8 de jul de 2012

As redes sociais e os jornalistas

Uma pesquisa realizada pela PR Oriella Network revelou que muitos jornalistas brasileiros buscam mais informações nas mídias sociais do que nas assessorias de imprensa. Cerca de 66,67% dos entrevistados disseram utilizar o Twitter como fonte de informação. Os outros 40% disseram utilizar o Facebook.
Apesar de a notícia ser positiva para as redes sociais, a pesquisa também mostrou que os jornalistas costumam ter o hábito de confirmar as informações recebidas nessas redes com a assessoria de fontes oficiais, ou até mesmo, com as próprias fontes. Pode-se concluir que, mesmo que os jornalistas acessem com frequência as redes sociais para buscar informações, são as fontes oficiais ou assessorias que ditam a veracidade das informações.
te dos números, pode-se perceber que as rotinas das redações de jornais mudaram no que tange à busca de fonte de informações e seu relacionamento com elas. Houve uma ressignificação do campo de atuação do jornalista. O acesso direto a fontes alterou o processo de apuração para a maioria dos jornalistas brasileiros, como mostra a pesquisa. O trabalho de apuração em si não mudou, ainda é necessário analisar as fontes de informações, porém foram acrescentadas novas ferramentas que modificam e reconfiguram a rotina de busca por fontes.
Neste cenário, onde o fluxo de informação é maior e a produção do conteúdo não é feita somente pelo jornal, é cada vez mais pertinente a pergunta que há anos vem sido feita pelos pesquisadores do jornalismo no ciberespaço: toda pessoa é uma fonte de informação, que atende aos critérios de confiabilidade? Com a descentralização da informação há uma inversão no fluxo de notícias que antes eram muito dependentes de fontes oficiais (MACHADO, 2002). Isso não significa que se tenha perdido a preferência pelas fontes oficiais e oficiosas, mas ampliou o leque de informações e o acesso a elas.
O advento das informações produzidas e repercutidas nos sites de redes sociais acabou dando maior acesso a um sem número de fontes espalhadas em todo o mundo. Mas como será o relacionamento do jornalista com esse número de fontes disponíveis nessa rede? Como é feita a seleção das fontes? Usam-se as antigas ferramentas de valores-notícia e escolha de fontes da época do surgimento da teoria construcionista (TRAQUINA, 1999) ou essas redes alteraram o processo de escolha do “gatekeeper”?

