10 de jun de 2012

Ex-astronautas e cientistas condenam facciocismo da NASA pelo aquecimento global

Buzz Aldrin, esquerda, e Walt Cunningham,
astronautas das missões Apollo 11 e 7, em Cape Canaveral,
Florida, desaprovam facciocismo alarmista na NASA
Cerca de 50 de ex-astronautas e cientistas da NASA – inclusive um dos ex-chefes do famosíssimo Johnson Space Center – denunciaram que o organismo optou pelo lado errado da ciência mudando o rumo e talvez arruinando a reputação da maior agência espacial do mundo, informou o diário “The Washington Examiner” .
A atual direção da NASA assumiu a militância em favor das não demonstradas “mudanças climáticas”.
Em carta pública a Charles Bolden, administrador do órgão, os ex-astronautas e dezenas de antigos executivos da NASA pediram à agência para que “se refreie na hora de publicar na mídia observações não demonstradas” em apoio do “aquecimento global”.
“Achamos inapropriado que a NASA assuma a advocacia de uma posição extremada previamente a um consciencioso estudo do impacto generalizado do clima natural” – escreveram. “O risco é danificar a reputação exemplar da NASA, o prestígio de seus atuais cientistas e empregados e até a reputação da própria ciência”.
A carta foi assinada por sete astronautas de missões Apollo, diversos cientistas e um diretor do programa das Shuttle.
Para 50 astronautas e cientistas como B. Aldrin e W. Cunningham,
vai contra a ciência falar pelo aquecimento global







No documento, o grupo diz que os dados colhidos, relativos a milhares de anos, contestam as reivindicações modernas de que o CO2 provoca a mudança do clima.
“Posto que há centenas de famosos climatólogos e dezenas de milhares de outros cientistas que declaram não acreditar nas previsões catastrofistas provenientes especialmente do Goddard Institute for Space Studies da NASA, fica claro que não se tem chegado a um conhecimento certo”, acrescentam.
O site da NASA está cheio de artigos sobre o impacto das mudanças climáticas na Terra, nos animais e nos ecossistemas. E a maioria dos funcionários acompanha a posição oficial do órgão.
A polêmica desbragada contra o CO2 como sendo a maior causa das mudanças climáticas contraria a história da NASA, baseada sempre em estudar objetivamente todos os dados científicos disponíveis antes de tomar decisões ou fazer declarações públicas”, dizem ainda os cientistas.
Leighton Steward, porta-voz do grupo, apresentou o documento dizendo: “Estes heróis americanos, astronautas que conquistaram o espaço, cientistas e engenheiros que os puseram lá, têm o direito de criticar a apologia por parte da NASA de uma posição extremada e sem fundamento”.
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Lula recuperando a voz

Pelicano
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Mensalão tucano e o silêncio da mídia

Na quarta-feira passada (6), finalmente o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu incluir na pauta o debate sobre o “mensalão tucano”, o esquema utilizado para alimentar a campanha pela reeleição do governador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) em 1998. A mídia, porém, não deu qualquer destaque ao assunto. Algumas notinhas informaram apenas que o “mensalão mineiro” também deverá ser julgado em breve – a imprensa demotucana evita, por razões óbvias, falar em “mensalão tucano”.
O caso é bastante emblemático. Ele serve para comprovar a seletividade da chamada grande imprensa. O escândalo surgiu bem antes das denúncias contra o PT. A própria Procuradoria-Geral da República, ao encaminhar o caso ao STF em novembro de 2007, afirmou que o esquema foi “a origem e o laboratório” do “mensalão do PT”. Ele teria sido armado pelo mesmo publicitário Marcos Valério, que montou o famoso “valerioduto” para financiar campanhas eleitorais com recursos públicos e doações de empresas privadas.

"Problemas na prestação de contas"

Segundo o Ministério Público Federal, o esquema usado na campanha frustrada pela reeleição de Eduardo Azeredo, derrotado na época por Itamar Franco, foi financiado com recursos da Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais), Comig (Companhia Mineradora de Minas Gerais) e Bemge (Banco do Estado de Minas Gerais). Cerca de R$ 3,5 milhões foram repassados à agência de publicidade de Marcos Valério, a SMP&B, e depois serviram para irrigar o caixa dois da campanha do tucano mineiro.
Numa entrevista à Folha, em setembro de 2007, o próprio Eduardo Azeredo, hoje deputado federal do PSDB, confirmou que teve “problemas na prestação de contas da campanha”. Mas, diante das denúncias, ele fez questão de dizer que os recursos “não contabilizados” não eram apenas para a sua campanha, “mas dos partidos coligados e que envolvia outros cargos, até mesmo de presidente da República”. E confirmou que “parte dos custos” da campanha pela reeleição de FHC foi bancada por seu comitê eleitoral.

Os corredores lúgubres do Judiciário

Apesar das inúmeras provas documentais sobre a existência do esquema ilegal, até hoje o STF protelava o seu julgamento e a mídia fazia de conta que ele não existia. A “faca no pescoço”, utilizada para acelerar o julgamento do “mensalão do PT”, nunca foi usada para apressar o julgamento do “mensalão tucano”, bem mais antigo. Será que agora os ministros do STF vão finalmente julgar o caso? Ou ele permanecerá “passeando pelos corredores lúgubres do Judiciário”, como indaga o blogueiro Antônio Mello.
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Tucano Alckmin vai à Justiça contra remédio gratuito

Medicamentos usados no tratamento de doenças raras, como o Soliris, têm causado despesa de R$ 700 milhões ao governo paulista; Geraldo Alckmin foi ao presidente do Tribunal de Justiça, Ivan Sartori, mas o estado tem perdido todas as ações; direito à vida vem antes das finanças públicas, dizem juízes
Uma medicação importada – o Eculizumab 600 mg e 900 mg – que usa o nome comercial de Soliris, está tirando o sono dos gestores públicos de São Paulo. O caso tomou tal proporção que obrigou o governador Geraldo Alckmin a deixar o Palácio dos Bandeirantes para uma visita ao presidente da corte paulista, desembargador Ivan Sartori.
O Soliris, único no mundo usado contra uma doença rara conhecida como hemoglobinúria paroxística noturna (HPN), está provocando um rombo considerável no erário. Cada frasquinho do medicamento não sai por menos de R$ 11 mil. O custo anual do tratamento de cada paciente não sai por menos de R$ 800 mil, dependendo do grau da doença.
No ano passado, o Tribunal de Justiça negou recurso ao Estado em nove casos envolvendo a distribuição gratuita do medicamento. Este ano já são seis os casos perdidos pelo governo paulista para o tratamento com Soliris. Em 2010 foram sete recursos negados.
Levantamento da Secretaria da Saúde concluiu que com os cerca de R$ 700 milhões gastos por ano com as decisões judiciais que obrigam o Estado a custear medicamentos seriam suficientes para construir um hospital por mês. Segundo Alckmin, a judicialização da saúde é uma distorção do conceito da universalidade. O mesmo argumento é usado pelos procuradores do Estado nos recursos de apelação endereçados ao tribunal.
A Justiça paulista, no entanto não se sensibiliza com os argumentos do Executivo e tem concedido medicamentos gratuitos a todos os pacientes que batem à sua porta. Ou seja, a Fazenda do Estado é vencida em todos os apelos que faz à corte paulista para reverter as decisões.
O argumento usado pelos procuradores que defendem o Executivo é de que a falta de registro do medicamento na lista da Anvisa seria fator para obrigar o governo a liberar o remédio. Em todos os julgamentos, o Tribunal tem dito não, pois, de acordo com a corte paulista, o direito à vida vem em primeiro lugar.
“A alegação de que o medicamento não está contemplado dentre os padronizados pelo SUS para o tratamento da doença que acomete a autora não afasta a obrigação da autoridade em atender ao pedido apresentado, na medida em que a preservação da vida da impetrante deve prevalecer sobre outros interesses”, concluiu na semana passada a desembargadora Maria Laura de Assis Moura, da 5ª Câmara de Direito Público ao negar recurso contra decisão que determinou o Estado a entregar o medicamento Soliris à paciente Rachel Soares Barbosa de Matos.
Segundo a desembargadora, há provas de que o medicamento Soliris já obteve registro para comercialização tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, bem como que o European Medicines Agency (EMEA) classificou tal remédio como órfão. Segundo a magistrada, os “órfãos” são medicamentos destinados a tratar doenças tão raras, que as indústrias farmacêuticas ficam relutantes em desenvolvê-los em condições normais de mercado por razões econômicas, mas que respondem a uma necessidade de saúde pública.
No 247
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Síria: Imprensa manipula a informação

Periodista británico dice que el llamado “Ejército Libre” intentó matarlo a él y a sus colegas para acusar falsamente a las fuerzas sirias


El periodista británico Alex Thompson, reveló en un artículo publicado por el diario “The Guardian”, que armados del llamado “Ejército Libre” trataron provocar su muerte en Siria cuando abrieron fuego contra el coche en que viajaba junto a sus colegas…
Thompson, el principal corresponsal de canal IV de la televisión británica, narró su versión del incidente diciendo: “después de que nuestro coche haya cruzado el último punto de control del ejército sirio afueras de Damasco, en compañía de los observadores internacionales a Qusseir en el campo en Homs, un grupo armado nos llevó deliberadamente a una zona de tiroteo en una carretera poco circulada…”
Thompson explicó que un coche negro en el que viajaba los armados del llamado “Ejército Libre” los llevó a una trampa para que las fuerzas sirias les dispararan por error y filmar el incidente para acusar a las fuerzas sirias de matar a los periodistas.
“The Guardian” señaló que el incidente ocurrió la semana pasada, y Thompson y su equipo están ahora en Gran Bretaña.

