8 de ago de 2012

La verdad detrás de Siria

Documental "La verdad detrás de Siria" producido por el comité de Acción Política de Lyndon LaRouche en Estados Unidos, se trata sobre la operación imperial detrás de la desestabilización terrorista en Siria, organizada y financiada desde Gran Bretaña, Arabia Saudita y EE.UU. Aquí se exponen todas las redes terroristas que van desde Al-Qaeda, hasta la empresa británica BAE systems y los grandes bancos del mundo.
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Boa hora para mudar o Supremo

Não funciona bem um tribunal em que juízes dormem de toga e um julgamento tem de ser apressado ou retardado porque um ministro faz 70 anos

O julgamento do chamado "mensalão", certamente o que nos últimos tempos mais atraiu atenções para o Supremo Tribunal Federal, é um bom motivo para o país sair da letargia em relação a alguns temas que estão sendo, indiretamente, colocados em pauta. O julgamento faria bem ao Brasil se fosse além do julgamento em si e mudasse algumas práticas nocivas.
O primeiro tema que poderia ser discutido, e mais óbvio, é o sistema eleitoral brasileiro e suas repercussões no sistema político. O caixa dois em campanhas eleitorais e o financiamento ilegítimo a políticos e a partidos é o cerne da questão em exame no Supremo. Na verdade, a prática é usual há anos, e exercida por 95% dos políticos brasileiros, no mínimo. As eleições estão cada vez mais caras e assim a política vai se tornando atividade para milionários ou para pessoas que se tornam reféns de seus financiadores de campanha, no caixa um ou no caixa dois.
O julgamento é um bom motivo para mudar, também, o sistema judiciário brasileiro, e particularmente o antiquado Supremo Tribunal Federal. Diversas questões poderiam ser colocadas para discussão:
  1. – Os ministros devem mesmo ser nomeados pelo presidente da República depois de submetidos a um sabatina formal e vazia no Senado?
  2. – Os ministros devem ser vitalícios ou deveriam ter um mandato?
  3. – É preciso mesmo que os ministros se aposentem compulsoriamente aos 70 anos?
  4. – As atribuições do tribunal não poderiam ser reduzidas, com menos processos e menos julgamentos?
5 – O ritual formalístico-burocrático é mesmo necessário, não poderia ser simplificado? Não é geralmente apenas perda de tempo e causa gastos desnecessários?
Há muito mais aspectos no funcionamento do Supremo que poderiam ser discutidos. Só não venham dizer que está tudo bem do jeito que é. Não pode estar bem um tribunal em que:
  • Um processo como esse demora sete anos para ser julgado (e há processos esperando há mais de 20 anos).Ministros usando ridículas togas dormem em suas cadeiras enquanto estão falando advogados que também usam ridículas togas.
  • Uma ministra deixa o julgamento pela metade porque preside outro tribunal e isso é considerado normal pelos demais ministros.
  • Um julgamento importante tem de ser apressado para que um ministro que está fazendo 70 anos tenha tempo de votar. Ou retardado para que ele não vote, dependendo do ponto de vista. Com 70 anos e duas semanas de vida o ministro estará velho demais para decidir.
Hélio Doyle
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De hora em hora, Gilmar Mendes piora: Quer amordaçar a Web!

O pior ministro da história do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, representou à Polícia Federal pedindo a abertura de investigação contra a Wikipédia por estar reproduzindo denúncias contra ele apresentadas pela revista CartaCapital
E antecipou que vai solicitar ao Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, uma investigação do uso de recursos públicos para financiamento de blogues de conteúdo crítico ao governo e instituições do Estado.
Também o PSDB anda incomodado com seus críticos virtuais (vide aqui): fez uma representação à Procuradoria Geral Eleitoral, pedindo que investigue o blogue Conversa Afiada (do Paulo Henrique Amorim) e o site Luís Nassif OnLine, pedras no sapato de José Serra e sua combalida campanha para prefeito de São Paulo.
Como expressão do meu mais enfático repúdio a todas as tentativas de implantação da censura na internet, reproduzo em seguida os trechos do brilhante trabalho jornalítico de Leandro Fortes e Maurício Dias, matéria de capa da edição 708 da CartaCapital, que tanto incomodaram o contumaz discípulo de Torquemada (não só atuou como um típico inquisidor no Caso Battisti, como agora quer colocar uma reportagem jornalística no index...), O valerioduto abasteceu Gilmar. Jamais tendo recebido um centavo sequer de publicidade por meus blogues, estou imune a tais tentativas de intimidação.
"...quando se iniciar o julgamento do chamado mensalão no Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes estará com sua toga ao lado dos dez colegas da corte. Seu protagonismo nesse episódio está mais do que evidenciado. Há cerca de um mês, o ministro tornou-se o assunto principal no País ao denunciar uma suposta pressão do ex-presidente Lula para que o STF aliviasse os petistas envolvidos no escândalo,  bandidos, segundo a definição de Mendes.
À época, imaginava-se que a maior preocupação do magistrado fosse a natureza de suas relações com o bicheiro Carlinhos Cachoeira e o ex-senador Demóstenes Torres. Mas isso é o de menos. Gilmar Mendes tem muito mais a explicar sobre as menções a seu nome no  valerioduto  tucano, o esquema montado pelo publicitário Marcos Valério de Souza para abastecer a campanha à reeleição de Eduardo Azeredo ao governo de Minas Gerais em 1998 e que mais tarde serviria de modelo ao PT.
O nome do ministro aparece em uma extensa lista de beneficiários do caixa 2 da campanha. Há um abismo entre a contabilidade oficial e a paralela. Azeredo, à época, declarou ter gasto 8 milhões de reais. Na documentação assinada e registrada em cartório, o valor chega a 104,3 milhões de reais. Mendes teria recebido 185 mil.
Esse pacote de documentos foi entregue (...) à delegada Josélia Braga da Cruz na Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais. Além de Mendes, entre doadores e receptores, aparecem algumas das maiores empresas do País, governadores, deputados, senadores, prefeitos e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Os pagamentos foram feitos pela SMP&B Comunicação, empresa do ecumênico Marcos Valério de Souza. Todas as páginas são rubricadas pelo publicitário mineiro, com assinatura reconhecida em cartório no final do documento...
Um dado a ser considerado é o fato de que, em janeiro de 2009, Mendes ter concedido o habeas corpus que libertou Souza da cadeia. Também foi libertado, no mesmo ato, Rogério Lanza Tolentino, que aparece na lista do valerioduto como beneficiário de 250,8 mil reais 'via Clésio Andrade/Eduardo Azeredo'. O ministro do Supremo entendeu que o decreto de prisão preventiva da dupla não apresentava 'fundamentação suficiente'.
O ministro Gilmar Mendes aparece entre os beneficiários do caixa 2 da campanha da reeleição de Eduardo Azeredo em 1998, operado por Marcos Valério
Quem desponta na lista de doadores, sem nenhuma surpresa, é o banqueiro Daniel Dantas. Foram 4,2 milhões de reais por meio da Cemig".

ABAIXO-ASSINADO PEDE IMPEACHMENT

Por essas e outras, continua tendo tudo a ver o pedido de impeachment de Gilmar Mendes, apesar de o inacreditável José Sarney, como presidente (que há muito deveria ter deixado de ser...) do Senado ter arquivado, em maio de 2011, uma consistente representação do advogado Alberto de Oliveira Piovesan neste sentido.

