7 de ago de 2012

"Eu Existo"

 Imperdível 

Documentário "Eu Existo", produzido pelo Centro Acadêmico XI de Agosto sobre a questão dos direitos humanos no centro de São Paulo.
O curta-documentário "Eu Existo" se propõe a tirar os moradores de rua da invisibilidade a qual estão condenados, colocando-os como agentes políticos capazes de expor os próprios problemas e de sugerir mudanças. Por meio de reveladores depoimentos e um toque de arte, "Eu Existo" traz a denúncia de gravíssimas violações de direitos humanos, estimulando um novo olhar da sociedade em relação à situação de rua e quebrando mitos e tabus.
"Eu existo" será utilizado como forma de pressão para que os candidatos à prefeitura assumam um compromisso com relação à efetivação dos direitos humanos na região central da cidade.
Dica do Marcelo Semer
No Blog do Mário
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Milton Neves deve ter síndrome da próstata encefálica

Essa síndrome é muito comum nos machistas.
Esse é o comentarista esportivo, sobre o jogo? Nada.
Esse comentário machista, se você não viu o jogo, poderá entender vendo a foto:
Sugestão: @RBoges
No Maria da Penha Neles!
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Avós da Praça de Maio recuperam 106º neto e comemoram; restam 394

Estamos no caminho para aliviar a dor, diz Avó da Praça de Maio após restituição de outro neto. Associação anunciou nesta terça-feira a identificação do 106º neto sequestrado durante a ditadura
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106º neto é recuperado por Avós da Praça de Maio

As Avós da Praça de Maio anunciaram na tarde desta terça-feira (07/08) a identidade do 106º neto recuperado pela associação. Trata-se de Pablo Javier Gaona Miranda, de 34 anos, que foi sequestrado em maio de 1978, com um mês de vida. Cerca de 400 bebês, entregues a outras famílias durante a ditadura do país (1976-1983), continuam sem conhecer sua verdadeira origem.
“Temos alegria de anunciar que um novo neto foi liberado da tortura que é viver na mentira”, diz Estela de Carlotto, presidente das Avós da Praça de Maio. Segundo ela, o bebê foi entregue a um casal que o adotou como filho próprio. A pessoa que o entregou à família, primo do homem que viria a ser ilegalmente pai de Pablo Javier, era um coronel aposentado, que passou a ser seu padrinho.
Filho de Ricardo Gaona Paiva, de nacionalidade paraguaia, e María Rosa Miranda, argentina da província de Tucumán, ambos integrantes do ERP (Exército Revolucionário do Povo), Pablo Javier sempre soube que não era filho biológico da família que o criou. Segundo Estela, no entanto, “a história que lhe contavam é que o tinham trazido da província de Misiones [localizada na fronteira com o Brasil]”.
“No dia 13 de abril de 1978, no Hospital Rivadavia, Pablo Javier nasceu. Em 14 de maio de 1978, a família saiu de seu domicílio na cidade de Buenos Aires e se dirigiu à Villa Martelli, para a casa dos pais de Paiva, onde se reuniram para comemorar o aniversário da independência do Paraguai. Se despediram e nunca mais se soube deles”, detalhou a Avó
Segundo ela, Pablo Javier começou a questionar sua verdadeira origem em 2001. Em 2008, manifestou as dúvidas à mulher que o criou e esta, após alguma resistência, confirmou sua apropriação (termo usado para a adoção ilegal de bebês na ditadura). Ao realizar o exame de DNA, há um mês, através da Conadi (Comissão Nacional pelo Direito à Identidade), o jovem confirmou as suspeitas: seu material genético apresenta 90% de coincidência com o da família do casal desaparecido.
“Pablo Javier esteve um mês com sua mãe e com seu pai. Ele, como o resto dos nossos netos, certamente guarda em sua memória interior a lembrança destes dias que terminaram de forma abrupta quando foi separado deles. Esta dor profunda só pode ser curada com a verdade. A verdade é a única explicação capaz de por fim ao tormento de viver sem saber quem se é”, concluiu.
Apesar de expressar contentamento pela restituição de mais um neto desaparecido, Estela lamentou que a luta de 35 anos das Avós da Praça de Maio continue sendo “dolorosa e desesperada”. “Muitas de nós se foram sem poder abraçar seu neto ou neta”, afirmou, “mas agora temos o agravante de que nosso tempo está acabando”.

Netos desaparecidos

Estima-se que 500 bebês tenham sido apropriados ilegalmente na época da ditadura. Muitos deles nasceram em maternidades clandestinas improvisadas para serem entregues a outras famílias, geralmente de militares ou relacionadas a eles. Neste ano, o primeiro presidente da ditadura, Jorge Rafael Videla, foi condenado a 50 anos de prisão pelo Plano Sistemático de Roubo de Bebês.
“A execução deste plano foi possível não só pela quase inconcebível crueldade dos militares da ditadura, mas também pela anuência de uma sociedade que já amparava, desde antes, a prática da apropriação de menores”, afirmou Estela, convocando a que jovens argentinos que tenham dúvidas a respeito de sua verdadeira origem procurem a associação, “como Pablo Javier, que teve a valentia de enfrentar seus medos, sentimentos contraditórios e um destino que lhe foi imposto à força”.
Segundo ela, resolver as dúvidas é o caminho para começar a aliviar tanta dor. “Quem conhece alguém que tenha dúvidas ou que já saiba que pode ser filho de desaparecidos, pedimos que os ajudem a se aproximar da associação das Avós da Praça de Maio ou aa Conadi, para realização de exames de DNA”. “As Avós, como há 35 anos, continuamos procurando e esperando vocês”, concluiu.
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Pais agridem filha por namorar um negro; garoto também apanhou

Pais são presos após agredirem filha várias vezes por ter namorado negro. Rapaz também apanhou dos pais da menina

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Aflonce Ncube e a namorada Jane Champion
(Foto: Reprodução/ Daily Mail)
David e Frances Champion agrediram a filha Jane, de 17 anos, após descobrirem que ela estava namorando um jovem negro. O pai, de 50 anos, foi condenado a um ano de prisão, e a mãe, de 47 anos, passará nove meses presa pelas agressões e por insultos racistas a Aflonce Ncube, namorado da menina.
A primeira vez que David bateu em sua filha foi quando ele e sua mulher flagraram a filha despida ao lado do namorado, quando voltavam para a sua casa em St Thomas, subúrbio de Swansea, na Inglaterra. O pai começou insultar Ncube com palavras racistas, enquanto chutava o jovem, e o colocava para fora de sua casa. Depois, agarrou Jane pelos cabelos e bateu nela, dizendo que ela estava “envergonhando a família”.
Segundo o jornal Daily Mail, um mês depois, David Champion perguntou para a filha, em um pub, se ela continuava a se encontrar com Ncube. De acordo com relatos da Corte de Swansea Crown, quando a jovem disse que sim, o pai deu um soco em seu rosto.
“Ela já estava sentindo muita dor em seu olho esquerdo, mas, mesmo assim, seu pai a segurou pelo pescoço e continuou batendo nela”, disse a procuradora, Nicola Powell.
Segundo relatos à Corte, a mãe de Jane foi complacente com o pai da jovem e disse que ela “mereceu” o que aconteceu. “Foi culpa sua”, disse a mãe para a menina. Frances Champion também bateu na filha, deixando o seu rosto inchado e sérios ferimentos em sua cabeça.
Como se não bastassem as agressões a Jane, os pais foram até o restaurante, onde Nucbe trabalhava como garçom, e começaram a insultar o rapaz de forma racista. O casal foi retirado do estabelecimento, mas continuou a gritar pela janela.
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Frances e David Champion foram presos por agredir a filha de 17 anos.
Créditos: Reprodução/dailymail.co.uk
A defesa do casal Champion afirma que a atitude de David e Frances foi “inaceitável”, mas que a mãe mostrou-se arrependida.
“Ela está com remorso e sua filha enviou uma mensagem para ela após o anuncio da Corte, desejando que Frances fique bem”, disse Georgina Buckley, advogada de Frances.
No Pragmatismo Político
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Projeto Banda Larga 0800 disponibiliza acesso gratuito à internet por meio de smartphones

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Resposta à "piada"preconceituosa da candidata a vereadora pelo PSDB de São Paulo

