3 de jun de 2012

Por que não decapitar Gilmar?

 Publicado em 8 de setembro de 2009 
Carlos I era o Supremo Soberano e acabou com a cabeça separada do pescoço

O Direito Divino no STF


Já falei aqui de Ângelo, de Medida por Medida, personagem de Shakespeare que ao ocupar o cargo de juiz supremo se corrompe apaixonado por uma bela mulher. Suponhamos que um juiz do STF se corrompa. O que se deve fazer? Seus pares o expulsarão? A sociedade o enxotará? Ou a Corte deve permanecer infectada, com membro gangrenado – pois que é um corpo? A pergunta não é descabida, já que dois juízes do STJ foram expulsos por seus pares acusados de pesadíssima corrupção. Seria bom que alguém respondesse essa pergunta. Ou ela não tem resposta? A Corte é realmente uma figura só, como o Leviatã de Hobbes, que é feito de muitos homenzinhos. Só que a nossa corte suprema é feita de apenas 11 criaturinhas. Ou seja, existe apenas o STF – o corpo -, não existe mais o indivíduo. É assim no mundo todo, sabemos. Agora, é possível que um ou dois membros destoem bastante do resto do corpo, e não cumpram a função para a qual foram criados! E aí, o que faremos?
Shakespeare provou que o homem é um ser falível, imperfeito; a religião, a ciência, e o Direito mostram que é essa a condição humana. Assim é plenamente possível que um ou outro membro dessa Corte possa se afastar dos caminhos da honra. Faço essas observações, porque vejo no momento a nação revoltada com o juiz Gilmar, que tem se comportado como se fosse um Juiz Ungido pelo Senhor, o Justiceiro Supremo. Pois, avocou para si a teoria do Direito Divino dos Reis, de Jean Bodin e do bispo Bossuet. A nova teoria criada por seu presidente se chama Teoria do Direito Divino dos Juízes do STF.
Lá o instituto do Impeachment não é sequer um espectro, funciona pro Executivo, mas não pro Supremo Tribunal Federal. Precisamos de uma nova teoria. De uma nova visão. Um novo Montesquieu, já que as três pilastras de sustentação do Sistema Democrático de Direito não estão funcionando no Brasil. As últimas decisões do STF contrariam completamente a opinião dos mais respeitados juristas do país.
Nosso Legislativo padece da mais absoluta degradação, o STF, órgão máximo do poder Judiciário, funciona com se a sociedade civil não existisse. Lembro que nos EUA há mais de um século ocorreu o impeachment de um juiz da Suprema Corte, aqui é sacrilégio falar no assunto. É como se dissessem: o céu não permite que se destitua um juiz (do STF) ungido, ele está acima de todos os homens. Parece a Idade das Trevas! Ora, a Inglaterra cortou a cabeça de Charles I em 1649 porque ele se achava acima de tudo e de todos. Essa história tem quase quatro séculos, e Charles I era um Rei!
No entanto, aqui no Brasil, em 2009, temos um Gilmar I no Judiciário. Claro, a Corte Suprema é para julgar todos os homens! E seus juízes também são homens! Mas, quem os julgará? E agora que um deles, ocupando a presidência, um cargo rotatório, se comporta como o dono das leis, a quem apelaremos? Apelo para Shakespeare: “Quando um juiz não faz justiça, é legal impedir que seja injusto”!
Theófilo Silva, Presidente da Sociedade Shakespeare de Brasília e Colaborador da Rádio do Moreno
No Rádio do Moreno
Obs.:Título deste post do Conversa Afiada.
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Seção "Grandes Filhos da P... da Humanidade": Merval Pereira


Merval e seu adestrador
Até vestido de Macaquinho de Realejo ele está...
Só faltou o chapeuzinho...
A proximidade do julgamento do mensalão parece estar desestabilizando emocionalmente o ex-presidente Lula, que se tem esmerado nos últimos dias em explicitar uma truculência política que antes era dissimulada em público, ou maquiada. 
Nessa fase em que trabalha em dois projetos que se cruzam e parecem vitais para seu futuro, tamanha a intensidade com que se dedica a eles, Lula não tem tido cuidados com as aparências, e arrisca-se além do que sua experiência recomendaria. 
A pressão sobre ministros do STF, a convocação da CPI do Cachoeira, com direito a cartilha de procedimentos com os alvos preferenciais identificados ( STF, imprensa, oposição) e as atitudes messiânicas, sempre colocando-se como o centro do universos político, revelam a alma autoritária deste ex-presidente ansioso pela ribalta política. 
A eleição de Fernando Haddad para a Prefeitura de São Paulo e a obsessão em desmoralizar o julgamento do mensalão - já que não conseguiu adiá-lo para que seus resultados não interferissem na eleição municipal e, além disso, a prescrição das penas resolvesse grande parte dos problemas judiciais do PT -pareciam as duas grandes tarefas do ex-presidente Lula neste momento. 
Mas ele,de voz própria, revelou seu verdadeiro objetivo político no programa do Ratinho: não permitir que um tucano volte a governar o país. 
Nunca antes nesse país viu-se um político assumir tão abertamente uma postura despótica, quase ditatorial, quanto a de Lula nessa cruzada nacional contra os tucanos, que tem na disputa pela capital paulista seu ponto decisivo. 
O PT, aliás, tem seguido a mesma batida de Lula, e se revela a cada instante um partido que não tem como objetivo programas de governo ou projetos nacionais para o país. A luta política pelo poder escancara posturas ditatoriais em todos os níveis, e para mantê-lo vale tudo. 
Desde rasgar a legislação eleitoral e fazer propaganda ilegal em emissora de televisão na tentativa de desatolar uma candidatura que até agora não demonstra capacidade de competição, até intervenções em diretórios que não obedecem à orientação nacional, como aconteceu agora mesmo em Recife. 
Vale também mobilizar um esquema policial de uma prefeitura petista, como a de Mauá em São Paulo para apreender uma revista que apresenta reportagens contrárias aos interesses do PT. 
A truculência com que foi impedida a distribuição gratuita da revista Free São Paulo, que trazia uma reportagem de capa sobre o assassinato do prefeito petista de Santo André Celso Daniel, é exemplar do que o PT e seus seguidores consideram “liberdade de imprensa”. 
Os petistas acusam a revista de ser financiada pelo PSDB, o que ainda é preciso provar, mas, mesmo que seja, seria no mínimo incoerente criticarem tal estratégia, já que são estatais de diversos calibres e governos petistas que financiam uma verdadeira rede de blogs chapa-brancas e revistas para defenderem as ações governistas e demonizar seus adversários, em qualquer nível. 
Da mesma forma, parece ironia que líderes petistas se mostrem indignados com financiamentos eleitorais de caixa 2 de políticos tucanos, como se esse crime fosse uma afronta ao Estado de Direito e não, como disse o ex-presidente Lula tentando minimizar o caso do mensalão, coisa corriqueira no sistema eleitoral brasileiro. 
O recurso ao caixa 2 e a verbas não contabilizadas é evidentemente uma distorção do nosso sistema eleitoral que tem que ser combatida com rigor, mas o PT há muito perdeu a possibilidade de indignar-se diante deste e de outros malfeitos políticos.
Opinião dO Cachete:
Em desespero, a direita saca todas as suas armas. Merval, Noblat, Augusto Nunes e o próximo "Filho da P..." a ser homenageado nesta Seção: Reinaldo Azevedo. Não é estranho o fato que a entrevista do Pagot não repercutiu em outros jornais. Estão todos a serviço dos tucanalhas e de seus caciques financiadores sem licitação. A VEJA sabe do que estou falando...
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Gilmar tentou manipular Ayres Britto?

