20 de jun de 2012

Estaria o mundo realmente aquecendo? - III

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A tuitada de Erundina

A decisão da deputada Luiza Erundina, do PSB, de não aceitar a candidatura a vice-prefeito na chapa liderada pelo Partido dos Trabalhadores, em São Paulo, é o principal destaque das edições de quarta-feira (20/6) dos jornais paulistas.
A atitude de Erundina se dá em protesto contra a forma como o ex-presidente Lula da Silva e o ex-ministro da Educação Fernando Haddad, candidato a prefeito, festejaram a adesão do deputado Paulo Maluf, do Partido Popular, à aliança. Segundo a deputada, existe uma incompatibilidade insuperável entre suas convicções políticas e Paulo Maluf, a quem acusa de corrupto e ex-aliado da ditadura militar.
A notícia foi tratada de maneiras diversas pelos dois principais jornais da capital paulista.
O Estado de S. Paulo se concentra na firmeza de convicções de Luiza Erundina, critica explicitamente o ex-presidente Lula, em editorial, por admitir a aliança com Maluf, e aposta que o Partido dos Trabalhadores var perder votos por conta dessa decisão. Já a Folha de S. Paulo entende que a desistência de Erundina “agrava a crise na campanha petista”, sem no entanto explicar de que crise se trata, uma vez que não havia crise alguma, apenas o processo normal de negociações para a formação de uma chapa. Tanto a Folha está errada que a própria Erundina anunciou que, mesmo não sendo candidata, continuará apoiando Fernando Haddad.
Estômago sensível
Pela forma como são compostas as reportagens sobre política, muitas vezes o leitor tem dificuldades para entender o sentido real dos acontecimentos. Em geral, o destaque exagerado para declarações – que podem ser selecionadas em extensão e significado pelos guardiães do jornalismo – acaba condicionando o entendimento dos fatos.
Pode acontecer, por exemplo, de o aspecto mais importante de uma reportagem sobre política não ter uma relação direta com política. No caso das campanhas eleitorais, por exemplo, a fase de formação das chapas é definida por matemática simples, a chamada conta de padeiro, sobre o tempo que se pode obter na propaganda obrigatória conforme a composição de partidos da aliança.
A desistência de Luiza Erundina se transforma em notícia importante não porque essa conta tenha sido alterada – afinal, o PSB segue aliado da candidatura de Fernando Haddad, ao lado do partido de Maluf, garantindo mais tempo de rádio e televisão para a chapa. O que a torna interessante é o fato de que alguém ainda tenha estômago sensível para essas alianças, que se tornam negócios cada vez mais distantes dos perfis ideológicos que se imaginam nos partidos políticos.
Erundina simplesmente não suportaria ter que dividir o palanque com Paulo Maluf, e isso surpreende a imprensa.
A voz dos eleitores
Interessante notar como o jogo democrático se tornou tão amoral e pragmático que o fato de alguém se negar a engolir como aliado um adversário figadal como é o caso de Erundina com Maluf pode ser tido como causador de crise.
Erundina fez o que era esperado dela. No mais, como se diz nas transmissões de futebol, segue o jogo, e o jogo é esse mesmo ao qual estamos habituados e ao qual a imprensa aderiu há muito tempo – não mais como observadora distanciada, mas como protagonista.
Mas o aspecto que provavelmente escapa do leitor mais distraído é que Erundina pautou sua decisão em dois movimentos. Primeiro, fez o seu protesto formal contra a maneira como Lula e Haddad se dispuseram a festejar Maluf. Procurada pelos caciques do PT e do PSB, chegou a se acalmar e manteve a candidatura. Mas no segundo momento decidiu que não poderia participar dessa aliança, e desistiu da candidatura.
E o que a moveu no segundo momento não foram declarações, artigos ou editoriais de jornais: foram as manifestações de seus eleitores nas redes sociais digitais. Esse é um dos aspectos mais importantes desse episódio.
Claro que a deputada deve ter levado em conta a reação da imprensa tradicional, que certamente iria se dedicar a cobrar dela a coerência política que a obrigaria a rejeitar a aliança com Maluf. Mas não foi a imprensa que a moveu – foram as manifestações espontâneas de cidadãos através da internet.
O episódio marca o momento em que as novas mídias se sobrepõem à mídia tradicional numa disputa eleitoral no Brasil. Trata-se de um aspecto que não vai estar em manchetes do tipo “mensagens no twitter levam Erundina a desistir de candidatura”. Mas que todos sabem que vai marcar a política, como marca a vida social.
Luciano Martins Costa
No Observatório da Imprensa
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Francischini, o valentão, processa PHA. É a gloria !