Vamos tentar comentar esse balde de preconceito e deboche da população pobre que a tucaninha tornou público:
1) Filhos de presidiários NÃO GANHAM R$ 850,00. Trata-se de um SEGURO (que quem trabalha PAGA por ele; você não sabe porque não é trabalhadora). Quanto aos sem teto, devo lembrar que após o crime contra a humanidade patrocinado pelo governador de São Paulo e o Prefeito de São José dos Campos, ambos do seu partido - PSDB - agora contamos com mais deles;
2) As famílias de retirantes, por acaso, devem ter saído de estados como Alagoas, Roraima e Pará, governados pelo seu partido - o PSDB. O bolsa família serve para complementar a miséria que você e seus coleguinhas pagam para eles, em troca do que vocês consideram serviços menores (construir casas, consertar carros, limpar);
3) Apesar de não concordar com a tese da luta armada, devo alertá-la que as famílias de ex-guerrilheiros perderam seus entes queridos, que foram assassinados enquanto um dos seus líderes, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso chegava em Paris, fugindo do segundo golpe de Estado que ele não teve coragem para enfrentar;
4) Só pela formação do quatro andar do seu texto infeliz, já sabemos que você não tem contato algum com a realidade. E quer ser vereadora? Quais são suas propostas como vereadora? Matar os sem-tetos e expulsar os "retirantes"?
Lugar de tucano é na floresta, voando e livre. Não elejam candidatos do PSDB. É o partido que vendeu a Vale. Não elejam Daniela Schwery, que além de bradar ódio aos pobres, não conhece nada sobre sua cidade.
Abaixo a "piadinha" e a campanha no Facebook
Da página do Eremita na Cidade Grande
No Maria da Penha Neles!
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A comuna de Paris contada em imagens

Em homenagem aos 140 anos da Comuna, a Caros Amigos publica ilustrações do Grupo John Reed, de Nova York, que remontam a história do movimento. No Brasil, atividades em diversas cidades celebram a data. (18 de março de 1871)
No verão de 1870, a burguesia francesa conclamou seu país para uma guerra com a Prússia. O governo e líderes do exército eram corruptos.
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Houve uma série de derrotas. Finalmente, em setembro, 80.000 homens mal treinados e equipados foram jogados contra a potente máquina de guerra prussiana. Os franceses foram cercados e derrotados. Napoleão III, e quase metade de seu exército foi capturado, bem como as tropas de Paris, e os prussianos invadiram a capital.
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Mas, os cidadãos de Paris organizaram uma Guarda Nacional. Eles já sentiam a falta de alimentos: longas filas de famintos esperavam por pão às portas das padarias. Mas, os cidadãos conquistaram vários canhões para defenderem-se dos prussianos e os colocaram nas fronteiras de Paris.
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Neste movimento, os ricos viram um perigo para eles, não menor que para os prussianos. As massas foram despertadas por um fervor revolucionário: as armas poderiam ser utilizadas tão facilmente contra o inimigo prussiano quanto contra a burguesia. O governo francês ordenou a captura dos canhões. O alarme foi dado: todos os trabalhadores da cidade, tanto as mulheres quanto os homens, saíram em sua defesa. E as tropas do governo se confraternizaram com os defensores.
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Em 18 de março a Comuna foi proclamada. O Governo retirou-se com suas tropas para Versalhes, temendo o contágio com a Guarda Nacional rebelada. Os communards permitiram a partida das tropas, do governo e dos ricos, embora as tropas pudessem ter sido conquistadas e a riqueza da cidade pudesse ter sido mantida como refém da garantia de paz.
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A cidade, organizados em distritos e arredores, foi liderada por grupos de Communards - homens e mulheres, trabalhadores e intelectuais - que eram, como afirmou Lênin, criadores de "um novo tipo de Estado – O Estado dos Trabalhadores".
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E nas ruas a multidão se levantou para ler as proclamações desse novo Estado:
· separação da Igreja;
· nenhuma noite mais de trabalho nas padarias;
· nenhum imposto para os pobres;
· a prisão de sacerdotes;
· a reabertura de fábricas abandonadas;
· a abolição de multas contra os trabalhadores.
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Entretanto, em Versalhes, Thiers e seu governo reacionário, auxiliados por agentes da Prússia, planejaram um ataque à Comuna de Paris.
Milhares de soldados franceses capturados foram libertados e armados para o ataque já aguardado pelos communards.
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Barricadas foram levantadas nas ruas. Homens e mulheres trabalharam juntos para a sua construção e manutenção. Mas a cidade inteira não poderia ser assegurada. O burguês que permaneceu em Paris comunicava a Versalhes os lugares que estavam mais vulneráveis, e entre os dias 22 e 28 de maio, os soldados entraram pelos limites indefesos, com batalhas de uma semana sangrenta.
Os communards lutaram bravamente, numa última cartada em uma pequena seção de Paris. Cada pavimento era um campo de batalha, cada casa uma fortaleza. Desgastados e exaustos, os communards recuaram diante do avanço que não poupou nem a mulher nem a criança.
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Ainda lutando entre as ruínas incendiadas da cidade, eles foram capturados. Milhares foram mortos no local onde foram encontrados, milhares de outros - crianças, idosos e doentes - foram conduzidos a lugares abertos para serem fuzilados.
Cada destacamento de tropas de Versalhes era um grupo enlouquecido de carrascos que assassinou cada suspeito de simpatizante dos communards.
A Comuna deveria ser afogada em seu próprio sangue.
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E muitos ricos que retornaram à Paris foram para as calçadas assistir àquele horrível desfile e comemorar a sua vitória.
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O terror do governo não conhecia limites. No Cemitério Pere Lachaise e em dezenas de outros pontos, milhares de communards foram reunidos e fuzilados. General Gallifet, o “açougueiro”, ordenou que as tropas disparassem na multidão contra os muros. Os cadáveres eram jogados junto com aos feridos e sobreviventes. Uma parte do "Muro dos communards" ainda está de pé, e os rostos esculpidos que espiam de que são ao mesmo tempo um desafio ao domínio capitalista e um monumento aos mártires da Comuna.
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Em uma semana 40 mil trabalhadores foram assassinados. Em seguida, os communards que sobreviveram foram reunidos e submetidos a falsos julgamentos. Foram todos considerados culpados, executados ou enviados para as colônias tropicais.
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Lá, eles foram forçados a realizar o mais terrível trabalho escravo. Eles tinham ajudado a fundar o primeiro governo dos trabalhadores, e, como vingança, a burguesia vitoriosa os enviou para morrer com o excesso de trabalho e doenças, sob o domínio das tropas francesas no exterior.
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Com o maior cuidado e compreensão de Karl Marx tinha seguido o destino da Comuna. Imediatamente após sua queda, ele falou aos trabalhadores do mundo sobre as lições da sua ascensão e queda.
«Trabalhadores de Paris, disse ele, a sua Comuna será para sempre celebrada como o arauto glorioso de uma nova sociedade».
18 de março, aniversário da Comuna de Paris, é um dos marcos do avanço da classe trabalhadora. Desde 1871, tem sido um dia de celebração e de re-dedicação dos trabalhadores em cada país.
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A Comuna vive novamente!
Em outubro de 1917, 46 anos depois da Comuna de Paris, os operários da Rússia sob a liderança do Partido Bolchevique e de Lênin, decidiram pela criação do "Estado Permanente dos Trabalhadores”. Estes Communards russos, dirigidos a partir de Smolny por Lênin – com comitês dos trabalhadores, das fábricas, dos soldados e marinheiros que se juntaram à revolução proletária - derrotaram o governo burguês, sob o lema: "Todo o poder aos sovietes".
"A Comuna de Paris", disse Lênin, "foi o primeiro passo." A sociedade socialista a ser construída na União Soviética é o primeiro passo da marcha para a criação de uma Comuna Proletária Mundial.
Fonte: International Publishers, Panfletos Internacional n º 12, publicado pelo Clube John Reed, uma organização revolucionária de escritores e artistas em Nova York. Terceira edição, 1934.
Tradução: Beatriz Campos / Produção e revisão: Cecilia Luedemann
Fonte: Caros Amigos
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“É inominável o MPF usar crianças para fazer política partidária”


