3 de ago de 2012

Ευάγγελος Οδυσσέας Παπαθανασίου

ou Evángelos Odysséas Papathanasiou ou, simplesmente, Vangelis


Mythodea
You can see exactly the movement you want. Go on time
Intro --- 1:24
Movement 1 --- 2:45
Movement 2 --- 8:28
Movement 3 --- 14:51
Movement 4 --- 21:10
Movement 5 --- 35:50
Movement 6 --- 42:12
Movement 7 --- 49:28
Movement 8 --- 54:44
Movement 9 --- 58:26
Movement 10 --- 01:04:17
Finale (Chariots of Fire) --- 01:08:40
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O desespero pelo voto de Peluso

O cronômetro do mensalão e o voto de Cezar Peluso

“Hoje li em algum lugar que o julgamento atrasou cinco horas por conta da discussão sobre o desmembramento. Agora, não se contam os dias, mas as horas. Falta só fixar um cronômetro no plenário do Supremo. Tudo isso é medo de que o Peluso não possa votar?”
O comentário, feito nesta sexta-feira (3/8) por um advogado que compõe a defesa de um dos réus da Ação Penal 470, o chamado processo do mensalão, encontra ressonância em outros ouvidos nos corredores do Supremo Tribunal Federal nos últimos dias. O tribunal parece estar com pressa.
Ministro Cezar Peluso presidindo a sessão plenária - 29/02/2012 [Carlos Humberto/SCO/STF]Fato é que é cada vez menor a possibilidade de o ministro Cezar Peluso (foto) conseguir votar, ainda que peça para adiantar suas decisões. Uma consulta ao calendário mostra a corrida contra o relógio. Se tudo correr dentro do cronograma — e na primeira sessão se percebeu que dificilmente isso acontecerá —, as sustentações orais da defesa começam na próxima segunda-feira, dia 6, e acabam na quarta-feira da semana seguinte, dia 15 de agosto.
A partir daí, o Supremo fará três sessões semanais, às segundas, quartas e quintas. Ou seja, haverá sete sessões até o dia 30 de agosto, último em que haveria a possibilidade de Peluso votar.
O voto do relator, ministro Joaquim Barbosa, tem mais de mil páginas. Barbosa calcula que levará de três a quatro sessões para votar. O voto do revisor, ministro Ricardo Lewandowski, não deve levar menos tempo, já que também é composto de mais de mil folhas. A estimativa mais otimista é a de que ele leve quatro sessões para concluir seu pronunciamento. Feitas as contas desta forma, Peluso não vota.
Na melhor das hipóteses, Joaquim Barbosa votaria nos dias 16, 20 e 22 de agosto. Lewandowski, nos dias 23, 27, 29 e 30. Dia 31 é sexta-feira e não haverá sessão. E na segunda-feira, 3 de setembro, o ministro Peluso completa 70 anos e já não mais será ministro do Supremo Tribunal Federal.
Olho no relógio
O fato de o ministro Ayres Britto, nesta quinta-feira (2/8), ter pedido para o colega Ricardo Lewandowski resumir seu voto na Questão de Ordem levantada pelo advogado Márcio Thomaz Bastos foi lida como parte da ansiedade de ministros que estão fazendo cálculos sobre a probabilidade de Peluso votar. Mas há outros fatos que pesam para a convicção de que o tribunal está em ritmo acelerado.
Há informações de que Joaquim Barbosa poderia resumir seu voto aos principais pontos, ao invés de lê-lo na íntegra. Tomaria, assim, duas sessões apenas. A justificativa oficial seria a condição física do ministro, que sofre de dores crônicas nos quadris. Se isso ocorrer, de fato, advogados poderão levantar incidentes, com o argumento de que é um direito da defesa ter conhecimento da íntegra do voto do juiz, com todos seus detalhes e fundamentos.
Outra hipótese que chegou a ser levantada seria Peluso se adiantar ao próprio revisor do processo. Essa hipótese foi descartada com mais facilidade, já que encontrou resistência entre ministros do próprio Supremo. Neste caso, o tribunal poderia, com fundamento, ser acusado de dar um rito especialíssimo ao processo de mensalão. Seria acusado de se transformar em um tribunal de exceção.
Há colegas de Peluso que consideram que ele não deveria sequer querer adiantar o voto, já que certamente não estará no julgamento até o fim. Assim, não poderá decidir se reajusta ou não o voto diante de argumentos colocados por colegas. Também não votaria na fixação da dosimetria da pena.
Em defesa de Peluso, se aponta que há precedentes de ministros que adiantaram o voto porque iriam se aposentar. O presidente, ministro Ayres Britto, fez isso recentemente nos processos em que se discute o poder de investigação penal do Ministério Público. Depois de pedido de vista feito pelo ministro Luiz Fux, Britto adiantou sua posição porque, provavelmente, não estará mais na Corte quando Fux trouxer a questão a julgamento. O presidente completa 70 anos em novembro.
No processo do mensalão, contudo, há um fato que o diferencia da maioria dos precedentes: trata-se de uma Ação Penal. Ou seja, um processo subjetivo, que discute fatos. Não objetivo, que debate matéria de Direito. Quando a liberdade de acusados está em jogo, o rito do contraditório e ampla defesa costuma ser levado ainda mais a sério.
Todas essas questões devem ser debatidas em breve, depois da fase de sustentações orais da defesa. Os advogados estão de olho no Supremo, enquanto parte do tribunal parece estar de olho no relógio.
Rodrigo Haidar é editor da revista Consultor Jurídico em Brasília.
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Amaury diz que já tem os documentos para o Privataria II

A sequência do livro A Privataria Tucana, de Amaury Ribeiro Jr., será dedicada à lista de Furnas, informou o repórter hoje de manhã, por telefone.
A lista trata de um suposto esquema de arrecadação para financiar campanhas eleitorais dentro da estatal durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Pelo esquema, fornecedores de Furnas teriam sido beneficiados com contratos em troca de doações.
O esquema teria sido chefiado por Dimas Toledo, ex-diretor da empresa.
A arrecadação, de quase 40 milhões de reais, teria abastecido campanhas de vários partidos.
Colunista do jornal Hoje em Dia, em Belo Horizonte, através do qual divulgou ontem trechos da denúncia do Ministério Público Federal sobre o caso, Amaury disse que dispõe “de dez mil páginas de documentos” que resultaram da investigação feita pela Polícia Federal, inclusive com interceptações telefônicas.
Segundo Amaury, o conjunto de provas demonstra a autenticidade da lista, sempre contestada pelo PSDB:
1. A perícia oficial comprova a assinatura de Dimas Toledo no documento;
2. Demonstra que não houve montagem;
3. Escutas telefônicas feitas com autorização da Justiça mostram que o lobista Nilton Monteiro, acusado de tentar falsificar o conteúdo ou de usar o documento para fazer chantagem política, sempre tratou a lista como sendo verdadeira;
4. A investigação identificou empresas doadoras citadas na lista;
5. Roberto Jefferson admitiu ter recebido, em dinheiro, a quantia atribuída a ele no documento, de 75 mil reais.
Politicamente, a confirmação do conteúdo da lista deixaria claro que o PSDB operou um sistema parecido com aquele pelo qual petistas serão julgados a partir desta quinta-feira, no Supremo Tribunal Federal, no caso do chamado mensalão.
Ou seja, caixa dois para financiar campanhas e azeitar alianças políticas (na lista de Furnas, doações teriam sido feitas a candidatos do PMDB, PP, PTB, PL e PFL, além do próprio PSDB, visando a campanha de 2002).
No chamado mensalão, o PT alega que abasteceu o caixa dois utilizando dinheiro de empréstimos em bancos privados. A acusação, no entanto, diz que o partido usou operações fraudulentas em associação com o publicitário Marcos Valério para desviar recursos públicos.
No caso da lista de Furnas, a leitura da denúncia do Ministério Público Federal não livra de todo o PT (ver íntegra abaixo, disponibilizada por Amaury, via e-mail).
Roberto Jefferson, em seu depoimento, narra tratativas com o então ministro José Dirceu para manter Dimas Toledo no cargo de diretor de Engenharia, Planejamento e Construção de Furnas. Teriam acontecido em 2005.
No depoimento, Jefferson disse que negociava a permanência de Dimas no cargo em troca da arrecadação mensal de R$ 1,5 milhão, que seriam divididos entre PT e PTB.
Segundo ele, o projeto fracassou quando foi deflagrado o escândalo do chamado mensalão.
Dimas Toledo se afastou do cargo depois da entrevista-denúncia que Jefferson deu, em 2005. À época, Dimas Toledo negou o relato de desvios do petebista.
Ao confirmar que recebeu os 75 mil reais que aparecem atribuídos a ele na lista de Furnas, Jefferson deu credibilidade ao documento mas entrou no rol de denunciados.
Por conta do livro A Privataria Tucana, Amaury e a Geração Editorial — que lançou o livro —  são processados pelo ex-governador José Serra, agora candidato à Prefeitura de São Paulo.
Serra chamou o livro de “lixo”.
A Privataria Tucana vendeu 120 mil exemplares.
No Viomundo
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Severino Araújo

