7 de jun de 2012

Liminar suspende edital da Nova Luz, em São Paulo

Juíza diz que Gilberto Kassab não respeita a gestão democrática da cidade, ignora os moradores de bairro que será privatizado e não cadastra quem será afetado pela medida
São Paulo – A 6ª Vara da Fazenda Pública em São Paulo concedeu liminar obrigando a prefeitura da capital a interromper o edital de privatização do bairro da Luz, no centro da cidade, rebatizado pela administração de Gilberto Kassab (PSD) como Nova Luz. Com isso, ao menos até contestação e derrubada da decisão judicial, a atual gestão não poderá levar adiante o processo de venda de 45 quadras e das edificações daquela região.
Na decisão, a juíza Alexandra Fuchs de Araújo aceita o argumento apresentado pela Defensoria Pública do Estado e reforçado pelo Ministério Público Estadual de que os moradores e os comerciantes locais não foram consultados pela prefeitura. “A gestão democrática da cidade implica na efetiva participação de pessoas e associações, representativas dos diversos segmentos da sociedade civil, no processo de organização, planejamento, execução e acompanhamento de planos, programas e projetos de políticas públicas para a modificação do ambiente urbano da cidade”, observa em seu despacho, oficializado ontem (6).
Na ação inicial, os advogados indicaram que não houve consulta pública durante o processo de discussão do Conselho Gestor da Zona Especial de Interesse Social da Luz, responsável por aprovar, em abril, o Plano Urbanístico da Nova Luz. Na ocasião, os conselheiros da sociedade civil se queixaram que os documentos apresentados eram insuficientes para tomar uma decisão. Além disso, de acordo com a defensoria, foi escolhido para a reunião um lugar pequeno, que claramente não abrigava todos os interessados.
Na decisão, a juíza cita trechos do Estatuto das Cidades, criado pelo governo federal, que prevê que a gestão municipal se dê com a devida participação dos cidadãos, aptos a decidir de que maneira querem que sejam administradas as questões urbanas. “A situação atual é de constante desrespeito da Prefeitura Municipal para com a exigência constitucional e infraconstitucional de necessidade de participação popular nos processos deliberativos relativos às políticas públicas de habitação”, afirma a magistrada, que acrescenta que a administração Kassab não apresenta provas de que tenha cadastrado todos os moradores que serão afetados pela privatização do bairro.
A assessoria de comunicação da prefeitura informou que só irá se manifestar após ser notificada oficialmente da decisão.
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Charge online - Bessinha - # 1282

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Navio do Brasil grava 320 invasões aéreas de Israel no Líbano

A fragata Liberal substituiu a fragata União
na missão de paz no Líbano em maio
O navio de guerra brasileiro da missão de paz da ONU no Líbano registrou 320 invasões do espaço aéreo libanês por aviões militares de Israel nos últimos seis meses.
Segundo a diplomacia israelense, os voos têm caráter defensivo. Seu objetivo seria coletar informações sobre supostos foguetes do Hezbollah que poderiam atingir Israel.
Contudo, esses voos militares violam a resolução do Conselho de Segurança da ONU que estabeleceu um cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah em 2006 e proíbe forças armadas estrangeiras de entrar no Líbano sem autorização do governo.
As 320 invasões aconteceram entre novembro de 2011 e maio de 2012, segundo o contra-almirante Wagner Lopes de Moraes Zamith, comandante da Força Tarefa Naval da ONU . Em média, elas representam mais de 12 invasões por semana.
Os voos suspeitos foram registrados pelo radar da fragata brasileira "União" e também gravados em imagens pela tripulação. Foram flagrados principalmente aviões de caça, de reabastecimento e "drones" - os aviões militares não tripulados.
"As violações de espaço aéreo são frequentes. Nosso navio tem capacidade de detectar essa atividade aérea. Inclusive isso é uma atividade subsidiária nossa que é muito bem-vinda pela Unifil (missão de paz da ONU no Líbano)", afirmou Zamith à BBC Brasil.

Radares


Os sobrevoos irregulares de Israel sobre áreas libanesas acontecem ao menos desde a retirada das tropas israelenses do sul do Líbano em 2000.
Eles são registrados pela ONU por meio de um radar terrestre instalado no quartel general da Unifil em Naqoura, no norte do país.
Porém, segundo Zamith, o equipamento não tem alcance adequado para monitorar a região próxima à fronteira com Israel.
O posicionamento da fragata brasileira durante missões no litoral sul do Líbano desde o fim do ano passado ampliou a capacidade de detecção da missão e possibilitou o atual registro de flagrantes.

Reação

Avião israelense de reabastecimento e carga,
Hércules C-130, sobrevoa Hebron

Depois de captadas, as informações sobre os voos suspeitos são analisadas pela Unifil - que verifica se de fato houve violação do espaço aéreo.
Em seguida, a missão faz protestos formais ao Conselho de Segurança da ONU, exigindo que as IDF (Forças de Defesa de Israel) parem com os abusos.
"Esses voos violam a resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU. Eles estão minando nossa credibilidade junto à população do sul do Líbano", afirmou à BBC Brasil Andrea Tenenti, o porta-voz da Unifil.
Segundo ele, a ação diplomática é a única reação possível da Unifil, pois seu mandato não permite o uso da força para impedir as violações israelenses - a menos em caso de ataque a capacetes azuis.
A Força Tarefa Naval da ONU existe desde 2006. Desde que o Brasil assumiu o comando da frota no ano passado, um único incidente envolvendo forças navais das Nações Unidas e aviões de Israel foi registrado, em 2011.
Um caça israelense invadiu o espaço aéreo libanês e sobrevoou um navio de guerra da esquadra internacional. Na linguagem naval, esse tipo de ação é considerada atitude hostil.
A ONU entrou em contato com Israel e o caso foi tratado como um mal-entendido.

Defesa de Israel

Segundo o diplomata Alon Lavi, porta-voz da embaixada israelense no Brasil, foi o Hezbollah quem violou a resolução do Conselho de Segurança da ONU com violência praticada dentro do Líbano.
Segundo ele, Israel teria informações de inteligência segundo as quais o grupo extremista xiita estaria estocando foguetes em áreas libanesas.
Outro motivo para os voos seriam "ameaças abertas" feitas por líderes do Hezbollah de atacar cidades israelenses.
"Israel tem a obrigação de obter informações de inteligência sobre esses foguetes porque eles estão apontados para a nossa população de novo", disse.
"É por isso que Israel tem feito voos no espaço aéreo do Libano, mas não temos propósitos ofensivos. A prova disso é que nenhum lugar no Líbano foi ameaçado ou atacado", disse.
Segundo ele, apesar de não haver registro de ataques recentes do Hezbollah, os voos israelenses continuam acontecendo com o caráter de monitoração.
Já para o diplomata Jimmy Douaihy, encarregado da embaixada libanesa, os voos violam a soberania do Líbano. Segundo ele, não há sentido na afirmação de que eles ocorrem em defesa contra o Hezbollah.
"Há tropas das Nações Unidas lá (sul do Líbano). Eles é que monitoram a área e não levantaram esse tipo de atividade", afirmou.
Ele também afirmou que as violações da soberania libanesa por Israel ocorreriam também pelas fronteiras terrestre e marítima. "Desde 2006 foram mais de 10 mil violações. Acontece quase todo dia. Já apresentamos várias queixas ao Conselho de Segurança (da ONU)", disse.

