16 de jun de 2012

Como o deputado Miro analisaria o advogado Miro

A grande dificuldade dos Catões é que precisam ter uma vida pública irrepreensível, caso contrário tornam-se vítimas das fogueiras que acendem.
Historicamente, o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) é um grande Catão. Foi o primeiro a trazer à baila a suspeita do encontro, na Alemanha, do Ministro Gilmar Mendes com o senador Demóstenes Torres e o bicheiro Carlinhos Cachoeira.
Depois, lançou a sombra da suspeição sobre todos os membros da CPI, ao insinuar que estava dominada por uma "tropa do cheque". Toda essa insinuação se baseou em um encontro, em Paris, de dois parlamentares com o presidente da Delta Construções - até então, uma das maiores empreiteiras do país. Pode ser que o encontro tenha sido fortuito, pode ser que para acertos. Mas o deputado, fiel às suas raízes jornalísticas, atirou primeiro e não perguntou.
Agora, revela-se que o advogado Miro Teixeira tem 200 cotas do escritório de advocacia Eduardo Ferrão (clique aqui, do Blog Amigos do Presidente Lula).
Como é de praxe, com os os Catões, a revelação sobre as atividades do advogado Miro Teixeira certamente despertaria no deputado Miro Teixeira suspeitas muito mais profundas do que um mero jantar em Paris entre figuras públicas.
Vamos às dúvidas suscitadas pela informação.
1. O fato de ter apenas 200 cotas do escritório não o absolve, pelo contrário: mostra-o como um colaborador eventual. No modelo dos escritórios de advocacia, o pagamento aos sócios independe de sua participação no capital total do escritório. As poucas cotas revelam que Miro era um colaborador para trabalhos específicos.
2. O escritório é um dos mais ativos participantes em dois dos maiores mercados advocatícios do país: demandas empresariais e escândalos federais. Disputa as maiores contas com Márcio Thomaz Bastos, Luiz Antonio Oliveira Lima e Kakai, entre poucos outros.
3. Miro não tem notável saber jurídico. Mas detem influência sobre os dois principais vetores de escandalização: as CPIs e a imprensa. Nas CPIs, participando praticamente de todas dos anos 90 para cá. Na imprensa, defendendo ideias caras à velha mídia: como a de que o direito de resposta compromete a liberdade de imprensa e a publicação de documentos secretos ou obtidos de forma criminosa é um direito do jornalista e um problema da fonte. Foi autor da iniciativa que acabou com a Lei de Imprensa e o principal guerreiro da Abril para evitar a CPI da TV A. Se houvesse um leilão para avaliar o político que todo escritório de advocacia especializado em escândalos brasilienses gostaria de ter, Miro seria o campeão.
Teoricamente (enfatizo: teoricamente) um deputado com esse poder de fogo poderia atuar das seguintes maneiras na área advocatícia:
1. Atacando grandes contas de suspeitos que não aceitassem contratar o escritório de advocacia ao qual o Catão é ligado. Como o implacável Miro poderia se voltar contra clientes do escritório do qual é sócio?
2. Sendo contratado pelo escritório depois de ter prejudicado alguns casos com suas catilinárias. O famoso cala-boca.
3. Atuando junto à mídia para desviar o foco do cliente do escritório ou para abrandar o fogo das acusações; e junto às CPIs para trazer informações relevantes ou desviar o foco.
Se o deputado Miro Teixeira fosse incumbido de analisar o papel do advogado Miro Teixeira, quais seriam as suspeitas? Enfatizo: apenas suspeitas que precisam ser investigadas, não sentenças definitivas. Mas, repito, se o episódio fosse submetido à leveza com que o deputado Miro ataca reputações alheias (independentemente de serem ou não virtuosas), haveria as seguintes suspeitas:
1. Está claro que o alvo de suas ações é a Delta Engenharia. É uma boa batalha política: todos estamos curiosos em saber a extensão da atuação da Delta. Mas, por outro lado é o bolo mais disputado pelos grandes escritórios de advocacia, o maior pacote advocatício da República dos escândalos desde o caso Opportunity. Pergunta: o escritório Ferrão atua em alguma ponta? Tentou se aproximar da Delta e foi rechaçado? Qual o quinhão do bolo com que o escritório foi contemplado, se é que foi?
2. O escritório Ferrão foi defensor de Fernando Sarney em um episódio que começou em 2008. O deputado Miro Teixeira foi um dos mais férreos denunciadores de Fernando Sarney. Na época, Miro já era sócio do escritório ou a sociedade foi celebrada depois apenas?
3. Quais os pagamentos efetuados até agora pelo escritório a Miro Teixeira, e referentes a quais trabalhos? São questões mais cabulosas do que meros encontros em Paris, convenhamos, na certeza de que o deputado Miro Teixeira terá elementos concretos para absolver o advogado Miro de todas as suspeitas.
Luis Nassif
No Advivo
Leia Mais ►

