26 de jul de 2012

O câncer de Chávez e os diagnósticos de Merval

Circula no Twitter o vídeo de um comício de Hugo Chávez esta semana, em Caracas. Semana que vem, ele estará no Brasil.
Reparem na figura de Chávez. Depois, confiram os diagnósticos que Merval Pereira espalhou pelo mundo:

Os diagnósticos de Merval

"Quadro grave", de 16 de fevereiro de 2012:

Os últimos exames, analisados por médicos brasileiros, indicam que o câncer está em processo de metástase, se alastrando em direção ao fígado, deixando pouca margem a uma recuperação.
Como a eleição presidencial se realiza dentro de 8 meses, a 7 de outubro, dificilmente o presidente venezuelano estaria em condições de fazer uma campanha eleitoral que exigirá muito esforço físico, pois a oposição já tem em Henrique Capriles um candidato de união.

"Os verdadeiros mentirosos", artigo de 22 de fevereiro de 2012:

A notícia de que o estado de saúde de Chavez havia piorado foi negada pelo governo de maneira peremptória, e o Ministro da (des) Informação, Andrés Izarra, disse que ela fazia parte de uma "guerra suja da escória".
O líder governista no Congresso, Diosdado Cabello, chegou a afirmar que Chávez estava saudável, dizendo também pelo twitter que "Bocaranda está doente na alma".
Da mesma maneira, depois que na quinta-feira publiquei no meu blog (Blog do Merval.com.br) que o quadro de saúde de Chavez havia piorado, com informações de médicos brasileiros que haviam analisado exames do presidente da Venezuela indicando a possibilidade de metástase em direção ao fígado, Maximilien Arvelaiz, pomposamente intitulado "embaixador da República Bolivariana da Venezuela no Brasil", enviou carta ao GLOBO afirmando que "o tratamento contra um câncer, pelo qual o presidente Hugo Chávez foi submetido em 2011, foi exitoso, estando o presidente gozando de boa saúde".

"A saúde de Chavez", de 23 de fevereiro de 2012

Tenho cometido um erro dizendo em diversos comentários e notas que o câncer de Chávez pode estar localizado no "colo do reto". Na verdade, trata-se de um câncer "colorretal" que abrange tumores em todo o cólon, reto, e apêndice.

"O novo câncer de Chávez", de 4 de março de 2012

O jornalista venezuelano Nelson Bocaranda e o médico venezuelano residente na Flórida, José Rafael Marquina, que vêm informando com antecedência sobre o estado de saúde do presidente Hugo Chavez, usaram o twitter para comentar as últimas notícias sobre o novo câncer de Chavez. Bocaranda confirma que o exame dos materiais retirados para a biópsia foi feito no Brasil e nos Estados Unidos, e Marquina diz que embora não se refiram a metastáse, anunciar uma "radioterapia profilática" é uma maneira indireta de confirmar.

"Chavez no Brasil?", de 5 de abril de 2012

O Presidente venezuelano Hugo Chavez pode anunciar a qualquer momento uma viagem ao Brasil para se internar no Hospital Sírio-Libanês em São Paulo. Ele teve um choque com o tratamento de radioterapia a que está se submetendo em Cuba, e há especulações de que sofreu problemas intestinais que poderiam ser originários da metástase. (...) Pessoas próximas a Chavez temem que seja muito tarde para um novo tratamento aqui no Brasil, que poderia ter começado há muito tempo com a oferta feita pelo ex-presidente Lula e pela presidente Dilma. Chavez se negou a aceitar normas de transparência de informações do Hospital Sírio-Libanês e fez exigências consideradas inaceitáveis, como fechar andares do hospital e revistar todas os visitantes enquanto estivesse internado.
Luis Nassif
No Advivo
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Viva o 26 de Julho

26 DE JULHO – DIA DA REBELDIA CUBANA
EU TINHA 12 ANOS QUANDO HOUVE O ASSALTO A MONCADA
Eu tinha doze anos quando do assalto ao Moncada, dezesseis no desembarque do Granma, dezoito quando os guerrilheiros entraram, vitoriosos, em Havana. Os homens da minha geração tivemos a sorte de coincidir, no tempo, com a Revolução Cubana. Que desde o começo se misturou na vida e entrou na alma. Junto a muitos milhões de homens, celebro esta revolução como se fosse minha.
Ela me transmitiu forças quando me sentia cair. Me contagiava energia dia após dia, ano após ano, ao longo do processo que a colocou a salvo da derrota ou da traição. Cuba quebrou em pedaços a estrutura da injustiça e confirmou que a exploração de umas classes sociais por outras e de uns países por outros não é o resultado de uma tendência "natural" da condição humana, nem está implícita na harmonia do universo. Muitos muros se levantaram diante deste vento de boa fúria popular.
A colônia se fez pátria e os trabalhadores, donos do seu destino. A mulher deixou de ser uma passiva cidadã de segunda classe. Se acabou o desenvolvimento desigual que em toda a América Latina castiga o campo ao mesmo tempo que incha umas poucas cidades babilônicas e parasitárias. Não se vê mais a fronteira que separa o trabalho intelectual do trabalho manual, resultado das tradicionais mutilações que nos reduzem a uma única dimensão e nos fraturam a consciência.
Não foi nada fácil esta proeza nem foi linear o caminho. Quando verdadeiras, as revoluções ocorrem nas condições possíveis. Em um mundo que não admite arcas de Noé, Cuba criou uma sociedade solidária a um passo do centro do sistema inimigo. Em todo esse tempo tenho amado muito esta Revolução. E não somente em seus acertos, o que seria fácil, senão também em seus tropeços e em suas contradições.
Também em seus erros me reconheço: este processo tem sido realizado por pessoas simples, gente de carne e osso, e não por heróis de bronze nem máquinas infalíveis. A Revolução Cubana tem me proporcionado uma incessante fonte de esperança. Aí estão, mais poderosas que qualquer dúvida ou conserto, essas novas gerações educadas para a participação e não para o egoísmo, para a criação e não para o consumo, para a solidariedade e não para a competição. E aí está, mais forte que qualquer desânimo, a prova viva de que a luta pela dignidade do homem não é uma paixão inútil e a demonstração, palpável e cotidiana de que o mundo novo pode ser construído na realidade e não só na imaginação dos profetas. 
Eduardo Galeano
No Solidários
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Lei sancionada pela presidente Dilma Rousseff aumenta proteção a juízes

Em resposta às ameaças que juízes e integrantes do Ministério Público vêm sofrendo, foi publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira (25), a Lei 12.694, que trata de medidas protetivas para as categorias. Entre as novidades da legislação está a possibilidade de convocar um colegiado para tomar decisões relativas a organizações criminosas, a permissão para trocar placas de automóveis utilizados e a para segurança própria armada. As regras passam a valer em 90 dias.
Para o presidente em exercício da Associação Brasileira dos Magistrados (AMB), Raduan Miguel Filho, a lei atende em parte os anseios dos magistrados, mas ainda é necessário avançar mais. “Todos os magistrados já estavam esperando por medidas que dessem meios para uma efetivação maior da segurança. Agora, dizer que a lei soluciona todo o problema é utopia”, pondera. Segundo ele, mesmo com a mudança, ainda faltam mecanismos que possam garantir a proteção, não só dos magistrados, mas de todos os servidores do Poder Judiciário e familiares. Uma das inovações é a possibilidade de o juiz solicitar um colegiado de mais dois magistrados na hora de tomar uma decisão que possa arriscar sua vida. A medida foi usada, de forma excepcional, depois da morte da juíza Patrícia Acioli, no Rio de Janeiro, em 2011.
No Blog Dilma Rousseff
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Em Londres, Dilma fecha parceria para brasileiros estudarem em universidades britânicas

Ah é, é... que horror!
No segundo dia de viagem a Londres, no Reino Unido, a presidenta Dilma Rousseff se dedicará hoje (26) a promover o Brasil como destino turístico e fortalecer o Programa Ciência sem Fronteiras. Ela está em Londres para participar da abertura dos Jogos Olímpicos amanhã (27). A presidenta deve assinar o termo de compromisso entre o Brasil e Reino Unido para incluir universidades britânicas no programa.
Na Embaixada do Brasil em Londres, Dilma visita a exposição sobre ciência e tecnologia acompanhada pelo cientista e doutor em cosmologia Stephen Hawking. Ela também tem encontro com estudantes do Ciência sem Fronteiras. A intenção do governo é enviar 100 mil profissionais e pesquisadores em quatro anos para diversos países.
Por meio do programa, o governo pretende conceder 75 mil bolsas e espera que a iniciativa privada viabilize mais 25 mil. O programa inclui desde bolsas de graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorados em 18 áreas de tecnologia, engenharia, biomedicina e biodiversidade.
No final da tarde (horário de Londres), Dilma inaugura a Casa Brasil. No local, foi organizada uma exposição sobre ciência e tecnologia na área de esportes. A mostra foi montada para promover as Olimpíadas de 2016, com sede no Rio de Janeiro. O dia amanhã será dedicado à abertura dos Jogos Olímpicos, cujo tema é Live Is One (Viva como se fosse o único, em português).
Os organizadores dos Jogos informaram que, no total, são 29 modalidades e 26 esportes. A previsão é que cerca de 10,5 mil atletas de 192 países e 13 territórios participem. O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) reuniu uma equipe de 259 atletas – 136 homens e 123 mulheres que disputarão 32 modalidades olímpicas.
A presidenta fica em Londres até sábado (28) com pelo menos seis ministros. Na comitiva de Dilma estão os ministros Helena Chagas (Comunicação Social), Aldo Rebelo (Esportes), Antonio Patriota (Relações Exteriores), Gastão Vieira (Turismo), Aloizio Mercadante (Educação) e Marco Antonio Raupp (Ciência, Tecnologia e Inovação), além do presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS).
No Agência Brasil
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TRE-RS mantém direito de Luciana Genro realizar atos de campanha