Desde outubro de 2009, o Ministério Público Federal (MPF) tem um site chamado Turminha do MPF. Destina-se a crianças de 6 a 14 anos de idade. Sobre o site, afirma:
O objetivo é contribuir para a formação da cidadania de crianças e adolescentes e tornar o Ministério Público Federal mais próximo de todos os cidadãos.
Para a concepção do conteúdo, foram selecionados alguns temas prioritários de interesse da sociedade e pertinentes às funções do MPF: cidadania, direitos humanos, patrimônio cultural, meio ambiente, diversidade, equidade, justiça, ética, moralidade, democracia, corrupção, violência e criminalidade.
Nos últimos dias, boa parte dos textos postados no Turminha do MPF é sobre o “mensalão”. Um deles: O que foi o mensalão? Aí, está escrito:
No próximo dia 2 de agosto o Supremo Tribunal Federal deverá iniciar o julgamento da ação penal 470, conhecida como Mensalão. Para entender o esquema de corrupção que originou esse processo, a Turminha do MPF narra aqui, aos seus leitores, os fatos que ocorreram entre os anos de 2003 a 2005 e que provocaram o oferecimento da denúncia pelo ex-procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza ao STF.
Em 2002, o Brasil elegeu como presidente da República um trabalhador que pela quarta vez concorria ao cargo, Luis Inácio Lula da Silva, ex-metalúrgico e líder sindical, além de fundador do Partido dos Trabalhadores. Sua base aliada necessitava ser reforçada com o apoio de outros partidos para que ele tivesse condições de governar e aprovar os projetos sociais que havia prometido implementar durante sua campanha.
Como então conseguir o apoio de partidos que não tinham afinidade ideológica com o PT? A partir dessa dificuldade, alguns dirigentes do partido teriam montado um esquema de desvio de dinheiro público para patrocinar o pagamento de propina a deputados federais de oposição e assim conseguir o apoio deles no Congresso.
Chamou-nos a atenção um infográfico onde os réus são apresentados como culpados, embora o julgamento só esteja começando. Um outro, diz que o dinheiro foi usado “para dar a parlamentares em troca da aprovação de projetos”.
Recebemos várias mensagens, criticando a abordagem do site, já que é para crianças em processo de formação. Entre elas, uma do jurista Marcio Sotelo Felippe, procurador do Estado de São Paulo. Resolvemos então entrevistá-lo.
— Esse tipo de informação é adequado a crianças?
Márcio Sotelo — Em uma democracia, o que se deve ensinar às crianças é que a História vem estabelecendo, ao longo dos anos, alguns princípios básicos para a civilização. Um deles é distinguir acusador e julgador. Isso é um dos legados do Iluminismo. Antes, o processo era inquisitorial. A denúncia era prova. O acusado que se defendesse. Infelizmente, o site do MPF reproduz o conceito de processo inquisitorial. Como eles acusaram, o texto já declara os réus culpados. Se isso realmente for mostrado para crianças, é um crime contra a democracia.
– O site não diz nem mostra que os acusados têm direito ao contraditório. O que o senhor acha disso?
Márcio Sotelo — Um horror e ponto final. Não preciso dizer mais nada.
– Esse tipo de informação ajuda a formar um verdadeiro cidadão? 
Márcio Sotelo – Não. Ao contrário. Oferece o risco de formar cidadãos sem as noções básicas da ideia de democracia.
—  Qual a intenção do MPF com esse material?
Márcio Sotelo — Aparentemente o Ministério Público Federal esqueceu seu papel constitucional e age como partido político interessado em enfraquecer outro partido político. Mesmo porque está claríssimo que MPF não age com esse rigor quando os acusados são de outro partido. É inominável o MPF usar crianças para fazer política partidária.
— O que deveria ser ensinado às crianças?
Márcio Sotelo — Os direitos e garantias fundamentais do artigo 5º Constituição Federal são um bom começo. Presunção de inocência, contraditório, ampla defesa, igualdade de todos perante à lei, entre outras coisas.
Conceição Lemes
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Dilma não apoia a intervenção na Síria

EUA e os Passos da Democracia
As contradições são visíveis, inegáveis: Dilma joga na cara do Cameron que o Brasil não apóia intervenção militar contra Síria e Irã, sustenta com firmeza e soberania o ingresso da Venezuela no Mercosul enfrentando a irritação da direita - para quem o Paraguai virou agora modelo de democracia - deixando-a falando sozinha, com seus porta-vozes midiáticos beirando o ridículo.

Brasil apóia Resolução da ONU que prevê ações militares contra a Síria

Na última sexta feira, dia 3 de agosto, a ONU aprovou uma resolução que, descaradamente , permite ações militares contra a Síria, já alvo de intervenção estrangeira via mercenários pagos declaradamente pela Arábia Saudita e o Qatar, com o apoio oficial dos EUA, pela voz de Hillary Clinton. Barack Obomba também autorizou a CIA a interferir abertamente para a derrubada do governo de Baschar Al Assad. A Resolução aprovada é uma pá de cal a todo esforço para uma resolução negociada e pacífica do conflito sírio. Detalhe grave: o Brasil votou a favor desta resolução que dá espasmos de prazer à indústria bélica.
O curioso é que há poucos dias, ante a pressões imperiais de Cameron, em Londres, a Presidenta Dilma , mantendo uma linha em política externa definida no Governo Lula, respondeu que o Brasil não vai apoiar intervenção militar externa contra a Síria e o Irã. De quebra, ainda acrescentou que o Brasil defende a soberania da Argentina sobre as Ilhas Malvinas, assim mesmo, falou Malvinas, não Falklands.

Contradições

Como explicar então esta distância entre as palavras da presidenta e os votos do Brasil na ONU, lembrando que esta é a segunda vez que o governo Dilma vota contra a Síria? Sem contar que houve a participação oficial do Itaramaty em diversas reuniões do chamado “Grupo de Amigos da Síria”, fóruns construídos inegavelmente para pressionar a ONU a tomar medidas contra aquele país, e, em cujas reuniões, representantes de governos estrangeiros, como a pavorosa Clinton, defendeu publicamente o abastecimento de armamentos aos chamados rebeldes.
Aliás, este distanciamento da política externa atual em relação aquela aplicada no governo Lula, tem se revelado cada vez mais acentuado, especialmente quando se trata de situações em que os interesses norte-americanos são contrariados por países que sempre representaram uma política e uma atitude de soberania, autodeterminação e independência frente às pressões da Casa Branca.
As contradições são visíveis, inegáveis: Dilma joga na cara do Cameron que o Brasil não apóia intervenção militar contra Síria e Irã, sustenta com firmeza e soberania o ingresso da Venezuela no Mercosul enfrentando a irritação da direita - para quem o Paraguai virou agora modelo de democracia - deixando-a falando sozinha, com seus porta-vozes midiáticos beirando o ridículo.

Em hipótese

No mês de julho, uma declaração do Chanceler Patriota, causou fortíssima interrogação. Ele disse, em entrevista reproduzida pela Folha de São Paulo, que o problema da Síria é que "o país possui armas químicas de destruição em massa”, aquele mantra da indústria bélica, que George Bush e os negros fascista Collin Powell e Condolezza Rice, decoraram e ecoaram mundo a fora pelo “jornalismo de guerra” que levou de roldão a BBC, até que uma chuva de bombas começou a cair sobre Bagdá. Até hoje não sabemos quantos morreram, mas sim que há uma montanha de cadáveres como resultado da aplicação deste mantra macabro.
O chanceler Patriota, no dia seguinte a esta declaração, voltou a público para “explicar” que quando falara de armas químicas de destruição massa nas mãos da Síria” estava falando apenas , atenção, “em hipótese” compare- se a gravidade da declaração, com a candura da explicação dada no dia seguinte.....

Antecedentes perigosos

Em 2002, o chanceler do governo FHC era Celso Lafer. Uma briga de gigantes se desenvolveu nos bastidores a partir do momento em que o mantra das armas químicas começou a ser entoado na Casa Branca. Após uma reunião a portas fechadas com Collin Powel, Celso Lafer começa a atuar para que o Embaixador Maurício Bustani, Diretor-Geral da OPAQ - Organização para a Proibição de Armas Químicas, fosse afastado do cargo. Bustani, brasileiro de valor, honrando as melhores tradições brasileiras de não vassalagem aos poderes da indústria bélica que, por sua vez, dão as cartas na diplomacia de guerra, havia entendido o significado daquele mantra macabro. A ele resistia com honradez.
O quadro geral, como sabemos, era e é ainda hoje, de que os países mais armados querem impedir que outros se armem. Especialmente se estes outros países são independentes e possuem potencial de desenvolvimento econômico e tecnológico. A pressão surda contra o programa nuclear brasileira também se encaixa nesta linha de raciocínio. Frente tudo isto, Bustani, no estrito cumprimento de suas funções como Diretor-Geral da OPAQ, para a qual havia sido eleito pela maioria dos países membros, começa a pagar o preço amargo por sua indisposição com a função de vassalo de impérios. Para dar uma idéia da importância e da relevância das funções desempenhadas pelo embaixador Maurício Bustani, vale citar que todos os esforços reais pelo desarmamento confrontam o lucrativo capital das armas, especialmente onde ele é mais pujante, nos EUA

Mantra macabro

Os EUA sabiam que a OPAQ estava prestes a realizar uma comprovação técnica internacional no Iraque, que demonstraria não ser aquele país possuidor de armas químicas de destruição em massa, mantra que Lafer levou a sério, após aquela reunião a portas fechadas com Collin Powell, em Washingon. Para surpresa dos países membros da OPAQ o Brasil retira apoio ao Embaixador Bustani quando os EUA, oficialmente, faz pedido oficial para o seu afastamento, argumentando qualquer coisa, qualquer pretexto, algo como “ele é muito exaltado e não toca bem piano”, o que, para quem o conhece, não é verdade. Ante a imposição dos EUA para o afastamento de Bustani, os países membros esperaram pela sustentação brasileira do seu nome, o que não ocorreu. Como se lembram, Celso Lafer foi aquele chanceler brasileiro que, revelando infinita vocação para a vassalagem, retirou os sapatos, em várias oportunidades, sob ordens de guardinhas de alfândega nos aeroportos dos EUA. Tais exigências fazem parte do script traçado a partir de 11 de setembro de 2001 para “a declaração de guerra ao terrorismo”, como magistralmente denunciou o genial escritor Gore Vidal, que acaba de nos privar de sua inteligência. Mas, não de sua obra.

