29 de ago de 2012

Joaquim Barbosa já pensa no outro mensalão

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Datafolha: rejeição a Serra vira epidemia

Nenhum candidato com rejeição em torno de 40% consegue prosperar numa disputa política e chegar ao 2º turno.
Esse consenso entre pesquisadores soa agora à candidatura municipal do PSDB em São Paulo como a descrição do percurso ao cadafalso e não às urnas.
Vive-se na capital paulista um fenômeno de esgotamento histórico que assume contornos de nitidez vertiginosa, dificilmente reversível: a rejeição esférica, espontânea, ascendente e incontrolável de uma cidade a um político e a tudo o que ele representa, seus métodos e metas.
Já não se trata apenas de rejeição, mas de um fenômeno epidêmico que a palavra ojeriza descreve melhor e a expressão 'fim de um ciclo' não soa adjetiva,mas objetiva.
A rejeição a José Serra em seu berço político e principal casamata do PSDB no país, é o aspecto mais significativo da atual disputa. Sobretudo porque cercada de uma 'coincidência' cuidadosamente programada, o julgamento do STF, que deveria impulsionar as coisas no sentido inverso. Se influência teve, foi oposta. De 30% em meados de junho,a repulsa a Serra saltou para 38% em agosto e explodiu na pesquisa divulgada pelo Datafolha nesta 4ª feira, batendo em massacrantes 43%.
A sangria sugere que se trata de sentimento espraiado, que contagia segmentos sitiados além dos bolsões progressistas, atingindo núcleos da própria classe média, mais ou menos conservadora, tradicionalmente tributária do vertedouro tucano.
A contrapartida nas sondagens de intenções de votos parece confirmar essa observação. E o faz cristalizando tendências talvez só reversíveis por um acontecimento de proporções diluvianas.
Para desespero do dispositivo midiático conservador, o julgamento do chamado 'mensalão', embora tangido pelo jornalismo 'isento', dificilmente terá esse efeito.
Nessa São Paulo em transe, Russomano lidera as intenções de votos com 31% (tinha 26% em junho); Serra, afundou para 22% (contra 31% em junho) e, como previsto, Haddad ao sair do anonimato no horário eleitoral, saltou de 7% em junho para 14% agora, dobrando as intenções de votos.
A agressividade estridente da campanha tucana está explicada.
O som da marcha fúnebre previsto para ensurdecer o governo, o PT, suas lideranças, candidatos e eleitores, a partir da melodia das condenações emitidas no STF, eleva-se na verdade em altos decibéis no ambiente irrespirável de uma campanha e de um político já derrotados nacionalmente em 2002 e 2010, e agora execrados em seu próprio berço.
Saul Leblon
No Blog das Frases
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Serra e Taxa de Juros despencam

Copom corta juros para 7,5% ao ano, nova mínima histórica

Corte de meio ponto percentual foi o nono seguido na taxa Selic.
Taxa de 7,5% é novo patamar mínimo histórico.

Russomano vira líder isolado, Serra cai e Haddad sobe em SP

Crédito: Esquerdopata
José Serra, do PSDB, caiu cinco pontos percentuais e agora aparece em segundo lugar com 22%. Fernando Haddad, do PT, subiu seis pontos e ocupa a terceira posição com 14%. 
A pesquisa mostra que a rejeição a Serra subiu cinco pontos e alcançou o maior índice desde o início da campanha: 43% dos eleitores dizem que não pretendem votar nele "de jeito nenhum".
Nas últimas duas eleições paulistanas, em 2004 e 2008, só o ex-prefeito Paulo Maluf (PP) superou este patamar de rejeição.
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Serra não inova. Mente

Nos pegaram outra vez!

 A Mentira


 A Verdade Verdadeira

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Charge online - Bessinha - # 1430

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Charge online - Bessinha - # 1429

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'Horário nobre' da Internet coincide com o da TV