"Ficou claro que a decisão da juíza era absolutamente ilegal",
afirmou a candidata | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
O pleno do TRE-RS decidiu no final da tarde desta quarta-feira (25) manter o direito de Luciana Genro (PSOL) realizar atos de campanha a vereadora de Porto Alegre. A decisão foi por unanimidade. No dia 12 de julho, a juíza Elisa Correa, da 161ª Zona Eleitoral, havia proibido Genro de participar de atos até que seja julgada a validade do registro de sua candidatura, atendendo a pedido do Ministério Público Eleitoral (MPE). A decisão foi suspensa no dia seguinte pela desembargadora do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS) Maria Lúcia Luz Leiria; suspensão mantida nesta quarta pelo pleno do Tribunal.
O argumento do advogado de defesa da psolista, Antonio Augusto Mayer dos Santos, e de todos os desembargadores, foi de que o direito de candidatos sub judice de concorrer era garantido pelo artigo 16-A da Lei 12.034. O artigo diz explicitamente que “o candidato cujo registro esteja sub judice poderá efetuar todos os atos relativos à campanha eleitoral”.
Tão logo os desembargadores proferiram seus votos, cerca de duas dezenas de militantes do PSOL aplaudiram a decisão, ainda que as argumentações jurídicas fossem de difícil compreensão. Luciana Genro afirmou que vai seguir a campanha “com muita força”, mas lembrou que agora precisa lutar para não ter a campanha impugnada. “Ficou claro que a decisão da juíza era absolutamente ilegal, contrariava o direito assegurado aos candidatos sub judice de realizar campanha. Vamos continuar trabalhando no campo jurídico para garantir a derrubada da impugnação, ir até o final na luta para que minha campanha seja validada”.

Procurador levanta possibilidade de que a campanha de Genro ainda pare

Apesar da decisão do TRE-RS, a manifestação do procurador eleitoral Fabio Alves deixou uma pulga atrás da orelha sobre a continuidade da campanha de Luciana Genro até o dia do pleito, e de outros candidatos sub judice, que tiverem decisões desfavoráveis em segunda instância. O próprio procurador defendeu que Genro pode seguir com a campanha, mas afirmou que o artigo 15 da Lei de Inelegibilidades, incluído em 2010 pela Lei da Ficha Limpa, estabelece que após decisão de inelegibilidade por órgão colegiado a campanha pode ficar proibida.
Assim, caso haja decisão pelo pleno do TRE-RS, que é um órgão colegiado, pela impugnação da candidatura de Luciana Genro, a campanha já estaria proibida, mesmo que ela ainda possa recorrer ao TSE e ao STF. Este é o entendimento do procurador Fabio Alves. O julgamento em 1º grau do pedido de impugnação da candidatura da psolista deve ocorrer até o dia 5 de agosto e, havendo recurso, o TRE-RS tem até o dia 23 do mesmo mês para decidir.
O advogado de defesa da candidata, Antonio Augusto Mayer dos Santos, acredita que o artigo 15 da Lei da Ficha Limpa não tem reflexo sobre a direito de realizar a campanha sub judice. Luciana Genro prefere não se ater a mais um possível percalço agora. “O importante é que a candidatura está na rua”.
Felipe Prestes
No Sul21
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Lula posará para fotos com 80 candidatos

Presença física do ex-presidente nas campanhas de Haddad (São Paulo), Humberto Costa (Recife), e Patrus Ananias (Belo Horizonte) dependerá de bateria de exames em agosto
Na próxima segunda-feira, dia 30, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai receber para sessões de fotos de campanha em um hotel de São Paulo cerca de 80 candidatos do PT e aliados que disputam prefeituras em cidades com mais de 150 mil eleitores. Será a primeira ação de grande alcance do ex-presidente nas eleições deste ano.
A presença física de Lula nas campanhas de Fernando Haddad, em São Paulo; Humberto Costa, no Recife, e Patrus Ananias, em Belo Horizonte, vai depender de uma bateria de exames marcada para os dias 6 e 7 de agosto no hospital Sírio-Libanês.
O ex-presidente ainda se recupera do tratamento contra o câncer na laringe. Segundo pessoas próximas, a radioterapia deixou sequelas na garganta de Lula. O inchaço da papada é evidente. Depois de 10 minutos de conversa, a voz do ex-presidente perde a força e o timbre.
O ex-presidente tem feito exercícios recomendados por uma fonoaudióloga a cada uma hora. Em julho, Lula passou alguns dias em repouso absoluto no interior de São Paulo a pedido dos médicos, que impuseram o descanso como condição para a participação física de Lula nas campanhas.
Nas sessões de fotos do dia 30, Lula permanecerá calado. As filmagens serão limitadas aos momentos em que o ex-presidente vai encontrar e cumprimentar cada candidato. A presença de marqueteiros foi proibida. Toda a produção, desde o cenário até figurino e fotógrafos, ficarão a cargo do PT.
Apesar do grande volume de candidatos atendidos (o número pode chegar a 85), as sessões da próxima segunda-feira estão longe de atender toda a demanda pela presença de Lula nas eleições. Só o PT contabilizou mais de 300 pedidos. Candidatos de outros partidos, alguns até de oposição, também solicitaram a participação do ex-presidente em suas campanhas. “Tem gente que encontrou o Lula em algum evento em 1983 e se sente no direito de pedir que ele o ajude na campanha”, disse um dirigente petista.
No iG
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Combate à miséria é tema de debate com ministra e especialistas no Instituto Lula

Walquíria Domingues Leão Rego, Tereza Campello, Lula e Marcelo Neri após o debate
Walquíria Domingues Leão Rego, Tereza Campello, Lula e Marcelo Neri após o debate
 Foto: Heinrich Aikawa/Instituto Lula
O Instituto Lula recebeu nesta quarta-feira (25) a visita da ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Tereza Campello, do economista Marcelo Neri e da socióloga da Unicamp Walquíria Domingues Leão Rego. Os três participaram de um debate sobre o combate à pobreza no Brasil, com o Plano Brasil Sem Miséria, incluindo o Bolsa Família e as recentes conquistas do Brasil Carinhoso, num encontro que contou com a presença do ex-presidente Lula, dos diretores do Instituto Clara Ant, Luiz Dulci e Paulo Okamotto e da coordenadora de comunicação Maria Inês Nassif. A ministra debateu com os acadêmicos os resultados, desdobramentos e novas possibilidades para os programas sociais no Brasil.
Permamentemente interesado em acompanhar os resultados quantitativos e qualitativos dos projetos de seu governo que continuam sendo aprimorados pela presidenta Dilma Rousseff, Lula comemorou especialmente os resultados da Ação Brasil Carinhoso, que tem como meta a superação da miséria em todas as famílias com crianças de 0 a 6 anos, justamente a faixa mais afetada pela extrema pobreza, além de ampliar acesso a creche, pré-escola e saúde. Segundo dados do MDS, o início do pagamento do benefício em junho de 2012 reduz imediatamente a miséria em 40% nessa faixa etária. “Com o Bolsa Família nós reduzimos muito o número de famílias pobres, mas descobrimos que existia um núcleo que ainda continuava sofrendo com a pobreza, que eram as crianças de zero a seis anos. Foi para isso que a presidenta Dilma criou o Brasil Carinhoso”, comemorou Lula.
Com o objetivo de retirar 2,7 milhões de crianças entre 0 a 6 anos da extrema pobreza, o Brasil Carinhoso assegura uma renda de pelo menos R$ 70 por pessoa a famílias extremamente pobres com crianças nessa faixa etária e está inserido no Plano Brasil Sem Miséria, que completou um ano no dia 2 de junho.