Comparar é preciso

Nesta mesma época, o Senador Roberto Requião, chefiando uma delegação oficial do Senado Federal aos EUA, também foi barrado por um guardinha de alfândega que queria ver toda a delegação sem sapatos. Requião fez o que um chanceler deveria ter feito: botou o dedo na cara do guardinha e declarou alto e bom som: “Esta é uma delegação oficial do Senado do Brasil. Não vamos nos submeter a nenhuma revista vexatória nem tirar os sapatos . Deixem-nos passar, em caso contrário a visita oficial está encerrada aqui mesmo!” De um chanceler não se espera menos. Evidentemente, desde que ele esteja realmente imbuído dos interesses nacionais que deve representar. Houve telefonemas, telefonemas, consultas e, minutos depois, o guardinha, talvez o mesmo que tenha revistado o chanceler, voltou e liberou a passagem da delegação de senadores. Todos com sapatos .Mantida ali, a dignidade nacional.

Relações perigosas

Independente das funções desempenhadas pelo chanceler Patriota lá em 2002, o que é possível captar agora é uma certa linha de convergência entre a sua declaração recente e aqueles esforços feitos pelo chanceler Lafer, lá no governo FHC, para o afastamento do Embaixador Bustani do cargo de Diretor Geral da OPAQ. Como pano de fundo, sempre o mesmo o mantra das armas de destruição em massa que, em hipótese, o chanceler Patriota declarou existirem nas mãos do governo Sírio hoje. Afora a irresponsabilidade de declarações tão graves e desastradas quando estão em jogo os destinos de um povo e de um país com o qual o Brasil mantém relações normais de cooperação e amizade, ressalte-se que a declaração recente de Patriota parece um eco do mesmo mantra de mais de 10 ano atrás. Mantra que levou a diplomacia, então tucana, a uma espécie de adesão obediente e cooperativa - retirada de obstáculos - para que a guerra contra o Iraque se consumasse. A narrativa sobre esta página feia da diplomacia brasileira está magistralmente registrada no livro do professor Moniz Bandeira, “As relações perigosas: Brasil-Estados Unidos”, que recomendo com força. Quando hoje está mundialmente comprovado a inexistência daquelas tais armas de destruição em massa nas mãos do Iraque, a diplomacia brasileira, tem, no mínimo, explicações a dar, tendo em vista ser direito de todas as instituições e de cada cidadão brasileiro, exibir transparência e coerência democráticas de nossa política externa.

Mudança de posições

Apesar dos esforços da Russia, China, Africa do Sul e Índia por uma solução pacífica do conflito sírio, o Brasil, uma vez mais, votou distanciando-se dos Brics e em sintonia do esforço imperial por impor uma nova, mais uma,. intervenção militar estrangeira. Após a intervenção militar da Otan na Líbia, arrancada a fórceps da ONU, muitos países têm reformado sua posição no cenário mundial, pois, vai ficando clara uma disposição norte-americana para um enfrentamento bélico. Dois exemplos recentes: os EUA estão a ignorar todos os acordos anteriores feitos com a Rússia e continuam tomando medidas para instalar um escudo anti-míssil na Polônia, o que levou o Chefe do Estado Maior Russo, General Makarov, a afirmar, na semana passada, que as forças militares de seu país podem optar pura e simplesmente por destruir estas instalações, caso os EUA não respeitem os acordos.
O outro exemplo, é a nova estratégia de ocupação dos mares asiáticos pela Marinha dos EUA, levando a Austrália, onde estão instaladas bases militares estadunidenses a ser apenas mais uma marionete do Pentágono na região, onde o alvo, obviamente, não é o pequenino Timor Leste, mas a China. A reação da China tem registrado um tom incomum para a conhecida paciência oriental. Hu Jin Tao, dirigente chinês, diante da ocorrência de inúmeras manobras militares conjuntas sino-russas convocou os dois exércitos a união “porque o imperialismo só entende a linguagem da guerra”. Além disso, os dois países, diferente do que ocorreu quando da invasão da Otan à Líbia, oportunidade em que os dois gigantes lavaram as mãos com sangue do povo líbio, agora, diante do novo script da agressão gradual do império no capítulo Síria, despertaram. Já se posicionaram de modo irredutível contra qualquer intervenção militar externa contra o governo de Damasco. Tal mudança de posição é acompanhada pela nova posição iraniana que, diferente do que fez diante da crise líbia, agora tem sido enérgica em defesa da autodeterminação síria.

Precedentes

Será que o importante giro em política externa de países centrais dos Brics, como a Rússia e a China, e agora também na política do Irã, não deveria representar vigoroso motivo de rediscussão da posição brasileira na ONU que, praticamente, endossou a Resolução que celebra o terrorismo praticado por mercenários na Síria, com o apoio da Otan? Os direitos humanos não foram elencados como parâmetro de definição da política externa brasileira? O que dizer do que se faz na Síria, quando a missão Kofi Annan por uma solução pacífica foi detonada exatamente pelos países que querem uma intervenção militar e apóiam militarmente os mercenários internacionais que lá atuam? E quando estes mesmo países da Otan, depois de lavarem em sangue sírio sua estratégia de ocupação territorial da Síria, na hipótese de derrocada do governo atual, se voltarem para o Irã com o mantra renovado entoando que a nação persa não tem direito de ter programa nuclear, apenas os que já têm? Qual será a posição brasileira? Pior ainda: e quando, num novo cenário mundial, estes países imperiais voltarem suas exigência contra o Brasil, que também pode vir a ser acusado , como o Irã, de ter programa nuclear? Ou de ser inepto em matéria ambiental, com o que se justificaria o apoio a comandos mercenários neste imenso território brasileiro, com vistas a esquartejá-lo? Qual será então a política do Itamaraty?Qualquer que seja, será tarde demais.....

Fraude midiática

Há inúmeras comprovações de que muitos dos supostos ataques dos chamados rebeldes sírios são gravados no Qatar e difundidos, entre outros, pela TV Al-Jazeera, perigosamente defendida aqui no Brasil como TV pública exemplar por certas vozes do movimento da democratização da comunicação , quando na realidade é um instrumento de falsificação informativa para justificar e pressionar a tomada de posições na ONU contra a Síria. Até mesmo a BBC foi colhida re-exibindo vídeos ou estampando fotos em seu site de situações ocorridas no Iraque anos atrás e agora apresentadas, fraudulentamente, como se fossem episódios do conflito atual da Síria.
Há uma simbiose entre esses meios informativos e a agenda de encomendas da indústria bélica, um dos poucos ramos econômicos a não ter sofrido duramente com a crise capitalista nos EUA. Os redatores e editores destas emissoras são conhecidos instrutores militares, e a CNN, já conhecida com CiaNewsNetwork, vai desenrolando o roteiro de intervenções midiáticas - a TV Síria, não apenas foi bombardeada com seu sinal foi desconectado dos satélites internacionais - que pavimentam a chegada das tropas da Otan.

