17 de ago de 2012

A suspeita de assassinato de Anísio Teixeira

Brasília – A Comissão de Memória e Verdade da Universidade de Brasília (UnB) investigará a suspeita que o ex-reitor da Universidade de Brasília (UnB), Anísio Teixeira, foi assassinado em março de 1971, por agentes do Estado, após ser sequestrado e levado para uma unidade da Aeronáutica, quando se dirigia à casa do filólogo Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, em Botafogo, no Rio de Janeiro, conforme informou hoje a Agência Brasil.
Segundo a nova versão, Anísio sofreu tortura e foi encontrado com vários ossos quebrados e traumatismo na cabeça e no ombro, devido a pancadas com objeto de forma cilíndrica, possivelmente feito de madeira. Na época, o Jornal do Brasil em 15 de março de 1971 (Leia reportagem sobre a morte do educador publicada no JB)  já levantava a possibilidade de um crime ao informar que "a 10a. Delegaica Policial registrou o caso como suspeita de homicídio, mas, até as últimas horas da noite de ontem, não se sabia se tratava de homicídio ou acidente".
No final de semana seguinte, a revista Veja, em sua edição 133 com data de capa de 24 de março de 1971, também registrava a suspeita sobre a causa morte do professor. Ela, depois de afirmar que a primeira hipótese levantada foi a do acidente, expôs: "Sem descartar de vez essa hipótese, os policiais começam, entretanto, a examinar alguns dados  que permitem acreditar na possibilidade de morte criminosa. Entre eles, a posição em que o corpo foi encontrado (de cócoras, com a cabeça sobre os joelhos e as mãos parecendo segurar as pernas), inédita em acidente do gênero".
A versão do assassinato, segundo a reportagem da Agência Brasil, é admitida pela família do ex-reitor. Ela veio a público na semana passada, em Brasília, no momento de instalação da comissão de memória e verdade da UnB.
Durante a cerimônia, João Augusto de Lima Rocha, professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e biógrafo de Anísio Teixeira, anunciou que tinha conhecimento do assassinato conforme lhe confidenciara, em relatos diferentes, o ex-governador da Bahia Luís Viana Filho (1967-1971) e o professor e crítico literário Afrânio Coutinho.
Anísio Teixeira teria sofrido tortura de acordo com a nova versão apresentada
Anísio Teixeira teria sofrido tortura de acordo
 com a nova versão apresentada
“Essa suspeita perdura até hoje entre os familiares. Nunca se soube uma situação que objetivamente negasse isso. Muito pelo contrário, ficaram sempre situações não esclarecidas. Então, não nos surpreendeu [a revelação do professor João Augusto] porque, vez por outra, já tinham sido levantadas que se processaria alguma coisa no sentido de investigar isso”, confirmou à Agência Brasil, o médico psiquiatra Carlos Antônio Teixeira, terceiro filho de Anísio Teixeira.
Segundo a versão oficial, o ex-reitor morreu após cair acidentalmente no poço do elevador de serviço do prédio onde morava Aurélio Buarque. Conforme Carlos Antônio, a família sempre desconfiou da versão, mas temia buscar investigação aprofundada. “Nós, na verdade, não víamos clima e nem maior mobilização para isso. Por isso, nos mantivemos distantes. Na época, tentamos clarear os fatos, mas as coisas tomaram o caminho de querer culpar o mordomo, aí desistimos de prosseguir”, disse, ao salientar que a família “sempre se dispôs” à qualquer iniciativa de investigação apesar de nunca ter tomado a frente. “A família tinha medo de sofrer retaliações”, complementa o professor João Augusto.
A suspeita sobre as circunstâncias da morte de Anísio Teixeira será investigada pela Comissão de Memória e Verdade da UnB, que por coincidência tem o nome do ex-reitor, em uma homenagem a ele. A informação é do historiador da UnB José Otávio Nogueira Guimarães, coordenador de investigação da comissão. “Anísio Teixeira era alguém que incomodava. Ele foi cassado [depois do golpe militar de 1964], mas não tinha posições de esquerda explícita. Tinha, porém, projetos e uma forma de pensar que certamente não agradava o regime”, avalia o historiador.
Conforme o professor João Augusto, quem primeiro confidenciou a versão de assassinato foi Luís Viana Filho, que a época (dezembro de 1988) escrevia o livro Anísio Teixeira: a Polêmica da Educação (Editora Unesp). Viana, que apoiou o golpe e era próximo do marechal Castello Branco (primeiro presidente militar), “teve informação de que Anísio não tinha morrido, estava detido em instalações da Aeronáutica no Rio.”
O segundo depoimento foi de Afrânio Coutinho (março de 1989) na casa e na presença de James Amado (irmão de Jorge Amado) e da sua esposa Luiza Ramos (filha de Graciliano Ramos). “Ele me disse que presenciou a necrópsia de Anísio Teixeira. Pelos ossos que estavam quebrados de Anísio, ele não admitia que tenha sido queda. Quase todos os ossos estavam quebrados. A versão era de que ele foi sequestrado no caminho [à casa de Aurélio Buarque] e submetido à tortura”. Conforme o relato de Afrânio, “Anísio também disse a ele que estava recebendo telefonemas com ameaças.”
Carlos Antônio Teixeira acrescenta que no momento do suposto sequestro, Anísio tinha em sua pasta um texto do Partido Comunista Brasileiro, o Partidão (que estava na clandestinidade, mas era contra a guerrilha). O texto, que desapareceu, foi dado ao ex-reitor pelo próprio filho – ele, sim, militante do PCB. “Era um documento crítico. Falava da ditadura, não falava das pessoas, mas das perspectivas próximas e imediatas”, descreveu Carlos Antônio à Agência Brasil. De acordo com ele, o pai “achou o texto lúcido e por causa da clandestinidade do Partidão não se afastava fisicamente do documento.” A pasta e outros documentos de Anísio Teixeira foram devolvidos à família.
Além de Afrânio Coutinho, a necropsia de Anísio Teixeira foi testemunhada pelos médicos e amigos do ex-reitor: Diolindo Couto (neurologista), Domingos de Paola (professor titular de anatomia patológica) e Francisco Duarte Guimarães (anatomopatologista do do Hospital dos Servidores). Todos os três médicos, assim como Afrânio Coutinho e Luís Viana Filho, já estão mortos.
A Comissão de Memória e Verdade da UnB deverá fazer a primeira reunião de trabalho na próxima semana e terá acesso ao acervo do Arquivo Nacional, entre outros, além de ser apoiada pela Comissão da Verdade do governo federal, a quem deverá encaminhar o relatório final.
Procurado pela Agência Brasil, o Ministério da Defesa informou que não irá se manifestar sobre o assunto e que o caso deve ser tratado no âmbito da Comissão da Verdade.
No JB
Leia Mais ►

