24 de jun de 2012

Paraguai é suspenso do Mercosul e pode também sofrer sanções na Unasul

Assunção – O Paraguai está suspenso do Mercosul. A decisão foi anunciada hoje (24) à noite pelo Ministério das Relações Exteriores da Argentina. A medida é um protesto por parte do Brasil, da Argentina e do Uruguai, que compõem o bloco, e também dos países parceiros – o Equador, a Bolívia, Venezuela, o Chile, a Colômbia e o Peru. Os nove governos condenam de forma veemente a maneira como ocorreu o impeachment do presidente Fernando Lugo no último dia 22.
“[Todos os países que assinam o presente documento querem] expressar sua mais firme condenação da ordem democrática que ocorreu na República do Paraguai, pela inobservância do devido processo”, diz o comunicado. “[Decidimos] suspender o Paraguai imediatamente”, acrescenta. “[É uma] declaração dos Estados-Partes do Mercosul e Estados Associados sobre violação da ordem democrática no Paraguai.”
De acordo com diplomatas que acompanham o processo político, a medida deve valer até abril de 2013, quando ocorrem as eleições presidenciais no Paraguai. Mas o comunicado conjunto não menciona prazos.
A iniciativa indica que o Paraguai também deve ser suspenso da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), da qual fazem parte os nove países que assinaram a medida do Mercosul mais o Suriname e a Guiana. Atualmente, o Paraguai é presidente pro tempore da Unasul. A próxima presidência será exercida pelo Peru.
Em nota, a Chancelaria da Argentina informa também que a destituição de Lugo e o novo governo do presidente Federico Franco são os principais temas da Cúpula do Mercosul em Mendoza (na Argentina), nos dias 28 e 29. No comunicado, os nove governos informam que houve a ruptura da ordem democrática e que a decisão se baseou no Protocolo de Ushuaia sobre Compromisso Democrático no Mercosul, de 1998.
A presidenta Dilma Rousseff confirmou presença. De manhã, Lugo disse que participará da reunião. Ontem (23), o novo ministro das Relações Exteriores do Paraguai, José Félix Fernández Estigarribia, também disse que irá à cúpula. A decisão ocorreu depois de os nove governos terem chamado os embaixadores no Paraguai de volta aos seus países.
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, foi mais além: não só chamou o embaixador de volta a Caracas, como anunciou a suspensão do abastecimento de combustível para o Paraguai em protesto contra o impeachment de Lugo. Pelo menos metade do combustível consumido no Paraguai vem da Venezuela.
Renata Giraldi
No Agência Brasil
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Torturador conta rotina da Casa da Morte em Petrópolis

Tenente-coronel reformado fala sobre casa onde 22 pessoas podem ter sido executadas
Na casa na Rua Arthur Barbosa, em Petrópolis, funcionava aparelho clandestino do
Centro de Informações do Exército (CIE) 
RIO — Depois de cinco horas de conversa, o velho oficial estava livre de um dos mais bem guardados segredos do regime militar: o propósito e a rotina do aparelho clandestino mantido nos anos 1970 pelo Centro de Informações do Exército (CIE) em Petrópolis, conhecido na literatura dos anos de chumbo como “Casa da Morte”, onde podem ter sido executados pelo menos 22 presos políticos. Passados quase 40 anos, um dos agentes que atuaram na casa, o tenente-coronel reformado Paulo Malhães, de 74 anos, o “Doutor Pablo” dos porões, quebrou o silêncio sobre o assunto.
No jargão do regime, revelou Malhães, a casa era chamada de centro de conveniência e servia para pressionar os presos a mudar de lado e virar informantes infiltrados, ou RX, outra gíria dos agentes. O oficial não usa a palavra tortura, mas deixa clara a crueldade dos métodos usados para convencer os presos:
— Para virar alguém, tinha que destruir convicções sobre comunismo. Em geral no papo, quase todos os meus viraram. Claro que a gente dava sustos, e o susto era sempre a morte. A casa de Petrópolis era para isso. Uma casa de conveniência, como a gente chamava.
As equipes do CIE, afirmou, trabalhavam individualmente, cada qual levando o seu preso, com o objetivo de cooptá-lo. O oficial disse que a libertação de Inês Etienne Romeu, a única presa sobrevivente da casa, foi um erro dos agentes, que teriam sido enganados por ela, acreditando que aceitara a condição de infiltrada.
Malhães só não contou o que era feito com os que resistiram à pressão para trair. Diante da pergunta, ficou em silêncio e, em seguida, lembrou que nada na casa de Petrópolis era feito à revelia dos superiores. As equipes relatavam e esperavam pela voz do comando:
— Se era o fim da linha? Podia ser, mas não era ali que determinava.
Até terça-feira, quando o militar abriu a porteira do sítio na Baixada Fluminense aos repórteres, nenhum dos agentes da casa havia falado sobre ela. O que se sabia era o testemunho de Inês Etienne, colhido em 1971 mas só divulgado em 1979, após o período em que cumpriu pena por envolvimento com a guerrilha da VAR-Palmares. Outras referências ao local apareceram em entrevistas e livros de colaboradores do regime, como o oficial médico Amilcar Lobo, o sargento Marival Chaves (CIE-DF) e o delegado da Polícia capixaba Cláudio Guerra.
Sentado ao lado da mulher no alpendre da casa maltratada pelo tempo, Malhães revelou que já pertencia ao Movimento Anticomunista (MAC) quando ingressou nos quadros da repressão. Sua ascensão, iniciada com um curso de técnicas para abrir cadeados, fazer escuta, aprender a seguir pessoas, foi rápida. Após o golpe militar, passou pela 2 Seção (Informações) e pelo Destacamento de Operações de Informações (DOI) do I Exército (RJ) antes de ingressar no Centro de Informações do Exército (CIE), onde passou a perseguir as organizações da luta armada pelo país.