Mensagem da Líbia

Será que nada disso fará o Brasil repensar sua posição na ONU, mesmo observando que está distanciando-se, nesta questão política crucial, da posição dos países dos Brics, e, também, da posição dos países que querem construir uma integração soberana na América Latina? Rússia , China e Irã entenderam , finalmente, a dura mensagem que a Otan enviou ao mundo ao invadir a Líbia. E o Brasil? Será tão difícil ver que há perigosas similaridades entre a ocupação estratégia do Mar da China pela marinha dos EUA e a reativação da Quarta Frota para o Atlântico Sul, particularmente após a descoberta do petróleo pré-sal?
A presidenta acertou quando disse na cara do Cameron que o Brasil não apoiaria uma intervenção militar na Síria ou no Irã. Mas, o apoio do Brasil a esta Resolução da ONU, que autoriza ações militares contra a Síria, levanta enigmáticas e misteriosas contradições. E isto não é apenas em hipótese.
Beto Almeida, jornalista
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A Olimpíada de Londres que a imprensa não mostra

O outro lado da Olimpíada de Londres. Nem tudo é festa na capital britânica: ativistas denunciam ações obscuras de alguns patrocinadores e são reprimidos por autoridades
Na contramão dos furores patrióticos por medalhas, manifestantes britânicos realizaram protestos contra a Olimpíada de Londres. Sem o mesmo holofote de Usain Bolt, Michael Phelps e Andy Murray, cinco ações anti-Jogos questionaram seus polêmicos patrocinadores, colocando em xeque a lógica dos “benefícios” do megaevento e a controversa reformulação da região leste da capital britânica para construção do Parque Olímpico.
protesto londres
Divulgação (Greenwash Gold)
Poucas linhas de jornal contaram sobre as prisões em uma bicicletada pacífica e outras detenções em um protesto bem-humorado com creme de baunilha na Trafalgar Square, centro de Londres.
Manifestantes também jogaram badminton em frente à principal loja da Adidas na cidade e fizeram um bem sucedido abaixo-assinado contra a isenção fiscal de patrocinadores.
Uma das principais intervenções aconteceu logo antes da cerimônia de abertura, no dia 27 de julho.
Um grupo de ativistas conseguiu autorização do comitê olímpico local – a única para o dia da abertura – e realizou um die-in (tipo de protesto pelos mortos de uma tragédia realizado por simulações) homenageando as vítimas da catástrofe de Bhopal, na Índia. Enquanto isso, na cidade de Bhopal, crianças deficientes realizaram uma “Olimpíada paralela”.
As manifestações, mesmo que à sombra do megaevento, mostraram que o modelo de negócios da Olimpíada de Londres está longe de ser unanimidade. Ele é, acima de tudo, controverso, e deixa diversas lições para os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, daqui a quatro anos.
Veja quem foi às ruas (ou às redes sociais) e por quê.

Die-in

Há 28 anos, a cidade de Bhopal, norte da Índia, foi vítima de uma das maiores catástrofes ambientais da história. Em 1984, falhas em uma fábrica de pesticidas, de propriedade da Union Carbide, lançaram 27 toneladas de um gás tóxico, o isocianato de metila, e contaminaram 120 mil pessoas. A área nunca foi descontaminada e há indícios de que há grandes quantidades de mercúrio em seus lençóis freáticos.
Em 2001, a Dow Chemical Company, gigante do setor químico, comprou a Union Carbide, mas não assumiu total responsabilidade pela tragédia. Os efeitos foram devastadores. Os chamados “filhos de Bhopal” nasceram com deformidades. A empresa afirma que as indenizações pagas são suficientes para apagar a mancha da catástrofe, mas a área continua contaminada.
O caso raramente volta às páginas dos jornais. No dia 27 de julho, data da cerimônia de abertura, manifestantes mobilizados pela ONG DropDowNow foram às proximidades do Parque Olímpico e realizaram um die-in. Qual a relação disso com a Olimpíada?
A Dow Chemical, que também fabricou napalm para a Guerra do Vietnã, aportou 7 milhões de libras esterlinas (cerca de 21 milhões de reais) para ser patrocinadora dos Jogos Olímpicos. O acerto com o Comitê Olímpico Internacional, levou à renúncia ao vivo, na rede estatal BBC, de Meredith Alexander, ex-agente da Comissão para uma Londres Sustentável 2012.
O premiê conservador David Cameron saiu em defesa da multinacional e disse que a Olimpíada de Londres seria a mais verde da história. Segundo o contrato com o Comitê Olímpico Internacional, a Dow Chemical já é patrocinadora da Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016.

Contra a isenção

“Stratford [região do Parque Olímpico] será um paraíso fiscal”, escreveu Tim Hunt, da revista Ethical Consumer. A frase apontou o dedo para atletas e patrocinadores da Olimpíada, como McDonald’s e Visa, ambos com monopólio sobre suas respectivas áreas. Enquanto toda comida “de marca” vendida em Stratford é necessariamente do McDonald’s, a bandeira de cartões Visa está em todas as compras de bilhetes para os Jogos.
A isenção fiscal, segundo Hunt, foi preponderante para que os Jogos fossem sediados em Londres neste ano, com anuência do comitê olímpico local, chefiado por Sebastian Coe, do Partido Conservador. A legislação britânica sofreu mudanças para que isso acontecesse, em operação conjunta com o Tesouro.
A irritação de ativistas era questão de tempo. Eles rapidamente sublinharam a contradição entre isenção fiscal a multinacionais e políticas de austeridade do governo britânico, que enfrenta o mais longo período de recessão em 50 anos. A ONG 38 Degrees fez um abaixo-assinado virtual pedindo a todas as empresas patrocinadoras dos Jogos Olímpicos que paguem seus impostos sobre a exploração do megaevento.
Houve uma enxurrada nas redes sociais e deu certo. Em duas semanas, 14 multinacionais enviaram comunicados à ONG informando que concordavam em pagar as taxas.

Bicicletada pacífica

Toda última sexta-feira do mês, ciclistas do grupo Critical Mass (ou Massa Crítica) saem pedalando por Londres. Desde 1994, eles se encontram no South Bank, perto da ponte Waterloo, e passeiam sem itinerário pela capital britânica como uma celebração do “andar de bicicleta”.
A última sexta-feira de julho caiu no dia 27, data da cerimônia de abertura da Olimpíada. Cerca de 500 ciclistas se reuniram para pedalar, mas não conseguiram cruzar a ponte Waterloo. O acesso à margem norte do rio Tâmisa estava fechado.
Motocicletas policiais com sirenes altíssimas escoltavam vans e ônibus que levavam os atletas ao Parque Olímpico, bloqueando ruas de toda a região central e leste de Londres. Segundo a polícia, era proibido pedalar na capital britânica naquela noite. Ciclistas disseram ter sido empurrados pela polícia para deixar o astro do futebol David Beckham passar e tiveram suas bicicletas confiscadas.
Ao todo, segundo dados oficiais da polícia britânica, 182 ciclistas foram presos durante a bicicletada, que contou com uso de spray de pimenta e da tática de contenção de manifestantes conhecida como “kettling”. Os policiais, unidos, formaram círculos em torno dos ciclistas, mantendo-os “presos” na rua.
Dos 182 detidos, 178 saíram no dia seguinte e quatro foram acusados de diversos crimes. “As pessoas não têm o direito de realizar um protesto que atrapalhe o direito de outras pessoas de seguir com suas vidas – atletas que treinaram durante anos por uma chance de competir, milhões de portadores de ingressos que queriam ver o maior evento esportivo do mundo e todo mundo em Londres que queria se locomover”, afirmou a polícia britânica em nota.

Creme de baunilha

Ativistas da Greenwash Gold 2012, campanha contra os patrocinadores “verdes” dos Jogos Olímpicos, foram até a Trafalgar Square, centro de Londres, para um pódio de mentirinha. Três pessoas, representando Rio Tinto, Dow Chemical e British Petroleum, posariam em frente ao relógio da contagem regressiva da Olimpíada e então jogariam um creme de baunilha com corante verde na cabeça, simulando lixo tóxico. Seis acabaram presos.
“Greenwash” é o termo usado por ativistas para empresas que fazem “lavagem verde de dinheiro”, ou seja, usam parte de seus lucros em patrocínios e projetos direcionados ao meio-ambiente, mas o destroem em suas atividades principais. A performance do grupo durou cerca de 15 minutos, tempo suficiente para que a polícia prendesse seis pessoas por “dano criminal” ao piso da Trafalgar Square – tudo isso porque caiu um pouco de creme de baunilha no chão.
“Era um protesto pacífico e legítimo contra patrocinadores terríveis, e os manifestantes acabaram presos por derrubar creme de baunilha”, disse o diretor da Bhopal Medical Appeal, Colin Toogood.
Além da norte-americana Dow Chemical, acusada como a responsável legal pela tragédia de Bhopal, a British Petroleum foi responsável pelo vazamento de petróleo no Golfo do México, em 2010. E a Rio Tinto, especialista em mineração, é duramente criticada por sua atuação em países como Indonésia e Papua Nova Guiné.

