1 de ago de 2012

Fazer do Mensalão processo político é grande erro judiciário

Independência judicial é atributo do estado de direito;
juiz que atende "opinião pública" no processo criminal 
pode até decidir. Mas não julga.
A grande imprensa está se deliciando com o espetáculo. A política partidária promete converter espectadores em membros de torcida organizada.
Até o ex-presidente Fernando Henrique deu o seu pitaco jurídico e disse que o STF deve ouvir a “opinião pública”, enquanto a corregedora Eliana Calmon, para não perder o hábito, advertiu os ministros que eles também seriam ‘julgados’ por sua decisão.
Tudo está pronto na Corte, dizem os jornais. Mas há um grande perigo nessa empolgação: transformar o processo criminal em julgamento político é um enorme erro judiciário.
O julgamento político tem seus próprios campos: das comissões de inquérito às de ética, das demissões de ministros às cassações de mandatos.
No julgamento criminal, no entanto, não há espaço algum para se decidir “do jeito que a opinião pública espera”. Seja lá qual for a opinião que se diz pública.
Qualquer juiz que se atreva a julgar um réu, preocupado com o que outros podem estar pensando dele, abre mão do seu dever constitucional.
Todos os juízes se deparam, mais hora, menos hora, com um processo de réus conhecidos ou de crimes famosos. São processos trabalhosos, em geral difíceis e cansativos. Às vezes, até ingratos.
Mas são processos criminais que devem ser julgados como todos os demais: analisando os documentos e as perícias, ouvindo as testemunhas e os réus, confrontando alegações e estudando as doutrinas. Sobretudo, com base na lei e nos princípios da Constituição.
Jamais pensando: se eu decidir desta forma, o que é que vão achar de mim?
A independência judicial é um atributo do estado de direito. Não se restringe a impedir a pressão de outros poderes sobre o magistrado – juiz que atende “opinião pública” em processo criminal pode até decidir. Mas não julga.
Por isso, costuma-se dizer que a jurisdição penal é contramajoritária – não navega nas pesquisas ou preferências de eleitores. Não joga para a plateia, enfim.
Quem pensa o contrário não desconhece apenas a jurisdição. Desconhece também a democracia.
Condenar ou absolver alguém para atender a outros interesses ou vontades, por maiores que sejam, é simplesmente trair a jurisdição. Prevaricar.
A igualdade das partes também não é suficientemente compreendida pela imprensa, que não raro escolhe, sem hesitar, os papéis do bem e do mal em um tribunal.
Um parecer do Ministério Público recebe lastro oficial e se presta a virar manchete; mas arguições da defesa são reputadas apenas como manobras.
Em um processo criminal, no entanto, não há patamares entre as partes: promotor e advogados devem sempre estar no mesmo plano.E os juízes não são responsáveis por “combater a impunidade” – mas julgar o conflito que se estabelece toda vez que alguém é acusado de um delito.
Se os magistrados entrarem na “luta”, quem a estará mediando?
Há outro aspecto quase esquecido neste espetáculo de julgamento que se prenuncia.
Não fosse a arcaica e aristocrática previsão do foro privilegiado (que na verdade só atinge a um ou outro deputado, entre tantos réus), um julgamento como esse jamais estaria tomando a pauta de quase um mês do STF, no lugar de centenas de processos de repercussão que aguardam a decisão dos ministros.
O Supremo não é e nem pode se transformar em uma vara criminal.
Para que este julgamento pudesse acontecer, inúmeros juízes fizeram audiências pelo país afora, sem contar as dezenas de outros que deixaram de tocar os seus próprios processos para auxiliar ministros na produção dos votos.
Onde estará o CNJ para dar conta do atraso que isso provoca?
O foro privilegiado, que permite a um deputado, promotor ou juiz, se ver julgado por juízes especiais, é um atentado ao princípio da isonomia. Mais um sintoma da síndrome dos desiguais – como a prisão especial para diplomados ou a imunidade dos parlamentares.
Tinha sentido na pré-história do direito, quando as diferenças entre nobres e plebeus, doutores e operários, vinha cravada na lei. Não em nossa época em que a igualdade é promessa explícita da Constituição.
Quem sabe se ultrapassada essa página da história criminal, sossegados os ânimos políticos, os parlamentares não se animem em restaurar um mínimo de igualdade.
Nem que seja por um motivo didático, especialmente importante quando o assunto é moralidade: mostrar que todos, inclusive os membros do poder, se submetem às mesmas regras, às mesmas sanções e aos mesmos juízes que os homens do povo.
Marcelo Semer
No Sem Juízo
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A "graça" da direita venezuelana

Saúde e educação gratuitas são "merdas" que os pobres da Venezuela não merecem. É o que pensa Adriana Mendoza Capriles, sobrinha do candidato à presidência da Venezuela Henrique Capriles, musa da direita venezuelana e que mora em Miami 
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Posicionamento sobre a Ação Penal 470 ("Mensalão")

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Um milhão e meio de brasileiros consomem maconha diariamente

São Paulo – Os brasileiros, entre adultos e adolescentes, que consomem maconha diariamente somam 1,5 milhão, aponta estudo divulgado hoje (1º) pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
O 2º Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad) revela ainda que 7% da população adulta já experimentaram a droga em alguma fase da vida, o que equivale a 8 milhões de pessoas. Entre adolescentes, 600 mil tiveram contato com a maconha.
Dos 3,4 milhões de pessoas que usaram maconha no último ano, mais de um terço (37%) é dependente, o que representa 1,3 milhão. Entre os adolescentes, os índices de dependência alcançam 10% dos entrevistados.
De acordo com a pesquisa, o Brasil não está entre os países com os maiores índices de consumo da droga. Enquanto, a média brasileira é 3%, o índice chega a 5% na Europa e 10% nos Estados Unidos. No entanto, ainda conforme a pesquisa, as Nações Unidas acreditam que os dados oficiais na América Latina possam ser subestimados, "uma vez que o volume de maconha apreendido no Brasil está entre os maiores do mundo e o país não é um grande fornecedor de nenhuma região."
Foram entrevistadas 4.607 pessoas em 149 municípios, com idade a partir de 14 anos. A amostragem, de acordo com os coordenadores do estudo, é representativa. Diferente da primeira pesquisa, feita em 2006, os entrevistados no atual levantamento responderam a um questionário sigiloso sobre consumo de drogas.
Para o coordenador da pesquisa, o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, um dado preocupante é a proporção entre usuários adultos e adolescentes. Em 2006, existia um adolescente para cada adulto que usa maconha. Em 2012, a proporção aumentou para 1,4 adolescente por adulto. Em 62% dos casos, os usuários experimentaram a droga pela primeira vez antes dos 18 anos.
“Se as leis ficarem mais frouxas em relação ao uso da maconha, o maior prejudicado vai ser o adolescente. Qual vai ser o impacto em relação à saúde mental desses adolescentes? É isso que os dados nos alertam. A pessoa que já é usuária não vai mudar o padrão de consumo. Quem pode mudar o padrão de consumo, de acordo com a nossa atitude legislativa, é o adolescente”, avalia.
Os entrevistados também foram questionados sobre a legalização da maconha no país. A maioria (75%) é contrária, ante 11% favoráveis. Os dados reunidos no Lenad irão possibilitar, posteriormente, a avaliação do consumo de outras drogas, como o crack.
Camila Maciel
No Agência Brasil
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Veja os bastidores e a estreia da Voz do Brasil na internet

Dia histórico para o rádio brasileiro. A Voz do Brasil fez sua estreia em vídeo na internet. O programa de rádio mais antigo do mundo, segundo o livro Guiness, está no ar desde 1935. Um marco para a comunicação pública.
No programa de estréia, o ministro da Saúde Alexandre Padilha participou ao vivo. Assista:
No Nas Retinas
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Chantagem

Kayser
No Senta a Pua
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Veja é condenada por denúncia falsa

A 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do estado do Sergipe condenou, por unanimidade, a revista Veja. A sentença é por conta de uma reportagem veiculada na semanal em maio de 2006, que acusava o governador Marcelo Déda (PT), de ter usado dinheiro público para promover sua campanha eleitoral. O resultado do julgamento saiu nesta quarta-feira, 1°, e a publicação terá que pagar R$ 200 mil para o petista.
Com o título ‘Micareta picareta’, a reportagem de 2006 gerou repercussão e consequências para o governador, que na época era prefeito de Aracajú. A reportagem fazia uma falsa denúncia contra Déda, na qual o acusava de usar dinheiro público para realizar duas micaretas (carnavais fora de época) com o propósito de se promover. A primeira festa teria sido o Pré-Caju e a outra a Veja chamou PTCaju.
O Tribunal havia definido uma indenização de R$ 80 mil em 1ª instância, entretanto, ambas as partes não concordaram com a decisão. Devido à insatisfação, encaminharam recursos à instância superior. A Veja foi julgada parcialmente e teve redução de 20% do valor da causa para 15%. Já a petição de Marcelo Déda obteve provimento para ampliar, de R$ 80 mil foi para R$ 200 mil.
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Senador de Cachoeira por um fio na volta do recesso

