19 de ago de 2012

Nova pesquisa na Venezuela

Pesquisa Cmide 50.1 revela que diferença a favor de Chávez é de 30,6 pontos percentuais
Caracas, 19 Ago. AVN.- Os resultados do mais recente levantamento do Centro de Medición e Interpretación de Datos Estadísticos (Cmide 50.1) indicam que a diferença a favor do candidato presidencial Hugo Chávez se situou em 30,6 pontos percentuais contra o candidato da oposição Henrique Capriles, desprezados os votos não afirmativos.
A sondagem revela que se as eleições presidenciais fossem nesse domingo, a intenção de voto a favor de Chávez sería de 58,9% enquanto Capriles teria 31,3%.
A amostragem, registrada ante o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), se realizou sobre a base de 1300 entrevistas efetuadas entre 6 e 14 de agosto de 2012.
Num cenário polarizado entre ambos os candidatos, os dados assinalam que Chávez obteria 9 milhões e 300 mil votos e o candidato opositor 5 milhões e 200 mil votos, com uma diferença de 4 milhões e 100 mil eleitores a favor del candidato socialista.
Esse cenário se fez tomando em conta a participação máxima de 14 milhões e 500 mil eleitores (77% do registro eleitoral).
From: "Max Altman"
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A jogada por trás da entrevista de Alckmin à Folha

O que deu na seara tucana de voltar a insinuar, agora, que o governador Geraldo Alckmin (PSDB), é de novo candidato a presidente, em 2014, depois de ter concorrido ao Palácio do Planalto em 2006 e ter sido derrotado pelo presidente Lula?
Só pode haver uma explicação já que vi toda a entrevista dele à Folha de S.Paulo (publicada 6ª feira) e o Geraldinho não afirmou nem uma vez que será candidato: uma bela e armada jogada, já que José Serra, agora, apressou-se em dizer que o apóia e assim ficará os quatro anos na prefeitura. Pelo menos é o que José quer, mais uma vez, passar ao eleitor.
Para ele, pode valer a tentativa. Mas um problema é que não adianta, o eleitor não acredita. Ainda ontem, quando andou em trem de subúrbio - e foi aconselhado a andar no horário de rush, pra ver quando o bicho pega - José foi interrogado por um eleitor: "quer se eleger para abandonar de novo a Prefeitura?".
Ninguém acredita em José e nada indica que ele vá ganhar
Outro problema é que nada indica que José vá ganhar este ano. Pelo contrário, ele continua em queda nas pesquisas, como demonstrou o IBOPE da última 6ª feira. Subir mesmo só sua taxa de rejeição que chegou a 37%.
Assim, salvo a jogada para José Serra sair rapidamente apoiando a candidatura presidencial de Alckmin em 2014 na tentativa de passar aos eleitores que caso se elegesse ficaria quatro anos na prefeitura, o resto é pura encenação.
Oposição e tucanos falavam no governador tucano de Goiás, Marconi Perillo como presidenciável em 2014, o que virou um acinte agora, depois de provada a ligação de todo o governo do PSDB goiano com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Beto Richa, Antônio Anastasia? Não, Aécio ou Serra
Já falar sobre o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB) como presidencial tucano em 2014, como fez Alckmin na entrevista, nem vale a pena comentar. Idem para sua referência ao governador de Minas, Antônio Anastasia. Do jeito que a coisa está e pelo andar da carruagem, Anastásia nem o sucessor deve fazer...
Assim, o candidato da oposição em 2014 ao Planalto será o senador Aécio Neves (PSDB-MG) - que quem "plantou" a notícia na Folha não se equece de dizer que "não empolga os tucanos" - ou José Serra pela 3ª vez (foi e perdeu em 2002 e em 2010). No caso deste, mesmo que tenha de sair por outro partido, dependendo da conjuntura de 2014.
Assim, por mais voltas que Alckmin tenha dado na entrevista à Folha e que os desdobramentos desta também tenham dado, o objetivo queiram ou não é o de ajudar José Serra.Que rapidamente já afirmou que apoia Alckmin e portanto fica na prefeitura. Em outras palavras, correu para obter os dividendos políticos que se propunha com a entrevista.
No Blog do Zé
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Alemon Esperrança

Encontrado na Serra gaúcha e no interior catarinense...
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Justiça condena internauta


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Sobre a ideia fixa com Dirceu

Faz parte do aprendizado. Mas ainda por bom tempo veremos reportagens sem muito discernimento escandalizando atos normais, pelo fato do repórter ter obtido informações exclusivas - ainda que irrelevantes - em bancos de dados pouco acessados.
Vai ser assim com a Lei de Transparência, como foi com o Siafi (o sistema de informações financeiras do setor público).
Jovens repórteres investigativos entravam no Siafi, colocavam o nome da vítima e apontavam como escândalo qualquer pagamento efetuado através de um sistema legal e público de pagamento. Por ter promovido um jantar com Lula e jornalistas em sua casa, no início de 2003, a jornalista Tereza Cruvinel foi "denunciada" por ter recebido R$ 12 mil da Câmara para escrever a biografia de uma ex-deputada, falecida. Provavelmente só com a equipe de pesquisa ela deve ter gasto mais do que isso. Mas o pagamento estava... no Siafi e foi identificado graças à iniciativa do atilado repórter.
O Estadão repete o mesmo modelo no tratamento dado aos tais documentos da Casa Civil, obtidos através da Lei de Transparência. Os documentos comprovam que Dirceu era incumbido de fazer a articulação política, encaminhando os pedidos dos parlamentares. A rigor, nenhuma novidade.
Depois, afirma que Dirceu utilizava informações para queimar membros de grupos contrários, no PT. O membro do grupo contrário era, segundo a reportagem, Graça Foster - funcionária de carreira da Petrobras. Havia rumores envolvendo o marido. Dirceu encaminhou os dados para a Ministra das Minas e Energia, Dilma Rousseff, de quem Graça sempre foi pessoa de absoluta confiança. Se quisesse queimar, encaminharia para a revista Veja. Ou não? E, para que tais dados são encaminhados? Para procedimentos muito simples: se houver irregularidade, tomar medidas; se não houver, juntar argumentos para rebater eventuais tentativas de escandalização.
Conforme retranca do próprio Estadão, no pé da matéria, o próprio MInistério Público Federal não identificou nenhum sinal de irregularidade.
Os dados obtidos poderiam ser bom material para expor o dia-a-dia desse modelo político torto brasileiro. Especialmente se enriquecido com documentos similares do governo FHC. A ideia fixa em relação a Dirceu mantem em suspenso qualquer esperança de melhoria no padrão atual de cobertura jornalística.
Luis Nassif
No Advivo
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Pesquisa aponta vitória de Humberto Costa - PT em Recife


Pesquisa Folha/TV Globo/Ibope
No Terra Brasilis
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Estamos em março de 1964. Peluso é o Kruel?