Vitórias que mudaram o país

“Tudo isso ainda é um início. Estamos longe de achar que as coisas estão boas. Mas as vitórias que conseguimos mudaram o país. O Bolsa Família foi uma forma de olhar para uma população até então invisível para o Estado”, disse a ministra Tereza Campello, que na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, participou da coordenação do grupo de trabalho que concebeu o Bolsa Família. Entre as estratégias para ampliar o número de famílias cadastradas, o MDS começou a fazer a busca ativa das famílias extremamente pobres excluídas do programa. Com isso, de junho de 2011 a março de 2012, 687 mil novas famílias foram incluídas no cadastro único e já estão recebendo o Bolsa Família. “A função é muito mais do que garantir renda, é uma plataforma diferente para olhar para essa população pobre”, completou. Além da garantia de renda, o Plano Brasil Sem Miséria trabalha também em outros eixos, com o objetivo de aumentar a produtividade das famílias pobres que vivem no campo, ampliar a qualificação profissional e melhorar o acesso aos serviços públicos, incluindo educação e saúde.
A professora Walquíria Domingues Leão Rego trouxe uma visão diferente à reunião. Durante cinco anos, ela fez uma extensa pesquisa entrevistando famílias beneficiadas pelo programa em áreas rurais de extrema pobreza. O trabalho deve virar um livro, em co-autoria com o filósofo italiano Alessandro Pinzani. Walquíria destaca que o fato de o benefício ser entregue em dinheiro, e não em cestas-básicas ou vale-compras foi fundamental para a valorização da autonomia e até mesmo da cidadania das mulheres que recebem o benefício. “Há uma ideia preconceituosa de que pobre não tem razão providencial. Ou seja, não sabe gastar e por isso outros devem decidir o que eles podem ou não comprar”. Ela estudou o impacto que o Bolsa Família causou não na renda, mas nos indivíduos que compõem a família. Para muitas das mulheres entrevistadas pela socióloga, esta foi a primeira experiência com dinheiro na vida. Elas passaram a aprender a lidar com o dinheiro e aprender a lidar com a liberdade de escolha, que era uma coisa nova. “O Bolsa Família é transformador justamente porque é dinheiro, e não cesta básica. Se fosse uma cesta básica, aí sim teríamos espaço para o assistencialismo, porque não seria possível desenvolver certas capacidades e competências que o dinheiro, em sua função comunicativa e simbólica, acaba estimulando”. Mas a socióloga lembrou também que a situação dos homens dessas famílias merece atenção. “Eles são pobres, não conseguem emprego ou, quando conseguem, ficam sujeitos a cargas horárias aviltantes e salários irrisórios. Eles se sentem inferiorizados”.
O economista Marcelo Neri, que estudou os programas e que ficou notabilizado pela criação conceito da “nova classe média”, concorda com a socióloga ao enxergar esses programas como plataformas inovadoras para combater a pobreza. Ele citou recentes pesquisas sobre o índice de felicidade futura (IFF), que mostram que os brasileiros são o povo mais otimista do mundo em relação aos próximos cinco anos. “Essa pesquisa é feita há cinco anos e o Brasil foi o primeiro todas as vezes”. Esse otimismo tem explicação prática. “Nos últimos cinco anos, a renda dos 20% mais pobres do Brasil cresceu mais do que a renda dos 20% mais pobres de qualquer outro país dos BRICS, até mesmo do que a China”, explica. Esses números apontam para uma diminuição na desigualdade brasileira. Marcelo Neri lembrou que o cadastro único e dos dados do Bolsa Família abriram espaço para outras políticas públicas. “Hoje, essa plataforma construída tornou muito fácil a execução de programas que efetivamente cheguem às populações carentes. Ficou claro também que combater a pobreza é barato”. Então por que ninguém pensou nisso antes? “Faltou vontade e decisão. Ou talvez, faltou alguém que já tivesse vivido a fome e a pobreza de verdade para perceber que combater a pobreza é abrir as portas de entrada para a cidadania”.
Em consenso, todos acreditam que o combate à miséria no Brasil ainda tem um longo caminho para frente, que, nas palavras do ex-presidente “não pode nunca mais retroceder”.
No Instituto Lula
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“Faltou muita coisa” no mensalão

Debora Bergamasco publica uma entrevista muito instrutiva com Osmar Serraglio, o deputado que foi relator da CPI dos Correios, a primeira em três que investigaram o mensalão.
Serraglio afirma:
“Faltou muita coisa, muito do que eles ficam batendo agora que ‘não tá provado isso, não tá provado aquilo’ é porque a gente estava amarrado, não tínhamos liberdade. Hoje, por exemplo, o José Dirceu fala que ele não tem nada a ver com isso. Nós poderíamos ter feito provas muito mais contundentes em relação à evidente ascendência que ele tinha”, diz Serraglio.
Ele também diz que na CPI os petistas agiam para dirigir as investigações para o terreno em que lhes interessava. Por exemplo: pressionavam para que se procurasse pela origem do dinheiro que Delúbio Soares e Marcos Valério distribuíam e não pelo seu destino.
O depoimento é instrutivo pelo que diz e também pelo que dá a entender. Ao admitir que “faltou muita coisa” o deputado reconhece que apesar de todo o esforço realizado na época, não se conseguiu avançar na produção de provas contra Dirceu e outros acusados.
O argumento de que a liderança política de Dirceu atrapalhou a investigação faz sentido. Também acredito que os deputados da bancada governista não ajudaram a investigar seu próprio governo. Mas eu acho que isso sempre faz parte do jogo em toda CPI, desde a Idade das Cavernas, não é mesmo?
Seja pelo motivo que for, a alegação de Serraglio coloca um problema para a acusação. Equivale ao reconhecimento de que tem dificuldade para apresentar provas para o julgamento.
Essa avaliação não é nova.
Num texto que publiquei aqui, semanas atrás, dizia que a tese principal do mensalão, como um sistema de compra de votos no Congresso, não estava demonstrado no inquérito da Polícia Federal sobre o caso.
Não fui o primeiro a sustentar isso. O jornalista Lucas Figueiredo, autor de O Operador, sobre Marcos Valério, que fez várias revelações importantes sobre o caso, mostra que o mensalão “não foi provado” — Lucas já dizia isso em 2006.
Jânio de Freitas, um dos grandes mestres do jornalismo, escreveu na segunda-feira que é possível sustentar que Dirceu é o chefe do mensalão com a mesma consistência que se poderia dizer que o chefe era Antonio Palocci, pois não há prova alguma contra nenhum dos dois neste caso.
Esta é a questão. Muito do que se disse não se provou. Por que?
Se você conversar com a bancada do PT, irá concluir que não se provou porque não havia o que deveria ser provado. O mensalão era o nome para os conhecidos esquemas de financiamento de campanhas eleitorais.
Mas há explicações técnicas que ajudam a entender porque as investigações não avançaram mais, evitando a constatação de que faltou muita coisa,” como diz Serraglio.
Uma observação possível é que faltou um acordo para a delação premiada. Roberto Jefferson deu grandes entrevistas e fez ótimos discursos, mas, como disse Fernando Henrique Cardoso, ele “teatralizou o mensalão.”
Um delegado me assegura que tudo teria sido muito diferente se Marcos Valério, em vez de perseguido de modo implacável, tivesse recebido a oferta de salvar a própria pele na hora certa – e passado a agir como aliado das investigações, em vez de proteger-se como acusado.
O que ele poderia contar? Aquilo que a oposição espera? Aquilo que o governo sustenta? Não se sabe. Seja como for, é tarde demais.
O Supremo irá julgar o mensalão com aquilo que está nos autos. Será um julgamento técnico e político.
Técnico, porque não se trata de uma corte de aloprados. E político, porque o STF tem a função de defender a Constituição – e essa missão é política.
Quando se fala no aspecto político, pode-se pensar em várias hipóteses. Uma delas, a que parece mais óbvia, seria atender a um clamor contra a corrupção e contra a impunidade.
Mas também é uma atitude política considerar que, apesar deste clamor, convém afirmar outro valor, de que é preciso julgar com isenção, a partir de provas claras e bem fundamentadas. Este é o debate real no julgamento.
Leia meu artigo anterior sobre o mensalão:
Leia a entrevista de Serraglio no Estadão
Paulo Moreira Leite
No Vamos combinar
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Mas Erenice não era “culpada”?

