1 de set de 2012

Aécio usa mensalão em BH e faz sua ode ao cinismo

O Tempo/Folhapress
Ao lado de Marcio Lacerda, prefeito de Belo Horizonte que, em 2002, sacou R$ 1,3 milhão das empresas de Marcos Valério, o senador Aécio Neves introduz o mensalão na campanha mineira. Será que esqueceu em que estado, em que governo e em que partido a tecnologia de financiamento de campanhas das agências de publicidade DNA e SMPB foi criada?
Era de se esperar que o senador mineiro Aécio Neves não explorasse o tema do mensalão na campanha municipal de Belo Horizonte. Seria mais prudente. Não só porque o esquema foi criado na tentativa frustrada de reeleição do tucano Eduardo Azeredo, correligionário de Aécio, em 1998, mas também porque seu atual aliado, o prefeito Marcio Lacerda, de Belo Horizonte, poderia ter sido um dos réus da Ação Penal 470.
Mas Aécio foi imprudente. Neste sábado, numa carreata em Belo Horizonte, citou pela primeira vez o caso – descumprindo uma promessa que ele próprio havia feito. “O PT tem um viés equivocado ao analisar a questão de investimentos, porque ele trata recursos públicos como se fossem seus. Dinheiro federal, dinheiro estadual, isso é menos importante, é dinheiro do povo, são impostos que todos nós aqui pagamos”, disse o senador. “Mas o PT se apropria das empresas públicas, como fez agora, (como foi) comprovado pelo Supremo Tribunal Federal, em relação ao Banco do Brasil. Uma vergonha, uma instituição secular, um símbolo do Brasil que se desenvolveu, que avançou, e utilizada na forma como foi provada agora pelo Supremo Tribunal Federal para atender a interesses do partido”, disse Aécio.
Em 2002, Márcio Lacerda coordenava a campanha presidencial de Ciro Gomes, que não passou para o segundo turno. Naquela edição, Lula venceu José Serra. A campanha de Ciro, no entanto, deixou dívidas pesadas. E foi Marcio Lacerda quem sacou R$ 1,3 milhão das empresas de Marcos Valério para quitá-las. Não se tornou um dos personagens da CPI dos Correios em decorrência de um acordo político ainda hoje mal explicado.
Em 2008, Lacerda se tornou prefeito de Belo Horizonte, eleito pelo PSB, porque tanto o PT quanto o PSDB decidiram apoiá-lo. Sorte dele, que tem feito boa gestão e foi apontado numa pesquisa recente do Instituto Datafolha como o melhor prefeito do País. Mas se destino tivesse sido mais traiçoeiro – ou mais igualitário em relação aos sacadores de recursos nas agências de Valério – Lacerda hoje estaria sentado no banco dos réus, ao lado de Delúbio Soares, José Genoíno e José Dirceu.
Se isso não bastasse, o mensalão mineiro, ou mensalão tucano, foi abastecido com recursos de várias estatais do Estado, como a Copasa e a Cemig, que adquiriram patrocínios inexistentes num evento de motociclismo chamado de “Enduro da Independência”. Dali saiu boa parte dos recursos da campanha de Azeredo, coordenada por Walfrido dos Mares Guia (que coordena a de Marcio Lacerda), para o chamado mensalão mineiro.
Uma declaração como a de Aécio neste sábado deixa a dúvida: o Brasil está mesmo sendo limpo, purificado, ou é só uma maré de cinismo e hipocrisia?
No 247
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Metade das obras de quatro estádios para a Copa 2014 já está concluída

As obras dos estádios para a Copa das Confederações, em 2013, e para a Copa do Mundo de 2014 estão em ritmo acelerado. São, no total, 12 estádios que estão sendo reformados ou construídos. Brasília, Fortaleza, Salvador e Belo Horizonte contabilizam mais de 50% de seus projetos concluídos. O Estádio Nacional de Brasília é um dos mais adiantados do Brasil - 69% das obras já estão concluídas. O estádio brasiliense conta com investimento total de R$ 812 milhões e capacidade para receber até 70 mil torcedores.
No NBR
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O retrato do País

Não fosse enredo da vida real, o processo do chamado “mensalão” seria espetáculo ímpar na capacidade de trafegar entre tragédia e comédia com toques exemplares de drama e de farsa. Não cabe desmerecê-lo, contudo, nesta versão próxima do terceiro ato, o do epílogo, ao menos teoricamente, e que me arrisco a encarar como crítico teatral disposto a registrar de saída seu mérito inegável: o mensalão, em todos os seus aspectos, retrata à perfeição os males do Brasil. A inesgotável mazela, a hipocrisia inata dos senhores, o patrimonialismo do sistema. Um conjunto excepcional de prepotência e parvoíce.
Raposa-mor. Este está por trás de tudo.
A edição é de 10 de setembro de 2008
Padecemos um longo prólogo, longo demais, a partir da denúncia do inconfiável Roberto Jefferson, e ainda assim rico em eventos que se fundem no entrecho central mesmo quando parecem desligados do contexto. Por exemplo, a presença do banqueiro Daniel Dantas. Vibra claramente na própria origem do mensalão como vibrou nos pregressos de marca tucana. E desaguou na Operação Satiagraha, enfim adernada miseravelmente porque DD está por trás de tudo, e muito além do que se imagine.
Marcos Valério serviu a Dantas e dele José Dirceu é bom amigo. Bela figura a ­ocupar a ribalta sete anos atrás, começo do prólogo, foi o ministro Luiz Gushiken, o samurai, como então o batizei, um inocente que pagou caro por sua inocência. Cavaleiro sem mancha, cometeu o pecado de enxergar em Dantas o grande vilão de todas as situações. Pecado imperdoável, tudo indica. A respeito, recomendo nesta edição o texto assinado pelo redator-­chefe Sergio Lirio, a retratar uma personagem de insólita dignidade, sacrificada injustamente ao ser forçada a deixar o governo.
O início do primeiro ato propõe Roberto Gurgel, o procurador-geral, Gogol se deliciaria com ele, fâmulo da treva e da reação, escalado para definir o mensalão como “o mais atrevido e escandaloso esquema de corrupção e de desvio de dinheiro público flagrado no Brasil”. Não lhe são inferiores, talvez mais daninhos, a bem da verdade factual, os anteriores urdidos pelo tucanato, a partir da compra de votos no Congresso para permitir a reeleição de Fernando Henrique Cardoso. Decerto mais imponente, o maior de todos, o episódio das privatizações, promovidas pelo mesmo FHC e protagonizado, entre outros, olhem só, por Daniel Dantas.
Não é que nossos juristas façam jus ao respeito unânime da audiência, sobretudo aquela que se apinha no balcão. Alguns produzem argumentações destinadas a suscitar pena em uma plateia mais atilada e menos comprometida do que a da ­casa-grande, esta escorada pelos barões da mídia e seus sabujos, unidos na ameaça aos próprios ministros do Supremo inclinados a um julgamento imparcial. O ministro Luiz Fux, no seu realismo exasperado, pretendeu condenar por peculato um réu chamado a responder por outros crimes, conforme teve de ser bondosamente avisado ao cabo de sua diatribe. Enquanto isso, Ricardo Lewandowski se abala a telefonar para um crítico global, Merval Pereira, que contestava duramente seus argumentos a favor de João Paulo Cunha. Contribuição inefável à imortalidade de um jornalista acadêmico, a seguir as pegadas culturais do seu falecido patrão. Donde, largo à cultura. Leiam, a propósito, Mauricio Dias na sua Rosa dos Ventos.
O primeiro ato do espetáculo presta-se a demonstrar a inadequação do título “mensalão”. Como sempre sustentou Carta­Capital. Provas certamente haverá de outros delitos, igualmente condenáveis, peculato, corrupção, lavagem de dinheiro. Quanto ao uso de caixa 2, a lei brasileira prontifica-se a uma lamentável leniência na punição do crime eleitoral. O segundo ato inaugura-se em proveito de outra constatação, caso não tivesse já dado o ar da sua desgraça: um grupo de petistas, que não seria o caso de chamar de aloprados, decidiu imitar a estratégia tucana desenhada e comandada por Serjão Motta a partir de 1994 com o propósito de manter no poder ad aeternitatem o pássaro incapaz de voar.
Não deu, José Serra lá estava para atrapalhar desde 2002, a despeito do maciço apoio midiático. A diferença entre uns e outros está no fato de que o Partido dos Trabalhadores nasceu em odor de subversão e de nada lhe adiantou abjurar pelo caminho a fé primeva. Além disso, no caso do ex-metalúrgico Lula pesa, em primeiro lugar, o ódio de classe, sentimento tão natural na casa-grande. Em contrapartida, a trajetória da esquerda nativa, oportuno é sublinhar, é tão deplorável quanto tudo o mais, e cabe neste enredo de traições aos ideais propalados em vão, de promessas bombásticas e falsos propósitos inexoravelmente descumpridos em nome do oportunismo aconselhado pelo momento fugidio.
Estamos na iminência do terceiro ato, mas o que se viu até agora estimula depressões monumentais. E aonde quer que o espectador se volte não encontrará razões de alívio.
Mino Carta
No CartaCapital
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Álvaro Dias também é rifado pelo PSDB

