12 de ago de 2012

Patético: Clientes da Daslu e do JK Iguatemi discutem o “mensalão”

As socialites, leia-se desocupadas, paulistas destilam todo seu desconhecimento, arrogância e preconceito sobre o que acontece no Brasil. Saiu na coluna da Mônica Bergamo de domingo, dia 12.

Clientes da Daslu e do JK Iguatemi comentam o julgamento do mensalão


Marcella Tranchesi, filha de Eliana Tranchesi,
dona da Daslu, morta em fevereiro.

Na tarde de terça-feira, dia 7, um grupo de empresárias, socialites e “descoladas” de São Paulo assistia ao desfile de lançamento da nova coleção de verão da Daslu, no shopping Cidade Jardim. Naquele momento, o STF (Supremo Tribunal Federal) realizava a segunda sessão para ouvir os advogados dos réus do “mensalão”.
Em 2005, no auge do escândalo, o maior da era Lula, a dona da butique, Eliana Tranchesi, foi presa por suspeita de sonegação. A investigação que atingiu a empresária, ícone do luxo, foi interpretada por sua clientela como retaliação, uma forma de o governo desviar a atenção. Eliana morreu em fevereiro, sem que seu julgamento, ao contrário do “mensalão”, chegasse ao fim.
A Daslu foi vendida, mas conserva parte da freguesia. Que torce, de forma quase unânime, pela prisão dos principais réus.
“Chego em casa à noite e leio quem falou que mentira. Fico nervosa e não consigo dormir”, diz Marcela Tranchesi, 21, filha da empresária. “O ideal é que todos sejam condenados. Não digo os 38 [réus], não sei se todos são culpados. Mas muitos.”
“Eu tenho nojo! Fico com a Carminha [da novela Avenida Brasil, da Globo], não com o Zé Dirceu!”, diz a socialite Anna Maria Corsi, 71.
Carolina Pires de Campos incentiva a amiga a continuar: “E o que é o ‘mensalão’, Anna?”. “Sabe o que é isso? É nordestino querer fazer alguma coisa em São Paulo”, responde Anna. “E é erradíssimo. Eles têm de ficar lá, em Garanhuns [cidade de Lula], lá no fuuundo do Pernambuco, lá no fuuundo do Ceará. Aqui, não, aqui é de paulista e de paulistano. É por isso que isso está acontecendo”.
A coluna lembra que há vários paulistas no “mensalão”. “Ah, claro…”, diz ela, para arrematar: “Eu não gosto do [José] Serra. Aqui, nós precisamos é de pessoas como o Fernando Henrique!”.
Carolina Pires interrompe Anna. “Deixa eu falar uma coisa. Meus filhos eram petistas, assim, fanáticos. Eu tenho um filho juiz, outro advogado, que não é mais petista. Aliás, a pessoa que eu mais adoro é a [Luiza] Erundina [PSB/SP]. Eu já gostava [antes de ela desistir de ser candidata a vice-prefeita de Fernando Haddad por causa da aliança do PT com Paulo Maluf]. Agora, mais ainda. Sou apaixonada por ela.”
Mas, apesar da torcida contra os “mensaleiros” e da intensa cobertura que a imprensa tem dado ao julgamento, a maioria não perde muito tempo com o assunto.
Marcela Tranchesi, por exemplo, comentava com as amigas que começou a correr pelas manhãs no parque do Povo, no Itaim. “Quero ter corpo para usar um vestido de tricô que vi no desfile.”
A estilista Mirelle Moreno, 24, que desenha roupas masculinas para a Daslu, comentava como é difícil fazer uma coleção com equipe enxuta. “É capaz que peguem esses 40 e poucos ladrões, mas o Ali Baba, que é o Lula, não vai cair”, disse à coluna, voltando logo aos comentários sobre sua coleção.
A radialista Stephanie Choate, 26, repórter do programa de Otávio Mesquita, telefonava para a mãe, que também estava na loja, mas em outro ambiente. “Vou entrar no provador de jeans, não está essa bagunça, tá vazio.”
Provocada pela coluna, diz que está atenta. “Estou totalmente disposta a ir para a rua, lutar por isso [a condenação]. É um arrependimento não ter nascido a tempo de ser uma cara-pintada [jovens que protestavam contra o governo Fernando Collor].” Duas estudantes de moda concordam: “Mas para pintar a cara, passaríamos antes na Sephora [loja de cosméticos francesa], né, amiga?”.
A produtora Gabriela Bucciarelli, 21, iria junto. “Não sou de algazarra, mas se ninguém for condenado, é o caso de ir até Brasília.”
A stylist polonesa Ela Pruszynska, 45, é casada com um brasileiro e mora em São Paulo há dois anos. Diz que não tem a menor ideia do que é o “mensalão”. “É uma coisa grave?”
“Não vejo cobrança no meu meio. As pessoas não se importam muito com o assunto”, diz Irene Martins, superintendente comercial, tomando champanhe numa pequena garrafa enquanto aguardava o desfile. “São todos [os políticos] farinha do mesmo saco.” “A gente torce [pela condenação], mas vai dar pizza”, dizia a arquiteta Gilda Arantes, com uma água perfumada para roupas de R$59,00 na sacola.
Guiando um carrinho de supermercado cheio de peças, a designer de joias Renata Camargo, 54, dizia que emagreceu e que por isso merece “um guarda-roupa novo”. Ela era uma das poucas que, naquela tarde, destoava da torcida. “A Dilma não sabia de nada [do “mensalão”]. E o Lula sabia pouco. Para mim, ele foi uma revelação. Antes dele, eu era contra o PT. Agora eu sou PT. É uma novela velha, mas temos de acompanhar.”
O marido de uma tradicional cliente da Daslu, empresário que tem concessão do governo e se aproximou do PT na era Lula, relatou à coluna que quase “apanhou” no casamento de um amigo, na igreja Nossa Senhora do Brasil, nos Jardins. “Quase quebrei o pescoço, de tanta tensão”, disse, pedindo que seu nome não fosse revelado.
Na festa, ele foi cobrado por ser amigo de alguns dos réus, que eram chamados de “ladrões, bandidos”. “Eu tentava argumentar, mas não deixavam. Principalmente as mulheres.” Elevou a voz e, segundo relata, afirmou: “Vocês querem fazer um bullying na era Lula”.
Diz que não negou a existência do “mensalão”, mas argumentou que não ocorreu apenas no governo do PT. “Eu disse: ‘Gente, nós estamos numa sala de aula. A classe toda tá colando. E agora estamos querendo pegar um aluno, aquele barbudo, com a voz rouca, que não tem um dedo, e expulsá-lo da sala. Isso é bullying puro, bullying da elite branca, que aliás também ‘cola’ na prova.”
Alguém lembra que uma consultoria [Tax Justice Network] calcula que em 40 anos os brasileiros depositaram cerca de R$1 trilhão em paraísos fiscais.
Nada funciona. Ele diz que apelou então para o pragmatismo. “Eu disse: ‘Gente, temos de pensar: nós ganhamos muito dinheiro na era Lula. E ele pode voltar. O que vai achar de tudo isso?’.” Os homens, ao menos, cederam.
No dia seguinte, do outro lado da marginal Pinheiros, em outro shopping, o JK Iguatemi, a Lool lançava a sua coleção de acessórios de verão. Amigas e clientes de Luiza Setubal, filha de Olavo Setubal Jr., se dirigiam para a loja. Alessandra Gabor, 29, redatora do blog da Lool, disse à coluna que estava achando o julgamento “banal, mas dentro do esperado”. “O [apresentador] Marcelo Tas colocou hoje no ‘Face’: no Brasil a realidade supera a ficção.”
Carmem Luzia, 55, passeava no shopping com sacolas da Le Lis Blanc e da Calvin Klein. “O ‘mensalão’ podia acontecer com qualquer partido”, opinou a dona de casa. E se disse confiante. “Ministra Cármen Lúcia [do STF]? Não conheço. Mas eu gosto daquele [ministro] Gilmar. Mendes, né? Ele tem pulso firme, não vai deixar o povo sair de fininho.”
No Blog Limpinho & Cheiroso
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Chupa, Boris Casoy!