Bolsa Família: a Globo tem um problema com os pobres

O jornal o Globo tem um problema com os pobres: é contra.
E, por definição, é contra o Bolsa Família, como demonstra o editorial deste sábado.
(Ainda não se sabe de nenhum ataque frontal do Globo ao programa “Brasil sem Miséria”, mas logo virá.)
A Rede Globo tem como seu Cardeal Ratzinger um Gilberto Freire (com “i” mesmo – leia o “Em tempo”), um dos mais fervorosos adversários do Bolsa Familia.
Por exemplo: neste inesquecível artigo, de 2008, Kamel antecipa o editorial deste sábado: o Bolsa Familia vai promover o congelamento ártico da mobilidade social: filho de pobre pobre será, sempre !
Agora, no blog do Nassif, o Marco Antonio, do Blog Amigos do Presidente Lula, desmonta a “reportagem” do Globo que deu origem ao editorial e a “reportagem” do jornal nacional.
Não adianta: pobre não é o forte do pessoal.
Pobre, para a Globo, só o pessoal do bairrro do Divino: pobre que fica rico.
Em tempo: A propósito do clássico da literatura antropologica nacional, “Não, não somos racistas”, de Ali Kamel, amigo navegante pernambucano lembrou da seguinte anedota. Conta-se que, em Apipucos, um dia, D. Madalena virou-se para o marido e disse: Gilberto, essa carta está aí, em cima da tua mesa há um mês e você nem abre nem joga no lixo. Respondeu o Mestre de Apipucos: Madalena, querida, não posso abrir. É para um Gilberto Freire com “i”. Não sou eu.
Paulo Henrique Amorim
Leia Mais ►

Charge online - Bessinha - # 1303

Leia Mais ►

Charge online - Bessinha - # 1302

Leia Mais ►

Em que mundo Tourinho Neto vive?

Para desembargador, Cachoeira não é mais socialmente perigoso e merece liberdade.
Como todo acadêmico de Direito sabe, uma organização criminosa de matriz mafioso, como a operada por Carlinhos Cachoeira, é constituída por prazo indeterminado. Quando a organização se infiltra no poder do Estado, e está o senador Demóstenes Torres e deputados a confirmar, ela ganha força, musculatura, ao seu chefão recuperar a liberdade.
Para o desembargador Tourinho Neto, o “capo” Cachoeira já não é mais perigoso socialmente pois seu negócio, com relação à exploração ilícita de jogos eletrônicos de azar, já foi fechado. Ele, evidentemente, não lembrou da lavagem de dinheiro, da cooptação de políticos e de Cachoeira explorar, além da jogatina, outras atividades ilegais, com a construtora Delta de ponta-de-lança.
Tourinho ainda não percebeu que Cachoeira comanda “um holding criminal”. Apesar de todo o noticiário e do revelado em conversas interceptadas, Tourinho continua míope e, pela visão curta, enxerga apenas a atividade da jogatina eletrônica.
Já na terça feira passada, ao votar pela anulação das provas da Operação Monte Carlo e soltura imediata de Cachoeira, o desembargador Tourinho Neto surpreendeu. Para ele, as interceptações telefônicas eram ilegais pois os motivos apresentados pelos policiais não eram suficientes para o deferimento.
Os motivos era tão insuficientes, data vênia, que serviram para revelar, à sociedade civil brasileira, um mega-escândalo. Tem até governador sob suspeita.
Pano Rápido. Têmis, a deusa da Justiça, acaba de perder a cabeça, como na charge do Bessinha e uma pergunta fica no ar: Em que mundo Tourinho Neto vive ?????
Wálter Fanganiello Maierovitch
No Sem Fronteiras
Leia Mais ►

