4 de jun de 2012

Luiz Carlos Bordoni: "Quem pariu Cachoeira, que Perillo o embale"

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O mundo imaginário da sucessão do Ipea

Com a saída de Marcio Pochmann, que concorrerá a prefeitura de Campinas, abriu-se a disputa para a presidência do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Imprensa entrou no jogo como parte interessada. E acabou saindo mal na fita. Trama relatada por Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Correio Braziliense e Valor Econômico inverteu regra de bom senso lógico: se os fatos não forem bem assim, problema dos fatos.
Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), caiu em janeiro de 2011, quando Wellington Moreira Franco assumiu a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), ministério ao qual o Instituto está subordinado. Tem mais: Marcio Pochmann censura pesquisas no Instituto desde que tomou posse em 2007. Sob sua direção, o órgão caracteriza-se pelo chapabranquismo militante. Acha pouco? Agora Pochmann vetou o nome de seu sucessor, indicado pela presidenta Dilma Rousseff que, em represália, vetou os nomes apresentados pelo economista e impôs um nome de preferência de Aldo Rebelo, que ainda não havia entrado na história. Depois disso, Moreira Franco indicará um interino em caráter definitivo.
A trama pode continuar indefinidamente. Nada disso corresponde aos fatos, mas tudo foi registrado pelos jornais Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Correio Braziliense e Valor Econômico. Se os fatos não forem bem assim, problema dos fatos. A desconexão com a realidade ultrapassa a linha do ridículo.
A presidência do Ipea é um cargo concorrido. A sucessão de Pochmann é notícia desde que este professor da Unicamp anunciou a disposição de disputar a prefeitura de Campinas pelo PT. Em sua gestão, o Instituto ampliou o raio de atuação, abriu-se para áreas além da economia, aumentou o leque de trabalhos e passou a assessorar não apenas o governo federal, mas também administrações estaduais e municipais, além de fornecer subsídios a entidades da sociedade civil e aos poderes Legislativo e Judiciário. Com pouco mais de seiscentos pesquisadores, o Ipea é uma das maiores instituições de pesquisa na América Latina. Possui uma representação em Caracas e em breve terá outras na Argentina e no Paraguai.

Sucessão de vetos

A imprensa entrou no jogo, comprando informação por metro e vendendo por quilo.
O repórter João Villaverde, do Valor Econômico (29 de maio) apurou o seguinte sobre a secessão no Instituto:
“Os três nomes indicados por Pochmann (Vanessa Petrelli, Leda Paulani e Jorge Abrahão) não entusiasmaram Dilma, que já decidiu também negar a candidatura a [Ricardo] Paes de Barros, apoiada pelo ministro Moreira Franco. (...) Dilma comunicou a Moreira Franco na semana passada que prefere Paes de Barros na SAE, e não na presidência do Ipea. Além disso, Pochmann vetou o nome de Paes de Barros”.
Faltou Villaverde explicar como um funcionário de segundo escalão como Pochmann pode impor veto a um ministro e à presidenta da República.
O jornalista praticamente nomeou o sucessor. Trata-se do professor da UnB, José Luís Oreiro. Quem lê a reportagem do Valor fica sabendo que o economista era o candidato preferido das seguintes lideranças: Aldo Rebelo (PCdoB-SP), Henrique Eduardo Alves, Lindbergh Farias (PT-RJ), além do ministro da Fazenda, Guido Mantega, do presidente do BNDES, Luciano Coutinho, e do vice-presidente da República, Michel Temer.
Lindbergh contestou a informação. “Meu candidato é o candidato de Marcio Pochmann”, disse o senador no final de semana.

Zerando o placar

Dois dias depois, o repórter Raymundo Costa, do mesmo jornal, vendo que não havia fumacinha branca em canto algum, zera o placar. Em primeira mão, ele noticia que:
“O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (...) será presidido interinamente até o ministro (...) Wellington Moreira Franco, indicar um titular para o cargo. A atual diretora de Estudos de Políticas Econômicas do Instituto, Vanessa Petrelli Corrêa, será a interina. Ela foi indicada pelo economista Marcio Pochmann”.
Mas Moreira Franco já não havia escolhido um nome, que fora “vetado” por Pochmann? E Vanessa Petrelli não é aquela que “não entusiasmara” Dilma?
Mais adiante, Costa relata:
“Na véspera, a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, telefonou para Moreira para perguntar se ele tinha um nome para indicar. Moreira respondeu que sim. Não havia indicado, para não precipitar os acontecimentos, enquanto Pochmann prepara sua desincompatibilização para concorrer em outubro”. E o ministro teria completado: “Não tive nenhum problema em nomear a indicação do Marcio”.
O caso passou a se assemelhar a um filme policial com trama rocambolesca, nos quais a certa altura não se sabe mais quem matou e quem morreu. Moreira Franco, que indicara Paes de Barros agora diz à ministra Gleisi Hoffmann que não indicou ninguém “para não precipitar os acontecimentos”. Quem apurou errado, Villaverde ou Raymundo Costa?
O gozado é que em 14 de fevereiro de 2011, há um ano e meio, o jornal O Estado de São Paulo, em uma matéria intitulada “Ministro decide tirar Pochmann do Ipea”, contava o que se segue:
“O ministro (...) Moreira Franco, vai tirar o economista Márcio Pochmann do comando do Ipea. (...) Moreira Franco, apurou ontem o Estado, ainda está conversando com assessores para definir os nomes da nova diretoria”.
Agora ficou confuso. Se Moreira Franco buscava nomes em fevereiro do ano passado, como agora a imprensa informa que ele não quer “precipitar os acontecimentos”?

Asas à imaginação

Apurar notícias, ser enredado por boatos e noticiar algo a ser desmentido no dia seguinte compõem o cotidiano de um repórter. Isso se exacerba num centro de variados interesses como Brasília. Mas não é preciso exagerar. A jornalista Rosana Hessel, no Correio Brasiliense de 28 de maio, resolveu dar asas à imaginação:
“O objetivo de Dilma é colocar no lugar de Pochmann um técnico que consiga recuperar a imagem antiga do órgão, independente e respeitado pelas pesquisas que realiza. No governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Instituto chegou a ser chamado por vários economistas de máquina de propaganda. Hoje, encontra críticos dentro do próprio governo. Em abril de 2011, por exemplo, o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, desqualificou um estudo do Ipea que denunciava o passo lento das obras de ampliação dos aeroportos nas cidades que sediarão a Copa de 2014, mostrando que pelo ritmo das obras apenas 4 dos 12 aeroportos ficariam prontos”.
Em um parágrafo, Rosana desmente a si mesma. Primeiro diz que o Ipea deixou de ser “independente e respeitado” e virou uma “máquina de propaganda” do governo. Na frase seguinte fala que o ministro Gilberto Carvalho desqualificou um estudo do Ipea”. Se é chapa-branca, por que um ministro ataca o órgão?
Rosana Hessel fecha a matéria com chave de ouro: “A presidente quer indicar pessoa com perfil técnico e sem aspirações políticas”. Perfil técnico e sem aspirações políticas era a mais perfeita tradução de economista Dilma Rousseff ao ser nomeada ministra das Minas e Energia, em 2003.
O que tais matérias demonstram? Entre outras coisas que quando jornalistas se prestam a ser portadores de recados de lobistas, difusores de boatos e escritores de ficção, quem perde é o jornalismo. E cá entre nós, a atividade não anda em seus melhores dias no Brasil.
Em tempo: a economista Vanessa Petrelli, indicação de Marcio Pochmann, é a nova presidenta do Ipea.
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Somem os diamantes no Jubileu de Diamante de Sarney

Como não conseguisse recuperar as jóias, Sarney ficou com a coroa
SAINT LOUIS – Causou consternação e tristeza o desaparecimento do diamante que abrilhantava o Jubileu homônimo de José Sarney. O senador vitalício saudava a flotilha de mais de mil embarcações superfaturadas que desfilavam pelos canais transpostos do Rio Francisco, quando um dos primos por afinidade de um genro de Roseana, lotado no departamento de eventos sócio-culturais do município de José Sarney, reparou que a pedra coruscante havia sumido do cetro senatorial.
A polícia maranhense imediatamente convocou a Scotland Yard, famosa organização investigativa com a qual a família Sarney mantém estreitas relações desde que o jovem senador foi convidado a participar das exéquias da Rainha Vitória, ocasião em que conseguiu empregar dois cunhados na Companhia das Índias e desviar parte do curso do Tamisa, cujas águas passaram a banhar a fazenda Curralzinho, de sua propriedade, no município de Bacabal.
"Vamos vasculhar os bigodes de homens e mulheres", anunciou o detetive Eaton S. Pickledoom, que lidera as investigações. Ao tomar ciência do ocorrido, Gilmar Mendes acusou Sarney de simular o furto para abafar o julgamento do Mensalão. Demóstenes Torres alegou ser imberbe. Lula destacou que nunca deixou a barba crescer.
A celebração do Jubileu de Diamante de José Sarney marcou o 150º ano de reinado do político maranhense e celebra, entre outros feitos, o fato de os índices sociais do estado terem se mantido consistentemente à frente dos da Somália.
O evento foi acompanhado de perto por 48.554 parentes, 12.557 figurantes comissionados e oito eleitores. O momento de maior comoção aconteceu quando a procissão passava pelo rio Gurupi e foi recepcionada com propinas lançadas pelas 161 escolas que carregam o sobrenome Sarney.
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Jornalismo esportivo acabou

