21 de ago de 2012

Acabou o mistério: Serra diz que não tem diploma

Esse post foi publicado no dia 18 de novembro de 2010 no antigo blog Limpinho & Cheiroso que, hospedado no Blogger, foi removido pelo Google. Na campanha presidencial de 2010, já existiam provas concretas de que Serra é economista sem nunca ter cursado a graduação em Economia. Espetacular, né?! Como recordar é viver, aqui vai o post novamente.
Estava navegando pelo Blog Conversa Afiada, quando me deparo com o seguinte comentário:
José Aparecido
17 de outubro de 2010 às 15:46
PHA
Veja a cópia da matéria do Estadão de agosto que ninguém deu bola: mentiradocandidato.blogspot.com.
Ele próprio assume que não fez faculdade!
Abraços
José Aparecido
Fui ao Blog Mentira do Candidato e me deparei como a matéria abaixo.
O São José da Mooca, em O Estado de S. Paulo, 5 de agosto de 2010, 1º caderno, Página 8, diz o seguinte: “Fiz uns exames difíceis e entrei direto no curso de pós-graduação em Economia”. Ou seja, ele não tem diploma mesmo!
Por outro lado, na mesma matéria, o economista Cláudio Salm afirma: “Por causa do golpe, não pôde completar o curso Engenharia. Quando [Serra] chegou [ao Chile] entendeu que deveria estudar Economia. Não entendia nada de Economia, mas se preparou em tempo recorde.”
Fiquei pensando: “Como pode alguém se preparar em tempo recorde para um assunto que não entende nada e passar em exames difíceis.”
São José da Mooca só pode ser um enviado de Deus… Mesmo sem ter graduação em nada, fez um cursinho de Economia de dois anos, mestrado na Universidade do Chile, da qual também foi professor entre 1968 e 1973. Em 1974, fez mestrado e doutorado em Ciências Econômicas na Universidade Cornell, nos EUA.
Na boa: e a gente ainda reclama do ensino universitário no Brasil. No Chile e nos EUA, é muito pior: as pessoas fazem pós-graduação, mestrado e doutorado sem ter a graduação.
Quer dizer, não é qualquer pessoa: é um enviado de Deus.
Texto assinalado na matéria em destaque:
No Limpinho & Cheiroso
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PF investiga fazendeiros do MS que ameaçam guerra contra índios

A Polícia Federal instaurou mais um inquérito sobre o conflito fundiário em Mato Grosso do Sul. Desta vez, a ameaça de 'guerra contra os índios' na regiao sul do Estado será alvo da investigação.
O clima é tenso em Paranhos, a 477 quilômetros de Campo Grande, após índios guarani-kaiowá ocuparem fazendas em áreas consideradas terra indígena pelo Governo Federal.
Produtores rurais que possuem propriedades na faixa de fronteira de MS com o Paraguai, onde está a maior parte das terras em disputa, já cogitam partir para o confronto armado com os índios, que chamam as mobilizações de 'retomada' das tekohá, como definem, no idioma nativo, o 'espaço onde se vive'.
“Se o Governo quer guerra, vai ter guerra. Se eles podem invadir, então nós também podemos invadir. Não podemos ter medo de índio não. Nós vamos partir pra guerra, e vai ser na semana que vem. Esses índios aí, alguns perigam sobrar. O que não sobrar, nós vamos dar para os porcos comerem”, dispara ‘Lenço Preto’, como é conhecido Luis Carlos da Silva Vieira.
Ele herdou e produz em uma área a poucos quilômetros da primeira fazenda ocupada. Diz que está convocando os fazendeiros da região para a ‘guerra’. Vieira tem gado na área já ‘retomada’ e diz que a proximidade com o Paraguai facilita a obtenção de armamento, além de admitir que a contratação de pistoleiros paraguaios é uma opção.
O caso está agora sendo conduzido por um delegado da Delinst (Delegacia de Defesa Institucional da Polícia Federal) que já atua com situações envolvendo comunidades indígenas.
Arroyo Corá
No último dia 10 um grupo de aproximadamente 200 índios, incluindo mulheres e crianças, ocupou a fazenda Campina, que fica na tekohá Arroyo Corá. Houve disparos de armas de fogo e os guarani dizem que um homem, de aproximadamente 50 anos de idade, identificado como Eduardo Pires, está desaparecido desde então.
Eles também consideram a morte de um bebê como consequência do ataque. Apesar de o laudo ter apontado causas naturais para o falecimento da menina, Beatriz Centurião, de 20 anos, conta que se desequilibrou no momento em que fugia dos tiros disparados contra os índios e a filha dela, de apenas nove meses de idade, acabou ferida. A menina foi sepultada em Arroyo Corá.
A Funai (Fundação Nacional do Índio) confirmou o confronto. Servidores do órgão estiveram no local com homens da Força Nacional e da Polícia Federal. Cápsulas vazias de diversos calibres foram recolhidas e um inquérito foi instaurado para investigar o episódio a pedido do MPF (Ministério Público Federal).
Segundo a Polícia Federal, a Funai já foi oficiada para ajudar na confirmação da identidade do homem desaparecido. Nos primeiros relatos, o índio chegou a ser confundido com um irmão que acabou localizado na aldeia.
Recentemente, em Aral Moreira, município próximo, o líder indígena Nísio Gomes também desapareceu após um ataque de pistoleiros contra índios na tekohá Guayviry. No começo, a versão dos índios foi questionada e testemunhas chegaram a ser indiciados pela Polícia Federal, que depois admitiu os indícios da morte do indígena.
Dezoito pessoas acabaram na cadeia, incluindo o presidente do Sindicato Rural de Aral Moreira, e houve indiciamentos. Poucos produtores rurais aceitam falar abertamente sobre a situação, com medo de consequências judiciais. "A Polícia Federal tá encima", diz um proprietário que conversou com a equipe, mas exigiu não ser identificado.
‘Para os porcos comerem’
Entre tantos fazendeiros acuados, que preferem não se envolver publicamente no conflito, 'Lenço Preto' fez questão de receber a reportagem e relatou, em entrevista gravada na última quinta-feira (16), como os ruralistas estão se organizando.
O fazendeiro conta que já houve conversas com outros produtores da região e confirma que o conflito armado já é considerado uma opção. Ele diz que a intenção é aguardarem até o final desta semana, para então agirem caso não haja novidades favoráveis.
“A maioria dos fazendeiros está comigo. Arma aqui é só querer. Eu armo esses fazendeiros da fronteira rapidinho, porque o Paraguai fica logo ali, e na guerra não tem bandido”, avisa.
Segundo Lenço Preto, a revolta dos fazendeiros aumentou com a forma como a retomada está acontecendo. “Se viessem numa boa, avisassem a gente, ou se o Governo resolvesse logo, e dissesse que temos de sair mesmo, acho até que a gente podia tirar o gado e aceitar. Mas assim, estão brincando demais com a gente”, diz.
Lavada com sangue
Em Paranhos, produtores rurais contam que já existem fazendeiros maiores desistindo de lutar pela posse da área. Mas afirmam que o sentimento de revolta pode fomentar atos de vingança.
“Tem um fazendeiro conhecido aí da região que falou pra todo mundo aqui: posso até sair, e entregar para os bugres, mas assim que a poeira baixar, eu lavo essa terra de sangue”, relata um dos produtores que falaram com a reportagem.
'Lenço Preto' confirma que a contratação de pistoleiros paraguaios é uma opção para os produtores rurais reagirem. “Eu acredito que vai ser por aí. A guerra vai começar aí. Eu, como a propriedade lá não é minha... Se é minha, já tinha índio estendido à vontade aqui”, diz apontando para o campo às margens da rodovia.
A Superintendência Regional da Polícia Federal de MS garante que, mesmo com boa parte dos servidores em greve, está tomando as medidas cabíveis.
"A Polícia Federal está acompanhando de perto a situação de tensão e pretende apurar, de forma imparcial, todos os atos ilegais cometidos tanto por índios como por fazendeiros. Uma equipe de policiais federais está acompanhando todas movimentações e investigando o que ocorreu de fato", afirma em nota oficial.
Com relação à exigência dos índios de que os fazendeiros retirem imediatamente o gado encontrado nas fazendas 'retomadas', a PF afirma que ainda nesta semana, irá acompanhar a retirada dos animais pertencentes aos fazendeiros da região, "assegurando tranquilidade às partes envolvidas".
No Midiamaxnews
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Lula apresenta Haddad no Horário Eleitoral