Wilder Morais, que assumiu como senador por Goiás após cassação de Demóstenes Torres, está sumido; ontem, faltou a cerimônia de entrega de medalha em Goiânia; hoje, se aparecer na Câmara Alta, será cobrado pelo DEM a dar explicações sobre estreitas ligações com contraventor; grampo da PF mostrou intimidade entre eles
Onde está o novíssimo senador Wilder Morais (DEM-GO), que assumiu de surpresa após a cassação de Demóstenes Torres para desaparecer logo em seguida? A grande expectativa de hoje no Senado é se o novo integrante dará o ar da graça no início dos trabalhos legislativos desse segundo semestre. O senador-empresário chega sob fogo cerrado, com o DEM exigindo explicações sobre seu relacionamento com o contraventor Carlinhos Cachoeira e o PT exigindo sua convocação para a CPMI.
Ontem Wilder causou constrangimento e mal estar generalizado ao simplesmente cabular, sem maiores explicações, cerimônia de entrega da Medalha do Guardião, alta honraria concedida pela Polícia Militar de Goiás a autoridades que prestaram relevantes serviços à corporação (qual seria mesmo o serviço prestado por Wilder?). Altas autoridades do Estado, entre elas o governador Marconi Perillo, levaram um bolo do senador.
A situação de Wilder não é das melhores. Flagrado em uma conversa telefônica com o contraventor Carlinhos Cachoeira, o senador neonato revela que, sem a ajuda do bicheiro, nunca teria galgado qualquer posição política (antes de assumir no Senado Wilder era secretário de Infra Estrutura do Governo de Goiás).
Diante das revelações, o presidente do DEM, senador Agripino Maia (RN), exigiu que Wilder desse uma explicação pública sobre suas relações com o contraventor Carlos Cachoeira. Segundo diálogo grampeado pela Polícia Federal, o contraventor Carlos Cachoeira seria responsável por sua indicação ao posto. Wilder limitou-se a dizer no microblog Twitter que estava querendo se livrar de uma situação constrangedora.
Se do DEM lhe são exigidas explicações, para o PT a situação de Wilder é mais grave. O deputado Paulo Teixeira (PT/SP), vice-presidente da CPMI, pretende propor a cassação do novíssimo senador, alegando que seu mandato é fruto de uma organização criminosa.

Bilhetagem

Outro evento relacionado a Cachoeira é o depoimento do próprio, hoje, à Justiça do DF. Uma semana depois de prestar depoimento na justiça de Goiás, o contraventor deixa novamente o presídio da Papuda para prestar esclarecimentos, dessa vez ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT). A audiência de instrução está marcada para esta tarde. Devem ser ouvidos durante a audiência o bicheiro e outros sete acusados de participação nos crimes investigados pela Operação Saint-Michel.
Entre as testemunhas de acusação está o secretário de Transportes, José Walter Vazquez, e os promotores do Núcleo de Combate às Organizações Criminosas (NCOC) do Ministério Público do DF na operação Saint Michel que identificaram o esquema. Outro depoimento marcado é do ex-diretor administrativo-financeiro do DFTrans Milton Martins de Lima Júnior que foi afastado do trabalho quando as denúncias surgiram.
Como já ocorreu em outros locais onde Cachoeira prestou depoimento, o Bicheiro deve manter a estratégia da defesa e permanecer calado durante os questionamentos. Carlos Ramos está preso desde fevereiro.
No 247
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Lista divulgada na Carta Capital foi encontrada em computador de Lobista

Lista divulgada na revista Carta Capital, onde aparece nome de Gilmar Mendes, foi encontrada em computador de Lobista conhecido (Nilton Monteiro), por isto existe um questionamento com relação a sua veracidade.
Nilton Monteiro ficou conhecido por ter elaborado e divulgado a lista de Furnas. Ele foi preso, na época acusado de estelionato, pela mesma lista, antes considerada falsa e que agora, a PF e o Ministério Público consideram verdadeira.
Ontem o hominhoco (Reinaldo Azevedo) estava cuspindo fogo contra Nassif e a revista CartaCapital, chamando de instituições a soldo do Estado... Como se a Veja, mentirosa contumás, não recebesse dinheiro do governo também.
Ele se dizia deter a verdade sobre a lista divulgada pela CartaCapital: era uma completa mentira. O hominhoco só não não disse uma coisa, este lobista mentiroso descarado foi tesoureiro da campanha de Eduardo Azeredo em 2008.
Como é que um político experiente e honesto como Eduardo Azeredo pode colocar alguém tão vil e pernicioso como Nilton Monteiro, segundo o hominhoco, para tomar conta, justamente, do seu dinheiro limpo e honesto?
E agora, como fica a situação desta lista que está sendo considerada falsa pela grande mídia e seus PIT-BULLS (obviamente)? Será que depois a PF e o MP comprovarão sua veracidade e a mídia, mais uma vez ficará calada?
Talvez o homem minhoca, tão questionador, tenha a resposta...
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Justiça estabelece prazo para que empresas Chevron e Transocean Brasil suspendam atividades

Rio de Janeiro - A Quinta Turma Especializada do Tribunal Regional Federal, da 2ª Região (TRF2), em decisão proferida hoje (31), estabeleceu o prazo de 30 dias para que as empresas Chevron Brasil Upstream Frade e Transocean Brasil suspendam suas atividades de extração e transporte de petróleo no Brasil. O colegiado do TRF2 atendeu a pedido de liminar do Ministério Público Federal (MPF), feito em agravo de instrumento.
Em abril, o relator do processo no tribunal havia negado o seguimento do agravo, por meio de decisão monocrática. A concessão da liminar ocorre na apreciação do mérito de um agravo interno (uma espécie de pedido de reconsideração) apresentado pelo MPF à Quinta Turma Especializada.
O MPF ajuizou ação civil pública na Justiça Federal do Rio de Janeiro, requerendo a imediata interrupção de todas as atividades de extração e transporte petrolífero das duas empresas. O descumprimento da ordem gerará multa diária de R$ 500 milhões. A primeira instância negara a liminar e, por conta disso, o MPF apresentou o agravo no TRF2.
A Chevron e a Transocean são acusadas de ter causado derramamentos de óleo cru no Campo de Frade, na Bacia de Campos, litoral norte fluminense, em novembro de 2011 e março de 2012. Segundo a denúncia do MPF, o dano ambiental ocorreu em razão de operações de perfuração mal executadas.
Em seu voto, o juiz federal convocado, Ricardo Perlingeiro, rebateu o argumento de que, decidindo sobre a questão, o Judiciário estaria interferindo indevidamente em competência da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Para o magistrado, a Justiça deve atuar quando as medidas da administração pública "ultrapassarem os limites autorizados por lei, desviarem-se de sua finalidade, ou ofenderem direitos fundamentais ou princípios, como os da igualdade, segurança jurídica, confiança legítima, proporcionalidade e razoabilidade".
Ricardo Perlingeiro chamou atenção para o fato da ocorrência de dois acidentes ambientais com o intervalo de apenas quatro meses. Para ele, isso, aliado à ausência de equipamentos necessários para identificar a origem dos vazamentos e para contê-los, demonstra que as empresas não têm condições, no momento, de operar os poços com segurança ambiental.
Douglas Corrêa
No Agência Brasil
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Gore Vidal morre aos 86 anos

O estadunidense Gore Vidal, escritor, romancista, ensaísta e roteirista de cinema, morreu nesta terça-feira em sua casa em Los Angeles (Estados Unidos), aos 86 anos de idade, informou a imprensa local.
Vidal faleceu devido às complicações geradas por uma pneumonia, segundo indicaram vários meios da imprensa americana, que citam fontes familiares do autor de "Juliano, Apóstata" e "Hollywood", entre outras diversas obras.
Como roteirista de cinema, Vidal escreveu os textos de "Calígula" (1979) e "Paris Está em Chamas?" (1966), tendo muito sucesso também como autor de peças de teatro. Candidato eterno ao Nobel da Literatura, Vidal era primo de Al Gore e meio-irmão de Jacqueline Kennedy.
Gore Vidal era considerado um dos intelectuais americanos mais críticos à política oficial de seu país, junto a Susan Sontag, Noam Chomsky e Norman Mailer. Ao lado de Mailer e Truman Capote, também era tido como um dos melhores escritores e pensadores dos Estados Unidos.
Vidal foi um ávido escritor cuja produção literária girou em torno do romance histórico, da sátira sobre o estilo de vida dos americanos e da ficção científica. Em 1993, obteve o Prêmio Nacional do Livro dos Estados Unidos por seu ensaio "United States Essays, 1952-1992".