 
Severino Araújo de Oliveira
Limoeiro, 23 de abril de 1917 — Rio de Janeiro, 3 de agosto de 2012
O maestro Severino Araújo, de 95 anos, que durante 67 anos comandou a Orquestra Tabajara, morreu nesta sexta-feira no Rio, vítima de infecção urinária e consequente falência múltipla dos órgãos. Diabético, ele estava internado desde 20 de julho no Hospital Ipanema Plus, na zona sul. O enterro será sábado, ao meio-dia, no cemitério São João Batista, em Botafogo (zona sul).
Criada em 1933, a Tabajara é a mais antiga orquestra de baile do Brasil e continua em atividade. Severino deixou a orquestra em 2005, quando transferiu a função de maestro ao irmão Jaime, saxofonista, hoje com 87 anos. Nascido na cidade pernambucana de Limoeiro em 23 de abril de 1917, filho do professor de música e regente de banda Cazuzinha, Severino começou a estudar música aos 6 anos e logo demonstrou seu talento. Dono de "ouvido absoluto", aos 8 anos ele já ajudava o pai a dar aulas aos instrumentistas; aos 12 anos dominava instrumentos de sopro e compunha e aos 16 esboçou os primeiros arranjos.
Em 1933 a família se mudou para Ingá, na Paraíba, onde Severino começou a trabalhar profissionalmente como músico. Em 1936 ele foi convidado para tocar na Banda da Polícia de João Pessoa, e em 1937 foi contratado pela Tabajara, criada quatro anos antes. Em 1938 o regente da Tabajara e pianista Luna Freire morreu e Severino foi convidado para substituí-lo.
O maestro foi para o Rio em 1944, e no ano seguinte os demais músicos da Tabajara também se mudaram para a então capital federal, onde a orquestra começou a brilhar nas rádios e nos salões de baile. A Tabajara gravou mais de cem discos, acompanhou os principais artistas brasileiros (Tom Jobim, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tim Maia), fomentou o talento de muitos músicos (o clarinetista Paulo Moura integrou seus quadros), tocou para presidentes da República (Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek) e teve crooners famosos como Jamelão e Elizeth Cardoso.
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Serra tem 26% e Russomanno, 25%, aponta pesquisa Ibope

Soninha (PPS) tem 7% das intenções de voto e Haddad (PT), 6%.
Instituto ouviu 805 pessoas; margem de erro é de 3 pontos.
O Ibope divulgou, nesta sexta-feira (3), pesquisa de intenção de voto sobre a disputa pela Prefeitura de São Paulo. É o primeiro levantamento sobre a corrida eleitoral para prefeito da capital paulista feito pelo Ibope depois que os candidatos foram definidos nas convenções partidárias.
A pesquisa foi encomendada pela TV Globo. O levantamento foi realizado entre terça-feira (31) e quinta-feira (2). Foram entrevistadas 805 pessoas.
Veja os números do Ibope para a pesquisa estimulada:
José Serra (PSDB) - 26% das intenções de voto
Celso Russomanno (PRB) - 25%
Soninha (PPS) - 7%
Fernando Haddad (PT) - 6%
Gabriel Chalita (PMDB) - 5%
Paulino da Força (PDT) - 5%
Ana Luiza (PSTU) - 1%
Carlos Giannazi (PSOL) - 1%
Eymael (PSDC) - 1%
Levy Fidelix (PRTB) - Não pontuou
Miguel (PPL) - Não pontuou
Anaí Caproni (PCO) - Não pontuou
Em branco ou nulo - 14%
Não sabe - 9%
No levantamento, Serra e Russomano aparecem em empate técnico, já que margem de erro da pesquisa é de 3 pontos percentuais. A pesquisa foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo com o número nº 00198/ 2012.

Rejeição aos candidatos

Os entrevistados também foram perguntados em relação a qual candidato não votariam. Serra foi o mais citado, com índice de rejeição de 34%, segundo o Ibope. Paulinho da Força e Soninha Francine aparecem na sequência, com 13% de rejeição. Logo depois são citados Eymael (11%), Levy Fidelix (11%), Haddad (9%), Gabriel Chalita (8%), Russomanno (8%), Miguel (6%), Ana Luiza (6%), Anaí Caproni (5%) e Carlos Gianazzi (4%).
No G1
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À beira de um ataque...

Irritado com uma declaração à imprensa do senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), o ministro Gilmar Mendes (STF) ligou na segunda-feira e avisou: “O senhor não me conhece, sou um homem de enfrentamentos.” O senador ouviu os protestos e respondeu: “Ministro, muito prazer. Eu também não costumo fugir de uma boa briga”. Gilmar bateu o telefone.
Ilimar Galvão
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Candidato é preso em SC

Nelson Boeira de Oliveira, 36 anos, já pode tirar o cavalinho da chuva se ainda pensava em se eleger vereador em Guaramirim. Isto porque investigações da polícia Civil da city, (sic) [Itajaí] em conjunto com os tiras da Barra Velha, concluíram que o cara é o mandachuva de uma quadrilha de assaltantes. Nelson foi preso na manhã de hoje, na sua própria baia, que fica nos fundos do restaurante dele, nº 25, da avenida Santa Catarina, no centro da Terra do Pirão. Um garçom que trabalhava no lugar também foi preso e, segundo os tiras, fazia parte da quadrilha.
Os integrantes da quadrilha tavam sendo investigados há quase dois meses. Eles são suspeitos de terem cometido uma série de assaltos na região de Guaramirim. Nelson é natural de Matelândia, no Paraná, mora em Barra Velha e é candidato a vereador em Guaramirim pelo DEMo.
No Diarinho
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Ex-presidente paraguaio Fernando Lugo visita Lula

Fernando Lugo e Lula conversam em São PauloFoto: Heinrich Aikawa/Instituto Lula
Fernando Lugo e Lula conversam em São Paulo
O ex-presidente do Paraguai Fernando Lugo visitou hoje o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Instituto Lula. Em uma reunião de cerca de 1 hora, Lula e Lugo falaram sobre a importância da solidariedade regional para reforçar a democracia na região.
Na reunião, Lula manifestou apreço pelas conquistas sociais e econômicas do povo paraguaio durante o governo Lugo, e apoio ao pleno restabelecimento da normalidade democrática no Paraguai.
Lugo veio ao Brasil para exames periódicos no Hospital Sírio-Libanês, para os exames de controle de rotina após a remissão do câncer. O resultado dos exames mostraram que Lugo está saudável e não houve retorno do câncer.
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Prevaricador-Geral da República explica a falta de provas

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Os maiores escândalos de corrupção do Brasil

