13 de jul de 2012

Charge online - Bessinha - # 1350

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PSB se queima com Lula e põe Dilma na roda

O que Eduardo Campos ganha ao se aliar a Jarbas Vasconcelos?
A gota d´água para o desenlace da aliança do PT com o PSB foi o movimento que o PSB do governador pernambucano Eduardo Campos fez de se aproximar de Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), um político semiaposentado, na definição do Palácio do Planalto, que lidera a bancada anti-Lula no Senado e é um dos mais ferozes críticos do ex-presidente.
Mais do que o rompimento dos dois partidos na formação das chapas para a eleição municipal no Recife, em Fortaleza e Belo Horizonte, o que levou a presidente Dilma a sair dos seus cuidados e entrar na disputa partidária, levada pelas circunstâncias, muito contra a sua vontade, foi o gesto de Campos se reaproximar de Jarbas, até outro dia o principal antagonista do governador na política pernambucana, e a entrada em cena de Aécio Neves em Belo Horizonte. De uma só penada, ela deu um chega pra lá nos dois.
Para se ter uma ideia do que isto simboliza e do choque que causou a foto de Eduardo com Jarbas, mal comparando, foi mais ou menos como a já histórica imagem de Lula nos jardins da mansão de Paulo Maluf ao celebrar a aliança do PT com o PP na eleição paulistana.
O pior é que meu amigo Eduardo Campos não precisava de nada disso: ao romper com o PT pernambucano, e lançar candidato próprio, o PSB levou junto uns 15 partidos da antiga Frente Popular do Recife. Político em franca decadência, Jarbas mais tira do que dá votos, assim como Maluf, embora os dois tenham trajetórias políticas e pessoais absolutamente opostas.
Como bem lembrou meu colega Heródoto Barbeiro, Jarbas Vasconcelos é um democrata e homem decente, lutou contra a ditadura nas mesmas trincheiras de Lula; o biônico Maluf, cevado pelos militares, é procurado pela Interpol no mundo inteiro.
Não se trata, porém, só de uma questão política, já que isto hoje em dia está muito relativizado pelas mais estranhas alianças, mas de uma traição pessoal de Campos ao amigo Lula que, na presidência da República, tanto colaborou para transformar o governador pernambucano e presidente do PSB numa liderança nacional, a ponto de ver seu nome cogitado para ser vice de Dilma em 2014.
Com Lula temporariamente fora de combate - o ex-presidente, finalmente, tirou alguns dias de férias para cuidar da saúde, longe do embate político - Dilma tomou as dores do antecessor e passou a jogar duro com o PSB.
O jantar que reuniu esta semana, no Palácio da Alvorada, a presidente com os governadores Eduardo Campos e Cid Gomes, para acertar uma trégua com o PSB, não foi suficiente para consertar o estrago. A relação está trincada.
Ao se aliar ao dissidente Jarbas, Eduardo Campos não só queimou seu filme com Dilma e Lula como ainda jogou nos braços dos dois o PMDB velho de guerra, que andava meio arisco, queixando-se do governo e do PT.
Sem poder contar estes dias com Lula, seu principal mentor e articulador político, Dilma entrou na roda e obrigou pessoalmente o ministro Fernando Pimentel a sair a campo em apoio a Patrus Ananias, principal adversário dele dentro do PT na política mineira, depois que o PSB rompeu a "grande aliança" em Belo Horizonte, a mando do senador tucano Aécio Neves. O PMDB de Michel Temer, imediatamente, deu apoio ao PT e a Patrus.
A sensação no Palácio do Planalto, depois de tantas movimentações na base aliada nos últimos dias, é de alívio. Têm colaboradores próximos da presidente Dilma sorrindo de orelha a orelha ao ver o PT longe de Aécio em Minas e distanciando-se, pelo menos momentaneamente, de Eduardo Campos que, ao alçar vôo próprio antes da hora, estava começando a incomodar.
Pelo jeito, na política 2014 chegou antes de 2012 e vai balizar a campanha municipal.
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Charge online - Bessinha - # 1349

