informar que não está. Sai apenas quando precisa votar no plenário, sempre com passinhos apressados, sempre pelos caminhos de uso exclusivo dos deputados. Vai e volta na mesma toada, tão veloz que é mais fácil encontrar um burocrata brasiliense dando expediente num domingo do que Natan dando mole no plenário da Câmara numa terça ou quarta-feira. Assim que cumpre suas obrigações em Brasília, no mais tardar na quinta-feira, Natan abandona o terno, esconde o broche – e volta rapidinho a Rondônia, Estado pelo qual foi eleito e onde mora. Natan não é paranoico nem tem preguiça de trabalhar. Natan tem medo de ser preso.
Natan é o primeiro parlamentar condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) à prisão por desvio de dinheiro público. Outros quatro deputados foram condenados nos últimos anos por crimes como sonegação fiscal ou de responsabilidade. Mas não foram ameaçados de prisão, porque seus crimes prescreveram ou as penas podiam ser cumpridas em regime semiaberto. Natan é – pelo menos até a proclamação da sentença do caso do mensalão – o único que pode ir para a cadeia. Em 28 de outubro de 2010, o STF decidiu que ele deve cumprir 13 anos e quatro meses de prisão por ter cometido os crimes de peculato e formação de quadrilha. Os ministros do STF entenderam que Natan ajudou a desviar R$ 8,4 milhões dos cofres da Assembleia Legislativa de Rondônia, entre 1995 e 1998. Apesar de o Supremo ser a última instância da Justiça, suas sentenças não são cumpridas imediatamente. Graças a um último recurso, capaz de atrasar a execução da pena, Natan pode exercer seu mandato, ainda que intranquilo, enquanto aguarda o julgamento derradeiro no STF. Entre dezembro de 2011 e 29 de junho deste ano, o julgamento desse recurso foi adiado dez vezes. Natan torce pelo 11º adiamento.
Sua liberdade, ainda que provisória, tem seu preço. Especialmente para os contribuintes. Desde que assumiu seu primeiro mandato pelo PMDB, há nove anos, com 35 de idade, Natan nunca se destacou pela argúcia política ou pela exuberância de suas ideias. No atual mandato, já condenado, proferiu apenas 400 palavras na tribuna. Não apresentou ou relatou nenhum projeto relevante. Sua especialidade, assim como de muitos colegas, é outra: gastar dinheiro público. As 400 palavras de Natan na tribuna já custaram, entre salários e despesas de gabinete, cerca de R$ 1 milhão aos cofres públicos. Sem contar os salários de seus assessores – entre eles, dois parentes. No gabinete de Natan, porém, encontra-se somente um motorista.
Para encontrá-lo no Congresso, Época teve de correr. Flagrou-o num dos trotes na saída do plenário. Ele ficou nervoso. Não se acalmou nem após descobrir que não fora pilhado por um policial carregando uma ordem de prisão. Natan não gosta de falar sobre sua condenação. Para relaxar, sorri como se estivesse se divertindo e dá tapinhas pesados no peito e no braço do interlocutor durante a conversa. No encontro, repetiu uma dúzia de vezes uma pergunta feita a ele, como procurasse ganhar tempo para responder. “Se fico ansioso quando o Supremo vai julgar meu caso?”, diz, dando uma risadinha. Natan dá um tapinha no ombro, empertiga-se, leva a mão ao queixo: “É uma boa pergunta... Se fico ansioso? Você quer saber se fico ansioso? Confio na Justiça e na justiça divina (ele é evangélico). O Supremo está analisando meu caso com muito cuidado, porque é uma coisa importante, é a vida da pessoa”.
Até ser condenado pelo STF, Natan não se escondia assim. Ao contrário, aproveitava as poucas oportunidades disponíveis para aparecer. Um de seus costumes era subir à mesa diretora e atuar como presidente da Câmara nas sessões em que o plenário estava vazio. “Agora, nem isso ele faz mais”, diz um colega. Antes, costumava tomar o microfone e cantar em jantares do PMDB. Hoje, é pouco visto até nas reuniões partidárias. Natan só se permite aparecer um pouco quando é para cantar. Recentemente, cantou num evento pequeno na Câmara. Fez até um terceto com a dupla Marcos e Gustavo num show. Ele solta seus vibratos mesmo nas festas agropecuárias em Rondônia – às quais destina verbas públicas com suas emendas ao orçamento da União. Nelas, Natan costuma cantar ao lado da principal atração da noite.
A condenação por corrupção tornou Natan conhecido. Ele é o maior expoente de uma família que domina a política na região conhecida como cone sul de Rondônia. Por lá, os Donadons são alvo de denúncias de corrupção e nepotismo. Natan ganhou seu primeiro cargo público do pai, Marco Donadon, quando este era prefeito de Colorado do Oeste. Depois, o irmão Marcos o nomeou diretor da Assembleia. Quando foi prefeito de Vilhena, seu primo Marlon Donadon só demitiu 13 parentes depois de ser obrigado por uma decisão judicial. Entre os parentes empregados por Natan em seu gabinete está Márcio Antonio Donadon Batista. Época perguntou a Natan, por telefone, sobre a contratação de Márcio Antonio. “Não vou te responder isso”, disse ele. “Você é maligno. Meu espírito percebeu que seu espírito é maligno!”
Enquanto não vai para a cadeia, Natan canta. Uma de suas músicas favoritas chama-se “Boate azul”, composta pela dupla João Mineiro e Marciano e executada por artistas consagrados, como Milionário e José Rico, Bruno e Marrone e Michel Teló. Diz o seguinte: Sair de que jeito/se nem sei o rumo para onde vou. Pela 11ª vez, caberá ao Supremo definir esse rumo.
Leandro Loyola
No Época
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Datafolha: rejeição a Serra cresce e pode vencer no primeiro turno

A rejeição ao candidato José Serra cresceu tanto que ultrapassou Celso Russomano e pode ser eleita no primeiro turno. De acordo com o Datafolha, a simples menção do nome de Serra fez muita gente desistir de responder a pesquisa.
Serra ficou chateado com o resultado e vai para a Baleia.
Segundo amigos, a rejeição a Serra é tanta que nem mesmo seu reflexo está aparecendo mais no espelho. Serra tentou fazer uma grande manifestação de apoio hoje mas nem ele mesmo compareceu.
Otileno Junior com sugestão de Leopoldino Rego
No Sensacionalista
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Laerte e a vitória do voto nulo

