5 de jun de 2012

Arcebispo fala (besteira) sobre a família e o judiciário

É bom que certos líderes religiosos não tenham papas na língua e falem qualquer coisa que lhes venham à cabeça, afinal, a liberdade de expressão de todo cidadão deve ser defendida como um direito fundamental, o que nos dá, em certas ocasiões, a oportunidade de expor como alguns desses líderes são preconceituosos e, efetivamente, gostariam de alijar o direito daqueles que a eles não se subordinam.
Em entrevista ao site Sul21, o Arcebispo Dom Dadeus Grings, líder da arquidiocese de Porto Alegre-RS, falou algumas bobagens que ilustram o que escrevi no parágrafo acima.
Ao ser perguntado sobre a decisão do TJ-RS de retirar os crucifixos ostentados em suas dependências, o arcebispo disse que essa medida teria como objetivo “atingir a Igreja” e afirmou que “o Judiciário cortou sua última ligação com a sociedade brasileira”, já que esta “é profundamente cristã” e “aprecia muito os símbolos religiosos”. O “Don” ainda disse que essa decisão não passa de “faniquito anticlerical”.
Engraçado ele falar em faniquito, pois analisando bem as declarações dadas, parece-me que é justamente ele quem está fazendo muito barulho por quase nada. “Don” Dadeus até poderia reclamar caso o TJ-RS estivesse proibindo as igrejas de ostentarem crucifixos, ou ordenando a retirada de crucifixos de ruas e praças, ou impedindo os servidores do tribunal de utilizarem pingentes religiosos em suas correntinhas de ouro; mas obviamente não é esse o caso. O judiciário gaúcho simplesmente entendeu que em uma repartição pública os únicos símbolos que devem ser ostentados em paredes e áreas comuns são aqueles pertinentes à República Federativa do Brasil ou a seus estados/municípios membros, e não esta ou aquela peça de idolatria de uma determinada religião, independentemente da quantidade de fiéis que tal religião possua ou de estes supostamente serem maioria da população.
O “Don” continua seu ataque dizendo que “O pior de tudo é que os magistrados acolheram, perante uma larga maioria de cristãos, a opinião de um grupo muito pequeno de lésbicas“. Aqui ele demonstra que provavelmente tem uma visão muito equivocada de como se atua em uma democracia; cai no mesmo erro daqueles que ingenuamente acreditam que democracia é, simplesmente, fazer valer a opinião da maioria sobre a minoria. A análise do TJ-RS sobre o caso foi irreprensível, como pode ser conferido em um post sobre o caso publicado aqui no Bule Voador; democracia não é aceitar acriticamente o que a maioria pensa ou quer, mas sim tomar decisões baseando-se em argumentos como “o princípio democrático contramajoritário justificaria plenamente a defesa de eventuais minorias quanto ao abuso das práticas religiosas da maioria, especialmente as de raiz inconstitucional“, parte integrante do voto do relator da matéria no TJ-RS. Ademais, é completamente irrelevante quem ou qual entidade fez o pedido inicial; a decisão do TJ-RS foi baseada em argumentos defendidos pelo próprio TJ (na figura do relator), e não em alguma característica do solicitante.
Claro que “Don” Grings não se limitou a falar somente sobre o caso dos crucifixos no TJ-RS, e no meio da entrevista eis que aparece um clássico exemplo de declaração preconceituosa tão comum a líderes católicos. Disse o “Don”: “hoje passamos por um momento em que a família não é valorizada. Além disso, o Governo não tem apoiado a família. Agora, o Estado faz tudo que pode contra a família. Com a autorização do casamento homossexual e do aborto, o Estado contribuiu para eliminá-la por dentro. Então, a única instituição que defende a família é a Igreja“.
Como poderíamos esperar outra coisa? Eis que aparece a estapafúrdia relação “casamento homossexual levará à eliminação da família”. O arcebispo, tal qual outros líderes (e fieis) de sua igreja, é incapaz de enxergar o mundo para além da viseira que lhe cobre lateralmente os olhos; para esses, família é apenas aquela entidade tradicional formada por papai, mamãe e filhinhos. Não satisfeitos com essa visão estreita, ainda querem fazer valer a ideia absurda de que dois homens ou duas mulheres que se casem estariam, de alguma forma obscura que só faz sentido na cabeça deles, atingindo e levando à eliminação aquilo que se convencionou chamar de “família tradicional”.
Reafirmo que é bom que líderes religiosos como “Don” Dadeus emitam esse tipo de opinião; é provável que ele consiga convencer muita gente com as besteiras que ele fala, mas por outro lado cada vez mais há pessoas capazes de questionar esse tipo de opinião equivocada e preconceituosa.
No Bule Voador
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Especialmente dedicado ao poeta e amigo pernambucano Itárcio.
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Volte às pantufas, general Leônidas!