Do Terc3ra Información
No Gilson Sampaio
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França: a esquerda vence

Hollande garante maioria na França


De acordo com tabulação parcial de 90% dos eleitores registrados, o PS e seus aliados obteria 46,5% dos votos, a maioria; UMP-Novo partido de centro-Radical, representando apenas 33, 9%.
No Le Figaro
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SP não consegue enterrar Vargas. Ele vive!

Saiu na seção Ilustríssima, da Folha, que de Ilustre não tem nada:
É um artigo do patrão, Otavinho Frias, sobre o livro de Lira Neto “Getúlio – dos anos de formação à conquista do poder – 1882-1930”, Companhia das Letras.
O resenhador demonstra virtudes que o qualificam a substituir o “de múltiplos chapéus”, que assina uma seção de “Livros” dominical na Folha e no Globo, na suposição de que só ele sabe onde fica a Amazon.
A certa altura, diz o resenhador patronal:
(…)
Parece certo que o desfecho revolucionário (1930 – PHA) teria sido evitado se (o paulista – PHA) Washington Luís fosse menos intransigente na imposição de seu sucessor (paulista – PHA) e se não sobreviesse o assassinato - num crime passional - do candidato a vice na chapa de Getúlio, João Pessoa, estopim psicológico da deflagração. Mais certo ainda é que somente a crise econômica de 1929 foi capaz de esvair a sustentação social de um regime que já caducava.
É impressionante a cautela quase apática com que Vargas navegou pela vertiginosa sucessão de episódios. Hesita em aceitar a candidatura; candidato, tenta um acordo secreto com o governo central; derrotado, conforma-se. Quem organiza a insurreição é o círculo imediato de assessores, quase todos amigos de juventude -Lindolfo Collor, João Neves da Fontoura, Flores da Cunha e Oswaldo Aranha.
Até semanas antes de romper com a legalidade, a preocupação de Getúlio é evitar que seu controle da política estadual sofra retaliações do futuro presidente Júlio Prestes, que jamais tomaria posse.
Havia maquiavelismo nessa prudência, mas fica evidente que também houve muita sorte ou acaso - ”fortuna” - nesse maquiavelismo. A posteriori, quando o encadeamento dos fatos já premiou o vencedor, a trajetória inteira tende a se apresentar como obra de arte política, sem deixar entrever o quanto terá havido de dúvida, imprevisto e balbúrdia.
Da mesma maneira, o que chamamos de “carisma” do líder - como definir ou identificar algo tão etéreo? - só cristaliza simbolicamente o êxito já consolidado.
Exceto quanto à revelação de alguns detalhes inéditos e episódios secundários, o livro de Lira Neto não parece trazer contribuição original ao relato de uma vida já tão esmiuçada e conhecida. Ainda assim é uma colossal reconstituição dessa existência única na história brasileira, expressa num andamento romanesco e palpitante.
Grande parte do mistério que emana do vulto de Getúlio Vargas se esvanece, mas perdura um resíduo irredutível, enigmático, desse homem sobre o qual se disse que podia “tirar as meias sem descalçar os sapatos” e que preconizava, estranhamente, que “na luta, vencer é adaptar-se”.
Ou seja, segundo o patronal resenhador, Vargas era um ilustríssimo bestalhão.
Conduzido pela corriola, teve mesmo é sorte.
O resenhador não captou a secreta essência de Vargas – nem de Lira.
O Partido Republicano Riograndense, de Castilhos e Borges, foi o primeiro a lutar pela Abolição.
O Partido Republicano Paulista (de que derivam a Folha e seu desdobramento político, o PSDB), o último.
A República Velha, de que o pai do empresário resenhador era nostálgico, foi uma trampa paulista: câmbio baixo e muita grana do Governo Federal aos cafeicultores.
Não foi a “intransigência” de Washington Luiz que permitiu Vargas ter tanta sorte.
Foi porque se desmanchou a arquitetura oligárquica paulista: um paulista queria outro paulista para sucedê-lo.
Com a mão no câmbio (por isso que o Padim tem essa fixação em ficar com a mão no câmbio).
Vargas perdeu, sim, essa eleição.
Mas ganhou muitas outras, como as de 2002, 2006 e 2010.
O Castilhismo varguista sempre esteve do lado dos pobres e dos feios, como diz o Nunca Dantes.
Tanto assim, que o Pater Máximo do PRP, o Farol de Alexandria, um dia anunciou que ia “enterrar Vargas”.
Entende-se.
O pai do Otavinho pegou em armas contra Vargas em 32 e, depois, em 64, deu apoio logístico, ao torturadores.
Por isso, dá nome a uma ponte em São Paulo, que liga uma Marginal (sic) à sede da Globo – é o complexo pigviário de São Paulo.
Por causa do PRP e seus coronéis, como o “seu” Frias, São Paulo é a única metrópole brasileira que não tem uma Avenida Presidente Vargas.
Mas, tem uma “jornalista (sic) Roberto Marinho”.
Numa página inteira de resenha no jornal de sua propriedade (e só aí seria possível tanto espaço) sobre um livro que trata de 1930, não se lê uma única vez a expresão “São Paulo” ou a palavra “paulista”.
O Ilustríssimo Resenhador não entendeu o livro do Lira.
Porque não entende Vargas até hoje.
Não é à toa que eles não voltam ao Palácio do Planalto tão cedo.
Como disse o Vargas Dantes.
Paulo Henrique Amorim
Leia também: Biografia de Getúlio abre guerra entre intelectuais
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Calúnia x Calúnia