Vale Tudo

Concluída a fase inicial do julgamento do “mensalão”, os nervos das oposições andam à flor da pele. Com os votos dos ministros do Supremo, o resultado da luta que enpreendem há anos será em breve conhecido.
Estão, naturalmente, ansiosas. Terá valido a pena colocar tantas fichas nessa aposta? Será que desperdiçaram a munição? Conseguirão atingir os adversários com a intensidade desejada?
Pensando bem, não são as oposições inteiras que vivem, por esse motivo, dias tensos. Parte delas está preocupada com outras coisas.
A absurda coincidência do julgamento com as eleições municipais, que decorreu da pressão por uma “decisão rápida” (de um processo iniciado há sete anos e que podia ter sido antecipado ou postergado para que não atrapalhasse o eleitor na hora de votar), fez com que os partidos e as liderançaas políticas oposicionistas tivessem, na reta final, menos tempo para dedicar à questão.
Ao contrário do que prematuramente festejaram alguns comentaristas, o panorama eleitoral não é tranquilizador para elas. Hoje, nas principais cidades do País, os líderes de PSDB e DEM têm de suar a camisa para eleger seus indicados.
Veja-se São Paulo, onde míngua José Serra, ultrapassado por Celso Russomano e ameaçado de sem sequer ir para o segundo turno. Os tucanos paulistas têm preoucpações de sobra e disponibilidade de menos para se empenhar no julgamento.
O mesmo vale em Belo Horizonte, onde a eleição certa do candidato que os tucanos apoiam tornou-se incerta. O PSDB mineiro não quer – e acha que não pode – sofrer uma derrota na capital. Sem falar nos projetos de altíssimo risco em que se envolveram algumas lideranças regionais, mesmo em estados onde o PSDB já foi grande, como Rio de Janeiro, Ceará e Pernambuco. Nas três capitais, elas mal terão tempo para respirar até outubro, se quiserem que o partido tenha um desempenho minimamente significativo e se qualifique para as próximas eleições para a Câmara dos Deputados e assembleias.
Com a aoposição partidária tendo de se concentrar em sua própria sobrevivência, é apenas a armada midiática que briga em Brasília. O verdadeiro rosto da oposição na batalha do “mensalão” é o da “grande mídia”.
O terreno em que pisa é sabidamente frágil: sua luta contra o “lulopetismo”se sustenta na denúncia do procurador-geral da República e na escassa base de provas que conseguiu juntar. Ou o Supremo revela suas imperfeições e fantasias ou tudo desmorona.
Se a acusação política mais relevante de nossa história, contra Fernando Collor, foi rejeitada pelo Supremo por uma falha grave da denúncia (que não conseguiu indicar qualquer ato de ofício por ele praticado que configurasse crime), o que dizer desta do mensalão?
Que não é capaz de confirmar que houve pagamentos regulares a quem quer que seja nem de apontar para que seriam feitos? Que gastou imenso tempo e dinheiro dos contribuintes para dizer que havia um “esquema” de compra de “apoio político” no Congresso em troca de “mesadas”a parlamentares e que não conseguiu demonstrá-lo?
Mas quem não tem cão caça com gato. Antes isso do que nada, devem ter pensado os “antilulopetistas”nas redações.
No fundo, eles têm razão.
Não são muitas as oportunidades disponíveis para os setores da opinião pública que não querem a permanência no poder da aliança que o PT comanda desde 2003. As poucas que existem precisam ser aproveitadas, por menores que sejam.
Somando os acertos de Lula e do PT com os erros das oposições, a duração do que parecia breve mudou. Os quatro anos iniciais do ex-presidente viraram 8.
Aí o inesperado: Dilma. Para quem achava que “de quatro anos não passarão”, vieram os 8 e depois os 12.
E agora? Com Dilma fazendo 60% e Lula 70% nas pesquisas para 2014, que cenário resta para as oposições? Preparar-se para 2018? E se, até lá, um dos dois se reapresentar? Deslocar sua expectativa para 2022?
Para evitar o que não querem, a oposição na mídia e os setores da sociedade que ela representa fazem o que podem. Vale tudo: cobertura tendenciosa, falar de algumas coisas e esconder outras, pesquisas descutíveis, ressuscitar personagens histriônicos (como Roberto Jefferson), para ouvir sua “análise”, inventar acusações malucas de última hora.
A denúncia da Procuradoria-Geral pode ser fraca, mas é a que existe. Adequadamente vitaminada, quem sabe não fica em pé?
A contabilidade foi feita: nas quatro semanas até 13 de agosto, 65 mil textos foram publicados na imprensa sobre o “mensalão”. No principal telejornal do maior conglomerado de comunicação do País, para cada 10 segundos de cobertura neutra houve cerca de 1,5 min negativos.
Até agora, o Supremo ouviu. Tomara que, quando falar, mostre que não faz parte desse jogo.
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
No Esquerdopata
Leia Mais ►

Presidente do Flamengo comete gafe ao "curtir" "elogio" de torcedor do Fluminense

A presidente Patrícia Amorim é alvo de inúmeras criticas dentro do Flamengo. Deixou o clube em meio a uma grande crise para acompanhar alguns atletas em Londres, entre eles Cesar Cielo. E durante uma partida de vôlei de praia nos Jogos Olímpicos, havia uma placa pedindo a saída da presidente.
Quando retornou ao Brasil, o Flamengo venceu duas partidas e a presidente esperava dias melhores. Até recebeu um elogiou no Twitter e fez questão de retweetar o comentário: "#FicaPatriciaAmorim. Você está fazendo um maravilhoso trabalho no Mengão!". No entanto, o usuário usa o nome: "diguinho22FLU" e o elogio não passava de uma ironia do rival.
No Terra Brasilis
Leia Mais ►

É comovente como Serra e Alckmin parecem confortáveis andando de metrô

O candidato do PSDB à Prefeitura de SP, José Serra, e o governardor Geraldo Alckmin (esq.) em trem da CPTM
@idevasco no Twitter
No Maria da Penha Neles!
Leia Mais ►

Serra prefere helicóptero porque no trem ouve protesto: “vem na hora da muvuca!”

serra no trem

Serra viaja de trem em São Paulo
(Foto: Luiz Cláudio Barbosa/Futura Press)
Embora tenha convidado o governador Geraldo Alckmin e o senador Aloísio Nunes, ambos do PSDB, para acompanhá-lo em uma viagem de trem e metrô, o candidato tucano à Prefeitura de São Paulo, José Serra, não escapou dos protestos durante o percurso que fez entre as estações Berrine e Faria Lima.
Vestidos exatamente iguais (blazer e camisa azul sem gravata e calça cinza), Serra e Alckmin chegaram juntos à estação Berrine, às 13h. Eles andavam pela plataforma vazia enquanto Alckmin explicava para Serra como funcionam as linhas. Quando o trem finalmente estacionou e os dois embarcaram, as chuvas de críticas começaram. Do fundo do vagão veio o primeiro protesto:
 Serra, vem na hora da muvuca!
Outro logo emendou:
 Vem às 5h da manhã! Você veio na hora errada!
Irritado, o coordenador da campanha do tucano, Orlando Morando, gritou de volta:
 Os trens são novos!
Mas precisou ficar quieto depois da resposta:
 Isso é obrigação de vocês!
Enquanto Serra demonstrava certa tensão, Alckmin contava uma piada para descontrair. Ele dizia que, quando se candidatou ao governo do Estado, acabou fotografado sentado em um dos bancos do trem.
 Depois da foto, alguém gritou pra mim: "sai logo daí que esse banco é dos deficientes!".
Ao chegar na estação, uma passageira alertou para o vão entre o trem e a plataforma. Serra, surpreso, perguntou:
 Tem vão aí?
Serra e Alckmin andavam pelas escadas rolantes ouvindo outras provocações dos passageiros. Um deles gritou de longe:
 Aí, Serra, não tem trem de domingo!
Outro tocou em assunto ainda mais delicado:
 Serra, se você ganhar, vai ficar até o final do mandato?
O tucano confirmou com a cabeça afirmativamente.
Ao embarcar no metrô, mais protestos. Um deles partiu da telefonista Catarina Gomes (55):
 Tem de pegar metrô às 6h da tarde!
Ao finalmente desembarcar na estação Faria Lima, Serra foi questionado pela imprensa sobre a sugestão de usar o metrô em horário de pico, mas Serra preferiu falar sobre outra coisa:
 Antes não existia essas linhas, praticamente. A linha nove era muito menos preparada para isso e a linha quatro não existia. No momento em que você instala, há uma demanda muito grande.
Sobre os protestos, ele também preferiu sair pela tangente:
— É natural que o pessoal queira mais metrô apesar de toda a expansão que já houve.

No Maria da Penha Neles!
Leia Mais ►

O que o governo do Equador ganha com asilo a Assange

Para analistas, razões de Correa para tomar decisão não se limitam a interesse de proteger direitos de Assange
Era a decisão que a maioria esperava, mas no Equador nem todos estão de acordo com ela.
O governo equatoriano disse que outorgou o asilo ao fundador do WikiLeaks, Julian Assange, porque compartilha de seu temor de ser vítima de perseguição política e das possíveis consequências de uma eventual extradição aos EUA.
“Existem sérios indícios de retaliação por parte do país ou dos países que produziram a informação divulgada por Assange, represálias que podem colocar em risco sua segurança, integridade e até sua vida”, disse o chanceler do Equador, Ricardo Patiño, ao anunciar a decisão.
“A evidência jurídica mostra claramente que em caso de extradição aos EUA Assange não teria um julgamento justo, poderia ser julgado por tribunais especiais ou militares, e não é inverossímil que receba tratamento cruel ou degradante e seja condenado a prisão perpétua ou à morte”, disse.
Um grande número de simpatizantes do fundador da WikiLeaks está convencido do mesmo.
E Assange sabia que poderia contar com o presidente equatoriano, Rafael Correa, entre esses simpatizantes muito antes de entrar na embaixada do Equador em Londres.

Discurso

Segundo o professor Santiago Basabe, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, porém, as razões de Correa para outorgar o asilo a Assange não se limitam ao declarado interesse em proteger seus direitos.
“É preciso entender que (o asilo) é simplesmente a culminação de um processo de negociação que data de muito tempo atrás”, disse à BBC Mundo.
“Há esse discurso de que Assange protegeu a liberdade de opinião, fortaleceu a liberdade de imprensa, de expressão”, disse.
“E o Equador, respeitoso como é – tudo segundo o discurso oficial – da liberdade de expressão e de imprensa, não faz mais do que refletir esse discurso na concessão de asilo.”
Basabe observa que isso tudo ocorre em um momento em que o Equador tem sido duramente questionado em vários foros internacionais, além dos locais, sobre “a forma como o governo compreende o que é democracia”.
Para o professor, a intenção original do governo era “limpar a cara, como se diz popularmente, no campo internacional”.
No entanto, no Equador nem todos estão convencidos de que a imagem internacional do país será beneficiada com o episódio.
Os meios privados e boa parte dos analistas e “formadores de opinião” – tradicionalmente opositores de Correa – advertiram que o país tem muito pouco a ganhar.
Citam como exemplo o fato de o Equador estar tentando concretizar um acordo comercial com a União Europeia. Muitos creem que uma briga com a Grã-Bretanha e a Suécia não vai ajudar.