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Dia do Rock, com estilo

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Humberto lidera disputa em Recife, aponta pesquisa do Jornal do Commercio

Humberto Costa (PT) lidera corrida pela Prefeitura de Recife
(Foto: Richard Casas/PT)
Petista registra 35,5% e em segundo, aparece o candidato do DEM, com 20,7%, enquanto o nome do PSB tem 6,8% e o do PSDB, 5,6%
O candidato do PT, senador Humberto Costa, lidera a disputa pela Prefeitura de Recife. É o que revela a primeira rodada da pesquisa Jornal do Commercio/Instituto de Pesquisas Maurício de Nassau, realizada após o início da campanha.
Se a eleição acontecesse hoje, Humberto Costa teria 35,5% das intenções de voto, seguido pelo candidato do DEM, deputado Mendonça Filho, que obteve 20,7% das citações no levantamento, realizado nos dias 9 e 10 deste mês.
O candidato da Frente Popular, Geraldo Julio (PSB), está na terceira colocação, com 6,8% das intenções de voto. Ele aparece na frente do deputado Daniel Coelho (PSDB), que ficou em quarto lugar, com 5,6%. A candidata do PPL, ex-vereadora Edna Costa, recebeu 1,4% das citações, enquanto os outros três concorrentes – Esteves Jacinto (PRTB), Jair Pedro (PSTU) e Roberto Numeriano (PCB) – tiveram menos de um ponto percentual.
Fonte: Portal do PT com informações do Jornal do Commercio
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A charge como espaço de combate – entrevista com Santiago

A entrevista a seguir foi publicada originalmente na edição 40 do Jornalismo B Impresso. Junto com ela, também está no jornal uma entrevista com outro grande chargista brasileiro, Carlos Latuff. Para assinar o Jornalismo B Impresso e receber o jornal em casa, em qualquer lugar do Brasil, basta entrar em contato pelo bjornalismob@gmail.com.
Santiago: A charge como espaço de combate.
Santiago: A charge como espaço de combate.
Se nos últimos anos o Brasil no exterior deixou de ser reconhecido apenas por seu futebol e seu samba graças ao crescimento econômico e de influência política, alguns personagens antes disso já furavam as barreiras fronteiriças e carregavam a ideia de “brasileiro” como sinônimo de charges contundentes e de qualidade.

Santiago é um dos chargistas brasileiros que sempre teve grande reconhecimento fora do país. Passou por algumas redações da mídia dominante no país, mas quase sempre foram passagens curtas e tumultuadas, graças à vocação crítica do desenhista e ao rabo preso das empresas.
Na entrevista a seguir, Santiago fala sobre o mundo das charges e o mundo fora delas, ambos tão grandes e complexos.
Jornalismo B – Há algum tempo promovemos um debate com a tua participação. O tema era “Chargismo: humor ou subversão?” Qual a resposta pra essa pergunta?
Santiago – Continuo achando q humor é sempre transgressão. A vocação do humor é anarquista. Millôr disse que jornalismo é oposição e o resto é papel pra embrulhar peixe. É impossível produzir uma peça de humor puxassaquista. O humor sempre levantou a ponta do tapete pra mostrar a sujeira escondida.
Como foram tuas passagens pelos veículos da grande mídia?
Estive quase 10 anos na Folha da Tarde e com participação no Correio do Povo. Confirmei que nos grandes veículos o controle é enorme. Muita coisa deixa de sair para não desagradar anunciantes.
E tuas saídas do Jornal do Comércio e da Revista do CREA?
No JC se tornou impossível fazer humor, porque o dono, que vinha do comércio, não entendia nada de jornalismo e queria fazer um jornal que não desagradasse os seus amigos da classe dirigente. Chegou a haver um episodio mais engraçado que as próprias charges que fazíamos. O editor-chefe pediu que um desenho que criticava Rigotto (Germano Rigotto, então governador do Rio Grande do Sul) fosse adaptado para uma critica ao Lula. No jornal do CREA fui mandado embora não para dar lugar a algum jovem promissor desenhista (o que eu aceitaria de muito bom grado), fui afastado porque o presidente queria dar a vaga para o chargista de Zero Hora , Marco Aurelio , chargista que em 40 anos de carreira não conseguiu superar  deficiências básicas de técnica de desenho.
Volta e meia denuncias algum caso de plágio no meio dos chargistas no RS. É o tipo de coisa que acontece em todos os lugares, ou temos algum problema específico por aqui?
Na verdade existem três possibilidades na criação: memória traidora (quando o artista esquece o que viu e depois lembra, acreditando ser sua criação), coincidência, e, por ultimo, má fé mesmo. Eu tive uma ideia minha refeita na revista do CREA e não perdoo que um colega não procure sequer ver o que os outros estão fazendo, p evitar coincidência de ideias.
Falas bastante, nas tuas charges, do tema da mídia. Que papel tem cumprido hoje a grande mídia brasileira? E que esperanças podemos depositar na mídia independente?
São grandes empresas com interesse de grandes empresas, então é claro que a imprensa vai ser sempre a voz do grande capital e nunca a voz do trabalho. É claro que vai ser sempre a defesa dos interesses do grande empresariado e principalmente dos que também são anunciantes. Tento fazer em desenho aquilo que a midia nunca fará, que é a AUTOCRITICA. Sempre vai parecer que a mídia é um setor intocável e puro, porque não tem uma imprensa da imprensa para mostrar os enormes desmandos desse setor. Acho que vamos começar a ter liberdade de imprensa quando os veículos debaterem coisas como concessões de Radio e TV.
No Jogos de Verdade
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Marco Feliciano deputando