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Secretaria convoca diretores de escola pública para ato pró-Serra

Diretora regional da Educação usou circular oficial e site do órgão para fazer convite à reunião
Secretaria afasta dirigente e instaura apuração; assessoria de campanha do candidato do PSDB não comenta
Uma diretoria da Secretaria Estadual de Educação usou uma circular oficial e a página da instituição na internet para convocar dirigentes de escolas públicas da capital paulista a participar de reunião de apoio à campanha de José Serra (PSDB).
O chamado à reunião foi publicado em um comunicado oficial da Diretoria Regional de Ensino Norte-1, que comanda as escolas estaduais de nove bairros da zona norte. Quem assina a circular e o convite é Lúcia Regina Mendes Espagolla, que comanda a diretoria.
A Secretaria de Educação faz parte da administração do governador Geraldo Alckmin (PSDB), aliado e cabo eleitoral de Serra.
No documento, editado pela diretoria semanalmente, o convite à reunião de campanha está entre avisos para comparecimento a cursos de qualificação profissional e requisição de merenda.
"A Dirigente Regional de Ensino convida os diretores e vice-diretores para evento com a presença do prof. Alexandre Schneider na Casa Ilha da Madeira, Rua Casa Ilha da Madeira, nº 214, 11/08/2012 às 10h", diz o texto. Schneider é o vice da chapa de Serra e ex-secretário municipal de Educação.
Segundo diretores e vice-diretores ouvidos pela reportagem, depois de disparar a circular, Espagolla telefonou para os subordinados ameaçando os que não comparecessem à reunião da campanha com a perda do cargo.
Pelo telefone, a dirigente teria dito que haveria uma lista de presença a ser assinada no local do encontro -um centro cultural na zona norte. Segundo eles, o aviso teria sido direcionados a professores que ocupam interinamente a direção nas escolas e, portanto, não têm estabilidade no cargo.
A reunião citada no comunicado foi organizada para ser a primeira de uma série de atos temáticos com foco na educação. Eles serão conduzidos por Schneider.
Na programação da campanha, em setembro, as propostas dos participantes serão apresentadas em um ato maior, com a presença de José Serra.
A ideia dos tucanos é, antes, colher sugestões em todas as regiões da capital.
Daniela Lima
No Brasil Mobilizado
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PF identifica os sócios de Cachoeira no “clube Nextel”

O grupo ligado a Carlinhos Cachoeira que tinha o privilégio de utilizar os rádios Nextel comprados pelo contraventor nos Estados Unidos e supostamente imunes a grampos era formado por 70 pessoas. A Polícia Federal enviou à CPI que investiga as ligações do bicheiro com políticos e agentes públicos a identificação dessas pessoas. Entre elas estão Toninho Perillo, irmão do governador de Goiás, Marconi Perillo, o atual diretor do Detran goiano, Edivaldo Cardoso, o diretor da Construtora Delta na região Sul e São Paulo, Heraldo Puccini Neto, e o ex-diretor geral da Polícia de Goiás Aredes Correa Pinto. Da turma também participavam a ex-mulher de Cachoeira, Andrea Aprigio de Souza, e a atual Andressa Mendonça de Morais. O mais graduado do grupo era o senador cassado Demóstenes Torres. As contas, é claro, eram pagas pelo contraventor.
Marcelo Rocha
No Época
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Furacão da CPI:‘Meu ex-namorado vazou o vídeo e ele vai pagar caro'

O responsável pelo vazamento de um vídeo íntimo da advogada Denise Leitão Rocha foi o homem que aparece com ela nas imagens, afirmou a assessora parlamentar em entrevista no domingo (22). Mais tranquila, medindo as palavras, Denise aceitou conversar pelo telefone sobre o turbilhão em que foi mergulhada nos últimos dias, contou o que pretende fazer de agora em diante e comentou o momento em que a gravação foi feita, há seis anos. Sobre o homem que aparece na cena, Denise avisa, com a voz firme: “Ele vai pagar por isso”.

De acordo com a advogada, ela já está com tudo pronto para ir à Justiça contra o o homem que considera culpado. Não diz seu nome, tampouco onde ele trabalha. Mas conta que tudo ocorreu em 2006. Ele teria aproveitado para filmar no momento em que ela acordava.

- Foi uma pessoa de seis anos atrás que fez essa maldade comigo. Isso pode ser visto no vídeo, eu estava acordando. Ele vai pagar por isso. Eu sou advogada, não nasci ontem nem me formei ontem. Estou tranquila. Ele expôs a minha intimidade. É dele que eu quero ir atrás – prometeu.

A assessora reforçou que a gravação não foi feita nas dependências do Senado, o que, segundo ela, fica claro aos que assistiram ao vídeo vazado na internet. Criticou ainda os boatos que rondam a situação e diz temer o prejuízo que a disseminação das imagens pode causar em sua vida.

Sobre o futuro, quer conciliar a busca por justiça com a reconstrução de sua imagem.
- Vou procurar restabelecer a minha dignidade. Isso não tem quem pague. Mas tudo isso, essa pessoa (que vazou o vídeo) vai pagar.
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Defesa de réus do mensalão recorre a antigos votos de ministros

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Charge online - Bessinha - # 1394

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A confissão de Jefferson: mensalão não existiu

A confissão de Jefferson: mensalão foi coação ao PT
Foto: Daniel Marenco/Folhapress
Na sua defesa, Roberto Jefferson prepara uma grande surpresa: a confissão de que seus R$ 4 milhões eram caixa dois e de que a palavra mensalão foi criada para coagir o PT, que pretendia derrubá-lo no início do governo Lula
Nesta segunda-feira, com a retomada da apresentação das defesas na Ação Penal 470, haverá uma grande surpresa. O advogado Luiz Francisco Corrêa Barbosa, que defende Roberto Jefferson, dirá que os recursos entregues pelo PT ao PTB, R$ 4 milhões ao todo, diziam respeito a um acordo para financiamento de campanhas municipais em 2004. Ou seja: ele negará a tese do mensalão e da compra de votos de parlamentares, que havia sido denunciada pelo próprio Jefferson. O ponto mais surpreendente foi antecipado pelo advogado de Jefferson, numa entrevista ao portal iG. Corrêa Barbosa afirmou que existem dois conceitos de mensalão. A mesada, supostamente paga a parlamentares, foi, segundo ele, um “objeto de coação”. Ou seja: Jefferson, que se dizia pressionado pelo partido, criou a palavra como figura retórica para se vingar de seus algozes. O segundo conceito é o caixa dois, como já admitido por réus, como Delúbio Soares.
Na semana passada, o presidente do PTB já fez essa revelação ao dizer “José Dirceu me derrubou, mas livrei o Brasil dele”. Essa “vingança” mobiliza o debate político no Brasil há sete anos e boa parte da acusação de compra de votos está ancorada no testemunho de um personagem que, agora, desdiz tudo o que havia dito.
No 247
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Márcio Thomaz Bastos: "O mensalão não existiu"