Um abaixo-assinado apoiando a atitude do corajoso advogado e pleiteando o impeachmet pode ser acessado  aqui.

E, facilitando o trabalho de quem quiser fazer outra tentativa, prestando um enorme serviço às nossas instituições, eis o embasamento do pedido de Piovesan, aqui. Basta acrescentar a profusão de novos motivos que vieram à tona desde então.

Piovesan arguiu a "Lei nº 1079, de 10 de abril de 1950, (...) eis que (...) há indícios de incidência do item 5 do artigo 39": um ministro do STF proceder "de modo incompatível com a honra, dignidade e decôro de suas funções".

Com base no que a CartaCapital apurou, Mendes poderia, talvez, ser enquadrado também no ítem 2: "proferir julgamento, quando, por lei, seja suspeito na causa".
Além da reportagem que fez o destrambelhado ministro soltar os cachorros contra a Wikipedia, há outra que deixou sua imagem em frangalhos: uma longa matéria sobre o Supremo, de autoria de Luiz Maklouf Carvalho, que a revista Piauí publicou há dois anos, em suas edições  47 e 48 (vide íntegra aqui).  Piovesan a citou várias vezes para corroborar sua denúncia.
Vale a pena recapitularmos os principais trechos em que Mendes foi citado.

LIGAÇÕES PERIGOSAS - 1


"Outro advogado que atua no Supremo é José Luis de Oliveira Lima, Juca para os amigos. Ele é o patrono do maior e mais famoso processo que tramita na casa – o do  mensalão, relatado pelo ministro Joaquim Barbosa, no qual defende o ex-ministro José Dirceu. No final do ano, na véspera do Natal, em parceria com Márcio Thomaz Bastos, Oliveira Lima conseguiu do ministro Gilmar Mendes uma liminar que tirou da cadeia um dos seus clientes mais conhecidos, o médico Roger Abdelmassih, denunciado por crimes sexuais contra pacientes.

Quatro meses depois, numa segunda-feira de maio, Oliveira Lima homenageou o ministro Gilmar Mendes com um jantar em seu apartamento. 'É o mínimo que ele merece, pela gestão revolucionária que fez no Supremo', explicou Oliveira Lima. Convidou trinta criminalistas, entre os mais prestigiados de São Paulo. Gilmar Mendes foi com a esposa, Guiomar, que discursou. Márcio Thomaz Bastos foi um dos primeiros a se retirar. 'Não vejo nenhum conflito ético em comparecer a esse jantar', me disse Gilmar Mendes. 'Nem eu', afirmou o anfitrião".

LIGAÇÕES PERIGOSAS - 2


"...Gilmar Mendes estava a postos na manhã seguinte, um sábado, dando uma aula no Instituto Brasiliense de Direito Público. O idp é uma faculdade particular que fica numa área de 6 mil metros quadrados da Asa Sul. Ela pertence a três professores: Inocêncio Coelho, Paulo Branco e Gilmar Mendes. 'É tudo perfeitamente constitucional', ele disse, acrescentando que constituiu os advogados Sepúlveda Pertence e Sergio Bermudes a abrir processo contra publicações e jornalistas que afirmaram ou insinuaram o contrário.

Durante a presidência de Gilmar Mendes, Joaquim Falcão, professor de direito constitucional da Fundação Getulio Vargas, foi juiz-conselheiro do Conselho Nacional de Justiça. Um dos casos que lhe caiu nas mãos foi uma representação contra o juiz Ari Ferreira de Queiroz, de Goiânia. O juiz era sócio-proprietário do Instituto de Ensino e Pesquisa Científica, uma escola semelhante à de Gilmar Mendes, embora mais modesta. A representação visava impedir que Queiroz fosse, simultaneamente, juiz e dono de uma faculdade.
Na decisão, Falcão determinou 'o imediato desligamento do magistrado de sua qualidade de sócio-cotista e a desvinculação total da imagem do magistrado e do Instituto'. O juiz Queiroz, de Goiânia, acatou a decisão. Por que Falcão não levou a questão ao plenário do Conselho Nacional de Justiça, presidido por um dos sócios proprietários do Instituto Brasiliense de Direito Público? Porque Falcão achou que Gilmar Mendes teria maioria dos votos a seu favor".

LIGAÇÕES PERIGOSAS -3 


"Minha ideia era viver o ócio com dignidade, só que o Sergio me aperreou”, contou Guiomar...
'Conheço o Sergio há muitos anos, desde que entrei no STF. (...) Quando me viu aposentada, me aperreou. Queria que eu cuidasse da gestão do escritório dele de Brasília... organizei as coisas do meu jeito e resolvi ficar. Ele me paga, líquidos, 14 mil reais por mês. Eu cuido da gestão do escritório. Não advogo, mas talvez venha a advogar.'

Gilmar Mendes e Sergio Bermudes começaram pelo ódio. O primeiro, quando advogado-geral da União, chamou o segundo – renomado professor de direito e dono de respeitada banca cível no Rio – de 'chicanista' em um programa de televisão...
Perguntei a Sergio Bermudes como se haviam reconciliado. (...) Contou que no primeiro encontro que tiveram, ambos palestrantes de um simpósio universitário, cumprimentaram-se como se nada tivesse acontecido. Depois, ele mandou um livro de presente; e Mendes mandou-lhe outro. A raiva virou amizade.
Mendes e Guiomar já se hospedaram nos apartamentos de Sergio Bermudes no Rio, no Morro da Viúva, e em Nova York, na Quinta Avenida. Também usam a sua Mercedes-Benz, com o motorista. Logo depois da solenidade de transferência da presidência do Supremo para Cezar Peluso, Mendes e Guiomar embarcaram em uma viagem de cinco dias a Buenos Aires – presente de Sergio Bermudes, que os acompanhou.
Perguntei a Gilmar Mendes se não cogitara abdicar de julgar os processos do escritório de Sergio Bermudes que tramitam pelo Supremo – são dezenas, e ele é o relator de alguns. 'De jeito nenhum', ele respondeu. 'Nesse caso também teria que me declarar suspeito nos processos do Ives Gandra, que escreveu livros comigo, e de outros advogados que são meus amigos.' Mas nem pelo fato de sua mulher trabalhar no escritório de Bermudes? 'Isso não é motivo', respondeu...'

LIGAÇÕES PERIGOSAS - 4


"O primeiro palanque no qual Peluso subiu, horas depois de eleito presidente, em 10 de março, foi numa festa do site Consultor Jurídico, o Conjur. O palanque foi montado no salão principal do Supremo para comemorar o lançamento da edição de 2010 do Anuário da Justiça, publicado pelo site e pela Fundação Armando Álvares Penteado, a Faap. Mendes, Celso de Mello, Toffoli, Britto e Lewandowski estavam no tablado de honra com Peluso.
O Anuário é uma revista grossa que é produzida a um custo de cerca de 400 mil reais, bancados pela Fundação Armando Álvares Penteado. A tiragem é de 20 mil exemplares, dos quais 12 mil são distribuídos pela Faap em gabinetes de ministros, parlamentares, governadores e prefeitos. Ele funciona como um quem-é-quem do Judiciário, entremeado de anúncios de escritórios de advocacia. 'O Anuário dá uma contribuição decisiva para conhecer o Poder Judiciário brasileiro', disse Gilmar Mendes no seu discurso. 'É jornalismo judicial especializado.'

