2 de ago de 2012

Encontrada personalidade que não opinou sobre a reforma gráfica de O Globo

O Jornal Nacional dedicou uma edição inteira ao redesenho do jornal. William Bonner se emocionou ao ler um editorial em que Roberto Irineu Marinho descreve a nova paginação como “um trabalho de equipe em que ganham todos os brasileiros”.
JARDIM BOTÂNICO - Destacada diariamente em letras de fôrma no jornal O Globo, a reforma gráfica do jornal O Globo foi alvo de intensos debates no jornal O Globo. Anunciado desde junho, o redesenho do jornal mobilizou colunistas, editores, repórteres, estagiárias, ministros, arquitetos, artistas, empresários, garçons do Lamas, parlamentares, ex-BBBs, prefeitos, governadores, ativistas, jornaleiros, calígrafos, cirurgiões dentistas, coveiros, mulheres ricas e Barack Obama. Todos, sem exceção, foram chamados a opinar sobre a nova configuração. "Achei o jornal mais leve, as páginas mais bem arrumadas. Um brinde ao novo!", disse Zeca Pagodinho. Hillary Clinton concordou, destacando os vários níveis de leitura. “Dependendo da minha agenda, entre uma reunião com Netanyahu e uma descompostura na Merkel, posso me inteirar das notícias lendo apenas o antetítulo, o título ou o subtítulo.”
A única voz dissonante foi a de Sérgio Guerra, presidente do PSDB: "Olha, veja bem, ficou até direitinho, mais atraente. Mas o destaque desproporcional dado ao assunto tem o claro interesse de desviar o foco do julgamento do mensalão", obtemperou.
Internamente, todos os colunistas foram convocados a emitir seu parecer: Joaquim Ferreira dos Santos evocou os vendedores de mate da praia do Leblon, o biscoito Globo, os garçons do Bracarense e o Fla-Flu para dizer que a essência carioca permanece impressa nas páginas do jornal. Arnaldo Jabor foi enfático: "No Rio de Janeiro que eu vivi não havia reformas gráficas, e nós, que amávamos tanto a Revolução, julgávamos toda a beleza uma afetação burguesa. A única exceção eram as pernas da Norma Bengell, que nós, babacas, admirávamos quase tanto quanto os filmes de Godard”. Merval Pereira salientou que o uso acentuado do azul e amarelo livrou o projeto dos grilhões do petismo dominante, observando, entretanto, que a nova paginação em uma só coluna o obrigará a desenvolver raciocínios mais sintéticos do que os que está acostumado desde que leu Os Irmãos Karamazov. "A reforma é um marco da liberdade de imprensa", reforçou em discurso na Academia de Letras. Emocionada, Cora Ronai publicou um texto em que descrevia como a nova tipologia agradou em cheio aos seus gatos. Jorge Bastos Moreno declarou que a beleza do novo jornal o aproxima das covinhas estonteantes de Mariana Ximenes. Já Caetano Veloso, que permaneceu opinando até o fechamento desta edição do piauí herald, destacou: "É uma coisa tão linda a transmutação midiática. É como perceber a ação do tempo sobre as ladeiras do Pelourinho". Todas as opiniões foram republicadas no Blog do Noblat.
Após doze horas de extenuante jornalismo investigativo, a equipe do piauí herald conseguiu, finalmente, encontrar uma pessoa que não emitiu seu parecer sobre a reforma do jornal O Globo. "Estou muito atarefado com as olimpíadas. Mas, me disseram que está parecido com o jornal O Dia", disse Edir Macedo.
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MP intima Gurgel a depor sobre prevaricação

O Conversa Afiada reproduz decisão do Conselho Nacional do Ministério sobre a intimação para que o brindeiro Gurgel e a mulher deponham sobre a acusação de “prevaricação” interposta pelo Senador Fernando Collor :









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“Entrevista de Bashar al-Assad à televisão alemã”