Badminton

Duas reportagens de jornal, uma do Daily Telegraph, mais à direita, e outra do The Independent, mais à esquerda, mostraram que a Adidas estava fabricando material esportivo para a Olimpíada à custa de trabalhadores em regimes desumanos, pagando salários baixíssimos e com carga horária de até 65 horas por semana. Os esforços foram grandes para revelar a história. O Telegraph foi até Camboja, enquanto o Independent viajou à Indonésia em busca de informações sobre a fabricação das roupas.
A ONG War on Want, de combate à pobreza, foi às ruas contra a Adidas e realizou um protesto em frente à principal loja da marca, em Oxford Street, e projetou um enorme logo da companhia em um prédio vizinho ao Parque Olímpico com os dizeres: “Exploitation. Not OK here, not OK anywhere. (Exploração. Não é OK aqui nem em qualquer outro lugar)”.
Todos os atletas do time olímpico do Reino Unido vestem Adidas e seus agasalhos estavam entre os mais vendidos. O design é de Stella McCartney, estrela mundial da moda. A empresa nega utilizar trabalhadores em regime de escravidão, cujos salários/hora não chegariam a um real.
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Os crimes de FHC serão punidos?

No grande circo armado pela mídia para o "julgamento do século" do chamado "mensalão do PT", até o ex-presidente FHC foi ressuscitado. Ontem (6), na abertura da 32ª Convenção do Atacadista Distribuidor, no Riocentro, ele reforçou o linchamento midiático exigindo a imediata punição dos réus. Na maior caradura, ele esbravejou: "Depois que eu ouvi do procurador-geral da República, houve crime. Crime tem que ser punido... Tenho confiança de que eles [STF] julgarão com serenidade, mas também com Justiça".
FHC já pediu para esquecer o que ele escreveu. Mas não dá para esquecer as denúncias de corrupção que mancharam o seu triste reinado. O ex-presidente não tem moral para exigir punição de qualquer suspeito de irregularidades. Desde que foi desalojado do Palácio do Planalto, o rejeitado ex-presidente tenta se travestir de paladino da ética com objetivos meramente políticos e eleitoreiros. Ela agora explora oportunisticamente o julgamento no STF para impulsionar e animar as campanhas dos demotucanos às eleições de outubro.
A lista dos crimes tucanos
Se um dia houver, de fato, Justiça no país, FHC é que será julgado e punido por seus crimes. Listo abaixo alguns que merecem rigoroso julgamento da história:
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Denúncias abafadas:

Já no início do seu primeiro mandato, em 19 de janeiro de 1995, FHC fincou o marco que mostraria a sua conivência com a corrupção. Ele extinguiu, por decreto, a Comissão Especial de Investigação, criada por Itamar Franco e formada por representantes da sociedade civil, que visava combater o desvio de recursos públicos. Em 2001, fustigado pela ameaça de uma CPI da Corrupção, ele criou a Controladoria-Geral da União, mas este órgão se notabilizou exatamente por abafar denúncias.

Caso Sivam

Também no início do seu primeiro mandato, surgiram denúncias de tráfico de influência e corrupção no contrato de execução do Sistema de Vigilância e Proteção da Amazônia (Sivam/Sipam). O escândalo derrubou o brigadeiro Mauro Gandra e serviu para FHC “punir” o embaixador Júlio César dos Santos com uma promoção. Ele foi nomeado embaixador junto à FAO, em Roma, “um exílio dourado”. A empresa ESCA, encarregada de incorporar a tecnologia da estadunidense Raytheon, foi extinta por fraude comprovada contra a Previdência. Não houve CPI sobre o assunto. FHC bloqueou.

Pasta Rosa

Em fevereiro de 1996, a Procuradoria-Geral da República resolveu arquivar definitivamente os processos da pasta rosa. Era uma alusão à pasta com documentos citando doações ilegais de banqueiros para campanhas eleitorais de políticos da base de sustentação do governo. Naquele tempo, o procurador-geral, Geraldo Brindeiro, ficou conhecido pela alcunha de “engavetador-geral da República”.

Compra de votos

A reeleição de FHC custou caro ao país. Para mudar a Constituição, houve um pesado esquema para a compra de voto, conforme inúmeras denúncias feitas à época. Gravações revelaram que os deputados Ronivon Santiago e João Maia, do PFL do Acre, ganharam R$ 200 mil para votar a favor do projeto. Eles foram expulsos do partido e renunciaram aos mandatos. Outros três deputados acusados de vender o voto, Chicão Brígido, Osmir Lima e Zila Bezerra, foram absolvidos pelo plenário da Câmara. Como sempre, FHC resolveu o problema abafando-o e impedido a constituição de uma CPI.

Vale do Rio Doce

Apesar da mobilização da sociedade em defesa da CVRD, a empresa foi vendida num leilão por apenas R$ 3,3 bilhões, enquanto especialistas estimavam seu preço em ao menos R$ 30 bilhões. Foi um crime de lesa-pátria, pois a empresa era lucrativa e estratégica para os interesses nacionais. Ela detinha, além de enormes jazidas, uma gigantesca infra-estrutura acumulada ao longo de mais de 50 anos, com navios, portos e ferrovias. Um ano depois da privatização, seus novos donos anunciaram um lucro de R$ 1 bilhão. O preço pago pela empresa equivale hoje ao lucro trimestral da CVRD.

Privatização da Telebras

O jogo de cartas marcadas da privatização do sistema de telecomunicações envolveu diretamente o nome de FHC, citado em inúmeras gravações divulgadas pela imprensa. Vários “grampos” comprovaram o envolvimento de lobistas com autoridades tucanas. As fitas mostraram que informações privilegiadas foram repassadas aos “queridinhos” de FHC. O mais grave foi o preço que as empresas privadas pagaram pelo sistema Telebrás, cerca de R$ 22 bilhões. O detalhe é que nos dois anos e meio anteriores à “venda”, o governo investiu na infra-estrutura do setor mais de R$ 21 bilhões. Pior ainda, o BNDES ainda financiou metade dos R$ 8 bilhões dados como entrada neste meganegócio. Uma verdadeira rapinagem contra o Brasil e que o governo FHC impediu que fosse investigada.

Ex-caixa de FHC

A privatização do sistema Telebrás foi marcada pela suspeição. Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-caixa das campanhas de FHC e do senador José Serra e ex-diretor do Banco do Brasil, foi acusado de cobrar R$ 90 milhões para ajudar na montagem do consórcio Telemar. Grampos do BNDES também flagraram conversas de Luiz Carlos Mendonça de Barros, então ministro das Comunicações, e André Lara Resende, então presidente do banco, articulando o apoio da Previ para beneficiar o consórcio do Opportunity, que tinha como um dos donos o economista Pérsio Arida, amigo de Mendonça de Barros e de Lara Resende. Até FHC entrou na história, autorizando o uso de seu nome para pressionar o fundo de pensão. Além de “vender” o patrimônio público, o BNDES destinou cerca de 10 bilhões de reais para socorrer empresas que assumiram o controle das estatais privatizadas. Em uma das diversas operações, ele injetou 686,8 milhões de reais na Telemar, assumindo 25% do controle acionário da empresa.

Juiz Lalau

A escandalosa construção do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo levou para o ralo R$ 169 milhões. O caso surgiu em 1998, mas os nomes dos envolvidos só apareceram em 2000. A CPI do Judiciário contribuiu para levar à cadeia o juiz Nicolau dos Santos Neto, ex-presidente do TRT, e para cassar o mandato do senador Luiz Estevão, dois dos principais envolvidos no caso. Num dos maiores escândalos da era FHC, vários nomes ligados ao governo surgiram no emaranhado das denúncias. O pior é que FHC, ao ser questionado por que liberara as verbas para uma obra que o Tribunal de Contas já alertara que tinha irregularidades, respondeu de forma irresponsável: “assinei sem ver”.

Farra do Proer

O Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Sistema Financeiro Nacional (Proer) demonstrou, já em sua gênese, no final de 1995, como seriam as relações do governo FHC com o sistema financeiro. Para ele, o custo do programa ao Tesouro Nacional foi de 1% do PIB. Para os ex-presidentes do BC, Gustavo Loyola e Gustavo Franco, atingiu 3% do PIB. Mas para economistas da Cepal, os gastos chegaram a 12,3% do PIB, ou R$ 111,3 bilhões, incluindo a recapitalização do Banco do Brasil, da CEF e o socorro aos bancos estaduais. Vale lembrar que um dos socorridos foi o Banco Nacional, da família Magalhães Pinto, a qual tinha como agregado um dos filhos de FHC.

Desvalorização do real

De forma eleitoreira, FHC segurou a paridade entre o real e o dólar apenas para assegurar a sua reeleição em 1998, mesmo às custas da queima de bilhões de dólares das reservas do país. Comprovou-se o vazamento de informações do Banco Central. O PT divulgou uma lista com o nome de 24 bancos que lucraram com a mudança e de outros quatro que registraram movimentação especulativa suspeita às vésperas do anúncio das medidas. Há indícios da existência de um esquema dentro do BC para a venda de informações privilegiadas sobre câmbio e juros a determinados bancos ligados à turma de FHC. No bojo da desvalorização cambial, surgiu o escandaloso caso dos bancos Marka e FonteCindam, “graciosamente” socorridos pelo Banco Central com 1,6 bilhão de reais. Houve favorecimento descarado, com empréstimos em dólar a preços mais baixos do que os praticados pelo mercado.