O dono do Conjur e editor do Anuário é o jornalista Márcio Chaer, proprietário também de uma assessoria de imprensa, a Original 123. As empresas estão instaladas numa casa de três andares na Vila Madalena, em São Paulo. O site faz uma cobertura intensa e extensa dos eventos e decisões do Poder Judiciário. Chaer é amigo de Guiomar e Gilmar Mendes. Troca e-mails e telefonemas amiúde com o juiz.
A Faap responde a condenações e processos por crimes contra a ordem tributária e o sistema financeiro. Alguns desses processos estão no Supremo. A pessoa jurídica do Conjur, a Dublê Editorial, também tem processos tramitando no tribunal. 'Não vejo problema nenhum de lançar o Anuário no Supremo', disse Mendes. O primeiro lançamento foi feito em 2007, quando a presidente era a ministra Ellen Gracie. Ela se declara suspeita quando recebe processos que envolvam a Faap. Joaquim Barbosa acha 'um escândalo' que o Anuário seja lançado no Supremo.
O professor de direito Conrado Hübner Mendes, doutor em ciência política pela Universidade de São Paulo e autor do livro Controle de Constitucionalidade e Democracia, tem outra opinião: 'O Anuário pode até produzir informações de interesse público, mas não é isso que está em questão. Uma empresa privada não deveria ter o privilégio de ter seu produto promovido dentro do próprio tribunal. A integridade das instituições depende da separação entre o público e o privado.'"

ALÍVIO PARA DANIEL DANTAS


"'...evitamos um namoro explícito com o estado policial. Havia um quadro explosivo que nos levava a um modelo em que a polícia mandava no Ministério Público e em juízes da primeira instância. Era preciso arrostar esses abusos. E eu tive medo de ter medo.'
É aqui que entra o banqueiro Daniel Dantas, alvo da Operação Satiagraha. Mendes mandou soltá-lo duas vezes, concedendo-lhe habeas corpus quando o juiz Fausto de Sanctis quis manter o dono do Opportunity na prisão. Mendes considerou que o juiz, erradamente, se subordinara ao Ministério Público e ao delegado encarregado da investigação, Protógenes Queiroz. De Sanctis não quis dar entrevista a respeito: Por impedimento legal não posso falar de fato concreto, as decisões falam por si, disse-me ele.

Juiz é elemento de controle do inquérito, não é sócio da investigação, afirmou Gilmar Mendes, sobrevoando Salvador. Ele contou os antecedentes de sua primeira decisão: A  Guio  me ligou, dizendo que podiam prender até a Andréa Michael, da Folha de S.Paulo. O governo estava de cócoras em relação aos abusos da polícia. Eu tinha que dar um basta naquilo, fosse Daniel Dantas ou fosse qualquer um.' 'Guio' é Guiomar Mendes, esposa do ministro.

Outro risco de estabelecimento de um 'estado policial' surgiu, segundo Mendes, quando a revista Veja publicou uma reportagem sustentando que um telefonema de Mendes com o senador Demóstenes Torres havia sido gravado ilegalmente, e apresentou como evidência a transcrição da conversa. Com a certeza de que fora grampeado por um órgão do Executivo, Mendes ligou para Fernando Henrique Cardoso. Eles são amigos. Nos tempos de Gilmar na presidência, Fernando Henrique entrava pela garagem do Supremo.
'Eu estava numa fazenda', contou Fernando Henrique em São Paulo. 'O Gilmar estava indignado. Disse que ia reagir à altura, chamando às falas o presidente Lula. Eu o incentivei a ir em frente.' Mendes foi. 'Não há mais como descer na escala da degradação institucional', declarou ele à imprensa. 'Gravar clandestinamente os telefonemas do presidente do STF é coisa de regime totalitário. É deplorável, ofensivo, indigno.' No dia seguinte, uma delegação do STF integrada por Mendes, Ayres Britto e Cezar Peluso foi ao Planalto sem ter sido convidada. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva os recebeu.
No encontro, os três juízes deram como certo que gente do Executivo bisbilhotava a mais alta corte e o Congresso, e cobraram providências. Enfático, o ministro Franklin Martins, da Comunicação Social, argumentou que a denúncia do grampo não tinha comprovação porque o áudio não aparecera. E disse que o governo não podia ser responsabilizado sem provas. Os ministros mal reconheceram sua interlocução. Lula mais ouviu do que falou. Dias depois, à guisa de reparação, mas sem explicitá-la, determinou que o delegado Paulo Lacerda saísse da chefia da Agência Brasileira de Inteligência".

DEGRADAÇÃO DO JUDICIÁRIO


" [Dalmo de Abreu] Dallari conheceu Gilmar Mendes quando este era advogado-geral da União e auxiliava o ministro Nelson Jobim, da Justiça, em questões indígenas. 'Tive uma péssima impressão dele nas reuniões em que nos encontramos; eu defendendo os índios, e ele desenvolvendo uma argumentação típica de grileiro de luxo, de quem vê o índio como empecilho ao desenvolvimento nacional', disse. 'Depois houve uma denúncia, da revista Época, mostrando que ele, na Advocacia-Geral da União, contratava o seu próprio estabelecimento de ensino para dar cursos a servidores de lá. Para mim, isso é corrupção.'
Em maio de 2002, Dallari publicou na Folha de S.Paulo um artigo, 'Degradação do Judiciário' [vide aqui], com essas e outras acusações. 'Se essa indicação vier a ser aprovada pelo Senado, não há exagero em afirmar que estarão correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional', diz um dos trechos. O argumento técnico era que Mendes não tinha reputação ilibada, exigência constitucional para o posto.
Ainda à frente da Advocacia-Geral, Mendes pediu que o procurador-geral da República o defendesse. O procurador entrou com uma ação penal contra Dallari pelos crimes de injúria e difamação. Enquanto o processo tramitava, o Senado aprovou a indicação de Mendes, com quinze votos contrários, de um total de 72, um número bastante alto. O juiz federal Sílvio Luís Ferreira da Rocha sentenciou que o artigo de Dallari se enquadrava no adequado direito de crítica, sem configurar ofensa à honra, e determinou o arquivamento do caso. Mendes não recorreu.
'Não retiro uma vírgula do que escrevi', disse Dallari exibindo a sentença... [e] continua a criticar Mendes: 'A gestão dele como presidente foi muito negativa, com excesso de personalismo. Em busca de autopromoção, agiu como um verdadeiro inquisidor'".
Celso Lungaretti
No Ousar Lutar! Ousar Vencer!
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Por que a voz rouca das ruas não está nem aí para o Mensalão