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Dez perguntas e respostas sobre os símbolos religiosos nos tribunais

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Determinada a retirada dos crucifixos dos prédios da Justiça gaúcha há alguns dias esta notícia vem causando polêmica e discussões. Resumi aqui, de forma simples e direta, respostas às dez perguntas e argumentos mais comuns a respeito do assunto.
1 O Estado é laico. O que isso quer dizer na prática?
Na vigência da atual Constituição, laicismo significa a separação entre religião e Estado, devendo este tratar todos os credos religiosos de forma igual, sem manifestar predileção ou preterimento em relação a qualquer delas. Fica afastada também a possibilidade de alguma entidade religiosa influenciar no exercício do poder político.
Todos os particulares são livres para, de forma individual ou em grupo, ter qualquer crença e manifestá-la livremente (observando, é evidente, os demais valores constitucionais), sendo vedado ao Estado manifestar qualquer forma de crença religiosa.
2 Mas o Estado laico não é um Estado ateu!”
O Estado laico não é ateu, de fato. Mas também não é cristão, judaico ou muçulmano. O laicismo, em sua face de liberdade de expressão e de crença, revela-se no dever de o Estado tolerar manifestações individuais ou coletivas de determinado credo. Mas para o Estado não existe esta liberdade de manifestação religiosa. Ele não deve manifestar apoio ou predileção em relação a apenas uma religião ou um deus específico, pois assim estaria preterindo as outras crenças.
Isso não corresponde a um Estado ateu, pois são admitidas iniciativas do Estado que beneficiem todas as religiões indistintamente, vedando-se apenas a predileção a uma delas.
3 Qual a importância da laicidade? A maioria da população é cristã! Não deveriam imperar os valores cristãos?”
A maioria da população Brasileira crê no Deus judaico/cristão. Mas ainda temos a minoria, que crê em outros deuses ou não crê em deus algum. Vivemos em uma sociedade plural e multifacetária, e não em uma ditadura da maioria sobre a minoria. Exatamente por isso a CF previu a laicidade do Estado. Só há liberdade religiosa para todos quando a laicidade é observada.
4 O Brasil sempre foi um Estado laico?
O Brasil já foi um Estado confessional (com uma religião oficial). Na vigência da Constituição de 1824, a religião oficial do Império era a Católica Apostólica Romana. As outras religiões eram apenas toleradas, vedando-se a existência de templos externos (era permitido o culto doméstico ou particular). Considerando a quantidade de privilégios de que gozava o culto católico na época, bem como as restrições que sofriam as outras crenças, podemos afirmar que naquela época não existia uma liberdade de crença plena.
Com a República, na Constituição de 1891, veio finalmente a laicização do Estado e uma liberdade religiosa mais ampla, admitindo-se e respeitando-se todas as igrejas e crenças religiosas. Nesta constituição, não havia no seu preâmbulo invocação a Deus.
As igrejas passaram a ter personalidade jurídica na forma da lei civil, os casamentos religiosos não teriam mais efeitos civis e foi proibido o ensino religioso nas escolas públicas. Os cemitérios antes controlados pelas igrejas, agora estariam sob a administração dos municípios. Este foi o período em que o Brasil teve a mais rígida separação entre Estado e religião.
A Constituição de 1934 manteve a laicidade do Estado, mas trouxe de volta alguns pontos de contato entre religião e o Estado. Voltou-se a admitir o casamento religioso com efeitos civis e o preâmbulo constitucional passou a fazer referência a Deus.
Da Constituição de 1937 à de 1988 não houve alteração de grande vulto na relação entre o Estado e a religião. Desde então não há religião oficial, e invoca-se a proteção de Deus no preâmbulo.
5 Mas afinal, qual é o problema de haver símbolos religiosos em prédios públicos?”
O crucifixo é simbolo próprio da fé e da moral cristã. No Brasil, ele é relacionado principalmente (mas não somente) à igreja católica, que historicamente tem representado a religião dominante no país.
A presença de um símbolo de uma religião específica (seja ele um crucifixo, uma estrela de Davi ou um despacho) em um prédio público revela a predileção do Estado em relação a uma religião em especial, preterindo as demais. Isso não pode acontecer em um Estado democrático, laico e plural.
Além do dever de preservar o tratamento igualitário entre todas as crenças, há o problema relativo ao que a presença do símbolo de determinada religião sobre a cabeça de um funcionário público pode implicar. Todos nós sabemos que cada religião tem os seus dogmas e ideologias próprios. O magistrado inevitavelmente vai sofrer, em certa medida, influência das suas experiências vividas e das suas convicções pessoais no momento do julgamento: isso é algo que não se pode evitar. Ele deve, entretanto, tentar manter o máximo de imparcialidade possível no momento de aplicar o direito ao caso concreto. A presença de um símbolo religioso sobre a sua cabeça é como uma “carta branca” do Estado para que ele decida de acordo com os dogmas daquela religião (coisa que, em princípio, deveria ser desestimulada pelo Estado). Isso pode influenciar em diversas decisões judiciais, como, por exemplo, nas relativas ao aborto de fetos anencéfalos e as relacionadas à união homoafetiva.
O bom aplicador do direito, na interpretação, deve usar as normas jurídicas como instrumento para chegar ao resultado interpretativo, e não limitar-se a usar o direito como mero elemento justificador das suas convicções pessoais preexistentes ou dos dogmas de determinada religião.
O juiz pode até ter um crucifixo no pescoço ou um no seu gabinete privado, pois isso está no âmbito da sua manifestação individual de crença. Mas o Estado não pode manifestar predileção por credo algum, razão pela qual é errado haver qualquer símbolo religioso colocado pelo Estado em prédios públicos.
6 Os crucifixos estão lá há muito tempo! Eles fazem parte da nossa história e da nossa cultura! Eles não deveriam permanecer lá por isso?”
O aspecto cultural e histórico, por si só, não é capaz de atribuir a algo compatibilidade em relação à Constituição. A escravidão e o nepotismo, por exemplo, por muito tempo fizeram parte da cultura do nosso país – o nepotismo ainda faz, na verdade. Mas o fato de fazerem parte da nossa história e da nossa cultura não torna nenhum dos dois compatível com a Constituição.
Cultural é a presença de imagens da deusa da mitologia grega Têmis, cuja figura é mundialmente relacionada à justiça. Ninguém coloca a imagem da Têmis em um tribunal por ter fé religiosa nela, por adorá-la ou porque está disposto a pautar-se pelos seus dogmas. Ela é apenas um símbolo da justiça.
7 Os crucifixos são símbolos genéricos e representam todas as religiões! Por isso, podem ficar lá!”
Não se trata de simples decoração dos prédios públicos. Os crucifixos são os símbolos mais representativos do cristianismo, e são bem específicos desta crença, assim como a estrela de Davi é do judaísmo. Sua fixação em prédios públicos revela predileção do Estado por esta crença específica, em detrimento de todas as outras.
8 “E quanto ao preâmbulo? Lá há referência a Deus! Isso não mitiga a laicidade e torna a presença dos crucifixos constitucional?”
O preâmbulo não integra o texto da constituição no sentido normativo, nem serve de parâmetro de controle de constitucionalidade (o próprio STF afirmou isso na ADI nº. 2076-5). Em razão disso, não se pode afirmar que algo é constitucional por estar de acordo com o preâmbulo, enquanto há uma previsão no texto constitucional propriamente dito que a torna inconstitucional.
O preâmbulo nem é considerado norma jurídica. É só um “recadinho” dos que exerceram o poder constituinte, servindo no máximo para auxiliar a interpretação do texto constitucional. Eles registraram lá que acreditam em Deus, mas sabendo que sem o laicismo não há liberdade pra ninguém, deixaram esse valor registrado no texto constitucional propriamente dito.
9 Isso é frescura! Nós não deveríamos parar de nos preocupar com coisas pequenas como estas e dedicar mais atenção aos temas mais importantes, como o combate à corrupção?”
Nós temos na Constituição diversos valores que merecem proteção por parte do Estado. De fato, alguns merecem uma proteção mais célere e efetiva do que outros. Mas isso não quer dizer que devamos ou possamos, em nome da proteção de determinado valor, sacrificar outro, deixando-o ao relento, sem receber proteção alguma. Quando se trata de valores constitucionais, não jogamos o jogo do “tudo ou nada”.
10 Mas e os feriados religiosos? E os nomes de cidades como Salvador e São Paulo? Eles também não feririam a laicidade do Estado?”
A estes casos sim, deve-se atribuir a característica de fatos “histórico-culturais”. O nome de Salvador, por exemplo, foi dado em uma época em que nós sequer tínhamos uma Constituição própria, e a primeira que viria ainda teria como religião oficial a Católica Apostólica Romana. A maioria dos feriados religiosos que nós temos hoje também veio em períodos em que o Brasil não era um Estado laico. A história e cultura de um Estado devem ser levados em consideração, impedindo a alegação de inconstitucionalidade em relação a determinados fatos já consumados, que fazem parte da nossa cultura e integram a nossa história.
Hoje, entretanto, na vigência da atual Constituição, entendo não ser possível a instituição de novos feriados religiosos que contemplem apenas uma crença. Como bem lembra Pedro Lenza (Direito Constitucional Esquematizado, 2011), este foi o entendimento que prevaleceu na ocasião da visita do Papa Bento XVI ao Brasil, no ano de 2007, quando buscava-se declarar o dia 11 de maio (dia da canonização do Frei Galvão) feriado religioso. Ao final da discussão no âmbito do Congresso Nacional, promulgou-se a Lei 11.532/2007, que instituiu o dia 11 de maio como o Dia nacional do Frei Sant’Anna Galvão, sem conotação religiosa, inserindo-se o dia no calendário histórico-cultural brasileiro. Não se atribuiu à data, em razão da laicidade do Estado, o status feriado religioso.
Mesmo sem se atribuir o status de feriado religioso, é questionável, no âmbito de um Estado laico, o estabelecimento de uma data comemorativa que faz referência a apenas uma religião. Mas este é tema pra uma outra conversa.
Acredito que o mesmo entendimento deve ser aplicado ao nome de novos municípios que vierem a surgir, bem como ao nome de instituições públicas (como o nome de alguns colégios públicos, que adotam nomes de santos – não deveríamos ter instituições de ensino públicas com nome de qualquer entidade religiosa, seja ela orixá ou santo).
Kelton Actis
Bacharel em direito, com especialização em direito privado.
Twitter: @keltonactis
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Tucano ameaça repórter da Folha