As pantufas lhe caem melhor
Aos 91 anos, o general Leônidas Pires Gonçalves, oficial da artilharia e ministro do Exército do Governo Sarney, recrudesceu: tirou o pijama, trocou a pantufa pelo coturno, armou o canhão, mirou a presidente Dilma Rousseff e bombardeou a Comissão da Verdade. Tudo isso numa entrevista à repórter Tânia Monteiro, de O Estado de S.Paulo (18 de maio), que funcionou como fogo de barragem para os velhos companheiros de farda envolvidos com a repressão, a tortura e o desaparecimento de presos durante a ditadura ardorosamente defendida pelo general quase centenário. É a voz militar mais graduada a contestar a determinação presidencial de investigar a verdade e é a opinião mais desastrada no coro cada vez mais idoso de velhos radicais que ainda respiram o ar saturado da Guerra Fria.
Leônidas defendeu o Exército (“sumariamente julgado e punido”), os militares (“injustiçados”), o ex-ministro da Defesa Nelson Jobim (“ele se colocava”) e atacou a presidente da República (“deveria ter a modéstia de esquecer o passado e  olhar para a frente”), a Comissão da Verdade (“uma moeda falsa, que só tem um lado”) e os que clamam pelo fim da impunidade aos torturadores (“é impossível mexer na Lei da Anistia, fruto de um acordo no passado e que foi chancelada pelo Supremo Tribunal Federal”).
A bomba mais explosiva ficou para a resposta final, em tom de ameaça: “Se quiserem fazer pressão no Supremo, o Poder Moderador tem que entrar em atuação no país”. O general não fazia, aqui, uma menção nostálgica à bonomia dos monarcas da Casa de Bragança, que ocupou no Império brasileiro a posição de árbitro entre os poderes para dar estabilidade política à nação durante 67 anos, até o advento da República.  Leônidas não clamava pelo império da moderação, mas brandia a ameaça da república da repressão, que quebrou a ordem constitucional em 1964 e impôs a anarquia ilegal da ditadura militar durante 21 anos de treva.
Leônidas: o “poder moderador” fechou por três vezes o Congresso Nacional a partir de 64
Exercício do cinismo
Um regime que teve muito poder e, como bem sabe o general Leônidas, nada teve de moderador. Fechou o Congresso três vezes, prendeu, torturou, sequestrou e matou milhares de opositores, violou a soberania da universidade e a independência dos tribunais, cassou mandatos políticos e  aposentou professores, baniu e exilou opositores, fechou sindicatos e calou sindicalistas, amordaçou a imprensa e sufocou as artes, impôs o medo e jogou o país no porão de uma longa e nada branda ditadura de duas décadas, uma das mais sangrentas do Cone Sul do continente. O nostálgico general Leônidas agora quer repetir tudo aquilo, outra vez, sob o pretexto de  ‘proteger’ o Supremo? Conta outra, general!…
A memória seletiva e precária do general esquece que a Lei da Anistia, ao contrário do que ele diz, não foi “fruto de um acordo”. Passou apertado, raspando, por apenas cinco votos (206 a 201) num Congresso dominado pelo partido da ditadura, a Arena, que mantinha sua maioria a ferro e fogo, à custa das cassações de mandatos e da violência do AI-5, para controlar o irrefreável crescimento da legenda da oposição, o MDB. A lei foi votada e formatada sob o arbítrio do general Figueiredo, em agosto de 1979, seis anos antes da queda do regime, num texto lapidado cuidadosamente pelos comandantes militares para acomodar uma esdrúxula invenção jurídica: o “crime conexo de sangue”, vil esperteza dos quartéis para equiparar torturados e torturadores com a mesma anistia — indiscriminada, desigual e injusta. Uma anistia costurada sob o molde caviloso da repressão para estender o espesso manto da impunidade sobre os crimes de quem nunca foi acusado, julgado, processado e condenado.
Com o cinismo que a idade avançada não desbotou, o general Leônidas tenta justificar os abusos de seus velhos companheiros de farda e truculência: “O soldado é um cidadão de uniforme para o exercício cívico da violência”, disse em entrevista a Geneton Moraes Neto da Globo News, sem explicar onde escavou este sofisticado raciocínio que nivela todos os exércitos pela vala comum do arbítrio. O general ignora os exemplos na História de forças armadas que se mobilizaram, em momentos cruciais, pela preservação de valores perenes da democracia e da civilização.
Fã clube do Reich
Um exército, esquece o cínico Leônidas, pode ser a reunião de homens fardados que lutam pelo exercício da liberdade contra o nazifascismo. Pode, por exemplo, ser a força armada que se levanta em defesa da Constituição, como fez o III Exército ao cerrar fileiras com o governador Leonel Brizola e o povo gaúcho na Campanha da Legalidade de 1961. Pode também se alçar pela afirmação da autoridade constitucional do presidente, como fez o marechal Henrique Lott para sufocar a quartelada golpista de 1955 que tentava bloquear a posse de Juscelino Kubitschek.  O general Leônidas, aparentemente, devia ser na sua tenra  juventude um cidadão fardado que se imaginava autorizado ao exercício cívico da violência contra a ordem constitucional e os direitos fundamentais da pessoa humana. Faz sentido.
O tenente Leônidas e o chefe, general Álcio Souto: matinê para admirar a blitzkrieg do Reich
Leônidas Pires Gonçalves perdeu a chance de ser um dos heróis brasileiros da luta da Força Expedicionária Brasileira contra o III Reich, na campanha na Segunda Guerra Mundial, simplesmente porque estava do lado errado. Aos 23 anos, foi alijado da FEB porque teve o azar de ser, na época, ajudante de ordens do coronel Álcio Souto, um notório simpatizante da Alemanha que o Brasil combateria, com seus pracinhas, na frente de batalha da Itália. No livro A Ditadura Derrotada, o jornalista Elio Gaspari conta que Souto, então comandante da Escola Militar do Realengo e chefe de Leônidas, costumava levar seus cadetes nos primeiros anos da guerra a um cinema do subúrbio carioca onde o adido militar da embaixada de Adolf Hitler costumava exibir filmes sobre os avanços avassaladores da blitzkrieg da Reich alemão. O filho Alvir, general reformado, negou tempos atrás estas empolgadas matinês, dizendo que o pai não era nazista: “Ele não admirava o Reich, mas sim o Exército alemão”, justificou, como se fosse possível separar uma coisa e outra.
Filinto Muller: a polícia de Getúlio faz estágio na Gestapo de Hitler e Himmler
Geisel e seu ídolo
O filonazismo verde-amarelo não era uma exclusividade do comandante do então tenente Leônidas, mas era extensivo aos chefes supremos do regime do Estado Novo, que se espelhava na pátria da Wehrmacht hitlerista. O major de artilharia Affonso Henrique de Miranda Corrêa, o segundo homem de Filinto Muller na chefia de polícia da ditadura de Getúlio Vargas, foi mandado à Alemanha para um estágio de um ano na Gestapo, onde acabou condecorado por seu chefe, Heinrich Himmler, o mentor da ‘solução final’ dos campos de concentração. Os dois maiores líderes militares do país, os generais Eurico Gaspar Dutra (ministro da Guerra) e Góis Monteiro (chefe do Estado Maior do Exército), não escondiam sua admiração pelo Reich.
Benito Mussolini e um admirador: o ex-capitão Ernesto Geisel
Dutra comemorou a queda de Paris sob o tacão nazista com uma festa em sua casa. Meses antes, Góis Monteiro fazia as malas para chefiar uma comitiva de oficiais que viajaria a Berlim para conhecer a “gigantesca obra de reconstrução nacional” da Alemanha quando o embarque foi abortado. As divisões Panzer de Hitler acabavam de cruzar a fronteira da Polônia, dando início à Segunda Grande Guerra. Um dos oficiais da comitiva que perdeu a instrutiva viagem foi um capitão chamado Ernesto Geisel, que se confessava um admirador do líder fascista italiano Benito Mussolini. No Brasil, a afeição de Geisel era reservada ao chefe de Leônidas, coronel Álcio Souto, que chegou ao generalato como chefe do gabinete militar do presidente Dutra, o simpatizante nazista que se rejubilou com o desfile das tropas hitleristas sob o Arco do Triunfo parisiense.
Leônidas e Herzog: “Um homem assustado faz qualquer coisa. Até se mata”
Susto e chocolate
Foi neste festivo entorno nacional-socialista que o futuro cidadão de uniforme Leônidas Pires Gonçalves forjou o seu cívico espírito da violência. “Na hora de dar chocolate, não se dá tiro. E, na hora de dar tiro, não se dá chocolate”, filosofou o general Leônidas na Globo News. Debochado, o ex-ministro do Exército desdenha das vítimas da repressão: “Quem começa guerra não pode lamentar morte”.  Ironiza as denúncias (“Hoje todo mundo diz que foi torturado para receber a bolsa-ditadura”) e duvida do assassinato do jornalista Vladimir Herzog sob torturas no DOI-CODI de São Paulo, em 1975: “Eu não tenho convicção de que Herzog tenha sido morto… um homem não preparado e assustado faz qualquer coisa. Até se mata”, explicou a Geneton Moraes Neto.
Prestes, João Goulart, Leonel Brizola: “Saíram porque quiseram. São fugitivos, não exilados”
O Leônidas que bate em Dilma e na Comissão da Verdade com espartana disciplina desenvolveu a exótica teoria de que os maiores líderes do regime deposto — Jango, Brizola, Prestes, Arraes — não foram exilados. “Eles saíram do Brasil porque quiseram. Eram fugitivos”, zombou o general, que tem a absurda certeza dos justos no regime injusto da ditadura: “Nós nunca prendemos ninguém que não tenha feito nada. De todas as pessoas presas, ninguém era inocente. Todos eles tinham alguma coisa que estavam cometendo de errado”. Na lógica cartesiana de Leônidas, a simples prisão já era, por si só, a condenação, líquida e certa. Os ídolos nazistas dos velhos comandantes de Leônidas ficariam orgulhosos do provecto general, ainda rijo na sua pétrea subordinação ao autoritarismo.
Desafio aos desaparecidos
Durante quase três anos da fase mais turbulenta da ditadura, de abril de 1974 a fevereiro de 1977, Leônidas foi o chefe do Estado-Maior do I Exército, sediado no Rio de Janeiro. Como tal, era o comandante imediato do DOI-CODI baseado no quartel da Polícia do Exército na afamada rua Barão de Mesquita, um dos endereços mais sinistros da repressão no Brasil.
Quando o quartel general do I Exército esteve sob o comando do general linha-dura Sylvio Frota,  entre julho de 1972 e março de 1974, conforme apurou o jornal O Globo, o DOI-CODI carioca era um centro de morte. Naquele espaço de 21 meses, contou o jornal, morreram 29 presos nas suas masmorras, então sob a administração do notório major Adyr Fiuza de Castro, um dos radicais mais temidos do regime. Pois bastou que ele chegasse ali em abril de 1974, diz o general Leônidas, e a paz celestial dos anjos se instalou naquele antro de terror e violência. “Não houve tortura na minha área”, jurou ele na Globo News. Na semana passada, n’O Estado de S.Paulo, o general voltou a desafiar: “Nunca apareceu nada, nem ninguém, que tivesse alegado ter sido torturado. Eu já desafiei que alguém se apresentasse na TV e nunca apareceu nada”.
Joaquim Pires Cerveira, Rubens Paiva e Eduardo Collier: incinerados, desaparecidos
Não apareceu, talvez, porque os desaparecidos jamais reapareciam, naqueles tempos amargos em que não se dava chocolate na hora de dar tiro. De acordo com o Dossiê Ditadura — Mortos e Desaparecidos Políticos no Brasil 1964-1985, publicado em 2009, a lista oficial de 138 desaparecidos políticos no país registra 31 nomes que se evaporaram no Rio de Janeiro entre 1970 e 1978. Desses, seis desapareceram justamente nos anos de 1974 e 1975, quando o DOI-CODI do Rio, que coordenava a repressão na área, estava sob o comando direto do general Leônidas. Integram a lista Armando Teixeira Frutuoso, Fernando Augusto Santa Cruz Oliveira, Jayme Amorim Miranda, Orlando da Silva Rosa Bonfim Júnior, Thomaz Antônio da Silva Meirelles Neto e Eduardo Collier Filho, que jamais poderão desmentir o general porque estão irremediavelmente desaparecidos.
Morte no entorno do general
Sabe-se agora o destino final de apenas um deles: o jovem pernambucano Eduardo Collier Filho, 25 anos, foi preso pelo DOI-CODI carioca em 23 de fevereiro de 1974, dois meses antes da providencial chegada do general Leônidas ao Rio, e acabou tempos depois virando cinzas num forno de uma usina de açúcar de Campos, interior fluminense, usada pela repressão para eliminar vestígios dos desaparecidos. A confissão foi feita pelo ex-delegado do DOPS capixaba Cláudio Guerra, que acaba de lançar Memórias de Uma Guerra Suja,  um livro devastador sobreas atrocidades do regime que dava pouco chocolate e muito tiro.
Outros seis militantes da esquerda, da lista carioca de 31 desaparecidos, sumiram em 1973, um ano antes de Leônidas desembarcar no DOI-CODI do Rio.  Entre eles, Caiupy Alves de Castro, Ramires Maranhão do Vale, Umberto Albuquerque Câmara Neto, Vitorino Alves Moitinho, Honestino Monteiro Guimarães — e o ex-major do Exército Joaquim Pires Cerveira, 50 anos, sequestrado em Buenos Aires pela ‘Operação Condor’ e trazido ao Brasil clandestinamente pelo delegado Sérgio Fleury, do DOPS paulista. Cerveira foi visto no DOI-CODI da Barão de Mesquita, duramente torturado, e acabou também incinerado no forno da usina, conforme denúncia do delegado Guerra.
A estilista Zuzu Angel e Stuart Jones: “Se aparecer morta, será obra dos assassinos de meu filho”.
No ano da graça de 1971, sumiram outros 10 militantes da lista de 31 desaparecidos do Rio, incluindo o deputado Rubens Paiva e Stuart Edgar Angel Jones, 26 anos, filho da estilista Zuzu Angel. Ela passou os cinco anos seguintes denunciando ao mundo a responsabilidade direta da ditadura brasileira na tortura e morte do jovem. Fez isso, incansável, até a estranha madrugada de abril de 1976 em que o carro que dirigia, um Karmann-Ghia, capotou no túnel Dois Irmãos e despencou na ladeira da Estrada da Gávea, morrendo na hora — um acidente forjado pelo DOI-CODI carioca do achocolatado general Leônidas, conforme denúncia do ex-delegado Cláudio Guerra. Uma semana antes do acidente, Zuzu deixara na casa do compositor Chico Buarque de Holanda um documento em que escreveu:. “Se eu aparecer morta, por acidente ou outro meio, terá sido obra dos assassinos do meu amado filho”.
A nostalgia de 1964
Quando essas coisas sinistras aconteceram, o general Leônidas era o chefe imediato da central de repressão mais ativa e bem informada do Rio de Janeiro. Mas as cenas estranhas que atormentavam a cidade e a alma brasileira pareciam não dizer respeito ao chefe do Estado-Maior a que se subordinava o DOI-CODI, que o general Leônidas garantia estar subitamente domado em sua pacífica administração. Os desaparecimentos que teimavam em acontecer nas redondezas e nos porões, aparentemente, não quebravam a imaculada mansidão de seu comando: “Desafio, desafiei lá e desafio agora alguém que tenha sido torturado, ou tenha sofrido qualquer restrição maior do que as técnicas nos prometiam, que era o isolamento”, repete Leônidas.
O general e a ‘Chacina da Lapa’: “Pagamos pela delação da cúpula do PCdoB”
O general não nega, com a vaidade previsível, a responsabilidade direta pela chamada “Chacina da Lapa”, a morte da cúpula do PCdoB numa casa do bairro paulistano onde o partido se reunia em dezembro de 1976 para avaliar a guerrilha do Araguaia. A revelação nasceu no comando de Leônidas, que admitiu ter pago R$ 150 mil à filha de um ex-dirigente da organização, Manoel Jover Telles, para delatar o dia e o local do encontro. A operação de cerco e extermínio foi planejada na central de repressão da rua Barão de Mesquita pelo coronel Freddie Perdigão, chefe da Agência Rio do SNI e braço executor (lato sensu) do DOI-CODI, conforme denuncia o ex-delegado Guerra. “Pagamos aos presos para eles delatarem os outros”, explicou-se o general Leônidas, com a convicção do soldado dedicado ao exercício cívico da violência. Ele não se arrepende do que enfrentou: “Guerra é guerra”, disse na Globo News. “Guerra não tem nada de bonito — só a vitória. E nós tivemos. A vitória foi nossa. Porque este país caiu na democracia que nós queríamos”.
Agora, assustado com a aparição da Comissão da Verdade que ameaça dissecar a ‘democracia’ e o ciclo de violência em que caiu o país que queriam os militares em 1964, o general Leônidas ameaça resistir à pressão da verdade com o surrado tacape do ‘poder moderador’. Alguém precisa avisar ao veterano golpista dos idos de 64 que a democracia brasileira já não teme cara feia, nem se assusta com fantasmas do passado.
Mais consolador ainda seria ouvir dele um educado e cabal pedido de desculpas ao país pela grosseria. Na sua idade, o velho e imoderado chefe militar não merece nada mais do que um chocolate. Por favor, general Leônidas, volte às pantufas!
A lista dos 31 desaparecidos no Rio de Janeiro, segundo o Dossiê Ditadura — Mortos e Desaparecidos Políticos no Brasil 1964-1985, publicado em 2009:
  1. Antônio Joaquim Machado, 31 anos, desaparecido em 1971
  2. Armando Teixeira Frutuoso, 54, desaparecido em 30/8/1975
  3. Boanerges de Souza Massa, 34, desaparecido em 1972
  4. Caiupy Alves de Castro, 45, desaparecido em 21/11/1973
  5. Carlos Alberto Soares de Freitas, 32, desaparecido em 1971
  6. Celso Gilberto de Oliveira, 25, desaparecido em 10/12/1970
  7. Eduardo Collier Filho, 26, desaparecido em 23/2/1974
  8. Félix Escobar Sobrinho, 47, desaparecido em agosto de 1971
  9. Fernando Augusto Santa Cruz Oliveira, desaparecido em 1974
  10. Heleny Telles Ferreira Guariba, 30, desaparecida em 1971
  11. Honestino Monteiro Guimarães, 26, desaparecido em 1973
  12. Ísis Dias de Oliveira, 30, desaparecida em 1972
  13. Ivan Mota Dias, 28, desaparecido em 1971
  14. Jayme Amorim Miranda, 48, desaparecido em 1975
  15. Joaquim Pires Cerveira, 50, desaparecido em 1973
  16. Joel Vasconcelos Santos, 23, desaparecido em 1971
  17. Jorge Leal Gonçalves Pereira, 31, desaparecido em 1970
  18. Mariano Joaquim da Silva, 41, desaparecido em 1971
  19. Norberto Armando Habeger, 29, desaparecido em 1978
  20. Orlando da Silva Rosa Bonfim Júnior, 60, desaparecido em 1975
  21. Paulo César Botelho Massa, 26, desaparecido em 1972
  22. Paulo Costa Ribeiro Bastos, 27, desaparecido em 1972
  23. Paulo de Tarso Celestino da Silva, 27, desaparecido em 1971
  24. Ramires Maranhão do Vale, 22, desaparecido em 1973
  25. Rubens Beirodt Paiva, 41, desaparecido em 1971
  26. Sérgio Landulfo Furtado, 21, desaparecido em 1972
  27. Stuart Edgar Angel Jones, 26, desaparecido em 1971
  28. Thomaz Antônio da Silva Meirelles Neto, 36, desaparecido em 1974
  29. Umberto Albuquerque Câmara Neto, 26, desaparecido em 1973
  30. Vitorino Alves Moitinho, 24, desaparecido em 1973
  31. Walter Ribeiro Novaes, 31, desaparecido em 1971
Luiz Claudio Cunha, jornalista. Este texto foi escrito originalmente para o site “Sul21″, mas o autor o enviou por e-mail para o QTMD? e, a partir de hoje, reforçará nosso time de colaboradores. Cunha manterá no QTMD? a coluna “De Talho”  Seja bem-vindo!
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Nercessian e o sumiço de Roberto Freire