Entrevista transcrita e traduzida pelo pessoal da Vila Vudu
Jürgen Todenhöfer: Sr. Presidente, membros da oposição e políticos ocidentais têm dito que o senhor é o principal obstáculo à paz na Síria. O senhor estaria disposto a renunciar à presidência, sendo essa condição para a paz e para pôr fim ao banho de sangue?
Presidente Bashar al-Assad: Não posso fugir ao desafio que a Síria enfrenta hoje.Hoje a Síria enfrenta um desafio à própria nação. O presidente não pode fugir. Por outro lado, ninguém pode permanecer na presidência sem apoio popular. A resposta à sua pergunta não pode vir de mim. Tem de vir do povo sírio, essa resposta tem de ser resposta pública, que venha em eleições. Eu posso decidir concorrer ou não concorrer a eleições, mas não posso decidir ficar na presidência ou deixá-la. Essa é decisão que cabe ao povo sírio, em eleições.
Jürgen Todenhöfer: O senhor ainda tem maioria de apoio popular na Síria?
Presidente Bashar al-Assad: Se eu não tivesse apoio popular, não poderia permanecer na posição onde estou. EUA estão contra mim, o ocidente está contra mim, muitos poderes e países regionais estão contra mim. Se o povo estivesse contra mim, já não estaria na posição em que estou. A resposta é sim, claro que tenho apoio popular. Porcentagens não sei, nem interessam. Mas não há dúvida de que, para permanecer na presidência da Síria, na situação que a Síria enfrenta hoje, sim, é claro que tenho apoio popular.
Jürgen Todenhöfer: Assisti a algumas demonstrações pacíficas, mesmo em Homs. Não é legítimo que as pessoas exijam mais liberdade, mais democracia, menos poder nas mãos de uma família que governa o país, menos poder para os serviços secretos?
Presidente Bashar al-Assad: Para responder corretamente, temos de corrigir essa pergunta. Na Síria não há “família que governa o país”. Temos Estado na Síria, temos instituições, talvez não instituições ideais, mas temos Estado e não há “família que governa o país”. Temos Estado na Síria. Isso, quanto à pergunta. Agora, posso responder à primeira parte de sua pergunta: é claro que aqueles manifestantes têm direito legítimo de se manifestar. Mas não é verdade que os manifestantes só peçam ‘liberdade’. A maioria dos manifestantes legítimos pedem reformas, maior participação no poder e no governo. Essas reivindicações são legítimas, evidentemente, em qualquer lugar do mundo. Mas a maioria do povo sírio não está nas manifestações. Mas, sim, claro, as manifestações são legítimas.
Jürgen Todenhöfer: A pergunta que todos estão fazendo no ocidente e em seu país é quem matou os milhares de vítimas civis inocentes que morreram nesse conflito? A oposição culpa o senhor.
Presidente Bashar al-Assad: Para saber quem matou, é preciso saber antes quem foi morto. Não há como descobrir o criminoso sem saber quem é a vítima. A vasta maioria dos mortos são apoiadores do governo. Como seria possível ser assassino e vítima, ao mesmo tempo? A maioria das vítimas eram apoiadores do governo; e outra grande parte das demais vítimas é gente inocente que estão sendo assassinados por vários diferentes grupos na Síria.
Jürgen Todenhöfer: O senhor concorda que muitos, ou, pelo menos, uma certa porcentagem desses civis vítimas, foram mortos pelos serviços de segurança do seu governo? O senhor teria essa porcentagem?
Presidente Bashar al-Assad: Não, claro que não. O que temos é um Comitê que está investigando essas mortes. Até aqui, sobre os crimes investigados, os nomes que já temos, as vítimas foram assassinadas por gangues, diferentes tipos de gangues, da al-Qaeda, grupos extremistas, criminosos e grupos de criminosos procurados pela polícia há anos.
Jürgen Todenhöfer: O senhor está dizendo que os rebeldes, que o senhor chama de terroristas, mataram mais civis que as forças de segurança?
Presidente Bashar al-Assad: Não. Estou dizendo que mataram mais agentes das forças de segurança e soldados, que civis que apoiam o governo.
Jürgen Todenhöfer: Mas falando exclusivamente de civis. Os rebeldes mataram mais civis que as forças de segurança, ou as forças de segurança mataram mais civis?
Presidente Bashar al-Assad: Como eu disse, as vítimas que há nas forças de segurança e no exército são em número muito maior que o número de vítimas que há entre civis.
Jürgen Todenhöfer: O senhor diz que há investigações sobre membros das forças de segurança que podem ter matado civis inocentes. E desses, alguém foi punido?
Presidente Bashar al-Assad: Sim. Vários estão presos e vários estão sendo julgados por outros crimes.
Jürgen Todenhöfer: Quem cometeu o massacre de Houla, onde mais de 100 pessoas foram brutalmente assassinadas, entre elas muitas crianças?
Presidente Bashar al-Assad: Gangues de criminosos de fora da cidade, não da cidade, que atacaram a cidade e as forças da lei daquela cidade. E mataram muitas famílias, como você diz, e muitas crianças e mulheres, e, de fato, as duas famílias que foram assassinadas eram apoiadoras do governo. Não eram da oposição.
Jürgen Todenhöfer: Ouvi, de moradores de Houla, sobreviventes das famílias que foram atacadas e mortas, que os atacantes usavam uniformes militares do exército sírio. Por que usavam uniformes militares?
Presidente Bashar al-Assad: É prática que já se observou muitas vezes. O Comitê de investigação sabe que isso acontece: eles produzem vídeos e distribuem vídeos, vídeos falsos, onde aparecem homens fardados com nosso uniforme militar. Esses, ao que se sabe, assassinaram aquelas famílias.
Jürgen Todenhöfer: O senhor está dizendo que é estratégia dos rebeldes?
Presidente Bashar al-Assad: Sim, é. Fazem isso sempre, desde o início. E não só em Houla, mas em vários pontos.
Jürgen Todenhöfer: Quem são esses rebeldes, que o senhor chama de terroristas?
Presidente Bashar al-Assad: São uma mistura, um amálgama de al-Qaeda, outros extremistas, não necessariamente ligados à al-Qaeda, além de criminosos que a Polícia procura há muito tempo (traficantes e contrabandistas de drogas vindas da Europa e que transitam pela Síria, além de outros, muitos dos quais condenados e foragidos da Polícia. É uma mistura de coisas diferentes.
Jürgen Todenhöfer: Quantos seriam esses que lutam contra o governo?
Presidente Bashar al-Assad: Não sei lhe dizer. Calculam-se em milhares.
Jürgen Todenhöfer: Quantos? 20, 30?
Presidente Bashar al-Assad: Não posso lhe dar números, porque não há números precisos.
Jürgen Todenhöfer: O senhor diria que todos esses rebeldes são terroristas?
Presidente Bashar al-Assad: Depende do ato que pratiquem. Se atacam e queimam e destroem, sim, fazem terrorismo em termos definidos na lei. Mas há muita gente implicada nos atos e que não são criminosos, por diferentes razões. Às vezes, a razão é o dinheiro (porque são pagos); às vezes, porque são ameaçados; às vezes movidos por algumas ideias ou ilusões delirantes. Nem todos são terroristas. Essa é a razão pela qual muitos foram absolvidos, quando aceitaram entregar as armas.
Jürgen Todenhöfer: O governo sírio encontrou homens da al-Qaeda, entre esses já foram presos?
Presidente Bashar al-Assad: Sim, sim. Dezenas deles. [JT: De que países?] Acho que quase todos vinham da Líbia e da Tunísia.
Jürgen Todenhöfer: O senhor chegou a ter contato com esses prisioneiros? Com algum deles?
Presidente Bashar al-Assad: Sim.
Jürgen Todenhöfer: Com intérprete?
Presidente Bashar al-Assad: É claro.
Jürgen Todenhöfer: Qual é o papel dos EUA, nesse conflito?
Presidente Bashar al-Assad: São parte do conflito. Oferecem o guarda-chuva e o apoio político àquelas gangues, para romper a ordem, desestabilizar Síria.
Jürgen Todenhöfer: O que o senhor está dizendo é que os EUA garantem o apoio político aos rebeldes, que o senhor chama de terroristas matam civis. É isso? [BA: Exatamente isso.] Nesse caso, o senhor está acusando o governo dos EUA de ser, pelo menos, parcialmente responsável também pelo assassinato de civis na Síria. É isso?
Presidente Bashar al-Assad: É exatamente isso. Se você assegura qualquer tipo de apoio a terroristas, você é cúmplice. Se você garante aos terroristas armamento, dinheiro e apoio político (apoio na ONU, qualquer tipo de apoio), a implicação é que você é cúmplice dos terroristas,
Jürgen Todenhöfer: O senhor sabe que os políticos ocidentais veem a mesma situação de modo diferente do seu [BA: Sei.] e que estão discutindo hoje uma intervenção militar na Síria. Como seu governo reagiria? O senhor retaliaria, contra países ocidentais?
Presidente Bashar al-Assad: Não se trata de retaliação. Trata-se de defender nosso país. É nosso dever e é nosso objetivo. Em nenhum caso se cogita de retaliar contra alguém, seja quem for.
Jürgen Todenhöfer: E a Síria está preparada para um ataque desse tipo?
Presidente Bashar al-Assad: Bem... [semisorriso] Preparados ou não preparados, teremos de defender nosso país. Mas, sim, estaremos preparados.
Jürgen Todenhöfer: Se, para o senhor, os EUA são parte do problema, por que não negocia com eles? Por que não convida Mrs. Hillary Clinton para que venha a Damasco? Por que o senhor não dá o primeiro passo?
Presidente Bashar al-Assad: A Síria nunca fechou suas portas a país algum, nem a nenhum funcionário de nenhum governo que deseje ajudar a resolver o problema pelo qual estamos passando na Síria, desde, é claro, que sejam sérios e honestos. Mas [os EUA] fecharam todas as portas. Seja como for, não há problema conosco: no instante em que decidirem negociar, estamos preparados para ajudar.
Jürgen Todenhöfer: O senhor estaria preparado para dialogar com Mrs. Hillary Clinton? Para andar com ela pelas ruas de Damasco, para mostrar-lhe a hospitalidade síria e atual situação nas ruas da cidade?