Tucano Telhada
O Portal Imprensa publicou ontem entrevista com o jornalista André Caramante, da Folha, que há dois meses recebe ameaças por ter escrito uma matéria sobre o policial Paulo Telhada, ex-comandante da Rota (Ronda Ostensiva Tobias de Aguiar) e hoje candidato pelo PSDB a vereador na capital paulista. No texto, publicado em 14 de julho, Caramante denunciou o fato do policial usar seu perfil pessoal no Facebook para incitar a violência contra supostos bandidos, rotulados por ele de “vagabundos”.
Após a publicação da denúncia, o repórter passou a receber mensagens de seguidores do ex-chefe da Rota com ameaças contra ele e a sua família. Na semana passada, o caso ficou ainda mais grave. Um sítio ligado a policiais militares divulgou uma foto de Sérgio Dávila, editor-executivo da Folha, confundindo-a com a do repórter ameaçado. “Agora que o rosto do André Caramante é conhecido, torço para que nenhum maluco resolva fazer justiça com as próprias mãos”, afirma o texto num tom enigmático.

"De olho nesse defensor de vagabundos"

Para Caramante, este clima de terror “está relacionado à cobertura da segurança pública de São Paulo na qual atuo há 13 anos. No mês de junho, o estado passou a enfrentar uma crise quando vários policiais militares de folga foram assassinados pelo grupo criminoso Primeiro Comando da Capital (PCC)... Em um determinado momento, resolvemos fazer um texto para falar sobre a página pessoal do ex-comandante da Rota, Paulo Telhada. Ele chamava os suspeitos de vagabundos e dizia que eles tinham que morrer mesmo”.
Após a publicação da matéria, afirma Caramante, o policial “fez uma postagem na página pessoal dele no Facebook e muitas pessoas fizeram eco naquilo que ele havia falado/escrito e fizeram os mais variados comentários: ‘Ah, bala nesses vagabundos mesmo e quem defende vagabundo também’. ‘De olho nesse André Caramante porque ele é defensor de vagabundo’... Depois disso, houve um monte de comentários na internet, não só no Facebook, dizendo que a Folha encampa algo contra a Polícia Militar de São Paulo”.