O botox derrete
Saiu hoje no blog de Ilimar Franco, hospedado no sítio do jornal O Globo:
O PSDB resolveu se unir ao PT para deixar sem mandato o líder da oposição no Senado, Álvaro Dias (PR). Inimigo do governador Beto Richa, Dias foi avisado que está fora da chapa para 2014. Ele examina três alternativas: abandonar a política, concorrer a deputado federal ou mudar de partido, alegando perseguição política.

As sangrentas bicadas tucanas

A notinha confirma que as bicadas no ninho tucano são cada vez mais sangrentas. Em São Paulo, o decadente José Serra – que lidera as pesquisas apenas no quesito rejeição – já teme ser “cristianizado”. Fala-se, até, numa vingança maligna de Geraldo Alckmin, que já foi traído por Serra em 2008. Há também a briga, explícita, entre o governador paulista e Arthur Virgílio, o candidato tucano à prefeitura de Manaus. O “valentão” já ameaçou sair do PSDB. Nos outros estados, os candidatos tucanos afundam nas pesquisas.
No caso do Paraná, as bicadas são antigas. No final do ano passado, o blogueiro Esmael Morais já havia cantado a bola. “Adversário político do governador Beto Richa, presidente estadual do PSDB, Álvaro se vê sem espaço na legenda do Paraná”, revelou em primeira mão. Esmael até conversou com o senador, um dos mais raivosos da direita nativa, que não escondeu seu descontentamento com os rumos da sigla no estado. “Há cinco anos não sou convidado para participar dos programas de TV do PSDB”, desabafou o tucano.
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Justiça aceita denúncia contra Curió

Curió e sua obra máxima: o Araguaia
Em decisão inédita, juíza federal aceita denúncia contra militares que atuaram na Guerrilha do Araguaia
A juíza federal Nair Cristina Corado Pimenta de Castro, do Tribunal Regional da 1.ª Região, Subseção de Marabá, aceitou na última quarta-feira a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) contra o major da reserva Lício Augusto Maciel, acusado de sequestro de militante político durante o período do regime militar. A juíza também acatou ação contra o coronel da reserva Sebastião Rodrigues de Moura, mais conhecido como Major Curió, pelo mesmo tipo de crime. Os dois serão processados de acordo com o artigo 148 do Código Penal.
Trata-se de uma decisão inédita na Justiça do Brasil. Até agora haviam sido rechaçadas todas as tentativas de responsabilização penal de agentes de Estado acusados de violações de direitos humanos. Os juízes sempre alegaram, ao recusar as denúncias, que crimes estão prescritos ou foram abrangidos pela Lei da Anistia de 1979.
O major Lício e o coronel Moura participaram das atividades de combate à Guerrilha do Araguaia, no início dos anos 70. No caso do Major Curió, a juíza reformou uma decisão anterior, de um juiz substituto, que havia negado o pedido de ação penal do MPF.
Roldão Arruda
No Estadão
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Cesar Maia do DEMo transferiu bens antes da Justiça os bloquear

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro determinou na sexta-feira (31) o bloqueio dos bens do ex-prefeito do Rio Cesar Maia (DEMo-RJ), para garantir a devolução aos cofres públicos do dinheiro supostamente desviado ...
Que bens?
Ele declarou patrimônio ZERO à justiça eleitoral, como candidato à vereador.
Um cidadão desavisado poderia ficar comovido com um político que já foi prefeito 3 vezes da segunda maior metrópole do Brasil, deputado, etc, terminar a carreira numa pindaíba danada. Mas não é essa a realidade.
O demo mora em um apartamento de altíssimo luxo, que deve valer pelo menos R$ 5 milhões no mercado imobiliário de hoje, com um padrão de vida só acessível a milionários, e transferiu sua fortuna em imóveis para o nome de parentes.
Detalhe: seu filho, o deputado Rodrigo Maia (DEMos-RJ), é candidato a prefeito.
Em entrevista recente ao jornalão O Globo, quando questionado o demo "explicou":
— Normalmente, os executivos que têm patrimônio, aos 65 anos, repassam os bens a seus filhos, esposa e netos. Como minha saúde não era perfeita, comecei a transferir os bens com 60 anos de idade e completei a transferência com 65 anos. É mais prático que testamento..
O jornalão se "esqueceu" de informar ao leitor que o demo já respondia há diversos processos de improbidade administrativa, cujas condenações levariam a perda destes bens se continuasse em nome dele.
Cesar Maia responde vários processos, tanto na justiça federal, quando se trata de verbas federais, como na estadual, na vara de fazenda pública. Alguns já há condenações, mas que ele ainda recorre a instâncias superiores.
Os processos vão desde maracutaias na construção da Cidade da Música, com denúncias de superfaturamentos e violação de normas, passando por transferir verbas públicas para uma ONG de seu sub-secretário de meio-ambiente, construção de igreja privada com dinheiro público, até ao pagamento de R$ 5,3 milhões da prefeitura para a Liga das Escolas de Samba, considerados em duplicidade, o que deflagrou o bloqueio dos bens.
A pergunta é: a justiça tem como alcançar os bens transferidos para parentes, como o filho Rodrigo Maia e para a irmã? E tem como punir, caso isso se caracterize uma manobra planejada?
ZéAugusto
No Amigos do Presidente Lula
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Nota de repúdio da Blogosfera Progressista Paranaense

“Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser,
mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las”
Voltaire
A blogoosfera paranaense está sob constante ataque a sua Liberdade de Expressão e a sua iniciativa de levar um ponto de vista diferente a uma população que carece de políticas que possibilitem a Democratização das Comunicações.
Os blogueiros progressistas do Paraná vem por meio desta nota manifestar seu total repúdio à censura judicial imposta ao blogueiro, advogado e professor universitário, Tarso Cabral Violin, do Blog do Tarso, pelo candidato a reeleição a prefeitura de Curitiba, Sr. Luciano Ducci (PSB).
O simples fato de divulgar uma enquete em seu blog, onde o leitor poderia expressar sua opinião, levou os advogados de Luciano Ducci a  tentar impor uma absurda multa de R$ 212.820,00, o que foi inteligentemente negado pela análise do Ministério Público e da 1ª Instância da Justiça Eleitoral.
O tropa judicial de Ducci, porém, recorreu ao TRE. Um dos advogados chegou a conversar com cada magistrado do Tribunal para condenar o blogueiro ao pagamento da absurda multa, o que acabou sendo aceito pelo TRE/PR, com apoio do MP, que aplicou duas multas no valor de R$ 106.410,00 ao blogueiro Tarso Cabral Violin.
Esta não é a primeira vez que o grupo político que comanda a capital paranaense há quase 30 anos coloca suas garras sobre o Direito Constitucional da Liberdade de Expressão contra cidadãos, tuiteiros, feicebuqueiros, blogueiros e jornalistas que ousam contestar ou discordar de seus atos e de sua tentativa de cerceamento à Liberdade de Expressão.
Basta lembrar as eleições de 2010, quando o então candidato ao governo e padrinho político de Ducci, Beto Richa, censurou todas as pesquisas eleitorais, além de tirar do ar a página do blogueiro Esmael Morais.
Ducci repete as lamentáveis práticas de seu padrinho. Ainda em 2012 o “socialista” tentou impor censura à jornalista Thea Tavares, do Blog Lado B, e vem barrando a divulgação de pesquisas eleitorais do mais determinados meios. Também sofreu censura o blogueiro Luiz Skora, do blog Polaco Doido, "condenado" a pagar multa de R$ 5 mil e ser obrigado a retirar posts de seu blog por solicitação do Social-Cristão, também candidato a prefeito, Sr. Ratinho Jr.
Estamos atentos! Assim como na Alemanha nazista e na Itália fascista, os ataques dos poderosos contra os povos começaram com ataques à Liberdade de Expressão e o Direito à Livre Organização, que são, invariavelmente, apenas a ponta de um iceberg ditatorial que mais tarde inunda o País com seus crimes e atrocidades contra a Humanidade e os Direitos Humanos.
Defendamos os nossos Direitos Fundamentais!
Defendamos o nosso Direito Humano à Comunicação e ao Livre Debate de Ideias e Opiniões!
Defendamos a Liberdade de Expressão!
Coletivo de Blogueiros Progressistas e Ativistas Digitais do Paraná
Celly Vieira - Blog da Celly
Cleverson Lima - Blog Rodopiou
Daniel Alcântara - Rede Liberdade
Iris M. Cavalcante - @otudonumblogso
José Pedro - Blog do José Pedro
Luiz Skora - Blog Polaco Doido
Marcos Cunha Carlomagno -
Milton Alves - Blog do Milton Alves
Paulo Roberto Cequinel - Blog O Ornitorrinco
Paulo Roberto Stockler - @stockler_
Robson Guimarães - Blog Rodopiou
Sergio Bertoni - TIE Brasil
Leia também: Luciano Ducci extermina o Blog do Tarso
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Urgente! Soninha do PPS é internada com sintomas de demência aguda

Depois de uma dessas, a Soninha precisa, urgentemente, procurar um psicanalista ou coisa que o valha! De preferência, deve levar o "padrinho" dela... O esquizofrênico Roberto Freire.
No Terra Brasilis
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Serra vai acionar o PIG contra Russomano

Serra tem tudo para ser o candidato-picolé destas eleições municipais em São Paulo. Quando sua candidatura foi confirmada pelo PSDB, seus índices nas pesquisas dispararam e parecia inevitável sua ida ao segundo turno em primeiro lugar.
Agora, a luta é outra. Conseguir voltar a ter uns 25% dos votos para impedir que a disputa final seja entre Russomano e Haddad.
No caso de Haddad o que está acontecendo é meio óbvio, apesar de muitos “especialistas em eleições” terem ficado os últimos meses batendo bumbo na tese de que sua candidatura corria o risco de ser um fiasco.
O campo lulo-petista em São Paulo é de aproximadamente 30% a 35% do eleitorado no primeiro turno. Se a campanha de Haddad fosse um desastre, teria ao menos uns 70% desses votos. O seja, no mínimo 20%.
Mas Haddad é um candidato consistente e tem bom perfil para a cidade. Mas o que está se vendo é ainda mais interessante. João Santana e sua equipe estão produzindo um programa de TV primoroso, enquanto Serra aparece na sua propaganda como um tiozinho que quer ser o cara. Alguém que fica repetindo velhas histórias (remédios genéricos, Etecs, o anti-PT e o menino que nasceu na Mooca) e tentando se vender como jovem.
Está muito chato e se vier a continuar nesta linha vai derreter ainda mais. Ao mesmo tempo, não pode dar um cavalo-de-pau e começar a bater em Russomano, que é quem está roubando seus votos.
Haddad tira votos do candidato do bispo na periferia e Russomano faz estrago na base de Serra nos bairros de classe média.
O que isso significa é que Russomano vai começar a apanhar. Mas não de Serra. O serviço vai ser feito pela Globo, Veja, Folha, Estadão e o resto do PIG.
O Partido da Imprensa Golpista não vai aceitar que o bispo comande São Paulo com um outsider. E ao mesmo tempo não vão querer ter de apoiar Haddad.
O que resta a eles é detonar o candidato do PRB e deixar o serviço sujo contra o petista para Serra.
É possível que isso leve o tucano ao segundo-turno, mas ele vai chegar lá cambaleando. Mais ou menos como o senador Aécio Neves estava em recente vídeo divulgado pelo Youtube.
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‘Insurgência contra regime sírio é sustentada pelo Ocidente’