Oposição

Fica claro, de qualquer maneira, que a oposição vai tentar utilizar o caso Assange contra Correa, que aposta na reeleição em fevereiro de 2013.
O ex-presidente equatoriano Lucio Gutiérrez, por exemplo, chegou a sugerir que a intenção real de Correa é utilizar as habilidades de hacker de Assange para roubar as eleições.
Segundo Basabe, porém, Correa não tem necessidade de recorrer a estratégias do gênero para permanecer no poder.

Poucos acreditam que Julian Assange conseguirá chegar ao Equador

“As possibilidades de que Correa perca as eleições de fevereiro são bastante baixas”, disse, acrescentando que em qualquer caso são muitos os equatorianos que respaldam a petição de asilo de Assange.
E a possibilidade de entrada das autoridades britânicas na embaixada do Equador em Londres para capturar Assange, como advertiu Patiño na última quarta-feira, seguramente ajudará a unir os simpatizantes de Correa e fortalecerá seu discurso nacionalista e anti-imperialista.
“Esta é uma decisão de um Estado soberano, que não pede permissão aos britânicos para reagir”, afirmou Rosana Alvarado, deputada da Assembleia Nacional, pertencente ao partido oficialista Aliança País.
“Espero que haja unidade do povo equatoriano para rejeitar qualquer forma de colonialismo”, assinalou Paco Velasco, também da Aliança País.
O verdadeiro nível das repercussões da decisão equatoriana dependerá em grande parte da reação dos governos da Grã-Bretanha e da Suécia e – obviamente – dos EUA.
Além disso, depois de tudo, poucos acreditam que o fundador do WikiLeaks conseguirá chegar ao país.
Leia Mais ►

Já Era do Serra 4

Leia Mais ►

Envio de publicidade pelo celular

Os usuários de telefonia móvel receberão, no aparelho celular, uma mensagem de texto (SMS) por meio da qual poderão manifestar sua intenção de não mais receber mensagens de cunho publicitário de sua respectiva operadora.
A mensagem de texto deve ser enviada entre 20 de julho e 20 de setembro de 2012 a todos os usuários do serviço móvel que contam na base de opt-in, com o seguinte teor:
"Por determinação da Anatel, caso não queira receber mensagem publicitária desta Prestadora, envie SMS gratuito com a palavra SAIR para XXXXX".
Em regra, a mensagem publicitária só pode ser enviada aos usuários que optaram previamente pelo seu recebimento. Tal aceite é conhecido como opt-in.
O objetivo da medida é corrigir a base de opt-in das prestadoras, cujos contratos e regulamentos de promoção traziam cláusula com obrigatoriedade de recebimento de mensagens publicitárias pelo usuário, ou seja, sem conceder ao usuário o direito de opção.
Caso não queira mais receber mensagens publicitárias, o usuário deve responder o SMS para o número atribuído pela prestadora. Ao enviar a mensagem para esse número, ele receberá novo SMS:
"Mensagem recebida com sucesso. A partir de agora você não receberá mais mensagens publicitárias desta Prestadora".
As prestadoras devem ainda destinar espaço visível em sua página na internet com informações a respeito da medida de correção da base de opt-in.
A Anatel também determinou às prestadoras que incluam em seus contratos uma cláusula em que o usuário assinale se deseja ou não receber mensagens publicitárias, além da anulação de qualquer disposição em contrário contida em regulamentos de promoção.
Leia Mais ►

O que esperar dos vereadores

Claudius
No dia 7 de outubro serão eleitos cerca de 70 mil vereadores em todo o Brasil, 18,8 mil a mais que na última eleição, em 2008. Isso se deve basicamente ao aumento da população e a uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que resolveu elevar para nove o número de vereadores nos municípios com até 15 mil habitantes.
São 437.924 candidatos a vereador registrados no TSE este ano, número 25% maior que em 2008. Se cada candidato conseguir mobilizar pelo menos cinco pessoas para ajudá-lo, teremos mais de 2 milhões de militantes ativos nesta campanha eleitoral para eleger vereadores. Isso sem contar a mobilização social para a eleição dos prefeitos.
Esse número maior de vereadores quer dizer que a democracia se ampliou em nosso país? Temos mais parlamentares com a atribuição legal de fiscalizar o Executivo e de propor leis que, em princípio, devem defender o interesse público, buscar a melhoria da qualidade de vida dos munícipes, propor políticas públicas para assegurar direitos a todos os cidadãos. Mas, mesmo com mais parlamentares, ainda é difícil responder a essa pergunta.
Importa também avaliar quanto esses vereadores têm se mostrado efetivos no exercício do que as leis prescrevem como atribuições de seu mandato: as medidas de fiscalização do Executivo que propõem; os projetos de lei que apresentam; como participam da discussão e aprovação do orçamento público municipal, dos planos plurianuais.
O perfil dos vereadores eleitos nas legislaturas anteriores mostra um predomínio masculino − cerca de 88% são homens − e um grau de escolaridade que retrata o mundo das desigualdades em nosso país. Dos vereadores eleitos em 2004, por exemplo, quase a metade (48%) só tem o ensino fundamental completo e 77% têm o ensino médio completo.
Esses vereadores precisam se haver com os regimentos internos das câmaras municipais, com as formalidades e procedimentos da atuação legislativa, com o desafio de promover a fiscalização do Executivo, que por sua vez não apresenta transparência em seus processos e decisões e normalmente resiste a qualquer tipo de fiscalização.
É muito comum que as ofensivas das prefeituras para assegurar a maioria nas câmaras municipais, elemento importante da governabilidade, encontrem esses vereadores dispostos a negociar seu apoio, seja em troca de benfeitorias nas regiões que concentram seu eleitorado, seja em benefício próprio. É o velho clientelismo, que combina com a perpetuação das elites no poder. Os partidos políticos contam pouco nessa esfera municipal e, na verdade, pouco se diferenciam uns dos outros. E assim se formam maiorias nas câmaras municipais, seduzidas pelos executivos, que relegam suas funções atribuídas pela Constituição e pelas leis orgânicas municipais e passam a integrar a base de apoio do governo. Um governo, na grande maioria dos casos, que governa para poucos. Os vereadores que se mantêm independentes e críticos ficam confinados a uma atuação de minorias, com pouca capacidade para mudar procedimentos e essa lógica de balcão, a face visível da defesa de interesses privados.
Há uma combinação perversa que articula a precária formação da maioria dos vereadores com a ausência de projetos partidários para atender ao interesse público na sua cidade. Para não ser injusto com algumas importantes iniciativas, vamos dizer que essa é a realidade da grande maioria das cidades. Elas continuam gerando desigualdade, pobreza e exclusão. E os governos ou não querem, ou não podem mudar essa lógica.
Essas minorias que resistiram e se mantêm comprometidas com a defesa do interesse público são o que há de melhor nas câmaras municipais. É com elas que as entidades e os movimentos da sociedade civil que integram um campo político popular e democrático precisam se articular, dar força a esses mandatos e utilizá-los como canal de expressão política das demandas sociais e das pressões pela participação popular na gestão pública.
As câmaras municipais são um espaço de disputa de poder. Elas aprovam o orçamento municipal, definem políticas. A mudança no zoneamento urbano cria incríveis oportunidades de negócios para o mercado imobiliário, por exemplo. Mas algumas câmaras também aprovaram as Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis), que definem favelas que, por projeto de lei, se tornam prioritárias para o investimento público.
Muitos dos problemas das cidades podem ser resolvidos se houver uma pressão efetiva por parte das entidades da sociedade civil que se organizam na defesa de direitos. É assim, tradicionalmente, que as políticas mudam: por pressão. Mas é preciso ter, dentro do parlamento, bancadas de parlamentares comprometidas com as demandas sociais e com os movimentos de pressão por mudanças. É aí que cresce a importância do vereador, que passa a ser um verdadeiro representante do interesse público e dos agentes de transformação social.
Silvio Caccia Bava
Diretor e editor-chefe do Le Monde Diplomatique Brasil
Leia Mais ►

As perguntas não respondidas sobre o ‘mensalão’

