26 de ago de 2012

Quem é o vice do Serra ?

O vice do "Cerra" foi o Kassab.
E todo mundo sabe no que deu o Kassab: o pior prefeito da História de São Paulo!
O vice do "Cerra" no Senado foi Pedro Piva, que praticamente exerceu o mandato, já que senador ele pouco foi.
Quem é Pedro Piva, o que fez pelo povo de São Paulo e a República?
Quem souber ganha um doce.
Quem foi o vice de "Cerra" na acachapante derrota para Presidente de 2002?
Rita Camata, que sumiu na irrelevância política.
O vice-governador de São Paulo de "Cerra" foi Alberto Goldman, cuja obra política se enriqueceu com a militância ao lado de Orestes Quercia.
Goldman, como seu aliado – e de "Cerra" – Aloysio 300 mil, é do tipo de ex-comunista que hoje sustenta a elite paulista (a pior do Brasil, segundo o Mino Carta).
Na fracassada campanha presidencial de 2010, "Cerra" teve três vices: José Roberto Arruda (“vote num careca e leve dois”), Álvaro Dias, o Catão dos Pinhais, e o Índio que, aparentemente sumiu também na irrelevância política.
Como se vê, tão importante quanto conhecer o "Cerra" é conhecer o vice.
Como "Cerra" tem o hábito de fugir das responsabilidades que o eleitor lhe confere – desde Presidente da UNE -, é fundamental saber qual é o gato que você compra pela lebre.
Quem é o vice de "Cerra" nessa mal sucedida campanha a Prefeito de São Paulo?
Que apito toca, tocou, tocará?
Paulo Henrique Amorim
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Lojas Mariso - De machista pra mulher

É sempre a mesma nota: empresa quer bancar a engraçadinha e tiro sai pela culatra.
Essa semana a Marisa apareceu com um belo exemplo do que não fazer nesses tempos de Marcha Nacional Contra a Mídia Machista.
Foi lançada a campanha Números, criada pela AlmapBBDO, e divulgado o seguinte vídeo:
Perdemos a conta de quantos preconceitos são destilados em míseros 30 segundos.
A propaganda incita a competitividade entre a mulheres, o que desaprovamos veementemente.
Heteronormativo, o anúncio assume que lésbicas ou não existem ou não lhes interessa como consumidoras.
Sexista, diz que um homem não pode gostar de poodles ou ter medo de barata. Provavelmente porque as muheres podem (e talvez até devam, ai) recear as baratas, e precisam de um homem que não tema essa tarefa.
Como condição de permanecer na “competição” é cobrado o hábito de mandar flores. Parece ser um ponto indiscutível, pois é eliminatório - o que diz que todas gostamos de receber flores (o censo perguntou isso para você?).
A liberdade do homem também é cerceada quando secar os cabelos com secador o desqualifica como companheiro. Ou quando fazer as unhas ou usar cueca com vinco faz com que deixe de ser um candidato viável. A propaganda diz ainda que homens que moram com a mãe devem ser dispensados e que a maioria dos maridos são infiéis!
E, claro, não poderia faltar a eterna mensagem idiota de que se você não consumir tal produto ficará sozinha.
Já começou a retaliação. A página das Lojas Marisa no Facebook já está cheia de mensagens de descontentamento. Os comentários no Youtube são bem enfáticos quanto à opinião sobre o anúncio e o termômetro gostei/não gostei do vídeo dá a eles alguma ideia do descontentamento.
A página da AlmapBBDO com o vídeo dessa campanha também está recebendo merecidas críticas por criarem essa porcaria de comercial.
Mas a AlmapBBDO ainda não aprendeu a se desculpar e calar a boca. A empresa permite que o ego de sua funcionária se sobreponha ao respeito que deveria ter pel@s clientes da empresa que a contratou.
A autora do texto acima é Sophie Schoenberg, redatora da AlmapBBDO, que foi lindamente rebatida pelo Tumblr SlutShamingDetected. Sua postura é tão desrespeitosa, fazendo inúmeras alusões machistas, que dá vergonha só de ler.
Essa humilde redatora diz que vomitou esse texto em 10 minutos, então podemos considerar que levou mais ou menos o mesmo tempo para escrever esse roteiro para as Lojas Marisa, tão horroroso quanto a mensagem dela.
E aqui podemos ver a AlmapBBDO endossando a mensagem de sua funcionária:


Você pode mandar sua opinião para a AlmapBBDO no email almap@almapbbdo.com.br e para as Lojas Marisa usando o Fale Conosco do site.
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Independência de ministro começa na indicação

Interesse político conjuntural do Executivo não deve ser critério importante na escolha de membros do Supremo
Quando a presidente Dilma Rousseff indicar seu candidato para substituir o ministro Cezar Peluso, que se aposenta em 3 de setembro, revelará à nação como entende o Supremo Tribunal Federal na democracia brasileira.
Hoje, provavelmente, a opinião pública conhece mais ministros do Supremo do que do poder Executivo.
Muitas vezes, os ministros do tribunal, mesmo individualmente, tem mais poder do que ministro do governo.
O candidato indicado torna palpável e concretiza critérios políticos, jurídicos e éticos da presidente. Conhecer esses critérios é tão importante quanto conhecer o indicado.
Decifrar o tempo da indicação é a primeira tarefa. A Constituição não estabelece prazo para a presidente.
A indicação do ministro Luiz Fux, no começo de 2011, levou cerca de seis meses. A demora trouxe graves problemas no julgamento da Lei de Ficha Limpa. Paralisou o julgamento. A da ministra Rosa Weber, também em 2011, cerca de três meses.
Na Argentina, há prazo para a indicação. Nos Estados Unidos, quando um presidente novo assume a Casa Branca, logo começa a identificar e pesquisar futuros candidatos. Na renúncia ou falecimento de ministro, o presidente está pronto para indicar. Assim respeita o Poder Judiciário e a democracia.
O interesse político conjuntural do Executivo não deve ser critério importante na indicação do candidato. O Supremo não pode sofrer solução de continuidade.
Além do notável saber jurídico e da ilibada reputação moral, o critério maior é a independência do julgar do futuro ministro. Independência em relação à presidente e seus legítimos interesses de políticas públicas, aos partidos políticos, aos interesses econômicos e sociais, e aos corporativismos.
É claro que a presidente tem que indicar ministro com quem partilhe de mesma visão de mundo, do Brasil, da democracia e da Justiça. Nada há de errado nisso. A questão é sobre o grau de fidelidade do ministro a quem o indicou ao julgar casos concretos.
Visão ingênua estabelece uma relação de causalidade entre o voto do ministro e o governo que o indicou e aprovou. Essa é uma probabilidade, mas não um destino. A vida é mais complexa. Inexistem estudos que comprovem essa visão mecanicista.
Afinidade de perspectiva, sim. Fidelidades a interesses, não. Sem independência, o Judiciário não cumpre sua função na democracia. A independência começa nos critérios de indicação da presidente e na aprovação pelo Congresso.
Joaquim Falcão, professor de direito constitucional da FGV Direito-Rio.
No Falha
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Soninha Chirico finge ser candidata para melhor apoiar Serra