Presidente Bashar al-Assad: Já lhe disse que não fechamos portas, nunca fechamos porta alguma, nem aos EUA nem a qualquer outro país. Não falo especificamente de Mrs. Clinton ou de qualquer outro funcionário do governo dos EUA. Sempre negociamos. E já andamos pelas ruas de Damasco com outros funcionários, como você lembrou. E, sim, claro, podemos fazer novamente, claro.
Jürgen Todenhöfer: Passemos, por favor para a situação interna na Síria. As negociações com grupos da oposição é opção realista? Ou o senhor entende que esse conflito terá de ser objeto de disputa armada até o final, por amarga que seja a luta?
Presidente Bashar al-Assad: Verdade é que em qualquer caso, o diálogo é necessariamente a primeira opção estratégica. O diálogo é indispensável. No mínimo, para confirmar que nada será possível fazer pela via pacífica. Mas, mesmo com diálogo, se o diálogo não funciona ou se você é atacado por terroristas, você é obrigado a combater o terrorismo. Você não decidir que só vai dialogar, que não vai responder nem vai defender-se, enquanto terroristas continuam matando seu povo e armando exércitos inimigos.
Jürgen Todenhöfer: E o senhor não poderia dialogar com os que não são terroristas?
Presidente Bashar al-Assad: Dialogamos no verão passado. E repetimos nosso convite, alguns deles aceitaram, conversamos e a oposição apresentou candidatos às eleições, concorreram e hoje têm representantes eleitos no Parlamento. Semana passada apresentaram portfólios ao governo.
Jürgen Todenhöfer: Mas só tiveram 2% dos votos nas eleições...
Presidente Bashar al-Assad: Isso, perdoe, não é nossa culpa [risos]. Não poderíamos ter dado a eles também os votos. Não criamos o governo.
Jürgen Todenhöfer: O senhor estaria disposto a conversar também com a oposição em [Hexa?]?
Presidente Bashar al-Assad: Dissemos que conversaríamos com qualquer um.
Jürgen Todenhöfer: O senhor aceitaria negociar com os rebeldes, se depuserem armas?
Presidente Bashar al-Assad: Sim, e já conversamos. Os que depuseram armas foram julgados, vários foram absolvidos e, hoje, vivem vidas normais, sem problema algum.
Jürgen Todenhöfer: O senhor estaria disposto a negociar com qualquer um, desde que deponham armas.
Presidente Bashar al-Assad: Claro. As conversas começaram antes de eles terem deposto armas. Fizemos todo o possível, até alcançar um bom resultado.
Jürgen Todenhöfer: E quanto ao plano de Kofi Annan? Fracassou?
Presidente Bashar al-Assad: Não. Kofi Annan continua fazendo, até aqui, um trabalho difícil, sim, mas bom trabalho. Está encontrando muitos obstáculos, mas não deve falhar. É excelente plano.
Jürgen Todenhöfer: Qual é o principal obstáculo?
Presidente Bashar al-Assad: O principal obstáculo é que muitos países não desejam que o plano de Kofi Annan dê certo e funcione. Por isso dão apoio político e continuam a fornecer armas e dinheiro aos terroristas que operam dentro da Síria. Querem que o plano fracasse.
Jürgen Todenhöfer: Quem envia armas para seu país? Qual é o país que envia armas?
Presidente Bashar al-Assad: Ainda não encontramos provas concretas, mas há muitas indicações, indícios, que apontam, posso dizer-lhe, principalmente, para Arábia Saudita e Qatar, quanto ao fornecimento de armas contrabandeadas para a Síria. Quanto ao apoio logístico, os indícios apontam para a Turquia [Jürgen Todenhöfer: E os EUA?] Pelo que sabemos até aqui, eles têm garantido apoio político. [Jürgen Todenhöfer: Equipamento de comunicação?] Há alguma informação sobre isso, exatamente. Mas não comentei esse aspecto, porque ainda não temos informação concreta, completa, que confirme isso e que eu pudesse mostrar-lhe.
Jürgen Todenhöfer: E sobre a ideia de Kofi Annan, de um governo de unidade, constituído por grupos de oposição, inclusive o Partido Baath.
Presidente Bashar al-Assad: Você está falando do plano da Conferência de Genebra. Sim. Já temos esse governo na Síria. Já há membros do partido Baath no Parlamento e participando do atual governo. Mas é preciso critérios: como se define “oposição”? Podem ser dezenas de milhares, centenas de milhares ou milhões de partidos de ‘oposição’. Todos terão de participar necessariamente do governo? Conforme o número... e se não se define o que seja ‘oposição’, que ‘oposição’ seria essa, criada por força de lei? Não há democracia que opere assim. A democracia exige critérios e exige mecanismos. Para mim, o mecanismo tem de ser as eleições. Você representa uma posição, concorre em eleições, obtém votos, ganha lugar no Parlamento, pode participar legitimamente do governo. Mas, se você ‘se chama’ ‘oposição’, mas não tem votos, não consegue representação no Parlamento, você representa o quê? Você mesmo? Que sentido há nisso? Tivemos eleições parlamentares na Síria, há dois meses.
Jürgen Todenhöfer: Por exemplo, a oposição [ininteligível] que participou das eleições... O senhor aceitaria que participasse de um governo de transição, interim, digamos, temporário...
Presidente Bashar al-Assad: Se aceitarem nossas leis, nossas regras, se não cometerem atos criminosos, se não facilitarem as vias para que a OTAN ou qualquer outra potência externa ataque a Síria, sim, por que não? Eles também têm direito de participar de eleições, se atenderem às condições que os demais partidos também atendem. Não vejo por que a oposição teria de ser banida do país.
Jürgen Todenhöfer: Um homem como Ghalioun, o presidente do Conselho Nacional Sírio...
Presidente Bashar al-Assad: Não é questão que se possa resolver em geral, para todos. Não é questão de nomes. É questão de princípios para todos. Os dossiês policiais terão de ser examinados. Se não se encontrar indício de que tenham cometido crime, nada os obriga a viver fora da Síria, nada os impedirá de concorrer às eleições. Aplica-se a todos.
Jürgen Todenhöfer: Senhor presidente, quando o senhor pensa no que aconteceu aos líderes de Egito e Líbia. Quando o senhor pensa nas imagens que todos viram pela televisão... O senhor não teme por sua família?
Presidente Bashar al-Assad: Estamos falando de coisas diferentes, de situações diferentes. O que aconteceu a al-Gaddafi foi selvageria. Não importa o que tenha feito, não importa quem tenha sido. Com Mubarak a situação foi diferente. Mubarak foi julgado. Qualquer cidadão que tenha assistido ao julgamento pela televisão pode ter pensado: queria eu, estar naquela posição, vivendo como ele está vivendo. Para entender o que há a temer, é preciso diferençar essas duas histórias. É tudo completamente diferente. Não há qualquer semelhança entre o que houve no Egito e o que está havendo na Síria. O contexto histórico é completamente diferente, o tecido social é diferente, e nossa política sempre foi diferente. Se não se podem comparar esses destinos, não há o que temer. Talvez, no máximo, alguma emoção de piedade, ou de lástima por algum destino pessoal mais trágico.
Jürgen Todenhöfer: O senhor enfrenta uma oposição dura, seu país enfrenta uma luta dura, há rebeldes e o senhor sabe o que esses rebeldes fazem e são capazes de fazer. Repito, então minha pergunta: o senhor não teme pela sua família?
Presidente Bashar al-Assad: Nada importa mais, na vida de um homem, que viver conforme suas convicções. Claro que pode haver discordâncias, pode haver quem discorde de você, opiniões diferem. Mas se você trabalha para proteger o povo, por que temer? Há centenas de vítimas. Imagine se houver milhares, dezenas de milhares de vítimas? Esse, sim, é o problema a resolver.
Jürgen Todenhöfer: Para terminar, qual é sua proposta para o final desse conflito? Volto à pergunta inicial: o senhor entende que tenha de lutar essa luta até o fim?
Presidente Bashar al-Assad: Temos de chegar a uma solução, que tem dois eixos. Em primeiro lugar, não podemos aceitar o terrorismo. Esse é um eixo. Temos de combater o terrorismo. Quanto a isso não há discussão. A realidade na Síria é que há alguém matando civis, matando inocentes, matando mulheres, matando crianças, matando seus soldados, matando policiais, matando todos. Temos de combater os terroristas, se não aceitam dialogar. O outro eixo é construir um diálogo político com componentes diferentes, para, simultaneamente, poder promover reformas. Em todo esse processo, o povo resolverá quem serão seus representantes
Jürgen Todenhöfer: Não há meio para que as reformas venham um pouco mais depressa.
Presidente Bashar al-Assad: Esse é um critério muito subjetivo. Parecerão mais lentas para uns, rápidas demais para outros. Você acha que a reforma é rápida, eu acho que é lenta... É critério muito subjetivo. Reformas são coisas que se faz o mais depressa possível, sem pagar preço caro demais em cada etapa, porque sempre há efeitos colaterais, que não podem ser tão severos a ponto de inutilizar a reforma. Isso não depende de mim, nem do governo, nem do Estado e é processo que tem de ser encaminhado conforme o ditem as circunstâncias objetivas na Síria.
Jürgen Todenhöfer: E como, senhor presidente, o senhor espera ver seu país dentro de dois anos?
Presidente Bashar al-Assad: Tenho de ver a Síria, em dois anos, mais próspera. Mais prosperidade implica melhores condições econômicas e melhores condições em geral, em todos os campos. Para tudo isso, é indispensável construir, imediatamente, o que a Síria menos tem hoje e do que mais precisa: segurança. Sem segurança, não há como sonhar com prosperidade.
Jürgen Todenhöfer: Muito obrigado, senhor presidente, por essa entrevista.
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E se o golpe de 2005 tivesse dado certo?