Passada a fase da defesa dos réus, os ministros do Supremo Tribunal Federal começaram nesta quinta-feira 16 a expor seus votos sobre o chamado “mensalão”. Durante a primeira etapa do julgamento, os advogados tentaram explorar as contradições expostas na denúncia da Procuradoria Geral da República – parte dela baseada no relatório da CPI dos Correios, entregue em março de 2006. O relatório, que seria aprovado uma semana depois pelos integrantes da comissão, foi uma espécie de reconhecimento da tese do “mensalão” escancarada por Roberto Jefferson. Desde então, muitas perguntas ainda faltam ser respondidas, como mostrou uma reportagem publicada assinada por Sergio Lirio na edição de número 387 de CartaCapital.
Como recordar é viver, republicamos no site a matéria de 5 de abril de 2006, que já apontava todas as brechas no documento legado pelo relator da CPI, Osmar Serraglio. Está agora nas mãos dos ministros do Supremo decidir quantas das perguntas listadas há mais de seis anos puderam ser respondidas por procuradores, advogados e réus. Confira:
PERGUNTAS AO RELATOR
O relator da CPI dos Correios, Osmar Serraglio.
Foto: Agência Brasil
O relatório do deputado Osmar Serraglio (PMDBPR) resistiu poucas horas. Enfático, mas vazio de provas, o trabalho desagradou a todo mundo. Na noite de 29 de março de 2006, parlamentares governistas e oposicionistas reuniram-se para achar pontos de acordo que não inviabilizem a aprovação do texto. O presidente da CPI dos Correios, senador Delcídio Amaral (PT-MS), disse que o prazo final para as sugestões termina na terça-feira, 4 de abril. CartaCapital relaciona algumas perguntas não respondidas por Serraglio.
ONDE ESTÃO AS PROVAS DO MENSALÃO?
O relatório de Serraglio chama de “farsa” o argumento de que as operações do PT com o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza serviram para esconder o caixa 2 nas eleições de 2004. O texto é categórico ao defender a existência do mensalão, mas, de forma contraditória, em nenhum momento afirma que tenha havido compra de votos para aprovação de projetos de interesse do governo.
O deputado culpa a falta de provas à CPI da Compra de Votos, criada, entre outros motivos, para apurar a existência do mensalão e que acabou sem produzir relatório final. E remete ao Ministério Público Federal a responsabilidade de confirmar se houve ou não pagamento regular a parlamentares.
Após 287 dias, o trabalho de Serraglio continua com as mesmas incongruências apresentadas nos textos parciais. Dos 19 deputados acusados de receber o mensalão, sete são filiados ao PT. Por que parlamentares petistas precisariam receber dinheiro para votar com o governo? Serraglio não esclarece. Outro citado, Roberto Brant, integra o PFL, legenda que mais faz oposição a Lula no Congresso. Sem os petistas e Brant, sobram 11 parlamentares da base governista. É possível ganhar uma votação na Câmara pagando a tão pouca gente? Outra dúvida: se o relator confirma o mensalão, por que os parlamentares serão indiciados apenas por crime eleitoral, que pune caixa 2?
POR QUE O EX-DEPUTADO JOSÉ BORBA NÃO FOI INDlCIADO?  
Nas vésperas da divulgação do relatório, circularam boatos de que 50 novos nomes seriam incluídos na lista de beneficiários do Valerioduto. A maioria seria do PMDB, partido do relator. Serraglio teria omitido a nova listagem por considerá-la inconfiável. O ex-líder do partido na Câmara, deputado José Borba, paranaense como Serraglio, nem sequer chegou a figurar entre os possíveis indiciados. Detalhe: Borba renunciou depois de a imprensa divulgar que ele recebeu cerca de 2 milhões de reais das contas de Marcos Valério.
QUANDO O ARGUMENTO DE EMPRÉSTIMO VALE?  
Segundo Serraglio, o PT e Marcos Valério inventaram os empréstimos de 55 milhões de reais para esconder os crimes cometidos. Quando se trata do argumento petista, o relator toma o correto cuidado de usar a palavra empréstimo entre aspas.
Eduardo Azeredo, hoje deputado, teve a campanha de 1998 abastecida com dinheiro público, segundo denúncia. Foto: Luiz Alves / Agência Câmara
Eduardo Azeredo: dois pesos e duas medidas?
Foto: Luiz Alves / Agência CâmaraAdd caption
A mesma cautela não é utilizada no caso do senador tucano Eduardo Azeredo. Ao relatar a situação de Azeredo, Serraglio usa empréstimos sem aspas.
Para relembrar. Azeredo foi candidato à reeleição ao governo de Minas Gerais em 1998. O então tesoureiro da campanha, Cláudio Mourão, admitiu em depoimento à CPI ter feito um caixa 2 de cerca de 12 milhões de reais. O dinheiro teria saído de empréstimos do Banco Rural avalizados por Marcos Valério. Mais tarde, um documento assinado por Mourão, cuja autenticidade foi confirmada por peritos da Polícia Federal, relaciona um caixa 2 de 92 milhões de reais na campanha tucana. Parte substancial dos recursos teria origem em contribuições ilegais de empresas estatais mineiras, entre elas a Cemig e a Copasa.
POR QUE NÃO HÁ REFERÊNCIAS AO CASO FUNDACENTRO?  
O Ministério Público Federal comprovou desvios de 5,8 milhões de reais nas verbas publicitárias da Fundacentro, ligada ao Ministério do Trabalho, controladas pela SMP&B. À época, Marcos Seabra de Abreu Rocha, funcionário do governo de Minas Gerais, era diretor financeiro da instituição. Segundo o MP, a maior parte dos desvios ocorreu em 1998, justamente no ano em que Azeredo concorreu à reeleição.
Por causa desses fatos, Azeredo pode ser considerado o “pai do Valerioduto”. Essa linha temporal parece, porém, não ter interessado ao relator. Na descrição do funcionamento do esquema, Serraglio omite o histórico relacionado à campanha tucana de 1998. Azeredo, cujo processo acabou arquivado no Conselho de Ética do Senado, deve ser indiciado por crime eleitoral, já prescrito.
É O MAIOR CASO DE CORRUPÇÃO DA HISTÓRIA?  
Se é, o relatório não conseguiu provar. Serraglio diz que as fontes do Valerioduto foram empresas estatais e privadas. O texto final não consegue, porém, ir além do que havia sido apresentado em novembro de 2005. Em nove meses, a CPI avançou muito pouco na definição das fontes que abasteceram o esquema. O principal trunfo do relator é o repasse de 12 milhões de reais, sem serviços comprovados, às agências de Marcos Valério pela Visanet, empresa da qual o Banco do Brasil detém 33%. Outra companhia citada é a Usiminas, que teria feito uma doação via caixa 2 à campanha do deputado pefelista Roberto Brant. Valor da contribuição: 125 mil reais.
O operador Marcos Valério.
Foto: Agência Brasil
Há omissões imperdoáveis. O relator esquece de detalhar o uso de verbas das operadoras Telemig Celular e Amazônia Celular. Técnicos da CPI identificaram movimentações de 122 milhões de reais da Telemig e de 36 milhões de reais da Amazônia para as agências DNA e SMP&B, mas o relatório deixa de informar se os pagamentos correspondem a serviços prestados. Quanto à Brasil Telecom, Serraglio esquece de citar os contratos de 50 milhões de reais fechados com Valério semanas antes de o ex-deputado Roberto Jefferson dar a primeira entrevista à Folha de S.Paulo. Isso leva à próxima pergunta.
POR QUE O BANQUEIRO DANIEL DANTAS NEM SEQUER FOI CITADO NO RELATÓRIO?
A informação prestada pelo gabinete do senador Delcídio Amaral (PT-MS) é de que a omissão foi um lapso do relator. Por meio de assessores, Amaral garantiu que a participação de Dantas na crise ficará explícita no texto final, a ser aprovado em meados de abril.
A omissão chama atenção porque as referências ao banco Opportunity permeiam todo o relatório. A Brasil Telecom, operadora de telefonia administrada por Dantas até outubro de 2005, aparece como uma das principais fontes do Valerioduto.
À CPI, Marcos Valério e Delúbio Soares afirmaram que o publicitário intermediou reuniões de petistas com representantes do banqueiro. Em janeiro deste ano, CartaCapital revelou que Humberto Braz, lobista do Opportunity em Brasília, encontrou-se diversas vezes com o publicitário e com emissários petistas em meados de 2004. Foi um período extremamente difícil para Daniel Dantas. Em junho, soube-se que o orelhudo havia contratado a Kroll para bisbilhotar a vida de desafetos e concorrentes. Em outubro, a Polícia Federal apreendeu documentos na sede do banco e na casa de Dantas. Por pouco, o banqueiro não foi preso.
Chamado a depor na comissão, o banqueiro falou por 19 horas. Disse ter sido perseguido tanto pelo governo Fernando Henrique Cardoso quanto pelo de Lula. Auditoria da nova diretoria da BrT mostrou que Daniel Dantas mentiu várias vezes no depoimento à CPI e que sua ingerência na BrT era maior do que afirmava. Carla Cico, expresidente da operadora de telefonia, aliada do banqueiro, esteve diante dos parlamentares por oito horas.
COMO EXPLICAR A VIAGEM DE MARCOS VALÉRIO A PORTUGAL?
Para provar que José Dirceu era o “chefe do esquema”, o ex-deputado Roberto Jefferson mencionou uma viagem de Marcos Valério a Lisboa. Segundo Jefferson, o publicitário, acompanhado do petebista Emerson Palmieri, teria ido achacar empresários portugueses. Serraglio manteve essa versão no relatório, mas evitou aprofundar o assunto.
José Dirceu durante o lançamento do seu livro "Tempos de Planície", em 2011 Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
O ex-ministro José Dirceu.
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
Em janeiro de 2005, Marcos Valério reuniu-se com o presidente da Portugal Telecom, Miguel Horta e Costa. Sabe-se que a Portugal Telecom queria comprar a Telemig Celular e que Dantas tentava uma maneira de convencer os fundos de pensão a aceitar o negócio, ruim para eles. Daniel Dantas contava com o apoio de integrantes do governo Lula para dobrar os diretores das fundações, em especial Sérgio Rosa, da Previ. O relator não se esforçou para tentar elucidar a principal questão: em troca de quê Miguel Horta e Costa aceitaria “doar” dinheiro ao PT e ao PTB?
O QUE FAZER COM O SUB-RELATÓRIO DE ACM NETO?
A criação da sub-relatoria de fundos de pensão foi uma reação da “bancada do orelhudo” no Congresso, a turma do PFL que desfruta do apoio e da amizade de Dantas. Quando aumentavam as evidências de que a disputa pelo controle da Brasil Telecom, Telemig Celular e Amazônia Celular estava na gênese da crise política, a bancada amiga arrumou uma forma de desviar o foco. O objetivo era descobrir se os maiores fundos, Previ, Petros e Funcef, em disputa com o Opportunity, financiaram o Valerioduto.
O trabalho de ACM Neto, apoiado por auditores da Ernst & Young, passa longe desse objetivo. A denúncia bombástica do deputado ficou menor. Depois que os auditores limparam o trabalho de vários erros grosseiros, os supostos prejuízos de 725 milhões de reais de 14 fundos viraram 300 milhões, a maior parte concentrada em pequenas instituições. A nova quantia continua passível de novos questionamentos.
Os alvos principais da investigação saíram ilesos. O sub-relator sugere que o Ministério Público aprofunde a investigação para descobrir possíveis irregularidades na Previ e na Petros, mas não pede o indiciamento de nenhum diretor das duas instituições.
O QUE O BANCO SANTOS, A PRECE E A GEAP TÊM A VER COM O MENSALÃO?
ACM Neto propôs o indiciamento do diretor-financeiro da Funcef, Demósthenes Marques, por conta de perda de 10 milhões de reais em aplicações no Banco Santos.
É uma sugestão curiosa. Nunca houve qualquer ilação de que as aplicações na falida instituição de Edemar Cid Ferreira tenham relação com o esquema de Marcos Valério. Além disso, o sub-relator acha importante citar o prejuízo da Funcef, mas ignora o prejuízo da fundação dos empregados do Banco do Estado do Ceará, que perdeu quase 8 milhões de reais no Banco Santos. O Ceará é administrado pelo tucano Lúcio Alcântara, ligado ao presidente do PSDB, Tasso Jereissati. Tucanos e pefelistas formarão uma chapa presidencial nas próximas eleições. O próprio Jereissati foi vítima da butique financeira de Cid Ferreira. Perdeu cerca de 2 milhões de reais.
Fosse a exclusão de fundos estaduais um critério, tudo bem. Mas não é. O sub-relator sugere o indiciamento de seis dirigentes da Prece, dos empregados da companhia de água e esgoto do Rio de Janeiro, e de dois da Geap, da fundação de seguridade social.
Ambos estão subordinados a Rosinha Garotinho, cujo marido sonha ser candidato à Presidência pelo PMDB. É até possível que as caixas de previdência tenham cometido irregularidades sem-fim. Só que, mais uma vez, é necessário perguntar: Por que investigar a Prece e o Geap? Qual a participação dos dois fundos estaduais no suposto pagamento de mensalão a deputados federais? Foi para engordar a soma dos prejuízos? O sub-relatório não responde.
QUEM FINANCIOU A CORRUPÇÃO?
O deputado ACM Neto esforçou-se para achar problemas, apesar de na parte principal do relatório do colega Serraglio não ter incluído os fundos entre os financiadores do Valerioduto. Mesmo sem chegar a qualquer conclusão, o sub-relatório dedica seis páginas ao acordo que obriga os fundos a comprar as ações do Citibank na Brasil Telecom, caso as partes não consigam realizar uma venda conjunta da empresa até o fim de 2007. Na falta de provas mais concretas, abusa da acrobacia verbal. Anota, por exemplo: “A influência político-partidária, na nomeação de diretores, não permite que se afastem as hipóteses de ingerência indevida nos interesses dos fundos de pensão. Operações atípicas como o contrato de Put das ações da Brasil Telecom, bem como o direcionamento, especialmente em 2004, na aquisição de créditos de instituições bancárias como o BMG e o Rural, e investimentos em empreendimentos como Umberto Primo e Costa do Sauípe”.
O neto de Antônio Carlos Magalhães “esqueceu”
os aliados no sub-relatório
Dito dessa maneira, parece que todos os negócios foram feitos pelos atuais dirigentes das fundações. O deputado omite que os investimentos da Previ no complexo hoteleiro Costa do Sauípe, na Bahia, são de 1999. Deixa de dizer também que a Fundação dos Empregados do Banco do Brasil contabiliza prejuízos de 900 milhões de reais, o triplo dos prejuízos de 14 fundos apontados em seu trabalho. Não há menção ao fato do avô, ACM, ter pressionado para que a Previ investisse em Sauípe, apesar de análises técnicas contrárias. Antonio Carlos Magalhães, defensor dos interesses baianos, afirmou, depois de CartaCapital revelar na edição 383 (de 8 de março de 2006) sua atuação no caso: “O investimento foi bom para a Bahia, mas se fosse diretor da Previ eu votaria contra”. Fica como sugestão de epígrafe para o subrelatório do neto.
Aprendiz da manha política da família, ACM Neto conseguiu arrancar elogios de jornalistas que tiveram acesso a seu relatório com antecedência. É assim mesmo. Parte considerável dos repórteres de Brasília abre mão do espírito crítico em troca de migalhas. Houve, por isso, quem na imprensa elogiasse a proposta do deputado de criação de uma agência para fiscalizar os fundos.
CartaCapital relembra episódio narrado na reportagem “A orelha desponta”, publicada na edição 353 (de 3 de agosto de 2005). Capitaneados por ACM e Jorge Bornhausen, a bancada do PFL no Senado derrubou a Medida Provisória que criava a Superintendência Nacional de Previdência Complementar, apelidada Previc. A intenção do governo era fortalecer a fiscalização dos fundos.
O primeiro parecer sob responsabilidade da Previc dizia respeito ao uso da Fundação 14, ligada à Brasil Telecom, no interesse de Dantas. À época, a fundação patrocinou ações judiciais contra os sócios do Opportunity na BrT. Procuradores da Previc entenderam que a liminar obtida pelo fundo não tinha valor. Decidiu, portanto, contra Daniel Dantas. E foi extinta por ação dos senadores pefelistas.
Leia Mais ►