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CQC falha na tentativa de flagrar um Pedófilo e acaba cometendo um crime

Programa comandado pelo jornalista Marcelo Tas na TV Bandeirantes tenta caçar pedófilos na Internet, mas acaba revelando total desconhecimento sobre o assunto. Utilizando-se do abominado recurso do flagrante preparado, o CQC acusou falsamente um cidadão de ser pedófilo. E nesta tentativa de expor um criminoso, acabou cometendo um crime.
Na noite da última segunda, dia 20 de agosto, o programa CQC da Rede Bandeirantes exibiu uma reportagem onde imita o infame "To Catch a Predator" da NBC americana, controverso programa criticado por preparar flagrantes no intuito de expor pedófilos, responsável por um suicídio e processado em 105 milhões de dólares. A matéria do humorístico pseudo-jornalístico comandado por Marcelo Tas pode ser conferida no site da Rede Bandeirantes, ou no vídeo abaixo:
O termo "pedofilia" foi amplamente utilizado na reportagem do CQC, e o cidadão atraído pela armadilha preparada pela repórter Mônica Iozzi foi diversas vezes chamados de "pedófilo", não só na reportagem como também nas chamadas promocionais e contas dos membros do CQC nas redes sociais. Porém, um pequeno detalhe chama a atenção: a conduta retratada não é a da pedofilia. Pode soar estranho, mas pedofilia não é crime, crime é abuso sexual infantil. Pedofilia é uma doença, uma parafilia bem definida pela Organização Mundial da Saúde, que consiste na atração sexual por crianças, indivíduos pré-púberes. E a personagem criada pelo CQC não era uma criança, e sim uma garota de 14 anos completos. A ONG Safernet esclarece
"Pedofilia é um transtorno da personalidade, mais precisamente uma parafilia. No DSM-IV (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders), a classificação dos transtornos mentais feitas pela Associação Americana de Psiquiatria, a Pedofilia é caracterizada quando os indivíduos apresentam os seguintes aspectos: 
Critérios Diagnósticos para F65.4 302.2 - Pedofilia - DSM IV 
A. Ao longo de um período mínimo de 6 meses, fantasias sexualmente excitantes recorrentes e intensas, impulsos sexuais ou comportamentos envolvendo atividade sexual com uma (ou mais de uma) criança pré-púbere (geralmente com 13 anos ou menos)
B. As fantasias, impulsos sexuais ou comportamentos causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo. 
C. O indivíduo tem no mínimo 16 anos e é pelo menos 5 anos mais velho que a criança ou crianças no Critério A. 
Tampouco o ato de assediar pela internet um indivíduo de 14 anos é crime, conforme o mesmo esclarecimento da ONG Safernet enviado ao Roteiro de Cinema:
"Note-se que só haverá crime se a vítima for criança, ou seja: qualquer ser humano entre zero e 12 anos incompletos.  No caso da reportagem do CQC, a atriz que fez o papel da suposta vítima dizia ter 14 anos, o que, de acordo com a lei brasileira, não haverá crime desde que o contato através da Internet não envolva a produção, troca, filmagem, fotografia de cenas pornográficas ou de sexo explícito."
Chamada da matéria no site da Bandeirantes.
Uso equivocado do tema pedofilia para alavancar audiência.
Este é primeiro grande equívoco da reportagem. A atração sexual por uma garota de 14 anos não é pedofilia. Este fenômeno é conhecido como Efebofilia e não é classificada como parafilia pelos organismos médicos. Mas o segundo equívoco é ainda mais grave. A reportagem afirma que o fato do cidadão ter marcado um encontro com um garota de 14 anos é crime. Todo o flagrante da reportagem é baseado na falsa premissa de que um adulto fazer sexo consensual com um garota de 14 anos seria um crime. Não é. De acordo com o Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente do Paraná, a presunção de violência   é aplicada apenas para menores de 14 anos. Ou seja: sexo consensual com indivíduos com 14 anos completos - a idade da personagem criada pelo programa - não é crime tipificado pelo Código Penal:
"Estupro de Vulnerável: Art. 217-A. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze) anos: Pena - reclusão, de 8 (oito) a 15 (quinze) anos."
Pedobear como novo integrante do CQC.
Montagem por Thiago Fernandes (@xthiii)
A realidade então é que o "pedófilo" flagrado pela reportagem não é um pedófilo e nem estava cometendo crime algum. E ao acusar um cidadão publicamente e em rede nacional de estar cometendo um crime inexistente, os responsáveis pela reportagem do CQC é que cometem crime de Calúnia, além de crimes de Injúria e de Difamação ao tratá-lo como "pedófilo", chegando ao absurdo de incitarem violência contra ele. Ao tentar flagrar um criminoso, desinformados e apenas interessados na audiência que o sensacionalismo proporciona, quem cometeu um crime foram os responsáveis pela produção e exibição da matéria. E numa análise mais abrangente, todos que publicamente endossaram as acusações da emissora. O desrespeito aos direitos fundamentais do cidadão pela emissora podem incorrer também no descumprimento da Constituição Federal em seu artigo 221, o que - somado aos outros diversos exemplos documentados de desvios éticos da emissora - poderia acarretar no cancelamento ou na não-renovação da concessão do serviço público de radiodifusão da TV Bandeirantes.
A TV Bandeirantes tem um dos piores currículos em matéria de conduta antiética entre as emissoras brasileiras. Na Bahia o Ministério Público propôs ação requerendo que "a emissora deixe de exibir, em seus programas jornalísticos, entrevistas e imagens que atentam contra a dignidade humana". Foi da Band Bahia que saiu o infame caso da repórter Mirella Cunha, que debochou de um preso em rede nacional.
Band diz que Mirella  feriu o código de ética do jornalismo da emissora.
Mas existe mesmo esse tal código? A Band silencia sobre o assunto.
A indignação nas redes sociais contra o comportamento da repórter Mirella Cunha gerou uma inédita reação do departamento de Jornalismo da Band comandado por Fernando Mitre. Em nota, a Bandeirantes afirmou que iria "tomar todas as medidas disciplinares necessárias" e que a "postura da repórter fere o código de ética do jornalismo da emissora”. Porém, a própria nota demonstra a falta de ética da emissora. Ao contrário do que afirma a nota, a Band não possui um Código de Ética próprio para ser ferido. Diversos profissionais que trabalham ou trabalharam na Band afirmaram desconhecer tal documento, incluindo o repórter do CQC Mau Meirelles. Desde o dia 23 de Maio, ou seja há três meses, cobro da Assessoria da Band um esclarecimento sobre o tal "Código de Ética do jornalismo da emissora" mencionado na nota, porém, nunca responderam uma simples pergunta: existe mesmo um código de ética da Band? Também nunca esclareceram se o CQC, que afirma praticar jornalismo em uma campanha para justificar a autorização de gravar dentro do Senado Federal, está obrigado a cumprir este ou qualquer outro Código de Ética jornalística. 