O meio digital possui hoje várias plataformas e entender como o consumidor se comporta nesses múltiplos devices é de grande importância para a consolidação das estratégias digitais das empresas que pretendem se relacionar positivamente com os usuários no ambiente online. No contraponto, deduz-se com essa pesquisa - que não trata diretamente sobre o assunto - que a TV perde espaço em horário nobre para a Internet, o que vem fazendo com que algumas emissoras tentem reforçar a sua programação para enfrentar a concorrência.
A Pesquisa
A Hi-Midia, especializada em segmentação e performance em mídia online, e a M.Sense, especialista em estudos sobre o mercado digital, produziram a pesquisa “Horário Nobre da internet no Brasil”, um levantamento sobre os horários de maior acesso à internet no país e as principais atividades realizadas em diversos períodos do dia. Foram ouvidas 1.265 pessoas das cinco regiões do país, entre 15 e 22 de junho. A pesquisa constatou que o horário nobre da internet durante a semana é a noite, mais especificamente entre 19h e 22h, que coincide com a chegada dos usuários em casa após o trabalho.
Já nos finais de semana, o acesso é menos concentrado e se estende ao longo da tarde e da noite (de 14h às 22h). 
No PC – Para usuários de computador (PC), existe concentração das atividades mais comuns, como navegar nas redes sociais (41%), ler e enviar e-mails (35%), ler notícias (32%) e ler conteúdo de entretenimento (32%), entre 19h e 22h durante a semana útil. Atividades relacionadas à diversão, como fazer download de filmes e música (30%), acessar as redes sociais (28%) e assistir a vídeos (25%), se mantém em alta após as 22h.
Já a leitura de e-mails (37%) e de notícias (29%) têm dois picos diários (pela manhã e a noite), Já nos finais de semana, entre 14h e 17h, é maior o acesso para leitura de e-mails (28%), redes sociais (33%), leitura de notícias (27%) e conteúdo de entretenimento (28%). Já entre 19h e 22h o acesso é maior para jogos (18%), visualização de vídeos (28%) e download de filmes e músicas (24%).
Nos dispositivos móveis – Os usuários de smartphones ou tablets (35% do total de entrevistados) realizam as atividades rápidas e mais comuns, como ler e-mails, acessar as redes sociais e ler notícias, em diversos horários ao longo do dia, durante a semana. Já as atividades como fazer download de músicas e filmes (18%), jogar online (16%) e assistir a vídeos (19%) são mais realizadas após às 22h.
Nos finais de semana, a maior parte dos acessos à rede via tablets e smartphones ocorre ao longo da tarde e noite. Atividades como ler e-mails e acessar as redes sociais começam mais cedo do que as demais, apresentando elevados percentuais desde às 9h (23% e 22%, respectivamente), mas os picos se dão em sua maioria na faixa das 19h às 22h. “A mobilidade faz com que o acesso à Internet ocorra em vários horários durante o dia. Isso é muito importante no planejamento de ações e campanhas publicitárias.” afirma Bruno Maletta, sócio da M.Sense, destacando a importância de entender os hábitos dos usuários para otimizar recursos de campanhas e melhorar eficiência da comunicação entre consumidores e marcas.
Curiosidades
  • Nos finais de semana, os percentuais de atividade online no período da manhã é maior em todas as atividades para os homens, em especial a visualização de vídeos e o download de filmes e músicas (16%). Ou seja, os homens começam a acessar a internet mais cedo do que as mulheres.
  • O acesso à web com smartphones e tablets após às 22h é menor no Sudeste do que em outras regiões. Apenas 14% dos entrevistados da região Sudeste se ocupam com a leitura de notícias nessa faixa de horário, ao contrário de 23% dos entrevistados das demais regiões. O mesmo acontece com envio e leitura de e-mails (20% contra 25%), acesso as redes sociais (21% contra 29%) e visualização de vídeos (16% contra 25%).
  • A faixa de 40 a 49 anos é a primeira a iniciar suas atividades online pela manhã. Em segundo lugar está a faixa acima de 50 anos. Os mais novos acessam a internet mais tarde.
Luis Queiroz
Do Convergência Digital
No Convergência Midiática
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Trabalho escravo envolve empresa de irmão da senadora Kátia Abreu