Um historiador inglês (Neill Ferguson, História virtual) se dedicou a pensar vias alternativas daquelas que triunfaram efetivamente na história realmente existente, como exercícios de pensamento sobre o que teria sido se não fosse. Por exemplo: e se a Alemanha de Hitler tivesse triunfado na Segunda Guerra? E se a URSS não tivesse desaparecido? E outras circunstâncias como essas.
No Brasil podemos pensar o que teria acontecido se várias tentativas de golpe militar – antes e depois da de 1964 – tivessem triunfado, o que teria acontecido com o Brasil. Um bom exercício também para entender o presente, quando as mesmas forças que protagonizaram essas tentativas no passado – as fracassadas e a vencedora de 1964 – se excitam de novo e, como toda força decadente, tratam de dar aos estertores da sua última tentativa, uma dimensão épica, que somente uma classe que não pode olhar para sua vergonhosa historia golpista, pode fazer. Juizes, jornalistas, políticos derrotados, usam os superlativos que suas pobres formas de expressão permitem, para falar “do julgamento do século”, do “maior caso de...”.
Pudessem assumir a história do Brasil como ela realmente ocorreu e ocorre, se dariam conta que o maior julgamento da nossa história teria sido o da ditadura militar – aventura da qual essas mesmas forças participaram ativamente -, que destruiu a democracia no país, violou todos os direitos humanos, em todos os planos – políticos, jurídicos, sociais, culturais, econômicos -, abriu as portas para o assalto do Estado e do pais às grandes corporações nacionais e internacionais, impôs a ditadura também no plano da liberdade de expressão, prendeu, torturou, assassinou, fez desaparecer, alguns dos melhores brasileiros.
Em suma, passar a limpo essa página odiosa da nossa história – que tem as impressões digitais dos mesmos órgãos de comunicação que lideraram a ofensiva golpista de 2005 – teria sido o maior julgamento da nossa história, onde seriam réus eles mesmos, junto à alta oficialidade das FFAA, grande parte dos empresários nacionais e internacionais, entre outros.
Podemos, por exemplo, especular o que teria sido o país se tivesse triunfado o golpe contra Getúlio, em 1954. Era um movimento similar ao que triunfou uma década depois, com origem na Doutrina de Segurança Nacional, típica ideologia da guerra fria. Na Argentina, por exemplo, a queda de Peron, um ano depois do suicídio do Getúlio, introduziu o tipo de militar “gorila” (a expressão nasceu na Argentina, com o golpe de 1955), que se generalizaria a partir do golpe brasileiro.
Na Argentina, com a proscrição do peronismo, Arturo Frondizi conseguiu se eleger presidente, mas nem ele, nem os presidentes ou ditadores que o sucederam – houve novo golpe em 1966, que também fracassou, como o de 1955 - conseguiram estabilizar-se, frente à oposiçao do peronismo, principalmente do seu ramo sindical, que tornou impossível a vida a todos os governos, até o retorno de Peron, em 1973.
No Brasil, um objetivo central do golpismo era evitar a continuidade do getulismo, expressada no JK, mas também no Jango. A famosa frase – suprassumo do golpismo – de Carlos Lacerda, de que “Juscelino não deveria ser candidato; se fosse, não deveria ganhar; se ganhasse, não deveria tomar posse; se tomasse posse, não deveria poder governar”, espelhava aquele objetivo.
Se Getulio nao tivesse apelado para o gesto radical do suicídio, para brecar a ofensiva golpista, o movimento de 1964 teria surgido uma década antes. Ao invés das eleições relativamente democrática de 1955, teríamos tido uma ditadura militar mais ou menos similar à de 1964. As consequências teriam sido ainda mais catastróficas, porque o sacrifício do Getúlio conquistou dez anos, que o movimento popular aproveitou para se fortalecer amplamente. Nessa década avançou não apenas a industrialização, mas também o movimento sindical e outros movimentos populares, assim como a consciência social na massa da população. Uma ditadura – ou algum regime duro, mesmo se recoberto de formas institucionais, mas que impedisse a continuidade do regime getulista – teria atuado sobre um movimento popular com muito menor capacidade de organização e de consciência social.
Na Argentina os militares tiveram que, em prazos mais ou menos curtos, convocar novas eleições, o fizeram depois de prescrever o peronismo, a grande força politica e ideológica, do campo popular argentino. No Brasil, teriam feito algo similar, castrando a democracia brasileira da vitalidade que os movimentos populares possuíam e imprimiam ao país.
De qualquer forma, grande parte dos retrocessos que a ditadura
impôs ao Brasil, teriam sido antecipados por um movimento de direita que tivesse se apropriado do Estado brasileiro em 1964. Nossa história seria ainda pior do que ela foi, a partir do golpe triunfante de 1964.
Outras tentativas golpistas existiram durante o governo do Juscelino, pelo menos duas de caráter militar – por membros da Aeronáutica -, de menor monta, mas as articulações golpistas nunca deixaram de existir, de tal maneira que os antecedentes do golpe de 1964 vem da fundação da Escola Superior de Guerra, por Golbery do Couto e Silva e Humberto Castelo Branco, vindos da guerra na Itália, sob influência e patrocínio diretos dos EUA, que desembocou finalmente no golpe vitorioso de 1964, que não por acaso teve nesses dois militares seus protagonistas fundamentais.
E se nos perguntarmos o que teria sido do Brasil se o movimento de um golpe branco contra o Lula – que poderia ter sido um impeachment ou uma derrota eleitoral em 2006 – tivesse triunfado?
Se nos recordamos que o candidato da direita era o neoliberal acabado que é Alckmin, podemos imaginar os descalabros a que teria sido submetido o país. (O que torna ainda mais absurda a posição da ultra esquerda, que se absteve ou pregou o voto nulo diante da alternativa Lula ou Alckmin.) Só para recordar uma circunstância concreta, quando Calderon triunfou no México, de forma evidentemente fraudulenta, nas eleições presidenciais de julho de 2006, Alckimin saudou-a como o caminho que o Brasil deveria seguir. (Ver artigo aqui na Carta Maior, comentando essa similitude assumida por Alckmin.)
Significaria, antes de tudo, a retomada de um Tratado de Livre Comércio com os EUA, ja que a ALCA (Área de Livre Comércio das Américas) tinha sido substituída por tratados bilaterais com países do continente, como o Chile, entre outros, pelos EUA, depois que o Brasil contribuiu decisivamente para enterrar a ideia de uma America Latina totalmente aderida ao livre comercio, subordinada completamente aos EUA.
Os processos de privatização que FHC não tinha conseguido completar, pela resistência do movimento popular brasileiro, seriam retomados, atingindo a Petrobras, o Banco do Brasil, a Caixa Economica, a Eletrobras, entre outras empresas sobreviventes do vendaval privatizando do governo dos tucanos.
Mas sem ir mais longe, bastaria imaginar o que teria sido o Brasil – e também a América Latina – se a crise internacional do capitalismo, iniciada em 2007 e ainda vigente, tivesse encontrado o Brasil tendo ao neoliberal duro e puro do Alckmin como presidente. Estaríamos ainda pior do que um país como a Espanha ou a Grécia ou Portugal. Estaríamos devastados pela recessão, pelo desemprego, pelos compromissos escorchantes do FMI.
Basta esse quadro realista do que estaríamos vivendo se o golpe de 2005 tivesse dado certo. O seu objetivo inicial era tentar impor uma derrota de longo prazo à esquerda, que teria fracassado, com Lula, seu principal dirigente, por um prazo longo, permitindo que as forças tradicionais da direita retomassem o controle do Estado brasileiro.
O julgamento que começa esta semana é, sobretudo, o julgamento de uma tentativa frustrada de golpe branco contra um governo popular e democrático, eleito pelo voto popular e legitimado pela reeleição do Lula e pela eleição da Dilma. O povo já disse sua palavra.
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Vaza vídeo íntimo dos ginastas Arthur Zanetti e Sérgio Sasaki

