27 de jul de 2012

El movimiento Yo Soy 132 cerca la cadena Televisa “contra la manipulación”

Miles de personas han marchado hacia el edificio del canal en la capital de México
Los manifestantes tienen previsto acampar durante 24 horas frente a las instalaciones
Protesta de Yo Soy 132 frente a Televisa
Tomas Bravo (Reuters)
La cadena Televisa sigue en el punto de mira del movimiento mexicano Yo Soy 132. Este jueves, los manifestantes han demostrado que forman parte de una ola de protestas de carácter global utilizando el método que antes emplearon los españoles 15-M o los estadounidenses de Occupy Wall Street: la acampada. No será tan duradera como la de la Puerta del Sol o la del parque Zuccotti, si se cumplen las previsiones. Los activistas tienen la intención de rodear durante 24 horas las instalaciones del canal en Ciudad de México en una acción simbólica y pacífica para denunciar la "manipulación" de la campaña electoral a favor del candidato del Partido Revolucionario Institucional (PRI), Enrique Peña Nieto.
La marcha ha arrancado pasadas las 20.00 del monumento a la Revolución, donde los enojados se han reunido en las pasadas semanas para recopilar casos de fraude y compra de votos. Entre gritos de "México sin PRI" y cargando pancartas con lemas como "Queremos escuelas, no telenovelas", miles de personas han caminado bajo la lluvia hasta Televisa, donde los esperaba un fuerte dispositivo policial. A las 22.45, los organizadores -entre los que están sindicatos y organizaciones civiles- han leído un texto crítico con el "contubernio Televisa-PRI" y han hecho un llamamiento por la "democratización de los medios".
Yo Soy 132 se ha organizado en tres turnos para poder permanecer 24 horas rodeando el edificio. La Convención Nacional contra la Imposición celebrada en Atenco (en el Estado de México) acordó la semana pasada "tomar" las instalaciones de la cadena. Los portavoces de 78 asambleas locales del Distrito Federal acordaron este lunes, en una reunión urgente, que se trataría de una toma “pacífica y simbólica”.
Un manifestante en Televisa con la careta de Anonymous
"Ejerceremos una acción de desobediencia civil pacífica que no intentará ingresar a las instalaciones de la empresa y no ejercerá violencia ni agresión alguna contra ningún elemento del personal de la empresa; ya que nuestra lucha es contra los monopolios mediáticos, los poderes fácticos, el poder político de la televisora; y no contra su personal o la fuerza pública. Es por ello que no se obstruirá la salida de las instalaciones y será el cerco pacífico alrededor, nuestros propios cuerpos los que cercarán la sede televisiva", han anunciado los activistas en un comunicado.
Los manifestantes han llamado a "evitar cualquier confrontación con los cuerpos policiacos o con seguridad de la empresa". Para ello, los jóvenes deben permanecer a dos o tres metros de distancia de los agentes que rodean el perímetro del edificio. En caso de sufrir una agresión, los organizadores recomiendan responder con una sentada. "Nadie marchará encapuchado o con el rostro cubierto, ni se permitirá portar objeto o arma alguna que pueda significar riesgo para esta acción", han agregado.
La temática de la protesta, según han anunciado los activistas, serán los Juegos Olímpicos, cuya ceremonia de apertura se celebra ese día - y se retransmite por Televisa -.

La izquierda pide un presidente interino

Mientras continúan las protestas de Yo Soy 132, la coalición izquierdista Movimiento Progresista ha propuesto el nombramiento de un presidente interino mientras se estudia la invalidacción de las elecciones del pasado 1 de julio. "Si no se invalida la elección, México estaría gobernado por una banda de malhechores, los más corruptos y terribles del país", ha agregado el candidato Andrés Manuel López Obrador.
El PRI, por su parte, ha asegurado a través de un comunicado que México "'no puede ser rehén de los caprichos de un mal perdedor" y ha acusado a López Obrador de "sembrar la polarización política que conduzca a la incertidumbre y a la zozobra social, circunstancias donde sólo él y nadie más que él se beneficia".
No El País
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Valério atribui a falsário capa de Carta Capital

Publicitário emite nota em que manifesta "perplexidade" sobre reportagem; "foi baseada em documentos e informações falsas", alegou; sem citar o nome do lobista Nilton Monteiro, Valério apontou na direção dele como autor do que diz ser uma falsificação: "pessoa notoriamente conhecido por envolvimento em fraudes"
O publicitário Marcos Valério, por meio de seu advogado, optou por manifestar, em nota à imprensa, "perplexidade com o teor de matéria publicada nesta data pela revista Carta Capital". Ele sustentou que a apuração da reportagem da revista semanal foi "baseada em documentos e informações falsas". Sob a capa "O valerioduto abasteceu Gilmar", a publicação divulgou, entre outros documentos, uma "Declaração para fins de prova judicial ou extrajudicial", que teria sido assinada no 1º Ofício de Belo Horizonte, pelo próprio Marcos Valério, na qual está a admissão de repasse de "R$ 4.500.000,00 para Dr. Eduardo Brandão de Azeredo". A soma, diz a peça, teve como origem recursos oriundos do "BEMGE, CREDIREAL, BANCO RURAL, COMIG, COPASA, LOTERIA MINEIRA, e por intermédio das construtoras ANDRADE GUTIERREZ e ARG".
Abaixo, a nota assinada pelo advogado do publicitário:
NOTA À IMPRENSA
A defesa de Marcos Valério Fernandes de Souza manifesta sua perplexidade com o teor de matéria publicada nesta data pela Revista Carta Capital. Trata-se, lamentavelmente, de reportagem baseada em documentos e informações falsas. Ao que tudo indica, documentos provavelmente produzidos por pessoa notoriamente conhecida por seu envolvimento em fraudes diversas em Minas Gerais, que recentemente esteve preso acusado de estelionato e que, inclusive, seria beneficiado, de forma no mínimo curiosa, no próprio documento falsificado.
A defesa de Marcos Valério reitera seu respeito e confiança no Poder Judiciário, especialmente no Supremo Tribunal Federal, manifestando seu repúdio a qualquer dúvida que seja levantada sobre a credibilidade, a capacidade jurídica e a imparcialidade do Ministro Gilmar Mendes. Trata-se de magistrado que exerce suas funções de forma exemplar, dignificando seu exercício no Pretório Excelso.
Repita-se: a matéria baseia-se em documentos e informações falsas, cujo teor são veementemente rechaçados por Marcos Valério Fernandes de Souza. Os dois documentos constantes da publicação não foram produzidos ou assinados pelo mesmo, parecendo ser mais uma montagem do conhecido falsário.
Marcos Valério aguarda, com serenidade, o início do julgamento da Ação Penal nº 470 pelo Supremo Tribunal Federal.
Belo Horizonte, 27 de julho de 2012
Marcelo Leonardo
Advogado Criminalista e defensor de Marcos Valério
No 247
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O valerioduto abasteceu Gilmar Mendes