Grupo de 56 pessoas foi resgatado de área com eucaliptos e carvoarias explorada por empresa que, segundo fiscalização, é de André Luiz Abreu
A Superintendência Regional de Trabalho e Emprego do Tocantins (SRTE/TO) libertou 56 pessoas de condições análogas à escravidão da Fazenda Água Amarela, em Araguatins (TO). A área reflorestada de eucaliptos, que também abrigava 99 fornos de carvão vegetal, estava sendo explorada pela RPC Energética. De acordo com apurações da fiscalização trabalhista, ainda que registrada em nome de um "laranja", a empresa pertence a Paulo Alexandre Bernardes da Silva Júnior e André Luiz de Castro Abreu, irmão da senadora Kátia Abreu (PSD-TO), liderança ruralista que também é presidente da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
Carvão vegetal abastece altos fornos e faz parte de composição do ferro-gusa (Fotos: SRTE/TO)
Dedicado à extração de eucaliptos e ao carvoejamento, o grupo produzia matéria-prima para a siderúrgica Fergumar (Ferro Gusa do Maranhão Ltda.). Instalada em Açailândia (MA), a Fergumar é dona da fazenda e recebeu os 18 autos de infração lavrados na operação - que foi concluída na semana passada. Esta não é a primeira vez que a empresa foi implicada em caso de trabalho escravo (confira mais detalhes abaixo).
De acordo com a fiscalização, a constatação de condições degradantes nas frentes de trabalho e nos alojamentos, servidão por dívida, jornada exaustiva e aliciamento fundamentou a caracterização do trabalho análogo à escravidão. Uma das vítimas não tinha sequer 18 anos completos, confirma o auditor fiscal do trabalho que coordenou a inspeção, Humberto Célio Pereira.
Sanitário de latão improvisado; extensas e pesadas jornadas e transporte irregular
Não havia banheiros em condições de uso (foto ao lado). Aos trabalhadores que produziam carvão, os empregadores disponibilizaram um cercado de lona com uma lata improvisada, sem fossa, como latrina. Nos barracos em obras em que dormiam, os sanitários também não funcionavam. Na prática, as vítimas acabavam utilizando o mato para realizar suas necessidades.
Faltava água potável, tanto nos barracos como junto aos fornos. O aliciamento foi verificado por meio da atuação do "gato" (intermediador de mão de obra) Maurício Sobrinho Santos, que atraiu e recrutou trabalhadores nos municípios de Vargem Grande (MG), São João Paraíso (MG) e Boa Sorte (MG), além de Açailândia (MA), cidade que abriga a própria planta da Fergumar. A promessa, como de costume, era de condições de trabalho decente, evidentemente com a perspectiva de pagamento de fartos salários.
O esquema era consumado pelo depósito de um adiantamento em dinheiro por parte do "gato" que, dessa maneira, assegurava o vínculo dos trabalhadores. Essa verba ajudava não só a pagar o transporte dos locais de origem até o Norte de Tocantins, mas também era canalizada para o sustento das famílias dos migrantes. Além do adiantamento, o "gato" mantinha também uma cantina, na qual comercializava desde ferramentas de trabalho e equipamentos de proteção individual (EPIs), como peças de motosserra e botas, até combustíveis, produtos alimentícios, bebidas alcoólicas e itens básicos para higiene pessoal. Tudo era anotado, inclusive os custos relativos às refeições diárias, para que depois fossem descontados dos respectivos vencimentos. Por conta das subtrações, os pagamentos mensais eram inferiores ao salário mínimo. Cadernos com anotações foram apreendidos.
Apenas pela passagem de ida, os trabalhadores relatam ter pago R$ 350 cada um. Não havia fornecimento condizente de EPIs. Segundo depoimento de um dos trabalhadores, as luvas furadas oferecidas pelos empregadores colocavam em risco à saúde dos trabalhadores. Três dos resgatados admitiram ter sido atacados, por exemplo, por escorpiões. No local, não havia ainda material adequado para proceder os primeiros socorros.
Os alojamentos e as frentes de trabalho foram interditados. Além de uma construção inacabada (sem portas) e abarrotada onde viviam 17 pessoas (inclusive o "gato" e sua família), imóveis despreparados localizados na área urbana de Araguatins (TO) abrigavam outras dezenas.
A rotina os trabalhadores começava às 4h da manhã, quando eles pegavam o transporte fornecido pelo empregador para a Fazenda Água Amarela. A labuta na propriedade rural começava por volta das 6h e seguia até 16h, com uma pequena pausa de 15min para o almoço. O retorno aos alojamentos só se dava depois das 17h. Quando da libertação, eles estavam trabalhando no local há cerca de três meses. O motorista do ônibus que recolhia os empregados não era habilitado e o transporte entre as frentes de trabalho era feito em caminhões e tratores de carga, de modo completamente irregular.
Frentes de trabalho na extração de eucaliptos e na produção do carvão vegetal foram interditadas
"Em se tratando de atividade de corte de madeira e produção de carvão, o esforço é muito maior e, portanto, o trabalho é muito mais penoso", assinalou o coordenador da operação Humberto, da SRTE/TO.
"Laranja"
Um contrato forjado de compra de "madeira em pé" era a base da empreitada que vinha se realizando na fazenda. Pelo instrumento de fachada, a Fergumar aparecia como vendedora de matéria-prima para a RPC Energética, cujo dono seria Adenildo da Cruz Sousa. Ocorre que o mesmo Adenildo vem a ser funcionário registrado da Reflorestar Comércio Atacadista de Produtos Florestais Ltda., conforme apurou a fiscalização. Ou seja, ele desempenhava, conforme investigações da auditoria fiscal do trabalho. o papel de "laranja" dos verdadeiros donos do negócio: Paulo Alexandre Bernardes da Silva Júnior (a quem inclusive havia concedido poderes por meio de uma procuração legal) e André Luiz de Castro Abreu, servidor do Minisério Público do Trabalho (MPT) em Palmas (TO) e irmão da senadora ruralista Kátia Abreu (TO).
O mesmo Paulo Alexandre estaria, ainda de acordo com as apurações da auditoria, à frente da Reflorestar, que já constou da "lista suja" do trabalho escravo (cadastro de empregados envolvidos na exploração desse tipo de crime mantido pelo governo federal) entre 2008 e 2010, por conta de uma libertação de abril de 2007, em Dois Irmãos (TO). Além da questão do "laranja", a inspeção constatou também que o "gato" que atuava na Fazenda Água Amarela havia sido demitido da RPC em março de 2012 e recontratado em junho, sem registro em carteira, enquanto ainda recebia o Seguro-Desemprego. A reportagem tentou contato com os responsáveis pela RPC e pela Reflorestar, mas não conseguiu parecer dos mesmos sobre o ocorrido. Também a senadora Kátia Abreu, que está temporariamente em licença médica do cargo parlamentar, não deu retorno até o fechamento desta matéria.
O recente flagrante foi motivado por uma denúncia que, após ser protocolada anteiormente em representações dos órgãos responsáveis na região, acabou chegando à Polícia Federal (PF), que encaminhou a demanda à sede da SRTE/TO na capital do Estado. Além do jovem com idade inferior a 18 anos que foi encontrado realizando tarefas insalubres e perigosas, outras quatro mulheres foram resgatadas no decorrer da operação.
A RPC pagou as verbas rescisórias à vítimas, que totalizaram mais de R$ 72 mil, mas se recusou a arcar com as despesas de retorno de migrantes vindos de outros Estados. Representante da Procuradoria Regional do Trabalho da 10ª Região (PRT-10) em Araguaína (TO) que acompanhou o início da inspeção, Alexandre Marin Ragagnin afirmou à Repórter Brasil que aguarda o relatório final da SRTE/TO, com todos os documentos e depoimentos, para tomar providências quanto a possíveis acordos ou ações judiciais. Ele confirmou o quadro grave de degradância, aliciamento e servidão por dívida.
Todo o carvão vegetal produzido na área tinha como destino a usina da siderúrgica Fergumar, que informa em seu site que escoa 80% de sua produção para os Estados Unidos da América (EUA), especialmente para grandes corporações do setor automobilístico. Todos os 18 autos de infração foram direcionados à Fergumar, que não atendeu aos pedidos de posicionamento perante o caso solicitados pela reportagem.
A Fergumar também foi incluída na "lista suja" em meados de 2007. Conseguiu, porém, uma liminar na Justiça que a retirou da relação em agosto do mesmo ano. O ingresso esteve relacionado ao resgate de 23 empregados encontrados em situação análoga à de escravo em outra carvoaria no município de Dom Eliseu (PA), que fornecia carvão vegetal para a empresa.
Com base no serviço de consulta pública, é possível verificar que a Fergumar mantém cadastro irregular junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama). A empresa teve quatro áreas embargadas em São João do Paraíso (MA), em julho de 2006, por exercer atividade potencialmente degradadora sem licença ambiental; desmatar florestas sem autorização do órgão responsável; e devastar florestas ou demais formas de vegetações de preservação permanente.
Bianca Pyl, Guilherme Zocchio e Maurício Hashizume
No Repórter Brasil
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Uma grande perca para o jornalismo


