30 de jun de 2012

Lula e Civita: a solidariedade no câncer

No Sirio, em tratamento, Lula soube que seu arquiinimigo, Roberto Civita, também estava internado, câncer na próstata, só que em situação bem mais grave. Assim que foi informado, decidiu visitá-lo, apesar da resistência de dona Marisa.
Desceram ao apartamento de Roberto Civita acompanhado do oncologista de Lula, Roberto Kalil. Civita se emocionou com a visita e pediu desculpas pelos ataques a Lula e ao filho. Lula lhe disse para não se emocionar muito para não atrapalhar o tratamento.
Kalil viu sinais de ironia no alerta de Lula. Quem o conhece, viu a solidariedade para com o próximo.
A visita foi para a pessoa de Roberto Civita. Mas em nada mudou o julgamento de Lula sobre o publisher Roberto Civita.

Desdobramentos

Algumas deduções e desdobramentos da notícia acima.
Ganha consistência o rumor de que João Roberto Marinho esteve na Casa Civil do governo Dilma, solicitando o empenho do governo para a não convocação de Roberto Civita pela CPI, devido à doença. Da Abril ele seria a única pessoa a poder responder pelos movimentos da Veja nos últimos anos. Nenhum executivo - com exceção de Fábio Barbosa - tem acesso às instâncias mais altas da República.
A notícia do agravamento da doença, além disso, lança nuvens de suspeita sobre o futuro da editora. Os herdeiros não demonstram pique para segurar o timão. Analista do mercado - com quem acabo de conversar agora - julga que se encerra o ciclo Civita na mídia brasileira, sem conseguir chegar até a terceira geração. Não significa o fim da Abril, mas, a médio prazo, dos Civita à frente do grupo.
Roberto recebeu uma editora sólida do pai e teve oportunidades de criar um império. A influência da mídia sobre o governo Sarney permitiu-lhe conquistar uma rede de TV a cabo, a TVA. Depois, com a BOL, foi o primeiro grupo de mídia a tentar explorar as possibilidades da Internet.
Na segunda metade dos anos 90, junto com Otávio Frias de Oliveira, tentou adquirir a Rede Bandeirantes. Na época, fiz uma espécie de meio campo entre ele, Frias e João Saad.
Gradativamente, o grupo foi fracassando em todas as frentes. A BOL acabou fundindo-se com a UOL - da Folha. Mais à frente, Civita foi engolido por Luiz Frias que, na primeira capitalização do grupo, adquiriu a participação da Abril. De um lado, Civita tentava reduzir o endividamento. De outro, julgava que na hora em que quisesse, o conteúdo do grupo permitiria montar uma nova UOL. Perdeu o bonde.
Mais tarde, também para reduzir a dívida, vendeu a TVA para o grupo Telefonica, matando sua última oportunidade de virar um grupo multimidia.
Finalmente, houve um processo de capitalização em que o sul-africano Nasper adquiriu 30% da Abril. Outros 20% ficaram com duas holdings de Delaware, cujo controle nunca foi revelado. Quando vendeu a TVA, provavelmente a Abril recomprou os 20% adicionais.
Alguns anos atrás, a Abril lançou a toalha do lado midiático. Civita passou a investir em educação, montando cursos apostilados e adquirindo editoras de livros didáticos. O poder de intimidação da Veja, as parcerias políticas permitiram avançar em algumas frentes.
Montou estratégias de ataques a concorrentes. Atacou um curso de Ribeirão Preto com informações mentirosas. Depois, apoiou-se em uma ONG recém aberta para ataques macartistas contra concorrentes. A aproximação com jornalistas de outros veículos fez com que, uma semana depois de conceder duas páginas ao livro de um deles, este publicasse em O Globo artigo criminalizando politicamente livro de história de editora concorrente.
Ainda há chão pela frente.
Mas a saga dos Civita, no Brasil, será conhecida por duas fases: a do velho Victor Civita com suas histórias em quadrinhos, suas coleções de livros de economia, filosofia e música, a ousadia em lançar Realidade, Quatro Rodas e Veja. E a era de Roberto Civita, que errou em todas suas estratégias e transformou a menina dos olhos da Abril - a revista Veja - no mais repelente modelo de jornalismo que o país jamais teve em toda sua história.
Luis Nassif
No Advivo
Leia Mais ►