Jornal tucano devia acionar o Serra

André Caramante já recebeu a solidariedade do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, que enviou ofício ao governo estadual exigindo providências urgentes contra as ameaças. Ele também afirma contar com o apoio da direção da Folha e garante que não vai recuar no seu trabalho investigativo. “Este é um tipo de intimidação que eles tentam fazer para que não cumpramos nossa função de informar”. Seria o caso da direção da Folha, tão próxima ao ninho tucano, também acionar a direção do PSDB em São Paulo.
Afinal, o policial Paulo Telhada não é um personagem qualquer. Coronel reformado da Polícia Militar, ele comandou a temida Rota por vários anos. Foi nomeado pelo ex-governador José Serra, agora candidato à prefeitura. Em seu perfil no facebook, ele não esconde suas ideias. Posta fotos de caveiras com o uniforme da Rota e critica as entidades de direitos humanos. “Não sou obrigado a gostar de ladrão, o cara que está fora de lei não merece consideração nenhuma da sociedade”, afirmou recentemente ao portal Terra.

Fidelidade ao candidato do PSDB

Com esta postura truculenta, ele decidiu se candidatar a vereador pelo PSDB. Seu slogan de campanha é “uma nova Rota na política de São Paulo”. Ao portal Terra, ele explicou que a sua decisão de ingressar na política decorreu de um voto de lealdade ao tucano José Serra, que o nomeou comandante da Rota. “Ética é você apoiar quem te apoia e ajudar quem te ajuda. Acho o Serra uma pessoa muito preparada para a Prefeitura”, afirmou ao sítio. A Folha até que poderia procurar o tucano para pedir proteção ao repórter.
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Tracking diário do PSDB mostra que Haddad ultrapassou Serra

Segundo o famoso Stanley Burburinho, meu amigo no Twitter e um nome já consagrado nos principais blogs progressistas e nas redes sociais, principalmente no Twitter, o tracking diário do PSDB já estaria mostrando Fernando Haddad à frente de José Serra.
Bem, se levarmos em consideração que:
1) A tendência de Haddad é de crescimento rápido, com ele conquistando 1 p.p. diariamente desde o início da propaganda eleitoral no rádio e na TV;
2) Serra cai rapidamente e desde o início do horário eleitoral no rádio e na TV;
3) A pesquisa Ibope anterior, que foi feita até quinta-feira, já mostrava um empate técnico entre Serra e Haddad (20% para Serra 16% para Haddad).
Então, é muito provável que, mantida essa mesma trajetória nos últimos dias, Haddad já tenha ultrapassado Serra, sim.
Vamos aguardar mais informações dos próximos trackings diários das duas campanhas, bem como as próximas pesquisas. Mas, tudo aponta para a ultrapassagem de Serra por Haddad, o que foi previsto por este modesto blogueiro durante esta semana, em vários posts aqui no blog e também em comentários meus no Twitter.
Como já comentei nestas mensagens anterior, Haddad está conquistando rapidamente os votos dos eleitores petistas, que são 25% na cidade de SP, e é isso que está impulsionando a sua candidatura.
O Datafolha mostrou que Haddad subiu de 21% para 40% entre os eleitores petistas depois de apenas uma semana de horário eleitoral. Se ele conquistar 90% dos votos dos petistas paulistanos, ele já chega a 22,5% dos votos.
E pelas imagens da campanha dele junto com os militantes e simpatizantes do partido (basta olha no Facebook de Haddad), ele já conquistou a simpatia dos mesmos. Haddad caiu nos braços dos petistas paulistanos, literalmente. E quando esse povo se entusiasma com um candidato, sai da frente, porque eles arregaçam as mangas e fazem campanha de graça, voluntária pelo mesmo.
A impressão que tenho é que Haddad já passou daquela fase de ser o candidato de Lula-PT-Dilma e começou a conquistar eleitores por seus próprios méritos. Em todas as entrevistas que assisti (no Terra, no Estadão) ele se saiu muito bem, tendo um discurso lógico, coerente, e articulado, mantendo uma postura firme e séria nas respostas. Percebe-se que Haddad se preparou muito bem para essa campanha,
Tudo indica, portanto, que o eterno Presidente Lula, com o seu formidável faro político, acertou em cheio novamente, tal como já havia acontecido na eleição presidencial, quando escolheu Dilma que, tal como Haddad agora, era totalmente desconhecida do eleitorado antes da eleição.
E se o candidato petista conquistar apenas 10% dos votos dos eleitores não-petistas, Haddad já chegará a 30% das intenções de voto (afinal, 22,5% + 7,5 = 30%).
Portanto, penso que esta é a semana da confirmação da virada de Haddad, ultrapassando Serra e começando a se aproximar, cada vez mais, de Russomano.
Avante, Haddad! Fora, Serra! Fora, Kassab!
No Guerrilheiro do Entardecer
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Rivais ‘confinam’ Serra na zona anti-PT