 Atualizado com os Documentos 

O ministro Gilmar Mendes aparece entre os beneficiários do caixa 2 da campanha da reeleição de Eduardo Azeredo em 1998, operado por Marcos Valério
Na quinta-feira 2, quando se iniciar o julgamento do chamado mensalão no STF, Gilmar Mendes estará com sua toga ao lado dos dez colegas da Corte. Seu protagonismo nesse episódio está mais do que evidenciado. Há cerca de um mês, o ministro tornou-se o assunto principal no País ao denunciar uma suposta pressão do ex-presidente Lula para que o STF aliviasse os petistas envolvidos no escândalo, “bandidos”, segundo a definição de Mendes.
À época, imaginava-se que a maior preocupação do magistrado fosse a natureza de suas relações com o bicheiro Carlinhos Cachoeira e o ex-senador Demóstenes Torres. Mas isso é o de menos. Gilmar Mendes tem muito mais a explicar sobre as menções a seu nome no valerioduto tucano, o esquema montado pelo publicitário Marcos Valério de Souza para abastecer a campanha à reeleição de Eduardo Azeredo ao governo de Minas Gerais em 1998 e que mais tarde serviria de modelo ao PT.
O nome do ministro aparece em uma extensa lista de beneficiários do caixa 2 da campanha. Há um abismo entre a contabilidade oficial e a paralela. Azeredo, à época, declarou ter gasto 8 milhões de reais. Na documentação assinada e registrada em cartório, o valor chega a 104,3 milhões de reais. Gilmar Mendes teria recebido 185 mil.
A lista está metodicamente organizada. Sob o enunciado “Relatório de movimentação financeira da campanha da reeleição do governador Eduardo Brandão de Azeredo”, são perfilados em ordem alfabética doadores da campanha e os beneficiários dos recursos. São quase 30 páginas, escoradas em cerca de 20 comprovantes de depósitos que confirmam boa parte da movimentação financeira. Os repasses foram feitos por meio do Banco de Crédito Nacional (BCN) e do Banco Rural, cujos dirigentes são réus do “mensalão”petista.
Esse pacote de documentos foi entregue na quinta-feira 26 à delegada Josélia Braga da Cruz na Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais. Além de Mendes, entre doadores e receptores, aparecem algumas das maiores empresas do País, governadores, deputados, senadores, prefeitos e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. A papelada desnuda o submundo das campanhas eleitorais inalcançado pela Justiça. Há registros de doações de prefeituras, estatais e outros órgãos públicos impedidos por lei de irrigar disputas políticas.
Os pagamentos foram feitos pela SMP&B Comunicação, empresa do ecumênico Marcos Valério de Souza. Todas as páginas são rubricadas pelo publicitário mineiro, com assinatura reconhecida em cartório no final do documento datado de 28 de março de 1999. Há ainda uma declaração assinada por Souza de 12 de setembro de 2007 e apresentada à Justiça de Minas Gerais. Souza informa um repasse de 4,5 milhões de reais a Azeredo. Intitulado “Declaração para fins de prova judicial ou extrajudicial”, o documento de apresentação assinado pelo publicitário afirma que o depósito milionário a favor de Azeredo foi feito “com autorização” dos coordenadores financeiros da campanha tucana Cláudio Roberto Mourão e Walfrido dos Mares Guia. As origens da quantia, diz o texto, são o Banco do Estado de Minas Gerais (BEMGE), Banco Rural, COMIG (atual CODEMIG, estatal de infraestrutura mineira), COPASA (companhia estadual de saneamento), Loteria Mineira (estatal de loterias) e as construtoras Andrade Gutierrez e ARG, “conforme declaração de reembolso assinada pelo declarante”.
Segundo a papelada, Souza afirma ter elaborado a lista em comum acordo com Mourão, principal tesoureiro da campanha de Azeredo, no mesmo dia 28 de março de 1999 que consta ao lado de sua assinatura. Chamada formalmente de “Relatório de movimentação financeira”, a lista teria sido montada “sob a administração financeira” das agências SMP&B Comunicação e DNA Propaganda. No fim, o publicitário faz questão de isentar o lobista Nilton Monteiro, apontado como autor da famosa lista de Furnas, de ter participado da confecção do documento.
Monteiro provavelmente tem alguma ligação com a história. Há muitas semelhanças entre os dois documentos. A lista de Furnas, cuja autenticidade foi comprovada pela perícia técnica da Polícia Federal, igualmente trazia uma lista de nomes de políticos, a maioria do PSDB e do ex-PFL (atual DEM), todos beneficiados por recursos de Caixa 2. Além de Monteiro, assinava o documento Dimas Toledo, ex-diretor de Furnas, que até hoje nega ter rubricado aqueles papéis. A diferença agora são os comprovantes de depósitos, as autenticações em cartório e uma riqueza de detalhes raramente vista em documentos desse tipo.
Quem entregou a papelada à Polícia Federal foi Dino Miraglia Filho, advogado criminalista de Belo Horizonte. Miraglia chegou à lista por conta de sua atuação na defesa da família da modelo Cristiana Aparecida Ferreira, assassinada por envenenamento seguido de estrangulamento em um flat da capital mineira, em agosto de 2000. Filha de um funcionário aposentado da Companhia Energética de Minas Gerais, (CEMIG), Cristiana, de 24 anos, tinha ligações com diversos políticos mineiros. No inquérito policial sobre o crime, é descrita como garota de programa, mas os investigadores desconfiam que sua principal ocupação fosse entregar malas de dinheiro do valerioduto mineiro. Na lista assinada por Souza, ela aparece como beneficiária de 1,8 milhão de reais, com a seguinte ressalva: “Via Carlos Eloy/Mares Guia”. (Veja também aqui.)
Carlos Eloy, ex-presidente da CEMIG entre 1991 e 1998, foi um dos coordenadores da campanha de reeleição de Azeredo. É um dos principais envolvidos no esquema e, segundo Miraglia, pode estar por trás do assassinato de Cristiana Ferreira. “Não tenho dúvida de que foi queima de arquivo”, acusa o advogado.
Mares Guia foi ministro do Turismo no primeiro governo Lula e coordenou a fracassada campanha à reeleição de Azeredo. Apontado como ex-amante da modelo, o ex-ministro chegou a ser arrolado como testemunha no julgamento de Cristina, em 2009, mas não compareceu por estar em viagem aos Estados Unidos. Na ocasião, o detetive particular Reinaldo Pacífico de Oliveira Filho foi condenado a 14 anos de prisão pelo assassinato. Desde então, está foragido. “Não há nenhum esforço da polícia mineira em prendê-lo, claro”, diz Miraglia.
Na lista, Eloy aparece quase sempre como intermediário dos pagamentos do caixa 2 operado pelo publicitário, mas não deixa de se beneficiar diretamente. Há quatro depósitos registrados em seu nome no valor total de 377,6 mil reais. Os intermediários dos pagamentos a Eloy, segundo a documentação, foram Mourão, Mares Guia, Azeredo, o senador Clésio Andrade (PMDB-MG) e uma prima do tesoureiro, Vera Mourão, funcionária do escritório de arrecadação do ex-governador tucano.
Mares Guia, além de aparecer como intermediário de quase todos os pagamentos, consta como beneficiário de 2,6 milhões de reais. Sua mulher, Sheila dos Mares Guia (116 mil reais, “via Eduardo Azeredo/Mares Guias”), e seu filho, Leonardo dos Mares Guia (158 mil reais, “via Eduardo Azeredo/Mares Guia”), são citados. Na mesma linha segue Clésio Andrade. Presidente da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), Andrade foi vice-governador do estado no primeiro governo do atual senador Aécio Neves e aparece como intermediário de centenas de pagamentos.
O documento tem potencial para tornar a situação de Azeredo, hoje deputado federal, ainda mais crítica. O processo do valerioduto mineiro está no Supremo sob a guarda do relator Joaquim Barbosa. Ao contrário de seu similar petista, foi desmembrado para que somente os réus com direito a foro privilegiado, Azeredo e Andrade, sejam julgados na mais alta Corte. O destino dos demais envolvidos está nas mãos da 9ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Na denúncia apresentada ao STF em novembro de 2007 pelo ex-procurador-geral da República Antonio Fernado de Souza, o ex-governador Azeredo é acusado de ser “um dos principais mentores e principal beneficiário do esquema implantado”. O deputado tucano foi denunciado por peculato (apropriação de dinheiro por funcionário público) e lavagem de dinheiro. “Embora negue conhecer os fatos, as provas colhidas desmentem sua versão defensiva”, aponta Souza na denúncia. “Há uma série de telefonemas entre Eduardo Azeredo e Marcos Valério, demonstrando intenso relacionamento do primeiro (Azeredo) com os integrantes do núcleo que operou o esquema criminoso de repasse de recursos para a sua campanha”.