Confuso

Ando bastante confuso com o noticiário político. Reportagens, colunas, editorias e lembranças antigas se misturam.
Há algumas semanas, o PR, que é da base do governo federal (detinha, ou detém, sei lá, o Ministério dos Transportes, embora não esteja mais nas mãos de Alfredo Nascimento), fez aliança com Serra e o PSD (mais o PV, o PSB e o PPS, pelo menos). Ora, o partido foi um dos alvos da chamada faxina. Era um partido do mal, acusado de corrupção por todo mundo. Ficou bom, juntado ao Serra. Serra parece ser um bom limpador de políticos.
Por outro lado, lia nos jornais e nos sites que Maluf estava levando também seu PP para a campanha de Serra (já está no governo Alkmin, sempre na área da construção (!) e no Federal). Nada parecia estranho. Era como se fossem aliados naturais, e Maluf fosse apenas mais um político, a não ser pelo fato de seu partido ser detentor de um minuto e pouco na TV. De repente, Maluf recebe Lula em casa e declara seu amor a S. Paulo e apoia Haddad (o que resultou na tal foto com Lula). Maluf, que estava ficando limpo, um político do bem, passou a ser de novo do mal – o PT, aparentemente, não lava mais limpo.
Além do mais, passou-se a considerar uma indignidade que o PT se alie a seu adversário histórico do tempo da ditadura, a que serviu fielmente, e também pelas acusações de corrupção que pesam contra ele. Veja-se o pronunciamento de Erundina, considerada exemplo de ética, já que renunciou à candidatura para não ficar no palanque com Maluf.
Houve muito espanto na sociedade, nas colunas e nas reportagens dos jornais, que também noticiaram que as redes sociais expressaram seu horror a esta aliança. Não sei o que disseram de Lula, não leio as redes, mas sei que elas são bem destampadas, quase sem superego.
Em suma: políticos ficam melhores ou piores conforme as alianças que fazem. O curioso é que um sujeito como Maluf pareça melhor junto ao PSDB do que ao PT. É como se uma aliança de Maluf com os tucanos fosse natural e, com os petistas, uma indecência do PT. Mas por que o PSDB estaria “normal” ao lado de Maluf? Não entendo, juro!
Afinal, não ficamos sabendo, desde o mensalão, que o PT é igual aos outros? Se é igual (elianes cantanhedes repetem isso todos os dias), por que certas alianças ainda chocam? Ou será que os defensores de que todos são iguais ainda acham que o PT é diferente?
Pesquisa recente revela que 64% dos petistas são contra aliança do PT com Maluf em S. Paulo. O que revelaria uma pesquisa análoga, perguntado pela avaliação de hipotética aliança do PSDB com Maluf? Ou é uma pesquisa que nem se pensa em fazer?
É então que lembro pronunciamentos antigos, especialmente do senador Pedro Simon. Em 2005, assim que Roberto Jefferson abriu a boca, foi à tribuna para espantar-se com o que o PT fizera. E confessava, candidamente, que o PT lhe parecia um bálsamo, era uma esperança, e que “agora” se sentia traído. Mas ele era do PMDB, que considerava um covil. E continua lá… Por que ele não passou para o PT, pelo menos antes do mensalão? Como posso acreditar nele?
Os políticos do bem me deixam confuso com suas (in)decisões. E os jornais me deixam confusíssimo, com seus pesos e medidas diferentes para cada caso.
*
(Abandonei meus temas, para falar (desabafar) apenas como leitor de jornais, que, às vezes, penso em deixar de ler; os leitores estão dispensados de agredir ou de apoiar a coluna e o colunista).
SUPOSTO
As TVs e jornais se valem muito do adjetivo “suposto” quando noticiam possíveis crimes ou ilegalidades. Por exemplo, “suposto procedimento ilegal”. Em geral, erram o escopo, eu acho. Seria melhor dizerem “procedimento supostamente ilegal”.
AMBIGUIDADE (antes do jogo)
Entrei numa loja de conveniência exatamente quando um entrevistado dizia na TV: “Se cada um fizer sua parte, podemos controlar o craque”. Logo ficou claro que se tratava do “problema da droga” (crack), mas, de cara, pensei que era uma sugestão de como o Corinthians poderia anular o Riquelme…
Sírio Possenti é linguista, professor na Unicamp. Publicou diversos livros. Estuda piadas e outros textos curtos. Em suas colunas, combate análises fajutas e preconceituosas. Detesta usar gravata.
No Blog do Sírio
Leia Mais ►

Como pode um garagista ganhar mais que Dilma?