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Charge online - Bessinha - # 1413

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O mestre e os aprendizes do terror

O grupo de jovens corria pelas ruas do bairro carioca da Tijuca, em marcha sincronizada, cantando: “Bate, espanca/ Quebra os ossos/ Bate até morrer”. O chefe do bando perguntava: “E a cabeça?”.
A resposta vinha em coro: “Arranca a cabeça e joga no mar!”. O chefe, de novo: “E quem faz isso?”. A resposta afinada não deixava dúvidas: “É o Esquadrão Caveira!”.
A história foi revelada, em julho, pelo colunista Ilimar Franco, de O Globo. Não era um bando de marginais descendo o morro. Era um animado pelotão do I Batalhão da Polícia do Exército berrando a plenos pulmões o ideário truculento que devem ter contraído em seu local de trabalho.
Como lembrou o advogado Wadih Damous, presidente da OAB do Rio de Janeiro, a malta de potenciais assassinos serve no mesmo quartel da rua Barão de Mesquita, 425, no Andaraí, onde operou na década de 70 o notório DOI-CODI do I Exército, um dos maiores centros de tortura do regime militar.
Só a memória insana da ditadura pode explicar o treinamento idiota aplicado aos recrutas do batalhão marcado pelo estigma da violência. E só o paraíso da impunidade pode explicar a falta de indignação dos comandantes que admitem e se omitem diante de uma demonstração pública de desrespeito ao ser humano.
Nada estranho para comandantes militares que, num documento enviado no final de 2010 ao então ministro da Defesa, Nelson Jobim, reclamavam contra a criação da Comissão Nacional da Verdade, alegando que, afinal, “passaram-se quase 30 anos do fim do chamado governo militar…”
Os chefes das Forças Armadas que impuseram uma ditadura de 21 anos ao país, fechando o Parlamento, censurando, cassando, prendendo, torturando e matando dissidentes políticos, ainda têm dúvidas se tudo aquilo pode ser chamado de “governo militar”.
É por isso que garotos saudáveis da tropa ainda hoje fazem exercício físico na rua ecoando sua explícita disposição de espancar, quebrar os ossos, bater até morrer, arrancar a cabeça e jogar no mar…
Em julho do ano passado, o site SUL21 revelou uma descoberta da Associação Nacional de História (Anpuh): os alunos das escolas militares do país continuam ensinando aos recrutas que o golpe de 1964 que derrubou o governo constitucional de João Goulart foi “uma revolução democrática”.
O disparate está publicado no livro História do Brasil: Império de República, de Aldo Fernandes, Maurício Soares e Neide Annarumma, aplicado no 7º ano do Ensino Fundamental das escolas militares. Um mês depois, a Anpuh perguntou ao ministro Jobim: “Que cidadãos estão sendo formados por uma literatura que justifica, legitima e esconde o arbítrio, a tortura e a violência?”.
Só no início de 2011, já no governo de Dilma Rousseff, o Comando do Exército respondeu, dizendo que o livro “atende adequadamente às necessidades do ensino da História”.  É bom lembrar que, 30 anos atrás, o Colégio Militar de Brasília admitiu no seu corpo docente o coronel Wilson Machado.
Meses antes, em abril de 1981, ele sobrevivera à bomba do frustrado atentado ao Riocentro. O futuro educador de Brasília, então capitão, era o terrorista  de Estado que carregava a bomba que explodiu antes da hora no seu Puma, matando na hora seu comparsa, o sargento Guilherme Rosário.
O capitão Machado, como o sargento, servia no DOI-CODI da rua Barão de Mesquita.
É o mesmo quartel da gurizada que hoje ecoa a lição do camarada terrorista que virou professor.
Todos eles, mestres e aprendizes, seguem intocáveis na marcha sincronizada da impunidade.
Luiz Cláudio Cunha é jornalista
cunha.luizclaudio@gmail.com
No Sul21
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Senadores debatem proposta de novo Código Penal com OAB e Conselho do MP

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e o Conselho Nacional do Ministério Público participam nesta terça-feira (21) de audiência pública no Senado para debater a reforma do Código Penal (Decreto-Lei 2.848/1940), proposta no Projeto de Lei do Senado (PLS) 236/2012. O anteprojeto elaborado por uma comissão de juristas passa agora pelo exame de uma comissão especial de senadores.
Confirmaram presença na audiência o presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante, e a conselheira do CNMP Taís Schilling Ferraz. Esta será a segunda audiência pública promovida pela comissão de senadores para debater o novo código. A primeira ocorreu na semana passada, com a presença de parte dos juristas que prepararam o anteprojeto, como o ministro Gilson Dipp, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que presidiu os trabalhos.
Subscrito pelo presidente do Senado, José Sarney, o PLS 236/2012, que tem 541 artigos, consolida a legislação penal e propõe alterações que já despertam polêmica, como a transformação da exploração dos jogos de azar em crime e a criação de um tipo penal específico para a eutanásia. O projeto propõe ainda a descriminalização do plantio e do porte de maconha para consumo próprio; mais rigor na punição a motoristas embriagados; ampliação das possibilidades do aborto legal; e a criminalização da homofobia.
Os senadores planejam uma terceira audiência pública para ouvir outras autoridades e entidades representativas. De acordo com o cronograma de trabalho da comissão, o prazo para apresentação de emendas vai até 5 de setembro. De 6 a 20 de setembro será o período de apresentação dos relatórios parciais. O relatório-geral, a cargo do senador Pedro Taques (PDT-MT), deverá ser apresentado até o dia 27 de setembro e votado até o dia 4 de outubro. O presidente da comissão interna, senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), acredita que o projeto será votado pelo Senado ainda este ano.
Paola Lima
No Agência Senado
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Governo autoriza construção de duas hidrelétricas no Sul do país