Entrevista a Gore Vidal: Raio X do Império Americano

Texto originalmente publicado em 05/08/1998
Ronald Reagan combateu a União Soviética chamando-lhe o “Império do Mal”. Para Gore Vidal, o “Império do Mal” não desapareceu com a queda do comunismo: está bem e vive nos Estados Unidos da América, onde foi criado há 50 anos, no momento em que foi liquidada a velha e boa república. Mas claro que há-de ter o seu fim. Tudo tem o seu fim, como a raça humana, que pode muito bem ser uma coisa passageira sobre a terra. Uma conversa cheia de optimismo.
Na quarta-feira, na Gulbenkian, Gore Vidal traçou o pior cenário para uma Europa pós-moeda única: “Implica a cobrança de impostos comum, o que levará à constituição de uma força policial comum, e, finalmente, no longo prazo, a uma tirania." Ontem, em entrevista ao PÚBLICO, o escritor norte-americano alongou-se sobre um país onde “a democracia não existe”, os Estados Unidos da América. Onde há meio século foi criado o verdadeiro, o autêntico “Império do Mal”.
Para Gore Vidal, 72 anos, ensaísta, romancista, dramaturgo, actor de cinema ocasional e ocasional candidato ao Congresso, a América está nas mãos das grandes companhias, daquele um por cento que tem 70 por cento da riqueza e que exerce sobre o povo um controlo de pensamento, enquanto vai dando aos seus servos mais leais empregos como, por exemplo, Presidente dos Estados Unidos.
1. O Império
Público — Na sua descrição da História recente dos Estados Unidos, há dois períodos: a “boa república” e o “mau império”, que é aquele que existe hoje. É possível definir um “momento zero” em que se passa de um para o outro, ou há raízes?
Gore Vidal — Tudo tem antecedentes. Se quisermos definir a origem do Mal podemos recuar até ao Jardim do Éden e à serpente. Tecnicamente, foi tomada uma decisão, que foi a de [depois da Segunda Guerra] não desarmar, como nós, e os russos, tínhamos começado a fazer. Ao fim de algum tempo estávamos a rearmar os alemães e a criar uma nova Alemanha Ocidental. Fomos nós que dividimos a Alemanha, não foram os russos.
Em Potsdam [perto do fim da guerra], Harry Truman recebe a notícia de que a bomba atómica funciona e agora sabe que temos tal poder que não precisamos de Estaline, que não queremos que ele entre na guerra com o Japão. Assim, começamos a quebrar todos os acordos feitos em Ialta, embora mantenhamos uma boa fachada, mas de facto a divisão da Alemanha começa em Potsdam.
Resume-se tudo a isto: o telegrama chega a Potsdam e ele sabe que temos esta arma todo-poderosa e que o fim do Japão chegará muito rapidamente e que não precisamos da Rússia. Então começa a rearmar a Alemanha e as coisas começam a correr terrivelmente mal na guerra fria por causa da reacção russa às nossas acções.
Com a guerra fria chegou a decisão de que permaneceríamos para sempre armados, para que nenhum Pearl Harbour [o bombardeamento japonês de Dezembro de 1941] voltasse a acontecer-nos. E é claro que foram as pessoas que dirigiam a General Motors que tomaram estas decisões. Tinham chegado a Washington para ajudar no esforço de guerra e agora estavam tão entusiasmados com estes contratos governamentais que disseram: 'Vamos continuar com isto'. Ora isto só podia ser feito aterrorizando o povo americano para gastar todo este dinheiro de impostos numa guerra, quando não havia guerra nenhuma. E com o recrutamento obrigatório, que não existia. E com juramentos de fidelidade. Tal como sob Adolfo Hitler, todos os funcionários tinham de jurar ser leais ao imperador.
E desde então que não temos nada parecido com uma república. Não teve tanto a ver com o engenho dos nossos imperadores, todos eles bastante fraquinhos, mas antes com as vastas quantias de dinheiro que normalmente seriam empregues a melhorar a vida das pessoas e que eram lançados na guerra. Dinheiro que devia ir para escolas, pontes, reparar cidades era sugado pela General Motors, pela General Electric, pela Lockheed... Elas ficavam com todo o dinheiro. E chegámos agora a uma dívida de cinco biliões de dólares.
2. Os imperadores
Diria então que Truman foi o primeiro e o pior dos imperadores?
Sim. Vamos lá a ver... tendências imperiais sempre fizeram parte da aventura americana (Jefferson também era um imperialista) mas esta foi a primeira vez em que foi elaborado um plano pormenorizado para militarizar a economia, o país, não dizer ao povo, aterrorizá-lo com histórias de papões como 'o comunismo está prestes a tomar conta dos Estados Unidos'. Hoje há cerca de cinco mil membros do Partido Comunista, a maior parte deles absolutamente malucos, e em 1950 creio que havia sete mil, quatro mil dos quais eram membros do FBI infiltrados. E a certa altura um tipo do FBI quase foi eleito chefe do Partido Comunista e o Departamento da Justiça, que vigia o FBI, disse 'Não pensamos que seja boa ideia ter um partido que quer derrubar o governo liderado por um membro do governo'. Houve muita comédia negra em tudo isto.
Diria que John Kennedy foi também um dos piores imperadores, no sentido em que criou um teatro de ilusões ainda maior?
Bom, ele acreditava nestes disparates. Truman e Eisenhower eram muito cínicos, sabiam que os russos não vinham aí. Aliás ninguém com experiência do mundo acreditava, não havia perigo para nós. Kennedy acreditava na retórica e também sabia que em guerra os Presidentes se tornam famosos. De certa forma, tinha lido demasiados livros de História.
Por isso, desde o princípio que andava a procura de uma guerra. A primeira coisa que faz é invadir Cuba e sabemos como isso acabou [com o desastre da Baía dos Porcos], depois há a crise dos mísseis com Krutschov, que é o herói dessa história. Krutschov, que era o idiota, quis trazer mísseis para Cuba, mas quando viu que isso podia levar a algo mais grave recuou e Kennedy disse uma série de mentiras sobre o que tinha acontecido. E depois começou a guerra no Vietname, enviando cerca de 30 mil soldados.
E depois, ao fim de mil dias, é morto. Veja, para mil dias é mais do que suficiente para ser um mau Presidente — embora os que gostem de guerra digam que eram as coisas certas a fazer. Mas tornou o mundo mais e mais inseguro, os Estados Unidos menos e menos livres e, a longo prazo, o Governo mais e mais pobre.
3. Empregados das empresas
Os políticos são prisioneiros de quê? Poder? Dinheiro? Empresas? Tudo?
Bom, agora é tudo empresarial, a menos que o político tenha dinheiro próprio. Para se ser senador da Califórnia, pelo menos há dez anos, tinha de se recolher dez mil dólares por semana — todas as semanas, durante os seis anos de mandato —, para se estar em condições de concorrer a um segundo mandato. Tinha de se passar o dia ao telefone a pedir dinheiro. E o principal dinheiro que se recolhe não vem do povo, vem das empresas, seja em segredo ou abertamente. Por isso, é claro que se representa as empresas.
Esse estado de coisas podia acabar com o fim do sistema bipartidário, de republicanos e democratas?
Mas nós não temos um sistema bipartidário. Temos um Partido da Propriedade, da Riqueza, das Corporações, chame-lhe o que quiser, que tem duas alas direitas, uma é republicana e a outra democrata. Servem os bancos, as companhias de seguros, o agronegócio, toda a gente excepto o povo em geral.
Ora isto é um resultado indirecto do Império do Mal, porque todo este dinheiro canalizado para as empresas significava que elas queriam sempre mais dinheiro, mais isenções de impostos. E a partir de certa altura foram elas que começaram a mandar para o Congresso pessoas que decidiam a concessão de fundos aos militares. Simultaneamente, também são donos dos media. As eleições são hoje a maior receita para as redes de tv, onde se compra tempo de antena. Assim, o dinheiro dos contribuintes anda em círculo. Vai para as empresas, para os candidatos, para comprarem tempo na tv, cada vez mais caro, e para as empresas. A General Electric faz por um lado armas atómicas, e por outro é dona da NBC. É o exemplo perfeito desta simbiose.
4. Controlo do pensamento
Isso explicaria o facto de os seus pontos de vista não se espalharem ou será que as pessoas não se importam, não ouvem?
Se chegarmos a elas, ouvem. Então porque não se expande? Não se expande para além de um certo ponto porque eu posso dar a explicação mais eloquente sobre o Estado imperial e não é retomada em lado nenhum. O “New York Times” nunca traz uma linha sobre um discurso meu ou de Noam Chomsky. A menos que fale de linguística e então enfiam-no na página de Ciência. Não conseguimos chegar à televisão em horário nobre. É, dizem, demasiado “ousado”, um “ousado” que traz audiências mas que é do tipo errado, porque põe em causa os fundamentos do sistema.
Parece querer dizer que há um controlo do pensamento...
... claro que há...
... uma conspiração...
É preciso ter muito cuidado. Quando se fala de 'conspiração', as pessoas dizem imediatamente 'ah, pois, conspiração...'. Bom, mas há inúmeras conspirações, num mesmo momento. O que é um partido político, a não ser uma conspiração para ocupar o poder? Há todos os tipos de conspiração... Vejamos o sistema de saúde. Os americanos querem-no. Todos os países civilizados o têm. Os Estados Unidos não podem tê-lo. Porquê? Um terço de tudo o que os americanos gastam em cuidados de saúde vai para as companhias de seguros, que nada fazem. É uma vaca de dar dinheiro para as grandes empresas, as grandes seguradoras. Se houvesse sistema de saúde, ficavam sem um terço das suas receitas, e isto põe-as loucas.
David Hume perguntava: 'Como é que podem uns poucos, que são poucos, controlar os muitos, que são muitos?' E respondia: 'Só através da opinião, que é a sala de aula, e o púlpito...' e, mais uma coisa, talvez a multidão... Apenas através da opinião...
Ora, para os nossos poucos, é muito importante que os americanos não descubram duas coisas: uma é que temos um império (e não uma democracia amante da paz), e a segunda é que temos uma classe dirigente. Este é o mais escuro dos segredos escuros. Por isso, a cada nível de educação, mas especificamente no liceu, se diz que isto não existe. Ora nós temos uma classe dirigente, e eu sou capaz de dizer os seus nomes, e como vivem e como agem.
E exerce o seu poder através de intermediários, os políticos?
Claro que não o exerce pessoalmente. Um por cento da população é dono de qualquer coisa como 70 por cento do país, e há 20 por cento que vivem muitíssimo bem porque trabalham para esse um por cento. Podem conseguir empregos como Presidentes dos Estados Unidos, arranjam lugares no Congresso, juízes e... dois terços dos advogados que existem sobre a Terra são americanos e trabalham para esse um por cento. É por isso que temos tantas leis, o que nos deixa tanto sem leis.
É um navio bem dirigido, controlado por fundações, por bolsas, e também pelo orçamento do Pentágono.
Alguns desses pontos de vista lembram o manifesto do Unabomber, no sentido em que ele descreve as pessoas quase como animais domesticados...
Não penso que ele esteja totalmente errado, mas penso que as pessoas não são assim tão estúpidas. Que não são animais estúpidos. Que são constantemente distraídos pela tv, pelo consumismo... Ele teve um lampejo do que está a acontecer, mas (...) apresentou-o de uma maneira muito infantil.
Haverá muitos mais como ele, a atacar o governo, muitos mais atentados como o de Oklahoma. Ora com um Governo que tem tanta gente assim a odiá-lo, não é de suspeitar de alguma coisa errada?
5. O fim do Império
Se há um momento em que um império começa, também não há um momento em que acaba? Consegue antever esse momento com o império americano?
Quem me dera, quem me dera. O fim ideal seria eliminar a NATO, dizer aos Estados Unidos para saírem da Europa e fazer com que a moeda única europeia funcionasse, embora deva dizer que estou pessoalmente aterrorizado com tantas coisas que podem correr mal. Mas esse seria o fim do império americano. Ficaríamos entregues às nossas enormes dívidas e à nossa enorme quantidade de armas. Acabaríamos numa trapalhada mais sofisticada do que os russos. E talvez recuperássemos a república.
Um império pode tentar perpetuar-se encontrando um novo inimigo externo...
A China já foi escolhida.
Então e os gestos de aproximação entre Washington e Pequim?
Bom, isto já não se passa como nos velhos tempos de Adolfo Hitler, em que se dizia 'Bom, vou deitar a mão à Polónia, ou à Checoslováquia'. Isto já não são coisas de loucos, são coisas de empresas, com conselhos de administração, montes de pessoas a consultar. Talvez um diga que é o momento de gastar dinheiro em armas para combater a China, e outro responda que ainda não, que primeiro é preciso fazer algum dinheiro. As coisas já não são simples. A maneira mais simples de perceber que uma coisa dessas está para acontecer é quando um indivíduo começa a ser demonizado, e isso ainda não aconteceu em relação à China. Aconteceu nos Balcãs, ou com Saddam [Hussein, do Iraque], ou com Noriega [do Panamá], quando a imprensa descobre que alguém é homossexual, mas tem cinco amantes, um exemplar do 'Mein Kampf' à cabeceira e cocaína guardada por baixo da cama...
Os Estados Unidos ignoram o Tribunal Internacional de Haia, que fundaram. Se isso não é comportamento imperial, então não sei o que possa ser. Estamos acima de qualquer lei, e toda a gente deve obedecer às nossas leis (veja-se Cuba)... Isto não é imperial?
Um instrumento como a internet pode ser um inimigo do império?
Não percebo muito bem como funciona a internet, mas quer-me parecer, pelos esforços do governo americano e outros, para a controlar, que pode.
6. “Happy end”
Com este discurso, pessimista ou realista, pensa que a humanidade está a aprender alguma coisa, a avançar?
Penso que a humanidade anda mais aos ziguezagues, com momentos bons e momentos maus, e talvez o melhor de todos tenha sido no século II antes de Cristo. Talvez a raça humana seja apenas uma coisa passageira e desapareça ao fim de algum tempo... Isto para acabar com uma nota feliz.
João Carlos Silva
No Público
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O viciado consumo de imagens vazias e propaganda