Gurgel
Algumas coisas pegam, outras não. Algumas coisas mobilizam a opinião pública, e outras provocam essencialmente indiferença.
Aqui, na Inglaterra. A revelação de que o celular de uma garota sequestrada fora invadido por repórteres do tablóide News of the World, de Rupert Murdoch, gerou entre os ingleses uma raiva tão forte e tão espalhada que em menos de uma semana o jornal, de 168 anos, estava simplesmente fechado.
Na Tunísia, a autoimolação de um vendedor maltratado derrubou, em menos de um mês, uma ditadura de 23 anos.
O caso inverso é o Mensalão, no Brasil. Não vou entrar sequer no mérito da discussão sobre se o Mensalão deveria ter inflamado os brasileiros ou não. Mas o fato indiscutível é que, gostemos ou não, o caso jamais foi relevante para a opinião pública brasileira – a despeito da cobertura enorme e estrepitosa de jornais, revistas e telejornais.
Se a medição do poder de influência da grande mídia se der em torno do que o Mensalão significa para os brasileiros, a conclusão a que se chega é que a sociedade não está ouvindo tanto assim o chamado Quarto Poder. Se estivesse, a voz rouca das ruas estaria gritando palavras de ordem contra Lula, Dirceu etc. O Brasil se transformaria numa Praça Tahrir, o célebre centro de protestos do Egito.
Os ingleses ficaram furiosos ao saber que
jornalistas entraram nas mensagens do
celular dessa garota sequestrada e morta
Mas não.
Fora da mídia, a maior revolta parece vir de Roberto Gurgel, o procurador-geral da República. Mas em suas palavras, até aqui, há mais barulho que sentido. Gurgel, ao estilo superlativo do agregado José Dias de Machado de Assis, classificou o Mensalão como a “maior agressão” que a democracia poderia sofrer.
O quê? Como classificar, então, o golpe militar que derrubou em 1964 um governo eleito pelas urnas? Sabemos todos que muitas bobagens antidemocráticas são ditas em nome da democracia, mas Gurgel extrapolou.
Mas ainda uma vez. A opinião pública brasileira parece surda a toda a exaltação retórica de Gurgel, tão repercutida pela grande mídia.
De novo: algumas coisas pegam, outras não.
O Mensalão não pegou.
Paulo Nogueira
No Diário do Centro do Mundo
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PMs filmados atirando em adolescente são absolvidos, em Manaus

 Acredite se quiser 

Ministério Público do AM irá entrar com recurso para anular decisão do júri.
Familiares dos réus comemoraram a absolvição dos policiais militares.
Julgamento durou cerca de 13 horas nesta terça (7) em Manaus
(Foto: Mônica Dias/G1)
Os dois soldados da Polícia Militar do Amazonas suspeitos de atirar em um adolescente em agosto de 2010 foram absolvidos após julgamento que durou 13 horas nesta terça-feira (7), em Manaus. O Ministério Público anunciou que irá entrar com recurso para reverter a decisão.
Os policiais estavam presos no Batalhão da Polícia Militar há um ano e quatro meses, com os outros três suspeitos do crime. O PM André Luiz Castilhos Campos era acusado de tentativa de homicídio qualificado e coautoria de roubo qualificado. Já o policial Rosivaldo de Souza Ferreira era acusado de comunicação falsa de crime, coautoria de tentativa de homicídio qualificado e coautoria de roubo qualificado.
De acordo com o juiz Mauro Antony, da 3ª Vara do Tribunal do Júri Popular do Estado do Amazonas, os jurados absolveram os réus após responderem três perguntas. Primeiramente pela principal acusação (se houve disparo de arma de fogo contra o adolescente) e, em seguida, das acusações de coautoria de roubo e falsificação de Boletim de Ocorrência.
Réus foram considerados inocentes pelo juri (Foto: Mônica Dias/G1) 
Réus foram considerados inocentes pelo júri
(Foto: Mônica Dias/G1)
Ainda durante o veredito, o advogado de defesa Glen Wilde solicitou a liberdade provisória de outros dois réus clientes dele. São eles Alexandre Souza dos Santos e Marcos Teixeira de Lima. O juiz que presidiu o julgamento disse que irá analisar a situação.
O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE/AM) deverá entrar com recurso para tentar anular a decisão, uma vez que, segundo o promotor do caso, Ednaldo Medeiros, ela vai contra as provas visuais.
Durante o julgamento, apenas familiares e amigos dos réus estavam presentes. Após o anúncio oficial, todos comemoraram a decisão do júri popular.
Em entrevista ao G1, a mãe do PM André Castilho, Marisa Castilho, de 55 anos, disse estar magoada com as acusações feitas contra o filho. "Ele ficou preso 1 ano e 4 meses injustamente. Quero saber quem vai dar a ele agora os momentos perdidos. Meu filho estava excluído da sociedade", disse a comerciante.
Familiares e amigos dos réus comemoraram a decisão do juri (Foto: Mônica Dias/G1 AM)
Familiares e amigos dos réus comemoraram a decisão do júri popular 
(Foto: Mônica Dias/G1 AM)

Relembre o caso


O crime ocorreu em 17 de agosto de 2010. Em um vídeo de uma câmera de segurança particular, sete policiais militares aparecem atirando em um adolescente de 14 anos no bairro Amazonino Mendes, Zona Leste de Manaus. Nas imagens, um dos PMs armado, mais tarde identificado como André Luiz Castilhos Campos, agride, ameaça e atira por cinco vezes no tórax do jovem. A ação acontece na presença de outros policiais militares.
De acordo com o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE/AM), o adolescente não possuía antecedentes criminais. Na noite do crime, ele teria ido a casa da namorada e a uma lan house, e foi abordado por oficiais quando voltava para casa.
Para o responsável pelo caso na época, promotor de justiça João Bosco Sá Valente, os policiais tinham a intenção de matar o jovem. "Se você atira no calcanhar, isso indica que você não queria matar. Você atira no peito, dá cinco tiros, e não quer matar? É indefensável a história deles. Eles queriam matar", afirmou.
O então secretário de Segurança Pública do Estado na época, Zulmar Pimentel, anunciou o afastamento e a detenção administrativa de seis dos sete policiais envolvidos no batalhão da Polícia Militar, na Zona Centro-Sul da capital. Em março do ano passado, a Justiça decretou a prisão preventiva dos sete policiais.
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Decano do jornalismo detona imprensa no mensalão

Para se chegar à verdade, é preciso admitir quando se dizem versões
Ânimos a flor da pele no jornalismo.
O Brasil assistiu na noite de segunda-feira a uma rara e contundente autocrítica no campo da grande mídia, quase sempre imersa em seu próprio corporativismo.
No programa Roda Viva, da TV Cultura, o jornalista Janio de Freitas detonou a cobertura do mensalão pela imprensa. (assista aqui)
Pela pressão imensa que exerceram às vésperas do julgamento, em prol da condenação, disse ele, os jornais perderam a autoridade moral para fazer uma avaliação justa.
Janio de Freitas tem oitenta anos de idade e há trinta escreve uma das mais prestigiosas colunas do jornalismo político, na Folha de S. Paulo. O recado que deu foi dirigido a todos os grandes jornais, inclusive ao seu.
Do alto de uma experiência de quase seis décadas de profissão, Janio criticou no programa a qualidade da produção dos jornais, a falta de leitura crítica dos colegas e a mesmice das edições que faz com que as publicações se confundam nas bancas.
Mas foi para as notícias sobre o julgamento, que deixou a observação mais severa: “Não é que o jornal não possa ter uma opinião política sobre determinado assunto – explicou o decano do jornalismo. Como empresa privada, tem pleno direito a escolher a linha que quiser, mas jamais suportando o discurso da neutralidade e da imparcialidade”. É inadmissível essa conduta enviesada – completou.
Muito além da longeva experiência, a lucidez de Janio de Freitas por si só é desconcertante.
O ponto destacado é de fato o mais relevante na construção daquilo que se costuma chamar de opinião pública.
Quando o órgão de imprensa assume claramente sua posição, pode participar, mesmo que às vezes de forma agressiva, na formação desta opinião pública.
Mas quando a esconde nas entrelinhas, nas mensagens subliminares ou nos títulos provocativos, busca simplesmente fazer da sua, a opinião do público. É a versão se travestindo em verdade.
Essa falsa neutralidade agride não apenas quando mascara a posição, mas, sobretudo, quando se distingue daqueles que a assumem.
Arroga-se uma credibilidade ancorada justamente na linha divisória de quem não tem preferências, e por isso mesmo, não carregaria suspeições.
A “conduta enviesada”, assim, não é apenas omissa, mas ensimesmada e excludente.
A questão pode ser vista mais claramente na forma como se acolhem as partes em um julgamento criminal.
Tomar a acusação como referência imparcial e a defesa como suspeita, por exemplo, é o erro mais frequente de quem supõe expressar um juízo isento – e, infelizmente, não ocorre apenas na imprensa.
Fazer do acusador uma espécie de juiz afronta a ideia central do processo penal democrático e reedita os tempos negros do chamado, não à toa, sistema inquisitorial.
Para se chegar à verdade, é preciso admitir quando se dizem versões.
Marcelo Semer
No Sem Juízo
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Trate seu jornalista com mais carinho. Ele merece