Tem este ranking de uma publicação – pasmem – da Abril, que mostra o chamado “Mensalão” em nono lugar, bem atrás de vários escândalos bilionários demotucanos. O campeão foi o do Banestado.
Os maiores escândalos de corrupção do Brasil
por Claudia Lima
Mundo Estranho
per-122-corrupcao-brasil
Por causa dela, perdemos R$ 12 bilhões em investimentos privados em 2011 – o equivalente a R$ 1,2 mil pagos anualmente por cada trabalhador brasileiro. Conheça os casos mais notórios dos últimos 20 anos*
10. Me dá um dinheiro aí
CASO: Máfia dos fiscais
ROMBO: R$ 18 milhões
QUANDO: 1998 e 2008
ONDE: Câmara dos vereadores e servidores públicos de São Paulo.
Comerciantes e ambulantes (mesmos aqueles com licença para trabalhar) eram colocados contra a parede: se não pagassem propinas, sofriam ameaças, como ter as mercadorias apreendidas e projetos de obras embargados. O primeiro escândalo estourou em 1998, no governo de Celso Pitta. Dez anos mais tarde, uma nova denúncia deu origem à Operação Rapa.
9. Olha essa mesada!
CASO: Mensalão
ROMBO: R$ 55 milhões
QUANDO: 2005
ONDE: Câmara Federal
Segundo delatou o ex-deputado federal Roberto Jefferson, acusado de envolvimento em fraudes dos Correios, políticos aliados ao PT recebiam R$ 30 mil mensais para votar de acordo com os interesses do governo Lula. Dos 40 envolvidos, apenas três deputados foram cassados. A conta final foi estimada em R$ 55 milhões, mas pode ter sido muito maior.
8. Siga aquela ambulância
CASO: Sanguessuga
ROMBO: R$ 140 milhões
QUANDO: 2006
ONDE: Prefeituras e Congresso Nacional
Investigações apontaram que os donos da empresa Planam pagavam propina a parlamentares em troca de emendas destinadas à compra de ambulâncias, superfaturadas em até 260%. Membros do governo atuavam nas prefeituras para que empresas ligadas à Planam ganhassem as licitações. Nenhum dos três senadores e 70 deputados federais envolvidos no caso perdeu o mandato.
7. Pobre Amazônia
CASO: Sudam
ROMBO: R$ 214 milhões
QUANDO: 1998 e 1999
ONDE: Senado Federal e União
Dirigentes da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia desviavam dinheiro por meio de falsos documentos fiscais e contratos de bens e serviços. Dos 143 réus, apenas um foi condenado e recorre da sentença. Jader Barbalho, acusado de ser um dos pivôs do esquema, renunciou ao mandato de senador, mas foi reeleito em 2011.
6. Navalha na carne
CASO: Operação Navalha
ROMBO: R$ 610 milhões
QUANDO: 2007
ONDE: Prefeituras, Câmara dos Deputados e Ministério de Minas e Energia
Atuando em nove estados e no Distrito Federal, empresários ligados à Construtora Gautama pagavam propina a servidores públicos para facilitar licitações de obras. Até projetos ligados ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e ao Programa Luz Para Todos foram fraudados. Todos os 46 presos pela Polícia Federal foram soltos.
5. Bilhete premiado
CASO: Anões do orçamento
ROMBO: R$ 800 milhões
QUANDO: De 1989 a 1992
ONDE: Congresso Nacional
Sete deputados (os tais “anões”) da Comissão de Orçamento do Congresso faziam emendas de lei remetendo dinheiro a entidades filantrópicas ligadas a parentes e cobravam propinas de empreiteiras para a inclusão de verbas em grandes obras. Ficou famoso o método de lavagem do dinheiro ilegal: as sucessivas apostas na loteria do deputado João Alves.
4. Cadê o fórum?
CASO: TRT de São Paulo
ROMBO: R$ 923 milhões
QUANDO: De 1992 a 1999
ONDE: Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo
O Grupo OK, do ex-senador Luiz Estevão, perdeu a licitação para a construção do Fórum Trabalhista de São Paulo. A vencedora, Incal Alumínio, deu os direitos para o empresário Fabio Monteiro de Barros. Mas uma investigação mostrou que Fabio repassava milhões para o Grupo OK, com aval de Nicolau dos Santos Neto, o Lalau, ex-presidente do TRT-SP. A construção do Fórum nunca foi concluída.
3. Precinho camarada
CASO: Banco Marka
ROMBO: R$ 1,8 bilhão
QUANDO: 1999
ONDE: Banco Central
Com acordos escusos, o Banco Marka, de Salvatore Cacciola, conseguiu comprar dólar do Banco Central por um valor mais barato que o ajustado. Uma CPI provou o prejuízo aos cofres públicos, além de acusar a cúpula do BC de tráfico de influência, entre outros crimes. Cacciola foi detido em 2000, fugiu para a Itália no mesmo ano e, preso em Mônaco em 2008, voltou ao Brasil deportado.
2. Chama o Van Helsing
CASO: Vampiros da Saúde
ROMBO: R$ 2,4 bilhões
QUANDO: De 1990 a 2004
ONDE: Ministério da Saúde
Empresários, funcionários e lobistas do Ministério da Saúde desviaram dinheiro público fraudando licitações para a compra de derivados do sangue usados no tratamento de hemofílicos. Propinas eram pagas para a Coordenadoria Geral de Recursos Logísiticos, que comandava as compras do Ministério, e os preços (bem acima dos valores de mercado) eram combinados antes. Todos os 17 presos já saíram da cadeia.
1. Manda pra fora
CASO: Banestado
ROMBO: R$ 42 bilhões
QUANDO: De 1996 a 2000
ONDE: Paraná
Durante quatro anos, cerca de US$ 24 bilhões foram remetidos ilegalmente do antigo Banestado (Banco do Estado do Paraná) para fora do país por meio de contas de residentes no exterior, as chamadas contas CC5. Uma investigação da Polícia Federal descobriu que as remessas fraudulentas eram feitas por meio de 91 contas correntes comuns, abertas em nome de “laranjas”. A fraude seria conhecida por gerentes e diretores do banco. Foram denunciados 684 funcionários – 97 foram condenados a penas de até quatro anos de prisão. O estado obteve o retorno de arrecadação tributária de cerca de R$ 20 bilhões.
*Valores estimados e atualizados pela inflação
Fontes: Andre Carraro, professor do departamento de economia da Unversidade Federal de Pelotas e especialista em corrupção, Museu da Corrupção, Controladoria-Geral da União, ONG Transparência Brasil, site Consultor Jurídico, Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo
No Maria Frô
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Como não tomam providências, continua a rotina de violência policial

A ROTA - Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar, que deveria estar sob o comando do governador tucano Geraldo Alckmin - mas o Ministério Público Federal afirma que perderam o controle sobre a tropa, lembram-se? - continua a carnificina que promove em São Paulo. Ao invés de prender, instaurar processo e investigar, matou mais três suspeitos esta semana, na noite da 4ª feira
Segundo a ROTA, as mortes ocorreram em troca de tiros após tentativa de roubo à casa de um coronel reformado da PM, no Alto da Lapa, Zona Oeste paulistana. Por volta das 23h, conta a ROTA, o coronel foi rendido pelos suspeitos quando chegava de carro em casa. Na versão dela, o militar teria tentado negociar com os ladrões que queriam invadir sua casa e foi agredido com coronhadas e socos.
Um vigia particular da rua e a mulher do coronel viram, ligaram para o 190 e, de acordo com a ROTA, quando seus policiais chegaram ao local foram recebidos a tiros pelos suspeitos na garagem da casa. Nesta troca de tiros, os três suspeitos foram baleados e levados ao PS da Lapa, mas não resistiram aos ferimentos e morreram.

Policiais dizem envolver-se em tiroteios e não ficam feridos

De novo, e como já aconteceu tantas vezes antes em se tratando da ROTA, nenhum policial dela foi ferido no tiroteio. Há duas semanas, no dia 16 de julho dois suspeitos morreram em troca de tiros, naquela ocasião, na Zona Leste da capital e em Diadema. Nos dois casos, a ROTA informou que os suspeitos abriram fogo contra os policiais, que revidaram. Nenhum PM ficou ferido.
E assim, já que tem licença, a ROTA prossegue na rotina que instituiu em São Paulo: matar. Matar suspeitos antes de prendê-los, instaurar processos, investigá-los. Mata antes, investigar depois - quando investiga.
O proprio governador Alckmin, seu supremo comandante - ou que deveria ser - acaba por estimular essa violência e forma de ação policial ao se omitir de condenar claramente esses assassinatos cometidos em represália a covardes e bárbaros crimes contra a população e policiais.

Represália policial vitima a população e os próprios policiais

Basta ouvir as declarações do governador que, como bem disse o MPF-SP, perdeu o comando e o controle sobre a tropa. Ou, acrecento eu, faz de conta que perdeu. Infelizmente, não é a 1ª vez que esquadrões da morte são organizados pelas próprias autoridades ou pela omissão e conivência delas no Brasil.
Como se viu e de forma muito comum, por exemplo, durante a ditadura militar, então, denunciados pelo ex-deputado Hélio bicudo. Só esperamos que as instituições democráticas, em nome do Estado de Direito e do novo Brasil que estamos a construir, dêem um basta e impeçam essa prática criminosa.
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Fernando Haddad vence primeiro debate

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Quem é o suspeito número 1 no Caso Russomano?