Ele deve imaginar que o Brasil é o Espírito Santo do tempo em que ali serviu. E honrou a polícia de lá.
Ao lado de Daniel Dantas, Gilmar Mendes, Padim Pade Cerra, Naji Nahas, Eduardo Cunha, Heraclito Fortes, Paulo Preto, e no lugar do “Mr Big” (leia “em tempo”) da Privataria Tucana, Ricardo Sergio de Oliveira, passa a fazer parte da “Galeria de Honra Daniel Dantas” o mais novo expoente da oposição brasileira, o valentão do PiG na CPI da Veja, o policial tucano Francischini.
Este ansioso blogueiro informa, com incontido orgulho, que recebeu DUAS ações judiciais do notável tucano.
Uma delas foi processada pela Justiça do Paraná com a celeridade de um coelho em fuga.
O que fez lembrar aquela frase do jurista Pontes de Miranda: “existe a Justiça e a Justiça do Paraná”.
O valentão do PiG, o membro da tropa de elite do PSDB no Congresso ao lado do conterrâneo Álvaro Dias, o Catão dos Pinhais, merecerá aqui neste ansioso blog uma objetiva cobertura de suas atividades parlamentares e extra-parlamentares.
Além, é claro, da devida resposta nos tribunais adequados.
Ele deve imaginar que o Brasil é o Espírito Santo do tempo em que ali serviu.
E honrou a polícia de lá.
De forma inesquecível.
Como mostra essa reportagem do respeitado SéculoDiário:

Homem de confiança de Rodney lança mais dúvidas sobre apurações do caso Alexandre

20/06/2011
Da Redação
No momento em que se discute a federalização das investigações da morte do juiz Alexandre Martins de Castro Filho – ou até mesmo a reabertura do caso, em âmbito local –, o subsecretário de Segurança Pública na época, então delegado federal Fernando Francischini, pouco esclareceu sobre o episódio em reportagem publicada no jornal A Gazeta deste final de semana. Pelo contrário, as contradições sobre os bastidores das apurações – passando pela saída do cargo – e a atuação da “tropa de elite” do titular da pasta à época, o atual deputado estadual Rodney Miranda (DEM), se somaram a outras interrogações a respeito do crime, ocorrido há oito anos.
Eleito deputado federal pelo PSDB paranaense e membro da Comissão de Segurança e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados, Francischini era um dos homens fortes da cúpula da Segurança na época do crime. Na reportagem, o delegado da Polícia Federal deu, pela primeira vez, a sua versão para a saída do cargo – pouco depois do início das investigações da morte do juiz Alexandre, de quem disse ter sido amigo.
Na época da queda, Francischini fez insinuações de que “fatores externos” poderiam ter provocado sua saída do governo Paulo Hartung. Agora ele revela que a saída se deu por divergências com o então secretário Rodney Miranda – o que chamou de “motivos administrativos” – durante a condução da fase inicial das investigações.
Mas, ao invés de esclarecer os pontos que hoje alimentam as especulações que podem levar à federalização do caso, o deputado federal não indica quais divergências teve com Rodney no início das apurações, já que ele endossa a mesma tese abraçada pelo então secretário, de que houve mando no crime.
Francischini alega que defendia uma linha de investigação mais ampla, dando vazão à tese de mando – fazendo alusão à participação de elementos com laços de parentesco o então governador do Estado, presentes na prisão de suspeitos pelo crime -, porém, a linha passou a conflitar com a do “ex-amigo fraterno” Rodney na ocasião. Para tanto, o ex-subsecretário acreditava em uma trama mais avançada no crime, como a que, segundo ele, acabou se evidenciando ao citar o envolvimento do juiz Leopoldo Teixeira, do coronel Ferreira e da Scuderie Le Cocq.
Essa contradição é apenas uma das que podem ser extraídas da entrevista do deputado federal. Somam-se a ela outros episódios que envolviam a equipe de militares à disposição da Secretaria de Segurança Pública (Sesp), conhecida como a “tropa de elite” de Rodney. Mesmo grupo que esteve envolvido na prisão de um dos executores do juiz, Odessi Martins da Silva Júnior, o “Lumbrigão”, que foi conduzida pelo cabo Cláudio Hackbart Azambuja da Silva – sob a coordenação do ex-subsecretário.
A mesma dupla esteve envolvida em outro episódio de violência durante a passagem de Francischini pelo Estado, fato ignorado em sua entrevista, mas marcante, ocorrido após a morte de Alexandre. Na esteira das investigações de uma quadrilha que passava notas falsas na Grande Vitória, o então subsecretário participou da ação que terminou com um civil baleado em Vale Encantado, em Vila Velha, na madrugada do dia 25 de abril de 2003 – portanto, três dias após a prisão de “Lumbrigão”.
Durante aquela diligência – que não havia sido comunicada ao Copom (Centro de Operações da PM) –, um homem identificado como Rudi do Carmo foi alvejado como um tiro nas costas. De acordo com o relatório da Diretoria de Inteligência da Polícia Militar na época, a central foi acionada através de um telefonema anônimo – que seria atribuído à mulher da vítima – denunciando a captura do suspeito no ponto final de ônibus de Rio Marinho em direção a um areal em Vale Encantado, bairro vizinho, com o intuito de matá-lo.
Em seguida, uma viatura foi deslocada para atender a essa ocorrência. Cerca de quarenta minutos depois, o Copom recebeu um outro chamado, via rádio, pela Rádio Patrulha da Sesp, solicitando apoio no ponto final de Rio Marinho, pois estaria ocorrendo uma troca de tiros em Vale Encantado. Consta nas ocorrências policiais que a vítima teria resistindo à prisão. Na imprensa, o então subsecretário deu uma versão diferente ao afirmar que a operação teria até o apoio da Diretoria de Inteligência da PM – o que não ocorreu, segundo o relatório do diretor de Inteligência da corporação à época.
Em tempo: Mr Big deixa a “Galeria de Honra Daniel Dantas” provisoriamente, para dar lugar ao valentão do PiG. Mr Big voltará, em posicao de destaque, quando se instalar a CPI da Privataria Tucana, ou quando o brindeiro Gurgel, depois de consertar o braço e responder à Corregedoria do Ministerio Publico, mandar indiciar os heróis do livro do Amaury. Lá, então, voltará Mr Big à proeminente posição que ocupa na História do Tucanato Brasileiro. Como os demais ali retratados. – PHA
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Lula, sem querer, está revalorizando um político profissional de pijama

