10 de jul de 2012

Operação Vegas flagra Policarpo

Quer dizer que o máximo representante da empresa do Robert(o) Civita na capital da República era de máxima confiança de um criminoso?
O Conversa Afiada reproduz trechos de áudios da Operação Vegas que testemunham a íntima relaçao do diretor da Veja em Brasilia, Policarpo Junior, com o crime organizado de Carlinhos Cachoeira:
Observe, amigo navegante, a promiscuidade da relação de Policarpo com os agentes do crime organizado: ele é de confiança, nunca furou com a gente.
Quer dizer que o máximo representante da empresa do Robert(o) Civita na capital da República era de máxima confiança de um criminoso?
Observe, também, amigo navegante, que Diego Escosteguy mantém algum tipo de vínculo com o crime organizado.
Que a CPI poderia esclarecer.
Foi Escosteguy quem acabou de assumir a chefia da revista Época em Brasilia, em substituição a um jornalista que, segundo Leandro Fortes na Carta Capital, mantinha ele mesmo relações com o crime organizado.
Tudo isso parece tornar inevitável que a Veja do Robert(o) Civita se aproxime do Juízo Final .
A passos tão acelerados quanto os do brindeiro Gurgel, que também aparece em escutas que o incriminam de forma inequívoca.
Enquanto dormita sobre representação do professor Fábio Comparato.
Paulo Henrique Amorim
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"Não vamos deixar a rua até a vitória", afirma Fernando Haddad

"Não fazemos campanha em recinto fechado, fazemos campanha com o povo". Declarou o candidato à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad (PT-SP), durante arrancada de sua campanha na última sexta-feira (6). O ato percorreu as ruas do centro de São Paulo e reuniu cerca de 5 mil pessoas, Haddad seguiu ao lado de sua vice, Nádia Campeão (PCdoB-SP), dos vereadores Netinho de Paula e Jamil Murad, ambos do PCdoB-SP, e do Senador Eduardo Suplicy (PT).

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Cinicamente ICAR tenta capitalizar descoberta científica

‘Partícula de Deus’ é maravilha do Criador, afirma bispo do Vaticano

Ele acrescentou: 'se ela, a partícula, está aí, é porque alguém a colocou'
A Igreja Católica está tentando capitalizar a descoberta do bóson de Higgs, um extraordinário avanço da ciência, como sendo mais uma evidência da grandeza de Deus, ao se julgar pelas palavras de dom Marcelo Sánchez Sorondo, teólogo e chanceler da Pontifícia Academia das Ciências, do Vaticano.
Ao comentar a descoberta anunciada na quarta-feira, Sorondo disse que a “partícula de Deus”, como é chamada popularmente o bóson de Higgs, “demonstra que a criação é algo maravilhoso”. E acrescentou: “Se ela [a partícula] está aí, é porque alguém a colocou.”
O britânico Peter Ware Higgs é o físico teórico que em 1964 publicou considerações sobre a existência da partícula que acabou levando o seu nome, mas cujos conceitos já tinham sido elaborados pelo físico americano Philip Anderson. Os físicos belgas Robert Brout e François Englert também se dedicaram à teoria da partícula que desvenda o mistério da transformação da energia em massa.
O físico ganhador do prêmio Nobel Leon Lederman publicou em 1993 um livro sobre essa partícula subatômica cujo título era “A Partícula Maldita” (The Goddaman Particle), por causa da dificuldade em provar a sua existência. A editora mudou o nome do livro para “A Partícula de Deus”.
Cientistas como o próprio Higgs, que é ateu, não gostam do termo “Partícula de Deus” porque, obviamente, não tem nada a ver com crença religiosa, mas com a ciência pura.
Dom Sorondo disse que inicialmente ele também não gostava desse nome por considerá-lo pretensioso. Mas agora, admitiu, o nome lhe agrada, porque, afinal, brincou, “até Margherita Hack [astrofísica ateia] fala de ‘partícula de Deus’”.
Cientistas como Stephen Hawking costumam dizer que o avanço da ciência implica sempre na diminuição de espaço das crenças religiosas.
Mas Sorondo, como era de se esperar, não pensa assim. Ainda a propósito do bóson de Higgs, ele comentou: “O cientista se limita a dizer que descobriu a partícula; o crente vê o fruto da vontade de Deus".
Paulopes
No Tribuna Hoje
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Governo suspende venda de 268 planos de saúde de 37 operadoras

Rio de Janeiro - O governo decidiu suspender a venda de 268 planos de saúde comercializados por 37 operadoras. A medida foi anunciada hoje (10) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, (foto). O motivo foi o desrespeito aos prazos máximos de atendimento aos usuários, conforme a Resolução Normativa 259 da Agência Nacional de Saúde (ANS).
Padilha ressaltou que os usuários desses planos não serão prejudicados. As empresas terão três meses para se adequarem aos prazos que variam conforme a especialidade médica. Para as consultas básicas, o cliente deve esperar no máximo por sete dias úteis para conseguir o atendimento. Para outras especialidades o prazo é 14 dias e para procedimentos de alta complexidade, 21 dias.
O ministro esclareceu que os planos que tiveram a venda suspensa correspondem a apenas 7% do total de usuários. No país, existem 1.016 operadoras, que comercializam cerca de 22 mil planos. Atualmente, 47,6 milhões de brasileiros estão vinculados a um plano médico, o equivalente a quase um quarto da população.
O diretor-presidente da ANS, Mauricio Ceschin, explicou que a lista das operadoras punidas foi definida a partir do número de reclamações dos usuários. Segundo ele, as empresas que desrespeitarem a proibição poderão ser multadas.
A lista das operadoras punidas é a seguinte:
Admédico Administração de Serviços Médicos a Empresas Ltda,
Administradora Brasileira de Assistência Médica Ltda,
ASL – Assistência à Saúde ,
Assistência Médico Hospitalar São Lucas S/A,
Beneplan Plano de Saúde Ltda,
Casa de Saúde São Bernardo S/A,
Centro Clínico Gaúcho Ltda,
Centro Transmontano de São Paulo,
Excelsior Med S/A,
Fundação Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte,
Fundação Waldemar Barnsley Pessoa,
Green Line Sistema de Saúde S/A,
Grupo Hospitalar do Rio de Janeiro Ltda (Assim),
HBC Saúde S/C Ltda,
Memorial Saúde,
Nossa Saúde – Operadora de Planos Privados de Assistência à Saúde Ltda,
Operadora Ideal Saúde Ltda,
Porto Alegre Clínicas S/S Ltda,
Prevent Sênior Private Operadora de Saúde Ltda.
Real Saúde Ltda EPP,
Recife Meridional Assistência Médica Ltda,
Samp Espírito Santo Assistência Ltda,
São Francisco Assistência Médica Ltda,
São Francisco Sistema de Saúde Sociedade Empresária Ltda,
Saúde Medicol S/A,
Seisa Serviços Integrados de Saúde Ltda,
SMS – Assistência Médica Ltda,
Social – Sociedade Assistencial e Cultural,
Sosaúde Assistência Médico Hospitalar Ltda,
Unimed Brasília Cooperativa de Trabalho Médico,
Unimed Federação Interfederativa das Cooperativas Médicas do Centro-Oeste e Tocantins, Unimed Guararapes Cooperativa de Trabalho Médico Ltda,
Unimed Maceió Cooperativa de Trabalho Médico,
Unimed Paulistana Sociedade Cooperativa de Trabalho Médico,
Universal Saúde Assistência Médica S/A,
Vida Saudável S/C Ltda,
Viva Planos de Saúde Ltda.