O ex-procurador-geral chamou o esquema mineiro de “laboratório do mensalão nacional”. Outro citado pelo Ministério Público Federal é Danilo de Castro, secretário estadual no governo Aécio Neves e no mandato do sucessor, o também tucano Antonio Anastasia. Castro teria recebido, via Clésio Andrade e Azeredo, 350 mil reais. As origens dos recursos teriam sido a CEMIG, a COMIG e a COPASA.
Somam-se 35 registros de valores arrecadados a partir de órgãos públicos no valor de 14,4 milhões de reais. Apenas no Banco do Estado de Minas Gerais (BEMGE), que Azeredo privatizaria ainda em 1998, saíram 1,2 milhão de reais para a campanha, segundo a lista do publicitário. A Petrobras teria repassado 1,3 milhão de reais, dos quais 157 mil reais foram desviados do patrocínio do Enduro Internacional da Independência, um evento de motociclismo.
A lista encadeia ainda uma arrecadação total de 530 mil reais feita por prefeituras mineiras comandadas por tucanos e aliados (Governador Valadares, Juiz de Fora, Mariana, Ouro Preto e Ponte Nova). De Juiz de Fora vieram 100 mil reais repassados pelo prefeito Custódio de Mattos, que teve um retorno interessante do investimento. Como beneficiário do esquema, Mattos recebeu 120 mil reais, segundo a lista, embora seu nome apareça em um dos depósitos do Banco Rural com um valor de 20 mil reais. A discrepância, nesse e noutros casos, acreditam os investigadores, pode se dever a saques feitos na boca do caixa. Quem desponta na lista de doadores, sem nenhuma surpresa, é o banqueiro Daniel Dantas. Foram 4,2 milhões de reais por meio da CEMIG. Desses, 750 mil reais chegaram “via Daniel Dantas/Elena Landau/Mares Guia” numa rubrica “AES/CEMIG”. O dono do Opportunity aparece ainda no registro “Southern/CEMIG” (590 mil reais) ao lado de Elena Landau e Mares Guia, e seu banco é citado num repasse de 1,4 milhão de reais via Telemig Celular.
Elena Landau foi uma das principais operadoras das privatizações no governo Fernando Henrique Cardoso. Casada com o ex-presidente do Banco Central, Pérsio Arida, ex-sócio do Opportunity, foi diretora de desestatização do BNDES. E uma das representantes do grupo Southern Electric Participações do Brasil, consórcio formado pela Southern, AES e Opportunity. O banco de Dantas adquiriu, com financiamento do BNDES, 33% das ações da Cemig em 1997.
O documento entregue à PF lista um total de 13 governadores e ex-governadores beneficiários do esquema, dos quais sete são do PSDB, quatro do ex-PFL e dois do PMDB. Os tucanos são: Albano Franco (SE, 60,8 mil reais), Almir Gabriel (PA, 78 mil reais), Dante de Oliveira (MT, já falecido, 70 mil reais), Eduardo Azeredo (MG, 4,7 milhões de reais), José Ignácio Ferreira (ES, 150 mil reais), Marconi Perillo (GO, 150 mil reais) e Tasso Jereissatti (CE, 30 mil reais).
Do ex-PFL são listados César Borges (BA, 100 mil reais), Jaime Lerner (PR, 100 mil reais), Jorge Bornhausen (SC, 190 mil reais) e Paulo Souto (BA, 75 mil reais).
Do PMDB constam Hélio Garcia (MG, 500 mil reais) e Joaquim Roriz (DF, 100 mil reais).
Na distribuição política, os interessados, segundo a lista, são quase sempre Azeredo ou Pimenta da Veiga, ex-ministro das Comunicações e um dos coordenadores das campanhas presidenciais de FHC em 1994 e 1998. Pimenta da Veiga aparece no documento como destinatário de 2,8 milhões de reais para a “campanha de Fernando Henrique Cardoso”. O ex-presidente está na lista em outra altura, ao lado do filho, Paulo Henrique Cardoso. À dupla, diz a lista do valerioduto, teria sido repassado o valor de 573 mil reais, “via Eduardo Azeredo e Pimenta da Veiga”. Eduardo Jorge, ex-ministro e grão-tucano, teria recebido 1,5 milhão reais.
Parlamentares não faltam. A começar pelo deputado Paulo Abi-Ackel, a quem foram destinados 100 mil reais, segundo registro do documento. Seu pai, o ex-deputado e ex-ministro da Justiça Ibrahim Abi Ackel, aparece como destinatário de 280 mil reais. Entre os locais estão os deputados estaduais Alencar Magalhães da Silveira Junior (PDT), com um registro de pagamento de 10 mil reais, e Ermínio Batista Filho (PSDB), com 25 mil reais. Melhor sorte parece ter tido o ex-deputado tucano Elmo Braz Soares, ex-presidente do Tribunal de Contas de Minas Gerais. Soares, também registrado nos depósitos da SMP&B, teve direito a uma bolada de 145 mil reais. As benesses do valerioduto mineiro alcançaram lideranças nacionais do tucanato. Um deles foi o ex-senador Arthur Virgílio Filho, do Amazonas. Pela lista de Marcos Valério, Virgílio recebeu 90,5 mil reais do esquema. Outro tucano, o ex-senador Antero Paes de Barros (MT), ex-presidente da CPI do Banestado, aparece como beneficiário de 70 mil reais. Também consta da lista o ex-senador Heráclito Fortes (DEM-PI), conhecido por ter liderado a bancada de Daniel Dantas no Senado. O parlamentar piauiense teria recebido 60 mil reais. O petista Delcidio Amaral (MS), ex-tucano e ex-presidente da CPI dos Correios, teria embolsado 50 mil reais.
As acusações também atingem o Judiciário mineiro. São citados quatro desembargadores no documento, todos como beneficiários do esquema. Corrêa de Marins (55 mil reais) foi corregedor regional eleitoral, vice-presidente do Tribunal Regional Eleitoral e presidente do Tribunal de Justiça. Faleceu em 2009. Rubens Xavier Ferreira (55 mil reais) presidiu o TJ-MG entre 1998 e 2000. Ângela Catão (20 mil reais) era juíza em 1998 e foi investigada por crimes de corrupção e formação de quadrilha pela Operação Pasárgada, da PF. Apesar disso, foi promovida a desembargadora do Tribunal Regional Federal de Brasília em 2009. A magistrada é acusada de ter participado de desvios de recursos de prefeituras de Minas e do Rio de Janeiro. Também juíza à época da confecção da lista, Maria das Graças Albergaria Costa (20 mil reais) foi do TRE de Minas e atualmente é desembargadora do TJ-MG. Dos tribunais superiores, além de Mendes consta o ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Nilson Naves (58,5 mil reais).
Um dado a ser considerado é o fato de que, em janeiro de 2009, Gilmar Mendes ter concedido o habeas corpus que libertou Souza da cadeia. Também foi libertado, no mesmo ato, Rogério Lanza Tolentino, que aparece na lista do valerioduto como beneficiário de 250,8 mil reais “via Clésio Andrade/ Eduardo Azeredo”. O ministro do Supremo entendeu que o decreto de prisão preventiva da dupla não apresentava “fundamentação suficiente”.
Chamam a atenção alguns repasses a meios de comunicação. Entre os beneficiários da mídia aparecem a Editora Abril, destinatária de 49,3 mil reais “via Clésio Andrade/Usiminas/Mares Guia”, e Grupo Abril, com o mesmo valor, mas sem a intermediação da Usiminas. Há ainda um registro de 300 mil reais para a Bloch Editora, assim como um de 5 mil reais para o Correio Braziliense. O principal jornal de Brasília não é o único beneficiário do grupo Diários Associados. O jornal Estado de Minas recebeu 7 mil reais, assim como o jornal mineiro O Tempo (76 mil reais), de propriedade do ex-deputado tucano Vittorio Medioli que, como pessoa física, segundo a lista, recebeu 370 mil reais.
As novas informações encaminhadas à Polícia Federal, acredita Miraglia, não só poderão levar à reabertura do caso da morte da modelo como podem ampliar a denúncia do valerioduto tucano. O grupo sem foro privilegiado, sobretudo os intermediários do esquema, ficam mais vulneráveis a condenações na Justiça comum, como é o caso de Mourão e de sua assistente, Denise Pereira Landim, beneficiária de 527,5 mil reais, segundo o documento.
Nos bons tempos, os dois se divertiam alegremente em passeios de iate ao lado de Cleitom Melo de Almeida, dono da gráfica Graffar, fornecedora de notas frias do esquema. Almeida aparece como beneficiário de 50 mil reais. A Graffar, de 1,6 milhão de reais.
Confira abaixo a íntegra dos arquivos (em PDF):
Parte 1
Parte 2
Parte 3
Parte 4
Parte 5
Documentos de pagamento:
Parte 1
Parte 2
No Castorphoto
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O lado perverso do Google