O ultrapragmatismo do que eu sempre chamei de 'lulismo de resultados' está dando mostras que passou do ponto. Lula, fazendo aliança com Maluf, passou do ponto. É o equivalente à defesa súbita e intransigente do Brizola ao então cadente presidente Collor, em 1992. Passou do ponto.
Os líderes populares que fazem interlocução direta com a base social e eleitoral, sem mediações institucionais, como partidos, imaginário político-ideológico, movimento social, tendem a ficar com a mão pesada, no decorrer do tempo. Aconteceu com Brizola, está acontecendo com Lula.
Lula ficou com a mão pesada. Lula re-valorizou um político profissional que já estava de pijama e pantufas de pelúcia. Não quero, porque não devo (porque isso é papel da direita), olhar o lado moral de Maluf, talvez o político profissional mais identificado com a corrupção horizontal e vertical da cena pública brasileira nos últimos 35 anos. 
A questão é política. Trata-se de um erro político que pode abortar a ascensão de um novo quadro ao primeiro plano da política nacional, como o ex-ministro Fernando Haddad. Não é à toa que a deputada Luiza Erundina abandonou pela segunda vez o PT/SP. Outro erro político, mas que fica subsumido ao erro matricial do ex-presidente Lula nas relações perigosas com Paulo Maluf.
Uma observação final: acho muito curioso que gente da direita (especialmente certos jornalistas) fique manifestando estar escandalizado com a recente manobra de Lula em direção à Maluf. Mera reprise do que aconteceu na aliança com Sarney. Ora, essas duas pérolas raras da direita (entre tantas e tantas outras) são patrimônio exclusivo da própria direita. Se eles querem alugar ou vender seu discutível capital eleitoral a outro empreendimento, que não o de sua origem de classe, é outra história. No capitalismo, o empreendedorismo é livre também para os mercadores de votos e falso prestígio público.
Não sejamos cínicos, a feira eleitoral (como dizia Gramsci) é um mercado como qualquer outro.
No Diário Gauche
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Um minuto e meio de incoerência

Houve exagero nas reações contra o apoio de Paulo Maluf à campanha de Fernando Haddad. Os petistas não pareceram tão chocados quando o PP se engajou na reeleição de Lula e na vitória de Dilma Rousseff, com direito a ministério. E nem de longe a imprensa fez as mesmas caretas de nojo diante da aproximação do PSDB com o malufismo, gesto que traiu a herança do então recém-falecido Mário Covas.

A batalha contra o serrismo privata só ganha limites ideológicos no front paulistano? E os entulhos autoritários só parecem monstruosos numa foto com Lula e Haddad?