Recebi um telefonema no meio da tarde de um amigo-jornalista que queria desabafar. O chefe havia pedido para o rapaz tirar a declaração de uma fonte que não “combinava” com o restante da matéria. Bem, para bom entendedor… Quando atendi, desandou a reclamar da vida, xingou Deus e o mundo, disse que um dia largava tudo e abria um bar até que, mais tranquilo, voltou ao texto para matar a fonte que não cabia. Avisei que aquilo ia virar post, mas não se importou. Considerou como meu pagamento pela terapia.
Isso me lembrou de que já tinha feito um “Amar é…” sobre esses pequenos calvários do profissional de imprensa. Então, atualizo, reúno tudo e trago abaixo. Cada uma das linhas brotou de uma história que ocorreu em alguma redação espalhada pelo país, da progressista à conservadora, da grande à pequena. Nomes? Ah, pra quê? Já perguntava Shakespeare: “O que há num simples nome? O que chamamos rosa com outro nome não teria igual perfume?”
Não, não aconteceu nada comigo e não estou fazendo isso em resposta à nada. Trabalhando na internet, nunca tive problema com nenhum veículo, pelo contrário: não sei como me aguentam. Ocorreu-me apenas de lembrar aos colegas da imprensa que ninguém está sozinho.
É preciso aprender a conviver com limites, reconhecer as imperfeições e consertar o que não está bom. Como também é fundamental ir, sempre, atrás da velha e boa coerência – que teima em fugir de nós, do berço à sepultura – sobre isso, sugiro o provocador debate trazido pelo jornalista Jânio de Freitas nesta segunda (6), no Roda Viva, da TV Cultura. Ela trouxe muitas coisas para pensar e discutir. Apontar os problemas dos outros sim, mas reconhecer em nós as mesmas falhas é importante.
Afinal, se alguma dessas situações já aconteceu com você, primeiro relaxe, depois vá à luta. E seja bem vindo à condição do jornalismo, a melhor profissão do mundo, como bem disse Gabriel García Márquez.

Jornalismo legal é:

- Não ligar para redação xingando jornalista por matéria sobre o chabú no metrô
- Não demitir por telefone o pobre repórter que discordou educadamente da linha editorial do veículo
- Não usar nunca a frase “coloca isso na capa porque quem manda aqui sou eu”
- Ter a certeza de que a denúncia contra aquele anunciante vai sair mesmo
- Saber que a apuração virá da reportagem e não da sala da chefia
- Não ser demitido porque o usineiro amigo do dono do jornal se sentiu ofendido com a verdade
- Não sofrer preconceito dos colegas da imprensa por trabalhar em um veículo de esquerda ou de direita
- Ter reunião de pauta em que participe mais gente do que apenas o diretor de redação, sua mãe e seu poodle
- Não ser delicadamente removido para setorista de rodoviária porque reclamou de censura prévia
- Não ver seu texto com conteúdo tão alterado a ponto de ter que pedir para tirar seu nome dele
- Não se sentir oprimido ou com pavor de dar uma opinião contrária na reunião de pauta
- Não te entregarem o título pronto da matéria antes de você sair para a apuração (a não ser que o seja sobre o Bebê Diabo. Aí, sim, pode.)
- Não ser proibido um homem usar brinco ou uma mulher ter tatuagem na redação
- Não ter que criar conta falsa de e-mail para dizer ao chefe o que pensa daquela matéria bisonha
- Não ter que fazer hora extra só para salvar o péssimo texto do amigo do chefe que deve entrar amanhã
- Não ser monitorado no Twitter pela empresa jornalística em que trabalha
- Ficar no fechamento até tarde sem medo de que o editor tente levar você para cama. Uma variação é: não ter medo de almoçar com o chefe sem que ele tente te mostrar coisas que você não quer ver
- Não perder uma promoção por conta de posicionamento ideológico
- Ao trabalhar em TV e agência públicas, não ter que prestar serviço de assessoria a político. Ou não ter que alterar o conteúdo da matéria porque o assessor de imprensa do ministério fritou com a denúncia
- Fazer uma entrevista sem ter medo do editor mudar as ideias da fonte depois
- Não ser obrigado a defender igreja caça-níquel e a chamar umbanda de coisa do capeta para não perder o emprego
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Jornal falsifica foto para vender cenário de destruição na Síria

syria foto falsificada
Casal abandona cidade na Síria. Imagem de baixo é a original.
Esta peguei no Aporrea.org, portal super atuante da Venezuela, que creditou ao sítio tercerainformacion.es, de 06/08/2012. A foto original (a de baixo) é da agência europeia Pressphoto e retrata uma família (um casal com um bebê) escapando de uma cidade da Síria sob ataque, por si só já bastante dramática.
Os editores do “Krone” – como é comumente chamado o diário austríaco Kronen Zeitung, de maior circulação do país, com cerca de 3 milhões de leitores diariamente – resolveram “incrementar” o cenário para vender a imagem de destruição da Síria, resultando na foto de cima, falsificada com o uso do Photoshop. A descoberta da falsificação foi revelada em primeiro lugar no sítio Reddit.com.
Imagine a quanto tipo de enganação estão submetidos os leitores diante de uma mídia quase sempre partidarizada, a grande maioria dos meios de comunicação a serviço do império dos Estados Unidos. Não é à toa que há um livro famoso (ou é uma frase famosa?) chamado “Na guerra, a primeira vítima é a verdade”. De fato, sabemos que a verdade está sendo sacrificada todo santo dia, porque, de fato, vivemos sob guerra permanentemente, inclusive a guerra de quarta geração, através da mídia.
A matéria do Aporrea.org lembra um caso semelhante de propaganda de guerra contida no filme de 1997 Wag the dog (no espanhol teve o título La cortina de humo, A cortina de fumaça), “onde a tecnologia de tela verde foi usada para colocar um ator num estúdio com um gatinho numa zona devastada pela guerra”. É o mesmo filme que no Brasil teve o título Mera coincidência, com Dustin Hoffman e Robert De Niro.
Segue literalmente o final da matéria, traduzindo: “Obviamente estas enganações não estão limitadas ao conflito sírio, elas têm se convertido num pilar nesta época dos meios modernos de comunicação.
Desde o testemunho falso dos bebês nas incubadoras para demonizar Saddam Hussein na primeira Guerra do Golfo, as mentiras sobre as armas de destruição massiva no Iraque em seguida, acontecimentos falsificados para começar a maioria das guerras do século 20, e muito mais: essas mentiras não são fabricadas para enganar os que comprovam os fatos, os críticos, historiadores ou verdadeiros repórteres investigativos, e sim para incitar o público em geral numa onda de histeria assegurando o suficiente apoio para se iniciar uma guerra e tirar proveito da destruição”.
No Fazendo Media
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Novo intervalo na Europa