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As 10 Estratégias de Manipulação Midiática

1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO.
O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. "Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto 'Armas silenciosas para guerras tranqüilas')".
2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES.
Este método também é chamado "problema-reação-solução". Cria-se um problema, uma "situação" prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.
3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO.
Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, bastaaplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.
4- A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO.
Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo "dolorosa e necessária", obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura.É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que "tudo irá melhorar amanhã" e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.
5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS DE BAIXA IDADE.
A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê? "Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver "Armas silenciosas para guerras tranqüilas")".
6- UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO.
Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos...
7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE.
Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. "A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossíveis para o alcance das classes inferiores (ver 'Armas silenciosas para guerras tranqüilas')".
8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE.
Promover ao público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto...
9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE.
Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E, sem ação, não há revolução!
10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM.
No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o "sistema" tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.
Noam Chomsky, do MIT
No Hupomnemata
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O Homem Novo: Haddad

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FHC ouviu o galo cantar; achou que era um tucano

Fernando Henrique Cardoso recebeu um prêmio da Biblioteca do Congresso dos EUA, cuja primeira edição agraciou a tradição dos intelectuais arrependidos da esquerda. O polonês Leszek Kolakowski inaugurou a fila do 'Pluge' em 2003 depois de concluir uma baldeação do marxismo ortodoxo à rejeição radical da obra de Marx, classificada por ele como a 'maior ilusão do século XX". No caso de FHC, o prêmio de U$ 1 milhão brindou os desdobramentos políticos de suas reflexões sobre a dependência. No entender dos curadores, elas teriam demonstrado como os países periféricos 'podem fazer escolhas inteligentes e estratégicas' (leia-se dentro dos marcos dos livres mercados) mesmo estando em desvantagens em relação às nações industrializadas".
O tucano não decepcionou. Na entrevista após embolsar o galardão falou grosso. E acusou Lula de ser responsável pelas agruras atuais da indústria nativa (perda de competitividade e de peso no PIB), ao interromper as reformas liberalizantes. Isso mesmo, aquelas das quais seu governo foi um instrumento e cuja correspondência no plano internacional, como se verifica, legou-nos um mundo de fastígio e virtudes sociais. O diagnóstico do sociólogo, como se sabe, vem ancorado em atilada visão macroeconômica.
Graças a ela, o Brasil frequentou o guichê do FMI por três vezes em seus oito anos de mandato. Mais recentemente, em 29 de setembro de 2011, quando o governo Dilma reduziu a Selic pela primeira vez e começou a armar o país contra a segunda avalanche da crise vinda da Europa, FH advertiu no jornal Valor: "A decisão (de cortar os juros) se mostra precipitada diante das previsões de queda do crescimento e mais inflação".
A fina sintonia com o lobby dos bancos, jornalistas e rentistas - que anunciavam o dilúvio após a queda da Selic, de estratosféricos 12,5% para 12%, contra zero nos EUA -, não se confirmou. As previsões do 'mercado' de uma inflação em alta (6,52% então), esfarelaram-se ante o peso descomunal do agravamento do quadro externo. Nesta 4ª feira, depois de um novo corte de 0,5 ponto na Selic, que atingiu um recorde de baixa de 8%, contra um pico histórico de 44,5% em março de 1999, no segundo mandato do sociólogo, ninguém mais se lembrava das doutas advertências feitas por ele em 2011.
O mundo literalmente despenca sob o peso descomunal de uma quase depressão, que avança pelo quinto ano sem perspectivas de solução nos marcos do capitalismo desregrado. Os capitais em fuga para a segurança inundam os cofres do Banco Central Europeu e do Tesouro americano, mas também do alemão, que pagam uma taxa de juro inferior à inflação. Ou seja, os ricos preferem pagar para guardar o dinheiro em títulos públicos confiáveis do que investir na produção. O nome disso é colapso sistêmico.
Mais de 17,5 milhões de empregos foram dizimados na Europa; Espanha, Grécia, Portugal, Irlanda caíram sob intervenção da banca para salvar ela própria; Obama chapinha num lodaçal de liquidez que não consegue reerguer a maior economia da terra; a China já sente a retração do comércio mundial que irradia efeitos contracionistas também no Brasil e demais fronteiras da América Latina.