Acabou pelo menos na televisão. Dias atrás, assistindo a um jogo da Libertadores da América, quase no fim da partida dei-me conta de que aquela também era uma data de Copa do Brasil. E que, ligado na Fox Sports, eu não tinha informação de como estavam os duelos desta competição nacional, simplesmente ignorada pela emissora que transmitia a Libertadores, como se o torneio nacional não existisse.
Na TV do plim-plim não existe Olimpíada
A mesma "estratégia" pôde ser observada na transmissão global do jogo da seleção brasileira neste domingo. Como notou o Uol, não se ouviu na TV Globo, durante o duelo em que os mexicanos deram um chocolate e venceram o time de Mano Menezes por 2 a 0 em Dallas (EUA), nenhuma vez a menção de que aquela seleção está se preparando para a Olimpíada de Londres (eu não vejo futebol nessa emissora quando a transmissão é de Galvão Bueno). A informação de que o time do Brasil, formado quase inteiro por jogadores jovens, está enfrentando as seleções principais de outros países também foi ignorada.
Na outra, só há Libertadores
Em suma, a Fox Sports não fala de uma competição transmitida pelas concorrentes (Sportv e ESPN), a Globo ignora o maior evento esportivo do mundo porque os direitos de transmissão para a TV aberta pertencem à Record, e por aí vai. E assim o “jornalismo” esportivo vai se transformando numa fantasia, um objeto comercial travestido de informação. Uma vergonha, como dizia aquele âncora que se manifestou sobre os garis de modo absurdo no final de 2009.
É o cúmulo a maior rede de televisão do país simplesmente fazer de conta que não existem Jogos Olímpicos (eles se preocupam com a tal credibilidade?). Ou uma empresa que detém os direitos de transmissão da Libertadores em TV fechada fingir que não há futebol no Brasil a não ser o que faz parte da competição que eles transmitem.
Como jornalista que sou, sempre entendi minha profissão como uma prática que precisa também ser um serviço. No fundo, a informação é um serviço. Ou deveria ser. Ou era.

No Fatos Etc.
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Morremos cedo demais

Custo. Cada centavo gasto em saúde eleva a expectativa de vida.
Foto: IstockPhotos
O relatório anual da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicado nesta semana, explica porque não chegamos todos aos 100 anos com saúde. Hoje, 89% da população humana têm acesso à água de qualidade e 60% das casas têm esgoto.
O acesso a medicamentos ainda é um sério problema, apenas 42% do setor de saúde publica e 62% da saúde privada dispõem de genéricos básicos. Apenas 36% da população têm acesso a medicamentos para tratamento de doenças crônicas. A falta de remédios no setor público obriga o cidadão a comprar as drogas na rede privada, sendo que o preço dos genéricos na média mundial custa 610% mais caro na farmácia do que o preço que os governos pagam se comprarem direto da fábrica.
Nos últimos dez anos, a mortalidade de crianças com menos de cinco anos caiu 35%, de 9,6 milhões para 7,6 milhões ao ano. Um dos motivos da dramática redução é a cobertura vacinal. Só com sarampo, por exemplo, a cobertura subiu de 70% para 85% nas crianças com menos de um ano, e isso significou uma redução de 74% na mortalidade pela doen-ça, o que significou 20% de toda a redução na mortalidade infantil.
Metade das mortes em crianças menores de cinco anos ocorre na África. Desnutrição é a causa de 35% das mortes no mundo, enquanto que outros 20% das crianças morrem por pneumonia ou diarreia. Apesar de nos últimos vinte anos termos uma redução de 50% nos casos de malária, ao menos metade da população mundial está em risco de ter a doença, que matou, em 2010, 655 mil dos 216 milhões de pacientes que tinham a doença, sendo que 86% das mortes eram crianças.
Quanto aos adultos os problemas são frequentemente ligados à hipertensão e à obesidade. Pressão alta é causa de 51% das mortes por acidente vascular cerebral e 45% das mortes por infarto. A obesidade mata 2,8 milhões de pessoas ao ano. Além disso, a obesidade e o sobrepeso colaboram com o aparecimento de diabetes, alguns tipos de câncer e também acidente vascular cerebral e doença coronariana.
Nos últimos 30 anos, o número de obesos subiu de 5% para 10% nos homens e de 8% para 14% nas mulheres. O problema de peso é mais localizado nas Américas, onde 62% da população têm sobrepeso e 26% são obesos. No sudeste da Ásia, estão os mais esbeltos, apenas 14% têm sobrepeso e 3% são obesos. O número de obesos quase que triplicou nas Américas e na Europa Ocidental, e em nenhum lugar do mundo houve redução desse índice. Quanto aos hipertensos, houve aumento porcentual nos africanos e no sudeste asiático, nos outros cantos do mundo houve redução da taxa, principalmente na Europa Ocidental e nas Américas.
A mortalidade materna também sofreu uma dramática redução nos últimos 20 anos, as 290 mil mortes anuais representam uma queda de 50%. Mesmo assim isso representa uma morte materna a cada dois minutos. Um terço dessas mortes ocorrem na Índia e na Nigéria.
Os países onde a mortalidade materna é mais alta estão na região ao sul do deserto do Saara, e ocorrem principalmente por complicações da Aids durante a gravidez. O acesso ao pré-natal pode reduzir a mortalidade materna em 30%, mas apenas 55% das grávidas no mundo recebem atenção minimamente adequada no pré-natal.
Cada centavo gasto em saúde melhora a qualidade de vida. A variação do quanto se gasta per capita em cada país varia entre 11 dólares na Eritreia e 8.262 dólares em Luxemburgo. Na média, os países pobres gastam 25 dólares, enquanto que os ricos gastam 200 vezes mais. Se os países pobres gastarem o dobro e focarem no tratamento da Aids, tuberculose, malária e saúde materno-infantil, a expectativa de vida de seus habitantes pode aumentar de 15 a 20%. O Japão ainda é o país com maior expectativa de vida do mundo, 86 anos.
Rogério Tuma
No CartaCapital
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Irán advierte sobre ataque israelí en sus instalaciones nucleares

El guía supremo iraní, Alí Jamenei, reiteró este domingo que Israel
puede atacar las instalaciones nucleares de Irán. (Foto: Reuters)
El Gobierno iraní reiteró este domingo su advertencia sobre la posibilidad de que Israel atente contra sus instalaciones nucleares justificando la supuesta “amenaza” que éstas representan.
La denuncia fue presentada por el guía supremo iraní, Alí Jamenei, quien advirtió que cualquier agresión israelí contra las instalaciones de Irán "recaerá como un rayo en la cabeza" del Estado hebreo.
Recientemente, Israel y Estados Unidos volvieron a hablar de la posibilidad de una opción militar para bloquear el programa nuclear iraní.
Ante esta situación, el gobierno presidido por Mahmud Ahmadineyad continúa acusando a los occidentales de mentir sobre la amenaza nuclear iraní, puesto que ya se ha demostrado con varias investigaciones que los proyectos llevados a cabo por esa nación no son con fines de guerra.
Con estas posiciones, el ministro iraní de Relaciones Exteriores, Ali Akbar Salehi, reconoció el viernes que las negociaciones de Moscú con las grandes potencias serían "difíciles" pero afirmó tener "buena esperanza" para evitar una ruptura que aumente fuertemente el riesgo militar.
Las grandes potencias, empezando por los occidentales, dicen que desde su parecer, Irán “esconde” un objetivo militar tras su programa nuclear.
Pese a este contexto, Jamenei insistió en que su país no "se detendrá en la vía del progreso político, científico o tecnológico" a pesar de las amenazas y sanciones internacionales que "no tienen ningún efecto y no pueden detener al pueblo iraní".
Desvío de atención
Por otro lado, con respecto a la cobertura mediáticas y a los debates internacionales, Jamenei, también denunció este domingo a Estados Unidos y a sus aliados en la comunidad internacional por desviar la atención del mundo hacia el programa nuclear de Irán con el objetivo de esconder los problemas económicos que atraviesan.
"Lo que los estadounidenses y los occidentales están haciendo es una idiotez. Magnifican el tema nuclear para cubrir sus propios problemas", aseveró.
También reiteró la posición que siempre ha mantenido la república islámica, que defiende que el programa nuclear se trata de un proceso de carácter exclusivamente civil y pacífico y no con fines bélicos, como tratan de hacer ver las grandes cadenas informativas.
“La cuestión nuclear de Irán ha sido priorizada en la lista de problemas mundiales. Pero ellos usan el término 'armas nucleares' de forma engañosa para desviar la atención de los problemas que existen en América y Europa", insistió.
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No Paraná Justiça joga no lixo pedido do PSB para censurar blog