Nesta semana, o candidato à Prefeitura de São Paulo palo PRB, Celso Russomano, viu seu nome envolvido na CPI do Cachoeira.
O candidato foi citado por um dos investigados do esquema de Cachoeira em uma discussão sobre envio de dinheiro ao exterior, segundo informações do jornal Correio Braziliense. Segundo as denúncias, os suspeitos teriam procurado um contato em São Paulo para fazer a entrega do dinheiro. O jornal afirma que o contato, identificado pela polícia como Fábio, teria o controle do dinheiro de Russomanno no exterior.
As denúncias levaram o deputado Rubens Bueno, líder da bancada do PPS na Câmara, a convocar o candidato à Prefeitura de São Paulo para depor na CPI.
Ao se defender das acusações, Russomano proferiu a seguinte frase; “É só estar bem nas pesquisas para virar alvo, já sou alvo há muito tempo“.
Se estivesse na pele de Russomano faria uma verificação nas linhas telefônicas, analisava bem quem são as pessoas próximas a mim e ainda comprava uma boa réstia de alho e muita água benta.
Cito aqui três casos para justificar minha sugestão a Russomano:

Roseana Sarney

O dossiê mais conhecido contra um adversário teve como alvo a então candidata a presidente da República, Roseana Sarney, em 2002.
O jurista Saulo Ramos, que até onde consta não é um “blogueiro sujo”. No livro Código da Vida, revela que o dossiê foi motivado pelo crescimento de Roseana nas pesquisas. “E de repente, sem que estivesse previsto, o PFL lançou Roseana Sarney. Seu nome foi um impacto. Subiu nas pesquisas, Serra ficou para trás e, em todas as simulações de segundo turno, era a única capaz de derrotar Lula”. A partir daí ocorreu a investigação contra Roseana. “Uma das mais cínicas maroteiras da história republicana”, na opinião do autor.
O jurista descreve o caso: “Fernando Henrique Cardoso mandou montar um grupo especializado e treinado para fazer espionagem. A justificativa: vigiar o controle dos preços dos remédios, o cartel dos laboratórios. José Serra, então Ministro da Saúde, havia sido perseguido pelos militares. Sabia bem como os governos eram poderosos nessa especialidade. Fernando Henrique o convenceu a aceitar a maquinação porque dizia ser em favor de sua candidatura a Presidente da República. Serra caiu na conversa”. Saulo Ramos acrescenta: “O objetivo era montar a estratégia política da candidatura de Serra à Presidência da República e desenvolver ações de espionagem e denúncias contra possíveis opositores. Para tanto, Aloysio Nunes Ferreira, Ministro da Justiça [o mesmo do dossiê Tasso] mandou instalar uma estação de escuta em São Luís.
De acordo com Ramos, “essa “estação” foi descoberta, e o Ministro da Justiça justificou que se destinava a combater o narcotráfico. (…) São Luís nunca esteve na rota da cocaína. Nem no Rio de Janeiro havia uma estação como aquela”.
Depois que a revista Época, da editora Globo, publicou edição com o escândalo que envolvia Roseana, ela desistiu da candidatura à Presidência, apoiou Lula e candidatou-se ao Senado, sendo eleita.

Caso Tasso Jereissati

No dia 12 de junho de 2010, a jornalista Christiane Samarco revelou, em reportagem do Estado de S.Paulo, que o então governador Mário Covas, já adoentado, recebeu em 2000 a visita de Tasso Jereissati, na época governador do Ceará, comunicando-lhe que estava impedido de ser candidato a Presidência e o apoiava para o cargo, dizendo que “essa disputa vai ficar entre você e o Serra. E meu candidato é você”.
Além de Mário Covas, o ex-governador do Ceará tinha também o apoio do PFL de Antônio Carlos Magalhães, mas mesmo assim desistiu da candidatura.A reclamação de Jereissati foi a de que “setores do PSDB no governo” estariam dificultando a liberação de recursos para o Ceará e investigando sua vida.
De acordo com a reportagem, ao chegar ao palácio da Alvorada para comunicar sua desistência a FHC, Tasso se encontrou com o ex-ministro da Justiça e secretário-geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira, a quem o ex-governador do Ceará atribuía uma operação da Polícia Federal que colocou agentes em seu encalço numa investigação de lavagem de dinheiro.
Nesse encontro, segundo o Estado de S. Paulo, houve um bate-boca entre Jereissati e Aloysio Nunes.
“Vocês jogam sujo!”, disse Tasso. (…) “Vocês quem?”, quis saber Aloysio. (…) “Você…o Serra… Vocês estão jogando sujo e eu estou saindo (da disputa presidencial) por causa de gente como você que está me fodendo nesse governo” reagiu Tasso. (…) “Jogando sujo é a puta que o pariu”, berrou Aloysio, já partindo para cima do governador. Fora do controle e vermelho de raiva, Tasso chegou a arrancar o paletó e os dois armaram os punhos para distribuir os socos. Foi preciso que o governador do Pará, Almir Gabriel, apartasse a briga, enquanto FHC, incrédulo, pedia calma.

Caso Paulo Renato de Souza

Quando Serra era ministro da Saúde e o ex-delegado da Polícia Federal e deputado, Marcelo Itagiba, cuidava da “inteligência” da pasta, circulou um dossiê contra Paulo Renato de Souza, então ministro da Educação. À época, Souza planejava disputar com Serra a indicação do PSDB à presidência. Serra levou a melhor e foi candidato em 2002.
Portanto, meus amigos, sem querer defender ou acusar quem quer que seja, quem você acha que é o suspeito número 1 de tramar o Caso Russomano?
No Blog do Rovai
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E agora? Responde essa Serra...

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Propostas...

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Mentes insanas em corpos sãos

Mais do que por recordes ou disputas espetaculares, os atuais Jogos Olímpicos de Londres vêm sendo marcados por demonstrações de racismo e xenofobia, que maculam frontalmente o espírito de congraçamento de nações que ainda se espera da competição, apesar de seu caráter mercadológico.
Mergulhada em profunda crise econômica, a Europa é campo fértil para a profusão de preconceitos e ideais extremistas, sobretudo de direita, como provam o crescimento de partidos fascistas, sobretudo nos países mais atingidos. O problema está no outro, no diferente, no estrangeiro. E assim, se deixa de lado o evidente causador do problema, geralmente protegido por essas forças obscuras.
Por conta da situação particular da Europa, as manifestações racistas e xenófobas na Olimpíada de Londres começaram por atletas de seus países. Uma triplista grega (foto) escreveu no Twitter que com tantos africanos na Grécia os mosquitos do Nilo, transmissores de doença, ao menos teriam comida caseira. É difícil imaginar que a brincadeira sem graça tenha sido elaborada pela atleta. Provavelmente, é uma dessas piadas apócrifas que circulam pela internet, e que ela reproduziu ignorando maiores consequências. Afinal, desprezava africanos, e quem iria defendê-los? A iniciativa, felizmente, partiu do próprio Comitê Olímpico grego, que a afastou da equipe, antes mesmo que os Jogos começassem.
Logo depois, circulou a versão de que uma atleta alemã, justamente a que carregou a bandeira do país no desfile de abertura dos Jogos, teria postado em seu Twitter a seguinte mensagem: “A Vila Olímpica está cheia de atletas gregos descalços. Quando os encontramos, tememos que nos peçam um empréstimo”.  A história causou indignação em Atenas, e a delegação alemã nos Jogos garantiu que a declaração era falsa. Pode ter sido, mas alguém a acharia improvável?
O assunto mal tinha esfriado, quando um jogador de futebol suíço, após perder uma partida para a Coreia do Sul, escreveu em sua conta no Twitter: “Vou espancar todos os coreanos, vão todos para o inferno débeis mentais”.  O jogador, que atua na Itália, retirou a mensagem, mas o jornal suíço Le Matin já tinha publicado imagens do Twitter do jogador. Como resultado, foi excluído dos Jogos e proibido de qualquer participação em Olimpíadas no futuro.
A manifestação de ideias racistas nos Jogos já era prevista pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, que alertara para a possível presença de grupos extremistas entre os torcedores. A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, denunciou um mês antes dos Jogos “a alarmante recorrência de incidentes de racismo, discriminação racial e xenofobia numa série de países europeus”, especialmente em competições esportivas. O que ninguém poderia prever é que tais manifestações partissem dos próprios atletas e não de torcedores ou grupos extremistas.
O preconceito, no entanto, não se limita a países atingidos pela crise econômica. A judoca brasileira Rafaela Silva, foi vítima de ofensa racistas no Twitter após perder sua luta. A atleta foi chamada de macaca e desprezada por sua cor por um anônimo, que covardemente se esconde atrás de um apelido.  O Ministério do Esporte disse que determinaria que a Polícia Federal investigasse o caso. É necessário que se identifique o agressor, mesmo que a atleta não queira dar prosseguimento ao caso, segundo nota do Comitê Olímpico Brasileiro. Como disse o ministro Aldo Rabelo, a indignidade não foi apenas com a atleta, foi com todo o povo brasileiro. Assim como os atletas punidos em Londres, o autor das ofensas contra a judoca precisa ser processado para que um crime como esse não fique impune.
Mair Pena Neto
No Direto da Redação
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E eles ainda pedirão voto?