Dos escombros desse desastre de proporções ferroviárias irrompe falação do tucano em defesa das 'reformas'. Sejamos francos, FH ouviu o galo cantar; achou que era um tucano áulico. A industrialização brasileira vive, de fato, uma compressão decorrente de desequilíbrios internos e externos. O fôlego industrial do país hoje é 5% inferior ao que existia no pré-crise de 2008. Quem acha que a perda é miúda deve ser informado que a corrosão ocorre justamente nos setores de ponta, aqueles que dão o comando aos demais segmentos da economia e da produção. A regressão decorre, em grande parte, da não retificação do substrato neoliberal trazido do ciclo tucano, a saber: privatizações que desguarneceram a capacidade do Estado investir na infraestrutura, indispensável à ampliação da competitividade sistêmica; liberdade de capitais; juros escorchantes; câmbio valorizado e miséria aniquiladora da demanda interna.
O governo Lula optou por atacar com maior contundência dois flancos desse modelo de inserção internacional dependente, construído pelo PSDB: o mercado de massa asfixiado pela fome de emprego, de comida, crédito e salário mínimo e o torniquete financeiro externo, feito de dívida alta e reservas baixas. Poderia ter ido além afrontando o lobby rentista associado ao câmbio destrutivo? Tecnicamente, deveria. A resposta técnica descuida 'apenas' de um dado: a relação de forças permitiria atacar todas as frentes ao mesmo tempo?
Mal ou bem, as escolhas de Lula deram ao seu segundo governo, e ao primeiro de Dilma, uma base de apoio social que hoje possibilita aprofundar o descolamento em relação à agenda neoliberal evocada na nostálgica entrevista de FHC.
Nesse espaço dilatado há uma discussão por fazer; ela é sobremaneira urgente.
Até que ponto é possível blindar o país do vagalhão em curso apenas com doses de soro creditício e recuos graduais da Selic, como tem sido feito? Ou ainda: se o investimento privado não comparece para dar impulso sustentável a essa engrenagem, qual deve ter o espaço do Estado na resistência contracíclica à recessão?
Não se trata de menosprezar a importância dos mercados , sobretudo do mercado de capitais, mas as insuficiências da lógica privada ficaram evidentes na recente queda de braços entre o governo e a banca em torno dos spreads . A pendência só se inclinou a favor da redução do custo do dinheiro quando o governo decidiu politizar o tema e acionou uma poderosa alavanca indutora: os bancos estatais, que normatizaram o significado do interesse nacional nesse momento. O mesmo ocorreu em 2008. Antes da crise, os bancos públicos eram responsáveis por 30% do crédito oferecido; hoje, por 40%. O crédito dos bancos públicos cresceu do equivalente a 15,5% do PIB para 22,5%.
Lição correlata vem da área do petróleo. O mundo estrebucha, mas a Petrobrás reafirmou investimentos de US$ 236, 5 bilhões até 2015 - US$ 142 bilhões em exploração e produção, o que significa uma fabulosa injeção na demanda por máquinas, serviços e equipamentos. Por que a Petrobrás é capaz de fazer, enquanto outras instancias do governo patinam? Levantamentos do Ipea mostram que dos R$ 13,661 bi destinados este ano à construção de rodovias, por exemplo, apenas R$ 2,543 bilhões (18,6%) foram gastos até maio.
Uma das respostas é que a existência da Petrobrás preservou a capacidade de planejamento do país no setor petrolífero; preservou e ampliou seus quadros de alto nível, expandiu o torque de sua engenharia, formou e massificou sua mão de obra; induziu e disseminou uma estratégica cadeia de fornecedores; criou e motivou a implantação de centros de pesquisa de ponta na área. Enfim, fez tudo o que foi suprimido ou interditado no interior do Estado brasileiro nos anos 90, e que um deslocado FHC reivindicou como 'trunfo' desperdiçado por Lula. O resultado desse 'trunfo' é a brutal dificuldade enfrentada agora para destravar investimentos imprescindíveis em infraestrutura, mesmo quando não existe restrição orçamentária. Os ditos 'mercados' não dão conta do recado; o Estado foi programado para não fazer.
Se quiser de fato ir além de soluços de consumo nos próximos anos, o Brasil talvez tenha que perder o medo de discutir um tema interditado nos anos 90: a criação de novas empresas públicas, estatais que possam nuclear setores estratégicos e fazer o mesmo que os bancos públicos e a Petrobrás fazem hoje em suas áreas de referência - colocar o mercado para trabalhar pelo país.
A título de ilustração, vale a pena ler reportagem recente do jornal Valor (abaixo). Ela mostra como até os batalhões de engenharia do Exército, livres do desmonte do ciclo tucano, e à margem das licitações feitas para não funcionar, conseguem entregar obras antes do prazo, em situações em que a livre iniciativa fracassa ou se torna onerosa. Roosevelt na Depressão dos anos 30 nos EUA fez coisas que deixaram os capitalistas e a mídia de cabelos em pé. Foi acusado de comunista e odiado pelos endinheirados. Mas tinha o apoio dos sindicatos e o voto das ruas; salvou a economia do país. A lição daqueles dias vale para o governo Dilma, mas também convida os sindicatos e a CUT a irem além das reivindicações setoriais. A ver.