‘Eu organizei o lugar’

A casa de Petrópolis, na Rua Arthur Barbosa 668, Centro, teria sido um trabalho específico de Malhães já dentro do CIE. Ele afirmou que o imóvel, emprestado à repressão pelo então proprietário, Mario Lodders, não era o único aparelho com esse propósito:
— Tinha outras. Eu organizei o lugar. Quem eram as sentinelas, a rotina e quando se dava festa para disfarçar, por exemplo. Tinha que dar vida a essa casa. Eu era um fazendeiro que vinha para Petrópolis de vez em quando — contou Malhães, que se recusou a revelar o nome das sentinelas e não se deixou fotografar.
Cada oficial, informou, contava com sua própria equipe, que podia incluir cabos, sargentos, policiais federais, delegados ou médicos. De acordo com o coronel, na maioria das vezes, as equipes trabalhavam com um preso de cada vez na casa. Esse seria o motivo alegado por ele para desconhecer o destino de presos citados na lista dos desaparecidos políticos.
— Eu trabalhei uns cinco ou seis. Às vezes, passava de um mês com um — explicou.
O oficial disse que as táticas para cooptar e formar os infiltrados variavam, e cada um deles era detalhadamente estudado antes da abordagem, tanto sua ideologia como a família. Malhães disse que chegou a ficar preso por 30 dias numa cadeia, disfarçado, em tentativa de arregimentar um RX. Depois que os presos mudavam de posição, eles eram filmados delatando os companheiros. No depoimento sobre os cem dias que passou na casa, Inês Etienne relatou que fingiu ser uma infiltrada e foi filmada contando dinheiro e assinando um contrato com seus algozes.
Sobre o destino de alguns nomes de presos, que arquivos ou testemunhas apontam que estiveram na Casa da Morte, ele disse que o ex-deputado federal Rubens Paiva não passou por lá, mas admitiu ter visto Carlos Alberto Soares de Freitas, o Beto, comandante da VAR-Palmares desaparecido em fevereiro de 1971.
— O Beto talvez tenha conhecido — informou.
Questionado novamente se os militantes da luta armada eram assassinados, ele respondeu:
— Se ele deu depoimento, mas a estrutura (da organização guerrilheira) não caiu, ele pode ter sofrido as consequências.
O coronel reformado disse que, além da garantia de sigilo, era oferecida ajuda financeira aos infiltrados, embora nem todos aceitassem. Uma reunião do PCdoB em São Paulo, afirmou, teria custado R$ 50 mil. Sem fornecer qualquer prova além das declarações, disse que nem todos os desaparecidos teriam morrido no período.
— Na lista de desaparecidos tem RX. E muita gente morreu em combate. Desaparecido é um termo forçado. Em combate, tudo pode acontecer. E você não vai achar desaparecido nunca — declarou ele, ao negar as formas conhecidas até aqui para desaparecimento dos corpos.
Para o ex-preso político Ivan Seixas, diretor do Núcleo de Preservação da Memória Política, Malhães é fundamental para esclarecer o destino dos desaparecidos:
— Ele foi um dos três coordenadores operacionais da repressão, ao lado de Freddie Perdigão Pereira e de Ênio Pimentel Silveira, que já estão mortos.

Única sobrevivente da Casa da Morte relata tortura, estupro e humilhação

Inês Etienne Romeu mentiu ser infiltrada para sair do cárcere após 96 dias de tortura
Inês Etienne: última presa política a ser libertada, ela quer colaborar como puder com a Comissão da Verdade
Marcos Tristão / O Globo
Como em todas as batalhas que travou na vida, Inês Etienne Romeu diz estar pronta para mais uma. Aos 69 anos, ela também quer colaborar com a Comissão da Verdade. Inês possui vários títulos dos anos de chumbo, todos difíceis de carregar. Foi, por exemplo, a última presa política a ser libertada no Brasil. A única prisioneira a sair viva da Casa de Petrópolis, depois de 96 dias de tortura.
Só a partir de um depoimento escrito por ela no hospital, em 1971, e entregue à OAB em 1979, quando terminou de cumprir pena, foi possível localizar a casa e identificar parte dos agentes que atuavam no local — entre eles o colaborador dos torturadores, o médico Amílcar Lobo. Também é crédito dela saber que passaram pela Casa da Morte alguns dos militantes desaparecidos na época, entre eles o Carlos Alberto Soares de Freitas, o Beto, que comandou Dilma Rousseff nos tempos da VAR-Palmares.
— Quero colaborar como puder — disse, com esforço, ao saber da reportagem sobre a Casa de Petrópolis.
Foi ela que cedeu ao Globo uma planta da casa, desenhada por um arquiteto a partir de suas informações. Aos 69 anos, Inês se lembra de tudo e, aos poucos, volta a falar. Vítima em 2003 de um misterioso acidente em sua residência, ela teve traumatismo cranioencefálico, com afundamento de crânio, e por pouco não perdeu a vida. Mas está se recuperando. A voz custa a sair, mas está mais firme a cada dia movida por uma força interior cuja origem só ela sabe. Os documentos guardados em seu arquivo pessoal agora estão sendo intensamente lidos e relidos todos os dias.
Militante da VAR-Palmares, Inês integrou o grupo que participou do sequestro do embaixador da Suíça, Giovanni Bucher, mas em 5 de maio de 1971 sua história como guerrilheira teve um fim drástico. Capturada por uma equipe do delegado Sérgio Paranhos Fleury, ela começou o calvário em São Paulo, mas foi trazida ao Rio no dia seguinte.
Durante os 96 dias em que esteve presa, Inês foi torturada, humilhada e estuprada: “Eu estava arrasada, doente, reduzida a um verme e obedecia como um autômato”, contaria no depoimento entregue à OAB, admitindo também três tentativas de suicídio durante o cárcere. Ela só foi libertada quando fingiu concordar com dois de seus algozes para trabalhar como infiltrada para o Centro de Informações do Exército. No depoimento dado após a sua libertação, Inês não relatou o coronel Paulo Malhães entre seus torturadores. Ele disse que nunca a viu na casa.
— Não vi a Inês na casa, ela não me conheceu. Agora, a Inês foi libertada sem o cara avaliar se ela estava realmente virada — criticou Malhães, que se recusou a dizer quem era o agente responsável por “virar” Inês.
Inês confirma o modus operandi detalhado por Malhães para quem se transformava RX. Ela relatou que foi obrigada a gravar um vídeo no dia 4 de agosto, no qual foi filmada contando dinheiro e lendo um contrato de trabalho com a repressão. “Neste contrato constava uma cláusula segundo a qual, se eu não cumprisse o combinado, minha irmã, Lúcia Etienne Romeu, seria presa, pois eu mesma, sua própria irmã a acusava de estar ligada a grupos subversivos”, relatou Inês. Libertada, doente, foi levada pela família a um hospital, onde sua prisão foi oficializada. Condenada à prisão perpétua, ficou presa até 1979, quando tornou público todo seu martírio. Ela recebeu o Prêmio Direitos Humanos de 2009, na categoria Direito à Memória e à Verdade.