A revista Carta Capital que chegou às bancas neste sábado tem excelente reportagem de Cynara Menezes com o título:

“As 1001 versões – Gilmar Mendes vai, vem, volta, mexe, remexe, rebola, se enrola e tenta envolver colegas do Supremo Tribunal em uma história muito mal explicada.”

Nascido nos confins de Mato Grosso, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, deveria conhecer um velho ditado de pescadores matutos: o peixe sempre morre pela boca. Talvez o sábio ensinamento o tivesse ajudado a evitar os constrangimentos dos últimos dias. Entre o sábado 26, quando a revista Veja chegou às bancas com a candente denúncia de que o magistrado havia sido chantageado pelo ex-presidente Lula, e a quinta 31, data de fechamento desta edição, Mendes enroscou-se no anzol lançado por ele mesmo. A cada entrevista, uma nova versão, novos personagens e um destempero crescente, que, segundo anota Wálter Fanganiello Maierovitch à pág. 28, não lhe deixa alternativa a não ser se declarar impedido no futuro julgamento do chamado mensalão.
Uma informação obtida por CartaCapital complica ainda mais a versão inicial sustentada pelo ministro. Mendes se disse “perplexo” e “indignado” com a suposta chantagem de Lula, que o teria ameaçado com a divulgação de sua viagem a Berlim em companhia do senador Demóstenes Torres, caso ele não aliviasse no julgamento dos réus do mensalão. Mas não agiu como alguém moralmente atingido. E não só pelo fato de ter demorado um mês para externar sua “indignação”, igual tartaruga no inverno. Segundo apurou a revista, o magistrado agiu de forma calculada para obter respaldo institucional à sua versão. De que maneira? Somente na quarta-feira 23, três dias antes de a edição de Veja chegar às bancas com a história, Mendes relatou o ocorrido ao presidente do STF, Carlos Ayres Britto.
Ou seja, o comunicado poderia ter servido apenas para que Veja pudesse confirmar a tempo de publicar no sábado que Mendes informara ao presidente do tribunal sobre o conteúdo da conversa com Lula, o que daria contornos institucionais aos fatos narrados. Funcionou em princípio. Procurado, Ayres Britto deu declarações formais ao semanário da Abril. Até então, o assunto permanecia desconhecido de todos os integrantes da Corte.
Cynara também se pergunta:
– por que "Gilmar Dantas" – expressão agora consagrada pelo repetido emprego do Noblat – preferiu falar a “jornalistas” do detrito sólido de maré baixa a exigir uma nota institucional de repúdio?
(O ansioso blogueiro pergunta: por que não chamou a testemunha, Nelson Johnbim, e denunciou à policia um chantagista?)
– por que Lula haveria de pedir a "Gilmar Dantas" para maneirar o mensalão, se ele não preside (Britto), não relata (Barbosa) e não revisa o processo (Lewandowski)?
– por que Lula haveria de “encantar” o Ministro que mais desafetos tem na própria Corte?
– Ayres Britto está escaldado com "Gilmar Dantas", diz a Cynara: desde o grampo sem áudio, que foi levado a testemunhar;
– por que o "Padim Pade Cerra" – aquele do “Robanel do Pagot” – ligou ao Nelson Johnbim para atender ao “repórter” do detrito sólido de maré baixa?
(O ansioso blogueiro se pergunta: "Cerra" é o novo Cachoeira da Veja?
Haveria um complô entre o Cerra, que chamou "Gilmar Dantas" de “meu Presidente!” antes de um voto decisivo no STF, e "Gilmar Dantas" para desmoralizar Nunca Dantes, vacinar o Gilmar e condenar o José Dirceu?
O ansioso blogueiro se pergunta: o "Padim Pade Cerra", além do aborto no Chile, da bolinha de papel e da união gay pretende, como fez em 2010, usar a carta “José Dirceu” na campanha em que perderá para o Haddad?)
Conclui Cynara, com a pena afiadíssima:
“A rigor, inexplicáveis mesmo, até agora, são as viagens de Mendes (Dantas, segundo o Noblat) ao exterior e a bordo do “aeroDemostenes” a Goiania.”
“Além do mais, se o magistrado, como disse, só com os direitos autorais dos “quase 100 mil exemplares” que vendeu de um livro “poderia dar a volta ao mundo se quisesse” (é a nova versão do “tenho jatinho porque posso”- PHA), por que não bancou a própria viagem de Brasília à vizinha Goiânia?”
Paulo Henrique Amorim
No Conversa Afiada
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Charge online - Bessinha - # 1277

