15 de jul de 2012

Paulo Teixeira vai propor cassação de Wilder

Paulo Teixeira vai propor cassação de Wilder 
Deputado petista afirma que mandato do suplente de Demóstenes Torres no Senado é “obra de uma organização criminosa”
O senador Wilder Morais (DEM/GO), suplente de Demóstenes Torres, tomou posse discretamente na última sexta-feira, mas ainda não pode dormir tranquilo. O deputado Paulo Teixeira (PT/SP), vice-presidente da CPI do caso Cachoeira, pretende propor sua cassação, alegando que seu mandato é fruto de uma organização criminosa. Leia, abaixo, a nota publicada na coluna de João Bosco Rabello, do Estado de S. Paulo:
Pela cassação
Vice-presidente da CPI do Cachoeira, o petista Paulo Teixeira (SP), defende a cassação do suplente de Demóstenes, Wilder Morais (DEM-GO), sob o argumento de que seu mandato é obra de uma organização criminosa. Falta só convencer o PT
Em conversas telefônicas captadas pela Polícia Federal, Wilder conversa com Carlos Cachoeira e agradece pelo apoio obtido para que se tornasse suplente de Demóstenes. Curiosamente, Andressa Morais, ex-mulher de Wilder, o trocou por Cachoeira.
No 247
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Como o ultrafechado grupo BilderBerg está atuando na Síria

A líder da oposição síria Bassma Kodmani saindo de uma reunião do grupo BilderBerg
Grupo BilderBerg.
Já ouviu falar? Provavelmente não, pelo seu caráter semiclandestino.
Mas pode ter certeza: poucas organizações são tão influentes quanto o BilderBerg. O nome deriva do hotel em que o grupo se reuniu pela primeira vez, em meados dos anos 1950.
Basicamente, seus integrantes são representantes de grandes governos e grandes corporações. As reuniões são anuais, e o local varia. Mas o conteúdo dos encontros é sempre secreto, e agenda trata da alta política internacional.
O grupo surgiu no rastro da Guerra Fria que opôs os Estados Unidos e a falecida União Soviética, depois da capitulação alemã. Por trás da montagem da organização, havia uma preocupação com um possível surto de antiamericanismo no mundo que colocasse em risco os interesses dos Estados Unidos, primeiro, e do Ocidente, depois. Um dos fundadores do BilderBerg, e ainda hoje ativo na militância, é o banqueiro David Rockfeller.
Rockfeller fundou o movimento e ainda hoje milita
Num universo cambiante e precário, os integrantes mudam. Na última reunião, por exemplo, estava presente o executivo Marcus Agius, presidente do Barclays. Na próxima, provavelmente ele não estará: Agius – nome melhor para um banqueiro não poderia haver – renunciou a seu cargo milionário depois que veio à tona a manipulação criminosa que o Barclays promoveu em torno da Libor, a taxa de juros que, calculada em Londres, governa o mercado financeiro britânico e mundial. (O Barclays foi multado em mais de 400 milhões de dólares, e as consequências se ampliarão consideravelmente quando clientes forem à justiça para reclamar de prejuízos pela manipulação.)
Todos os candidatos à presidência dos Estados Unidos são sabatinados pelo BilderBerg. Fiquemos nos últimos. Clinton? Foi. Bush? Foi. Obama? Foi.
Um colunista do Guardian, o melhor jornal britânico, tem rastreado os passos da sociedade. Seu nome é Charles Skelton.
Ele descobriu um fato interessante. O BilderBerg tem tido um papel vital (e escondido) na cobertura da crise da Síria. As fontes frequentemente citadas pela mídia ocidental como a oposição ao governo têm vínculos com o BilderBerg.
O Conselho Nacional Sírio, CNS, por exemplo. Segundo o Washington Post, o CNS é o “guarda-chuva das principais facções sediadas fora da Síria”. A BBC classifica o CNS como “a principal coalizão de oposição.”
O que é certo, segundo Skelton, é que o CNS é a organização que tem os vínculos mais fortes com o Ocidente – e com o BilderBerg.  A acadêmica Bassma Kodmani, que fica em Paris, é o porta-voz do CNS. Ela participou dos dois mais recentes encontros do CNS. Num deles, um grupo de ativistas fotografou-a num carro saindo na conferência. Kodmani tem reclamado incessantemente intervenção estrangeira na Síria.
Onde as coisas provavelmente vão dar?
Na deposição de Assad, na morte de milhares de soldados e civis – e na instalação de um novo governo que representa mais a causa dos americanos, simbolizada no BilderBerg, que a dos sírios.
Foi isso o que aconteceu no Iraque, para lembrar um caso.
Deu no que deu.
Antes disso, no Irã. No começo da década de 1950, uma conspiração comandada pela Inglaterra e pelos Estados Unidos derrubou o governo democraticamente eleito de Mohammed Mossadegh. Foi colocado no lugar de Mossadegh o localmente abominado xá Reza Pahlevi, títere da plutrocracia ocidental.
O xá acabaria derrubado por um levante popular, anos depois — e em seu lugar tomaria o poder um regime islâmico visceralmente antiamericano sob a égide do aiatolá Khomeini.
A história se repete com irritante constância. A Síria parece ser mais um exemplo.
No Diário do Centro do Mundo
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A lógica por trás do “fim” da CPI do Cachoeira

Reconheço que é um tanto cansativo fazer a crítica da mídia no “varejo”.
Quando a internet ainda era “novidade”, lá pelos idos de 2006 e o Rodrigo Vianna denunciou em carta aberta a manipulação do noticiário da TV Globo durante a campanha presidencial daquele ano, as pessoas ainda se escandalizavam. Hoje dezenas de milhares de pessoas são capazes de fazer sua própria crítica da mídia, sem intermediários.
Mas este caso me chamou especialmente a atenção.
No dia 9 de julho o Valor Econômico veio com essa:
Não, não foi numa coluna opinativa, mas no “noticiário” de política.
“Quando surgiu o escândalo protagonizado por Cachoeira, dirigentes do PT decidiram aproveitar a oportunidade para atacar adversários e desqualificar os responsáveis pelas denúncias de que o partido teria criado um esquema de compra de apoio parlamentar durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Queriam, por exemplo, atacar a imprensa. Outro alvo foi o procurador-geral da República, Roberto Gurgel. A CPI foi instalada no dia 25 de abril. Desde então, a dinâmica dos seus trabalhos acabou inviabilizando o plano inicial da cúpula do PT. Não foram encontradas provas contra jornalistas, e Gurgel não foi abatido”.
Sim, caros leitores, este é um trecho de uma “notícia”. O leitor desavisado do jornal deve ficar se perguntando:
Quem são os dirigentes do PT? Por que o repórter não os identifica e entrevista? Onde, como e quando foi urdido o plano para “desqualificar” os responsáveis pelas denúncias do mensalão? Houve tentativa de desqualificar o Roberto Jefferson, por exemplo, que foi o primeiro a denunciar o mensalão em entrevista à Folha de S. Paulo? O Demóstenes Torres foi “desqualificado” pelo PT ou pelas operações Monte Carlo e Vegas? Não houve dezenas de grampos comprometedores para jornalistas? Quais são as dúvidas suscitadas pelo trabalho do procurador-geral Roberto Gurgel? O esquema criminoso de Carlinhos Cachoeira usava ou não a imprensa?
[Se você é leitor exclusivamente do Valor, clique aqui, aqui e aqui para Roberto Gurgel; aqui, aqui e aqui para a mídia no esquema Cachoeira; siga os links nos textos indicados para ler mais a respeito]
Em vez de esclarecer estas justas dúvidas de quem paga a assinatura, o jornal parte do pressuposto de que seu leitor é desinformado e vai engolir um texto completamente editorializado como se fosse “notícia”.
Como sabemos, foi uma representação do PSOL no Conselho de Ética do Senado que levou à cassação de Demóstenes Torres. A CPI, por sua vez, foi criada para investigar as ramificações da quadrilha de Carlinhos Cachoeira nas esferas pública e privada.
São duas coisas distintas, embora se tangenciem. Como o próprio jornal admite, os investigadores nem puderam analisar todos os documentos recebidos da Justiça e da Polícia Federal.
No curso das investigações, é natural que o PSDB, o DEM, o PSD, o PPS, o PT, o PMDB, o PCdoB e todos os demais partidos façam manobras em busca de seus objetivos.
Mas é muito feio quando a imprensa se entrega ao papel de “acabar” com o que ainda não acabou e faz isso usando a desinformação e presumindo “ignorância” de seus próprios leitores.
Luiz Carlos Azenha
No Viomundo
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A importância de se investigar os fatos do Hotel Naoum

Não pode haver ninguém, nem nenhuma atividade que se desenvolva em nosso país, que esteja acima da lei. Este preceito simples e básico da democracia corria o risco de ser deixado de lado no caso da invasão da minha privacidade por um repórter da revista VEJA, quando eu mantinha meu escritório político no Hotel Noum, em Brasília.
Vocês devem se lembrar, já tratei da questão inúmeras vezes aqui no blog. Segundo noticia corretamente a Carta Capital que está hoje nas bancas, em reportagem de Leandro Fortes, na quarta-feira desta semana (11) foi instaurado um inquérito policial na 5ª Delegacia de Polícia Civil do Distrito Federal para investigar o roubo de imagens feitas por câmeras de segurança de parlamentares e autoridades nos corredores do Hotel Naoum.
Coisas estranhas e inexplicáveis aconteceram com o processo por invasão de privacidade que corria em Brasília contra o repórter da Veja. O delegado Edson Medina de Oliveira, que presidiu o inquérito e indiciou o repórter Gustavo Ribeiro, recomendando ainda ao Ministério Público Distrital que seguisse com o processo na Justiça, foi intempestivamente e sem qualquer explicação afastado da 5ª DP. Em 19 de dezembro do ano passado, o promotor Bruno Osmar Freitas pediu o arquivamento do caso “com base em um argumento confuso”, escreve Fortes.
Pouco mais de um mês depois, em 24 de janeiro de 2012, o juiz Raimundo Silvino da Costa Neto acatou o pedido do promoter e o caso foi encerrado. Assim, não teria havido o crime de invasão de privacidade porque o repórter, denunciado por uma camareira do hotel, acabou fugindo pela escada do hotel, antes de ser pego pelos seguranças, colocados em seu encalço pelo gerente Rogério Tonatto. Estranho argumento.