Ciclos

O contra-almirante Zamith afirmou que os voos israelenses têm características de ações de reconhecimento. Segundo ele, a atividade israelense no espaço aéreo libanês varia de acordo com a conjuntura política da região.
"As situações aqui são cíclicas, às vezes pioram e às vezes melhoram. Obviamente, nos momentos em que a situação do entorno regional se agrava, a tendência é que essas atividades aéreas também aumentem proporcionalmente", disse.
Lavi afirmou, por sua vez, que a relação entre as forças de Israel e os militares brasileiros atuando no Líbano é "muito boa e próxima".
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Bolsa Família estimula busca de emprego e produção

Estudos do Instituto Sensus mostram que os programas sociais de combate a pobreza do governo geram desenvolvimento econômico:
No grupo que recebe Bolsa Família, a busca e obtenção de emprego é maior do que no sem o benefício.
Na região do semiárido, os que ganharam cisterna de água em suas casas aram 50% a mais de terras do que os que não receberam.
“Os programas sociais estimulam o beneficiário à produção, saindo de níveis de pobreza para a maior recompensa via o trabalho”, afirma Ricardo Guedes, diretor da entidade. (Da IstoÉ)
Em tempo: os demotucanos chamavam o Bolsa Família de "bolsa-esmola" e diziam que o programa "estimulava a preguiça".
Bem recente, há apenas um ano atrás, o líder do PSDB no senado, Álvaro Botox Dias dizia isso aí no vídeo:
No Amigos do Presidente Lula
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Aécio fala em "ética" na TV. Risível!

O PSDB começou a exibir nesta semana as suas inserções publicitárias no horário partidário na rádio e TV. Numa delas o cambaleante presidenciável tucano, o senador Aécio Neves, aparece todo maquiado dizendo que tem um "sonho" - "a de que a política possa, um dia, ser o espaço da ética". Na maior caradura, ele garante que o seu partido tem esse firme compromisso. É muito cinismo. Chega a ser risível!
Para reforçar a sua mensagem "ética" o PSDB bem que poderia exibir também as imagens do governador de Goiás, Marconi Perillo, que a cada dia se complica mais na cachoeira de denúncias sobre o envolvimento com o crime organizado. Também poderia prestar esclarecimentos sobre as falcatruas com dinheiro público nas obras do Rodoanel em São Paulo, que envolve o seu "amigo" José Serra. Aécio Neves ainda poderia rechaçar as acusações, que partiram de Minas Gerais, sobre a "privataria tucana" no reinado de FHC.
Os tucanos - juntamente com os eternos aliados demos - estão perdidos, sem rumo. Não têm propostas e perderam as suas bandeiras. Mesmo assim, eles insistirão na tecla udenista dos paladinos da ética. Caso a situação de Marconi Perillo se complique de vez, talvez até façam como o DEMo - que já rifou Demóstenes Torres, o seu grande líder. Será que os eleitores brasileiros vão se deixar iludir com a falsa marquetagem?
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Governo Dilma e greves: a insatisfação que não querem ver

Vive-se um momento contraditório no país: ao mesmo tempo em que o governo mantém altos índices de popularidade e a estabilidade econômica alcançada em meio à mais grave crise do capitalismo desde 1929, graves problemas na Educação e na Saúde vêm a público, no bojo da insatisfação de médicos e professores. A greve destes atinge 20 dias, tem número de adesões crescente (já são 51 instituições paradas) e permanece sem perspectiva de solução. Concomitantemente, ocorrem dezenas de greves de professores estaduais e municipais.
Agora a situação se deteriora ainda mais: desde ontem, quando o ministro Aloizio Mercadante (Educação) chamou os representantes docentes à mesa de negociação mas, invocando as incertezas do cenário econômico internacional, não apresentou proposta, servidores públicos de 31 categorias profissionais, que protocolaram sua pauta de reivindicações no longínquo janeiro, decidiram aderir à paralisação até o próximo dia 18, como forma de protesto, após uma dezena de reuniões infrutíferas com o governo.
Não obstante a gravidade da situação, tal cenário quase não tem atraído as atenções da mídia corporativa, cuja orientação neoliberal inclui, naturalmente, um desprezo acentuado pelo funcionalismo público. Só abre eventuais exceções quando – como ontem, no MEC - há quebra-quebra e a possibilidade sempre excitante de incriminar os movimentos sociais. Para muito além desses interesses de fundo, porém, tal comportamento se insere em um contexto histórico e político específico que ora já pode ser entendido como demarcador de um capítulo da história da imprensa: o seu relacionamento com os governos federais petistas.

Mídia omissa

A mais grave crise da imprensa brasileira, tanto em termos comerciais - face às dificuldades para competir com o conteúdo gratuito oferecido pela internet - quanto éticos – graças à negligência de regras básicas do bom jornalismo e à ação como partido político, que fazem com que se encontre profundamente desacreditada - está prestes a completar uma década, posto que deflagrada a partir da campanha eleitoral de 2002, a qual levou Lula, pela primeira vez, à Presidência.
Muitos e graves são os efeitos deletérios ora ocasionados ao país pela virtual ausência de um jornalismo sério que, malgrado suas ligações com o grande capital, ao menos se esforçasse para aparentar profissionalismo e imparcialidade, como se faz em boa parte do mundo.
Mas não: além da insistência obsessiva em reafirmar, como dogma, um receituário neoliberal desautorizado pela história socioeconômica – como os índices de desemprego e a grave crise vivenciados no passado pelo Brasil e ora pelas nações do norte ocidental ilustram de forma cabal – e da tendência a se aferrar a um conservadorismo patrimonialista, contrário a tudo que recenda a lutas sociais – de reforma agrária a liberdades comportamentais, de direitos sobre o próprio corpo a greve como forma de reivindicação –, a imprensa brasileira abusa de expedientes baixos, de manipulações grosseiras, de armações várias, dos quais o inacreditável fuzuê em torno das declarações de Gilmar Mendes e as evidências da CPI do Cachoeira envolvendo a revista Veja e o crime organizado são as provas mais recentes.

O nó da questão

Esse quadro acima descrito, que promove o esvaziamento do jornalismo como campo de valoração e intermediação, acaba por afetar substancialmente a circulação qualitativa da comunicação na sociedade, a difusão de critérios valorativos à ética na política e seu acompanhamento, o grau de consciência cívica dos cidadãos, a constituição de narrativas histórico-políticas, entre outros temas. Tudo isso faz com que a relação entre mídia, cidadania e democracia se afigure, atualmente, como um ponto nodal para o avanço da democracia no país.
Para além dessas características eminentemente negativas, talvez o aspecto mais contraditório – e mais revelador da pouca inteligência política que caracteriza a estratégia do conservadorismo midiático – seja que, ao optar pela desqualificação grosseira, pelo denuncismo seletivo e pela repetição de mantras e dados em sua maioria inverídicos, ele deixa tanto de reconhecer méritos (a muitos evidentes) quanto de apontar falhas e deméritos efetivos dos governos Lula e Dilma. Isso, por sua vez, acaba por gerar um fenômeno paradoxal, uma vicissitude crítica de consequências anestesiantes, que merece ser examinado com maior detalhamento.