Vladimir Platonow
No Agência Brasil
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Diplomacia sem medo

A mania de diminuir o Brasil só pode ser medo de um país grande dar certo, o que em muitos aspectos já está acontecendo.
O derrotismo encontrou até acolhida teórica na formulação de que o país “não possui excedente de poder” e, portanto, não pode aspirar a objetivos fora do fácil alcance das mãos.
Essa tese predestina o quinto maior país do mundo – hoje sexta economia – a um desígnio de perpétuo alinhamento aos mais fortes, numa versão diplomática do mal-afamado complexo de vira-lata.
Verificamos ser necessário que uma estrangeira (Julia Sweig, do Conselho de Relações Exteriores dos EUA) nos ajude a interpretar de forma mais sofisticada e, ouso dizer, positiva, o episódio da suspensão do Paraguai do Mercosul e da incorporação da Venezuela ao bloco. Esta última iniciativa vinha se arrastando por vários anos. Os termos da acessão já haviam sido negociados e firmados no mais alto nível pelos chefes de Estado dos quatro membros do Mercosul e do país entrante. A plena incorporação da Venezuela ao Mercosul – não custa lembrar -foi ratificada pelos poderes legislativos dos países que ainda conservam sua plenitude democrática intacta no âmbito do agrupamento subregional.
A angústia antecipatória com o êxito também se voltou contra a Rio+20, declarada um fracasso ab initio por exército de “especialistas”, muitos querendo acoplar à maior conferência da história das Nações Unidas suas respectivas agendas políticas paroquiais.
Pouco importa o fato de a organização do evento ter sido impecável. Foram 17 mil inscritos na Rio-92; 48 mil na Rio+20 – eventos de dimensões incomparáveis.
O resultado espetacular para padrões da ONU não parece encontrar eco entre aqueles que apostavam ideologicamente no fracasso. O país anfitrião convenceu (não pela força ou malícia, mas pelo talento de seus diplomatas) 192 Estados membros a aprovarem por aclamação um documento de 49 páginas, 283 parágrafos, que versa sobre praticamente todos os temas da agenda internacional. Não se produziram tratados. Mas, para quem lida com o multilateralismo, uma visão de futuro consensual vale mais do que compromissos pontuais juridicamente vinculantes.
O Brasil incorporou ao consenso sua visão de como estabelecer um círculo virtuoso entre crescimento econômico, inclusão social, e proteção do meio ambiente. Muitos franziram a testa porque o documento não consagrou o caminho das “soluções de mercado”. Não se criou mais um fundo assistencialista, ou uma nova agência especializada da ONU – como se resolvessem.
Finalmente, temos os órfãos dos acordos de livre comércio assimétricos, utilizados para promover a abertura unilateral de mercados em países em desenvolvimento. A obsessão por tais acordos não está em sintonia com o mundo pós-Lehman Brothers, sujeito a manipulações cambiais, a afrouxamentos quantitativos trilionários e ao protecionismo do mais forte.
Surpreende que ainda existam pessoas que prefiram reduzir tarifas a reduzir pobreza. Na atualidade da crise, os regimes de comércio têm de levar em conta equilíbrios mais amplos de fatores. É necessário pensar em integração de cadeias produtivas, geração de demanda e empregos, segurança alimentar e energética, acesso à tecnologia e ao conhecimento, produtividade e sustentabilidade. É preciso entender que o dinamismo econômico migra dos países ocidentais desenvolvidos para conjunto cada vez mais assertivo de países em desenvolvimento em processo de expansão quantitativa e qualitativa.
De minha parte, capto ao menos um consenso positivo entre os analistas nacionais: o reconhecimento de que o peso e a projeção do Brasil se alçaram a níveis nunca antes vistos na história deste país.
Tenho orgulho do quanto o país avançou nos meus quase 30 anos de carreira. A complexidade dos desafios, a densidade de nosso papel e as responsabilidades que assumimos não têm nível de comparação com o universo mais simples da diplomacia menos arrojada de antanho. Felizmente, a liderança brasileira de hoje não sofre de vertigem.
Guilherme de Aguiar Patriota, embaixador e integrante da Assessoria Especial da Presidência da República.
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A frustrada desforra paulista e o desenvolvimento do Brasil