Roubo das imagens


Agora, o novo inquérito trata de outra coisa: o roubo das imagens das pessoas entrando e saindo do meu escritório no Hotel Naoum. Segundo áudios da Operação Monte Carlo citados por Leandro Fortes, houve negociações entre o bicheiro Carlinhos Cachoeira, arapongas que prestavam serviço a ele e o diretor da Veja em Brasília, Policarpo Júnior, para que as imagens captadas pelas câmaras do sistema de segurança do Hotel pudessem ser utilizadas pela reportagem que a revista publicou sobre minhas atividades na semana seguinte à tentativa de invasão do meu escritório.
Há vários lances na história que merecem ser conhecidos e para isso recomendo a leitura da reportagem “A tramoia do Naoum”, na Carta Capital desta semana. O que é importante ressaltar é a dificuldade para se levar ao devido termo um processo contra a revista em questão e um de seus repórteres, mesmo que o inquérito tenha sido feito e que os fatos tenham sido devidamente documentados, ficando evidente a tentativa da realização do crime, com autoria conhecida e tudo. Espero que este novo inquérito vá até o fim, revelando outro aspecto das atividades criminosas da revista e resultando na punição dos envolvidos, pois é evidente que houve o crime pois as imagens efetivamente foram publicadas pela revista.
E que o inquérito lance luz sobre o funcionamento da “teia de relações entre o bicheiro Carlinhos Cachoeira e a revista Veja”, como escreve Leandro no início da reportagem.
José Dirceu
No Blog do Zé
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Cesar Maia ronda os quartéis

Festa nordestina.
Até aqui a vã tentativa de imitar Carlos Lacerda.
Foto: Reprodução
Nas últimas semanas, o ex-prefeito carioca Cesar Maia assumiu de vez o papel de carpideira de quartéis, para citar expressão usada, nos anos 1960, para identificar políticos envolvidos em golpes militares. Maia tem agido assim. Sistematicamente, vem fazendo denúncias contra ações do governo da presidenta Dilma Rousseff. Para isso ressuscita fantasmas usados contra o presidente Goulart, derrubado no golpe de 1964.
Maia adapta frases adequadas, a uma “guerra fria” inexistente. Os argumentos dele baseiam-se em decisões do governo interna e externamente. Neste último caso, preferencialmente, sobre as relações institucionais amigáveis do Brasil com a Cuba de Fidel, fantasma de outros tempos, e a Venezuela de Chávez, fantasma recente. Dois exemplos publicados no blog dele: “Terceirização Vermelha: em 2013 chegam ao Brasil 1.500 médicos cubanos contratados.”
A denúncia trata de um acordo entre o Brasil e Cuba. Na Ilha foram desenvolvidas experiências de atendimento médico com bons resultados. Elas serão aplicadas aqui por profissionais cubanos. Um trabalho remunerado. Maia dá um colorido de “ameaça vermelha” revivendo os tempos em que dependuravam adversários políticos em “pau de arara”.
Aspas para ele: “Fatos sucessivos indicam que a formação de Dilma na esquerda revolucionária dos anos 1970 estaria incorporando-se a suas ações e decisões”.
Na busca constante e frenética do denuncismo terrorista, Maia atacou o discurso da presidenta do “1º de Maio” quando ela criticou a resistência do sistema financeiro a baixar as taxas de juro. Ele interpretou isso como “polarização política fácil e… oportunista: Dilma x Banqueiros”.
Para entender o jogo calculado de Cesar Maia, basta lembrar que esse tipo de denúncia tem um público cativo, os militares, muito inquieto neste momento em que são recontadas ou reveladas práticas tenebrosas da ditadura.
Não é uma decisão tresloucada de Maia. É loucura calculada. Em livro publicado nos anos 1990, explicou que fazia política com régua e compasso. Foi naquela época que iniciou caminhada-solo após renegar Leonel Brizola.
Passou, então, a se apresentar como “líder da direita”. Para evitar um choque brusco nos eleitores, fez calculadamente uso de um jogo de vogais, com a mesma preposição e a mesma finalidade, de tornar-se “líder de direita”. Ele mudou de lado. Havia uma vaga desde a morte de Carlos Lacerda (1914-1977). Contingente expressivo de eleitores, homens e mulheres, além de setores militares, era identificado como sendo “viúvas de Lacerda”. Por aí ele abriu caminho e, por duas vezes, conquistou a prefeitura do Rio.
Faltou consistência política, carisma e, inclusive, a qualidade intelectual de Lacerda, um dos maiores panfletários brasileiros para se apresentar como líder de direitas. Maia não teve fôlego para voos mais altos. Quando tentou, em 2010, sofreu uma derrota arrasadora como candidato ao Senado apesar de ter abusado dos gestos populistas em busca de votos. O mais representativo deles foi tentar cantar Asa Branca na feira popular nordestina, no Rio.
Agora, apresenta-se em busca de vaga na Câmara de Vereadores.
A disputa é um esforço de Maia para tentar salvar o que resta do DEM no estado do Rio. Nesse sentido, lançou o filho Rodrigo, deputado federal, a prefeito da cidade. Sem chances. É provável, no entanto, que Maia ganhe sobrevida política como vereador.
Mauricio Dias
No CartaCapital
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Dom Eugênio Sales era, com todo o respeito, o cardeal da ditadura

O tratamento que a mídia deu à morte do cardeal dom Eugenio Sales, ocorrida na última segunda-feira, com direito à pomba branca no velório, me fez lembrar o filme alemão "Uma cidade sem passado", de 1990, dirigido por Michael Verhoven. Os dois casos são exemplos típicos de como o poder manipula as versões sobre a história, promove o esquecimento de fatos vergonhosos, inventa despudoradamente novas lembranças e usa a memória, assim construída, como um instrumento de controle e coerção.
Comecemos pelo filme, que se baseia em fatos históricos. Na década de 1980, o Ministério da Educação da Alemanha realiza um concurso de redação escolar, de âmbito nacional, cujo tema é "Minha cidade natal na época do III Reich". Milhares de estudantes se inscrevem, entre eles a jovem Sônia Rosenberger, que busca reconstituir a história de sua cidade, Pfilzing – como é denominada no filme – considerada até então baluarte da resistência antinazista.
Mas a estudante encontra oposição. As instituições locais de memória – o arquivo municipal, a biblioteca, a igreja e até mesmo o jornal Pfilzinger Morgen – fecham-lhe suas portas, apresentando desculpas esfarrapadas. Ninguém quer que uma "judia e comunista" futuque o passado. Sônia, porém, não desiste. Corre atrás. Busca os documentos orais. Entrevista pessoas próximas, familiares, vizinhos, que sobreviveram ao nazismo. As lembranças, contudo, são fragmentadas, descosturadas, não passam de fiapos sem sentido.
A jovem pesquisadora procura, então, as autoridades locais, que se recusam a falar e ainda consideram sua insistência como uma ameaça à manutenção da memória oficial, que é a garantia da ordem vigente. Por não ter acesso aos documentos, Sônia perde os prazos do concurso. Desconfiada, porém, de que debaixo daquele angu tinha caroço – perdão, de que sob aquele chucrute havia salsicha – resolve continuar pesquisando por conta própria, mesmo depois de formada, casada e com filhos, numa batalha desigual que durou alguns anos.
Hostilizada pelo poder civil e religioso, Sônia recorre ao Judiciário e entra com uma ação na qual reivindica o direito à informação. Ganha o processo e, finalmente, consegue ingressar nos arquivos. Foi aí, no meio da papelada, que ela descobriu, horrorizada, as razões da cortina de silêncio: sua cidade, longe de ter sido um bastião da resistência ao nazismo, havia sediado um campo de concentração. Lá, os nazistas prenderam, torturaram e mataram muita gente, com a cumplicidade ou a omissão de moradores, que tentaram, depois, apagar essa mancha vergonhosa da memória, forjando um passado que nunca existiu.
Os documentos registraram inclusive a prisão de um judeu, denunciado na época por dois padres, que no momento da pesquisa continuavam ainda vivos, vivíssimos, tentando impedir o acesso de Sônia aos registros. No entanto, o mais doloroso, era que aqueles que, ontem, haviam sido carrascos, cúmplices da opressão, posavam, hoje, como heróis da resistência e parceiros da liberdade. Quanto escárnio! Os safados haviam invertido os papéis. Por isso, ocultavam os documentos.