Liga o profeta Tirésias, lá das profundezas de Minas, entre Rosa e Drummond:
- Assisti aí no seu sítio a defesa oral do Kakay.
- Gostou?
- Sensacional! Não é por ser mineiro, mas o Kakay jamais reproduzirá uma defesa de tal qualidade.
- Cuidado, profeta, assim o Kakay vai se enrubescer.
- Não há a menor possibilidade…
- E então, o mensalão vale tanto quanto o Roberto Jefferson?, pergunta o ansioso blogueiro.
- O mensalão é o mais bem arquitetado Golpe de Estado que a elite construiu, desde o Golpe de 1º de abril 1964.
- Calma, Tirésias. E os militares, onde estão?
- Não estão de farda. Estão de toga.
- Tirésias, isso é muito sério.
- Meu filho, dessa vez a elite substituiu os generais pelos Juízes e o Ministério Público.
- É o que se passou a chamar de um “Golpe paraguaio”.
- Não sei o que isso significa. Sei que o Golpe será dado no Judiciário.
- Mas, a Dilma não será derrubada como o Jango. Ela não está em questão.
- Não está agora. É a próxima peça do tabuleiro. Vai assim: Dirceu, Lula e ela.
- Mas, nem tudo está perdido. O Supremo não tem provas para incriminar o Dirceu.
- E quem disse que Golpe precisa de prova? Cadê as provas de que o Jango é que ia dar o Golpe? Cadê?
- E quem será o Kruel de hoje? O general da confiança do Jango que foi para São Paulo, traiu o Jango e decidiu o Golpe.
- Peluso será o Kruel.
- Será o Pinochet do Allende?, provoca o ansioso blogueiro.
- Não ponha palavras na minha boca.
Pano rápido.
Paulo Henrique Amorim
Jango nomeou Kruel para São Paulo e por ele foi traído
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Agenda Setting 2

Folha: por PHA e Nassif Gilmar condenará Dirceu

Saiu na Folha:

Nos bastidores, STF conta cinco votos pró-condenação


Na opinião de ministros sobre colegas, ao menos 2 tendem a absolver núcleo político. Dos nove magistrados ouvidos, nenhum revelou o voto, mas vários palpitaram sobre a inclinação dos colegas
MÔNICA BERGAMO
COLUNISTA DA FOLHA
A resposta à pergunta mais repetida desde o início do julgamento do mensalão ainda é desconhecida no próprio STF (Supremo Tribunal Federal): a corte vai condenar ou inocentar os principais réus do que o Ministério Público Federal chama de “núcleo político” do escândalo?
A Folha esteve com nove dos 11 magistrados nas últimas duas semanas.
Nenhum deles revelou sua convicção. Poucos sinalizaram como devem votar. Mas, embora o clima seja de desconfiança e os magistrados evitem trocar confidências, vários foram prolixos ao palpitar sobre o que imaginam ser a posição dos colegas.
(…)
Gilmar Mendes foi incluído entre os que podem condenar. O ministro não esconde a indignação pelos “ataques” feitos a ele por setores do PT e blogs financiados por estatais.
(…)
O Leandro Fortes localizou uma corrente do jornalismo merválico pigal contemporâneo: a dos “bajuladores jurídicos”.
São jornalistas que bajulam juízes para obter “informações” privilegiadas – e geralmente erradas.
Porque os juízes que falam com jornalistas aprenderam que o que esses jornalistas escrevem tem o valor de um testemunho do Roberto Jefferson.
A Folha é mestre em “bajular juízes”.
Trata-o Ilustradamente.
Neste caso, o amigo navegante está diante de um fenômeno raro do baixo jornalismo que se pratica no merválico PiG.
Publica “palpites”.
A Folha esteve (sic) com nove dos onze magistrados.
“Estar”, em que sentido?
Entrevistou?
Gravou?
Anotou no caderninho?
Ou “ficou” num chopinho na esquina?
Em que circunstâncias foram obtidas as “informações”?
Vamos supor que sejam, de fato, informações.
São palpites de nove juízes (não identificados) sobre o voto dos outros.
Ou seja, o Beldreodes se encontra na calada da noite com o bajulista jurídico e passa a “informação de que a Mariquinhas vai votar assim e assado.
O Beldreodes não diz como vai votar.
Mas, sim, como a Mariquinhas vai votar.
Como tudo é feito anonimamente, você pode dizer qualquer coisa.
O que a Mariquinhas diz do palpite do Beldreodes?
Confirma, desmente?
Ora, ora, às favas com a objetividade, não é isso, Otavinho?
O ansioso blogueiro suspeita que o Ministro Peluso, ciente do papel que as biografias exercem sobre a História, absolverá o Dirceu, já que não há provas.
Mas, na Folha, “Cezar Peluso não trai seu ânimo nem em simples gestos no plenário. Mas é tido como voto contra.”
“Tido”?
Peluso é “tido”?
Quem “tem”?
Quem “teve” sobre ele?
Otavinho “é tido” como um grande dramaturgo.
Ele acreditaria nisso?
Chegamos ao fundo do poço?, o ansioso blogueiro perguntaria ao Mino Carta.
E ele responderia: não, ainda podemos afundar mais.
No Brasil, diz ele, os jornalistas são piores que os patrões.
Em tempo: Diz o bajulamento jurídico inscrito nas páginas a Folha:
“Gilmar Mendes foi incluído entre os que podem condenar. O ministro não esconde a indignação pelos ‘ataques’ feitos a ele por setores do PT e blogs financiados por estatais.”
Segundo a Folha, o "Gilmar Dantas" e o Padim Pade Cerra – são todos da mesma “sopa”, diria o Mino – “blogs financiados por estatais” são o Luis Nassif e este Conversa Afiada.
Edir Macedo já ouviu muitas acusações ao longo da carreira de empresário e pastor.
Ser o “Estado” é uma contribuição da Folha.
Sem falar na herança da doce tia-avó de Vizeu, cujo túmulo será visitado ainda este ano por este agradecido sobrinho.
Paulo Henrique Amorim
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Agenda Setting 1

Mídia corporativa e agenda-setting para gerar profecia autorrealizável no julgamento do chamado 'mensalão do PT'


Quando a mídia corporativa aponta suas manchetes para um técnico de futebol, todos sabemos - mais dia, menos dia, ele cai. Ela ainda tem bastante força para influenciar a decisão de pequenos grupos, como uma diretoria de time de futebol, por exemplo.