A mídia, no mundo inteiro, tem um poder que ninguém deveria ter nas democracias: condenar e absolver quem quiser das acusações que faz ou que, para os políticos “amigos”, tenta desfazer. Agora mesmo, o país está às portas de ver no que vai dar uma dessas feitiçarias midiáticas, a do escândalo do mensalão “do PT”.
Há mais ou menos sete anos que a opinião pública vem sendo induzida pela mídia a acreditar piamente na culpa “inquestionável” dos 38 réus no inquérito do mensalão, o qual vai a julgamento no STF a partir da semana que vem. Muita gente caiu nessa, inclusive pessoas que não são movidas pela má fé da imprensa partidarizada.
Na semana que finda, porém, ainda que a notícia tenha sido dada com extrema discrição, mais um dos integrantes de um governo petista que fora “condenado” pela mídia foi absolvido pela Justiça, gerando perplexidade naqueles que tiveram acesso à notícia mal-divulgada sobre essa absolvição.
O Tribunal Regional Federal da 1ª Região arquivou o processo contra a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra por suposto tráfico de influência, após acatar recomendação do Ministério Público Federal (MPF). A decisão foi decretada na sexta-feira passada (20) pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal.
Em 2010, no auge da campanha eleitoral em que Dilma Rousseff derrotou José Serra, Erenice – sucessora de Dilma na Casa Civil – fora acusada pela mídia de ter beneficiado parentes em contratações de serviços aéreos para os Correios, estudos para projetos de mobilidade urbana e outorgas de concessão de serviço móvel especializado.
As denúncias contra Erenice, entre outros fatores, ajudaram a levar a eleição presidencial de 2010 para o segundo turno, favorecendo José Serra, que por pouco não sofreu uma derrota ainda maior para alguém como Dilma, que, ao contrário dele, jamais disputara uma eleição na vida.
A indisposição da mídia com Erenice, em particular, fora desencadeada mais de dois anos antes, ainda em 2008, quando também sofrera outra acusação que se esboroou ao ser investigada pela Justiça e pela Polícia Federal.
Naquele início de 2008, a oposição acusara o governo Lula de montar um dossiê com gastos sigilosos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O objetivo, de acordo com a oposição, seria constrangê-la na CPI dos Cartões, criada naquele ano para investigar possíveis irregularidades no uso dos cartões corporativos do governo federal.
Não tardou para a mídia comprar a tese tucana. O suposto dossiê, de acordo com reportagem da Folha, foi montado pela secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, braço direito da ministra Dilma Rousseff. A oposição e aquele jornal, e posteriormente o resto da mídia, insinuaram que a hoje presidente da República tinha ordenado a Erenice a confecção do dossiê.
Ainda hoje, apesar da primeira absolvição de Erenice, a mídia e a oposição a Dilma tratam aquele caso como se tivesse dado em alguma coisa – continuam repetindo uma acusação que, após ser investigada exaustivamente, mostrou-se mentirosa.
Todavia, nada seria mais contundente e massacrante do que a denúncia eleitoreira que se daria contra Erenice na véspera do primeiro turno da eleição presidencial de 2010, sobre tráfico de influência por Erenice, a qual a Justiça acaba de rechaçar por falta de provas que a imprensa, então, dizia que abundavam.
Em 11 de setembro de 2010, a 3 semanas do primeiro turno da eleição presidencial, justamente em um momento em que as pesquisas davam conta de enorme superioridade de Dilma sobre Serra, a revista Veja acusa o filho de Erenice de fazer “tráfico de influência” usando o cargo da mãe, então ministra da Casa Civil.
A partir dali, todo o noticiário foi sendo construído de forma a garantir à sociedade que Erenice  e Dilma eram culpadas das acusações sem provas que a Veja fez e que toda a grande imprensa comprou sem questionar nada. O noticiário não deixava margem para sequer cogitar que a acusação não fosse séria.
Abaixo, algumas capas da Folha – que poderiam ser da Veja, de O Globo, do Estadão etc – que acusaram Erenice de forma tão cabal que não houve outro jeito senão demiti-la, e que servem de amostra de um fato impressionante: de 11 de setembro a 3 de outubro, todo dia Folha, Estadão, Globo e (semanalmente) Veja fustigaram a campanha de Dilma com o caso Erenice até a eleição ir ao segundo turno.
Observação: leia a primeira coluna de capas da Folha e depois a segunda coluna, obedecendo à ordem de datas abaixo de cada capa.
Agora, leitor, dê uma olhada, abaixo, em como saiu a notícia da absolvição de Erenice nesse mesmo jornal.
Não é por outra razão que Erenice Guerra anunciou, após ser absolvida, que estuda processar por danos morais os veículos de comunicação que, segundo afirmou, “promoveram um verdadeiro linchamento público” com objetivo eleitoral.
Essa é uma causa ganha – ou deveria ser, devido ao que prova este post sobre o que fez a mídia na reta final do primeiro turno da campanha eleitoral de 2010. O que se espera, portanto, é que Erenice não esmoreça e leve esse processo até o fim, pois esse tipo de armação continua sendo praticado a cada ano eleitoral pela mídia.
Agora mesmo, isso está acontecendo no que tange ao inquérito do mensalão, que começa a ser julgado pelo STF nos próximos dias. O uso eleitoral do processo está ocorrendo tal qual ocorreu em 2010, conforme se vê acima.
Todavia, assim como em 2010 não deu certo, em 2012 isso pode se repetir. Até porque, caso o STF absolva José Dirceu – e, quando se fala no inquérito do mensalão, fala-se especificamente nele – não apenas o resultado eleitoral que a mídia tucana busca pode ser de novo frustrado, mas essa mídia pode sofrer uma desmoralização muito maior do que a de 2010.
No Blog da Cidadania
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Principal desafio do Brasil nas Olimpíadas de 2016 é deixar um legado para a população

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'Ampliar policiamento em São Paulo seria aumentar as execuções sumárias'

Advogados e ativistas discordam de proposta do governador Geraldo Alckmin de aumentar contingente policial. Ministério Público irá pedir afastamento do comando da PM
'Ampliar policiamento em São Paulo seria aumentar as execuções sumárias'
Ato público do grupo Mães de Maio, em 2011, chama atenção 
 para a violência patrocinada pelo governo de São Paulo 
(CC/jornalpercurso.blogspot)
São Paulo – O número de homicídios dolosos no estado de São Paulo, segundo dados apresentados ontem (25) pela Secretaria de Segurança Pública, teve aumento de 8,39% em comparação ao primeiro semestre de 2011. Só na capital paulista houve crescimento de 21%. Uma onda de violência matou cerca de 200 pessoas em menos de dois meses no estado. Os assassinatos apresentam indícios de participação de grupos de extermínio formados, inclusive, por agentes públicos de segurança e são atribuídos por entidades de direitos humanos a um confronto entre a polícia e membros da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
Esta semana, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou que para reduzir os índices irá investir “fortemente em policiamento”. A medida, no entanto, é vista como equivocada por especialistas. “Aumentar o policiamento seria o mesmo que aumentar as execuções sumárias em um cenário de total descontrole da PM e dos demais setores da Polícia Militar. Em geral, esses grupos de extermínio atuam com a participação de agentes do Estado”, afirma o presidente da Fundação Criança e vice-presidente da Comissão Especial da Criança e do Adolescente da OAB, Ariel de Castro Alves.
O “descontrole” citado por Alves também será um dos argumentos para que o Ministério Público Federal (MPF) entre com uma ação civil pública pedindo o afastamento do comando da Polícia Militar de São Paulo e a intervenção federal no estado. Segundo o procurador da República Matheus Baraldi Magnani, em entrevista para o jornal O Estado de S. Paulo, a ação será apresentada hoje (26), durante audiência pública que reunirá diversos representantes da sociedade civil e de movimentos sociais para exigir medidas concretas para acabar com o “extermínio de jovens”, prática atribuída pelas entidades a policiais.
Rodolfo Valente, advogado da Pastoral Carcerária e membro do Instituto Práxis de Direitos Humanos, entende que o MPF precisa ir além. “Já é um passo. Mas entendemos que precisamos avançar muito. O governo do estado precisa ser responsabilizado, porque deu carta branca”, afirma, referindo-se à violência policial indicada pelos estudos. Ele aponta as declarações do governador como fatores que “acirram os ânimos da polícia contra a população”. Ele atribui a Alckmin a afirmação de que "bandido tem duas opções: ou é prisão, ou é caixão”.