O advogado, patrono de vários defensores da Ação Penal 470, considera a acusação “fraca, desviada dos fatos, sem apoio na realidade”
Na segunda-feira da semana que começou o julgamento, o ex-ministro José Dirceu, réu mais ilustre da Ação Penal 470, foi desejar um feliz aniversário ao advogado Márcio Thomaz Bastos, que completava 77 anos. Na ocasião, a três dias do início do julgamento, Dirceu estava esperançoso e nervoso. O advogado, para usar uma palavra sua, “nervosíssimo”. Bastos não é advogado de Dirceu no mensalão – defende o ex-diretor do Banco Rural José Roberto Salgado. Mas é patrono de quase uma dezena de defensores dos réus protagonistas do caso. Como o advogado de Dirceu, José Luiz Oliveira Lima, o Juca. Ou o de José Genoino, Luiz Fernando Pacheco – que despacha no 15o andar do mesmo edifício. Ou o de Delúbio Soares, Arnaldo Malheiros Filhos. Bastos recebeu Época dois dias antes de tentar, sem sucesso, desmembrar o processo no início do julgamento. “Eu gosto de desafios”, afirmou.
ÉPOCA – Há cinco anos, em agosto de 2007, o Supremo Tribunal Federal recebeu parte substancial da denúncia do Ministério Público no Inquérito 2245, mais conhecido como mensalão (hoje, Ação Penal 470). O relator foi o ministro Joaquim Barbosa, cujo voto, de 615 páginas, foi seguido pela maioria dos ministros. Por que o Supremo aceitou a denúncia na época – e o que mudou de lá para cá?
Márcio Thomaz Bastos – Há uma diferença grande entre aceitar a denúncia e julgar a ação procedente. Para a denúncia bastam indícios, e algumas vezes leves. Como indício é um terreno movediço, muitas vezes se aceita uma denúncia para que, ao longo da instrução, se caldeie, se apure, se afine a prova e se encontre a possibilidade de absolvição ou condenação. A aceitação da denúncia, por si só, não é um prejulgamento. É o contrário disso. Tanto que, neste caso, há votos, como o do ministro (Cezar) Peluso, em que ele diz: “Vou aceitar esta denúncia, mas a Procuradoria vai ter de fazer a prova da culpabilidade para depois condenar”.
– É por isso que o voto do ministro Joaquim Barbosa, pelo recebimento de parte da denúncia, fala em “suposta organização criminosa”, “hipotética quadrilha”, “indícios mínimos de materialidade e autoria”, “supostas ilicitudes”. O senhor tem algum comentário em relação ao voto dele em particular? 
Ele fez o voto que achou que devia. Com todo o respeito que eu tenho pelo Antônio Fernando (Souza, ex-procurador-geral da República), considero a denúncia fraca, desviada dos fatos, sem apoio na realidade. Me parece, fundamentalmente, que esse processo é artificial. É uma junção de condutas diferentes que deviam ser julgadas cada uma no seu processo e que foram, de uma maneira irrealista, colocadas juntas, para fazer o processo do mensalão. Foi um erro. É o que está trazendo essas dificuldades para o julgamento se realizar. É o artificialismo, de juntar tudo num processo só.
– Poderia haver ainda alguma surpresa? 
Não. Nenhuma surpresa. É um guisado. É uma prova de insegurança da acusação. Eles tentam agrupar aquela junção de condutas de outra forma, para ver se melhora. É uma última tentativa de falar, de transformar isso no grande escândalo. É uma tentativa de rearranjar a narrativa, para ver se ela se torna mais convincente.
– O que é que esse processo tem de singular, o que lhe chama mais a atenção? 
O tamanho e o artificialismo. Cinquenta mil páginas, 38 acusados de coisas díspares que não estão ligadas entre si.
– Um dos advogados do processo, José Luiz Oliveira Lima, que defende o ex-ministro José Dirceu, disse recentemente que o mensalão é uma farsa. O que o senhor acha disso?
Basta ler os autos para ver que o mensalão não existiu. Eu já dei essa opinião outras vezes. Não quero me estender, porque estou no caso sob a luz da defesa do meu cliente, José Roberto Salgado.
– Um dos crimes que o Ministério Público destaca bastante é a compra de votos no Congresso.
Nos autos, não existe nenhuma prova da compra de votos no Congresso. Nenhum exemplo concreto, nem dois, nem cinco, nem dez. Esse processo é um erro na forma, na origem, na maneira como foi conduzido. E tenho muita esperança de que o Supremo corrija esse erro.
– Tem sido aventado que o ministro Peluso poderá antecipar seu voto, já que se aposenta compulsoriamente no dia 3 de setembro. O que o senhor acha disso?
É um direito que ele tem, embora não seja uma ideia que possa me agradar muito. Porque o julgamento é uma coisa viva. E, como dizia o Chacrinha, só termina quando acaba. Muitas vezes já vi um juiz votar e, depois, convencido pelos argumentos dos votos posteriores, reformular aquele voto. Quando você antecipa o voto, você congela aquele voto, ele não pode mais ser vivido por aquele organismo que é o julgamento.
– Como é administrar um caso dessa repercussão com 77 anos? O senhor ainda fica nervoso?
Fico nervoso. Tô nervosíssimo. Tem de subir lá, com a TV Justiça em cima, falando uma hora, discutindo questões importantes, que envolvem a liberdade de uma pessoa de 40 e poucos anos. Mas estou bem. Já devia estar aposentado, pelo decurso do tempo (risos). Se eu fosse ministro do Supremo, já teria sete anos de aposentadoria. Mas não sou. E pretendo continuar enquanto eu tiver saúde, vontade, enquanto estiver sentindo que estou na posse de alguns instrumentos que podem ser úteis.
– Como o senhor administra as críticas sobre ser poderoso e ter influído na escolha de alguns ministros do Supremo?
Vejo isso com absoluta naturalidade. O direito de defesa é um princípio a que pretendo me dedicar cada vez mais, porque ele é muito transgredido e muito relegado. Gosto bastante dos desafios que envolvem a possibilidade de defender quem você acha que deve. Eu não julgo os meus clientes. Quem tem de julgá-los é o juiz.
– O que o Ministério Público apresentou de novo em relação à denúncia apresentada em março de 2006, recebida pelo Supremo em agosto de 2007?
Falando em relação a meu cliente, José Roberto Salgado, acredito que a acusação foi verdadeiramente desmontada. Se for feita uma comparação entre trechos das alegações do Ministério Público e o que realmente existe, a denúncia está aberrante, absolutamente afastada da realidade e dos fatos. A denúncia delira.
– Por quê?
É uma acusação que, de certa maneira, abole a lei da relatividade, porque não leva em consideração nem o tempo nem o espaço. Quando ela aponta, por exemplo, que o núcleo financeiro disponibilizou e idealizou aquele fluxo de recursos, ela diz que isso aconteceu no começo de 2003. Sucede que, no começo de 2003, José Roberto Salgado estava na direção internacional e de câmbio do banco. Ele não tinha nada a ver com isso. Só passou a ter depois da morte do (diretor do Banco Rural) José Augusto Dumont, em abril de 2004. Então, como é que ele disponibilizou (os empréstimos)? Quando se fala em risco, em gestão fraudulenta, em quadrilha, em lavagem de dinheiro, é preciso dizer que essas coisas em relação ao banco estão nos riscos que ele teria tomado ao conceder o crédito – não ao conceder as renovações (dos empréstimos). Essa diferença é fundamental.
– Mas o voto do ministro Joaquim Barbosa, que aceitou a denúncia, considera que concordar com a renovação, que ele afirma ter sido feita a cada 90 dias, tem a mesma gravidade.
Mas não tem. Depois que se concede o empréstimo, qual é o papel do banco, a causa final do banco? É ir buscar o recebimento. Então, é uma gestão de crédito que se faz dali para a frente, da qual a renovação faz parte, e é importante. As renovações eram curtas, de 30, 60, 90 dias. Quando você faz um empréstimo para não pagar, para não receber, você faz um empréstimo no prazo de 24 meses, porque não precisa ficar aquele controle incessante. Mas aí não. O banco ficou constantemente cobrando os seus devedores. Tanto assim que um dos empréstimos de R$ 3 milhões, que foi para o PT, já foi pago, integralmente, com todos os juros e todos os acréscimos. Chegou a R$ 10 milhões, e acabou pago. A única relação que o José Roberto tem com o Marcos Valério é a relação de cobrador. E ele deu uma dura no Marcos Valério para receber aquele dinheiro. Então, realmente, a quadrilha em que ninguém se conhece é um absurdo. Você pode conceber o delito de uma quadrilha em que um integrante não conheça um outro integrante. Mas, nesse caso, o José Roberto Salgado, tirando o pessoal do banco, não conhecia ninguém.
– O ministro Cezar Peluso, no voto em que aceitou a denúncia por formação de quadrilha, no Inquérito 2245, achou esse argumento irrelevante. Ele disse que a caracterização do crime de quadrilha não exige que os integrantes se conheçam, às vezes até o contrário.
É irrelevante quando você diz um não conhecer um outro. Mas o José Roberto não conhecia ninguém. Veio a conhecer o Delúbio no enterro do José Augusto Dumont. Veio a conhecer o Marcos Valério no dia em que foi cobrar o Marcos Valério. Chamou o Marcos Valério no banco para dar aquela prensa que o banqueiro dá para o sujeito pagar ou renovar.
– Depois desses cinco anos, como ficou a situação de seu cliente nas alegações finais do Ministério Público?
Melhorou terrivelmente. Porque os advogados que estavam no caso – eu só entrei depois – fizeram, por meio do Instituto Nacional de Criminalística, a prova de que os empréstimos existiram, não eram fictícios, não eram de fachada. Entre muitas outras, essa é a prova definitiva.
– O que o senhor espera do julgamento?
Que o Supremo faça um julgamento justo, técnico, que não se deixe influenciar por fatores externos, que olhe a prova dos autos, que veja o que tem lá dentro, que condene quem tiver provas suficentes produzidas pelo Ministério Público para condenar – e absolva aqueles para quem não houver provas suficientes para isso.
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Um salto ao futuro