Um ano e meio de governo

Pois desse modo agindo, a parcialidade antigovernista tende, por um lado, a tornar indistintas, do ponto de vista de seu grau de procedência e de sua veracidade, as críticas que faz ao governo. Isso, por outro lado, incita - nas redes sociais, sobretudo – uma resposta contrária e em igual medida, porém pró-governista. Assim, seja pela dificuldade de separar o joio do trigo nas críticas da mídia ao governo, peneirando o que é procedente e o que não é, ou seja pela impropriedade de se esperar que as respostas coletivas e de natureza eminentemente reativa das redes sociais somem à exaltação dos méritos o ato de botar o dedo nas feridas governistas, acaba-se por não se desenvolver devidamente e a contento o exame de questões problemáticas e dos pontos fracos da gestão federal – e isso, ao contrário do que possa inicialmente aparecer, é prejudicial não só para a mídia, mas, mais ainda, para o governo Dilma Rousseff e para o país.
E fica cada vez mais claro que o governo Dilma oferece até agora, quase um ano e meio depois de seu início e na iminência de ingressarmos em mais um período eleitoral, um legado contraditório, cujos méritos diversos merecem, sem dúvida, ser reconhecidos, mas cujos pontos indubitavelmente problemáticos não podem permanecer eclipsados pelo paradoxo gerado pela atuação obscurantista da imprensa neoliberal, de um lado, e, de outro, pelo otimismo muitas vezes condescendente de seus simpatizantes, entusiastas e militante nos blogs e redes sociais (neste sentido, é altamente simbólico que o ápice da deterioração das relações entre governo e servidores tenha se dado concomitantemente a um momento em que as redes sociais fervilhavam de irônica autocongratulação, com tags como #serpetralha e #BolsaTwitter).
Pois, desse modo, acabamos no pior dos mundos para as demandas trabalhistas, posto que tanto o entusiasmo cego de uns quanto o neoliberalismo dogmático de outros acaba por fazer vista grossa para tais reivindicações – advindas, no caso, de servidores responsáveis justamente pela aplicação das políticas sociais do Estado, na Educação, na Saúde e para além destas.

Méritos e desacertos

Não se deve, por certo, deixar de reconhecer os méritos do atual governo, em que se destacam, por estruturais, as políticas de erradicação da miséria e de seguridade socioeconômica, de um lado, e a estabilidade econômica de outro, esta notadamente por se dar em meio a uma grande crise mundial, como já mencionado. Trata-se de um feito que não pode ser menosprezado: a título de comparação, basta examinar as consequências devastadoras que a crise do petróleo gerou na economia brasileira do início dos anos 80 ou, num exemplo mais próximo e com a economia já altamente globalizada, as três vezes em que o Brasil quase foi à falência durante o segundo governo de Fernando Henrique devido a crises econômicas localizadas, bem menores do que a atual, e que legaram ao país muita carestia e desemprego.
Convém frisar ainda que, a despeito do baixo crescimento dos últimos meses, o desempenho da economia brasileira, no governo Dilma, tem contemplado, de forma inédita, um esforço para redução substancial dos juros e atenção aos níveis de desemprego (que se encontram no menor índice da série histórica), de crédito e de consumo. Destarte, não tem sido possível, nos últimos anos, bradar a constatação antes renitente de que “a economia vai bem, mas o país vai mal”.

Recursos há

Por outro lado, o rigor fiscal continua recebendo um tratamento prioritário que é negado a áreas sociais fundamentais, tais como saúde e educação. Mesmo já atingida a por si excessiva meta de superávit primário em abril, o governo continua economizando, enquanto promove um inaceitável corte de salários de 48 mil médicos e trata com marasmo a greve dos professores universitários federais.
Saúde e educação são – ou deveriam ser duas áreas de máxima prioridade para um governo alegadamente comprometido com a real promoção de avanços sociais e democráticos. Durante toda a campanha eleitoral e em seu discurso de posse, Dilma reiterou que a Educação seria, em suas palavras, “prioridade número um”.
Porém o que se vê agora está muito distante de honrar esse compromisso: o governo, embora siga promovendo um superávit primário absurdamente alto e disponha de recursos que o permitem perdoar dívidas milionárias das teles e continuar abdicando de impostos para estimular compra de carros e de eletrodomésticos, se recusa a sequer apresentar uma contraproposta às categorias profissionais em greve, que têm sido tratadas com um descaso incompatível com um governo popular.

Incoerência programática

Tal postura intransigente acaba por permitir lances do mais hipócrita oportunismo, como o recente apoio do PSDB à greve. Ora, os tucanos não têm moral para se solidarizar com quem sempre maltrataram: quando no poder, com FHC, faltou giz e dinheiro para pagar conta de luz nas universidades federais, que estiveram à beira do colapso (este era mesmo o objetivo, para privatizar o ensino superior).
No entanto, se continuar a tratar as demandas de seus servidores como os últimos itens a serem contemplados em sua agenda governamental, a administração Dilma Rousseff estará não só facilitando o trabalho de seus opositores – seja através de lances hipócritas como o acima mencionado, seja por desvalorizar o setor público para gáudio do conservadorismo – mas diminuindo a qualidade e a efetividade da ação do Estado nas áreas de Saúde e de Educação - e, assim, afastando-se da plataforma de um governo progressista e prejudicando o povo e o país.
Maurício Caleiro
No Cinema & Outras Artes
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Estadão e Apple: A modernidade do século passado

A não ser que eu esteja muito enganado, estamos no século XXI, onde podemos encontrar qualquer musica caso saibamos o que vem a ser torrent ou mesmo caso tentemos encontrar algum servidor http ainda válido (o fim do Megaupload e as restriçoes no Fileserver e etc prejudicaram muito o pirata eventual e o inveterado, mas não de forma irreversível).
Claro que se o leitor tiver um gosto peculiar como o meu para rock cambojano dos anos 60 ou metal extremo em linguas "exóticas" a coisa complica, mas para tudo dá-se um jeito, até entrar em contato com o cantor ou cantora ou mesmo banda por e-mail ou sinal de fumaça. Até hoje foram raros os artistas que não consegui encontrar.
Enfim, o que temos hoje é uma facilidde tremenda para compartilahr cultura e encontrar a musica que queremos rapidamente ou com algum esforço recompensador. Mas eis que o Estadão anuncia com pompa e com ares de importância um parceria com a Apple para... dar 3 músicas do coldplay para seus leitores.
Na estreia, nesta terça-feira, você poderá fazer o download de três faixas exclusivas do Coldplay gravadas no iTunes Festival 2011 em Londres. São elas: Every Teardrop is a Waterfall, God Put a Smile Upon Your Face e Fix You. Além disso, os álbuns da banda também estão disponíveis na loja com preços promocionais. Baixe neste link o primeiro presente.
Pois é, o Estadão vai fazer algo que em 1998 talvez fosse grandioso e vai liberar três míseras músicas de uma banda pop que, hoje, qualquer ser humano poderia baixar se levar sequer 5 segundos pesquisando (aliás, os links nas músicas acima vieram de rápida pesquisa que fiz).
Tudo bem, o Estadão pode alegar que são versões especiais, exclusivas, únicas e blablabla... Sem problema, espere uns 2-3 dias e estas versões exclusivas logo cairão na rede.
A seção de tecnologia do Estadão é até boa, com bons colunistas, mas esta foi realmente de doer. Em pleno século XXI achar que oferecer musicas de uma banda famosa configura-se em "promoção" de qualquer tipo. Aliás, uma promoção exclusiva para quem possui um iPhone ou similar, quem usa Android fica aver navios - ou usa a cabeça e procura na internet.
Mas o mais surpreendente de tudo são so comentários no post do jornal em que jovens - e não gente de 50 anos ou mais - acham que baixar musicas prejudica o artista! Que garantir enormes lucros à gravadoras (e  à Apple) é ser "cool". Realmente, lamentável.
Vamos aprender de uma vez por todas: A venda de CD's não altera os rendimentos dos artistas, mas tão somente das gravadoras e de sua capacidade de fabricar artistas sem talento, de pagar jabá e de enriquecer investidores. O artista lucra, em grande parte, com shows. Ao invés da restrição dos CD's - só compra quem tem dinheiro e também onde ele está disponível - ou do iTunes (só compra quem tem Apple), o compartilhamento que insistem em chamar de pirataria permite que o artista fique mais conhecido e, logo, possa fazer mais shows, e até onde sequer sonharia.
Aliás, o próprio Estadão publicou o óbvio ha algum tempo, que compartilhar não afeta renda dos artistas e já há muito se sabe que, em média, quem mais compartilha arquivos consome mais, compra mais.
No Blog do Tsavkko
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Autoridades de Irak ejecutan al secretario de Saddam Hussein