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A conexão goiana

Gilmar Mendes está demonstrando dificuldade em entender a realidade, em aceitar o jogo democrático que exige, como fundamento maior, a liberdade de expressão, que se concretiza na pluralidade da informação e de opinião. Essa dificuldade, se não for logo vencida, dará suspeição às decisões que ele tomar como juiz do STF.
Os meses a vir pedem aos homens públicos responsáveis, de todos os partidos, a combinação da firmeza com a paciência, a fim de conduzir a campanha e o pleito municipal deste ano. A oposição, instigada pelo julgamento do processo conhecido como mensalão, se encontra açulada por alguns de seus líderes menos sensatos. O presidente Lula, acossado pelos inimigos e em convalescença de um tratamento penoso, não se tem contido diante dos ataques que recebe e fez algumas declarações apressadas, como ocorreu em recente programa de televisão. Na Comissão Parlamentar de Inquérito sobre os negócios de Carlos Cachoeira, parlamentares perdem a compostura, e usam de linguagem chula e repulsiva, provocados pelo soberbo silêncio dos depoentes, entre eles o Senador Demóstenes Torres.
Os diálogos ásperos são normais nas casas parlamentares, desde que elas existem. Os registros do Senado Romano mostram como os debates já se valiam, naquele tempo, da ironia e do insulto – que deviam soar mais ferinos no latim republicano. A Câmara dos Comuns, a partir do confronto com os Stuarts, na primeira metade do século 17, reproduzia a linguagem vulgar dos pubs e das margens do Tamisa. No século seguinte, principalmente durante o reinado de George III, os insultos faziam parte habitual dos debates na Câmara dos plebeus. Entre os lordes, é claro, a coisa era outra: estavam todos de acordo contra o povo.
Em uma comissão parlamentar de inquérito, os ânimos são mais acesos. Mas conviria, tendo em vista a conjuntura política e econômica mundial, que os membros do comitê investigatório se contivessem em sua linguagem, na mesma medida em que se empenhassem, seriamente, na busca da verdade. O momento pede a coesão nacional, mas ela não pode ser construída na tolerância com o crime.
Estamos diante de uma oportunidade singular, a de separar o que é público do que é privado na sociedade brasileira. Ainda que não consigamos tudo, alguma coisa que se consiga irá contribuir para a evolução positiva da democracia republicana em nosso país.
O Sr. Gilmar Mendes continua arrostando a paciência nacional. A ligeireza com que acusa e com que retifica suas versões demonstra que o Ministro não está segurando as rédeas do raciocínio – e, em seu caso, não existe a atenuante de um agressivo tratamento de saúde.
Ainda agora ele mesmo revela que interferiu na autonomia do poder executivo, ao solicitar do Ministro da Fazenda que proiba a Caixa Econômica de anunciar em blogs independentes na internet. Como tive a oportunidade de escrever, em minha coluna no JB – reproduzida pelos blogs que ele quer silenciar – o ministro Gilmar Mendes não é uma instituição, não é o STF. E sua visita ao Ministro da Fazenda, com esse objetivo, é, sim, intromissão em outro poder e pode ser vista como intimidação. Todos os grandes veículos de comunicação do país recebem anúncios – e em valor e volume muito maiores do que a totalidade dos blogs – e exercem forte oposição ao governo. Tanto é assim que a presidente da Associação Nacional dos Jornais, Judith Brito, disse que a imprensa – os jornais que ela representa – desempenha o papel de um partido de oposição que, em seu juízo, não existe no Brasil.
Gilmar Mendes está demonstrando dificuldade em entender a realidade, em aceitar o jogo democrático que exige, como fundamento maior, a liberdade de expressão, que se concretiza na pluralidade da informação e de opinião. É claro que essa dificuldade, se não for logo vencida, dará suspeição às decisões que ele tomar como juiz do STF.
Mauro Santayana é colunista político do Jornal do Brasil, diário de que foi correspondente na Europa (1968 a 1973). Foi redator-secretário da Ultima Hora (1959), e trabalhou nos principais jornais brasileiros, entre eles, a Folha de S. Paulo (1976-82), de que foi colunista político e correspondente na Península Ibérica e na África do Norte.
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Os altos e baixos do STF até os anos 1970

A história do Supremo Tribunal Federal é cheia de altos e baixos. Mais baixos do que altos, na verdade. Anda por baixo, quando se submete aos outros dois poderes. Ou a eles é muito deferente. Anda por cima, quando desafia as ameaças advindas dos ramos políticos e as violações constitucionais; ou quando adota uma agenda positiva, principalmente no âmbito dos direitos fundamentais.
A República Velha é dominada por um Tribunal razoavelmente sob controle. A não ser nos episódicos espasmos de altivez, como sucedeu com a construção da doutrina brasileira do habeas corpus, empregado inclusive para aferir a correção de pleitos eleitorais e para garantir as imunidades parlamentares.
Não teve forças para enfrentar a Revolução de 1930, nem imaginava discutir o Golpe getulista sete anos depois. Os expurgos que foram feitos ao Tribunal demonstravam a potestade da política sobre o direito. Aposentaram-se compulsoriamente cinco Ministros e o Procurador-Geral da República, como retaliação aos votos e denúncia, respectivamente, contra a Coluna Prestes.
Não reclamava por isso, preferindo seguir à risca e cegamente os comandos legais. A Constituição não passava de um instrumento de apelo mais retórico do que jurídico. Por isso, não discutiu a imunidade à jurisdição imposta aos atos políticos no período, tampouco ousou reduzir o âmbito de incidência desses atos.
O alinhamento ao governo é exemplificado pelo “caso Olga Prestes”. O Tribunal lavou as mãos diante do decreto governamental que a expulsava do Brasil, entregando-a para ser morta pelo governo nazista.
Essa tendência permaneceu sob os ares democráticos soprados a partir de 1946. A extinção do Partido Comunista e a impotência diante da ruptura da Constituição em 1955 (Caso Café Filho) são exemplos dessa postura.
Como toda regra tem suas exceções, não haveria de elas também aqui faltarem. O “Caso João Cabral” estava lá à prova. Reputou-se ilegal o ato do governo que decretara a disponibilidade inativa e não remunerada do Cônsul João Cabral de Melo Neto, motivada por suas simpatias comunistas.
Não teve forças – ou vontade – para fazer frente ao Golpe Militar de 1964, nem avançou demasiadamente sobre as constantes rupturas que o regime perpetrou, notadamente por meio dos atos institucionais.
Houve momentos de vigor, todavia, notadamente no começo daqueles tempos sombrios. Assim, quando afirmou a liberdade de cátedra e de expressão diante da perseguição penal a um professor universitário, crítico do regime militar.
E quando impediu a destituição e a condenação de governadores e de um ex-Presidente da República, sem o devido processo constitucional, incluindo a prerrogativa de foro com o afastamento da competência da Justiça Militar (Caso Miguel Arraes, Mauro Borges, Plínio Coelho e Seixas Dória; Caso João Goulart)..
O AI-5 pesou como uma espada sobre a cabeça dos Ministros. E rolou a cabeça de três deles. Desde então, o Tribunal tornou-se um “órgão administrativo saudável, tecnicamente ágil (...), mas politicamente morto” (Osvaldo Trigueiro do Vale).
José Adércio Leite Sampaio é Jurista. Graduado em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Mestre e Doutor em Direito Constitucional pela UFMG. Procurador Regional da República. Professor da Escola Superior Dom Helder Câmara.
No domtotal.com
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Bomba: Onésimo denuncia Policarpo da Veja à PF

 Atenção para este post. 