As eleições de outubro próximo guardam uma relação indissociável com o presente e futuro das cidades brasileiras, o enfrentamento das grandes questões que as envolvem desde o planejamento à superação dos abismos sociais retratados nas desigualdades dos espaços urbanos, além das responsabilidades dos poderes públicos municipais.
Diz respeito também à construção de projetos associados ao crescimento econômico, produzindo riqueza, gerando empregos para as grandes maiorias que se encontram à margem dos benefícios que proporcionam o usufruto de uma boa qualidade de vida, direito inalienável de todos os cidadãos brasileiros, responsabilidade intransferível dos gestores públicos, especialmente aqueles eleitos pelo voto popular.
E não é possível falar em qualidade de vida dissociada de uma das principais dívidas dos estados e municípios para com as populações das cidades do País sejam elas pequenas, médias ou grandes, a dívida ambiental.
Porque um dos mais graves dos nossos problemas sociais encontra-se na degradação ambiental que atinge principalmente os bairros das periferias onde predominam chagas seculares como esgotos a céu aberto, ausência de saneamento básico, córregos e rios fétidos, lixo amontoado, resultando na proliferação de doenças contagiosas.
Além disso, sabemos que as nossas cidades apresentam uma dualidade insuportável que se expressa de um lado no tratamento urbanístico adequado aos bairros dos segmentos abastados ou de classe média mais privilegiada, e de outro lado nas condições deploráveis das regiões onde vivem os grandes contingentes da população.
A grande responsabilidade dos representantes eleitos pelo voto popular sejam eles vereadores ou prefeitos deve ser, associada a experiências exitosas de várias administrações municipais, promover nas novas circunstâncias históricas do crescimento econômico nacional, uma substancial reconfiguração qualitativa das cidades sem a qual é impossível falar em desenvolvimento verdadeiro.
As condições desse atual crescimento, mesmo afetado pela crise financeira mundial, estão a exigir um grande esforço criativo e uma radical transição dos cenários municipais que ainda retratam, no essencial, um País do século passado.
Quando o Estado nacional foi imobilizado por décadas pela estagnação econômica, pela ausência de ideias e recursos decisivos para um grande salto ao futuro.
Eduardo Bomfim, advogado, membro do Comitê Central do PCdoB
No Vermelho
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A homilia dominical

Tivesse eu a grata satisfação de presenciar a cena 
e dispensaria até saber o que fora dito...
É verdade, tivesse eu tal oportunidade e dispensaria entrar na intimidade daquele diálogo. A curiosidade levar-me-ia a interrogar sobre o que diriam, mas manter-me-ia a reservada distancia... Basta que os conheça pelo que escreveram. De Jorge Amado, li livros seus entre os 20 e os 30 anos. De José Saramago, já muito depois dos 50. Um despertou-me para a utopia, o outro manteve-me desperto para ela.  Ambos me alimentaram o sonho e, pensando nisso, imagino o que naquela conversa terão dito...
HOMILIA (lembrando o centenário de Jorge Amado)
«Há esperanças que é loucura ter. Pois eu digo-te que se não fossem essas já eu teria desistido da vida.» - José Saramago, in "Ensaio sobre a cegueira"
«Não possuímos direito mais inalienável do que o direito ao sonho. O único que nenhum ditador pode reduzir ou exterminar.» - Jorge Amado, tirado daqui
No Conversa Avinagrada
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O que é um Estadista?

Entretanto no Ocidente, ainda há Estadistas de verdade. Desenganem-se. Os Media é que não querem que você saiba! Ouçam o Presidente do Uruguay, José Mujica por uns minutos:
"O primeiro elemento do meio ambiente chama-se felicidade humana."

Mas se quiserem ouvir mais verdades, deixo aqui a Cristina Kirchner. Impressionante! Nada que os MEDIA achem interessante. Estes Estadistas não são compatíveis com a Globalização para a escravização. São o Novo Paradigma.
No Guerra Silenciosa
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Jaleco branco virou moda no Brasil?

E o sindicato médico, faz o quê neste caso?
Quem mora ou trabalha nas cercanias de hospitais ou clínicas sabe do que estou falando. Quem não assiste - todos os dias - o desfile de pessoas vestindo jaleco branco nas ruas, em restaurantes, e até no transporte coletivo?
Este recado, portanto, é para os profissionais da saúde: não usem jaleco branco fora do ambiente asséptico de clínicas, hospitais e consultórios. Não passem atestado de jeca.
Respeitem os seus pacientes, muitos com as defesas imunológicas deprimidas e expostos ao ataque de microorganismos oportunistas.
Vocês desconhecem a Teoria Microbiológica das Enfermidades? Não estudaram a biogênese das patologias, ignoram os estudos dos pesquisadores como Louis Pasteur, Ferdinand Cohn e Robert Koch? Não estudaram esse capítulo da medicina? Mataram essas aulas importantes?
Pois saibam que esse comportamento narcísico de andarem exibindo nas ruas a identidade de suas profissões pode ser a ruína de seus pacientes. Vocês andam por aí, de forma irresponsável, ostentando a própria insegurança, à custa de um possível risco à saúde de centenas de pessoas de são atendidas diariamente nos locais onde vocês trabalham.
Afirmem-se de outra maneira, busquem compensações na vida de outra forma (que tal no sexo?), sejam menos espetaculosos e mais responsáveis, profissionalmente.
Admira que o sindicato médico (tão pródigo em marketing na mídia conservadora), e as associações de profissionais da saúde já não tenham chamado a atenção de vocês para o grave erro que cometem... em nome do quê mesmo? Ah! em nome da vaidade, ora pois!
No Diário Gauche
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Os sucateiros do Estado apoiam o funcionalismo?