Brasília – A Região Sul vai ganhar mais duas usinas hidrelétricas (Baixo Iguaçu e São Roque), que devem começar a gerar energia em 2016. A Hidrelétrica Baixo Iguaçu será construída no Rio Iguaçu, entre os municípios de Capanema e Capitão Leônidas Marques, no Paraná. A potência instalada é 350,2 megawatts e o investimento previsto na usina é R$ 1,6 bilhão, que será feito pela Neoenergia.
A Hidrelétrica São Roque será no Rio Canoas, entre Vargem e São José do Cerrito, em Santa Catarina. Terá potência instalada de 135 megawatts e previsão de investimentos de R$ 650 milhões. A responsável pelo empreendimento é a empresa Desenvix.
Os contratos de concessão das duas usinas foram assinados nesta segunda-feira (20) pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. De acordo com o ministro, as usinas vão garantir reforço e tranquilidade ao fornecimento de energia no país. Segundo ele, o Brasil está na rota certa na produção de energia elétrica e não terá “surpresas desagradáveis” como o apagão de 2001. "Este governo e o governo anterior tomaram providências severas para dar essa garantia ao povo brasileiro de que não faltarão recursos para a produção de energia elétrica no Brasil”, ressaltou.
A ministra da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Ideli Salvatti, presente à cerimônia de assinatura, criticou a demora no licenciamento ambiental das hidrelétricas. “Têm certas licenças que demoram tanto que o animal em extinção vira o empreendedor”, disse. Em seguida, ressaltou que o quarto andar do Palácio do Planalto, onde ficam os gabinetes dela e da ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, está muito feliz e satisfeito com a assinatura dos contratos.
Para explorar o potencial hidrelétrico, as concessionárias vão recolher à União R$ 1,9 milhão por ano, como pagamento pelo uso do bem público. Além disso, cerca de R$ 11 milhões deverão ser pagos à União, estados e municípios como compensação financeira pela uso de recursos hídricos.
Sabrina Craide
No Agência Brasil
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Quando os soldados preferem morrer

Em julho passado, revelam fontes oficiais, 38 militares norte-americanos se mataram. Um aumento de mais de 100% sobre os casos de suicídio do mês anterior. Vinte e dois deles se encontravam em serviço. Os demais haviam voltado para casa, mas já não se sentiam em seus lares. Eram outros homens, desfeitos e refeitos pelo horror.
Provavelmente não se sentissem combatentes por sua pátria ou suas idéias, e, sim, meros mercenários, enviados para assassinar em nome de interesses que nada têm a ver com os de seu povo. Salvo nas duas guerras mundiais, quando justa era a luta contra os alemães e o nazismo, os soldados ianques lutam por Wall Street. O genocídio inútil de Hiroxima e Nagasáki, ao manchar com a desonra o combate pelos valores humanos, confirmou os exércitos dos EUA como bandos de pistoleiros do imperialismo.
Os Estados Unidos nunca tiveram que lutar em seu solo, a não ser na Guerra da Independência. Sempre invadiram o solo alheio, a partir da guerra contra o México, em 1846, quando anexaram mais de 40% do território do país vencido. A Guerra da Independência, bem antes, se travara contra homens iguais, da mesma etnia, da mesma fé, e poderíamos dizer, quase das mesmas idéias. O mesmo veio a ocorrer no conflito interno, o da Guerra da Secessão, apesar da crueldade dos combates e a bandeira ética do Norte contra a escravocracia do Sul.
Esse enorme privilégio – o de não conhecer as botas dos ocupantes estrangeiros – transformou-se em maldição. Os militares ianques já não encontram na alma, desde a derrota no Vietnã, quaisquer razões para a luta. Assim, são corridos pela depressão, ou se transformam em animais, como os que se deixaram fotografar em Abu Ghraid, com seus cães. A depressão os leva a desertar das fileiras, de forma absoluta, ao estourar a cabeça ou o coração com suas próprias armas.
O filósofo espanhol Ortega y Gasset tem uma tese interessante sobre os militares e as guerras. Ele considera o cerco de Granada, pelos Reis Católicos, em 1492 – o mesmo ano da descoberta da América por Colombo – como o fim do soldado que combatia com honra, e o início do soldado “técnico”, que atua como simples extensão de sua arma.
No cerco de Granada, e na vitória que se seguiu, os castelhanos usaram o planejamento tático e estratégico, superando, e em muito, os gregos e os romanos no projeto de suas operações. Segundo Ortega, ali morreu a bravura, e nasceu o combatente moderno, mera máquina de matar, sem honra e sem sentimentos, a não ser os do ódio induzido.
Os soldados americanos que se matam, torturados pelo remorso, talvez sigam o lema que os japoneses inscrevem nos sabres destinados ao harakiri: saiba morrer com honra quem com honra não soube viver.
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Marcos Valério pede asilo na embaixada do Equador

Marcos Valério pede asilo na embaixada do Equador
Joaquim Barbosa ameaçou colocar um sexteto para tocar música andina na porta da embaixada equatoriana até Marcos Valério ser liberado
QUITO - Antevendo sua condenação no julgamento do mensalão, o empresário mineiro Marcos Valério de Souza pediu asilo na embaixada do Equador em Brasília. O publicitário refugiou-se na embaixada no início do dia e, segundo informantes do piauí Herald, passou a manhã despachando pelo telefone com dirigentes de estatais e parlamentares da base aliada. "Estou numa suíte com hidromassagem", teria dito. E mandou um recado ao ex-tesoureiro do PT: "Diz pro Delúbio que a cama aqui é de viúva. Não tem espaço para nós dois. Ele que tente asilo na embaixada da Venezuela".
O ministro do STF Joaquim Barbosa, que na véspera havia votado pela condenação de Valério no mensalão, reagiu com impaciência. "Esse asilo me causa espécie. Aposto que tem o dedo do Lewandowski aí."
O embaixador do Equador no Brasil, Eduardo Mora-Anda, alegou a tradição democrática do seu país para justificar a decisão. "Valorizamos a liberdade de financiamento de campanhas eleitorais", afirmou em coletiva à imprensa.
O diplomata manifestou apreensão com a perspectiva de que outros réus do mensalão tomem o mesmo rumo. "Se ficar muito apertado, a gente manda construir um puxadinho", afirmou. "Já está tudo acertado com a construtora Delta."
No fim da manhã, a mulher do deputado João Paulo Cunha foi vista saindo com uma sacola pelos fundos da embaixada. Questionada por repórteres de plantão sobre o que tinha ido fazer ali, disse que fora levar uma quentinha.
No The i-Piauí Herald
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Polícia não produz inquéritos conclusivos sobre incêndios em favelas paulistanas