Também ainda tem força bastante para queimar a carreira de um político (como vem fazendo, por exemplo, com José Dirceu). Ou para levantar a de outros, como ocorreu com o hipócrita Demóstenes Torres, recentemente cassado.

Ainda tem força para impedir a convocação de um dos seus à CPI, como ocorreu nesta semana com a possível convocação do diretor da Veja Policarpo Junior (leia Silêncio cúmplice da mídia acoberta crime de diretor da Veja denunciado em CartaCapital).

Já não tem mais força, é verdade, para decidir quem vai ser o próximo presidente, como sempre o fez, até 2002. O máximo que consegue é levar a um segundo turno.

Já não tem mais força para conseguir um golpe de estado, como em 1964, ou o suicídio de um presidente que lhe contrariava, como o de Getúlio Vargas, em 1954.

Nem para eleger e forçar o impeachment de outro, como o caso Collor.

Mas isso não significa que a mídia corporativa não siga buscando seu intento, através de agenda-setting, como agora, mais uma vez, conseguiu colocar em pauta o julgamento do tal "mensalão do PT", enquanto o "mensalão tucano", que aconteceu sete anos antes, continua na fila, sem julgamento previsto.

Mais do que isto: a agenda-setting da mídia corporativa tenta criar uma profecia autorrealizável, a de que o julgamento só pode ter um desfecho aceitável: a condenação dos réus.

Não por outro motivo, reportagem de Mônica Bergamo na Folha de hoje tem por título "Nos bastidores, STF conta cinco votos pró-condenação". É puro jornalismo de impressão, espírita:
A Folha esteve com nove dos 11 magistrados nas últimas duas semanas.
Nenhum deles revelou sua convicção. Poucos sinalizaram como devem votar. Mas, embora o clima seja de desconfiança e os magistrados evitem trocar confidências, vários foram prolixos ao palpitar sobre o que imaginam ser a posição dos colegas.
Pela média das opiniões, o placar estaria hoje indefinido - mas apertado para os réus. Pelo menos cinco ministros estariam emitindo sinais de que devem condenar protagonistas "políticos" do mensalão. Entre eles, José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil do governo Lula.
Quatro manteriam tal discrição que seria arriscado até mesmo especular sobre seus votos. Dois são tidos como relativamente certos pela absolvição de ao menos alguns.
"Emitindo sinais", telepatia, ou, como chamo, jornalismo mãe Dinah.

Com isso mantêm a pressão sobre os ministros e o julgamento, coroando com essa matéria uma outra, do meio da semana, em que divulgaram uma enviesada pesquisa Datafolha que apontava que 73% dos entrevistados queriam a condenação dos acusados e que fossem enviados para a cadeia (leia aqui).

Pelo que vem acontecendo até o momento, a não ser que haja fato novo, a mídia corporativa vai vencer mais uma. Não vai ser nocaute a la Mike Tyson, como era antes. Mas, por pontos.
No Blog do Mello
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Só falta pendurarem o diploma de otário na parede...

 
O que você vê na foto, um jovem futebolista que, num jatinho disponibilizado por seu clube, faz longa viagem para defendê-lo no Campeonato Brasileiro, 28 horas depois de ter atuado num amistoso da Seleção?
Foi assim que a imprensa noticiou, alguns elogiando a abnegação de Neymar, outros recriminando o sacrifício que o Santos lhe impôs. 
Tudo errado. Na verdade, a foto mostra um garoto-propaganda no desempenho do seu ofício, conforme esclareceu o blogue do Milton Neves:
"Neymar veio de jatinho de Estocolmo para Florianópolis não por amor ao Santos ou por pressão de seus patrocinadores que não pagaram a viagem do menino prodígio.
O jogo era algo desimportante pro  Peixe, em nada alteraria as doze campanhas publicitárias estreladas e já gravadas por ele na TV e não houve também 'exploração física' de Neymar.
Houve apenas a 'coincidência' da Labace, a Feira Internacional de Jatos Executivos que rola em São Paulo.
Neymar veio em jatinho que seria exposto na feira e que viria vazio 'batendo lata', mas com o compromisso – remunerado ou não – de se fotografar na cama da aeronave, colocar no twitter e gerar o que chamamos no mercado publicitário de 'mídia espontânea'".
Se os jornalistas humilhados pela tabelinha Labace-Neymar tivessem um mínimo de dignidade profissional, denunciariam que o gol promocional foi irregular.
Antigamente, cairíamos de pau em cima dos espertinhos e do farsante.  Hoje, com a honrosa exceção do Milton Neves, os coleguinhas só faltou emoldurarem e pendurarem na parede seu  diploma de otário...
No Náufrago da Utopia
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“Wikileaks é uma operação da CIA para acabar com a Internet”

Recebemos (Assaz-Atroz) e-mail do nosso correspondente Fernando Yépez Rivas, jornalista equatoriano, com mensagem indicando a leitura de matéria intitulada “WikiLeaks es una operación de la CIA para terminar con Internet”, uma entrevista com Daniel Estulin, escritor e ex-agente da KGB, para o jornal colombiano El Heraldo.
O ex-KGB denuncia complô formado pela agência de espionagem norte-americana com grupos de iniciativa privada e outras organizações estatais.
Os objetivos dessa trama secreta você pode conferir lendo a entrevista publicada originalmente em espanhol, basta clicar no título que fornecemos abaixo, ou ler o nosso translado, feito com a ajuda de tradutor online, mas adaptado, em diversos trechos, de acordo com as nossas próprias aptidões para lidar com o nosso vernáculo e com suas variantes em situações coloquiais.
Caso algum leitor compare as versões em espanhol e em português e identifique qualquer equívoco de nossa parte, agradeceremos se nos contatar e indicar possíveis erros cometidos.
Atenciosamente
Editor-Assaz-Atroz-Chefe