Os ginastas brasileiros Arthur Zanetti e Sérgio Sasaki se veem envolvidos em polêmica fora da Olimpíada de Londres. Vazou na Internet um vídeo no qual os dois estão em um banheiro e em momentos íntimos.
Foto: Reprodução Vídeo
Ginastas aparecem em momento íntimo | Foto: Reprodução Vídeo
Em determinado momento, Sasaki tira as calças e se masturba para a câmera. Depois foi a vez de Arthur Zanetti fazer a mesma coisa. Sasaki e Zanetti estavam acompanhados de outros ginastas brasileiros. No fim do vídeo, eles aparecerem bebendo cerveja. Não se sabe onde foram feitas as filmagens.
Em Londres, Sérgio Sasaki ficou em décimo na final do individual geral. Zanetti está na decisão da prova das argolas e é esperança de medalha.
No O Dia
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Justiça retira post do ComTextoLivre

Globo exalta "dono da bola" e pai do Mensalão


Belo Horizonte, 2 de agosto de 2012
Ilmo Sr.(a)
José Carlos Ferreira - zcarlosferreira@hotmail.com
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      5 - A inobservância das medidas ora requeridas e a continuidade da prática destes atos ilícitos, acarretarão a V. Sa. o ônus das efetivas condenações decorrentes das futuras medidas judiciais cabíveis.

Atenciosamente,
Alexandre Atheniense
OAB/MG 47.470

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Lista Furnas Mensalão, pra Judiciário e Mídia falar


Muita gente participando, fazendo mal a nosso Brasil.
Dos recursos se apropriando, coisa igual nunca se viu.
Verdadeiramente Campeão, 156 ninguém vai superar.
Lista Furnas Mensalão, pra Judiciário e Mídia falar.

Sem Vergonha na cara, Querem é julgar os inimigos.
Um fracasso que não para, cada vez mais perdidos.
É o Mensalão Imensidão, a Arruda e Azeredo ganhar.
Lista Furnas Mensalão, pra Judiciário e Mídia falar.

Gente da Alta Sociedade, Desde Paulista à Mineira.
São de todas localidades, da nossa Nação Brasileira.
Uma Verdadeira Seleção, nessa modalidade a ganhar.
Lista Furnas Mensalão, pra Judiciário e Mídia falar.

Fingem não estar vendo, nem nada estão ouvindo.
No momento nada lendo, como estivesse omitindo.
De muito difícil superação, sem gangue pra suplantar.
Lista Furnas Mensalão, pra Judiciário e Mídia falar.

É do Amaury Ribeiro, que mostrou o crime Privataria.
Um Escritor Guerreiro, de Consciência e Cidadania.
Um Patriota de dedicação, prova que estão a roubar.
Lista Furnas Mensalão, pra Judiciário e Mídia falar.

Vamos tudo acompanhar, senão fazem confundir.
São capazes de engavetar, e algum documento sumir.
Tem os que dão absolvição, no final vão se estrepar.
Lista Furnas Mensalão, pra Judiciário e Mídia falar.

Se pensa tudo dominado, de o que quiser poder fazer.
Mais estão é enganados, tem Eleições e vão é sofrer.
Mais crime contra a Nação, vão tentar outros culpar.
Lista Furnas Mensalão, pra Judiciário e Mídia falar.

Uma Gente Criminosa, que topam imunda parada.
Gente vil e mentirosa, que já se mostra desesperada.
Vão tentar fazer proibição, ou todas provas anular.
Lista Furnas Mensalão, pra Judiciário e Mídia falar.

É uma coisa muito fula, é uma vergonha sem fim.
Não tem Dilma nem Lula, tem Serra, Aécio e Alckmin.
Não representam a Nação, não são pelo povo a Lutar.
Lista Furnas Mensalão, pra Judiciário e Mídia falar.

Azuir Filho e Turma de Amigos: do Social da Unicamp, Campinas, SP,de Rocha Miranda, Rio de janeiro, RJ, e de Mosqueiro, Belém do Pará.
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Por que os homossexuais eram perseguidos?

Gravura de 1741 satiriza padres sodomitas
num banquete dentro de uma igreja.
Depois dos cristãos-novos judaizantes, os homossexuais foram os mais perseguidos pela Inquisição portuguesa: trinta homens “sodomitas” foram queimados na fogueira. Proporcionalmente, os gays constituíram o grupo social tratado com maior intolerância por esse MonstrumTerribilem. Foram mais torturados e degredados que os demais condenados e, não bastasse, receberam as penas mais rigorosas. Metade foi condenada a remar para sempre nas galés del Rei.

Mas somente os praticantes do que a Inquisição classificava como “sodomia perfeita” ardiam nas fogueiras. Esta perfeição consistia “na penetração do membro viril desonesto no vaso traseiro com derramamento de semente de homem”. Os demais atos homoeróticos eram considerados pecados graves ou “molice”.

A sodomia, entretanto, não foi estigmatizada e perseguida em todos os tribunais do Santo Ofício da Espanha, nem mesmo pela Inquisição portuguesa em seus primeiros anos de instalação. Isto demonstra que inexplicáveis fatores históricos, políticos e culturais estariam por trás do maior ou menor radicalismo da homofobia católica.

Variações e contradições da condenação moral dos desvios sexuais refletem a condição pantanosa, imprecisa e ilógica do catolicismo em relação ao amor entre pessoas do mesmo sexo. As razões cruciais que levaram a Inquisição a perseguir os homossexuais masculinos teriam sido duas. Ao condenar à fogueira apenas os praticantes da cópula anal, os Inquisidores reforçavam a mesma maldição bíblica que condenava ao apedrejamento “o homem que dormir com outro homem como se fosse mulher”. Ou seja, o crime é derramar o sêmen no vaso “antinatural”, uma vez que judaísmo, cristianismo e islamismo se definem como essencialmente pronatalistas, quando o ato sexual se destina exclusivamente à reprodução. Daí a perseguição àqueles que ousassem ejacular fora do vaso natural da fecundação, uma insubordinação antinatalista inaceitável para povos dominados pelo dogma demográfico do “crescei e multiplicai-vos como as estrelas do céu e as areias do mar”.