Na análise de um dos tempos mais instigantes da Europa, o do entardecer do Império Romano e da chegada da Idade Média (La fin du monde antique et le debut du Moyen Age), o historiador francês Ferdinand Lot usa uma frase de forte atualidade: Reste une grandeur caduque, même malfaisante.
Passados os 500 anos desta Idade Moderna, os observadores isentos, desatados dos compromissos contemporâneos, terão a mesma idéia da Europa de nosso tempo. E sobre o que dirão os historiadores futuros, não há dúvida. A Europa que enfrenta a crise do euro, uma das faces da crise maior, a da identidade do continente, vive hoje, como Lot descreveu a Europa da Alta Idade Média, os restos de uma grandeza caduca, e, mais do que isso, malfazeja.
O historiador escreveu seu livro mais conhecido nos anos 20, entre as duas grandes guerras que assolaram a Europa e boa parte do mundo. Apesar de todos os motivos políticos e econômicos, que levaram à eclosão dos conflitos, havia, e continua a haver, uma razão mais profunda, que a inteligência do homem não está sendo capaz de administrar. De repente, e em dupla perplexidade, o homem se vê, ao mesmo tempo, como todo poderoso senhor da natureza, e ser frágil, inerme, diante do cosmos. E, por mais crentes que todos pareçam ser, nos cultos das várias confissões religiosas, há sempre uma dúvida, que vai além do monólogo de Hamlet. Não se trata de saber se somos ou não somos, mas o que somos e o que não somos.
O homem que pensa mais além das ficções que lhe oferece o poder, duvida da existência de Deus, mas não encontra, na ciência, verdade que o console, e não dispõe de outra idéia de salvação que não seja a da investigação da natureza e do cosmos. Por isso mesmo saúda a chegada de um laboratório teleguiado a Marte nas mesmas horas em que, em Oak Creek, nos Estados Unidos, uma comunidade religiosa dos sikhs chora seus mortos. O assassino, tudo indicava, era um racista intolerante, que teria confundido os fiéis da seita indiana com muçulmanos.
Estamos enviando um engenho a Marte, em busca da vida, enquanto não conseguimos aceita-la na Terra. A vida é uma aventura da natureza, que busca transcender-se na inteligência, esse fenômeno em que o grande psicólogo inglês Cyril Burt vê enigma indecifrável: Como os movimentos de partículas materiais podem gerar esse espetáculo imaterial permanece um mistério.
Por mais os neurofisiologistas, como é o caso do cristão John Eccles, tenham descrito, com precisão, a atividade dos neurônios e dos nervos – que são uma extensão da mente – o mistério permanece, em sua perturbadora imanência.
A crise do euro demonstra que a Europa Unida é apenas um meritório esforço político, que encontra suas dificuldades na força das razões nacionais de cada um dos países associados. A realidade do nacionalismo volta a impor-se, como se impôs em várias ocasiões na Europa, até mesmo contra os interesses dos reis.
O retorno à Idade Média, com seus distritos feudais, sob o mando da aliança dos bispos com os barões, e o poder distante de reis e imperadores, é hoje impossível. A própria Igreja, que vem sendo contestada por um movimento de retorno ao velho Cristianismo, anterior à sua associação com o Império, terá que se descentralizar para sobreviver. O Vaticano é hoje uma instituição sem mistérios, e sem mistérios todo poder fenece.
Hoje, estamos assistindo ao fim do falso mistério da moeda virtual e de seus manipuladores, e isso ocorre na Europa, com os euros emitidos pelo Banco Central Europeu. O euro crescia enquanto a confiança nos dólares norte-americanos murchava. Quando os governos europeus resolvem também emitir dinheiro sem lastro, mediante o BCE, a fim de salvar os banqueiros larápios, com o sacrifício dos povos, como o grego e o espanhol, sua moeda comum sofre a mesma erosão. A crise do euro é o resultado da falta de cimento à unidade européia, antes tentada pelas armas pelos romanos, por Napoleão e por Hitler. Todos eles buscaram a unidade que se submetesse à hegemonia dos conquistadores. Isso se repete hoje, com as armas de antes substituídas pela força do poder econômico: os meios são outros, mas os delegados dos banqueiros, que governam o BCE, a Itália, a Grécia e a Espanha contam com Angela Merkel - assim como os grandes financistas se associaram a Hitler, durante a ocupação da Europa pelo Reich.
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Charge online - Bessinha - # 1388

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Serra e Globo vaiados no lançamento do livro do ex-goleiro Marcos


Na noite de autógrafos do livro "Nunca Fui Santo", biografia do ex-goleiro Marcos, sobrou para a TV Globo e José Serra (PSDB)...

O lançamento aconteceu na noite desta terça (7) na livraria Saraiva do shopping Eldorado, em São Paulo.

Os torcedores (a maioria palmeirense usando a camisa do time) ficaram revoltados, pois o local estava lotado e a segurança, em vez de organizar uma fila e fazer um rodízio, deixaram os torcedores populares, que queriam ver seu ídolo, do lado de fora. Lá dentro, gente "VIP" como José Serra. 

Ao verem um repórter da Globo lá dentro fazendo a cobertura, começaram a gritar: "Rede Globo, vai se f..., nosso Palmeiras não precisa de você". 

Como só havia uma porta na livraria, que servia de entrada e saída, seguranças fecharam o local para evitar uma invasão. Mas os fãs empurraram a porta de vidro até quebrar. 

Com os seguranças fazendo barreira, ninguém entrava nem saía.

José Serra ficou preso por um bom tempo lá dentro. Nem os seguranças dele davam conta de tirá-lo de lá, com medo do tucano ser atingido por alguma bolinha de papel (só conseguiram depois de muito empurra-empurra). 

Enquanto isso, todo suado, com cara de cansado, teve de ouvir o pessoal xingando-o com aquela palavrinha básica que o povo usa para se referir a um político que não considera um exemplo... 
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IPCA de julho fica em 0,43%