camara municipal sp ok Como pode um garagista ganhar mais que Dilma?
Agora que o Portal da Transparência, graças à recém implantada Lei de Acesso à Informação, está divulgando os salários dos servidores públicos, a começar pela presidente Dilma Rousseff e seus ministros, estamos tomando conhecimento de alguns absurdos perpetrados com o nosso dinheiro, casos que já repercutiram até na revista inglesa "The Economist".
O exemplo mais escandaloso é o de um garagista da Câmara Municipal de São Paulo, o novo marajá Alexandre Camargo Pereira, 37 anos, que os repórteres do "Estadão" encontraram trabalhando como assessor parlamentar no gabinete do vereador Juscelino Gadelha (PSB).
O salário do servidor informado pelo site da Câmara é de inacreditáveis R$ 23.206,96. Ao receber o holerite, Alexandre não estranhou os valores depositados em sua conta. Deve ter achado tudo muito normal, e não reclamou, claro. Lá na Câmara, afinal, muita gente ganha altos salários há muito tempo e ninguém pergunta nada para ninguém.
O que mais me chocou nesta história foi comparar o salário do garagista com o da presidente da República divulgado pelo Portal da Transparência. Segundo a "Folha" desta quinta-feira, a presidente Dilma recebeu de salário, para cuidar do país, exatos R$ 19.818,49 em maio.
Num país normal, nenhum servidor público poderia ganhar mais do que a presidente da República, mas os ministros Guido Mantega e Miriam Belchior, por exemplo, ganham R$ 36,3 mil por mês por participarem de conselhos de estatais.
Claro que Alexandre não é um caso único. Assim que todas as repartições públicas e casas legislativas colocarem e abrirem os dados no Portal da Transparência, poderemos constatar que os abusos constituem a regra e não uma ou outra exceção.
Na própria família do garagista há outro caso: o coordenador dos motoristas da Câmara Municipal é Joaquim Nabuco Pereira, pai de Alexandre. Salário: R$ 17 mil por mês. Os 55 vereadores da Câmara Municipal de São Paulo têm um salário mensal de R$ 7,2 mil. Tem lógica isso?
Chamados de "gatos gordos" pela "The Economist", os garagistas da Câmara despertaram a atenção também do prefeito Gilberto Kassab, em final de mandato, já pensando numa nova ocupação após deixar o cargo. "Acho que vou arrumar um emprego de garagista na Câmara", brincou o prefeito.
É por isso que membros do Judiciário e associações de servidores de todas as áreas resistem à divulgação de seus salários, alegando riscos à segurança, e prometem ir à Justiça. Eles devem ganhar salários tão altos e fora dos padrões do mercado que certamente temem sofrer sequestros ou pedidos de ajuda de parentes, só pode ser isso.
O leitor há de perguntar como é possível chegarmos a valores como os que são pagos na garagem da Câmara Municipal? Ninguém controla isso? Como se chega a esta verdadeira festa do caqui no uso de recursos públicos? Os repórteres Diego Zanchetta e Rodrigo Burgarelli foram atrás das respostas e levantaram a história do marajá.
Alexandre foi contratado, sem prestar concurso, em 2005, como assessor parlamentar do vereador Juscelino Gadelha, mas nunca trabalhou para ele como motorista. Gadelha é um dos poucos vereadores que dirige seu próprio carro.
Então o que faz o dito cujo para justificar salário tão alto? Definido como um "faz-tudo", os colegas informam que ele "ajuda tanto a descarregar caixas que chegam como a elaborar ofícios". Ah, bom, que beleza..., como diria o Milton Leite.
E o que diz o seu chefe, o vereador Gadelha? "Foi um erro, um erro meu. Eu assumi o erro. Ele vai ganhar R$ 7 mil já a partir do próximo mês. Recebeu errado uns dois, três meses. Vou resolver isso agora (...) Se ele não quiser devolver, eu vou pagar do meu bolso".
O curioso é que Juscelino Gadelha só agora, depois de Alexandre ser encontrado pelos repórteres, descobriu que havia alguma coisa errada em seu gabinete. Não estranhou, por exemplo, a doação de R$ 2,5 mil que o garagista "faz-tudo" entregou para a sua campanha à reeleição como vereador, em 2008.
Aguarda-se agora que o Supremo Tribunal Federal, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal sigam o exemplo do presidente da Câmara Municipal de São Paulo, José Police Neto (PSDB), e coloquem os salários de todos os seus servidores no Portal da Transparência. A lei, afinal, é para todos. A Presidência da República já tomou esta providência.
Se isto realmente acontecer, ainda teremos, certamente, grandes surpresas.
Ricardo Kotscho
Leia Mais ►

Vice do Serra é acusado por desvio de dinheiro público para ONG dos donos da Veja