O Ocidente e monaquias do Golfo querem se desfazer dele.
Foto: ©AFP / Louai Beshara
Parece loucura que a oposição levantada na Síria desde 26 de janeiro de 2011 ainda continue e se desdobre, mais de um ano, sob a forma de luta armada, apesar da dura e sangrenta repressão do governo de Bashar al-Assad. Mas conforme comentou Polônio a respeito do comportamento de Hamlet, “embora seja loucura, há um método nela”. Não obstante existissem condições objetivas e subjetivas para as sublevações que ocorreram e ocorrem nos países árabes, o cartel das potências industriais do Ocidente, liderado pelos Estados Unidos e seus sócios da União Europeia, armou uma equação, com ampla dimensão econômica, geopolítica e geoestratégica, sobretudo por trás das sublevações na Líbia e na Síria, iniciadas em 2011.
Os Estados Unidos e demais potências ocidentais pretendem assumir o controle do Mediterrâneo e isolar politicamente o Irã, aliado da Síria, bem como restringir a influência da Rússia e da China no Oriente Médio. A Rússia, desde 1971, opera o porto de Tartus, na Síria, e projeta reformá-lo e ampliá-lo, como base naval, em 2012, de modo que possa receber grandes navios de guerra e garantir sua presença no Mediterrâneo. Consta que a Rússia também planeja instalar bases navais na Líbia e no Iêmen. E o financiamento da oposição na Síria desde 2005 visou a desestabilizar e derrubar o regime de al-Assad, que representa um obstáculo, a fim de impedir o aprofundamento de suas relações com a Rússia.
A queda do regime sírio após a derrubada de Muammar Kaddafi na Líbia permitiria suprimir a presença da Rússia, onde ela mantém duas bases navais (Tartus e Latakia), cortar as vias de suprimento de armas para as organizações pró-xiitas Hisbollah, no Líbano, e Hamas, na Palestina, conter o avanço da China sobre as fontes de petróleo, isolar completamente e estrangular o Irã, com a conseqüente eliminação do governo de Mahmoud Ahmadinejad. O resultado da equação, ao mudar completamente o equilíbrio de forças no Oriente Médio, seria o estabelecimento pelos Estados Unidos e seus sócios da União Européia da full-spectrum dominance, ou seja, o pleno domínio territorial, marítimo, aéreo e espacial, bem como apossar-se de todos ativos do Mediterrâneo.
O objetivo de controlar o Mediterrâneo, Washington e Madri manifestaram abertamente com o acordo, anunciado em 5 de outubro de 2011, pelo qual a base naval de Rota (Cádiz), na Espanha, devia albergar quatro destróieres, equipados com antimísseis (BMD) da Marinha dos EUA e operados por 1,1 mil militares e cem civis, como um sistema de defesa da OTAN, a pretexto de prevenir ataques de mísseis balísticos do Irã e da Coréia do Norte, e será acompanhado por outros sistemas, na Romênia, Polônia e Turquia. E a derrubada do regime de Assad é fundamental para o êxito da equação.
Os aliados ocidentais sabem que não podem aplicar à Síria a mesma estratégia da Líbia, através da OTAN, extrapolando criminosamente a resolução do Conselho de Segurança da ONU. O apoio à sublevação na Síria e o sistema antimísseis, implantado a partir da Espanha, indicam que o alvo é realmente a Rússia, ainda percebida pelos Estados Unidos como seu grande rival, razão pela qual Moscou e Beijing vetaram a resolução do Conselho de Segurança contra o regime de al-Assad. Sua derrubada, após a de Kaddafi, completaria o controle do Mediterrâneo… Isso se os fundamentalistas islâmicos não capturarem os governos na Síria como virtualmente já fizeram na Líbia e provavelmente farão no Egito.
A insurgência na Síria envolve interesses de diferentes matizes, tanto políticos quanto religiosos, de países da região (Turquia, Arábia Saudita e Qatar). Tudo indica, porém, que a conquista das fontes de energia no Mediterrâneo seja um dos principais motivos pelos quais os Estados Unidos e seus aliados estejam a encorajar abertamente a mudança do regime. Embora a produção de petróleo, na Síria, seja modesta, da ordem de 530 mil barris por dia, não se pode descartar, inter alia, esse fator como rationale da sangrenta resistência, concentrada na cidade de Homs. É preciso considerar todos os fatores a determinar o apoio à insurgência, que o Ocidente, por meio de diversos mecanismos, inclusive com a guerra psicológica presente na mídia internacional, e em aliança com as monarquias absolutistas do Oriente Médio.
As reservas de petróleo na Síria são estimadas em 2,5 bilhões de barris, situadas principalmente na parte oriental do país, próxima à fronteira com o Iraque, ao longo do Eufrates, havendo apenas um pequeno número de campos, na região central. Sua localização é estratégica em termos de segurança e de rota de transporte de energia, cuja integração se esperava aumentar com a inauguração, em 2008, do Arab Gas Pipeline, e a inclusão no gasoduto da Turquia, Iraque e Irã. E a Síria construiu um sistema de oleodutos e gasodutos controlados pela empresa estatal Syrian Company for Oil Transportation (SCOT) a fim de transportar óleo cru e refinado para os portos Baniyas, situados 55 quilômetros ao sul de Latakia e 34 ao norte de Tartus, onde se encontram as duas bases navais da Rússia.
Em fevereiro de 2012, os terroristas da al-Qaeda atacaram e explodiram a maior refinaria de Síria, localizada em Bab Amro, distrito 7 quilômetros a oeste do centro de Homs (também chamada Hims), cidade em que se concentra a oposição ao regime de Assad. A refinaria se liga, através de um oleoduto inaugurado em 2010, aos campos de petróleo no leste da Síria, à estação de Tel Adas e ao porto de Tartus.
O interesse das potências ocidentais aponta, sobretudo, para os ativos petrolíferos no mar da região. Segundo o ministro do Petróleo e Recursos Naturais da Síria, Sufian Allaw, os estudos científicos modernos indicaram a existência de enorme reserva de gás natural, calculada em 122 trilhões de pés cúbicos, e petróleo, da ordem de 107 bilhões de barris, ao longo da plataforma marítima da Síria. Diversas companhias anunciaram recentemente terem descoberto importantes reservas de gás e petróleo, mas a exploração é complicada devido às tensões entre os países da região.
As reservas, em águas profundas, nas camadas sub-sal, a leste do Mediterrâneo, próxima à Bacia Levantina, estendem-se ao longo dos 193 quilômetros da costa da Síria até o Líbano e Israel.
Desde 2010 esses dados são conhecidos. A partir de então, o Great Game na região intensificou-se dramaticamente com a descoberta na zona econômica exclusiva de Israel, na Bacia Levantina, de gigantesca reserva de gás natural denominada Leviatã. Os geólogos da U.S. Geological Survey calculam que área, abrangendo o litoral Israel, Líbano e Síria, contém ainda reservas que podem ser recuperadas, com o uso das atuais tecnologias disponíveis.
O Líbano questionou na ONU a exploração de tais reservas, dado que também se estendem à sua zona econômica exclusiva, mas Israel não está disposto a ceder sequer “uma polegada”, conforme declarou seu ministro do Exterior, Avigdor Lieberman. E a companhia petrolífera americana Nobler Energy, sediada em Houston, anunciou em fevereiro de 2012 a descoberta em Tanin, 13 milhas ao noroeste do campo de Tamar, na plataforma maritíma de Israel, de outro campo de gás natural, prospectando uma profundidade de 18-212 pés: um depósito de aproximadamente 120 pés de gás natural espesso.
De acordo com as estimativas, os depósitos de gás na Bacia Levantina são da ordem de aproximada de 3,5 trilhões de metros cúbicos. As descobertas na zona econômica exclusiva de Israel, dos campos de Marie B, Gaza Marine, Y ½, Leviatã, Dalit e Tamar somavam no ano passado 800 bilhões de metros cúbicos de gás. A exploração do campo Leviatã I, em 2011, havia alcançado 5.170 metros de profundidade. Neste ponto, os depósitos de gás natural eram estimados em 16 trilhões de metros cúbicos. No nível de 7,2 mil metros, estima-se uma reserva adicional de 250 milhões de metros cúbicos. As grandes descobertas da Nobler Energy, que explora a zona econômica exclusiva de Israel, são estimadas entre 900 bilhões e 1,4 trilhão de pés cúbicos de gás. Ao lado de tais reservas de gás, há a possibilidade da existência de 4,2 bilhões de barris de óleo.
As grandes reservas de óleo e gás, ao longo da Grécia, Turquia, Chipre, Síria, Líbano e Israel, são da maior importância geoeconômica, geopolítica e geoestratégica, uma vez que podem abastecer diretamente o Estados Unidos e a União Européia e evitar as ameaças de interrupção no Golfo Pérsico, por onde atualmente milhões de barris do hidrocarbonetos são transportados em navios-tanques e oleodutos. A disputa dessas fontes de gás e óleo, na Bacia Levantina, constitui também fator do litígio geopolítico entre a Turquia e a República de Chipre, bem como entre Israel e o Líbano, evidenciando o grau da relevância estratégica da Bacia Levantina, que se estende do mar da Líbia à Síria.
Em 24 de março de 2011, o ministro do Petróleo e Recursos Minerais e a General Petroleum Corporation (GPC), empresas estatal da Síria, anunciaram a abertura de uma concorrência internacional para a exploração e produção de petróleo, oferecendo três blocos (I, II e III), cada um com 3 mil km2 em uma extensão total de 9.038 Km2 , localizados offshore, na zona econômica da Síria.
O anúncio da concorrência excitou as empresas petrolíferas, ao abrir a perspectiva de acesso aos hidrocarbonetos, em uma área sub-explorada e considerada como a verdadeira fronteira da exploração de petróleo no Mediterrâneo. O centro desse projeto são 5 mil quilomêtros de “long-offset multi-client 2D seismic data”, ou seja, dados geológicos (coletados através de explosões que provocam ressonâncias sísmiscas, como uma espécie de pequeno terremoto controlado) adquiridos pela companhia francesa CGGVeritas, em 2005, para exploração em águas profundas, entre 500 e 1,700 m.
A Síria é uma arena onde as rivalidades não são apenas políticas, geopolíticas, mas também religiosas. Essa particularidade está no transfondo da luta armada contra o regime de Bashar al-Assad, sustentado pela Rússia e pelo Irã. Aí estão no Great Game os interesses hegemônicos da Turquia, na região, bem como dos Estados Unidos, França, Reino Unido e seus aliados da Liga Árabe. E não existe mais a menor dúvida de que a insurgência contra o regime de Bashar al-Assad é sustentada com armas e dinheiro pelas potências ocidentais e pelos seus aliados do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), as seis monarquias mais retrógradas e absolutistas do Oriente Médio, entre quais a tirania teocrática wahhabista do rei Abdallah bin Abdul Aziz Al-Saud, da Arábia Saudita, e do seu aliado, o emir de Qatar, o xeque Hamad bin Khalifa Al Thani.
Luiz Alberto Moniz Bandeira
No CartaCapital
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Folha perde 16% da sua audiência