Independente dos erros factuais e do caráter calunioso e difamador da matéria do CQC sobre a suposta pedofilia, outra questão alarmante é a do uso do Flagrante Preparado na reportagem, recurso abominado pelo processo penal brasileiro e pela ética jornalística em geral, sobre o qual já discuti em um artigo relatando esta prática pelo Jornal Hoje. Prepara-se um cenário irreal para induzir alguém a cometer um crime somente para pegar a pessoa em flagrante, na tentativa de criar um crime onde não haveria. Um crime impossível. Nem a polícia pode usar este tipo de artifício, quanto mais a imprensa.
Apresentador do CQC chama cidadão de "FDP PEDÓFILO" e diz que
para matéria ter ficado perfeita só faltou ele levar uma surra.
Algumas pessoas comentaram que apesar do sensacionalismo, dos erros factuais e da desonestidade jornalística, o saldo da matéria seria positivo, pois alertaria os pais para o riscos a que seus filhos estão expostos na internet, e que inibiria pedófilos por medo de serem flagrados. Acredito que a conclusão não poderia estar mais longe da verdade. A reportagem apenas desinforma e promove paranoia com internet. Os dados sobre abuso sexual mostram que abusadores são normalmente pessoas conhecidas da família, muito frequentemente parentes das vítimas, então o risco maior não está na internet. Poderia dizer que é mais arriscado mandar sua filha comprar alguma coisa em uma mercearia do que deixar a solta numa sala de bate papo. Os riscos na internet existem, obviamente, mas não são os retratados na reportagem. Crianças e adolescentes não convidam gordinhos da internet para tirarem sua virgindade. Se quiserem se iniciar sexualmente por vontade própria, o farão com um vizinho, um conhecido, não com um estranho. O maior risco, pela natureza da web, não é o aliciamento para sexo, e sim o de ser vitima de pornografia infantil. Porém, existem sim círculos que aliciam menores na internet, em grande parte jovens homossexuais reprimidos pela família, que vêem na rede a única maneira de encontrar um parceiro, uma voz que lhe entenda, e com a confiança conquistada, viram presas para exploradores sexuais. E esses exploradores, sinto informar, não se intimidam com reportagens do CQC. São aliciadores profissionais a serviço do crime organizado que suprem o mercado de prostituição e pornografia infantil no Brasil e no exterior.
Há ainda uma tese muito popular nas redes sociais de que essa matéria do CQC não passaria de uma grande encenação, e que o cidadão acusado falsamente de ser pedófilo seria um ator contratado. O fato do programa não ter reportado o caso para a polícia (praxe em reportagens que supostamente envolvem prática de crime) é um indício  forte de que isso pode ser verdade. Mas não há como confirmar este fato. A esta altura não sei o que seria pior: o CQC ter armado uma farsa para ludibriar o seu público em busca de audiência, ou, na mesma busca pela audiência, ter cometido crimes contra um cidadão inocente.
Procurada pelo Roteiro de Cinema a TV Bandeirantes, como de costume, não comentou o caso.
UPDATE 24/08/14h00: Alguns leitores contestam a tese de que tenha havido crime de Calúnia, por não ter sido citada nenhuma conduta tipificada como crime, mas confirmam a tese de que claramente ocorreram os crimes de Difamação e Injúria por parte dos responsáveis pela reportagem. Porém, eu sustento ainda a tese que além dos crimes claros de Injúria e Difamação, incorreram também no crime de Calúnia, pois Marcelo Tas diz claramente que atraíram "um desses caras" que "ficam procurando" e "atraindo crianças e pré-adolescentes", o que é crime de acordo com o 241-D da Lei 11.829/08. Em todo caso, esse debate é somente para definir se foram cometidos um, dois ou três crimes durante a reportagem. O de Injúria é praticamente irrefutável. Mais detalhes nos comentários.
UPDATE 24/08/16h30: Ao invés de corrigir os erros e se retratar, a Band resolveu justificar a reportagem equivocada em uma matéria em seu site. O lead da matéria de Gabriella Marini é: "Promotor afirma que a reportagem do CQC sobre pedófilos ajuda a aumentar as discussões sobre órgãos de controle na internet", citando o promotor Luiz Alberto Segalla Bevilacqua. Liguei para o promotor ele nega ter feito qualquer juízo de valor sobre a matéria ou ter dito que ela "ajuda em algo". Diz que só esclareceu dúvidas técnicas para a repórter.
UPDATE 26/08/16h30: Na reprise do CQC, exibida na madrugada de hoje, a Band cortou (de maneira brusca e tosca) os três segmentos da reportagem e as referências a ela feitas pelos apresentadores da bancada. É um bom sinal, mas não o suficiente para corrigir o erro.
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PS: Ao confrontar a repórter Mônica Iozzi com as informações que transcrevo aqui, ela, ao invés de me responder, me bloqueou no Twitter. Então ficaria muito feliz se vocês enviassem este artigo para ela: @Srta_Iozzi
Mandem o artigo e cobrem resposta do Marcelo Tas também: @marcelotas
Mandem o artigo e cobrem respostas também de quem patrocina o programa:
@PepsiBr @ClaroRonaldo @Trident_Brasil @KaiserBrasil
A íntegra da mensagem da ONG Safernet sobre o programa pode ser lida aqui:
Uma crítica do jornalista Mauricio Stycer sobre o uso do recurso do Flagrante Preparado na reportagem pode ser lida aqui.
Texto antigo da amiga advogada Aline que mostra que o CQC é reincidente em retratar equivocadamente a pedofilia pode ser lido aqui.
Denunciem casos de abuso, violência ou exploração infantil pelo disque 100.
Fernando Marés de Souza
No Roteiro de Cinema
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Gilberto Gil

Em pleno ano de 1979, Gilberto Gil compõe uma versão para "No woman, no cry" de Bob Marley. "Não chore mais" faz uma grande crítica ao regime militar.
No Woman, No Cry
No Woman, No Cry
No Woman, No Cry
No Woman, No Cry...