A juíza Renata Estorilho Baganha, da 3ª Zona Eleitoral de Curitiba, jogou na lata de lixo um pedido do PSB, partido do prefeito Luciano Ducci, para censurar o Blog Lado B de responsabilidade da jornalista Thea Tavares (foto).
Não, o PSB não pediu somente a retirada do post que alegava fazer “propaganda antecipada negativa com relação a Luciano Ducci”. Queria mais: retirar definitivamente a página do ar.
Acertou a juíza ao julgar improcedente a representação.
A magistrada entendeu que Thea veiculou no site (sob sua responsabilidade) afirmações de [conteúdo] político e crítico, mas não de cunho eleitoral, não caracterizando-se a propaganda eleitoral antecipada.
“Por certo aquele que exerce o mandato eletivo está exposto a críticas e inclusive pode, na esfera da Justiça Comum, buscar a tutela com relação a manifestações que ofendam sua honra objetiva ou subjetiva, mas não é porque estamos em ano eleitoral que toda crítica política possa se transformar em propaganda eleitoral antecipada”, despachou a juíza Renata Estorilho Baganha.
Parabenizo Thea Tavares pela luta que travou em defesa da liberdade de expressão ao mesmo tempo em que renovo a minha convicção — e da maioria da blogosfera — de que somente o Supremo Tribunal Federal (STF) tem o poder julgar matérias relativas à liberdade de opinião.
A defesa da jornalista foi feita pelo advogado André Passos, do escritório Passos & Lunard.
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Dadá é solto e já chegou na redação da Veja. Policarpo está confiante na próxima capa

Tribunal concede liberdade a araponga de Cachoeira

Corte também confirma permanência do contraventor em presídio de Brasília
Na foto, Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, ex-sargento da Aeronáutica e, segundo as investigações
da Polícia Federal, atuava como informante e auxiliar do contraventor Carlinhos Cachoeira
O Globo / Aílton de Freitas
BRASÍLIA – Por três votos a zero, o Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, em Brasília, concedeu nesta segunda-feira habeas corpus ao ex-sargento da Aeronáutica Idalberto Matias de Araújo, o Dadá. Ele foi preso em 29 de fevereiro, na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, e poderá ser libertado a qualquer momento. Dadá é acusado de instalar escutas ilegais de interesse do contraventor Carlinhos Cachoeira. Em depoimento à CPI do Cachoeira na semana passada, Dadá não respondeu as perguntas dos parlamentares.
Os três integrantes da Terceira Turma do tribunal analisaram decisão individual do desembargador Fernando Tourinho Neto, do dia 16 de abril. Tourinho é o relator de todos os pedidos do processo de Cachoeira no TRF1 porque recebeu, por sorteio, o primeiro recurso que chegou à corte sobre o assunto. O TRF também determinou que Dadá não poderá ser solto caso haja outro processo com pedido de prisão em vigor contra ele.
O TRF1 também confirmou nesta segunda-feira, por unanimidade, decisão liminar que resultou na transferência do contraventor Carlinhos Cachoeira para a Penitenciária da Papuda, em Brasília. Antes, ele estava detido no Presídio Federal de Mossoró (RN).
Cachoeira está detido em Brasília desde o dia 18 de abril, em uma área destinada a presos da Polícia Federal (PF). Ele foi detido no dia 29 de fevereiro como resultado da Operação Monte Carlo, que apurou esquemas de corrupção e exploração de jogos ilegais no Centro-Oeste.
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Serra deixou evangélicos falando sozinhos

Uma vereadora paulistana do partido do Kassab (PSD-SP), evangélica e candidata à reeleição, foi a uma reunião no quartel-general tucano no edifício Joelma, onde levou cerca de 30 pastores e lideranças, que lá foram na expectativa de um encontro com José Serra (PSDB-SP), segundo o jornal "Estadão".
E, parece inacreditável, mas Serra faltou!
Coube ao vice-governador Guilherme Afif Domingos (PSD), a dura tarefa de explicar a ausência do tucano, e a emenda saiu pior do que o soneto:
"Não podemos estressar o candidato. Não podemos tirar a energia. Ele tem que estar descansado para aparecer na televisão".
Os pastores reclamaram que os demotucanos só os procuram para usá-los em época de eleição, depois os tratam com descaso.
Entre as frases ouvidas, segundo o "Estadão":
"Agora somos chamados para eleger Serra, mas vamos ser excluídos".
"Ele chegou na nossa instituição (na eleição anterior). Prometeu situações que, infelizmente, foram esquecidas".
Em 2010, Serra tentou eleger-se fazendo populismo religioso, só que foi mais irreal do que uma nota de R$ 3,00. O que o tucano fala, o passado o condena.

Serra desrespeita religiosos, ao simular representar papel de pastor em vez de candidato

Além disso, a atitude de Serra, às vezes, ofende a muitos evangélicos, quando os tenta manipular, em vez de tratá-los como qualquer cidadão, que pensa e forma convicção de voto naquele que acha ser o melhor candidato para sua cidade, seu estado, seu país.
Serra acha que caso se apresente como se fosse "um pastor", será suficiente para arrebanhar votos de quem é fiel. Isso é querer chamar os outros de bobos.
A relação de Serra (e qualquer candidato) com o eleitor religioso não é entre pastor e fiel, e sim de homem público para resolver os problemas que dependem da mão do ser humano, e não de Deus.
Deus existe para todos. Não é filiado a nenhum partido e não apoia nenhum candidato, assim como não torce para nenhum time de futebol. Nos deu inteligência e força para usarmos para o bem, e há quem use para o mal. A fé pode ajudar e inspirar o ser humano na realização de boas coisas, mas não é religião que resolve os problemas materiais que depende do trabalho de cada um de nós, inclusive o trabalho coletivo da sociedade na forma de governos. Só ter fé não resolve as enchentes provocadas pela impermeabilização do solo urbano e ocupação das várzeas dos rios, feita pela mão do homem. O trânsito de São Paulo também não resolve com fé. É consequência do mau planejamento e de desvios da corrupção tucana no metrô, rodoanel, avenidas marginais, tudo isso feito pela mão do homem, e é a mão do homem que tem que consertar a lambança. Espera-se de candidatos a prefeitos que apresentem essas soluções ao cidadão, seja evangélico, católico, de qualquer religião ou até mesmo de nenhuma religião.
ZéAugusto
No Amigos do Presidente Lula
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Mídia teme popularidade de Lula

Na semana passada, a mídia demotucana fez de tudo para silenciar Lula. Apoiou Gilmar Mendes, bravateiro do STF, que alardeou uma suposta “ameaça” no julgamento do mensalão sem apresentar provas. Também criticou Lula por sua audiência no programa do Ratinho, na SBT. Na prática, a mídia revela o medo que tem da popularidade do ex-presidente num ano de eleições municipais. Ela teme pela derrota das forças de direita. Preferia que Lula continuasse sem voz num hospital!
Lula encerrou o seu segundo mandato presidencial com mais de 80% de aprovação popular – um recorde que deve matar de inveja o ex-presidente FHC, apavorar os demotucanos e incomodar os barões da mídia. Todas as pesquisas recentes indicam que ele terá forte influência junto ao eleitorado no pleito de outubro próximo. Daí a tentativa de criar factóides, como o protagonizado pelo péssimo ator do STF, e o esforço para evitar que ele apareça em programas de televisão e que expresse seu apoio a candidatos.

Efeito contrário

O Estadão, em editorial ontem (3), chegou a sugerir que Lula cometeu crime eleitoral por “propaganda antecipada” ao apresentar Fernando Haddad, candidato petista à prefeitura de São Paulo, no Programa do Ratinho. Nada falou, porém, sobre a presença de José Serra em outros programas televisivos, como o do Datena na Band. O tucano pode fazer “propaganda antecipada”. Já Lula deve ficar em silêncio. Em outros veículos, alguns “calunistas” também tentaram ridicularizar a presença de Lula no SBT.
Mas os ataques da mídia demotucana podem ter efeito contrário. Ela já não faz mais a cabeça do eleitorado, como comprovam as últimas eleições. Ao fazer escarcéu contra as aparições de Lula na telinha e em atividades de campanha, ela pode até aumentar o prestígio eleitoral do ex-presidente. Até o PSDB já se deu conta deste risco. A coluna Painel da Folha captou este temor:
* * *

Teste de audiência

A apelação à Justiça Eleitoral contra Lula, Fernando Haddad e o SBT em razão da entrevista ao "Programa do Ratinho" foi objeto de intensa polêmica no comando da campanha de José Serra ontem. Ala expressiva do PSDB considera que a repercussão do caso favorece o pré-candidato petista, sequioso por espaço na TV. "Se isso for aos tribunais, não serão 8 pontos no Ibope, mas 40", disse um grão-tucano derrotado em sua tese.
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Siria - país está en el umbral de una guerra impuesta desde el exterior