Existem dois Googles.
Um você conhece. É a companhia inovadora que você usa o tempo todo para fazer pesquisas. Frequentemente o Google aparece no topo das listas das melhores empresas para trabalhar pelos extraordinários benefícios que concede a seus funcionários. Estes se orgulham de pertencer ao Google.
O segundo Google é bem menos bonito. É uma corporação que faz todas as manobras possíveis – dentro daquela fronteira tênue entre a legalidade e a imoralidade – para não pagar impostos. Recentemente, a mídia australiana registrou a indignação de autoridades locais ao verificar que, para um faturamento de 1 bilhão de dólares no país, o Google pagara cerca de 75 000 dólares de impostos.
Vamos entender.
É com o dinheiro dos impostos que são construídos hospitais, estradas, escolas etc etc. Ninguém gosta de pagar imposto, mas quando a compulsão de evitá-los se alastra pela sociedade e alcança as corporações o resultado – como prova a Grécia – é a bancarrota do país.
O Google – e muitas outras multinacionais americanas – faz uma manobra chamada “Duplo Irlandês e Sanduíche Holandês”. Basicamente, para reduzir ao mínimo o valor a pagar, o Google se utiliza de duas subsidiárias na Irlanda – daí o “Duplo Irlandês” – e uma outra subsidiária na Holanda. O “Sanduíche Holandês” se explica no fato de o dinheiro — dentro do esquema perfeito montado para tornar esquálido o imposto — sair de uma subsidiária irlandesa, passar pela Holanda e depois voltar à Irlanda, agora registrado na outra subsidiária. A viagem contábil termina nas Bermudas, onde a taxa é zero. (Aqui, você pode ver um gráfico razoavelmente compreensível do NT Times.)
Se eu fosse editor de alguma publicação brasileira, pediria a um repórter que investigasse quanto o Google fatura no Brasil e qual o imposto que paga. Provavelmente os brasileiros tomariam conhecimento do “Duplo Irlandês” e do “Sanduíche Holandês”.
O primeiro Google é lindo.
O segundo, horrível.
Paulo Nogueira
No Diário do Centro do Mundo
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Novas pistas ligam modelo morta ao esquema do mensalão tucano