 Por sugestão do leitor Jorge, republico artigo deste blog de 19 de setembro de 2010.  

Notícia quente de fonte mais quente ainda. A coisa está prestes a feder para um jornalista da Veja.
Segundo a fonte, o delegado aposentado da Polícia Federal Onésimo de Souza (foto), deu depoimento à Polícia Federal que desdiz a alegação que teria sido convidado a participar de um grupo de inteligência da campanha de Dilma Rousseff. Quando perguntado sobre afirmações anteriores respondeu que “ouviu errado”.
Segundo Onésimo, quem inventou toda a história de grupo de espionagem da campanha de Dilma foi o jornalista Policarpo Junior, da revista Veja. Onésimo acusa o jornalista ainda de estar de posse de documentos que foram roubados no comitê de Dilma, o tornando responsável no mínimo de receptação de produto de furto. Policarpo poderá ser processado segundo o agente da Polícia Federal que informou a nossa fonte.
Onésimo, que depois de aposentado se tornou membro da equipe de espionagem chefiada pelo Marcelo Itagiba que José Serra montou no Ministério da Saúde, revelou que depois brigou com o grupo, porém ainda possui as gravações ilegais que fez a mando do grupo de espionagem montado por Serra. Segundo Onésimo, o grupo investigou a vida de todo mundo, desde adversários até aliados.
O depoimento de Onésimo à Polícia Federal corre em segredo de justiça, portanto não temos link para apontar para o depoimento, mas podemos afirmar que a fonte é quente e depois que vazar essa informação, a PF não vai mais conseguir segurar a informação.
Em breve, muito em breve, essa bomba vai estourar no colo do Serra e do jornalismo criminoso da revista Veja. O jantar entre Policarpo e Onésimo noticiado pelo Conversa Afiada na semana passada era um acerto de contas entre os dois. Policarpo está tremendo na base e querendo saber do teor do depoimento de Onésimo.
No Blog do LEN
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Esquema Veja-Cachoeira tentou interferir nas eleições?

Espera-se que o eleitor de um país com instituições sólidas tenha o máximo de informações corretas sobre cada um dos candidatos, para que possa efetuar sua escolha de forma democrática e livre.
Somente em países com instituições frágeis, é possível imaginar que o eleitor seja ludibriado por informações falsas e conseguidas por métodos criminosos.
Um dos frutos da relação entre a revista Veja e o crime organizado liderado por Carlinhos Cachoeira pode ter sido um grampo contra o advogado Pedro Abramovay, quando ele ocupava a Secretaria de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça.
Segundo a história contada pela revista Veja, Dilma, quando chefe do Gabinete Civil, teria pedido a Abramovay uma série de dossiês contra a oposição.
Como na história do "grampo sem áudio", a revista se recusou a mostrar a gravação, que, como sugere Cachoeira ("todos os furos dele, Policarpo, fui eu quem dei", segundo registros da Polícia Federal), pode ter sido feita pelo grupo de arapongagem que servia aos interesses do bicheiro e da revista.
Também não é possível saber se, se houve o grampo, o conteúdo é aquele divulgado pela Veja.
O mais grave é que a matéria veio a público dias antes das eleições presidenciais, numa tentativa desesperada de deter a vitória de Dilma Rousseff (PT) sobre o candidato da revista José Serra (PSDB).
No caso de o grampo ter sido feito pela organização criminosa liderada por Carlinhos Cachoeira, estará configurado um atentado grave à Democracia.
Quando o conteúdo (possivelmente, alterado) do grampo veio á tona, Abramovay ocupava o cargo de secretário nacional de Justiça.
Esse caso, repercutido na imprensa, e que ganhou "suíte" no site do G1, como vemos mais abaixo. deve ser investigado.
À época a revista sugeriu que a responsabilidade pelo grampo seria de Tuma Jr, recém saído da Secretaria Nacional de Justiça, visto que as gravações, segundo a reportagem, foram realizadas em seu gabinete.
Tuma não confirmou qualquer prática de grampo.
Esta gravação foi autorizada judicialmente? Se não, foi uma prática ilegal. Se ilegal, é crime. Se é crime, o foi contra a democracia, porque visava influenciar a decisão do eleitor.

Abramovay nega que tenha recebido pedido para montagem de dossiês


‘Não participei de supostos grupos de inteligência’, diz Secretário de Justiça.