São Paulo – As favelas da cidade de São Paulo foram atingidas de 2007 a 2011 por 262 incêndios, segundo o Corpo de Bombeiros. Na maior parte dos casos, não foi possível determinar a origem do fogo porque os inquéritos não são conclusivos. As informações constam das informações recebidas pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Incêndios em Favelas, instalada pela Câmara Municipal, e consultadas pela Agência Brasil.
A recorrência dos eventos levou a prefeitura a colocar em prática, em abril de 2011, o Programa de Prevenção a Incêndios em Assentamentos Precários (Previn). Conforme consta no material enviado pela Defesa Civil à CPI, foram escolhidas 51 pontos críticos em 21 áreas da cidade. As ações incluem medidas como regularização das redes elétricas e planejamento de ações de combate ao fogo, para minimizar os danos e alojar vítimas.
Apesar da iniciativa, os incêndios continuam a ocorrer. Até o dia 14 de agosto, a Defesa Civil atendeu a 24 ocorrências do tipo este ano, enquanto em 2011 foram 26. O órgão explica, no entanto, que não comparece a todos os incêndios, apenas aos casos mais graves, como o ocorrido no último sábado (18), na Favela Alba, zona sul da capital, que deixou 120 pessoas desabrigadas.
Instalada em abril, a comissão investiga as causas e responsabilidades sobre os incidentes, que alguns movimentos sociais e lideranças comunitárias dizem ter origem criminosa. Para fazer a apuração, a CPI enviou ofícios com pedidos de informação aos órgãos públicos ligados à prevenção, combate e apuração das causas desses eventos.
Apesar das centenas de desabrigados e das mortes causadas pelo fogo, as respostas enviadas por 67 dos 103 distritos policiais (DPs) da capital à CPI apontam que a apuração das causas dessas ocorrências é quase sempre inconclusiva. Nem sempre é aberto um inquérito policial ou realizada perícia no local.
A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Estado de Segurança Pública que informou que "os incêndios em comunidades carentes estão sendo investigados pelos distritos policiais e acompanhados pelo diretor do Departamento de Polícia Judiciária da Capital. Essas ocorrências, em sua maioria, são acidentes em razão de ligações clandestinas e da combinação de materiais inflamáveis".
Mesmo nos casos em que um perito vai à área atingida, dificilmente os casos são esclarecidos. Quase todos os laudos enviados indicam apenas genericamente a possível origem dos incêndios, conforme verificou a Agência Brasil, que teve acesso e analisou o material enviado à CPI. As respostas enviadas até a última quinta-feira (16) mostram o registro de 32 casos ocorridos nos últimos cinco anos.
Na falta de elementos que indiquem precisamente as causas dos incidentes, a investigação policial tende a assumir que o fogo teve origem em curto-circuito nas ligações elétricas clandestinas que levam luz aos barracos. Foi assim que a delegada Joana Darc de Oliveira justificou a falta de investigação de um grande incêndio ocorrido em junho de 2010, no bairro do Campo Limpo, zona sul.
“O incêndio, sem vítimas de lesão, aconteceu pelos motivos que acontecem todos os demais: barracos de madeira ou papelão alimentados por curto-circuito e sobrecarga na rede elétrica conhecida como gato, promovida por moradores, e que não necessariamente iniciou-se de forma criminosa, portanto fato atípico a ser apurado em inquérito policial”, escreveu a delegada.
Certeza que o perito Ivo Arnaldo Valentini não teve após periciar um outro incêndio na zona leste da capital. Em seu laudo, Valentini mantém a hipótese de que o fogo tenha origem criminosa, mas também não descarta a possibilidade de acidente.
“A causa mais provável para o aparecimento das chamas foi resultante de um curto-circuito na cablagem elétrica, ou mesmo um coto de vela deixado aceso, ou mesmo um ato intencional praticado por algum meliante”, escreveu, nas considerações finais sobre o incêndio que destruiu dez barracos armados sob um viaduto em abril de 2010.
Esse incêndio foi um dos quatro relatados pelo delegado titular do 56º Distrito, Luiz Eduardo Aguiar Marturano. No comunicado enviado à comissão, o delegado da Vila Alpina, zona leste, informa que não foi possível determinar as causas do fogo em nenhuma das situações investigadas. “Vale ressaltar que nas ocorrências elencadas não foram encontrados elementos técnicos capazes de apontar com precisão a razão do início dos incêndios, tendo como causa provável curto-circuito”, escreveu sobre os casos ocorridos de 2009 a 2012
Apesar dos acidentes elétricos serem apontado como causa provável da maior parte dos incêndios, o laudo mais preciso entre os enviados à CPI indica como culpado “um corpo em ignição (vela, palito de fósforo ou até mesmo coto de cigarro, etc., acesos)”. É o único laudo que indica apenas uma possibilidade para a origem do fogo e que também diz se houve crime. Sobre esse incêndio, que destruiu 20 barracos próximos a uma obra do Rodoanel, na zona leste, em agosto de 2010, o perito Geraldo Gomes de Moura garante que o caso foi “acidental”.
A citação não aparece em outro laudo sobre um incêndio no mesmo local, ocorrido em junho de 2011. Nesse caso, o perito João Manoel Lapa apenas atesta que o fogo foi iniciado pelo contato de um “corpo em ignição” com os materiais inflamáveis do local. A conclusão contradiz um depoimento que consta no boletim de ocorrência. Segundo relato de uma moradora, o fogo começou devido a um “estouro de fiação”.
Além do incêndio na Favela Alba ocorrido no último sábado (18), a CPI recebeu registros de mais dois casos de incêndio no mesmo local. Um deles destruiu entre 60 e 70 barracos em novembro de 2007, também sem indicação das causas. O outro incêndio foi em dezembro de 2009, quando não houve instalação de inquérito policial. Na sexta-feira (17), 163 pessoas ficaram desabrigadas após um incêndio na Favela Areão, próxima à Ponte dos Remédios, zona oeste.
Daniel Mello
No Agência Brasil
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Sem planos

Segundo uma pesquisa da Mercer, São Paulo é, atualmente, a 12ª cidade mais cara do mundo. Há alguns dias, a revista inglesa "The Economist" apresentou um estudo no qual São Paulo aparecia como a 92ª cidade do mundo no quesito qualidade de vida.
Ficava atrás de cidades como Buenos Aires, Santiago e Lima. A discrepância entre o que se gasta e o que se tem deveria servir de motor para uma profunda reflexão sobre o modelo falimentar de desenvolvimento e planejamento que impera em nossa maior cidade.
Com isso em vista, era de esperar que a campanha para a prefeitura estivesse embalada pela discussão de programas abrangentes e ousados de governo. No entanto isso não aconteceu.
O fato é que São Paulo não precisa de um prefeito com mentalidade de síndico de prédio, com propostas totalmente desconectadas da escala monumental de seus problemas. Como se algumas ações cotidianas mínimas pudessem mudar radicalmente a cidade.
Também não precisa de alguém que gosta de participar de eleições sem nunca apresentar um programa crível, já que acredita que sua simples presença no embate sirva como garantia para a solução de problemas.
Em momentos críticos de seu desenvolvimento, metrópoles que hoje são sinônimo de qualidade de vida, como Paris, apelaram para grandes intervenções urbanas para modificar seu destino. Certamente, São Paulo precisa de algo parecido.
Nesse sentido, vale lembrar que um dos únicos candidatos a apresentar um verdadeiro programa de remodelagem da estrutura urbana de São Paulo foi Fernando Haddad com seu "Arco do Futuro": projeto que visa descentralizar a cidade por meio de um corredor circular de grandes avenidas capaz de expandir o centro.
Em qualquer lugar do mundo, os cidadãos teriam o direito de ouvir análises de outros candidatos a respeito de ideias dessa natureza, seja combatendo, seja defendendo. Os cidadãos poderiam comparar projetos, seus custos, resultados e viabilidade. Mas em São Paulo, ao que parece, quem tem menos ideias e quem tem o discurso mais genérico sai na frente.
Mesmo ideias importantes como a extinção do Tribunal de Contas do Município a fim de liberar seu custo (R$ 260 milhões) para ações sociais, como quer Carlos Gianazzi tendem a passar em branco.
Há de perguntar até onde irá essa espécie de consenso mudo em favor do esvaziamento programático do debate sobre o destino de nossa maior metrópole. São Paulo merece deixar de aparecer em artigos mundiais sobre urbanismo apenas como sinônimo de fracasso.
Vladimir Safatle
No Falha
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Como Wall Street manipulou ações de tecnologia