A greve de setores do funcionalismo público tem sido canibalizada com voragem por esferas do dispositivo midiático demotucano. Veículos e gargantas que se notabilizaram pelo aplauso esférico ao ciclo de privatizações promovido nos governos do PSDB, servindo como lubrificante ideológico ao desmonte do Estado, agora se esponjam no conflito entre as reivindicações dos grevistas e as respostas, inábeis, em certos casos, do governo.
Nesta sexta-feira, (10-08), o jornal Folha de São Paulo conseguiu desengavetar a palavra 'caos' trazendo-a de volta às manchetes em letras garrafais: ' Greve trava estradas e gera caos em Cumbica'. Isso para descrever uma operação padrão que atrasou vôos e gerou filas de caminhões em alfândegas. A soma de todos os engarrafamentos por certo equivale a um farelo do colapso permanente do trânsito em São Paulo, onde a competência tucana conseguiu o colosso de construir a média anual de 1,5 km de metrô em 17 anos de poder no Estado.
No sábado (11-08), o mesmo jornal que se notabilizou como sirene da retroescavadeira neoliberal, carregou no tom desaforado e provocativo da chamada: 'Dilma diz a grevistas que tem outras prioridades'.
Disse mesmo?
Nas páginas internas, o ardiloso editor já se desmente e calça o exagero com outro título: 'Em meio a protesto, presidente diz querer serviço público de qualidade'. Na letra miúda do texto, lê-se o seguinte relato dos fatos: 'sem citar diretamente as greves a Presidenta disse que tem de olhar o que é mais importante no país (...) assegurar empregos para aquela parte da população que é a mais frágil, que não tem direito à estabilidade, que sofre porque pode e esteve, muitas vezes, desempregada'.
A Presidenta foi vaiada por um grupo de docentes, alunos e servidores de instituições federais de ensino, diz a Folha. Em seguida informa: eram 35.
A recomposição das carreiras, salários e quaros do serviço público é uma prioridade da agenda progressista brasileira. Atacada por uma campanha implacável durante os dois primeiros governos do PT, ganhou margem de manobra ideológica com a crise, que escancarou o risco de se entregar a sociedade aos desígnios dos mercados, sem o contrapeso de um poder estatal eficiente e transparente.
Reduzir a despesa rentista com os juros, como tem feito o governo, é um passo importante para gerar folga orçamentária, capaz de beneficiar a educação, a saúde e a infraestrutura pública. Nada disso se fará sem uma atenção gêmea com carreiras, salários e servidores qualificados, capazes de colocar planos e projetos de pé.
Não se trata de 'ideologismo estatizante'. O país vive uma situação kafkiana:'sobram' recursos públicos em algumas áreas sem que planos de investimentos consigam migrar das intenções para os canteiros de obras.
Será difícil reordenar a macroeconomia do desenvolvimento sem novas empresas públicas que funcionem como espelho e alavanca. O exemplo vem dos bancos estatais que em seus segmentos induzem o mercado a trabalhar pela sociedade, como evidencia a queda nos juros do financiamento imobiliário.
A porta entreaberta pela desordem neoliberal exige ousadia. O mito da eficiência dos livres mercados trincou; sepultá-lo, porém, exige instituições, recursos e desassombro que subordinem os interesses a ele associados. Sem isso, o passado continuará a asfixiar o futuro, como se comprova na agonia européia sob tacão ortodoxo.
Faltam recursos? Para isso existe a política, por definição uma disputa entre prioridades de classes divergentes. Ademais, recorde-se que a elite nativa que inaugura 'impostômetros' e enche a boa para denunciar a 'carga' ocupa o 4º degrau no pódium dos maiores sonegadores do planeta. Tem US$ 520 bilhões acantonados em paraísos fiscais. Como esse dinheiro chegou lá? Não chegaria sem a inestimável colaboração de bancos e instituições do mercado cujos chefes de departamento de 'análise econômica' inundam os jornais com alertas sobre o 'desequilíbrio fiscal' e oferecem o antídoto:'as reformas', cujo cerne é o escalpo de direitos, serviços públicos e folhas de servidores do Estado.
O jornalismo engajado no apoio à greve dos servidores é filho dessa mesma cepa. Tem sido um porta-voz militante contra 'a gastança', incluindo-se aí o custo da 'corrupção', inerente à 'companheirada sindical-petista', como se sabe, e se tenta provar no STF.Demonização e desqualificação do servidor constituem uma das armas preferidas dessa pregação.
O conjunto carrega a inoxidável determinação de jogar a classe média contra tudo o que remeta ao interesse público, como se fosse possível pavimentar a convivência compartilhada sem solidariedade fiscal. Habilidosamente, alimenta-se a esquizofrenia que torna o imaginário social receptivo ao discurso dos Demóstenes de plantão: exige-se cortes de gastos nas páginas de economia; denuncia-se a insegurança pública na cobertura policial.
Foi assim também que se deformou o discernimento do país para legitimar o corte de R$ 40 bilhões no orçamento da saúde pública, com a extinção do CPMF, em 2007. Ato contínuo, a mídia 'isenta' discorria sobre o 'caos' no atendimento da saúde.
Programas sociais nucleados em torno do Bolsa Família padecem de identico tratamento. Com apenas 0,47% do PIB eles fornecem um piso de renda a 25% da população, expandindo o mercado interno em plena crise mundial. Mas a atenção prioritária do dispositivo midiático é com os 'desvios' dos benefícios, pinçados com lupa para comprovar o 'descontrole da máquina pública'.
Governos e grevistas não podem menosprezar esse pano de fundo histórico sobre o qual se trava a atual campanha salarial. Sem um denomidador comum feito de compromissos políticos em relação ao país e ao futuro, o risco é se perderem numa dízima de porcentagens, oferecendo combustível desagregador a quem sempre esteve do outro lado da mesa.
O Instituto Teotônio Vilela, insuspeito think tank tucano, repõe em um texto recente a verdade dessa correlação ao elencar os dados e a posição do conservadorismo sobre fatos hipocritamente dissimulados na cobertura da greve atual. Com a palavra, o PSDB:
"Em 2010, o gasto da União com pessoal atingiu R$ 183,3 bilhões. Isso equivale a mais de R$ 500 milhões por dia. Em 2002, havia sido de R$ 75 bilhões, em valores correntes. O salto registrado ao longo do governo petista foi astronômico", acusa o instituto tucano: "em termos nominais, isto é, sem considerar a inflação, as despesas cresceram 144%. Em valores reais, o ganho do funcionalismo foi de 56%, ou seja, muito acima da elevação do custo de vida no período. Não há quem seja contra um Estado que preste melhores serviços à população. Para tanto, é importante remunerar bem o servidor, motivá-lo e preservá-lo nas carreiras públicas. Mas a questão é saber se a sociedade está disposta a arcar com os custos desta política, uma vez que ao crescimento da folha sempre corresponde a cobrança de mais tributos".(ITV- nCARTAS DE CONJUNTURA ITV – Nº 74 – ABRIL/2011)
Saul Leblon
No Blog das Frases
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Duke em Londres

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Por que a Seleção leva todas na Copa e nunca leva o Ouro Olímpico?