Daniel Estulin: “Wikileaks é uma operação da CIA para acabar com a Internet”

O escritor russo e ex-agente da KGB Daniel Estulin denuncia em entrevista para jornal colombiano que WikiLeaks é um instrumento da CIA para justificar o encerramento definitivo da internet alegando o perigo da informação livre.
Mais uma vez Daniel Estulin investe contra WikiLeaks. Em declarações feitas durante entrevista ao jornal colombiano El Heraldo, o ex-agente da KGB é muito claro ao fazer ver que a famosa organização, supostamente formada por rebeldes dedicados a filtrar arquivos confidenciais que envolvem governos e corporações, é apenas uma ferramenta para a CIA, eventualmente, justificar o encerramento da Internet ou o seu controle completo por parte das autoridades.
Estulin saltou para a fama há mais de um ano, logo após a publicação de uma investigação minuciosa sobre o Grupo Bilderberg, um grupo de elite de industriais e políticos, principalmente ocidentais, que, de acordo com algumas pessoas, se encarrega de traçar, à sombra da opinião pública, as estratégias geopolíticas e financeiras que determinam o curso do planeta. Seu livro, Clube Bilderberg já vendeu mais de cinco milhões de cópias em 81 países e foi elogiado por, entre outros personagens, Fidel Castro.
Agora Estulin está promovendo seu livro Desconstruindo WikiLeaks, que expõe uma investigação pelo ex-KGB comprobatória de que esta organização é uma peça popular na agenda da CIA. "Eu sabia que era operação da CIA, porque os caras que estão envolvidos dentro do conselho do Wikileaks, e as empresas que o fianciam, são algumas pessoas com fortes laços com a CIA norte-americana", diz o autor, e acrescenta: "O Wikileaks não vai ser o argumento. É uma ferramenta que segue muitos objetivos de uma só vez. Um deles é fechar [para o acesso popular] a Internet. Outra é fazer [as pessoas] compreender o mundo de forma diferente. Muitos documentos de Wikileaks são seguramente falsos. "
Há oito meses, publicamos no Surf Pijamas o artigo intitulado "WikiLeaks poderia ser uma operação encoberta da CIA", no qual explicamos os fortes rumores sobre a relação entre esta organização e a agência de inteligência dos EUA: "WikiLeaks está intimamente envolvido com uma operação de 20 milhões de dólares da CIA em que dissidentes chineses que vivem nos Unidos constantemente hackeam computadores do governo na China. Este grupo de hackers simulam ataques informáticos a redes do Exército dos Estados Unidos, supostamente proveniente da China, de modo que, em seguida, o governo dos EUA possa denunciar os ataques cibernéticos por parte do gigante asiático. Esta suposta ameaça justifica o aumento no orçamento de defesa e ofensiva dos EUA e semeia o medo de organizações públicas e empresas deste país que acabarão por se abrigarem sob o governo. Para reforçar a sua hipótese, Wayne Madsen observa que um membro do conselho de WikiLeaks, Ben Laurie, é um programador e especialista em cibersegurança que trabalha para a empresa Google, que recentemente assinou um acordo de cooperação com o conglomerado de agências de inteligência dos EUA, a Agência de Segurança Nacional (NSA). "
Estes laços obscuros atribuídos ao WikiLeaks, com respeito à sua relação com a CIA e o Mossad, se estendem ao grupo de hackers Anonymous, que, depois do bloqueio que a organização de Assange sofreu pelas instituições bancárias para impedi-la de de receber doações, saiu em defesa do WikiLeaks.
Obviamente, o cenário é mais do que confuso, inclusive o próprio Estulin poderia ser, voluntária ou involuntariamente, parte do complexo xadrez que se têm gerado em torno da administração do poder. Certa ocasião denunciamos que o "excesso" de informação pode ser a ferramenta mais precisa para desinformar o público. E diante da impossíbilidade de se obter certezas absolutas, parece que o mais saudável é, por um lado, voltar-se para o conhecimento intuitivo e depositar na intuição um maior peso de nossas crenças e, por outro, tentar romper os esquemas tradicionais em que necessitamos criar heróis e vilões, e lembrar-se de que vivemos em um universo de possibilidades, e não de verdades (ou mentiras) absolutas.
A continuação da entrevista com Daniel Estulin, realizada por Ivan Bernal Marin para El Heraldo:
Que mensagem deixa Wikileaks?
Acima de tudo, de não acreditar [de imediato] em nada e ninguém. Verificar tudo, não aceitar gratuitamente nada como fato absolutamente verdadeiro, e pensar de forma independente. Tudo o que eu estou dizendo é uma mentira, até que você possa comprovar. Da mesma forma, quando sai uma notícia na CNN ou The New York Times, não entendo por que as pessoas dão por comprovada, achando que aquilo que estão lhes dizendo é verdade, se quase sempre estão mentindo descaradamente de propósito. Estes meios de comunicação não têm nenhuma intenção de dizer a verdade. Eles não trabalham para as pessoas, mas para os seus proprietários, que pagam seus salários e definem essa verdade, entre aspas, que sai. Tome as informações e procure compreendê-las a partir de sua própria perspectiva. Investigue, pesquise, pergunte. É importante sua maneira de ser independente, como um ser humano.
Se o que você diz é verdade, não põe em risco sua vida?
Os riscos que eu estou assumindo são riscos calculados. Há coisas que eu posso dizer mas que não estou dizendo, porque são muito assustadoras, horripilantes. Depois de Bilderberg era o momento de cavar mais fundo, para tocar um outro fundo, fazer as pessoas criticarem as coisas ainda mais. É a contribuição que eu estou dando. Eu não quero salvar o mundo. Elas são apenas coisas que me preocupam como um ser humano, e eu quero investigar. Eu não tenho nenhuma agenda escondida, nem sou “desinformador” do Clube de Bilderberg. Eu sou uma pessoa interessada por estes acontecimentos, e que quer compartilhar.
Como lhe ajudam os seus 12 anos de experiência como agente?
Minha experiência como agente me ajuda a entender como o mundo funciona, como as coisas funcionam. Ajuda a compreender o que se passa no noticiário da televisão sobre a guerra no Afeganistão, no Iraque, as guerras que são mentiras. Você vê uma batalha entre Talibã e não sei quem, e está a CNN envolvida. A pergunta que tenho é: como caralho esses grandes filhos da puta souberam que ali haveria uma briga? Porque Talibã provavelmente não lhes havia dito nada. É como a mídia manipula as percepções. Meu trabalho é simplesmente para tentar trazer essas coisas à luz. Coisas que, creio, tal como está o mundo, merecem que lutemos contra elas.
Qual é o seu objetivo?
Como eu disse a Fidel Castro, o nosso dever como seres humanos é garantir a sobrevivência das espécies, de modo que daqui a dois milhões de anos sejamos milhares de milhões de pessoas vivendo em todas as galáxias do universo. Para isso, o que temos que garantir primeiro é que sejamos livres, em todos os sentidos. Porque os ricos querem nos escravizar. Mas eu não quero ser um escravo de ninguém, tampouco quero prejudicar ninguém. Por isso, eu preciso que a massa social entenda o que está acontecendo. É o trabalho que eu estou desempenhando: jogar a luz da minha verdade, que não precisa ser verdadeira, mas é a minha verdade. Certamente estou equivocado em algumas coisas; porém, como analista de contraespionagem, sou capaz de articular contra um monte de dados e criar uma estrutura que pode explicar muitas coisas. Nem todas, mas ajuda as pessoas a entender muito melhor de que maneira nós fazemos parte dessa grande manipulação, essa lavagem cerebral promovida pelas potências mundiais.
Que coisas acontecem, por exemplo?
Todas as degenerações do mundo da arte, como fazem com o rock n 'roll, com o rap, são feitas sob encomenda em laboratório. O objetivo é destruir, apagar da face da terra a grandeza universal do ser humano. Transformá-lo em animal é o objetivo. Porque um ser humano indomável, ético, honrado, honesto e corajoso não pode ser governado. Porque assim nós nunca vamos nos ajoelhar diante de um rei. Apenas os escravos simplórios e os analfabetos subnormais permitem que um rei ou um presidente nos governe sem nosso consentimento.
O que você descobriu de Wikileaks?
O que me motiva a fazer o livro é um relatório que eu vi, faz um ano, do governo russo. Eu conheço Julian Assange como um personagem faz muitos anos. Ele era um rapaz jovem, que pertencia a um grupo de hackers na Alemanha chamado Chaos Computer Club. Muitos trabalharam para a KGB. O relatório de um analista dos serviços secretos russos falava sobre o procedimento para fechar a Internet. Falava que o governo dos EUA podia facilmente fechar a rede, usando um evento como o 11 de setembro ou Pearl Harbor. Os russos pensavam que seria um ataque mininuclear, um autoataque, auto-orquestado, contra um centro nuclear americano. Causar cerca de 400 mil mortos e culpar os hackers chineses, para ter a desculpa necessária para fechar a Internet. Quando eu vi isso, acreditei que era o momento de desmontar a operação Wikileaks. Ele sabia que era operação da CIA, porque os caras que estão envolvidos no Conselho, as empresas que Wikileaks financia, são algumas pessoas com fortes laços com a CIA americana.
Isso significa que eles vão usar para fechar a Internet?
Wikileaks não será o argumento. É uma ferramenta que segue muitos objetivos de uma só vez. Um deles é para fechar a Internet. Outra é fazer compreender o mundo de forma diferente. Muitos documentos Wikileaks são seguramente falsos. Por exemplo, do Afeganistão foram vazadas 200.000 páginas de documentos, porém são todos arquivos digitais. Não são documentos. Documento é algo que você pode tocar com a mão. São arquivos que são apenas passados na tela do seu computador, e isso não vale nada. Essas coisas são facilmente falsificáveis. Você não vê um pedaço de papel com o carimbo de um perito comprovando que ele é um documento original ou é uma falsificação. Nas 200.000 páginas de "documentos" do Afeganistão não há uma só palavra sobre o único negócio de valor nesse país até hoje, que é a droga. Como isso é possível? É como se falassem das FARC sem citar uma palavra da droga ou de sequestro. Algo está errado, não? 90% das informações do livro estão na Internet. Só que eu como um analista tomo as peças e lhes dou sentido. Por isso eles querem fechar a Internet. Por todo o alcance que a informação tem hoje. E isso é conhecimento de poder.
O que você disse aos que consideram suas investigações uma loucura?
Em junho passado eu fiz um discurso no Parlamento Europeu. Não é exatamente uma instituição psiquiátrica. Ali não entra nem o presidente da Colômbia. Fiz um discurso histórico sobre Bilderberg. Eu fiz um discurso para os chefes do Estado-Maior da Venezuela com Chávez. Tudo o que eu digo se liga entre si, é uma lógica. Outra coisa é se você acredita ou não. É problema seu. Porém, se você somar 2 mais 2 e não der 4, algo está errado.
No Cutucando de Leve
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O Bode na Sala