Todos os historiadores deveriam partir da advertência de Spinoza e buscar entender a realidade, antes de exercer a lisonja ou o ódio. Há oitenta anos, os paulistas se levantavam contra o governo Vargas, sob a bandeira da constitucionalização do país. Ora, o pretexto era frágil, uma vez que, em 14 de maio – três meses antes dessa insurreição armada – o governo provisório emitira o Decreto 21.402, nomeando comissão de juristas, encarregada de elaborar anteprojeto de Constituição e marcando a data de 3 de maio do ano seguinte para a eleição dos delegados constituintes. O prazo de um ano era razoável, porque os membros da comissão necessitavam de tempo hábil para discutir a nova ordem jurídica, depois da ruptura da Revolução de 30.
Não era bem a falta de uma Constituição que estimulara São Paulo à rebelião, que vinha sendo preparada desde a vitória militar da Revolução Liberal, em 3 de outubro de 1930. O que açulava os paulistas era a desejada revanche contra a sua derrota. As elites de São Paulo, todas vindas das oligarquias rurais, não podiam engolir a capitulação militar de Washington Luís diante de tropas mineiras, nordestinas e gaúchas. Os altos quatrocentões, apoiados por vitoriosos imigrantes, que também viviam da exportação de café, sentiam-se como junkers prussianos, acossados pela ralé de bárbaros. Apesar do relativo desenvolvimento da indústria manufatureira, promovido pelos imigrantes, as oligarquias rurais não queriam o desenvolvimento industrial do país, que as deslocaria de seu poder secular.
O sentimento de superioridade, que levara Washington Luís a insistir na continuidade de São Paulo no comando da República, induzira muitos dos chefes do movimento a pensar na independência do Estado, se sua hegemonia econômica não se confirmasse no comando político do país. Essa era uma das razões, mas havia outras, e mais importantes.
A ruptura da República Velha não fora simples mudança de homens ou de partidos no poder, e muito menos coligação de estados pobres, ressentidos contra a pujança econômica de São Paulo. Getúlio, na plataforma da Aliança Liberal, lida em janeiro de 1930, na Esplanada dos Ministérios, fora claro. O Brasil não poderia continuar um país vazio, só ocupado, desde o descobrimento, no litoral e em escassas manchas humanas no resto do território. A Guerra do Paraguai já nos alertara para a necessidade do intensivo povoamento do Centro-Oeste. O Brasil precisava sair do casulo conservador e dar empregos e vida digna a seu povo.
O confronto se fazia entre o pensamento renovador e a reação conservadora. Tanto é assim que, em Minas, o partido dos aliados das oligarquias paulistas se identificava, sem embuços, como sendo a Concentração Conservadora. Nomes importantes de Minas, conduzidos por motivos diferentes, estiveram com São Paulo, não só em 30, como em 32, entre outros Artur Bernardes e Fernando Mello Viana. E no Rio Grande do Sul, também. No caso, mesclavam-se os interesses pessoais e as questões políticas internas.
Tanto foi assim que os primeiros tiros da Revolução de 30 foram disparados em 6 de fevereiro de 1930, em Montes Claros – terra de Darci Ribeiro, é bom anotar. O tiroteio começou quando uma caravana conservadora, chefiada pelo então vice-presidente da República, o mineiro Mello Viana, passou diante da casa de João Alves e sua mulher, dona Tiburtina, e houve os disparos. A versão mais conhecida é a de que o primeiro tiro partiu do grupo provocador, e foi respondido pelos partidários da Aliança Liberal, que se encontravam no sobrado. Ali morreram seis pessoas e Mello Viana escapou por pouco – uma bala atingiu-lhe levemente o pescoço.
Getúlio pretendia a industrialização do país e justiça social para com os trabalhadores. O mundo começava a mudar, depois da Revolução de Outubro, na Rússia, e os desafios da Depressão iniciada meses antes, com a queda da Bolsa em Nova Iorque. Em 1930, no governo do Estado de Nova Iorque, Roosevelt iniciaria a sua política social e econômica que o levaria em 1932, à presidência e ao New Deal. Roosevelt e Getúlio estavam na mesma estrada. Em contraponto à política de solidariedade para com os trabalhadores, Washington Luís definia a sua posição, ao afirmar que “a questão social é apenas um caso de polícia”.
Infelizmente, ao que parece, os oligarcas paulistas – e seus representantes na política atual – não entenderam até hoje as razões dos revolucionários de 30. Continuam com a mesma posição que tiveram em julho de 1932. O ódio contra Getúlio e o seu governo – que, pela primeira vez via o povo como protagonista da História - permanece até hoje. Não há, em São Paulo, uma ruela qualquer com o nome do grande presidente. Não é por mero exercício retórico que Fernando Henrique Cardoso decretou, sem consegui-lo, “o fim da era Vargas”. Foi por convicção.
Não fazemos a apologia de 1932, nem lhe temos ódio, mas procuramos entender o movimento dos revolucionários paulistas como um gesto que, tendo sido de arrogância contra o Brasil (não nos esqueçamos de seu lema, non dvcor, dvco), foi importante para o desenvolvimento político e econômico do nosso país. Sem seu movimento, não teríamos a consolidação revolucionária do governo provisório, nem o projeto nacional de Vargas, que promoveu a industrialização do país, a participação do Brasil na Guerra e o fim do mito conformista de que deveríamos ser sempre um país essencialmente agrícola, eterno exportador de café e açúcar.
Ora, São Paulo foi o Estado mais beneficiado com a política industrial de Vargas. Como disse Delfim Neto ao jornalista Leonardo Attuch, São Paulo não perdoa a Getúlio o bem que ele fez a São Paulo.
E como a História é feita pelos homens e para os homens, não teríamos, sem a guerra paulista, tido a carreira política de Juscelino, que, sucedendo a Vargas, deu o grande salto para a afirmação do Brasil no mundo. Como se sabe, foi combatendo os paulistas, no Túnel da Mantiqueira, que o capitão médico se tornou político.
E tampouco nos devemos esquecer que os paulistas, derrotados em 32, afinal, ganharam, em 64, quando muitos de seus empresários, reunidos no IEPES, aliaram-se aos militares para derrubar Jango. Eles se mantiveram no poder, diretamente ou pelos seus delegados, até a restauração democrática de 1985.
Quando a repressão se exacerbou em São Paulo – e foi exercida pelo Doi-Codi e pela Oban (Operação Bandeirantes), financiada por grande parte daquele grupo de empresários – muitos dos que tombaram não tiveram o privilégio de cair em pleno combate, como o tiveram os mortos em 30 e em 32. Só Deus e os torturadores sabem como eles pereceram.
O povo paulista começa a desvincular-se das elites, e a autonomia de sua ação política, na solidariedade com os brasileiros de todas as regiões, é a argamassa necessária à autêntica coesão nacional.
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Morre um Censor