Justiça nega liberdade a Carlinhos Cachoeira

Direito? Thomaz Bastos defende Cachoeira por módicos
15 milhões de reais.
Foto: Dida Sampaio/AE
O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) negou neste sábado 16 o pedido de liberdade de Carlos Augusto de Almeida Ramos, o bicheiro Carlinhos Cachoeira. A decisão do desembargador Sérgio Bittencourt, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, mantém o contraventor no complexo penitenciário da Papuda, em Brasília. Ontem, o desembargador Tourinho Neto, do TRF-1, concedeu um habeas corpus a Cachoeira pela investigação da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal. O pedido negado vem, porém, da Operação Saint-Michel, da PF e da Polícia Civil, sobre uma suposta tentativa do grupo do contraventor de fraudar licitações de bilhetes eletrônicos no sistema de transportes na capital federal e cidades do entorno.
O contraventor está preso preventivamente há 108 dias – parte deste tempo em um presídio de segurança máxima no Rio Grande do Norte. Enquanto Cachoeira é alvo de uma CPI no Congresso que investiga sua relação com parlamentares e empresas, seus colaboradores próximos Idalberto Matias, o Dadá, o ex-diretor da Delta no Centro-Oeste, Cláudio Abreu, e o ex-vereador de Goiânia Wladimir Garcez conseguiram habeas corpus recentemente.

Habeas corpus na Operação Monte Carlo

Na sexta-feira 15, a defesa de Cachoeira se aproveitou de um pedido de liberdade impetrado pelos advogados de José Olímpio de Queiroga Neto, um dos integrantes do grupo do bicheiro libertado na quarta-feira 13, e pediu a extensão do benefício a Cachoeira. Tourinho Neto aceitou o pedido dizendo que “excepcionalidade da prisão [preventiva] já pode ser afastada”. “A poeira assentou”, escreveu o magistrado em sua decisão. Tourinho Neto disse que a prisão preventiva foi solicitada porque havia muitos envolvidos nos esquemas de delitos, como delegados da Polícia Federal, Polícia Civil e integrantes da Polícia Militar, além da influência do bicheiro na nomeação de pessoas para cargos públicos no governo de Goiás – entre outros crimes -, mas esse cenário mudou.
Segundo Neto, a organização criminosa de Cachoeira foi desbaratada, as máquinas de jogo apreendidas e os políticos que dele dependiam para sua eleição “não querem saber dele como se tratasse de um leproso de séculos passados”. Assim, não haveria mais motivos para manter sua prisão, até porque o contraventor, de acordo com o juiz, não poderá mais abrir casas de jogos. “Só se for daqui a alguns anos, quando os atuais fatos já tiverem sido esquecidos.” Ele ainda ressalta que os jogos ilícitos não são crime, mas uma contravenção. Além disso, prossegue, muitas setores da sociedade defenderiam a liberação de jogos de azar.

Segundo voto a favor de Cachoeira

Neto já havia votado na terça-feira 12 pela anulação das escutas telefônicas realizadas pela Polícia Federal na operação Monte Carlo, em uma ação impetrada também pela defesa de Cachoeira. O desembargador, um dos três magistrados da terceira turma do TRF1, que analisa o caso, aceitou a argumentação dos advogados do bicheiro – chefiada pelo ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos – de que a ordem dada por um juiz da 11ª Vara da Seção Judiciária de Goiás para que a PF realizasse as escutas não poderia ter sido tomada, pois seriam necessários outros indícios de autoria dos crimes além dos expostos no pedido.
O processo parou por conta de um pedido de vista do também desembargador Cândido Ribeiro e não tem prazo para ser retomado, mas se Ribeiro ou o juiz federal Marcos Augusto de Sousa, que completa a terceira turma do TRF1, acompanharem o voto de Tourinho, a interceptação telefônica contra Cachoeira será declarada nula e as provas dela derivadas, ilegais. A decisão, se confirmada, significará o enfraquecimento de toda a acusação que pesa contra ele. Uma vez consideradas ilegais, as escutas serão retiradas dos autos.

Acusação

Cachoeira é acusado, entre outras coisas, de comandar a exploração de jogos ilegais em Goiás pela Operação Monte Carlo da Polícia Federal, praticar corrupção ativa de funcionários públicos, lavar dinheiro por meio de empresas fantasmas e fraudar licitações para que a Delta Construção fosse beneficiada com contratos públicos.
Leia Mais ►

A revista Veja mente, diz prefeito de Curitiba

Segue nota oficial do prefeito Luciano Ducci sobre reportagem da revista Veja:

Nota pública de esclarecimento:

Luciano Ducci (PSB).
A reportagem da revista Veja é profundamente injusta, difamatória e infundada. Não há qualquer irregularidade na evolução patrimonial do prefeito Luciano Ducci e de sua família, como pretende insinuar nota publicada pela revista. Todos os recursos e bens declarados têm origem comprovada junto à Receita Federal. A suposta notícia de que o Ministério Público abriria investigação sobre a referida variação patrimonial carece de fundamento fático. O Ministério Público não iniciou, até o momento, qualquer procedimento a respeito.
Para provar que não tem nada a esconder, o prefeito Luciano Ducci vai nesta segunda-feira ao Ministério Público para entregar as declarações de Imposto de Renda dos últimos cinco anos e se colocar à disposição do procurador geral Gilberto Giacóia para qualquer esclarecimento que se fizer necessário.
Todos os bens declarados no Imposto de Renda do prefeito Luciano Ducci e de sua família têm origem e estão registrados, assim como a origem de todos os recursos.
A referida reportagem carece de credibilidade, na medida em que ignora os documentos oficiais sobre o patrimônio e a sua evolução. A revista Veja foi “usada” por fonte mal-informada e evidentemente determinada a fabricar um falso escândalo.
As duas fazendas mencionadas pela Veja, na verdade são cinco fazendas situadas no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná, e pertencem a Marry Dal Prá Ducci, recebidas, em sua origem, em herança ou adquiridas e registradas legalmente pela mulher e pelos filhos do prefeito.
No que se refere ao “apartamento de cobertura no Batel”, no qual, segundo a Veja, residiria o prefeito Luciano Ducci, mais uma vez a informação é falsa. O prefeito e sua família vivem, desde 2007, no 5º andar do edifício Le Mirage e não na cobertura. O referido apartamento foi adquirido com recursos da família, como está registrado nas declarações de Imposto de Renda do prefeito e de sua família.
Em relação ao sr. Cícero Paulino, citado pela Veja como capataz das fazendas da família do prefeito, trata-se de contador com MBA em administração pública, que presta serviços profissionais a diversas empresas. Em maio de 2010, foi nomeado funcionário em cargo em comissão na Prefeitura de Curitiba, lotado no gabinete do então vice-prefeito.
Em janeiro de 2012, Cícero Paulino foi desligado de sua função na Prefeitura de Curitiba. Durante todo o período em que prestou serviços à Prefeitura, não houve sobreposição entre função pública e atividade privada.
Curitiba, 16 de junho de 2012.