Os modelos econômicos chineses

No próximo mês de outubro o 18º Congresso do Partido Comunista Chinês. Nele, serão eleitos sete dos nove membros que compõem o comitê permanente do Politburo - conforme explica Ricardo Bacelette no trabalho "Eleições na China em 2012: reflexos nas mudanças sócio econômicas", publicado na revista do IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas).

O fortalecimento das lideranças provinciais

Há dois órgãos de poder na China: o Comitê Permanente, composto por 25 membros; e o Politburo, com 9 membros. Em 1992, dos 25 membros do Comitê Central, 50% possuíam experiência em liderança provincial. Em 2007, 76,6%. Atualmente, dos 9 membros do Politburo, 8 exerceram liderança provincial.
Esse aumento de influência das províncias é reflexo das políticas adotadas pela China a partir de 1993. Os governos provinciais ganharam autonomia e, em meados da década de 1990 foi lançado o programa Grande Desenvolvimento Ocidental, destinado a desenvolver o oeste da China.
Hoje, na China, convivem dois modelos

O modelo globalizado

O modelo globalizado é representado pela província de Guandong e seu líder Wang Yan. É umbilicalmente ligada ao modelo global de produção, como "oficina do mundo".
Wang concedeu relativa liberdade à imprensa e tem estimulado a organização sindical. Em 2010 houve greve dos trabalhadores contra as multinacionais, que permitiu ganhos de salário de 30 a 40%. A greve foi apoiada por Wang.
Apesar do sucesso econômico, no plano social o modelo deixou a desejar.
Houve enorme avanço no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano).
Mas a concentração de renda aumentou de forma expressiva.
Em 1998, a renda dos 10% mais ricos era 7,3 vezes superior à dos 10% mais pobres. Em 2007 saltou para 23 vezes.
Parte dessa concentração se deve ao salário pago aos altos executivos: cerca de 128 vezes superior ao de um trabalho industrial médio, no caso das estatais; e ainda maior no caso das empresas privadas.