O sítio Comunique-se, especializado em mídia corporativa, publicou nesta semana que o portal do jornal Folha de S.Paulo perdeu 16% da sua audiência no trimestre. A queda abrupta ocorreu depois que o diário da famiglia Frias passou a cobrar pelo seu conteúdo online. Com base em dados do sítio Alexa, que mede a popularidade das páginas da internet no mundo, “a análise mostra que a Folha teve no período 14% menos de visitantes únicos”, informa Nathália Carvalho.
Ainda segundo a matéria, “o rival Estadão perdeu 1,73% de audiência no mesmo trimestre e aumentou em 2% o número de visitantes únicos. Os blogs lideram entre as páginas mais visitadas”. Estas informações não devem ter agradado a direção do Grupo Folha, que aposta tudo na cobrança do conteúdo online para tentar superar a crise que atinge a mídia impressa. A Folha, a exemplo de outros jornalões, tem perdido tiragem com a “revolução” do mundo digital e está desesperada com o declínio do seu modelo de negócios.

A aposta desesperada no "paywall"

O modelo de cobrança por acesso às edições digitais, o chamado “paywall” (muro de pagamento), vem sendo testado em várias partes do mundo. Mas os monopólios midiáticos ainda não estão seguros de que ele é a solução para crise da mídia imprensa – expressa nas quedas vertiginosas de tiragens e, inclusive, na extinção de inúmeros jornais. Recente pesquisa do Ibope aponta que apenas 50% dos leitores brasileiros mantêm a fidelidade ao veículo após a sua migração para as plataformas digitais.
Com o avanço da internet, a tendência é que os jornalões sofram ainda mais. Nos últimos dois anos e meio, o número de pontos de acesso à banda larga fixa e móvel quase quadruplicou no país. Segundo a Telebrasil, que reúne as empresas de telecomunicações, hoje já são 78,8 milhões de computadores, notebooks, tablets e celulares conectados à internet rápida – alta de 292% ante os 20,1 milhões do fim de 2009. Somente no primeiro semestre deste ano, foram 19,2 milhões de novas conexões – 1,2 novo acesso por segundo.

Avanço da internet no Brasil

O segmento móvel é o que mais cresce. Há dois anos e meio, ele tinha apenas 8,7 milhões de acessos (43,3% do total), menos que os 11,4 milhões de acessos à banda larga fixa (56,7%). Hoje, três em cada quatro acessos de banda larga são feitos a partir de dispositivos móveis – 60,1 milhões de conexões móveis (76,3%), ante 18,7 milhões fixas (23,7%). O crescimento da internet móvel é de expressivos 590% em dois anos e meio, enquanto a alta da banda larga fixa foi de 64% no período. Isto apesar dos péssimos serviços das teles!
Diante desta explosão da internet, a velha mídia presencia a desintegração do seu velho modelo de negócios. O Globo, Estadão, Folha e outros jornalões não conseguem conter a queda das suas tiragens. O índice de leitura de veículos impressos no país ainda se mantém no mesmo patamar de alguns anos atrás graças aos jornais gratuitos e populares e ao aumento do poder aquisitivo dos brasileiros. Daí a aposta no “paywall”. A Folha foi a primeira a apostar neste caminho e os resultados não parecem animadores. A conferir!
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Pagot diz por que se curvou: "O Serra está me processando"

Ex-diretor do Dnit alivia para os tucanos em seu depoimento na CPI, mas depois revela à ISTOÉ, em entrevista gravada, o que estava por trás da sua decisão
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Passava das 10h da manhã da terça-feira 28 quando Luiz Antonio Pagot, ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), chegou ao Senado para depor na CPI do Cachoeira. Considerado uma testemunha-chave desde junho, quando ISTOÉ publicou declarações suas sobre o balcão de negócios instalado no órgão, nas quais expôs esquema de arrecadação das campanhas políticas, Pagot se curvou diante dos parlamentares. Durante mais de oito horas, ele decepcionou quem esperava por novas revelações e apenas confirmou o que havia dito sobre as pressões que sofreu para conseguir doações de empreiteiros para políticos. Pagot se contradisse ao tentar explicar as declarações que deu à ISTOÉ em junho, quando afirmou que a obra do rodoanel paulista servia para abastecer a campanha do então candidato à Presidência da República, José Serra (PSDB). O ex-diretor do Dnit declarou à CPI que as acusações haviam sido feitas por um funcionário de empreiteira em um restaurante de Brasília e que não passavam de “conversa de bêbado”. Dois meses antes, ele não qualificara a fonte da informação e insistira em que o denunciante era um amigo confiável e bem informado. Em uma nova entrevista gravada, depois de depoimento na CPI, Pagot admitiu ter sido orientado por advogados a recuar na ofensiva aos tucanos porque José Serra entrou com um processo judicial contra ele. “O Serra está me processando”, disse, em conversa gravada.
O recuo de Pagot pode mesmo ter relação com as complicações jurídicas, mas era esperado pelos parlamentares, antes mesmo do início da audiência na CPI. A tranquilidade de integrantes da base aliada e da oposição não combinava com o poder de fogo que o depoente tinha em mãos e com as ameaças que ele vinha fazendo aos políticos. Nos primeiros minutos da sessão, já era possível perceber o clima de acordo que esfriaria sua participação na audiência. Em tom conciliador e com palavras previamente ensaiadas, Pagot deixou claro que nenhuma nova denúncia seria feita e que a disposição de falar o que viu nos cinco anos em que esteve à frente do Dnit já não era a mesma. A tática da defensiva foi usada também pelo ex-diretor da Dersa, Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, que voltou a negar que parte do dinheiro do rodoanel tenha ido para os tucanos. De acordo com Souza, não houve pressões da estatal paulista para que o Dnit liberasse um aditivo à obra do rodoanel e o custo adicional da obra teria sido determinada pelo próprio governo do Estado. Segundo o ex-diretor da Dersa, Pagot teria se confundido ao mencionar a suposta pressão. “Acho que ele se confundiu porque tinha muita coisa na cabeça.” Experiente, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) resumiu o que aconteceu. “A ausência de líderes de grandes partidos como PT e PSDB mostra que houve uma negociação em torno do silêncio”, afirmou Simon. “O que é uma pena, pois em diversas ocasiões ele prometeu contar tudo sobre o esquema de superfaturamento de obras. Ele perdeu a chance de ajudar o País.”
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PAULO PRETO
Ele negou que parte do dinheiro do rodoanel foi para o PSDB
O acordo citado por Simon foi costurado pelo senador Blairo Maggi (PR-MT) às vésperas do depoimento. Seu partido comanda o Dnit desde o governo Lula e avalizou as negociações feitas no órgão nos últimos anos. Minutos antes da sessão, o próprio Maggi avisou a alguns parlamentares que Pagot não detonaria nenhuma bomba e evitaria criar fato político com novas informações sobre esquemas de financiamento de campanhas. “Ele não vai incendiar”, avisou o deputado Maurício Quintella (PR-AL) por telefone a um interlocutor preocupado com o desfecho do depoimento. O ex-diretor seguiu à risca a orientação de aliviar o discurso sobre as irregularidades praticadas por tucanos em São Paulo e cedeu às pressões de caciques políticos para não tornar públicos os segredos que guarda até hoje. Perdeu uma boa chance de não ficar calado.
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Izabelle Torres e Claudio Dantas Sequeira
No IstoÉ
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Charge online - Bessinha - # 1434