Na semana passada, o deputado Roberto Freire, chefão do PPS, voltou a ocupar generosos espaços na mídia demotucana. Junto com o tucano Álvaro Dias e o demo Agripino Maia, ele encaminhou representação à Procuradoria-Geral da República exigindo apuração das denúncias do ministro Gilmar Mendes de que teria sofrido pressão do ex-presidente Lula para abortar o julgamento do chamado mensalão. Vaidoso, Freire brilhou nas telinhas da TV Globo e de outras emissoras de tevê.
Hoje, porém, ele deve sumir dos noticiários – talvez seja encontrado em algum cassino de Punta Del Leste, onde é frequentador assíduo, segundo revelou recentemente o jornalista Tales Faria, do IG. O motivo deste sumiço é outra representação, desta vez contra o deputado federal Stepan Nercessian, eleito pelo PPS no Rio de Janeiro, que foi protocalada na Câmara Federal.

R$ 175 do amigo Cachoeira

A representação é assinada pelo advogado Leandro Mello Frota e solicita abertura de processo disciplinar contra o deputado, que se licenciou “temporariamente” do PPS, para apurar a prática de atos incompatíveis com a ética e o decoro parlamentar. A iniciativa pode resultar na cassação do mandato de Nercessian, o ator global que também estava sumido da mídia.
Para quem não se lembra, o deputado foi flagrado numa escuta telefônica da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, pedindo R$ 175 mil ao mafioso Carlinhos Cachoeira. Caso seja instaurada a investigação, Stepan Nercessian será notificado e terá o prazo de dez dias para apresentar a sua defesa junto à Comissão de Ética do Congresso Nacional.

PPS vai apoiar a representação?

O deputado, uma das estrelas do PPS, é réu confesso por quebra de decoro parlamentar. Em entrevista à Rádio Globo, em maio passado, ele confessou que pediu um “empréstimo” de R$ 175 mil a Cachoeira em junho de 2011, ou seja, durante o exercício do mandato. Ele também reconheceu na entrevista que sabia das acusações de envolvimento do bicheiro com o crime organizado.
“Eu sabia que ele não tinha uma vida limpa e assumo que errei”, afirmou Nercessian ao radialista Roberto Canázio. Ele também disse que era amigo do mafioso há mais de 20 anos. Em sua representação, Leandro Mello argumenta que o artigo 55 da Constituição Federal estabelece que “perderá o mandato o deputado ou senador cujo procedimento for declarado incompatível com o decoro parlamentar”.
Será que Roberto Freire, o “ético”, vai se pronunciar sobre o caso? E o PPS dará apoio à representação?
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Vote no Padim e ganhe um lugar ao céu



Sugestão do amigo navegante Ulisses Barbosa:
Votem no "Cerra" e garanta sua vaga no céu.

C-erra Evangélico

C-erra Católico

C-erra Maçônico

Clique aqui para ler “Padim se abraça ao aborto de novo”.
E aqui para ler “PR adere ao Cerra: o que o Cerra deu ao PR ?”.
No Chile pode?
No Conversa Afiada

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Seção "Grandes Filhos da P... da Humanidade" - Reinaldo Azevedo

Conheça o "Filho da P..." Mor!

Pérolas:
A Ditadura não era de direita...
Lula tem paixão pelo Regime Militar...

E segue o besteirol!