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Serra e a democracia de duas orelhas

A verdade, diz um provérbio berbere, é como o camelo: tem duas orelhas. Você pode agarrá-la como lhe for mais conveniente, pela direita ou pela esquerda. Essa parece ser a postura do candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, que prefere a direita. Para quem conheceu o jovem Serra de há quase 50 anos, é um desconsolo descobrir o que o tempo faz aos homens. Não só, como no poema de Drummond, ao abater com sua mão pesada, cobra os anos com “rugas, dentes, calva”, mas também costuma sulcar erosões nas idéias.
José Serra quer calar os blogueiros sujos, e usou o seu partido para isso. Dois nomes são mencionados, Paulo Henrique Amorim e Luis Nassif. Não preciso expressar a minha solidariedade aos atingidos. O que está em questão – e os dois estarão de acordo com o raciocínio – é muito maior do que eles mesmos e todos os outros franco-atiradores da internet. O problema real são os limites que querem impor à democracia.
Ao que parece, há uma liberdade de imprensa para uns, e outra, para os demais. Os grandes veículos de comunicação combatem o governo e recebem dele vultosas verbas de publicidade, como é do conhecimento geral. Alguns poucos blogs, por convicção, defendem o governo federal, mas, conforme o PSDB, estão impedidos de receber verbas publicitárias das empresas estatais.
Nenhum jornalista brasileiro pode se dar o luxo de não contar, em sua remuneração, qualquer que ela seja, com parcelas, ainda que pequenas, de dinheiro público. O poder público é a base de toda a economia nacional. Ele contrata as empreiteiras, compra das grandes empresas industriais, além de subsidiá-las com incentivos fiscais, financia as atividades agropecuárias, paga pelos serviços, participa do custeio das grandes organizações patronais, entre elas a Fiesp, para ficar apenas em São Paulo. Assim, indiretamente, participa de todos os gastos com publicidade.
E mais, ainda: quem paga tudo, afinal, é a sociedade e, nela, os que realmente produzem, ou, seja, os trabalhadores. E são os trabalhadores, com parcela de seu suor, que mantêm o enganoso Fundo de Amparo ao Trabalhador que, administrado pelo Estado, por intermédio do BNDES, financiou as privatizações e continua a financiar empresas estrangeiras, como é o caso notório das companhias telefônicas, a começar pela controlada pelos espanhóis. Em suma, o trabalhador paga pela corda que o sufoca.
Serra, e os que pensam como ele, tentam, como Josué em Jericó, segurar o Sol com as mãos, ou, melhor, impedir que a Terra continue rodando em torno de seu eixo e em torno da nossa estrela. A internet é indomável. E, apesar de suas terríveis distorções, como veículo que serve à difamação, à calúnia, à contrainformação, a difusão de atos de insânia – ampliando o que a televisão vinha fazendo – não há, no horizonte das ideias plausíveis, como amordaçar os bytes, imobilizar os elétrons, apagar as telas. Tudo isso poderá ocorrer com uma tempestade solar, mas nunca pela ação dos estados – a menos que, como tantos sonham, um governo fascista mundial destrua o sistema.
O candidato José Serra e seus correligionários se encontram alheios ao mundo que os cerca. Estão como um francês distraído que, em 10 de agosto de 1792, em um dos muitos cafés do Jardim das Tuileries, tomava placidamente uma baravoise – para os curiosos, mistura de café, conhaque e uma gema de ovo, segundo a receita do libertino Casanova. Enquanto isso, a multidão invadiu o Palácio Real – de onde, por pouco, escaparam Luis XVI e Maria Antonieta – e o saqueou. O desconhecido continuou a beber. Todos os que o cercavam fugiram esbaforidos. Na defesa do palácio, morreram seiscentos guardas suíços. O francês distraído estava alheio a tudo, em sua manhã de agosto. Cinco meses depois, o rei e a rainha encontrariam a lâmina da guilhotina.
José Serra e os seus estão pensando em seu outubro, embora estejamos, no mundo inteiro, em tempos semelhantes aos do francês sans souci. Como sempre, o que está em jogo é a mesma reivindicação dos sans culotte: igualdade, liberdade, fraternidade – ou, seja, a democracia real.
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São Paulo proibida