Segundo revista 'Veja', Dilma Rousseff teria pedido dossiê a Abramovay.
Iara Lemos
Do G1, em Brasília
Secretário Nacional de Justiça, Pedro Abramovay,
negou que atuado na montagem de dossiês.
(Foto: Gilberto Amaral/ASN)
O secretário nacional de Justiça, Pedro Abramovay, divulgou nota na tarde deste sábado (23) em que nega que tenha atuado na montagem de dossiês contra opositores do PT. Reportagem da revista "Veja" desta semana acusa a candidata petista à Presidência da República, Dilma Rousseff, de ter pedido a Abramovay a elaboração dos dossiês. A candidata negou as acusações.
"Nego peremptoriamente ter recebido, de qualquer autoridade da República, em qualquer circunstância, pedido para confeccionar, elaborar ou auxiliar na confecção de supostos dossiês partidários. Não participei de supostos grupos de inteligência em nenhuma campanha eleitoral. Nunca, em minha vida, tive que me esconder", afirmou o secretário.
De acordo com a revista, Pedro Abramovay teria reclamado de supostos pedidos para a produção de dossiês feitos pelo chefe de gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho, e por Dilma, quando ela ainda era ministra-chefe da Casa Civil. Segundo a reportagem, em uma conversa gravada com o ex-secretário nacional de Justiça Romeu Tuma Jr., Abramovay teria dito a seguinte frase: "Não aguento mais receber pedidos da Dilma e do Gilberto Carvalho pra fazer dossiês (...) eu quase fui preso como um dos aloprados". A revista não informou quem fez as gravações, mas afirma que os registros foram "gravados legalmente e periciados". Abramovay lamentou o fato de a revista não fornecer as gravações.
"Infelizmente a revista se recusou a fornecer o conteúdo da suposta conversa ou mesmo a íntegra de sua transcrição", disse o secreário nacional de Justiça.
Por meio da assessoria de imprensa do Palácio do Planalto, Gilberto Carvalho afirmou que "jamais pediu qualquer coisa ao senhor Pedro Abramovay". Sobre o caso dos aloprados, a reportagem da revista explica que Abramovay trabalhava na liderança do PT no Senado, em 2006, com o senador Aloizio Mercadante. Neste período, pessoas ligadas a Mercadante teriam feito um dossiê para prejudicar o PSDB nas eleições. O G1 procurou Tuma Jr., e aguarda retorno.
No período em que as gravações foram feitas Abramovay ocupava a Secretaria de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça. Pedro Abramovay assumiu a Secretaria Nacional de Justiça em 7 de julho, após a exoneração de Tuma Jr., que deixou o cargo por suspeita de envolvimento com a máfia chinesa em São Paulo.
"Dediquei os últimos oito de meus 30 anos a contribuir para a construção de um Brasil mais livre, justo e solidário, e tenho muito orgulho de tudo o que faço e de tudo o que fiz. Trabalhei no Ministério da Justiça como Assessor Especial, Secretário de Assuntos Legislativos e Secretário Nacional de Justiça, conseguindo de meus pares respeito decorrente de meu trabalho", disse o secretário nacional.
Leia a íntegra da nota
Nota – Pedro Abramovay
"Nego peremptoriamente ter recebido, de qualquer autoridade da República, em qualquer circunstância, pedido para confeccionar, elaborar ou auxiliar na confecção de supostos dossiês partidários. Não participei de supostos grupos de inteligência em nenhuma campanha eleitoral. Nunca, em minha vida, tive que me esconder.
A revista Veja, na edição número 2188 de 2010, afirma ter obtido o áudio de uma gravação clandestina entre mim e um ex-colega de trabalho. Infelizmente a revista se recusou a fornecer o conteúdo da suposta conversa ou mesmo a íntegra de sua transcrição.
Dediquei os últimos oito de meus 30 anos a contribuir para a construção de um Brasil mais livre, justo e solidário, e tenho muito orgulho de tudo o que faço e de tudo o que fiz. Trabalhei no Ministério da Justiça como Assessor Especial, Secretário de Assuntos Legislativos e Secretário Nacional de Justiça, conseguindo de meus pares respeito decorrente de meu trabalho.
Apesar de ver meu nome exposto desta forma, não foi abalada minha fé na capacidade de transformação de nosso país e tampouco na crença da importância fundamental de uma imprensa livre para o fortalecimento de nossa democracia.
Pedro Vieira Abramovay
Secretário Nacional de Justiça
Weden
No Advivo
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'Davi contra Golias', ex-assessor de Perillo quer abrir sigilo

Luis Carlos Bordoni e Marconi Perillo
“O jornalista que coordenou a propaganda do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), em 2010 demonstra disposição em ir à CPI do Cachoeira para falar sobre a acusação de que foi pago por empresa ligada ao contraventor Carlinhos Cachoeira. "Estão brigando com um Davi, só que esse Davi não tem medo de nenhum Golias, não", diz Luis Carlos Bordoni. Em nova entrevista ao Estado de S.Paulo, Bordoni afirma que negociou diretamente com Perillo o pagamento de R$ 120 mil pela atuação na campanha, contradizendo a versão do governo, de que o valor foi de R$ 33,3 mil. "Vou solicitar que seja quebrado o sigilo telefônico tanto meu quanto da minha filha e que também o façam com o telefone do sr. Lucio Gouthier Fiúza (assessor particular de Perillo) para constatarmos quem está falando a verdade. Já que eles querem a briga neste nível, nós vamos brigar neste nível", disse Bordoni.
O jornalista afirma que, "se for para estabelecer a verdade, eu vou a qualquer lugar para defender o meu nome e o da minha filha. Se quiserem enlameá-los, como estão tentando fazer agora, vamos ver como vai ficar esse jogo de forças aí (...) Quer dizer que durante todas as campanhas que eu fiz eu era o bom e o maravilhoso, e agora eu sou o mentiroso e o irresponsável? Talvez então eu tenha sido mentiroso e irresponsável ao pedir voto para ele?". Perillo negou as denúncias na sexta-feira. "As afirmações do senhor Luiz Carlos Bordoni em relação à campanha do governador Marconi Perillo são mentirosas e irresponsáveis", diz a nota oficial do governo goiano. O governo diz ainda "estranhar" o fato de Bordoni, "na falta de uma explicação plausível que justifique o crédito na conta corrente de sua filha, fazer circular esta versão fantasiosa, querendo incriminar a campanha do governador Marconi Perillo".
No Brasil! Brasil!
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Telefonia no Brasil

Mais de 22 milhões no Brasil não têm acesso a telefone fixo e celular

Levantamento do IBGE mostra um Brasil que ainda não se comunica por telefone
Maria e a mãe Sebastiana, duas gerações sem telefone: “Ou pago o celular ou dou comida para os meninos”
Agência O Globo / Hans von Manteuffel
RIO e Palmares (PE) - O Brasil ainda esconde uma Austrália de gente que não tem acesso a qualquer tipo de telefone. Seja fixo ou celular. Um contingente de brasileiros, que de acordo com o Censo, somava em 2010 cerca de 22,3 milhões de pessoas. Desses, metade (11,54 milhões) se concentra no Nordeste. Mas o que explica o isolamento de 11,7% da população de um país que hoje discute expansão de 3G e implementação de 4G? Os especialistas dizem que, de um lado, falta infraestrutura nas áreas mais remotas, os investimentos das empresas de telefonia estão aquém do necessário e a carga tributária (que representa 46,3% da conta) do setor segue alta. Do outro, a renda baixa das famílias coloca esses consumidores no fim da fila das prioridades das operadoras.
Segundo dados do Censo do IBGE, havia 6,93 milhões de domicílios — ou 12,09% dos lares — sem acesso à telefonia. Uma realidade comum entre os mais pobres. Não à toa, das moradias sem qualquer telefone, 88,1% tinham renda domiciliar per capita de até um salário mínimo (R$ 510). Na outra ponta, onde o rendimento per capita era superior a cinco salários mínimos, apenas 0,2% dos lares estão sem linha.
— Doze por cento sem telefone é um número significativo em uma era em que as pessoas tendem a acreditar que estão todos conectados a internet, Wi-Fi, redes sociais... E isso mostra como o Brasil do século XXI coexiste com o Brasil do século XIX. Talvez não exista nos dias de hoje índice melhor de exclusão social do que o número de pessoas sem acesso a telefone. Além do efeito prático de não ter o aparelho, há o efeito simbólico, de exclusão social, paradigmático nos tempos de hoje — afirmou Flavio Comim, consultor do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).
Pelos dados do IBGE, o Maranhão é, no quesito acesso à telefonia, o pior entre as 27 unidades da Federação, com 37,08% dos lares sem o serviço. No Piauí, são 30,02%. Já os mais ricos aparecem melhor “na foto”. No Distrito Federal, esse percentual cai para 2,14%, seguido de 4,87% no Estado de São Paulo e 6,36% no Estado do Rio.
— O Brasil que não fala está mais concentrado na área rural, onde a saída é, muitas vezes, usar o rádio — disse Eduardo Tude, presidente da Teleco.