P.S.: Faltou dizer que deputado tem mandaTo e não mandaDo.
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Juristas criticam votação do CP no Senado

É preciso inverter o paradigma de que o direito penal é como uma serpente, que só pica os pés descalços
O frenético ritmo imposto ao projeto de alteração do Código Penal está provocando reações na comunidade jurídica.
Na semana que passou, foi o Instituto Brasileiro de Ciências Criminais que firmou manifesto pela suspensão da votação no Senado, até que o projeto possa ser melhor discutido com a sociedade.
Penalistas cariocas preparam um seminário com fortes críticas à reforma no começo de setembro.
A pressa dos senadores é mesmo incompatível com uma mudança deste porte.
Advogados, juízes, promotores, defensores e policiais praticamente não tiveram chance de interferir com suas experiências na formação do texto, que o presidente do Senado José Sarney faz questão de aprovar em sua última legislatura.
O fato de o nosso Código Penal ter a sua base de 1940 pode parecer que a mudança já vem tarde.
Mas não é bem assim.
Parte considerável das leis penais foram produzidas em anos recentes e o mais inusitado é perceber que foram justamente as novas leis as que mudaram mais rapidamente, como, por exemplo, a legislação dos entorpecentes.
O primeiro equívoco da comissão de juristas é o de apostar demais no próprio direito penal.
Não deixa de ser uma certa ingenuidade supor que o código possa fazer diminuir a criminalidade com novos tipos – do terrorismo ao bullying, da corrupção privada ao jogo do bicho, o projeto tem na propaganda sua marca mais efetiva. Promete muito mais do que poderá entregar.
A expansão do direito penal tem se verificado inócua para a diminuição da criminalidade – várias leis recentes mostraram isso, como a dos Crimes Hediondos.
Apesar de reunir pessoas altamente qualificadas, a comissão não atacou de frente o problema mais evidente do nosso direito penal: a seletividade.
As prisões não estão lotadas de pobres à toa.
Existe uma evidente supervalorização da propriedade em detrimento de outros valores bem mais relevantes, como a vida ou a integridade física. Um roubo é mais grave que a tentativa de homicídio ou a tortura, sem contar que o patrimônio público tem ínfima proteção se comparado com as insignificâncias que levam milhares às cadeias todos os dias.
É preciso inverter firmemente esse paradigma, que já inscreveu no direito penal sua opção preferencial pelos pobres –a serpente que só pisa os pés descalços.
A comissão desperdiçou a oportunidade de uma mudança significativa nesse ponto, como também quanto ao encarceramento dos microtraficantes também usuários.
No início dos trabalhos no Senado, ficou claro que as mais badaladas alterações do projeto serão descartadas logo de cara: a ampliação dos casos de aborto legal, a descriminalização do uso de entorpecentes, a punição da homofobia – que enfrentam poderosos lobbies religiosos.
O tempo vai se incumbir de mostrar que elas serviram apenas de estandarte de modernidade a uma discussão recheada de anacronismos.
Recentemente, o Congresso aprovou mudanças na lei processual para reduzir o expressivo volume de presos provisórios nas cadeias brasileiras.
As mudanças exageradamente tímidas não surtiram ainda o efeito desejado e o encarceramento segue crescendo sem qualquer impacto na redução da violência.
Aumentar os prazos das prisões, por intermédio das progressões ou limitar os regimes mais brandos só tende a tornar o quadro ainda mais tétrico.
Relegar a pena de prisão a crimes graves, concentrar a ação da justiça nos fatos relevantes, aumentar a capacidade de investigação da polícia são medidas que têm resultado mais profundo do que um novo Código produzido de afogadilho, para lustrar reputações.
Marcelo Semer
No Sem Juízo
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Justiça em branco e preto

Heraldo Pereira irritou-se com Paulo Henrique Amorim,
na verdade, porque este o ligou ao Instituto Brasiliense de Direito Público,
o mal falado IDP
O juiz Valter André de Lima Bueno Araújo da 5ª Vara Criminal de Justiça do Distrito Federal, cuja sentença deve ser lida por todos, abortou uma temerária tentativa de criminalizar opiniões e ideias no Brasil, a partir de um processo absolutamente sem sentido aberto contra Paulo Henrique Amorim.
Quando foi noticiado que o jornalista Heraldo Pereira, da tevê Globo, iria processar Paulo Henrique por racismo por ter sido chamado de “negro de alma branca”, escrevi um artigo com uma argumentação central que repito agora: PHA errou ao insultar Heraldo, e agiu certo ao se desculpar e fechar um acordo na área cível. Mas, ao ser chamado de racista e processado por isso, revelou-se uma ação de má fé explícita, uma óbvia tentativa de vingança do jornalista da Globo que nada tinha a ver com racismo. Heraldo irritou-se, na verdade, porque Paulo Henrique o havia ligado ao mal falado Instituto Brasiliense de Direito Público, o IDP, de propriedade do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal.
Construído com dinheiro do Banco do Brasil destinado a produtores de alimentos e assentado sobre um terreno praticamente doado a Mendes (80% de desconto!) pelo ex-governador Joaquim Roriz, de péssima reputação e memória, o IDP está, ainda por cima, numa situação financeira difícil. Para calar um ex-sócio que o acusou de desfalque e sonegação fiscal, Mendes foi obrigado a pagar-lhe 8 milhões de reais, no ano passado.
Estranha situação, esta. De fato, Heraldo Pereira chegou a ser anunciado no site do IDP como professor, embora alegue, e os fatos confirmem, jamais ter concretizado a experiência do magistério. Curiosamente, nos autos do processo contra PHA, Heraldo chega a dizer que, ao ligá-lo o IDP, o jornalista da tevê Record e titular do blog Conversa Afiada havia lhe maculado a reputação.
Como assim?
A assertiva se mostra surreal e representa, dentro do processo, um paradoxo difícil de ser explicado. Isso porque a principal testemunha apresentada por Heraldo Pereira foi, justamente, Gilmar Mendes. O ministro do STF apresentou-se voluntariamente para falar no tribunal, embora isso não fosse necessário, e o fez em grande estilo: com carro oficial e seguranças, segundo relato de PHA, certo de que sua presença suprema iria mudar os rumos da ação judicial. Foi, como se percebe agora, um tiro pela culatra.
Restou apenas essa dúvida atroz: se ser professor do IDP macula a imagem de Heraldo Pereira, por que ele chamou para testemunhar a seu favor, justamente, o dono do instituto?
Na ânsia de transformar um insulto em crime e, de quebra, dobrar a espinha crítica de Paulo Henrique Amorim a pedido de terceiros, o jornalista da tevê Globo recorreu também a outra testemunha intrigante: o jornalista Ali Kamel, chefão do jornalismo global, autor do livro “Não somos racistas”. A obra de Kamel parte da premissa de que, como, cientificamente, não há raças, também não pode haver racismo. É o tipo de discurso baseado em descolamento social que faz muito sucesso no Baixo Leblon e no Posto 9 de Ipanema, mas se torna uma piada de mau gosto quando se trata de analisar a vida dos negros pobres apinhados nas periferias das grandes cidades.
Que Kamel, feliz morador da Avenida Vieira Souto, acredite em uma bobagem dessas, é compreensível. Que Heraldo Pereira a corrobore, é lamentável.
Aqui, o link para o post do Conversa Afiada a respeito, com a íntegra da sentença do juiz Valter Bueno Araújo.
Leandro Fortes
No CartaCapital
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Charge online - Bessinha - # 1428