El secretario del ex mandatario iraquí Saddam Hussein, Abed Hmud, fue ejecutado, informaron fuentes del Ministerio de Justicia del país.
“Fue ejecutado hoy. El Ministerio de Justicia cumplió la condena dictada contra el criminal, Abed Hmud, acusado de genocidio”, dijo el portavoz de la cartera, Abed Hmud.
Hmud enfrentaba cargos por la represión de revueltas en Irak en el año 1991.
Saddam Hussein fue arrestado en diciembre de 2003. El ex presidente de Irak fue acusado de haber cometido genocidio contra kurdos entre 1987 y 1988 y también del asesinato de 148 habitantes de la aldea curda de El Dujeil, en la que en 1982 fue realizado un atentado contra él. La fiscalía iraquí determinó que el ex dictador era culpable de las acusaciones que se le imputaban y fue condenado a muerte. A finales de diciembre de 2006 se llevó a cabo la sentencia, Hussein fue ejecutado en la horca.
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Cesar Maia: outro demo no inferno

A 13ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro condenou ontem, por improbidade administrativa, o ex-prefeito Cesar Maia (DEMo). Ele é acusado de ter financiado com verba pública a construção da Igreja São Jorge, em Santa Cruz. A condenação inclui a suspensão dos direitos políticos do líder demo por cinco anos. Ele não poderá concorrer a cargos públicos até as eleições de 2017. A Justiça considerou procedente a ação movida pela 5ª Promotoria de Tutela Coletiva da capital do Rio de Janeiro.
Também foram condenados três diretores da Empresa de Urbanização (RioUrbe), a Mitra Arquiepiscopal e a empresa responsável pela obra, Studio G Construtora. Todos foram acusados de enriquecimento ilícito e terão que ressarcir aos cofres do município R$ 149 mil (valor da construção da igreja). Para a 13ª Vara, os réus violaram a moralidade administrativa, já que Constituição não admite o uso de dinheiro público para essa finalidade.

TV Globo e Mitra

Em nota, o ex-prefeito já informou que recorrerá da decisão. Lembrou que obras de recuperação de igrejas são bancadas por vários governos. O demo até apelou para a ajuda da TV Globo. Fez questão de citar que "eu mesmo, na prefeitura, através da Fundação Roberto Marinho, fiz a restauração da Igreja Nossa Senhora do Carmo ex-Sé Imperial. E foram R$ 12 milhões, muito mais que os R$ 150 mil da capelinha de São Jorge, em Santa Cruz".
Com aliados tão importantes, como a Mitra Arquiepiscopal do Rio de Janeiro e as Organizações Globo, o demo tentará se livrar de mais esta acusação por improbidade administrativa. Ele já foi citado em outros casos suspeitos e sempre conseguiu se safar. Mesmo assim, a decisão da Justiça desgasta a imagem de mais um demo - e respinga no seu filhote, que é candidato a prefeito do Rio de Janeiro.
Dois demos já foram para o inferno: José Roberto Arruda, ex-governador do Distrito Federal, e o senador Demóstenes Torres, o "mosqueteiro da ética", segundo a Veja. Outro está na berlinda: o senador Agripino Maia, presidente nacional do DEMo, suspeito de várias maracutaias no Rio Grande do Norte. Cesar Maia agora reforça o time. Será que sobrará tanto espaço no inferno?
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Resistir: o mercado não fará isso por nós

O governo Dilma acelera o passo na direção que em Lula enveredou a partir da crise de 2008: colocar o mercado, a banca e os recursos públicos a serviço do país para protege-lo do duplo naufrágio europeu-norte americano.
O vagalhão provocado pela submersão de 34% do PIB mundial ruma de encontro às economias da Ásia e América Latina em duas ondas sobrepostas: a retração em cadeia do comércio internacional, onde a singular coordenação do FMI recomenda que todos os países exportem mais e importem menos, o que fará todo sentido quando a Terra estreitar laços econômicos com Saturno; e a fuga de capitais para qualidade e segurança.
Títulos alemães e americanos mesmo pagando juros negativos tem a preferência da manada. De toda a manada, razão pela qual pagam cada vez menos. Papéis do Tesouro dos EUA com prazo de 10 anos, por exemplo, valem 1,4% ao ano para uma inflação da ordem de 2%.
Trata-se de uma corrida contra o tempo; deles e nossa. Os capitais aceitam receber menos do que aplicam porque precificam uma deflação de ativos superior a essa perda. A liquidez que tem em mãos - direitos teóricos sobre a riqueza,como ações de bancos europeus, por exemplo -, não vale o que está impresso na face.
A bolha que começou a explodir em 2008 no mercado imobiliário norte-americano tem uma verruga correspondente dentro de cada um desses papéis: a montanha somada de todos eles alcança 10 vezes o PIB mundial; as espirais derivadas desse Everest equivalem a 460 vezes a riqueza global tangível. Então é preciso correr. A dança das cadeiras deixará trilhões sem assento quando a música parar. A batuta da Espanha e da Grécia ensaia o gran finale.
Dilma tem pouco tempo, mas dispõe paradoxalmente de mais espaço que teve Lula para agir. O tempo é dado pelo vagalhão econômico internacional que avança aos saltos e pode disparar se a banca afundar na Espanha ou a Grécia romper com a ortodoxia dia 17; já o espaço é uma variável política. Dilma tem um espaço de legitimidade para agir inversamente proporcional à credibilidade do discurso neoliberal.
Colunistas órfãos reclamam da ausência de oposição no país e torcem para que Veja acerte ao menos uma parceria contra o PT - seja com Cachoeira, Serra ou Gilmar Mendes. Iludem-se ao achar que as coisas mudariam radicalmente assim.O buraco é mais fundo. A lezeira da oposição deve-se a trinca estrutural em seu alicerce ideológico.
Foi isso que propiciou a margem de manobra para Dilma romper a lógica rentista na esfera dos juros e alterar o lacre inviolável que a poupança oferecia à banca. E nada aconteceu; ou melhor, os depósios em poupança aumentaram na semana seguinte.
Em março de 1999, no governo FHC, a taxa básica de juro do país, a Selic, era de 45% (21,6% em termos reais); hoje é de 8,5% (uns 3% reais). Se ficar em 8%, em média, até 2014, o Estado brasileiro terá economizado R$ 56 bilhões - uns três anos de Bolsa Família. Dilma está tratorando a banca privada para obriga-la a reduções correspondentes no spread e nas tarifas que subiram 17% no primeiro trimestre e renderam mais de R$ 17 bilhões em 2011.O emparedamento conta com a força do setor financeiro estatal que saiu na frente no corte das taxas e na expansão do crédito: em abril a oferta de crédito na esfera pública foi 25% superior a abril de 2011; nas instituições privadas a variação foi de 13%.
O estímulo do crédito não é desprezível, mas insuficiente. As vendas do varejo vitaminadas também pelas desonerações de IPI crescem há tres meses seguidos; em maio registraram o maior salto mensal desde agosto de 2007 (4,1%). Nem por isso, o país está protegido da retração mundial. A contaminação do efeito manada aqui se dá pelo decisivo canal do investimento.
O país cresceu apenas 0,2% no primeiro trimestre e uma das razões - além das perdas na agricultura por razões climáticas -, foi o baixo desempenho da formação bruta de capital fixo (mede o acréscimo de galpões e máquinas no sistema produtivo). A participação dessa alavanca de crescimento ficou em 18,7% do PIB no primero trimestre; foi de 19,5% no mesmo período em 2011.
A natureza pró-cíclica do capital privado, uma espécie de 'maria vai com as outras' que acentua e acelera o ciclo de queda assim como turbina de forma irresponsável a fase de alta - bolhas financeiras são a expressão máxima dessa ciclotimia - explica em grande parte essa retração e deixa uma advertência no ar.
A retomada vital do investimento - única variável capaz de engendrar um cinturão de resistência efetivo à crise mundial - não virá espontaneamente dos mercados. Eles não farão isso pelo Brasil, como não fizeram pelos EUA nos anos 30 e não fazem hoje pela Europa, em que pese a insistência de Ângela Merkel na receita da 'contração expansiva', baseada em arrocho nos direitos e salários 'para abrir espaço à iniciativa privada'. O Estado terá que assumir um papel hegemônico na retomada do investimento brasileiro se o governo quiser de fato proteger o país do vagalhão em curso.
Turbinar o investimento público implica, entre outras medidas corajosas, reduzir o superávit destinado ao pagamento de juros ao rentismo ocioso; mas, também, simplificar os trâmites para a licitação transparente de obras públicas e mesmo assumir a coordenação direta das empreiteiras.
O dispositivo midiático conservador perdeu a prerrogativa de impor interditos, mas não perdeu a pose. Os mesmos editorialistas que festejavam o desmonte promovido pela agenda do Estado mínimo na era tucana reclamam agora dos atrasos nas obras do PAC decorrente, em grande parte, de um cerco asfixiante de burocracia e preconceito que ajudaram a implantar. O Estado brasileiro, da forma como se encontra manietado, está programado para não fazer. Dilma que afrontou e venceu dogmas tão poderosos como o dos juros tem credenciais e espaço para romper mais esse torniquete. Só não tem muito tempo para decidir.
Saul Leblon
No Blog das Frases
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O Cara