Vítimas da Casa da Morte

Não se sabe ao certo quantas pessoas foram mantidas presas na Casa da Morte, em Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro. No entanto, alguns nomes foram confirmados por testemunhas da época. Saiba quem pode ter sido vítima dos horrores da casa, segundo do Ministério Público Federal, e o conheça o relato da única sobrevivente

Prisão clandestina pertencia a estrangeiro

Após cumprir pena de oito anos, Inês achou e denunciou a existência da casa
A descoberta da existência da Casa de Petrópolis só foi possível porque durante oito anos Inês Etienne Romeu guardou um número na memória: 4090. Era o telefone da casa. Quando ela saiu da prisão, em agosto de 1979, o número finalmente se transformou em uma localização e um nome: rua Arthur Barbosa, 668, no bairro Caxambu, de propriedade do alemão Mario P. C. R. Lodders, dono do imóvel à época da ditadura.
O encontro entre Inês e Mario Lodders em fevereiro de 1981 foi histórico. A partir dessa data surgiram as revelações que levariam a entender como o Centro de Informações do Exército (CIE) conseguiu ter o aluguel temporário do local. Lodders disse à época que havia emprestado a casa por três anos a um ex-comandante da Panair e ex-interventor de Petrópolis, Fernando Ayres da Motta. Foi Motta que cedeu a casa ao CIE.
— Foi o Ayres que arrumou a casa do alemão, que era tremenda boa gente. Ele não sabia de nada — informou o coronel Paulo Malhães.
Inês, no entanto, disse que Lodders a viu na casa enquanto estava presa. Lodders e Mota já são falecidos. Procurado, o filho de Fernando Ayres da Mota, o advogado Fernando Eduardo Aires da Mota, não retornou os contatos do GLOBO. Atualmente a casa pertence a Renato Firmento de Noronha, que vive lá.
O depoimento de Inês entregue à OAB é um dos elementos para a investigação da Secretaria de Direitos Humanos e do Ministério Público Federal, a cargo da procuradora Vanessa Seguezzi. No documento, Inês listou os nomes de 19 torturadores e do médico Amílcar Lobo, que teve o registro cassado pelo Conselho Regional de Medicina do Rio depois da denúncia. Além disso, ela deu informações sobre nove presos torturados e mortos na casa. Até hoje, no entanto, não se sabe exatamente quantos presos passaram pela casa enquanto ela funcionou.
Durante o tempo em que esteve na casa, Inês teve contato com o militante da VAR-Palmares Mariano Joaquim da Silva. Além dele, ouviu as sessões de tortura de Paulo de Tarso Celestino da Silva, militante da Ação Libertadora Nacional (ALN), e de sua namorada, Heleny Guariba, da VPR, no Rio de Janeiro, ambos presos no dia 12 de julho de 1971. “Colocaram-no no pau de arara, deram-lhe choques elétricos, obrigaram-no a ingerir uma grande quantidade de sal. Durante muitas horas eu o ouvi suplicando por um pouco de água”, contou Inês.
Ela afirma ainda que Mariano Joaquim da Silva contou-lhe que viu a chegada de Aluizio Palhano, militante da VPR, e que escutou sua sessão de tortura. “Ouvi sua voz diversas vezes, quando interrogado”, relatou.
Inês obteve informações de que estiveram na casa os militantes Ivan Mota Dias, Walter Ribeiro Novaes, Carlos Alberto Soares de Freitas, Marilena Villas Boas e o ex-deputado federal Rubens Paiva. A procuradora Vanessa Seguezzi, porém, devido a outras informações, trabalha com uma lista mais ampla, de 22 nomes.

Torturador da Casa da Morte se aliou ao PCdoB na Baixada


Fama de justiceiro deu ao oficial uma suplência na Câmara de Nova Iguaçu
Paulo Malhães, o oficial do Exército que atuou na Casa da Morte e na repressão à Guerrilha do Araguaia, foi candidato a vereador nas eleições de 2000, em Nova Iguaçu, pela coligação “Frente Democrática”. Além do PDT, partido ao qual era filiado, faziam parte da aliança o PV e o PCdoB, o mesmo partido que deflagrou a guerrilha e foi duramente combatido por Malhães. O oficial recebeu 1.432 votos (0,41% do total) e ficou na suplência graças à fama de justiceiro que o popularizou em sua comunidade.
Malhães fala hoje da ameaça comunista como se o Brasil estivesse à beira de uma revolução marxista-leninista. Desdenha dos antigos inimigos, chamado-os de covardes. Mas não consegue esconder uma discreta admiração pelo partido que combateu no passado:
— O PCdoB sempre foi o pior grupo a ser combatido. A origem disso foi a Intentona Comunista, que envolveu vários oficiais, cooptados pelo PCdoB. E era o único grupo que tinha estrutura militar, que tinha capacidade. Para fazer guerrilha, precisa de teoria, prática e estrutura. Os outros eram guerrilheiros fantasmas. Se diziam guerrilheiros, mas eram medrosos, covardes. Os argentinos, sim, eram guerrilheiros. No Brasil, houve pouca morte em combate, mesmo na guerrilha. E a maior no Brasil, a do Araguaia, foi um fracasso.
O oficial, que vive há pelo menos 27 anos com a mulher na Baixada, disse que hoje quer apenas tranquilidade. Teme que ela acabe depois que a reportagem for publicada. Mesmo assim, concordou em falar:
— Sabia que esse dia ia chegar.
Autor de “Um tempo para não esquecer”, livro relançado este ano com uma lista de agentes do regime envolvidos em tortura, o professor Rubim Aquino acusou Malhães de atuar em pontos-chaves da repressão, “sempre à base da carnificina”.
— Ele não fica a dever ao Brilhante Ustra. Era um violento anticomunista, que aparece relacionado à repressão no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Sul e no Paraná.
O Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro incluiu o nome do oficial na lista dos “Elementos Envolvidos Diretamente com Torturas”. Pelo menos três ex-presos políticos, Sérgio Ubiratan Manes, Paulo Roberto Manes e Paulo Roberto Telles Franck, disseram ter sofrido espancamentos, sessões de choque elétrico e outras violências praticadas pelo militar — os dois primeiros no DOI do Rio e o terceiro no Rio Grande do Sul.
No O Globo
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Serra Tchu Tcha… TchaTchaTchaTchaTchaTchauuuuu!