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Europeus migram para o Litoral catarinense em busca de novas oportunidades

Nos últimos dois anos, segundo a PF em Itajaí, a quantidade de imigrantes da Europa dobrou
Manuela Cendron, natural da Itália, escolheu Balneário Camboriú para cursar faculdade e decidiu ficar 
Foto: Marcos Porto / Agencia RBS
A oportunidade de trabalho no exterior levou, por muito tempo, milhares de brasileiros aos países da Europa. Mas a crise que assola o Velho Mundo tem obrigado os europeus a fazer o caminho inverso. Nos últimos dois anos, segundo a Polícia Federal em Itajaí, a quantidade de imigrantes vindos da Europa que chegaram à região dobrou.
Espanhóis, italianos e portugueses têm redescoberto o Brasil - e a nossa região - e encontram na facilidade de comunicação e na oferta de empregos uma oportunidade de driblar a crise. Assim como há mais de 500 anos, o país volta a representar a promessa de uma vida melhor.
- Há muito descontentamento na Europa desde a instalação do Euro. Tive muita sorte no Brasil, demonstrei meu valor e achei pessoas interessadas no meu trabalho. Sinto-me privilegiado porque hoje tenho dois países - diz o chef italiano Amedeo Scavello, 38 anos, que saiu da Calábria para viver em Balneário Camboriú.
Scavello já havia morado em São Paulo e Porto Seguro, mas acabou conquistado pelo ar europeu do Sul. Como ele, a portuguesa Pâmela Abreu, 44 anos, também tinha São Paulo como primeira escolha - mas não adaptou-se à cidade e a trocou por Balneário Camboriú. Pâmela deixou em março a Ilha da Madeira para viver com o marido, que já estava há um ano no Brasil. Coordenador de marketing, ele encontrou aqui as oportunidades que já não tinha na terra-natal.
- A crise econômica é muito grave, o governo vem aumentando impostos, o preço de tudo aumentou e as pessoas têm dificuldade em pagar as contas. Com isto, o dinheiro não roda, muitos comércios fecham. Não há trabalho e o desemprego continua a subir - relata Pâmela.
Formada em Turismo, ela coordenou por 12 anos um resort cinco estrelas e fala fluentemente inglês, francês e espanhol - mas o currículo tem sido empecilho na hora de buscar emprego. Para viver, Pâmela tem feito uso da habilidade em terapias naturais.
- Não sei se é porque as pessoas não me conhecem, ou porque imaginam que vou querer um salário muito alto, mas me surpreendi com a dificuldade que estou tendo em trabalhar na minha área.
Na agência do Ministério do Trabalho, em Itajaí, é comum aparecerem europeus em busca de informações para retirada da carteira de trabalho. Deise Cristina da Silva, chefe substituta da agência, diz não ter uma estimativa de quantos já fizeram a retirada do documento, mas lembra de ter atendido pelo menos três solicitações nas últimas semanas. A maioria dos estrangeiros, segundo ela, acaba em empregos com menor qualificação do que teriam na Europa.
- Atendemos um casal de portugueses que tinha um açougue, mas tiveram que fechar e vieram trabalhar como empregados. Também um espanhol que conseguiu emprego no porto, como tradutor.
Delegado chefe da Polícia Federal em Itajaí, Luciano Raizer explica que, embora existam acordos com alguns países que facilitam a entrada e permanência dos estrangeiros no Brasil, para trabalhar regularmente por aqui é preciso ter visto especial:
- Se a intenção é trabalho, é preciso solicitar o visto ainda no país de origem, no consulado brasileiro.