"Em outro país, um jornalista com o meu passado não sofreria as calúnias", lamenta-se Mino Carta na última edição da sua revista Carta Capital, respondendo aos ataques de que se declara vítima por parte dos jornalistas Fábio Pannunzio, Demétrio Magnolli e Reinaldo Azevedo.
A polêmica entre os três jornalistas e Mino está acesa e já tem bastante protagonista para dispensar minha participação. Mas esse lamento e o que Mino disse para justificar a invocação do seu nome como escudo motivam meu aparte na discussão.
Não há dúvida que o passado de Mino Carta garante sua inclusão na história do jornalismo brasileiro. Ele tem sido um dos melhores criadores de publicações da imprensa nacional. Há sua assinatura em produtos como a Edição de Esportes e o Jornal da Tarde, de O Estado de S. Paulo; Veja, Istoé e a própria Carta Capital.
Excetuada a edição esportiva do Estadão, as outras criaturas forjadas em papel continuam em plena circulação. Atestam a capacidade do criador, apesar de seus eventuais escorregões, como no malfadado Jornal da República.
Nem por isso o seu passado é uma barragem intransponível pelas críticas ou um elemento mágico, capaz de transmudar de pronto restrições feitas a ele em calúnias prontas e acabadas. A história de Mino Carta o expõe e sujeita a essas críticas.
Ele é tão ciente desses flancos que uma de suas obsessivas preocupações é refazer e retocar a própria história, obra em permanente processo. Talvez acredite que tomando a iniciativa inibe os demais de se lançar sobre o seu passado. Confere-se direitos autorais plenipotenciários sobre si, sem contemplação, sem qualquer alternativa.
Mino Carta exige respeito ao seu passado enquanto viola o passado dos outros. Numa das suas frases mais infelizes, desafia seus caluniadores a se manifestarem "a respeito de quem na mídia brasileira se perfilava illo tempore ao lado da ditadura. Ou seja, quase todos".
Enquanto quase todos se submetiam à ditadura, Mino Carta era o guerreiro quase solitário a enfrentar os censores e outros avatares, mantendo sua trincheira inexpugnável contra os ataques das feras. Mal informados sobre esse passado, as pessoas de hoje acham "que a censura foi ampla, geral e irrestrita", quando, na verdade, foi facilitada pela subserviência de quase todos os jornalistas.
Muito menas verdade, doutor Mino.
Não é verdade que o retumbante fracasso da edição inaugural de Veja, datada de 11 de setembro de 1968, tenha derivado da sua capa, com a foice e o martelo do comunismo em negro sobre fundo vermelho, que "já irritou os fardados". O subtítulo da matéria de capa foi "o grande duelo no mundo comunista". Cabia como luva em qualquer publicação financiada nessa época pela CIA, a agência de inteligência dos Estados Unidos no embalo da guerra fria (para maiores informações, leia-se o livro "Quem pagou a conta?").
Os leitores menos atentos imaginaram tratar-se de publicação ideológica inspirada pelo USIS (mas não abusis), o serviço de informação de Tio Sam, generoso e abundante. O texto da reportagem não ajudava a desfazer essa impressão. Resultado: encalhe de quase toda a edição. O mundo ainda vivia sob o halo da revolução dos joven. Foi preciso "refundar" a revista, conforme hoje se diz.
Prima dois anos mais velha do novo magazine, a mensal Realidade não conseguiu essa façanha. Lançada em 1966 pela mesma Editora Abril, a revista foi numa escalada de sucesso — de público e de crítica — quando baixou a tumba da liberdade, o AI-5, em 13 de dezembro de 1968. A cabeça de Realidade, esta, sim, muito irritante aos centuriões do poder, foi oferecida na bandeja ao regime.
Veja prosseguiu e sobreviveu: uma concessão ali, um avanço acolá, jeitinho num dia, sujeição no outro, conforme foi possível e permitiam as negociações de bastidores entre alguns personagens menos teratológicos do poder militar e atores mais hábeis do poder desarmado. Mas não só Mino, grande jornalista que nunca foi ao front, mantendo-se sempre na estratégica e lúcida retaguarda. Outros interlocutores também contornaram impasses que salvaram Veja e sacrificaram Realidade.
Ser personagem dessas tratativas ocultas em nada favoreceu Mino na reconstituição dos fatos, muito pelo contrário. Ele é o herói impoluto em todos os momentos, que podem ser traçados conforme um AM e DM (antes e depois de Mino). Após sua passagem, um território arrasado. Com ele, seguiram as joias da coroa para a nova empreitada. Depois dele, a desolação.
É com esse enredo que lega aos mais novos, que acorrem desinformados às suas brilhantes palestras, sua passagem pelo jornal que só não foi mais influente ao longo da república brasileira do que o carioca Correio da Manhã. Vítima dos facínoras do poder armado e de uma esquerda inconsequente, o Correio chegou melancolicamente, em 1974, ao fim da trajetória marcante iniciada em 1901,.
Mino Carta tem a coragem de afirmar no seu artigo que o Estadão, primeiro, e o Jornal da Tarde, em seguida (quase que por efeito gravitacional), foram punidos pelo governo militar com a censura na redação como resultado "de uma briga em família. O jornal apoiara o golpe, mas sonhava com a devolução do poder a um civil, desde que se chamasse Carlos Lacerda".
Essa fantasia tem o propósito de revelar ao distinto público que resistência à censura — heroica e digna — foi a de Veja, sob a batuta de Mino; porque a do Estadão, de onde ele já saíra, por rompante de indignação, era motivada por interesses menores — e nada republicanos, como hoje também se diz.
Novamente não é verdade. O grande conspirador foi Júlio Mesquita Filho, que se tornou um autêntico revolucionário (ou contrarrevolucionário, as expressões são utilitárias no Brasil), impulsionado pelo ódio a Getúlio Vargas, sentimento partilhado por seu amigo e ídolo Carlos Lacerda. É bem provável que o "doutor Julinho" tenha escrito o editorial "Instituições em frangalhos", através do qual reagiu com todo vigor ao AI-5, provocando a censura ao jornal, com esperanças ainda em Lacerda.
Mas logo depois ele morreu (em 12 de julho de 1969) e quem o substituiu foi o filho mais velho, Júlio Mesquita Neto, e não aquele que se achava mais preparado para assumir a condução editorial do porta-voz da plutocracia paulista. Foi Ruy Mesquita quem seguiu a filiação do pai a Lacerda, mesmo depois que o ex-governador carioca foi cassado, sua Frente Ampla não deu certo e ele só saiu do arquivo morto para dar um memorável Testemunho a repórteres do Jornal da Tarde, o vespertino que restou a Ruy (o livro, publicado em 1978, é lido com proveito mesmo por quem detesta Lacerda).
Júlio Neto não partilhou essas ideias. Ciente de que a sucessão, se tivesse que seguir a lógica da história e não a cronologia da família, caberia ao irmão mais novo, fopi atrás da própria biografia. Enfrentou a censura como nenhum outro dono de jornal a partir do AI-5. Com seu apoio e, às vezes, o seu estímulo, dezenas de jornalistas em todo país reagiram não só à censura na redação, mas ao próprio regime pelo país afora. Com coragem, alto espírito público e refinado profissionalismo. Sem nunca vergar a coluna. Sem salamaleques com os tiranos do dia ou do local. Sem papos de Settembrini com Naphta, como em A Montanha Mágica, de Thomas Mann
É a eles todos (em nome dos quais homenageio um dos maiores de todos, Raul Martins Bastos) que Mino Carta ofende com mais uma das suas frases espirituosas e falsas. Tão falsa quando ele intitular o primeiro Mesquita como o fundador do Estadão. Uma simples consulta o levaria a verificar que Júlio Mesquita só assumiu a direção do jornal, ao qual chegara dois anos antes, levado pelas mãos do sogro (e pelo capital do pai), 16 anos depois da fundação da então A Província de São Paulo, em 1875.
Calúnia paga com calúnia não é jornalismo, doutor Mino. Não é nada.
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Edgar Vasques

O sucesso das cervejas artesanais
Esferográfica & Aquarela
Publicada  in "Bens & Serviços" (P.Alegre, maio/12)
No Edgar Vasques Blogaleria
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Charge online - Bessinha - # 1286

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Lula abortou golpe de Demóstenes contra governo Dilma

Segundo o veículo de comunicação goiano Diário da Manhã, Lula teria abortado um golpe, cuidadosamente articulado pelo senador Demóstenes Torres e o bicheiro Carlinhos Cachoeira, contra o governo da presidenta Dilma Rousseff. Embora o artigo não apresente provas do envolvimento do ex-presidente com a questão, vale a pena lê-lo para conhecer mais dos objetivos do ambicioso senador. Segue abaixo a íntegra do texto.

Lula aborta o golpe
Cai a mais audaz e ambiciosa conspiração política do Brasil

Nos bastidores da Operação Monte Carlo, deflagrada pela Polícia Federal, o senador Demóstenes Torres (ex-DEM) e o empresário de jogos de azar Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, gestavam uma estratégia que passou ao largo das investigações: pavimentar a candidatura do parlamentar para o Palácio do Planalto em 2014.
A meta de Demóstenes e Cachoeira era construir uma teia de relações políticas e uma estrutura financeira que viabilizassem a candidatura à sucessão da presidenta Dilma Rousseff. Segundo políticos e interlocutores do senador, o projeto foi a senha para o desencadeamento da operação policial e a entrada do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas articulações, com vistas a abortar a estratégia.
Como se viu, a articulação política de Demóstenes e Cachoeira foi marcada por tentativas como, por exemplo, a discussão sobre a troca de partidos, daí as conversas sobre a saída do senador no DEM e o ingresso no PMDB. Na prática, o próprio movimento para a entrada do ex-democrata no ninho peemedebista e, portanto, na base aliada da presidenta Dilma, naufragou quando o PT e o Planalto perceberam a relação de Demóstenes com o contraventor.

O escorregão inesperado no caminho para a rampa do Planalto

A estratégia do senador e Cachoeira, segundo esses mesmos políticos e interlocutores, fica clara em trechos das gravações em que, a despeito de exaltarem suposta proximidade com o governo de Goiás, eles criticam o governador Marconi Perillo e reclamam de planos frustrados para a administração estadual.
“O maior sonho do Demóstenes sempre foi pavimentar a candidatura nacional e subir a rampa do Planalto, por isso ele foi tão longe na defesa da bandeira da ética e encampou tantas propostas polêmicas na área de segurança pública e peitou caciques como (José) Sarney (PMDB-AP) e Renan (Calheiros, PMDB-AL)”, diz um amigo do senador.
O senador goiano foi longe em seu intento. Reeleito senador pelo Estado, o nome de Demóstenes entrou novamente, e com mais força, na bolsa de cotações para uma eventual candidatura de vice na chapa do PSDB ao Planalto. Nos momentos de estremecimento entre tucanos e democratas, o nome do senador goiano era citado até mesmo como alternativa para uma candidatura própria. Daí a profunda mágoa e a rápida reação dos líderes democratas em expulsá-lo do partido quando as denúncias contra ele e Cachoeira vieram à tona.
A princípio, a percepção era de que Demóstenes visava uma candidatura ao governo de Goiás em 2014, apresentando-se como uma alternativa ao PMDB e ao PSDB goianos. Mas o projeto, segundo interlocutores, sempre foi a Presidência da República.
“Demóstenes dizia que, para garantir a candidatura à presidência, ele precisava marcar o debate nacional com um discurso mais elaborado e convincente do que dos seus opositores. Ele encontrou no debate sobre a ética na política a ponte perfeita para encurtar esse caminho até o Planalto”, diz outra fonte, que também preferiu não se identificar. Aliás, segundo esse interlocutor, o projeto de Demóstenes para o Planalto nunca levou a aliança com o PSDB goiano em consideração. Era uma carreira solo entre Demóstenes e Cachoeira.
Na esteira do debate político estava ético, o lastro financeiro era Cachoeira e sua rede de contatos no Estado e no cenário nacional. O empresário de jogos de azar foi o primeiro, segundo interlocutores do senador, a abraçar a proposta e se apresentar como colaborador na área financeira.
“O Cachoeira ficava imaginando os negócios que poderia fechar se tivesse nas mãos a fatura de uma corrida vitoriosa para a Presidência da República”, diz outro interlocutor.
“Nascia ali um PC Farias com muito mais bala na agulha”, comenta a fonte, em referência ao pivô da crise política que levou ao impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello.