Deus tá vendo

E é aqui que entra a forma como a mídia cobriu a morte do cardeal dom Eugênio Sales, que comandou a Arquidiocese do Rio, com mão forte, ao longo de 30 anos (1971-2001), incluindo os anos de chumbo da ditadura militar. O que aconteceu nesse período? O Brasil já elegeu três presidentes que foram reprimidos pela ditadura, mas até hoje, não temos acesso aos principais documentos da repressão.
Se a Comissão Nacional da Verdade, instalada em maio último pela presidente Dilma Rousseff, pudesse criar, no campo da memória, algo similar à operação "Deus tá vendo", organizada pela Policia Civil do Rio Grande do Sul, talvez encontrássemos a resposta. Na tal operação, a Polícia prendeu na última quinta-feira quatro pastores evangélicos envolvidos em golpes na venda de automóveis. Seria o caso de perguntar: o que foi que Deus viu na época da ditadura militar?
Tem coisas que até Ele duvida. Tive a oportunidade de acompanhar a trajetória do cardeal Eugênio Sales, na qualidade de repórter da ASAPRESS, uma agência nacional de notícias arrendada pela CNBB em 1967. Também, cobri reuniões e assembleias da Conferência dos Bispos para os jornais do Rio – O Sol, O Paiz e Correio da Manhã, quando dom Eugênio era Arcebispo Primaz de Salvador. É a partir desse lugar que posso dar um modesto testemunho.   Os bispos que lutavam contra as arbitrariedades eram Helder Câmara, Waldir Calheiros, Cândido Padin, Paulo Evaristo Arns e alguns outros mais que foram vigiados e perseguidos. Mas não dom Eugênio, que jogava no time contrário. Um dos auxiliares de dom Helder, o padre Henrique, foi torturado até a morte em 1969, num crime que continua atravessado na garganta de todos nós e que esperamos seja esclarecido pela Comissão da Verdade. Padres e leigos foram presos e torturados, sem que escutássemos um pio de protesto de dom Eugênio, contrário à teologia da libertação e ao envolvimento da Igreja com os pobres.
O cardeal Eugenio Sales era um homem do poder, que amava a pompa e o rapapé, muito atuante no campo político. Foi ele um dos inspiradores das "candocas" – como Stanislaw Ponte Preta chamava as senhoras da CAMDE, a Campanha da Mulher pela Democracia. As "candocas" desenvolveram trabalhos sociais nas favelas exclusivamente com o objetivo de mobilizar setores pobres para seus objetivos golpistas. Foram elas, as "candocas", que organizaram manifestações de rua contra o governo democraticamente eleito de João Goulart, incluindo a famigerada "Marcha da família com Deus pela liberdade", que apoiou o golpe militar, com financiamento de multinacionais, o que foi muito bem documentado pelo cientista político René Dreifuss, em seu livro "1964: A Conquista do Estado" (Vozes, 1981). Ele teve acesso ao Caixa 2 do IPES/IBAD.
Nós, toda a torcida do Flamengo e Deus que estava vendo tudo, sabíamos que dom Eugênio era, com todo o respeito, o cardeal da ditadura. Se não sofro de amnésia – e não sofro de amnésia ou de qualquer doença neurodegenerativa – posso garantir que na época ele nem disfarçava, ao contrário manifestava publicamente orgulho do livre trânsito que tinha entre os militares e os poderosos.
"Quem tem dúvidas…basta pesquisar os textos assinados por ele no JB e n'O Globo" – escreve a jornalista Hildegard Angel, que foi colunista dos dois jornais e avaliou assim a opção preferencial do cardeal:
"A Igreja Católica, no Rio, sob a égide de dom Eugenio Salles, foi cada vez mais se distanciando dos pobres e se aproximando, cultivando, cortejando as estruturas do poder. Isso não poderia acabar bem. Acabou no menor percentual de católicos no país: 45,8%…"

Portões do Sumaré

Por isso, a jornalista estranhou – e nós também – a forma como o cardeal Eugenio Sales foi retratado no velório pelas autoridades. Ele foi apresentado como um combatente contra a ditadura, que abriu os portões da residência episcopal para abrigar os perseguidos políticos. O prefeito Eduardo Paes, em campanha eleitoral, declarou que o cardeal "defendeu a liberdade e os direitos individuais". O governador Sérgio Cabral e até o presidente do Senado, José Sarney, insistiram no mesmo tema, apresentando dom Eugênio como o campeão "do respeito às pessoas e aos direitos humanos".
Não foram só os políticos. O jornalista e acadêmico Luiz Paulo Horta escreveu que dom Eugênio chegou a abrigar no Rio "uma quantidade enorme de asilados políticos", calculada, por baixo, numa estimativa do Globo, em "mais de quatro mil pessoas perseguidas por regimes militares da América do Sul". Outro jornalista, José Casado, elevou o número para cinco mil. Ou seja, o cardeal era um agente duplo. Publicamente, apoiava a ditadura e, por baixo dos panos, na clandestinidade, ajudava quem lutava contra. Só faltou arranjarem um codinome para ele, denominado pelo papa Bento XVI como "o intrépido pastor".
Seria possível acreditar nisso, se o jornal tivesse entrevistado um por cento das vítimas. Bastaria 50 perseguidos nos contarem como o cardeal com eles se solidarizou. No entanto, o jornal não dá o nome de uma só – umazinha – dessas cinco mil pessoas. Enquanto isto não acontecer, preferimos ficar com o corajoso depoimento de Hildegard Angel, cujo irmão Stuart, foi torturado e morto pelo Serviço de Inteligência da Aeronáutica. Sua mãe, a estilista Zuzu Angel, procurou o cardeal e bateu com a cara na porta do palácio episcopal.
Segundo Hilde, dom Eugênio "fechou os olhos às maldades cometidas durante a ditadura, fechando seus ouvidos e os portões do Sumaré aos familiares dos jovens ditos "subversivos" que lá iam levar suas súplicas, como fez com minha mãe Zuzu Angel (e isso está documentado)". Ela acha surpreendente que os jornais queiram nos fazer acreditar "que ocorreu justo o contrário!", como no filme "Uma cidade sem passado".
Mas não é tão surpreendente assim. O texto de Hildegard menciona a grande habilidade, em vida, de dom Eugenio, em "manter ótimas relações com os grandes jornais, para os quais contribuiu regularmente com artigos". As azeitadas relações com os donos dos jornais e com alguns jornalistas em postos-chave continuaram depois da morte, como é possível constatar com a cobertura do velório. A defesa de dom Eugênio, na realidade, funciona aqui como uma autodefesa da mídia e do poder.
Os jornais elogiaram, como uma virtude e uma delicadeza, o gesto do cardeal Eugenio Sales que cada vez que ia a Roma levava mamão-papaia para o papa João Paulo II, com o mesmo zelo e unção com que o senador Alfredo Nascimento levava tucumã já descascado para o café da manhã do então governador Amazonino Mendes. São os rituais do poder com seus rapapés.
"Dentro de uma sociedade, assim como os discursos, as memórias são controladas e negociadas entre diferentes grupos e diferentes sistemas de poder. Ainda que não possam ser confundidas com a "verdade", as memórias têm valor social de "verdade" e podem ser difundidas e reproduzidas como se fossem "a verdade" – escreve Teun A. van Dijk, doutor pela Universidade de Amsterdã.
A "verdade" construída pela mídia foi capaz de fotografar até "a presença do Espírito Santo" no funeral. Um voluntário da Cruz Vermelha, Gilberto de Almeida, 59 anos, corretor de imóveis, no caminho ao velório de dom Eugênio, passou pelo abatedouro, no Engenho de Dentro, comprou uma pomba por R$ 25 e a soltou dentro da catedral. A ave voou e posou sobre o caixão: "Foi um sinal de Deus, é a presença do Espírito Santo" – berraram os jornais. Parece que vale tudo para controlar a memória, até mesmo estabelecer preço tão baixo para uma das pessoas da Santíssima Trindade. É muita falta de respeito com a fé das pessoas.  
"A mídia deve ser pensada não como um lugar neutro de observação, mas como um agente produtor de imagens, representações e memória" nos diz o citado pesquisador holandês, que estudou o tratamento racista dispensado às minorias étnicas pela imprensa europeia. Para ele, os modos de produção e os meios de produção de uma imagem social sobre o passado são usados no campo da disputa política.
Nessa disputa, a mídia nos forçou a fazer os comentários que você acaba de ler, o que pode parecer indelicadeza num momento como esse de morte, de perda e de dor para os amigos do cardeal. Mas se a gente não falar agora, quando então? Stuart Angel e os que combateram a ditadura merecem que a gente corra o risco de parecer indelicado. É preciso dizer, em respeito à memória deles, que Dom Eugênio tinha suas virtudes, mas uma delas não foi, certamente, a solidariedade aos perseguidos políticos para quem os portões do Sumaré, até prova em contrário, permaneceram fechados. Que ele descanse em paz!
P.S: O jornalista amazonense Fábio Alencar foi quem me repassou o texto de Hildegard Angel, que circulou nas redes sociais. O doutor Geraldo Sá Peixoto Pinheiro, historiador e professor da Universidade Federal do Amazonas, foi quem me indicou, há anos, o filme "Uma cidade sem passado". Quem me permitiu discutir o conceito de memória foram minhas colegas doutoras Jô Gondar e Vera Dodebei, organizadoras do livro "O que é Memória Social" (Rio de Janeiro: Contra Capa/ Programa de Pós- Graduação em Memória Social da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, 2005). Nenhum deles tem qualquer responsabilidade sobre os juízos por mim aqui emitidos.
José Ribamar Bessa Freire e professor, coordena o Programa de Estudos dos Povos Indígenas (UERJ) e pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Memória Social (UNIRIO)
No Blog da Amazônia
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Quem não é?