O curitiboca é mesmo um cara pra lá de esquisito!
Está tão acostumado com as falsas verdades de que esta cidade é mesmo o paraíso na terra, que nem se dá conta do quanto é enganado, manipulado e usado como massa de manobra por aqueles que detém o poder e o capital na cidade.
Agora os curitibocas em massa saem em defesa das artimanhas e interesses do banco Internacional HSBC (Hong Kong and Shangai Banking Corporation), uma instituição bancária internacional, fundada em 1865 e sediada em Londres.
O HSBC atua no Brasil desde 1997, quando assumiu as operações do Banco Bamerindus.
O banco Bamerindus, para aqueles que não lembram, era um banco Paranaense que entre as décadas 1970 – 1980 tornou-se uma das maiores instituições bancárias da América do Sul. Fernanda Richa, atual primeira dama do estado é neta do fundador da Instituição, o Sr. Avelino Antonio Vieira.
Desde o ano passado o Ministério Público do Trabalho e o Ministério do Trabalho e Emprego vêm investigando a realização das apresentações do Coral Natalino do HSBC, que acontecem todo ano na sede do banco,  edifício Palácio Avenida, no calçadão da Rua XV.
Na última quita feira (26/7) uma quantidade exorbitante de internautas manipulados, saiu em defesa dos interesses do Banco HSBC, contrários a medida do Ministério Público do Trabalho que encontrou vários indícios de abuso de trabalho infantil antes e durante estas apresentações natalinas.
As crianças do coral, nos dias de ensaios próximos a apresentação, cumprem uma carga horária de quase nove horas diárias e sem intervalo, com direito a apenas um refeição rápida.
Além disso, a remuneração das crianças durante os cinco meses que antecedem as apresentações é bastante inferior a um salário mínimo.
Ora, se as denúncias procedem, o coral é sim, realizado as custas de abuso de trabalho infaltil!
E os curitibocas ainda preferem defender a instituição financeira, e detrimento das crianças que participam do coral?
A realização das apresentações, que já entrou no calendário natalino da cidade, é patrocinada pelo Banco HSBC através da lei Rouanet, um programa do Ministério da Cultura que permite a dedução fiscal de até 4% do imposto investido em programas culturais.
O coral natalino é o principal investimento cultural do banco. Que além do forte apelo institucional ainda garante um belo retorno de imagem no Brasil e no mundo.
No ano passado o banco investiu R$ 4 milhões para a realização do evento. Um valor realmente considerável para a realização de apenas 12 apresentações. Apenas como comparativo, o festival de teatro de Curitiba no mesmo ano captou um pouco mais que este valor. (fonte: Marino Galvão Jr. na Gazeta do Povo) (vale muito a pena ler)

As Apresentações

Se você ainda não foi ver o tal coral o Polaco vai tentar descrever o que acontece.
Na verdade, durante estes quase cinco meses de preparativos, a organização seleciona um pequeno número de crianças. Estes selecionados, já com certa experiência, ensaiam, preparam e gravam um CD para as apresentações.
Mais próximo da realização do evento são escolhidas outras crianças, estas sim vítimas do abuso do trabalho infantil, elas não tem aulas de música, não recebem a devida assistência e atuam  como simples figurantes fazendo mímica nas janelas do prédio durante as apresentações.
E o curitiboca, cegado pela ilusão de ótica da propaganda na cidade, ainda acredita que assistir  ao show de luzes, algum figurão contratado e algumas crianças fazendo mímica na janela de um prédio, muitas vezes sem o devido amparo, nem sequer alimentação decente é bonito, é arte, é inclusão social.
Cegos, não vêm que tudo não passa de uma farsa. Uma farsa patrocinada com o dinheiro de seu imposto e que tem como único objetivo alavancar uma marca, a marca de um banco multinacional, muito mais interessado em transferir lucros para sua sede em outro país do que, necessariamente, promover a cultura ou a inclusão social em terras de muito pinhão. Afinal, para eles, tudo não passa de mercado e estratégia de marketing e as crianças, as crianças são apenas um meio de atingir o objetivo maior que é angariar clientes e aumentar o lucro.
Parabéns povo curitibano que prefere defender os interesses do capital ao invés de defender suas próprias crianças, que são nada mais que o futuro desta cidade!
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Tomás

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Livre para falar?