O cenário favorável no figurino do paladino e no armário da corrupção

O cenário para a consagração de Demóstenes era perfeito. O político surgiu para o Brasil nas asas de uma carreira incontestável no Ministério Público, de onde foi catapultado para a Secretaria de Segurança Pública. Aí, o xerifão mais uma vez ganhou as manchetes da imprensa com a atuação para desvendar o sequestro de Welington Camargo, irmão da dupla sertaneja Zezé e Luciano. A fama de durão e incorruptível pavimentou o caminho para duas eleições consagradoras para o Senado.
Com o discurso de paladino da moralidade na ponta da língua na tribuna do Senado, temperado com frases espirituosas e inteligentes, Demóstenes logo virou o queridinho da imprensa nacional. Não custou muito para ganhar as páginas da Veja como o mosqueteiro da ética. Pilotando este marketing de Catão, surfou fácil nas ondas da maré anticorrupção que inunda o País.
Não poderia ser um nome melhor para enfrentar o petismo atolado até a garganta com denúncias de corrupção, entre elas o mensalão e a demissão de oito ministros do governo Dilma. Demóstenes, sem dúvida, despontava como o Dom Quixote brasileiro que lutava contra os moinhos verdadeiros da corrupção nacional, tendo como fiel escudeiro o empresário Carlinhos Cachoeira.
Isso deixou Lula angustiado, pois certamente colocaria fim ao domínio petista no País, que se aproxima de 16 anos e caminha tranquilo para uma hegemonia de 20 anos. O senador goiano poderia ser o homem que dispararia o tiro de misericórdia no lulismo. Lula, porém, teve a competência de enxergar a ameaça e abrir fogo contra o inimigo, agora desmascarado em todo o Brasil, depois de reveladas as estrepolias demostenianas.
A operação era ousada, mas se comprova pela rede montada pela dupla em todo o Brasil que se estendia em todo o tecido dos três poderes. Para isso, não titubearam em mexer e usar todas as peças do tabuleiro, incluindo gente do Executivo, Judiciário e do Legislativo, em todas as esferas.
Tanto é que quando o escândalo explodiu, o Senado solidarizou-se de imediato com Demóstenes. Mas, em seguida, o DEM o expulsou e agora até mesmo o PMDB de Iris Rezende, acostumado a abrigar em suas fileiras políticos com vasto currículo de malfeitos, o rejeitou.
Tudo foi pelos ares, porém, pela astúcia do ex-presidente Lula, que, mesmo abatido pelo câncer, não perdeu o faro e a visão que o tornaram o maior político do Brasil.
E o cenário dos Moinhos de Ventos de La Mancha (da corrupção) terminou com dois Sancho Pança, personificados em Demóstenes Torres e Carlos Cachoeira como as tristes figuras do épico de Cervantes.
Fonte: DM.com.br
No Vermelho
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O julgamento do “mensalão”

Os ministros do STF marcam data para inicio do julgamento do "Mensalão"
O “mensalão” foi uma ferramenta para sangrar o mandato do presidente Lula em 2005 e 2006; agora, com a oposição em dificuldades, aparece como um soro para reanimar a direita e os conservadores.
Há um dito futebolístico segundo o qual time que está mal no jogo comemora até escanteio. A reação da mídia conservadora ante a perspectiva do início do julgamento do chamado “mensalão” enquadra-se nesse figurino: um notório serviçal dos barões da mídia comemorou, na manhã desta quarta feira, não o eventual resultado daquele julgamento - que confessa não imaginar qual será - mas a marcação da data do julgamento! É uma derrota para Lula e José Dirceu, disse o blogueiro da revista Veja Reinaldo Azevedo num comentário publicado nesta quinta-feira.
Dia 6 o Supremo Tribunal Federal definiu a data para o inicio do julgamento do processo: 1º de agosto. Isso foi possível depois de ter sido definido o rito do julgamento e depois da garantia do ministro Ricardo Lewandowski, revisor do processo, de que entregará seu voto em junho.
A primeira etapa do julgamento terá sessões nos dias úteis, até 14 de agosto (com exceção do dia 3 de agosto), nas quais serão apresentados o relatório que resume o caso e as alegações do Ministério Público e dos advogados de defesa dos 38 acusados. A segunda fase terá os votos dos ministros; as sessões ocorrerão apenas nas segundas, quartas e quintas, começando às 14 horas mas sem previsão do horário de encerramento pois seguirão o ritmo do voto de cada ministro. Embora não haja previsão de data para o final do julgamento, muitos acreditam que ele irá até o final de setembro.
O assanhamento da imprensa conservadora e da oposição de direita e neoliberal centrada no PSDB é compreensível. No momento em que o PSDB está sangrando, como reconheceu um importante cacique tucano, o senador paranaense Álvaro Dias, um “escanteio” vem mesmo bem a calhar. Ele abre a perspectiva de um espetáculo midiático para, esperam os tucanos e a oposição conservadora, ajudar a afastar o foco que recai sobre as graves acusações que envolvem destacados políticos de seu campo numa CPI, a do Cachoeira, que pode - ela sim - desvendar e punir vínculos entre criminosos, a mídia conservadora, e dirigentes e mandatários políticos do campo conservador.
O julgamento do chamado “mensalão”, esta farsa montada pelo conluio entre políticos da direita e a imprensa conservadora, poderá dominar a pauta midiática nos próximos meses. O “mensalão” foi, em sua origem, instrumento da “tática do cangaceiro” com que o PSDB e seus comparsas quiseram sangrar até a morte o governo do presidente Luis Inácio Lula da Silva. Não deu certo. Não provocou - nem podia - o clamor popular que a direita imaginava, como sempre, poder repetir naquele episódio a atuação moralista hipócrita que havia marcado outros momentos da República, como o “mar de lama” que levou ao suicídio de Getúlio Vargas em 1954, ou a campanha contra as reformas de base de João Goulart, que levou ao golpe de estado de 1964.
O “mensalão” foi uma ferramenta política contra Lula, os partidos que apoiam seu projeto de mudança, e contra as transformações que o Brasil começava a viver. O apelido publicitário surgiu exatamente há sete anos, quando - em 6 de junho de 2005 - Roberto Jefferson, que era deputado do PTB, cunhou, em entrevista à Folha de S. Paulo, a expressão “mensalão” e acusou o governo Lula de desviar dinheiro público para o pagamento mensal de parlamentares que se alinhassem à base do governo.
A alegação ganhou força embora nunca tenha sido provada ou demonstrada a existência dos tais pagamentos mensais.
O que foi demonstrado e provado judicialmente atinge exatamente o campo direitista e neoliberal. Na véspera do anúncio do STF, do início do julgamento do chamado “mensalão”, a Justiça de Brasília proferiu a sentença que condenou (dia 5) a ex-deputada distrital Eurides Brito (PMDB) por improbidade administrativa e a devolver cerca de R$ 3,5 milhões desviados dos cofres públicos. Ela foi denunciada pela operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, que investigou o pagamento de propina a deputados aliados ao então governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), no escândalo conhecido como mensalão do DEM. Ela foi condenada por ter recebido, entre 2006 e 2009, 31 parcelas mensais de 20 mil reais para apoiar o então governador tucano, uma mesada. A ex-deputada teve também seus direitos políticos cassados por dez anos.
Outro golpe severo contra a oposição de direita foi a condenação (dia 5), também às vésperas do anúncio pelo STF do início do julgamento do “mensalão”, do ex-prefeito do Rio de Janeiro, o destacado cacique do DEM César Maia, juntamente com ex-diretores Empresa Municipal de Urbanização (Rio Urbe). Todos por improbidade administrativa. Tiveram seus direitos políticos suspensos por cinco anos e foram condenados a devolver o dinheiro empregado ilicitamente.
A mídia conservadora e a direita neoliberal vão fazer de tudo para transformar o “escanteio” em gol nos meses que antecedem a eleição para prefeitos e vereadores. O “mensalão” serve agora não para sangrar um presidente como tentaram fazer com Lula em 2005 e 2006; serve de soro para um doente combalido que enfrenta o voto popular em condições difíceis.
José Carlos Ruy
No Vermelho
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Como avaliar países