Bashar Asad
El presidente de Siria, Bashar Asad, al intervenir este domingo en el parlamento, declaró que el país está en el umbral de una guerra real impuesta por las fuerzas exteriores, comunicaron medios noticiosos.
Asad anunció que Siria sigue abierta para sostener un diálogo político con todas las fuerzas que estén en contra de la intromisión extranjera y contra el terrorismo. Al constar que aumenta la actividad terrorista en el país, dijo: “El terrorismo no tiene justificación, tampoco merecen connivencia las fuerzas que lo apoyan. Lucharemos firmemente contra el terrorismo”.
Asad negó que la masacre en Hula, donde murieron más de cien civiles el 25 y el 26 de mayo pasado, fuese obra de las tropas gubernamentales y responsabilizó de ese crimen a los islamistas radicales.
El Consejo de Seguridad de Naciones Unidas en su reunión extraordinaria del 27 de mayo condenó la matanza de los civiles en Siria. Presidentes de varios países anunciaron que no excluyen la realización de una operación militar en Siria.
El Ministerio de Asuntos Exteriores de Rusia por su parte declaró que unos Estados empiezan a utilizar lo ocurrido en Hula como pretexto para lanzar una operación militar contra Siria e intentan presionar sobre el Consejo de Seguridad de la ONU para conseguir la aprobación de se plan.
El enviado especial de Naciones Unidas y la Liga Árabe, Kofi Annan, a su vez advirtió la víspera que el conflicto civil en Siria puede transformarse en una “guerra total”.
Desde hace más de un año Siria es escenario de violentos enfrentamientos entre las fuerzas leales al presidente Asad y la oposición. Las víctimas mortales de ese conflicto ya exceden 9.000, según la ONU. Las autoridades dicen que más de 2,5 mil militares y policías perecieron al luchar contra los grupos armados ilegales.
A mediados de abril pasado, a Siria arribó el primer grupo de observadores de la ONU que realizan el monitoreo del cese del fuego proclamado en el marco del plan de arreglo propuesto por Kofi Annan.
A pesar de que en el país rige el armisticio, la oposición y las autoridades denuncian con regularidad nuevos enfrentamientos armados que ocasionan víctimas humanas.
Occidente y unos Estados árabes insisten en la destitución del presidente de Siria, Bashar Asad, acusando a las autoridades sirias de cometer actos de violencia. La parte siria refuta esas acusaciones. Afirma que en el país actúan los terroristas y rebeldes apoyados por unas fuerzas exteriores.
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Banco da família de Indio da Costa sofre intervenção por rombo e suposta fraude

O Banco Central decretou nesta segunda-feira (04) intervenção no Banco Cruzeiro do Sul. Segundo notícias dos jornais, o banco teria um rombo acima de R$ 1 bilhão em suas contas, e haveria fraude nos balanços através do registro de créditos fictícios.
O banco pertence à família de Índio da Costa. Os controladores são tio e primo do ex-candidato a vice de José Serra na eleição presidencial de 2010.

Como o banco ajudou a indicar Indio da Costa como vice 

Indio da Costa, vice de Serra em 2010, é sobrinho do banqueiro.
Na pré-campanha eleitoral de 2010, o banco deu uma mãozinha à Serra, e acabou ajudando na indicação do então deputado do DEM, Índio da Costa, como vice.
A cantora pop Madona estava no Brasil, no Rio de Janeiro, em fevereiro de 2010. O banqueiro Luís Octávio Índio da Costa, primo do vice de Serra, e dono banco Cruzeiro do Sul, atraiu Madonna à São Paulo, para um almoço em sua mansão.
O prato principal do cardápio, que atraiu Madonna a São Paulo, foi uma generosa doação, feita pelo banqueiro, de US$ 1 milhão para a ONG dela, Success For Kids.
Após o almoço (e após a doação de US$ 1 milhão), Madonna foi encaminhada ao Palácio dos Bandeirantes para um bate-papo com o então governador José Serra, amplamente divulgado na mídia.

Nada muda para os clientes

Para os clientes, nada mudou, o Banco continua funcionando, só que sob administração do interventor, que é o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), para sanar as irregularidades, e cobrir o rombo. Após essa etapa, pode haver a venda integral ou parcial do Cruzeiro do Sul.
Em paralelo, será instaurado inquérito para averiguar as causas dos problemas no banco. Caso se detecte indícios de crime financeiro, o BC fará denúncia ao Ministério Público Federal, à Polícia Federal e abrirá também processo administrativo punitivo.
Os bens dos controladores e dos ex-administradores do Cruzeiro do Sul foram tornados indisponíveis, segundo o BC. (Com informações da Reuters)
ZéAugusto
No Amigos do Presidente Lula
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O silêncio...

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A visita do rei caçador e a Aliança do Pacífico

Combalida política e economicamente, por uma crise que se aprofunda a cada dia, também do ponto de vista social - e pela erosão de sua credibilidade internacional - a Espanha e sua diplomacia parecem não ter aprendido nada com as dolorosas lições dos últimos anos.
De passagem por Brasília, aonde vem oferecer, segundo a imprensa ibérica, onze anos depois de sua última visita ao nosso país, uma “aliança política e econômica sem precedentes”, o Rei Juan Carlos tem como destino final na América do Sul, o observatório chileno de Cerro Paranal, a fim de agregar-se, como “observador”, no dia 6 de junho, à cúpula presidencial da Aliança do Pacífico.
Essa, para quem não conhece, é uma organização patrocinada pelo México e pela Espanha, que nasce com o claro objetivo de se contrapor à ampliação da presença brasileira na América do Sul, e que reúne, além do México, o Chile, o Peru e a Colômbia.
Com a Aliança do Pacífico, a Espanha, que não pode participar de reuniões do Mercosul, da UNASUL e da CELAC, nem mesmo como observadora, contaria – depois do rotundo fracasso de suas cúpulas “ibero-americanas”- com novo instrumento para imiscuir-se nos assuntos do nosso continente.
O outro aliado com que contam os espanhóis nesse processo de tentar promover a divisão sul-americana, é o Paraguai, país tradicionalmente pendular em suas relações externas, que joga para beneficiar-se da ajuda ora do Brasil, ora da Argentina, ora da Espanha, dependendo do momento e das circunstâncias.
Não foi por outro motivo que o Paraguai aceitou promover a fracassada cúpula “ibero-americana” de Assunção, em novembro do ano passado, que terminou com a ausência dos países mais importantes da região, mas contou com a presença justamente do México e do Chile, co-patrocinadores da “Aliança do Pacífico”.
É também importante registrar, nesse contexto, a posição do parlamento paraguaio que impede, há anos, a expansão do Mercosul, ao não ratificar a entrada da República da Venezuela no Tratado, já aprovada pelos outros membros do bloco.
A diplomacia brasileira, com a chegada do Rei Juan Carlos a Brasília nesta segunda-feira – data em que ocorrerá, em Madri, reunião “técnica” para discutir a questão da expulsão de brasileiros dos aeroportos espanhóis nos últimos anos - tem excelente oportunidade para deixar claro que não concorda com a interferência externa no espaço sul-americano.
Com relação ao Paraguai, qualquer concessão do grupo, no futuro, poderia ser negociada – em todas as instâncias, incluída a parlamentar - de forma a obter rápida aprovação à entrada da República da Venezuela no Tratado do Mercosul. Enquanto isso, nada impede que o Uruguai, a Argentina e o Brasil possam negociar acordos bilaterais de livre comércio com Caracas.
É difícil, tendo em vista a formação histórica de nossos países, que a tentativa de divisionismo entre o Brasil e os países ocidentais do continente tenha êxito. O México sempre foi uma realidade à parte, menos durante o governo nacionalista de Cárdenas, quando seus atos o incluíam na mesma ordem de pensamento de Getúlio Vargas. Como se recorda, Cárdenas nacionalizou o petróleo em 1938, sem que os Estados Unidos, já em preparação para a guerra, tomasse qualquer medida de retaliação. Nos últimos trinta anos, no entanto, os governos do México têm sido fiéis vassalos dos Estados Unidos e é, sem dúvida, a serviço de Washington, que sua diplomacia atua ao lado do Chile e de Madri.
Há razões ainda mais antigas que tornam difícil essa aliança da Costa do Pacífico. O povo peruano não se esquece, até hoje, da ocupação de Lima pelas forças chilenas, em janeiro de 1881, na Guerra do Pacífico, que lhe custou a amputação de parte de seu território (a Província de Tacna) por 50 anos, só recuperada depois de imensos sacrifícios e desgastantes negociações diplomáticas.
A Bolívia sofreu ainda mais com os chilenos: todo o litoral do Pacífico que lhe pertencia (a rica e extensa província de Antofagasta) foi anexado, e La Paz perdeu seu acesso ao oceano. Esse conflito – provocado pelos interesses ingleses e norte-americanos – não foi completamente superado, e é uma lição de como os estranhos, com suas intrigas, causam as tragédias ao fomentar as guerras entre vizinhos.
Essa mesma interferência estrangeira – no caso, das empresas petrolíferas americanas e inglesas – provocou a carnificina da Guerra do Chaco, entre a Bolívia e o Paraguai, nos anos 30 do século passado.
O México rompeu relações com a Espanha e dela esteve distanciado até o fim do franquismo. Hoje, apesar da submissão de sua política externa aos Estados Unidos, grande parte da opinião pública mexicana rejeita aproximação maior com Madri.
Não há qualquer razão para que a Espanha de Juan Carlos, que vem sacrificando seu grande povo, em favor dos exploradores de sempre (hoje reunidos na globalização do neoliberalismo), venha a se meter no encontro de Cerro Paranal.
Isso só se explica pela desesperada busca de apoio internacional, no momento em que sua economia e suas instituições (sobretudo a monarquia) entram em acelerado declínio de credibilidade interna.
Com suas grandes empresas e bancos endividados (só a Telefónica, que atua no Brasil com a marca Vivo, deve mais de 100 bilhões de dólares), reduz-se o prestígio internacional do governo e da monarquia espanhola. O Rei – é o que se diz na imprensa espanhola – vem nos propor “relações políticas e econômicas sem precedentes”. Em lugar de relações novas e excepcionais, os brasileiros querem, no mínimo, ser tratados com respeito em território espanhol, quando viajarem à Europa.
A cortesia diplomática recomenda que recebamos bem o Rei – em nome do respeito ao povo espanhol – mas os nossos interesses no mundo recomendam que não nos comprometamos com um governo que está arrochando seu povo com medidas econômicas draconianas, enquanto os ricos continuam saqueando os trabalhadores e retirando seus capitais do país.
A queda da popularidade de Piñera no Chile, a aproximação crescente do Brasil com a Colômbia, e a iminência de um governo de esquerda no México, retiram da monarquia espanhola espaço para suas manobras diplomáticas em nossa região.
Será melhor que o Brasil, como agiu quando da reunião anterior, no Paraguai, se ausente do próximo encontro de Chefes de Estado dos paises “ibero-americanos”, previsto para realizar-se na cidade de Cadiz, na Espanha, em novembro deste ano. Para discutir o futuro dos nossos países contamos com a UNASUL e o Conselho de Defesa Sul-americano, e, no contexto do espaço ampliado da América Latina, com a CELAC. Nós, e nossos vizinhos, não temos nada a fazer do outro lado do Atlântico, assim como a elite neocolonial de nossas antigas metrópoles não têm nada a fazer, institucionalmente, do lado de cá do oceano.
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Control C + Control Veja