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Em Cuba não há liberdade de imprensa…

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Vidas Paralelas: Lula e Lugo

Lula e Lugo
Aconteceu com Lugo o que quase aconteceu com Lula: a deposição.
Lugo e Lula têm semelhanças notáveis, fora o “Lu”: são fruto, para o bem e para o mal, da extraordinária desigualdade social da América do Sul. Os dois surgiram, Lugo no Paraguai e Lula no Brasil, pelos braços dos pobres. Braços e, importante sublinhar, votos.
A diferença fundamental é que Lula teve, em seus tumultuados anos de presidência, o apoio de um sindicalismo organizado e claramente disposto a reagir caso seus opositores encontrassem uma maneira de derrubá-lo. Afastar Lula teria sido um movimento muito mais arriscado do que foi tirar João Goulart, em 1964. Ou mesmo Collor, nos anos 1990.
Por isso, Lula não apenas cumpriu dois mandatos como elegeu Dilma, que os pobres, em sua sabedoria nada livresca e completamente intuitiva, deduziram que continuaria a fazer o que a administração anterior fizera.
Lugo, no Paraguai, jamais teve um suporte remotamente parecido com o de Lula. Os camponeses esperavam muito dele, mas Lugo acabou fazendo pouco — menos por vontade do que por um sistema que petrifica e perpetua a desigualdade. Quase toda a terra cultivável paraguaia está nas mãos de pouco mais de 1800 pessoas, que as ganharam praticamente de graça como recompensa pelo apoio à ditadura de Stroessner.
Uma delas é um brasileiro – ou brasiguaio, gente do Brasil radicada no Paraguai – chamado Tranquilo Favero. Favero, que apoiou a queda de Lugo, virou uma das pessoas mais odiadas do Paraguai ao dizer que camponês deve ser tratado a pancadas, “como mulher de malandro”.
As tentativas de reforma agrária de Lugo esbarraram num sistema judicial corrupto, montado para servir milionários como Favero. O fracasso de Lugo em promover uma reforma agrária não elimina o fato de que enquanto ela não for feita o Paraguai estará condenado a ser o país miserável que é.
O Paraguai não tem indústria relevante, e consequentemente o sindicalismo lá é frágil. Os trabalhadores rurais – carperos, como são conhecidos lá – não representam uma ameaça séria aos golpistas. São desorganizados e acabaram não enxergando em Lugo, um padre progressista que em nada lembra na aparência e nos modos um carpero, a resposta para seus problemas.
Por isso Lugo caiu, sob a alegação de “mau desempenho” feita por parlamentares de um partido, o Colorado, sob cujo domínio inepto, iníquo e corrupto de décadas o Paraguai foi transformado no paradigma supremo de tudo que um país não deve ser. Agora é uma democracia falsificada, como os uísques que incautos compram lá.
E por ter a retaguarda de sindicatos organizados – e também por ter sido visto, se não como solução, ao menos como uma esperança pelos pobres – Lula não caiu.
Paulo Nogueira
No Diário do Centro do Mundo
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Lugo pede volta da democracia no Paraguai e irá ao Mercosul

ASSUNÇÃO - O presidente deposto do Paraguai Fernando Lugo pediu neste domingo que a democracia retorne ao seu país e anunciou que irá apoiar todas as manifestações pacíficas para que a abalada ordem institucional seja restabelecida.
O ex-chefe de Estado, que na sexta-feira foi destituído da presidência em um rápido processo de impeachment, anunciou que vai visitar esta semana a província argentina de Mendoza para participar de uma cúpula de presidentes do bloco Mercosul, na qual irá explicar a situação no Paraguai.
"Acompanhamos todo tipo de manifestação pacífica para que se restaure a ordem institucional interrompida na sexta-feira passada com a ação formulada pelo Parlamento", disse Lugo a jornalistas.
"Este foi um golpe parlamentar contra a vontade popular", acrescentou, indicando que está em contato com presidentes sul-americanos para discutir a reação regional adversa sobre a mudança de comando no Paraguai, agora governado por Federico Franco, de centro-direita, que era vice-presidente de Lugo.
O ex-bispo afirmou ainda que não irá colaborar com o governo de Franco. "Este é um governo falso. Não se pode colaborar com um governo que não tem legitimidade."
Didier Cristado e Daniela Desantis
No Reuters
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Ponto a Ponto com Luiz Carlos Molion

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Charge online - Bessinha - #1315