O da direita
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Bial sempre fez defesa da moral

Semana passada estreou Na Moral, programa com Pedro Bial exibido na madrugada. A jornalista Cris, que eu pude conhecer um pouquinho quando dividimos um quarto no 1º Encontro de Blogueiros Progressistas, fez o esforço de ver o programa e escrever sobre ele.
Eu não tenho essa coragem. O programa já disse a que veio quando convidou o “polêmico” Luiz Felipe Pondé. A Folha, que o lançou como colunista, e a grande mídia, que engole tudo que é reaça, quer transformá-lo num novo Paulo Francis. Existe um forte público conservador ávido por revisionismo histórico (daí aberrações como Guia Politicamente Incorreto do Brasil e da América Latina, que viram bestsellers graças aos leitores da Veja) e por aclamação do politicamente incorreto, que virou eufemismo de “Sou reaça e tenho orgulho disso!”. 
É o pessoal do “Vamos fazer uma parada hétero!”, do “Se negros podem usar camiseta de 100% Negro, por que eu não posso usar camiseta de 100% Branco?”, do “feminismo é a mesma coisa que machismo”.
Ninguém sério dá bola pro Pondé. As feministas, por exemplo, o ignoram solenemente, porque a gente sabe que o artigo da semana seguinte será tão programadamente "escandaloso" como o desta semana. Um tempinho atrás, ele escreveu algum artigo falando de Nelson Rodrigues e, mais uma vez, tacando fogo nas mulheres em geral e nas feministas em particular. Pelo jeito, a repercussão não foi a desejada. Pouca gente leu. 


O pior que pode acontecer a um polemista profissional é... não gerar polêmica. Então a Folha entrou em contato com o Blogueiras Feministas implorando para que o grupo se manifestasse sobre Pondé e Nelson Rodrigues (que, apesar de ter sido um dramaturgo genial, também era um reaça de marca maior, e hoje é mais lembrado por frases como “Nem toda mulher gosta de apanhar; só as normais” -– frases citadas como se fossem verdades absolutas, porque, afinal, são repetidas à exaustão). A resposta do grupo foi exemplar: até podemos falar de Nelson Rodrigues; de Pondé, não.
E, no entanto, Pondé está em todas ultimamente. Ele virou, junto com outro filósofo machistóide, o Ghiraldelli, os únicos filósofos no Brasil inteiro. Tem que se perguntar: por que um zero à direita como Pondé recebe espaço na mídia? É justamente por ser de direita e por seguir uma linha editorial muito mais próxima do jornal que uma feminista, ou um ativista do movimento negro ou LGBT. Além do mais, polêmica vende. Ou vendia, na época em que as pessoas ainda liam jornal impresso.
Mas eu queria era falar sobre o Pedro Bial. O que sei do Bial? Muito pouco. Lembro quando ele era correspondente da Globo em algum país, ou vários deles. Havia rumores, minhas leitoras me contaram, que ele bateu na sua ex-mulher, Giula Gam, mas não há queixa formal contra ele. Lembro bem dele no Fantástico, em 98, quando, durante uma matéria sobre balé, podia-se ouvir claramente a voz de Bial dizendo “Isso é coisa de viado”. Ele nunca pediu desculpas.
 
Depois, quando Bial foi pro BBB, eu nem me admirei. A linha entre jornalismo e entretenimento pra alguns veículos é muito tênue. Quem já viu BBB sabe que ele leva a assinatura da Central Globo de Jornalismo. Logo, um jornalista como apresentador não é tão estranho num lugar em que informação e entretenimento não se diferenciam.

Eu vi poucos BBBs (uma ou duas das doze edições?), e achava a pior parte do programa a eliminação de um participante, quando Bial destilava um monte de senso comum e palavras cafonas que os consumidores de Veja e Guias Politicamente Incorretos sobre as Jujubas Amarelas encaram como se fosse um misto de poesia e sabedoria. E, óbvio, fiquei sabendo do “O amor é lindo!” que Bial lançou um dia depois que o país inteiro discutia se rolou um estupro embaixo do edredon.

Mas todas essas memórias são fichinha se comparadas a minha memória mais vívida em relação ao Pedro Miau, repórter e gato. Joinville, 1998. Eu trabalhava numa escola de inglês que alugou um stand numa Feira de Educação que haveria na cidade. É, aquele evento, financiado pela prefeitura da cidade, então nas mãos de Luiz Henrique, era vendido como uma feira da educação. A palestra final, pra um auditório lotado de professor@s, foi dada pelo Prof. Marins, e era basicamente sobre como devemos trabalhar em equipe e, nesta equipe, os pessimistas não têm vez. 
Para ilustrar o seu ponto, Marins disse que o Brasil estava uma maravilha porque vendíamos mais geladeiras que o Canadá (ele não falou, mas eu sabia que a população do Canadá era pouco mais de um décimo da do Brasil), e que não deveríamos dar ouvidos a quem nos dissesse o contrário. Ele também falou, e eu lembro como se fosse hoje, que a gente tinha que parar de pensar no passado e se culpar pelos índios mortos com a chegada dos portugueses, porque, ora, ninguém sabe quantos índios havia nem quantos foram mortos. Marins foi aplaudido de pé. Por educador@s. O pessoal do revisionismo histórico dos Guias Politicamente Incorretos certamente sabe que não está falando nada de novo, pois não?
Mas voltando ao Bial. Ele foi um dos palestrantes convidados (só havia homens entre os palestrantes, embora 90% do público fosse feminino, professoras de ensino fundamental). Eu achei estranho que Bial estivesse num evento sobre educação, mas ele havia publicado alguns livros, não sobre educação, mas eram livros, essas coisas cheias de papel, então devia ser parecido. 
Eu não fui à palestra do Bial porque tinha que ficar no stand da escola, mas nunca vou esquecer quando Bial apareceu. O lugar da feira era grande, meio aberto, com muitos stands. Era preciso passar por um corredor cheio pra chegar aos auditórios. E, quando Bial passou, o barulho foi ensurdecedor. Não estou exagerando. As mulheres (professoras!) gritaram, como se estivessem na presença de um astro da música ou de um galã de novelas. Eu fiquei impressionada, porque nem imaginava que Bial fosse tão famoso, muito menos admirado. E isso foi antes do BBB!
 