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentou variação de 0,43% em julho, maior do que a taxa de 0,08% registrada em junho. Com o resultado de julho, o acumulado do ano fechou em 2,76%, abaixo dos 4,04% relativos ao mesmo período de 2011. Porém, considerando os últimos doze meses, o índice situou-se em 5,20%, acima dos 4,92% relativos aos doze meses imediatamente anteriores, invertendo o movimento decrescente que vinha sendo observado desde setembro de 2011, quando o índice passou de 7,31% para 6,97% em outubro. Em julho de 2011, a taxa havia ficado em 0,16%. A publicação completa da pesquisa pode ser acessada na página
http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/precos/inpc_ipca/defaultinpc.shtm.
A seguir, os resultados por grupo de produtos e serviços pesquisados:
As despesas pessoais e as despesas com alimentos, ambos com 0,91% de variação, foram as que mais subiram em julho, sendo que os alimentos, pela importância que têm no orçamento das famílias, foram responsáveis por 49,00% do índice do mês, detendo 0,21 ponto percentual.
No grupo alimentação e bebidas (de 0,68% em junho para 0,91% em julho), a região metropolitana de Salvador se destacou por apresentar aumento de 1,45%, bem acima da média. A seguir veio a região do Rio de Janeiro, onde o aumento foi de 1,08%.
O tomate, com redução de oferta, após ter subido 11,45% em junho, chegou a ficar 50,33% mais caro em julho e, com isso, ganhou o primeiro lugar no ranking dos principais impactos, com 0,10 ponto percentual. No Rio de Janeiro, o preço do tomate quase dobrou de um mês para o outro, atingindo variação de 94,18%. O segundo maior aumento do tomate foi em Porto Alegre, atingindo 83,32%.
Além do tomate, vários alimentos se mostraram em alta no mês, conforme a tabela a seguir:
Por outro lado, alguns itens do grupo alimentação e bebidas apresentaram redução de preços de junho para julho, a exemplo das carnes, cuja variação de -1,13% e impacto de -0,03 ponto percentual constituiu-se no principal impacto para baixo.
As despesas pessoais, cuja variação em junho havia sido de 0,47%, apresentaram alta de 0,91% em julho. A principal pressão foi exercida pelo item “empregado doméstico”, com 1,37% em julho ante 0,61% no mês anterior. Em alta, também se destacaram no grupo os itens hotel (1,28%), excursão (3,46%) e manicure (1,10%).
Aluguel residencial, que passou de 0,68% em junho para 1,16% em julho, condomínio (de 0,54% para 0,96%) e artigos de limpeza (de 0,23% para 0,50%) elevaram as despesas com habitação em 0,54%.
Com saúde e cuidados pessoais, a despesa aumentou 0,36% em julho, bem próxima da variação de 0,38% registrada em junho. Apesar do aumento nos preços dos remédios, que foi de 0,05% em junho para 0,21% em julho, os artigos de higiene pessoal mostraram desaceleração, passando de 0,44% em junho para 0,17% em julho.
O grupo transporte se manteve em queda, porém com resultado muito próximo de zero, situando-se em -0,03% em julho contra -1,18% em junho. Isso porque os automóveis novos, que haviam caído 5,48% em junho, deixaram no IPCA do mês anterior a maior parte do efeito do IPI reduzido em 21 de maio. Já em julho, mostraram relativa estabilidade, com 0,01% de variação. Além disso, sob influência dos novos, os preços dos automóveis usados chegaram a cair 4,12% em junho, enquanto em julho a queda ficou em 0,91%.
Os combustíveis também continuaram em queda, até com mais força do que no mês anterior. O preço do litro do etanol ficou 2,00% mais barato em julho, sendo que já havia diminuído 1,24% em junho. No litro da gasolina, a queda foi de 0,43%, após já ter caído 0,41% no mês anterior.
Os ônibus urbanos passaram de 0,87% em junho para 0,17% em julho, sob influência, apenas, da parcela complementar de 2,19% na região metropolitana de Salvador, onde o reajuste de 12,00% entrou em vigor a partir de 04 de junho.
Nos eletrodomésticos houve aumento de 0,22% em julho, ao passo que em junho a queda foi significativa, de 1,02%. Ao contrário, os preços dos artigos de mobiliário caíram 0,14% em julho, tendo registrado aumento de 0,51% em junho. Com estes destaques o grupo artigos de residência passou de -0,03% para -0,01%.
Nos artigos de vestuário, a variação foi de 0,04% em julho contra os 0,39% de junho, quando a liquidação da estação estava se iniciando.
Assim, o agrupamento dos produtos não alimentícios ficou em 0,28% em julho contra -0,10% em junho.
Entre os índices regionais, o maior foi o de Goiânia (0,61%), sob influência da energia elétrica (9,12%), cujas tarifas foram reajustadas em 9,90% a partir de 29 de junho. O menor índice foi o de Belém (0,22%), em razão do resultado moderado dos alimentos (0,23%). A seguir, tabela com resultados por região:
O IPCA é calculado pelo IBGE desde 1980, se refere às famílias com rendimento monetário de 01 a 40 salários mínimos, qualquer que seja a fonte, e abrange nove regiões metropolitanas do país, além do município de Goiânia e de Brasília. Para cálculo do índice do mês foram comparados os preços coletados no período de 29 de junho a 27 de julho de 2012 (referência) com os preços vigentes no período de 29 de maio a 28 de junho de 2012 (base).
INPC variou 0,43% em julho
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor - INPC apresentou variação de 0,43% em julho, acima do resultado de 0,26% de junho. Com isso, o acumulado do ano fechou em 3,00%, abaixo da taxa de 3,70% relativa ao mesmo período de 2011. Considerando os últimos doze meses, o índice situou-se em 5,36%, acima dos doze meses imediatamente anteriores (4,90%). Em julho de 2011, o INPC não mostrou variação, ficando em zero.
Os produtos alimentícios apresentaram variação de 0,89% em julho, enquanto os não alimentícios aumentaram 0,29%. Em junho, os resultados ficaram em 0,67% e 0,11%, respectivamente.
Dentre os índices regionais, o maior foi o de Goiânia (0,70%) sob influência da energia elétrica (9,01%), cujas tarifas foram reajustadas em 9,90% a partir de 29 de junho. O menor índice foi o de Belém (0,21%) em razão do resultado moderado dos alimentos (0,15%).
A seguir, a tabela com os resultados por região:
O INPC é calculado pelo IBGE desde 1979, se refere às famílias com rendimento monetário de um a cinco salários mínimos, sendo o chefe assalariado, e abrange nove regiões metropolitanas do País, além de Brasília e do município de Goiânia. Para cálculo do índice do mês foram comparados os preços coletados no período de 29 de junho a 27 de julho de 2012 (referência) com os preços vigentes no período de 29 de maio a 28 de junho de 2012 (base).
No IBGE
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Barbosa, a mídia e o mensalão tucano

A jornalista Mônica Bergamo publicou três notinhas reveladoras na página Ilustrada da Folha:

Olhos abertos

O ministro Joaquim Barbosa, relator do "mensalão do PT" no STF (Supremo Tribunal Federal), segue atento ao "mensalão mineiro", que envolve líderes do PSDB. Ele pretende deter-se em providências que levem à rápida localização de testemunha considerada chave nas investigações e que tomou chá de sumiço em Minas Gerais.

Pedreira

Barbosa, que defendeu o desmembramento nos dois casos e foi voto vencido, acredita que o risco de prescrição no "mensalão mineiro" é até maior do que havia no "mensalão do PT". E diz a interlocutores que, se no caso petista tudo quase sempre foi aprovado por unanimidade no STF, no mineiro as dificuldades foram maiores.

Tem mais

Ele também questiona a imprensa. Quando procurado por repórteres para falar do processo contra petistas, provoca ao fim da entrevista: "E sobre o outro, vocês não vão perguntar nada?". Recebe como resposta "sorrisos amarelos". "A imprensa nunca deu bola para o 'mensalão mineiro'", diz ele.