O Tribunal Federal da Suíça afirmou, num documento recém-publicado, que João Havelange e Ricardo Teixeira receberam suborno para influenciar a Fifa na decisão de quem faria a transmissão das Copas do Mundo de 2002 e 2006 e em outros acordos da Fifa e da CBF.
O documento custou a ser publicado porque os advogados da Fifa argumentaram, em defesa de Havelange e Teixeira, que o pagamento de suborno é pratica comum na América do Sul e na África, onde a propina faz parte do salário “da maioria da população”.
Foi publicado agora porque o presidente da Fifa, Joseph Blatter, que deve seu cargo ao Havelange, resolveu usar seu ex-chefe e Teixeira como exemplos de que está combatendo a corrupção. Antes abraçava os dois e seu esquema, agora os apunhala pelas costas com o relatório finalmente liberado da justiça suíça. Gente fina.
Você, eu e a maioria da população brasileira teríamos motivos para nos indignar com a afirmação de que nosso salário é normalmente reforçado por propina, vinda sabe-se lá de onde, e que Havelange e Teixeira só estariam sendo um pouco mais brasileiros do que o normal.
Mas nos mesmos jornais que trazem a notícia da denuncia de Havelange e Teixeira e a revelação de que a Fifa nos considera todos corruptos lemos que o suplente do Demóstenes Torres, cassado pelas suas ligações com o Carlinhos Cachoeira, também tem ligações com o Carlinhos Cachoeira , além de precisar explicar por que deixou de declarar boa parte do seu patrimônio ao fisco. Fica-se com a impressão de que a Fifa tem razão.
Me lembrei do texto que escrevi certa vez sobre a visita de uma comissão a um manicômio. A comissão é recebida por uma recepcionista, que passa a dar instruções desencontradas sobre como chegar ao gabinete do diretor — “Entrem por aquele corredor marchando de costas e cantando a Marselhesa” — até que vem um médico buscá-la, explicando que se trata de uma louca que pensa que é recepcionista. Mas o médico não é médico, também é um louco passando por médico, e que é levado por um segurança. Que não é um segurança, é outro louco que declara ser sobrinho-neto do Hitler, e é levado por um enfermeiro para o seu quarto. Mas o enfermeiro também não é enfermeiro, é um louco que etc, etc. A comissão finalmente chega ao gabinete do diretor — ou alguém que pode ser o diretor ou um louco que se passa pelo diretor. Como saber se é o diretor mesmo?
— Não há como saber — diz o possivel diretor. — Nem eu sei. Mas temos que supor que eu sou o diretor e não outro louco. Senão isto aqui vira um caos!
Temos que supor que nem todos são corruptos, ou afilhados reais ou simbólicos do Carlinhos Cachoeira. Senão isto aqui fica ingovernável.
Luís Fernando Veríssimo
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Shopping de luxo?

Bunker vip. Com seguranças em todo o canto a proibir fotos, o shopping protege os clientes, como a senhora que descobriu ter acesso ao lounge "One" e matou a sede causada pela linguiça com água de graça. Fotos: Olga Vlahou
Parece uma visita a Guantánamo, a prisão americana encravada em Cuba, na qual os acusados aguardam o destino no limbo jurídico da ilha. O design, verdade, é mais clean, a arquitetura, minimalista, menos concreto e mais vidro preenchem o espaço do cubo branco entre torres empresariais recém-erguido no Itaim Bibi, zona sul de São Paulo. No lugar de coqueiros, arecas, palmeiras raquíticas que são a crème de la crème do paisagismo, e orquídeas-brancas, entre joalherias, fornerias, champanherias projetadas sobre as entranhas geladas do shopping JK Iguatemi. Mas o sigilo é o mesmo da prisão. Não, não pode fotografar os clientes AAA, nem abordálos ou olhá-los por muito tempo, sob pena de incorrer numa pouquíssimo elegante falta de decoro. Tampouco se deve enquadrar a fachada das lojas de grife, falar com qualquer funcionário, perguntar qualquer coisa a quem quer que seja além da assessora de imprensa, que chega (quase) pontualmente para limitar as impressões a um mínimo múltiplo comum.
No JK, às 11 da manhã há mais seguranças que clientes. Às 2 da tarde, os números se invertem. Mas a eficaz comunicação entre eles multiplica sua presença, diretamente proporcional ao valor das mercadorias, que tende a baixar conforme se vai do térreo ao terraço. Para os que se engraçarem, uma olhadela nos homens com pistolas na coxa e um carro escrito “segurança” em letras garrafais talvez aclare as ideias. “Eles estão comigo”, diz Duda, a assessora, enquanto caminha apressada pelos corredores de ângulos retíssimos do térreo, onde se concentram as lojas caras, como Dolce & Gabbana, Prada e Chanel, além de joa­lherias. A interpelação se repetiria 11 vezes. “Eles estão comigo. Comigo. Comigo.”
Um segurança explica a razão. “Estão todos morrendo de medo dessa série de roubos a shoppings. Aqui tem muita joia, coisa boa de madame. É outro tipo de gente, entendeu?” Uma gente que compra o casaco de lã de carneiro ou estampa de oncinha da Dolce & Gabbana (feitos na Itália, é claro) por 17 mil reais, “para usar na Europa, pois são pessoas que fazem esse trajeto com frequência”, explica a vendedora, os pezinhos descrevendo um plié. Para combinar, um anel de 59,4 mil reais, pulseiras cravejadas com diamantes de 144 mil, ou mesmo um colar de pedras por meio milhão de reais ficam à mostra nas vitrines.
Inaugurado há três semanas como o mais novo shopping da cidade onde 54 deles criam uma espécie de conturbação do consumo, o empreendimento da WTorre precisava se distinguir dos demais. Logo a expressão “primeira loja da marca no Brasil” passou a pipocar nas colunas de moda da mídia: a primeira loja da Prada, a primeira loja da Dolce, da Chanel, da Sephora. Que a maioria dos grandes nomes trazidos para atrair a atenção para a exclusividade do negócio seguisse fechada após quase um mês de funcionamento pareceu não ser um problema para o shopping. Entende-se. Carlos Jereissati, o dono, e seus lojistas estão satisfeitos com a simples abertura pela metade, após mais de dois meses de impasse a sangrar os cofres de todos. A Justiça havia entendido que o empreendimento não cumprira as exigências para reduzir o impacto do trânsito, fruto dos milhares de carros a serem cuspidos nas ruas da região pelos cerca de 20 mil frequentadores diários do shopping. Habite-se e autorização de funcionamento da CET só foram liberados dias antes. Então foi com bolo e espumante improvisados que as lojas abertas fizeram seu début, para não menos de 70 mil visitantes só no primeiro fim de semana. Paulistano gosta mesmo de shopping.
Algumas lojas de grife ainda estão fechadas. Nesta
sexta-feira 13, a inauguração da primeira loja de cosméticos
Sephora no País gerou tumulto. Foto: Olga Vlahou
“Esta é uma vista realmente paulistana”, arrisca a assessora, quando a escada rolante joga os visitantes no terraço com sofás, arecas e o Rio Pinheiros a desenhar o horizonte com seus arranha-céus e a preencher o espaço com o cheiro inconfundível, como um anacrônico Tâmisa. Ali também jaz o fantasmagórico prédio da antiga Daslu, erguido como um monumento ao consumismo local. Claro, há uma loja, e das grandes, no térreo. Mas a Daslu ficou démodé. Já o empório de vinhos high tech de Ciro Lilla evola futuro. Na Mistral, as paredes curvadas cravejadas de garrafas dividem espaço com telões: basta tocar na garrafa que as informações sobre o vinho surgem do além. Numa mesa ao fundo, o cliente põe a garrafa sobre a tela: um código de barras traz as informações sobre a safra, a uva, o sabor. Com certa cortesia, consegue-se até saber sobre o vinho mais raro da casa, um Petrus safra 2000, de 13 mil reais.
Oficialmente, o shopping é “plural”. As lojas âncoras são Zara, Top Shop, Livraria da Vila. Há Ponto Frio, Havaianas e “até mesmo” lotérica. “Já viu shopping de luxo ter Havaianas?”, diz outro assessor. Mas os lojistas parecem não crer na onda do “mix plural”. Na Havaianas, um par de sandálias pode custar 13 reais ou 437, se incrustado de cristais Svarovsky e trabalhado em fios de ouro. No Ponto Frio, tevês de plasma com telas gigantescas formam um paredão de pontos de luz, por até 9,5 mil reais a unidade. A ideia parece ser expor na entrada o que há de mais caro, não as pechinchas. Mulheres com roupas extravagantes, peles, casacos e bolsas “máxi” dão com a cara nas portas fechadas das grifes e suspiram. Outras, menos endinheiradas, fascinadas por moda, irritam-se. “Estou odiando este shopping. Tudo que é bom está fechado”, critica a blogueira de moda Jessica Flores, do Borboletas na Carteira.
Mas a joia da coroa fica escondida. É o Espaço One, área exclusiva para sócios cadastrados. Para tal, é preciso juntar pontos (em compras). O cartão dá direito a um personal shopper, espécie de conselheiro de compras privado, carregadores de sacolas e o direito a fugir do burburinho na sala climatizada. Ali, duas mulheres, mãe e filha, descobrem ser vips. “Eu tenho cartão do outro Iguatemi”, diz, vitoriosa, a mulher de blusa de oncinha. Elas passeiam, torcem o nariz e rumam para a saída. Mas a mãe dá meia-volta. Pega uma garrafa de água com o logo do JK e põe na bolsa. “Comi pão de linguiça. Daqui a pouco vai dar uma sede do cão.” Talvez não seja mesmo de luxo.
Willian Vieira
No CartaCapital
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Dra. Ricupero ganhou bolsa de estudos em Paris e deu calote de R$ 362 mil no CNPq