Periodicamente são divulgados índices de competitividade da economia brasileira, em geral em má colocação. Um deles é do Fórum Econômico Mundial; o outro, do World Competitive Scoreboard do Instituto Internacional de Desenvolvimento da Gestão. Ambos são sediados em Genebra e com enorme poder de marketing: seus resultados têm repercussão mundial.
Ambos são baseados em critérios desenvolvidos por Michael Porter, o notável economista norte-americano que, nos anos 80, lançou as bases dos estudos sobre competitividade entre países.
Ambos os índices se baseiam na metodologia do diamante de Porter: levam em consideração fatores físicos, condição de fatores, de demanda e indústrias relacionadas.
Não há diferenciação entre países. Em países autoritários, por exemplo, é muito menor a liberdade para empresários ou advogados externarem suas críticas ao país e governantes. Assim é difícil colocar na mesma métrica países como Brasil, Alemanha, Suécia, Singapura, Emirados Árabes etc.
Além disso, as avaliações são estáticas, colhidas em curto espaço de tempo. Não há intertemporalidade, não levando em conta nem dados passados, nem futuros, nem incrementais.
Por exemplo, uma economia com melhores significativas teria que ter peso relevante. Mas não existe ponderação em relação a isso.
No Fórum, há ponderações diferenciadas para alguns fatores. No caso de países menos desenvolvidos, leva-se em conta mão de obra, recursos naturais. Mas na essência são muito parecidos. Não consideram distribuição de renda, inclusão social, sustentabilidade, consumo de energia, qualidade dos recursos naturais, sequer os passivos ambientais.
No último trabalho do IND, na semana passada, o Brasil caiu 2 posições em relação a 2011: de 44 para 46º. China caiu de 19 para 23º, Índia de 32 para 35º , África do Sul em 52º para 50º  indicando uma volatilidade excessiva.
Outro ponto que chama a atenção é países como Kwait, Qatar, Emirados Árabes sempre na frente do Brasil, mesmo tendo uma economia restrita, ser dependente do petróleo, não dispor de proteção trabalhista. Os índices não levam em conta a questão da inovação, dos avanços tecnológicos.
Desde 2009, a ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial), mais um conjunto de 35 países, decidiram participar da Federação Global dos Conselhos de Competitividade (Global Federation of Competitiveness Councils – GFCC; www.thegfcc.org). Essa organização congrega “conselhos de competitividade” de países. Conta com 15 países membros e integra 35 participantes de sua rede total.
A primeira reunião da GFCC foi em Washington; a segunda em Porto Alegre, em novembro do ano passado, com a participação de representantes de 15 países.
O primeiro desafio da GFCC foi construir um novo conjunto de métricas de competitividade que refletissem as diferenças e potencialidade dos países, suas agendas de crescimento e desenvolvimento.
A GFCC decidiu discutir novas métricas, ampliando os conceitos de Porter.
A primeira proposta foi do Conselho Presidencial da Competitividade Nacional, da Coreia do Sul, desenvolvida por professores da Seoul Universitiy, que fundaram e coordenam o Industrial Policy Research institute (IPS).

Os novos fundamentos

De sua parte, a ABDI analisou o índice para o Brasil e apresentou um diagnóstico que foi debatido com os pesquisadores coreanos em Seul durante uma semana, no final de outubro de 2011. Em seguida, os diferentes conselhos apresentaram seus trabalhos na reunião de Porto Alegre. A decisão final foi, em vez de um único índice, desenvolver um painel de métricas (scoreboard), ampliando os conceitos do “diamante”, de Porter.

A razão das mudanças

Essa escolha se deve aos seguintes aspectos. 1) A construção de um índice tem problemas metodológicos intrínsecos. Por exemplo: como compatibilizar em um mesmo número taxa de alfabetização e crescimento do PIB per capita?  2) É difícil capturar em um único índice as realidades dos diferentes países participantes. Por exemplo: há como comparar diretamente os EAU e a Rússia?

Porque scoreboard

O painel de indicadores permitirá que países com características distintas (e estratégias de desenvolvimento distintas) possam melhor comparar seu desempenho com outras nações. A ABDI trabalhará no desenvolvimento da metodologia conceitual do painel junto com o MBC. Será montado um grupo de governança para a condução dos trabalhos. O mesmo está ocorrendo com os temas levantados na reunião de Dublin.

A corrida para o topo

Muitas vezes a ideia da competitividade está associada à precarização da qualidade de vida e do trabalho. A ideia central do novo modelo será, ao invés de procurar economias de custos mais baixos, buscar a construção de economias e países mais prósperos. Em vez de uma “corrida para custos mais baixos”, “uma corrida para o topo”, segundo o executivo do conselho de competitividade da Irlanda.

A reunião de Seul

Em 24 de maio passado, finalmente, uma reunião técnica na Irlanda ajudou a afinar as métricas de competitividade da GFCC. Pela ABDI, foram o Chefe de Gabinete (Otavio Camargo), o Gerente de Assuntos Internacionais (Roberto Alvarez) e um professor da USP (Mario Salerno).
A ABDI propôs analisar os países de acordo com oito dimensões, cada qual medida por um conjunto de métricas.

As métricas

São as seguintes métricas: 1. Desempenho geral; 2. Complexidade econômica; 3. Infraestrutura; 4. Recursos humanos (talento); 5. Capital (financiamento); 6. Inovação; 7. Qualidade de vida; 5. Crescimento futuro.
Discutiram-se também princípios que deverão pautar as análises: Considerar indicadores estáticos e dinâmicos; indicadores ex-ante e ex-post; Indicadores da economia como um todo e micro; ênfase em dados duros (hard data); Segmentar os países conforme tamanho.
Luis Nassif
No Advivo
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Queda dos juros incomoda o Estadão

A ata da 167ª reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, divulgada sexta-feira, não agradou os agiotas do capital financeiro. Ela sinaliza que a queda da taxa básica de juros, a Selic, deverá prosseguir nas suas próximas reuniões. Apesar da ata enfatizar que a redução será feita “com parcimônia”, os chamados analistas de mercado não gostaram do que leram. O jornal Estadão, hoje totalmente associado ao capital financeiro, foi um dos mais enfáticos nas críticas ao BC.
Em editorial deste sábado, o jornalão conservador afirma, já no título, que o “otimismo do Copom tem bases muitos frágeis”. Mesmo com os dados recentes sobre a queda da inflação, que desmoralizaram os urubólogos da mídia, o Estadão acha que é muito cedo para o governo adotar novas medidas de estímulo ao crescimento econômico – como a redução dos juros e o aumento do crédito.

Receituário neoliberal

“Existe a ilusão de que basta aumentar o crédito (o que em certas circunstâncias é um perigo) para que as famílias aumentem suas compras. Estamos, porém, diante de um quadro novo em que o aumento excessivo do endividamento conduz as famílias a reduzir seus gastos e a evitar novas dívidas, situação que pode se prolongar”, alerta o diário, que insiste em responsabilizar as “famílias” pelas dificuldades econômicas – sempre livrando a cara dos banqueiros e das corporações capitalistas.
Para o Estadão, o governo Dilma deveria se preocupar exclusivamente com a saúde do capital, reduzindo a “gastança” pública e estimulando a competitividade. Neste sentido, o jornal não se cansa de pregar a redução dos tributos dos ricaços, a flexibilização das leis trabalhistas, novas regressões na Previdência Sociais e outras medidas de corte neoliberal. A desculpa usada é sempre a do perigo da alta dos preços. Daí seu veredito final no editorial. “A inflação deveria merecer muito mais cuidado da parte do Copom”.
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Días insólitos