Todo mundo conhece a história do bode na sala.
Sua conclusão é que, às vezes, para resolver um problema, é preciso criar artificialmente outro maior. Como o da família que vivia apertada em uma casa minúscula. Ela foi se aconselhar com um sábio e ouviu a recomendação de colocar na sala um bode.
A vida tornou-se insuportável. Voltaram ao ancião, que mandou tirá-lo de lá.
Ficaram tão contentes livrando-se do problemão que o anterior virou um probleminha. Pararam de lamentar o desconforto da casa acanhada e festejaram.
Uma parte das oposições brasileiras parece estar raciocinando dessa maneira em relação ao julgamento do “mensalão”.
Não é que inventaram um bode, talvez imaginando que ganhariam alguma coisa retirando-o?
É o que parece quando se vê a ânsia com que alguns colunistas e comentaristas se puseram a elucubrar sobre um fato até ontem inexistente.
O pretexto foram as declarações do advogado do ex-deputado Roberto Jefferson perante o Supremo Tribunal Federal ao defendê-lo.
Como se não bastasse a histrionice de seu cliente - notável, entre outras coisas, por já haver apresentado meia dúzia de versões contraditórias sobre algo que batizou e depois assegurou que nunca existira - o personagem aproveitou seus minutos de visibilidade nacional para “denunciar” o ex-presidente Lula.
É evidente que Lula pode ser questionado, como qualquer cidadão, independentemente do cargo que ocupou. Tanto que já o tinha sido, nessa mesma Corte. Que havia avaliado a consistência do que fora alegado contra ele e deliberado que não justificava qualquer providência.
O disparate do gesto é evidente. O que o advogado fez foi apenas exibir sua ignorância a respeito das regras do julgamento de que participava - e com retórica medíocre.
Pior, no entanto, foi perceber como algumas redações receberam seu rompante.
Os defensores dos demais réus, que cumpriram seu papel com respeito ao Tribunal e aos compromissos profissionais básicos, foram ridicularizados quase unanimemente, como se fosse absurdo que lutassem pelos clientes.
O único advogado que resolveu jogar para a plateia teve um dia de herói. Fez a pauta de muitos “analistas sérios”.
Quem se ancora em gente desse calibre mostra que anda pobre de argumentações.
Mas a extemporânea volta da discussão a respeito de Lula acaba por revelar outra coisa. Que aqueles que apostavam que o julgamento do “mensalão” o desgastaria, assim como a Dilma e a seu partido, agora temem pela fragilidade da denúncia.
Nas pesquisas eleitorais disponíveis, não se percebe prejuízo para os candidatos petistas - ou vantagem para os adversários - causado por esse motivo, passadas já três semanas do início. Como se vê, por exemplo, em São Paulo, onde, por enquanto, Serra míngua e Haddad cresce.
Se a denúncia da Procuradoria-Geral só fica em pé graças a muito anabolizante de mídia, se nada indica que afete grandemente as eleições municipais, o que resta?
Pôr um bode na sala. Reaquecem uma acusação contra Lula, imaginando que, para “protegê-lo”, o “lulopetismo” ofereça a cabeça dos acusados.
Duplo erro. Nem Lula precisa disso, nem existe alguém que queira fazer a negociação.
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
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WikiLeaks fecha acordo com Guerrilheiros de Cuiabá-MT