Tudo começou em 2007, quando o então ex-vice-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab decidiu que a cidade estava feia demais com todos aqueles outdoors espalhados por aí sem ordem ou licença de funcionamento e que essa bagunça tinha que acabar (como se a culpa pela fiscalização porca não fosse jurisdição dele). Aquilo tudo gerou muito burburinho mas no final ele extinguiu os outdoors de São Paulo. E daí se quase 20 mil pessoas perderam o emprego do dia pra noite, se agora eu consigo ver o Rio Pinheiros da janela do meu quarto… Mas o que devia ser o fim da polêmica, parece que foi o impulso que o Kassab precisava pra ampliar sua onda de proibições.
Proibido fumar, proibido fazer barulho. Muitos dirão que essas leis são boas pra população (e algumas são mesmo), mas todas elas fazem parte de um plano maior. O governo de Kassab (que tem aliança com o partido de Serra e Alckmin) foi marcado pela onda de proibições. Proibido fazer doação para coleta seletiva, proibição dos sopões de rua e dos saraus na periferia (!!!) são alguns dos absurdos que surgiram no governo do nosso querido Gilbertinho. Sem falar no episódio lamentável das sacolinhas plásticas…
E como se não bastasse todas essas limitações (algumas não justificadas), agora um projeto de lei que está sendo discutido pretende proibir a venda E consumo de bebidas alcóolicas em lugares públicos de São Paulo! O QUE!? Quer dizer então que eu não vou poder mais tomar uma cerveja na rua/praça/posto de gasolina? Essa não, aí já é demais…
Campos Machado, o (ir)responsável
O infeliz que propôs esse absurdo é o deputado Campos Machado (PTB), e eu nem sei por que ele acha que isso é bom. E nem quero saber, na real, eu já achava que essa onda proibitiva tinha ido longe demais antes de eles quererem tirar de mim a minha cerveja. A questão é que a lei ta sendo discutida em âmbito estadual, ou seja, se ela for aprovada, nem na praia vai poder rolar aquele cooler com cerveja nem as caipirinhas de quiosque. VAI TÁ TUDO PROIBIDO MERMÃO!
Parece um absurdo, né? Mas não vai faltar gente grande pra apoiar uma vez que a lei é bem específica e limita os locais de consumo a casas e bares. Com isso eles conseguem apoio de grandes estabelecimentos e de associações como a Federação de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de São Paulo. E quem se ferra são os pequenos, como fez questão de nos esclarecer o empresário Percival Maricato, diretor jurídico da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel):
A lei ajuda os proprietários de bares que pagam aluguel pesado e precisam concorrer com pessoas que vendem nas portas de garagens
Tá, e quem vai ajudar aquela senhorinha que vive de vender cerveja na porta da garagem dela?
Se aprovada na Assembleia Legislativa de SP, a proposta vai precisar apenas da assinatura de Alckmin para entrar em vigor. E tudo indica que ele não relutará em sancionar, uma vez que a população de São Paulo já foi muito bem treinada a aceitar uma proibição nova. Por que se alimentar gente que passa fome e ajudar a fazer reciclagem são crimes hoje em dia, imagina beber na rua então?
Que Al Capone nos proteja. 
No Scrotos
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Vice de Serra é processado por desvio de dinheiro público para uma fundação do dono da Veja

O ex-secretário municipal de Educação, Alexandre Schneider (PSD), escolhido como candidato a vice na chapa do tucano José Serra, que disputa a prefeitura de São Paulo, é acusado de desvio de dinheiro público da prefeitura e do governo do Estado para favorecer a Fundação Victor Civita – ONG ligada ao grupo Abril, proprietário da revista Veja.
O processo tramita na 12ª Vara da Fazenda Pública.
A promotoria acusa Schneider de compadrio político, violando o princípio da impessoalidade, por contratar a fundação para prestação de serviço no chamado “Projeto de Formação Continuada para Diretores e Supervisores”, durante o período em que foi secretário de Educação na administração do atual prefeito Gilberto Kassab.
De acordo com matéria da Rede Brasil Atual, o Ministério Público pede a devolução aos cofres da prefeitura o valor de R$ 611.232,00, além de outras punições cabíveis. Segundo a denúncia oferecida pelos promotores, a escolha da ONG ligada à “Veja” foi feita “a dedo” e ilegalmente, dispensando a necessária licitação, já que havia muitas outras instituições qualificadas a prestar o serviço.
Como agravante, o serviço foi prestado de forma terceirizada pelo Instituto Protagonistés, presidido pela tucana Rose Neubauer, que foi secretária de Educação no governo Mário Covas e amiga de Schneider. Além disso, as cartilhas do projeto foram impressas na gráfica da Imprensa Oficial do Estado, mas a ONG dos Civita não pagou a totalidade das despesas e arcou apenas com os custos da matéria prima utilizada.
No Hora do Povo
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Charge online - Bessinha - # 1368

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Avaaz censura petição

 Divulguem 

Alegando violação de seus "Padrões de Conteúdo", o Avaaz.org - na maior cara-de-pau - retirou de seu site a Petição pelo impeachment de Gilmar Mendes do STF.
Veja aqui a informação dada pelo site:
Olá

Nós estamos lhe escrevendo para lhe informar que sua petição foi retirada do site: "Impeachment" do ministro Gilmar Mendes do STF
Toda petição no site Petições da Comunidade da Avaaz precisa aderir ao
Acordo da Comunidade.

Apenas o conteúdo que estiver de acordo com esses termos de uso será hospedado nesta plataforma, fundada e alimentada pela comunidade da Avaaz. Aqueles que violarem este Acordo serão removidos.

Para responder a remoção da sua petição, ecaminhe (sic) este email para moderator@avaaz.org juntamente com sua explicação.

Obrigado por usar o site.

Saudações,
A equipe do site Petições da Comunidade da Avaaz
Será que aqui tem o dedo de Gilmar?
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Desatemos o nó

Wálter Fanganiello Maierovitch critica a ministra Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça, por ter dito que com o processo do chamado “mensalão” a Nação julgará o próprio Supremo. Segundo o nosso colunista, quem será julgado é o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que denunciou os acusados de participar do esquema criminoso. Procedente ou não a denúncia? Eis a questão.
O fato de que Gurgel mereça a precedência no julgamento da opinião pública não invalida a ideia da senhora Calmon, na qual sinto a constatação em lugar da pressão. Não é que o STF faça jus à confiança coral do povo brasileiro. Nem sempre foi impecável na atuação, pelo contrário. Sem contar os passos em falso dados por este ou aquele ministro. Primeiro entre eles, dentro das composições mais recentes, Gilmar Mendes.
Ayres Britto. Confiamos na batuta do maestro.
Foto:Carlos Humberto/SCO/STF
Autoritário até a truculência, Mendes é aquele que chamou às falas o presidente Lula. E denunciou ser vítima do grampo, executado pelos agentes da Abin, de suas conversas com o amigão Demóstenes Torres, escuta que nunca houve e, mesmo assim, resultou no desterro para Portugal do chefe da agência, o honrado delegado Paulo Lacerda, melhor diretor da Polícia Federal das últimas décadas.
Mendes é sócio de um instituto de ensino, a contrariar a Lei Orgânica da Magistratura, que exige dedicação exclusiva, e não hesitou em convocar, na qualidade de professores, colegas do Supremo. Por exemplo, Eros Grau quando ministro. Tertúlias de felizes e pontuais consumidores de pizza, convictos de sua impunidade. Mendes é também acusador de Lula ex-presidente, apontado, um mês depois dos eventos alegados, como autor de pressões para influenciar seu voto no processo do “mensalão”. Foi desmentido inexoravelmente pelo próprio ex-ministro Nelson Jobim, anfitrião do encontro com Lula.
Na reportagem de capa desta edição, Mendes volta à ribalta, e por causa de circunstâncias destinadas a esclarecer de forma decisiva as razões do seu voto contrário ao envolvimento do ex-governador Eduardo Azeredo no “mensalão” das Alterosas. A suspeição de Mendes no processo que se inicia é muito mais que evidente. Talvez não seja o único ministro que a justifica. Veremos o que veremos. De saída, CartaCapital declara confiar na batuta do presidente do STF, Ayres Britto, figura de todo respeito.
Que o nó seja desatado, e não pela espada de Alexandre, o macedônio, é da conveniência da Nação em peso, inescapável juiz dos comportamentos do Supremo diante de uma questão tão crucial na perspectiva do futuro do País, emergente superdotado e até hoje cerceado pelos herdeiros da casa-grande, elite (elite?) prepotente e hipócrita, feroz e covarde. Não é por acaso que o Brasil contou com torturadores eméritos, capatazes e jagunços imbatíveis nos seus misteres. E até hoje é incapaz de negar, pela força da Justiça, a validade de uma lei da anistia imposta pela ditadura civil-militar.
CartaCapital sempre entendeu que o “mensalão”, com o significado de mesada do suborno, nunca foi provado, embora houvesse evidências de outros crimes, igualmente graves. Espera agora por um julgamento digno da Suprema Corte de um país democrático e civilizado, sem excluir de pronto possibilidade alguma.
De sorte a cumprirmos dignamente o compromisso com o jornalismo honesto, ancorado na verdade dos fatos, a partir desta edição passamos a publicar a contribuição de um grupo de professores de Direito da PUC de São Paulo, análise estritamente técnica das condições iniciais e dos desenvolvimentos do processo. Trata-se de um trabalho que alia profundidade à isenção, e que prosseguirá ao longo de toda a demanda. CartaCapital faz questão de diferenciar-se de quem se antecipa à sentença final na impafiosa certeza de ter já identificado executores e mandantes. Esperamos, apenas, que se faça justiça, a bem do Brasil.
Mino Carta
No CartaCapital
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Gilmar, juiz? Não! Ele é réu!