Por mim, Maluf passaria seus últimos anos de joelhos, esfregando latrinas com a própria escova de dente. Mas não acredito que o Poder Executivo, em qualquer nível, pudesse fazer algo para realizar essa fantasia. Não mais que o Ministério Público e o Judiciário, instâncias com meios e prerrogativas apropriados, embora estranhamente ineficazes e, apesar disso, imunes às bravatas do jornalismo oposicionista.

Se o PP tem condições de barganhar minutos de propaganda, que ocupe seu inevitável antro estatal sob a coordenação de alguém como Dilma ou Haddad e o escrutínio feroz que a mídia corporativa dedica às administrações que odeia. Com José Serra, a lambança talvez não tivesse freios nem controle. Basta ver os descalabros cotidianos em São Paulo, feudo histórico do malufoquercismo tucano.

Um efeito nefasto da maleabilidade pragmática é o espírito reacionário contaminar a plataforma vitoriosa nas urnas. Mas esse perigo não se restringe aos partidos menores, tampouco aos da direita tradicional. O excesso de fidelidade doutrinária progressista deveria rechaçar acordos com o PMDB, o PDT e o PSB, cujos líderes regionais vivem fazendo conchavos espúrios e propondo legislações execráveis. Um passeio pelo interior paulista daria bons motivos para Luiza Erundina trocar de partido.

Os ataques injustificados à candidatura Haddad evidenciam o medo que ela inspira naqueles que fingiam menosprezá-la. E não chega a surpreender o número de líderes e militantes de esquerda que pertencem a esse grupo.

No Guilherme Scalzilli
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A coerência de Erundina

30/06/2004 - 20h06

Erundina e Temer formam aliança para eleição em SP

Por Carmen Munari
SÃO PAULO (Reuters) - PMDB e PSB formalizaram nesta quarta-feira uma coligação para disputar a prefeitura de São Paulo com a desistência de Michel Temer, que ocupará o posto de vice na chapa da socialista Luiza Erundina. Apesar de pertencerem a partidos da base governista, os dois políticos prevêem críticas ao Executivo federal na campanha.
"É um gesto inovador, revolucionário e ousado do PMDB", disse a ex-prefeita, durante entrevista coletiva para anunciar a nova chapa. Erundina reiterou sua autocrítica de considerar um "equívoco" ter governado São Paulo entre 1989 e 1992 com um partido só, então o PT.
Temer admitiu que os resultados das últimas pesquisas de opinião influenciaram na formação da chapa, mas que, além disso, a decisão se deveu a um "consenso partidário". O acordo foi costurado por Orestes Quércia, presidente estadual do PMDB.
No Esquerdopata
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Dilma quer lançar logo plano de combate à homofobia

Por determinação do Palácio do Planalto, a Secretaria de Direitos Humanos acelerou os preparativos para o lançamento do 2.º Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais. Focado no combate à homofobia, o plano só deveria ser lançado em dezembro. Dias atrás, porém, o Palácio do Planalto comunicou à Secretaria que a presidente Dilma Rousseff decidiu adiantar para agosto.
Também ficou determinado que a ministra Maria do Rosário deve apresentar o primeiro esboço do plano a Dilma até meados de julho. A presidente quer saber, em detalhes, qual será o custo, quais as principais ações e o papel de cada um dos 18 ministérios envolvidos.
Não se sabe qual é a estratégia do Planalto. Combate à homofobia é tema polêmico e o lançamento do plano em agosto, em pleno debate eleitoral, pode servir de artilharia para setores que se opõem à concessão de amplos direitos civis à população LGBT. Eles podem usá-lo para atirar contra o PT, como fizeram na eleição presidencial em 2010.
Por outro lado, o anúncio adiantado do plano pode ser uma tentativa de amenizar as críticas que o governo vem recebendo dos gays. Na Marcha contra a Homofobia, no mês passado, em Brasília, o governo Dilma foi um dos alvos de ataques. Coincidência ou não, foi logo depois da marcha que Planalto mandou acelerar os preparativos.
Uma terceira hipótese para explicar a iniciativa do governo seria a esperança de que, no meio do debate sobre problemas municipais, o plano não desperte muita atenção.
As entidades de defesa dos direitos dos homossexuais têm manifestado preocupação com a crescente violência decorrente da homofobia. Assessores da ministra Maria do Rosário correm para apresentar a Dilma, na reunião de julho, números consistentes sobre o tema. Se conseguirem, será a primeira vez que se divulga alguma estatística oficial nesta área.
O 1.º Plano LGBT, preparado por uma comissão técnica interministerial, foi lançado em 2009, no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando a Secretaria de Direitos Humanas era chefiada por Paulo Vannuchi. Era uma continuidade do Programa Brasil Sem Homofobia, implantado em 2004, na gestão de Nilmário Miranda.
O texto de apresentação do 1.º Plano dizia que era uma iniciativa para “tratar a questão dos direitos humanos como verdadeira política de Estado, que ultrapassa barreiras partidárias e conjuga distintas filosofias e crenças para firmar como eixo fundamental a consolidação plena da democracia no País”. O objetivo, ainda segundo o texto, era implementar políticas públicas “com maior equidade e mais condizentes com o imperativo de eliminar discriminações, combater preconceitos e edificar uma consistente cultura de paz, buscando erradicar todos os tipos de violência.”
No Roldão Arruda
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Governo uruguaio planeja legalizar venda de maconha