Oportunidade convence estudantes a ficar


Enquanto parte dos europeus que chegam à região vêm em busca de trabalho, outros escolheram o Litoral Centro-Norte para a experiência de um intercâmbio de estudos no exterior - e não pensam em voltar. A falta de emprego nos países de origem é apontada como o principal motivo para que se mantenham longe de casa.
Italiana, Manuela Cendron, 23 anos, sempre gostou de viajar. Acabou escolhendo Balneário Camboriú para cursar a faculdade de Turismo três anos atrás. Prestes a ingressar nos últimos semestres de estudos, conta que desistiu da ideia de exercer a profissão na Itália:
- Meus pais e meus amigos me aconselham a arrumar trabalho aqui, porque não tem emprego para ninguém lá. As pessoas têm estudo, mas a concorrência está muito elevada.
David Ganzon, 23, passa por situação parecida. Espanhol, chegou à Univali como intercambista no curso de Comércio Exterior, cinco meses atrás. Conseguiu uma vaga de estágio em uma empresa de logística, em Itajaí, e está convencido a permanecer no Brasil:
- Com a situação da Europa em crise, o elevado desemprego, penso que devo ficar.

Crise é consequência de má administração


A crise europeia está diretamente ligada à má administração pública, segundo a professora Cláudia Beatriz Batschauer da Cruz, mestre em Estudos Europeus. Investimentos grandes e desnecessários feitos durante décadas, aliados ao excesso de mão de obra no funcionalismo público, afetaram principalmente países como Grécia, Portugal, Irlanda e Itália.
- Endividados, os países não puderam mais emitir moeda e gerar inflação. Se viram sem saída - explica Cláudia.
Como resultado, subiram os índices de desemprego e, consequente, o endividamento da população. Nos países mais atingidos pela crise, são comuns os protestos contra a perda de vagas de trabalho. Quem está empregado também sofre com a suspensão de benefícios.
Segundo Claudia, embora nem todos os europeus consigam empregos condizentes com a formação que têm, a falta de mão de obra qualificada no Brasil representa uma boa oportunidade de se manter ou se inserir no mercado de trabalho.
Para entrar no Brasil
- Estrangeiros que entram no país podem usar permissão para turismo, que é válida por 90 dias, ou visto de trabalho, que deve ser solicitado antes do embarque, junto ao consulado brasileiro no país de origem
- Quem entra como turista, mas decide trabalhar, precisa solicitar visto, sair do país e entrar novamente
- Nem toda profissão pode ser exercida livremente por estrangeiros no Brasil. Médicos e engenheiros, por exemplo, precisam de documentação especial para trabalhar na área
- Imigrantes ilegais estão sujeitos a multa e, quando notificados, têm oito dias para deixar o país
Dagmara Spautz | dagmara.spautz@osoldiario.com.br
No O Sol Diário
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A OCDD

OCDD - Organização Criminosa Daniel Daniel et caterva
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Eleição Não Rima Com Mensalão

Ao contrário do que alguns temiam e outros desejavam, as eleições municipais estão entrando no último mês de campanha sem que sejam discerníveis efeitos do julgamento do “mensalão” em seu andamento.
O que já se esperava.
Em nossa história moderna, nenhuma eleição local foi significativamente afetada por acontecimentos nacionais, mesmo quando foram relevantes. Veja-se o que ocorreu em 1992, quando o eleitorado foi às urnas dias após o impeachment de Fernando Collor.
Aquele, que foi o mais traumático evento de nossa evolução política recente e o que mais mobilizou os sentimentos da população, em nada modificou os resultados esperados da eleição. Ganhou quem tinha que ganhar, perdeu quem estava fadado a ser derrotado.
No máximo, a turbulência engrossou o contingente dos deputados dispostos a condenar o ex-presidente na votação na Câmara, pois os que disputavam mandatos não quiseram aparecer na televisão o absolvendo, na contra-mão dos sentimentos populares. O que teve, no entanto, pequeno impacto no resultado.
A única eleição que foge à regra ajuda a entendê-la. Foi em 1985, quando, uma semana antes da eleição, morreram três pessoas em Volta Redonda pela ação de tropas do Exército, que dispersaram a bala uma manifestação dos operários da Companhia Siderúrgica Nacional.
Nos dias seguintes ao tiroteio, todas as pesquisas mostraram o rápido crescimento dos candidatos de esquerda. Era uma eleição especial - restrita às capitais e outras cidades que os militares consideravam de “segurança nacional” -, mas o sentimento se espalhou por todo o país.
Há quem explique a derrota de Fernando Henrique para Jânio Quadros, em São Paulo, pela performance inesperada de Eduardo Suplicy, assim como a arrancada do PT em Belo Horizonte, com Virgílio Guimarães, em função desse fator. O certo é que o PT ganhou sua primeira eleição municipal em uma capital, elegendo a prefeita de Fortaleza, Maria Luíza Fontenelle, e contrariando todas as expectativas.
E hoje?
Se os eleitores foram votar em 1992 três dias depois do impeachment e já o tinham superado, se o sistema político amadureceu 27 anos depois de 1985, por que imaginar que o “julgamento do mensalão” viraria as eleições deste ano de ponta cabeça?
Nem às custas do enorme espaço que recebe na cobertura dos veículos ligados aos grandes grupos da indústria de comunicação. Apesar de seu esforço, a vasta maioria da opinião pública permanece distante e desatenta ao que se passa em Brasília.
Para ela, o “mensalão” é apenas mais um episódio, entre centenas, dos casos de irregularidades, corrupção, confusões e complicações que caracterizam o cotidiano da política brasileira. Nem mais grave, nem maior que outros.
No que tem razão.
Considerando as cidades para as quais dispomos de dados, não parece haver sequer uma em que o “mensalão” esteja sendo discutido pelo eleitorado como algo relevante na decisão a respeito do melhor candidato a prefeito. O julgamento não entrou na agenda da eleição - pelo menos, por enquanto.
Nada mais natural que os candidatos do PT não queriam discuti-lo, mas por que os candidatos da oposição não tocam no assunto na propaganda eleitoral? Talvez por saber que pouco interessa ao eleitor, que espera vê-los discutindo as cidades e apresentando propostas.
Neste final de agosto, poucas mudanças significativas ocorreram nas intenções de voto nas grandes cidades. Quase nada mudou em relação a julho.
Curiosamente, a única se deu no sentido inverso ao que se imaginava.
Até agora, é tucana a maior vítima destes tempos dominados pela obsessão da mídia com o julgamento. Em São Paulo, José Serra enfrenta o mais sofrido inferno astral de sua carreira.
Mas não é por causa do “mensalão”.
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
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Fala FHC: O que seria do Brasil em mãos tucanas?