Gilmar Mendes, Ministro do Supremo, recebeu R$ 185 mil deste Mega-Caixa Dois.
Os repórteres Mauricio Dias e Leandro Fortes, na Carta Capital desta semana, publicam a contabilidade do maior de todos os mensalões.
Trata-se da contabilidade de Marcos Valério para a reeleição de Eduardo Brandão de Azeredo a governador de Minas, e de Fernando Henrique Cardoso para Presidente, em 1998.
São “demonstrações de recursos arrecadados com as fontes e os recebedores”.
São 26 páginas.
Dez se referem a doadores.
Entre os ilustres doadores, o insigne Banco Opportunity, do banqueiro que mereceu dois HCs Canguru.
Dezesseis páginas se referem a recebedores.
Uma Mega-Caixa Dois que movimentou a bagatela de R$ 104 milhões.
Viva o Brasil!
Viva a UDN!
Viva o PiG!
Viva o Merval!
Gilmar Mendes, Ministro do Supremo, aquele que foi chantageado e não denunciou o chantageador; aquele que, segundo o Demóstenes ao Cachoeira, “mandou subir”, este Catão de Diamantino, recebeu, então, R$ 185 mil.
Nessa época, ele já trabalhava para o Presidente Fernando Henrique, e cuidava de instalar, em Brasília, seu Instituto de Ensino da Constituição por SMS.
R$ 185 mil!
Será que vieram do Banco Opportunity?
Estão entre os recebedores: Paulo Henrique Cardoso e o pai, Fernando Henrique Cardoso, que, depois de expressa recomendação de Azeredo e de Pimenta da Veiga, são agraciados com a ninharia de R$ 573 mil.
Recebem tambem outros heróis do PiG, como Tasso Jereissati, Ronaldo Cesar Coelho e o indefectível Heráclito Fortes.
Há um ilustre petista, Senador Delcídio Amaral, que quase sepultou a CPI dos Correios antes de indiciar Daniel Dantas.
E se isso tudo for uma fraude?
Como, por muito tempo, os tucanos disseram que era a Lista de Furnas.
Bem, Mauricio Dias e Leandro Fortes são macacos velhos.
Os documentos datam de 28/03/1999.
São assinados por Marcos Valério com firma reconhecida.
Os documentos têm uma cópia adicional, assinada por Valério e Cláudio Mourão, para dar autenticidade à contabilidade.
Além disso, Dias e Leandro mostram DOCs cujos valores coincidem com os mencionados nas operações para os beneficiários.
Há algumas surpresas no Mega Mensalão tucano.
André Lara Resende e Luiz Carlos Mendonça de Barros, os cérebros da Privataria, recebem insignificantes R$ 1 mil, cada.
Consta da lista, como quem recebeu R$ 1 milhão e 825 mil, a modelo Cristiana Aparecida Ferreira, assassinada.
O ex-Supremo Presidente Supremo do Supremo, Gilmar Dantas processa este ansioso blogueiro porque, ao noticiar os dois HCs Canguru, disse que aquilo equivalia a transformar o Supremo num balcão de negócios.
Quem defende o ex-Supremo nessa nobre açao é o notável jurisconsulto Sepúlveda Pertence.
Paulo Henrique Amorim
No Conversa Afiada
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Danilo de Castro, da Gtech à Intralot