Iniciativa prevê criação de um banco de dados com consumidores da droga
MONTEVIDÉU — A maconha poderá ser vendida e controlada pelo governo uruguaio e os consumidores cadastrados terão direito a comprar cerca de 40 cigarros por mês, de acordo com um novo projeto do Executivo que visa à regularização da droga. O objetivo é combater o consumo e o tráfico de cocaína — considerada pelas autoridades um dos maiores flagelos do país —, informou nesta terça-feira o jornal uruguaio “Subrayado”. A iniciativa ainda requer uma discussão e aprovação parlamentar.
A lei desenvolvida pelo presidente José Mujica, junto a ministros do gabinete de segurança e de um grupo interdisciplinar de técnicos, vai criar um registro de consumidores, que seriam devidamente identificados. Eles teriam acesso a uma quantidade de 40 cigarros de maconha mensais para consumo individual — limite estabelecido por médicos. A droga também passaria por controles de qualidade e rastreamento.
O preço dos cigarros controlados será acessível ao público, de acordo com o projeto, e conterá um imposto adicional destinado à reabilitação de viciados em drogas.
Ao ser perguntado sobre a legalização do cultivo de maconha para consumo próprio, durante uma entrevista em maio deste ano, Mujica disse que não era a favor da medida: “Não sou a favor, mas não tenho autoridade moral para impedir que se cultive, já que fumei tabaco por toda a minha vida. Vou passar uma imagem de velho conservador? Mas, como tudo na vida, é preciso haver limites”.
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A ética da idealista Erundina

Os idealistas, os éticos, esse pessoal da esquerda que almeja a revolução asséptica, sem suor nem sangue, sem a imundície e o fedor próprios do mundo real, têm agora a sua heroína de ocasião, a deputada Luiza Erundina, essa valente mulher nordestina e pobre, que recusou sair como candidata a vice-prefeita na chapa do petista Fernando Haddad por não querer a companhia, na campanha, do notório Paulo Maluf.
Todos os idealistas, todos os éticos, veem nesse gesto da deputada o suprassumo da conduta política, o auge de uma carreira imaculada em defesa dos princípios do socialismo, ideologia que exige de quem a segue uma conduta comparada à de uma Madre Teresa de Calcutá.
Por outro lado, os nossos idealistas e éticos, ao exaltar o ato de coragem, destemor e desprendimento da deputada, tratam de sepultar o PT na mesma vala infecta onde se enterraram todos os outros partidos políticos do país - à exceção, claro de agremiações nanicas também idealistas e éticas, que nem por isso deixam de se aliar, não raras vezes, aos mais radicais representantes do conservadorismo pátrio. À direitona, enfim.
Muitos desses ético-idealistas são jovens ainda. É a esses, principalmente, que gostaria de lembrar um fato ocorrido há 19 anos, quando o país era governado por um senhor chamado Itamar Franco, que chegou ao mais alto cargo da República por ter se arriscado numa aventura como vice na chapa encabeçada por um tal de Fernando Collor de Mello.
Pois bem, naquele tempo o PT era idealista e ético, como esses tantos indivíduos que hoje louvam a deputada Luiza Erundina.
O PT foi oposição radical a Collor e continuou sendo a Itamar. Não fazia concessões em seu oposicionismo. Era pau puro, porrada em cima de porrada, não admitia nada que estivesse um milímetro fora de sua cartilha idealista/ética/socialista.
Até que Itamar, raposa velha, resolveu um belo dia jogar a isca para ver se o tal do PT era mesmo tudo isso que dizia. E, como quem não quer nada, convidou Luiza Erundina, que havia acabado de deixar a prefeitura paulistana, para fazer parte de seu ministério.
Foi um deus nos acuda nas hostes do idealista e ético PT, que fechou questão: nenhum de nós vai aceitar ser ministro do governo Itamar, que nós tão fortemente combatemos.
Mas a idealista e ética Luiza Erundina topou o convite e deixou os seus companheiros idealistas e éticos do PT na mão. O partido até que foi bonzinho com ela e suspendeu a sua filiação por um ano por ter desrespeitado uma ordem da Executiva nacional - não a expulsou, como adoram dizer por aí.
Naquele tempo, me lembro muito bem, o PT foi acusado de tudo por ter proibido que um de seus mais importantes quadros integrasse o governo Itamar.
O resto da história é conhecido. Depois de usada pela direitona para mostrar o quanto intransigente e radical era o PT, a idealista e ética Luiza Erundina foi defenestrada do governo federal, acabou isolada no partido e se abrigou no PSB, onde, na verdade, é apenas uma figura decorativa que a direção apresenta para dizer que é, vamos lá, socialista.
Gozado, mas agora me veio à mente o velho e antiquado slogan de uma das mais veteranas empresas de mudanças do país: "O mundo gira e a Lusitana roda."
É isso, o mundo gira, a Lusitana roda, e a deputada Luiza Erundina, quem diria, continua a deixar os companheiros na estrada.
Mas como ela é idealista e ética, está absolvida de qualquer pecadilho que possa ter cometido em sua longa vida política.
No Crônicas do Motta
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Luiza Erundina: tudo por uma foto