Novo plano de inclusão da Anatel

Operadoras e governo sabem do tamanho dos excluídos no Brasil. É por isso que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) reformulou o programa Acesso Individual Classe Especial (Aice), criado na década passada para aumentar a presença do telefone fixo no país. Houve mudanças importantes. A principal delas é o preço, que passou de R$ 24,14 para R$ 13,31 — queda de 44,86%. A franquia passou a ser de 90 minutos com chamadas para telefones fixos. Antes, qualquer ligação era taxada.
Além disso, o programa, que antes atendia apenas aos lares inscritos no Bolsa Família, passa a atender a todos do cadastro único dos programas sociais, elevando em 65% o total de casas contempladas. Eduardo Marques Jacomassi, gerente operacional de Tarifas, Preços e Acompanhamento Econômico da Anatel, lembra que há potencial para atingir quase 23 milhões de lares. Até abril deste ano, o programa, que nunca emplacou, soma só 136,5 mil usuários.
— Há um foco para os que participam dos programas sociais, e a redução do valor de assinatura mensal torna mais atrativo (o serviço). Assim, o novo Aice insere-se nos esforços da Anatel em aumentar a inclusão da telefonia — afirma Jacomassi, ressaltando que as novas regras passam a valer amanhã.
Sem políticas públicas eficientes, as regiões Nordeste e Norte têm mais excluídos, com 22% das casas sem telefones. Analfabeta, a ex-trabalhadora rural Sebastiana Maria da Silva, de 70 anos, passou boa parte da vida na palha da cana, cercada por parentes que há 50 anos residem no mesmo engenho, no município de Palmares, a 135 quilômetros de Recife. Ela diz que não sabe nem como usar o telefone. No local, a única prestadora de telefonia está a 18 quilômetros de sua casa, no Centro.
— Nunca tive nem usei um telefone na vida. Não sei nem ligar. Não sinto falta não, porque não tenho muita coisa para conversar — afirma ela, para quem telefone é um luxo em uma casa onde o chão é de terra batida.

Brasileiro destina 1% da renda para telefonia

Já a filha de Sebastiana, Maria Lúcia da Silva, de 30 anos, sonha com um celular, parecido com os que já têm alguns vizinhos:
— Desde que deixei o corte de cana, preciso de um. Mas é caro, o crédito, mais ainda. Não tenho escolha: ou uso celular ou compro comida para os meninos.
Para que famílias como a de Sebastiana tenham acesso à telefonia, especialistas dizem que é preciso mais investimentos das companhias, com tecnologias alternativas e maior fiscalização do governo para verificar a qualidade do serviço prestado pelas teles. Segundo dados da Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil), as famílias hoje direcionam 1% da renda para os gastos com telecomunicações. Ou seja, quem ganha um salário mínimo, em R$ 622, destina R$ 6,22 para ligações por mês.
A Oi, que atende mais de 4.800 cidades, trabalha para estimular o aumento da telefonia fixa no país, segundo Andre Muller Borges, diretor de Regulamentação e Estratégia da empresa. Ele afirma que a companhia vai lançar planos mais baratos, criando pacotes com outros serviços:
— Mas é preciso entender hoje que a carga tributária cria uma barreira de entrada. Mas não acho que seja só a renda (baixa das famílias sem telefone). Estamos criando uma série de planos alternativos e que acabam chegando a todos os tipos de bolso. O novo Aice, da Anatel, vai ser implementado, mas é economicamente inviável para as teles.
A Telefônica, que vai investir R$ 24,3 bilhões até 2013, está presente em 3,7 mil municípios. O número deve aumentar nos próximos meses, já que a companhia está levando telefonia fixa para diferentes cidades do país. Cícero Olivieri, diretor de Rede da TIM, comenta que, considerando ainda o contingente de pessoas sem dados, “os números (de excluídos) beiram o absurdo”. Para ele, há problemas na falta de capilaridade da malha e na carência de rede. Juntos, esses impasses representam para o consumidor custos mais altos.
— O que se percebe é que, mesmo nos bolsões mais pobres, as famílias já estão demandando, além de telefonia, acesso a internet. Demanda existe — disse ele, frisando que a TIM tinha, em fins de 2011, 15 mil quilômetros de fibra óptica e quer chegar em 2014 com 41 mil. Desse total, boa parte é para as regiões Norte e Nordeste.
A diretora Regional da Claro para Rio de Janeiro e Espírito Santo, Gabriela Derenne, lembra os desafios de se montar uma infraestrutura de telefonia no país. Para ela, não basta instalar uma antena. Ainda assim, ela cita que a Claro, de 2009 a 2011, ampliou sua cobertura em mais de cem cidades no Centro-Oeste, Norte e Nordeste:
— Individualmente, muitas vezes, a conta não fecha. É preciso atender a um polo, a um conjunto de cidades.
Vizinha de Sebastiana e Maria Lúcia, a trabalhadora rural e dona de casa Carmelita Maria da Conceição, de 28 anos, é outra que reclama por não ter um celular. Com sete filhos, sem trabalho no momento e contando apenas com o salário do marido cortador de cana, ela fica meses sem se comunicar com a família que mora em outras cidades. E comemora o fato de o irmão José Roberto da Silva, de 32 anos, ter retornado ao local, pois ele trabalhou por dois anos e meio em fazendas de Santa Catarina, período em que ficaram sem se falar:
— Aqui a gente fica isolado até para parir. No último menino, andei um pedação a pé porque não tinha telefone, não deu para usar nem o dos vizinhos, porque as ligações para fora eram péssimas — reclama Carmelita, mas sem desistir de ter um celular. Já foi em lojas e camelôs, onde encontrou a mercadoria bem mais em conta. — O aparelho mais barato é R$ 230, e pirata não tem garantia. No camelô, achei uma ‘guitarrinha’ por R$ 70, mas, como não tem garantia, tive medo de perder o dinheiro, pois soube que a bateria dele é uma porcaria — diz ela, referindo-se a um modelo encontrado nas feiras locais.