Portanto, faz muito tempo que Bial é pop. E, num país preconceituoso em que não se sabe quando acaba a notícia e começa o espetáculo, o pop quase sempre serve pra perpetuar preconceitos.
No Escreva Lola Escreva
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OEA descarta sanções contra o Paraguai

Secretário-geral, José Miguel Insulza, diz que sanções só piorariam situação
O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, disse nesta terça-feira (10) que o impeachment do presidente destituído do Paraguai, Fernando Lugo, é o produto de uma "profunda crise institucional" entre o Executivo e o Legislativo . Após a destituição de Lugo, o secretário visitou o Paraguai e países vizinhos.
"Para impedir que o evento (destituição de Fernando Lugo) gere mais consequências negativas é preciso rever quatro aspectos da crise, entre eles, que o juízo político (impeachment) é o resultado de uma profunda crise política institucional entre o poder Executivo e Legislativo", disse Insulza a partir da sede da OEA em Washington, EUA. O presidente Lugo e o Congresso do Paraguai "foram eleitos pelo mesmo eleitorado, o que torna mais dramática essa ruptura", acrescentou.

Prerrogativa


"Do ponto de vista jurídico é complexo, o impeachment é uma prerrogativa do Congresso, da Câmara dos Deputados que acusou o presidente Lugo de prevaricação, o que deixava uma vaga do cargo que assumiu o vice-presidente (Federico Franco), conforme estipulado da Constituição", no entanto, "a velocidade foi muito infeliz e deu uma aura de ilegitimidade no processo (…). O Senado deu muito pouco tempo para defender ", disse o secretário.
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Ideias em liberdade

Substitutos perfeitos. Garfield e o Pica-Pau como âncoras.
O Leão da Montanha para a análise, embora bem figurasse
também como colunista, candidato ao fardão da Academia.
Fotos: Reproduções
Digamos, Garfield, o gato. Personagem extraordinária, filósofo cínico no sentido da antiga Grécia com o retoque de um senso de humor próximo, ouso sugerir, do jovem Dickens, aquele dos Cadernos Póstumos do Pickwick Club.
Apanho outra figura exponencial, o Pica-Pau. Chistoso, maldoso, capaz de malignidades de refinamento extremo, favorecidas pela agudez do bico impiedoso. E logo não dispenso o Leão da Montanha e sua vocação, na hora do aperto, de sair ora pela direita, ora pela esquerda, com o destino exclusivo, despidas de qualquer conotação ideológica, de pôr a pele em salvo.
Devo observar nos comportamentos do Leão da Montanha um substrato de ingenuidade, manifestado inclusive por sentimentos muito próximos da mania de perseguição, contrabalançados por repentes de matreirice não isenta de graça, embora elementar. Trata-se, em suma, de um esperançoso. Ao contrário de Garfield e do Pica-Pau, os quais provavelmente não leram Spinoza mas não se permitem alimentar fé e muito menos esperança.
Estas personagens surgem em cena por causa de uma conversa que acabo de ter com um velho companheiro, Paulo Henrique Amorim, responsável há quem diga, não menos do que o acima assinado, se não pelo golpe de 1964, ao menos pela sustentação da ditadura depois do golpe dentro do golpe de 1968. Para variar, Paulo Henrique e eu falamos da mídia nativa, infatigável na sua trincheira em defesa da democracia, ameaçada, como se sabe, antes por um operário metido a sebo e agora pelo governo de dona Dilma, envolvido em uma conspiração a favor de Hugo Chávez em consequência da queda de Fernando Lugo da Presidência do Paraguai. Precipitada, aliás, por decisão parlamentar absolutamente constitucional. Vale um adendo em relação à presidenta: ela é secundada por um carcamano que no Ministério da Fazenda leva o Brasil à falência.
Ouço a voz de Raymundo Faoro: “Não exagere em ironias, haverá quem o leve a sério”. Talvez um punhado de petistas, ainda entregues ao fanatismo do Apocalipse. Apresso-me, de todo modo, a recomendar: por favor, não levem a sério as linhas do parágrafo precedente. Em compensação, não há como duvidar da seriedade que moveu Paulo Henrique e a mim ao imaginarmos que a qualidade e a consistência informativa do Jornal Nacional, escolhido como exemplo da mídia nativa, melhorariam sobremaneira caso fosse ancorado pela dupla Garfield–Pica-Pau.
Não pretendemos formular uma proposta formal à alta direção da Globo. Nem por isso renunciamos à ideia, à nítida percepção, afirmo até, de que os aludidos heróis confeririam ao noticioso global um certo poder de credibilidade até agora em falta. O Leão da Montanha figura no enredo de caso pensado. No nosso entendimento, ele cabe à perfeição no papel de analista.
Cada um dos citados, de resto, promete desempenho impecável. No caso do Leão da Montanha, creio que ele poderia ampliar o raio de ação. Sem temor de enganos, sustento que valeria alargar-lhe o saber até a escrita, graças a uma coluna diária para alegria dos leitores. Miriam Leitão que se cuide. Merval Pereira também, mesmo porque não haveria surpresas se algum dia o Leão da Montanha fosse eleito para a Academia Brasileira de Letras. E digo mais, de fardão ele ficaria muito bem.
Recordo que William Bonner, âncora inextinguível, exige um Jornal Nacional prioritariamente dirigido a telespectadores dotados do nível mental de Homer Simpson. Ao cabo, sobra-me uma certeza: o velho, exemplar Homer gostaria destas modestas sugestões, formuladas, está claro, a tempo perdido.
Mino Carta
No CartaCapital
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Charge online - Bessinha - # 1343

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Ao ajudar golpistas, Álvaro Dias sabe do que está falando

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR), líder do seu partido no Senado, foi um dos articuladores da tentativa de impeachment do presidente Lula em 2005. Assim, sabe do que está falando ao apoiar o golpe contra o presidente Fernando Lugo desfechado pela direita no Paraguai.
A postura do senador só revela o caráter antidemocrático de setores da oposição brasileira, que a partir de argumentos jurídicos falsos buscam justificar o injustificável, o golpe em sua nova versão (parlamentar). Evitam, assim - e a exemplo do caso de Honduras em 2010 contra o presidente Manuel Zelaya - a participação direta dos militares e a violência contra o presidente.
O senador e os adeptos do golpismo, aliás, talvez não saibam - ou não se lembrem -, mas essa forma de golpe nem é tão nova assim. No início dos anos 30 (em 1933), por exemplo, surgia na política cubana Fulgêncio Batista, um sargento do Exército, que passou à história do país por ter se "elegido" várias vezes "presidente".