Crescimento de Russomanno e Haddad nas áreas petistas faz com que 69% das intenções de voto no tucano se concentrem em seus redutos
Em dez dias de propaganda na TV, o eleitorado de José Serra (PSDB) encolheu na periferia, deixando o tucano cada vez mais dependente da zona antipetista de São Paulo. Na divisão criada por Ibope e Estadão Dados a partir do histórico de votação na cidade, Serra caiu de 20% para 12% na área pró-PT e de 35% para 16% na região volúvel, segundo a pesquisa concluída na quinta-feira, 30. Essas zonas somam metade dos eleitores paulistanos.
Hoje, nada menos do que 69% da intenção de voto de Serra está concentrada na outra metade, no centro expandido de São Paulo, a região que tem o histórico de votação mais antipetista da cidade. Antes de o horário eleitoral começar, essa taxa era de 59%. Ou seja, Serra está sendo empurrado por seus adversários para o seu principal reduto. Mesmo lá, a disputa continua.
Entre 15 e 30 de agosto, o tucano oscilou de 30% para 26% na região antipetista, e, agora, está empatado tecnicamente com Celso Russomanno (PRB) também no conjunto desses distritos centrais. Nesse mesmo período, o apresentador de TV foi de 23% para 27% na zona antipetista. Até Fernando Haddad (PT) melhorou sua situação nessa região. Evoluiu de 8% para 12%.
A região antipetista é formada pelas zonas eleitorais em que o PT perdeu as últimas disputas nas urnas. Nessa área, em 2010, o próprio Serra, então candidato à Presidência, obteve a maioria absoluta (51%) dos votos válidos.
Atualmente, porém, o desempenho do tucano se assemelha ao que Geraldo Alckmin teve em 2008, como candidato a prefeito do PSDB. Na época, o eleitorado refratário ao PT se dividiu entre o próprio Alckmin e Gilberto Kassab (então no DEM), que concorria à reeleição. Resultado: o então candidato tucano teve apenas 27% dos votos válidos na zona antipetista e ficou de fora do segundo turno.
E o que aconteceu nas zonas mais distantes do centro? Quem se beneficiou da queda de Serra e dos outros candidatos? Russomanno e Haddad dividiram o butim. O candidato do PRB cresceu de 30% para 38% na zona petista, ampliando sua liderança nessa região periférica da cidade.
São distritos do extremo sul e do extremo leste da cidade - como Parelheiros ou Guaianases - e que costumam votar, majoritariamente, em candidatos do PT para prefeito, presidente e governador. Haddad cresceu de 11% para 20% na zona petista, mas ainda está com menos da metade do histórico de votação do seu partido nesses locais. Dilma Rousseff (PT) teve 54% dos votos válidos nessa região em 2010.
O próximo confronto nas regiões periféricas será entre Russomanno e Haddad. O petista tentando recuperar o eleitor que apoiou seu partido nas últimas eleições, e Russomanno tentando manter o que já conquistou.
A primeira batalha dessa guerra deve ter aspectos religiosos. Um em cada cinco petistas em São Paulo é evangélico. Entre eles, Russomanno leva vantagem: 42% dos petistas evangélicos declaram voto no candidato do PRB, contra 31% que optam pelo candidato do PT. É muito diferente da divisão entre os petistas católicos, entre os quais Haddad lidera com 43%, contra 26% de Russomanno.
Para aumentar sua penetração nas hostes do próprio partido, Haddad precisará intensificar sua campanha na periferia e entre os evangélicos do PT. E Russomanno vai fazer de tudo para segurá-los, com ou sem o apoio da Igreja Universal do Reino de Deus à qual o presidente do seu partido é ligado.
José Roberto de Toledo e Daniel Bramatti
No O Estado de S. Paulo
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O jogo sujo de Serra em parceria com o PIG, (cqd)

Mais uma: Russomano é acusado de fraude eleitoral em ação aceita pelo STF 

Mais uma: Russomano é acusado de fraude eleitoral em ação aceita pelo STF
Foto: Danilo Verpa/Folhapress
Ele teria falsificado seu domicílio eleitoral para concorrer à prefeitura de Santo André em 2000; primeiro depoimento marcado para 29 de janeiro de 2013
O voto em Celso Russomano parece cristalizado, ao redor de 30% das intenções na cidade de São Paulo, mas ele não terá trégua daqui até 7 de outubro, data do primeiro turno. Já foi acusado de usar o mandato para favorecer a empresa de refrigerantes Dolly numa guerra comercial contra a Coca-Cola, de usar verbas de gabinete para contratar uma funcionária pessoal – crime de peculato, semelhante ao de João Paulo Cunha – e de ser um mero instrumento do bispo Edir Macedo, na política.
Neste domingo, Russomano é alvo de nova acusação, publicada no jornal Estado de S. Paulo: a de ter cometido fraude eleitoral em 2000, quando concorreu à prefeitura de Santo André, na Grande São Paulo. Naquele ano, para ser candidato a prefeito, ele necessitava comprovar seu domicílio eleitoral na cidade. Russomano apresentou a conta de luz de um imóvel. Ocorre que o consumo foi zero, durante vários meses. “Nâo é possível que alguém more num apartamento e não haja consumo de energia elétrica para banho, iluminação, funcionamento de aparelhos”, disse o juiz eleitoral José Luiz de Araújo.
Por isso mesmo, Russomano é reu, desde junho, numa ação aceita pelo Supremo Tribunal Federal. Seu depoimento à Justiça está marcado para 29 de janeiro de 2013 – ou seja, um mês após a eventual posse como prefeito de São Paulo.
No 247
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E se Lula voltar a tomar gosto pelo palanque?

E se Lula voltar a tomar gosto pelo palanque?
Foto: O Tempo/Folhapress
O ex-presidente está sendo provocado pelos meios de comunicação e pelo antecessor FHC. Na última sexta, ele fez seu primeiro discurso, mas ainda está focado apenas nas disputas municipais. Se cutucarem a onça, ela acorda e ataca já em 2014 para provar que, no julgamento do povo, ele é mais forte
Aviso aos navegantes: não convém cutucar a onça com vara curta. O felino em questão se chama Luiz Inácio Lula da Silva e retornou ao seu habitat natural na última sexta-feira, quando discursou na Praça da Estação, em Belo Horizonte, em favor de seu candidato, Patrus Ananias.
Lula falou bem mais do que esperavam. Estava em casa. A voz não era a mesma, mas nenhum político se sente tão à vontade num palanque como o ex-metalúrgico que liderou as greves do ABC, na década de 80. Decifrador da alma humana, Lula definiu Márcio Lacerda, o adversário de Patrus Ananias, como uma “pedra de gelo”, que “não sabe sorrir”.
Lula gostou da experiência. Por ora, seu foco é a eleição municipal de 2012, onde ele deve atuar em cidades como Belo Horizonte (por Patrus), Recife (por Humberto Costa e contra Eduardo Campos), São Paulo (por Fernando Haddad) e Manaus (contra Arthur Virgílio).
2014 ainda parece distante. Mas Lula vem sendo provocado pelos meios de comunicação, que querem rotular o julgamento da Ação Penal 470 como também um juízo moral sobre a era Lula. Neste domingo, o ex-presidente sofreu também um duro ataque do antecessor Fernando Henrique Cardoso. E a sucessora Dilma Rousseff mantém distância do caso – numa postura saudada pela imprensa hostil a Lula como mais republicana.
A onça pode acordar a qualquer momento. E não será surpresa se o PT, sindicatos e movimentos sociais começaram a preparar o “Volta, Lula” antes do que se imaginava.
No 247
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Lula critica FHC e diz que PSDB quebrou Minas

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Morre o compositor Hal David, parceiro de Burt Bacharach

 Hal David
O compositor Hal David, parceiro de Burt Bacharach, ganhador do Oscar por 'Raindrops Keep Fallin' on My Head' (Foto: Gus Ruelas/Reuters )
25 de maio de 1921, Nova Iorque - 01 de setembro de 2012, Los Angeles

Escolha qualquer uma para relembrar.