Resistência seguida de morte

Para Valente, a opção ‘prisão’ já vem sendo amplamente usada pelo estado sem sucesso. No mesmo período em que o índice de homicídios aumentou em São Paulo, o número de prisões cresceu 9,65%. “Essa política de encarceramento está relacionada com esse extermínio”, afirma Rodolfo.
Já a opção ‘caixão’ é justamente a que as entidades que se reunirão hoje tentam frear. Para isso defendem a extinção dos registros de ocorrência como 'resistência seguida de morte' (RSM), 'auto de resistência' e análogos. Esse tipo de registro serve para afirmar que o assassinato cometido pelo policial foi em legítima defesa depois de o suposto criminoso reagir à voz de prisão.
O registro é tachado como uma “autorização para matar”, por Ariel de Castro Alves e pelo Mães de Maio – movimento que reúne ativistas, familiares e mães de algumas das vitimas dos assassinatos ocorridos entre 12 e 21 de maio de 2006, quando, segundo estudos, policiais mataram 493 pessoas em revanche à morte de agentes públicos de segurança, em ataques atribuídos ao PCC.
Ontem (25), Débora Silva Maria, líder das Mães, esteve no Palácio do Planalto, em Brasília, onde esteve com representantes do governo federal e entregou uma relação de ações para conter a violência, entre elas o fim do auto RSM.
“Antes que qualquer apuração seja feita se faz um pré-julgamento de que a morte ocorreu em legitima defesa. Muitas vezes os policiais andam com um ‘kit de resistência seguida de morte’. São armas 'frias' (sem registro) que são colocadas nas mãos do suposto agressor e disparadas para que depois conte no laudo residuográfico que o sujeito efetivou um disparo. Isso é inaceitável”, diz Ariel de Castro Alves.
Desde 2011, em função de pressões da sociedade civil, os casos de RSM em São Paulo deveriam ser investigados pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, mas, segundo o integrante da OAB, as investigações no DHPP “cumprem apenas um protocolo e seguem o padrão do registro feito pelos policiais, são investigações viciadas”.
“Nós defendemos que esse registro, que é ilegal, seja extinto. Os crimes deveriam ser registrados como homicídio e a investigação diria se foi ou não legítima defesa. Acreditamos que a utilização da RSM é uma carta branca para que policiais matem e lhes seja garantida a impunidade”, afirma.
Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apresentado no começo do mês, apontou que 62,5% da população não confia na Polícia Militar. A impunidade é apontada por Alves como uma das razões. “Se a população não confia na polícia dificilmente vai denunciar qualquer situação criminosa, principalmente a população que mora nas periferias”, aponta o advogado.
No Rede Brasil Atual
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Estado do Paraná dá primeiro passo para a privatização da Copel

A partir do dia primeiro de março, a empresa receberá as propostas para a elaboração da análise econômico-financeira e a modelagem do negócio
O Estado do Paraná, acionista majoritário, começa a dar os primeiros passos para a privatização da Copel (Companhia Paranaense de Energia). A partir do dia primeiro de março estará aberta a licitação, na modalidade de concorrência internacional, para a contratação de empresas para fazerem a avaliação econômico-financeira e também a modelagem do negócio.
A partir da escolha das empresas é que será definido um cronograma de privatização da Copel. A estimativa é de que o processo de modelagem do negócio, que definirá se as ações da empresa serão vendidas em bloco ou pulverizadas, dure entre três e seis meses. Procurada pela reportagem do CanalEnergia, a Copel não quis falar sobre o assunto, a cargo da Secretaria de Fazenda do Estado do Paraná.
No Canal Energia
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O casamento do bicho com a política

A CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) de Cachoeira contribuirá para trazer luz definitivamente sobre a pior simbiose política-financiamento de campanha desde a redemocratização: a aliança de sucessivos partidos políticos com máfias do jogo, nacionais e internacionais.
Nenhum partido escapou a essa praga, que teve início quando descobriu-se a possibilidade de terceirizar loterias federal e estaduais.
* * *
Quem introduziu essa manobra obscena no país foi Danilo de Castro, presidente da Caixa Econômica Federal (CEF) no governo Itamar Franco – e, juntamente com seu filho Rodrigo de Castro, dono de uma biografia controversa e que, de certo modo, choca-se com a tradição política de Minas. Danilo tem ligação direta com a Lista de Furnas – de políticos beneficiados por pagamentos da estatal – e aparece nas conversas de Carlinhos Cachoeira com o ex-senador Demóstenes Torres.
* * *
Essas manobras se tornaram possíveis com a introdução dos sistemas eletrônicos de loteria.
Até Danilo, o processamento da loteria na CEF era tocado pela Datamec, estatal. Em 1993, a Racimec convenceu Danilo de Castro a montar um grupo de trabalho de loterias, visando implantar o sistema online real time. Foi formalizado através da Portaria n° 258/93.
Com a desculpa de que o processo precisava ser agilizado, 18 meses antes da abertura da concorrência pública, a CEF alegou inexigibilidade de licitação para adquirir novos equipamentos “de transição” da Racimec, que seriam utilizados para a implantação final do modelo, três anos e meio à frente. No processamento offline das apostas, topou também substituir a Datamec pela Racimec.
* * *
Por trás, da Racime, a Gtech, empresa que dominava o sistema de jogos em Las Vegas e com grande fatia do mercado mundial. No novo contrato, Danilo de Castro Incluiu serviços que sequer haviam sido previstos no edital. E criou uma situação deliberada de dependência tecnológica.
A Racimec continuou operando a loteria da CEF até o final do processo licitatório, que foi concluído em 1997, já em pleno governo FHC.
* * *
O presidente da CEF, agora, era Sérgio Cutollo.
Em 13 de janeiro de 1997, a loteria inaugurou o sistema online, através de um contrato da CEF com a Racimec por um período de 48 meses, até 13 de janeiro de 2001.
A decisão motivou uma ação ordinária declaratória de nulidade por parte da IT-Companhia Internacional de Tecnologia, alegando que a Racimec detinha informações privilegiadas sobre o novo modelo, já que era responsável pelo sistema off-line da CEF e já fornecera equipamentos de sua fabricação necessários para o sistema online.
Através da Portaria PRESI 348/203, a presidência da CEF constituiu uma Comissão de Sindicância, cujo relatório final é devastador.
Constatou que, no nascedouro, o contrato da CEF permitiu uma "verdadeira sociedade" na exploração dos negócios de loterias. Em vez de remuneração dos serviços, o contrato permitia a remuneração mediante pagamento de participação ou comissão, dividindo os lucros do negócio.
No item 4.5 do contrato, ficava claro de que a CEF, mesmo antes da assinatura do contrato com a Racimec, já sabia que a Gtech seria, de fato e de direito, a real prestadora de serviços.

A renovação do contrato Gtech

Mesmo assim, a licitação continuou e, surpreendentemente, com modificações que beneficiavam ainda mais a Gtech. No preço global do primeiro contrato estavam inclusivos os serviços não-lotéricos que a CEF executa para empresas concessionárias de serviços públicos. No novo contrato, esses serviços foram colocados à parte, permitindo cobrança adicional. E aumentou a remuneração por aposta.

Atropelando o Jurídico

O contrato foi bloqueado pelas áreas administrativa e jurídica da CEF. Mas as duas áreas foram atropelados pelos gerentes das áreas de Tecnologia e Loteria, José Maria Nardeli Pinto, Aires Ferreira Coimbra, e o Diretor Adelmar de Miranda Torres, valendo-se de dados. Os preços subiram de R$ 0,05 para 0,08 por processamento, com pagamento retroativo contado a partir da data do pleito da empresa (maio/98).

O custo do período Cutollo

A preços de março de 2005, o prejuízo da CEF chegou a R$ 17 milhões. Em 13 de maio de 1995 a CEF pagava R$ 0,24 aos empresários lotéricos por documento recebido. Em março de 2003 reajustou para R$ 0,26 - aumento de 9%. No mesmo período, o reajuste da Gtech aumentou em 200%. Em dezembro de 2002, a CEF tinha um lucro de 1,4% sobre o faturamento do sistema de loteria e prognósticos; e a Gtech de 5,75%.

CPI da Loterj

Enquanto a Gtech se havia com a CEF, no Rio instaurava-se a CPI de Loterj, para apurar corrupção na gestão de Waldomiro Diniz, e também no Rioprevidência. Durou apenas 4 meses, de 15 de fevereiro a 30 de junho. Ali, pela primeira vez, o nome de Carlinhos Cachoeira se cruza com o da Gtech. O Rio seria a vitrine para a empresa de Cachoeira. A partir dali poderia competir com a Gtech em outros estados.

A jogada com Wladomiro Diniz

Sua entrada no Rio se deu no governo Benedita da Silva, do PT e o contato era Waldomiro Diniz. A incursão de Cachoeira no Rio termina em um escândalo em uma CPI – da qual Cachoeira se livra graças à parceria com Policarpo Jr e com a revista Veja. Em fins de 2001, com o Ministério Público no pé, a direção da CEF decide abrir nova licitação e joga a bomba para a administração seguinte, já do PT.

O episódio do grampo

Cachoeira queria que Waldomiro convencesse a CEF a exigir da Gtech transferência de tecnologia para parceiro brasileiro – no caso, empresa do bicheiro. Mas Waldomiro foi atropelado pela influência maior do ex-Ministro da Fazenda Antônio Palocci, que colocou seus parceiros de Ribeirão Preto para oferecer proteção à Gtech. Foi esse movimento que fez Cachoeira espalhar o vídeo com a conversa de Waldomiro, ainda nos tempos da Rio Loteria.
Luis Nassif
No Advivo
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Defesa de Dirceu entregue ao STF desmonta acusações

Em sua edição de hoje, o jornal O Globo apresenta os pontos da defesa do Banco Rural, nas alegações enviadas por seus advogados ao Supremo Tribunal Federal, para o julgamento do dito "mensalão"...