No O Cachete

Atenção para o trecho em que Reinaldo escreveu sobre Policarpo Jr., (aos 5min34s do vídeo abaixo):
"Jornalistas acham normal ter como fonte um ladrão - sobretudo se ele roubar em nome da causa".
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PM tucana agride estudantes da Unila em Foz do Iguaçu

Alunos da Unila (Universidade Federal da Integração Latino-Americana), de Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná, denunciam que a Polícia Militar invadiu a moradia estudantil para agredí-los durante uma festa na madrugada de domingo (3).
A PM alegou que os estudantes estavam incomodando os vizinhos fazendo barulho, mas as caixas de som utilizadas na festa eram apenas duas daquelas pequeninas de computador.
Segundo os relatos, os policiais agrediram alunos e alunas indiscriminadamente levando 8 deles detidos.
A mídia vendida comprou a versão militar mais uma vez. No entanto, nós tínhamos às imagens da câmera de segurança da moradia que, mostra CLARAMENTE o abuso de poder da Polícia Militar.
Os alunos da Unila conseguiram captar as imagens da ação policial nas câmeras de segurança da moradia, que mostram o abuso de poder da PM.
“Vamos divulgar o vídeo o máximo que pudermos, a fim de acabar com essa violência exorbitante exercida por estes que deveriam nos proteger”.
No Blog do Esmael
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MP investiga possível quadrilha no MEC

Processo movido por membro da família dona da Universidade São Marcos acusa ex-deputado estadual do DEM, Ruy Muniz, de envolvimento conjunto com o ex-secretário de Educação Superior, Luiz Cláudio Costa, que também foi reitor da UFV. Eles teriam atuado no fechamento de escolas que depois seriam compradas por Muniz. Ouvido pelo 247, o ex-deputado nega com veemência
Um processo iniciado em dezembro do ano passado no Ministério Público de Brasília investiga a possível ação de uma máfia dentro do Ministério da Educação. O ex-deputado estadual e atual pré-candidato a prefeito de Montes Claros, Ruy Muniz (hoje no PRB), empresário da educação com negócios espalhados pelo país, teria influência no MEC para asfixiar financeiramente grupos do ramo. Depois, sem condições de sobrevivência, esses eram vendidos para o próprio Muniz.
O autor da acusação é o empresário Ernani de Paula, cuja família é dona há 42 anos da Universidade São Marcos, em São Paulo. Segundo ele, o ex-deputado estadual (na época, entre 2007 e 2010, chegou a ser líder do DEM na Assembleia Legislativa mineira, mas hoje está no PRB) teria atuado juntamente com o ex-secretário da Educação Superior do MEC, Luiz Cláudio Costa, ex-reitor da Universidade Federal de Viçosa (UFV). Os dois teriam praticado “abuso de poder” e “desvio de finalidade”, utilizando-se de fiscalização excessivamente rigorosa para, em seguida, comprar as instituições de ensino sob investigação do MEC.
O processo no MP de Brasília acusa os dois de extorsão. Como? Ruy Muniz, dono das Faculdades Integradas de Ensino Superior (Icesp), entre outras empresas do ramo, conheceu Costa quando este ainda era reitor da UFV. Muniz, por sua vez, era presidente da Comissão de Educação da Assembleia mineira.
Em janeiro do ano passado, Costa foi nomeado secretário de Educação Superior do MEC. A partir daí, apenas 13 dias depois, segundo a denúncia, as Faculdades Integradas da Terra Brasília (FTB) tiveram seus cursos descredenciados pelo governo.
Segundo Ernani de Paula, o MEC teria então adotado medida estranha à legislação, que determina a transferência de alunos para outra instituição de ensino. Não foi o que ocorreu. Pela Carta Convite Sesu nº 18, de abril de 2011, Luiz Cláudio Costa determinou que outra empresa educacional assumisse a FTB. O aspecto curioso, para dizer pouco, é que a “escolha” dessa empresa de ensino superior se deu praticamente sem concorrência: as inscrições dos interessados se deu entre 19 de abril e 25 de abril do ano passado. Dois desses dias eram feriados nacionais (21 e 22 de abril, Tiradentes e Paixão), enquanto o 23 e 24 de abril corresponderam ao fim de semana.
A Icesp, do ex-deputado Ruy Muniz, foi a única interessada. Efetivamente, acabou assumindo os cursos desclassificados pelo MEC.
Ernani de Paula julga ter sido vítima de processo semelhante com a sua Universidade São Marcos, impedida de realizar vestibulares, abrir novos cursos e incluir novos alunos desde março de 2011, seguindo determinação de Cláudio Costa. Em maio, o mesmo Muniz manifesta interessa na compra da São Marcos. Segundo o processo movido por Ernani, o dono da universidade acusa o ex-deputado estadual de ter admitido atuação conjunta com Cláudio Costa no MEC, citando outros nomes com os quais mantinha contatos no ministério.
“A São Marcos tem mais de 40 anos e, ainda assim, é vítima de expedientes fiscalizatórios criados para inviabiliza-la e, depois, repassa-la para o senhor Ruy Muniz”, afirma Ernani, em entrevista ao 247. Ainda segundo ele, a faculdade teria cumprido todos os ritos e punições exigidos pelo MEC, sem a devida correspondência de regularização de suas atividades normais.
Ruy Muniz tem uma história no mínimo curiosa. Com atuação inicialmente em Montes Claros, ele foi um dos fundadores do PT na cidade do Norte de Minas, no início dos anos 1980. Chegou a ser candidato a prefeito pelo partido em 1982. Em 1987, ele e um amigo foram presos depois de arquitetarem um golpe contra o Banco do Brasil, em Belo Horizonte. Mais de R$ 1 milhão foram desfalcados pelo plano dos dois. Na época, os pagamentos de prefeituras eram feitos por meio de telex. A cidade enviava ao BB um telex com sua senha e o banco fazia o pagamento. Os dois conseguiram a senha da Prefeitura de Janaúba, também no Norte do estado, foram à cidade, alugaram um equipamento de telex e solicitaram uma ordem de pagamento equivalente a R$ 1 milhão. Muniz ficou preso pouco mais de um ano.
Depois disso, já solto, iniciou sua escalada no ramo educacional. É dono, entre outras, da Faculdades Unidas do Norte de Minas (Funorte). Há quatro anos, tentou ser prefeito de Montes Claros novamente. Com uma das campanhas mais caras, não conseguiu, entretanto, chegar ao segundo turno. Agora, é novamente pré-candidato, desta vez pelo PRB.
Luiz Cláudio Costa, por sua vez, não está mais no MEC.
Ouvido pelo 247, o empresário mineiro nega as acusações feitas por Ernani de Paula. “Em primeiro lugar, eu não assumi a FTB”, diz Muniz. “Foi uma associação ligada à igreja evangélica Assembleia de Deus, e só isso bastaria para desqualificar esse processo.” Muniz também descarta qualquer ligação com Cláudio Costa, ex-MEC. “Trata-se de uma pessoa altamente qualificada, que foi reitor de uma das universidades mais importantes do país, não dá para acusa-lo de algo assim”, afirma o ex-deputado estadual. “Esse Ernani, sim, é que tem algo a responder, pois foi prefeito de Anápolis (GO) e foi cassado.”
No 247
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Liberdade na internet está sob ataque, diz Richard Stallman

Foto: Caroline Bicocchi/Palácio Piratini
No lançamento da 13ª edição do Fórum Internacional de Software Livre, em Porto Alegre, um dos criadores do movimento advertiu para crescentes ameaças à liberdade digital. Para Richard Stallman, coisas muito sérias estão acontecendo na sociedade digital. “A inclusão digital pode ser boa ou ruim. Depende de onde a sociedade será incluída. O que vemos hoje é que a liberdade está sendo atacada de várias maneiras. Talvez tenhamos que diminuir a nossa inclusão para preservar nossas liberdades”
Porto Alegre - O criador do movimento software livre, Richard Stallman, participou nesta segunda-feira (4), no Palácio Piratini, do lançamento da 13ª edição do Fórum Internacional Software Livre, que será realizada de 25 a 28 de julho, no Centro de Eventos da PUC-RS, em Porto Alegre. Em um ato que contou com a presença do governador Tarso Genro, Stallman falou sobre as crescentes ameaças à liberdade na sociedade digital.
Em uma rápida intervenção no início da cerimônia, o governador gaúcho disse que o movimento em defesa do software livre representa hoje “uma das lutas mais importantes para recuperar a densidade da democracia que hoje se encontra esvaziada”. Tarso agradeceu e destacou o empenho de ativistas como Marcelo Branco em defesa da liberdade digital. “Quando eu era ministro da Justiça, foi ele que me advertiu sobre a necessidade de entrarmos no debate sobre o projeto restritivo e de censura que tramitava então no Congresso Nacional. Conseguimos bloquear a votação desse projeto e ajudamos a estimular um debate nacional sobre o tema”.
A fala de Richard Stallman foi marcada por graves advertências acerca das crescentes restrições na internet. Para o criador do Projeto GNU, iniciado em 1983 nos Estados Unidos, coisas muito sérias estão acontecendo na sociedade digital. “A inclusão digital pode ser uma coisa muito boa ou muito ruim. Depende de onde a sociedade será incluída. O que vemos hoje é que a liberdade está sendo atacada de várias maneiras. Talvez tenhamos que diminuir um pouco a nossa inclusão para preservar as nossas liberdades”, sugeriu.
Após um período de euforia e liberdade, os usuários da internet devem começar a se policiar, pois tudo o que fazem está sendo gravado e classificado. A palavra “tudo”, aqui, não é força de expressão. É “tudo” mesmo. Stallman citou os casos do Facebook, do Google e do Google Analytics como exemplos de um sistema de vigilância que está sendo feito em vários níveis. O mais perigoso, defendeu, é aquele controlado pelos governos.
“Grandes empresas privadas como Amazon, Microsoft, Apple e grandes empresas de telefonia também têm seus sistemas de vigilância. Nós podemos controlar isso usando software livre, por exemplo. Mas quando se trata de governos, a situação é mais complicada. Na Inglaterra, há um sistema que diz onde está cada automóvel do país pelo controle da placa. É algo que Stálin não teve, mas que gostaria de ter”, brincou.
Durante a sua fala, Stallman anunciou, em tom de lamento, que amanhã (terça-feira) estará visitando a Argentina pela última vez em virtude de um sistema de gravação das impressões digitais de todas as pessoas que entram ou saem do país. “Será meu último voo para a Argentina. Algumas coisas não podem ser toleradas. O Estado não pode saber tudo sobre todos. A polícia secreta da União Soviética não tinha esse controle sobre a vida das pessoas”, protestou o fundador da Free Software Foundation, que acrescentou. “Numa sociedade livre, não pode ser fácil para a polícia saber tudo sobre todas as pessoas. Se for fácil, então não estaremos vivendo em uma sociedade livre”.
Stallman citou também como ameaça à liberdade a tentativa de censura na internet em vários países, mas essa luta, segundo ele, parece que está sendo vencida pela internet. “A censura existe muito antes do computador, mas parece que a internet está ganhando da censura. Muitos países têm tentado exercer a censura por meio de filtros e outros mecanismos, mas não estão conseguindo”. Outra forma de controle, apontou, é o uso de formatações sigilosas de dados para limitar o acesso. “Essa prática vem sendo usada por empresas para barrar a competição, com programas que restringem o acesso dos usuários. Vídeos estão sendo distribuídos dessa forma, com formatos secretos, para que não haja livre difusão”.
O ativista defendeu a necessidade de um maior engajamento político nesta luta contra as ameaças à liberdade no contexto da chamada sociedade digital. “Muitas pessoas não querem se envolver nos aspectos políticos dessa luta, o que é um erro. Num certo sentido, precisamos mais de ativistas do que de programadores hoje”, afirmou. Stallman defendeu, por fim, que os governos e as agências governamentais passem a usar prioritariamente softwares livres, o que não acontece hoje.