A segunda razão tem a ver com o estilo de vida andrógino e irreverente, quiçá revolucionário, dos próprios sodomitas, chamados de “filhos da dissidência”. Eis o trecho de um discurso homofóbico lido num sermão de um Auto de Fé de Lisboa em 1645: “O crime de sodomia é gravíssimo e tão contagioso, que em breve tempo infecciona não só as casas, lugares, vilas e cidades, mas ainda Reinos inteiros! Sodoma quer dizer traição. Gomorra, rebelião. É tão contagiosa e perigosa a peste da sodomia, que haver nela compaixão é delito. Merece fogo e todo rigor, sem compaixão nem misericórdia!” 

Luiz Mott, professor da Universidade Federal da Bahia e autor de Sexo proibido: virgens, gays e escravos nas garras da Inquisição (Papirus, 1988). 
Bibliografia 
TREVISAN, João Silvério. Devassos no Paraíso. São Paulo: Editora Record, 2000.
VAINFAS, Ronaldo. O Trópico dos pecados. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2010.
No História Viva
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Rabino diz que "a casa é o habitat natural da mulher"

Um dos principais rabinos do nacionalismo religioso em Isarel, Zvi Tau, defende que a mulher deve restringir-se ao seu "habitat natural", a casa, porque não foi criada por Deus para dedicar-se "às profundezas da ciência e da moralidade".
Rabino nega discriminação da mulher 
Foto pedro correia/arquivo jn
"A casa é o habitat natural da mulher para a expressão das suas qualidades especiais (...) e não espaço de atividade social. Em casa, sem confusão (...) é onde uma mulher pode viver a sua vida plenamente", defende o rabino Zvi Tau num texto escrito há dois meses, para uso interno, revelado agora pelo diário "Haaretz", segundo noticia o espanhol "El Mundo".
O rabino, líder espiritual dos nacionalistas religiosos mais próximos da ultra-ortodoxia e presidente do centro de estudos religiosos judeus 'Har Hamor', acredita que demasiada educação para as mulheres "prejudica a qualidade de vida da nação. "
Zvi Tau argumenta que as mulheres não são discriminadas em relação aos homens, mas simplesmente Deus lhes reservou qualidades e espaços diferentes na vida.
O homem é mais racional, enquanto a mulher mais emocional, pelo que "elas" devem esquecer "as profundezas da ciência e da moralidade" e dedicarem-se a dar à luz e criar os filhos. "É a sua vocação natural", sublinha.
Neste texto, o rabino considera ainda que as crianças de mães que dedicam tempo a uma carreira profissional são mais "fracas".
Zvi Tau foi um dos rabinos que apoiou publicamente o presidente de Israel Moshe Katsav quando foi condenado por violação a sete anos de prisão, pena que cumpre desde dezembro passado.
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Mídia esconde a “Lista de Furnas”

A mídia “privada” é bastante seletiva na escandalização da política. Nos últimos dias, ela só pensa naquilo - no “julgamento do século” do chamado “mensalão do PT”, que se inicia nesta quinta-feira (2) no Supremo Tribunal Federal. As revistonas deram capas terroristas; as manchetes dos jornais parecem combinadas; e os “calunistas” da tevê não falam em outra coisa. De tão concentrada, porém, a mídia deixou de noticiar que Ministério Público Federal decidiu fazer a denúncia formal sobre a famosa Lista de Furnas.
O premiado jornalista Amaury Ribeiro Jr., autor do livro “A privataria tucana” – o best-seller que também foi omitido pela mídia tucana –, registrou ontem no jornal Hoje em Dia a decisão do MPF. Segundo revelou, a autenticidade de “lista” já teria sido provada. Ela revela que a estatal Furnas superfaturou contratos para repassar dinheiro a cerca de 150 políticos durante a campanha eleitoral de 2002. Os principais beneficiários seriam candidatos do PSDB e do DEM, entre eles o mineiro Aécio Neves e o paulista Geraldo Alckmin.

Cinismo dos tucanos e da mídia

A famosa “lista de Furnas”, que os demotucanos juravam não existir e que a mídia "privada" sempre evitou investigar, teria sido feita pelo próprio ex-presidente e ex-diretor de planejamento da empresa, Dimas Toledo. Para a procuradora Andrea Bayão Ferreira, do Rio de Janeiro, agora não há mais dúvida sobre a sua autenticidade. De posse dos documentos, Amaury Ribeiro inclusive já pensa em escrever a segunda parte do livro “A privataria tucana”. Para ele, a lista comprova a existência de um “mensalão” de Furnas.
A decisão do MPF também animou o deputado Rogério Correia (PT-MG). Com base num laudo pericial da Polícia Federal, ele foi um dos primeiros a denunciar o rombo na estatal para financiar a eleição de Aécio Neves ao governo de Minas, em 2002. “Quando fiz a denúncia, tentaram até mesmo cassar o meu mandato. Mas a verdade, finalmente, começa a prevalecer”. Para ele, a lista comprova a hipocrisia dos tucanos. “Eles só querem investigar os esquemas dos outros, porque esse de Furnas eles tentam abafar até agora”.
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Patrus quer criar centro de referência da juventude em Belo Horizonte

Jovens e entidades estudantis entregaram manifesto de apoio à candidatura petista
O candidato do PT à Prefeitura de Belo Horizonte, Patrus Ananias, defendeu nesta quarta-feira (1º), em campanha na Praça Sete, a instalação de um centro de referência da juventude na capital mineira.
O equipamento seria integrado aos centros culturais, como forma de ampliar a oferta e o acesso às atividades que transformem espaços públicos em locais de convergência.
Patrus recebeu o apoio de jovens e entidades estudantis que lhe entregaram o documento “Arrancada da Juventude”, com uma série de motivos para apoiá-lo. Entre os presentes, havia representantes da União Nacional dos Estudantes (UNE), da União da Juventude Socialista (UJS), da União Colegial de Minas Gerais (UCMG), do Grêmio Estudantil do Estadual Central, da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES) e da União Estadual dos Estudantes (UEE).
Depois de lembrar que durante sua gestão à frente da PBH se iniciaram grandes eventos culturais na cidade como o Festival Internacional de Teatro (FIT) e o Festival de Arte Negra (FAN), Patrus assinalou que pretende implementar ações voltadas para a juventude em dimensões que tratem “da vida e da dignidade” das pessoas.
“Nada do que ocorra em Belo Horizonte será desconsiderado se voltarmos a governar a cidade. Nunca diremos que algo não será responsabilidade da prefeitura. Como exemplo, temos de pensar no problema da violência, que atinge tantos jovens”, prometeu.
Em manifesto distribuído durante o ato, a questão da insegurança foi relacionada à desigualdade econômica. “Somos o setor mais impactado pelos problemas sociais que nossa cidade enfrenta. Na educação, o impacto é direto e, na questão da violência, a juventude também é a que mais sofre, inclusive com os efeitos causados pela desigualdade econômica”, ressaltou o texto.
Os estudantes aproveitaram para levantar velhas bandeiras. “O passe livre para os estudantes é uma de nossas reivindicações”, disse Bruno Júlio, diretor da UNE. “Queremos o direito à cidade, o acesso aos espaços, com a geração de renda e empregos de qualidade”, defendeu Péricles Francisco, presidente da União da Juventude Socialista. O ato de campanha reuniu cerca de 300 pessoas e militantes do PT, do PMDB e do PCdoB.
“Estou preocupado com BH. Lembro-me de uma frase bonita de Guimarães Rosa: quando saio para dar batalha convido o meu coração. Estou com BH em meu coração”, disse Patrus, afirmando que a cidade avançou muito ao longo do tempo, mas vive agora novos desafios.
“Há questões que precisam ser enfrentadas, a violência, as drogas, a questão da mobilidade urbana”.
No Estado de Minas
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INSS julga na semana que vem primeira ação contra agressor de mulher