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O fim da geração das diretas

As pesquisas eleitorais da semana passada – IBOPE, DataFolha e Vox Populi – marcam definitivamente o fim de uma era na política brasileira.
Mostraram a candidatura de José Serra à prefeitura de São Paulo desabando em todos os níveis e, particularmente, entre eleitores do PSDB. Parte migrou para o candidato Celso Russomano, parte menor para Gabriel Chalita.
* * *
Serra morre politicamente, mas arrasta o partido consigo. Não fosse seu estilo trator, sua incapacidade crônica de permitir o florescimento do novo, o PSDB paulistano estaria com Gabriel Chalita em boa colocação, sem um centésimo da taxa de rejeição do candidato oficial. Ou estaria com José Aníbal, tucano histórico que, em muitas oportunidades, sacrificou-se pelo bem do partido. Ou apostando em outro nome novo que, mesmo perdendo, lançasse as bases para a renovação partidária.
No entanto, percebendo o potencial político de Chalita, assim que assumiu o governo do Estado Serra iniciou um trabalho pertinaz de desconstrução da imagem do correligionário. Fez o mesmo com Aníbal e com quem mais pudesse, no futuro, despontar como liderança partidária.
* * *
A insistência irracional de Serra em manter-se à tona, em pensar apenas no próprio umbigo, deixa o PSDB em posição difícil. E revela o derradeiro fracasso de FHC frente a Lula.
Até então, a política brasileira pós-redemocratização girava em torno dos políticos que ascenderam com a campanha das diretas. Houve dois partidos com perspectiva de poder – PSDB e PT – ambos dominados por oligarquias políticas da geração das diretas.
No caso do PSDB, houve um sopro de renovação trazido por Franco Montoro (quando governador de São Paulo pelo PMDB), mas com o partido focado em São Paulo. No caso do PT, uma base ampliada de militantes, permitindo revelar lideranças em outros estados, mas ainda assim com o centro do poder concentrado em São Paulo – dos sindicalistas e “igrejeiros” de Lula aos egressos da guerrilha, de José Dirceu.
* * *
Lula percebeu os novos tempos, entendeu que havia se esgotado o ciclo de Aloisio Mercadante, Martha Suplicy e, de cima para baixo, impôs a renovação: pessoas com perfil administrativo, sem a pesada carga ideológica dos velhos militantes. Lançou Dilma Rousseff para a presidência e Fernando Haddad para a prefeitura de São Paulo.
FHC não teve o mesmo descortino. Em 2010 bancou a candidatura pesada de Serra à presidência, abortando o voo de Aécio Neves – no único momento em que o cavalo passou encilhado para o ex-governador mineiro. Permitiu que o partido ficasse nas mãos do inexpressivo Sérgio Guerra, fechou os olhos para o potencial de um Antônio Anastasia, governador de Minas, abriu mão das políticas inovadoras do Espírito Santo, perdeu o discurso socialdemocrata.
* * *
Com Aécio demonstrando total falta de vontade de abrir mão da vida pessoal, sem abrir espaço para outras vocações, o PSDB perde o protagonismo.
Passados os efeitos dessas eleições, haverá um rearranjo da política nacional. Encerra-se a geração das diretas, entram outros protagonistas, como o governador de Pernambuco Eduardo Campos ou o prefeito do Rio, Eduardo Paes. E o próprio Anastasia como vice de Campos, se o PSDB tiver juízo.
Luis Nassif
No Advivo
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Amanhã tal como ontem

O que vai mudar com o julgamento do mensalão são alguns dos métodos agora desvendados, não os políticos
O Brasil, os políticos e suas práticas não vão mudar coisa alguma por efeito do chamado julgamento do mensalão, sejam quais e quantas forem as condenações. É o que indica o indesmentido fluxo histórico brasileiro e o que comprova a experiência mais ou menos recente.
"O Brasil não será mais o mesmo", ou, no dizer dos que precisam ser pernósticos, "o julgamento é um paradigma", são frases que pululam nos meios de comunicação, com suas similares, como meros produtos de ingenuidade ou do engodo comum.
O que vai mudar são alguns dos métodos agora desvendados. Assim como os artifícios do mal denominado mensalão são adaptações do que Paulo César Farias criou e comandou, em parte já para a eleição de Collor, depois em benefício da também chamada quadrilha e, com toda evidência, para cobrir os custos da manipulação nas eleições municipais. De lá para cá, nem foi preciso mudar o principal banco das operações financeiras, o mesmo Banco Rural.
Não houve pausa entre o que motivou o escândalo PC/Collor e os motivos do atual. Está por aí, em algum lugar recôndito, o processo do mensalão do PSDB, precursor mineiro do mensalão petista e comprovante de que os meios de comunicação podem ser também caridosos.
E houve as várias eleições das quais tantas figuras notórias, dispensadas as óbvias citações nominais, saíram proprietárias de fazendas, novas casas, construção de imóveis. Sem precisarem enfrentar nem sequer uma perguntinha, a respeito, de CPI, da Polícia Federal, do Ministério Público e de um juiz. "Empréstimo da filha", disse um outro, numa explicação em geral considerada mais do que suficiente.
Depois de cada eleição, os empréstimos das filhas continuaram no decorrer dos governos, em alguns casos engatando nas campanhas eleitorais seguintes, inclusive a de agora. Nada disso como vício reservado à raia miúda da prática ou das figuras políticas. À tal camada coube, isso sim, o início da política como indústria de enriquecimento.
Mas os níveis todos foram conquistados depressa por essa modalidade de empreendedorismo consagrada no Brasil e hoje dominante também na Rússia. Lá, sedução para os herdeiros do velho poder burocrático e policial. Aqui, desde bastante tempo, mais ativo e voraz entre componentes de governos e políticos provenientes do mesmo segmento social do empresariado.
A degradação da ética e do nível cultural na política não se altera com episódios tão circunscritos como o julgamento do mensalão.
Se ainda for corrigível, reverter a degradação dependeria de muitos fatores, como remodelação do financiamento eleitoral e do sistema partidário, redução da Câmara, das Assembleias e das Câmaras Municipais, exigências para coligações, efetividade dos programas partidários, e por aí afora.
O momento facilita constatar-se a continuidade da degradação política e das eleições como vestibular para a indústria do enriquecimento. É só ver dois ou três programas da propaganda eleitoral: a média dos candidatos, em qualquer sentido, não deixa dúvida. Não sobrará dúvida nem sobre a ingenuidade ou o engodo do besteirol de que o Brasil mudará com o julgamento agora feito pelo Supremo Tribunal Federal - um, em dezenas ou centenas de julgamentos necessários.
Janio de Freitas
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Ozymandias