As fontes no ciberespaço

A principal ferramenta de trabalho do jornalista é a fonte e tudo o que ela representa para certificar que um ato aconteceu, não aconteceu, está para acontecer ou como ele irá acontecer. Sem o testemunho, as aspas ou a denúncia de sua fonte de informação, o jornalista não tem notícia, não tem trabalho. Com disse Wolf (1999) “as fontes são um fator determinante para a qualidade da informação produzida pelo mass mídia”.
Lembrando os ensinamentos de Traquina (2003) há critérios que são utilizados no jornalismo para avaliar a “fiabilidade da informação”. Sabe-se que se uma informação veio de uma autoridade e se seu cargo for prestigiado, maior é a confiança dos leitores na informação cedida. Esses critérios foram criados numa tentativa de rotinizar o trabalho, sem que haja falhas na notícia divulgada.
No tempo do ciberespaço, algumas dessas rotinas foram modificadas ou até mesmo adequadas (MACHADO 2002). Com a disposição de novas tecnologias para o trabalho dos jornalistas, vieram consequências no que tange a pesquisa de apuração, produção e difusão da informação. No ciberespaço são feitas todas as etapas de produção da notícia, desde a pesquisa e apuração até a circulação. Neste modelo, há uma estrutura mais descentralizada da informação o que acaba multiplicando fontes de informação.
A construção de conexões nos sites de rede sociais tomou proporções mundiais, acarretando um grande leque de informações geradas, publicadas e difundidas neste meio. É neste cenário que o jornalista está inserido atualmente. Há uma porção de informações que atendem grupos sociais distintos com todo o tipo de fonte – desde a menos preparada até grandes especialistas e pesquisadores do assunto – e com o mesmo tempo de deadline disponibilizado há anos atrás na formulação da rotina básica de uma redação de jornal.
Segundo Recuero (2009) há três tipos de relações das redes sociais formadas na Internet com a produção jornalística:
a) as redes sociais como fontes produtoras de informação;
b) redes sociais como filtros de informação;
c) redes sociais como espaços de reverberação dessas informações.
No primeiro tipo, fica claro que o acesso aos sites de redes sociais por pessoas de várias idades e distintos grupos sociais, é capaz de tecer pequenos relatos sobre o seu cotidiano ou acontecimentos importantes do grupo a que pertence que, dependendo da quantidade e qualidade de suas conexões, podem difundir a informação de forma que se chegue a grandes canais formais de veiculação de notícia. Logo, essas redes sociais são grandes produtoras de informação.
Em pesquisa que realizei na editoria “Super Esportes” do jornal Correio Braziliense, principal jornal do Distrito Federal, em 2011, levantei algumas dessas questões para avaliar o quanto as redes sociais alteraram a produção da notícia e o relacionamento com fonte. Adotando métodos de etnografia (CABRERA ET AL 2008) foi realizada entrevista com sete jornalistas da editoria, metade da equipe devido ao rodízio de jornalistas de plantão. Mesmo com equipe reduzida, foi visível o método e a rotina adotados no uso das redes sociais para buscar fontes de informação e como ferramenta de relacionamento com a fonte.
No início da rotina de trabalho, todos os jornalistas acessaram seus perfis pessoais nos sites de redes sociais – preferencialmente Twitter e Facebook – e também os perfis da própria editoria, cuja presença está mais concentra no Twitter. Três profissionais possuíam a opção de carregamento automático desses perfis em seus browsers de navegação. Para esses profissionais, ao acessar o computador e clicar no link de navegação da internet, as redes sociais carregavam automaticamente.
Neste dia de observação, um dos jornalistas teve um problema de comunicação com um ginasta olímpico que não possuía o celular em funcionamento e estava com uma série de problemas para conseguir dar a entrevista. Por sugestão da própria assessoria do atleta, a jornalista adicionou o ginasta no Facebook para uma tentativa de entrevista por meio de mensagem. Em questão de minutos o atleta já havia aceitado a jornalista como “amigo” e logo a entrevista foi feita. Ao passar para o seu editor as circunstâncias em que a entrevista aconteceu, não houve nenhum tipo de retaliação ou repreensão pela prática, muito pelo contrário, o próprio editor chegou a comentar com a jornalista que se a assessora não tivesse sugerido esta opção, ele mesmo o iria fazer.
Após entrevistar os profissionais e observar suas rotinas de trabalho foi possível concluir que há, sim, o uso de redes sociais para buscar fontes de informação, e isso é feito de forma frequente uma ou mais vezes ao dia, de acordo com a demanda de matéria que deve ser entregue no dia. Há também o uso das redes sociais para manter contato e relacionamento com fontes, mas normalmente não são fontes “usuários comuns”, mas atletas, técnicos e produtores de eventos de esportes que, geralmente, conhecem o jornalista pessoalmente e aprecia o trabalho realizado por ele. A busca e o uso de fontes de informação que são de usuários comuns acontecem na editoria, porém são menos constantes.
Também por meio da entrevista e utilizando perguntas referentes ao uso preferencial das redes sociais e não das assessorias de imprensa, todos os sete profissionais responderam que, se há o contato direto da assessoria ou do próprio telefone ou celular do atleta, a apuração é feita desta forma.
Caso não haja conhecimento de fontes, muito menos do contato de cada uma delas, é utilizado sites das redes sociais. Porém, durante a observação não foi esse o comportamento: quatro, dos sete jornalistas, ao receberem uma matéria para apurar, consultavam informações sobre o tema ou a pessoa nas redes sociais, caso houvesse uma fonte em potencial o contato era feito de imediato. Essa dissonância de informação pode ser devida à rotina específica do dia, visto que era feriado e poucas assessorias de imprensa estavam trabalhando normalmente.
Conversando com cada repórter, foi possível compreender que há sim critérios que são utilizados para a seleção de fontes de informação nas redes sociais. Todos os profissionais responderam que os atletas são as fontes privilegiadas, ou seja, todas as informações relevantes postadas por eles possuem credibilidade e não há restrições quanto ao uso dessas fontes nas matérias. Em segundo lugar vêm as organizações como clubes, assessorias, associação e entidades desportivas. Apenas para um jornalista a preferência de informação é para usuários comuns que postam notícias relevantes sobre o esporte local. Este jornalista é responsável pelo blog de basquete e precisa desse tipo de interatividade e relacionamento para postar no blog. Em último lugar, para os seis jornalistas estão os usuários comuns que são usados, mas não com tanta frequência. Dessa forma, podemos concluir que houve a migração dos critérios do jornalismo clássico para o jornalismo feito no ciberespaço e principalmente na utilização dos sites de redes sociais.