Bajo el título “El asesino en jefe”, el día 7 de junio de 2012, en un sitio de Internet se afirma: “…no solo elegirán a un presidente de EE.UU.; también estarán eligiendo a un asesino en jefe”.
“Gracias a un largo artículo del New York Times de Jo Becker y Scott Shane, ‘Secret ‘Kill List’ Proves a Test of Obama’s Principles and Will,’ (Lista secreta de asesinatos, prueba de los principios y la voluntad de Obama) sabemos ahora que el presidente ha pasado una cantidad sorprendente de tiempo supervisando la “nominación” de presuntos terroristas para asesinarlos mediante el programa de drones [aviones sin tripulación a control remoto] que heredó del presidente George W. Bush y que ha expandido exponencialmente.”
“El lenguaje del artículo sobre nuestro presidente guerrero […] se concentra en los dilemas de un hombre que, como sabemos ahora, ha aprobado y supervisado el crecimiento de un programa de asesinatos notablemente poderoso en Yemen, Somalia y Pakistán basado en una “lista de asesinatos”. Además lo ha hecho regularmente, objetivo tras objetivo, nombre tras nombre […] Según Becker y Shane, el presidente Obama también ha estado involucrado en el uso de un método fraudulento de recuento de asesinatos de drones que minimiza las muertes de civiles.
“Hablando históricamente, todo esto es bastante extraño. El Times califica el papel de Obama en la maquinaria de asesinatos mediante drones de ‘sin precedentes en la historia presidencial’. Y así es.”
“‘Es el más extraño de los rituales burocráticos: Más o menos cada semana, se reúnen más de 100 miembros del creciente aparato de seguridad nacional del gobierno, en una vídeoconferencia segura, para estudiar las biografías de presuntos terroristas y recomendar al presidente quiénes deben ser los próximos eliminados. Ese proceso secreto de ‘nominaciones’ es un invento del gobierno de Obama, un nefasto círculo de discusión que estudia las diapositivas de PowerPoint con los nombres, alias y biografías de presuntos miembros de la filial de al Qaida en Yemen o sus aliados en la milicia Shabab en Somalia. Las nominaciones van a la Casa Blanca, donde por su propia insistencia y guiado por el ‘zar’ del contraterrorismo John O. Brennan, Obama debe aprobar cada nombre’.”
“Como nos informó la semana pasada el Times, no solo tenemos a un asesino en jefe en el Despacho Oval, sino a un ciber-guerrero…”
Esto que escribo es una breve síntesis sobre la actualidad de EE.UU.
El día anterior, igualmente siniestro, 6 de junio de 2012, la BBC Mundo, bajo el título de “¿Se desinfla la economía de China?”, afirma:
“Varios indicadores empiezan a apuntar hacia una bajada económica en el país asiático, con una fuerte disminución de la demanda de electricidad y de la producción industrial, así como en el rendimiento de las fábricas y las ventas al por menor.
“China sufre desde hace meses a causa del viento frío que procede de Europa, que es su mercado de exportación más grande, incluso mayor que el de Estados Unidos.
“El sector manufacturero del país se contrae desde hace siete meses debido sobre todo a la débil demanda exportadora, según un reciente estudio.”
“El dinero ha dejado de llegar a China más o menos desde septiembre, y en abril de hecho comenzó a abandonar el país. Esto es altamente inusual.”
“Para evitar que el yuan se fortalezca demasiado, China impide que los especuladores compren la moneda.
“Desde mediados de 2010, el gobierno chino había permitido de forma diligente que el yuan se fortaleciera respecto al dólar, pero en el último mes, conforme la economía entró en crisis, comenzó a depreciar de nuevo el valor del yuan.”
“…muchas empresas financiaron la importación de materias primas como cobre, mineral de hierro y aluminio para la industria de la construcción.”
“Los envíos de cobre sin utilizar que se acumulan en los almacenes de China se han hecho tan grandes que apenas hay espacio para guardar el excedente.”
“Esto podría no ser más que un problema pasajero de corto plazo. Pero el temor es que pueda ser el principio del fin del boom inmobiliario por el que se han construido muchos más apartamentos de los que el país verdaderamente necesita.”
“Hay ciudades fantasmas completamente construidas.
“Parece que muchos de estos pisos vacíos estaban siendo comprados por empresas y familias chinas como una inversión más atractiva que depositar el dinero en una cuenta bancaria con bajo interés.”
“La tasa de crecimiento de China apenas cayó por debajo de la cifra mágica del 10% en un momento en que Occidente caía en su recesión más profunda desde la Segunda Guerra Mundial.”
“Por ejemplo, el gigante asiático construyó de la nada la red de ferrocarriles de alta velocidad más grande del mundo, cinco veces el tamaño de la red francesa de alta velocidad.”
“China está en medio de una transición delicada, con una nueva generación de líderes que se acerca al poder, algo que sólo ocurre cada 10 años.
“Hay una lucha política en ebullición, puesta en evidencia por la destitución del llamativo gobernador de Chongqing, Bo Xilai.
“Muchos de los miembros del partido se beneficiaron del boom inmobiliario y del crédito de los últimos tres años. Si este auge llega a su fin, no querrán formar parte de los perdedores inevitables.
“Cómo se desarrollará esa batalla, especialmente en el caso de que China se enfrente a protestas multitudinarias de trabajadores desempleados en las calles, es una incógnita para todos.”
Estoy lejos de compartir este siniestro infundio yanki sobre el destino de China, y me pregunto si acaso puede ignorarse que China posee las más grandes reservas de tierras raras en el mundo y enormes volúmenes de gas de esquisto, que le permitirían ejercer su poder sobre la producción energética mundial cuando cese el poder de mentir y avasallar. Es ya demasiado.
Fidel Castro Ruz
Junio 9 de 2012
12 y 5 p.m.
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Gravações indicam Caixa 2 no DEMo/RN

As eleições de 2006 foram realizadas sob a égide do controle das contas de campanha e dos seus gastos. No ano anterior, o escândalo do chamado mensalão expôs as vísceras dos vícios e indícios de crimes de financiamento de campanha em cena no país.
Era de se esperar que os partidos tomassem mais cuidado naquela eleição com as práticas vedadas pela legislação eleitoral. No Rio Grande do Norte (RN), o PFL, atualmente DEM, não teve esse cuidado. É o que se depreende dos 42 áudios de interceptações telefônicas feitas pelo Ministério Público Estadual a que o blog teve acesso e publicou entre a segunda-feira (21) e o domingo (27).
No âmbito de uma investigação do Ministério Público estadual, o telefone celular de Francisco Galbi Saldanha, atualmente secretário-adjunto da Casa Civil do governo Rosalba Ciarlini (DEM), foi grampeado. E trouxe à luz conversas muito elucidativas, principalmente entre Galbi e Carlos Augusto Rosado, marido da atual governadora e então candidata ao Senado Federal.
Rosalba foi eleita em 2006, mas os telefonemas mostram esquemas de compra de apoio de políticos, compra de votos, fraude em prestação de contas com uso de notas fiscais frias e uma complexa rede de Caixa 2.
Por envolver políticos com o conhecido foro especial (o senador José Agripino, a então senadora Rosalba Ciarlini e o deputado federal Betinho Rosado), a investigação foi encaminhada pelo Ministério Público Estadual e também pelo Ministério Público eleitoral para a Procuradoria Geral da República (PGR), em janeiro de 2009. A PGR não conseguiu ainda esclarecer o que foi feito da investigação desde então.
Muitas conversas explicitam, por exemplo, o uso de dinheiro vivo para pagamento de gastos de campanha – enquanto a lei exigia o uso de cheques vinculados às contas.
Francisco Galbi Saldanha trabalha com Carlos Augusto Rosado desde os tempos em que o atual primeiro-cavalheiro era presidente da Assembleia Legislativa (1981-1983).
Até indícios do envolvimento com a máfia dos sanguessugas aparecem nessas ligações. Albert Nobrega, atual secretário de administração do estado, pede ajuda imediatamente a Galbi por causa de umas ambulâncias compradas pela prefeitura de Mossoró à época da máfia dos sanguessugas. Em 2006, Nobrega era presidente da Comissão de Licitação da prefeitura de Mossoró e é ele que diz que, sem ajuda de Galbi, “vai lascar Rosalba”, já senadora eleita.
Ouve-se também a voz de José Agripino Maia negociando com Galbi Saldanha o repasse de uma verba de R$ 60 mil (em três parcelas de R$ 20 mil) ao ex-vereador natalense Salatiel de Souza.
Carlos Augusto também orienta Galbi a repassar dinheiro para o ex-vereador de Natal, Renato Dantas (R$ 50 mil) e para o atual presidente da Câmara Municipal de Natal, Edivan Martins (R$ 25 mil). Tudo em troca do apoio dos políticos à candidatura de Rosalba ao Senado e Garibaldi Filho ao governo do estado.
Outro grave crime foi confessado nos áudios: Carlos Augusto Rosado informou à tesoureira da campanha do irmão que iria cair R$ 100 mil na conta de campanha de Betinho. Mas o dinheiro era de Rosalba. Depois, Carlos e Galbi tentam articular uma forma de, com uso de notas frias, justificar a retirada do dinheiro da conta de Betinho. Utilizam-se, inclusive, de notas frias do posto de combustível Leste-Oeste, de propriedade do irmão caçula de Carlos Augusto. O deputado federal Betinho Rosado é irmão de Carlos Augusto Rosado e atualmente ocupa o cargo de secretário de agricultura.
O pequeno relato não dá conta de tudo o que está nos áudios. Mas você pode ouvir os principais:
Essas são as mais significativas. Há várias demonstrando a fraude em notas fiscais e recibos eleitorais para justificar gastos de campanha, como esta aqui.
Daniel Dantas
No De olho no discurso
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MPF denuncia: "Privatização do patrimônio público em BH"