As ameaças que pairam sobre a liberdade na internet no Brasil

As ameaças sobre a liberdade na internet que pairam sobre o contexto brasileiro foram tema de uma intervenção de Marcelo Branco, logo após a fala de Stallman. Militante da causa da liberdade na internet há vários anos, Marcelo Branco apontou um conjunto de problemas e ameaças que já são reais no Brasil.
As empresas operadoras de telefonia, assinalou, representam hoje uma ameaça à liberdade na internet, pois querem quebrar a neutralidade da rede. Essa neutralidade significa que todas as informações que trafegam na rede devem ser tratadas da mesma forma, navegando a mesma velocidade. Trata-se de um princípio que garante o livre acesso a qualquer tipo de informação na rede e impede, por exemplo, que as operadoras possam “filtrar” o tráfego, definindo que tipo de dados pode andar mais ou menos rápido. Para Marcelo Branco, a neutralidade na rede não precisa de regulamentação. Ou ela existe, ou não existe. O grande risco, apontou, é que essa regulamentação seja feita pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) que seria “sensível” ao lobby das operadoras.
Em segundo lugar, Marcelo Branco apontou a indústria do copyright como outra ameaça à liberdade na internet. “As empresas que compõem essa indústria querem uma internet vigiada que criminalize o usuário. Empresas como Google e Facebook podem ser nossas aliadas neste item, mas, por outro lado, ameaçam a nossa privacidade”. Neste tema (do copyright), o ativista criticou a atual gestão do Ministério da Cultura, classificando-a como “reacionária e conservadora”.
A pressão pela criminalização na internet vem crescendo em vários níveis. Marcelo Branco considerou um absurdo querer responsabilizar um provedor por um eventual crime cometido por um usuário. “É como querer responsabilizar uma operadora de celular por um crime cometido por um bandido que utilizou o telefone durante o delito ou para praticar o mesmo”. Ele também criticou a retirada de conteúdo de páginas da internet sem mandado judicial. “Isso é inaceitável em um Estado Democrático de Direito”.
Por fim, Marcelo Branco criticou a iniciativa do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) de realizar uma consulta pública sobre patenteamento de softwares. “Foi um vacilo do governo Dilma. Uma das maiores lutas do movimento de software livre mundial, foi justamente contra a implementação de patentes de software na Europa. Em 2005, a Europa rejeitou a possibilidade do software ser patenteado. Patente de software é uma ameaça a inovação, ao software livre e a liberdade do conhecimento. O Brasil não pode seguir esse caminho", defendeu.
Marco Aurélio Weissheimer
No Carta Maior
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Tupã: a política como ela é

Abaixo você assiste a mais um vexame da política tupaense. Retrata o mundo pequeno que cerca esses personagens menores da política tupiniquim. A Secretária de Cultura ordenou que o Presidente da Câmara Municipal fosse trancado numa obra que ele fiscalizava.
O prefeito de Tupã é Waldemir Gonçalves Lopes (PSDB).
O presidente da Câmara, Luis Carlos Sanches (PTB) foi mantido em carcere privado no prédio do Espaço das Artes na tarde da quinta-feira (31/5) durante tentativa de gravar uma reportagem sobre a retomada das obras do Teatro Municipal que arrasta-se há muito tempo.
O vigia do local, funcionário da Construtora Bardelin, responsável pela execução da obra, trancou o presidente do Legislativo e um cinegrafista no interior do prédio. Por telefone, Sanches pediu socorro aos advogados da Câmara que acionaram a Polícia.
No de Esquerda em Esquerda
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Venus “paseará” entre el Sol y la Tierra por última vez en este siglo

Esta noche, durante unas seis horas, Venus “paseará” entre el Sol y su planeta hermano Tierra, en el marco de un tránsito planetario que no volverá a repetirse hasta 2117.
El tránsito de Venus, que ha generado mucha expectación en el mundo científico, podrá ser observado casi en todo el mundo, salvo Sudamérica, Antártida y África occidental.
Aunque los más afortunados para ver el acontecimiento astronómico del año serán los habitantes del este de Australia y China, el Lejano Oriente de Rusia, Siberia, los Urales y la costa septentrional de la península de Kola.
El acontecimiento comenzará a las 22.09 GMT y finalizará a las 04.49 GMT. Desde la Tierra, la silueta de Venus se verá como un pequeño disco negro que se desliza sobre la superficie del Sol.
La ciencia siempre mostró especial interés hacia ese raro fenómeno. Así, en 1627 el astrónomo alemán Johannes Kepler fue el primero en predecir el tránsito de Venus que se produciría en 1631, ofreciendo una serie de datos sobre el primer “paseo” del planeta.
Mientras, para observar los dos tránsitos ocurridos en el siglo XVIII (en 1761 y 1769), los investigadores organizaron grandes expediciones, que les permitieron calcular la distancia entre la Tierra y el Sol y también comprobar que Venus tiene una atmósfera.
La última vez que Venus “paseó” frente al Sol fue en 2004 y, después del próximo tránsito, volverá a hacerlo en el 2117 y más adelante, en 2125.
No ISLAmía
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Governo anuncia menor taxa de desmatamento na Amazônia em 23 anos

Dilma cria novas unidades de conservação


A presidenta Dilma Rousseff anunciou hoje (5), durante cerimônia de comemoração do Dia Mundial do Meio Ambiente, que a Amazônia Legal teve a menor taxa de desmatamento desde 1988, quando o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCTI) começou a fazer a medição. De acordo com a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, 81,2% da floresta original encontram-se conservadas.
“A ministra Izabella mostrou que mais de 80% da vegetação original da Amazônia permanece intacta e também que entre 2004 e 2011 o desmatamento na região sofreu uma queda de 78%. Essa redução é impressionante, é fruto de mudanças na sociedade, mas também ela é fruto da decisão política de fiscalizar e ao mesmo tempo da ação punitiva dos órgãos governamentais”.
Durante a cerimônia, Dilma Rousseff assinou decretos de criação do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paranapanema, da Reserva Biológica Bom Jesus, no Paraná, e do Parque Nacional Furna Feia, no Rio Grande do Norte. A presidenta também ampliou as áreas do Parque Nacional do Descobrimento, na Bahia; da Floresta Nacional Araripe-Apodi, no Ceará; e da Floresta Nacional Goytacazes, no Espírito Santo. Outro decreto assinado por Dilma torna sustentáveis as compras públicas governamentais.
Também foi anunciado um plano de ação com o objetivo de reduzir a mortalidade infantil e materna da população indígena, com atendimento voltado para crianças de até 6 anos e mulheres de 10 a 49 anos. Ao anunciar o plano, Dilma afirmou que é preciso dar um tratamento especial à questão da saúde indígena.
No Blog do Planalto
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Índio da Costa, 'bon vivant', perdulário e possivelmente criminoso