Tenho um carinho histórico por Luiza Erundina.
Quando foi alvo de uma tentativa de golpe por parte do Tribunal de Contas do Município (TCM) devo ter sido o único jornalista a sair em sua defesa. Tinha o programa Dinheiro Vivo, na TV Gazeta, de público majoritariamente empresarial. Externei minha indignação que teve ter tido algum peso na decisão do presidente da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) Mário Amato, de visitá-la com uma comitiva de empresários, hipotecando-lhe solidariedade.
Defendia-a também quando operadores do PT criaram o caso Lubeca. E, recentemente, o Blog conduziu uma campanha de arrecadação de fundos, para ajudar Erundina a pagar uma condenação injusta dos tempos em que foi prefeita.
Sempre admirei sua luta pelos movimentos sociais, das quais sou periodicamente informado por irmãs lutadoras.
Por tudo isso, digo sem pestanejar: ao pedir demissão da candidatura de vice-prefeita de Fernando Haddad, Erundina errou, pensou só em si, não nas suas bandeiras políticas nem nos seus movimentos sociais. Foi terrivelmente individualista.
À luz das entrevistas que concedeu ontem, constata-se que os motivos foram fúteis. Estava informada da aliança do PT com Paulo Maluf; chocou-se com a foto de Lula e Haddad com ele. Foi a foto, não a aliança, que a chocou.
A foto tem uma simbologia negativa, de fato. Aqui mesmo critiquei o lance. Mas apenas simbologia. Não se tenha dúvida de que, eleito Haddad, Erundina seria a vice-prefeita plena para a periferia, seria os movimentos sociais assumindo uma função relevante na administração municipal.
No entanto, Erundina abdicou dessa missão, abriu mão de suas responsabilidades em relação aos movimentos sociais, devido ao simbolismo de uma foto. Ela sabia que, eleito Haddad, seria mínima a participação do malufismo na gestão da prefeitura; seria máxima a intervenção de Erundina nas políticas sociais.
Poderia ter dado uma entrevista distinguindo essas posições, externando sua repulsa do malufismo, mas ressaltando a diferença de poder entre ambos.
Mas Erundina se sentiu preterida, não por Haddad, mas por Lula, que deixou-se fotografar com Maluf e não com Erundina.
Seu gesto foi para punir Lula, pouco importando o quanto prejudicaria seus próprios seguidores, os movimentos sociais. Ela abriu mão de um cargo que não era seu, mas de seus representados, para punir Lula.
E quem ela procura para a retaliação? Justamente os órgãos de imprensa que mais criminalizam os movimentos sociais, que tratam questão social como caso de polícia. Coloca a bala no revólver e o entrega à revista Veja. A quem ela fortaleceu? Ao herdeiro direto do malufismo na repulsa aos movimentos sociais: Serra.
Saiu bem na foto da mídia, melhor do que Lula com Maluf, mas a um preço muito superior. E quem vai pagar a conta são os movimentos sociais, pelo fato de sua líder ter abdicado de um cargo que a eles pertencia.
Luis Nassif
No Advivo
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Vaticano investiga vídeo de bispo com empresária

Vaticano investiga vídeo de bispo com empresária
Fotografia © DR
Um bispo argentino, presidente da Cáritas para a América Latina, está a ser investigado pela Santa Sé depois de terem sido divulgadas imagens suas em atitude carinhosa com uma mulher, durante umas férias à beira-mar no México. O sacerdote diz tratar-se de uma amiga de infância.
O Vaticano abriu uma investigação para apurar o que se passou e tomar medidas contra o bispo Fernando Maria Bargalló, 59 anos, depois de terem sido divulgadas estas imagens em que aparece abraçado a uma mulher dentro de água.
 