Bem que eu me lembro
Da gente sentado ali
Na grama do aterro, sob o sol
Ob-observando hipócritas
Disfarçados, rondando ao redor...

Amigos presos
Amigos sumindo assim
Prá nunca mais
Tais recordações
Retratos do mal em si
Melhor é deixar prá trás...

Não, não chore mais
Não, não chore mais
Oh! Oh!
Não, não chore mais
Oh! Oh! Oh! Oh! Oh!
Não, não chore mais
Hê! Hê!...

Bem que eu me lembro
Da gente sentava ali
Na grama do aterro, sob o céu
Ob-observando estrelas
Junto à fogueirinha de papel...

Quentar o frio
Requentar o pão
E comer com você
Os pés, de manhã, pisar o chão
Eu sei a barra de viver...

Mas, se Deus quiser!
Tudo, tudo, tudo vai dar pé
Tudo, tudo, tudo vai dar pé
Tudo, tudo, tudo vai dar pé
Tudo, tudo, tudo vai dar pé
Tudo, tudo, tudo vai dar pé
Tudo, tudo, tudo vai dar pé...

No Woman, No Cry
No Woman, No Cry
No Woman, No Cry
Uh! Uh! Uh!...

Não, não chore mais
Menina não chore assim!
Não, não chore mais
Oh! Oh! Oh!
No Woman, No Cry
No Woman, No Cry
Não, não chore mais
Não chore assim
Não, não chore mais
Hê! Hê!
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A praga do “pensamento único”

John K. Galbraith, um dos mais importantes economistas do século XX, pronunciou-se algumas vezes sobre a “imbecilidade dos capitalistas”. A observação factual da crise sistêmica que o mundo está vivendo, sem perspectiva de solução equilibrada dentro das regras existentes, levaria a pensar que a afirmação do economista canadense tivesse fundamento.
No entanto, do ponto de vista das ideias, devemos reconhecer que, nas últimas décadas, o capitalismo neoliberal teve a capacidade de exercer uma hegemonia ímpar sobre todas as atividades humanas. Sofisticados instrumentos teóricos e culturais permitiram a esta nova ideologia eliminar qualquer resistência e crítica significativas, a ponto de se configurar como um “pensamento único”. Só recentemente, diante dos graves escândalos no coração do sistema, este primado começou a ser posto em discussão de forma incisiva.
Já mencionamos a batalha de ideias em curso e a relação de forças existentes. Vale a pena reiterar que estamos assistindo a uma autêntica guerra global dentro do sistema capitalista, da qual o neoliberalismo sairá derrotado ou vencedor. No último caso, podemos estar certos: o que resta da democracia no planeta estaria seriamente comprometido. Neste quadro, a circulação das ideias em escala planetária é fundamental para a definição do resultado. Somente por meio da difusão de pensamentos plurais e antitéticos ao dominante, poderão ser conquistadas as mentes e os corações habilitados a criar uma nova civilização para superar as injustiças de um mundo onde minorias não eleitas decidem o destino de bilhões de seres humanos.
A ferramenta principal é a mídia. A livre difusão da internet – com a grave exceção da China –, apesar de limitada, permite uma informação de baixo para cima que tem aberto brechas importantes no monólito do pensamento único. Os jornais independentes sempre foram minoria e, na chamada grande imprensa, as vozes autônomas são escassas, relegadas aos espaços de debates: espécie de reserva indígena-intelectual, que visa demonstrar o pluralismo de um jornal, enquanto a informação transmitida em todas as outras páginas defende pura e simplesmente a ordem existente. Mundo afora, o cidadão é informado sobre a crise econômico-financeira de forma predominantemente mecanicista, tecnicista e distorcida. As causas principais das convulsões em curso são eludidas: in primis a desregulamentação insensata do sistema financeiro, origem de fraudes e falências.
As análises de economistas e jornalistas alinhados ao neoliberalismo, e que ainda são maioria, chegam de hábito a um beco sem saída, a um porto das névoas, quando tocam o tema “mercados”. Neste ponto, as dúvidas desaparecem, as perguntas se extinguem – Ipse dixit! – em obséquio aos inomináveis e onipotentes titereiros donos dos “mercados”.
Sendo assim, os cortes sociais realizados pelos governos europeus, alvos de ataques especulativos, são descritos mecanicamente como respostas obrigatórias, para satisfazer às exigências ou aos humores dos “mercados”. Obviamente, isso é feito sem informar quais grupos de interesses e forças concretas estão por trás dos tais “mercados”. As imponentes transferências de riquezas provocadas pela gangorra dos spreads ou negociatas das bolsas de valores, a existência de imensas fortunas escondidas nos “paraísos fiscais”, são fatos descritos de forma fria e tecnicista, incompreensível para o cidadão comum, oferecendo uma representação da realidade absolutamente surrealista, sem análise alguma sobre as causas e consequências.
A situação da mídia brasileira cabe perfeitamente neste quadro, com algum agravante. O “pensamento único” da chamada grande imprensa é bem mais extenso aqui do que em outros países de democracia madura. A esse aspecto acrescenta-se um partidarismo acentuado, unilateralmente antigovernamental, que contrasta com uma concepção da informação como serviço pluralista à cidadania. O governo brasileiro não pode ser isento de críticas, mas o mérito de ser um dos poucos no mundo que na última década conseguiram crescimento econômico e diminuição das desigualdades, deveria ser reconhecido em homenagem aos fatos.
Em suma, a opinião pública mundial padece de uma informação parcial ou distorcida, que esconde a realidade de um planeta onde a desigualdade sem freios e a avidez do lucro estão comprometendo as possibilidades de construir um futuro comum. Esta “cegueira” é na maioria das vezes fruto de partidarismo ideológico, que esconde interesses oligárquicos supranacionais; outras vezes é consequência da incapacidade de sair do esquema prefixado de pensar e agir. Para reverter esse quadro perigoso, é preciso que se difunda o pensamento crítico, hoje minoritário. O papel da mídia independente é de informar sobre os fatos e ideias que os outros não querem ou não podem contar.
Claudio Bernabucci
No CartaCapital
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Teorizando as Teorias