Por trás de um estilo de vida nababesco, com direito a shows privês de Tony Bennett e Elton John, família de Luis Otávio Índio da Costa, dona do banco Cruzeiro do Sul, coleciona 300 mil empréstimos falsos para esconder um rombo estimado em mais de R$ 1,3 bilhão na instituição; PF investiga
O empresário Luis Otávio Índio da Costa se define como um "bon vivant". Costuma desfilar com lindas mulheres, como a modelo e apresentadora Daniela Cicarelli. Em seu château na Granja Viana, como é chamada sua casa pelos amigos com seus 6 mil metros quadrados de jardim, tem o hábito de organizar festas memoráveis. Em 2009, para comemorar os 15 anos do banco da família, o Cruzeiro do Sul, trouxe especialmente dos EUA o cantor Tony Bennett e sua filha para um show intimista para 500 pessoas. "Ele mora aqui mesmo", questionou um dos convidados enquanto visitava a imensa propriedade, recheada de obras de arte contemporânea, uma das paixões de Luis Otávio Índio da Costa. Todos os dias, um helicóptero decola da Granja Viana para levar o empresário a São Paulo.
No mesmo ano, o banco patrocinou um concerto privê, na Sala São Paulo do cantor britânico Elton John.
Luis Otávio Índio da Costa também pensou em abrir as portas de sua mansão para uma apresentação da companhia de dança norte-americana Momix. Desistiu depois que o número de convidados saltou para mil pessoas e decidiu mudar o show para o Auditório Ibirapuera.
Suas festas sempre foram bem frequentadas, com a presença da ex-ministra do Supremo Tribunal Federal Ellen Gracie, o governador do Rio, Sérgio Cabral, o publicitário Roberto Justus, a apresentadora Luciana Gimenez e até a top model internacional Naomi Campbell.
Por trás desse estilo de vida ostentatório existe uma longa lista de fraudes bilionárias. Auditores do BC detectaram na escrituração um rombo de cerca de R$ 1,3 bilhão. O patrimônio líquido está negativo em cerca de R$ 159 milhões. Segundo informações do Estadão, pelo menos 300 mil empréstimos falsos foram inventados pela instituição para esconder prejuízos acumulados.
O diretor executivo do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), Antonio Carlos Bueno, afirmou nesta segunda-feira (4), que uma eventual liquidação do Banco Cruzeiro do Sul geraria uma obrigação ao fundo de arcar com até R$ 2,2 bilhões. E entrevista para o Valor Ecômico, a estrategista de renda variável do Banco Fator, Lika Takahashi, o problema com o Cruzeiro do Sul deve fazer os investidores questionarem se os bancos menores terão problemas futuros de acesso a financiamento.
Após a descoberta da fraude, 15 pessoas tiveram seus bens temporariamente indisponíveis. A lista foi distribuída pelo sistema de informações do BC, o Sisbacen, e inclui os nomes de Luis Felippe Índio da Costa, Luis Octavio Azeredo Lopes Índio da Costa, Charles Alexander Forbes, Fabio Caramuru Correa Meyer, Fabio Rocha do Amaral, Flávio Nunes Ferreira Rietmann, Horácio Martinho Lima, José Carlos Lima de Abreu, Luiz Fernando Pinheiro, Guimarães de Carvalho, Marcelo Xando Baptista, Maria Luisa Garcia de Mendonça, Progreso Vaño Puerto, Renato Alves Rabello, Roberto Vieira da Silva de Oliveira Costa e Sergio Marra Pereira Capella.
No 247
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A fúria d'O Globo argentino - II

Na América Latina, não é nada incomum – aliás, muito pelo contrário – que, durante regimes de exceção, que é como os delicados de vocabulário e os débeis de caráter chamam as ditaduras, grandes conglomerados de comunicações tenham surgido, se consolidado e se transformado em impérios.
É curioso reparar como a forma em que esses grupos e organizações foram criados corresponde a uma clara divisão do mercado, cuidando sempre de reservar espaço para que atuem, na prática, como monopólios. Assim, passam a impor suas vontades e suas visões do mundo, que no fundo são o eco exato do que dita a voz do poder econômico. Dizem não depender do governo, o que, a propósito, é mentira. Nada dizem de sua dependência vital, direta, do poder econômico, sua verdadeira verdade.
Observar essa espécie de fenômeno comum às nossas comarcas mostra a clara existência de um modelo, implantado aqui e acolá com leves variações, mas sempre ao redor do mesmo mecanismo.
Por trás da furiosa oposição que o grupo Clarín faz ao governo de Cristina Fernández de Kirchner existe uma história linear, típica desse mecanismo.
O grupo apoiou sem pejos uma ditadura espúria, com todos os ingredientes comuns às nossas comarcas (favorecimento do poder econômico à custa do atropelo dos direitos civis mais elementares, sedução e cumplicidade de parcelas das classes médias, omissão diante da atuação brutal dos agentes encarregados de impor o terrorismo de Estado, através de prisões ilegais, torturas, assassinatos e desaparecimentos de opositores). Nesse período, se fortaleceu enormemente.
Assim, o retorno da democracia encontrou o grupo consolidado, e oscilando levemente ao sabor dos novos ares. Soube ser crítico na medida exata – medida limite – durante todos os governos seguintes, observando sempre que não fossem tocados de forma direta seus interesses (ou seja, os do poder econômico preponderante, o interno e o externo) e que as manchas do passado não fossem trazidas à luz do sol.
Até que tropeçou com um governo de outra tintura, que resolveu correr o risco de enfrentar os tais interesses e atiçar o passado. A crescente polarização que a Argentina vive nos últimos anos não faz mais que fortalecer esse embate.
O espaço para a crítica clara e frontal – e o governo de Cristina Kirchner merece e deve ser criticado em copiosos aspectos – perdeu lugar para a confrontação aberta, sem regras e princípios. A manipulação e a distorção de fatos e informações passaram a ser o pão de cada dia.
Acontece que, muitas vezes, não basta com ocultar ou sabotar informação. A vida tem seus próprios caminhos, e esses caminhos frequentemente escapam do controle dos que se acreditam capazes de controlar a própria realidade.
Agora mesmo tornou a saltar ao sol uma das fontes de tamanha fúria, um dos grandes nós desta questão: o passado do Clarín. Trata-se de uma série de revelações que o jornal já não consegue mais tapar.
Dia desses, e uma vez mais, Lidia Papaleo, viúva de David Graiver, falou. Agora, diante de um tribunal. E tornou a repetir, com mais detalhes que antes, o que viveu depois da misteriosa morte do marido no México, em agosto de 1976 (a ditadura de Videla tinha escassos cinco meses de vida), num desastre de avião jamais explicado.
Agora, e de novo, ela contou, com todas as letras, como foi coagida a vender ao Clarín as ações com que Graiver, um financistas astuto e brilhante, controlava a Papel Prensa, única fornecedora e distribuidora de papel-jornal no país.
Contou como foi presa depois – depois – de ter fechado o negócio. Os compradores foram o desaparecido jornal ‘La Razón’, o ‘La Nación’, e, levando a maior parte, o ‘Clarín’.
A certa altura de seu depoimento, Lidia Papaleo contou das sevícias que padeceu. Muitas vezes, depois de vexada, era largada estendida no chão da cela ou da sala de tormento. ‘E então eles vinham e cuspiam e ejaculavam em cima de mim’, contou ela.
Antes que o juiz interrompesse a sessão para que o público abandonasse o recinto e ela pudesse continuar com seu rosário de horrores, Lidia disse:
– Até hoje lembro os rostos de meus torturadores. Porém, nenhum desses rostos, nenhum desses olhares, me persegue e amedronta mais em meus pesadelos que o olhar de Héctor Magnetto me dizendo que ou assinava a venda de Papel Prensa, ou eu e minha filha seríamos mortas.
Pois bem: Héctor Magnetto era e continua sendo o principal executivo do grupo Clarín. Foi quem, naquele distante 1976, e antes do sequestro e das torturas de Lidia Papaleo, se reuniu com ela, e foi diante dele que ela capitulou.
Meses depois, assim que a transação foi sacramentada, Lidia acabou sendo levada para os calabouços do horror. Por quê não a prenderam antes? Por uma questão legal: havia uma lei que passava diretamente às mãos do Estado as propriedades dos subversivos presos. E a ditadura não queria se apoderar da fábrica Papel Prensa: queria compensar os bons serviços prestados ao regime pelos três jornais contemplados.
Por quê a prenderam? Por achar que havia mais patrimônio a ser espoliado. E porque era mulher, tinha sido casada com um financista acusado de cuidar do dinheiro dos Montoneros e, enfim, porque prender, violar e vexar era parte da rotina do sistema que compensou o silêncio cúmplice e interessado dos Magnettos da vida.
Assim começou a fortaleza e o império do grupo Clarín. Depois vieram as concessões de rádio e televisão em cascata, depois veio todo o resto.
Essa a história que há por trás da história. Os mesmos métodos aplicados contra Lidia Papaleo continuam sendo aplicados no dia-a-dia do grupo.
Nisso, pelo menos, há que se reconhecer uma consistente coerência: os que controlam o grupo Clarín jamais deixaram de ser o que foram. Continuam agindo como agiram, e cuidando, sempre, de jamais se aproximar da perigosa linha que marca o início de um território que desconhecem, chamado dignidade.
Eric Nepomuceno
No Carta Maior
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Ancine publica regras que regulamentam Lei da TV Paga