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Os bastidores do Golpe

Héctor Timerman
Aunque no quiso adelantarse a la decisión de los presidentes que se reunirán el jueves en Mendoza, la forma que el canciller argentino utilizó para definir la destitución de Lugo anticipa qué harán el Mercosur y la Unasur.
En diálogo telefónico, el canciller Héctor Timerman aceptó relatar desde Buenos Aires las gestiones de los ministros de Relaciones Exteriores de la Unión Suramericana de Naciones, el viernes último, para que no se produjera lo que denominó “una ejecución sumaria”.
–¿Cuál es la caracterización argentina sobre el cambio de presidente en Paraguay?
–El gobierno argentino considera que estamos frente a una ruptura del orden democrático.
–¿Por qué ruptura, si la destitución de Fernando Lugo se basó en el juicio político?
–Es que en Paraguay se utilizó un mecanismo contemplado en la Constitución, pero fue aplicado de tal forma que viola no sólo el espíritu de esa Constitución sino toda práctica constitucional del mundo democrático.
–¿Cuál sería la violación?
–Practicar una ejecución sumaria. Darle dos horas de defensa a un presidente democráticamente electo es un tiempo menor al que tiene quien pasó un semáforo en rojo. Es triste lo que ocurrió en Paraguay. Es triste haber visto a Lugo el viernes a la tarde solo, en su despacho de la casa de gobierno, sin papeles sobre el escritorio, viendo por televisión cómo el Congreso lo destituía.
–¿Los cancilleres de Unasur estaban allí con él en ese momento?
–Sí. Después de haber hecho todo lo posible para buscar alternativas. Pero en ningún caso encontramos el más mínimo interés en la oposición de dialogar con nosotros y buscar una opción a la ejecución sumaria de un presidente. Y eso que les dijimos claramente que estábamos allí para respetar, al mismo tiempo, la soberanía de Paraguay y los documentos internacionales que todos firmamos.
–¿Los textos de Unasur y de Mercosur?
–Ambos. Y quiero aclarar algo que les dijimos a los dirigentes de la oposición a Lugo. No sólo Paraguay estaba obligado a cumplir con los acuerdos firmados. También cada uno de los otros países. Nosotros también estamos obligados a cumplir con los acuerdos. Debemos aplicarnos las cláusulas incluso a nosotros mismos.
–¿En algún momento los cancilleres de Unasur vieron una chance de arreglo?
–Cuando llegamos y hablamos con Lugo por primera vez él nos dijo que aún tenía alguna esperanza. Pero después fuimos topándonos con la realidad. Primero nos reunimos con los dirigentes del Partido Colorado. Nos dijeron que el gobierno era inviable y se tenía que ir. Y que había que hacerlo rápido porque supuestamente Lugo había llamado a elementos subversivos y violentos. También nos reunimos con el líder del Partido Liberal Radical Auténtico en el Congreso. Recuerdo una de las respuestas de un dirigente opositor: “Lo mejor que pueden hacer los cancilleres de Unasur es irse”.
–¿Cuál fue la respuesta?
–Esta: “Señor, son las 11 de la mañana. A las 12 empieza el juicio. ¿Hay algo que ustedes puedan decirme para ayudarlos a que esta situación no llegue a mayores?” Me dijeron: “No. La Constitución manda formas de hacer el juicio, no tiempos”. Les contesté: “Están hablando de un jefe de Estado que asumió con la representación popular. Por otra parte, no veo a nadie en la calle, y menos con ánimo violento”. Un rato después insistí.
–¿Con qué argumento?
–Ya eran las 11 y media de la mañana. “Sigamos hablando. Díganme cualquier idea que tengan.” Otros cancilleres les decían que el Congreso estaba inventando un reglamento. Nos repusieron que no había que probar los hechos porque eran de público y notorio conocimiento. Y lo repetían a cada momento: público y notorio. A las 12 menos cuarto faltaban 15 minutos para el comienzo del juicio. Les dije: “Señores, se vienen épocas muy duras para el Paraguay porque nosotros vamos a tener que aplicar la cláusula democrática”. No pareció conmoverlos nada. Nos fuimos otra vez a hablar con Lugo. Allí, entre los cancilleres, se decidió que fuéramos con Antonio Patriota, de Brasil, a conversar con Federico Franco.
–Todavía era el vice.
–Sí. Le dije: “Mire, no queda mucho tiempo. ¿Usted cree que es justo lo que están haciendo? ¿Piensa que el mundo va a reconocer la destitución de esta manera como un procedimiento correcto”. Recuerdo su contestación: “En Paraguay un vicepresidente tiene tres tareas: presenciar la reunión de gabinete, actuar como nexo con el Congreso y asumir en caso de enfermedad, muerte y destitución del presidente. Voy a cumplir con la Constitución paraguaya”. Le pregunté si dos horas para preparar una defensa le parecía un tiempo suficiente. Me dijo: “Solo Dios sabe el tiempo que le di”. Le pedí que nos acompañara a los cancilleres al Congreso y que dijera delante nuestro que su compañero de fórmula no había tenido tiempo de preparar la defensa y que, por lo tanto, él no asumiría la presidencia en caso de destitución. “Es que es mi obligación asumir”, dijo Franco. Uno de los acólitos suyos comentó entonces que Fernando Collor de Mello tuvo licencia por seis meses. Le pregunté si en caso de que pudiéramos convencer a Lugo de pedir licencia, le darían seis meses para preparar su defensa. Fue ahí que me dijo una frase que ya habíamos escuchado de otros dirigentes: “Este gobierno es inviable. Aquí comienza la violencia mañana”. Le dijimos que había poca gente en la calle y que no habría quien quisiera generar violencia. “No, ya es tarde”, repetía Franco. Patriota ofreció pedirle a Lugo un llamamiento contra la violencia. Yo le dije: “Le voy a decir la verdad de lo que va a ocurrir. Paraguay sufrirá y quedará aislado y usted deberá gobernar en condiciones difíciles”.
–Por lo visto, Franco estaba muy decidido.
–Me contestó: “Soy médico y estoy acostumbrado a tomar decisiones”. Le repliqué que los médicos juran hacer el menor daño posible a los pacientes y que él le estaba por hacer el mayor daño posible al Paraguay y a la democracia. También le dijimos que Paraguay se convertiría en un caso Honduras Dos. Contestó: “¡Pero ahí sacaron a un presidente en pijama!”. Le pedimos que no se confundiera, que la cuestión no era cómo está vestido un presidente cuando es destituido irregularmente sino la irregularidad de la destitución. Ya con un clima caldeado nos fuimos, con Patriota, diciéndole por último que Paraguay estaba por concretar un golpe.
–¿A dónde fueron?
–A ver otra vez a Lugo en la casa de gobierno. Cuando llegamos no sólo no había violencia. Había menos gente en la calle. Los cancilleres de Unasur y el secretario Alí Rodríguez nos quedamos hablando con Lugo, para no dejarlo solo. Vimos la votación por televisión y cuando terminó la destitución le dijimos: “Presidente, nos vamos porque no queremos estar cuando asuma Franco. La Argentina ofrece asilo a cualquiera que lo solicite”. Lugo anunció que se quedaría en Paraguay y que no llamaría a un levantamiento porque quería evitar muertos. Le dije que Juan Perón hizo lo mismo en 1955 y que siempre se puede volver si no hay muertos. Media hora antes del fin de la destitución aparecieron en el palacio de gobierno militares que hasta ese momento no estaban. Lugo pensó que se trataba de una forma de presión y nos contó que retomaría el trabajo en las bases y recorrería el país. Alí Rodríguez le dijo: “La retirada es el primer paso de la ofensiva”. Yo le comenté: “Evidentemente, usted es el presidente que nunca debió haber sido, porque va en contra de la tradición de Paraguay”. Nos pidió que no abandonáramos al pueblo paraguayo y que los ayudáramos a defender los derechos humanos y las libertades cívicas. A las seis de la tarde nos abrazamos y nos fuimos. Había poca gente en la calle.
–¿El Mercosur castigará al gobierno paraguayo?
–El Mercosur aplicará los tratados que firmamos. Y Unasur también.
–¿Está prevista la incorporación de Venezuela como miembro pleno?
–La Argentina, Brasil y Uruguay están interesados en el ingreso de Venezuela, como se sabe, pero no creo que una situación amerite la otra.
Martín Granovsky
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Os porta-vozes da legalidade à paraguaia