Novas fontes velhos critérios?

Este cenário de multiplicação de difusores de informação altera a relação do jornalista com a fonte, visto que quaisquer usuários do ciberespaço e de sites de rede socais podem ser potenciais fontes de informação. Esta mesma multiplicação ajuda os jornalistas a rastrear dados importantes e significativos para a elaboração de matérias, pois tudo o que é postado no ciberespaço e nos sites de redes sociais ficam armazenados. Logo, este novo cenário beneficia a produção jornalista ao mesmo tempo em que complicam o seu trabalho devido ao maior número de informações, podendo prejudicar o tempo de apuração.
Se antes existia uma série de critérios na hora da escolha da fonte, agora não se tem nenhum que diga respeito à escolha dessas fontes nas redes sociais. E é por conta desta falta de critérios que, em alguns casos, passam a valer os antigos critérios nas novas ferramentas de busca de fontes de informação, o que faz com que tornemos à estaca zero. São os velhos métodos em um novo cenário.
Independente deste cenário, ainda pouco estudado e cercado de dúvidas, a rotina de trabalho do jornalista está sendo montada e é preciso documentar como ela está acontecendo e quais são os critérios que tem sido adotado para minimizar as falhas e melhorar a apuração. Realmente hoje qualquer pessoa pode ser fonte potencial para o jornalista, mas as redações ainda não têm confiança nem critérios de escolha que viabilizem o uso dessas fontes em matérias, exceto em casos fortemente repercutidos nesses espaços. Porém, o uso dessas redes sociais na Internet é ainda muito recente e há ainda muito para os jornalistas e suas redações evoluírem com a exploração dessa ferramenta. O que não se pode deixar acontecer é adotar os mesmos critérios e mesmo tipos de relacionamento num cenário completamente mais aberto e flexível que é o ciberespaço. E esta opção parece que está sendo a mais comumente aceita nas redações de jornais.
Referências
CAVRERA et al. “Métodos y técnicas de investigación para el estúdio de la profesión em las rutinas productivas em ciberperiodismo”. In: Metodologia para o Estudo dos Cibermeios: Estado da arte e perspectiva, Org. NOCI, J.G; PALACIOS. Salvador: EDUFBA, 2008.
MACHADO, Elias. O ciberespaço como fonte para os jornalistas. Biblioteca Online de Ciências da Comunicação, Universidade Beira Interior, 2002. Disponível aqui, acesso em: 26/06/2011.
RECUERO, Raquel. “Redes Sociais na Internet, Difusão de Informação e Jornalismo: Elementos para discussão”. In: SOSTER, Demétrio de Azeredo; FIRMINO, Fernando.(Org.). Metamorfoses jornalísticas 2: a reconfiguração da forma. Santa Cruz do Sul: UNISC, 2009.
TRAQUINA, Nelson. 2ª Parte: As Teorias. IN: TRAQUINA, Nelson (org.). Jornalismo: Questões, Teorias e “Estórias”. 2ª Ed. Lisboa: Ed. Vega, 1999.
TRAQUINA, Nelson. O estudo do jornalismo no século XX. São Leopoldo: Ed. Unisinus, 2003.
WOLF, Mauro. Teorias da Comunicação. 5ª Ed. Lisboa: Ed. Editorial Presença, 1999.
***
Ana Paula Bessa é jornalista e trabalha como Consultora em Mídias Sociais no Grupo Máquina da Notícia. Esta pesquisa foi realizada enquanto cursava como aluno-especial a disciplina Jornalismo Digital do Mestrado em Comunicação Social na Universidade de Brasília (UnB)
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La pederastia acosa otra vez a los Legionarios de Cristo