Márcio Lacerda
Segundo a recomendação, projeto contém vícios de origem, viola direitos constitucionais e pode acarretar danos ao patrimônio público
A Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC), órgão do Ministério Público Federal (MPF), recomendou à Prefeitura Municipal de Belo Horizonte (PBH) a retirada do Projeto de Lei nº 1.698/2011, que tramita na Câmara Municipal, em razão de vícios insanáveis na sua concepção. Também foi recomendado que a PBH promova ampla discussão pública sobre o estoque de terras municipais e a sua destinação, em cada situação específica, observando a finalidade de uso socialmente justo e ambientalmente sustentável, para garantir o melhor aproveitamento dos imóveis públicos municipais de acordo com o interesse da população de Belo Horizonte.
O Projeto de Lei 1698/2011, aprovado em 1º turno pela Câmara Municipal, pretende desafetar, para venda, 120 imóveis públicos municipais, entre eles, ruas, áreas verdes, lotes vazios, lotes já desapropriados, lotes ocupados pela iniciativa privada para fins comerciais e lotes ocupados por populações de baixa renda, com a remoção forçada dessas famílias. Segundo o MPF, o projeto padece de vício insanável, porque a exigência legal de motivação de interesse público, na alienação de imóveis da Administração Direta ou Indireta, deve ser indicada caso a caso, não em massa como pretende o PL 1698/2011.
Os próprios motivos alegados pela prefeitura são postos em dúvida pelo Ministério Público Federal. A PBH alega que a finalidade da alienação seria a aquisição de recursos financeiros a serem destinados aos programas municipais de habitação.
Para a procuradora regional dos Direitos do Cidadão, “essa motivação arrecadatória não se confirma diante do reduzido valor atribuído aos imóveis, com preços muito inferiores aos praticados pelo mercado. Além disso, e contraditoriamente, a carência de equipamentos urbanos em Belo Horizonte não se deve à falta de recursos financeiros, passíveis de serem captados por meio de tributos e convênios com o Governo Federal, mas sim à própria falta de estoque de terras públicas urbanas destinadas a esse fim”.
A própria prefeitura, por ocasião do lançamento do Programa Minha Casa, Minha Vida, chegou a anunciar que o baixo número de unidades habitacionais [1.456] produzidas para a população de baixa renda – menor, inclusive, do que as lançadas em Betim, Uberlândia, Uberaba e Juiz de Fora – deveu-se à pouca disponibilidade de terras na capital.
“Portanto, considerando-se que o déficit habitacional atualmente em Belo Horizonte está em torno de 70.000 moradias, fica difícil entender como a PBH possa abrir mão desses bens a pretexto de compor o Fundo Municipal de Habitação”, afirma Silmara Goulart.
Segundo o MPF, a nova ordem jurídico-urbanística brasileira traz um novo paradigma da propriedade e da cidade, superando a visão privatista e liberal do Código Civil de 1916. “Na prática, isso significa que o Poder Público está sujeito aos ditames constitucionais e às normas postas pelo Estatuto da Cidade, entre elas, o dever de gerir a terra pública de forma a garantir o direito a cidades sustentáveis, que é entendido como o direito à terra urbana, à moradia, ao saneamento ambiental, à infraestrutura urbana, ao transporte e aos serviços públicos, ao trabalho e ao lazer, para as presentes e futuras gerações”.
De acordo com a PRDC, “o processo de privatização do patrimônio público, mediante a venda de terras municipais para o mercado imobiliário, frustra a possibilidade de democratização dos espaços de poder e de acesso à terra urbanizada e central para as populações mais vulneráveis, impondo um modelo de periferização da pobreza não mais tolerado pela nova ordem constitucional”.
O MPF chama a atenção para o fato de que o projeto de lei foi elaborado sem exigir qualquer destinação econômico-social do uso das terras, mesmo porque, deixando o imóvel de ser público, não haverá controle por parte da Administração Pública, acerca da destinação dada a esses bens. “É difícil de acreditar que terrenos situados em locais de grande especulação imobiliária possam ser destinados, após passar ao setor privado, a finalidades sociais”, afirma Silmara Goulart.
Ela lembra ainda que é preciso resguardar o patrimônio público, já que, a longo prazo, o que se vê é o gasto de vultosos recursos em processos de desapropriação, para reverter ao Município antigas terras públicas incorporadas indiscriminadamente ao domínio privado. “O contrário também acontece. Há notícia de que entre os terrenos a serem vendidos figuram imóveis desapropriados para a implantação de equipamentos públicos e que, agora, serão postos à venda, para retornarem novamente ao domínio privado”.
O MPF também abordou, na recomendação, a falta de estudos prévios sobre os impactos ambientais e urbanísticos da venda indiscriminada dos imóveis públicos localizados em diversos bairros da capital.
“O PL contraria o próprio Plano Diretor e as diretrizes da Política Habitacional de Belo Horizonte e afetará a qualidade de vida da presente e das futuras gerações, ao alienar, de forma indiscriminada, terras públicas essenciais para a implantação de políticas nas diversas áreas de habitação, educação, saúde, assistência social, esporte e lazer, bem como para manutenção da função ambiental da cidade e da qualidade de vida nos centros urbanos”, explica a procuradora da República.
Ela diz que, “diante de todas essas irregularidades, expedimos a Recomendação para resguardar os interesses difusos afetados pelo projeto de lei. É obrigação do Ministério Público agir quando há ameaça à ordem urbanística e ao direito a uma cidade sustentável, conforme art. 1º, VI da Lei 7347/85, incluído pela Medida Provisória nº 2.180-35, de 2011. No caso da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão, o artigo 13 da Lei Complementar 75/93 expressamente nos autoriza, em caso de violação a direitos constitucionais, a notificar os responsáveis para que façam cessar o desrespeito verificado”.
Se a recomendação não for atendida, a PRDC “representará ao poder ou autoridade competente para promover a responsabilidade pela ação ou omissão inconstitucional” (artigo 14 da LC 75/93), que, no caso, será o Ministério Público Estadual. Foi concedido prazo de 10 dias para o prefeito municipal informar se irá atender a recomendação, encaminhada a ele na última quarta-feira, 30/05.
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Lacerda vende BH

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Uma explicação sobre a meia verdade jornalística

Como se processa a mentira jornalística Em meu "O jornalismo dos anos 90" escrevo um capítulo sobre as ferramentas de manipulação da notícia pela mídia.
Um dos recursos poderia ser batizado de "o jogo de juntar pontos". Como no jogo, jogam-se vários pontos em uma página em branco. Alguns pontos são verdadeiros - e nem por isso, relevantes. Com base nos pontos verdadeiros, o repórter "investigativo" junta os outros pontos formando o desenho que bem entender, mesmo que todos os demais sejam falsos.
A cobertura do Dossiê Cayman, pela Folha, ou a série de matérias de Veja-Cachoeira valeram-se desse estratagema. Por exemplo:
  1. O embaixador cultural de Cuba mandou uma caixa de rum para o PT em São Paulo. Verdadeiro.
  2. A caixa veio em um jatinho que saiu do aeroporto de Brasilia. Verdadeiro.
  3. O jatinho desceu em Cumbica. Verdadeiro
  4. A caixa foi levada para a sede do PT. Verdadeiro.
  5. A caixa continha dólares guardados nas garrafas. Falso e inverossímel.
Apesar de totalmente inverossímil, ganhou ares de veracidade devido aos detalhes (insignificantes) acoplados à história.
Outra capa clássica da Veja, sobre o caso Cacciola:
  1. Os Bragança eram amigos de Chico Lopes (presidente do BC). Verdadeiro.
  2. Um dos Bragança tinha dois telefones celulares, declarados no Imposto de Renda. Verdadeiro.
  3. O Banco Pactual tem um registro junto ao FED de Nova York. Verdadeiro.
  4. O Pactual obtinha informações privilegiadas dos Braganca. A conferir.
A partir daí, o então repórter Policarpo Jr criou a seguinte história: o Pactual pagava Bragança por informações privilegiadas; o pagamento se dava através da conta xis (na verdade, o que tinha era o número de registro do Pactual em NY); as informações eram passadas através dos dois celulares, um com Bragança, outro com Chico; Cacciola passou a grampear o celular para ter acesso às informações; no dia aziago do fim da banda cambial, o grampo não funcionou.
Toda essa maluquice foi possível pela adição de detalhes alguns verdadeiros, outros não, porém insignificantes para a comprovação da tese.