Exército agora faz até projetos de aeroporto

Valor Econômico - 12/07/2012
Tocando 34 obras pelo Brasil, 25 delas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o Exército passa agora a atuar também fazendo projetos de engenharia. Em agosto, serão entregues à Infraero os planos que podem destravar a expansão de três aeroportos, em Goiânia, Vitória e Porto Alegre. O Exército já trabalha na terraplenagem do aeroporto de Guarulhos e na construção da pista de São Gonçalo do Amarante (RN)
A presença do Exército na ampliação do sistema aeroportuário está ganhando uma nova dimensão. Além de trabalhar em obras estratégicas de grandes aeroportos, como a terraplenagem de Guarulhos (SP) e a construção da pista de São Gonçalo do Amarante (RN), a divisão militar de engenharia começa a assumir outro tipo de trabalho. Em agosto, chegam às mãos da Infraero os projetos de engenharia que podem destravar a expansão de três aeroportos: Goiânia (GO), Vitória (ES) e Porto Alegre (RS).
O lançamento de um plano de aviação regional, que espera a aprovação da presidente Dilma Rousseff, abre espaço ainda para uma tarefa adicional para o Exército. Ao liberar recursos para expandir o número de aeroportos atendidos por voos regulares de companhias aéreas - das atuais 130 para 200 localidades -, o governo não quer esbarrar na falta de competência técnica. Por isso, pretende colocar o Instituto Militar de Engenharia (IME) à disposição de Estados e prefeituras para a elaboração de projetos que permitam aos aeroportos regionais receber recursos da União.
O que motiva o governo a fortalecer a parceria com os militares são os resultados obtidos até agora na maior porta de entrada e saída do país. A terraplenagem do futuro terminal 3 de Guarulhos, com previsão inicial de entrega em dezembro de 2013, foi antecipada em 15 meses e deverá ser concluída em setembro deste ano. Com isso, a nova concessionária do aeroporto - formada pela Invepar e pela operadora sul-africana ACSA - fica com o caminho aberto para erguer um terminal com capacidade para 12 milhões de passageiros/ano, até a Copa do Mundo de 2014.
Tão impressionante quanto o ganho de tempo foi a redução nos valores. A obra, que inicialmente foi orçada em R$ 417 milhões pela Infraero, já obteve uma economia de R$ 130 milhões e deverá terminar com queda de 25% em relação ao custo original. Cerca de 150 militares trabalham na administração das obras de Guarulhos, que são executadas por três empreiteiras subcontratadas pelo Exército.
Concluídos esses empreendimentos, o contingente será imediatamente realocado para outras frentes de trabalho, com o objetivo de acelerar outras obras assumidas pelos militares. "Antigamente, não tínhamos esse conhecimento técnico sobre o setor aeroportuário, trabalhávamos apenas em campos de pouso e pistas na Amazônia. Hoje, temos essa capacitação e a tendência é que entremos em novos projetos, à medida que formos chamados", disse ao Valor o chefe do Departamento de Engenharia e Construção (DEC) do Exército, general Joaquim Maia Brandão.