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Crime Eleitoral em Curitiba?

TV do Ratinho desce o pau na prefeitura de Curitiba

TRE - PR pode isso?
Não morro de amores pela gestão Ducci.
Mas, se não me engano, existe no processo eleitoral, uma paradinha chamada princípio de igualdade na disputa.
- Inclusive o próprio filho do dono da TV processou este blogueiro alegando que alguns textos do Polaco Doido estariam causando grave desequilíbrio na disputa eleitoral. Pois é, as cerca de 100 pessoas que leram aqueles textos vão fazer uma diferença enorme no resultado das eleições! –
Acho que a audiência do Tribuna da Massa (uma concessão pública) deve ser de bem mais do que apenas 100 telespectadores. Não cabe aí alguma providência da justiça eleitoral?
Não bastasse a Rede Bandeirantes rifar do debate de hoje dois dos candidatos a prefeito. Alzimara Bacellar, candidata preferida deste blogueiro ficou de fora do primeiro embate televisivo.
Ora, por menos que eu aprove a gestão de Ducci, sei que nem ele, nem a prefeitura da cidade, têm uma rede de TV. Como então o candidato Ducci e a instituição prefeitura de Curitiba, vão se defender das acusações do tendencioso apresentador?
Infelizmente, mais uma vez na eleição curitibana, o dinheiro e o poder midiático é quem escolhe o prefeito.
O cidadão, o eleitor, neste processo não é nada mais que um simples e inexpressivo detalhe.
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PSDB perde ação contra “blogs sujos”

A Procuradoria Geral Eleitoral (PGE) decidiu nesta semana pedir o arquivamento da representação apresentada pelo PSDB contra sítios e blogs progressistas. A ação solicitava informações sobre a publicidade do governo federal em páginas consideradas antitucanas na internet. Seu objetivo era asfixiá-las financeiramente, numa ação nitidamente autoritária. Mas o PGE considerou que a representação teve pouca consistência jurídica, o que representa uma derrota parcial dos censores tucanos.
Em seu parecer, o procurador adjunto José Jairo Gomes justificou o pedido de arquivamento. “A representação não se fez acompanhar de começo de prova hábil a ensejar qualquer investigação de que houve desvio de recursos públicos em prol de blogueiros ou titulares de páginas na internet para que estes atuassem em prol ou contra candidaturas”. A ação do PSDB foi baseada em acusações veiculadas na própria mídia demotucana, mas ela “sequer se fez acompanhar de cópia das citadas notícias”, criticou o procurador.

Os riscos da censura tucana

A derrota dos censores do PSDB, porém, não deve ser encarada como uma prova da incompetência dos seus advogados e nem como uma vitória definitiva dos que lutam pela verdadeira liberdade de expressão. Como já explicou Luis Nassif, um dos blogueiros citados na representação tucana, o objetivo da iniciativa foi intimidar os anunciantes. Os efeitos, mesmo com o arquivamento da ação, ainda poderão se fazer sentir com a retração dos poucos anúncios que hoje viabilizam alguns blogs e sítios.
Além disso, a representação serve como uma ameaça que paira no ar. Num cenário político radicalizado – com o julgamento do chamado “mensalão petista”, a retomada dos trabalhos da CPI do Cachoeira e a proximidade das eleições municipais –, o PSDB e os outros partidos conservadores ainda poderão voltar a carga para silenciar a blogosfera. Afinal, a direita não tolera o contraditório e detesta qualquer visão crítica. Autoritária, ela gostaria que vingasse apenas o pensamento único da mídia privada demotucana.

A defesa da blogosfera

Neste sentido, a blogosfera e a mídia alternativa devem ficar em alerta. Em recente reunião em São Paulo, alguns blogueiros cogitaram realizar um ato “em defesa da liberdade de expressão”. Eles também estudam a proposta de ingressar com um processo contra o tucano José Serra, que acusou covardemente os “blogs sujos” de serem nazista. Com base na Lei de Acesso à Informação, também se estuda a ideia de solicitar dados sobre os anúncios dos governos federal, estadual e municipal na mídia privada.
Diante do risco da censura tucana é preciso partir para o ataque!
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Demóstenes Reaparece

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Política de uma nota só

Há várias maneiras de despolitizar uma sociedade. A principal delas é impedir a circulação de informações e perspectivas distintas a respeito do modelo de funcionamento da vida social. Há, no entanto, uma forma mais insidiosa. Ela consiste em construir uma espécie de causa genérica capaz de responder por todos os males da sociedade. Qualquer problema que aparecer será sempre remetido à mesma causa, a ser repetida infinitamente como um mantra.
Isto é o que ocorre com o problema da corrupção no Brasil. Todos os males da vida nacional, da educação ao modelo de intervenção estatal, da saúde à escolha sobre a matriz energética, são creditados à corrupção. Dessa forma, não há mais debate político possível, pois o combate à corrupção é a senha para resolver tudo. Em consequência, a política brasileira ficou pobre.
Não se trata aqui de negar que a corrupção seja um problema grave na vida nacional. É, porém, impressionante como dessa discussão nunca se segue nada, nem sequer uma reflexão mais ampla sobre as disfuncionalidades estruturais do sistema político brasileiro, sobre as relações promíscuas entre os grandes conglomerados econômicos e o Estado ou sobre a inexistência da participação popular nas decisões sobre a configuração do poder Judiciário.
Por exemplo, se há algo próprio do Brasil é este espetáculo macabro onde os escândalos de corrupção conseguem, sempre, envolver oposição e governo.
O que nos deixa como espectadores desse jogo ridículo no qual um lado tenta jogar o escândalo nas costas do outro, isso quando certos setores da mídia nacional tomam partido e divulgam apenas os males de um dos lados. O chamado mensalão demonstra claramente tal lógica. O esquema de financiamento de campanha que quase derrubou o governo havia sido gestado pelo presidente do principal partido de oposição. Situação e oposição se aproveitaram dos mesmos caminhos escusos, com os mesmos operadores. Não consigo lembrar de nenhum país onde algo parecido tenha ocorrido.
Uma verdadeira indignação teria nos levado a uma profunda reforma política, com financiamento público de campanha, mecanismos para o barateamento dos embates eleitorais, criação de um cadastro de empresas corruptoras que nunca poderão voltar a prestar serviços para o Estado, fim do sigilo fiscal de todos os integrantes de primeiro e segundo escalão das administrações públicas e proibição do governo contratar agências de publicidade (principalmente para fazer campanhas de autopromoção). Nada disso sequer entrou na pauta da opinião pública. Não é de se admirar que todo ano um novo escândalo apareça.
Nas condições atuais, o sistema político brasileiro só funciona sob corrupção. Um deputado não se elege com menos de 5 milhões de reais, o que lhe deixa completamente vulnerável para lutar pelos interesses escusos de financiadores potenciais de campanha. Isso também ajuda a explicar porque 39% dos parlamentares da atual legislatura declaram-se milionários. Juntos eles têm um patrimônio declarado de 1,454 bilhão de reais. Ou seja, acabamos por ser governados por uma plutocracia, pois só mesmo uma plutocracia poderia financiar campanhas.
Mas como sabemos de antemão que nenhum escândalo de corrupção chegará a colocar em questão as distorções do sistema político brasileiro, ficamos sem a possibilidade de discutir política no sentido forte do termo. Não há mais discussões sobre aprofundamento da participação popular nos processos decisórios, constituição de uma democracia direta, o papel do Estado no desenvolvimento, sobre um modelo econômico realmente competitivo, não entregue aos oligopólios, ou sobre como queremos financiar um sistema de educação pública de qualidade e para todos. Em um momento no qual o Brasil ganha importância no cenário internacional, nossa contribuição para a reinvenção da política em uma era nebulosa no continente europeu e nos Estados Unidos é próxima de zero.
Tem-se a impressão de que a contribuição que poderíamos dar já foi dada (programas amplos de transferência de renda e reconstituição do mercado interno). Mesmo a luta contra a desigualdade nunca entrou realmente na pauta e, nesse sentido, nada temos a dizer, já que o Brasil continua a ser o paraíso das grandes fortunas e do consumo conspícuo. Sequer temos imposto sobre herança. Mas os próximos meses da política brasileira serão dominados pelo duodécimo escândalo no qual alguns políticos cairão para a imperfeição da nossa democracia continuar funcionando perfeitamente.
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Esquerda paraguaia nunca esteve num melhor momento, diz Lugo