Luciano Ducci
Prefeito de Curitiba
No Blog do Esmael
Leia Mais ►

Charge online - Bessinha - # 1301

Leia Mais ►

Ideologia & política: relendo Hannah Arendt

Hannah Arendt
Sempre que a retórica neoliberal e neoconservadora, cujo discurso ideológico, velado ou explícito, onipresente em todas as mídias, se torna demasiado absurda, cruel, intragável, esta colunista se “refugia” politicamente nas palavras e no pensamento de Hannah Arendt (1906-1975), esta pensadora política e humanista magistral, discípula de Karl Jaspers e Martin Heidegger, dos quais herdou a tradição culturalista alemã.
Arendt não usa nenhuma retórica, objetivamente vai logo ao ponto, revelando impiedosamente a face horrível das classes dominantes. Aliás, ela é especialmente precisa, quase cruel, ao se reportar ao filósofo inglês Thomas Hobbes (1588-1679), que considera o verdadeiro ideólogo não-reconhecido da burguesia (os atuais neocon e neoliberais). Diz ela: ”É importante observar que os modernos adeptos da força estão de acordo com a filosofia do único grande pensador que jamais tentou derivar o bem público a partir do interesse privado e que, em benefício deste bem privado, concebeu uma comunidade de estados cuja base e objetivo final é o acúmulo de poder”.
A doutrina de Hobbes é exposta com tanta crueza, que não admira que os ricos burgueses lhe tivessem horror: a imagem que projetava deles no espelho era monstruosa!
Segundo Hobbes, via Arendt, esse processo de acúmulo de poder, necessário à proteção de um constante acúmulo de capital, criou a ideologia “progressista” no final do século 19, prenunciando o surgimento do imperialismo (leia-se hoje “globalização”). A compreensão de que o acúmulo de poder era o único modo de garantir a estabilidade das chamadas leis econômicas, tornou irresistível o progresso. A noção de progresso do século 18, tal como concebido na França, pretendia que a crítica do passado fosse um meio de domínio do presente e de controle do futuro. Mas essa noção bem pouco ou nada teve em comum com a infindável evolução da sociedade burguesa, que não apenas desejava a liberdade e a autonomia do homem, mas estava pronta a sacrificar tudo e todos a leis históricas supostamente supra-humanas.
Como nas terríveis palavras de Walter Benjamin: “O que chamamos de progresso é o vento que impele o anjo da História irresistivelmente para o futuro, ao qual ele vira as costas enquanto o monte de ruínas diante de si se ergue até os céus”. Somente no sonho de Marx – de uma sociedade sem classes que faria a humanidade despertar do pesadelo da História – é que surge um último vestígio, infelizmente utópico, do século 18.
“O empresário de mentalidade imperialista, a quem as estrelas aborreciam porque não podia anexá-las”, comenta Arendt, (lembram-se de Donald Rumsfeld, secretário de Defesa do governo Bush, que teria adorado privatizar o Sol?) “sabia que o poder organizado como finalidade em si geraria mais poder”, isto é, com força bastante para expandir-se além das fronteiras do Estado-Nação. E tal processo não poderia ser brecado, tampouco estabilizar-se, sem provocar catástrofes destruidoras.
Reiterando: embora nunca reconhecido, Hobbes foi o verdadeiro filósofo da burguesia, porque compreendeu que a aquisição de riqueza, idealizada como um processo sem fim, só pode ser garantida pela tomada do poder político, pois o processo de acumulação violará, cedo ou tarde, todos os limites territoriais existentes. Previu que uma sociedade, que havia escolhido o caminho da aquisição contínua, tinha que engendrar uma política dinâmica, um processo contínuo de geração de poder. E pode esboçar tanto os principais traços psicológicos do novo tipo de homem que se encaixaria nessa sociedade, quanto a tirania de sua estrutura política.
Hobbes previu que tal homem ficaria lisonjeado ao ser chamado “animal sedento de poder”, embora a sociedade o forçasse a renunciar a todas as forças naturais, suas virtudes e seus vícios, e fizesse dele o pobre sujeitinho manso que não tem sequer o direito de se erguer contra a tirania e que, longe de lutar pelo poder, submete-se a qualquer governo existente e não move um dedo nem mesmo quando seu melhor amigo cai vítima duma razão de estado incompreensível.
Assim, uma comunidade baseada no poder acumulado e monopolizado de todos os seus membros individuais, torna a todos necessariamente impotentes, privados de suas capacidades naturais e humanas. Degrada o indivíduo à condição de peça insignificante na máquina de acumular poder, máquina construída de forma a ser capaz de devorar o mundo.
O objetivo final de destruição dessa comunidade é indicado na interpretação filosófica da igualdade humana como “igual capacidade de matar um ao outro”!Vivendo com as outras nações “numa condição de guerra perpétua”, não tem outra lei de conduta senão “a que melhor leve ao seu benefício”, e gradualmente devorará as estruturas mais fracas até que chegue a uma última guerra “que dê a todos os homens a vitória ou a morte”.
Com “vitória ou morte” (traduzindo em tempos atuais, “vencer ou vencer”), o Leviatã, segundo Hobbes, pode suplantar todas as limitações políticas provenientes da existência de outros povos e envolver toda a terra em sua tirania. Mas quando vier a última guerra e todos os homens tiverem recebido seu quinhão, nenhuma paz final terá sido estabelecida no planeta: a máquina de acumular poder, sem a qual a expansão contínua seria impossível, precisará de novo material para devorá-lo em seu infindável processo.
E Arendt conclui: “Se o último Estado vitorioso não puder anexar os planetas, então passará a devorar-se a si mesmo, para começar novamente o infinito processo de geração de poder”.
(1) In Arendt, Hannah, As origens do totalitarismo II: imperialismo, a expansão do poder, uma análise dialética. Rio, Editora Documentário, 1976
Márcia Denser
No Congresso em Foco
Leia Mais ►

Espetáculo!

 Republicando post de 7 de agosto de 2010 

Experimente assistir em full screen.
Leia Mais ►

TV NBR agora também no Facebook

Presente em importantes mídias sociais, agora a TV NBR está na rede social Facebook com a cobertura completa e conteúdos especiais da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. TV NBR, participe dessa comunidade. Para acompanhar a página no Facebook, acesse www.facebook.com/tvnbr e clique no botão "curtir".
Leia Mais ►