Entre as credenciais para ocupar o cargo de vice de José Serra (PSDB-SP), Alexandre Schneider (PSD-SP) tem contra si um processo onde é acusado por desvio de dinheiro dos cofres públicos da prefeitura e do estado de São Paulo para a Fundação Victor Civita.
A Fundação Victor Civita é a ONG ligada ao grupo Abril, dono da revista Veja.
No processo, acatado pelo juiz, os promotores do Ministério Público de São Paulo acusam:
1) O vice do Serra, como secretario municipal de educação, contratou a Fundação Victor Civita por relações de amizade e compadrio político, violando o princípio da impessoalidade;
2) A escolha foi feita "a dedo" ilegalmente, dispensando a necessária licitação, já que havia muitas outras instituições habilitadas a prestarem o serviço chamado “Projeto de Formação Continuada para Diretores e Supervisores”;
3) Quem fez o serviço, de forma terceirizada, foi o Instituto Protagonistés, cuja presidenta é Rose Neubauer, uma tucana, ex-secretária estadual de educação, e amiga de Schneider (Também causa estranheza a Fundação Victor Civita ter sido uma espécie de "laranja", apenas servindo de intermediária para a repassar o serviço contratado, sem licitação, para tal instituto).
4) As cartilhas do projeto foram impressas na gráfica da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, e a ONG dos Civita, junto com o Instituto da tucana, só pagou a matéria prima utilizada, sem ressarcir aos cofres públicos o valor dos serviços dos funcionários e outras despesas diretas ou indiretas, causando um prejuízo ao erário estadual. O presidente da Imprensa Oficial que autorizou essa maracutaia era Hubert Alquéres, outro a compor esta "ação entre amigos" demotucanos, segundo a denúncia.
Diante disso, os promotores pedem na justiça a devolução aos cofres públicos da prefeitura do valor de R$611.232,00, além das outras punições cabíveis.
O número do processo é 0006305-89.2010.8.26.0053 na 12ª Vara de Fazenda Pública - Foro Central (link aqui), e teve origem em representação apresentada pelo então vereador Beto Custódio (PT-SP).
A decisão judicial negando tentativa de Schneider de trancar o processo, dá detalhes da denúncia (figura acima).
ZéAugusto
No Amigos do Presidente Lula
Leia Mais ►

O Senado e a retidão

Ainda que o voto seja secreto, a opinião nacional espera que o Senador Demóstenes Torres perca, no plenário, por não ter procedido com retidão para com o país, em suas relações com o empresário de múltiplas atividades Carlos Cachoeira. Os parlamentares devem estar advertidos, se não em sua consciência, mas pelo rumor das ruas, de que não é o escorregadio senador por Goiás que será julgado pelo plenário, mas a própria alta câmara federativa. A absolvição de Demóstenes, depois de tantas evidências de culpa, divulgadas por todos os meios de comunicação, será a ata de cumplicidade daquela casa legislativa com todo o esquema de corrupção operado pelo “empresário” de Goiânia e Anápolis.
Leia Mais ►

Charge online - Bessinha - # 1327

Leia Mais ►

Sobre o Paraguay

Leia Mais ►

Na Cúpula do Mercosul, Dilma defende integração regional e compromisso com a democracia

Leia Mais ►

Paraguai admite Venezuela no Mercosul. Merval…

Saiu na Folha:

Venezuela será incorporada ao Mercosul em 31 de julho

A Venezuela será incorporada ao Mercosul em reunião especial que será realizada em 31 de julho no Rio de Janeiro, anunciou nesta sexta-feira a presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, no âmbito da Cúpula de chefes de Estado do bloco.
O acordo tem a assinatura dos líderes de Brasil, Uruguai e Argentina (membros pleno do Mercosul). O Paraguai, que não havia ratificado essa decisão em seu Parlamento, está suspenso do bloco devido à deposição do ex-presidente Fernando Lugo.
(…)
O tiro saiu pela culatra.
O Golpe “democrático” no Paraguai era para fortalecer o interesse nacional americano.
Por isso tantos colonistas mervais, como a Catanhede e o de muitos chapéus – clique aqui para ler – , defenderam a “legalidade” do golpe.
O que menos interessa ao interesse nacional americano é o fortalecimento do Mercosul.
É por isso que o Padim Pade Cerra queria dinamitá-lo.
O maior obstáculo à entrada da Venezuela no Mercosul foi o presidente Sarney.
No Continente, o Senado paraguaio golpista é o que impedia isso.
Os americanos foram o Espírito Santo de orelha do golpe “democrático” e não esperavam que a Dilma e a Cristina Kirchner aproveitassem a ausência do Paraguai para trazer Chavez para a mesa de trabalhos.
Merval, Merval…
Paulo Henrique Amorim
Leia Mais ►

O bom consumidor

Leia Mais ►

Charge online - Bessinha - # 1326

Leia Mais ►