“Sem Thomaz Bastos, Cachoeira pode aderir à delação premiada, o que gera pânico em Brasília
A saída de Marcio Thomaz Bastos da defesa de Carlos Cachoeira dá ao bicheiro uma última alternativa: a delação premiada, para tentar sair da cadeia. É o que argumenta Vera Magalhães, no Painel da Folha. Leia:
Queda d'água
Com a saída de Márcio Thomaz Bastos da defesa de Carlinhos Cachoeira, voltou a ganhar corpo a possibilidade de o empresário acusado de contravenção negociar delação premiada para deixar a prisão, já que as tentativas de libertá-lo fracassaram. O acordo com o Ministério Público é defendido por antigos advogados de Cachoeira, como Jeová Borges Júnior. A hipótese causa apreensão entre políticos de todos os partidos e promete tumultuar o reinício das atividades da CPI.-
Santo de casa Dias antes de deixar a defesa de Cachoeira, causa que abraçou em meio às tratativas da delação, Thomaz Bastos argumentava que, diante das sucessivas derrotas na Justiça, ainda apareceria alguém propondo um "milagre" para tirar seu cliente da prisão.
Marco divisório Quando advogou para Cachoeira o ex-ministro teve 11 habeas corpus negados. E passou a acumular reveses em especial depois de divulgadas as denúncias de ameaças atribuídas ao grupo do empresário a juízes e procuradores.”
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Charge online - Bessinha - # 1377

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Parte do PSB mineiro declara apoio a Patrus Ananias

Um grupo de integrantes do PSB mineiro reuniu-se com o ex-ministro Patrus Ananias nesta terça-feira, 31, para declarar apoio ao petista na disputa pela prefeitura de Belo Horizonte. Patrus tem como principal adversário o atual prefeito, o socialista Marcio Lacerda, que concorre à reeleição em campanha capitaneada pelo PSDB. Além de declarar apoio ao adversário do candidato do próprio partido, o grupo de dissidentes do PSB ainda atacou a atual gestão.
Em manifesto assinado por 20 integrantes do partido distribuído durante o encontro, os socialistas afirmam que o Executivo municipal é marcado "por um gerenciamento dito empresarial, centralizador e autoritário", que "desrespeita a tradição democrática de ouvir a sociedade". "Muito mais que um gerente, Belo Horizonte necessita de um homem público que restaure o diálogo com a sociedade", diz o texto, em referência à origem empresarial de Marcio Lacerda.
O ex-presidente do PSB mineiro e integrante do diretório nacional da legenda, Waldo Silva, negou que o grupo seja dissidente. "Quem contraria o programa, o projeto e as ideias do PSB são eles", afirmou, referindo-se à atual direção do partido na capital mineira. Ele negou que o ato tenha sido orientado ou mesmo tenha o aval da direção nacional socialista, mas disse que "ninguém fez nenhuma crítica ou observação" em relação à decisão.
Waldo garantiu não temer retaliação. "Ele (Lacerda) contraria o projeto partidário e os ideais do PSB. Se tem alguém que merece alguma punição, são as pessoas que estão submissas ao projeto tucano", disparou, em clara referência à postura da direção municipal do partido que, seguindo orientação do senador Aécio Neves (PSDB-MG), recusou coligação proporcional com o PT, o que levou a um racha entre os partidos.
Por meio de nota, o presidente municipal do PSB, João Marcos Lobo, afirmou que o diretório "minimiza a importância" da dissidência "formada por cidadãos sem representatividade política". Na nota, ele afirma que a "gestão empresarial nada mais é do que planejamento".
Já Patrus comemorou o apoio e classificou o ato como de grande importância por causa da "dimensão altamente política e afetiva". "Política, por causa das ideias comuns, e afetiva porque são todas pessoas amigas. É um reencontro com companheiros de muitas lutas", declarou.
Marcelo Portela
No O Estado de S. Paulo
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MP considera inútil ação da polícia na Cracolândia e instaura novo inquérito

São Paulo – O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) instaurou nesta terça-feira (31) um novo inquérito civil para individualizar a apuração das responsabilidades pela operação de combate ao tráfico e de retirada de dependentes químicos da região da Cracolândia, local como ficou conhecido o entorno da Estação da Luz, na região central da cidade. Para o MP, a operação, conduzida principalmente pela Polícia Militar, mostrou-se inútil.
“Uma visita de volta à Cracolândia mostrará que o quadro, infelizmente, é o mesmo do que era antes do começo deste ano. Sexta-feira (27) à noite, pessoalmente, tive essa experiência. Vê-se na Cracolândia a mesma situação que havia antes de janeiro deste ano, o que mostra que todo esse esforço mostra recursos mal-empregados e de uma inutilidade completa”, disse o promotor Mauricio Ribeiro Lopes, da área de Habitação e Urbanismo.
Além disso, nesse novo inquérito, os promotores pretendem acompanhar o desdobramento da operação, que pode ser levada para outras regiões da cidade.
Para isso, o Ministério Público solicitou que o Comando da Polícia Militar do Estado de São Paulo encaminhe, no prazo de dez dias, a relação de nomes de todos os oficiais policiais que participaram da operação na Cracolândia, no período entre 20 de dezembro de 2011 e 10 de janeiro de 2012, além de informar o total que foi gasto com a ação.
O MP também pediu as que as secretarias municipais de Saúde e de Assistência e Desenvolvimento Social informem, no prazo de 20 dias, como são compostas as equipes de atendimento à população usuária de crack em São Paulo e o total de atendimentos. “A ideia é ter um diagnóstico muito real do que a prefeitura e o Estado têm [de recursos, projetos e equipamentos] para que a gente peça, em juízo, algumas outras coisas”, disse Arthur Pinto Filho, promotor da área de Direitos Humanos.
Também nesta terça (31), a Justiça de São Paulo acatou integralmente um pedido em caráter liminar, do Ministério Público, para que a PM seja proibida de empregar ações “vexatórias, degradantes ou desrespeitosas” contra os usuários de drogas.
Na ação, que corre sob segredo de Justiça, o MP pediu ainda que o governo paulista pague uma indenização de, no mínimo, R$ 40 milhões por danos morais individuais e coletivas pelo o que considera violações aos direitos humanos. Essa questão, no entanto, ainda deverá ser julgada pela Justiça. “Estamos extremamente satisfeitos com o teor da decisão. Não temos nenhuma dúvida no sentido de que ela representa um marco no mundo jurídico e na luta pelos direitos humanos”, disse a promotora Luciana Bergamo, da área de Infância e Juventude.
De acordo com o promotor Mauricio Lopes, com a decisão liminar, a Polícia Militar não poderá abordar os usuários e dependentes químicos em situações que infrinjam a Constituição, tais como a que ele chamou de “procissão” de usuários pelas ruas do centro.
“Se a PM encontrar alguém fornecendo, gratuitamente ou não, droga a outro alguém, deve prendê-lo em flagrante. Se encontrar alguém fazendo uso de substância entorpecente deve levar essa pessoa à delegacia de polícia, onde será lavrado um termo circunstanciado e onde essa pessoa será encaminhada para um tratamento necessário. O que a PM pode fazer em flagrante delito poderá continuar fazendo. O que ela não pode, não deve e que, se fizer, incorrerá em multa prevista, é, à margem da lei, conduzir de um lado para outro pessoas que não estão em situação de flagrante delito ou que não estão fazendo uso de entorpecente naquele instante e fazer essas pessoas ‘zanzarem’ como se fossem zumbis pela cidade”.
Em entrevista coletiva concedida depois dos esclarecimentos do MP sobre o caso, a secretária de Justiça e da Defesa da Cidadania, Eloisa de Sousa Arruda, criticou o Ministério Público, alegando que o órgão quebrou o sigilo da Justiça ao citar detalhes da decisão em entrevista e também no site do órgão.
Ela também elogiou a ação policial na Cracolândia. Segundo Eloísa Arruda, a abordagem policial não tem sido feita de forma vexatória, como alega o Ministério Público. “Temos uma operação em continuidade. Sabemos da necessidade de ampliação de vagas [em centros terapêuticos], que estão sendo ampliadas. Se eventuais pontos de ajuste são necessários, nós estamos fazendo esses ajustes. Isso não macula e nem coloca abaixo as ações que já tomamos”, disse. Eloísa Arruda também informou que ações como a realizada na Cracolândia ocorrerão em outras regiões da cidade.
Segundo o comandante da Polícia Militar, coronel Roberval Ferreira França, a atuação da corporação na região deverá continuar sendo feita da mesma forma. “O tráfico e o porte de entorpecentes continuam sendo categorizados como crime no nosso país”, argumentou. “A PM vai trabalhar como sempre trabalhou: dentro da lei, com profissionalismo, seriedade e com respeito aos direitos das pessoas e coibindo todas as circunstâncias de abuso que forem verificadas ou trazidas ao nosso conhecimento.”
França contou que a operação na Cracolândia teve como resultado 851 internações para tratamento de usuários de drogas, 7.567 encaminhamentos para serviços de saúde, 94.656 abordagens sociais, 542 prisões em flagrante por tráfico de entorpecentes, 135 pessoas presas, que eram foragidas da polícia, e apreensão de 66 quilos de drogas. Segundo o comandante, caso a corporação seja notificada, vai acatar os pedidos feitos pelo Ministério Público no novo inquérito.
Elaine Patricia Cruz
No Agência Brasil
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PSD é formado basicamente por deputados sem trajetória política de destaque