Duas coisas difíceis de encontrar na França: ar condicionado e adoçante. São raros os cinemas e locais públicos com ar refrigerado e raros os produtos dietéticos. Quer dizer: não é um lugar para diabéticos e gordos calorentos. A coisa melhorou um pouco depois daquele verão terrível em que milhares de velhinhos morreram de calor, e hoje quando você pede um adoçante, ou o que eles chamam de "falso açúcar", para o cafezinho num restaurante já não precisa repetir quatro vezes sua estranha vontade, o garçom entende na segunda. De qualquer maneira, refrigeração e açúcar falso, decididamente, ainda não pegaram por aqui.
Os humoristas franceses não estão dando folga ao François Hollande. Não lhe deram nem o período de tolerância tradicionalmente concedido a novos presidentes. Se o Sarkozy tinha cara de escroque o Hollande tem a cara de um professor de matemática que errou de profissão. Sua ingenuidade pode estar só na cara - afinal não foi por falta de matreirice e saber político que ele chegou onde está -, mas é a cara do cara que provoca as maiores gozações. No outro dia apareceu uma foto em que ele saía rapidamente de uma reunião e consultava seu relógio, para dar uma ideia de dinamismo no cargo. Só que o mostrador do relógio estava virado para a câmera e o presidente consultava seu próprio pulso. Comentário de um comediante da TV, diante da foto: "E pensar que esse homem pode apertar um botão e disparar todo o arsenal nuclear francês..." Mas parece haver um consenso que, depois dos anos Sarkozy, um professor de matemática desgarrado no governo é uma boa mudança.
Hollande é, simplificando um pouco, a primeira consequência "de esquerda" da crise europeia. É improvável que os conservadores mantenham o poder nas próximas eleições inglesas mas o primeiro-ministro Cameron não é obrigado a pôr seu programa de austeridade à prova eleitoral num futuro próximo e a reação da "esquerda" inglesa pode demorar. Na Espanha e em Portugal a crise favoreceu a direita e a Itália pós-Berlusconi ainda não sabe para que lado vai. Mas na Grécia, onde a crise é mais evidente, surgiu uma liderança francamente de esquerda, sem aspas, que tem boas chances de vencer as próximas eleições. O diabo é isto: a crise do euro e da união europeia não tem uma saída ideologicamente definível, tanto pode desandar para a direita quanto para a esquerda, e não faltam lideranças de direita com discursos nacionalistas e às vezes xenófobos esperando seu chamado.
Luís Fernando Veríssimo
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Supremo: circo ou hospício?

Nem Machado de Assis escreveria roteiro tão insólito.
Um Ministro do Supremo Tribunal Federal enlouquece. Passa a distribuir declarações cada vez mais alucinadas, trasformando o Supremo em circo ou hospício. O presidente do STF nada faz, porque é um poeta apartado das coisas vãs do mundo real.
Os demais Ministros percebem estar convivendo com um louco, mas não querem se meter na questão, porque loucos são imprevisíveis. E se o louco se volta contra eles? E se o louco convoca seu "personal aaponga"? Cada qual trata de se debruçar sobre seus próprios processos e ignorar o Ministro louco.
Sem saber o que fazer com o louco, o reino continua sua vida normal, fingindo que não existe o Ministro louco que desmoraliza o Supremo. De tempos em tempos, colunistas com dificuldade para preencher sua cota de notas, entrevista o Ministro louco. Ele dá uma declaração louca envolvendo algum colega.
No dia seguinte, burocraticamente os jornais procuram o colega que desmente a nota.
E o reino vai tocando sua vida, procurando ignorar que existe um Ministro louco na mais alta corte.
Só no dia em que o surto se tornar irreversível e o Ministro sair carregado em camisa de força o Supremo tomará alguma atitude.
Luis Nassif
No Advivo
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Gilson Dipp: seu lugar não é na Comissão da Verdade!!!