Kristinn Hrafnsson, porta-voz do Wikileaks, negocia secretamente com
os Guerrilheiros Virtuais em Foz do Iguaçu
Kristinn Hrafnsson – é jornalista islandês, seu primeiro contato com o WikiLeaks foi em 2009 quando ele fez uma reportagem sobre a falência do sistema financeiro da Islândia. Em 2010 não teve seu contrato renovado com a TV estatal islandesa e foi contratado pelo site de vazamento de dados. Desde então é o braço direito de Julian Assange e porta-voz do portal pelo mundo.
A primeira colaboração de Hrafnsson com o Wikileaks depois de contratado foi traçar a melhor estratégia de divulgação do vídeo “Assassinato Colateral”, que mostra dois soldados americanos atirando em civis no Iraque. Nesta ação morreram dois jornalistas da agência Reuters. A principal função de Hrafnsson no site é filtrar os materiais recebidos e pensar a melhor forma de divulgação, sem deixar de lado a segurança das fontes.
Cuiabá que se cuide! 
A PF, CIA, MI5, MOSSAD e KGB já estão de olho.
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Assange: "Le pido al presidente Obama que renuncie a la persecución contra WikiLeaks"

Julian Assange agradeció al Gobierno ecuatoriano: personalmente al presidente Rafael Correa por el "coraje de darme asilo" y al ministro de Exteriores, Ricardo Patiño, por su ayuda. Agradeció a cada país del ALBA por su intención de defender el derecho a asilo.
Assange agradeció a los ciudadanos de EE.UU., Gran Bretaña, Suecia y Australia ''por la fortaleza que me han dado'', "por seguir luchando por la justicia a pesar de que sus gobiernos lo obstaculizan". Dio las gracias a "todo el equipo de WikiLeaks por su coraje" y a los miembros de su familia. "Siento que ahora estamos separados, pero pronto vamos a reunirnos", dijo. “Le pido al presidente Obama que renuncie a la persecución en contra de WikiLeaks” , declaró. "La guerra de Estados Unidos contra los reveladores de la verdad debe finalizar. El soldado Bradley Manning debe ser liberado por el gobierno de Estados Unidos. Él es un héroe y un ejemplo para todos nosotros. El miércoles pasado fue el 815 día desde que fui detenido sin un tribunal. El máximo plazo legal para tener a alguien detenido es 120 días. El jueves mi amigo Nabil Rajaab fue sentenciado a 3 años de cárcel por escribir un tuit. El viernes un grupo musical ruso fue condenado a 2 años de prisión por una 'performance' política. Es una unidad de opresión. Es necesaria una unidad para dar una respuesta", dijo Julián Assange.
Previamente el portavoz del fundador de WikiLeaks, Kristinn Hrafnsson, declaró que Julian Assange pensaba entregarse a Suecia si no le deportaban a EE.UU. Según el representante del australiano, esta podría ser "la base para las negociaciones".
"Sería una buena base para negociar una manera de resolver este asunto que las autoridades suecas declararan que Julian nunca será extraditado de Suecia a EE.UU.", dijo Hrafnsson. A su vez el abogado de Assange, el español Baltasar Garzón, declaró a este respecto que "Assange está dispuesto a responder a la justicia, pero con las garantías que cualquier ciudadano tiene" y que el australiano "ha manifestado que va a reivindicar los derechos de WikiLeaks y de todos los que están siendo investigados". "Continuaremos apoyando y defendiendo el derecho fundamental de Assange al salvoconducto", dijo.
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Discurso de Julian Assange desde la embajada de Ecuador en Londres

Assange compareció ante el público por primera vez después de haber acudido a la embajada del país andino en el Reino Unido

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Os protetores do antijornalismo