Se uma beneficiária do Bolsa Família deixasse de cumprir contrapartidas e ficasse com R$ 360,00 do benefício indevidamente, seria forte candidata a ganhar editorais no jornal O Globo, na Folha, no Estadão e até seus 15 minutos de fama no Jornal Nacional. No caso, má fama.
Já uma doutora de sobrenome ilustre que ficou com R$ 362 mil indevidos, de uma bolsa de estudos em Paris, em processo que se arrasta por 20 anos, não merece nenhuma linha no noticiário.
http://www.tcu.gov.br/Consultas/Juris/Docs/judoc/Acord/20060602/TC-018-410-2004-1.doc
Cristina Ricupero é "gente finíssima", daquelas que encanta o alto tucanato, pela sua cultura e formação acadêmica, cujo auge foi um doutorado na França. Tem uma bem sucedida carreira internacional de curadora e pesquisadora de arte, organizando mostras e exposições internacionais na Europa.
Até aí, críticas a ela seria coisa de ranzinza ou inveja, não fosse por um detalhe: quem pagou a bolsa de doutorado dela na França (de 1986 até 1990), foi o povo brasileiro, através do CNPq (órgão do governo federal), e ela não cumpriu as contrapartidas obrigatórias (retornar ao Brasil, permanecer no país por um período igual ao da duração da bolsa, exercendo atividades ligadas aos estudos realizados).
Sem cumprir aquelas contrapartidas que ela assumiu compromisso quando se inscreveu para a bolsa, a opção era devolver aos cofres públicos cerca de R$ 362 mil referente aos valores da bolsa recebida (R$ 77.586,18 apurados pelo TCU até 2001, mais correção do débito judicial).
Desde 1992 ela vem sendo intimada a prestar contas das contrapartidas. Oito anos depois (as coisas andam lentas para gente diferenciada do lado de lá), em 2000, nova cobrança do CNPq e nova resposta, omitindo a comprovação das contrapartidas. De 2001 em diante, o CNPq notificou-a diversas vezes para comprovar a contrapartida ou devolver o dinheiro da bolsa. Nem uma coisa, nem outra, foi feita.
Diante do calote, o CNPq considerou Cristina Ricupero inadimplente, promoveu a inscrição do seu nome na conta "Diversos Responsáveis" do Sistema Integrado de Administração Financeira - SIAFI e no Cadastro Informativo de Créditos não quitados de Órgãos e Entidades Federais - CADIN, e ela foi condenada pelo TCU (Tribunal de Contas da União) a devolver o dinheiro. A doutora não devolveu.
Em 2010, o CNPq entrou com execução fiscal na Justiça Federal de Primeiro Grau em São Paulo (processo 0042673-18.2010.4.03.6182), e já há sentença de penhora de bens:

Processo 0042673-18.2010.4.03.6182 em http://www.jfsp.jus.br/foruns-federais/
Mesmo assim, o tucanato paulista, do governador Geraldo Alckmin (PSDB), tem planos para contratá-la, através da Pinacoteca do Estado de São Paulo, no projeto de uma exposição em 2013, chamada “Brasília, entre o Modernismo Utópico e a Busca Espiritual".
Sobrenome ilustre
O sobrenome da "doutora" é o mesmo do ex-ministro da fazenda Rubens Ricupero, sucesssor de FHC, durante o governo Itamar Franco. Não sei se há relação de parentesco ou não. Mas ambos fazem parte do conselho de uma ONG chamada Instituto Escola São Paulo, o que mostra participarem de uma mesma rede de relacionamentos.
Parentes ou não, a princípio, o ex-ministro não é responsável pelo calote da doutora, se não estiver envolvido. Ricúpero é responsável pelo escândalo da parabólica, quando confessava em "off" atos de corrupção eleitoral em conluio com a Rede Globo.
O ex-ministro, enquanto aguardava nos estúdios da TV o momento de entrar no ar, falava que não tinha escrúpulos ao usar o plano real para fazer campanha eleitoral subliminar para FHC contra Lula em 1994. Soltou a famosa frase: "o que é bom a gente fatura e o que é ruim a gente esconde" (do noticiário) e combinava uma entrevista exclusiva ao programa Fantástico, para mostrar "só o que era bom", com a cumplicidade da TV Globo. Uma câmara estava aberta levando as imagens ao ar via parabólica e ele teve que se demitir para abafar o caso.
No Amigos do Presidente Lula
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Cana Nossa

Quando a presidenta Dilma foi aos EUA para reconhecimento da Cachaça como bebida brasileira, a Folha, com seus colunistas, debochou, mas agora saiu no "The New York Times" e a entreguista colonizada resolveu mostrar que houve vantagem na ação do governo brasileiro. É triste!

Após campanha de produtores e do governo brasileiro, cachaça vive grande momento nos EUA

The New York Times
A curta história da cachaça nos Estados Unidos é mais ou menos assim: chega o novo milênio, os norte-americanos descobrem a caipirinha e gostam (fácil). Os norte-americanos também aprendem a pronunciar caipirinha (um pouco mais difícil). Os norte-americanos aprendem a pronunciar cachaça, o destilado brasileiro necessário para fazer a capirinha (ainda mais difícil).
E é mais ou menos aí que as coisas estão. Apesar de um crescimento constante nas vendas ao longo dos últimos cinco anos e do número cada vez maior de marcas disponíveis, a cachaça tem um perfil estreito de uso. Poucas bebidas são tão ligadas a um único coquetel na mente do consumidor (e neste caso, um coquetel que pode ter já ultrapassado o seu momento de maior sucesso).
Mas a cachaça pode estar pronta para seu segundo ato.
Depois de uma longa campanha por parte de alguns produtores da bebida e do governo brasileiro, os Estados Unidos decidiram em abril iniciar o processo que reconhecerá o destilado de cana-de-açúcar sul-americano com séculos de existência como uma bebida distinta. Os fabricantes não serão mais obrigados a rotular suas garrafas com os dizeres “rum brasileiro”. (Em troca, o Brasil fará um reconhecimento semelhante do bourbon norte-americano e do uísque do Tennessee.)
E em maio, a Diageo, o gigante conglomerado das bebidas alcoólicas, abraçará a Ypioca, a terceira maior marca brasileira de cachaça, comprando a companhia por cerca de US$ 470 milhões. Esses votos de confiança no elixir nacional brasileiro acontecem enquanto o país se prepara para seu duplo espetáculo: a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.
“Acho que será um grande momento para a cachaça”, disse Martin Cate, dono do bar Smuggler's Cove em San Francisco, sobre os dois eventos internacionais.
Mas para se valer totalmente do momento, a bebida terá que primeiro sacudir sua imagem de mágico de um truque só.
“É parecido com o que o rum agrícola passou aqui”, disse Cate, mencionando o primo fraco-caribenho da cachaça, que também é destilado do caldo da cana-de-açúcar.
“Eles têm seu drinque característico, o 'ti punch'”, disse ele, referindo-se ao drinque feito de rum agrícola, limão e melado. “É um ótimo ponto de partida.”
Mas isso isola a bebida, diz ele.
“Acho que os produtores de cachaça estão dizendo agora: 'podemos chegar com a caipirinha, mas precisamos seguir adiante a partir daí'”, diz Cate.
E estão indo para bares como os de Cate. A explosão dos tiki-bar nos últimos cinco anos rendeu uma nova oportunidade à cachaça. Os fabricantes da bebida odeiam ser misturados com o mundo do rum.
“Eles sempre brincam que o rum deveria ser chamado de cachaça do Caribe, e não o contrário”, diz Steve Luttmann, fundador da marca Leblon.
Mas não há dúvidas de que a cachaça desce mais fácil...
Robert Simonson
Tradutor: Eloise De Vylder
No Aposentado Invocado
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De repente, classe C