Dipp: parcialidade arguida.
Depois de ter diminuído o ritmo de atividades em função de pequenos problemas de saúde, o companheiro Carlos Lungarzo volta à sua melhor forma, mordaz como nunca, no artigo Comissão Nacional: excesso de verdade faz mal à saúde, cuja íntegra pode ser acessada aqui.
O artigo é, simplesmente, imperdível. Trata-se da melhor análise já divulgada na imprensa e internet sobre a Comissão da Verdade, daí eu o recomendar enfaticamente a todos os meus leitores.
Adepto, como Lungarzo, da transparência e da sinceridade, admito que só um dos sete membros do colegiado tinha a minha admiração, por sua coragem, coerência e incansável dedicação à causa dos direitos humanos: Paulo Sérgio Pinheiro.
Mas, estou disposto a concordar com o Carlos quanto aos méritos da advogada Rosa Maria Cardoso da Cunha como defensora dos perseguidos pela ditadura de 1964/85, que eu desconhecia por nunca haver prestado muita atenção nos julgamentos encenados nas auditorias militares (nem mesmo nos meus, a que era obrigado a assistir entediado até a medula). 
Embora fossem tão-somente jogos de cartas marcadas, isto não desmerece advogados que lutaram como leões e leoas, cumprindo dignamente o seu papel, inclusive o de denunciar a farsa que neles tinha lugar.
Quanto aos demais integrantes, concordo com a avaliação implacável do Lungarzo, aplaudindo e assinando embaixo:
"Os outros são: um juiz que exige investigar as vítimas; um ex-procurador inimigo da genética e do aborto de anencefálicos; uma psico-jornalista; e dois juristas que já foram ministros.
...esta CNV não se atribui a tarefa de julgar, o que faz desnecessária a sobrecarga de juristas. Em resumo, 72% da comissão se especializa em bacharelismo confessional, política conservadora e generalidades".
O "juiz que exige investigar as vítimas", claro, é Gilson Dipp, cuja participação na CNV deveria ter sido vetada em função do mesmo critério que, absurda e ignominiosamente, foi arguido para impedir que um representante das vítimas nela tivesse assento: a falta de isenção.
Ou seja, o infame pretexto para excluir ex-resistentes (conforme exigiam os militares com esqueletos no armário e os membros mais reacionários do Congresso Nacional), implicitamente igualando-nos a nossos carrascos, foi esquecido no caso de Dipp.
Eis o questionamento de Lungarzo, com minha mais absoluta concordância (e meu mais veemente protesto):
"... [Dipp] provocou a indignação do Comitê Paulista da Memória, Verdade e Justiça (CMPVJ). No começo das atividades, definiu o objetivo da Comissão com uma expressão que passou despercebida para muitos. Ele disse: 'É o compromisso do Brasil com a sua história, com o seu passado, com o esclarecimento da verdade. Uma chance de se reconciliar'.
Numa sociedade dividida por guerra civil e genocídio, onde um grupo se propõe aniquilar parte do outro (como no Brasil) ou a totalidade (como na Argentina), levantar o princípio de reconciliação significa equalizar algozes e vítimas, torturadores e torturados, mutilados e mutiladores, atiradores e alvos. É dizer aos sobreviventes: 'Vocês são quase tão bons quanto os soldados que estupraram vossas filhas e meteram vossos filhos no pau-de-arara. Não sejam vingativos e aceitem esta pechincha: serão tolerados de novo pelas gloriosas FFAA, se ficarem calados'.
 A não reconciliação não implica revanchismo nem ódio. Apenas mostra um mínimo de saúde mental, uma repulsa ao cinismo, à hipocrisia e à covardia. Nunca conheci alguém que fizesse cafuné aos algozes de seus filhos...
 O CPMVJ denunciou a parcialidade deste juiz, que atuou na Corte Interamericana de Direitos Humanos  contra o direito dos familiares dos assassinados pelos militares. Portanto, ele não cumpre a condição de ser isento, como exige a lei".
Para maior clareza, acrescento a manifestação do Comitê Paulista:
"O CPMVJ considera que o sr. Gilson Dipp, ministro do Superior Tribunal de Justiça, não reúne as condições necessárias para integrar a Comissão, por haver atuado como perito do Estado brasileiro na Corte Interamericana de Direitos Humanos, tendo atuado contra os familiares dos guerrilheiros do Araguaia cujos corpos encontram-se desaparecidos até a presente data. 
A presença de Gilson Dipp, portanto, compromete a isenção da Comissão, nos termos do artigo 2º, §1 inciso II do projeto de lei que a criou: 'Não poderão participar da Comissão Nacional da Verdade aqueles que (…) não tenham condições de atuar com imparcialidade no exercício das competências da Comissão'".
Embora sua posição tenha sido rechaçada pela Corte Interamericana, que condenou o Brasil, salta aos olhos que Dipp deveria ter-se declarado impedido de integrar a Comissão da Verdade, até por poder estar imbuído de sentimentos revanchistas (não é exatamente isto que se alega contra os antigos resistentes?).
Já que ele não o fez, cabe à presidente Dilma Rousseff fazê-lo... o quanto antes!!!
No Náufrago da Utopia
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Comissão Nacional: Excesso de Verdade faz mal à saúde

A Comissão Nacional da Verdade (CNV) do Brasil, instalada oficialmente em maio de 2012, passou desde 2010 por diversas transformações. Todas elas foram impostas pelos militares que não queriam sentir-se “difamados”.
Algumas dessas modificações mudaram totalmente o sentido do projeto.  A mais grave foi eliminar o termo repressão e restringir o objetivo da CNV a “examinar” as violações aos DH ocorridas no país. Isto permite que alguns pretendam investigar “todos os lados”, o que significa deixar tudo como está. Essa proposta abre a política do vale tudo, que pode ser expressada assim:
Alguns militares podem ter sido culpados de crimes, mas muito mais foram os guerrilheiros, os intelectuais, os sindicalistas, as mulheres estupradas, as crianças torturadas para coagir seus pais, e até os fetos de mulheres grávidas assassinadas.
Outro problema é o imenso período para investigar: 1946 a 1988. Será que vão investigar Dutra, Vargas, Quadros, Jango e outros? Aliás, o prazo de dois anos é considerado insuficiente, mas também é verdade que em outros países foram menores.
O número de membros é pequeno: 7 pessoas, das quais uma tem competência teórica e ativa em DH (Paulo Sérgio Pinheiro) e outra possui dedicação histórica à defesa de presos políticos: Rosa Maria Cardoso da Cunha.
Os outros são: um juiz que exige investigar as vítimas, um ex-procurador inimigo da genética e do aborto de anencefálicos, uma psico-jornalista, e dois juristas que já foram ministros.
Dito seja de passagem, o projeto dos direitos humanos é de natureza ética e social, e tem pouca relação com decorar códigos ou citar latinismos. Por sinal, esta CNV não se atribui a tarefa de julgar, o que faz desnecessária a sobrecarga de juristas. Em resumo, 72% da comissão se especializa em bacharelismo confessional, política conservadora e generalidades.
Apesar de tudo isto, a CNV é muito melhor que o silêncio, o que explica o apóio dado a ela por fortes figuras internacionais. Aliás, não é impossível (embora seja improvável) obter resultados substantivos.

Drácula no Banco de Sangue


Setores militares se sentiram inconformados por não ter sido chamados para integrar a Comissão, mas o ministro da defesa tentou os consolar com um argumento típico de diplomatas:
“A presença de militares na comissão não é uma reivindicação. O Brasil não é feito de civis e militares. Ele [o Brasil] é feito do povo brasileiro”, disse o ministro. (Vide)
Ora, se o Brasil é feito pelo povo, então também é feito pelos militares, que, obviamente, são parte do povo. Se o governo pretende uma comissão eclética, deveria incluir algum militar. Todavia, se colocasse um militar deveria também nomear uma vítima, para manter o equilíbrio. Aliás, o ministro parece ter sentido medo de dizer claramente que “não se pode colocar um membro da família Drácula para cuidar do banco de sangue”. O medo é um mal começo para uma entidade que se propõe analisar crimes horrendos, cometidos pela mais poderosa das castas.
Os que têm medo demais não devem meter-se com caras que usam sabres e bazucas. Para eles, seria melhor estimular outras instituições públicas, como a Bolsa-Família.