No filme do Woody Allen “Para Roma, com amor”, dois personagens dizem estar sofrendo de Melancolia Ozymandias. O termo foi inventado pelo próprio Woody Allen para seu personagem num dos seus filmes mais subestimados, “Stardust memories”, sua versão do “8 e meio” do Fellini.
A referência é a um famoso poema de Percy Shelley, escrito no século dezenove, que fala da descoberta de uma estátua colossal com a seguinte inscrição na base: “Meu nome é Ozymandias, Rei dos Reis. Contemplem a minha obra, ó poderosos, e desesperem.” Mas em torno da estátua não há vestígio de obra alguma, há só um deserto até o horizonte.
O Ozymandias de Shelley adverte contra a vaidade e a soberba e lembra que tudo no mundo é transitório, incluindo o poder e a glória. A melancolia que leva seu nome vem da constatação da precariedade da vida, do amor e das nossas obras, que mesmo não sendo ozymândicas mereceriam — pelo menos na nossa opinião — resistir aos séculos. Tudo passa, nos diz o poema. No fim, de um jeito ou de outro, sempre vence o deserto.
Com sua preocupação constante com a morte, o Woody Allen não deve estar brincando quando se atribui a tal melancolia. Sua obra talvez dure mais do que a de Ozymandias, de cujo império nunca mais se ouviu falar — apesar da especulação de que “Ozymandias” seria o nome grego do faraó Ramsés II — principalmente agora que a estocagem digitalizada de filmes e fitas os tornou praticamente eternos.
Mas Allen não deve encontrar consolo na ideia de que daqui a mil anos sua obra ainda estará sendo vista. Ele preferiria estar lá para explicá-la. Ele mesmo já disse que não teme a própria morte, desde que não esteja presente na ocasião.
Mas é curiosa a evocação de Ozymandias no filme. Roma é o melhor exemplo mundial de uma civilização vivendo nas ruínas das muitas civilizações que a precederam. De certa maneira, Roma é um antídoto para a melancolia Ozymandias. Nela tudo que já passou continua lá, como paisagem, e a vida que continua entre as ruínas é bela e ensolarada — nos filmes, ao menos — e não dá o menor sinal de ceder ao deserto.
Luís Fernando Veríssimo
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Paradoxo: esperança de Serra em ir ao segundo turno pode estar no crescimento de Haddad

Não é novidade pra ninguém que a semana foi péssima para o candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, José Serra. Primeiro, a pesquisa Datafolha, divulgada na quarta-feira, mostrava uma queda de cinco pontos de sua candidatura e, dois dias depois, o Ibope já apontava um empate técnico do tucano com Fernando Haddad na segunda colocação. Agora, a campanha serrista tem como objetivo garantir a ida do eterno presidenciável ao segundo turno, ainda que o tom agressivo possa prejudicá-lo – e muito – em uma eventual segunda volta.
Pesquisas não têm deixado Serra feliz
Mas, a essa altura, as opções de estratégia para o PSDB são poucas. Junto com o petista, Serra tem o maior tempo no horário eleitoral e, mesmo assim, minguou nas pesquisas. Analisando os dados do Datafolha, ele perdeu votos em quase todos os estratos da população, exceção feita àqueles que ganham entre 5 e 10 salários mínimos, onde cresceu três pontos. Mesmo assim, nessa faixa Russomano cresceu seis, enquanto Haddad e Chalita oscilaram positivamente dois pontos cada.
Embora o crescimento de Haddad e a queda de Serra possam sugerir que o petista cresceu em cima do provável eleitorado tucano, isso pode ser verdade apenas em parte. Na faixa daqueles que ganham até dois salários mínimos, por exemplo, o Datafolha mostra Haddad crescendo nove pontos, exatamente a soma do que perderam Russomano (2) e Serra (7). Entre aqueles que se declaram simpatizantes do PT (25% dos entrevistados), Haddad cresceu 15 pontos, enquanto Russomano perdeu quatro, e Serra, seis. Já entre tucanos (9% dos pesquisados), Serra perdeu 15 pontos e Russomano ganhou 16, enquanto o petista perdeu 3 pontos. Ou seja, os dados podem indicar que Haddad tem, sim, tirado votos do candidato do PRB, que tem compensado essa perda ao tirar votos do pessedebista, mantendo-se estável.
O Ibope vai no mesmo sentido, mostrando que Serra estaria cada vez mais confinado eleitoralmente em seu reduto, o centro expandido de São Paulo. Antes do horário eleitoral, 59% de seus eleitores estavam nessa região e, agora, são 69%. Ele perde votos e vê sua rejeição aumentar no resto da cidade e, com Haddad crescendo e Russomano com um eleitorado que parece consolidado, sua estratégia para ir ao segundo turno é se firmar como o “anti-PT”, explorando a rejeição do partido em São Paulo e tentando mostrar ao eleitorado conservador ser a melhor opção para derrotar os petistas. Não é à toa que os ataques contra a campanha de Haddad começaram cedo demais nas hostes tucanas, destoando dos programas de rádio e TV dos rivais.
No entanto, as estratégias dos adversários não favorecem o estilo agressivo de Serra. Chalita, por exemplo, bate na tecla da “terceira via”, condenando o suposto Fla/Flu entre PT e PSDB (o que tem favorecido mais Russomano do que o próprio peemedebista, como lembra Rodrigo Vianna). Enquanto isso, Haddad prega o “novo”, mostrando realizações suas como ministro, mas o “novo” permeia também outras candidaturas. Assim, nada parece mais antigo aos olhos do eleitor do que a candidatura tucana, que carrega ainda o ônus de uma administração mal avaliada como a de Kassab. O jeitão da campanha tucana na TV e no rádio também cheira a mofo.
A esperança de Serra pode ser Haddad
Como o Maluf, um candidato competitivo de outras épocas, Serra desfila uma série de realizações (“obras”) na televisão. Usando, aliás, um método semelhante, bastante criticado pelos adversários em tempos idos, a tal “apropriação” de feitos alheios: obra que ele iniciou, projetos pegos no meio do caminho ou finalizados em sua gestão, tudo passa a ficar no mesmo bolo e figura como realização exclusivamente sua. Até os CEUs, obra da ex-prefeita Marta Suplicy, viraram “CEUs do Serra”, um jogo duplo que pode significar que os “seus” CEUs são melhores que os originais (difícil dizer, já que ele não finalizou nenhum em seu curto período como prefeito) ou que podem ter sua criação vinculados a sua obra e graça. Vendo a propaganda tucana, tem-se a impressão que Serra governou a cidade por oito anos, participando ao mesmo tempo do governo do estado. Um político “onipresente” mas que, aos olhos do eleitor, parece bastante ausente...
Assim, a grande esperança de Serra ir ao segundo turno pode estar justamente no crescimento de Haddad. Caso o petista continue avançando, vai tirar votos do atual líder das pequisas, principalmente nas franjas da cidade, e as pesquisas mostram que esse espaço de crescimento existe. Se o tucano conseguir estancar a sua queda, é possível que o crescimento do petista desidrate o desempenho de Russomano e mantenha os três (ou dois) candidatos em patamares mais próximos, dando chances de Serra ir à rodada final. 
E, com um Haddad mais "robusto" nas pesquisas, o discurso antipetista faria mais sentido para parte do eleitorado paulistano. Novamente, o medo seria a mola propulsora do tucano. Aliás, essa situação ideal (e hoje distante) para Serra teria que contar também com a estagnação de Chalita, outro candidato com possibilidades de tirar votos do PSDB. Pouco provável, mas não impossível.
Mesmo indo desgastado para o segundo turno, o tucano provavelmente apostaria no vale-tudo já usado em outras ocasiões e, ao menos, evitaria repetir o vexame de Geraldo Alckmin em 2008. A propósito, outra aposta do PSDB reside justamente nas aparições de Alckmin. Para quem não lembra, sua presença foi decisiva na vitória de Serra em 2000, quando o tucano disputava a ida para o segundo turno com Marta e Maluf. No entanto, a recíproca não foi verdadeira nas eleições de 2008, ocasião em que os serristas não se esforçaram pelo candidato do seu partido e Kassab deixou o atual governador de São Paulo fora do segundo turno. Ali, Alckmin teve 22,48% dos votos válidos, enquanto Serra tem atualmente 26,5% (descontando indecisos, brancos e nulos, segundo o Datafolha). Será esse o piso eleitoral tucano em São Paulo ou o buraco seria mais embaixo?
No Futepoca
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Serra apela de novo à “Guerra Santa”