O aeroporto de São Gonçalo do Amarante (RN), concedido ao grupo Inframérica - uma aliança da brasileira Engevix com a argentina Corporación América - e que começará a funcionar em 2014, será uma das frentes a ganhar reforço. A iniciativa privada ficou encarregada de construir o terminal de passageiros e coube ao Exército entregar o sistema de pista e pátio de aeronaves, com prazo até o fim do ano que vem.
Para acelerar as obras, dois novos grupos estão sendo deslocados. Primeiro, o batalhão que concluiu um dos lotes da transposição do rio São Francisco, em Cabrobó (PE). Depois, o que vem trabalhando na BR-101, no Rio Grande do Norte.
O general Brandão diz que o Exército ainda não alterou o prazo de entrega de São Gonçalo (dezembro de 2013), mas admite a possibilidade de antecipação do cronograma "dependendo das condições meteorológicas". A pista de pouso e decolagem já foi concluída. Falta ainda avançar nos serviços de drenagem, sinalização e balizamento.
As equipes chefiadas por Brandão também estão trabalhando na reforma da pista do aeroporto de Rio Branco (AC), fechada uma vez a cada 15 dias, para as obras de recuperação. Mas é na área de elaboração de projetos básicos e executivos de engenharia que podem surgir novidades nas próximas semanas.
Em agosto, o Exército entregará os projetos executivos para a ampliação da infraestrutura de pistas e pátios de aeronaves em Goiânia e em Vitória.
Com isso, a expectativa da Infraero é retomar obras completamente paradas há cinco anos. Em 2007, após o Tribunal de Contas da União (TCU) ter encontrado indícios de irregularidades nos contratos da estatal com as empreiteiras vencedoras das licitações, as obras dos dois aeroportos foram interrompidas.
O general admite que hoje o Exército trabalha à beira do limite, mas a conclusão dos três projetos para a estatal pode abrir espaço para outras parcerias nos aeroportos. Com um contingente de 15 mil homens em obras de infraestrutura pelo país, o Exército procurar deslocar militares, em vez de aumentar o efetivo. "Assumir novos projetos é uma decisão que depende de convite da Infraero", diz Brandão.
O presidente da Infraero, Gustavo do Vale, deixa o caminho aberto para continuar usando os serviços dos militares. "Quando eles terminarem o que estão fazendo, ficamos de conversar. Não abro mão da parceria que temos com o Exército. Ela tem sido exitosa em todos os sentidos", diz.
Até agora, o Exército teve três tipos de participação nas obras da Infraero: gestor de contratos com empreiteiras, executor de obras e projetista. Entre as modalidades, diz Vale, a tendência é intensificar os trabalhos de administração - como ocorre em Guarulhos - e de execução dos empreendimentos, caso de São Gonçalo do Amarante. Hoje há uma lista de obras públicas à espera da "empreiteira" militar.
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CPI do Cachoeira vai trabalhar durante recesso parlamentar