Sudam e Sudene

De 1994 a 1999, houve uma orgia de fraudes na Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), ultrapassando R$ 2 bilhões. Ao invés de desbaratar a corrupção e pôr os culpados na cadeia, FHC extinguiu o órgão. Já na Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), a farra também foi grande, com a apuração de desvios de R$ 1,4 bilhão. A prática consistia na emissão de notas fiscais frias para a comprovação de que os recursos do Fundo de Investimentos do Nordeste foram aplicados. Como fez com a Sudam, FHC extinguiu a Sudene, em vez de colocar os culpados na cadeia.
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O vício rentista do grande empresariado

O governo criou as melhores condições possíveis, no marco atual de pressões recessivas internacionais, para que aumentem os investimentos – diminuição significativa da taxa de juros, desvalorização do real, retirada de impostos -, mas a reação do grande empresariado é quase nenhuma. Antes criticavam o governo quando a taxa de juros era mantida, quando o dólar estava muito desvalorizado. Quando o governo atende a essas reivindicações, as entidades empresariais simplesmente se calam e se somam ao coro aziago da diminuição do crescimento economico.
É um grande empresariado acostumado ao modelo anterior, baseado na exportação, no consumo de luxo e na especulação. Acostumado com a super-exploracao do trabalho, com modelos econômicos voltados para atender as necessidades de um terço da população.
O modelo neoliberal promoveu a hegemonia do capital financeiro, sob sua forma especulativa. Não a que financia a produção, o consumo, a pesquisa, mas a que vive da compra e venda de papeis, a que não cria nem bens, nem empregos.
Quando desregulamentou a economia, ao invés de ser retomado um ciclo expansivo da produção, houve uma brutal transferência, em escala mundial, de capitais do setor produtivo para o especulativo. Porque o capital nao está feito para produzir, mas para acumular. A desregulamentação deixou o capital livre para buscar os maiores lucros possíveis. Encontrou na especulação financeira, onde ganha mais, com menos impostos e liquidez total, o destino privilegiado dos seus investimentos.
Não existem os empresários produtivos e os especulativos. Todo grande grupo economico tem um ramo especulativo que, atualmente, via de regra, é o que gera mais lucros.
Quem garante o financiamento aos programas sociais do governo são os bancos públicos. Quem injeta dinheiro na economia, de diferentes maneiras, é o governo.
Temos uma burguesia rentista, que vive da especulação, que resiste à reconversão do modelo de hegemonia do capital financeiro a um modelo produtivo. O governo tem que agir cada vez mais na direção do condicionamento dos créditos, das isenções, de toda forma de favorecimento do capital privado, com contrapartidas estritas em termos de produção e de geração de empregos, com um peso cada vez maior do Estado, para não depender do ânimo e do espiríto especulativo de grandes setores do empresariado privado.
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Lugo alerta para existência de novos tipos de golpe na América Latina

Fernando Lugo foi destituído da presidência por um impeachment
relâmpago e agora trabalha pela unidade política do Frente Guasú
O ex-presidente paraguaio Fernando Lugo, destituído em 22 de junho pelo congresso do país, alertou para a existência de novos modelos de golpe de Estado na América Latina – sem tanques de guerra nas ruas nem presos políticos nem mortes. “É como disse o representante do Paraguai na OEA, a Organização dos Estados Americanos: está tudo tranquilo no país: portanto, não há golpe.”
No intervalo de quatro anos, Fernando Lugo foi o segundo presidente da região forçado a deixar o poder antes do término de seu mandato constitucional. O primeiro foi Manuel Zelaya, de Honduras, derrubado em 2009 quando um grupo de militares invadiu sua residência em plena madrugada e o colocou num avião rumo ao exílio. “Foi um golpe muito mais grosseiro”, compara o ex-presidente paraguaio. “Agora há golpes mais refinados, como o que sofri, que pretendem vender ao mundo uma imagem de legalidade, como se não passassem de uma ferramenta jurídica e constitucional.”
Fernando Lugo revelou que, há três anos, lhe disseram que, depois de Honduras, o Paraguai seria o próximo país latino-americano a sofrer um golpe. Isso porque mistura uma frágil institucionalidade democrática a um congresso que representa os setores mais conservadores da sociedade: está dominado por membros dos partidos Liberal e Colorado. “A direita não dorme”, avalia. “Não sei onde haverá o próximo golpe, mas será onde as multinacionais queiram ter acesso livre e direto aos recursos naturais.”
No Paraguai, a riqueza econômica está na agricultura – mais precisamente, no cultivo da soja. O país é o quarto exportador mundial da leguminosa. Por isso, o ex-presidente não descarta que os interesses das grandes multinacionais agrícolas tenham participado da orquestração do golpe parlamentar. “Existem poderes à sombra, que não mostram seu rosto, mas que influenciam na tomada de decisões”, reconhece. “Quando comecei na política me disseram que 70% do que acontece no Paraguai se decide fora do país. Na época, não quis acreditar. Agora, pelas experiências que passamos, não descarto essa possibilidade.”
As multinacionais, lembrou Lugo, financiam candidaturas no Paraguai sem que seja necessário aos políticos beneficiados explicarem à justiça de onde vêm os recursos de campanha. O narcotráfico faz o mesmo. Para o ex-presidente, algumas medidas tomadas por seu sucessor, Federico Franco, oferecem algumas evidências sobre quais grupos de poder econômico podem ter participado do impeachment relâmpago. Quarto decisões recentes do novo governo merecem destaque.
Primeiro, o anúncio do recém-empossado ministro da Fazenda de que não haverá mais impostos sobre a exportação da soja. Segundo, a abertura do país ao cultivo de sementes transgênicas. “Estávamos trabalhando pela recuperação das espécies nativas de milho, feijão e algodão”, contrapõe Fernando Lugo. Em terceiro lugar, o ex-presidente informou que Federico Franco aceitou pagar uma dívida ilegal e ilegítima contraída pelo Paraguai junto a bancos suíços durante a ditadura de Alfredo Stroessner. “É um empréstimo de 80 milhões de dólares que nunca chegou ao país”, explica. “Estávamos nos recusando a pagá-la e brigando nos tribunais internacionais.”
A quarta medida do novo governo se refere à instalação da mineradora e siderúrgica canadense Rio Tinto Alcan em território paraguaio. “Como é possível que uma empresa tão grande queira produzir alumínio no Paraguai se a matéria-prima está no Brasil e o mercado consumidor também?”, questiona Lugo. A explicação, continua, é o preço da eletricidade. O ex-presidente afirma que seus sucessores estão negociando com a companhia um contrato de fornecimento de energia que causará um prejuízo de 14 bilhões de dólares ao Estado pelos próximos 30 anos – que podem se transformar em 50. “Não há dúvida de que as multinacionais são poderes de fato em nosso país”, conclui.

Desafios

Diante das condições políticas e econômicas adversas para o estabelecimento de uma agenda popular e progressista no Paraguai, Fernando Lugo esboçou algumas ideias de como se poderia dar início a um processo de mudança estrutural. E admite que, em seu governo, não conseguiu aplicá-las. “Modificar a estrutura fundiária é o primeiro desafio: o Paraguai tem uma extensão territorial de 406.752 km2, mas, somando todos os títulos de propriedade da terra, temos 529.000 km2 legalizados”, informa.
Por isso, o primeiro passo para a transformação do país, segundo Lugo, seria convocar uma assembleia constituinte – tal qual fizeram Venezuela, Bolívia e Equador. “Nossa constituição é uma fotografia da década de oitenta e noventa, e põe panos quentes sobre a posse ilegal da terra”, diz. “Depois, o país deve integrar-se à região, porque o pior castigo para uma nação que não tem saída para o mar nem companhia aérea é estar isolado.”
Fernando Lugo não acredita em mudanças imediatas. “Há esperança”, alega, lembrando de alguns processos sociais que se instalaram no Paraguai durante seu governo. A saúde pública e gratuita é um deles. “É uma conquista dos cidadãos e não haverá volta atrás.” Para começar a implementá-las, porém, o ex-presidente reconhece que é necessário possuir uma ampla base de apoio no parlamento – coisa que não teve durante seu governo. Eis uma das razões que lhe impulsionará à candidatura para o Senado nas próximas eleições pelo Frente Guasú.
No Correio do Brasil
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O argumento da fraude caiu