A partir de agora, autores de violência doméstica terão de indenizar a Previdência em caso de morte ou afastamento da vítima
São Paulo – A parceria entre a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), o Ministério da Previdência Social e os institutos Nacional do Seguro Social (INSS) e Maria da Penha foi formalizada no final da tarde de ontem (31), em Brasília. A partir de agora, qualquer agressor que pratique violência contra uma mulher, terá de indenizar o INSS em caso de morte ou afastamento da vítima.
Segundo nota da Previdência Social, na próxima terça-feira (7), o INSS deverá julgar a primeira ação relacionada à violência doméstica e familiar praticada contra a mulher. A data é simbólica, pois se refere ao aniversário da Lei Maria da Penha, nº 11.340/2006.
De acordo com a SPM, a ministra Eleonora Menicucci avalia que a iniciativa tem caráter pedagógico.
O ministro Garibaldi Alves Filho, da Previdência Social, afirmou que o órgão pretende fazer novas parcerias com os órgãos que tratam da questão. “Temos que fazer com que a violência contra as mulheres se torne cada vez mais residual, minoritária e a expressão de um absurdo”, disse.
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Charge online - Bessinha - # 1378

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Santa Catarina recebe mutirão de documentação para mulheres

Santa Catarina recebe mutirão de documentação para mulheres

Foto: Ascom/MDA

De 3 a 5 de agosto, o Programa Nacional de Documentação da Trabalhadora Rural (PNDTR), do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), atenderá cerca de 600 mulheres que vivem nas comunidades atendidas pelo Plano Brasil sem Miséria em Santa Catarina. A ação tem como objetivo emitir documentação gratuita às trabalhadoras rurais e atenderá os municípios de Princesa, São José do Cedro e Romelândia.
As trabalhadoras do campo que ainda não possuem documentos como carteira de identidade, CPF e Carteira de Trabalho podem comparecer aos locais do mutirão, das 9h às 17h. Além disso, elas poderão tirar, na hora, as fotos necessárias para a emissão dos documentos. “Esse programa é extremamente importante para inserir as mulheres, torná-las cidadãs, possibilitando que acessem políticas públicas do governo”, explica a coordenadora do PNDTR, Márcia Riva.
O público-alvo do programa é formado por mulheres acampadas, assentadas, agricultoras familiares, quilombolas, indígenas, pescadoras artesanais, extrativistas e atingidas por barragens. Porém, homens e crianças também poderão participar dos mutirões, dentro do limite de documentos disponíveis para cada ação. “A partir dessa documentação civil, as mulheres poderão ter acesso à terra e a programas de crédito, como o Pronaf. E, também, poderão emitir a Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP), entre outros benefícios. O objetivo do programa é fortalecer a autonomia das mulheres do campo”, completa Márcia Riva.
O PNDTR conta com o apoio do Ministério do Trabalho e Emprego, Ministério da Justiça, INSS, Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Empresa de Agropecuária e Extensão Rural de SC e Prefeitura Municipal.

PNDTR

Criado em 2004, o programa já emitiu mais de 1,8 milhão de documentos totalizando 870 mil mulheres atendidas. Ao todo, foram realizados 3.528 mutirões em 3.707 municípios de todo o país. A estimativa é que, em 2012, as 22 unidades móveis atuantes realizem 800 mutirões, emitindo 175 mil documentos.
Neste ano foram realizados 184 mutirões em 154 municípios, com 39.660 mulheres atendidas. Foram 75.780 documentos emitidos até o momento. O documento mais emitido é o CPF, seguido do Registro Geral ou carteira de identidade, Carteira de Trabalho e Previdência Social.

Serviço

Data: 3 de agosto
Horário: 9h às 17h
Local: Princesa – Escola Pública Municipal Renascer, Rua Sete de Setembro, Centro (fundos da prefeitura municipal)
Data: 4 de agosto
Horário: 9h às 17h
Local: São José do Cedro – Escola Municipal Ceneg (Girassol), Centro (próximo ao hospital)
Data: 5 de agosto
Horário: 9h às 17h
Local: Romelândia – Escola Hermínio Elzi da Silva, Rua Barão de Rio Branco (próximo a Apae – rua da rodoviária)
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Justiça aceita denúncia contra professor acusado de distribuir pré-teste do Enem

Jahilton Motta responderá por estelionato e violação de sigilo
FORTALEZA - A Justiça Federal no Ceará aceitou nesta quarta-feira, 1.º, a denúncia do Ministério Público Federal contra um professor do Colégio Christus, de Fortaleza, acusado de distribuir a seus alunos do ensino médio e do cursinho pré-vestibular cadernos de pré-teste do Enem 2011. Jahilton José Motta, docente de física, responderá por estelionato e utilização e divulgação indevida de material sigiloso.
Ao mesmo tempo, o juiz da 11.ª Vara Federal, Danilo Fontenelle Sampaio, rejeitou, por falta de provas, as denúncias contra outras quatro pessoas supostamente envolvidas no caso: outra funcionária do Christus, duas representantes do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) e uma da Cesgranrio (contratada pelo consórcio responsável pela aplicação da prova).
A denúncia foi aceita com base na investigação da Polícia Federal que comprovou que Motta entregou a alunos do Christus, dias antes da realização do Enem, questões de pré-teste aplicado em outubro de 2010. As questões acabaram caindo na prova realizada nos dias 22 e 23 de outubro do ano passado. A pena do professor pode variar de dois meses a dois anos de prisão.
O procurador da República Oscar Costa Filho, do MPF-CE, disse que vai recorrer da decisão do juiz. Para ele, todos os denunciados deveriam ser investigados pelo vazamento de 14 questões do exame.
A assessoria jurídica do Christus sustenta que a denúncia contra o professor não poderia ser aceita por ele não ser funcionário público. O colégio diz que vai recorrer da decisão do juiz por considera a denúncia inválida.
Lauriberto Braga
No Estado de S.Paulo

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Celebração

Caiu muita coisa do céu no espetáculo de inauguração das Olimpíadas de Londres: as argolas olímpicas incandescentes, várias Mary Poppins — e a rainha, de paraquedas. Está certo, não era a rainha e sim um fac-símile razoável, mas Elizabeth se prestou a participar da encenação e só cedeu seu papel a um dublê na hora do salto, apesar da insistência do príncipe Charles para que ela mesma se atirasse.
De qualquer jeito foi admirável ver a rainha incluída numa seleção de ícones britânicos — Shakespeare, Beatles, 007 — feita sem distinção entre o pop e o solene. Tudo que era solidamente inglês se integrava no espetáculo, fosse a rainha ou o Mr. Bean.
Imagino que a primeira decisão de quem organiza uma festa como a da inauguração das Olimpíadas ou de evento similar, como uma Copa do Mundo, deva ser entre celebrar o país que faz a festa ou o chamado espírito olímpico, de congraçamento entre os povos acima de fronteiras e identidades nacionais etc, etc.
Os ingleses decidiram ser ingleses ao ponto de ostentação. Nada de espírito olímpico, o festejado, e bem festejado, foi o espírito nacional. Mas não foi uma celebração acrítica.
Mostraram a revolução industrial que começou na Inglaterra e mudou o mundo e ao mesmo tempo — com aquelas espantosas chaminés brotando do chão para espalhar a fuligem por campos outrora verdes e pastorais — as consequências das sombrias usinas satânicas, as “dark satanic mills” do poema de William Blake, na vida das pessoas.
E não deixou de haver política na apresentação. Não havia muita razão para aquele longo segmento dedicado ao serviço nacional de saúde, o plano de assistência médica universal posto em prática pelos trabalhistas que nenhum governo conservador ousou tocar, a não ser como um recado para o atual governo conservador.
Como medida de austeridade para enfrentar a crise, o governo Cameron está cortando benefícios sociais com um entusiasmo inédito desde os tempos da sra. Thatcher e sua machadinha impiedosa.
O show das enfermeiras dançantes e das crianças bem tratadas foi para lembrar que o National Health Service é uma instituição inglesa tão digna de ser celebrada quanto as outras — e quem se atrever a mudá-la terá que se entender com a Mary Poppins.
Luís Fernando Veríssimo
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Seedorf faz proposta para comprar o Milan