El Vaticano investiga a siete sacerdotes por supuestos abusos a menores, uno reciente
Los propios herederos de Maciel denunciaron los casos en Roma
Juan Pablo II bendice a Marcial Maciel durante una audiencia especial al
fundador de los Legionarios de Cristo, en noviembre de 2004
Los Legionarios de Cristo no aguantan la luz de los focos. Durante décadas, el fundador de una de las más conservadoras y poderosas congregaciones de la Iglesia católica, el mexicano Marcial Maciel (1920-2008), logró llevar una vida pública ejemplar mientras en la oscuridad robaba, se drogaba con morfina y abusaba de menores, incluidos algunos de los hijos que tuvo con dos mujeres. Ensalzado en vida por Juan Pablo II, el papa Benedicto XVI ordenó dos años después de su muerte intervenir la organización y someterla a vigilancia. No lo ha soportado. El Vaticano está investigando a siete sacerdotes de los Legionarios de Cristo por supuestos abusos sexuales a menores de edad y a otros dos más por utilizar su misión espiritual para mantener relaciones sexuales con mujeres.
Los propios Legionarios, a través de un comunicado a Associated Press, han admitido que pusieron en conocimiento de la Congregación para la Doctrina de la Fe, el organismo del Vaticano que se encarga de investigar los presuntos casos de pederastia en el seno de la Iglesia, las acusaciones contra sus sacerdotes. “Hace unos años”, reconocen, “responsables de los Legionarios de Cristo recibieron en varios países algunas denuncias de actos gravemente inmorales y más infracciones serias cometidas por algunos legionarios”. Los herederos de Maciel aseguran que solo hay un caso de abusos recientes y que los demás habrían sido cometidos hace décadas. Un largo periodo de oscuridad en el que el Padre dirigió con mano de hierro su congregación — 900 sacerdotes, 3.000 seminaristas y 70.000 miembros laicos repartidos por 18 países — mientras llevaba una doble vida casi perfecta.
Ahora se sabe que en Roma se apellidaba Maciel. En México, unas veces Rivas y otras González. Al tiempo que el Vaticano lo trataba con las complacencias que se merece el líder de una poderosa orden fundada por él mismo en 1941, en su otra vida mexicana decía que trabajaba en la Shell y otras que era agente de la CIA. En Europa era célibe. En América era la pareja — por lo menos — de Blanca Estela Lara, una mujer a la que conoció cuando ella tenía 19 años y él 56. Maciel adoptó al hijo que Blanca acababa de tener y le propuso matrimonio. Nunca se casaron, pero tuvieron dos hijos más. Tres hijos que, junto a su madre, desvelaron el pasado año en la televisión mexicana la otra vida del fundador de los Legionarios. “La primera vez que abusó de mí”, contó Raúl González Lara, “fue en Colombia, cuando yo tenía siete años. Yo estaba acostado con él, como cualquier niño con su padre a esa edad. Él me bajó los calzoncillos y me intentó violar. Fue el primer abuso. Pero hubo muchos abusos sexuales más. También en Madrid. Hacía que mi hermano y yo lo masturbáramos y que le sacáramos fotos. Él se quedaba con las fotos Nos decía que su tío también lo había hecho con él…”.
Incluso después de que, en 2006, el papa Benedicto XVI lo castigara apartándolo del ministerio sacerdotal, la congregación ultraconservadora lo siguió protegiendo con el beneficio de la duda, pero, ante una revelaciones tan tremendas, los Legionarios de Cristo no tuvieron más remedio que admitir la evidencia, reconocer la vergüenza y apear a su fundador del cariñoso apelativo de Padre. En un comunicado fechado en Roma y firmado por su actual director general, Álvaro Corcuera, la orden admitió: “Estamos profundamente consternados y tenemos que reconocer que son ciertas las acusaciones contra el Padre Maciel, entre las que se incluían abusos sexuales a seminaristas menores”. La esperanza era que Maciel fuese la única fruta podrida del cesto. Pero, hete aquí que, para protegerse a sí mismo, el fundador de los Legionarios de Cristo había incluido en sus reglas de funcionamiento interno la prohibición de denunciar a un superior. Así que, cuando Aaron Loughrey, que ahora tiene 35 años, tenía 17 años y era seminarista en Irlanda no supo decir que no cuando un superior, alegando que tenía calambres en el abdomen, se metió en su cama, le pidió que le diera masajes y luego que lo masturbara.
Loughrey, que no llegó a ordenarse sacerdote, ha contado a la agencia AP: “En mi corazón y en mi conciencia, yo creía que había actuado de esa noche como un verdadero legionario, al anteponer las necesidades de mi superior a las mías”. El exseminarista dice estar convencido de que hay más abusadores en los Legionarios. Aunque tardía, la Iglesia católica parece dispuesta a cortar por lo sano la epidemia de abusos a menores cometidos por clérigos en todo el mundo. La puesta en escena de esa decisión se produjo el pasado mes de febrero, durante un organizado por el Vaticano en la Pontificia Universidad Gregoriana de Roma. El encuentro supuso un giro copernicano en su política. No solo porque por primera vez — en directo, con luz y taquígrafos — representantes de 100 conferencias episcopales y superiores de 30 órdenes escucharan el testimonio en directo de una de sus víctimas, sino también porque el mensaje, rubricado con el sello papal, es nítido y contundente: “Las víctimas son nuestra prioridad. Los curas, ante el juez”.
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O que é a sociedade?