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Tourinho Neto trava processo contra Cachoeira

Tourinho Neto trava processo contra Cachoeira
Ele de novo: depois de conceder habeas corpus que poderia liberar o contraventor (cassado pelo ministro Gilson Dipp no STJ), desembargador Tourinho Neto determina a suspensão do processo referente às investigações da Operação Monte Carlo
O desembargador Tourinho Neto, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, determinou a suspensão do processo que envolve o empresário Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, referente às investigações da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal (PF).
O tribunal informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o desembargador determinou a suspensão do processo até que as companhias telefônicas, responsáveis por linhas que foram grampeadas pela PF para a investigação, forneçam informações solicitadas por Tourinho Neto.
Ainda de acordo com o tribunal, as companhias devem fornecer extratos telefônicos e identificação de quando e quais dados foram acessados a partir da senha fornecida aos policiais federais para o grampeamento das chamadas.
Enquanto essas informações não forem incluídas nos autos, o processo ficará suspenso, ou seja, nenhuma outra decisão pode ser tomada por parte do juiz responsável pelo caso, Alderico Santos.
Carlos Cachoeira é acusado de comandar uma quadrilha que explorava jogos ilegais no estado de Goiás e de ser dono de diversas empresas fantasmas que fraudavam licitações públicas e lavavam dinheiro proveniente de corrupção. Ele está preso desde 29 de fevereiro quando foi deflagrada a Operação Monte Carlo e já teve diversos habeas corpus negados pela Justiça.
Agência Brasil
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Sobre Farsas

Em uma de suas mais polêmicas declarações dos últimos anos, o ex-presidente Lula afirmou que o “mensalão” era “uma farsa”.
A frase foi dita quando ainda ocupava a Presidência e ele a arrematou com a promessa de que dedicaria boa parte de seu tempo após deixar o Planalto a demonstrá-lo. Vivíamos os dias de comemoração da vitória de Dilma e ela soou a muitos como um arroubo, compreensível no calor do momento, mas de pequena consequência prática.
Mesmo para quem é famoso por emitir opiniões desconcertantes, essa foi extraordinária. Até alguns de seus companheiros mais próximos acharam que Lula havia se excedido.
Passaram-se quase dois anos e os fatos mostram que estava certo. Quanto mais avança o “julgamento do mensalão” no Supremo Tribunal Federal, mais fica claro que o fulcro da denúncia é vazio. Que a acusação fundamental que pesa contra os réus é destituída de sentido.
Mas Lula não conseguiu alcançar seu intuito. Do final de 2010 para cá, seu esforço de provar a farsa a todos não foi bem sucedido.
É claro que fracassaria tentando convencer os adversários do lulopetismo. Entre eles, alguns são tão irracionais que nenhum argumento, por mais bem explicado, seria aceito.
Eles são uma pequena minoria da sociedade brasileira, de tamanho conhecido: os 5 a 6% que achavam “péssimo” e “ruim” o governo Lula e que continuam a detestar tudo que Dilma faz.
Mas estão super-representados nos veículos da grande indústria de comunicação. Por isso, embora sejam poucos, falam alto. Tanto que parecem ser as únicas vozes que existem.
A batalha à frente do ex-presidente, de fazer com que o conjunto da opinião pública percebesse que o “mensalão” era uma farsa, seria difícil de qualquer maneira. Mesmo para quem tem seu prestígio.
A vasta maioria da população se interessa nada ou quase nada por questões políticas e administrativas. Por essa razão, não acompanha o noticiário e tende a permanecer substancialmente desinformada - mesmo quando supõe ter alguma informação.
Essa mistura de desinteresse e desconhecimento explica a importância que têm os estereótipos e os preconceitos na concepção do cidadão comum a respeito da política e dos políticos. Sabendo pouco e pouco querendo saber a mais, tende a simplificar e generalizar. Dá menos trabalho que procurar entender cada caso concreto.
Nada disso é um característica exclusiva da sociedade brasileira. Ao contrário, com a exceção de alguns poucos países de cultura política intensamente participativa (como alguns de nossos vizinhos), não somos diferentes da média.
O que é peculiar ao Brasil é haver um só discurso nos principais meios de comunicação de massa.
Não é estranho que os empresários que os controlam desgostem de um partido e prefiram outros. Nem que contratem profissionais para defender seus pontos vista. É assim no mundo inteiro, onde donos de jornal e jornalistas têm lado e costumam explicitá-lo.
O que complica o quadro brasileiro é que apenas um lado tem expressão na mídia hegemônica, exatamente aquela que, por oferecer produtos de entretenimento, é consumida pela maioria - majoritariamente desinteressada, pouco informada e com visão estereotipada.
Isso não é decisivo nas circunstâncias que cobram das pessoas maior envolvimento e participação, como na hora de votar. Em situações como essa, elas não refugam e apenas a minoria permanece à margem, deixando-se conduzir pelos “formadores de opinião”.
Mas quando estão em pauta as “coisas dos políticos” o comportamento é diferente. Como elas não as motivam, suas reações são apenas automáticas. Convocam o estereótipo: “todo político é culpado”. E não é preciso prová-lo.
Uma denúncia - qualquer denúncia - é, em princípio, verdadeira. Independentemente de contra quem seja e do nível de comprovação.
De acordo com a força com que o bumbo é batido pela mídia, algumas ficam grandes e se tornam “o maior escândalo da história brasileira”. Outras têm pequena repercussão e são logo esquecidas.
No sentido que está na denúncia do Procurador-Geral, de que foi “um esquema de compra de parlamentares no Congresso para apoiar o governo” o “mensalão” é uma farsa. Especialmente se aduzirmos que envolvia pagamentos mensais (ou regulares), como o nome sugere.
Nada sustenta a tese. Se alguns deputados da base do governo - e outros da oposição - foram flagrados recebendo algum recurso, em nenhum caso ficou nem remotamente indicado que era para pagar sua lealdade - argumento de resto absurdo no caso dos petistas, que a davam de graça.
E quando tivemos denúncias de compra de votos no sentido literal? Quando parlamentares apareceram discutindo valores e explicando porque os mereciam?
Isso aconteceu em 1997, quando o Congresso estava na iminência de votar a reeleição de Fernando Henrique.
E daí? Nada.
E ainda há quem ache que a mídia é movida por nobres intenções.
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
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Paradoxos da política