Cota de conteúdo nacional vai vigorar a partir de setembro


São Paulo – A Agência Nacional do Cinema (Ancine) publicou hoje (4), no Diário Oficial da União, duas instruções normativas que regulamentam a nova lei de TV por assinatura no Brasil (Lei 12.485/2011). As instruções, que foram definidas após processo de consulta pública, flexibilizam alguns dos pontos polêmicos da nova lei, como a inclusão de programas de variedades e reality show dentre as obras audiovisuais que contam para o percentual mínimo de produção brasileira. Os empresários do setor terão até o dia 1º de setembro para se adaptar às novas regras.
As instruções entram em vigor cerca de nove meses após a aprovação da lei, que tramitou durante cinco anos no Congresso Nacional. “Com as instruções normativas 100 e 101, a Lei 12.485 entra de fato em operação”, declarou o diretor-presidente da Ancine, Manoel Rangel. Sobre a demora da regulamentação, Rangel disse que a abertura para diálogo da proposta, por meio de consulta pública, foi bem recebida pelos empresários, assim como pelos produtores.
“Essa é uma lei que transforma o mercado. Estamos fazendo uma transição lenta, suave e cuidadosa. Levamos em conta muitas contribuições da consulta pública, tanto da sociedade, como dos agentes econômicos. Acreditamos que a nova lei é marco para a criação de oportunidades, tendo em vista que promove a pluralidade e a competitividade no setor”, avaliou Rangel, na abertura do Fórum Brasil de Televisão, na capital paulista. A Ancine estima que o número de assinantes da TV paga, que hoje é 13 milhões, deve dobrar nos próximos quatro ou cinco anos.
De acordo com o presidente da Ancine, quando a nova lei estiver plenamente em execução, mais de mil horas de conteúdos brasileiros inéditos farão parte da programação da TV por assinatura no Brasil. "Agora, todos os canais de séries, filmes, documentários, animação deverão carregar conteúdo brasileiro. Isso terá um grande impacto na produção audiovisual, porque, pela primeira vez, se forja uma demanda real pela produção nacional, inclusive a independente”, avaliou.
Para acompanhar o aumento dessa demanda, Rangel informou que novas linhas de financiamento devem ser disponibilizadas pela Ancine no segundo semestre, contemplando, inclusive, projetos de capacitação para as produtoras, sobretudo, para as independentes. Nesse sentido, outra medida anunciada foi a publicação da Instrução Normativa 99, que simplifica o processo de submissão de projeto à avaliação da agência. “A partir de 18 junho, esse procedimento será online. É uma forma de agilizar a aprovação dos projetos”, explicou.
Para os assinantes, as maiores mudanças devem ocorrer a partir setembro, quando se tornam obrigatórios os percentuais mínimos de veiculação de produção brasileira. De 1º a 12 de setembro, os canais deverão veicular uma hora e dez minutos semanais de conteúdo nacional. A partir do dia 12, a veiculação sobe para duas horas e 20 minutos semanais. O volume de programação brasileira nos canais pagos deverá crescer gradualmente, nos primeiros três anos de vigência da lei, até chegar ao mínimo de três horas e 30 minutos semanais veiculados em horário nobre.
O intervalo de tempo considerado horário nobre para efeito da inclusão da cota de conteúdo nacional foi uma das alterações da Instrução Normativa 100, que regula as atividades de programação. O intervalo foi ampliado de cinco para seis horas e passou a contar de 18h às 24h. Antes, o horário considerado como nobre começava às 19h. No caso dos canais infantis, o período é das 11h às 14h e das 17h às 21h.
Dentre os temas polêmicos que a Ancine optou por não regulamentar na instrução, está a questão das reprises de obras brasileiras, que não contariam para a cota de conteúdo nacional. “Esperamos que os executivos dos canais saibam respeitar os interesses dos cidadãos, dos assinantes”, declarou Rangel. Ele informou, no entanto, que caso haja necessidade, a agência poderá editar um regulamento específico sobre o tema.
A Ancine regula os aspectos da Lei 12.485 que estão ligados às atividades e às condições para a prestação de serviços pela TV paga. Parte da lei que se relaciona ao serviço de telecomunicações, no entanto, é regulada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Os serviços de TV paga, que antes eram diferenciados pela tecnologia que utilizavam, agora estão reunidos no Serviço de Acesso Condicionado (SeAC). As resoluções 581 e 582 da Anatel regulamentaram esses temas, em março deste ano.
Camila Maciel
No Agência Brasil
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Folha atribui a MiniCom texto de terceiros

Da Folha de S. Paulo

Ministro nega fim de aluguel de tempo em TV

Bernardo diz que tema não fará parte de decreto que criará novas regras para emissoras
VENCESLAU BORLINA FILHO
DO RIO
O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, negou ontem que o decreto que criará novas regras às concessões de rádio e TV irá proibir o aluguel de horários na programação das emissoras.
A intenção do governo federal de proibir esse tipo de aluguel foi revelada anteontem pela Folha. Em nota, o Ministério das Comunicações negou que o assunto fizesse parte de uma proposta de decreto, mas o documento obtido pela reportagem é claro.
Um dos artigos do texto diz que "é vedada a cessão ou arrendamento, total ou parcial, da outorga de serviço de radiodifusão".
Ontem, durante um evento no Rio de Janeiro, Paulo Bernardo afirmou que a medida só poderia ser tomada por lei, mas não informou se o governo tomará a iniciativa de preparar um projeto específico para o assunto.
Os evangélicos, que são um dos maiores compradores de horários em rádios e TVs, se revoltaram contra a proposta do governo. As únicas emissoras que não entraram nesse negócio são a Globo e o SBT.
"Isso [proibição da venda de parte da programação] não consta no decreto. Não está na nossa pauta. Vamos colocar a minuta do decreto sob consulta pública", disse.
"Tem um grande mal-entendido. Como não sei quem deu o decreto para a Folha, não posso atestar, não posso falar por eles", completou.
Questionado, Paulo Bernardo também não respondeu claramente se as emissoras de rádio e TV poderão continuar vendendo espaços na sua programação.
"Nesse decreto, nós não vamos fazer nenhuma modificação sobre esse ponto."
O ministro afirmou ainda que, após a publicação da reportagem, solicitou para sua equipe ministerial que apressasse a divulgação da minuta do decreto. A intenção dele é torná-la pública para consulta do setor e de integrantes da sociedade ainda nesta semana.
Segundo o ministro, o decreto tem como objetivo atualizar os sete decretos já publicados dentro da lei da radiodifusão. O mais importante deles, de acordo com Bernardo, tem 50 anos.
"Na época, não tinha previsão de rádio e TV digital. Estamos colocando essas coisas no decreto", disse.
Bernardo esteve no Rio para conhecer o centro de tecnologia da empresa Oi.
No Advivo
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Amorim vai abrir arquivos militares para a Comissão da Verdade

Brasília – O ministro da Defesa, Celso Amorim, disse hoje (4) que o Ministério da Defesa vai repassar todas as informações que forem requisitadas à pasta pela Comissão Nacional da Verdade. Essa foi a primeira reunião entre Amorim e os integrantes da comissão, após convite do coordenador do grupo, ministro Gilson Dipp, do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
“Foi uma boa ocasião para reiterar o compromisso do Ministério da Defesa em colaborar com a Comissão da Verdade. Vamos facilitar todas as informações que nos forem pedidas e que possam ajudar os trabalhos da comissão. Designei uma pessoa, inclusive, para ficar em ligação permanente”, destacou o ministro.
De acordo com Amorim, todos os arquivos serão abertos para análise da comissão, o que pode incluir ainda os arquivos dos centros de informações do Exército (CIE), da Marinha (Cenimar) e da Aeronáutica (Cisa). "Não falamos sobre isso. Falamos em termos gerais. Tudo estará aberto", disse.
Segundo o ministro Gilson Dipp, o Arquivo Nacional vai fazer um apanhado dos documentos que ainda não foram analisados pela comissão. “Se é que tem alguma coisa que não foi apresentada, certamente vamos pedir ao Ministério da Defesa que nos apresente esses documentos ou preste essas informações”.
Além do encontro com Amorim, seis integrantes da comissão, com exceção da psicanalista Maria Rita Kehl, também estiveram reunidos com o diretor do Arquivo Nacional, Jaime Antunes da Silva.
A Comissão Nacional da Verdade foi criada para apurar os casos de violações aos direitos humanos ocorridos entre os anos de 1946 e 1988. A comissão, de acordo com a lei que a criou, poderá analisar documentos apurados e depoimentos obtidos pela Comissão de Mortos e Desaparecidos e pela Comissão de Anistia, ambas em funcionamento desde o governo de Fernando Henrique Cardoso.
Além dos sete integrantes, a comissão será composta por 14 auxiliares - servidores de carreira de órgãos federais indicados para ocupar os chamados cargos de Direção de Assessoramento Superior (DAS). As nomeações de cinco deles já foram publicadas no Diário Oficial da União, assinadas por Beto Ferreira Martins Vasconcelos, secretário executivo da Casa Civil, órgão da Presidência da República a que compete fornecer o suporte técnico, administrativo e financeiro necessários aos trabalhos da comissão.
Além do ministro Gilson Dipp, também foram indicados para integrar o colegiado o ex-ministro da Justiça, José Carlos Dias; Rosa Maria Cardoso da Cunha (advogada); Cláudio Fonteles (ex-procurador-geral da República); Paulo Sérgio Pinheiro (professor e diplomata); Maria Rita Kehl (psicanalista) e José Cavalcante Filho.
Daniella Jinkings
No Agência Brasil
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Escândalo em Rio Preto pode atingir caciques do PSDB se chegar em Paulo Preto

A matéria que segue é do Diário da Região de São José do Rio Preto e foi produzida pelos jornalistas Rodrigo Lima e Alexandre Gama.
É impressionante a riqueza de detalhes com que o lobista Alcides Fernandes Barbosa narra como uma quadrilha que operava a licitação para inspeção veicular no Rio Grande do Norte também atuava em São José do Rio Preto e nas grandes obras do Estado de São Paulo como o Rodoanel e a calha do Tietê. E como operava na Dersa (de Paulo Preto) e no Daee.
Leia com atenção e atente para um detalhe. Rio Preto é a cidade do senador Aloysio Nunes Ferreira, que admitiu ser amigo de Paulo Preto que, inclusive, em nome da boa amizade lhe emprestou, em 2007, 300 mil para pagar uma parcela do apartamento que o senador comprou em Higienópolis.
Segue a matéria:

Lobista: ‘Em Rio Preto era tudo uma fraude’