O tiro no pé de Veja. Foto: Reprodução
No centro do furacão desde que vieram à tona suas relações no mínimo pouco éticas com os bandidos da quadrilha de Carlinhos Cachoeira, a revista Veja parece ter perdido toda a noção de ridículo. Sua capa desta semana é uma farsa: o “documento” que a semanal da Abril alardeia ter sido produzido pelo PT como estratégia para a CPI de Cachoeira é, na verdade, um amontoado de recortes de reportagens de jornais, revistas e sites brasileiros.
Confira neste link (clique AQUI) os fac-símiles do suposto “documento” que a revista apresenta com “exclusividade” e compare com os outros links no decorrer deste texto.
Segundo a revista, os trechos que exibe fariam parte de um “documento preparado por petistas para guiar as ações dos companheiros que integram a CPI do Cachoeira”. Mas são na realidade pedaços copiados e colados diretamente (o manjado recurso Ctrl C+ Ctrl V dos computadores) de reportagens de terceiros, sem mudar nem uma vírgula. O primeiro deles: “Uma ala poderosa da Polícia Federal, com diversos simpatizantes nos meios de comunicação, não engole há muito tempo o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal” saiu de uma reportagem de 6 de abril do site Brasil 247, um dos portais de notícia, aliás, que os colunistas online de Veja vivem atacando com o apelido de “171″ (número do estelionato no código penal). Mas quem é que está praticando estelionato com os leitores, no caso? (confira clicando AQUI).
Outro trecho do “documento exclusivo” de Veja é um “copiar e colar” da coluna painel da Folha de S.Paulo do dia 14 de abril: “Gurgel optou por engavetar temporariamente o caso. Membros do próprio Ministério Público contestam essa decisão em privado. Acham que, com as informações em mãos, o procurador-geral tinha de arquivar, denunciar citados sem foro privilegiado ou pedir abertura de inquérito no STF”. (Confira AQUI)
Mais um trecho do trabalho de jornalismo “investigativo” com que a Veja brinda seus leitores esta semana: “Em uma conversa entre o senador Demóstenes Torres e o contraventor Carlinhos Cachoeira, gravada pela Polícia Federal (…)”, é o lead de uma reportagem do jornal O Estado de S.Paulo do dia 28 de abril (leia AQUI).
Pelo visto, os espiões da central Cachoeira de arapongagem, que grampeavam pessoas clandestinamente para fornecer “furos” à Veja, estão fazendo falta à semanal da editora Abril…
Cynara Menezes
No CartaCapital
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Aula de História do Angeli

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Vanguarda do atraso, tucanos ainda não adotaram cotas raciais

A notícia pouco divulgada mesmo na internet, de que a tradicional Faculdade de Direito do Largo de São Francisco deflagrou um movimento pela adoção do sistema de cotas raciais na Universidade de são Paulo (USP) merece ser comemorada, mesmo que revele um lado preocupante e lamentável.
A comemoração é pelo fato da centenária São Francisco e de seu Centro Acadêmico XI de Agosto tomarem a louvável iniciativa posicionando-se, mais uma vez, na vanguarda da marcha pela igualdade e pelo avanço da História, como já fizeram tantas vezes antes.
O lado lamentável da notícia é descobrir-se que nenhuma das três grandes universidades estaduais públicas paulistas - líderes nos rankings das maiores do país - adotou o sistema de cotas até agora. Isto simplesmente mostra que os tucanos, que governam o Estado de São Paulo há quase 30 anos (a contar do governo Franco Montoro, 1983/1986), são mesmo a vanguarda oposta nessa história.

Brasil já adota o sistema há uma década

A USP não adotou o sistema de cotas, a Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) não tem e descarta adotá-lo, e a Universidade Estadual Júlio de Mesquita Neto (UNESP) não tomou até agora qualquer iniciativa nesse sentido e nem sequer discute o assunto. Vejam bem, isso no mais rico e desenvolvido Estado do país!
Surgidas nos Estados Unidos na década de 1960, no bojo das ações afirmativas adotadas na esteira do movimento pelos direitos civis, as cotas raciais existem, portanto, há mais de meio século; e no Brasil são adotadas há uma década, desde 2002.
Em abril deste ano, ao julgar uma ação do grande parceiro dos tucanos, o DEM - sim, ele mesmo! - contra a adoção do sistema pela Universidade de Brasília (UnB), o Supremo Tribunal Federal (STF), por unanimidade, julgou constitucional as cotas.

Decisão histórica

“Esta é uma decisão histórica”, comemorou o professor Marcus Orione ao término da reunião, ontem, em que a congregação da São Francisco decidiu reivindicar à USP a adoção das cotas raciais. Além desse sistema, a Faculdade vai pedir, também, a adoção de cotas sociais para candidatos que estudam em escolas públicas e para pessoas portadoras de necessidades especiais.
A congregação decidiu deflagrar o movimento pró-instituição de cotas por constatar que os programas de bônus para estudantes de escolas públicas em universidades paulistas são insuficientes para proporcionar o acesso nestas instituições de estudantes negros, de baixa renda e de portadores de deficiência, especialmente nos cursos mais concorridos como, por exemplo, direito e medicina.
Parabéns, Arcadas!
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Vazou mais um vídeo secreto da mídia!