Ontem, a valorização dos seus papéis transformou a Apple na empresa mais valorizada da história: US$ 662,50 bilhões, superando os US$ 620,58 bi da Microsoft no pregão do dia 30 de dezembro de 1999. Hoje em dia, a Microsoft vale US$ 258 bi.
***
O fato traz à memória a lambança que foi o mercado de tecnologia no final dos anos 90. Uma grossa cobertura da mídia norte-americana criou miragens inacreditáveis. Gurus milagrosos, capazes de transformar pó em ouro, eram incensados. Muitos deles vieram ao Brasil para explicar seu poder mágico de identificar os grandes lançamentos.
***
Tudo fazia parte de um enorme esbulho dos acionistas, que ainda não entrou no inventário dos golpes de mercado com derivativos.
Em 10 de março de 2.000, sob o título “A exuberância irracional e os bancos” analisei um episódio sintomático.
***
A Goldman Sachs, em análise feita naqueles dias, havia recomendado a compra de ações da Microsoft, que já vinham em queda desde dezembro.
Por aqueles dias, a União Europeia havia instaurado inquérito contra a empresa, acusando-a de práticas monopolistas. Chegava ao fim o arcabouço tecnológico e jurídico que permitiu a Microsoft crescer durante décadas, entrando em sistemas operacionais, bancos de dados, softwares de rede, games etc.
***
No artigo, reproduzi análises do leitor Cleber Resende.
Lembrava ele:
“Alguém em sã consciência pode sugerir que uma empresa que já vale US$ 400 bilhões poderá valer ainda mais?", perguntava ele.
Em 1998 a Microsoft faturou US$ 12 bilhões. Em 99, com todo o frisson causado pelo lançamento do Windows 98, US$ 14 bilhões. Ela teria que ter um lucro anual (lucro, não faturamento) de pelo menos US$ 40 bilhões, para valer o que valia por aqueles dias. No primeiro trimestre de 2012, seu lucro foi de US$ 5,11 bilhões.
(…) A sua especialidade é o mercado domiciliar e os pequenos escritórios. Quando sai para outros segmentos, a história tem sido outra. Em certos nichos, como o dos videogames, os computadores perderam feio para os consoles japoneses.
Posteriormente, a Microsoft foi bem sucedida no mercado de games.
Continuava a análise:
A sua penetração no mercado empresarial, em que lança agora o Windows 2000, não é das mais fortes. Até hoje o NT não conseguiu o desempenho dos sistemas Unix, e empresas como a Oracle continuam dominando amplamente o universo dos provedores de Internet.
A estratégia de casar as aplicações em desktops individuais com a rede produziu uma barafunda infernal em seus sistemas. O resultado foi a criação de programas dez vezes maiores que os dos concorrentes para executar as mesmas tarefas.
Pela primeira vez a Microsoft está entrando em um território em que já estão empresas tecnologicamente dinâmicas e consolidadas. E no seu próprio território a tendência será o acirramento da concorrência, pelo surgimento de sistemas abertos e de programas gratuitos e mais funcionais.
Provavelmente o banco tinha em carteira papéis da Microsoft. Despejando-os no mercado, as cotações cairiam mais ainda. Providenciou então uma análise favorável, para poder passar o mico para terceiros.
Luis Nassif
No Advivo
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Charge online - Bessinha - # 1412

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Padrão policial

As ações da Polícia Federal contra a população, como pressões por melhorias dos seus vencimentos já muito superiores aos de professores universitários, cientistas e médicos do serviço público, expõem a necessidade de que essas ações antidemocráticas e violentas recebam, do atual governo, resposta mais corajosa do que a dada por seus antecessores.
É também uma agressão aos cidadãos humilhados e prejudicados que os autores de tais atitudes, além de não serem punidos e continuarem no serviço público, ainda recebam melhorias financeiras e mais vantagens - prêmios por sua prática de tortura psicológica, e para muitos também física.
A Justiça reconheceu como abuso de poder a realização do que a PF chamou de operação padrão em aeroportos. Se revistar um a um os passageiros é o padrão, a PF descumpre o padrão devido sempre que não está reivindicando em interesse próprio.
Só pela agressão ao público com a confissão implícita no nome dessa arbitrariedade, os setores de vigilância aeroportuária já deveriam passar por limpeza sem complacências. Mas a coisa é ainda pior.
A desordem que a PF instala nos aeroportos se transfere para o tráfego aéreo. Todo o sistema de aviação comercial é posto em balbúrdia, no país todo, por força dos atrasos incontroláveis impostos aos horários de voo. É tão extenso o alcance danoso da tal operação-padrão da PF, provocando atrasos de duas, três, quatro horas, que até os sistemas de tráfego aéreo na Europa e nos Estados Unidos sofrem efeitos perturbadores.
Proibido pela Justiça o abuso da revista lerda em cada passageiro, o comando da ação antidemocrática da PF planejou, logo, adotar a ação oposta: o total abandono da vigilância de entradas de mercadoria, senão também de pessoas, nos aeroportos e portos. Bela oferta de oportunidade para os traficantes de drogas, de armas e de outros contrabandos.
O tráfego aéreo é considerado item de segurança nacional, e sua perturbação deliberada é crime. A facilitação de entrada de contrabando é crime, mais grave se de armas e de drogas.
O corporativismo da Polícia Federal é perigoso. Inúmeros dos seus integrantes são indivíduos perigosos, como atestam os tantos inquéritos de punição e expulsão nos seus quadros. Mas curvar-se ao abuso de poder, seja por sua face antidemocrática, seja por seus outros efeitos, é uma covardia imoral.
Janio de Freitas
No Falha
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Barbosa diz que presença dele no STF incomoda e faz críticas à imprensa

O ministro Joaquim Barbosa, relator do processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), disse hoje (20) que a presença dele no Tribunal incomoda alguns veículos da imprensa. Sem citar nomes, o ministro também criticou a cobertura jornalística do julgamento.
“Gostaria de corrigir umas bobagens que foram ditas na imprensa. Há muita intolerância no Brasil. E para alguns periódicos neste país, incomoda muito a minha presença neste Tribunal”, disse Barbosa, em entrevista coletiva após sessão plenária desta segunda-feira.
O ministro acredita que a imprensa polarizou de forma equivocada o debate sobre o formato de julgamento do mensalão, o que classificou como “falta de assunto” e “grande bobagem”. O plenário acabou acatando a proposta de Barbosa, que fatiou o julgamento por capítulos, em detrimento da proposta do revisor Ricardo Lewandowski, que defendia a leitura do voto de cada ministro por inteiro.
De acordo com Barbosa, não havia mistério sobre a disposição de seu voto, pois ele tornou seus critérios públicos em junho, em reunião administrativa para discutir o cronograma de julgamento da ação penal. Ele ainda disse que ocupou um posto "marginal" na discussão ocorrida na última quinta-feira (16) sobre a metodologia do julgamento, e que o debate mais robusto foi travado entre os ministros Carlos Ayres Britto, Ricardo Lewandowski, Luiz Fux e Gilmar Mendes.
Barbosa ainda disse que pode mudar seu ponto de vista após exposição dos colegas e que cabe apenas ao presidente decidir se o ministro Cezar Peluso deve antecipar seu voto. “Não é da minha alçada, é da alçada do presidente. Minha preocupação aqui é proferir um voto, se eu estiver na presidência eu decidirei”.
Peluso se aposenta compulsoriamente no próximo dia 3 de setembro, e a última sessão dele na Corte será no dia 30 de agosto. O ministro só conseguirá votar por completo caso se antecipe ao relator e ao revisor. O regimento do STF abre brecha para o adiantamento do voto, mas a manobra é tratada como exceção.
Débora Zampier
No Agência Brasil
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A compra de votos para a reeleição de FHC