A política, definitivamente, não é uma ciência exata. Os políticos é que não se convencem disso e apostam frequentemente na lógica das aparências.
Foi com base nesta lógica que o PSDB apostou que o julgamento da ação penal 470, vulgo mensalão, pelo STF, teria um efeito eleitoral devastaador para o PT. Uma devastação que atingiria especialmente a pradaria paulista, onde os dois partidos travam, há alguns anos, a batalha principal na guerra de poder que os une e separa. Apostaram ainda os tucanos na combinação perversa entre o julgamento e o mau momento da economia, que se confirmou nesta sexta-feira, com a revelação de que o PIB cresceu 0,4% em relação ao trimestre anterior, que exibiu pífios 0,1% de crescimento. Vá lá que houve uma aceleração mas muito mínima, em marcha lentíssima.
Neste final de agosto, alguns dias depois do início do horario eleitoral, período em que o voto supostamente começaria a ser definido, o primeiro round do julgamento do Supremo teve um desfecho arrasador para o PT, com a condenação do deputado João Paulo Cunha pelos crimes de corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro, o que pode até levar, na fase de dosimetria das penas, a uma condenação ao regime fechado. Candidato em Osasco, ele renunciou.
Mas juntamente com este resultado veio a revelação de que o candidato tucano na capital paulista caiu e o petista subiu. Fernando Haddad, o desconhecido, agora está empatado tecnicamente com o tucano José Serra na disputa pela prefeitura da capital paulista. O tucano, segundo pesquisa do IBOPE, teria caído de 26% para 20% e o petista subido de 9% para 16%.
Ambos, entretanto, estão atrás do "azarão" Celso Russomanno (PRB), que continua liderando com 31%. Resta saber se ele resistirá ao formidável poder de fogo de duas máquinas de poder, a estadual tucana, e a federal petista.
A queda de Serra, acompanhada de forte aumento da rejeição, pode ter muitos significados. Ele mesmo atribuiu-a a rumores de que, se eleito, deixaria novamente o cargo para disputar a presidência da República. Ele deve ter alguma razão mas certamente existe também um cansaço dos paulistanos com nomes que estão na disputa há muitos anos. A liderança de Russumona pode ser um sinal disso. E, se assim for, ainda se dará razão ao ex-presidente Lula, inclusive dentro do PT, por sua aposta ousada em um nome novo e desconhecido como Haddad. Quando se fixou nele, Lula argumentou que todos os candidatos tradicionais, tanto do PT como do PSDB, enfrentavam fadiga de material e não despertariam o interesse do eleitor.
As aparências, definitivamente, enganam. Mas o jogo ainda está sendo jogado. Aguardemos.
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Serra chora! Tucano teme ser rifado?

Ao participar de uma missa celebrada pelo padre-midiático Marcelo Rossi, na quinta-feira, o tucano José Serra até chorou. O candidato assistiu à cerimônia do altar, como se estivesse num palanque. Na chamada “missa da cura e libertação”, o religioso conservador falou sobre a superação das adversidades e citou um versículo de Eclesiástico: “Não entregues tua alma à tristeza e não aflijas a ti mesmo com tuas preocupações”. Serra até comungou. “Nada poderá me abalar. Nada poderá me derrotar”, dizia o refrão da música que embalou a ceia.
Será que o eterno candidato do PSDB se emocionou com as palavras do “padre amigo” ou estava mesmo era abalado com os últimos resultados das pesquisas eleitorais? A do Ibope apresenta Serra tecnicamente empatado com o petista Fernando Haddad, correndo o sério risco de nem ir ao segundo turno das eleições para a prefeitura da capital paulista. Ou ele está preocupado com os sintomas crescentes de “cristianização” da sua candidatura, com vários “apoiadores” abandonando o barco da sua campanha à deriva.

Candidatos já descolam a imagem

Segundo relato da Folha tucana de sexta-feira, candidatos a vereador da coligação já tentam descolar sua imagem da de Serra. “Aspirantes à Câmara Municipal omitem o nome do tucano em panfletos e não pedem votos a ele. Rejeição de Serra e a falta de ajuda financeira para as despesas de campanha provocam afastamento de aliados”, destaca a matéria. Três candidatos – dois deles que concorrem à reeleição – confirmaram ao jornal que “já jogaram a toalha e decidiram fazer campanha sozinhos, sem a ‘dobradinha’ com o tucano”.
A forte rejeição de Serra – que atingiu 43% no Datafolha, superando o recorde histórico de Paulo Maluf em 1992 (38%) – preocupa os pragmáticos candidatos à vereança. Eles temem ser contaminados pela queda do tucano. Conforme apurou o jornal, as maiores resistências se encontram entre os aliados do PR, PSD e DEM, partidos coligados ao PSDB na chapa majoritária. Mas também há tucanos fugindo de Serra. É o caso de Luciano Gama, “que confeccionou 200 cavaletes sem o nome do candidato de seu partido”.

Tucanas sentem a "sangria" de votos

O risco da “cristianização” preocupa as madames tucanas. “No jantar oferecido a José Serra na quarta-feira, no Morumbi, mulheres do PSDB diziam ‘sentir na pele’ a ‘sangria’ de votos. ‘Até no nosso meio, tucano, estão indo para o Chalita [PMDB], para o Russomanno e até para o PT", disse uma delas à coluna. Os números do Datafolha confirmam: Serra caiu de 76% para 61% em uma semana entre simpatizantes do PSDB. Chalita subiu de 4% para 9% nesse grupo e Russomanno, de 7% para 23%”, relata Mônica Bergamo.
Altamiro Borges
No Blog do Saraiva
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Luciano Ducci extermina o Blog do Tarso

O prefeito de Curitiba Luciano Ducci, candidato a reeleição pelo PSB (com PSDB/DEMO/PSD/PTB/PPS/PP etc), exterminou o Blog do Tarso.
Luciano Ducci e sua gangue almejavam há dias intimidar e censurar o Blog do Tarso, com a tentativa de aplicar multas de até R$ 212.820,00 (duzentos e doze mil, oitocentos e vinte reais), por causa de duas simples enquetes que o Blog divulgou.
Denuncio que os advogados responsáveis por tamanho absurdo contra um Blog elaborado por outro advogado são Ramon de Medeiros Nogueira e Cristiano Hotz, que entraram com a Representação 1174-71.2012.6.16.0001 e a Representação 1175-76.2012.6.16.0001. Uma mancha em seus currículos que vai ser cobrada no futuro.
O Ministério Público opinou e a 1ª Instância da Justiça Eleitoral, por meio de sentença do juiz Marcelo Wallbach Silva, decidiu de forma sensata no sentido apenas de recomendar que as enquetes fossem divulgadas nos termos da Resolução 23.364 do Tribunal Superior Eleitoral.
Não satisfeitos, Luciano Ducci e seus advogados “pau para toda obra” recorreram para o Tribunal Regional Estadual do Paraná. Um dos advogados chegou a conversar com cada magistrado do TRE para condenar o Blog do Tarso ao pagamento da multa estratosférica. E não é que o TRE/PR, com apoio do MP, aplicou duas multas que somam o valor de R$ 106.410,00 ao editor-presidente do Blog do Tarso (que não é uma pessoa jurídica)?
Será que esses magistrados têm noção do que fizeram? Será que eles acham que estão lidando com candidatos, com partidos políticos, com grandes institutos de pesquisa e grandes meios de comunicação? Simplesmente essa sanção é uma “pena de morte” ao Blog do Tarso, um blog que é um hobby, sem fins econômicos, que existe para fazer controle popular da Administração Pública e para discutir política e o Direito.
Além de ser um absurdo que simples enquetes sejam consideradas como pesquisas.
Enquanto isso agentes públicos milionários são multados em R$ 5.000,00 pela Justiça Eleitoral, por uso de bens públicos em campanha eleitoral.
Pois bem, vou recorrer ao TSE em Brasilia, mas se mantidas as multas, fica aqui o último post do Blog do Tarso, no exato dia que atingiu um milhão de acessos, desde o dia 1.1.11, com uma média de 4 mil acessos ao dia nas últimas semanas.
Obrigado a todos os leitores e colaboradores, até quem sabe um dia! Continuo no Twitter e no Facebook.
Um grande abraço,
Tarso Cabral Violin – Editor-presidente do Blog do Tarso, professor de Direito Administrativo e mestre em Direito do Estado pela UFPR
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Joaquim Barbosa quer propor nomes de futuros ministros