Jumentos de Tróia


Antes de começar seu funcionamento, alguns dos membros da CNV mostraram que traziam guerreiros ocultos, mas estes não eram gregos, como os que abriram as portas da cidade de Tróia para o ataque helênico.
Um magistrado que integra a CNV provocou a indignação do Comitê Paulista da Memória, Verdade e Justiça (CPMVJ). No começo das atividades, definiu o objetivo da Comissão com uma expressão que passou despercebida para muitos. Ele disse:
“É o compromisso do Brasil com a sua história, com o seu passado, com o esclarecimento da verdade. Uma chance de se reconciliar.”
(Grifo meu. Vide)
Numa sociedade dividida por guerra civil e genocídio, onde um grupo se propõe aniquilar parte do outro (como No Brasil) ou a totalidade (como na Argentina), levantar o princípio de reconciliação significa equalizar algozes e vítimas, torturadores e torturados, mutilados e mutiladores, atiradores e alvos. É dizer aos sobreviventes: “Vocês são quase tão bons quanto os soldados que estupraram vossas filhas e meteram vossos filhos no pau-de-arara. Não sejam vingativos e aceitem esta pechincha: serão tolerados de novo pelas gloriosas FFAA, se ficarem calados.”
A não reconciliação não implica revanchismo nem ódio. Apenas mostra um mínimo de saúde mental, uma repulsa ao cinismo, à hipocrisia e à covardia. Nunca conheci alguém que fizesse cafuné aos algozes de seus filhos, mas se isto acontecer é necessário lhe oferecer toda a assistência psiquiátrica possível.
O CPMVJ denunciou a parcialidade deste juiz, que atuou na Corte Interamericana de Direitos Humanos (CorIDH) contra o direito dos familiares dos assassinados pelos militares. Portanto, ele não cumpre a condição de ser isento, como exige a lei.
Entre a bagagem de outros cavalos de Tróia estão os que afirmam a impossibilidade de revisar a Lei de Anistia. A CPMVJ deixa transparecer que o governo instalou esta Comissão apenas porque estava sendo julgado como réu pelo direito internacional. (Vide)
Quanto a Lei de Anistia, observemos o seguinte: é verdade que o STF considerou estupro, tortura, genocídio e outras atrocidades como crimes políticos, por causa do qual ganhou enorme repúdio internacional. Mesmo assim, os carrascos estão protegidos por esta lei. Isso não pode ser modificado. Entretanto, qualquer parlamento democrático pode derrogar uma lei, e criar outra que não proteja atrocidades.

Investigar Tudo


O juiz membro da CNV tirou novos coelhos de sua cartola. Disse que “Toda violação dos direitos humanos será investigada,” se referindo à necessidade de apurar também as “violações” aos DH cometidas pela guerrilha. (sic)
O bacharelismo faz confundir palavras com coisas. A expressão Direitos Humanos, na forma em que foi definida pelas Nações Unidas após a 2ª Guerra, é um termo técnico que indica os direitos básicos da pessoa humana (à vida, à integridade física e psíquica, à liberdade, à dignidade e outros).
A defesa desses direitos consiste na ação, jurídica, política ou de outra índole, contra os setores que possuem impunidade para violá-los, ou seja: o Estado e as forças paraestatais (parapoliciais, jagunços, corporações, empresas, igrejas apoiadas pelo estado, e outros).
Neste sentido específico, bem conhecido, “direitos humanos” não são o mesmo que “todos os direitos onde os agentes envolvidos são seres humanos”. Se assim fosse, salvo os direitos dos animais (atualmente muito estudados), todos os direitos seriam humanos.
Estacionar em local reservado é violar o direito de alguém (um humano, claro!), que era proprietário da vaga invadida. Um comerciante  viola o direito econômico (também humano), quando dá 10 centavos a menos no troco. A crença de que os direitos humanos são “qualquer coisa”, parece provir de uma confusão semântica dos leguleios ou, para sermos mais exatos, da simulação de que não estão entendendo seu significado, para fazer com que os algozes levem a melhor parte.
Isto me fez lembrar o prefeito de uma cidade do NO do México, que fez arrancar todas as árvores da prefeitura e mandou os funcionários estudar suas raízes. Explicou assim sua decisão: “Hoje, a profe de meu filho lhe mandou encontrar a raiz quadrada”.
Nenhuma comissão pode pesquisar as violações aos DH de pessoas sem poder, que estão fora dos setores dominantes, por razões bem simples:
1)    A Violação aos DH só pode ser feita de maneira sistemática por um aparato organizado, como a Inquisição, a Polícia, os Exércitos, os mercenários armados, etc., etc., etc.  As forças públicas podem matar, numa hora de bombardeio, tantas pessoas como um grupo particular, digamos al-Qai’dah, mata numa década.
Um particular que mata outro numa briga qualquer, por razões x ou y, está violando o direito dessa pessoa a viver, mas não é um violador dos DH no sentido do direito humanitário. A palavra “humano” é tão confusa para este magistrado da CNV, como a palavra “raiz” para o prefeito mexicano.
2)    As Comissões de Verdade, Justiça, Memória, etc., por simples definição, não são formas paralelas da polícia, do Detran, ou da Guarda Municipal. Elas são totalmente especializadas e têm como única e absoluta função investigar os crimes cometidos pelos agentes do Estado, apurando sua intensidade, gravidade, autoria, circunstâncias e punibilidade.
Além destas duas, há numerosas razões de mérito sobejamente sabidas: o diferente papel do estado e do indivíduo, a total desproporção entre os supostos crimes das vítimas e as aberrações dos carrascos, e o fato óbvio de que qualquer violação supostamente cometida pelas vítimas foi retaliada com penas atrozes muito além do mais aberrante código penal. Observem que não estamos falando nada sobre a superioridade de uma ideologia sobre outra.

Dividir os Brasileiros


Os algozes e seus marqueteiros temem que as investigações dividam os brasileiros. Ou seja, bizarramente, eles supõem que tortura e massacre mantêm a unidade!
O assunto da divisão da sociedade pretensamente criada pelas Comissões de Verdade foi explorado em todos os países que tiveram genocídios, para impedir que estes fossem apurados, e sempre coloca a mesma descerebrada ladainha.
A resposta a esta charada é trivial. A sociedade já está dividida. É óbvio que os torturadores e assassinos de centenas de pessoas indefensas estão em outra parte da divisão que aquelas que arriscaram suas vidas (e, às vezes, as perderam), para salvar seus companheiros. Um hierarca do DEOPS está bem no outro extremo da divisão que alguém alvejado pelo chumbo militar, quando participava da captura de um embaixador que financiava tormentos e massacres.
Aliás, coitada a sociedade sem diversidades! Isso só poderia ser bom num planeta perfeito, se existisse. Mas, mesmo assim, exigir essa unidade sugere o fetichismo nacionalista: por arte de mágica, é suficiente traçar uma fronteira num mapa, para que todos os que estão dentro sejam iguais.  A Unidade, pregada pelos fascistas e imperialistas é um eufemismo para um termo bem mais exato: totalitarismo.
O ex-ministro de defesa reconheceu que a CNV tinha sido negociada com os militares, e que foi prometido a eles que se investigariam os crimes dos “dois lados”. Ou seja, esta Comissão, como tantas outras, foi criada para acalmar as vítimas e não ofender os vitimadores. Entretanto, se surgir uma autêntica viligância popular, com ajuda internacional, a atividade da CNV pode tornar-se séria.
Lembremos que a CONADEP da Argentina foi criada como um simples espantalho. De 12 membros, apenas um, o filósofo Gregório Klimovsky (1922-2009), tinha tido contínua participação na defesa dos DH, mas não a nível internacional. Os outros eram politiqueiros, leguleios, líderes religiosos, e até colaboradores da ditadura. Apesar disso, o estado conseguiu, 27 anos depois, punir mais do 1% dos algozes, e quase 10% dos altos quadros.
Se não houver outras consequências, pelo menos, a CNV já está gerando consciência e ação política em muitos jovens, que se manifestam contras as atrocidades cometidas antes de seu nascimento. Ao mesmo tempo, surgem comissões estaduais e, como componente muito original, propõe-se a formação de uma CV para a Universidade de São Paulo, uma instituição que foi o celeiro dos ideólogos do fascismo na região.
Outro fato importante é que os blogues de ódio já manifestam seu medo. Eles dizem: “a esquerda vai difundir mentiras, que, após muito martelar, vão ser aceitas como verdades.”
Curiosamente, nós não temos esse medo. Eles podem falar as suas “verdades” e nós ficaremos contentes de que tenham podido expressar-se. Apenas veremos se a sociedade as engole.
Carlos Alberto Lungarzo é matemático, nascido na Argentina, e mora no Brasil desde sua graduação. É professor aposentado da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), São Paulo, e milita em Anistia Internacional desde há muito tempo, nas seções mexicana, argentina, brasileira e (depois do fim desta) americana. Tem escritos vários livros e artigos sobre lógica, estatística e computação quântica, mas seu interesse tem sido sempre os direitos humanos.
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Dines entrevista torturador