"O PSD não é de direita, esquerda, nem de centro"
Kassab
São 48 deputados em exercício e sete licenciados. É a quarta maior bancada na Câmara, atrás apenas de PT, PMDB e PSDB. Será com eles que o governo terá de negociar nos próximos anos para aprovar qualquer projeto de peso.
Mas os parlamentares do recém-nascido PSD são, em grande parte, uma massa de ilustres desconhecidos, sem trajetórias políticas de destaque ou projetos de lei significativos. A maioria, 28, está no primeiro mandato e os outros estão no exercício do segundo mandato, já que poucos passaram pelo crivo das urnas mais de duas vezes.
A bancada é formada principalmente por empresários , 38 no total, pouco afeitos ao dia a dia do Congresso. Apenas um deputado da legenda figura na lista dos 100 “cabeças” do Congresso, feita anualmente pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap). Trata-se de Eduardo Sciarra (PR), eleito com apenas um voto, que ele garante não ser dele próprio. “Nem sabia dessa votação”, defende-se.
Sciarra, que está em seu terceiro mandato, deixou o DEM após uma frustrada disputa pela liderança com o atual líder ACM Neto (BA). No início do ano, a contenda lhe rendeu uma derrota de 27 a 16 votos. Foi quando decidiu debandar. “Se eu tivesse ganho essa disputa, estaria hoje no DEM e o grupo do ACM Neto, possivelmente, estaria fora”, afirma o deputado, destacando que queria um partido “que não tivesse caciquismo e não tivesse dono”.
Agora que deixou a oposição, adota o tom pragmático que caracteriza o novo partido. “Somos independentes, não teremos aliança com o governo. Ser de centro-direita não é problema, o PP e o PMDB são mais de direita do que o PSD e compõem a base do governo. A questão ideológica hoje ficou de lado. Vale o pragmatismo”, pontua, ecoando o prefeito paulistano, Gilberto Kassab, fundador e presidente do partido.
Entre os jovens do partido, o deputado Fábio Faria (RN) é um dos que evitam falar em ideologia. Uma pesquisa com seu nome no Google rende fotos suas cercado de celebridades, muitas delas constando de sua lista de conquistas amorosas, como as atrizes Priscila Fantin e Letícia Birkheuer e as apresentadoras Adriane Galisteu e Sabrina Sato. Sua atuação como parlamentar só foi notícia ao se envolver no escândalo das passagens aéreas na Câmara, quando se descobriu que Fábio havia demonstrado seu amor por Galisteu pagando com verba da Casa passagens de ida e volta para a namorada e a sogra.

Casamento

Outro a desfilar nas colunas sociais é o empresário da noite paulistana Guilherme Mussi (SP). O deputado teve seu casamento em 2008, com a herdeira da loja de luxo Daslu, Luciana Tranchesi, aclamado por revistas de fofoca como “a cerimônia mais badalada dos últimos tempos no high society paulistano”. A festa, na Villa Daslu, para 1,3 mil convidados, teve champanhe Taittinger Brut Prestige Rosé, a R$ 270 a garrafa. Mas a união durou pouco mais de um ano. De lá para cá, após breve namoro com uma socialite de São Paulo, Mussi submergiu do noticiário de celebridades, a exemplo de sua atuação parlamentar.
A ala jovem do PSD também tem seu representante no Rio de Janeiro. O deputado Felipe Burnier é um típico menino do Rio. Com sobrenome político, ele é filho do ex-prefeito de Nova Iguaçu Nelson Burnier, frequenta a praia da Barra da Tijuca e usou um funk como jingle da campanha de 2010. Considera-se uma “pessoa do bem”, conforme seu perfil no Facebook, e adora fazer novas amizades. “Vivo a vida intensamente, não me arrependo de nada que tenha feito, somente do que ainda não fiz. Amo a vida!!!”, é a mensagem na comunidade virtual. O jeitão “bon vivant” deu o tom de um projeto enviado no ano passado à Câmara. Burnier propôs que todos os dias de jogos do Brasil na Copa de 2014 sejam feriados nacionais. “Quero mais é que tenha feriado e que o Brasil seja campeão”, exalta.

Problemas na Justiça

Há também no PSD quem tenha problemas com a Justiça. Carlos Souza (PSD-AM), que esteve em cinco partidos nos últimos 20 anos, foi preso em 2009 quando era vice-prefeito de Manaus. Ele responde a processo por associação ao tráfico de drogas e é suspeito de ter encomendado a morte de traficantes. Ele é irmão do falecido deputado estadual Wallace Souza, acusado de ser o chefe de uma quadrilha que comandava o comércio de drogas no Amazonas e que assassinava traficantes para aumentar a audiência de um programa de TV apresentado pelos irmãos Souza. Segundo denúncia do Ministério Público, em um caso que ganhou repercussão internacional, Wallace aproveitava “informações privilegiadas” sobre quem ia ser morto para exibir os crimes consumados em seu programa policial televisivo, o Canal livre, e subir a audiência.
No Blog do Celso Jardim
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Sarney age na calada da noite