A seleção brasileira, que aparentemente vence com mais facilidade uma copa do mundo, nunca consegue obter o ouro nos jogos olímpicos de verão.
Pode ser a mesma equipe, a mesma escalação, mas o que pode ser uma tarefa muito fácil em certas copas do mundo, soa praticamente impossível quando se trata de uma olimpíada.
A dois anos da copa do mundo da Fifa Brasil 2014, a seleção brasileira não conseguiu vencer a seleção do México, na partida de ontem, em Londres. Era a final do campeonato de futebol masculino no evento olímpico, e o técnico Mano Menezes havia acreditado que a sua seleção levaria o ouro olímpico, como disse em uma entrevista recente.
O ouro acabou sendo para a seleção mexicana, que levou mais vantagens nos jogos e nas oportunidades de gol. Foram dois gols da seleção mexicana, e apenas um da seleção brasileira. E a seleção contava com Neymar, o arroz-de-festa do momento, e Alexandre Pato, o ex-marido da belíssima Stephany Brito.
A princípio, ão dá para entender por que a seleção brasileira que ganha fácil numa copa dificilmente vence numa olimpíada. Mas, analisando melhor as coisas, dá para perceber que, numa olimpíada, a influência dos "cartolas" da Fifa e da CBF é bem menor que a de uma copa do mundo, porque, é óbvio, neste último caso eles são os chefões do espetáculo.
Desde os anos 90 a seleção brasileira nunca consegue fazer jogadas confiáveis, manter um time coeso, com jogadas velozes e uma capacidade estável de fazer dribles admiráveis. E isso vale até mesmo em copas onde a seleção, aparentemente, saiu vitoriosa, como em 1994 e na desastrosa e corrupta copa de 2002.
Em 2002, então, o jogo Brasil X Inglaterra, se fosse realizado não na copa da Fifa, mas numa olimpíada, teria dado na derrota fatal da seleção brasileira. Os jogadores ingleses jogaram melhor, estavam com muita fome de bola, os brasileiros, por outro lado, estavam nervosos e Ronaldinho Gaúcho perdeu a cabeça e foi expulso.
Mas, como numa encenação, os jogadores ingleses "liberaram" o campo de defesa e a seleção brasileira, que havia jogado mal na partida, "venceu" por 2 a 1. As aspas mostram que a vitória foi muito estranha, porque todos os times sempre vencem ou perdem partidas num dia, mas a tendência natural era que a seleção inglesa vencesse, porque estava em condições semelhantes à da seleção mexicana na partida que deu a medalha de prata para os brasileiros.

Não foi 1958

Em relação aos dez anos do "penta", a grande mídia até tentou fazer uma comemoração. Fora o hype habitual da Rede Globo, a comemoração tinha que ser mesmo tímida e pouco marcante. Não havia muita coisa para se dizer sobre a copa do Japão e Coreia do Sul de 2002, porque ela foi tomada pela mediocridade e pela estranha derrota de seleções boas.
A copa de 2002 nem de longe pode se comparar com a da Suécia, em 1958, quando a seleção brasileira se destacou, pela primeira vez, pelas suas jogadas admiráveis, pela cumplicidade dos jogadores e pelos gols que garantiram a vitória de então.
Ano que vem serão os 55 anos desta vitória e até mesmo a mais tendenciosa cobertura midiática fará diferença ao falar e escrever sobre 1958 em relação ao que fez sobre 2002. Seria, mais ou menos, como falar do "sucesso mundial" de Michel Teló e depois celebrar o sucesso mundial verdadeiro de João Gilberto.
A mediocridade pode ser exaltada pela mídia, pela intelectualidade e até ter a defesa violenta da trolagem na Internet. Mas ela não tem qualidades suficientes para que se faça uma defesa substancial, ou, quando ela se torna coisa do passado, uma recordação realmente saudosa.
A copa de 2002 cairá no esquecimento. Foi a copa da mediocridade, a seleção brasileira que lá jogou foi a seleção de Ricardo Teixeira e Galvão Bueno. Não foi a seleção do povo brasileiro. Tudo foi tendencioso, artificial, até as jogadas eram muito iguais para que se levasse o evento esportivo a sério.
A copa de 1994, nos Estados Unidos, pelo menos foi uma piada. A de 2002, não. Foi o espetáculo da corrupção mais escancarada, fruto da indústria de "resultados" que movimenta empresas anunciantes no futebol e mobiliza todo um mercado legal e até mesmo clandestino para pressionar a "vitória" de uns privilegiados.
Podemos dizer que a seleção brasileira de 2002 foi também a seleção da Nike. E que, mudados os jogadores mas mantida a "filosofia de trabalho", deu conta de seu verdadeiro recado ao deixar a medalha de ouro para o time mexicano. Um verdadeiro "Brasil X Inglaterra 2002", sem a "ajudinha amiga" de Ricardo Teixeira, da Globo e da Nike.
Alexandre Figueiredo
No Mingau de Aço
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Documentos da Ação Penal 470 - Mensalão

Provas cabais e contundentes da inocência de Henrique Pizzolato nos levam a pensar... Por que mesmo tendo estas provas nas mãos , Gurgel o IGR (Inquisidor Geral da República) quis incriminar um inocente?
Se você assistir ao vídeo aqui, você começara a entender melhor as provas contundentes na mensagens e imagens dos documentos que se seguem provando a inocência de Henrique Pizzolato.
Continuando... O Comp@ Alexandre Cesar Costa Teixeira disponibilozou na página do Cidadania Plena no Facebook as seguintes provas da inocência de Henrique Pizzolato Abaixo o link para download do depoimento de Otavio Florisval http://www.4shared.com/office/G4TOyyOT/Vol_140_pg30-40_depoim_Otavio_.html? POR RECOMENDAÇÃO DE MEU AMIGO HENRIQUE PIZZOLATO envio-lhe a mensagem abaixo:
a principal acusação contida na "denúncia" que a PGR faz a Henrique Pizzolato na AP 470, em curso no STF, é a de ter sido o "pagador" que DEU o dinheiro "público" à empresa do publicitário Marcos Valério.
O valor que está na "denúncia" contra Pizzolato é exatamente o mesmo da soma total das notas que seguem em anexo.
Em que pese o significado em mídia da avalanche que foi endereçada a Pizzolato, a mais cristalina REALIDADE é que a "denúncia" é INVERÍDICA.
1) a VISANET é uma empresa PRIVADA, portanto NUNCA se poderia falar em recurso "público";
2) a VISANET efetivamente depositou recurso de seu próprio fundo nas contas da empresa DNA de Marcos Valério;
3) Henrique Pizzolato NUNCA teve qualquer ingerência na empresa VISANET;
4) As ordens do Banco do Brasil para a VISANET pagar a empresa DNA comprovam (segue anexo) o que aqui é afirmado pois são outras pessoas que o fizeram;
5) A questão dos BV´s (bônus de volume) são enfaticamente esclarecidas por um alto dirigente da Rede Globo que foi convocado como testemunha na própria AP 470 e depondo em juízo federal afirmou categoricamente que os BV´s SEMPRE pertenceram as agências de propaganda e o próprio TCU assim decidiu em diversas situações da espécie, inclusive no próprio caso em tela;
O fato é que Henrique Pizzolato por ser petista e ocupar, à época, cargo de relativo destaque no Banco do Brasil, foi guindado à condição de "pagador" sem ter PODERES institucionais para tanto. Os motivos desta barbaridade da PGJ ... bem ...
É importante ainda destacar que em perguntas dirigidas pela então CPI à VISANET indagando: "qual era a relação de Henrique Pizzolato com a VISANET ?" Sabem qual foi a resposta da VISANET, em DOCUMENTO CONFIDENCIAL, dirigido a então CPI, pasmem, foi em apenas uma palavra: NENHUMA
Se houver lisura jornalística que tenha a audácia de enfrentar o império da distorção midiática difundida por "autoridades" políticas e da área da justiça (Ministério Público e Judiciário), esses documentos em anexo são a PROVA cabal do MAIS DESCARADO ENGODO JÁ PERPETRADO EM NOSSO PAÍS com finalidades político partidárias inconfessáveis.
E ai vão as provas lembrando que por óbvio que este documento é para divulgarmos amplamente uma vez que ele é uma COMPROVAÇÃO DEFINITIVA de que mesmo após ter a vida vasculhada nos últimos 25 (vinte e cinco) anos pela Receita Federal, NADA CONSTA contra Pizzolato.
segue DOCUMENTO CONFIDENCIAL onde se destaca o seguinte trecho:
"qual era a relação de Henrique Pizzolato com a VISANET?" Sabem qual foi a resposta da VISANET, em DOCUMENTO CONFIDENCIAL, dirigido a então CPI, pasmem, foi em apenas uma palavra: NENHUMA
Esse importante documento a PGR SEMPRE teve em mãos e estranhamente "decidiu" desconsiderá-lo e está também nos autos da AP 470 no STF.
Quando Lula afirmou em entrevista com blogueiros que iria contar TUDO sobre a tentativa de golpe que hj está "encadernada" na AP 470, alguns entenderam a fala dele como tendo sido mera retórica política. Enganaram-se os que assim "perceberam" a então fala presidencial. A realidade está disponível para os que buscam a VERDADE, mas, se desejam,esses poucos, continuar a ser vítima da avalanche midiática GOLPISTA, sinto muito. 
No Xeque-Mate
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Acusação e defesa