O vídeo foi divulgado em vários meios de comunicação argentinos e remonta a janeiro de 2011, segundo o diário espanhol El País. O sacerdote já reconheceu ao canal de televisão A24 a "imprudência" do seu comportamento e a "ambiguidade" do vídeo, mas garante tratar-se uma amiga de uma infância. A polêmica em torno das atitudes carinhosas do bispo para com a mulher, uma empresária gastronômica dona de vários restaurantes em Buenos Aires, segundo o "La Nación", levantou outra questão: quem pagou a estadia do bispo no complexo turístico de luxo em Puerto Vallarta. As consequências da divulgação das imagens, que chegaram  ao Vaticano pelo núncio apostólico Emil Paul Tschering, podem ir até à obrigação de renúncia ao cargo.
No DN
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Charge online - Bessinha - # 1310

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Boas e Más Notícias

A recente pesquisa do Datafolha sobre a sucessão em São Paulo trouxe boas notícias para alguns candidatos e más para outros.
Os trabalhos de campo aconteceram na quarta e quinta feira passadas, em um momento de pequeno significado político. Não são usuais os levantamentos na metade de junho, fase em que - especialmente nas grandes cidades - as campanhas estão absortas em movimentos internos, de composição de chapas e articulação de coligações.
Para o eleitorado, nada dizem.
Só no final do mês - quando termina o prazo para as convenções e se delineia o quadro definitivo -, surgem novidades. É lá que, tradicionalmente, as pesquisas são retomadas.
O Datafolha, por exemplo, nem em 2004 ou 2008 fez pesquisas em meados de junho. Deve ter tido razões para realizar essa agora.
Os números são particularmente ruins para Serra. Mostram que o tucano estacionou nos 30%, posição incômoda para quem tem 100% de conhecimento e precisa crescer.
E não foi por falta de mídia simpática que empacou.
O tamanho do problema que enfrenta pode ser avaliado comparando sua performance à de candidatos parecidos: ex-governadores que concorrem - ou que parecia que concorreriam - à prefeitura das capitais.
Nas pesquisas dos últimos meses, chegamos a ter sete com esse perfil.
Eduardo Braga (PMDB), Paulo Hartung (PMDB), João Alves (DEM) e Ronaldo Lessa (PDT) são os mais semelhantes a ele: além de governadores, foram prefeitos - respectivamente de Manaus, Vitória, Aracaju e Maceió.
Em nenhuma pesquisa, os três primeiros tiveram menos que 45% (mas Hartung já avisou que não disputará este ano).
Lessa está aquém, embora melhor que o paulista. José Maranhão (PMDB), em João Pessoa, igual - ainda que enfrente um prefeito bem avaliado. Serra só superava Almir Gabriel (PTB), que aparecia tão mal que desistiu da prefeitura de Belém.
É pouco para quem foi tudo na política da cidade e do estado - e acabou de ser candidato à presidência da República.
O cenário se torna mais preocupante se considerarmos que seus possíveis adversários têm todos biografias menos completas - nenhum ocupou cargo executivo, nenhum tem sua visibilidade. Para ele, deveria ser uma briga fácil.
Os 30% que obteve estão desconfortavelmente próximos dos 21% do segundo lugar, Celso Russomano - hoje em um partido de pequena expressão, o PRB, e sem mandato (e que, no levantamento anterior, estava com 19%).
Em terceiro lugar, há um empate quíntuplo: Fernando Haddad (PT), Soninha (PPS), Netinho de Paula (PCdoB), Gabriel Chalita (PMDB) e Paulinho da Força (PDT) têm entre 8% e 5%. Todos variaram dentro da margem de erro em relação à última pesquisa.
O único que melhorou foi o candidato do PT. De 3%, foi a 8%.
É pouco, mas é um desempenho razoável - para quem é “muito bem” conhecido por apenas 9% dos entrevistados e “um pouco” por 19%. Em outras palavras, para quem pode crescer na grande maioria do eleitorado, os 72% que o conhecem “só de ouvir (falar)” ou que sequer sabem quem é.
Com perspectiva semelhante, apenas Gabriel Chalita - conhecido por 32%. Os outros - de partidos minimamente competitivos - estão bem acima: Russomano por 71%, Netinho por 82%, Soninha por 60%, e Paulinho por 71%.
Quando a propaganda eleitoral começar, tudo pode mudar. A pergunta é que benefício trará a Serra - que está em sua oitava eleição majoritária - e aos demais candidatos que a população cansa de saber quem são.
A pesquisa não revelou nenhuma grande alteração no cenário. Mas tanto a estabilidade, quanto as pequenas mudanças foram negativas para o candidato do PSDB.
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
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Sarneylândia