Um grande banco de São Paulo reuniu nesta 3ª feira três vigas chamuscadas do incêndio neoliberal que ainda arde no planeta: Clinton, Blair e FHC. Que um banco tenha promovido um megaevento com esses personagens a essa altura do rescaldo diz o bastante sobre a natureza do setor e da ingenuidade dos que acreditam em cooptar o seu 'empenho' na travessia para um novo modelo de desenvolvimento. Passemos.
As verdades às vezes escapam das bocas mais inesperadas. Clinton e Blair jogaram a toalha no sarau anacrônico do dinheiro com seus porta-vozes. Coube ao ex-presidente norte-americano sintetizar um reconhecimento explícito: 'Olhando de fora, o Brasil está muito bem. Se tivesse que apostar num país, seria o Brasil'.
Isso, repita-se, vindo de um ex-presidente gringo que consolidou a marcha da insensatez financeira em 1999, com a revogação da lei de Glass-Steagall.
Promulgada em junho de 1933, três meses depois da Lei de Emergência Bancária, que marcou a posse de Roosevelt, destinava-se a enquadrar o dinheiro sem lei, cujas estripulias conduziram o mundo à Depressão de 29.
A legislação revogada por Clinton submetia os bancos ao rígido poder regulador do Estado. Legitimado pela crise, Roosevelt rebaixou os banqueiros à condição de concessionários de um serviço sagrado de interesse público: o fornecimento de crédito e o financiamento da produção. Enquanto vigorou, a Glass Steagall reprimiu o advento do supermercado financeiro, o labirinto de vasos comunicantes dos gigantes financeiros em que bancos comerciais agem como caixa preta de investimento especulativo, com o dinheiro de correntistas.
O democrata que jogou a pá de cal nas salvaguardas do New Deal elogiou o Brasil, quase pedindo desculpas por pisotear o ego ao lado do grande amigo de consensos em Washington e de corridas de emergência ao guichê FMI.
Mas FHC é um intelectual afiado nas adversidades.
A popularidade contagiante do tucano, reflexo, como se sabe, de seu governo, poupa-o da presença física nos palanques do PSDB, preferindo seus pares deixá-lo no anonimato ocioso para a necessária à defesa do legado estratégico da sigla.
É o que tem feito, nem sempre dissimulando certo ressentimento, como nessa 3ª feira mais uma vez.
Falando com desenvoltura sobre um tema, como se sabe, de seu pleno domínio sociológico, ele emparedou Clinton, Hair e tantos quantos atestem a superioridade macroeconômica atual em relação à arquitetura dos anos 90.
Num tartamudear de íngreme compreensão aos não iniciados, o especialista em dependência - acadêmica e programática - criticou a atual liderança dos bancos públicos na expansão do crédito, recado oportuno, diga-se, em se tratando de palestra paga pelo banco Itau; levantou a suspeição sobre as mudanças que vem sendo feitas - 'sem muito barulho'' - na política econômica ("meu medo é que essa falta de preocupação com o rigor fiscal termine por criar problemas para a economia”) e fez ressalvas ao " DNA" das licitações - que não reconhece, ao contrário de parte da esquerda, como filhas egressas da boa cepa modelada em seu governo.
Ao finalizar, num gesto de deferência ao patrocinador, depois de conceder que a queda dos juros é desejável fuzilou: 'houve muita pressão para isso'.
O cuidado tucano com os interesses financeiros nos governos petistas não é novo.
Há exatamente um ano, em 31 de agosto de 2011, quando o governo Dilma, ancorado na correta percepção do quadro mundial, cortou a taxa de juro pela primeira vez em seu mandato, então em obscenos 12,5%, o dispositivo midiático-tucano reagiu indignado. A pedra angular da civilização fora removida por mãos imprevidentes e arestosas aos mercados.
O contrafogo midiático rentista perdurou por semanas.
Em 28 de setembro, Fernando Henrique Cardoso deu ordem unida à tropa e sentenciou em declaração ao jornal ‘Valor Econômico’: a decisão do BC fora 'precipitada'.
Era a senha.
Expoentes menores, mas igualmente aplicados na defesa dos mercados autorreguláveis, credo que inspirou Clinton a deixar as coisas por conta das tesourarias espertas, replicaram a percepção tucana do mundo:"não há indícios de que a crise econômica global de 2011 seja tão grave quanto a de 2008", sentenciou, por exemplo o economista de banco Alexandre Schwartzman,indo para o sacrifício em nome da causa.
Nesta 4ª feira, o BC brasileiro completa um ano de cortes sucessivos na Selic com um esperado novo recuo de meio ponto na taxa, trazendo-a para 7,5% (cerca de 2,5% reais).
Ainda é um patamar elevado num cenário de crise sistêmica, quando EUA e países do euro praticam juros negativos e mesmo assim a economia rasteja.
Uma pergunta nunca suficientemente explorada pela mídia, que professa a mesma fé nas virtudes do laissez-faire, quase grita na mesa: 'Onde estaria o Brasil hoje se a condução do país na crise tivesse sido obra dos sábios tucanos?'
As ressalvas feitas por FHC no evento de banqueiros desta 3ª feira deixa a inquietante pista de que seríamos agora um grande Portugal, ou uma gigantesca Espanha - um superlativo depósito de desemprego, ruína fiscal e sepultura de direitos sociais, com bancos e acionistas solidamente abrigados na sala VIP do Estado mínimo para os pobres.
Em tempos de eleições, quando candidatos de bico longo prometem fazer tudo o que nunca fizeram, a fala de FHC enseja oportuna reflexão.
Saul Leblon
No Blog das Frases
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Jornalismo mãe Dinah ataca novamente em O Globo