Alberto Sordi e a mídia nativa

Quem liga para isso? Gilmar pode fazer
o que bem entende
Lembrei-me de um filme de Alberto Sordi, tempos de comédia à italiana. Não recordo o título, mas de uma sequência a seu modo antológica. A mulher sai de viagem e o marido, Sordi, decide convocar a amante em domicílio. Golpe de cena. A dona da casa antecipa o retorno sem pré-aviso e encontra os dois na cama que supunha ser da sua frequentação exclusiva.
Tragédia? Os gritos da legítima chegam ao céu enquanto Sordi e a clandestina, impassíveis, erguem-se do tálamo e com extrema precisão nos gestos, e sem apressar o ritmo, retomam seus trajes e os envergam um a um. Enfim vestida, a amante sai do quarto de passo altaneiro. A esposa traída continua aos berros e Sordi pergunta, pacato: “Mas que aconteceu?” “Sem-vergonha – uiva a mulher –, você ousa trazer a amante para a nossa casa.” “Mas que amante? Nunca tive amante…” “Estava com você, na cama, seu desgraçado!” “Quem? Como? Cadê a senhora em questão? Ora, este quarto está exatamente como você o deixou. Você inventa, sofre de miragens, sonha de olhos abertos, deve estar doente…”
Veio a lembrança por causa da semelhança entre o comportamento de Sordi e aquele da mídia nativa, a despeito de uma diferença flagrante: o ator suscita a risada, mas a personagem é obviamente paradoxal, a mídia nativa atua no mundo real e não faz rir. Além disso, não se parecem a plateia verde-amarela e a mulher traída. Quem pretende saber das coisas exclusivamente por meio dos jornalões, do Jornal Nacional e emissoras de rádio e tevê assemelhadas, não terá motivo algum para protestar, acreditará nas verdades do jornalismo pátrio.
Sordi interpreta uma ficção farsesca. Já uma fatia de brasileiros vive uma farsa sem dar-se conta, presa da convicção da mídia de que tudo quanto não noticia simplesmente não aconteceu. E isto sim deixa de ser farsa para ganhar foros no mínimo de drama. Leio que mídia e diversão movimentaram no Brasil 1,6 trilhão de dólares no ano passado, o que, nesta classificação, coloca o País em nono lugar no mundo. O número impressiona. Induz, porém, a uma consideração inescapável: parte deste rio de dinheiro não é gasto para o bem da Nação.
Ocorre-me um exemplo recente, vamos intitulá-lo “O incrível Caso Gilmar Mendes”. Há três semanas as gravíssimas acusações dirigidas pelo ministro do Supremo contra o ex-presidente Lula tomaram conta do noticiário e contaram com manchetes retumbantes. Tratava-se, segundo a mídia nativa, de um dos maiores escândalos da história da República desde que à palavra de Mendes foi dado crédito absoluto antes mesmo de uma apuração superficial. O acusador, rapidamente, soçobrou em suas próprias contradições e sobre o naufrágio o silêncio se fechou para relegar ao esquecimento uma crise que, de acordo com a profecia midiática, haveria de comprometer o futuro do governo e do País. Se quiserem os críticos mais olímpicos, “O incrível Caso Gilmar Mendes” comprova apenas que nenhuma bala é perdida.
A suspeição de Gilmar Mendes no julgamento do chamado mensalão é evidente até na percepção do mundo mineral. Caluda, no entanto, e não se fale mais nisso. Assunto enterrado, e não é como a cabeça do avestruz, mesmo porque a minoria privilegiada cai alegremente no engodo sem atentar para o engano. Agora, observem. Na edição da semana passada de CartaCapital o repórter Leandro Fortes revela algumas grandes mazelas do professor Gilmar, contraventor como sócio de um instituto de ensino na qualidade de magistrado e acusado de falcatruas por outro que lhe seguiu as pegadas. A questão é séria e formulada com a devida solidez. Em outro país democrático e civilizado, e em circunstâncias análogas, a mídia iria atrás. Repercutiria, como se diz. Aqui, silêncio abissal.
Eis um trivial, como arroz e feijão. Disse, e me arrependo, infelizmente o arroz e o feijão já eram, soou a hora sinistra das fritas com ketchup e dos Big Macs. Eis o clássico atual que se presta à comparação. A mídia nativa só oferece eco imediato às denúncias de quem pensa igual, independentemente da consistência da denúncia. Assim há de ser, a demonstrar que o fato não se deu se não for noticiado pelos eleitos. Donde, omissão absoluta em relação à reportagem de Leandro Fortes.
Única exceção a coluna de Elio Gaspari, e mesmo assim sem citar CartaCapital. Consta que tal é o estilo do colunista, falar de quem escreve e não de quem publica. Talvez ele se inspire em sua própria situação, a de quem cabe nas páginas de órgãos diversos, embora todos alinhados do lado dos inquisidores da reação. Declinar o nome de quem publica é, contudo, importante. Eu me pergunto se a reportagem de Leandro Fortes acharia espaço, por exemplo, na Veja, ou em O Globo.
Mino Carta
No CartaCapital
Leia Mais ►