Razões políticas da operação-abafa

Por que será que caso envolvendo dirigentes petistas foi “aprovado por unanimidade” no STF e o outro, que envolve líderes tucanos, é bem mais antigo e corre risco de prescrição, esbarra em tantas dificuldades no Supremo? Por que será que a “imprensa nunca deu bola para o ‘mensalão mineiro’”? Por que será que Mônica Bergamo trata o caso em julgamento nestes dias como “mensalão do PT”, mas evita rotular o outro de “mensalão do PSDB”?
O ministro Joaquim Barbosa, sempre tão rigoroso com os petistas, conhece as respostas a estas perguntas. Mas ele prefere fazer mistério. Ele poderia até criticar o seu colega, ministro Gilmar Mendes, que sempre criou obstáculos ao julgamento do mensalão tucano, foi indicado para o STF pelo ex-presidente FHC, prestou serviços ao seu governo e mantém sólidos laços de amizade com Serra e outros caciques do PSDB.
Barbosa poderia também criticar a velha mídia, que fez campanha pela eleição e reeleição de FHC, sempre apoiou seu reinado neoliberal e nunca engoliu as derrotas dos tucanos para Lula e Dilma. A relação da mídia com o PSDB e o DEM é bem conhecida. Boa parte dela inclusive promoveu a escandalização da política no caso de “mensalão do PT” para pregar o impeachment e/ou o sangramento do ex-presidente Lula.

Os motivos mais mundanos

Estas razões políticas explicam porque o “mensalão tucano” esbarra em dificuldades no STF e porque a mídia não dá bola para este caso. Além disso, existem também motivos mais mundanos. Recentemente, a CartaCapital publicou um relatório que aponta o ministro Gilmar Mendes como beneficiário do esquema de caixa dois montado pelo publicitário Marcos Valério na campanha do tucano Eduardo Azeredo ao governo de Minas Gerais, em 1998.
O esquema ilegal deu origem ao abafado “mensalão mineiro”, como a mídia insiste em rotulá-lo de maneira seletiva. Ele teria movimentado cerca de R$ 104 milhões. Deste total, segundo a revista, R$ 185 mil teriam ido parar nas mãos de Gilmar Mendes. O relatório também inclui a Editora Abril, como destinatária de R$ 49,3 mil, e o Grupo Abril, que teria abocanhado outros R$ 49,5 mil. Ambas as empresas são do empresário Roberto Civita, o chefão da Veja.

Qual será a "providência" do STF?

A denúncia da CartaCapital não teve qualquer repercussão na velha mídia. Até agora, a Veja não conseguiu explicar o seu suposto envolvimento com o chamado "valerioduto". Já o ministro Gilmar Mendes ameaçou processar a CartaCapital e atacou os "blogs sujos", que repercutiram a denúncia. Se depender da mídia e de alguns ministros a denúncia também será abafada, como foi o escândalo do "mensalão tucano" - ou melhor, do "mensalão mineiro". Será que o ministro Joaquim Barbosa vai chutar o pau da barraca? A conferir!
Altamiro Borges
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Os meios e os fins

Há os que desgostam do PT, dos petistas e de tudo que fazem com tal intensidade que qualquer explicação é desnecessária. Apenas têm aversão profunda pelo que o partido representa.
Alguns a desenvolveram por preferir outros partidos e outras ideias. Mas são a minoria. Os mais sinceros anti-petistas são os que somente sentem ojeriza pelo PT. Veem um petista e ficam arrepiados.
Sequer sabem a razão de tanta implicância.
Detestavam o PT quando era oposição — dizendo que era intransigente — e o detestam agora que está no governo pela razão oposta — acham que é tolerante demais. Odiavam os petistas quando vestiam camiseta e discursavam na porta das fábricas. Hoje, os abominam porque usam terno e gravata e a fazem pronunciamentos no Congresso.
Um dos argumentos que invocam para justificar a birra é capcioso: o mito da "infância dourada" do PT, quando ele teria sido virginal e puro. O invocam com o intuito exclusivo de ressaltar que teria perdido algo que, em seu tempo, não admitiam que tivesse.
O PT abstrato e irreal que criaram é uma figura retórica para denunciar o PT que existe de fato — que não é menos, nem mais real que os outros partidos que temos no Brasil e no mundo.
Além desse antipetismo figadal e baseado em pouco mais que um atávico conservadorismo, há outro. Que pretende ser mais sóbrio.
Nestes tempos de julgamento do "mensalão", é fácil encontrá-lo.
Seus expoentes são mais racionais e menos folclóricos. Usam uma lógica que parece sólida.
O que mais os caracteriza é dizer que não discutem os fins e, sim, os meios do PT. Que não são anti-petistas por definição, mas que repudiam aquilo que os líderes petistas fizeram para chegar ao Planalto — e passaram a fazer depois que o partido lá se instalou.
Ou seja, sua oposição não questionaria o projeto petista, mas sua tática. Não haveria problema no fato de o PT querer estar — e estar — no poder. Mas em o partido ter usado meios inaceitáveis para lá chegar e permanecer.
Parece uma conversa bonita. E nada mais é que isso.
No fundo, esse anti-petismo é igual ao outro. Sua aparente sofisticação apenas dá nova roupagem aos mesmos sentimentos.
O que o antipetismo não perdoa em José Dirceu — e outras lideranças que estão sendo julgadas — não é ter usado "meios moralmente errados" para alcançar "fins politicamente aceitáveis". Salvo os mal informados, seus expoentes sabem que o que o ex-ministro fez é o mesmo que, na essência, fariam seus adversários se estivessem em seu lugar — sem tirar, nem por.
Quem duvidar, que pesquise quem foi e como atuava Sérgio Motta, o popular "Serjão", "trator" nas campanhas e governos tucanos.
(Com ele, não havia meias palavras: estava em campo para garantir — seja a que preço fosse —, 20 anos de hegemonia para o PSDB — e que ninguém viesse a ele com a cantilena da "alternância de poder". Não foi por falta de seu empenho que o projeto gorou.)
O pecado de José Dirceu é ter tido sucesso no alcance dos fins a que se propôs — um sucesso, aliás, notável.
Sem sua participação, é pouco provável que tivéssemos o "lulopetismo" — um dos mais importantes fenômenos políticos de nossa história, gostem ou não seus adversários. Sem ele, o Brasil não seria o que é.
Isso é muito mais do que se pode dizer de quase todos os contemporâneos.
Mas é essa a realidade. Enquanto José Dirceu vive sua ansiedade, Sérgio Motta é nome de ponte em Mato Grosso, anfiteatro em Fortaleza, centro cultural em São Paulo, praça no Rio de Janeiro, edifício em Brasília, avenida em Teresina, usina hidroelétrica no interior de São Paulo e rua na longínqua Garrafão do Norte, nos rincões do Pará.
E de um instituto em sua memória, patrocinado pelo governo federal, que distribui importante prêmio de arte e tecnologia.
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
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Porto Alegre sediará Fórum Social Mundial Palestina Livre

Porto Alegre sediará, de 28 de novembro a 1º de dezembro de 2012, o Fórum Social Mundial Palestina Livre, reunindo representantes de organizações palestinas e apoiadores de vários países do mundo. Além de manifestar solidariedade à luta do povo palestino, o encontro pretende “criar ações efetivas para assegurar a autodeterminação de palestinas e palestinos, a constituição de um Estado palestino com Jerusalém como capital e o respeito aos direitos humanos e à lei internacional”, afirmam os organizadores do evento.
“Conclamamos organizações, movimentos, redes e sindicatos de todo o mundo a se unir ao FSM Palestina Livre, de 29 de novembro a 1º de dezembro, em Porto Alegre, Brasil”, diz o material de divulgação. Já há um comitê constituído na capital gaúcha, encarregado da organização do evento.
No RS Urgente
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