Em maio de 1997, a Folha de S. Paulo publicou matéria com transcrição da gravação de uma conversa na qual os deputados Ronivon Santiago e João Maia, do PFL do Acre, confessavam ao repórter Fernando Rodrigues, ter recebido R$ 200 mil para votar a favor da emenda que instituía a reeleição para presidente da República, governadores e prefeitos.
Da série "Escândalos não investigados da era FHC", ler também:
A reeleição de Fernando Henrique Cardoso começou mesmo a ser urdida em círculos fechados nos primeiros seis meses do governo, em 1995. Numa reunião em Nova York, com banqueiros, Pedro Malan deixou escapar as intenções da cúpula da aliança neoliberal. Alguns jornais repercutiram a fala de Malan, que dizia quatro anos ser muito pouco para Fernando Henrique realizar o seu plano de governo e que, de duas uma, ou ampliaria o mandato para cinco anos ou instituiria a reeleição.
Sérgio Motta, na época Ministro das Comunicações e principal articulador político do governo, dizia que o PSDB se estruturava para permanecer no governo por pelo menos vinte anos. O PFL, na mesma época, lançou seu projeto PFL-2000, uma estratégia eleitoral e de ocupação de espaços políticos muito bem montada. Naquele momento o horizonte de permanência no poder da aliança neoliberal era largo. Havia popularidade presidencial de sobra para gastar. Grande parte dos formadores de opinião da grande mídia mostrava-se convencida da "modernidade" do governo, até a tungada de 1998, quando o Brasil sofreu um mega ataque especulativo e o governo fez uma desvalorização recorde do real, levando o país a uma das mais dramáticas crises financeiras.
Editoriais e artigos de opinião, longas reportagens nas revistas e jornais de grande circulação e redes de televisões estão documentados, é só ter o trabalho de ir aos arquivos para ver as perspectivas dos governistas naquela época.
As denúncias de autoritarismo, corrupção, tráfico de influência, vulnerabilidade econômica, erros do Plano Real, nada disso era capaz de mudar a gramática da grande mídia. Foram tempos difíceis para os oposicionistas que enfrentavam os governistas no Congresso Nacional e nos debates país a fora. Imperava o "pensamento único", a esquerda era taxada de “dinossauros”. Mas, aos poucos os fatos se encarregaram de desnudar a face oculta do governo Fernando Henrique Cardoso. A denúncia de compra de votos de parlamentares do PFL e do PMDB, para aprovação da emenda constitucional que instituiu a reeleição, é um deles.
Em maio de 1997, o jornal Folha de S. Paulo publicou extensa matéria com transcrição da gravação de uma conversa na qual os Deputados Ronivon Santiago e João Maia, ambos do PFL do Acre, confessavam ao repórter Fernando Rodrigues, ter recebido R$ 200 mil para votar a favor da emenda constitucional que instituía a reeleição para presidente da República, governadores e prefeitos. Naquele momento a emenda já havia sido aprovada na Câmara dos Deputados e aguardava a votação no Senado.
Segundo eles, o deputado Pauderney Avelino, PFL/AM, e o então presidente da Câmara, Luiz Eduardo Magalhães, PFL/BA, eram os intermediários das negociações. Na matéria da Folha de São Paulo consta que Ronivon Santiago e João Maia revelaram alguns detalhes das negociações. Os deputados disseram a Fernando Rodrigues que o assunto era tratado diretamente com o então ministro das Comunicações, Sérgio Motta, o principal articulador político do governo e fiel escudeiro de Fernando Henrique Cardoso. O jornal informou ainda que os pagamentos eram feito pelos então governadores: Amazonino Mendes, PFL/AM e Orleir Cameli, PFL/AC. Na gravação, segundo o jornal, Ronivon Santiago dizia que os deputados de estados do norte, Osmir Lima, Chicão Brígido e Zila Bezerra, também, haviam vendido seus votos.
No dia seguinte, após a publicação da matéria, foi constituída uma comissão de sindicância para apurar as denúncias. Os partidos de oposição começaram a colher assinaturas para instalação de uma CPI, mas acabaram enfrentando uma manobra pesada do governo, que tinha maioria esmagadora. O noticiário da época informa que cargos e verbas foram distribuídos para os deputados da base governista para não assinarem o requerimento da CPI.
Enquanto isso, a comissão de sindicância corria contra o tempo. Era perceptível no movimento da comissão a intenção de esvaziar os argumentos para a instalação da CPI. Ao final do prazo estabelecido para a apuração, a comissão apresentou relatório dizendo que não havia necessidade de uma CPI porque as provas eram insuficientes. A comissão tomou uma decisão que pulverizou a apuração do caso. O relatório recomendou que a Procuradoria-Geral da República, chefiada por Geraldo Brindeiro, recém-reconduzido ao cargo e chamado “Engavetador-geral da República, cuidasse das investigações sobre o envolvimento do ex-ministro Sérgio Motta, que as Assembléias do Acre e do Amazonas tomassem as providências necessárias para averiguar as denúncias contra os respectivos governadores e que a Câmara dos Deputados tratasse do caso dos deputados. Ao final todos foram inocentados por falta de provas, a emenda constitucional foi aprovada no Senado e Fernando Henrique Cardoso ganhou o seu segundo mandato.
A apuração desse caso não fugiu à regra dos demais. Foram preservados réus-confessos e sacrificadas as instituições. O Congresso ficou desmoralizado perante a opinião pública e o governo seguiu sua rota de decadência moral.
Laurez Cerqueira, jornalista e escritor, autor de “Florestan Fernandes vida e obra” e “Florestan Fernandes – um mestre radical.”

Dois safos no detrito de maré baixa:

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A mulher que acusa Julian Assange de ‘violação’ está vinculada à CIA

Uma das mulheres que acusa o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, de delitos sexuais parece ter trabalhado com um grupo que tem conexões com a Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos.
James D. Catlin, um advogado que representou recentemente Assange, afirmou que a investigação por delito sexual contra o fundador do WikiLeaks se baseia em afirmações de que não usou camisinha durante sua relações sexuais com duas mulheres suecas.
Fontes da Fiscalização sueca disseram a AOL News na semana passada que Assange não era buscado por violação como se informou, mas por algo chamado “sexo surpresa” ou “sexo inesperado”.
Uma das acusadoras, Anna Ardin, parece ter “vínculos com grupos financiador pelos Estados Unidos contra Fidel Castro e por grupos anticomunistas”, de acordo com uma investigação publicada por Israel Shamir e Paul Bennett no CounterPunch. Ardin, nascida em Cuba, trabalhou a favor das “Damas de Branco”, um grupo de mulheres que se opõem ao governo cubano.
Shamir e Bennett também descrevem Ardin como uma suposta “esquerdista” que “publicou diatribes anti-Castro (ver aqui e aqui) em língua sueca para a Revista Assinaturas Cubanas difundida por Miscelâneas de Cuba”. Disse o professor Michael Seltzer que o grupo está sendo dirigido por Carlos Alberto Montaner, um homem vinculado com a CIA.
Shamir e Bennet disseram que “As Damas de Branco recebem financiamento dos EUA e contam entre seus partidários com Luis Posada Carriles”.
Um documento desclassificado em 1976 revelou que Posada era então agente da CIA e seus advogados sustentaram que manteve vínculos com a agência por 25 anos. Esteve vinculado a ataques terroristas que mataram dezenas de pessoas.
Ardin “está vinculada a militantes pela igualdade de gênero na Universidade de Uppsula, que optaram por se associar a esse grupo de mulheres cubanas financiado pelos EUA e apoiado abertamente pelo terrorista e assassino de massas”, observou Kirk James Murphy em Firedoglake.
Em agosto, Assange disse a Al Jazzeera que as acusações eram “claramente uma campanha de desprestígio”. “Nos advertiram que, por exemplo, o Pentágono está planejando usar truques sujos para destruir nosso trabalho”, disse Assange ao diário sueco Aftonbladet.
O fundador do WikiLeaks disse que foi advertido de ter cuidado com “as armadilhas do sexo”. Teria Assange caído em uma dessas armadilhas? – Talvez sim. Talvez não.”, disse.
O advogado Catlin disse que tanto Ardin como Sofía Wilén, a segunda acusadora, enviaram mensagens SMS e tweets alardeando de suas conquistas depois da suposta “violação”.
“No caso de Ardin, está claro que até fez uma festa em homenagem a Assange em seu apartamento depois dele cometer o “delito” e ela assegurou a seus seguidores no Twitter que ele era “uma das pessoas mais simpáticas e inteligentes do mundo, é incrível!”, escreveu. (A mensagem em sueco original está apagada do Twitter da Anna Ardin, entretanto foi publicado por um blogueiro sueco e pode se acessado no cachê dessa página, neste link – Nota de Cubadebate)
“O conteúdo exato dos textos do telefone móvel de Sofía Wilén não é conhecido, entretanto, mas sua ostentação e o nervosismo da personagem foram confirmados pela justiça sueca. Nem Wilén, nem Ardin se queixaram de uma violação após manter relações com Julian”, disse Catlin.
Ardin também publicou um guia de sete passos sobre como se vingar de mentiras dos namorados. Quando as acusações foram apresentadas pela primeira vez em agosto, o diário digital Gawker colocou pela primeira vez a suspeita de que Ardin estava trabalhando para a CIA.
“Em todo caso, a opinião de Ardin tende a debilitar a teoria conspirativa contra Assange, pois é uma acusadora muito vulnerável, sendo como é uma figura de tendência esquerdista na Suécia, frequentemente indiscreta em seu blog pessoal e uma entusiasta promotora da visita de Assange ao país”, escreveu Gawker.
Raw Story
Traduzido do inglês para o espanhol por Cubadebate
Traduzido do espanhol para o português para o Diário Liberdade por Lucas Morais (@luckaz)
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Toca Raul!