Por uma dessas coincidências do destino, coube ao advogado Dino Miraglia Filho (entrevista à pág. 36 da CartaCapital desta semana) se apresentar ao Supremo Tribunal Federal, em Brasília, na manhã da quinta-feira 2, justamente quando os 11 ministros da mais alta corte estavam reunidos para iniciar o julgamento do chamado “mensalão”. Miraglia estava lá por causa de outro escândalo praticamente idêntico nos métodos e absolutamente igual na fonte de abastecimento de recursos: o publicitário Marcos Valério de Souza.
Miraglia havia embarcado de Belo Horizonte no dia anterior para entregar ao ministro Joaquim Barbosa o original da lista do valerioduto mineiro, ou melhor, tucano, um documento de 27 páginas com o registro contábil, registrado em cartório, de 104,3 milhões de reais movimentados por meio de caixa 2. Essa é a quantia, segundo o documento, gasta na fracassada campanha à reeleição do ex-governador e atual deputado Eduardo Azeredo, do PSDB, em 1998.
Publicada na penúltima edição de CartaCapital, a lista inclui nomes de empresários, políticos, juízes, jornalistas e autoridades, quase todos tucanos, registrados no documento assinado por Marcos Valério, um dos principais réus do mensalão do PT. Também é do publicitário a assinatura de um documento de apresentação da lista, no qual ele garante ter repassado, apenas a Azeredo, 4,5 milhões de reais para a campanha.
Brasília. Miraglia quer escapar do círculo de influência
política na Justiça mineira
Entre os beneficiários aparece o ministro do STF Gilmar Mendes. Por um erro de edição, o trecho no qual o nome de Mendes é citado na lista acabou suprimido da edição impressa da revista. Embora esse trecho em destaque, bem como a íntegra dos documentos, esteja disponível em nosso site desde a sexta-feira 27, decidimos republicá-lo abaixo.
Novos documentos, todos com firmas reconhecidas em cartório, revelados agora por CartaCapital, reafirmam a existência da transação. Um deles é uma “Declaração de Desembolso” assinada por Souza em 28 de março de 1999. Nela, o publicitário declara que as empresas SMP&B Comunicação e DNA Propaganda, principais escoadouros de dinheiro do chamado “valerioduto”, destinaram a Azeredo 4,5 milhões de reais em 13 de outubro de 1998. A intermediação do pagamento, segundo o documento, foi feita por Carlos Mourão, tesoureiro da campanha do ex-governador de Minas Gerais.
A declaração do publicitário discrimina minuciosamente a origem dos 4,5 milhões de reais: Banco Bemge (350 mil reais), Cemig (estatal de energia, 500 mil reais), Comig (estatal de infraestrutura, 250 mil reais), construtora Andrade Gutierrez (500 mil reais), Construtora ARG (900 mil reais), Copasa (estatal de saneamento, 550 mil reais), Banco Credireal (350 mil reais), Loteria Mineira (estatal de loterias, 300 mil reais) e Banco Rural (800 mil reais).
O outro documento é um recibo assinado por Azeredo, também em 13 de outubro de 1998, referente aos 4,5 milhões de reais, “para saldar compromissos diversos”. O tesoureiro Mourão é apresentado como intermediador do pagamento. Todas as assinaturas foram confirmadas por cartórios de Belo Horizonte.
Logo após a divulgação da lista, Marcos Valério, por meio de seu advogado, apressou-se em afirmar a falsidade do documento. No mesmo caminho seguiram Azeredo e Mendes, que teria recebido 185 mil reais. A negativa do publicitário era mais do que esperada. Réu do processo do mensalão, ele não pode assumir a responsabilidade pela administração de outro esquema criminoso. O caso de Minas Gerais também está no STF, mas somente para os envolvidos com direito a foro privilegiado, Azeredo e o senador Clésio Andrade (PMDB-MG). Os demais serão julgados pela Justiça comum mineira.
A reação de Mendes foi a de anunciar a intenção de processar (mais uma vez) CartaCapital. Por meio de acólitos na mídia a serviço da desinformação e da trapaça, tentou desqualificar a lista ao alegar que a sigla “AGU” (Advocacia-Geral da União) colocada ao lado do nome dele no documento não faz sentido, porque, em 1998, trabalhava na Subchefia para Assuntos Jurídicos da Casa Civil no governo Fernando Henrique Cardoso. Ele só se tornaria advogado-geral da União em 2000, nomeado por FHC. Ocorre que a referida subchefia é uma unidade atrelada à AGU, conforme demonstra o site oficial do órgão, na internet.
A argumentação de Azeredo é ainda mais frágil. Em nota enviada à revista, o deputado afirma que a lista se assemelha “a outras comprovadamente falsas”. Acusa, com o cuidado de não citar o nome, o lobista Nilton Monteiro de ser o mentor da denúncia. E para desqualificar o denunciante, informa que Monteiro esteve preso por falsificação “até bem pouco tempo atrás”.
Para azar de Azeredo, justo na semana em que a lista veio à luz, a procuradora da República no Rio de Janeiro, Andrea Bayão Ferreira, denunciou o ex-diretor de Planejamento de Furnas Centrais Elétricas Dimas Fabiano Toledo por participação, em parceria com um grupo de empresários e políticos, no esquema de arrecadação ilegal exposto na chamada Lista de Furnas. Divulgada em 2006, a lista assinada por Toledo e por Monteiro foi o primeiro documento a revelar os esquemas de caixa 2 do PSDB montados durante o governo FHC, particularmente no ano eleitoral de 2002.
A denúncia do MPF, revelada pelo jornalista Amaury Ribeiro Jr. no diário mineiro Hoje em Dia, reúne documentos da Polícia Federal e da Receita Federal. Entre eles, o resultado da perícia feita pela PF em 2006 que atestou a veracidade da lista. O caso será julgado pela Vara da Fazenda do Rio de Janeiro.
A novidade sobre a Lista de Furnas derrubou boa parte da argumentação de Azeredo e do PSDB sobre a similaridade da denúncia de Miraglia e as tais “listas comprovadamente falsas”. Além disso, neutralizou a tentativa de desqualificar a informação a partir da participação de Monteiro na história. O lobista foi figura fundamental nos esquemas tucanos de arrecadação em Minas, mas caiu em desgraça quando começou a cobrar as faturas, muitas das quais mantém guardadas, da campanha eleitoral de 1998.
Monteiro foi de fato preso em 2006, durante a investigação sobre a veracidade da Lista de Furnas, mas acabou solto quando saiu o laudo da PF. Também chegou a ser detido sob a acusação de intimidar uma testemunha, Gilmar Adriano Corrêa, em 2005, mas acabou liberado em seguida. O próprio Corrêa foi à Polícia Civil informar que jamais havia sido procurado pelo lobista. Essas ações contra Monteiro podem, inclusive, ter sido armadas pelo grupo de Azeredo, segundo afirma um novo documento entregue por Monteiro a Miraglia (o advogado assumiu a defesa do lobista faz 15 dias).
Trata-se de um longo depoimento, registrado em 18 páginas, do advogado Joaquim Egler Filho ao delegado João Octacílio Silva Neto, da Divisão de Operações Especiais da Polícia Civil de Minas, em 1º de março de 2010. Egler Filho foi advogado de Monteiro em 2001, mas os dois se desentenderam por causa de dinheiro. O advogado entrou com uma ação de cobrança contra Monteiro na 1ª Vara Cível de BH em 7 de março de 2002. Ambos iniciaram uma guerra de acusações, sobretudo em relação a contratos de pagamento de honorários e notas promissórias.
Egler Filho havia procurado a polícia mineira, em 24 de janeiro de 2008, para fazer uma série de acusações a políticos mineiros envolvidos em esquemas de financiamento de caixa 2, entre eles Azeredo. Naquele mesmo ano, segundo contou ao delegado Silva Neto, foi obrigado por Mourão a negar tudo que havia dito. Ao depor novamente em 2010, não só reiterou as acusações como fez outras. Informou, por exemplo, ter sido Mourão o responsável pela armação contra Monteiro no caso da falsa denúncia de intimidação à testemunha em 2005.
No depoimento, disse ter participado de uma reunião agendada por Azeredo com a juíza Rosimere das Graças do Couto, da Vara de Inquéritos Policiais de Belo Horizonte, para tratar de uma estratégia para acelerar os inquéritos policiais em que Monteiro é réu e, assim, colocá-lo na cadeia. Todo esse ódio pelo lobista, disse ao delegado, vem da percepção de que a Lista de Furnas, divulgada em 2006 em meio à crise do mensalão, teria impedido os tucanos de levar adiante a estratégia de pedir o impeachment do ex-presidente Lula.
Leandro Fortes
No CartaCapital
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