Rodrigo Lima e Alexandre Gama
Alcides Barbosa faz graves acusações
contra Luiz Tavolaro e prefeito Valdomiro Lopes
(Foto: Reprodução)
O lobista Alcides Fernandes Barbosa, preso suspeito de integrar quadrilha que fraudou licitação para inspeção veicular no Rio Grande do Norte, acusou o ex-procurador-geral de Rio Preto Luiz Tavolaro de ter recebido carro e passagens aéreas como presentes de empresas que ganharam licitações na Prefeitura. O lobista disse ainda em depoimento gravado ao MP que Tavolaro “ficava com 35% de tudo o que o prefeito recebia.” Questionado por promotores o nome do prefeito, ele diz: “Valdomiro Lopes.”
Ao longo de mais de 8 horas de depoimento prestados ao Ministério Público potiguar em que detalhou o suposto esquema de fraude no RN, aos quais o Diário teve acesso na íntegra, Barbosa se disse surpreso com o fato de o Ministério Público de Rio Preto ainda não ter iniciado investigação sobre as licitações realizadas pela Prefeitura. “Não sei porque o MP em Rio Preto não entrou ainda. Em São José do Rio Preto era tudo uma fraude.”
A operação Sinal Fechado, desencadeada em novembro de 2011, acusou Tavolaro de prestar assessoria jurídica para a quadrilha na elaboração de edital e projeto de lei para serviço de inspeção veicular naquele Estado que renderia até R$ 1 bilhão em 20 anos para o grupo. A denúncia atingiu também a ex-secretária de Administração de Rio Preto, Eliane Abreu, que teria também prestado serviços jurídicos a pedido do ex-procurador. A denúncia contra ambos, porém, foi rejeitada pela Justiça.
O lobista, apontado pelo MP como “sócio oculto” de Tavolaro, revelou em delação premiada que “todas as empresas que iam prestar serviço em Rio Preto eram colocadas numa sala no escritório de São Paulo e saia dali pronto. Todos os editais de Rio Preto eram feitos em São Paulo. Todos”, afirmou ele, que citou especificamente a licitação para compra de uniformes. Pelas mãos de Tavolaro passaram, em quase três anos, cerca de R$ 120 milhões em licitações, como para obras antienchente e núcleos da esperança e os serviços de coleta do lixo e transporte coletivo.
“O Tavolaro tem um nome muito forte em São Paulo. É muito respeitado”, afirma aos promotores, que o questionam de onde viria tanto prestígio. “Em São Paulo, até hoje, os editais grandes passam pelo Tavolaro. Ele fez o Rodoanel, a calha do Tietê. Todas as grandes obras é o Tavolaro”, afirmou Barbosa, lembrando que antes de Rio Preto o advogado atuou como procurador jurídico no Dersa e no Daee. Em relação à sua atuação em Rio Preto, o lobista se referiu a Tavolaro como “o cérebro”, “o cara” da administração. “O prefeito não faz nada sem ele.”
A acusação de que o ex-procurador teria recebido um carro de empresa vencedora de licitação foi feita quando relatou a conversa que teve com advogados que teriam sido contratados por Tavolaro, por R$ 400 mil, para tirá-lo da cadeia. Uma das condições era manter o silêncio em relação ao contrato de inspeção veicular em Natal. “Não pode falar também do contrato das casas em Rio Preto e não pode falar do carro que ele colocou no meu nome, que ele ganhou de uma empresa de Rio Preto em uma licitação.” Sobre as passagens aéreas para uma viagem a Natal, elas teriam sido pagas, segundo ele, pela Constroeste, que nega a acusação.
Em determinado momento de seu depoimento, o empresário reclama que foi prejudicado em Rio Preto num contrato envolvendo a construção do Parque Nova Esperança. Segundo ele, sua empresa, a ATL Premium, que deveria receber R$ 4,2 milhões, teve o valor reduzido para R$ 1,5 milhão. “Era o contrato da minha vida.” Segundo ele, Tavolaro teria lhe relatado que “o prefeito tá achando que você está ganhando muito.”
Ele afirmou ainda que tem “muita coisa para falar” sobre Rio Preto e que está “à disposição” do Ministério Público local se houver interesse. “Queria falar desde o primeiro dia. Nunca fugi. É que eu não tinha acesso aos promotores (de Rio Preto.) Lá tenho muita coisa para falar. Eu estava preso”, disse o lobista.
Segundo o empresário, após a operação Sinal Fechado, o ex-procurador ficou com “medo de estar sendo monitorado pelo MP de Rio Preto”. “Ninguém em Rio Preto sabia do escritório em SP. Thaís (sobrinha de Tavolaro) foi atender telefonema de um jornalista que estava pegando no pé do Tavolaro e ela deu o endereço. Tavolaro ficou louco e levei tudo (documentos) para a minha casa”, afirmou Barbosa.
Segundo o lobista, ele e Tavolaro se conheceram por conta de um projeto habitacional que seria construído na região da subprefeitura de São Mateus, que tinha Clóvis Chaves como o responsável pelo projeto. O lobista disse que Tavolaro e ele tinham uma relação de “irmão” e, além disso, Tavolaro queria se aproximar do senador Aloysio Nunes (PSDB).
Assista os vídeos gravados pelo Ministério Público durante delação premiada do lobista Alcides Fernandes Barbosa, que fez graves denúncias contra o ex-procurador-geral do município Luiz Antonio Tavolaro e contra o prefeito de Rio Preto, Valdomiro Lopes (PSB).
Parte 1:
Parte 3:
Fonte: site www.nominuto.com

Valdomiro acionou polícia contra lobista

Valdomiro acha que é vítima
de extorsão e vê motivo eleitoral
(Foto: Guilherme Baffi)
O prefeito de Rio Preto, Valdomiro Lopes (PSB), disse ontem que está sendo “vítima” de “extorsão” e que as denúncias do lobista Acides Barbosa contra ele e seu governo podem ter conotação política. “Estamos vivendo a proximidade das eleições. Esse fato me estranha muito.” Ele se disse “tranquilo” em relação ao depoimento do lobista ao Ministério Público, que ele disse não ter tido acesso e por isso não comentaria seu conteúdo. “Se é delator é porque foi preso e é bandido. Nosso governo é sério, correto e não participa desse tipo de coisa”, afirmou ele.
Ontem, Valdomiro afirmou que na última semana Barbosa teria ido à Prefeitura para conversa com o chefe de gabinete, Alex de Carvalho. Sem sucesso, teria sido recebido pelo procurador Luís Roberto Thiesi. “Procurou o dr. Thiesi e disse que estava em Rio Preto porque no dia seguinte teria audiência com o Ministério Público. Mas antes queria falar com o Alex. Disse que tinha uma diferença do contrato com a construtora que fez as casas e queria receber”, afirmou o prefeito, que disse já ter acionado a polícia.
“Relatei o ocorrido ao delegado seccional, José Mauro Venturelli, que nos aconselhou a receber o Alcides. Para que quando ele aparecesse, chamassemos a polícia para tomar seu depoimento”, disse o prefeito. Segundo Valdomiro, Barbosa teria marcado um encontro para a última quarta-feira, às 15 horas. “Estávamos de prontidão, mas às 14 horas ele ligou e disse que não viria mais.”
Sobre as denúncias feitas pelo lobista em depoimento ao MP, a assessoria de Valdomiro afirmou que ele não as comentaria pois não teria tido acesso à íntegra da delação, que tem mais de 8 horas. “Não permitirei que bandido manche a honra do nosso governo”, se limitou a dizer. Valdomiro lembrou que a denúncia contra seu ex-procurador-geral Luiz Tavolaro não foi recebida e avisou que não fala com ele desde sua saída do gverno, em dezembro.

Delação premiada

O benefício da delação premiada oferecido a Alcides Barbosa permitiu ao lobista que depois de quase quatro meses ele deixasse a cadeia. Após o depoimento, ele foi solto em abril deste ano. Ele é apontado pelo Ministério Público potiguar como elo entre a quadrilha do Rio Grande do Norte e políticos de São Paulo que tentou implantar sistema de inspeção veicular em toda frota do Estado potiguar.

Tavolaro: ‘é um cara doido’

O ex-procurador-geral do município Luiz Tavolaro classificou como “delação desesperada” as acusações feitas pelo empresário Alcides Fernandes Barbosa contra ele e o prefeito de Rio Preto, Valdomiro Lopes (PSB). “É um cara doido. Foi uma forma desesperada de sair da prisão”, afirmou Tavolaro.
Em troca das informações prestadas ao Ministério Público do Rio Grande do Norte, Barbosa deixou a cadeia e, atualmente, está em prisão domiciliar. Tavolaro afirmou que ainda não assistiu a todo o vídeo da delação premiada do ex-sócio, mas disse que ele “inventou muita coisa.” “Há diversas contradições no depoimento dele”, disse Tavolaro. “Muita coisa criou da cabeça dele”.
O ex-procurador-geral do município negou que tenha recebido de empresa carro, conforme acusou lobista. Ele negou ainda que tenha tido acesso a passagens aéreas pagas pela empresa Constroeste. “Nada a ver. A única vez que fui a Natal com o Alcides (Barbosa) foi ele quem pagou a passagem para visitarmos o João Faustino”, disse Tavolaro. Faustino atuou como subchefe da Casa Civil em São Paulo no período em que o senador Aloysio Nunes (PSDB) era o secretário da Casa Civil no governo de José Serra (PSDB).
Uma das passagens pagas pela empresa seria destinada ao ex-prefeito da subprefeitura de São Mateus em São Paulo Clóvis Chaves. Ele, porém, não chegou a viajar a pedido de Tavolaro para se encontra com Faustino. O procurador-geral do município afirmou ontem que está “tranquilo” em relação ao caso. Ele negou qualquer envolvimento de Valdomiro em irregularidades. “Refuto isso veementemente. Ele (Barbosa) prestou esse depoimento para sair da cadeia”, afirmou.
Tavolaro negou ainda ter pago R$ 400 mil por um habeas corpus em favor do lobista, que o visitou ao menos uma vez na Prefeitura de Rio Preto. “Isso é coisa de maluco. Me dá esse dinheiro que vou parar de trabalhar”, disse. O promotor de Justiça Sérgio Clementino afirmou que não recebeu Barbosa em sua promotoria. Ele afirmou que iria analisar hoje a reportagem do Diário para requisitar cópia da delação premiada do lobista junto ao MP do Rio Grande do Norte.
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