Crédito: Esquerdopata
Embalado pela vitória pessoal que vislumbra com a condenação dos réus da Ação Penal 470, o processo do mensalão, o ministro Joaquim Barbosa, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, já faz planos para seu mandato na Presidência da corte, a partir de novembro. Segundo a coluna da jornalista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo, o ministro pretende questionar a forma como são escolhidos colegas do STF pela Presidência da República.
O confronto anunciado encerra um enigma, uma curiosidade e dois paradoxos. Joaquim será o primeiro negro a presidir o Supremo. Dilma é a primeira mulher a presidir o país. Os valores agregados se equiparam, já que ambos têm voz ativa, autoridade e currículos correspondentes.
De acordo com a colunista, Joaquim Barbosa já tem uma lista de pelo menos dez nomes, “grandes juristas” do calibre de ministros como Celso de Mello, Carlos Ayres Britto e Cezar Peluso. Peluso deixa a corte em 3 de setembro, quando completa 70 anos e se aposenta compulsoriamente. Britto sai em novembro pelo mesmo motivo e Celso de Mello já anunciou que deixa o Supremo antes do prazo final de sua aposentadoria, em novembro de 2015.
Para Barbosa, diz a coluna, a seleção deve passar por uma consulta “completa, ampla e de alto nível”, com nomes "de fora desse microcosmo de Brasília, desse mundinho em que ministros vêm sendo escolhidos ultimamente". A escolha, defende o ministro, deve recair sobre nomes "desvinculados dos interesses da máquina estatal e dos interesses privados" de grandes bancas de advocacia.
Os últimos ministros indicados após Celso de Mello, Peluso e Britto, além do próprio Joaquim Barbosa, são Ricardo Lewandowski (2006), Cármen Lúcia (2006), Dias Toffoli (2009), Luiz Fux e Rosa Weber (2011). Os dois últimos foram nomeados pela presidente Dilma Rousseff. Antes de chegar ao Supremo, Lewandowski era desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo; Cármen Lúcia era procuradora do Estado em Minas Gerais; Toffoli, advogado-geral da União; Luiz Fux, ministro do Superior Tribunal de Justiça e Rosa Weber, ministra do Tribunal Superior do Trabalho.
A Constituição Federal não dá ao chefe do Poder Judiciário a competência de interferir na escolha dos membros da mais alta corte do país. Pelo princípio da separação dos Poderes, cabe ao presidente da República indicá-los e submetê-los à aprovação do Senado, de acordo com o artigo 101 da Constituição. Os requisitos são apenas que tenham entre 35 e 65 anos de idade, reputação ilibada e notável saber jurídico.
Para o ministro aposentado do STF Célio Borja, não é papel do presidente da corte interferir na escolha dos ministros da corte, sob risco de se violar o princípio da separação dos Poderes. “É a velha máxima da democracia de que um Poder contém o outro Poder. Se um Poder interfere na sua própria Constituição, provavelmente está tendo poder demais”, afirma.
Para o advogado Antonio Carlos Rodrigues do Amaral, professor de Direito Constitucional na Universidade Mackenzie, a indicação de um nome por futuros colegas da corte pode comprometer sua independência se for escolhido. "O agraciado com a indicação poderia se sentir influenciado sobre suas posições, na formação de suas convicções e na necessária independência a ser mantida perante seus pares", afirma. "As pressões poderiam ser internas, no próprio órgão judiciário."
Segundo o constitucionalista Eduardo Molan Gaban, do escritório Machado Associados, o diálogo entre os Poderes na escolha dos ministros é razoável, mas as indicações não podem criar uma espécie de "confraria" de colegas. "A neutralidade do juiz deve ser mantida inclusive nessa hora."
Já na opinião do advogado Oscar Vilhena, professor de Direito Constitucional da FGV-SP, a interferência de ministros na escolha de colegas sempre foi praxe no processo de indicação. “Presidentes da República costumam consultar os ministros do Supremo em caráter pessoal”, afirma. Para ele, no entanto, esse processo deveria ser público.
“Se o presidente tem uma lista de nomes que considera relevantes, eles precisam ser submetidos a uma audiência pública para escrutínio, já que a sabatina no Senado é meramente protocolar. Apenas um nome foi rejeitado desde 1891, quando esse modelo foi adotado”, diz. “Na Argentina, o presidente faz a lista e os integrantes são escrutinizados dentro do Parlamento, mas por pessoas de fora, que tenham condições de argui-las.”
O presidente em exercício da seccional paulista da OAB, Marcos da Costa, gosta da iniciativa. "Estimular o debate sobre a atual forma de escolha dos ministros do STF é sempre sadio, desde que feito de forma pública, permitindo a participação de todos setores da sociedade, especialmente a magistratura, o Ministério Público e a Advocacia”, afirma.
Alessandro Cristo, chefe de redação da revista Consultor Jurídico
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A Justiça e o caminho da política

A Justiça, conforme o pensamento grego, se faz quando o tribunal devolve à vítima o bem que lhe foi tomado, de forma a que as coisas voltem ao seu estado anterior. Devolver o bem tomado deve ser visto em sentido amplo: a justiça não trata apenas do furto ou roubo, mas, da mesma forma, da honra e, também, dos homicídios. Nesse sentido, a justiça não atua somente tendo em vista as duas partes de um processo, e, por isso mesmo, o Estado, em nome da sociedade, está presente. O assassino, por exemplo, não tem como devolver a vida ao morto, mas a sociedade, em nome do morto, pode condená-lo à morte (o que é sempre um risco de injustiça absoluta), onde há a pena capital, ou à prisão, por muito ou pouco tempo.
Podemos, por exemplo, considerar uma injustiça contra o povo da Noruega e uma ofensa aos sentimentos universais, a condenação do nazista norueguês a apenas 21 anos de prisão em aposentos de boa hotelaria – mas a legislação penal de cada país é uma prerrogativa de seus parlamentares.
O Supremo Tribunal Federal se aproxima do final do julgamento da Ação 470. É certo que a decisão da Justiça não será aplaudida. Melhor teria sido que não tivesse havido o que houve.
Podemos entender que os atos de que foram acusados os envolvidos no processo sempre se cometeram no país, e sempre foram tolerados, como infrações apenas eleitorais, ao serem considerados como de financiamento não contabilizado de campanhas políticas. Quando se examina o governo Lula, ao qual serviram muitos dos acusados de hoje, é difícil não aceitar seus êxitos. A simples eleição do trabalhador manual, de escassa escolaridade, nascido no sertão pernambucano, para a presidência da República, constituiu uma revolução social e política que não deve ser ignorada. A redução da pobreza secular do Brasil, da qual sempre se nutriu a classe dos opressores, bem nascidos e bem protegidos pelo Estado, é um fato histórico que será sempre lembrado, quando o julgamento da Ação 470 for apenas um registro nos feitos de nosso tribunal supremo, perdido entre tantos outros julgamentos de seu denso arquivo de trabalho.
Entendemos o sentimento de decepção de grande parte dos cidadãos brasileiros. Identificamos também a espúria origem da denúncia de Roberto Jefferson que, apanhado na teia menor da corrupção na empresa estatal dos correios, resolveu desafiar tudo e todos, com a confissão de que recebera 4 milhões dos 20 que – disse ele – lhe foram prometidos. A propósito, até hoje não se sabe exatamente o que Jefferson fez com tais – e tão pingues – recursos.
Como resumiu o Ministro Ayres Britto, presidente do STF, ao votar integralmente com o relator, nos casos examinados até agora, não é agradável condenar. A condenação tem o sabor dos frutos amargos.
Os cidadãos de bem tampouco exultam com as condenações. Como o sofrimento é o melhor mestre, temos que repensar a política em nosso país – e no mundo, onde o cenário tampouco é agradável, neste momento em que a paranóia se associa ao assalto dos grandes bancos aos recursos públicos e privados, e em que os paraísos fiscais são os refúgios dos grandes salafrários. Em nosso caso, a reforma do sistema partidário e eleitoral, de forma a dar mais legitimidade ao voto, é um dos passos exigidos. Uma medida necessária é mudar o acesso ao palanque eletrônico, de forma a impedir os acordos políticos que visam obter mais tempo para esta ou aquela coligação. E aceitar o financiamento público das campanhas, que sempre será mais transparente. É melhor que a campanha volte às ruas, no debate entre os candidatos e os eleitores, sem a interferência dos especialistas em maquiar faces e idéias.
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Charge online - Bessinha - # 1433

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