O modelo de desenvolvimento interno

O contraponto a Guandong é o modelo de Chongqing, liderado originalmente por Bo Xilai - e fruto da conquista do oeste empreendida nos anos 90.
Atualmente, Bo Xilai é carta fora do baralho depois de ter se envolvido em problemas de corrupção, ser deposto do cargo e expulso do PC.
Nos últimos anos superou a média nacional de crescimento de renda. Em 2008 cresceu 14,9% contra 9% de crescimento da China. Mesmo depois da eclosão da crise internacional, continuou crescendo a taxas de dois dígitos.
Xilai era o que se poderia denominar, por aqui, de político populista. Sua sensibilidade para com os problemas da população, no entanto, abriu espaço para uma experiência inédita. O modelo desenvolvido teve maior participação do investimento e consumo doméstico, fortes incentivos ao crédito das famílias e das empresas e políticas sociais expressivas.
Na China, as exportações equivalem a 32% do PIB; em Chongqing, a 7,6%. Em 2007, o investimento correspondeu a 62% do PIB, contra 42% da China.
Em 1998 o PIB per capita da província era de 4.684 yuans, contra 6.038 da média nacional. Em 2010 atingiu 27.366 yuans.
Apesar de Bo Xilai ser carta fora do jogo, o modelo de Chongqing conquistou adesões.
Luis Nassif
No Advivo
Leia Mais ►

Espelho embriagado

Colocado no banheiro de um famoso bar paulistano, esse espelho foi programado para mostrar os reflexos com um tanto de atraso, dando a impressão de que ele estava completamente embriagado. A ação fazia parte de uma campanha da OgilvyOne para a Allianz e tinha como intuito chamar a atenção para os perigos de dirigir depois de beber – afinal, o seu reflexo vai estar bem parecido com o do espelho, não é?

Nota: A ação foi feita em português, apenas o vídeocase é que é mostrado em inglês.
Leia Mais ►

Troca de nome do Engenhão mobiliza o futebol

Abaixo-assinado pede à prefeitura do Rio de Janeiro a troca do nome Estádio Olímpico João Havelange para Estádio João Saldanha
João Saldanha: jornalista e treinador de futebol - Reprodução 
Desde a divulgação, há um mês, do documento da Suprema Corte da Suíça que comprova que o ex-presidente da Fifa, João Havelange, e o então presidente da CBF, Ricardo Teixeira, receberam propina da empresa suíça de marketing esportivo ISL para facilitar a aquisição de direitos de transmissão de partidas, um novo movimento político ganha força no Rio de Janeiro. Consequência da denúncia de que Havelange teria recebido indevidamente 1,5 milhão de francos suíços, nasceu e já tem muitos adeptos a ideia de trocar o nome do Estádio Olímpico João Havelange – o popular Engenhão – para Estádio João Saldanha.
O movimento se iniciou quando o Núcleo de Estudos e Projetos de Esporte e Cidadania, colegiado que debate e elabora políticas para o esporte há quatro décadas, lançou um abaixo-assinado na internet para pedir à prefeitura do Rio de Janeiro a troca do nome do estádio, que é administrado pelo Botafogo em regime de concessão. Em pouco tempo, a mobilização em torno do nome de Saldanha ganhou a adesão de jornalistas, políticos, advogados e botafoguenses ilustres. Apesar de nenhuma pesquisa ter sido ainda realizada, percebe-se nas ruas do Rio que também a torcida alvinegra apoia em peso a ideia da troca.
Profundo conhecedor da história do Botafogo e escritor de quatro livros sobre o clube da Estrela Solitária, Roberto Porto se diz favorável à ideia porque Saldanha, segundo ele, é um símbolo do Botafogo: “Desde o momento em que chegou ao Rio de Janeiro, vindo do Rio Grande do Sul, ele foi um homem sempre ligado ao Botafogo. Ele chegou a jogar algumas vezes pelo clube, mas realmente não era um jogador de futebol. Depois, ele se ligou ao clube de todas as maneiras possíveis e imagináveis, transformou-se em dirigente, foi técnico do time campeão estadual em 1957, reabilitando o Botafogo, que não era campeão estadual desde 1948. Foi sempre um defensor do Botafogo em todos os níveis”, diz.
Porto, companheiro de redação de Saldanha em “uma equipe gloriosa” no Jornal do Brasil na década de 1970, que contava ainda com outros renomados jornalistas botafoguenses, como Sandro Moreyra e Oldemário Touguinhó, ressalta que a ligação do “João sem Medo” com o Botafogo transcende as quatro linhas: “Como jornalista, o João cobriu as coisas ocorridas com o Botafogo e sempre escreveu defendendo o clube nos assuntos polêmicos. Nunca tentou esconder o fato de que era botafoguense. Nunca tentou disfarçar sua simpatia pelo clube que torcia – coisa que muitos jornalistas fazem hoje em dia e faziam também no passado. Era um homem extremado em relação ao Botafogo. A troca do nome do Engenhão seria uma homenagem fantástica a um dos maiores nomes da história do clube”, opina.
Sobrinho de Saldanha e integrante do Núcleo de Estudos e Projetos de Esporte e Cidadania, o historiador Raul Milliet Filho avalia que o nome do tio, que também foi técnico da Seleção Brasileira, é bem aceito também pelas outras torcidas do Rio de Janeiro e do país: “O nome de João Saldanha é supraclube. Ele teve grandes ideais em relação ao futebol, como a defesa da ética e do futebol-arte e o combate ao excesso de mercantilização”, disse, em entrevista ao jornal Lance!.
'De todas as torcidas'
Autor da biografia “João Saldanha: Sobre Nuvens de Fantasia”, o jornalista João Máximo, mais um que trabalhou ao lado de Saldanha no JB, também concorda com a mudança, mas faz uma ressalva: “Seria bem legal o Engenhão um dia vir a se chamar Estádio João Saldanha. Nenhum outro mereceria mais dar seu nome ao estádio do Botafogo. Por outro lado, acho que essa justa homenagem poderia acontecer mais para frente, em um momento oportuno, pois não é muito humano esse caráter de punição em relação ao João Havelange que o movimento pela troca adquiriu. Ele é um homem de mais de 90 anos e que atravessa dificuldades de saúde”, diz.
Outro biógrafo, autor de “João Saldanha – Uma Vida em Jogo” e co-autor – ao lado de Beto Macedo – do elogiado filme documentário “João”, o jornalista André Iki Siqueira se vale do Twitter para apoiar o movimento pela troca do nome do Engenhão: “Quero ler a manchete: o Engenhão trocou de João. Seria um justo acerto de contas da história”, escreveu. Siqueira, que é torcedor do Vasco, também acha que Saldanha agrada a todas as torcidas: “O Engenhão não é só do Botafogo, é do Rio e de todas as torcidas. João Saldanha era Botafogo e de todas as torcidas”.
Repúdio a Havelange
A força do movimento pela criação do Estádio João Saldanha cresce aliada a um sentimento de repúdio ao ex-presidente da Fifa: “O futebol, que é um dos pilares da nação brasileira, não pode ter em um dos seus maiores símbolos o nome de alguém que não tem mais credibilidade”, diz Raul Milliet Filho. Por sua vez, André Iki Siqueira é irônico: “Se for para deixar o nome do Havelange no Engenhão, poderiam também batizar um estádio de Demóstenes Torres e outro de Paulo Maluf”.
Roberto Porto lembra que Saldanha “não gostava de Havelange” e conta uma história curiosa: “Chamar o Engenhão de João Havelange é um absurdo, pois ele sempre se declarou torcedor do Fluminense. O Havelange nunca teve nada a ver com o Botafogo, apesar de ter jogado pólo aquático no antigo Clube de Regatas Botafogo (que se fundiu ao Botafogo Futebol Clube em 1942, dando origem ao atual Botafogo de Futebol e Regatas), já que o Fluminense não tinha na época esportes aquáticos. Mas o João [Saldanha] dizia que o Havelange detestava o Botafogo. Quando se fundiram os dois Botafogos, o João, que era da diretoria do clube de futebol, foi voto vencido. Sempre polêmico, ele dizia que era contra porque o Clube de Regatas Botafogo estava repleto de tricolores, entre eles Havelange”
Maurício Thuswohl
No Brasil de Fato
Leia Mais ►

35 años sin el humor alocado e irreverente de Groucho Marx

Falleció el 19 de agosto de 1977, a los 86 años
Junto a sus hermanos revolucionó el humor
El próximo 19 de agosto se cumplen treinta y cinco años de la muerte de Groucho Marx. Un genio autor de algunas de las frases más memorables del cine.
Groucho era su nombre artístico. El de verdad, Julius Henry Marx no hacía presagiar que aquel muchacho nacido en Nueva York el 2 de octubre de 1890 sería el mito en el que más tarde se convirtió.
Groucho Marx fue el cuarto de seis hermanos: Manfred, Harpo y Chico eran los mayores y Gummo y Zeppo, los menores. Juntos formaban una bulliciosa familia judía, de origen alemán, criada en Nueva York bajo la enorme influencia de su madre, Mimmie Schoeberg. Y de su padre, Samuel Marx, del que tomaron el apellido que los haría famosos.