Serra Serra apela de novo à Guerra Santa
Foto: Alex Silva/AE
Ainda na sexta-feira previ aqui mesmo, ao comentar o último Ibope sobre as eleições em São Paulo, que mostra a candidatura tucana derretendo, após os primeiros dias de campanha no horário eleitoral:
"Serra agora só tem dois caminhos para se salvar do naugráfio anunciado, ambos arriscados: ou parte para o ataque contra seus adversários, tática adotada nas últimas campanhas (...)".
Não deu outra. Na coluna Painel, de Vera Magalhães, publicada na "Folha" deste sábado, três notas já anunciam a nova estratégia da campanha de José Serra, pela quarta vez candidato a prefeito de São Paulo:
Guerra santa - O QG de José Serra pretende colar a imagem de Celso Russomanno à Igreja Universal do Reino de Deus para recuperar eleitores alinhados ao PSDB que migraram para o líder nas pesquisas. "Ele diz que não tem padrinho? As pessoas precisam saber que o padrinho é o Edir Macedo", diz um grão-tucano. Para serristas, a associação ajudará o ex-governador sobretudo no eleitorado católico e no segmento evangélico que disputa fiéis com a igreja do bispo controlador da TV Record.
Benção - Como vacina, Russomanno tem dedicado espaço na agenda a encontros com católicos. Ontem, fez questão de divulgar visita a d. Fernando Figueiredo, patrono do padre Marcelo Rossi, da Renovação Carismática.
Romaria - Gilberto Kassab organizou périplo de Serra a bispos católicos e pastores de várias denominações. Ambos foram a Valdemiro Santiago, da Igreja Mundial do Poder de Deus, "rival" de Macedo.
Serra2 Serra apela de novo à Guerra Santa
Foto: Alex Silva/AE

Nenhuma surpresa, é claro, para quem acompanhou as baixarias da última derrota de José Serra na campanha presidencial, em 2010, sob o comando do mesmo marqueteiro Luiz Gonzalez, que é quem realmente manda na campanha tucana.
Naquela ocasião, como agora, ao perceber que a sua vaca de votos estava caminhando celeremente para o brejo, o tucano recrutou padres, bispos e pastores como cabos eleitorais para bater em Dilma, Lula e no PT, os maiores "demônios" na face da terra.
Carregando nas mãos imagens sacras e apelando para temas como aborto e casamento entre pessoas do mesmo sexo, o candidato do PSDB recorreu à religião para tentar se salvar da inevitável derrota em sua segunda campanha presidencial. Deu no que deu.
Depois de costurar um pacto de não agressão com o candidato do PRB, quando ainda liderava as pesquisas em São Paulo, agora Serra resolveu partir para o ataque contra Russomanno e também Fernando Haddad, do PT, que ameaçam tirá-lo do segundo turno.
Em entrevista à TV Estadão na sexta-feira, acusou Russomanno de mentir ao dizer que foi ele quem bolou a Operação Delegada da PM, em 2010, um programa no qual a prefeitura paga para policiais trabalharem na segurança municipal em suas horas de folga.
"Sabe por que não é verdade? Fizemos a Operação Delegada em 2009. Certos candidatos propõem criar coisas que já existem. Imagina o grau de ignorância a respeito".
Com Serra atirando para todo lado após a divulgação das últimas pesquisas, ainda na noite de sexta-feira, na zona leste, chegou a vez de Fernando Haddad ser alvejado pela proposta do Bilhete Único Mensal.
"Agora vão mexer no Bilhete Único. Para que? Se precisa de transporte mais barato, vamos tirar o imposto que vai para o governo federal e que, se não tomar cuidado, acaba indo para o mensalão".
Com o candidato tucano outra vez fora de controle, esta campanha ainda promete fortes emoções. Serra partiu para mais uma guerra, que de santa nada tem - é apenas um novo capítulo da guerra suja das suas campanhas eleitorais anteriores.
Ricardo Kotscho
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