O que é a sociedade? Um grupo de indivíduos? Então um time de futebol é uma sociedade? Ou então as pessoas presas num campo de concentração formam uma sociedade? Os judeus, espalhados pelo mundo, formam uma sociedade? Os Maçons, são uma sociedade? Nós, aqui, somos uma sociedade? Ou uma sociedade é algo, mais amplo, como um Estado, que nem o Brasil? Ou o Rio Grande do Sul? Ou Porto Alegre? É possível uma sociedade dentro de outra? O que diferencia uma de outra? Várias sociedades podem coexistir ao mesmo tempo? Tu podes participar de mais uma sociedade ao mesmo tempo?
E os indivíduos na sociedade? Eles são mesmo livres ou são coagidos? Vocês acham que vocês pensam livremente ou pensam o que a TV, a família, o chefe do trabalho ou o professor do cursinho mandam ou fazem vocês pensarem?
Na verdade existem várias teorias sobre isso. Na sociologia 3 são as principais.
- Durkheim acreditava que quando houvesse algum tipo de coerção, havia sociedade. Os indivíduos seriam consequência da sociedade. A sociedade é algo externo ao indivíduo.
- Weber, sociedade é um conjunto de ações individuais. A sociedade seria consequência dos indivíduos.
- Para Marx, sociedade é um grupo de pessoas que vivem em conjunto e produzem as coisas que precisam para sobreviver em conjunto.
DURKHEIM
Na perspectiva sociológica de Émile Durkheim, a sociedade só é coesa quando existem valores, hábitos e costumes que definem a maneira de ser e de agir característicos do grupo social ao qual pertencem.
Existe um conjunto de crenças e sentimentos comuns entre os indivíduos chamados consciência coletiva, que constrangem ou coagem os indivíduos a se comportarem de acordo com as regras de conduta.
A consciência coletiva habita as mentes individuais e serve para orientar a conduta de cada um de nós. Mas a consciência coletiva está acima dos indivíduos e é externa a eles. Com base neste pressuposto teórico, Durkheim chama atenção para o fato de que os fenômenos individuais devem ser explicados a partir da coletividade e não o contrário.
Tudo o que é coletivo, exterior ao indivíduo e coercitivo, Durkheim chama de Fato social, que é o que acontece na sociedade.
Durkheim demonstra que os fatos sociais têm existência própria e independem daquilo que pensa e faz cada indivíduo em particular.
Ele atribui três características que caracterizam os fatos sociais:
- 1: coercitividade, que pode ser entendido como a força que exercem sobre os indivíduos obrigando-os através do constrangimento a se conformarem com as regras, normas e valores sociais vigentes;
- 2: exterioridade, que pode ser entendida como a existência de um fenômeno social que atua sobre os indivíduos, mas independe das vontades individuais;
- 3: generalidade, que pode ser entendida como a manifestação de um fenômeno que permeia toda a sociedade.
O suicídio, por exemplo, a primeira vista pode ser encarado como um fenômeno individual, mas a constatação da sua regularidade ao longo do tempo (de acordo com os dados estatísticos) fez com que Durkheim o concebesse como um fenômeno social.
WEBER
Para Weber a sociedade pode ser compreendida a partir do conjunto das ações individuais. As normas e regras sociais são todo tipo de ação que o indivíduo faz, orientando-se pela ação de outros. Não é algo que vem de cima, ou de fora, como diz o Durkheim. Mas que vem de dentro do indivíduo e da sua relação com o outro. Assim uma sociedade humana se diferencia de uma sociedade de formigas, por exemplo. Nós damos sentido às ações.
Só existe ação social, quando o indivíduo tenta estabelecer algum tipo de comunicação, a partir de suas ações com os demais.
Weber estabeleceu quatro tipos de ação social. Estes são conceitos que explicam a realidade social, mas não são a realidade social:
1 – ação tradicional: aquela determinada por um costume ou um hábito arraigado; (tradição, sempre foi assim, ação sem reflexão).
2 – ação afetiva: aquela determinada por afeto ou estado sentimental; (de momento, na paixão, no calor, também sem reflexão).
3 – racional com relação a valores: determinada pela crença consciente num valor considerado importante, independentemente do êxito desse valor na realidade; (uma pessoa que crê no princípio que não devemos torturar pessoas numa democracia e age racionalmente, sempre levando em conta este princípio).