Na terça-feira 14, de posse de uma análise preparada por técnicos da CPI do Cachoeira a partir de interceptações telefônicas e documentos da Polícia Federal, o deputado Dr. Rosinha (PT-PR) estava pronto para um embate e tanto: requerer a convocação do jornalista Policarpo Jr., diretor da revista Veja em Brasília. Seria a segunda tentativa da CPI de ouvir Policarpo, mas o PT decidiu retirar o assunto de pauta, por enquanto, até conseguir convencer o PMDB a participar da empreitada. Antes, o senador Fernando Collor (PTB-AL) havia tentado sem sucesso convocar o jornalista.
Falácia. Alves e Teixeira dizem defender a “liberdade de imprensa”.
Mas quem disse que ela está ameaçada?
Fotos: Eduardo Maia/DN/D. A Press e Andre Dusek/AE
O documento de mais de cem páginas elaborado por técnicos da CPI, publicado em seus principais detalhes na edição passada de CartaCapital, prova de diversas maneiras a ligação de Policarpo Jr. com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, a quem o diretor da semanal da Editora Abril chegou a solicitar um grampo ilegal contra o deputado Jovair Arantes (PTB-GO).
Na segunda-feira 13, um dia antes da data prevista para Dr. Rosinha se manifestar, uma tensa reunião ocorrida na casa do deputado Jilmar Tatto (SP), líder do PT na Câmara, tornou possível dimensionar a força do lobby da Abril sobre a bancada de quatro deputados do PMDB na comissão. O grupo atendia aos apelos do vice-presidente da República, Michel Temer, presidente do partido, e do deputado Henrique Eduardo Alves, líder da sigla na Câmara.
Constrangidos, incapazes de articular uma desculpa coerente, os peemedebistas da CPI continuam a negar apoio ao PT na empreitada. Na reunião, voltaram a se prender à falsa tese dos riscos da convocação à “liberdade de imprensa” no País. Eram eles os deputados Luiz Pitiman (DF) e Iris de Araújo (GO) e os senadores Sérgio de Souza (PR) e Ricardo Ferraço (ES).
Não há, obviamente, nenhuma relação entre um jornalista depor em uma CPI e um suposto atentado à liberdade de imprensa. No caso de Policarpo Jr., o argumento soa ainda mais esdrúxulo, uma vez que o jornalista já depôs na Comissão de Ética da Câmara, em 22 de fevereiro de 2005, no processo de cassação do ex-deputado André Luiz (PMDB-RJ).
Policarpo lá esteve, como voluntário, para defender ninguém menos que Cachoeira, a quem André Luiz pretensamente queria subornar para evitar a inclusão do nome do bicheiro no relatório final de outra CPI, a da Loterj (estatal fluminense de loterias), na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Na casa de Tatto, a defesa da liberdade de imprensa foi o bastião dos peemedebistas. Do lado do PT, além do anfitrião e de Dr. Rosinha, estavam os deputados Odair Cunha (MG), relator da comissão, e Emiliano José (BA) e o senador José Pimentel (CE). Por mais de uma hora, os petistas revezaram-se na argumentação baseada tanto no documento preparado pelos técnicos da comissão quanto na reportagem de CartaCapital. Pouco adiantou. O PMDB não tinha ido negociar, apenas reforçar a orientação de Temer e Alves.
Sem o PMDB, o PT jamais conseguirá convocar Policarpo Jr. ou qualquer outro figurão da mídia nacional, embora se trate de um partido da base governista e tenha o vice-presidente nos quadros do governo Dilma Rousseff. A posição de Temer sobre o assunto é mais do que conhecida, embora as razões ainda sejam obscuras. Há três meses, ele se reuniu separadamente em jantares no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice em Brasília, com Fábio Barbosa, presidente da Editora Abril e braço direito do dono da empresa, Roberto Civita, e com João Roberto Marinho, vice-presidente das Organizações Globo. A ambos prometeu que o PMDB iria barrar a convocação de jornalistas.
No caso de Alves, há uma razão empresarial e outra política para o parlamentar potiguar se curvar aos interesses do baronato da mídia. A família Alves é dona do Grupo Cabugi, que detém os direitos de retransmissão da TV Globo no Rio Grande do Norte. Além disso, Alves pretende ser o próximo presidente da Câmara, o que dificilmente conseguirá, se virar alvo de uma campanha na mídia, Veja à frente.
Causa estranheza, contudo, o grau de submissão dos integrantes do PMDB na CPI do Cachoeira aos interesses pessoais dos caciques do partido. Embora tenham cautela de não se pronunciar em público a respeito, é certo que a maioria é a favor da convocação de Policarpo Jr. A tese do atentado à liberdade de imprensa, de tão risível, nem sequer é considerada seriamente pelo grupo, que só tem coragem de sustentá-la em reuniões fechadas, ainda assim com a ressalva de seguirem a orientação do partido.
A oposição – DEM, PSDB e PPS – trabalha em absoluta sintonia com os interesses da Editora Abril, e mesmo entre os governistas o assunto é tabu. A principal voz a se levantar contra a ida de Policarpo à CPI, aliás, vem da base.
Em tom alarmista, o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) tem alertado a quem quiser ouvir do perigo de o Brasil se transformar em um Estado policial caso o diretor da revista seja obrigado a explicar por que recebia encomendas e fazia pedidos ao bicheiro. “A intimidação, a coação, poderá ir ao plano estadual, ao plano municipal”, desesperou-se o deputado.
Teixeira equivoca-se. Como se pode comprovar na investigação no Reino Unido das malfeitorias cometidas por jornalistas do grupo de comunicação do magnata Rupert Murdoch, o que realmente ameaça a liberdade de imprensa e a democracia é a união entre jornalismo e bandidagem.
Irritado, o líder do PT argumentou que a ida de Policarpo Jr. à CPI em nada ameaçava a mídia livre. “Trata-se de convocar um senhor que começa a envergonhar a categoria dos jornalistas”, disse Tatto. Frustrado por nem poder colocar em pauta a convocação do jornalista, Dr. Rosinha desabafou: “Criou-se uma casta de intocáveis na CPI. Podemos convocar deputados e governadores, mas não jornalistas envolvidos com o crime organizado”.
Sobre o assunto, a velha mídia tratou em notinhas esparsas. Andou mais preocupada com os humores do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, cujo nome apareceu na lista do mensalão tucano, em Minas Gerais, como beneficiário de 150 mil reais. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, Mendes pediu à Procuradoria-Geral da República para abrir inquérito contra CartaCapital, autora da denúncia.
O ministro não nega ter recebido o dinheiro, mas o fato de que, na época, em 1998, fosse advogado-geral da União. Na lista, a referência a Mendes aparece ao lado da sigla AGU, provavelmente por ele trabalhar na Subchefia de Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência, órgão ligado à Advocacia-Geral. Não se sabe por que o ministro decidiu usar o Ministério Público para lhe advogar de graça, numa causa privada.
Leandro Fortes
No CartaCapital
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Ordens variadas