Carta aberta contra o sucateamento do Programa Saúde da Família em São Paulo

Com o objetivo de manter ações de esclarecimento da população sobre prevenção de doenças, recuperação, reabilitação e manutenção da saúde das comunidades, o Programa Saúde da Família (PSF) foi criado como uma estratégia de reorientação do modelo assistencial, operacionalizada mediante a implantação de equipes multiprofissionais em unidades básicas de saúde. Estas equipes são responsáveis pelo acompanhamento de um número definido de famílias, localizadas em uma área geográfica delimitada. Mas não é isso que se está vendo na cidade de São Paulo. O que se observa atualmente é uma crescente preocupação com a quantidade de atendimentos e não com a qualidade, muita rotatividade de profissionais por falta de condições de trabalho, desmandos administrativos etc.
Devido a isso, os trabalhadores das unidades do PSF lançaram uma carta aberta com a premissa básica de dizer NÃO ao desmonte da estratégia do Programa Saúde da Família em São Paulo e exigir a retomada dos preceitos da Portaria nº 1.886, de 18 de dezembro de 1997 do Ministério da Saúde.

CARTA ABERTA

Esta carta aberta tem por finalidade denunciar as arbitrariedades e desmandos que temos presenciado em relação à Estratégia da Saúde da Família na cidade de São Paulo. O Ministério da Saúde criou, em 1994, o Programa Saúde da Família. (PSF), com o principal propósito de reorganizar a prática de atenção à saúde e substituir o modelo tradicional, que, mediante repasse de verbas públicas, transferiu a sua responsabilidade constitucional para “entidades beneficentes”.
Segundo o Ministério da Saúde, a estratégia do PSF prioriza as ações de prevenção, promoção e recuperação da saúde das pessoas de forma integral e contínua. As equipes são responsáveis pelo acompanhamento de um número definido de famílias, localizadas em uma área geográfica delimitada. As equipes de saúde e a população acompanhada, que abre suas portas para os profissionais, criam vínculos de confiança, de respeito e segurança, o que facilita a identificação e o atendimento aos problemas de saúde integral da comunidade. O modelo PSF está aí para atuar na prevenção e promoção da saúde e não mais no atendimento as pessoas doentes.
Contudo, o que temos presenciado?
Alta rotatividade de profissionais médicos, equipes sempre desfalcadas, profissionais desmotivados pela falta de suporte, que vão desde a falta de condições da estrutura física (consultórios adaptados que não contam sequer com uma pia, unidades sucateadas etc.) a desmandos administrativos, no qual profissionais são demitidos e/ou transferidos sem critérios, quebrando os vínculos já estabelecidos com a população, cobranças e exigências burocráticas que visam apenas à quantidade de atendimento em detrimento aos grupos educativos e visitas domiciliares eficazes, já que a preocupação maior é de atingir metas, obviamente, numéricas.
Profissionais ingressam no PSF sem treinamento adequado, sem educação continuada ou espaço para interação entre os profissionais.
E o que se observa atualmente é uma crescente preocupação com a quantidade de atendimentos e não com a qualidade. Agendas lotadas aleatoriamente, sem que se tenha espaço para priorizar os casos detectados pela equipe.
Observa-se também a preocupação em aumentar as áreas de abrangência sem que se consiga sequer suprir a cobertura das demandas já existentes, o que nos remete a observância de que se almeja o retorno aos modelos antigos de “queixa/consulta”, uma vez que se torna impossível ter um atendimento do paciente como um todo em apenas 15 minutos.
O descrito serve para desmotivar os que ainda acreditam ser possível corrigir as iniquidades e para reforçar a ideia de que não adianta lutar por dias melhores.
Muitos de nós vimos e participamos do nascimento deste programa em São Paulo e sempre admiramos a estrutura do PSF, as ações preventivas que comprovadamente auxiliam na promoção de saúde.
Contudo, ainda há gente neste país que acredita, mesmo com as coordenações suscetíveis a pressões que seja possível avançar.
Tais ingerências podem até nos alimentar para continuarmos a luta para um atendimento digno e a nossa responsabilidade com a saúde integral da população. Luta esta que, antes de ser nossa, deveria ser das instituições que se intitulam gestoras de saúde.
Estamos, portanto, dizendo NÃO a este desmonte da estratégia de Saúde da Família e exigindo a retomada dos preceitos da Portaria nº 1.886, de 18 de dezembro de 1997 do Ministério da Saúde.
São Paulo, junho de 2012.
Leia Mais ►

La máquina de escribir

Concierto "Voces para la Paz" (Músicos Solidarios) 2011
Auditorio Nacional de Música de Madrid
Madrid, 12 de junio de 2011
Director: Miguel Roa
Solista: Alfredo Anaya
Proyecto: Pozos en Níger

Clip de una película de Jerry Lewis: "Lío en los grandes almacenes". En inglés: "Who's minding the store?"
Dica do amigo Itárcio José de Sousa Ferreira
Leia Mais ►