Com depoimentos suspensos durante o recesso parlamentar, a CPI do Cachoeira vai aproveitar o período, que vai de 18 a 31 de julho, para intensificar a análise dos documentos recebidos. O presidente da CPI, senador Vital do Rego (PMDB-PB), divulgou nota oficial, nesta quinta-feira (12), explicando o funcionamento da Secretaria da Comissão.
“A impossibilidade de realização de reuniões não interromperá o normal funcionamento administrativo da comissão, nem mesmo as atividades de análise da documentação que os congressistas desejarem efetuar”, diz a nota, informando ainda que será normal o expediente na sala-cofre “onde os membros da comissão e os seus assessores credenciados poderão continuar pesquisando os documentos recebidos”.
Vital do Rego informa ainda que o recesso será utilizado para treinar os assessores a acessar os dados sigilosos originários das quebras dos sigilos bancário e telefônico.
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E ainda restam 19 Demóstenes no Senado

Os advogados não podem tudo
Bastavam 41, mas foram 56 votos a favor da cassação do mandato do senador Demóstenes Torres, eleito pelo DEM de Goiás. Agora só resta descobrir quem foram os 19 senadores que votaram contra a cassação. Ou seja, acharam que ele era inocente e não fez nada de errado nas suas relações especiais com o contraventor Carlinhos Cachoeira. Cinco outros ficaram na dúvida e se abstiveram de votar, beneficiando o denunciado. Só um, Cloris Fecury (DEM-MA), faltou à sessão.
Embora o voto seja secreto, gostaria muito de saber quem são, o que pensam e o que levou quase um quarto dos nossos representantes no Senado Federal a votar pela manutenção do mandato de Demóstenes Torres, depois de tudo o que foi investigado e provado contra ele pela Polícia Federal e pelo Ministério Público. Devem pensar e agir como ele. Restaram, portanto, 19 outros Demóstenes.
Ao ouvir a bem fundamentada acusação feita pelo relator da comissão de ética, Humberto Costa (PT-PE), e os argumentos usados nos discursos dos senadores que se manifestaram na tribuna, todos a favor da cassação e em defesa da credibilidade da instituição, fiquei me perguntando: como Demóstenes conseguiu enganar os jornalistas e seus colegas parlamentares por tanto tempo, desde que assumiu seu primeiro mandato em 2003?
Entre muitas outras, este episódio nos ensinou uma singela lição: os advogados, por melhores e mais caros que sejam, não podem tudo. Quatro meses após o escândalo estourar, graças a um tal de rádio Nextel descoberto pela Polícia Federal, Demóstenes foi cassado e Carlinhos Cachoeira continua preso. Não fosse isso, e Demóstenes continuaria pontificando no Senado até 2018.
Já no desespero, sabendo que nem mesmo Antonio Carlos Almeida Castro, o Kakay, seria capaz de salvá-lo, Demóstenes tomou o lugar do advogado na tribuna para fazer a sua própria defesa. Depois de aparentar a humildade dos injustiçados e perseguidos, partiu para o ataque contra o relator Humberto Costa, querendo provar que são todos iguais.
Demóstenes não soube cair de pé. No final do seu discurso, foi duas vezes ingrato. Primeiro rifou o parceiro Carlinhos Cachoeira e depois se queixou da imprensa - justamente as duas entidades que tanto o ajudaram a se tornar o paladino da ética, o maior e o último dos homens públicos honestos na República.
Foram três horas que vão ficar na história das nossas instituições democráticas. O Senado Federal lavou a alma e a sociedade brasileira ressuscitou por alguns instantes velhas esperanças de um dia poder viver num Brasil mais decente e mais justo.
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Operação 'Deus tá vendo'