Com o vale-tudo, não se sabe o que sucederá amanhã no STF ao pedido de condenação já apresentado pelo relator
Ainda que não pareçam, até por não terem precedente, são palavras do presidente do Supremo Tribunal Federal: "Cada ministro adotará a metodologia de voto que considera cabível".
Ou seja, vota caso a caso, a cada réu do mensalão examinado pelo relator, ou por blocos de personagens, ou por blocos de envolvimentos assemelhados, ou vota considerando o todo. Inovação brasileira: a solução de mais um desentendimento de magistrados pela criação do populismo judicial.
Mas o Supremo tem um regimento que determina o sistema de votação. E não oferece o "faça o que quiser" como exemplo de desordem a ser dado pelos guardiães da ordem jurídica, ou seja, das normas. Com o vale-tudo, ninguém sabe o que sucederá amanhã, no Supremo, ao primeiro pedido de condenação, já apresentado pelo relator Joaquim Barbosa.
Acusado de receber R$ 50 mil provenientes de Marcos Valério e de usar verba da Câmara em proveito próprio, o deputado João Paulo Cunha poderá ver-se condenado ou (resultado improvável) absolvido amanhã mesmo, como poderá depender do pinga-pinga de votos até um dia incerto.
E, por falar nisso, também não se sabe se as sentenças serão propostas com cada voto ou só virão em outro dia incerto, chocando-se umas com as outras, lá no final do julgamento.
2- A atual disposição de lugares na arena do Supremo situa lado a lado Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes. Combustível junto de fogo. Duas cabeças com peculiares sensos de convívio, de modos e de liberdade de opinião. Aguardam-se bons espetáculos. Não percam. O Brasil ganhou três medalhas de judô e duas de boxe em Londres.
3- Admitir que a acusação ao criador do WikiLeaks, Julian Assange, de violentar duas mulheres na Suécia possa ser armação é, para muitos sábios do jornalismo brasileiro, praticar a "teoria da conspiração". Mas logo na Suécia é que Assange precisou violentar mulheres? E depois de comprometer os Estados Unidos em graves denúncias. Então, pratiquemos a teoria - não pela última vez.
À falta de qualquer reação ao levante para derrubar João Goulart, todos, inclusive os golpistas, se perguntavam onde estava o "dispositivo militar do Jango", a máquina imbatível em que os janguistas em geral, e sobretudo os comunistas, depositavam confiança absoluta. Nem do comandante do "dispositivo", general Assis Brasil, havia notícia.
Assis Brasil foi militar sóbrio, de vida pessoal bem ordenada - até chegar a Brasília para montar o "dispositivo militar". Não demorou que lhe faltassem tempo e cabeça, e talvez energia física, para ocupar-se de sua missão.
O dispositivo feminino mobilizado por empresários golpistas batia qualquer concurso de misses. No dia do golpe, como ocorria há meses, o chefe do "dispositivo militar do Jango" estava sobrecarregado de uísque, a que aderira, e não o usufruía sozinho.
Uns dez anos depois, o grupo do general Geisel tinha, cedo ainda, um candidato em potencial para a sua sucessão. Discreto, com certas qualidades intelectuais (o pai foi célebre como político e como escritor), adepto do retorno progressivo ao Estado de Direito, sem inimigos.
No caso, um grupo de militares e o SNI substituíram os empresários. A vida do general em questão não precisou alterar-se em mais que um ponto: o suficiente para muitas fotos no apartamento que passara a frequentar em Brasília, dia a dia. A candidatura e o futuro do general foram esvaziados para sempre.
Julian Assange fez o maior e melhor trabalho jornalístico desde o Watergate. E foi com documentos da prepotência dos Estados Unidos.
Janio de Freitas
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Tônia

Quem entrasse na sala da nossa casa naquele momento não acreditaria no que via. Ali estava a Tônia Carrero, atriz de cinema, teatro e televisão, uma das mulheres mais admiradas do Brasil pelo talento e a beleza, de quatro sobre o tapete demonstrando um exercício para a coluna que recomendava a todos.
Nada representava melhor o que era a Tônia do que aquela cena: sua informalidade, seu cuidado com o próprio corpo e sua preocupação com os amigos — mesmo que nenhum amigo sequer tentasse imitar sua ginástica.
A Tônia nunca deixava de nos visitar quando passava por Porto Alegre. Às vezes se hospedava conosco, e sua chegada era sempre uma festa. No mesmo dia em que ficara de quatro para nos animar a fazer exercícios ela passara um bom tempo dando uma aula de maquiagem à cozinheira.
Talvez nenhuma outra grande atriz brasileira tenha se destacado como Tônia tanto pela beleza quanto pelo currículo artístico.
A beleza de Tônia era fulgurante e a sua longa carreira teatral incluiu comédias antológicas e clássicos e dramas importantes que ela abrilhantou com sua versatilidade e aquela voz inesquecível. Decididamente, não é apenas um rosto bonito.
Tônia Carrero, a Mariinha como a chamam os amigos, está fazendo 90 anos.
Olha aí, Mariinha: o meu abraço inclui os de todo o mundo aqui em casa. Inclusive dos que já se foram.
ENFADO
“Enfadonho” é uma grande palavra. Nada descreve melhor uma coisa assim, assim... Enfim, enfadonha — do que a palavra “enfadonha”. Se você disser que alguém é enfadonho está descrevendo-o com exatidão. Enfadonho não é exatamente chato, tedioso, cansativo. Enfadonho é enfadonho, a palavra está dizendo.
Por exemplo: o enorme voto do relator no julgamento do mensalão foi enfadonho — e ominoso, outra boa palavra. Pelo seu tamanho, o voto do relator já estava pronto e as defesas não fizeram a menor diferença no seu conteúdo.
Os votos dos outros ministros não serão tão grandes, mas presumivelmente já estavam prontos antes das defesas. Os advogados de defesa não só disseram o óbvio — ninguém sabia de nada, o dinheiro era para caixas 2, etc — como falaram em vão.
A não ser que dê alguma briga de soco entre os ministros — “Data vênia: paft!” — será tudo muito enfadonho até o final.
Luís Fernando Veríssimo
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