4 – racional com relação a fins: determinada pelo cálculo racional que coloca fins e organiza os meios necessários. (como o capitalista, que age racionalmente, não pensando que para isso ele explora as outras pessoas).
MARX
A sociedade é um Grupo de pessoas que vivem em conjunto e produzem as coisas que precisam para sobreviver em conjunto. De algum modo elas distribuem e consumem o que produzem. O modo como elas produzem e distribuem as riquezas é que vai variar.
E é esta estrutura que determina como os indivíduos vão agir. Ou seja, como a sociedade produz suas riquezas que vai determinar tudo, inclusive o modo como as pessoas serão.
Por exemplo: uma sociedade industrial que nem a nossa, vai produzir indivíduos que são agitados e vivem na correria. Uma sociedade agrária vai produzir uma vida mais tranquila. Aquela vidinha morna no interior.
ELIAS – UM CONCEITO DE SOCIEDADE
Estas noções de sociedade são muito boas, mas não conseguem responder quais os limites e as áreas de abrangência da sociedade. O sociólogo alemão Norbert Elias traz um conceito interessante do que seria a sociedade e as instituições sociais.
O que é sociedade para Elias? Os indivíduos constroem teias de interdependência que dão origem a configurações de muitos tipos: família, aldeia, cidade, estado, nações. Essa rede de relações são as estruturas sociais, que podem coexistir, dependendo da configuração.
O conceito de configuração pode ser aplicado onde quer que se formem conexões e teias de interdependência humana, isto é, em grupos relativamente pequenos ou em agrupamentos maiores. As sociedades não têm fronteiras e limites especificáveis, pois as cadeias de interdependência escapam a delimitações e definições abrangentes.
Desse modo, a relação entre o indivíduo e as estruturas sociais deve ser analisada e concebida como um processo. Ou seja, "estruturas sociais" e "indivíduo" (ou seja: "ego" e "sistema social") são aspectos diferentes, mas inseparáveis, cuja análise deve recair sobre as teias de interdependência humanas que formam as configurações sociais.
Desde o início de suas vidas os homens existem em interdependência; e uma parte da teia de interdependência tem origem nas necessidades biológicas dos seres humanos, que desde os primeiros momentos de suas vidas necessitam dos cuidados e da atenção dos próprios pais.
Entretanto, uma grande parte das teias de interdependência advém de necessidades recíprocas, socialmente geradas, tais como a divisão do trabalho, a competição, as ligações afetivas, entre outras.
A teoria do Norbert Elias diz que caminhamos cada vez para uma maior interdependência - e olha que ele nem chegou a conhecer a internet, que nos faz cada mais conectados em rede ainda. Quando vivíamos no campo as pessoas se relacionavam de maneira interdependente com um número restrito de pessoas.
Hoje em dia tem toda uma cadeia produtiva nas cidades, onde cada um exerce uma pequena coisa, uma pequena função, ajusta um parafuso das milhares de coisas que lidamos todos os dias. Uma bolacha comprada move uma linha da teia que vai do cara que criou a sacolinha do supermercado, ao padeiro, ao motorista do caminhão, ao dono do supermercado, ao gerente de compras, ao supervisor de qualidade, ao agricultor que plantou, a filha do agricultor que tirou a soja e por aí vai.
Falamos normalmente sobre a família, a sociedade, o indivíduo na sociedade, mas sem nos darmos conta que somos parte disso. A sociedade, assim como qualquer estrutura social, não pode ser posta a par dos indivíduos. Ela é composta por eles (por nós). Os indivíduos não são rodeados pela família, escola, indústria, estado, ou seja, pela sociedade, como se estivessem no centro de um círculo. O indivíduo é parte de tudo isso. Não é que as estruturas não existam. Mas tudo o que existe no mundo, inclusiva as estruturas, é construído e reconstruído continuamente pela ação dos indivíduos.
SOBRE O PAPEL DA SOCIEDADE NO INDIVÍDUO E DO INDIVÍDUO NA SOCIEDADE
Bom, falamos sobre uma teoria do que é a sociedade. Agora vamos pensar qual é afinal o papel que a sociedade exerce no indivíduo?
Bom, quando nascemos, nascemos em um mundo que já está dado. Já existem costumes, regras, escolas. E tudo isso vai moldar como nós vamos ser. A família vai dizer quais valores são importantes, dizer se vamos para tal religião, se vamos comer carne ou ser vegetarianos ou se vamos ver mais TV ou ler mais livros.