Sou ex-pobre. Todos querem me vender geladeira agora. O trem ainda quebra todo dia, o bairro alaga. Mas na TV até trocaram um jornalista para me agradar
Eu me considerava um rapaz razoavelmente feliz até descobrir que não sou mais pobre e que agora faço parte da classe C.
Com a informação, percebi aos poucos que eu e minha nova classe somos as celebridades do momento. Todo mundo fala de nós e, claro, quer nos atingir de alguma forma.
Há empresas, publicações, planos de marketing e institutos de pesquisa exclusivamente dedicados a investigar as minhas preferências: se gosto de azul ou vermelho, batata ou tomate e se meus filmes favoritos são do Van Damme ou do Steven Seagal.
(Aliás, filmes dublados, por favor! Afinal, eu, como todos os membros da classe C, aparentemente tenho sérias dificuldades para ler com rapidez essas malditas legendas.)
A televisão também estudou minha nova classe e, por isso, mudou seus planos: além do aumento dos programas que relatam crimes bizarros (supostamente gosto disso), as telenovelas agora têm empregadas domésticas como protagonistas, cabeleireiras como musas e até mesmo personagens ricos que moram em bairros mais ou menos como o meu.
A diferença é que nesses bairros, os da novela, não há ônibus que demoram duas horas para passar nem buracos na rua.
Um telejornal famoso até trocou seu antigo apresentador, um homem fino e especialista em vinhos, por um âncora, digamos, mais povão, do tipo que fala alto e gosta de samba. Um sujeito mais parecido comigo, talvez. Deve estar lá para chamar a minha atenção com mais facilidade.
As empresas viram a luz em cima da minha cabeça e decidiram que minha classe é seu novo alvo de consumo. Antes, quando eu era pobre, de certo modo não existia para elas. Quer dizer, talvez existisse, mas não tinha nome nem capital razoável.
De modo que agora elas querem me vender carros, geladeiras de inox, engenhocas eletrônicas, planos de saúde e TV por assinatura. Tudo em parcelas a perder de vista e com redução do IPI.
E as universidades privadas, então, pipocam por São Paulo. Os cursos custam R$ 200 reais ao mês, e isso se eu não quiser pagar menos, estudando à distância.
Assim como toda pasta de dente é a mais recomendada entre os dentistas, essas universidades estão sempre entre as mais indicadas pelo Ministério da Educação, como elas mesmas alardeiam. Se é verdade ou não, quem pode saber?
E se eu não acreditar na educação privada, posso tentar uma universidade pública, evidentemente. Foi o que fiz: passei numa federal, fiz a matrícula e agora estou em greve porque o campus cai aos pedaços. Não tenho nem sala de aula.
Não que eu não esteja feliz com meu novo status de consumidor, não deve ser isso. (Agora mesmo escrevo em um notebook, minha TV tem cem canais de esporte e minha mãe prepara a comida num fogão novo; se isso não for felicidade, do que se trata, então?)
O problema é que me esforço, juro, mas o ceticismo ainda é minha perdição: levo 2h30 para chegar ao trabalho porque o trem quebra todos os dias, meu plano de saúde não cobre minha doença no intestino e morro de medo das enchentes do bairro.
Leandro Machado
No Advivo
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Chávez com pouco apoio na Venezuela

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As provas da venda da Casa de Marconi para Cachoeira

A Excitante Indústria e Comércio de Confecções Ltda, razão social da grife Babiole, é uma empresa goiana conceituada, de Leonardo Souza Ramos, primo de Carlinhos Cachoeira.
No extrato abaixo, os dados finais que comprovam a operação Cachoeira-Perillo na venda da sua casa. Ou seja, Perillo se valeu do dinheiro do crime organizado na venda da casa.
O extrato da Excitante
A revista Época desta semana contou parte da história.
Aqui vai a história com mais detalhes e informações sobre a operação.

A triangulação do dinheiro


Em fevereiro de 2011, Marconi decidiu vender a casa. Conversou com seu assessor Wladimir Garcez, que entrou em contato com Cachoeira. O bicheiro decidiu comprar porque era uma boa casa, mas não apenas isso: era a casa do governador.
Wladimir GarcezA compra da casa foi concluída até 28 de fevereiro.
Do dia 28 ao dia 3 há um bom conjunto de áudios, 18 no total, mostrando o fechamento do negócio. A casa foi vendida por R$ 1,4 milhão.
Nas negociações, Cachoeira ligou para seu sobrinho Leonardo Souza Ramos. Como era a casa do governador, o dinheiro não dava para vir diretamente das empresas-laranjas do bicheiro.
Aí se monta a triangulação captada pelo extrato da Excitante.
1. No dia 1o de março de 2011, a Adécio & Rafael Construção e Incorporação (uma das empresas fantasmas de Cachoeira) deposita R$ 250 mil na conta da Excitante. No dia seguinte, mais R$ 250 mil. No mesmo dia, a Excitante emite um cheque de R$ 500 mil.
2. No dia 31 de março, a Alberto e Pantoja Construções (outra fantasma) emite mais um cheque de R$ 250 mil para a Excitante. No dia 4 de abril, mais um cheque de R$ 250 mil, enquanto a Excitante emite um cheque de R$ 500 mil.
3. No dia 2 de maio, a Alberto e Pantoja deposita mais R$ 400 mil na conta da Excitante. No mesmo dia, a Excitante emite outro cheque de R$ 400 mil.

A preocupação de Cachoeira


Ao longo de março e abril, os grampos captaram a preocupação de Cachoeira com o negócio. Formou-se um burburinho, muitos comentando a operação.
A escritura de compra estava em nome de André Teixeira Jorge, o Deca, homem da Cachoeira para as empresas de comunicação do grupo. Cachoeira decide, então, vender a casa.
Um dos diálogos gravados, mostra o desconforto de Cachoeira.  Ligou para lá um corretor de nome Rodolfo, querendo intermediar a venda. Em seguida, Cachoeira ligou para Cláudio Abreu e lhe passou uma bronca, acusando-o de espalhar que ele havia decidido vender a casa.
Garcez sai à cata de comprador e encontra Walter Paulo, o dono da faculdade.
Walter adquire a casa por R$ 2,1 milhão – R$ 500 mil a mais do que Cachoeira havia pago, e entrega a caixa em espécie.
Aparentemente, Walter Paulo não sabia que a casa estava sendo vendida por Cachoeira. Ele achava, de fato, que estava comprando a casa do governador. Tanto assim, que exige que o próprio governador receba o dinheiro.

O papel de Lúcio Fiuza


Perillo envia para lá Lucio Fiuza (espécie de assessor faz-tudo de Perillo) , quetoma a frente das negociações e recebe os R$ 2,1 milhão de Walter Paulo.
Nos áudios, fica claro a divisão do botim. Lucio comparece, recebe a maleta de dinheiro, retém R$ 500 mil adicionais para Marconi, R$ 100 mil para Garcez, R$ 100 mil para Fiuza e entrega R$ 1,4 milhão para Cachoeira.
Na primeira etapa da operação, Garcez já havia repassado três cheques de R$ 500 mil para Fiuza, que deposita na conta de Marconi.
Lúcio Fiuza é figura chave no que se poderia denominar de esquema Marconi. Não é apenas um facilitador, mas também empresta (ou repassa) dinheiro para o governador. Em sua declaração de renda consta um empréstimo de R$ 150 mil para Marconi. É figura chave para explicar a relação de Marconi com Cachoeira.
Concretizada a venda, a noiva de Cachoeira, Andreza se descabela, chora dizendo que havia gostado da casa, gasto R$ 500 mil com decoração. Se não arrumasse outra casa para morarem, iria se separar do bicheiro.
É aí que Cachoeira pede para Garcez conversar com Walter Paulo para alugar a casa para eles. Walter cede e não cobra aluguel
É nessa casa que Cachoeira será preso.
Luiz Nassif
No Advivo
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Por que Cachoeira tinha que ir à SP do Serra