Em entrevista concedida à mídia alternativa brasileira, o presidente deposto do Paraguai analisa as origens do “golpe parlamentar” executado contra ele e diz que os movimentos e partidos progressistas do país estão se reunindo todos os dias para discutir um projeto nacional, o que antes não acontecia. "Nunca antes 12 partidos e oito movimentos sentaram juntos”, disse Lugo, referindo-se à Frente Guasú, concertação de esquerda e centro-esquerda formada em março de 2010.
São Paulo - Desde que assumiu o cargo de presidente do Paraguai, em agosto de 2008, Fernando Lugo imaginava que dali a cinco anos, em agosto de 2013, quando terminasse seu mandato, passaria a se dedicar a outras atividades fora da política institucional. Mas o golpe sofrido no final de junho mudou sua vida radicalmente, disse ele à mídia alternativa brasileira em uma entrevista conjunta realizada na noite dessa quinta-feira (2) em São Paulo (SP).
“Mais do que nunca, as pessoas me pedem para que eu deixe de ser bispo e seja mais político”, afirmou Lugo, que garante ter assumido o papel de articulador da unidade da esquerda paraguaia depois de sua destituição. De acordo com ele, hoje, todos os dias há grupos sociais e políticos discutindo uma maneira de construir um projeto nacional para o país. “Antes isso não acontecia. A esquerda nunca esteve num melhor momento. Nunca antes 12 partidos e oito movimentos sentaram juntos”, disse, referindo-se à Frente Guasú, concertação de esquerda e centro-esquerda formada em março de 2010.
Nas eleições gerais de abril do ano que vem, a articulação quer jogar seu peso em duas frentes: disputar a Presidência e conquistar o maior número possível de cadeiras no Congresso Nacional. Para atingir o último objetivo, conta com Lugo para encabeçar a lista de candidatos ao Senado, direito garantido a ele recentemente pela Corte Suprema do Paraguai. “Em algumas semanas, saberemos com mais clareza o que é mais conveniente. Penso que se isso for útil à restauração da democracia no Paraguai, sou um soldado”, disse o presidente deposto.
Para Lugo, a próxima eleição será uma disputa entre uma esquerda renovada e uma direita que “não está reciclada”. “Por isso há esperança. A sociedade paraguaia está mais polarizada do que nunca. Se a esquerda também conseguir aglutinar forças não políticas, tem chances.” Segundo ele, uma das vantagens da Frente Guasú reside na divisão dos partidos tradicionais do país. “A direita paraguaia passa da euforia à depressão em muito pouco tempo. Acreditava que seria muito mais fácil executar o golpe. Achava que a Unasul [União de Nações Sul-Americanas] não reagiria, que a comunidade internacional aceitaria. É um completo isolamento político”, destacou.

O golpe


Segundo Fernando Lugo, as políticas adotadas por seu governo não foram o principal motivo do julgamento político a que foi submetido no Congresso Nacional, mas sim o potencial de transformação da sociedade paraguaia que a gestão representava. “Não tomei nenhuma medida socialista.
Aceitamos as regras do jogo. Tinha boas relações com os organismos internacionais e apresentava todos os indicadores conservadores que eles gostam de ver, como economia em crescimento, inflação controlada, multiplicação das reservas internacionais, pagamento das dívidas... éramos bons meninos. Mas havia um perigo. A continuidade do processo de mudanças. Isso sim incomodava. Estávamos economicamente bem, mas politicamente tínhamos articulações com grupos sociais”, analisou.
O presidente deposto foi enfático ao afirmar que o golpe não nasceu da noite para o dia. “Foi pensado por muito tempo”, disse, lembrando-se, principalmente, da recente denúncia do Wikileaks de que os Estados Unidos sabiam dessa ameaça desde 2009. “Quando eu começava na política, me diziam que 70% das decisões eram tomadas fora do país. Não quis acreditar. Hoje, pela minha experiência, não descarto totalmente essa possibilidade”. Segundo Lugo, no Paraguai – assim como na maioria dos países do mundo – o autêntico poder não mostra o rosto. No caso paraguaio, ele citou o narcotráfico, os produtores de soja e as transnacionais do agronegócio.
“O governo golpista tomou já quatro medidas que nos fazem pensar na ingerência desses poderes de fato na política paraguaia. A primeira é o fim do imposto à exportação da soja. A segunda é a permissão da entrada no país de soja transgênica, sendo que nosso governo estava trabalhando pela recuperação das sementes nativas. A terceira medida é o anúncio do pagamento de uma dívida que o Paraguai nunca contraiu. Um empréstimo de 80 milhões de dólares feito durante a ditadura Stroessner e que nunca chegou ao país. A quarta medida é a negociação da instalação da empresa Rio Tinto. Como é possível quererem produzir alumínio no Paraguai se a matéria-prima e o mercado estão no Brasil? Estão negociando que o preço da energia para essa empresa fique por 30 anos sem reajuste, uma perda de 14 bilhões de dólares. Sem dúvida, essas multinacionais têm o poder de fato”, esclareceu.
Por isso mesmo, Lugo defendeu que para que haja mudanças estruturais no Paraguai é preciso a instalação de uma Assembleia Constituinte que tenha como uma das prioridades incidir sobre a propriedade da terra no país. Além disso, disse, outro grande desafio é conquistar um grande respaldo no parlamento.
Sobre uma possível reversão do golpe e volta à Presidência, Lugo explicou que há dois caminhos. Um deles passa pela Corte Suprema, que no momento analisa a constitucionalidade do julgamento promovido pelo Congresso. A segunda via é a política, desde que o Senado reconheça que o processo foi irregular e volte atrás em sua decisão. O presidente deposto, no entanto, embora admita que exista a possibilidade de voltar ao cargo, não está otimista. “Acredito em Deus e nos milagres, mas nesse eu não acredito”, brincou.
Igor Ojeda
No Carta Maior
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Gilmar nega suspeita, mas economiza explicações

Citado numa lista de beneficiados pelo esquema de arrecadação ilegal do valereoduto tucano em Minas Gerais, o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes tenta agora desqualificar a acusação dizendo que, na época dos depósitos, ainda não atuava na Advocacia Geral da União (AGU), como é citado no documento.
O ministro do STF na lista dos beneficiários do esquema
A lista faz discriminadas informações como o nome do beneficiário, cargo, intermediário e valor do pagamento – no caso de Mendes, 185 mil reais. O esquema montado pelo publicitário Marcos Valério vigorou durante as eleições de 1998 e supostamente abasteceu o caixa dois da campanha de Eduardo Azeredo (PSDB) ao governo de Minas.
Em sua defesa, Mendes afirmou, em entrevistas recentes, que na época não atuava na AGU, algo que só aconteceria em 2000. O que ele não contou é que em 1998 ele trabalhava na Subchefia para Assuntos da Casa Civil, uma unidade ligada à AGU (conforme se verifica NESTE e NESTE links).
Mendes insiste em dizer que a lista é falsa, mas a documentação foi entregue à Polícia Federal pelo advogado Dino Miraglia Filho, de Belo Horizonte. Ele defende a família da modelo Cristiana Aparecida Ferreira, assassinada em 2000. Segundo Miraglia, a morte foi “queima de arquivo”, pois a modelo participava do esquema e era escalada para transportar malas de dinheiro. Na lista, Cristiana aparece como destinatária de 1,8 milhão de reais.
A lista traz ainda nomes de governadores, deputados e senadores. Entre os doadores, empresas públicas e prefeituras proibidas de fazer doações de campanha. O banqueiro Daniel Dantas também aparece como repassador de dinheiro ao caixa 2.
No CartaCapital
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Popularidade de Dilma vai a 75,7%, diz CNT

E lá se foi embora o Mensalão. Fernando Rodrigues está amargurado.