Desde ontem, Seedorf só sai de casa disfarçado
GENERAL SEVERIANO – Tendo-se dado conta de onde meteu os pés, o jogador Seedorf, em jogada ousada, enviou um e-mail urgente para Silvio Berlusconi, proprietário do Milan, implorando a seu ex-patrão que transfira o time milanês para o Rio de Janeiro, onde jogaria o resto do Campeonato Brasileiro travestido de Botafogo. “O Boateng tem um estilo pagodeiro, vai passar despercebido. O Ambrosini tem cara de italiano da Mooca, acho que disfarça. O Cassano lembra um garçom do La Mole. O Pato é daqui mesmo, e o Robinho pode ficar por lá”, avaliou o meia, acrescentando que “do jeito que ninguém mais cobre o Botafogo, acho que chegamos até a trigésima rodada sem ninguém perceber.”
Com duas derrotas em duas partidas, Seedorf acredita que, em mais um mês, seu nome poderá ser riscado dos anais do futebol internacional. Telefonemas frenéticos do Real Madrid vazados para a imprensa mostram que os madridistas temem até pela cassação dos títulos da Champions League que o clube conquistou com a ajuda de Seedorf. “Nuestra crisis economica já está mui dolorosa para que Seedorf vienga a nos emplingir esta dorcita adicional”, declarou um furibundo Florentino Perez, presidente do clube.
No jogo seguinte à proposta de Seedorf, o Milan inexplicavelmente viu sua torcida reduzir-se a dezoito pessoas. Todas deixaram o estádio numa Kombi, depois de assistirem a uma derrota por 5 x 3, de virada, para o time juvenil da Sardenha Oriental.
Enquanto o Milan não chega, o técnico Oswaldo de Oliveira decidiu patentear o seu esquema tático. “Inventei um time sem atacantes com o objetivo de vencer. Isso se chama reengenharia de ataque. Saiu da minha cacholinha!”
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As vozes

No momento, não se sabe o 
que a voz silenciosa da opinião
pública pede aos seus 
magistrados mais altos

É incerto que os julgadores do mensalão ouçam a opinião pública, como lhes recomenda Fernando Henrique Cardoso. Com tantas pressões dirigidas aos leitores, espectadores e ouvintes, em linha direta e como reflexo das pressões sobre o Supremo Tribunal Federal, no momento não se sabe o que a voz silenciosa da opinião pública pede aos seus magistrados mais altos. Mas tal incerteza está acompanhada de ao menos duas certezas.
O rendado de palavras que enfeita, em torno, a recomendação de Fernando Henrique evidencia que a opinião pública referida é a opinião do público peessedebista.
A recomendação é um apelo velado no sentido de que o Supremo Tribunal Federal não negue o seu socorro ao catatônico PSDB, nesta hora difícil dos confrontos eleitorais. Tudo por um punhado de condenações de petistas.
Outra certeza é o que diz a voz verdadeira da opinião pública. A voz quando não desafinada pelas pressões, a respeito do que deseja dos seus magistrados, ou, como prefere, da Justiça.
É a imparcialidade nos julgamentos todos. É a equanimidade entre as decisões voltadas para os desprovidos e aquelas que se dirigem aos possuidores de riqueza ou de força política. É o direito à justiça também quanto ao tempo, porque, mesmo se favorável, a decisão que tarda dez, 20, 30 anos nunca fará justiça. É o julgamento limpo do mensalão, para condenar sem maldade ou absolver com grandeza.

História de Crimes

O aumento da lista oficial de mortos pela ditadura, de 357 para quase 1.000, traz para a história uma parte dos corpos que ficaram caídos nos canaviais, ou junto das usinas, muitos nas sedes dos sindicatos rurais e das Ligas Camponesas, tantos mais diante dos olhos da mulher e dos filhos. As primeiras semanas seguintes ao golpe de 64, no interior do Nordeste, sobretudo de Pernambuco e Paraíba, justificam esta palavra horrível: carnificina.
A revelação do novo levantamento, feita pelo repórter Lucas Ferraz na Folha, é um passo promissor para que sejam expostos os crimes de inúmeros usineiros, capatazes e jagunços. Por anos e anos, o usineiro Ney Maranhão veio a manchar o chão do Senado com os vestígios de sangue em suas sandálias, mesmo quando apenas memoriais. E Nilo Coelho, e outros ainda por lá ou por Brasília, todos protegidos pelo silêncio.
Essa história começou a ser contada, lá atrás, pelo documentarista Eduardo Coutinho, talento e alma admiráveis. A hora da Comissão da Verdade é boa para retomá-la.

Uma Pessoa

O advogado Márcio Thomaz Bastos que abandona a causa de Carlos Cachoeira é a mesma pessoa ética que assumiu a causa e a mesma anterior a assumi-la. O intervalo ético que fica em sua vida não é por ter sido breve advogado de Cachoeira, mas pela falta de ética que o agrediu então. No fundo, um imenso louvor sob a forma de agressão boçal, só produzida pelo respeito admirador enganadamente ferido.
Convém não esquecer também: se vemos, de 2003 para cá, incessantes ações da Polícia Federal contra poderosos e prestigiados envoltos em corrupção, deve-se a Márcio Thomaz Bastos. Quando ministro da Justiça, enfim acabou com a discriminação praticada pela Polícia Federal como norma.
Janio de Freitas
No Falha
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"Piti" de Galvão Bueno ressuscita campanha "Cala Boca Galvão"

A presença de Marcus Vinícius Freire, medalhista olímpico nos Jogos de Los Angeles de 1984, e superintendente-executivo de esportes do Comitê Organizador da Olímpiada de Londres, durante o programa Conexão SporTV desta quarta-feira (1º de agosto) gerou uma saia justa entre Galvão Bueno e o comentarista Renato Maurício Prado. O "piti" do apresentador ressuscitou a campanha "Cala Boca Galvão", febre na internet em 2010.
O entrevero entre os dois, que costumam trocar cutucadas, começou quando Renato pediu que Galvão contasse a piada que fez fora do ar sobre a conquista da seleção brasileira de vôlei em 1984. (assista aqui)
“Fala agora o que você falou da medalha de prata deles em Los Angeles antes do programa, que só ganhou a medalha por causa de boicote”, disse o comentarista.
O comentário deixou Galvão extremamente irritado e o clima entre os dois azedou.
“Isso não se faz. Tem que ter responsabilidade, estamos falando para milhões de pessoas. Em nenhum momento eu falei isso. Você foi deselegante”, afirmou o apresentador.
A troca de farpas durou mais de dois minutos e Renato, em uma tentativa de conciliação, deixou Galvão no “vácuo”.
Na sequência do programa, porém, os dois fizeram as pazes e o cumprimento, enfim, saiu.
A saia justa virou um hit nas redes sociais. Ninguém quer perder a oportunidade de esculhambar com um dos narradores esportivos mais criticado pelos brasileiros. A onda via web fez lembrar a campanha "Cala Boca Galvão" que, desencadeada em 2010, tornou-se uma verdadeira febre na internet e deixou a Rede Globo de Televisão em maus lençóis.
Relembre a emblemática campanha de 2010 com o vídeo abaixo:
No Vermelho
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