Nova Moeda
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Falta de informação de eleitor petista ajuda candidato do PRB

Celso Russomanno conseguiu até agora quebrar a histórica polarização entre PSDB e PT na disputa pela Prefeitura de São Paulo. O recall e o espaço conquistado na mídia em função de seu bom desempenho nas pesquisas tem garantido sua ascensão.
Com altas taxas de conhecimento, o candidato do PRB surfou na falta de informação do eleitorado petista sobre a candidatura de Fernando Haddad e lançou seu nome como opção para a cidade.
Russomanno também tem se beneficiado do crescimento da rejeição a José Serra. Ele cresceu entre os que têm nível médio de escolaridade, os mais jovens, os que têm renda familiar intermediária e os católicos, segmentos do eleitorado em que o tucano perdeu pontos nas últimas semanas.
O levantamento publicado hoje é a última pesquisa sem os reflexos da propaganda no rádio e na televisão. A partir de agora, o sucesso e o fracasso das candidaturas passam a ter alta correlação com o marketing das campanhas.
A maioria do eleitorado paulistano enxerga importância, demonstra algum interesse e pretende assistir aos programas do horário eleitoral gratuito. A intenção de acompanhar a propaganda é maior justamente em segmentos de menor escolaridade, menor renda e entre simpatizantes do PT, estratos em que Russomanno hoje tem mais apoio do que Haddad.
Como seria então um cenário onde predominasse a informação, em que os eleitores conhecessem muito bem os principais candidatos, algo que se pressupõe que ocorrerá depois de algumas semanas de propaganda na TV?
Filtrando o conjunto de entrevistados que dizem conhecer os principais nomes da disputa, percebe-se queda importante nas intenções de voto de Russomanno, com crescimento de Haddad, sem prejuízos para Serra. Nesse estrato, os candidatos do PRB e do PT ficam com 20% cada e o tucano aparece com 27%.
Trata-se de um segmento mais escolarizado e de maior renda, com acesso à informação. No extremo oposto, onde o desconhecimento prevalece, a maioria pretende acompanhar o horário eleitoral, mas o repertório usado para decodificar as mensagens dos candidatos é que determinará mudanças ou a improvável manutenção do quadro atual.
Mauro Paulino - Diretor-Geral do Datafolha
Alessandro Janoni - Diretor de Pesquisas do Datafolha
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Datafolha aponta Russomanno com 31% e José Serra com 27%

Pela 1ª vez, candidato do PRB aparece numericamente à frente; mas situação é de empate técnico
Fernando Haddad (PT) está em terceiro na disputa pela Prefeitura de SP, com 8%; rejeição de Serra atinge 38%
Pela primeira vez, Celso Russomanno (PRB) aparece numericamente à frente do tucano José Serra na disputa pela Prefeitura de São Paulo.
Pesquisa Datafolha realizada ontem mostra Russomanno com 31% das intenções de voto, 4 pontos a mais que Serra. Como a margem de erro da pesquisa é de 3 pontos para cima ou para baixo, eles continuam tecnicamente empatados.
Em relação ao levantamento anterior, de 19 e 20 de julho, Russomanno cresceu 5 pontos. No mesmo período, Serra caiu 3.
Esta é a última pesquisa de intenção de voto para prefeito de São Paulo antes do início do horário eleitoral gratuito no rádio e na TV, que começa hoje.
Na disputa pela terceira colocação há quatro candidatos tecnicamente empatados. O petista Fernando Haddad tem 8% das intenções de voto; Gabriel Chalita (PMDB) tem 6%; Soninha Francine (PPS), 5%; e Paulinho da Força (PDT), 4%.
As intenções de voto em Russomanno crescem constantemente desde o fim do ano passado.
Na pesquisa realizada entre os dias 7 e 9 de dezembro, ele tinha 16%, dois pontos abaixo de Serra. Marcou 17% em janeiro, subiu para 19% em março, passou para 21% no meio de junho, 24% no fim daquele mês e 26% em julho.
Espontânea
Celso Russomanno também aparece na liderança da pesquisa espontânea, aquela que indica a consolidação das intenções de votos nos candidatos.
Quando o eleitor é convidado a responder em quem pretende votar sem a apresentação de um cartão com os nomes dos candidatos, Russomanno atinge 15%. Nessa simulação, Serra alcança 13%.
Serra e Russomanno também lideram em taxa de conhecimento. O primeiro é conhecido por 98% dos eleitores. O segundo, por 94%.
O Datafolha também investigou a rejeição dos candidatos. Só 12% dizem que não votariam em Russomanno de jeito nenhum.
Já a rejeição a Serra continua ascendente. Em junho, ele liderava por esse critério com 32%. Em julho, seu índice de rejeição subiu para 37%. Na pesquisa de ontem, oscilou mais um ponto para cima e chegou a 38%.

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Só o "Mensalão" acabou na justiça

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O pluralismo de araque do Roda Viva

Não se espere do Roda Viva nenhuma veleidade de aprofundar a discussão sobre a deficiência, nem que saiba diferenciar a luta pela inclusão das visões estereotipadas difundidas.
Se Mário Sérgio Conti buscasse um mínimo de seriedade na discussão, se não o dominasse o espírito de patota, a entrevista traria pensamentos divergentes não apenas no campo jornalístico, mas no da inclusão - tema  que o entrevistado passou a recorrer como forma de legitimar sua atuação jornalística, eximindo-a de abusos recorrentes.