Não é de hoje que os proprietários de estações de rádio estão de olho no horário histórico de 19 às 20 horas, de segunda a sexta-feira. É o espaço reservado à Voz do Brasil, o mais antigo programa de rádio no mundo, 77 anos, e com uma audiência garantida de milhões de brasileiros que muitas vezes só têm acesso à informação através desse espaço midiático, além de ter sido um instrumento relevante no projeto de integração nacional, juntamente com a Rádio Nacional.
No início, a atual Voz do Brasil era conhecida como Programa Nacional e em 1938 passou a se chamar Hora do Brasil. Em 1962 recebeu a denominação atual.
Pois bem, neste momento na Câmara dos Deputados há um projeto que pretende flexibilizar o horário da Voz do Brasil, o que na prática representa o início do fim desse importante programa radiofônico com informações dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
O Ministro Paulo Bernardo, em reunião da Associação Brasileira de Radio e Televisão (ABERT), defendeu a flexibilização do horário da Voz do Brasil, para contentamento dos proprietários de rádio do Oiapoque ao Chuí. Como são 5.556 municípios no país, podem imaginar o total de emissoras.
Flexibilizar o horário da Voz do Brasil é na prática acabar com o programa. Se isso acontecer, não haverá como fiscalizar se as emissoras - na verdade concessões públicas - apresentam mesmo o programa.
Os defensores da flexibilização usam argumentos insustentáveis e tentam esconder de todas as formas que o real objetivo é ampliar os lucros no espaço nobre de 19 às 20 horas.
O tema é bem mais sofisticado do que se imagina. Para se ter uma ideia, o Senador José Sarney na calada da noite reativou o Conselho de Comunicação Social (CCS) e nomeou os integrantes sem consultar a sociedade.
Entre os 13 integrantes titulares e suplentes indicados estão dois executivos das organizações Globo: Gilberto Carlos Leifert, diretor comercial da emissora e presidente do Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária), como representante das empresas de televisão, e Alexandre Kruel Jobim, filho do ex-ministro Nelson Jobim e vice-presidente jurídico e de relações governamentais do grupo RBS, braço da Globo no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, como representante das empresas da imprensa escrita.
Outros nomes indicados como representantes da sociedade civil destacam-se o Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta e Fernando Cesar Mesquita, secretário de comunicação social do Senado, por sinal também ex-assessor de imprensa  de Sarney, interventor nomeado por Sarney em Fernando de Noronha e seu fiel escudeiro, são outros nomes que comporão o CCS.
O Conselho, embora não tendo caráter deliberativo, sempre foi defendido pelos movimentos sociais como um passo importante na área midiática. Foi desativado, em 2006, de forma atabalhoada e ilegal.
Quando foi criado, em 1988, ficou decidido que não poderia integrar o Conselho pessoa ligada direta ou indiretamente a empresas de comunicação. A determinação, sugerida pelo então deputado Paulo Alberto (Arthur da Távola), foi aprovada na Constituinte e, segundo testemunho do jornalista José Augusto Ribeiro, na época cobrindo os debates da Constituinte pela TV Bandeirantes, simplesmente desapareceu, foi suprimida.  E tudo ficou por isso mesmo. Se estivesse em vigor, os dois nomes vinculados ao esquema Globo não poderiam ser indicados.       
Uma pergunta deve ser feita: qual o motivo de Sarney, que é proprietário de canais de rádio e televisão, ter decretado a reativação do Conselho? E logo Sarney, que em toda a sua história política sempre esteve do lado das elites e, claro, dos barões midiáticos? Até porque ele é um deles.
O tema reativação do Conselho é realmente complexo. A reativação pode ter sido constitucional, mesmo tendo sido  feita sem consultas democráticas, na calada da noite e poucas horas antes do recesso legislativo.
Tem mais um detalhe, e é aí que mora o perigo. O esquema adotado da reativação é absolutamente casuístico, porque foi para frente por pressão imediatista da Abert, que não prega prego sem estopa e mistura alhos com bugalhos, ou seja, seus interesses particulares com os da sociedade brasileira.
E tem mais uma sutileza: pela técnica legislativa, não pode ocorrer a aprovação da flexibilização do horário da Voz do Brasil sem antes ouvir a manifestação do CCS.  Ou seja, a ABERT consultou os seus advogados e técnicos legislativos chegando a conclusão que sem a manifestação do CCS sobre o tema a flexibilização daria margem a um embargo da matéria no Supremo Tribunal Federal, como se sabe, a instância máxima da Justiça brasileira.
Alertado pelos seus pares, Sarney prontamente decidiu reativar o CCS, que terá como uma de suas missões dar parecer sobre o projeto de flexibilização do horário da Voz do Brasil, caso venha a ser aprovado. E pela composição de forças, não será surpresa recomendar o que desejam os que têm a concessão de emissoras de rádio.
A ofensiva pela aprovação do projeto é muito forte. Mas há resistências. O Deputado Jilmar Tato, do PT de São Paulo, pensa ao contrário do seu colega de partido, o ministro Paulo Bernardo, e conseguiu retirar da pauta de votação o projeto alegando que não foi discutido devidamente e ainda por cima se ocorrer a flexibilização, milhões de brasileiros verão interrompidos a sua fonte informativa. O tema está em debate.
O Deputado Fernando Ferro, do PT de Pernambuco, apresentou projeto tornando a Voz do Brasil Patrimônio Cultural Imaterial do Povo Brasileiro. Para isso, o projeto deve contar com o apoio do Ministério da Cultura e desta forma seguir caminho para a Presidenta Dilma Rousseff decretar.
O parlamentar quer, em suma, que o Ministério da Cultura se aproprie, consolide e dê estatuto de Patrimônio Imaterial da memória do Brasil ao importante espaço informativo acompanhado por milhões de ouvintes.
Vale lembrar que a Voz do Brasil no horário de 19 às 20 horas, além de ser fonte informativa para milhões de brasileiros, é um programa jornalístico que pode ser até ampliado, por exemplo, com informações sobre os movimentos sociais existentes no país, que geralmente são boicotados pela mídia de mercado, a mesma que defende com unhas e dentes o fim da Voz do Brasil com a flexibilização do horário. 
Mário Augusto Jakobskind
No Direto da Redação
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Procuradoria recomenda arquivar pedido do PSDB sobre patrocínio a blogs

Em parecer apresentado nesta terça-feira (31), a Procuradoria Geral Eleitoral pede o arquivamento da representação apresentada pelo PSDB na qual o partido levanta a suspeita sobre o financiamento com dinheiro público de sites e blogs políticos.
Segundo a representação tucana, a Caixa Econômica Federal, a Petrobras e o Ministério da Saúde estariam entre os patrocinadores de páginas na internet caracterizadas "por elogios excessivos ao PT e ao governo federal e por ataques à oposição".
O pedido para que a Procuradoria Eleitoral avaliasse suposta ilegalidade foi apresentado pela cúpula tucana na última segunda-feira (23). O parecer de hoje é de autoria do procurador regional da República Adjunto, José Jairo Gomes.
"A representação também não se fez acompanhar de começo de prova hábil a ensejar qualquer investigação de que houve desvio de recursos públicos em prol de blogueiros ou titulares de páginas na internet para que estes atuassem em prol ou contra candidaturas", diz Gomes em trecho do parecer.
Segundo Gomes, o PSDB fundamentou o pedido de investigação apenas em notícias vinculadas em jornais e revistas que não chegaram nem a ser anexadas junto ao requerimento encaminhado à PGE.
"Sequer se fez acompanhar de cópia das citadas notícias ou mesmo de informações completas de suas fontes", diz o procurador.
Erich Decat
No Falha
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Olimpíadas no Rio Grande do Sul

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Arte na decoração do Comitê Central - Lúdio 13

Convidamos o artista plástico Babu e seu parceiro Amarelo, para ilustrar o muro principal do nosso comitê central.
Além de dar um novo aspecto ao local ainda valorizou estes nossos artistas locais. E este muro representa o nosso desejo por uma Cuiabá mais saudável e feliz. Sim, é possível. Vamos todos, junte-se a nós. www.facebook.com/ludio13 @ludiocabral
No Guerrilheiros Virtuais
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Nos Bastidores

Daqui a três semanas, a campanha dos candidatos a prefeito das capitais entra em uma nova etapa. Na quarta feira, 22 de agosto, começa, nas emissoras de televisão aberta e de rádio, a veiculação daquilo que nossa legislação chama “programas eleitorais”.
De lá até 3 de outubro - sempre às segundas, quartas e sextas -, a Justiça Eleitoral reserva uma hora ao dia - sendo meia hora no horário do almoço e meia hora à noite - para que os partidos e coligações apresentem os candidatos e exponham seus planos e propostas para administrar as cidades. Todas as emissoras são obrigadas a entrar em rede para fazer a difusão.
Como o nome indica, são “programas”, com hora marcada para começar e acabar. Quem os assiste ou ouve é porque quer. Normalmente, as pessoas que têm interesse elevado pela eleição.
O componente mais importante da propaganda eleitoral tem seu início, no entanto, um dia antes. Na terça, 21 de agosto, entram no ar os comerciais dos candidatos a prefeito.
Designados “inserções” pela legislação, ocupam, no total, meia hora ao dia, mas são veiculados de domingo a domingo. Em uma semana, somam, portanto, três horas e meia - mais que o tempo agregado dos programas eleitorais.
Elas são distribuídas nos intervalos da programação normal das emissoras, da manhã à noite, junto com as mensagens de patrocinadores e sem aviso. Por isso, qualquer pessoa que veja televisão ou ouça rádio termina por ser exposta a elas - mesmo as que não têm a menor curiosidade por temas políticos (e não assistem aos programas).
Combinando programas e inserções, o eleitor comum é exposto a seis horas e meia de propaganda por semana dos candidatos a prefeito - em cada uma das emissoras de televisão e de rádio que existem no município. E a mais três horas semanais dos programas dos candidatos a vereador, que frequentemente fazem a divulgação dos nomes e marcas dos que concorrem às prefeituras (pois são, habitualmente, as campanhas majoritárias que arcam com os custos de produção de TV das proporcionais).
O que isso quer dizer é que o candidato de uma coligação de partidos com bancadas grandes terá, de 21 de agosto em diante, mais tempo nos meios de comunicação de massa que qualquer anunciante, por maior que seja. Em alguns casos, suficiente para fazer com que uma coisa desconhecida rapidamente se torne familiar para o eleitorado inteiro da cidade.
Não há como comparar o momento que vivemos com esse. Por mais que um candidato se desdobre, por maior que seja sua disposição para percorrer bairros e regiões, por mais carreatas, caminhadas e visitas que sua agenda suportar, por mais enraizado que seu partido for, tudo que fizer até 20 de agosto, é quase nada em comparação com um só dia de televisão.
É por isso que os prognósticos eleitorais baseados nas pesquisas feitas atualmente são tão imprecisos e costumam errar. Pela nossa experiência dos últimos anos, somente em casos excepcionais quem lidera antes de agosto termina vencedor.
Isso, no entanto, não quer dizer que as campanhas dispensem as pesquisas na fase em que estamos. Pelo contrário.
Nas cidades maiores e nas candidaturas com maior capacidade de mobilização, a regra é de intensa atividade nos bastidores, com os profissionais de marketing fazendo uso constante de pesquisas para definir as estratégias de apresentação dos candidatos na televisão.
Cada elemento costuma ser previamente testado - das cores à programação visual, da marca ao slogan, da música às fotos. Tudo pode ser pesquisado, sempre buscando aumentar a eficácia da comunicação.
Bons programas eleitorais e boas inserções requerem trabalho feito com antecedência - e muita pesquisa. Mas não ganham a eleição.
Isso são outros quinhentos.
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
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Mensalão é o Julgamento, Mídia e Judiciário Julgados