Você já parou para pensar sobre o que é uma teoria? Como nasce uma teoria? Como se valida ou invalida uma teoria?
Comecemos do princípio, o que são teorias?
Teorias são ideias, ideias são teorias.
As teorias podem ser simples, podem ser complexas, podem ser praticáveis, podem ser impraticáveis, podem ser utilizáveis, podem ser inutilizáveis, podem funcionar, podem não funcionar, podem chegar a conclusões inesperadas, enfim, podem ou não, dar respostas satisfatórias para solucionar os problemas que são apresentados.
Tudo depende da possibilidade ou não de se traduzir essa ideia em algo mensurável.
Como nasce uma teoria, afinal?
Toda teoria nasce fundamentalmente como algo de caráter filosófico, ela nasce de um experimento mental, uma ferramenta imaginativa do nosso intelecto, que tenta responder a uma pergunta, que traduzirá o que vemos na tentativa de explica-lo e/ou melhora-lo.
Uma teoria nasce filosoficamente, como a possível resposta a uma pergunta, e que é resultado de uma série de observações, e as suas conclusões deverão passar pelo crivo da experimentação para tornar-se uma teoria científica.
O ser humano observa o mundo a sua volta e se pergunta: como ele “funciona”, como podemos explicá-lo, como podemos melhorá-lo, como podemos aprender com ele, como podemos tirar melhor proveito dele?
A partir do momento que a resposta se cristaliza em nossa mente, esta resposta ainda é uma resposta fundamentalmente filosófica.
A verificação dessa resposta por meio de experimentos, é que fará com que essa resposta saia do âmbito filosófico para o âmbito da realidade.
Um bom exemplo de como nasce uma teoria, é o caso de Einstein. Ele desenvolveu suas teorias da relatividade restrita e geral, na tentativa de responder as seguintes perguntas: “O que aconteceria, se ele viajasse à mesma velocidade que a luz? O que ele veria ao se emparelhar lado a lado com um dos fótons que compõe essa luz e olhasse diretamente para esse fóton?”
Através da imaginação criativa, ele fez essa viagem, e na volta dela, trouxe a bagagem necessária contendo as informações para desenvolver as teorias, as possíveis respostas para as perguntas formuladas.
A resposta cristalizou-se no ano de 1905, mas, ainda assim, era uma resposta puramente filosófica, que só pode tornar-se uma parte de uma resposta científica, em 1918, quando através de experimentos, se comprovou uma de suas teorias.
Uma teoria filosófica só se torna uma teoria científica, quando passa pelo crivo da experimentação.
Os experimentos irão indicar uma das possibilidades abaixo:
1 ) A ideia está errada, pois não corresponde com a realidade observável.
2 ) A ideia está correta, pois corresponde com a realidade observável.
3) A ideia ainda não pode ser comprovada, por falta de melhores recursos experimentais que a comprovem ou desaprovem.
4) A pergunta que deu origem à ideia está formulada de forma correta, mas a interpretação de sua resposta experimental está incorreta.
5) A pergunta que deu origem à ideia está formulada de forma errada, mas a interpretação de sua resposta experimental  está correta.
Isso acaba virando um tremendo balaio de gatos, uma vez que: podem-se tirar conclusões corretas por meios errados, e tirar conclusões erradas por meios corretos.
Felizmente, existe a pesquisa incessante da ciência, para colocar os pingos nos devidos “Is”, mas, muitas vezes, perceber a ilusão de uma resposta errada que se acredita estar certa, pode levar décadas para ser entendida e finalmente corrigida.
Isso acontece, porque muitas vezes, ao observamos um determinado fenômeno, não termos a tecnologia ideal para medir esse fenômeno, então nos baseamos em dados probabilísticos. Para chegar a uma resposta mais ou menos correta.
O outro problema, é que muitas vezes ao observamos um determinado fenômeno, lhe atribuímos a uma causa errada, por acreditarmos que é essa causa, que geraria este fenômeno.
Mas, basicamente, se a ideia não pode ser comprovada plenamente, ou somente parte dela pode ser confirmada, ela então, permanece apenas como teoria parcialmente filosófica e não totalmente científica.
Esse é o caso, por exemplo, da teoria Padrão, mais conhecida como “teoria do Big Bang”, ela explica muitas coisas corretamente, isso é, muitas de suas respostas foram comprovadas experimentalmente, mas em compensação, deixa um monte de lacunas sem resposta, ou perguntas mal respondidas, criando mais perguntas sem respostas ou com respostas ainda não mensuráveis. Isso a coloca então, no hall das teorias mais filosóficas do que científicas, indicando que ela pode ser substituída futuramente por uma nova e melhor teoria.
Agora, se uma ideia for comprovadamente falha e não responder satisfatoriamente e plenamente a uma pergunta, ela pode ser definitivamente descartada e não se fala mais nisso, ok? Não adianta tentar ressuscitar um morto, ele está morto e por mais fé que você tenha nessa teoria, ela não andará com os próprios pés, então, descarte a teoria e tente criar uma nova e mais satisfatória teoria.

Teorias Político/Econômicas.