Sus inicios artísticos

Pronto todos los hermanos se lanzaron a cantar bajo el nombre de Six Musical Mascots. En los años 20 cambiaron el nombre por el definitivo de los Hermanos Marx. Bajo esta etiqueta conquistaron Broadway con el espectáculo The cocoanuts.
La primera película de Groucho fue Humor Risk un cortometraje producido en 1921 del que no existe ningún rastro. Después de esta primera desgraciada incursión en el cine, Paramount sería la productora encargada de lanzar a los hermanos Marx en el floreciente cine sonoro. Empezaron con Los cuatro cocos, la adaptación del musical que había hecho famosos a los hermanos. Cinta que supuso el inicio de una sucesión de éxitos…
Enseguida Groucho se apropió de un humor surrealista. El propio Salvador Dalí cautivado con los Marx llegó a escribir un esbozo de guión para ellos. Un humor a veces demencial, y siempre sarcástico, radical, irreverente y fatalista… Como si nunca se tomara en serio la vida…

El éxito

En Plumas de caballo Groucho fue el desquiciado profesor Quincy Adams Wagstaff y en Sopa de ganso, sátira política y quizá la película más recordada del entonces cuarteto formado por Harpo, Chico, Groucho y Zeppo, fue Rufus T. Firefly, el bocazas más grande que ha dado la gran pantalla… ¿vendrá de aquí la expresión de gansada?
Poco después abandonaron la Paramount para fichar por la Metro-Goldwyn-Mayer, Zeppo abandonó el grupo, y ya con el trío definitivo llegaron los clásicos de la década de los treinta…
Una serie de películas en las que cada uno de los hermanos tenía su personaje consolidado: Groucho era el amago de snob, con frac, gafas de metal, bigote pintado con betún y el sempiterno puro que agitaba mientras se movía a ritmo de andares de pato y una verborrea imparable.
Junto a él siempre se encontraba la dama de alta alcurnia, casi siempre fascinada con Groucho, que soportaba con condescendencia sus barrabasadas… un personaje que encarnó de maravilla Margaret Dumont.
Los años cuarenta aún serían dorados para redondear la fama de los Marx…

Uno de los humoristas más influyentes

Pero los ciclos se cierran y Groucho, ya sin sus hermanos, protagonizó Copacabana…
Marilyn Monroe consiguió reunirlos de nuevo en Amor en conserva, la última película protagonizada por los hermanos Marx…
Groucho fue el único de los hermanos que supo perpetuar su fama en otros medios, la radio le dio la oportunidad de continuar con sus discursos delirantes y la televisión le permitió permanecer en antena durante once años en el programa You bet your life.
Ya entrado en años llegaron los reconocimientos en 1972 recibió el premio especial del Festival de Cannes y dos años más tarde el Oscar honorífico.
Fue modelo de comportamiento para otros humoristas verbales, el más claro ejemplo de ello es sin duda Woody Allen. Además cuatro libros tienen su firma, fue investigado por Marxista por el FBI, y aunque siempre fue fiel a sus ideas en una ocasión llegó a decir: "Estos son mis principios, aunque si no le gustan, tengo otros".
Groucho Marx falleció el 19 de agosto de 1977 a la edad de ochenta y seis años.
Leia Mais ►

Tática de Alckmin para destruir Serra já começa a dar resultados

Alckmin abandonado por Serra.
A vingança é um prato que se come frio.
Em 2008, o então governador José Serra apoiou Gilberto Kassab do DEM (hoje no PSD) contra Geraldo Alckmin, do mesmo partido de Serra, o PSDB. Alckmin foi derrotado pela cria serrista e hoje tem quase a totalidade da população paulistana contra si, dada a péssima administração que imprime à maior cidade da América do Sul.
Por outro lado, Alckmin engoliu as duas derrotas, de 2006 (presidência da República) e 2008 (prefeitura de São Paulo), valendo-se da inegável força tucana no estado de São Paulo e elegeu-se governador em 2010. Aí o quadro inverteu-se, com Serra ficando sem mandato, mas, prometendo, em seu discurso de reconhecimento da derrota para Dilma, que voltaria a disputar a presidência do país.
Para não ficar fora da arena política, Serra acabou aceitando disputar novamente a prefeitura de São Paulo, depois de atropelar os candidatos que disputariam uma prévia interna no PSDB, marcadas após Serra declarar que não voltaria a disputar aquele cargo.
Desde então, Alckmin vem executando com notável frieza uma vendetta contra seu ainda colega de partido, mas desafeto inconfundível. Primeiro, tirou o pão malufista da boca do candidato tucano, privando-o daquele que ainda tem muito prestígio com o eleitorado conservador; depois, maquinou para que o PTB mantivesse candidatura própria, roubando mais um naco político da aliança serrista, bem como um precioso tempo de TV. A propósito, tanto o PP de Maluf quanto PTB de Luiz Flávio D'Urso ocupam secretarias no governo Alckmin, o que faria naturalmente que apoiassem Serra, caso o governador fizesse um pequeno esforço.
Não foi o que ocorreu. A pesquisa de ontem do IBOPE já mostra o resultado desse isolamento. Serra cai - começou com 30% de intenções de voto e na de ontem está com 26%, empatado com Celso Russomano(PR), para quem perderia, segundo simulação de um 2º turno, além de ver o petista Haddad subir de 6% para 9%, antes do início do horário eleitoral. Além disso, Serra lidera com folga o nada agradável quesito rejeição com 37%, ou seja, tendo contra si mais de 1/3 do eleitorado.
Se continuar assim, Alckmin terá liquidado a pretensão de Serra voltar a disputar a presidência da República. Talvez, tenha chegado ao fim a carreira do mais antipático político pós Nova República, marcada por uma arrogância não justificada por um comportamento ético exemplar, longe disso, conforme prova o livro A Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Jr; muito menos qualquer laivo de competência, na medida em que tudo aquilo que alardeou como feitos de sua autoria sempre tinham outro alguém como autor. Já vai tarde e será substituido com muito proveito pelo vácuo.
No Ilharga
Leia Mais ►

Que liberdade é esta?