Seriam estes os "periodistas venales" mencionados no Manual del perfecto Golpe de Estado?
Para defender suas posições políticas, Reinaldo Azevedo, Merval Pereira, Augusto Nunes e Marco Antonio Villa desconsideram valores elementares de qualquer regime democrático: a presunção de inocência e o direito legítimo de defesa. Desta vez, porém, Demétrio Magnoli destoou da turma
Um processo que levou à destituição de um presidente da república decidido em menos de dois dias poderia bem ser um novo filme de Woody Allen sobre republiquetas latino-americanas e suas frágeis democracias - o cineasta fez isso em Bananas, filmado em 1971.
Mas a história é verídica, ocorreu mais de 40 anos depois e, ainda assim, não sensibilizou um grupo notório de jornalistas e intelectuais brasileiros. Para eles, se a Constituição permite tirar do poder um presidente eleito antes da hora, que se tire - ainda que para isso seja preciso valer-se de um processo relâmpago e de discutível aplicação, como parece ser o caso do presidente deposto do Paraguai, Fernando Lugo.
A turma de defensores do golpe constitucional paraguaio está junta há mais tempo nas últimas polêmicas políticas: nela estão o polêmico Reinaldo Azevedo, blogueiro da revista Veja; seu colega de revista Augusto Nunes; o colunista “imortal” Merval Pereira, d’O Globo; o historiador Marco Antônio Villa, que dá aulas na Universidade Federal de São Carlos mas passa a maior parte do tempo dando entrevistas, sobretudo para a Globonews
Chama a atenção, porém, o fato de um antigo colaborador da turma, o sociólogo e geógrafo Demétrio Magnolli, ter destoado desta vez. Para Demétrio, o que houve no Paraguai foi um “golpe parlamentar, vestido nos andrágios das leis de uma democracia oligarca”. “Nem mesmo essa lei típica da democracia oligárquica foi cumprida, pela velocidade como a coisa aconteceu”, defendeu ainda o geógrafo, outro dos intelectuais também frequentemente ouvidos pela mídia tradicional brasileira. Reinaldo, Augusto, Merval e Villa, porém, não ficaram tão impressionados com a argumentação.
Reinaldo Azevedo chega a dizer que, fosse dado maior tempo à defesa de Lugo, as forças contra o impeachment teriam tempo para articularem-se e evitar a deposição. Transformou, desse modo, uma discussão legítima, que passa pela presunção de inocência e pelo legítimo direito à defesa em pressa política. O blogueiro de Veja não deve ter tido tempo para pensar que, se a extensão do tempo da defesa levasse à prova de inocência de Lugo e consequente derrocada do impeachment, era um sinal de que não havia provas suficientes de culpabilidade…
Augusto Nunes também politiza excessivamente a questão e chama de choramingueiros quem alega que algo sério como tirar do poder um presidente eleito não poderia ter sido feito em tão pouco tempo. É a deixa para Nunes falar, adivinhe… do mensalão: “Os paraguaios é que deveriam perguntar-se como pode o Brasil esperar sete anos pelo julgamento dos quadrilheiros do mensalão”. Portanto, atenção, juristas e magistrados brasileiros: aprendam com a Justiça paraguaia, ela é muito superior à brasileira…
Para defender que o governo brasileiro deveria respeitar a soberania paraguaia - embora não devesse fazer o mesmo para denunciar a ditadura cubana, chavista ou a iraniana -, Nunes vale-se do impeachment de Collor: “(O parlamento do Paraguai) fez com Lugo o que faria com Fernando Collor o Legislativo brasileiro se o presidente que desonrou o cargo não tivesse renunciado pouco antes”. O jornalista esquece os três meses que duraram o processo brasileiro de 1992 até que resultasse na dissolução do presidente, num episódio que envolveu na época todos os atores políticos - muito diferente do que ocorreu no Paraguai e o vapt-vupt da queda de Lugo...
O melhor talvez seja ficar com a ideia contida no texto equilibrado escrito neste sábado pelo também jornalista Clóvis Rossi, na Folha de S. Paulo: a questão é complexa e envolve uma nova modalidade golpista na América Latina, pois amparada, nas aparências, na constituição. Rossi cita o presidente do Diálogo Interamericano, Michael Shifter: “Vai contra o espírito da democracia”.
Alguém tem dúvidas como o mundo olhará, daqui a 40 anos, para o que ocorreu no Paraguai esta semana? Um novo Woody Allen faria o Bananas 2. Alguém duvida mesmo?
Heberth Xavier
No 247
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Lula com Maluf