As teorias Político/Econômicas são filosóficas ou são científicas?
Hummmmmmmm. Acho que agora, isso vai dar muito “pano pra manga”...
Como eu expliquei lá em cima, toda teoria nasce filosoficamente, e só pode tornar-se uma teoria científica quando a colocamos sob a lupa da experimentação, para comprovarmos ou descartarmos a sua eficiência, ou seja, se a teoria responde satisfatoriamente uma pergunta ou não, se ela pode ser aplicada satisfatoriamente ou não.
Atualmente, existem duas principais teorias Político/Econômicas:
A teoria do Capitalismo de Adam Smith e a Teoria do Socialismo de Karl Marx.
Ambas, são teorias velhas, e talvez aí resida o problema, uma vez que sistemas econômicos são dinâmicos e não estáticos.
A teoria do Capitalismo de Adam Smith
Adam Smith, quando criou suas teorias sobre o capitalismo, o fez, tendo como base, um sistema econômico, digamos, ainda na infância, que era fruto e ainda baseado em um mercantilismo nascido de um sistema feudalista moribundo.
Tendo como base essas informações, ele desenvolveu uma teoria que, ao se tentar aplicá-la, não condizia com a dinâmica do mercado, ou seja, eram teorias que em sua maior parte, já nasciam ultrapassadas e algumas vezes, tornavam-se quase utópicas, sendo assim, apenas uma pequena parte de sua teoria era aplicável, ou seja, somente parte de sua teoria podia ser quantificada e passível de experimentação e comprovação.
Então, podemos chegar à conclusão que: Grande parte da teoria capitalista não funciona satisfatoriamente, pois se baseia em dados ultrapassados, somente parte dela funciona e pode ser aplicada para explicar a mecânica do funcionamento do Sistema Econômico Capitalista, e por isso, não consegue analisar e colocar o mecanismo em pleno funcionamento, para que ele possa evoluir para um sistema ideal econômico totalmente eficaz e não utópico.
A teoria do Capitalismo trava, e se trava, não pode evoluir para um sistema melhor, mais justo e mais eficaz.
A Teoria do Socialismo de Karl Marx
Karl Marx e Engels perceberam as grandes falhas do sistema capitalista, mas não perceberam que estas falhas eram devido ao sistema capitalista, ser fruto do mercantilismo desenfreado e também não perceberam o principal, que um sistema econômico é algo dinâmico, algo que evolui.
Na tentativa de criarem um sistema mais justo, tendo por base as informações e os problemas não solucionados pelo sistema capitalista, eles criaram uma nova teoria, que Marx, hora chamava de: teoria do socialismo; hora de: teoria do comunismo, para ele, socialismo e comunismo eram duas palavras que designavam a mesma coisa, isso se torna patente ao nos debruçarmos sobre os seus escritos teóricos.
A obra de Marx e Engels, foi, durante muito tempo, uma teoria puramente filosófica.
Ou seja, sua teoria sobre o socialismo, quando foi apresentada, não havia ainda sido posta a prova, não passara por experimentação para validar ou invalidar as soluções apresentadas teoricamente.
Anos se passaram, e finalmente alguns países colocaram em prática as teorias de Marx...
E o que se viu foi que: As teorias de Marx eram lindas, maravilhosa, ideais, mas... Não funcionavam, não valiam nem mesmo o papel em que estavam escritas.
Todos os países que tentaram implantar o socialismo tiveram que rapidamente achar soluções capengas que acabaram por descambar em ditaduras.
Na tentativa de “salvarem a cara”, e com isso tentar preservar imaculado o nome de Marx, e sua teoria impraticável, os adeptos da teoria socialista implantaram uma “ditadura do proletariado”, na União Soviética, que com o tempo, desmoronou, causando muito mais mal do que bem ao povo soviético.
Em outros países, como por exemplo: Cuba e Coreia do Norte, ao perceberem que a teoria do socialismo não funcionava, instalaram em seu lugar, um regime tipicamente monarquista, onde, o poder passa de pai para filho, no caso da Coreia do norte, e de irmão para irmão, no caso de Cuba.
Todos esses países, é preciso deixar bem claro, comprovaram da pior forma possível, que as teorias do socialismo eram impraticáveis, mas, para não passarem vergonha, continuaram afirmando que eram sistemas socialistas mais melhorados, mais evoluídos, mais científicos, baseados nas teorias socialistas de Marx.
E muita gente acreditou nessas estorinhas...
Então, de um lado, temos um sistema capitalista que não é absolutamente ideal, que trava, que faz pular as engrenagens do sistema econômico, causando problemas perigosos, e que não evolui, mas que mesmo assim, o usamos, por falta de coisa melhor, e vamos empurrando com a barriga enquanto der, e de outro, temos um sistema socialista que é impraticável, que não funciona nem com “reza braba”.
Acredito que está então, mais do que na hora, de nos conscientizarmos que nenhumas das duas teorias realmente possam evoluir para algo melhor.
Precisamos criar novas teorias e testa-las, até encontrar alguma que realmente funcione e seja realmente dinâmica.
O povo da terra, encarecidamente, agradece.
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Charge online - Bessinha - # 1421

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A foto da semana


Um oficial da polícia metropolitana de Londres (ou Met, como é conhecida no Reino Unido) revelou acidentalmente um plano para deter Julian Assange “sob qualquer circunstância” caso ele pise fora da embaixada do Equador. O policial desinformado foi fotografado segurando uma prancheta que detalhava possíveis formas pelas quais o fundador do WikiLeaks poderia tentar escapar do prédio onde se abriga há dois meses.
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É tudo igual

Laerte
No Aldeia Gaulesa
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Gravações em vídeo apreendidas pela Polícia Federal são entregues para CPMI do Cachoeira

Uma coletânea de gravações em vídeo apreendida durante a Operação Monte Carlo, em 29 de fevereiro, pela Polícia Federal (PF) na casa do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, acusado de explorar jogos de azar, foi entregue na sexta-feira à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira.
A operação resultou na prisão de Cachoeira e integrantes da organização criminosa que comandava casas de jogos em vários municípios de Goiás. O material entregue contém 270 CDs, um DVD. Entre as gravações, está a que aparece o prefeito de Palmas, Raul Filho (PT), negociando com o contraventor.
Na semana passada, um grupo de parlamentares que integram a CPMI esteve com diretores da Polícia Federal, em Brasília, solicitando o envio das gravações apreendidas na casa de Cachoeira e em imóveis pertencentes a outros integrantes da quadrilha.
Os vídeos foram liberados com um ofício, assinado pela delegada Silvana Helena Viera Borges, informando que consta entre os documentos relatórios de análise do material apreendido, laudos periciais e cópias das mídias.
A secretaria da CPMI informou que o material ficará em um cofre e que, a partir da próxima semana, estará disponível para consulta dos membros da comissão. Uma equipe de técnicos do Senado atualizará os 12 computadores da sala do cofre da CPMI para permitir aos parlamentares o acesso aos dados.
Na próxima terça-feira a CPMI se reunirá para ouvir o depoimento do ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Luiz Antonio Pagot e do empresário Adir Assad, acusado de ser o dono de empresas de fachada. Na quarta-feira, serão ouvidos o ex-dono da Delta Fernando Cavendish e do engenheiro Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, ligado ao PSDB de São Paulo.
No Correio do Brasil
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Margem de erro nas pesquisas eleitorais