Claro, isso já foi mais forte. Antigamente a tradição decidia tudo isso. Não tínhamos escolha. Hoje, podemos escolher. Se nascemos numa família vegetariana, não necessariamente seremos vegetarianos. Mas até crescermos e podermos escolher, não vamos comer carne. Dependendo se os nossos pais nos criam numa comunidade vegetariana, sem contato com o mundo exterior, é provável que reproduzamos a tradição. Então neste sentido, a sociedade que vai moldar as nossas escolhas. E os indivíduos vão interiorizar isso. O que nossos pais dizem para nós (como mostra Freud), vamos levar pra vida toda, lá no nosso inconsciente. E as coisas que nós acreditamos, nossas crenças, vamos agir de acordo com elas. Vamos exteriorizar o que sentimos agindo. Claro que há uma diferença entre pensar, sentir e agir. Assim, as coisas vão sempre se modificando.
Então, qual o papel que o indivíduo exerce na sociedade? Ele é só essa coisa que obedece a sociedade? Não. Sabemos disso. Fazemos nossas escolhas, vamos contra a sociedade de vez em quando. Como o Weber disse, a sociedade não existe sem os indivíduos e aquilo que dá sentido à sociedade. Qual a diferença entre um prédio comum e um escritório de trabalho? É o sentido que as pessoas dão, o que elas fazem lá dentro.
As teorias evolucionistas mostram isso. O que elas dizem? Que o indivíduo humano que iniciou a sociedade. Foi uma mutação em indivíduos que se organizaram e “fundaram” a sociedade, de algum modo. Claro, que pensamos assim também porque a nossa sociedade nos dá oportunidade de pensarmos de outro modo. É uma sociedade complexa, que nos permite fazer escolhas. Se não fosse assim, poderíamos mudar?
Sim. Porque nem sempre foi assim. Como vocês acham que a sociedade mudou para chegar no ponto em que chegou? Como funciona isso? A sociedade existe antes de nós indivíduos. Nascemos no mundo e só agimos racionalmente nele depois de um tempo, correto? Mas ao mesmo tempo, a sociedade só existe se é internalizada pelos indivíduos. Se eles creem que tudo está certo e reproduzem agindo. A ação, nem sempre corresponde ao que pensamos, ao que queremos. Sempre escapa do nosso controle quando agimos coletivamente. Os indivíduos são sujeitos capazes de cognição e que possuem um considerável conhecimento das condições e das consequências do que fazem em suas vidas cotidianas. Mas não podemos controlar o mundo.
A sociedade é como uma gota d’água. Ela é a junção de duas moléculas de H e uma de O. Mas se tu separar o H do O, vão surgir duas coisas diferentes. E a água é não é a soma simplesmente das características de H e O. É uma terceira coisa. Já a sociedade depende do que internalizamos. Somos nós que a produzimos. Mas nunca do jeito que queremos. É sempre algo diferente que se cria, porque é diferente do eu ou tu pensamos individualmente. É uma terceira coisa. E vai sempre se modificando conforme vamos agindo. Ela depende da nossa subjetividade. Se não cremos juntos que somos uma sociedade, somos simplesmente um monte de gente reunida. Como um sagu. Sem o suco de uva que nos una, somos apenas aquelas bolinhas brancas.
Ocorre que muitas coisas que fazemos, o realizamos sem reflexão. Como ir pegar o ônibus, por exemplo. Quem nunca pegou o mesmo ônibus todo dia e quando mudou acabou pegando um errado ou quase isso. Ou então bateu com a canela numa mesinha que não estava ali porque estava acostumado sem aquilo ali? É a rotina. Se nós tivéssemos que refletir e pensar racionalmente sobre tudo o que fazemos, ficaríamos loucos. Já pensou ter que escolher entre todas as coisas do supermercado? Analisar tudo? Se não fosse os gostos e as preferências já pré-determinados seria impossível lidar com tanta informação.
Assim como a estrutura existe. Mas ela não existe assim. A cultura, por exemplo. É uma estrutura social. Mas não podemos pegar a cultura, por mais que ela apareça em objetos e nas pessoas. Um exemplo é uma faculdade. O que é uma faculdade, é um prédio? Não. Existem pessoas. Mas um prédio com pessoas não é uma faculdade. Pode ser milhões de coisas. Existe um sentido, que é mais do que o que as pessoas vão fazer lá. Vão estudar, pode ser outra coisa. Uma escola ou uma biblioteca. Pra ser uma faculdade, tem uma série de sentidos. É isso que é a sociedade.
Vinícius Rauber
No Opinião & Cia
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O gigolô das palavras