O recente encontro de Lula e Paulo Maluf, que sacramentou a aliança do PT com o PP na eleição de São Paulo, provocou dois tipos de indignação: uma autêntica e outra postiça.
Isso, é claro, no mundinho dos profissionais da política e na parcela “politicamente ativa” da sociedade. Juntos, os dois segmentos representam algo perto de 20% da população - se tanto.
Para os restantes - ou seja, para 80% dos eleitores da cidade - deve ter sido um fato de importância secundária.
Daqueles suficientemente relevantes para que sejam notados, mas que logo perdem significado - ou são esquecidos.
Quem vê a política com interesse pequeno ou só a percebe na hora em que é obrigado a votar nem registra essas movimentações. Alguém se lembra, por exemplo, qual foi o candidato que recebeu o apoio de Maluf na última eleição presidencial?
(Para os que não se recordam: José Serra. Sem que isso lhe causasse qualquer embaraço ou deflagrasse reações indignadas).
Muitos militantes petistas ficaram chocados. Afinal, Maluf é um dos símbolos de tudo de que discordam e um adversário histórico da esquerda.
Vê-lo ao lado de Lula - com Fernando Haddad ao centro - na célebre foto do evento, deve tê-los deixado genuinamente indignados. É provável que tenham se perguntado se Haddad precisava disso. E se preocupado com o desgaste que poderia trazer.
Para o PT, a pergunta relevante é o tamanho do prejuízo implícito no benefício que a foto traduz. Pois ela tem um significado inegavelmente positivo: que Haddad terá mais tempo de televisão.
É elevado o risco de perder votos na militância petista e entre eleitores progressistas? Será grande a proporção afugentada pela foto? E para onde iriam?
O eleitor de esquerda decepcionado vai preferir Serra? Pouco provável - especialmente depois da marcha batida em direção à direita empreendida pelo tucano nos últimos anos. Irá para Chalita? Algum outro?
Foi, provavelmente, fazendo cálculos semelhantes que o PSDB firmou aliança com o PR - partido que integrava até outro dia a base do governo Dilma e tem várias lideranças envolvidas em problemas cabeludos. E andava aflito atrás de Maluf, louco para ter o tempo do PP.
Entre os indignados de oportunidade, o mais engraçado é a sem cerimônia com que manipulam a ideia de que “os fins justificam os meios”.
Estavam prontos para celebrar a “competência política” do ex-governador, se tivesse conseguido garantir o apoio de Maluf - como consideraram normal ver Alfredo Nascimento a seu lado.
A coligação do PSDB com o PR e o PP seria saudada como “jogada de mestre”, manobra que esvaziaria a candidatura de Haddad, ao deixá-lo com uma minguada participação na propaganda eleitoral.
Ou seja: para Serra, os fins justificariam os meios.
Por que o raciocínio não se aplicaria a Lula e o PT? Fazer o mesmo que o adversário é pecado? Apenas em seu caso?
A menos que acreditemos que só o PT tem deveres éticos e a obrigação de respeitar uma moralidade na política que não é cobrada do PSDB. Como se dissessemos que do PT se espera mais: comportamentos e compromissos éticos dos quais o PSDB estaria dispensado.
Para o PT, os meios seriam mais importantes que os fins.
Pensar assim pode ser bonito - e há muita gente boa que acredita nisso. Mas é ingênuo.
No mundo real da política - como ensina Serra - o que prevalece é um jogo mais pesado: quem fica cheio de pruridos, perde (e os que tombaram pelo caminho em sua trajetória estão aí para demonstrar).
Nesse mundo, amarrar as próprias mãos - enquanto o outro lado age livremente - mais que ingenuidade, é tolice.
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
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O discreto Morsi

Mohamed Morsi, candidato da Irmandade Mulçumana, venceu a eleição presidencial do Egito, divulgou neste domingo o comitê eleitoral estatal. Morsi derrotou o Ahmed Shafik, brigadeiro da reserva e último premiê do regime de Hosny Mubarak, deposto em 2011.
Após a divulgação do resultado da eleição, a praça Tahrir celebrou a vitória de Morsi.
O presidente da Comissão, Farup Sultan, anunciou que Mursi obteve 13.230.131 votos (51,73% do total), ante 12.374.380 votos do rival (48,27%), o general aposentado Ahmed Sahiq, no segundo turno das eleições presidenciais, realizado nos dias 16 e 17.
Dessa forma, Mursi torna-se o primeiro presidente do Egito após a queda de Hosni Mubarak, em fevereiro de 2011, e leva à Irmandade Muçulmana ao poder pela primeira vez nos 84 anos de sua história, a maioria transcorrida na ilegalidade.
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Morsi ganhou, mas talvez não leve.

Ninguém duvida que o candidato da Irmandade Muçulmana ganhou as eleições presidenciais do Egito.
Diversas organizações concluíram nesse sentido, somando os votos de cada zona.
Na quarta-feira, uma coalizão de juízes independentes egípcios, os “Juízes pelo Egito”, confirmou esse resultado.
O grupo tinha monitorado cuidadosamente todo o processo eleitoral e confirmou a vitória de Morsi por 13,2 milhões de votos, contra 12,3 milhões obtidos pelo general Shafiq.
O resultado oficial estava previsto para ser apresentado na quinta-feira.
No entanto, a comissão eleitoral adiou o prazo sine die, alegando precisar de mais tempo para analisar as denúncias de ilegalidades na votação de diversas cidades.
Isso indica que provavelmente um novo golpe está em gestação.
Depois de fecharem o Congresso e restringirem ao máximo as atribuições do presidente, a junta militar teria decidido manipular os resultados eleitorais, tornando vencedor o general Shafiq.
Lembro que a comissão eleitoral é formada por elementos de confiança da junta militar,a qual já deu muitas provas de que deseja manter-se no poder a todo preço.
Os jornais do governo já estão preparando o ambiente para a indicação de Shafiq como vencedor.
Eles chamam a Irmandade Muçulmana de “a gang de Morsi”e preveniram que acontecerá o “massacre do século” quando os resultados oficiais forem divulgados.
Talvez seja uma ameaça para que as pessoas não se atrevam a comparecer à praça Tahir para os inevitáveis protestos.
Fontes do governo informaram oficiosamente que os resultados serão conhecidos domingo à noite. E que Shafiq será o eleito.
Isso foi revelado também a diplomatas de países do Ocidente. E por membros do gabinete ministerial.
Não sei se esse pessoal não nota que seu prévio conhecimento desse fato demonstra a estreita proximidade entre o governo militar e a comissão eleitoral.
Ou não se importam com isso, afinal não é mistério pra ninguém que essas duas entidades são a mesma coisa.
Se a farsa se completar, é certo que haverá uma grande reação popular. A praça Tahir voltará ser ocupada, dia e noite.
Os militares não ficarão assistindo às manifestações de braços cruzados.
“O massacre do século”, antevisto pelos jornais chapa branca, pode muito bem acontecer.
Temo que a Primavera Árabe egípcia esteja por um fio.
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Golpistas atacam TV Pública no Paraguai

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Contra o Golpe no Paraguai

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Um golpe de novo tipo contra Lugo