Intervenção levou Cuba a ser chamada de "bordel" dos EUA

Seus "governos" foram marcados pela completa dominação norte-americana sobre Cuba, período em que a Ilha foi até chamada de "bordel" dos EUA. Em 1936, depois da revolução popular que apeou do poder do ditador Gerardo Machado, o sargento Batista ia derrubar pela força, o presidente Miguel Mariano Gomes. Mas a embaixada norte-americana o aconselhou a tirá-lo via Parlamento no que foi atendida.
Batista, então, já manipulava presidentes antes de tomar ele mesmo o poder, primeiro se elegendo em 1940 e depois dando um golpe de Estado em 1952. Como se vê, nem o golpe parlamentar é novidade nesta parte de cá ao Sul do Equador.
Álvaro e setores do PSDB ligados à diplomacia, ao defenderem o golpe dado pelo Partido Colorado no Paraguai, na prática, apoiam a política da Casa Branca para nossa região. E este lobo, como se sabe, perde o pelo, mas não perde o vício. Por mais que disfarce mantém sua política de intervenção e atentado à soberania dos países do continente. Agora, ela visa impedir a integração regional.

Com apoio ao Paraguai, Washington manda recado direto ao Brasil

Com este apoio ao golpe paraguaio e veto à Caracas no MERCOSUL, Tio Sam manda um recado direto para o Brasil: nada de integração e nada de liderança regional, nada de União das Nações da América do Sul (UNASUL) e muito menos de relações soberanas com a Venezuela.
Os norte-americanos querem submeter os países latino-americanos a uma estratégia de congelamento do poder na região sob a sua hegemonia e com os riscos que ela traz: bases militares no Paraguai e oposição à integração regional.
Com essa estratégia instalam aqui um verdadeiro cavalo de tróia no coração do MERCOSUL, um ataque direto ao Brasil e a nossa politica externa. Essa é a realidade. Que o senador Álvaro Dias e pelo visto uma parte do PSDB ligada à diplomacia apoiam.
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Golpista do Paraguai é cobrado por ligações com narcotráfico

Algumas lideranças do Partido Colorado, no Paraguai, cobraram de seu presidenciável, Horacio Cartes, que esclareça seus supostos vínculos com o narcotráfico.
A cobrança se deu depois que o presidente do Uruguai, José Mujica, disse ao jornal "El Observador" que o Partido Colorado tem ligação com o narcotráfico e que o fenômeno é chamado de "narcocoloradismo", mas sem citar nomes. Os paraguaios vestiram a carapuça em Cartes.
Horacio Cartes já reconheceu ter tido negócios com Fahd Jamil, considerado o chefão mafioso da fronteira na região das cidades de Ponta Porã, no Brasil, com Pedro Juan Caballero, no Paraguai.

Em novembro de 2011, o portal Wikileaks vazou dezenas de documentos da Embaixada dos Estados Unidos em Assunção que revelavam a ligação de Cartes com grupos narcotraficantes, com os quais haveria mantido um esquema de lavagem de dinheiro que, segundo os documentos, foi investigado pela DEA (Agência Antidrogas dos Estados Unidos) entre os anos de 2003 e 2005.
Segundo as revelações do Wikileaks, o esquema de lavagem de dinheiro também envolvia o Banco Amambay, do qual Cartes é o principal acionista.
http://goo.gl/ryybd
São esses golpistas que o senador tucano Alvaro Dias, representando o PSDB, tem visitado para dar apoio.
No Amigos do Presidente Lula
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O que quebrará o País?

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nos últimos dias que a elevação dos gastos com a educação ao patamar de 10% do Orçamento nacional poderia quebrar o País. Sua colocação vem em má hora. Ele deveria dizer, ao contrário, que a perpetuação dos gastos em educação no nível atual quebrará a Nação.
Alunos de universidades públicas de todo país se
reúnem em frente ao Museu Nacional da República
para reivindicar uma audiência o ministro
da Educação, Aloizio Mercadante.
Foto: Agência Brasil
Neste exato momento, o Brasil assiste a praticamente todas as universidades federais em greve. Uma greve que não pede apenas melhores salários para o quadro de professores e funcionários, mas investimentos mais rápidos em infraestrutura. Com a expansão do ensino universitário federal, as demandas de recurso serão cada vez mais crescentes e necessárias. Isto se quisermos ficar apenas no âmbito das universidades públicas.
Por trás de declarações como as do ministro, esconde-se a incompreensão do que é o próximo desafio do desenvolvimento nacional. Se o Brasil quiser oferecer educação pública e de qualidade para todos precisará investir mais do que até agora foi feito. Precisamos resolver, ao mesmo tempo, problemas do século XIX (como o analfabetismo e o subletrismo) e problemas do século XXI (como subvenção para laboratórios universitários de pesquisa e internacionalização de sua produção acadêmica). Por isto, nada adianta querer comparar o nível de gasto do Brasil com o de países com sistema educacional consolidado como Alemanha, França e outros. Os desafios brasileiros são mais complexos e onerosos.
O investimento em educação é, além de socialmente importante, economicamente decisivo. O governo ainda não compreendeu que o gasto das famílias com educação privada é um dos maiores freios para o desenvolvimento econômico. Vivemos em um momento no qual fica cada vez mais clara a necessidade de repactuação salarial brasileira. A maioria brutal dos empregos gerados nesses últimos anos oferece até um salário mínimo e meio. A proliferação de greves neste ano apenas indica a consciência de que tais salários não podem garantir uma vida digna com possibilidade de ascensão social.
Há duas maneiras de aumentar a capacidade de compra dos salários: aumento direto de renda ou eliminação de custos. Nesse último quesito, os custos familiares com educação privada são decisivos. A criação de um verdadeiro sistema público de educação seria o maior aumento direto de salário que teríamos.
O governo teima, no entanto, em não perceber que o modelo de desenvolvimento conhecido como “lulismo” está se esgotando. Lula notou que havia margem de distribuição de renda no Brasil sem a necessidade de acirrar, de maneira profunda, conflitos de classe. De fato, sua intuição demonstrou-se correta. Mas o sucesso momentâneo tende a cegar o governo para os limites do modelo.
Com a ascensão social da nova classe média, as exigências das famílias aumentaram. Elas querem agora fornecer aos filhos condições para continuar o processo de ascensão, o que atualmente passa por gastos em escola privada. Esses gastos corroem os salários, além de pagar serviços de baixa qualidade. A escola brasileira, além de cara comparada a qualquer padrão mundial, é ruim.
É fato que o aumento exponencial dos gastos em educação coloca em questão o problema do financiamento do Estado. Ele poderia ser resolvido se o governo tivesse condição política para impor uma reforma tributária capaz de taxar grandes fortunas, transações financeiras, heranças e o consumo conspícuo para financiar a educação. Lembremos que, com o fim da CPMF, o sistema de saúde brasileiro viu postergado para sempre seus sonhos de melhora.
Tais condições exigiriam um tipo de política que está fora do espectro do lulismo, com suas alianças políticas imobilizadoras e sua tendência em não acirrar conflitos de classe. O Brasil paulatinamente compreende a necessidade de passar a outra etapa e, infelizmente, poucos são os atores políticos dispostos a isto.
Vladimir Safatle
No CartaMaior
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Seguem as veias abertas em Cajamarca, no Peru