Quatro ou cinco grupos diferentes de alunos do Farroupilha estiveram lá em casa numa mesma missão, designada por seu professor de Português: saber se eu considerava o estudo da Gramática indispensável para aprender e usar a nossa ou qualquer outra língua. Cada grupo portava seu gravador cassete, certamente o instrumento vital da pedagogia moderna, e andava arrecadando opiniões. Suspeitei de saída que o tal professor lia esta coluna, se descabelava diariamente com suas afrontas às leis da língua, e aproveitava aquela oportunidade para me desmascarar. Já estava até preparando, às pressas, minha defesa ("Culpa da revisão! Culpa da revisão !"). Mas os alunos desfizeram o equívoco antes que ele se criasse. Eles mesmos tinham escolhido os nomes a serem entrevistados. Vocês têm certeza que não pegaram o Veríssimo errado? Não. Então vamos em frente.
Respondi que a linguagem, qualquer linguagem, é um meio de comunicação e que deve ser julgada exclusivamente como tal. Respeitadas algumas regras básicas da Gramática, para evitar os vexames mais gritantes, as outras são dispensáveis. A sintaxe é uma questão de uso, não de princípios. Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer "escrever claro" não é certo mas é claro, certo? O importante é comunicar. (E quando possível surpreender, iluminar, divertir, mover... Mas aí entramos na área do talento, que também não tem nada a ver com Gramática.) A Gramática é o esqueleto da língua. Só predomina nas línguas mortas, e aí é de interesse restrito a necrólogos e professores de Latim, gente em geral pouco comunicativa. Aquela sombria gravidade que a gente nota nas fotografias em grupo dos membros da Academia Brasileira de Letras é de reprovação pelo Português ainda estar vivo. Eles só estão esperando, fardados, que o Português morra para poderem carregar o caixão e escrever sua autópsia definitiva. É o esqueleto que nos traz de pé, certo, mas ele não informa nada, como a Gramática é a estrutura da língua mas sozinha não diz nada, não tem futuro. As múmias conversam entre si em Gramática pura.
Claro que eu não disse isso tudo para meus entrevistadores. E adverti que minha implicância com a Gramática na certa se devia à minha pouca intimidade com ela. Sempre fui péssimo em Português. Mas - isso eu disse - vejam vocês, a intimidade com a Gramática é tão indispensável que eu ganho a vida escrevendo, apesar da minha total inocência na matéria. Sou um gigolô das palavras. Vivo às suas custas. E tenho com elas exemplar conduta de um cáften profissional. Abuso delas. Só uso as que eu conheço, as desconhecidas são perigosas e potencialmente traiçoeiras. Exijo submissão. Não raro, peço delas flexões inomináveis para satisfazer um gosto passageiro. Maltrato-as, sem dúvida. E jamais me deixo dominar por elas. Não me meto na sua vida particular. Não me interessa seu passado, suas origens, sua família nem o que outros já fizeram com elas. Se bem que não tenho o mínimo escrúpulo em roubá-las de outro, quando acho que vou ganhar com isto. As palavras, afinal, vivem na boca do povo. São faladíssimas. Algumas são de baixíssimo calão. Não merecem o mínimo respeito.
Um escritor que passasse a respeitar a intimidade gramatical das suas palavras seria tão ineficiente quanto um gigolô que se apaixonasse pelo seu plantel. Acabaria tratando-as com a deferência de um namorado ou a tediosa formalidade de um marido. A palavra seria a sua patroa! Com que cuidados, com que temores e obséquios ele consentiria em sair com elas em público, alvo da impiedosa atenção dos lexicógrafos, etimologistas e colegas. Acabaria impotente, incapaz de uma conjunção. A Gramática precisa apanhar todos os dias pra saber quem é que manda.
Luís Fernando Veríssimo
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Pesquisa Eleitoral

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A Política como ela é

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Madre Teresa, Anjo do Inferno



Documentário "Hell's Angel - Mother Teresa of Calcutta" ("Anjo do Inferno - Madre Teresa de Calcutá") do jornalista Christopher Hitchens, baseado em seu livro "The Missionary Position".

Publicado no Bule Voador.

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Uma Fraude chamada Madre Teresa
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À Meia-Noite Levarei Seu Voto

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