Cinco pastores evangélicos ligados à igreja Assembleia de Deus foram presos em três Estados na quarta-feira, suspeitos de aplicar golpes de venda de veículos muito abaixo do valor. Segundo a Polícia Civil do Rio Grande do Sul, 40 pessoas foram lesadas, entre elas um policial de Veranópolis, cidade gaúcha que comandou operação, intitulada 'Deus tá vendo'.
Após 11 meses de investigações, a polícia prendeu dois suspeitos em Itajaí (SC), dois em São Gonçalo (RJ) e um em Ponta Grossa (PR). Uma mulher ainda segue foragida. De acordo com o delegado Álvaro Becker, os estelionatários enganavam as vítimas dizendo que os automóveis eram apreendidos pela Receita Federal em Foz do Iguaçu e doados à Assembleia de Deus para angariar recursos. "Uma Chevrolet Captiva, por exemplo, que custa R$ 90 mil, era vendida por R$ 30 mil", revela Becker, que presidiu o inquérito.
O lucro obtido pela quadrilha somente no Rio Grande do Sul chega a R$ 1,2 milhão. De acordo com o delegado, eram oferecidos carros, caminhões e até ônibus. Os veículos, no entanto, nunca eram entregues. Para enganar as vítimas, uma mulher identificada como Andreia, que segundo a polícia era a mentora do esquema, se passava por promotora e juíza e levava documentos que comprovariam a legalidade do negócio. A mulher, que seria amiga de um pastor, já respondeu por estelionato.
O esquema começou em 2010 no Rio de Janeiro e se ramificou nos outros Estados após Andreia fazer contatos com os demais pastores. Segundo o delegado Becker, o dinheiro era depositado na conta de laranjas e receptado na cidade de São Gonçalo, no Rio de Janeiro.
Os cinco pastores estão em prisão temporária. Eles responderão pelos crimes de estelionato e formação de quadrilha.
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O povo da lei contra a lei e outros bons sinais

“(O uso de drogas) é uma conduta privada que não atinge a terceiros. Em uma democracia, o Estado não pode intervir”.
Agora tente adivinhar quem disse isso.
  1. Um maloqueiro;
  2. Uma adepta do xamanismo tropical psicodélico;
  3. Uma anarquista graças a Deus
  4. Uma juiza de direito.
Acertou quem respondeu a opção 4. Maria Lúcia Karam é uma magistral magistrada que compreende o absurdo da guerra contra as drogas no Brasil e no mundo. Compreende o custo social e letal da proibição do Brasil e criou o capítulo nacional da Leap (Law Enforcers Against Prohibition), algo como “Agentes da Lei contra a Proibição”, uma organização internacional que defende a descriminalização e a regulamentação mundial do mercado das drogas.
No Brasil, a organização já conta com 47 agentes da lei de 12 estados, a maioria policiais civis da ativa, que vêem no dia-a-dia que a política coercitiva não dá certo nem mesmo para impedir o consumo dessas substâncias. Muito boa a entrevista dela que vi no site www.bancodeinjusticas.org.br.
E foi com muita alegria que vi, no mesmo dia, a campanha protagonizada por atores e atrizes que personificam casos que ilustram muito bem a barbaridade da criminalização, o que só me faz acreditar que a legalização virá em questão de tempo. E quem tiver paciência, verá.
Agora você me responda: é justo isso?
No Terra Brasilis
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Charge online - Bessinha - # 1348

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