Toda campanha é sempre tudo igual. As pesquisas começam e dou um jeito de escrever alguma coisa sobre a "margem de erro". Para manter a tradição, não custa lembrar:
1. As pesquisas por amostragem não foram inventadas para acertar um resultado "na mosca". Elas nos oferecem um intervalo no qual o dado encontrado na amostra, provavelmente, está na população. No lugar de dizer: Celso Russomanno tem 27% dos votos; o mais correto seria dizer: Russomanno está em algum lugar entre 24% e 30% (com uma margem de erro de 3 pontos percentuais).
Não imagino os locutores da TV anunciando os resultados das pesquisas assim. Talvez, confundissem mais ainda. Mas para quem acompanha e estuda as pesquisas é fundamental não cair na tentação (muito comum) de acreditar que o candidato está realmente em 27%.
2. Aprendi que pesquisas por quota - como as feitas pelos institutos brasileiros - não deveriam apresentar a margem de erro, procedimento criado apenas para pesquisas aleatórias. Há anos estou atrás da justificativa estatística para que os institutos brasileiros continuem a empregar a margem de erro. Quem puder ajudar, eu agradeço.
Para quem quiser mais detalhes, leiam o texto abaixo, que não me canso de divulgar: "A falsidade da margem de erro nas pesquisas eleitorais baseadas em quotas", escrito pelos dos estatísticos José Ferreira de Carvalho e Cristiano Ferraz.
3. Pelo fato de as pesquisas lidarem com uma estimativa que está em um amplo intervalo, é um preciosismo divulgar os dados com casas decimais. Uma pesquisa divulgada hoje, por exemplo, diz que Humberto Costa está com 31,1% das preferências e Geraldo Júlio com 22,2%. Um caso de falsa precisão.
4. Lembre-se que a margem de erro divulgada (em geral de 3 pontos) refere-se à máxima da pesquisa; ou seja, serve para o candidato com maior percentual. Na realidade, cada candidato tem uma margem de erro particular, segundo o percentual que ele obteve na pesquisa.
Em uma pesquisa probabilística (1.000 entrevistas) a margem de erro de um candidato com 32%, por exemplo, é de 2.9%. Já para um candidato com 8%, a margem de erro é de 1,7%.
De outro modo, um candidato com 2% poderia, com uma margem de erro de 3% estar com -1%! (de fato ela é de 1.1%).
5. Nunca diga que um candidato subiu ou desceu entre duas pesquisas sem antes observar as margens de erro. Quase sempre as mudanças estão dentro da margem. A variação acentuada de uma pesquisa não são tão frequentes. Pelo menos, não antes que a campanha comece a mobilizar os eleitores.
6. Em resumo: veja as pesquisas, se divirta, torça para seu candidato subir... E só.
Jairo Nicolau, Professor Titular do Departamento de Ciência Politica da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
* * *

A Falsidade das Margens de Erro de Pesquisas Eleitorais Baseadas em Amostragem por Quotas