Pacote do governo vai reduzir tarifa de telefone


Áreas de DDD cairão de 4.200 para 67 no país e ligação vai ficar mais barata
Paulo Bernardo, ministro das Comunicações, acredita que se a tarifa fosse mais barata, o consumidor gastaria mais André Coelho
BRASÍLIA - Depois da ofensiva contra os juros bancários, o governo agora trabalha em um pacote de medidas para reduzir os preços dos serviços de telefonia e ampliar a concorrência no setor de telecomunicações. Em entrevista ao GLOBO, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, detalhou algumas das medidas que já têm data para sair do papel e deverão incentivar o consumo desses serviços, a partir da redução de custos, contribuindo no esforço do governo para turbinar a economia. Um exemplo é a redução das áreas de interurbano, que tem tarifa mais cara, de DDD, de 4.200 para 67 no país. Nos últimos dias, o ministro também cobrou aumento dos investimentos das empresas telefônicas no país.No Estado do Rio, por exemplo, onde hoje existe praticamente uma área para cada município, deverão restar apenas dois DDDs e, dentro dessas regiões, as tarifas serão cobradas como ligações locais. A mudança, prevista para setembro, vai significar uma diminuição de receita para as empresas, no país, de R$ 300 milhões ao ano, estima Paulo Bernardo, mas o ministro destacou que a perda será transitória e compensada no futuro com o provável aumento do consumo desses serviços.
— As empresas vão perder receita num primeiro momento, mas isso será compensado com o aumento do número de ligações. E o consumidor vai ganhar porque as chamadas para as cidades vizinhas ficarão mais baratas — destacou.
Outra arma que o governo está utilizando para reduzir os custos dos serviços de telefonia e telecomunicações em geral é obrigar as empresas a compartilharem suas redes, acirrando a competição, com reflexos positivos para os consumidores. A primeira regulamentação já foi aprovada para o funcionamento do que no jargão do setor chama-se “linha dedicada”.
Uma empresa que construa uma rede de fibra óptica e esteja com capacidade ociosa terá que vender parte da rede para outras empresas. A nova regra entra em vigor em 120 dias e terá impacto de 30% nas tarifas, segundo o governo. Atualmente, como não existe essa obrigação de compartilhar as redes, as empresas que o fazem muitas vezes cobram preços abusivos.
— Ela (a empresa) diz: eu não estou com a linha disponível, mas posso fazer uma oferta especial para você, engabela o cara e enfia a faca nele. Agora a Anatel vai arbitrar, a regra é uma oferta padrão — afirmou o ministro.

Empresas terão que compartilhar redes

O segundo regulamento para baratear e racionalizar os custos desses serviços já está no forno. Trata-se do Plano Geral de Metas de Competição, que obriga as empresas a compartilharem torres, dutos e outros equipamentos, além das redes, com preços regulados pela Anatel. A expectativa é que seja aprovado, no máximo, em julho.
— Significa que o pequeno (pequenas empresas) poderá entrar em uma determinada localidade onde não tinha rede e onde não iria entrar tão cedo, concorrendo com quem já está instalado. Isso com certeza vai baixar preço — disse Paulo Bernardo.
Outra iniciativa com o mesmo objetivo é o projeto de lei que disciplina a instalação de antenas de transmissão de serviços de telecomunicações, principalmente de celulares, e será enviado ao Congresso no segundo semestre. A proposta é de compartilhamento das antenas, para racionalizar o uso dos equipamentos já instalados, evitando, inclusive, o aumento da poluição visual em grandes cidades:
— Essa determinação de obrigar o compartilhamento vai evitar que a cidade seja espetada de antenas para todo o lado.
O ministro, que tem trânsito livre no Palácio do Planalto e uma relação muito próxima com a presidente Dilma Rousseff, disse que está empenhadíssimo no propósito de reduzir a carga tributária do setor de telefonia e conta com o apoio de Dilma. Mas para que esse propósito se concretize, seria necessário um acordo com os estados, já que o peso maior dos impostos nas tarifas de telefone é do ICMS, um imposto estadual.
Paulo Bernardo defende um acordo entre governo federal e os estados para a redução da carga tributária do setor, onde cada ente daria a sua contribuição, reduzindo impostos e encargos. E a compensação viria, mais uma vez, por meio do aumento do consumo desses serviços e da arrecadação:
— A presidente concorda, me disse: “o ICMS é um problema, mas vamos ter que conversar com os estados, seu Paulo Bernardo”, mas isso ainda depende de um acerto com a equipe econômica.
A possibilidade de reduzir somente os impostos federais, que são a menor parcela da carga tributária na conta do telefone, está fora de questão, segundo o ministro, porque o Ministério da Fazenda não concorda com esta possibilidade. Paulo Bernardo, que na semana passada participou de um debate no Congresso, carrega as planilhas que detalham o impacto dos tributos nas contas de telefones, que ele considera abusivo e inibidor do consumo. O peso dos impostos federais é de 8%, mas o ICMS varia entre 25% e 35%.

Smartphones ficam até 35% mais baratos

Outra tarifa que está mira de Paulo Bernardo é a dos celulares pré-pagos, duas vezes e meia acima de uma ligação pós-paga. Ele destaca que o consumo médio por unidade nos celulares pré-pagos é de R$ 7.
— Se a tarifa fosse mais barata, o consumidor ia gastar um pouco mais — destaca.
Em outra frente, o governo trabalha para baratear produtos e serviços voltados para um consumidor mais sofisticado. Paulo Bernardo informou que estuda a inclusão do smartphone na Lei do Bem (de incentivos à produção nacional). Em alguns casos, segundo ele, os preços desse equipamento poderão cair entre 30% e 35%. Os produtos poderão chegar ao consumidor entre com preços entre R$ 380 e R$ 390, segundo o ministro.
Paulo Bernardo informou ainda que a CCE já está produzindo smartphones na Zona Franca de Manaus. Além disso, há uma perspectiva de crescimento das vendas desses produtos entre 25% e 28% se os preços forem mais atraentes.
Desde fevereiro, os consumidores estão pagando um pouco menos pelas chamadas de telefone fixo para móvel, a partir de uma decisão do Conselho Diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A medida faz parte do pacote de redução dos custos desses serviços e resultará em queda de 21% nas tarifas até 2014.
No O Globo
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O desafio de reverter o PIBinho

Vamos a alguns pontos sobre o PIB pífio anunciado na sexta-feira: 0,2% no primeiro trimestre.
Não acredite na previsão do Ministro Guido Mantega, de PIB a 4,5% no final do ano - mesmo que seja apenas o crescimento na ponta. Mesmo dentro do governo, teme-se que o PIB anual possa ficar abaixo de 2%.
Não dá para se fiar no álibi FHC adotado pelo Ministro da Fazenda Guido Mantega: de atribuir os problemas internos exclusivamente ao exterior. Há influência, de fato. Mas o PIBinho se deve também ao excesso de zelo de Guido Mantega e Alexandre Tombini em no primeiro semestre de 2011, ao adotar um conjunto de medidas visando desaquecer a economia para enfrentar uma onda inflacionária que era fruto exclusivo da alta internacional de preços de commodities.
Em agosto de 2011 o BC deu início ao desmonte da armadilha da Selic. Mas a economia é um transatlântico, que demora para virar. Paga-se, hoje, o preço do excesso de cautela do início de 2011.
O jogo pode ser revertido. Mas exigirá enorme capacidade operacional e liderança no debate econômico.