O que poderia ele querer com São Paulo, essa praça cobiçada?
Em 2008, o tucano governador Perillo – o que já era – legalizou o jogo em Goiás e concedeu a exploração de loterias ao amigo do peito da Veja, o Carlinhos Cachoeira.
O Secretário de Segurança, por notável coincidência, Demóstenes Torres, passou a reprimir com implacável tenacidade o jogo ilegal em Goiás.
Especialmente uma mafia espanhola que controlava os caça níqueis.
A Polícia de Goiás parecia a Scotland Yard, sob Demóstenes – nessa breve fase.
Aí, o Supremo considerou o jogo ilegal.
E, numa súbita mudança de política de Segurança, o tucano Governador e o que, depois, seria o Catão do Cerrado passaram a dar cobertura ao jogo ilegal (do amigo do Policarpo, o Carlinhos).
A Polícia de Goiás se tornou uma espécie de segurança privativa das casas de jogos do Carlinhos.
Era impressionante: ele sabia, antes, quando ia haver batida nas casas dele.
Uma coincidência notável!
Aí, chegou a Goiás uma família do Espírito Santo, que queria competir com Carlinhos.
Carlinhos, o amigo do Policarpo, fez um “gran acuerdo” com os forasteiros: eu te cobro pelo direito de explorar em torno de Valparaiso, perto de Brasília, e te cobro pela segurança para operar lá.
Ganhava duas vezes e não brigava.
Um "jenio" que só a Veja àquela altura podia reconhecer!
O jogo começou a gerar uma receita descomunal.
Era preciso ampliar os negócios.
Ele comprou a Vitapan, no polo de genéricos de Anápolis, em Goiás, criado por iniciativa de "Padim Pade Cerra", quando “o era maior ministro da Saúde que esse país já teve”.
A Vitapan limpa o dinheiro do jogo.
É na Vitapan que ele se encontra com o Policarpo, como demonstrou o Ernani de Paula, naquela reportagem da TV Record que melou o mensalão.
O dinheiro jorrava.
Carlinhos resolve ir para o ramo da construção civil.
Onde rola muito dinheiro vivo, sem precisar de banco.
Cria um arco de empresas que servem à construção civil.
Corrompe agentes públicos que contratam obras de construção civil.
Ganha concorrências.
E em 2005 cruza com a Delta em Goiás.
Para corromper, informar-se e ter certeza de que vai ganhar concorrências, ele monta uma rede de arapongas.
Eles tem também a função de construir biografias de amigos e destruir biografias de inimigos.
Investe primeiro na chamada imprensa de Goiás.
E depois dá o pulo Federal: mete a mão na Veja.
A Veja passa a ser seu instrumento principal para detonar governos e fazer negócios.
É claro, como diz o Senador Fernando Collor que a Veja sabia que tratava com o crime organizado, e dele era cúmplice e instrumento.
Jairo e o Dadá, os que montaram os trampos para detonar o PT – na cena da corrupção dos Correios, no hotel Nahoum – passam a trabalhar para a Veja, a mando do Carlinhos.
E para salvar da forca a cabeça do Daniel Dantas, com o grampo sem áudio entre o "Gilmar Dantas" e o Catão do Cerrado – aquele que disse ao Carlinhos a frase histórica “o Gilmar mandou subir”.
(E o "Gilmar Dantas" tomou o que chamou de “decisão técnica”.)
Há algum tempo, Carlinhos percebeu que tinha que entrar no negócio de jogos virtuais – o futuro do jogo clandestino.
Foi aí que ele cruzou com o Valdomiro Diniz e a Gtech, que deu início à queda do José Dirceu.
(Queda programada, filmada e a serviço da Veja.)
Para expandir o negócio do jogo na internet, Carlinhos se associa ao argentino Roberto Coppola, que opera no Uruguai, na Inglaterra e em Curaçau.
Nessa operação virtual, além do domínio da tecnologia do futuro dos cassinos, Carlinhos poderia, também, estar de olho nos mecanismos de lavagem de dinheiro.
Ele criou a Brazil Bingo.
Como divulgar a existência de um cassino na internet, a sua Brazil Bingo?
Por coincidência, o jornal Correio Braziliense fez uma reportagem republicana para detonar a roubalheira dos bingos.
E aparece ali, com todas as letras, pela primeira vez, a Brazil Bingo, devidamente citada, com o respectivo endereço na internet.
Incrível coincidência.
Nasceu ali a Brazil Bingo, o Carlinhos 2.0.
Será o Carlinhos um mestre da Comunicação, uma espécie de Robert(o) Civita que não fala inglês?
E se ele quisesse mencionar a Brazil Bingo na Veja?
E se ele desse ao Policarpo as imagens do Dirceu no Hotel Nahoum?
Seria uma boa troca: eu te dou o Hotel Nahoum e você me divulga a Brazil Bingo.
Não seria um encontro triunfal de coincidências?
O que é que o Carlinhos queria com o governador (?) "Padim Pade Cerra" e o brindeiro Gurgel não deixou saber?
O sócio da Delta em Goiás e dono da Brazil Bingo?
O que poderia ele querer com São Paulo, essa praça cobiçada?
Aí, é preciso ir, de novo, à Conceição Lemes e, além de Paulo Preto, tentar desvendar quais são as republicanas atividades de Delson Amadeu Junior e o impoluto Paulo Preto.
Sabe-se que, hoje, Delson tem uma empresa de Consultoria em Sorocaba.
Sem esquecer do Heraldo Puccini, o homem da Delta em São Paulo.
Por que a Delta seria criminosa em Goiás e virtuosa em São Paulo?
Que milagre teria sido esse?
E não esquecer do Pagot, que disse à revista IstoÉ que o "Cerra" ficava com a parte do leão das obras de engenharia em São Paulo.
O Pagot está de corpo inteiro no Robanel dos Tunganos e na marginal (sic) do "Cerra" e do rio Tietê.
Todo escândalo (que deu chabu) que os tucanos montaram no Distrito Federal foi por causa de 1 contrato da Delta.
Em São Paulo do "Cerra" do Paulo Preto a Delta assinou 26 contratos.
26!
Clique aqui para ler “roteiro para "Cerra" ir à CPI”.
Cabe reproduzir trecho do post do Viomundo, com as perguntas de deputados da Assembleia de São Paulo:
DEPUTADOS PEDEM AO MP QUE APURE INDÍCIOS DE IRREGULARIDADES
A essa altura algumas perguntas são inevitáveis:
1. Considerando que o senador Demóstenes Torres é sócio oculto da Delta e apoiou José Serra em 2010, será que dinheiro da Nova Marginal do Tietê irrigou a campanha do tucano à presidência?
2. Entre os R$ 4 milhões que teriam sido arrecadados por Paulo Preto e não entregues ao PSDB, haveria alguma contribuição da Delta?
3. Paulo Preto ou Delson Amador teve algum contato direto com Cachoeira?
Na sexta-feira 27, parlamentares paulistas protocolaram representação no Ministério Público Estadual de São Paulo (MPE-SP) para que investigue indícios de irregularidades, ilegalidades e improbidades nos contratos formalizados pela Dersa com empresas e consórcios, entre os quais o Consórcio Nova Tietê, capitaneado pela Delta.
(…)
Com que diploma ele pretende se candidatar a presidente?
Não é à toa que os mervais pigais querem fechar a CPI.
Paulo Henrique Amorim
No Conversa Afiada
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No Brasil, recuo perigoso

O Planalto levou Molon ao recuo
Por pressão das empresas de telecomunicações, relator do Marco Civil da Internet dilui dispositivo que garantia neutralidade na rede
Os defensores da liberdade na internet têm motivos para ficar alertas também no Brasil. O Marco Civil — uma proposta muito avançada de regulamentação da rede, apresentada pelo Executivo, durante o governo Lula — está tramitando no Congresso Nacional sob fortes pressões. Nesta quarta-feira (11/7), a Comissão Especial da Câmara dos Deputados que analisa a proposta não votou o relatório do deputado Alexandre Molon (PT-RJ). Faltou quórum. E, embora tenha mantido, na essência, os pontos positivos da proposta, o próprio parlamentar recuou de uma posição importante. Ele aceitou as sugestões do ministério das Comunicações para diluir, em sua proposta, um dispositivo que assegurava a chamada “neutralidade da rede” — ou seja, a garantia de que não haverá, na internet, nem conteúdos privilegiados, nem relegados a segundo plano.
O projeto de Marco Civil é fruto de lutas sociais singulares e de uma articulação muito hábil com os poderes institucionais. Em 2009, o Brasil esteve a ponto de criar uma lei que estabelecia mecanismos de controle e censura sobre a internet. A pretexto de “combater a pedofilia”, um projeto do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) permitia eliminar conteúdos considerados “piratas” sem, sequer, decisão judicial. Foi chamado de “AI-5 digital” e rechaçado numa sequência de atos que reuniram ativistas e setores da esquerda institucional.
O presidente Lula abraçou a causa num ato simbólico. Em julho daquele ano, durante o 10º Fórum Internacional do Software Livre (FISL), ele assegurou que seu governo vetaria o projeto, caso aprovado no Legislativo. E aceitou uma proposta-chave da sociedade civil: o papel principal do Estado brasileiro deveria ser o de garantir direitos e liberdades na internet. As punições — obviamente necessárias, nos casos de atos criminosos — deveriam fazer uma parte do ordenamento jurídico sobre a internet, nunca o seu centro.
Esta diretriz resultou, após dois anos de estudos, na proposta do Marco Civil. Sua versão inicial foi formulada numa parceria entre o ministério da Justiça e a escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas. Inovou-se também na forma: o texto foi submetido a audiências públicas em diversas capitais e a um trabalho colaborativo. Por meio da plataforma e-Democracia, compilou-se opiniões de representantes de entidades e empresas ligada à rede, juristas, academicos e governo.
Ao contrário de inúmeras leis restritivas, aprovadas ou em debate em diversas parte do mundo, o Marco Civil (Projeto de Lei nº 2.126/11) é, em essência, libertário. Segundo Molon, “garante (…) a privacidade, pois o texto estipula que os dados privados não podem ser tratados como mercadoria sem a permissão do usuário (…) a liberdade de expressão (…) e a neutralidade da rede, o que significa que nenhuma empresa será beneficiada e que todas as informações que trafegam na internet devem ser tratadas da mesma forma, navegando com a mesma velocidade”.
Acuados, os conservadores procuram ganhar tempo e exploram contradições no governo. Seu alvo atual é o princípio de neutralidade. Nos últimos dias, parlamentares conservadores investiram contra um dispositivo, em especial, no relatório de Molon. O projeto admitia a possibilidade de exceções à neutralidade (para privilegiar, por exemplo, dados relativos a catástrofes e situações de emergência). Mas estabelecia que tais casos seriam definidos por um órgão democrático — o Comitê Gestor da Internet (CGI), de que participam técnicos, políticos profissionais e a sociedade civil.
As empresas de telecomunicação argumentaram que o CGI não faz parte da estrutura formal do Estado brasileiro. E parecem ter obtido apoio do ministério das Comunicações e da Casa Civil. O deputado Molon participou de uma bateria de reuniões com estes órgãos, nos últimos dias. Entre terça e quarta-feira, aceitou fazer uma pequena alteração em seu texto. Este passou a dizer, simplesmente, que as exceções à normalidade serão regulamentadas num momento futuro — “ouvido o CGI”… Mesmo assim, não houve votação. Apesar de contemplados pelo recuo do relator, os parlamentares conservadores optaram por postergar o debate no mínimo até o segundo semestre, quando haverá risco de novas postergações, devido ao esvaziamento do Congresso com as eleições municipais.
A concessão é pequena. Caso aprovado na redução atual, o Marco Civil será, certamente, uma das leis sobre internet mais avançadas do mundo. O que mais preocupa é o fato de os conservadores terem recorrido, com sucesso, a uma tática fartamente usada na Constituinte de 1986. Eles pressionam e fingem negociar. Arrancam concessões pontuais. Mas veem a primeira vitória apenas como alavanca para conseguir mais concessões.
Há chance de reagir a tempo. Mas é preciso atenção: a mídia comercial tentará esconder o debate. Será preciso acompanhar atentamente a tramitação do projeto, e agir muitas vezes, para evitar que o importantíssimo avanço obtido em 2009 escorra entre os dedos das mãos.
Taís Capelini
No Outras Palavras
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Nepal se prepara para reconhecer “terceiro sexo”