A blogosfera e a imprensa adentraram o fim de semana disputando quem revela mais escândalos bombásticos. A CPI do Cachoeira engrenou de vez, e já se tornou uma generosa fornecedora de denúncias. O governador Marconi Perillo, ao que parece, foi rifado pelas principais forças políticas, incluindo o último bastião que o blindava: a mídia e seu próprio partido, o PSDB.
O caso Gilmar versus Lula criou uma quase unanimidade, no caso negativa, contra o ministro. Nem os jornalões aguentaram seu destempero histérico. Suas catilinárias contra blogs que o criticam varreram para longe a credibilidade que ele já não possuía.
Entretanto, o Cafezinho conseguiu mais um vídeo secreto. Trata-se de um comício realizado às escondidas entre o Líder Supremo do PUM (Partido Unificado da Mídia) com representantes da classe média tradicional (também conhecidos como “homens e mulheres bons”), vindos de várias partes do Brasil. Eles falam em alemão porque não gostam da língua portuguesa, considerada subdesenvolvida, o que me obrigou a um duro trabalho de tradução e legendagem.
Vale a pena conferir:
No O Cafezinho
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Especial Privataria Tucana

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Decifrando os movimentos de Gilmar

A última edição da CartaCapital, matéria de Cynara Menezes, liquida de vez com o factóide Veja-Gilmar, meramente juntando a lógica com as diversas versões apresentadas por Gilmar.
Primeiro, desmascara o teatro da indignação de Gilmar com o encontro. Ele não se coaduna com uma espera de 30 dias, sem sequer comentar o episódio com seus colegas de Supremo. A revista mostra que o único comentário foi com o presidente Ayres Brito, na 4a feira anterior à capa da Veja. E teria sido uma conversa informal, papo de cafezinho, sem nenhuma dramaticidade. Provavelmente apenas para dar um gancho para a inclusão do ingênuo Ayres na matéria da Veja.
Depois, alinhava as diversas versões de Gilmar para o encontro, mostrando o festival de contradições. A reportagem da revista sustentava que Nelson Jobim não ouviu toda a conversa (uma maneira de desqualificar a negativa de Jobim sobre a versão de Gilmar); em uma das inúmeras entrevistas, o próprio Gilmar garante que sim.
Na versão da revista, houve pressão explícita de Lula para adiar o mensalão. Na entrevista de Manaus, Gilmar diz que houve uma breve menção ao mensalão que ele (trinta dias depois) intuiu ter sido pressão.
É certo que houve intriga da pesada de duas experientes jornalistas - uma da TV Globo, outra da Globonews. Algumas versões supõe que o explosivo Gilmar tivesse sido envolvido pela intriga. Mas se fosse tão fácil levar Gilmar no bico, ele não teria chegado aonde chegou.
O mais provável é que sua estratégia tenha sido montada rapidamente, depois do Ministro Ricardo Lewandovski, do STF, ter assumido as rédes da Operação Monte Carlo e liberado as chamadas gravações de conversas fortuitas não incluídas no relatório da PF.
É curioso também como mudou o comportamento da velha mídia em relação a Lewandovski - alvo de uma quebra de sigilo, quando filmadas as mensagens que trocava com uma colega, em uma sessão do Supremo. Agora, é tratado com deferência. A mudança se deve ao poder de que Lewandovski se viu revestido.
Agora, por sua posição no caso, tem poderes quase absolutos. Coube a ele quebrar o sigilo de todo mundo em Goiás. Pode convocar a Polícia Federal, pedir informações, quebrar sigilos.
Além da reportagem da Veja, mudou completamente o comportamento de Gilmar em relação ao Ministério Público Federal e ao próprio mensalão. De uma hora para outra criou caso com Lewandovski, pressionando-o a apressar o relatório.
Do mesmo modo, depois de qualificar o MPF como "milícias" - na Operação Satiagraha -, de repente tomou as dores do Procurador Geral Roberto Gurgel
Se o relatório tivesse sido entregue no prazo pelo qual a mídia pressionava, o julgamento começaria no dia 5 de junho. E, aí, adeus CPI do Cachoeira. Todos os jornais e a Rede Globo centrariam fogo no julgamento do mensalão, abafando completamente a CPI.
Por aí é possível entender a agonia de Gilmar, pressionando pelo relatório de Levandovski.
Celso Melo e Marco Aurélio Melo já se manifestaram contra essa pressão da velha mídia. E consideraram que a pressão procura transformar o julgamento quase em um rito sumário, prejudicando o direito de defesa. Celso de Melo já opinou que a criação de um mutirão para acelerar o relatório comprometeria o rito legal da corte.
Não se tenha dúvida de que o julgamento do mensalão está sendo considerada a tábua de salvação dos possíveis alvos da CPI de Cachoeira.
Luis Nassif
No Advivo
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Evangélicos querem vetar proibição de aluguel de horários na TV

Representantes dos evangélicos no Congresso disseram ontem que o governo enfrentará a oposição das denominações religiosas se proibir o aluguel de canais e horários na programação de rádio e televisão.
A Folha revelou neste domingo que a proibição é uma das novidades contidas na minuta mais recente de um decreto que está em estudo pelo governo. Esse decreto atualizaria o Código Brasileiro de Telecomunicações, que entrou em vigor em 1962. Leia aqui a minuta preparada pelo governo.
As igrejas evangélicas figuram entre os principais beneficiários da atual legislação de telecomunicações, que não proíbe de forma explícita o aluguel de horários nas grades de programação das emissoras de TV.

João Campos disse que a proposta é "absurda"
Deputado João Campos (PSDB-GO), presidente da bancada evangélica, afirmou que o governo não poderá mudar por decreto o Código Brasileiro de Telecomunicações, de modo a restringir o aluguel de horário na televisão aos programas religiosos. Para ele, trata-se de uma proposta “absurda”.
“Somos radicalmente contra”, disse ao jornal "Folha de S.Paulo". "O que motivaria o governo a tomar essa medida? Há alguma reclamação do público? Acho que não. Se há uma brecha na lei, tem que passar pelo Congresso.”
Campos lidera uma bancada de 66 deputados dos 513 da Câmara. No Senado, dos 81 integrantes há pelo menos 3 que seguem a orientação da bancada evangélica.
Para o deputado Lincoln Portela (PR-MG), evangélico e líder do seu partido, “essa mudança não passa nunca” porque “o governo vai ter uma briga com milhões de religiosos”.
Silas Câmara (PSB-AM), também deputado evangélico, afirmou que as emissoras de TV precisam alugar parte de seu horário para “se viabilizar". "O governo só faria isso se quisesse deixar muito claro que seria uma retaliação contra a liberdade religiosa no país. Duvido que vá fazer."
O deputado Assis Melo (PCdoB-RS) é o autor de um projeto que proíbe o repasse de horário das emissoras para denominações religiosas e empresas. "As concessões são públicas, mas hoje quem ganha com o aluguel são os setores da grande mídia que lucram com uma outorga pública."
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Dilma quer acabar com aluguel de horário na TV

Projeto fecha brechas da lei que fizeram surgir 'mercado paralelo' no setor

Governo sinaliza para o avanço da TV interativa e abre espaço para emissoras cobrarem pela conexão à internet
O governo federal prepara um pacote de medidas para fechar brechas da legislação de rádio e TV que permitiram o surgimento de um "mercado paralelo" ligado às concessões no país.
A Folha teve acesso à última versão da minuta do decreto, que foi batizado pelo setor de "novo marco regulatório da radiodifusão".
Uma das mudanças de maior impacto é a proibição expressa do aluguel de canais e de horários da programação de rádio e TV.
A lei atual não proíbe a prática de forma explícita, o que permitiu o aumento de programas religiosos e exclusivamente comerciais, principais clientes desses horários.
No fim de 2011, a Igreja Internacional da Graça de Deus, do missionário R.R. Soares, por exemplo, alugava duas horas e cinco minutos semanais na Bandeirantes.
Na Rede TV!, o apóstolo Valdemiro Santiago, da Igreja Mundial do Poder de Deus, comprava cerca de dez horas e meia semanais. A rede de farmácias Ultrafarma ocupava quatro horas e meia com propagandas.
Na TV Gazeta, o Polishop detinha dez horas semanais para anunciar seus produtos.
Os dados são do mais recente levantamento do Intervozes, organização que monitora a programação no país. Segundo a entidade, poucas são as emissoras que não entraram nesse negócio. Globo e SBT estão entre elas.
A Record é um caso isolado porque seu fundador, Edir Macedo, também é o responsável pela Igreja Universal do Reino de Deus.
Segundo o Intervozes, a Record diz não ceder seu espaço a terceiros, mas não explica se paga pelos programas religiosos veiculados, uma forma de se enquadrar à legislação. Na TV Gazeta, são 26 horas semanais destinadas aos cultos da igreja.

Inversão

O Ministério das Comunicações não quis comentar as mudanças e informou que o "novo marco" ainda será colocado em consulta pública.
Caso o decreto seja sancionado como está, obrigará as emissoras a comprar os programas produzidos por terceiros - ao invés de receber pelo aluguel, como hoje.
Consultadas, as principais redes não se pronunciaram.
Apesar dos avanços, o governo não define os mecanismos que serão criados para fiscalizar a prática de eventuais irregularidades.

Contrapartida

Ao acabar com o "mercado paralelo", o governo cortará uma importante fonte de receita, mas, em troca, permitirá que as emissoras prestem serviços de dados -atividade restrita às empresas de telecomunicações.
Hoje, as emissoras só podem fazer caixa com a venda de espaço publicitário - que pode ocupar, no máximo, 25% da programação.
Ao permitir a comercialização do serviço de dados, o governo sinaliza para a expansão da TV digital no país e do sistema de interatividade que conecta a TV à internet.
Esse serviço permitirá ao telespectador comprar produtos anunciados durante a programação clicando diretamente na TV. É essa conexão que poderá ser cobrada.
Julio Wiziack
No Esquerdopata
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Morre cantor do jingle de Zé Chirico





Morre Eduard Anatolyevich Khil, o famoso Mr. Trololó.
Eduard Khil, cantor russo morreu aos 77 anos, em São Petesburgo. Ele estava internado e em coma depois de ter sofrido um derrame.
Leia mais aqui e aqui.