O que foi tentado contra Lula, na época do chamado mensalão – que por escassa margem de votos não teve o apoio da OAB Federal numa histórica decisão do seu Conselho ainda não revelada em todas as suas implicações políticas – foi conseguido plenamente contra o Presidente Lugo. E o foi num fulminante e sumário ritual, que não durou dois dias. Não se alegue, como justificativa para apoiar o golpe, que a destituição do Presidente Lugo foi feita “por maioria” democrática, pois a maioria exercida de forma ilegal também pode ser um atentado à democracia. É fácil dar um exemplo: “por maioria”, o Poder Legislativo paraguaio poderia legislar adotando a escravidão dos seus indígenas?
No Paraguai o Poder Legislativo na condição de Tribunal político atentou contra dois princípios básicos de qualquer democracia minimamente séria: o princípio da “ampla defesa” e o princípio do “devido processo legal”. É impossível um processo justo – mesmo de natureza política – que dispense um mínimo de provas. É impossível garantir o direito de defesa – mesmo num juízo político – sem que o réu tenha conhecimento pleno do crime ou da responsabilidade a partir da qual esteja sendo julgado. Tudo isso foi negado ao Presidente Lugo.
O que ocorreu no Paraguai foi um golpe de estado “novo tipo”, que apeou um governo legitimamente eleito através de uma conspiração de direita, dominante nas duas casas parlamentares. Estas jamais engoliram Lugo, assim como a elite privilegiada do nosso país jamais engoliu o Presidente Lula. Lá, eles tiveram sucesso porque o Presidente Lugo não tinha uma agremiação partidária sólida e estava isolado do sistema tradicional de poder, composto por partidos tradicionais que jamais se conformaram com a chegada à presidência de um bispo ligado aos movimentos sociais. A conspiração contra Lugo estava no Palácio, através do Vice-Presidente que agora “supreso” assume o governo, amparado nas lideranças parlamentares que certamente o “ajudarão” a governar dentro da democracia.
Aqui, eles não tiveram sucesso porque – a despeito das recomendações dos que sempre quiseram ver Lula isolado, para derrubá-lo ou destruí-lo politicamente – o nosso ex-Presidente soube fazer acordos com lideranças dos partidos fora do eixo da esquerda, para não ser colocado nas cordas. Seu isolamento, combinado com o uso político do”mensalão”, certamente terminaria em seu impedimento. Acresce-se que aqui no Brasil – sei isso por ciência própria pois me foi contado pelo próprio José Alencar - o nosso Vice-Presidente falecido foi procurado pelos golpistas “por dentro da lei” e lhes rejeitou duramente.
A tentativa de golpe contra o Presidente Chavez, a deposição de Lugo pelas “vias legais”, a rápida absorção do golpe “branco” em Honduras, a utilização do território colombiano para a instalação de bases militares estrangeiras, tem algum nexo de causalidade? Sem dúvida tem, pois esgotado o ciclo das ditaduras militares na América Latina, há uma mudança na hegemonia política do continente, inclusive com o surgimento de novos setores de classes, tanto no mundo do trabalho como no mundo empresarial. É o ciclo, portanto, da revolução democrática que, ou se aprofunda, ou se esgota. Este novos setores não mais se alinham, mecanicamente, às posições políticas tradicionais e não se submetem aos velhos padrões autoritários de dominação política.
Os antigos setores da direita autoritária, porém, incrustados nos partidos tradicionais da América latina e apoiados por parte da grande imprensa (que apoiaram as ditaduras militares e agora reduzem sua influência nos negócios do Estado) tentam recuperar sua antiga força, a qualquer custo. São estes setores políticos – amantes dos regimes autoritários – que estão embarcando neste golpismo “novo tipo”, saudosos da época em que os cidadãos comuns não tinham como fazer valer sua influência sobre as grandes decisões públicas.
É a revolução democrática se esgotando na América Latina? Ou é o início de um novo ciclo? A queda de Lugo, se consolidada, é um brutal alerta para todos os democratas do continente, seja qual for o seu matiz ideológico. Os vícios da república e da democracia são infinitamente menores dos que os vícios e as violências ocultas de qualquer ditadura.
Pela queda de Lugo, agradecem os que apostam num autoritarismo “constitucionalizado” na A.L., de caráter antipopular e pró-ALCA. Agradecem os torturadores que não terão seus crimes revelados, agradecem os que querem resolver as questões dos movimentos sociais pela repressão. Agradece, também, a guerrilha paraguaia, que agora terá chance de sair do isolamento a que tinha se submetido, ao desenvolver a luta armada contra um governo legítimo, consagrado pelas urnas.
Tarso Genro, Governador do Rio Grande do Sul
No RS Urgente
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Outra carta da Dorinha

Recebo outra carta da ravissante Dora Avante. Segundo Dorinha, só Deus e o Pitanguy sabem a sua idade e ela confia na discrição dos dois. Com o advento do botox as reuniões do seu grupo de pressão política e carteado, as Socialaites Socialistas, que prega a implantação no Brasil de socialismo soviético no seu estágio mais avançado, a restauração do tzarismo, têm sido confusas.
Ninguém aparece com a mesma cara duas vezes e fica difícil distinguir as companheiras legitimas — Tatiana (Tati) Bitati, Susana (Su) Adouro, Monica (Mo) Cassim, etc — de agentes da Policia Federal infiltradas no grupo.
Sim, as Socialaites Socialistas estão sendo investigadas! Elas... Mas deixemos que a própria Dorinha nos conte.
Sua carta veio escrita com tinta púrpura em papel magenta e cheirando a Ravage Moi, um perfume proibido em vários países.
“Caríssimo! Chupões. Desconfiei que estavam gravando meus telefonemas porque cada vez que eu fazia ou recebia uma chamada ouvia uma voz dizendo ‘Silencio no estúdio’. Pensei que estivessem investigando um dos meus ex-maridos, o barra 8. Nunca consegui guardar o nome dos meus maridos e os identificava pelo final das suas contas bancárias. O barra 8 era tão corrupto que recebia cartas de fã do Maluf.
Mas não, as investigadas somos nós. Quel ultraje! Conseguimos desmascarar três agentes da PF que participavam do nosso chá das terças com crachás falsos porque os bigodes que usavam como disfarce se desmancharam no bafo do chá. Chegamos a tal ponto de dissolução moral neste país que não se pode confiar mais nem em crachá.
Você sabe que eu não tenho nada contra a dissolução moral desde que seja feita com bom gosto, mas francamente. Arrancamos confissões das agentes com a ameaça de anodizar os seus soutiens de ferro.
Aparentemente, há a suspeita de que as Socialaites Socialistas são financiadas pelo Carlinhos Cachoeira, como todo o mundo. Calúnia!
Está certo, uma vez usei o jatinho do Carlinhos para não perder a hora no dentista, mas sentei bem atrás e não aceitei os canapés! Estou disposta a depor na CPI para limpar o nome das Socialaites Socialistas, que vivem honradamente das pensões de ex-maridos e de aplicações em renda fixa. Da tua indignada Dorinha.”
Luís Fernando Veríssimo
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Charge online - Bessinha - # 1314

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