Nesta obra monumental que é As veias aberta da América Latina, Eduardo Galeano descreve como, “com 180 soldados e 37 cavalos”, no ano de 1532, Francisco Pizarro executou Atahualpa e arrasou Cajamarca, um dos centros mais importantes do Império Inca. Hoje, 480 anos depois, a sanha estrangeira pelo ouro segue executando o povo, degradando a natureza e arrasando Cajamarca, no Peru.
A imposição de irresponsáveis projetos de mega mineradoras, como a Yanacocha, depredadores do meio ambiente é um dos principais causadores das mais de três centenas de mortes de militantes sociais nos últimos cinco anos no Peru. O último episódio desse massacre institucional, fora o uso de grupos paramilitares e assassinos profissionais, acaba de ocorrer esta semana, com a morte de cinco manifestantes pela polícia, mais de vinte feridos e a prisão de Marco Arana, ex-padre e líder da organização Terra e Liberdade.
Yanacocha e Yanacocha
Atualmente a maior mineradora do mundo, a Yanacocha foi fundada legalmente em 1992, logo depois do golpe de Estado de Fujimori, no departamento de Cajamarca, a 800 quilômetros ao noroeste da cidade de Lima, capital do Peru, tendo como acionistas a corporação estadunidense Newmont Mining (51.35%), a companhia peruana Minas Buenaventura (43.65%) e a corporação internacional IFC (5%), afiliada ao Banco Mundial. Sua principal exploração é a mina de Yanacocha, a maior mina de ouro da América Latina e a segunda maior do mundo.
Os questionamentos sobre a Yanacocha começaram já em 1993, quando muitos campesinos denunciaram a coação para vender suas terras e os ínfimos preços pagos pelas mesmas. Marco Arana começou primeiro uma luta para que fosse pago aos camponeses o preço real da terra, mas depois, com a denúncia de diversos crimes ambientais e sociais, ele e os camponeses passaram a lutar contra a implementação da mega mineradora no monte Quilish.
Ocorrido em junho de 2000, o pior desses crimes ficou conhecido como “desastre de Choropampa”, “o maior desastre mundial de mercúrio inorgânico que afetou toda uma população”, segundo as palavras do ex-padre, ocasionando dores de cabeça, reumatismo, cegueira, hemorragias nasais, irritabilidade e outros sintomas.
“Operación Diablo”
Marco Arana Zegarra, que está prestes a completar 50 anos, sociólogo e ex-padre, é um dos maiores estudiosos dos efeitos nocivos das mega mineradoras para a população e para o meio ambiente. Unindo prática e teoria, é também um aguerrido ativista ambiental e pelos direitos humanos no Peru. Em 2004, quando ganhou o Prêmio Nacional de Direitos Humanos, alguns jornais de Cajamarca descreviam os manifestantes contra a Yanacocha como “bêbados alentados por um padre comunista que lhes entrega aguardente".
Mas os ataques contra Marco não se limitavam a uma desmoralização midiática. No início de março passado tivemos a oportunidade de assistir no Festival Internacional de Cine Político, em Buenos Aires, o documentário Operación Diablo, da diretora canadense Stephanie Boyd, que narra como na década passada, por anos uma empresa de vigilância a serviço da Yanacocha grava todos os passos de ativistas contrários aos projetos da empresa. A operação recebe o nome que dá título ao documentário e, entre os apelidos utilizados para identificar os perseguidos, sobressai-se o de Arana: El Diablo.
Ganhador em 2011 do Prêmio Internacional de Direitos Humanos do Festival de Berlim, o documentário pode ser visto na íntegra em: http://www.youtube.com/watch?v=PQk_U9WLHgA. Uma das cenas mais estarrecedoras é a do sequestro de vários ativistas pelos “seguranças” da empresa, na verdade ex-militares recrutados para disseminar o medo na população e nos militantes sociais.
Projeto Conga
A despeito de todas as denúncias de crimes ambientais e de violações dos direitos humanos, durante o governo de Alan García (2006-2011) nada foi feito para frear os desmandos. Ao contrário, a empresa só cresceu e aumentou a sua sanha, criando o expansivo projeto Conga, alvo atual dos permanentes e resistentes protestos dos campesinos, porque, para eles, o projeto que está na iminência de ser instalado nas províncias de Celendín, Cajamarca e Hualgayoc ameaça o abastecimento de água para o consumo humano, para a agricultura, pecuária, piscicultura e outras, já que esta zona é a principal fonte geradora de recursos hídricos da região.
O projeto Conga foi aprovado de forma semelhante ao que ocorre nos Estados Unidos com os tecnocratas de Wall Street que passam aos ministérios de governo. Quem deu o aval foi o engenheiro Felipe Ramírez del Pino, diretor da Direção Geral de Assuntos Ambientais Mineiros (DGAAAM), do Ministério de Minas e Energia, um ex alto funcionário da Yanacocha entre 2006 e 2009.
Entre os principais pontos do rechaço dos campesinos está o domínio territorial que representa o projeto. Em Cajamarca as concessões são de 47.3% do tamanho do território e há outros lugares, como em Apurímac, o novo centro de concessões mineradoras, que chegam a 58.4%. Além disso asseguram que haverá a degradação generalizada do ecossistema e, finalmente, que o resultado será que menos de 1% das riquezas extraídas ficará em Cajamarca, continuando o povo local em sua pobreza extrema, da mesma forma como está hoje.
Ollanta Humala