Com 1,5 ano de mandato, presidente tem 21,6 pontos percentuais a mais do que registrou Lula à mesma época em 2004
A presidente Dilma Rousseff é aprovada por 75,7% da população, segundo pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT) realizada de 18 a 22.jul.2012 e divulgada hoje (3.ago.2012). O resultado mostra a popularidade pessoal da presidente com um ano e meio de governo.
No mesmo período de seu 1º mandato, o antecessor Lula tinha 54,1% de aprovação de acordo com a pesquisa da época que usou a mesma metodologia (realizada de 15 a 17.jun.2004).
Dilma também tem desaprovação menor que a de Lula na metade do 2º ano de governo. O estudo publicado hoje afirma que 17,3% da população desaprovam o desempenho pessoal da presidente à frente do governo e que 7,1% não responderam à questão. Em 2004, quando a pergunta era sobre o desempenho de Lula, 37,6% desaprovaram o ex-presidente e 8,3% não responderam.
A pesquisa da CNT também simulou cenários da próxima eleição presidencial, de 2014. Se a disputa fosse hoje, segundo o levantamento, Dilma venceria o senador Aécio Neves (PSDB) já no 1º turno.

Hoje, Dilma seria reeleita no 1º turno contra Aécio

A presidente teria 59%, mas Lula iria ainda melhor, com 69,8%
Se a eleição presidencial de 2014 fosse hoje, a presidente Dilma Rousseff (PT) venceria a disputa no 1º turno, segundo pesquisa divulgada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) nesta 6ª feira (3.ago.2012).
De acordo com o levantamento da CNT, Dilma pontuaria 59% numa disputa presidencial. Aécio Neves (PSDB) seria o 2º colocado com 14,8%. Também incluído no cenário, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), teria 6,5%. Disseram que votariam nulo, em branco ou em nenhum dos candidatos 15,3%. Outros 4,4% não responderam à questão.
A pesquisa CNT foi realizada de 18 a 22 de julho com 2.000 pessoas nas cinco regiões do país e também mediu a popularidade da presidente Dilma. Aqui, post do Blog com mais dados da pesquisa CNT. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos.
O estudo também testou um cenário para 2014 com Luiz Inácio Lula da Silva na condição de candidato a presidente pelo PT. Nessa hipótese, o ex-presidente aparece com 69,8% das intenções de voto. Aécio Neves, com 11,9%. Eduardo Campos, com 3,2%.
No cenário com Lula, 11,6% votariam nulo, em branco ou em nenhum dos candidatos. Outros 3,6% não responderam.
A pesquisa não incluiu Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente, entre os possíveis candidatos a presidente. Ela disputou a eleição de 2010 pelo Partido Verde (PV). Foi 3ª colocada, com 19,6 milhões de votos (cerca de 19% dos votos válidos). Agora, sem partido, tenta organizar um movimento na sociedade civil que pode lhe dar força para 2014.
2º turno
A simulação feita pela pesquisa da CNT indica que a eleição acabaria no 1º turno. Mas também foram testados cenários para eventual 2º turno da disputa.
Dilma teria 63,8% contra 21,5% de Aécio, afirma o estudo. Brancos e nulos seriam 11,8%. Não responderam à questão 2,8%.
Contra Eduardo Campos, a presidente venceria o 2º turno por 69,1% a 12,4%. Brancos e nulos seriam 15% e 3,6% não responderam.
Quando o candidato do PT é Lula, ele venceria Aécio no 2º turno por 73,4% a 15,2%. Brancos e nulos seriam 9,2%. E 2,2% não responderam.
Lula também ganharia de Eduardo Campos: 76,1% contra 8,7%, diz a pesquisa. Brancos e nulos seriam 12,3%. Outros 2,9% não responderam.
O levantamento divulgado hoje é o nº112 de uma série de pesquisas conduzidas pela CNT. Do nº 1 ao 28 a Vox Populi foi parceira da entidade na pesquisa. Do nº 20 ao 111, o instituto Sensus foi o parceiro.
Fernando Rodrigues
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Cartilha para acompanhar o mensalão

Este documento tem o objetivo de desmontar ponto-a-ponto, com base nos fatos e nos autos, as principais acusações contra o PT
O Conversa Afiada reproduz cartilha da CUT-RJ:

Mensalão – Verdades e Mentiras

Em junho de 2005, o então deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) acusou o PT de “pagar mesada” a mais de 100 deputados da base aliada para que estes votassem a favor do governo no Congresso Nacional.
Segundo ele, a “compra de votos” era feita com dinheiro público. Jefferson batizou o suposto esquema de “mensalão” e disse que o “cabeça” era o então ministro Chefe da Casa Civil, José Dirceu.
Sete anos se passaram.
As denúncias de Jefferson jamais foram comprovadas. Nem ele, nem as três CPIs que trataram do assunto, nem o Ministério Público, nem a Polícia Federal, nem as dezenas de investigações paralelas da imprensa e dos órgãos de fiscalização conseguiram reunir elementos que sustentassem as acusações.
O chamado processo do “mensalão”, ação penal que corre no STF sob o nº 470, tem quase 50 mil páginas e mais de 600 depoimentos. Nessa extensa peça processual, só uma pessoa sustenta que o esquema teria existido: o próprio Roberto Jefferson. E mesmo Jefferson, em suas alegações ao STF, lança dúvidas a respeito, ao afirmar que seu partido (PTB), que também era da base aliada, recebeu recursos oriundos de acordos eleitorais.
A ficção político-midiática de Jefferson, por outro lado, tem fortes aliados na imprensa. A grande maioria dos articulistas da mídia tradicional está cegamente convencida de que o PT comprou votos de deputados com dinheiro público, sob o comando de José Dirceu.
Co-autora da tese acusatória, a mídia montou um tribunal paralelo. Denunciou, julgou e condenou. Ao STF, na opinião dessa mídia, cabe apenas o papel secundário de decidir o tamanho das penas – e agir rapidamente para que elas não prescrevam!
Repetem o mantra todos os dias. Com isso, exercem forte pressão sobre a opinião pública. Pressão que agora se volta também contra os magistrados do Supremo, às vésperas do julgamento.
Recentes acontecimentos da política nacional, que levaram à criação da CPI do Cahoeira, talvez joguem um pouco de luz sobre essa obsessiva fixação – que começa a assumir ares de desespero.
Este documento tem o objetivo de desmontar ponto-a-ponto, com base nos fatos e nos autos, as principais acusações contra o PT, o governo Lula e o exministro José Dirceu no chamado “caso mensalão”.

1. O PT pagou mesadas a deputados para que votassem a favor de projetos do governo no Congresso.

Os fatos
O PT ajudou partidos aliados a financiar suas campanhas nos estados, relativas às eleições de 2002 e 2004. Em alguns casos, conforme asumido publicamente em entrevistas e depoimentos, a ajuda não foi declarada à Justiça Eleitoral. Nunca houve pagamentos mensais.
Não ficou demonstrada ligação entre as datas dos depósitos bancários e as votações na Câmara. Pelo contrário: existem datas em que os saques coincidem com derrrotas do governo em votações importantes. Dados da Câmara mostram, por exemplo, que em 2004, após elevados repasses, caiu o apoio ao governo nas votações.
O Ministério Público, nas alegações finais enviadas ao STF, sustenta que houve “compra de votos”. Porém, diante da fragilidade da própria denúncia, não consegue ir além de afirmações vagas e imprecisas. Diz que “alguns” parlamentares, em "algumas votações”, votaram com o governo em datas próximas de “alguns” saques.
O que de fato existe no processo são testemunhas que provam que nunca houve compra de votos.

2. O “esquema” envolveu dinheiro público

Os fatos
As transferências para que aliados quitassem dívidas de campanha, que a mídia chama de “mensalão”, não envolveram dinheiro público. O dinheiro veio de empréstimos feitos junto aos bancos privados Rural e BMG.
Por absoluta inconsistência, a acusação de desvio de dinheiro público contra os principais nomes do processo, entre eles José Dirceu, já foi rejeitada por unanimidade dos 11 juízes do STF, em agosto de 2007.

3. José Dirceu, o “Todo-Poderoso”, era o “chefe da quadrilha do mensalão”.

Os fatos
José Dirceu é um importante quadro político do PT e teve papel de destaque no governo federal. Ele era presidente do partido em 2002, quando coordenou a campanha vitoriosa de Lula. Depois, afastou-se da direção do PT e assumiu a Casa Civil.
José Dirceu não “mandava” no PT ou no governo. Dizer isso é desconhecer funcionamento do PT e as características do sistema político brasileiro – submetidos, nos dois casos, às regras da democracia, aos limites institucionais, às construções políticas e à vontade soberana do povo brasileiro, tudo sob vigilância de uma imprensa livre.
Não existe no processo uma única prova que dê suporte à acusação de que José Dirceu integrava e comandava uma quadrilha.
Dirceu teve todos os seus sigilos quebrados (fiscal, telefônico e bancário), foi investigado como poucas pessoas no Brasil, e não se descobriu qualquer fato que pudesse lançar suspeita sobre sua conduta pessoal e política nesse caso.