Pois hoje vou apresentar todos os pontos da defesa de José Dirceu no mesmo "mensalão", termo ainda sem paternidade conhecida, pois os supostos "pais" até agora apontados insistem em lhe lhe negar o DNA. Aliás, para conhecimento de vocês, não é pai, é mãe: foi a jornalista Ana Maria Tahan, quando editora do Jornal do Brasil, a criadora da expressão, que caiu em domínio público feito rastilho de pólvora. Se tivesse patenteado e cobrado royalities, a Tahan seria hoje a maior milionária do dito "mensalão". E, dependendo do próximo resultado do STF, talvez a única...

Vamos, pois, à Defesa de José Dirceu, no processo que começa a ser julgado no próximo dia 2 de agosto, contudo a maior parte da grande imprensa, antecipando-se aos ministros do Supremo Tribunal Federal, já pré-julgou e condenou, indo na contramão da fundamental imparcialidade necessária ao bom exercício do ofício...
defesa 1 Defesa de Dirceu entregue ao STF desmonta acusações defesa 2 Defesa de Dirceu entregue ao STF desmonta acusações 3 defesa Defesa de Dirceu entregue ao STF desmonta acusações 4 defesa Defesa de Dirceu entregue ao STF desmonta acusações
No Hildegard Angel
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Tal cão, tal dono

Estudo aventa hipótese de seres humanos influenciarem comportamento de animais domésticos. Casos de depressão canina, por exemplo, podem estar associados à saúde mental de seus proprietários.
Tal cão, tal dono
Assim como humanos, cães também podem entrar em depressão. 
Quadro no animal pode ter influência do comportamento de seu dono.
 (montagem: Guilherme de Souza a partir de fotos de Wikimedia Commons)
Doenças renais crônicas, obesidade, depressão... Décadas atrás, era impensável a ideia de que tais enfermidades pudessem atingir cães, gatos e outros animais. Hoje, porém, a medicina veterinária enfrenta casos antes considerados tipicamente ‘humanos’. Mais que uma evolução dos métodos de diagnóstico, a mudança pode ser reflexo da influência dos donos sobre a saúde de seus animais domésticos.
A constatação é do antropólogo Jean Segata, que observou o dia a dia de uma clínica veterinária no município catarinense de Rio do Sul. Com base nessa experiência, ele desenvolveu sua tese de doutorado, ‘Nós e os outros humanos, os animais de estimação’, defendida recentemente na Universidade Federal de Santa Catarina.
Entre os diversos casos que acompanhou na clínica, Segata destaca a depressão canina. Embora sua ocorrência não seja uma unanimidade no meio acadêmico, a doença tem preocupado veterinários e, também, donos de animais.
Em humanos, a possibilidade de expressar sentimentos e angústias por meio da fala facilita o diagnóstico da depressão. Em cães, entretanto, é preciso ficar atento ao comportamento do animal. Apatia, perda de apetite e busca de isolamento são sinais de que o animal pode estar deprimido. Como acontece com seres humanos.
Se os sintomas de depressão são os mesmos em cães e humanos, há semelhança também no tratamento da doença, com uso de psicotrópicos e psicoterapia. No caso dos animais, os donos são instruídos a mudar algumas atitudes em relação a eles, como passar mais tempo em sua companhia, levá-los para passear, melhorar sua alimentação, permitir a convivência com outros cães.
Cachorro e dono
Cachorro brinca com bola de tênis arremessada pelo dono.
Tratamento de depressão em animais inclui recomendação de que as pessoas
passem mais tempo com suas mascotes.
(foto: Wikimedia Commons/ Steve-65 – CC BY-SA 3.0)

Comportamento contagioso?

Durante a pesquisa, Segata observou 40 casos diagnosticados como ‘depressão canina’. Muitas vezes, diz o pesquisador, os donos desses cães também apresentavam sinais de depressão.
“Nenhum deles informou que tinha sido diagnosticado como deprimido por um psiquiatra, mas alguns relataram que costumavam dividir comprimidos ‘tarja-preta’ [expressão comumente usada para fazer referência a medicamentos controlados, como antidepressivos] com seus animais.”
Do total de casos de depressão canina observados por Segata, 75% eram em fêmeas. Novamente, surge um paralelo com os seres humanos, pois a depressão é mais comum entre mulheres.
Tais semelhanças levantam a seguinte questão: humanos deprimidos não poderiam provocar depressão em seus animais de estimação? Se for o caso, não seria a primeira vez que o comportamento do dono influencia o animal.
Estudo recente da Associação para a Prevenção da Obesidade entre Animais de Estimação mostra que 55% dos cães e 52% dos gatos dos Estados Unidos estão acima do peso. O país é conhecido, entre outros aspectos, pelo alto índice de obesidade em sua população.
Segata afirma que é difícil encontrar trabalhos acadêmicos que tratem da relação entre seres humanos e animais de estimação. Isso porque, segundo o antropólogo, muitos acreditam que essa relação deveria ser meramente biológica, e não social ou emocional.
Guilherme de Souza
No Ciência Hoje
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Romona

Para comprar armas no comércio tradicional um americano se submete a algumas formalidades, tão inócuas quanto hipócritas.
Há várias maneiras de driblar as formalidades. Nas feiras de armas onde os fabricantes expõem seus produtos você pode sair com uma bazuca embaixo do braço sem nenhuma restrição. E — como mostrou o último maluco a entrar atirando — hoje não há material bélico que você não possa comprar pela internet, sem qualquer controle.
Tanto o Barack Obama quanto o Mitt Romney se manifestaram, no passado, contra esta liberalidade insana mas agora se limitam a lamentar os mortos. Nenhuma palavra dos dois que pudesse contrariar o lóbi das armas, a poderosa National Rifle Association, seus membros e simpatizantes, ainda mais num ano eleitoral.
Os filmes que Hollywood deixa para lançar nas férias de verão da garotada são chamados de blockbusters, arrasa-quarteirões. São feitos para render o máximo na semana de estreia, o que garantirá ótima bilheteria no resto da temporada. Ainda não deu para saber como a chacina em Aurora afetará a renda do último Batman, que pode se tornar um filme maldito.
Há muitos anos um filme chamado “Romona” (ou era “Ramona”?) ganhou notoriedade porque alegavam que ele dava azar. Um cinema tinha ruído numa projeção de “Romona” e logo se espalhou o boato que outros cinemas que exibiam “Romona” também tinham caído, que qualquer cinema que exibisse “Romona” estava ameaçado de cair.
Tornou-se comum bater na madeira toda vez que se mencionasse o título do filme. Não sei do que se tratava “Romona”. Não sou supersticioso, mas nunca entrei num cinema para ver.
REENCONTRO
Seria ótimo que existisse um céu para ateístas e comunistas. Assim daria para imaginar o encontro no além de Alexander Woodcock — que morreu há dias — e Cristopher Hitchens, que morreu não faz muito. Os dois concordavam em algumas coisas e discordavam em outras, e seus desacordos eram muito mais divertidos.
Woodcock era irlandês, Hitchens era inglês, mas os dois fizeram carreira como ensaístas e críticos nos Estados Unidos. Ambos surpreenderam com algumas posições tomadas:
Hitchens defendeu até o fim a invasão do Iraque, Woodcock mantinha que o movimento ecológico e a campanha contra o aquecimento global eram coisas do lóbi nuclear. Mas estavam certos na maioria das suas causas e escreviam muito bem.
Talvez a perspectiva de terem que conviver pela eternidade amenize o reencontro, e os dois se dediquem a nos gozar do alto. Ou de baixo: quem sabe para onde vão os ateístas e os comunistas?
Luís Fernando Veríssimo
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Serra, o amiguinho que cai na pilha!