Sem propostas e sem discurso, afundando no mar de lama do "vice-careca" Arruda, nos percalços do prefeito "Taxab" e nos escândalos da governadora Yeda Crusius, a campanha presidencial do demo-tucano José Serra não será nada fácil. O jingle evidencia o vazio da oposição neoliberal-conservadora. Se você ainda não teve oportunidade de conhecer o jingle da campanha tucana, assista agora e tente decorar a letra.
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Lúcio Flávio Pinto receberá o prêmio Vladimir Herzog

O jornalista Lúcio Flávio Pinto, editor do Jornal Pessoal em Belém (PA), colaborador do Yahoo, O Estado do Tapajós de Amazônias e de outras publicações e sites brasileiros, receberá o Prêmio Vladimir Herzog Especial 2012, na capital paulista, em solenidade marcada para o dia 23 de outubro, no Teatro da Universidade Católica (Tuca).
Em nome da Comissão, a Curadora da 34ª edição do Prêmio, Ana Luisa Zaniboni Gomes, enviou carta ao jornalista. Na íntegra:
São Paulo, 28 de maio de 2012
Prezado jornalista Lúcio Flávio Pinto
É com grande alegria que levamos a seu conhecimento a notícia de que seu nome foi escolhido para receber o Prêmio Vladimir Herzog Especial 2012. Este ano, excepcionalmente, haverá dois premiados nessa categoria. Ao seu lado, será laureado o jornalista Alberto Dines, que sabemos admirador de seu trabalho.
A escolha de seu nome foi unânime entre os componentes da Comissão Organizadora do Prêmio Vladimir Herzog. Sua trajetória corajosa e trabalho exemplar à frente do Jornal Pessoal são motivo de orgulho para todos os jornalistas brasileiros.
As entidades representadas na Comissão Organizadora acompanham com preocupação as pressões que se opõem ao seu trabalho jornalístico. Causa consternação que, 24 anos depois de promulgada a Constituição Federal de 1988, esse tipo de cerceamento ainda medre no país.
Sabemos que seu trabalho à frente do Jornal Pessoal combate justamente esse Brasil atrasado e autoritário. É exemplar o seu esforço para manter uma publicação independente que contraria interesses hegemônicos.
É com a expectativa de seu aceite que, desde já, esperamos tê-lo conosco na cerimônia de premiação, no próximo dia 23 de outubro, terça-feira, às 19h30, no Teatro da Universidade Católica (Tuca), na Rua Monte Alegre, 1024, São Paulo.
Obrigado, Lúcio Flávio Pinto, pelo exemplo e pela motivação que sua atuação transmite à nossa sociedade. Receba, por meio desta carta, o nosso reconhecimento, nosso apoio e nossa gratidão. Subscrevemo-nos, honrados.
Atenciosamente
Ana Luisa Zaniboni Gomes
Curadora da 34ª edição, em nome da Comissão Organizadora
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Despresunção de inocência

Se Lula quis 'melar' o mensalão, valeria então supor que Gilmar quis 'melar' a defesa, avalia cientista político
Há poucas semanas, o País, se concedido direito à metonímia, abrigou um experimento que, sem exagero, é portador de motivos para orgulho. Refiro-me à instalação em palácio da Comissão da Verdade. Ainda que seus resultados práticos sejam incertos, e pertençam antes aos domínios das mais diferentes e opostas expectativas, o evento que marcou seu lançamento abrigou ares de condensação republicana. Isso não apenas pelo cuidado de ali incluir chefes de governo que, em graus diferentes, ocuparam seus postos por força de procedimentos legítimos, mas por sugerir que o tema da verdade – de alguma verdade, ao menos – pode ter lugar na vida pública. A própria presidente, de modo eloquente e incomum na história da República, demonstrou o que podem significar a ideia e a figura de chefe de Estado.
Apesar de incertos os efeitos futuros, houve desde já um efeito imediato, qual seja o de inserir o tema da verdade em casulo distinto do de seu lugar natural. A elucidação do que ocorreu com mortos, desaparecidos e torturados, além de conferir materialidade retrospectiva à experiência do estado de exceção, amplia o conjunto de informações disponíveis a respeito da história recente do País. Mesmo que inúmeras interpretações e atribuições de sentido possam ser construídas, acena-se com a possibilidade de uma "narrativa básica", tal como o fizeram os primeiros historiadores do Holocausto; o grande Raul Hilberg, antes de todos.
Assim, e por um átimo, o tema da verdade insinuou-se de modo invulgar em nossas reflexões a respeito do País. Bastou, contudo, uma conversa mal-ajambrada e mal explicada no escritório do ex-ministro Nelson Jobim, para que o tema fosse devolvido a seu estado habitual, o da indeterminação e do disfarce. Para dizê-lo de outro modo: os dias que sucederam à instalação da Comissão da Verdade foram, como quê, dias de certa suspensão da experiência ordinária da política; o mencionado encontro a três, e as versões desencontradas e incompatíveis entre si dali emanadas, constituiu-se, por oposição, como experiência de des-suspensão ou, se quisermos, de desabamento e de gravitação natural.
Céticos, penso, antes de descartar o tema da verdade, com a falta de hesitação típica de dogmáticos pós-modernos, têm por essa dama – a verdade – sincero respeito, além de considerável pudor. Isso a ponto de recusar inscrever o termo "verdadeiro" em qualquer predicado, atribuído a qualquer aparência. Céticos, sobretudo, não são necessariamente parvos: não saber onde está a verdade não impede a presença de uma sensibilidade para com o implausível. Juízos de plausibilidade são suficientes para que nos movamos no mundo e configuremos nossas orientações e escolhas. Há, por certo, no episódio um abismo insondável: qual dos três protagonistas "diz a verdade"? Questão grave, diante da qual muitos não hesitarão em apresentar respostas definitivas, todas movidas por inclinações afetivas e biliares. Como, então, lidar com o abismo da indeterminação da verdade, nesse caso?
Sugiro, no que segue, uma série de procedimentos aproximativos. Antes de tudo, parece ser sábio adotar algo que poderia ser designado como uma despresunção de inocência dos envolvidos. Se, do ponto de vista penal, o procedimento é inaceitável, do ponto de vista cognitivo a coisa pode ser útil: se há suporte para supor que o ex-presidente Lula quis "melar" o julgamento do mensalão, pela abordagem ao ministro Gilmar Mendes, há idêntica plausibilidade em supor que este quis "melar" a defesa, ao pôr a boca no trombone, e evitar o tratamento apropriado e institucional da suposta ofensa.
Portanto, a abordagem do ocorrido poderia iniciar pela consideração de aspectos internos e inerentes. Há no âmago do evento uma série de implausibilidades: a casualidade do encontro, a amnésia do ex-ministro Jobim, a indeterminação da fonte para a matéria-denúncia, a participação do ministro Gilmar apenas como confirmador do trabalho dos repórteres, etc.
Uma abordagem externalista poderia partir de uma premissa simples: uma conversa dessa natureza não poderia ocorrer. Isso tanto por razões de ordem, digamos, republicanas, mas sobretudo pelo déficit de confiança, ao que parece, envolvido na interação. As hipóteses são todas abjetas: se a narrativa do ministro Gilmar Mendes corresponde à verdade, algo de grande gravidade terá ocorrido; se for inverídica, algo de gravidade grande se passou.
De um ponto de vista consequencialista, ao que parece o episódio foi vencido por quem pretende garantir forte carga dramática ao julgamento prestes a ser feito, e em neutralizar juízes neófitos, supostamente gratos por suas investiduras. Não é recomendável ver na reação do ministro Gilmar nada mais do que manifestação de ultraje pessoal e institucional.
O pano de fundo disso tudo parece ser uma experiência de república na qual o direito penal vale como recurso de inteligibilidade. Diante da indeterminação da verdade, e do esforço militante de fazê-la cada vez mais inapreensível e irrelevante, o desejo infrene de prender os inimigos vale como único recurso de fixação de sentido. Ao que parece, após uma breve incursão do espírito, estômago e fígado repõem suas pretensões a sedes fisiológicas da consciência política nacional.
Renato Lessa
No Estadão
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Serra representa o novo? Serra é um "brotinho"?

Um novo que já foi presidente da UNE (não conclui o mandato) prefeito (2005-2006, não conclui o mandato), governador ( 2007-2010, não conclui o mandato).
"Novíssimo"!
Serra é tão brotinho quanto a expressão "brotinho", que é da década de 50.