Os advogados que até agora atuaram no julgamento do mensalão não merecem menos aplauso e defesa do que têm recebido, com fartura, o procurador-geral e acusador Roberto Gurgel. Não bastando que sua tarefa seja mais árdua, os defensores são alvos, digamos, de uma má vontade bem refletida na imprensa, por se contraporem à animosidade da opinião pública contra os seus clientes.
Ainda que não assegurem, necessariamente, a inocência de tal ou qual acusado, numerosas contestações pareceram muito mais convincentes, em pontos importantes, do que as respectivas acusações.
Na maioria desses casos, a defesa se mostrou mais apoiada do que a acusação em testemunhos e depoimentos tomados pelo inquérito, assim como em documentos e fatos provados ou comprováveis.
Com isso, outros pontos importantes da acusação estão ainda mais em aberto. É o caso, crucial, do mensalão como múltiplos pagamentos para assegurar votos ao governo na Câmara ou como dinheiro para gastos de campanha eleitoral.
A acusação não comprova a correspondência entre as quantias entregues a deputados e os votos na Câmara. Nem, sobretudo, a relação entre os pagamentos com valores tão diferentes e os votos que teriam o mesmo peso na contagem.
Não fica resolvida também, na acusação, a afirmada finalidade de compra de votos na Câmara e o dinheiro dado, por exemplo, aos leais deputados petistas Professor Luizinho e João Paulo Cunha, entre outros bem comportados aliados do governo também agraciados.
E houve, ainda, dinheiro destinado a seções partidárias estaduais, que nada tinham a ver com votações de interesse federal.
A afirmação de compra de votos, sustentada pelo procurador-geral Roberto Gurgel, foi tomada à CPI dos Correios por seu antecessor, Antonio Fernando de Souza, para formular a denúncia ao Supremo Tribunal Federal, há cinco anos.
A afirmação prevaleceu na CPI, porém, por conveniência política da oposição, e não porque os fatos apurados a comprovassem. Acertos de campanha eram muito mais coerentes com o constatado pela CPI. E já figuravam nas acusações de Roberto Jefferson, quando admitiu também haver recebido do PT, para o PTB e para candidatos petebistas.
Outro exemplo de afirmação fundamental e em aberto, porque construída de palavras e não de comprovações, está na acusação agora apresentada por Roberto Gurgel ao STF: "Foi José Dirceu quem idealizou o sistema ilícito de formação da base parlamentar de apoio ao governo mediante pagamento de vantagens indevidas" - e segue.
Seriam indispensáveis a indicação de como o procurador-geral soube da autoria e a comprovação de que José Dirceu "idealizou" o "sistema ilícito". Não só por se tratar de acusação com gravidade extrema.
Ocorre que o "sistema ilícito" foi aplicado já em 1998 por Marcos Valério, com suas agências de publicidade, e pelo Banco Rural para a frustrada reeleição de Eduardo Azeredo ao governo de Minas. Foi o chamado "mensalão do PSDB", descrito pela repórter Daniela Pinheiro, como já indicado aqui, na revista "piauí" deste mês.
Logo, para dar fundamento às palavras do procurador-geral Roberto Gurgel, só admitindo-se que José Dirceu "idealizou" tudo uns cinco anos antes do mensalão do PT. E, melhor ainda, que "idealizou" o "sistema ilícito" para beneficiar o PSDB de Eduardo Azeredo, hoje senador ainda peessedebista.
Os votos dos ministros do Supremo não suscitam expectativa só por carregarem consigo a absolvição e a condenação, mas pela maneira como encarem as divergências perturbadoras entre acusação e defesas.
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A Praça Deserta

Completamos hoje os primeiros dez dias do julgamento do mensalão. Confirma-se, até agora, o que se imaginava a respeito.
Nada mais simbólico do que está acontecendo que as fotografias da Praça dos Três Poderes. Nelas, veem-se as grades colocadas para conter os manifestantes. Mas a praça está deserta.
Ninguém que conhecesse um mínimo da opinião pública brasileira acreditaria que ela se interessasse pelo julgamento. Pelo que se constata, não se interessou mesmo.
Não havia razão para supor que se tornasse, para as pessoas, um assunto significativo na mídia. Não se tornou.
Onde isso fica mais visível é na internet.
Ao contrário dos jornais e revistas, que apenas oferecem a informação que seus responsáveis consideram relevante, os sites e blogs da internet fornecem um retorno instantâneo daquilo que interessa aos leitores. Percebe-se rapidamente o que os motiva e o que os deixa indiferentes.
Nos principais portais de informação, em nenhum dos últimos dias as notícias sobre o julgamento estiveram entre as mais acessadas. Pelo contrário.
Em função desse desinteresse, seus editores deslocaram a cobertura para lugares cada vez menores e menos proeminentes. Passou a disputar espaço com fofocas, receitas de bolo e a previsão do tempo.
É possível que, em alguns círculos, seja comum ver gente conversando acaloradamente sobre o andamento do processo. Não se pode excluir que existam espectadores que não desgrudam os olhos da TV Justiça e dos canais pagos que permanecem em vigília.
Mas nada sugere que sejam muitos. A temperatura da opinião pública anda baixa.
Por que deveria ser diferente? Havia alguma razão para crer que o julgamento desses 38 acusados fosse acender os sentimentos populares?
Por mais que as oposições – especialmente os veículos da indústria de comunicação alinhados com elas - tenham tentado devolver relevância ao assunto, não tiveram sucesso. Pelo menos, por enquanto.
A convocação para que o povo enchesse as ruas foi recebida com indiferença. A um protesto no Rio de Janeiro, compareceram 15 pessoas. Nenhum outro foi marcado.
Apesar das manchetes quase diárias nos jornais, do tempo na televisão, das capas de revista, a população acompanha o julgamento com a atenção que costuma dedicar a questões que considera secundárias.
Para ela, há coisas mais interessantes acontecendo – algumas boas, outras más.
A aprovação das cotas sociais e raciais nas universidades federais mexe mais com a vida do cidadão comum que a acusação contra fulano ou a defesa de sicrano. As paralisações de servidores públicos afetam objetivamente milhões de pessoas, mais que especular sobre o que pensa aquele ou aqueloutro ministro.
Só havia um modo da aposta que fizeram dar certo: se conseguissem trazer Lula e o PT para o banco dos réus.
Foi o que tentaram (aliás, vêm tentando desde 2005). Mas não deu certo.
Achar que o conseguiriam é, ao mesmo tempo, ignorância e presunção. De não saber o que são o ex-presidente e seu partido aos olhos da maioria da população e imaginar-se capazes de influenciar o país.
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
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Rapinagem