Na gíria carioca (creio que outros Estados se use também essa expressão), a pessoa que “cai na pilha” é aquela que não aguenta brincadeiras e já parte pra discussão, ou para agressão física.
Serra caiu na pilha e baixou o nível.
O fato de ser, atualmente, o político que mais se envolve em confusões e situações inusitadas/constrangedora coincidiu com o aumento do número e participação do usuário na internet e a disseminação das peripécias do “Serra do bem”.
Só que Serra, outrora grande tuiteiro e “entusiasta da internet”, tem revelado resistência ao fenômeno da difusão e da diversidade de informação na rede. Isso desde de 2010, quando no auge das eleições atacou o que classificou de “blogueiros sujos”. Agora, mal iniciadas as eleições municipais, decidiu investir contra Luis Nassif e Paulo Henrique Amorim. Mas isso não interessa nesse post, o que interessa é o fenômeno Serra.
Eleições 2010 - Serra de fofinho a grande religioso de direita
Nem Jânio Quadros chega aos pés (trocados) de Serra. De pula-pula a skate, ele é imbatível. E isso é uma síntese do que incomoda o eterno candidato à presidência: na internet tudo é captado. Desde piti com jornalista até a farsa da bolinha de papel.
Estão vendo só? Serra é um craque das situações inusitadas. E é isso que o povo gosta.
A elite brasileira sempre quis (e ainda quer) desqualificar Lula a todo custo. Serra, Merval, Tio Rei, Jabor (o grupo do Instituto Millenium), mas a elite não tem humor, só ódio, nojo. Humor é com o “povão”. E enquanto Lula não sai da boca espumada da zelite, Serra não escapa do olhar bem-humorado do povo.
Ao invés de mostrar propostas, prefere atacar jornalistas e blogs. Curiosamente Serra e o PSDB batem agora na mesma tecla que Gilmar Mendes, no auge de seu ataque de nervos pós-denúncia contra Lula, bateu: financiamento de blogueiros por empresas estatais. Mais uma vez, não entrarei nesse assunto.
Pensemos: quantos políticos foram objeto de brincadeiras tanto quanto Serra nas últimas eleições. Bateu até o Tiririca! É o nosso fenômeno!
E quantos somam 37% de rejeição nas pesquisas? É isso! Um craque!
Serra e o Skate: A foto original e as derivações
Quando estamos no ensino fundamental existe uma regra que minimiza a “zoação” por parte daquele amiguinho popular (para toda regra há exceções, claro): Se você não é popular e revida com agressividade, vai se dar mal. Muitas vezes quando entra na brincadeira e leva numa boa, corre o risco de se enturmar com o grupinho ameaçador.
Serra quis revidar, e ficou mais divertido fazer troça dele. Como não quer revelar que a divulgação de fatos (como o livro “Privataria Tucana”) e fotos/vídeos (pula-pula, kimono e skate) o incomodam, tenta desarticular quem (na cabeça dele) estaria por trás da disseminação desses fatos. E processa desafetos, com aval do PSDB e coro de alguns “jornalistas” comprometidos com a liberdade de opinião e de (ou da) imprensa.
A brincadeira com políticos e pessoas públicas não é de hoje. Mesmo Lula e Dilma sofrem brincadeiras, algumas até de extremo mal gosto e de raiz preconceituosa. Mas Serra se sente “O” injustiçado, “O” perseguido… quase um messias mal compreendido pelas ovelhas desgarradas. Culpa do Lulo-petismo, nas palavras do nosso imortal.
O tal “Lulo-petismo”, acusado de anti-democrático por 1552 representantes da elite com espaço em colunas de jornais e revistas, nunca demonstrou tanto incômodo com a internet e a diversidade de ideias. Inclusive a ameaça do “lulo-petismo” é exatamente essa, aumentar a diversidade de ideias.
Para a sociedade fica cada vez mais claro quem se incomoda com a democracia e a pluralidade de informação e ideias. São os mesmos que se incomodam com o PROUNI, que deixa entrar preto e pobre nas universidades, com o Bolsa-Família, com as cotas nas universidade públicas… e que declaram apoio à golpistas do Paraguai e mandam representante até lá para apertar a mão do presidente que tomou o poder.
Mas hoje é dia de alegria, hoje é dia de Serra! De roupinha fashion a medo de skate. De fundamentalista religioso de direita, em 2010, a Censor em 2012. O que seria de nossa política sem figuras tão inusitadas como estas?
Algo bem melhor do que temos hoje, certamente!
Serra Fashion: SerraInova lançou o modelo queridinho da zelite!
No Ponto & Contraponto
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Charge online - Bessinha - # 1366

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Dilma se opõe a intervenção militar na Síria e no Irã

A presidenta Dilma Rousseff declarou nesta quarta-feira (25) em Londres, durante encontro com o primeiro-ministro britânico, David Cameron, que não concorda com uma intervenção militar na Síria e no Irã.
Dilma foi clara em rejeitar qualquer ideia de militarização do conflito sírio e de qualquer intervenção que possa repetir os cenários do Iraque e do Afeganistão.
Isto desapontou o primeiro-ministro britânico, que se encontra em campanha internacional, ao lado dos imperialistas estadunidenses e os sionistas israelenses, para isolar o governo do presidente Bashar Assad e intervir militarmente no país árabe, assim como para aumentar as pressões e chantagens contra o Irã.
Na avaliação dos britânicos, chegou o momento de o Conselho de Segurança da ONU aprovar uma resolução que determine sanções contra Assad.
Porém, a ofensiva dos países imperialistas esbarra na posição da China e da Rússia, que rejeitam qualquer iniciativa nesse sentido. A posição do Brasil dificulta ainda mais a realização dos planos das potências imperialistas.
"A militarização não funciona", disse Antonio Patriota, chanceler brasileiro após o encontro entre Dilma e Cameron.

Malvinas

A presidenta brasileira reiterou perante o primeiro-ninistro britânico a posição do Brasil em defesa da soberania argentina sobre as Ilhas Malvinas que os imperialistas britâncos ocupam pela força e transformaram em base militar na América do Sul.
No Vermelho
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IBGE divulga taxa de desemprego em cinco regiões metropolitanas

O IBGE divulga, hoje (26 de julho de 2012), a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), realizada nas regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre, conforme consta no calendário disponível na pagina da Instituição na Internet. Os dados da Pesquisa referem-se ao mês de junho de 2012 e, excepcionalmente, não estão disponibilizados os dados da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. A coleta dos dados desta região foi preservada, mas não foi possível proceder às etapas de apuração, crítica e análise para a divulgação completa na data prevista no calendário de divulgação, devido à paralisação dos servidores do IBGE. Assim sendo, nesta divulgação, estão disponibilizados apenas os dados completos das regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, São Paulo e Porto Alegre. Posteriormente, em data ainda não definida, serão divulgados os dados completos do mês de junho incluindo a Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
A Pesquisa Mensal de Emprego produz indicadores mensais sobre a força de trabalho que permitem avaliar as flutuações e a tendência, a médio e a longo prazos, do mercado de trabalho, nas suas áreas de abrangência, constituindo um indicativo ágil dos efeitos da conjuntura econômica sobre esse mercado, além de atender a outras necessidades importantes para o planejamento socioeconômico do País. A pesquisa abrange informações referentes à condição de atividade, condição de ocupação, rendimento médio nominal e real, posição na ocupação, posse de carteira de trabalho assinada, entre outras, tendo como unidade de coleta os domicílios. A publicação completa da pesquisa pode ser acessada na página www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/trabalhoerendimento/pme_nova/default.shtm.
Taxa de desocupação cai apenas em Belo Horizonte na comparação com maio
Em junho de 2012, a taxa de desocupação, na análise mensal, permaneceu estável nas Regiões Metropolitanas de Recife (6,3%), Salvador (7,9%), São Paulo (6,5%) e Porto Alegre (4,0%). Em Belo Horizonte (4,5%) houve redução desse indicador em 0,6 ponto percentual.
Frente a junho de 2011, observou-se queda de 2,3 pontos percentuais na taxa de desocupação em Salvador, e estabilidade nas demais regiões.
Taxa de Desocupação
População ocupada permanece estável em três regiões metropolitanas
Em junho de 2012, a população ocupada permaneceu estável em Salvador, Recife e São Paulo. Houve redução em Belo Horizonte e Porto Alegre, 1,8% e 1,9%, respectivamente.
Quando comparadas às estimativas de junho de 2011, essa população cresceu 3,9% em Recife e 2,2% em São Paulo. Não houve variação estatisticamente significativa nessa estimativa nas demais regiões.
População ocupada na indústria cresceu 11,8% em Recife
A análise mensal dos grupamentos de atividade mostrou crescimento de 11,8% da população ocupada na indústria de Recife. Em Salvador, houve queda de 10,9% nos serviços domésticos e em Porto Alegre, queda de 11,9% na construção.
Na análise anual, houve crescimento de 17,6% na indústria e de 13,5% nos serviços prestados à empresas em Recife. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a construção aumentou em 12,1%, enquanto a indústria e os serviços domésticos apresentaram quedas de 7,9% e 9,4%, respectivamente. Porto Alegre registrou quedas de 12,5% e 15,3% na construção e nos serviços domésticos, nessa ordem.
Emprego sem carteira cai 10,5% em Porto Alegre
Analisando a população ocupada, face às diversas formas de inserção, verificou-se que, de maio para junho de 2012, houve variação significativa apenas na RM de Porto Alegre, onde o emprego sem carteira assinada apresentou queda foi 10,5%. Nas demais regiões, o panorama foi de estabilidade em todas as formas de inserção.
Frente a junho de 2011, houve crescimento no contingente de trabalhadores por conta própria (11,2%) e de empregadores (27,9%) em Recife. Em São Paulo, o emprego dos trabalhadores com carteira de trabalho assinada e o dos militares e funcionários públicos estatutários aumentou 4,8% e 16,8%, respectivamente. Nas demais regiões não foi verificada variação significativa.
Rendimento médio real cresce em todas as regiões na comparação com junho de 2011
De maio para junho de 2012 foi verificada alta no rendimento médio real nas regiões metropolitanas de Recife (2,8%), Salvador (2,0%), Belo Horizonte (2,3%), e Porto Alegre (1,6%). Na RM de São Paulo registrou-se queda nesta estimativa (-0,4%).
Na comparação anual, todas as cinco regiões metropolitanas tiveram acréscimo do rendimento médio real. Destaca-se a Região Metropolitana de Recife, onde a variação positiva foi de 13,4%.
No IBGE
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Eduardo Galeano: Há plano para jogar no lixo dois séculos de conquista