De Alckmin para Serra: Brotinho toma juízo. Ouve o meu conselho.
No Maria da Penha Neles!
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O dedo do Lula

A sociedade brasileira teve sempre a discriminação como um dos seus pilares. A escravidão, que desqualificava, ao mesmo tempo, os negros e o trabalho – atividade de uma raça considerada inferior – foi constitutiva do Brasil, como economia, como estratificação social e como ideologia.
Uma sociedade que nunca foi majoritariamente branca, teve sempre como ideologia dominante a da elite branca, Sempre presidiram o país, ocuparam os cargos mais importantes nas FFAA, nos bancos, nos ministérios, na direção das grandes empresas, na mídia, na direção dos clubes – em todos os lugares em que se concentra o poder na sociedade, estiveram sempre os brancos.
A elite paulista representa melhor do que qualquer outro setor, esse ranço racista. Nunca assimilaram a Revoluçao de 30, menos ainda o governo do Getúlio. Foram derrotados sistematicamente pelo Getulio e pelos candidatos que ele apoiou. Atribuíam essa derrota aos “marmiteiros”- expressão depreciativa que a direita tinha para os trabalhadores, uma forma explicita de preconceito de classe.
A ideologia separatista de 1932 – que considerava São Paulo “a locomotiva da nação”, o setor dinâmico e trabalhador, que arrastava os vagões preguiçosos e atrasados dos outros estados – nunca deixou de ser o sentimento dominante da elite paulista em relação ao resto do Brasil. Os trabalhadores imigrantes, que construíram a riqueza de Sao Paulo, eram todos “baianos” ou “cabeças chatas”, trabalhadores que sobreviviam morando nas construções – como o personagem que comia gilete, da música do Vinicius e do Carlos Lira, cantada pelo Ari Toledo, com o sugestivo nome de pau-de-arara, outra denominação para os imigrantes nordestinos em Sao Paulo.
A elite paulista foi protagonista essencial nas marchas das senhoras com a igreja e a mídia, que prepararam o clima para o golpe militar e o apoiaram, incluindo o mesmo tipo de campanha de 1932, com doações de joias e outros bens para a “salvação do Brasil”- de que os militares da ditadura eram os agentes salvadores.
Terminada a ditadura, tiveram que conviver com o Lula como líder popular e o Partido dos Trabalhadores, para o qual canalizaram seu ódio de classe e seu racismo. Lula é o personagem preferencial desses sentimentos, porque sintetiza os aspectos que a elite paulista mais detesta: nordestino, não branco, operário, esquerdista, líder popular.
Não bastasse sua imagem de nordestino, de trabalhador, sua linguagem, seu caráter, está sua mão: Lula perdeu um dedo não em um jet-sky, mas na máquina, como operário metalúrgico, em um dos tantos acidentes de trabalho cotidianos, produto da super exploração dos trabalhadores. O dedo de uma mão de operário, acostumado a produzir, a trabalhar na máquina, a viver do seu próprio trabalho, a lutar, a resistir, a organizar os trabalhadores, a batalhar por seus interesses. Está inscrito no corpo do Lula, nos seus gestos, nas suas mãos, sua origem de classe. É insuportável para o racismo da elite paulista.
Essa elite racista teve que conviver com o sucesso dos governos Lula, depois do fracasso do seu queridinho – FHC, que saiu enxotado da presidência – e da sua sucessora, a Dilma. Tem que conviver com a ascensão social dos trabalhadores, dos nordestinos, dos não brancos, da vitória da esquerda, do PT, do Lula, do povo.
O ódio a Lula é um ódio de classe, vem do profundo da burguesia paulista e de setores de classe média que assumem os valores dessa burguesia. O anti-petismo é expressão disso. Os tucanos são sua representação política.
Da discriminação, do racismo, do pânico diante das ascensão das classes populares, do seu desalojo da direção do Estado, que sempre tinham exercido sem contrapontos. Os Cansei, a mídia paulista, os moradores dos Jardins, os adeptos do FHC, do Serra, do Gilmar, dos otavinhos – derrotados, desesperados, racistas, decadentes.
Emir Sader
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Perguntas de um blogueiro, ao modo Gilmar Mendes

O ministro Gilmar Mendes julgará o caso do “mensalão”, gravado, como agora se revela, a mando do contraventor Carlinhos Cachoeira e publicado, como se descortina, na revista Veja, cuja fonte é o próprio Carlinhos Cachoeira.
O ministro Gilmar Mendes também serve de fonte à revista Veja. Ou, ao menos, revela à revista, antes de fazê-lo a seus pares, sua indignação frente à suposta tentativa de intimidação, negada pelos terceiros envolvidos, por ocasião de uma reunião com o presidente Lula e o ex-ministro do STF, Nelson Jobim.
E mais. Gilmar Mendes diz que há uma conspiração para interferir no julgamento do mensalão, em que ele é juiz. Tudo isso, o tempo todo, por meio da imprensa e um mês depois do suposto caso, justamente no momento em que se revela que um “Gilmar” é citado nas gravações da Polícia Federal.
Este blogueiro elabora então algumas perguntas, ao modo Gilmar Mendes.
1) Ministro Gilmar Mendes, o senhor não fica “perplexo com o comportamento e as insinuações despropositadas” de um ministro do supremo que chama um presidente “às falas”, dizendo-se vítima de um grampo que nunca existiu e de um “estado policial” que ficou a ser provado, ao preço de uma crise institucional?
2) Ministro Gilmar Mendes, “vamos dizer que o Demóstenes me oferecesse uma carona num avião se ele tivesse. Teria algo de anormal” em alguém questionar o meu grau de proximidade com o senador? E se isso ocorresse com um ministro do Supremo Tribunal Federal e o senador em questão fosse alvo de fartas acusações, haveria algo de anormal nestes questionamentos? O senhor se sente intimidado com esta pergunta?
3) Ministro Gilmar Mendes, o senhor se diz vítima de “gângsteres”, “chantagistas” e “bandidos” que estão a espalhar notícias falsas para atrapalhar o julgamento do “mensalão”, processo que o senhor julgará. O ministro Gilmar Mendes não estaria pré-julgando os réus do processo? O ministro prevaricou ao não denunciar formalmente os senhores Luiz Inácio da Silva e Nelson Jobim, bem como os “chantagistas” que o senhor acusa? Ou o senhor não o fez porque simplesmente não há a mínima prova do que diz, além da sua palavra? Se não o fez porque não há provas, pode acaso um juiz acusar ou condenar sem provas?
4) O senhor demorou mais de um mês para denunciar a suposta tentativa de chantagem. Quando o fez foi por meio da revista Veja, após a revelação de que um “Gilmar” teria viajado em voo reservado pelo esquema de Carlinhos Cachoeira, segundo informações colhidas pela Polícia Federal. A indignação do ministro tem 30 dias de prazo para entrar em vigor? O que o senhor tem a dizer sobre a tese de que isso não passaria de uma cortina de fumaça para desviar a atenção sobre sua suposta proximidade com o senador Demóstenes Torres, que, diga-se de passagem, até recentemente empregava um parente seu?
5) Deve um ministro do STF submeter-se a uma superexposição na imprensa, emitindo, a todo tempo, juízo de valor e opiniões sobre fatos concernentes ao caso que o senhor julgará? O senhor acusa a quem, especificamente, quando diz que há “bandidos” interessados no adiamento do julgamento do “mensalão”? Às partes do processo? Se a resposta for afirmativa, isto não deveria constar no processo e ser comunicado formalmente aos seus pares? Se negativa, eu poderia “inferir” que o senhor estaria influenciando a decisão de seus colegas e pré-julgando, por meio da imprensa, ao levantar questões tão graves sem provar o ocorrido, sugerindo a participação dos réus e testemunhas do processo na trama protelatória?
6) Os demais ministros do Supremo Tribunal Federal deverão acompanhar qual órgão de imprensa para que tenham conhecimento das suas novas acusações, se elas ocorrerem?
7) Ministro Gilmar Mendes, ao ministro do STF é vedado qualquer participação política-partidária. Diante de sua conduta no caso do grampo que nunca existiu e, agora, no caso de suas relações com senador Demóstenes Torres e da denúncia contra o ex-presidente Lula, prontamente desmentida, eu poderia “entender, depreender e inferir” que o senhor não está se comportando de acordo com a liturgia que o cargo exige?
8) “Na coluna do jornalista Bastos Moreno, no jornal O Globo, está dito que Gilmar Mendes, ao sair do escritório de Jobim, foi, enfurecido, a uma reunião com a cúpula dos Democratas”, lembra Wálter Maierovitch. Isso é verdade? Se afirmativa a reposta, o senhor não acha que seus colegas do Supremo Tribunal Federal deveriam ter a primazia, diante dos fatos? Com quem e sobre o que o senhor conversou com o DEM? O DEM sabe destes fatos há um mês, e também se calou?
9) Ministro Gilmar Mendes, segundo matéria da Folha de São Paulo “o ex-ministro de Defesa, Nelson Jobim, teria recebido, há alguns dias, um telefonema do ex-governador José Serra pedindo que falasse com a revista Veja. Jobim atendeu o pedido e só então soube da reportagem sobre o encontro entre Lula e o ministro Gilmar Mendes”. O senhor também recebeu algum telefonema de José Serra pedindo que o senhor falasse à revista Veja? José Serra sabia então, antes da divulgação da revista, sobre o teor da matéria? Quem contou foi o senhor? A revista veja?
10) O termo “liturgia do cargo” tem, na sua opinião, qual sentido?
Sem mais perguntas, agradeço a atenção de vossa excelência.
Charles Carmo
No O Recôncavo
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