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Militares e MILICANALHAS

Trecho do depoimento do Marechal Henrique Duffles Baptista Teixeira Lott após ter posto fim às manobras de golpistas para impedir a posse de JK, em 11 de novembro de 1955.
A Lott foi oferecido o governo e a recusa foi imediata.
Eis o trecho final de um dos POUCOS grandes militares de nossa História:
“Comuniquei-me com os presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados e do Supremo Tribunal Federal, pondo-os a par do que ocorria. Ao mesmo tempo enviei um emissário ao Cardeal Jaime Câmara, para que Sua Eminência ficasse ao corrente dos fatos.
Dentre em pouco chegavam ao Ministério da Guerra os presidente das Casas Legislativas. Fiz-lhes uma exposição franca. Estávamos com a situação consolidada já não havia dúvidas. Pedi-lhe então que promovessem a substituição estritamente legal, estritamente de acordo com a Constituição, do presidente Carlos Luz, pois não queríamos assumir o poder civil.
Não era esse nosso objetivo e era preciso respeitá-lo, fazendo o País retornar. dentro do mínimo prazo possível, ao leito da normalidade constitucional e democrática. De meu entendimento com as autoridades civis, surgiu então a solução de promover, por meio do Congresso, o impedimento do Dr. Luz para continuar a testa do Executivo e indicar como seu substituto legal o senador Nereu Ramos , o que feito pela manhã e horas seguintes do dia 11.
Estava plenamente vitorioso o movimento do retorno aos quadros constitucionais vigentes.
A legalidade tinha sido resguardada, com o sacrifício de algumas horas dramáticas, de profunda expectativa.
Felizmente pudemos tudo concluir sem que houvesse derramamento de sangue.
Foi uma vitória do nosso espírito democrático.”
Lott abortou o golpe contra a posse de JK, em 11 de novembro de 1955.
Em 1960 candidatou-se a presidente e foi derrotado pelo louco Jânio Quadros. Em 1965 teve sua candidatura ao governo da antiga Guanabara bloqueada pelo MILICANALHA Castelo Branco (anão, de fato, perto de Lott).
A ditadura temia que, vitorioso, o velho marechal se constituísse num baluarte contra o golpe de 1964 e derrotasse os golpistas pondo FIM a um período sombrio de nossa história.
Marechal Lott
O Marechal Lott, um homem de profunda vocação democrática, teve negado o direito a honras militares quando faleceu.
Decisão de um ministro do MILICANALHA Figueiredo, o MILICANALHA Valter Pires, outro anão perto dele.
Lott foi um verdadeiro MILITAR, ao contrário de gente como o MILICANALHA Brilhante Ustra, ou o pusilânime MILICANALHA Leônidas Gonçalves Pires, o babaquara senil do “poder moderador”...
Lott tem seu nome na História com as honras que os MILICANALHAS lhe negaram em vida.
Lott encarnou a coragem, a vocação democrática, a honra, tudo que falta aos torturadores e assassinos MILICANALHAS.
Este relato foi escrito originalmente por Laerte Braga e modificado pela redecastorphoto para publicação no blog.
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Charge online - Bessinha - # 1281

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Un esclarecimiento honesto

Hace unos días, el 28 de mayo, se conmemoró con merecidas referencias el violento Combate del Uvero. Un deber elemental me obliga a esclarecer los hechos.
Por aquellas semanas Manuel Piñeiro, “Barbarroja”, genio y figura hasta la sepultura como dice la frase, hizo llegar a Santiago de Cuba un camión con armas asociadas al ataque a Palacio por el Directorio Revolucionario, que de alguna forma habían ido a parar a sus manos. Frank País, responsable nacional de acción de nuestro Movimiento 26 de Julio, remitió una parte importante de ese cargamento a la difícil zona de la Sierra Maestra, donde nuestro naciente Ejército Rebelde brotaba de sus cenizas.
Aquel aprendizaje había sido sumamente duro. Paso a paso íbamos librando las primeras acciones victoriosas en las que incrementábamos nuestras fuerzas en armas y hombres, sin baja alguna. Nos vimos a su vez obligados a enfrentar la peligrosa traición de Eutimio Guerra, quien había sido un campesino rebelde hasta el momento en que cedió a las abundantes ofertas del enemigo. A pesar de los obstáculos, y con el apoyo de hombres y medios que nos enviaba Frank, fuimos creando el primer destacamento guerrillero: con vanguardia, bajo el mando de Camilo; retaguardia, con Efigenio Ameijeiras; centro, con pequeños pelotones; y la Comandancia General. Había ya un curtido grupo de combatientes con valiosa adaptación al terreno cuando, en bidones de espesa grasa, llegó un buen lote de las armas rescatadas por “Barbarroja”.
¿Fue acaso correcto desde el punto de vista militar y revolucionario atacar la guarnición atrincherada y bien armada en la misma orilla del mar, donde se embarcaba la madera extraída de aquella zona? ¿Por qué lo hicimos?
Ocurrió que en ese momento, el mes de mayo, se había producido el desembarco del “Corynthia” bajo la dirección de Calixto Sánchez White. Un fuerte sentimiento de solidaridad nos llevó a realizar el ataque contra la guarnición del Uvero.
Debo señalar con toda honestidad que la decisión adoptada, si se excluye el mérito de la solidaridad que entrañaba, no fue en absoluto correcta. Nuestro papel, al cual se subordinaba cualquier otro objetivo, tal como se hizo a lo largo de nuestra vida revolucionaria, no se ajustaba a aquella decisión.
Recuerdo el primer disparo del fusil de mirilla telescópica que yo utilizaba, dirigido al equipo de radio de la guarnición. Tras aquel disparo, decenas de balas cayeron sobre el puesto de mando enemigo. El adversario no supo por eso que su guarnición estaba siendo atacada. Dispusimos así de tres horas por lo menos sin que bombas y metralla cayeran sobre nosotros; lo que ocurría invariablemente apenas 20 minutos después que se iniciara cualquier combate. Sin tales factores es muy probable que aquella decisión, inspirada solo en la solidaridad, redujera nuestras fuerzas de casi cien veteranos y fuese necesario comenzar de nuevo su azaroso camino, en el mejor de los casos.
Fue en aquellas condiciones que Almeida resultó impactado en el pecho y protegido de una herida más grave por algo de metal, según recordó, que llevaba en el bolsillo; Guillermo García, con un casco fruto del primer combate, mantuvo reñido duelo con el defensor de un fortín de gruesos troncos; el Che, con fusil ametralladora que se encasquillaba, se separó de su puesto para sostener un duelo con los que combatían contra Almeida; y Raúl avanzó con su pequeño pelotón contra los soldados atrincherados en las estibas de troncos dispuestos para el embarque; todo antes de que aparecieran los cazabombarderos. Julio Díaz, bravo combatiente que disparaba con una trípode, no pudo avanzar; yacía a mi lado con un balazo mortal en la frente.
¿Se comprende ahora lo que ocurrió aquel 28 de mayo de 1957, hace 55 años?
Fidel Castro Ruz
Junio 1 de 2012
4 y 36 p.m.
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