Em coluna de antes de ontem mostrei as graves ligações entre sistemas de jogo online e corrupção política (clique aqui).
Em 1993, o então presidente da Caixa Econômica Federal, Danilo de Castro, abriu as portas para a Gtech entrar na empresa e, depois, prestar serviços para todo o governo. Danilo é pai do deputado Rodrigo de Castro, que - a mando de José Serra - assina a representação do partido junto à Procuradoria Geral Eleitoral contra os blogs.
Para se ter uma pálida ideia sobre o nível das pessoas que se tornaram porta-vozes do PSDB.
O contrato com a Caixa possibilitou à Gtech implementar uma enorme série de serviços para o governo, através dos canais lotéricos. Seus sistemas controlavam a Bolsa-Escola, Bolsa Alimentação, Bolsa Gás, pagamento de aposentadorias, de benefícios do INSS, de seguro desemprego, de FGTS, de PIS, declaração de isentos de IR e carregamento de cartões inteligentes de transporte público da SPTrans. Ao todo, mais de 60 milhões de atendimentos/ano., em mais de 3.700 municípios através de 9 mil agências lotéricas. O Tribunal de Contas da União, o Ministério Público Federal e sindicâncias internas da prória CEF consideraram o contrato irregular.
Em entrevista à revista Consultor Jurídico, o procurador federal Luiz Francisco lembrou que a Bolsa-Escola, organizada pelo Ministério da Saúde, destinava-se a ser o carro-chefe da campanha de Serra à presidência, em 2002. "Quem passou a gerir todo esse sistema de assistência social do governo foi a Gtech, no governo Fernando Henrique."
Foi um relacionamento promíscuo, que se estendeu pelas administrações seguintes, de Sérgio Cutollo e Emilio Carrazai e terminou com a mudança de governo e com o estouro do escândalo Waldomiro Diniz - em um confronto com as Organizações Cachoeira, apoiadas pela revista Veja.
Quando terminou a CPI do Bingo, Danilo de Castro foi indiciado, podendo responder por crime de corrupção, formação de quadrilha, improbidade administrativa e prevaricação (clique aqui).
Desde aquela época, Danilo de Castro tornou-se figura chave nos esquemas de financiamento de campanha. Esteve envolvido na famosa Lista de Furnas. Aparece em conversas de Cachoeira e Demóstenes, intermediando a indicação de uma parente do bicheiro para um emprego público.
Na condição de Secretário de Governo de Minas, em 2010 Danilo bateu martelo em uma licitação para a implantação de jogos eletrônicos no estado, vencido pela multinacional grega Intralot.
A empresa está ligada ao escândalo das loterias italianas. No inquérito aberto em Nápoles foram presos pessoas com ligações com a Camorra e diretores da empresa (clique aqui e clique aqui). A empresa alega que foram fraudes individuais, das quais não teve participação.
Também está ligada a escândalos na loteria grega. O proprietário da empresa está respondendo a inquérito na Grécia (clique aqui).
A Intralot também está operando a Loteria do Rio de Janeiro.
Luis Nassif
No Advivo
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Orgulho gaúcho, só que ao contrário

Semana passada, em pleno tiroteio e massacre numa sala de cinema nos Estados Unidos, um veículo da imprensa aí do nosso estimado Rio Grande, que não terá o nome citado nessa coluna, criou uma matéria que repercutiu, e muito, no mundo vasto mundo acima do Mampituba, onde, por causas que não cabem aqui elaborar, eu vivo.
Na matéria, estimados leitores, é entrevistado um sujeito que estava em uma sessão de cinema vendo o mesmo filme do Batman que assistiam as vítimas de mais um terrorista sem causa americano. Isso, todos concordam, até poderia ser assunto, se o entrevistado não tivesse assistido ao filme em uma sala no Michigan, estado do Centro-Oeste americano, a 1200 quilômetros do lugar da chacina, que aconteceu no Colorado.
Mas, claro que em se tratando do tal veículo da grande imprensa aí do RS, o que justificava a entrevista, não era o fato de o tal sujeito estar praticamente em outra galáxia, ou ter visto o mesmo filme. O que tornava tão natural a presença desse sujeito na matéria era o fato de ele, não mais, não menos, ser gaúcho.
Um gaúcho a 1200 quilômetros de distância de um evento é referência para o que quer que aconteça. – muito mais do que um guatemalteco, americano ou mexicano sentado a dez metros do atirador maluco, claro. O que dá ao observador o direito de ser entrevistado, para o que quer que seja, é a nacionalidade rio-grandense da opinião que ele possa ter sobre qualquer coisa.
A matéria foi ao ar e em segundos se tornou motivo de galhofa, em nível nacional. O que todos passaram a dizer, dizendo ou não, foi: esses gaúchos não percebem o ridículo do que cometem.
Errado. Muitos percebem, e muito. Mas o tal veículo da grande imprensa não está dando a mínima para o que eu, você, o senhor aqui ao lado pensemos sobre o assunto. E a pergunta é: para quem eles dão a mínima? A quem eles atendem, a quem satisfazem com essa gauchocentrismo constrangedor para quem seja dotado de algum bom senso e um mínimo de distanciamento crítico?
O público leitor no RS é assim? É isso que ele deseja? É isso que interessa? No meio de uma tragédia de proporções bíblicas, no Japão, no Chile, na China ou Estados Unidos, o que ele busca é ver se existe alguma camisa do Grêmio ou do Inter entre as vítimas?
No evento anterior a esse, o naufrágio do Costa Concórdia, eu acredito que a manchete foi “Drama Gaúcho”. O mundo afunda, o drama, para ser drama, tem ter gaúcho no meio.
Quem naufraga nessas horas é a nossa imagem, a nossa reputação diante de desconhecidos, o que quer que a gente seja de fato, diante dessa visão absolutamente distorcida do que seja ou não importante no mundo.
A pergunta é: o tal veículo apenas abastece com drogas um mercado disposto a consumi-las, ou fideliza um mercado, alimentando continuamente a um ego social ávido por compensações para o que talvez sinta seja a sua realidade real? Sabedores de que não estamos com essa bola toda, nos dispomos a ser enganados em troca da compensação emocional que esse engano nos oferece? Gratos a quem nos alimenta com essas ilusões, nos dispomos a fazer dessa empresa o banco de nossos sonhos frustrados e emoções incumpríveis?
Eu simplesmente fico estarrecido e não sei o que dizer. O nosso chauvinismo já é bastante embaraçoso quando produzido e consumido aí mesmo. Quando ele passa fronteiras, só mesmo o Bairrista para transformar em limonada esse limão azedo.
A sensação que tenho é a de que seria importante, essencial, se iniciar uma boa conversa nesse momento de inverno, em que o povo deve estar reunido em torno de fontes de calor. Acho que seria ótimo fazermos uma grande análise coletiva já. Seria ótimo a gente parar para pensar melhor e listar algumas coisas que possam dar suporte para essa impressão que o RS adora ter de si mesmo. Quais foram as nossas realizações nos últimos 30 anos que justifiquem um espaço no imaginário nacional brasileiro? O que efetivamente fizemos e fazemos que justifique um orgulho do tamanho do que é expresso em pensamentos, palavras e, infelizmente, matérias na imprensa?
Após essa contabilidade essencial, talvez a gente descubra que temos mesmo fundos em caixa. Talvez a gente se dê conta, não sei, de que estamos mais para bancos gregos ou espanhóis, nos recusando a ver o tamanho do rombo.
O que é real eu não sei, e suspeito que ninguém saiba. Mais um motivo para que esse debate comece já, quem sabe aqui mesmo.
Cartas, como sempre, para essa caixa postal.
Marcelo Carneiro da Cunha
No Sul21
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Charge online - Bessinha - # 1367

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