Esta foto do Lula de barba
ilustra a matéria
Mais um espécime do jornalismo mãe Dinah que floresce em nosso porcalismo tupiniquim.
Dessa vez, baixou na repórter Tatiana Farah de O Globo o espírito clarividente de mãe Dinah e ela saiu vendo coisas, lendo mentes, passado, presente e futuro.
Temos aí uma afirmação categórica que não é comprovada em nenhum ponto (repito, nenhum) da matéria.
Já no começo, o jornalismo mãe Dinah se manifesta:
SÃO PAULO - Um dos principais réus do mensalão, o ex-ministro José Dirceu tem se reunido semanalmente com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os encontros ocorrem na casa do ex-presidente, em São Bernardo do Campo, ou no instituto Lula, em São Paulo. Em pauta, o julgamento do escândalo no Supremo Tribunal Federal (STF), no qual Dirceu é acusado de formação de quadrilha e corrupção. Lula e seu ex-ministro também discutem a situação eleitoral deste ano, principalmente nas cidades escolhidas como prioritárias pelo PT: São Paulo, Recife e Belo Horizonte.
Procure, investigativo leitor, curiosa leitora, um único depoimento em toda a matéria de alguém que tenha visto ou confirme levemente esses encontros semanais. Não há.
Procure também qualquer informação de que José Dirceu tenha discutido o julgamento do chamado mensalão. Com Lula ou qualquer outra pessoa. Não há. Pelo contrário. Veja estes trechos da matéria, que a contradizem:
— Nem tocamos no assunto do julgamento — disse [o escritor Fernando] Morais [que o teria visitado].
(...)
— Não converso sobre isso com ele e me parece que ele não está interessado em conversar sobre o julgamento — disse Francisco Rocha, o Rochinha, coordenador da tendência Construindo um Novo Brasil (CNB), da qual Dirceu faz parte.
Ao final, a repórter mãe Dinah penetra a mente de José Dirceu e prevê seus próximos passos:
O ex-ministro se afastou da consultoria a empresas para acompanhar o processo no STF. A ideia era interromper o serviço até o fim do julgamento. Mas, como o caso tem se estendido, pode reavaliar o retorno. Ele prevê que o veredicto sai até meados de outubro.
Dirceu disse a ela que prevê algo? Não, mãe Dinah prevê que ele prevê. 
E os encontros com Lula? Ficaram apenas no título e no primeiro parágrafo, o chamado lead. Depois, foi ao éter de onde veio.
No Blog do Mello
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O Comuna

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Sobre jornalistas e tarefeiros

Alguns dos tarefeiros
Entre os jornalistas de Brasília, sobretudo os mais velhos, há mais gente impressionada com o fato de eu ter denunciado as ligações de colegas de ofício com a quadrilha de Carlinhos Cachoeira do que com a denúncia em si. Ou seja, o que causa surpresa não é o fato de jornalistas serem pegos em meio a negociatas, encomendas e tráfico de informações produzidas de forma criminosa por um esquema de máfia, mas a ousadia de quem as denuncia.
Dentro de uma categoria, a única no mundo, onde existem pessoas que defendem o fim do próprio diploma, esse surto de corporativismo chega a ser surpreendente.
Não por outra razão, o silêncio imposto à CPI do Cachoeira sobre as relações da mídia com o bicheiro encarcerado no presídio da Papuda, em Brasília, vai muito além do cerco à convocação do diretor da Veja, Policarpo Jr. Trata-se de um desses movimentos que dependem muito mais da omissão dos bons do que da ação de canalhas.
Ainda dona da maior parte dos empregos, as grandes corporações de mídia sufocam a crítica dentro das redações, impõem doutrinas restritivas de cobertura, estabelecem um pensamento único e uniforme por meio de batalhões de colunistas e se retroalimentam a partir de cursinhos de trainee voltados para a criação de monstrinhos corporativos.
Pautam, enfim, o comportamento do jornalista, profissional cada vez mais instado a relegar pretensões de livre pensador em favor de uma rotina burocrática na qual passa a atuar como tarefeiro de notícias.
Tabu em todas as redações da velha mídia, a discussão sobre essas relações promíscuas entre jornalistas e fontes bandidas têm sido, assim, mascaradas como expediente normal e aceitável, embora os relatórios da Polícia Federal e da CPI demonstrem, justamente, o contrário.
Leandro Fortes
No Esquerdopata
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Militares estadunidenses acusados de planejar assassinato de Obama

Quatro soldados estadunidenses estão sendo acusados perante um juiz do Estado da Georgia de terem comprado 87 mil dólares em armamentos para, entre outras coisas, matar o presidente Barack Obama. Um deles confessou ter participado do assassínio de um quinto soldado, que sabia dos planos de matar Obama e era considerado um "ponto fraco" pelo grupo. A fonte é http://www.informationclearinghouse.info/article32301.htm, em inglês, baseada na agência AP e no jornal inglês The Independent, além do americano The Atlantic Wire.
No Blog do Renatão
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Charge online - Bessinha - # 1427

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Fernando Haddad

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Lula fala sobre a importância das eleições desse ano

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