Texto motivado por ocasião do debate: “A Estatística na Pesquisa Eleitoral,” promovido pelo CONRE, no dia 26 de agosto de 2006, em São Paulo
No sábado, dia 26 de agosto, um de nós (JFC) esteve em uma reunião promovida pelo Conselho Regional de Estatística em São Paulo, sob título: DEBATE: A ESTATÍSTICA NA PESQUISA ELEITORAL. Foi uma festa, tudo muito bem organizado, vários amigos a se reencontrarem. O debate iniciou-se com apresentações de palestrantes ilustres: Dr Lourival dos Santos, professor da USP, que nos mostrou como as pesquisas eleitorais afetam o voto do eleitor, ilustrando o tema com a descrição de diversos casos concretos; o Dr Carlos Alberto de Bragança Pereira, também da USP, que mostrou um modo Bayesiano para estimar as proporções de votos e que, em comentário, evidenciou a tolice da proposição de um único valor para o “erro admissível” na estimação das proporções de votos. JFC pôde ficar somente na parte matinal da reunião, ainda em tempo de ouvir a palestra da colega Márcia Cavallari, diretora de pesquisas do IBOPE.
A excelente palestra de Márcia renovou o interesse por uma questão sempre presente. Vale a declaração, feita em pesquisas de intenção de voto, de que “a margem de erro é tantos por cento, para cima ou para baixo, com tal confiança”? Foi dito na palestra, que:
1. a amostragem conduzida pelo IBOPE não é probabilística; ela se baseia no esquema de quotas;
2. o esquema de quotas é usado, em que pese o reconhecimento das “vantagens” de um esquema probabilístico, por questões de tempo de execução;
3. o professor Leslie Kish, em seu livro, apresenta e justifica o emprego de amostragem por quotas;
4. houve estudo feito na Inglaterra, em que se mostrou a adequabilidade do esquema de amostragem por quotas.
5. Quando houve problemas com uma pesquisa em Brasília, o problema foi solucionado com o uso correto da amostragem probabilística que foi demorada e mais custosa.
Claro que essas citações são feitas de memória e que elas refletem apenas parte da palestra, justamente a que nos interessa para esta discussão.
As pesquisas eleitorais assumem importância fundamental no processo de eleições. Não somente balisam os candidatos, para orientarem seus trabalhos de convencimento de eleitores, mas também, como aprendemos na palestra do Prof. Lourival, podem influenciar o eleitor. São instrumentos não só de prospecção, mas também de condução do processo. Deve ser por isso que as autoridades que ordenam o processo de eleições façam exigências, como o registro de pesquisas, a nomeação de um responsável técnico e da declaração da margem de erro.
A amostragem por quotas, largamente usada em pesquisas de opinião e em pesquisas de mercado, nãopode ser considerada alternativa válida à amostragem probabilística. Problemas de presteza na execução e de orçamento não servem como justificativa. O problema é que não há como se estimar parâmetros populacionais cientificamente, a partir de uma tal amostragem. As margens de erro declaradas, como admite o IBOPE, são baseadas em fórmulas de amostragem aleatória simples, a conhecida expressão para a variância, pq/n. Mas esta variância não se aplica à amostragem por quotas ou a qualquer método de amostragem não probabilística.
As justificativas apresentadas na palestra são baseadas em dois argumentos. Um é o princípio da autoridade, fundamentado em um trabalho experimental feito na Inglaterra e na opinião do professor Kish, que são apresentados, sem mais explicações, como defesas do método. O outro argumento é a presteza na execução: a amostragem aleatória demoraria demasiadamente. Não há uma justificativa matemática, logicamente correta. Infelizmente, somos obrigados a dizer que as justificativas apresentadas são, em si mesmas, falsas: a opinião publicada do professor Kish é diametralmente oposta à declarada; e bem outra é a nossa leitura do resultado de uma pesquisa empírica, conduzida na Inglaterra e publicada
em 1953, que não recomenda o uso do método de quotas em pesquisas nas quais os resultados devem ser derivados por métodos propriamente respaldados pela teoria estatística de amostragem.
A pesquisa inglesa
A pesquisa empírica mencionada anteriormente é descrita no artigo de Moser e Stuart (1953) e, dados os seus objetivos, - comparar amostragem por quotas com amostragem probabilística era um deles - vale a pena focar alguns de seus resultados. O estudo foi feito face a controvérsias envolvendo pesquisas conduzidas em amostragens por quotas, na Inglaterra e Estados Unidos, já naquela época, a década de 50.
O desempenho de quatro tipos de amostras por quotas foi comparado com o de uma amostra aleatória, a partir de pesquisas realizadas em três cidades: Birmingham, Bristol e Edinburgh, no ano de 1952. Como parâmetro de avaliação, utilizaram-se as discrepâncias entre as estimativas geradas pelos métodos concorrentes e os números observados pelo censo de 1951.
Para analisar os dados referentes à distribuição por ocupação entre homens e mulheres, foram calculadas estatísticas qui-quadrado do teste de adequabilidade de ajuste, tomando-se os valores censitários como valores esperados (Moser e Stuart, 1953, página 366). Em que pese a natureza descritiva deste procedimento, os dados relativos aos homens mostraram que, das doze estimativas geradas pelo método de quotas, sete diferiam significativamente dos dados do censo, enquanto que nenhuma das três estimativas geradas pelo método probabilístico apresentou discrepância notável dos valores censitários.
Os dados referentes às mulheres não deixam por menos: das doze estimativas geradas pelo método de quotas, onze produziram números diferindo significativamente do censo, ao passo que em apenas uma das estimativas produzidas pelo método probabilístico observou-se discrepância significativa.
Em relação à variável educação, os autores se sentiram à vontade em indicar que os resultados obtidos via amostragem por quotas tendem a captar indivíduos com melhor nível de educação. Observaram ainda que, dos quatro tipos de amostragem por quotas estudados, três produziam valores discrepantes das observações censitárias por mais de dois desvios-padrões, enquanto os valores produzidos pelo método probabilístico estavam bastante próximos dos observados pelo censo.
As análises não param por aí. Foram comparados ainda dados relativos à variância das estimativas e taxas de não-resposta observadas. Obter essas informações para o método de quotas só foi possível graças à existência de replicação do plano de amostragem e orientação explícita aos entrevistadores para registrar todos os casos de recusa das entrevistas – o que não é da praxe daqueles que utilizam o método.
Os dados indicam uma tendência da amostragem por quotas a produzir variâncias (reais) de estimadores consideravelmente maiores do que as correspondentes da amostra aleatória. O mesmo ocorre no que diz respeito a taxas de não-resposta.
Nós desconhecemos outros trabalhos de comparação desta natureza e, por isso, somos levados a crer que a citação (do estudo inglês) é do mesmo artigo.
O livro do professor Kish 
O livro Survey Sampling, de Leslie Kish (1965), menciona amostragem por quotas logo no início, ao descrever os vários esquemas de amostragem. Diz o autor que este é um esquema largamente usado em pesquisas de opinião pública e em trabalhos de pesquisa de mercado. O esquema de amostragem por quotas é apenas descrito, naquela seção do livro. Depois disso, somente na página 562 volta ao assunto, agora mais detalhadamente. Kish declara textualmente:
● o método não é científico, o que torna sua avaliação impossível
● o método é artístico (sic)
● tipicamente, não se faz uma tentativa de calcular a variância adequadamente, e a expressão pq/n é audaciosamente (sic) assumida e apresentada...
● O assunto importante continua: ninguém sabe quão bom é o desempenho de amostragem por quotas. Afinal de contas, os métodos mais pobres podem produzir bons resultados para variáveis que são aleatorizadas sobre a população. As pesquisas do Literary Digest foram sucessos por anos. Em muitos outros casos não há como verificar-se o desempenho. Devemos deixar de lado as tentativas ingênuas de usar os controles de quotas, como idade, sexo e região, como provas de desempenho da amostragem. Verificações em variáveis que não são usadas nas quotas freqüentemente revelam grandes discrepâncias. Além disso, predições eleitorais freqüentemente falham, algumas vezes por larga margem. Muitas dessas são convenientemente esquecidas.
Algumas transformam-se em escândalos gritantes; então trata-se de explicar os fracassos com explanações e desculpas, as quais são ignoradas enquanto não são necessárias.
Não é preciso continuar a copiar o livro, para ver que, de fato, Kish é fortemente crítico à prática da amostragem por quotas.
Se nos é permitida uma citação testemunhal, não registrada, vale dizer que um de nós (CF) esteve com o professor Kish em Ann Arbor, no Michigan, em 1996. Indagado sobre exatamente esta questão, eis sua declaração: V. não leu o meu livro? Pois eu assino embaixo, até hoje, de tudo que lá está escrito sobre a questão.
Conclusão
Bem, já que não há justificativa estatística para amostragem por quota, existiria alguma outra, talvez da prática, baseada em heurística? O extenso levantamento de resultados de pesquisas eleitorais documentado no livro Pesquisa Eleitoral: Críticas e Técnicas, do professor Jorge de Sousa, da UnB, reforça a tese de que a resposta é negativa! Jorge de Sousa teve, na ocasião, fácil acesso a dados de pesquisas eleitorais realizadas no Brasil, já que era assessor legislativo do Senado Federal. O levantamento mostrou que a maioria das pesquisas errava muito além das declaradas margens de erro.
Eis então o problema posto. Segundo a fraca lógica de algumas firmas de pesquisa de opinião, amostragem aleatória é cara e demorada, logo inviável; alternativamente, usa-se amostragem por quotas, convenientemente mais barata e mais rápida. Ocorre que não se sabe o que pode sair de uma tal pesquisa, já que os estimadores são arbitrários e injustificados. E as margens de erro declaradas não tem fundamento.
Não existe a alternativa. Estamos em uma situação como a de um paciente, que sofre de mal incurável, a quem lhe aplicam um tratamento, algum tratamento, mesmo sabendo-se que para nada serve. Isso pode configurar má-fé e, mesmo em havendo boa fé, é um erro médico. Nós achamos que a declaração da margem de erro em amostragem por quotas configura-se em um erro estatístico, aqui usando-se o termo como empregado em erro médico.
Se não se pode fazer o levantamento de modo adequado, melhor não o fazer! E se não se garante a precisão das estimativas, melhor não se divulgar algo, possivelmente errado, que pode influenciar o processo eleitoral. É de todo recomendável que as autoridades que conduzem o processo eleitoral exijam não apenas a declaração da margem de erro, mas que demandem a prova de que a margem é mesmo aquela declarada. Francamente,  duvidamos que alguém possa sensatamente calcular margens de erro (erro máximo admissível) em amostragens por quotas.
Referências
MOSER, C.A. and STUART, A. (1953) An experimental study of quota sampling, JRSS (A), 116, 349-405.
KISH, L. (1965) Survey Sampling, John Wiley and Sons, NY
SOUZA, J. (1990) Pesquisas Eleitorais: Críticas e Técnicas; Centro Gráfico do Senado Federal, Brasília – DF.
José Ferreira de Carvalho, Estatístico (CONRE 4414) Professor (aposentado) de Estatística – UNICAMP Ex-membro do Centro de Estudos de Opinião Pública (CESOP) – Unicamp Consultor, Statistika Consultoria carvalho@statistika.com.br
Cristiano Ferraz Estatístico Professor de Estatística da UFPE Coordenador do Bacharelado em Estatística da UFPE cferraz@de.ufpe.br
Agradecimento
Ao Prof. Dr. Carlos Alberto de Bragança Pereira, pela leitura do texto e comentários. Naturalmente, todas as opiniões e responsabilidade pelo texto são dos autores.
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