Ninguém poderia imaginar, é Deus do Céu testando.
Eles queriam crucificar, e a batata ta na mão assando.
É de mentira o momento, dos mentirosos consagrados.
Mensalão é o Julgamento, Mídia e Judiciário Julgados.

Tanto fizeram e estrearam, e como vão se explicar.
Eles criminalizaram, não terão coragem de confessar.
Era Vitória antes do tempo, infelizes já condenados.
Mensalão é o Julgamento, Mídia e Judiciário Julgados.

Sr. Juiz ou o apresentador, do Tribunal ou Televisão.
Seu Trabalho como orador, agora diante da reparação.
Ao humilhado o alento, pro caluniador fardos pesados.
Mensalão é o Julgamento, Mídia e Judiciário Julgados.

Era na Rádio e no Jornal, animados com divulgação.
Os Verdadeiros caras de Pau, julgamento presentão.
Acusação todo tempo, os réus já estavam condenados.
Mensalão é o Julgamento, Mídia e Judiciário Julgados.

O Que essa Mídia vai dizer, que esses Juizes vão falar.
O que terão de fazer, pra outro teatro desse não formar.
Farsa sem comedimento, como pagar os prejudicados.
Mensalão é o Julgamento, Mídia e Judiciário Julgados.

Terrível a televisão, Novelas e tudo pra adestrar.
Obscuridade alienação, o embrutecer e desumanizar.
Formar opinião e intento, e imitantes serem louvados.
Mensalão é o Julgamento, Mídia e Judiciário Julgados.

Marcos Valério absolvido, Jefferson tirou acusação.
Aquele dinheiro apreendido, Cachoeira deu pra ação.
Sem confissão e arrependimento, só réus prejudicados.
Mensalão é o Julgamento, Mídia e Judiciário Julgados.

Querem mundo de farsa total, de toda prova invalidar.
O que conta é o Jornal Nacional, o resto é pra anular.
Todo mundo já ta sabendo, pela Blogsfera informados.
Mensalão é o Julgamento, Mídia e Judiciário Julgados.

Crime imundo encomendado, todo mentira e insinuação
Serviram-se dele um bocado, Se tornou uma Maldição.
Uma arma todo tempo, de Prazo e validade adulterado.
Mensalão é o Julgamento, Mídia e Judiciário Julgados.

Azuir Filho e Turmas de Amigos: do Social da Unicamp, Campinas, SP,de Rocha Miranda, Rio de Janeiro, RJ e de Mosqueiro, Belém do Pará.
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I have a dream: a queda dos EUA

Finalmente – depois de terem sido vítimas durante mais de dois séculos de guerras, invasões e golpes de estado por parte dos Estados Unidos – os povos da Ásia, África e América Latina decidiram que era tempo de acabar com isso. A ideia genial foi a de adoptar os mesmos métodos de Washington, mas para uma causa justa. Assim, constituiu-se um Grupo de Acção para os Estados que, graças a reuniões de peritos, elaborou o plano, denominado "estratégia do Grande Ocidente". A intervenção foi assim explicada: nos EUA está no poder desde há mais de dois séculos o mesmo presidente que, ao personificar-se num político republicano ou democrata, representa os mesmos interesses da elite dominante. A Comunidade internacional deve portanto agir para por fim a este regime ditatorial. Preparando-se para depor o presidente Obama, uma comissão de dissidentes escreveu uma nova Constituição dos Estados Unidos da América, que garante uma democracia real no interior e uma política externa respeitosa dos direitos dos outros povos. Ao mesmo tempo (com a ajuda de peritos consultores cubanos, iraquianos e líbios) o Grupo de Acção impôs um embargo de ferro aos Estados Unidos, congelando todos os capitais estado-unidenses e encerrando todas as actividades das suas multinacionais no estrangeiro, inclusive os fast food McDonald e os distribuidores da Coca-Cola. Na sequência do bloqueio das especulações financeiras e da exploração da mão-de-obra e das matérias-primas da Ásia, África e América Latina, Wall Street ruiu e a economia estado-unidense afundou na crise. O México foi obrigado a erguer uma barreira metálica ao longo da fronteira, vigiada por veículos e helicópteros armados, para impedir que clandestinos estado-unidenses entrassem no seu território em busca de trabalho.
A estas medidas juntaram-se outras, militares, para atacar no interior conforme a estratégia da "guerra não convencional". Na América Latina foram constituídos campos militares, nos quais são treinados e armados rebeldes estado-unidenses: trata-se sobretudo de nativos americanos, descendentes das populações exterminadas pelos colonizadores e afro-americanos descendentes dos escravos cuja exploração (mesmo após a abolição da escravatura) permitiu às elites dominantes construir fortunas colossais. Sob a bandeira do "Exército americano livre", os rebeldes retornam aos Estados Unidos. Ao mesmo tempo são infiltradas forças especiais africanas, latino-americanas e asiáticas, cujos comandos (escolhidos entre aqueles que dominam a língua) podem ser confundidos com rebeldes estado-unidenses. Eles estão dotados de armamento e de sistemas de comunicação refinados, que lhes permitem efectuar ataques e sabotagens temíveis. Dispõem além disso de grandes quantidades de dólares para corromper funcionários e militares. Como o núcleo duro da Presidência, formado pelos chefes do Pentágono e do aparelho militar-industrial, continua a bater-se, o grupo de acção redigiu uma "kill list" dos elementos mais perigosos, que são eliminados por agentes secretos ou por drones killers.
A batalha já faz estrondo nas ruas de Washington e diz-se que o presidente Obama está prestes a fugir. Londres e Paris estão cada vez mais preocupadas: sabem que são os próximos objectivos da estratégia do Grande Ocidente.
Manlio Dinucci
No Reistir.info
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Avaaz recua, reconhece erro e petição pelo Impeachment de Gilmar Mendes continua

As redes sociais mostraram mais uma vez que a cidadania ativa e vigilante pode lutar e rivalizar com o poderio de grandes conglomerados econômicos, políticos e midiáticos.
Nós lançamos um protesto contra o que entendíamos ser censura política exercida pela Avaaz.org ao retirar do site a petição pelo Impeachment do ministro Gilmar Mendes do STF.
Confira aqui e aqui.

Agora, recebemos de um representante da Avaaz.org a seguinte mensagem:
Dear Agenor,
My name is Oliver and I'm a Campaigns Director at Avaaz. I wanted to reply to your email about your petition being de-published. I don't speak Portuguese, so I had a colleague help me translate an email to you, which is below. You can reply in either Portuguese or English, whichever is easiest for you.
Caro Agenor,
Acabo de ser alertado para o fato de que sua petição a respeito do impeachment do Ministro Gimar Mendes foi retirada do ar. Sempre que uma campanha é sinalizada, enviamos uma pesquisa para determinar se a campanha é inapropriada ou se viola nossos termos de uso.
O texto da petição é automaticamente inserido em uma pesquisa, usando um conjunto padrão de perguntas, e enviado para uma pequena amostra aleatória de nossos membros. Neste caso, um membro de nossa equipe retirou a sua petição antes que este processo fosse concluído.
Isso foi um erro. Nós temos os resultados da sondagem e estamos felizes de informar que os membros votaram em manter sua petição no site. Sentimos muito por esta confusão.
Obrigado por seu trabalho até agora!
Saudações,
Oliver
Agradecemos ao empenho de companheir@s que souberam irradiar nas redes sociais nossa indignação e levar a Avaaz.org a reconsiderar sua decisão.
Entendemos que a mobilização de tod@s foi essencial para reconquistarmos o espaço de nossa campanha.
A luta continua e é de tod@s!
VAMOS ASSINAR A PETIÇÃO!
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