4. A cassação de José Dirceu, na Câmara dos Deputados, é a prova de que o mensalão existiu e de que ele, Dirceu, estava envolvido

Os fatos
O relatório produzido contra José Dirceu no Conselho de Ética da Câmara, que serviu de base para a cassação de seu mandato parlamentar, é na verdade uma mera peça de retórica, vazia do ponto de vista do processo legal e repleta de falhas e lacunas.
A fragilidade é tanta que seu autor, o deputado Júlio Delgado, sequer foi incluído entre as testemunhas de acusação no processo que corre no STF.
A cassação de José Dirceu foi política e se deu em meio ao clima de caça às bruxas instalado pela mídia contra todos os que se opunham às suas teses e aos seus desejos – sendo o principal deles atingir Dirceu na expectativa de que isso desestabilizaria o governo Lula.
O mais absurdo é que, antes de ter cassado Dirceu por supostamente “chefiar o mensalão”, a mesma Câmara cassou Roberto Jefferson por este não ter conseguido provar a existência do “mensalão”…

5. No governo, José Dirceu beneficiou o BMG na implantação do programa de crédito consignado. Também atuou para livrar o banco dos órgãos de controle e fiscalização.

Os fatos
Essa acusação é uma das âncoras do processo de formação de quadrilha.
Para a oposição, a mídia e o Ministério Público, essa trata-se da principal “evidência” de que houve “desvio de dinheiro público” e de que José Dirceu estava no comando “do esquema”.
Ocorre que nada disso foi comprovado. O TCU, instituição independe, investigou a denúncia e concluiu que não houve qualquer benefício ao BMG.
Da mesma maneira, ficou provado que o banco jamais deixou de ser fiscalizado pelos órgãos de controle do sistema financeiro – que também são independentes.
De tão absurdas e infundadas, o próprio Ministério Público abandonou estas imputações em suas alegações finais.

6. José Dirceu manteve vários contatos com Marcos Valério, apontado como “operador do mensalão”

Os fatos
Zero é o número de testemunhas, documentos, dados bancários ou telefônicos que a acusação produziu para sustentar o imaginado vínculo entre Marcos Valério e José Dirceu.
Todos os episódios apontados como suspeitos pelo Ministério Público foram profundamente debatidos na ação penal, e todas as testemunhas ouvidas em Juízo provaram a inexistência de qualquer espécie de relação entre ambos.

7. O “mensalão” foi o “maior esquema de corrupção da História do Brasil”.

Os fatos
Diante dos fatos e das investigações, essa tese desmorona.
Mas ela sobrevive nas manchetes e no discurso oposicionista, com o objetivo de criminalizar o PT e o governo Lula – ou de desviar a atenção da opinião pública quando eles próprios são pegos em transações obscuras.
Os que usam essa estratégia são os mesmos que silenciaram diante das revelações do livro “A Privataria Tucana”, lançado no final do ano passado, e que agora omitem ou minimizam as relações criminosas de setores da imprensa com o contraventor Carlos Cachoeira.

8. O governo Lula foi “leniente” com a corrupção

Os fatos
Nunca se combateu tanto a corrupção quanto nos governos do PT (Lula e Dilma). Somente no governo Lula, a Polícia Federal fez mais de mil operações, com 14 mil presos, sendo 1.700 servidores públicos – além de empresários, juízes, policiais e políticos, inclusive do PT.
O governo Lula também fortaleceu os órgãos de controle e de fiscalização, além de dar total independência ao Ministério Público Federal.
A título de comparação, no governo tucano a PF fez apenas 28 operações e o Procrador-Geral da República era mais conhecido por “Engavetador-Geral”.

9. Se o STF aceitou a denúncia contra os “mensaleiros”, é porque as acusações são consistentes.

Os fatos
Com forte pressão da mídia sobre a opinião pública, o STF decidiu receber a denúncia e abrir o processso. No dizer de um dos seus ministros, os juízes votaram “com a faca no pescoço”.
Mas recebimento não é sinônimo de condenação ou pré-condenação. Pelo contrário. A abertura do processo serve para que as investigações sejam aprofundadas e para que os acusados possam se defender.
A Constituição Brasileira garante que nenhum cidadão será condenado sem provas e que todos terão um processo justo e com efetivo direito de defesa.
A partir do momento em que o STF aceitou a denúncia, caberia ao Ministério Público apresentar os elementos que comprovassem suas acuações iniciais.
Mas isso não aconteceu.
O que se vê nas alegações finais do Ministério Público é um verdadeiro conjunto vazio. Nenhuma prova foi produzida contra Dirceu. Ao contrário, foi construído um acervo probatório que atesta a sua inocência.

10. O PT quer usar a CPI do Cachoeira para “abafar” ou “adiar” o julgamento.

Os fatos
Investigações recentes da Polícia Federal evidenciam, entre outros fatos graves, que a quadrilha de Carlos Cachoeira aliou-se a veículos de imprensa – principalmente a Revista Veja – para produzir denúncias contra o governo do PT e favorecer os interesses do bicheiro. Isso pode vir à tona na CPI. É disso que parte da mídia tem medo. É esse medo que a faz produzir teorias como essa.
O PT não quer nem tem poder para abafar ou adiar o julgamento. Ao contrário, esta será a oportunidade decisiva para que se restaure a verdade.
No que se refere a José Dirceu, ele já deixou claro – em entrevistas, declarações e textos – que confia na Justiça brasileira e quer ser julgado o mais rápido possível.
A data do julgamento depende somente dos ministros do Supremo, que precisam cumprir os procedimentos e prazos legais, bem como cuidar das demais demandas do Tribunal.
Atualmente, o processo está na fase de revisão. Concluída esta etapa, estará pronto para ser colocado em pauta.

11. A imprensa não faz nada além de noticiar, investigar e zelar pela ética na política.

Os fatos
A grande imprensa no Brasil tomou partido. Quando se trata do PT e seus aliados, ela não só investiga e noticia, como julga e também condena – independentemente dos fatos.
Hoje, sabe-se que parte importante dessa imprensa aliou-se ao esquema criminoso do bicheiro Carlinhos Cachoeira para produzir várias denúncias contra os governos Lula e Dilma, entra elas a que deu origem ao chamado “mensalão”.
Nas duas últimas eleições presidenciais, essa imprensa trabalhou ativamente para eleger o candidato da oposição – produzindo farsas como o famoso ataque da bolinha de papel.
Agora tenta manipular a opinião pública e pressionar o STF para ver “comprovada” a tese do mensalão, da qual ela se tornou a principal porta-voz.
Mas os fatos a desmentem. E a verdade prevalecerá.
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Comissão da Verdade: O massacre de indígenas na Ditadura Militar

Organizações se reúnem para investigar crimes da ditadura contra população indígena. Tribos indígenas inteiras foram dizimadas durante a Ditadura Militar no Brasil.
Casos como o massacre de duas tribos Pataxó na Bahia, pelo então coordenador do Serviço de Proteção ao Índio, Major da Aeronáutica Luiz Vinhas Neves, por inoculação do vírus da varíola, ou dos Cinta-Larga, no Mato Grosso, mortos a dinamites e metralhadoras, devem voltar a tona com o auxílio de grupos organizados da sociedade civil que solicitaram, recentemente, à Comissão Nacional da Verdade que investigue crimes cometidos contra populações indígenas, entre 1948 e 1988, a mando do Estado.
Segundo Marcelo Zelic, vice-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo, documentos oficiais do Congresso Nacional apontam que em 1963 existiam no país algo em torno de 300 mil índios. Em 1968 essa população cai drasticamente para 80 mil. Os indícios da forma como se deu o desaparecimento de 220 mil pessoas estão em documentos de discursos de deputados reunidos pelas entidades Associação Juízes para a Democracia, Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo, Grupo Tortura Nunca Mais e o site Armazém Memória.
Zelic destaca que as organizações possuem em mãos mais de mil discursos de deputados, mapeados. O segundo passo será construir uma ferramenta online que, inicialmente, será compartilhada com faculdades e centros de pesquisa para serem analisadas e catalogadas.
A apresentação da proposta “Povos Indígenas e Ditadura Militar: Subsídios à Comissão Nacional da Verdade 1946-1988” foi realizada pela primeira vez na Tribuna Popular da Ditadura, condizida no XXXI Encontro Nacional dos Estudantes de História, no dia 16 de julho, Unifesp, em São Paulo.
Lilian Milena, colaboradora do Portal Brasilianas. org
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