As leis das meias verdades

Dois estudiosos norte-americanos - Daniel Kahneman e Amos Tversky -, especalistas em probabilidade, tem um interessantíssimo estudo sobre a questão da verdade e da meia verdade, dentro da teoria da probabilidade. Esse estudo mostra porque esses detalhes insignificantes (falsos ou verdadeiros) são importantes para dar veracidade a uma meia verdade.
Ambos conduziram um experimento no qual descreviam uma jovem, enquanto universitária. Depois apresentavam um teste para que determinado número de pessoas analisassem a probabilidade do que a jovem poderia ter se tornado:
  1. Uma feminista.
  2. Uma feminista bancária.
  3. Uma bancária.
Por qualquer análise que se faça, a probabilidade da jovem ser OU feminista OU bancária era maior que ser feminista E bancária. No entanto, a maioria absoluta dos pesquisados cravou na opção B.
A conclusão de ambos era a de que ser feminista era a opção mais provável, a partir da descrição que fizeram da jovem, quando universitária. Mas quando se acrescentava o emprego de bancária, mesmo sem ter nenhum ingrediente capaz de induzir ao palpite, aumentava a credibilidade da situação.
Concluíram eles:
"Se os detalhes que recebemos se adequarem à imagem mental que temos de alguma coisa, então, quanto o maior o número de detalhes numa situação, mais real ela parecerá e, portanto, consideraremos que será mais provável - muito embora o ato de acrescentarmos qualquer detalhe do qual não tenhamos certeza a uma conjectura, a torne menos provável"
Dá para entender, por aí, a gênese da parceria Veja-Carlinhos Cachoeira.
Luis Nassif
No Advivo
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Charge online - Bessinha - # 1285

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Cachoeira e Veja, uma visão de 2008

Caro Nassif
O caso Cachoeira-Demóstenes veio evidenciar toda a justeza da sua luta contra as ignomínias da Veja e suas linhas auxiliares, que se especializaram em forjar mentiras, arrasar com reputações e atrasar todo o processo de democratização, que poderia ter se desenvolvido amplamente após o Diretas-Já.
A cada dia que passa, compreendo melhor o valor do enfrentamento que você realizou. Sou-lhe muito grata por tudo isso e peço que continue produzindo, nesse momento, muitas matérias como essa, para que possamos entender exatamente como funciona esse Quarto Poder, entrando na luta contra os seus desmandos absurdos com as armas corretas.
Ajude-nos a entender os detalhes dessa sinistra trama, você que desceu aos infernos tentando desmanchá-la. Parabéns por tudo que fez por todos nós brasileiros e brasileiras, de ontem, de hoje e do amanhã.
Maria Lucia de Andrade Pinto
No Advivo
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A sede chinesa

Paris — Antes eram só japoneses, hoje é difícil distinguir entre as etnias orientais que fazem fila para entrar na Vuitton e outras lojas caras de Paris, mas a maioria é certamente chinesa. O mercado do luxo não sente a crise em nenhuma circunstância, mas chineses com dinheiro estão movimentando o setor acima do normal.
Os chineses estão comprando a França, ou pelo menos aquela França que a gente só vislumbra nas vitrines das lojas de nome e na propaganda das grandes grifes, no maravilhoso mundo dos recursos ilimitados. E o que não podem levar para casa os chineses compram e deixam por aqui.
Por exemplo: vinhedos. Há dias li no “Le Monde” que mais de vinte “chateaux” da grande região vinícola de Bordeaux pertencem hoje a chineses, entre proprietários privados e consórcios.
Nada muda nos métodos de produção ou, imagino, no pessoal dos “chateaux”, os chineses apenas passam a importar vinhos deles mesmos.
A sede de vinho é tamanha na China que um dos problemas no seu comércio com produtores franceses era a falsificação. Há alguns anos descobriram que tinham sido vendidas mais garrafas de Chateau Lafite-Rothschild 1982 na China do que produzidas na França. A partir de 2008 os chineses começaram a comprar seus próprios “chateaux”.
Segundo o “Le Monde”, além das compras já feitas, existem mais umas quinze sendo negociadas.
É conhecida a história do enólogo francês contratado para estabelecer uma indústria de vinhos na Califórnia. O francês orientou todo o processo, desde a compra e preparação da terra até a escolha das vinhas e o método de plantio e colheita e armazenamento, e quando completou seu trabalho e a Califórnia estava tecnicamente preparada para fazer um vinho igual ao francês, o enólogo declarou:
— Pronto, agora é só esperar 300 anos.
A história é inventada, claro. A Califórnia demorou um pouco, mas não precisou esperar 300 anos para fazer um vinho respeitável. Mas mais práticos estão sendo os chineses. Compram logo os 300 anos.
BRANQUEADA
Era um amistoso Brasil x França, no Stade de France. O Reali Junior estava ao meu lado e me chamou a atenção: fora o goleiro, todos os jogadores do time francês em campo eram negros. O atual treinador da França (chamado Blanc) deu uma entrevista controvertida quando assumiu, meio que sugerindo que a proporção étnica ia mudar.
Coincidência ou consequência das persistentes tensões raciais na França, a seleção francesa que participa do atual campeonato europeu sofreu uma branqueada generalizada. Prefiro pensar que foi coincidência.
Luís Fernando Veríssimo
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A Televisão na Eleição Paulistana

Enquanto o meio político concentra sua atenção na CPI do Cachoeira e no julgamento do mensalão, as eleições municipais avançam. Em alguns lugares mais, outros menos, já estão em pleno andamento. Tudo acontece, por enquanto, longe dos olhos da opinião pública.
O momento é de estruturação das campanhas e de negociações entre os partidos. Nas cidades médias e grandes, as pessoas demoram a se interessar pela eleição de prefeitos e vereadores. Ela motiva menos que a escolha de presidente e governador.
Nas menores, o inverso tende a ser verdadeiro. Os eleitores se envolvem e participam, conhecem os candidatos e sabem de que lado estão, quem são suas famílias, o que fazem na vida. As campanhas são parte do cotidiano, começam cedo e feitas olho no olho. Nas capitais, o engajamento costuma ser pequeno e tardio, o que leva a que, até perto do dia da votação, a indecisão permaneça elevada.
A informação a respeito dos candidatos só aumenta no final, depois que começa a propaganda eleitoral na televisão e no rádio. Isso se reflete nas pesquisas. Como as que estão sendo feitas para as eleições deste ano. De norte a sul, quem lidera são, tipicamente, políticos conhecidos: ex-governadores, ex-prefeitos (e alguns dos atuais que buscam a reeleição), radialistas, comunicadores.
Desses, há os que são apenas “bons de largada” - candidatos que despontam nas primeiras pesquisas, mas que não conseguem se consolidar à medida que o processo eleitoral avança. Falta-lhes condição “de chegada”. Estar na frente, agora, nem sempre significa favoritismo efetivo.
Em São Paulo, o palco onde será travado o confronto que mais atenção suscita, os comitês de campanha dos principais candidatos estão a mil. Oficialmente, negociam com outros partidos em busca de apoio.
Na prática, no entanto, o que está em jogo é - quase unicamente - o tempo de televisão de cada um. A quem interessa, por exemplo, o “apoio” do PR - partido que poucas pessoas sequer sabem que existe? Será que alguém deseja exibir na propaganda o rosto do senador Alfredo Nascimento, eleito pelo Amazonas e presidente da legenda? Será que seu endosso traz qualquer benefício? E o do campeão de votos do PR, o deputado Tiririca?
Mas Serra estava, outro dia, comemorando o “apoio” do PR - sem se importar com o fato de Alfredo Nascimento ter sido demitido por Dilma em meio a denúncias de irregularidades no ministério dos Transportes.
O que queria era o minuto e pouco do PR. Nem tanto para aumentar a duração de seu “programa eleitoral” - o que será veiculado, a partir de 21 de agosto, em horário certo, de manhã e à noite, às segundas, quartas e sextas - e que pouca gente vê.
Mas para ter mais tempo de inserções - a mídia que realmente conta, pois atinge o universo do eleitorado. Fernando Haddad e Gabriel Chalita também procuram “apoios”. Na verdade, eles é que mais têm a ganhar se seu tempo de televisão aumentar: ambos podem crescer, pois ainda são pouco conhecidos - ou desconhecidos - por parcela importante do eleitorado da cidade.
Não é o caso de Serra, com seus quase 100% de conhecimento e mínimo espaço de crescimento. O que o tucano busca com os “apoios” que conquista não é, portanto, mais tempo para si mesmo. Sua meta é evitar que os adversários o obtenham.
Como se vê, tudo gira em torno da televisão - e do que se dá em troca de mais tempo. Propostas, projetos, ideologias, lealdades, trajetórias, coerência, coisas assim, nem entram nessas negociações. São detalhes.
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
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