O engenheiro e o doutor.
Que diriam eles de como ficaram seus partidos?
Foto: Arquivo/AE e Rolando de Freitas/AE
Do PMDB dos dias de hoje, que diria o Doutor Ulysses? Digo, aquele que enfrentou os cães raivosos da ditadura, ironizou a “eleição” de Ernesto Geisel ao criar sua anticandidatura e liderou a campanha das Diretas Já. E do PDT, que diria Leonel Brizola, um dos poucos a esboçarem uma tentativa de resistência ao golpe de 1964, cassado e exilado, no retorno vigiado pelo poder ditatorial no ocaso, e ininterruptamente perseguido pela Globo? Quem ainda recorda as duas notáveis figuras tem todas as condições para imaginar o que diriam.
A CPI do caso Cachoeira acaba de escantear a convocação do jornalista Policarpo Jr., diretor da sucursal de Veja em Brasília, que por largo tempo manteve parceria criminosa com o contraventor. As provas irrefutáveis da societas sceleris apresentadas por CartaCapital na edição da semana passada não somente foram olimpicamente ignoradas pela mídia nativa, o que, de resto prevíamos, mas também não surtiram efeito algum junto à CPI. A qual, como se sabe, teria de apurar em todos os aspectos os crimes cometidos pelo talentoso Carlinhos e seus apaniguados. Entre eles, está demonstrado, Policarpo Jr.
Se as façanhas da semanal da Editora Abril não entraram na pauta da CPI é porque aqueles que nela representam PMDB e PDT são contrários à convocação do jornalista de Veja. Há precedentes para explicar. Sem justificar, é óbvio. Quando dos primeiros sinais de que Policarpo Jr. estava envolvido no entrecho criminoso, um dos filhos de Roberto Marinho foi a Brasília para um encontro com o vice-presidente da República e líder peemedebista Michel Temer. Tomava as dores de Roberto Civita, nosso Murdoch subtropical, sob a alegação de que alvejar Veja significaria mirar na mídia nativa em geral e pôr em xeque a liberdade de imprensa. Outro encontro, no mesmo período, Temer teve com o presidente-executivo da Abril, Fábio Barbosa. Cabe lembrar que fato igual não se deu nos tempos da censura dos ditadores a alguns órgãos de imprensa, quando os Marinho se relacionam com extrema cordialidade com os ministros da Justiça (Justiça?), e Veja estava sob censura feroz.
E eis que surgem as provas cabais da participação de Policarpo Jr., mas a vontade dos barões midiáticos prevalece, com a inestimável contribuição do PDT, escudado nos argumentos de um notório simpatizante das Organizações Globo, Miro Teixeira, idênticos, palavra por palavra, àqueles usados por um dos Marinho na conversa com Temer. Donde, caluda, como se nada tivesse ocorrido, de sorte a cumprir a recomendação da casa-grande: nada de encrencas, deixemos as coisas como estão. Encrencas para quem? Para a minoria privilegiada, omessa. E a liberdade de imprensa? É a de Veja agir como bem entende.
Encaro meus acabrunhados botões, e pergunto: e que diria vovô Brizola de Brizola Neto? Será que Miro Teixeira pesa mais na balança do poder do que o ministro do Trabalho? Pesa ao menos dentro do PDT, a ponto de ofender impunemente a memória do engenheiro Leonel. É a observação dos botões, sugerida como conclusão inescapável.
Confesso algo entre o desconforto e o desalento. Indignação e revolta eu experimentava durante a ditadura, hoje sobrevém a desesperança. A mídia nativa é o próprio alicerce da casa-grande. Não há, dentro do seu espaço, impresso ou não, uma única voz que se levante para pedir justiça. É o silêncio compacto da turba, enquanto os seus porta-vozes invectivam contra a corrupção, sempre e sempre petista, e desde já decidem o resultado do processo do chamado “mensalão”. Pretendem-se Catões, são piores que Catilina.
Os botões me puxam pela manga. Ah, sim, esqueci: uma voz se levanta, a do Estadão, para noticiar que Gilmar Mendes, este monstro sagrado da ciência jurídica nativa, solicita um inquérito público a respeito de CartaCapital. Motivo: a nossa denúncia da sua participação do valerioduto mineiro. Mendes diz até ter estudado na Alemanha, deveria saber, porém, que no caso o único caminho é nomear advogado e mover demanda no Penal.
Em compensação, esta semana Roberto Jefferson se tornou personagem de destaque por ter apontado no ex-presidente Lula o chefão da quadrilha. Ele mesmo, o Jefferson que no começo da história, quando já havia embolsado 4 milhões de reais despejados pelo valerioduto nos seus bolsos, cuidou de isentar o então presidente.
Nem tudo é desgraça nas pregas do momento: na terça 14, o Tribunal de Justiça de São Paulo confirmou por unanimidade a decisão de primeiro grau que reconhece como torturador o coronel Carlos Brilhante Ustra, comandante do DOI-Codi por certo período dos anos de chumbo. É a primeira vez que um órgão colegiado da Justiça brasileira afirma os crimes de um agente da ditadura civil-militar. Com isso, abre-se a porta para processos similares no Cível. A demanda movida pela família Teles, que conta com cinco torturados na masmorra do coronel Ustra, valeu-se do destemor e do saber do jurista Fábio Konder Comparato, infatigável na defesa da causa. Seu desfecho, pelo menos até agora, representa um avanço, mas a lei da anistia, condenada nas instâncias internacionais e tão limitativa das nossas aspirações democráticas, continua em vigor.
Ao cabo da semana, os botões sustentam condoídos que a casa-grande está de pé, inabalável, certa da cordialidade da senzala, como diria Sérgio Buarque de Holanda.
Mino Carta
No CartaCapital
Leia Mais ►

STF vai mudar e João Paulo Cunha terá julgamento concluído na segunda-feira

João Paulo Cunha
João Paulo Cunha
A Têmis, deusa da Justiça, deve mudar o figurino na segunda feira próxima, 20 de agosto, quando será reiniciado o julgamento do processo apelidado de Mensalão. E ela irá aparecer, — ao contrário do que ficou decidido ontem na sua Corte,  com o processo do Mensalão cortado, fatiado em 8 pedações. Cada pedaço será apreciado por cada ninistro que, depois de cada fatia, dará o seu juízo.
O risco será o ministro Peluso comer apenas algumas fatias, pois se aposentará em 3 de setembro próximo.
É bom lembrar  que no Supremo Tribunal Federal (STF) o “tempo já fechou” várias vezes entre os ministros. Só que desde a colocação do Mensalão em pauta, — e um calendário enfiado goela abaixo ao ministro Lewandoviski –, os fios supremos estão  desencapados e  dando curto a cada sessão.
Ontem, por uma questão metodológica sobre o voto do relator Joaquim Barbosa, o revisor Lewandoviski falou em grave violação à garantia constitucional do devido processo legal, a gerar, evidentemente, nulidade atacável por habeas corpus. E, até, poderá gerar reclamo para a Comissão Interamericana de Direitos Humanos provocar a Corte Interamericana da OEA.
Nesse clima e ainda ontem, os advogados enviaram um representante à tribuna do Supremo para avisar que estão perplexos com a falta de unidade no julgamento.
Na Roma antiga,  julgava-se com um “grano salis” (grão de sal), ou seja, com temperança. E temperança significa equilíbrio, tolerância e controles das paixões e vaidades.
Para entender a divergência havida ontem no STF, vou usar  uma imagem futebolística. O ministro Barbosa quer comentar o jogo fatiando em minutos os lances da partida. Lewandowiski só quer comentar os 90 minutos sem interrupções..
O STF, – com essa mesma composição de ministros –, já usou das duas metodologias. E pelo que ficou decidido ontem, mas não digerido, cada ministro vai usar da metodologia que quiser.
Ontem mesmo, – logo depois de encerrada a sessão –, começou o trabalho de convencimento de Lewandoviski para aceitar o tal fatiamento. Ele deu sinal verde.
Até segunda-feira e pelo voto de Barbosa, — que poderá mudar até o final do julgamento —, estão condenados o deputado João Paulo Cunha, Marcos Valério  e os seus dois sócios.
Cunha está, até o momento, condenado por dois crimes de peculato, lavagem de dinheiro e corrupção passiva.
No peculato a pena mínima é de 2 anos e a máxima de 12, fora a multa.
Na lavagem de dinheiro, a pena varia de 3 anos a 10 anos. Na corrupção passiva, a pena varia de 2 anos a 12 anos.
No caso de soma das penas mínimas em face de eventual condenação de João Paulo Cunha (ele é primário e os peculatos são crimes continuados), a pena final será de 7 anos e 4 meses, mais multa. Com essa pena, João Paulo não irá para a cadeia fechada, pois cabe regime semi-aberto.
Caso condenado definitivamente, Cunha se torna inelegível. Mas, como já frisei anteriormente, a condenação definitiva pelo Supremo não acarreta perda do mandato de deputado federal. Só a Câmara poderá cassar o mandato, por maioria absoluta e votação secreta.
Wálter Fanganiello Maierovitch 
No Sem Fronteiras
Leia Mais ►

Pra inglês ver!


Leia Mais ►

Para O Globo, Equador deflagrou guerra diplomática ao 'desafiar Reino Unido'

É inacreditável a capacidade das Organizações Globo e da mídia corporativa em geral de manipular, distorcer, torturar a informação até que ela confesse o que eles desejam.
Hoje, a primeira página de O Globo faz chamada para reportagem sobre o caso Assange (veja reprodução acima) desta forma:
Londres ameaça prender Assange
O Equador desafiou o Reino Unido e deu asilo a Julian Assange, deflagrando uma crise diplomática. Londres reagiu e disse que não haverá salvo-conduto, chegando a ameaçar prender o criador do WikiLeaks na embaixada. (...)
O que aconteceu foi exatamente o oposto:
Reino Unido desafiou o Equador, chegando a ameaçar prender o criador do WikiLeaks na embaixada, deflagrando uma crise diplomática. O Equador reagiu e deu asilo a Julian Assange.
É impressionante o comportamento bajulatório de nossa mídia colonizada, que ainda estende tapete vermelho para antigos senhores do mundo, ignorando até a Convenção de Viena, respeitada por todos os povos:
É preciso deixar claro que a Convenção de Viena, de 1962, proíbe claramente essa invasão dos locais diplomáticos, conforme seu artigo 22:
“1. Os locais da Missão são invioláveis. Os Agentes do Estado acreditado não poderão neles penetrar sem o consentimento do Chefe da Missão.
“2. O Estado acreditado tem a obrigação especial de adotar todas as medidas apropriadas, para proteger os locais da Missão contra qualquer intrusão ou dano, e evitar perturbações à tranquilidade da Missão ou ofensas à sua dignidade.
“3. Os locais da Missão, em mobiliário e demais bens neles situados, assim como os meios de transporte da Missão, não poderão ser objeto de busca, requisição, embargo ou medida de execução”.
Nenhuma lei interna de país aderente a  convenção internacional dessa magnitude, pode sobrepor-se ao Tratado. Nos 50 anos de sua vigência, isso nunca ocorreu.  [Fonte]
Assange pediu asilo ao Equador porque o Reino Unido resolveu enviá-lo à Suécia, de onde quase certamente seria despachado aos Estados Unidos, onde pode ser condenado à morte, porque mostrou ao mundo, entre outras coisas, estas imagens de um helicóptero americano Apache assassinando civis (inclusive crianças) no Iraque, em 2007:
A tudo isso o Globo dá uma banana, e como jornal bananeiro se curva ao ex-grande império, que hoje se comporta como cãozinho amestrado dos EUA.
No Blog do Mello
Leia Mais ►