No meio do epicentro dos conflitos está o atual presidente Ollanta Humala. Eleito sobretudo com o apoio dos campesinos, tendo dito em campanha que “a água é mais importante do que o ouro”, Humala passou, segundo alguns ativistas depois que teve no ano passado uma reunião comercial nos Estados Unidos, a pautar seu governo num projeto desenvolvimentista, motivo pelo qual modificou seu discurso. “Sim se pode ter o ouro e a água ao mesmo tempo”, disse no final do ano passado quando se reiniciaram os conflitos em Cajamarca.
O distanciamento entre Humala e os movimentos campesinos se consolidaram com o aval do governo à instalação do projeto Conga em abril passado. “Devemos ter capacidade e vontade para prevenir os conflitos e não usar as mesmas estratégias do governo anterior”, expressou-se Julia Cuadros, diretora da entidade CooperAcción.
Diante das mortes ocorridas, alguns ministros do governo saíram a atacar o presidente regional de Cajamarca, Gregório Santos, de incitar o povo ao confronto, o que, segundo Carlos Tapia, analista político e ex-assessor de Humala, é uma tentativa de criminalizar os movimentos sociais. “Si Keiko [a filha de Fujimori] tivesse ganhado, que papel teria Humala no meio de um cenário como o de Cajamarca? Estaria apoiando a Santos, não tenho nenhuma dúvida”, afirmou a uma rádio alternativa.
Ao que tudo indica, a situação do Peru lembra um pouco a do Paraguai: um presidente eleito pelo voto popular e que passa a fazer concessões por uma governabilidade duvidosa, que acaba por não lograr objetivos democráticos, passando à subserviência aos grandes conglomerados econômicos e às políticas do passado recente, nesse caso do Peru Fujimori-Toledo-García. Além de engessado, torna-se muito frágil, como ocorreu com Lugo. Até os tipos de conflito são semelhantes e propícios às novas formas de golpe na América Latina.
O governo tenta reverter a terrível situação em que se encontra Cajamarca com um diálogo com os campesinos que será mediado pelo padre Miguel Cabrejos, ex-presidente da Conferência Episcopal Peruana.
Protestos e Estado de emergência
Desde que Humala declarou total apoio à implantação do projeto Conga no final de abril passado, mais de 20 organizações, federações, sindicatos e paróquias fizeram uma carta aberta a Humala e garantiram fazer uma “resistência pacífica permanente pela vida e a dignidade” até que se garantisse a inviabilidade do projeto. No dia 31 de maio, as organizações começaram uma jornada de mobilizações pacíficas em todo o departamento de Cajamarca. Os manifestantes pediam que o presidente cumprisse as promessas de campanha e não dê continuidade às “políticas excludentes, centralistas e depredadoras dos recursos naturais da região”. Uma das principais iniciativas foi a criação de “vigilância cidadã” pelas Rondas Campesinas batizadas como “Guardiães das Águas”, com a tarefa de “vigiar, de maneira permanente, as lagoas para não deixar que empresas mineradoras possam destruí-las”.
Com o aumento das manifestações, o governo distribuiu o decreto supremo N°070-2012-PCM, que declarou estado de emergência nas províncias de Cajamarca, Celendín e Hualgayoc durante 30 dias. Como os protestos continuaram, com estes departamentos militarizados, houve confrontos e nos dias 3 e 4 passados cinco campesinos morreram, 15 ficaram feridos e cerca de duas dezenas de pessoas foram presas, entre elas Marco Arana, que, após ser liberado ontem, denuncia que foi intimidado e agredido fisicamente nas dependências da polícia.
Normalização do crime
Diante da violência de mais um massacre a campesinos na América Latina, mais uma vez também chama a atenção a aceitação e vulgarização do crime cometido. Friamente o titular da Sociedade Nacional de Mineração, Petróleo e Energia (SNMPE), Pedro Martínez, falou sobre o perigo que os “conflitos sociais” representam para a “inversão de aproximadamente 9,641 milhões de dólares” e sugeriu que o Estado não paralise o projeto Conga, já que se trata da “inversão privada mais importante da história do Peru”.
Hipocritamente, um porta-voz da Yanacocha anunciou que, “apesar dos protestos”, a empresa continuará seus trabalhos, acrescentando sugestivamente, “enquanto as autoridades não lhes diga que parem”. Também o presidente da Buenaventura, umas das sócias da Yanacocha, pronunciou-se dizendo que espera “que se restabeleça o diálogo”.
Por último, as próprias notícias da morte dos camponeses, seus funerais são descritos com uma naturalidade brutal. Comentando com um amigo peruano em Buenos Aires, que conhece regiões como Cajamarca, ele me explica que não é uma impressão. Assim é. “A vida de um camponês peruano não vale uma onça de ouro”, afirma. A conclusão de uma tão medonha afirmação é que, assim como ocorreu durante as últimas ditaduras, o “valor” de uma morte e a memória de um cidadão covardemente – segundo fontes médicas oficiais, não houve um policial ferido – assassinado continua dependendo da classe social a que pertence, onde não contam índios e camponeses, como ocorreu com onze recentemente no Paraguai, como existiu agora no Peru. Passa como morte natural e logo cai nas névoas da história oficial. Por tal, o enunciado de Milan Kundera continua mais do que nunca válido: “A luta do homem contra o poder é a luta da memória contra o esquecimento”.
Maurício Colares
No Advivo
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