Estes dias estava em São Luís e decidi correr um pouco pelas ruas da cidade. Seria mais uma batalha na luta contra meu próprio abdômen, que teima em não parar de crescer.
Mal dei meus primeiros passos e vi que pisava na avenida Presidente José Sarney. Para me livrar dos maus fluidos, entrei numa grande ponte que há por lá. Só então percebi que ela se chamava Governador José Sarney.
Uma mesma pessoa dando nome a dois logradouros? Seria um engano de placas? Quando voltei ao hotel, consultei o mapa da cidade e vi que, além do presidente e do governador, também o Senador José Sarney fora agraciado com o nome de uma avenida.
Decidi dar uma olhada na lista telefônica para verificar se havia outras homenagens. E havia. No total, a cidade tem uma ponte, três avenidas, duas ruas e uma travessa batizadas com o nome, digamos, artístico de José Ribamar Ferreira de Araújo Costa.
Trata-se de uma falta de classe inclassificável. Dar nome de vivos para ruas já é grosseria. Mas fazer isso várias vezes é de um mau gosto feroz, de uma breguice inacreditável. Um membro da Academia Brasileira de Letras deveria ter mais senso estético. Ou de ridículo.
Porém, virando as páginas da lista telefônica, percebi que José não era o único Sarney saudado pelos nobres edis. Havia também três ruas e uma travessa Marly Sarney, quatro ruas Sarney Filho, uma rua para o modesto Fernando Sarney e uma rua e uma travessa para Roseana.
Decidi dar uma busca na internet para ver se havia mais coisas com nomes Sarney pela cidade. E vi que o pobre ludovicense não tem como escapar. Ele nasce na maternidade Marly Sarney e depois vai estudar na escola Sarney Neto, ou na Roseana Sarney, talvez na Fernando Sarney, possivelmente na Marly Sarney ou, é claro, na José Sarney.
Para morar, pode escolher entre as vilas Sarney, Sarney Filho, Kyola Sarney (progenitora do ex-presidente) ou Roseana Sarney. Se passar mal, pode correr ao posto de saúde Marly Sarney. E, se sentir fome de saber, sempre há a Biblioteca José Sarney.
A oligarquia deixou seu nome por toda a cidade, assim como um fazendeiro marca seu gado com ferro em brasa.
Se o cidadão ficar indignado, há duas saídas: uma é a rodoviária Kyola Sarney. A outra é reclamar no fórum José Sarney, onde há a sala de imprensa Marly Sarney e a sala de defensoria pública Kyola Sarney.
Até pouco tempo atrás, o próprio tribunal de contas chamava-se Roseana Murad Sarney, numa clara demonstração de que não seria lá muito isento. Mas houve protesto e o nome foi retirado.
Aliás, o clã vem sofrendo derrotas. O próprio Sarney não se elegeu senador pelo Maranhão, mas pelo Amapá.
Hoje, depois de 46 anos de domínio sarneysístico, o IDH (índice de desenvolvimento humano) do Maranhão é o segundo pior do Brasil. E o de São Luís, que alguns moradores bem-humorados chamam de Sarneylândia, está em vigésimo-primeiro lugar entre as capitais.
Os nomes dos culpados estão espalhados pela cidade.
José Roberto Torero é formado em Letras e Jornalismo pela USP, publicou 24 livros, entre eles O Chalaça (Prêmio Jabuti e Livro do ano em 1995), Pequenos Amores (Prêmio Jabuti 2004) e, mais recentemente, O Evangelho de Barrabás. É colunista de futebol na Folha de S.Paulo desde 1998. Escreveu também para o Jornal da Tarde e para a revista Placar. Dirigiu alguns curtas-metragens e o longa Como fazer um filme de amor. É roteirista de cinema e tevê, onde por oito anos escreveu o Retrato Falado.
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