Os transexuais do Nepal aguardam com ansiedade a aplicação de uma lei que deixará de considerá-los como “homens” ou “mulheres” para reconhecê-los como “outros”, categoria que consagra oficialmente o “terceiro sexo” no país.
O porta-voz do Ministério do Interior do país, Shankar Koirala, lembra que a decisão ainda está pendente e não é possível estimar o tempo do processo, que ao longo do tempo também pode registrar os homossexuais.
“Aqueles que solicitarem, poderão ser incluídos”, destaca Koirala. O próximo passo do governo é enviar circulares a 75 escritórios responsáveis por emitir os certificados de cidadania.
Manisha Dhakal, 37 anos, que gosta de ser reconhecida como “ela”, será uma das beneficiadas pela futura lei, já que seu documento de identidade, emitido quando tinha 16 anos, diz que é do sexo masculino. “Ia à escola vestida de menino. Não jogava futebol, como faziam os outros meninos. Gostava das bonecas”, diz.
A decisão do governo foi impulsionada após uma sentença do Tribunal Supremo de 2007, que exigia o reconhecimento dos membros do “terceiro sexo”, em alusão aos transexuais e aos hermafroditas.
Mas o governo demorou cinco anos para colocar a lei em prática. Alguns ministros de Interior se recusavam a reconhecer as minorias sexuais, explica Sunil Babu Pant, o mais conhecido ativista do setor, no Nepal.
“Se o Nepal tivesse começado a tramitar os papéis logo após a decisão do tribunal, teria sido o primeiro país do mundo a fazê-lo”, ressalta Pant, único deputado abertamente homossexual no Parlamento recém-dissolvido do país.
Desde então, Austrália, Nova Zelândia e Argentina começaram a registrar pessoas na categoria “terceiro sexo”, enquanto o Paquistão também reconheceu esse direito, mas sua aplicação ainda está pendente.
Até agora, apesar da falta de ação governamental, três nepaleses receberam o certificado na categoria “outros”, mas isso só ocorreu porque funcionários públicos decidiram correr o risco de agir a partir da decisão judicial.
Os membros do “terceiro sexo” também foram computados como tais quando foi realizado o último censo no país, mas os ativistas denunciam que tais dados não apareciam quando os resultados foram publicados.
“Os funcionários não tinham a devida formação. Alguns chegavam a pedir certificados de cidadania e, em alguns casos, pediam que o cidadão em questão tirasse a roupa”, acusa Pant.
Embora ainda persista no Nepal o estigma associado ao terceiro sexo, as coisas estão mudando lentamente neste país de religião hindu.
Pant criou em 2001 a Sociedade Diamante Azul (Blue Diamond Society), que apoia os direitos de gênero e as minorias sexuais. “Nos 1990, após sair da escola, tinha de ir a parques buscar pessoas como eu, mas agora temos isso”, conta a transexual Dhakal, em referência a essa organização, na qual trabalha.
Graças à sociedade, Dhakal pôde ter uma conversa sincera com seus pais e convencê-los que não a casassem, o que é um desafio em uma sociedade onde a maioria dos casamentos são arrumados por familiares.
“Em uma sociedade hindu, o gênero se associa ao casamento: um homem se casa com uma mulher, e vice-versa”, explica Pant.
As novas medidas do governo também permitirão a gays e lésbicas escolherem a opção distinta a homens e mulheres. “Vamos encorajar gays e lésbicas a escolherem a opção neutra. Mas a decisão deve ser de cada um”, enfatiza Pant.
No Blog da Joice
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Chile aprova Lei contra a Homofobia

Leio que no Chile (aqui), o presidente Sebastián Piñera promulgou a lei contra a homofobia no ultimo dia 12.
Quero enfatizar, por importante, que Piñera é político notoriamente conservador, de direita, e que a a homossexualidade no Chile era crime até o final dos anos noventa.
O projeto de lei contra a homofobia ganhou força após a morte de Daniel Zamudio, no dia 28 de março.
Enquanto isso, aqui em nosso Brasil varonil, um governo de esquerda pateticamente borra-se de medo e acocora-se diante dos arreganhos e das chantagens produzidas pela tropa dos fundamentalistas que se reúnem na imundície chamada Frente Parlamentar Evangélica.
Só pra que ninguém esqueça e nem relativize a gravidade da situação: somos o país campeão mundial da macabra "competição" de matança do povo LGBTT e, em 2012, a cada 26 horas uma família brasileira foi devastada pela dor infinita da perda de um seu integrante.
No O Ornitorrinco
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Charge online - Bessinha - # 1352

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Especulações e Fatos

De uns tempos para cá, começou a ganhar circulação a ideia de que estamos marchando em direção à confluência de duas crises. Ambas graves.
De um lado, uma crise na economia, cujos sinais seriam já evidentes: redução do ritmo do crescimento, diminuição do investimento externo, retração na industria, queda no comércio internacional.
De outro, uma crise política, ainda não explicitada por completo, mas latente. Indicando-a, os recentes problemas no relacionamento político dentro da coalizão governista e uma presumida desarmonia na administração federal.
Não se estabelece com clareza quando as duas se encontrariam. Mas fica subentendido que antes de outubro de 2014. Ou seja, em tempo de influenciar - ou mesmo revolucionar - o ambiente em que ocorrerá a próxima eleição presidencial.
Trocando em miúdos: a sucessão de Dilma, antes previsível, estaria se tornando incerta. O amplo favoritismo que tem hoje seria engolido pelas crises, uma reforçando e amplificando a outra.
É desnecessário dizer que a tese da “crise perfeita que se avizinha” foi elaborada e está sendo difundida pelas oposições, muito especialmente a oposição não-partidária, na sociedade civil e na imprensa.
É difícil, atualmente, ler algum comentário ou interpretação que não a mencione ao discutir o cenário político atual e suas perspectivas. Tudo passou a ser visto em função dela.
Até coisas que nada têm de real.
Só um otimista irracional acreditaria que a economia brasileira poderia atravessar incólume as intempéries que atingem os países avançados. Vamos pagar um preço por elas e já o estamos pagando em alguns setores.
A questão não é, portanto, se teremos ou não dificuldades econômicas no futuro imediato, mas qual sua intensidade e quais suas consequências na política, mais especificamente na eleição de 2014. É isso que alguns pintam com cores sombrias, pois não gostam da perspectiva que sejam menos agudas.
Para estimar o que aguarda Dilma, convém não esquecer que Lula viveu a manifestação anterior dessa crise na economia global sem solavancos na popularidade.
Entre o final de 2008 e os primeiros meses de 2009, as pesquisas mostraram um expressivo incremento das preocupações da população a respeito de inflação, desemprego e perda de capacidade de consumo. Elas atingiram seu pico em dezembro de 2008, quando, em pesquisa da Vox Populi, 58% dos entrevistados disseram esperar a subida da inflação e 63% o aumento do desemprego.
Enquanto isso, a avaliação positiva do governo Lula sempre se manteve elevada, indo, de acordo com dados do Datafolha, de 55% em março de 2008 a 65% um ano depois, em março de 2009. Em outras palavras, atravessando a turbulência em ascensão.
O que vemos é que não há incompatibilidade entre percepção de problemas econômicos e aprovação governamental. Ao contrário do que pensam alguns, as pessoas são perfeitamente capazes de separar as duas coisas.
Quanto à “crise política”, o que estamos presenciando agora nada tem de diferente do que sempre acontece às vésperas de eleições municipais. Nelas, as alianças e coligações raramente repetem, em cada lugar, os acordos nacionais. Quem anda junto na hora de escolher presidente pode caminhar separado quando se discutem prefeituras.
Assim, as desavenças pontuais entre os partidos da base governista nada sinalizam quanto ao comportamento que adotarão daqui a dois anos. Lá, avançarão unidos - ou não - em função do que estiver acontecendo no momento, sem nem se lembrar que se enfrentaram neste ou naquele município.
Quem lê a imprensa internacional fica com impressão bem diferente do horizonte à nossa frente. Ninguém aposta - ou deseja - a “crise perfeita”.
No fundo, a tese nada mais é que a admissão de que, se nada de catastrófico ocorrer, a política brasileira continuará fundamentalmente como está.
O que equivale a reconhecer a força e a capacidade do “lulopetismo” e a julgar com severidade as oposições e suas lideranças.
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
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