A melhor observação que li sobre a crise das dívidas na Europa foi a de um leitor da “London Review of Books” que, numa carta à publicação, comenta as queixas dos alemães inconformados com a obrigação de mandar seus euros saudáveis para sustentar a combalida economia grega.
O leitor estranha que ninguém se lembre de perguntar sobre as grandes reservas de ouro que os alemães levaram da Grécia durante a Segunda Guerra Mundial — e nunca devolveram. Só os hipotéticos juros devidos sobre o valor do ouro roubado dariam para resolver, ou pelo menos atenuar, a crise grega.
O autor da carta poderia estranhar também o silêncio que envolve um exemplo mais antigo de pilhagem, a dos tesouros artísticos da Grécia Antiga levados na marra e de graça para os grandes museus da Alemanha. Seu valor garantiria com sobras a ajuda aos gregos que os alemães estão dando com cara feia.
É claro que se, num acesso de remorso, os alemães decidissem devolver ou pagar o que levaram da Grécia estaria estabelecido um precedente interessante: a América poderia muito bem reivindicar algum tipo de retribuição da Europa pelo ouro e pela prata que levaram daqui sem gastar nada e sem pedir licença, durante anos de pilhagem.
Que não deixaram nada no seu rastro salvo plutocracias que continuaram a pilhagem e sociedades resignadas à espoliação. Alguém deveria fazer um cálculo de quanto a metrópole deve às colônias pelo que não pagou de direitos de mineração no tempo da rapinagem desenfreada. Só por farra.
Quanto às reservas de ouro levadas da Grécia pela Alemanha nazista, a observação do leitor da “London Review” mostra como a História não é linear, é um encadeamento. A atual crise do euro e da comunidade europeia é a crise de um sonho de unidade que asseguraria a paz e evitaria a repetição de tragédias como as das duas grandes guerras.
Sua meta era uma igualdade econômica, que dependia de um equilíbrio de forças, que dependia de a Alemanha como potência econômica ser diferente da Alemanha que invadiu e saqueou meia Europa.
Os alemães atuais não têm culpa pelos desmandos dos nazistas, mas não podem renunciar à força desestabilizadora que têm, que continuam a ter. Como a Grécia não pode evitar de ter saudade do seu ouro, do qual nunca mais ouviu falar.
Luís Fernando Veríssimo
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Na Casa do Rio Vermelho

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Povos sem pátria

Dentre povos sem pátria, os curdos, um grupo de cerca de 36 milhões de pessoas que se espalha pelo leste da Turquia, norte da Síria e do Iraque e noroeste do Irã, são os maiores. Até o início do século 20, os curdos pouco se importavam em ter um país, levando uma vida de pastores itinerantes de cabras e ovelhas e tendo como principal elemento de identidade sua organização social, baseada na lealdade aos clãs. Porém, o maior controle das fronteiras nacionais após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) impediu o livre deslocamento de seus rebanhos e forçou a maioria dos curdos a estabelecer-se em aldeias fixas e adotar a agricultura, fazendo surgir o nacionalismo e a luta pela criação de uma nação própria, projeto duramente reprimido pelos governos da Turquia e dos países vizinhos. Mas conseguir o próprio país não é aspiração exclusiva dos curdos. Ela faz parte das reivindicações de vários outros povos - grupos de indivíduos que são originários de uma mesma região, falam o mesmo idioma e têm costumes, hábitos, história, tradições e cultura em comum. Em geral esses povos não possuem hoje o próprio país por serem minorias étnicas na área que habitam, sendo submetidos a poderosas forças políticas ou militares, que representam interesses contrários à sua autonomia.

Os seis maiores povos sem nação totalizam 56 milhões de pessoas

1. Curdos
POPULAÇÃO - 36 milhões
TERRITÓRIO REIVINDICADO - 191 mil km2 (equivalente ao Paraná)
QUEM SÃO - Descendentes de tribos nômades que viviam ha 3 mil anos nas montanhas do que são hoje Turquia, Irã e Iraque. Apesar de ocuparem por séculos a mesma região, nunca tiveram um pais, mantendo-se sob domínio político e militar de outros povos.
SITUAÇÃO ATUAL - Na Turquia, onde vive a maioria do povo curdo, seu idioma é proibido e cerca de 10 mil deles estão presos por motivos políticos. Na década de 1990, milhares de curdos foram mortos por armas químicas lançadas pelo ex-ditador Saddam Hussein no Iraque. Apos a queda dele, a situação do povo no país melhorou.
2. Tibetanos
POPULAÇÃO - 6,2 milhões
TERRITÓRIO REIVINDICADO - 1,2 milhão de km2 (equivale ao Pará)
QUEM SÃO - Descendentes de pastores que vivem na região noroeste do que e hoje à China há 2 200 anos, os tibetanos costumavam viver numa sociedade semifeudal dominada pela classe de sacerdotes budistas. Desde o século 13, o povo sofre a dominação de outros inimigos. Em 1990, o Tibério foi invadido pela China, sendo ocupado e anexado em seguida. Para contrabalançar a demografia da região, o governo de Pequim enviou mais de 6 milhões de chineses para viver no Tibete.
SITUAÇÃO ATUAL - A china continua a reprimir as atividades políticas e religiosas e região, que tem passado por rebeliões esporádicas, sempre duramente combatidas por Pequim.
3. Palestinos
POPULAÇÃO - 5,3 milhões
TERRITÓRIO REIVINDICADO - 6 mil km2 (equivale ao Distrito Federal)
QUEM SÃO - Os palestinos são descendentes dos filisteus, povo que chegou ao Oriente Médio há 14 mil anos, época em que explodiram os primeiros confrontos com israelitas, que também habitavam a região. Submetidas ao Império Otomano e depois pelos britânicos, os palestinos perderam a chance da independência em 1948: com a de Israel, boa parte de seu território foi ocupado pelo novo país.
SITUAÇÃO ATUAL - Em 1994 foi estabelecida a Autoridade Palestina, um governo semi-autônomo que obteve controle sobre partes do antigo território. Os palestinos moderados defendem a ampliação da autonomia e a convivência com os israelenses. Os radicais exigem a destruição de Israel.
4. Ciganos
POPULAÇÃO - 5 milhões
TERRITÓRIO REIVINDICADO - Nenhum
QUEM SÃO - Originário do norte da Índia, de onde saíram por volta do século 11, os ciganos espalharam-se pelo mundo. Hoje, habitam praticamente todos os país do Ocidente. Nômades sem reivindicação territorial, eles têm sido vitimas de preconceito cultural, repressão política e até mesmo campanhas de extermínio. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) os nazistas mataram pelo menos 400 mil deles.
SITUAÇÃO ATUAL - Resistindo a integrar-se à sociedade, eles procuram manter seus costumes nômades tradicionais. As perseguições são coisa do passado na maior parte do mundo. O preconceito cultural e a discriminação não.
5. Bascos
POPULAÇÃO - 2,1 milhões
TERRITÓRIO REIVINDICADO - 234 km² (1,2 vez o território do Distrito Federal)
QUEM SÃO - A tribo dos Vascones antepassados dos bascos atuais, vivia em áreas que hoje fazem parte da Espanha e da França há pelo menos 2 mil anos. Depois de resistir a diversas invasões estrangeiras, eles foram incorporados em sua maioria ao território espanhol e, no século 20, sofreram intensas perseguições durante o governo do ditador Francisco franco, a quem se opuseram inclusive com luta armada
SITUAÇÃO ATUAL - Após a morte de Franco e a redemogratização da Espanha, na década de 1970, os bastos obtiveram mais liberdade e certa autonomia política. Mas isso não apaziguou os movimentos separatistas mais radicais, que continuam com seus atentados.
6. Chechenos
POPULAÇÃO - 1,2 milhões
TERRITÓRIO REIVINDICADO - 15 800 km2 (três vezes o território do Distrito Federal)
QUEM SÃO - Em sua maioria muçulmanos os chechenos originam-se de tribos que vivem há séculos nas montanhas da região do Cáucaso. Entre as décadas de 1830 e 1850, eles opuseram feroz resistência armada às conquista que a Rússia fazia naquela área. Como fim da União Soviética, em 1991, a região virou república independente. Mas, em dezembro de 1994, a Rússia invadiu a Chechênia, causando uma guerra com cerca de 100 mil mortes.
SITUAÇÃO ATUAL - As tropas russas têm controle das principais cidades. Mas a rebelião contra sua presença prossegue com atentados e violência.



Roberto Navarro
No Geografia Hoje
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