TV Cultura "veta" participação do redator-chefe da revista Trip no 'Roda Viva'

Convidado para participar do 'Roda Viva' desta segunda-feira, 20, o criador do blog 'Falha de São Paulo' e redator-chefe da revista Trip, Lino Bocchini, foi "vetado" do programa. De acordo com as informações do jornalista, a emissora informou que ele tinha sido cortado da lista nesta manhã. A exibição, que foi ao ar às 22h, entrevistou Diogo Mainardi, ex-Veja.
Bocchini não participou do 'Roda Viva' desta segunda-feira
(Imagem: Arquivo pessoal)
Ao Comunique-se, o jornalista explicou que na última sexta-feira, 17, recebeu formalmente o convite para participar do programa e o livro de Mainardi, que será abordado como tema durante o encontro. Além disso, na segunda-feira pela manhã a produção confirmou o carro que o pegaria na revista Trip. "Logo depois me ligaram dizendo que tinham cancelado a minha participação, pois o programa só poderia ter cinco participantes. Então questionei, pois na lista só tinha cinco mesmo".
No release divulgado pela TV Cultura, o nome de Bocchini aparece junto de outros quatro profissionais - Rodrigo Levino, editor-assistente do caderno Ilustrada, da Folha de S. Paulo; Rinaldo Gama, editor do caderno Sabático, do jornal O Estado de S. Paulo; Michel Laub, jornalista e escritor; e Mona Dorf, colunista do portal IG.
O redator da Trip conta que, logo depois, o nome de Joyce Pascowitch foi cotado para participar da atração. "Me senti desrespeitado e pedi para que alguém do canal me ligasse", contou. O apresentador do 'Roda Viva', Mario Sergio Conti, entrou em contato com o jornalista da Trip e explicou que, para a entrevista de hoje, Joyce "seria mais adequada" e deixaria o encontro mais plural.
Bocchini, em parceria com o irmão, é criador do blog Falha de S.Paulo, que foi censurado pela Folha de São Paulo há dois anos. À época, o site fazia crítica bem-humorada do conteúdo publicado pelo jornal e foi tirado do ar por meio de uma liminar que cassou o domínio registrado. Depois do caso, os irmãos criaram o 'Desculpe a nossa Falha', onde o caso é explicado com detalhes.
O Comunique-se falou com a TV Cultura, que confirmou a troca de jornalistas para o programa de hoje, mas não informou os motivos.
Do Blog Manual da Midia Legal - de agosto de 2003

MANUAL DA MÍDIA LEGAL 2 - www.escoladegente.org.br
Esse manual traz, entre outros textos, a análise de matérias que abordam de maneira inadequada pessoas com deficiência e outras minorias.
Título: Estou com os paraplégicos, Revista Veja (Coluna Diogo Mainardi), 06 de agosto de 2003
Trechos analisados
Trecho 1: (...) E foi ainda mais longe em Os Vingadores Aleijados, no qual um cego, um surdo-mudo, um perneta e um deficiente mental se unem para enfrentar uma seita de guerreiros sádicos. É meu filme predileto.
Trecho 2: A televisão não mostra a Paraolimpíada. Se mostrasse, eu passaria o dia inteiro grudado nela. É o evento esportivo mais entusiasmante que há. E, contrariamente ao que acontece nas Olimpíadas, o Brasil não passa vergonha.
Trecho 3: Uma vitória na Paraolimpíada é mais honrosa para um país do que uma vitória em qualquer outra competição. Eu sou do time dos paraplégicos
Análise dos universitários
Trata-se de um artigo em que não se consegue entende com clareza qual é a perspectiva defendida pelo colunista. Parece que procura enaltecer, supervalorizar tudo o que se refere à pessoa com deficiência. Entretanto, ele acaba difundindo uma postura preconceituosa. Juliana, Direito
O texto é, do início ao fim, preconceituoso. Tem uma abordagem cruel de um assunto relevante (...) Fala que uma medalha de ouro conseguida por um atleta com deficiência é mais honrosa. Por quê? Fábio, Jornalismo
Na tentativa de defender a posição de igualdade em relação às pessoas com deficiência e valorizar os esforços delas, o colunista acaba tomando uma postura radical, que cria uma espécie de discriminação ao avesso (...) Thais, Direito
O texto associa a cegueira à idéia de incompetência. O autor passa a impressão de que um filme protagonizado por um personagem com deficiência deveria ser necessariamente cômico (...) Estimula as pessoas com deficiência a praticarem artes marciais como uma forma de defesa ao preconceito que sofrem, solução que não ajuda e aumenta as chances de segregação (...) Bárbara, Direito
O articulista satiriza a questão da deficiência. Confunde conceitos como faz no trecho em que fala do filme Vingadores Aleijados, no qual um cego, "um surdo-mudo", um "perneta" e um deficiente mental se unem. Ele junta diferentes deficiências numa classe de "aleijados". Mariana, Jornalismo
O colunista manifesta um descaso sobre as pessoas com deficiência. Apesar de aparentemente estar tentando ser solidário com o problema da deficiência, ele continua contribuindo para a exotização das pessoas com deficiência, utilizando um tom de sarcasmo em sua coluna. Yuri, Direito
Comentário da Escola de Gente
O que há de equivocado em se acreditar que as paraolimpíadas são o evento esportivo mais entusiasmante que existe? Nada, desde que para defender seu ponto de vista o articulista não se mostrasse tão preconceituoso em relação a pessoas sem deficiência.
Não existiria uma outra forma de valorizar pessoas com deficiência que não fosse desmerecendo pessoas sem deficiência? Isso fica claro na frase "uma vitória na paraolimpíada é mais honrosa para o país do que uma vitória em qualquer outra competição." Por quanto tempo perpetuaremos a prática de compararmos condições humanas?
Página 37
Não é hora de nos soar ultrapassado o hábito de se dividir a humanidade em dois blocos homogêneos de pessoas, os com e os sem deficiência? É justamente essa prática que a "ética da diversidade" se propõe a combater.
O que existe entre um homem gordo e um magro? O mais ou menos gordo ou o mais ou menos magro? Entre um homem gordo em um magro existe uma infinidade de formas humanas que, sob a ótica da diversidade, não representam, jamais, a média.
Anote
Use "surdo" e não "surdo-mudo". Existem múltiplas formas de comunicação entre seres da nossa espécie, sendo impossível compará-las como "a mais humana" ou "a menos humana". O fato de a maioria das pessoas "falar pela boca" não nos dá o direito de considerar esta forma de expressão como a única valorizada, ou seja, o modelo. Esta é uma visão que favorece a comparação entre condições humanas. Para uma pessoa surda é difícil falar o português, sendo natural que opte pela língua de sinais brasileira (Libras). Neste caso, ela não é muda, apenas surda.
Comentário do Ministério Público
Por Eugênia Augusta Gonzaga Fávero, Procuradora da República e Procuradora Regional dos Direitos do Cidadão no Estado de São Paulo.
"O papel aceita tudo" é um ditado comum, mas a mídia não deveria fazer o mesmo. Se o autor do texto queria elogiar as Paraolimpíadas, incentivar a prática de esportes por pessoas com deficiência, ele poderia fazer isso de outra forma, sem usar termos estigmatizantes e altamente refutados pelos movimentos sociais: "maneta", "aleijados", "surdo-mudo", "perneta", "paralisado cerebral"...
O conteúdo do texto dá a impressão de que o autor se diverte muito e acha engraçada a performance das pessoas com deficiência, dando mais a sensação de ironia do que de qualquer outra coisa.
Em termos de Direitos Humanos, pensamos que as Paraolimpíadas deveriam ser reestruturadas de forma que os atletas com deficiência pudessem participar das Olimpíadas, bastando que houvesse modalidades específicas, computando-se suas medalhas juntamente com todas as outras obtidas pelos países. Penso que, no futuro, é isso que vai acontecer e as pessoas gostarão de assistir a todas as cenas, mas não por um interesse à beira de níveis doentios, mas por saberem que a espécie humana é definida pela diversidade.
Contra o autor do texto, caberia pelo menos uma ação por dano moral por parte dos grupos que se considerassem ofendidos. Com relação ao veículo, pelo menos um pedido de direito de resposta, em igual espaço e destaque.
Luis Nassif
No Advivo
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