Charge online - Bessinha - # 1300

Leia Mais ►

Collor revela ligação da Veja com Roberto Gurgel

Segue transcrição
Senador Fernando Collor.
Senhor Presidente, senhor Relator, senhoras e senhores Parlamentares.
Eu tenho ouvido ao longo da sessão de hoje, a utilização da palavra medo. Muito dos senhores Parlamentares aqui, se valeram dela, “medo”, medo disso, medo daquilo. E eu gostaria apenas de prestar contas mais uma vez a esta Comissão.
Que eu não tive medo, e nenhum receio de ir contra o Procurador Geral da República, que vem cometendo reiteradamente crimes. Ele que lá está para representar a sociedade. E eu não encontrei muito eco, junto aqueles que tanto conjugaram a frase: “Esses que tem medo”.
Quando eu levantei, afirmei, e dei nomes de que há uma quadrilha instalada na revista Veja, e em alguns órgãos da Imprensa.
Quando eu digo que o senhor Policarpo Júnior, editor dessa revista é um criminoso.
Quando eu pedi para que ele fosse convocado, eu não encontrei nenhum eco naqueles que tanto conjugaram o medo, medo, medo. Eu não tenho medo de quem quer que seja, e tenho prova e testemunho disso.
Hoje senhor Presidente, dei notícia a essa casa de que pela primeira vez na história, desde que houve a reformatação do Ministério Público. Portanto, desde 1988, o Conselho Nacional do Ministério Público aceitou a representação que fiz contra o Procurador Geral da República e a Subprocuradora, que é a sua esposa.
O Procurador Geral da República ele concentrava nas mãos, ele concentra nas mãos de sua esposa todos os processos que chegam na Procuradoria, e que tenham, que incluam pessoas com prerrogativas de foro para fazer moeda de troca.
Denunciei aqui, os dois Procuradores que passaram a dois repórteres da revista Veja. Os Procuradores, Leia Batista de Oliveira, e o Daniel de Resende Salgado, que repassaram aos jornalistas, Gustavo Ribeiro, e Rodrigo Rangel.
Deste coito de bandidos que é esta revista Veja, o inquérito na íntegra, em sua íntegra que tramitava em segredo de justiça na 11ª Vara Federal de Anápolis em Goiás. Esse senhor Policarpo, ele recebia as informações desde 2005, do senhor Cachoeira de um lado, e recebia o inquérito que corria sobre o segredo de justiça do outro, e fazia disso - o que queira. Para publicar na revista aquilo que achasse mais conveniente para os ganhos peculiares da Editora Abril.
Eu tenho coragem de dizer:
“A Editora Abril se transformou em um coito de bandidos. O senhor Policarpo Júnior é um criminoso. O senhor Procurador Geral da República tem que ser apeado da sua posição, pelos crimes que ele cometeu que estão aqui elencados”.
E que quando aqui eu denunciei, não encontrei ninguém com a coragem de dizer: “Collor eu acho que você está certo, vá em frente”.
Ao contrário, eu recebi muitos comprimentos, mas na surdina. E eu entendo, eu entendo que esses possam ter medo, porque esses possam ter rabo preso em relação a Procuradoria da República.
Esses tem medo dessa Imprensa, esses tem medo, e seguem sempre baixando a cabeça para o que a Imprensa pauta.
Eu não sigo a pauta da Imprensa, e não me deixo pautar. E hoje eu queria terminar essa minha intervenção fazendo apenas uma pergunta ao Relator. Senhor Relator, nós aqui em algum momento, aqueles que votaram com Vossa Excelência a favor do seu relatório.
Nós alijamos de uma vez por todas a possível convocação da oitiva do senhor Cavendish, e do senhor Pagot? Sim ou não, por favor?
“Claro que não, não”.
Muito bem, então nós poderemos em qualquer momento, em qualquer momento no futuro termos aqui o senhor Cavendish, e o senhor Pagot, não é exatamente isso?
“Mesmo que tivesse derrotado o requerimento”.
Mesmo que tivesse, então fica aí a resposta clara que para a sociedade brasileira. De que o senhor Cavendish e o senhor Pagot, eles viram aqui no momento em que vossa excelência, o senhor Relator, que vem conduzindo tão bem os trabalhos em conjunto com o senhor Presidente desta Comissão. Acharem conveniente, e colocarem em pauta, e ouvir do plenário, para que eles possam aqui vir, e dar as explicações a este Plenário e a esta Comissão que deseja.
Fim da transcrição
No Redecastorphoto
Leia Mais ►

Casamento Gay: 10 razões para ser contra

Leia Mais ►