“Este é um mundo violento e mentiroso, mas não podemos perder a esperança e o entusiasmo pela mudança”, diz Eduardo Galeano.
Eduardo Galeano: Galeano: "O mundo é violento, mas não podemos perder a esperança".
O escritor uruguaio, historiador literato de seu continente, através de obras como “As Veias Abertas da América Latina” e da trilogia “Memória do Fogo”, falou nesta entrevista sobre os últimos acontecimentos na América Latina e a crise econômica mundial.
De sua mesa de sempre no central Café Brasileiro, deixando atrás da janela o frio do inverno austral, insiste que “a grandeza do homem está nas pequenas coisas, que são feitas cotidianamente, dia a dia, por anônimos sem saber que as fazem”.
Ele alterna as respostas com episódios de seu último livro, “Os Filhos dos Dias”, em que agrupa 366 histórias verdadeiras, uma para cada dia do ano, que contêm mais verdade do que falar sobre inidcadores de risco. Confira abaixo a entrevista para a rede BBC
A crise europeia está sendo tratada pelos líderes políticos a partir de um discurso de sacrifício da população.
Eduardo Galeano: É igual ao discurso dos oficiais quando eles mandam os recrutas para morrer, com menos cheiro de pólvora mas não menos violento.
Este é um plano sistemático em nível mundial para jogar no lixo dois séculos de conquistas dos trabalhadores, para que a humanidade retroceda em nome da recuperação nacional. Este é um mundo organizado e especializado no extermínio do próximo.
E então condenam a violência dos pobres, dos mortos de fome; a outra se aplaude, merece condecorações.
A “austeridade” está sendo apresentada como única saída?
Galeano: Para quem? Se os banqueiros que causaram esse desastre foram e continuam sendo os principais ladrões de banco e são recompensados ​​com milhões de euros que lhe são pagos como compensação…
É um mundo muito mentiroso e muito violento. A austeridade é um antigo discurso na América Latina. Assistimos a uma peça de teatro que foi estreada aqui e já a conhecemos.
Sabemos tudo: as fórmulas, as receitas mágicas, o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial…
Você considera que o empobrecimento da população é mais violento?
Galeano: Se a luta contra o terrorismo fosse verdadeira e não uma desculpa para outros fins, teríamos que cobrir o mundo com cartazes que dissessem: “procuram-se os seqüestradores de países, os exterminadores de salários, os assassinos de emprego, os traficantes do medo “, que são os mais perigosos, porque te condenam à paralisia.
Este é um mundo que te domestica para que desconfies do próximo, para que seja uma ameaça e nunca uma promessa. É alguém que vai te fazer dano e, para isso, é preciso defender-se. Assim se justifica a indústria militar, nome poético da indústria criminosa. Esse é um exemplo claríssimo de violência.
Passando à política latino-americana, o México continua nas ruas protestando contra os resultados oficiais das eleições…
Galeano: A diferença de votos não foi tão grande e pode ser difícil provar que houve fraude. No entanto, há uma outra fraude mais profunda, mais fina e que é mais nociva à democracia: a que cometem os políticos que prometem tudo ao contrário do que depois fazem no poder. Assim eles estão agindo contra a fé na democracia das novas gerações.
Quanto à destituição de Fernando Lugo no Paraguai, pode-se falar de golpe de estado se ela foi baseada nas leis do país?
Galeano: Está claro que no Paraguai foi suave e amplamente um golpe de Estado. Eles golpearam o governo do padre progressista não pelo que tenha feito, mas pelo que poderia fazer.
Não tinha feito grande coisa, mas, como propunha uma reforma agrária – em um país que tem o grau de concentração de poder da terra mais alto na América Latina e em consequência a desigualdade mais injusta – teve algumas atitudes de dignidade nacional contra algumas empresas internacionais toda-poderosas como a Monsanto e proibiu a entrada de algumas sementes transgênicas…
Foi um golpe de Estado preventivo, apenas no caso de, não pelo que és mas pelo que podes chegar a fazer.
Surpreende-lhe que continuem ocorrendo essas situações?
Galeano: O mundo hoje é muito surpreendente. A maioria dos países europeus que pareciam estar vacinados contra golpes de Estado são agora governos governados pelas mãos de tecnocratas designados a dedo por Goldman & Sachs e outras grandes empresas financeiras que não foram votadas por ninguém.
Até mesmo a linguagem reflete isso: os países, que se supõe que são soberanos e independentes, têm que fazer bem seus deveres, como se fossem crianças com tendência à má conduta, e os professores são os tecnocratas que vêm para puxar suas orelhas.
No Terra Brasilis
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Força da blogosfera já assusta mídia tradicional

Nesta semana, Veja circula com oito páginas do Ministério da Educação e uma dos Correios; no entanto, blogueiro da Abril, Reinaldo Azevedo, condena publicidade em meios que fazem “um troço parecido com jornalismo”; nesta quarta-feira, foi arquivado o inquérito contra Erenice Guerra, aquela que Veja ajudou a detonar, com um amontoado de mentiras
José Serra comprou uma briga inglória. Ao propor uma ação judicial contra a publicidade oficial em blogs de dois jornalistas que o criticam, Paulo Henrique Amorim e Luís Nassif, tudo o que ele conseguiu foi uma hashtag #SerraCensor que despontou entre os assuntos mais comentados do dia, além de um artigo de seu porta-voz informal, Reinaldo Azevedo.
O blogueiro da Abril publicou artigo em que condena publicidade em sites que fazem “um troço parecido com jornalismo” (leia mais aqui). Mas disse, no entanto, que veículos tradicionais, como Veja, por exemplo, não devem renunciar à publicidade oficial – já que ela está aí. Veja, de fato, não renuncia a ela. Na edição desta semana, seu maior anunciante é o Ministério da Educação, com oito páginas. Além disso, há também uma página dos Correios.
O movimento de Serra e Reinaldo, na verdade, não ocorre isoladamente. Trata-se de algo organizado. Antes deles, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tratou do tema numa coluna no Estado de S. Paulo. Depois, foi seguido por Eugênio Bucci, que, além de consultor de Roberto Civita, presidente da Abril, foi também citado na decisão do juiz Tourinho Neto que quase soltou Carlos Cachoeira – na decisão, Tourinho, sabe-se lá por que, determinou que o contraventor, em liberdade, não poderia se aproximar de dois jornalistas: Policarpo Júnior e o próprio Bucci.
Enquanto estiveram no poder, os tucanos jamais se incomodaram com a questão da publicidade oficial. Andrea Matarazzo, braço direito de Serra, foi um ministro da Secretaria de Comunicação de FHC muito querido por donos de empresas de mídia. Reinaldo Azevedo, quando foi empresário, teve apoio da Nossa Caixa e do ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, mas o projeto da revista Primeira Leitura acabou naufragando.
O que os incomoda, na verdade, é a nova realidade da informação no Brasil e no mundo. Antes, havia quatro ou cinco famílias relevantes no jogo da informação no Brasil. E os barões da mídia mantinham uma postura aristocrática, cuja cornucópia era alimentada por boas relações no setor público.
Hoje, com a internet, há muito mais vozes. O novo mundo é polifônico. E não apenas os governos, mas também as empresas privadas, já estão abraçando essa nova realidade. Nos Estados Unidos e na Inglaterra, por exemplo, a publicidade na web é muito maior do que nos jornais impressos. Na rede, a relação investimento/retorno é muito mais eficiente, além de mais transparente.

Um troço parecido com jornalismo

A investida do PSDB, com apoio de Reinaldo Azevedo, no entanto, veio em má hora. Nesta quarta-feira, os jornais noticiaram o arquivamento da denúncia contra a ex-ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, por absoluta falta de provas.
Antes do segundo turno das eleições presidenciais de 2010, Veja fez uma denúncia sobre a entrega de malas de dinheiro na Casa Civil, a partir de um diz-que-diz em off, e a Folha de S. Paulo denunciou um lobby bilionário no BNDES feito por um personagem que não passaria pela catraca de segurança da sede do banco na Avenida Chile, no Rio de Janeiro.
Não era jornalismo. Era um troço parecido com jornalismo, que ajudou a levar as eleições presidenciais de 2010 para o segundo turno.
Pode-se discutir a qualidade do jornalismo na internet, assim como nos veículos impressos.
Mas o que a mídia tradicional busca é apenas uma reserva de mercado. E demonstra medo crescente diante da força da internet.
O resto é conversa fiada.
No 247
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