Novo período

O indicador inaugura um belo desafio para o governo Dilma Rousseff. Será o primeiro período sem o trunfo do crescimento econômico. Isso significa um fôlego adicional aos ataques da velha mídia e dificuldades adicionais de negociar com o Congresso. Tudo isso em um período eleitoral, com CPI de Cachoeira e julgamento do mensalão.
Tem-se como trunfo a firmeza e a capacidade reativa da presidenta e o fato de já ter ocorrido o chamado aggiornamento econômico - com o fim dos dogmas financistas que manietavam a economica.
Há um rumo a seguir - o que torna o problema eminentemente operacional. Há também sintonia entre Fazenda e Banco Central. Mas não se tem general para mobilizar o exército industrial na guerra do investimento.

O comandante dúbio

A seleção econômica tem bons jogadores, mas está na situação do time com dois volantes que sofre um gol. Há a necessidade de transformar ou trocar os volantes por atacantes. E o Ministro Guido tem enorme dificuldade em chutar a gol.
No início do ano, sabia-se que o PIB seria muito afetado pelo relativo esgotamento da demanda interna, pela queda dos preços internacionais de commodities, pela queda do comércio exterior, motivado pelos fatores China e Argentina, e pelos sinais emitidos pela indústria.
Um Ministro esperto começaria o ano com previsões pessismistas sobre o PIB. De tal maneira que qualquer resultado mediano, em vez de ser visto como derrota, fosse percebido como vitória.
Mas Guido aferrou-se a essa miragem do crescimento a 4,5%. E não arreda pé. Semana passada ainda insistia nos 4,5% de crescimento na ponta.
A palavra de um Ministro da Fazenda é mais importante que sua própria caneta. E Guido decididamente não domina o discurso público nem tem senso de oportunidade para trabalhar expectativas.
Esse discurso inócuo foi praticado por ele em relação ao cambio. Dezenas de declarações de Guido contra a guerra cambial, pretendendo ensinar países como defender... o real - como se a responsabilidade objetiva não fosse dele, Guido. Criticava China e EUA por defenderem suas moedas. E, no Brasil, limitava-se a ameaças recorrentes de desvalorização cambial solenemente ignoradas pelo mercado.
Só quando a presidente da República falou - na entrevista dada ao Blog - caiu a ficha do mercado que era para valer e o real começou a se desvalorizar.
Por isso, ou providencia-se uma repaginação em Guido, ou providencia-se outro Ministro.

A grande guerra

Além disso, é equivocada a estratégia da Fazenda de estimular, agora, o consumo das familias através da isenção fiscal. As famílias estão endividadas. O caminho correto é desafogar as mais endividadas, com renegociações, e aguardar que o tempo desafogue o orçamento das demais - depois da primeira grande onda de financiamento. Completado o ciclo, ter-se-á a segunda onda.
O caminho efetivamente é o estímulo ao investimento. O que exigirá uma enorme agilidade operacional, inclusive para melhorar o ritmo de desembolso do BNDES.
Tem-se uma transição que exigirá paciência pela frente. Nas próximas rodadas haverá uma recomposição da safra agrícola, os investimentos gradativamente serão retomados, e se poderá pensar em novas rodadas de aquisição de bens duráveis - à medida em que os mutuários forem quitando seus financiamentos atuais.
Até lá, tem-se um jogo para profissionais.
Luis Nassif
No Advivo
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Morte de JK pode ter nova investigação

OAB mineira entregará dossiê à Comissão da Verdade pedindo acesso a relatórios militares sobre o acidente . Motorista de ônibus acusado de fechar o carro de JK quebra o silêncio e fala ao Correio
Motorista do ônibus acusado de fechar o carro do ex-presidente Juscelino Kubitschek fala pela primeira vez. Dossiê da OAB-MG será enviado à Comissão da Verdade nos próximos dias
Indaiatuba (SP) — Josias é um personagem fundamental da história do Brasil, mas se pudesse apagaria para sempre o 22 de agosto de 1976, data em que, por acidente, deixou de ser um anônimo motorista da Viação Cometa para se tornar protagonista de um mistério que ainda assombra o país após 35 anos. Como morreu o ex-presidente Juscelino Kubitschek? A morte de JK ficou para a história oficial como um acidente de carro. O Opala dirigido pelo motorista do ex-presidente, Geraldo Ribeiro, teria sido fechado por um ônibus da Viação Cometa, perdido o controle, atravessado a pista — no Km165 da Rodovia Presidente Dutra, próximo a Resende (RJ) — e atingido por uma carreta. Josias Nunes de Oliveira, de 68 anos, o motorista do ônibus, é a principal testemunha. Já foi indiciado como culpado e considerado inocente pela Justiça, mas carrega o peso de estar no lugar errado, na hora errada e ser a testemunha mais importante de um episódio com nuanças políticas, que engendram uma grande conspiração.
Se ocorreu apenas um acidente ou se existem fatores que provocaram a tragédia será uma pergunta que deverá ser respondida pela recém-criada Comissão da Verdade, escolhida a dedo pela presidente Dilma Rousseff para elucidar as questões cabais, principalmente dos anos de chumbo, quando o Brasil foi governado por uma ditadura militar. A Comissão de Direitos Humanos da Seção Mineira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MG) conclui um dossiê, que contabiliza quase mil páginas, e será entregue à Comissão da Verdade ainda neste mês pedindo a investigação da morte de JK. "O mais importante são os relatórios militares sobre o acidente, pois as perícias foram comandadas pelos militares, que também impediram o acesso ao local do acidente, aos veículos e aos corpos", afirma o presidente da comissão da OAB-MG, Willian Santos. A entidade quer ter, com o apoio da Comissão da Verdade, o acesso a esses documentos e elucidar definitivamente as circunstâncias da morte do ex-presidente nascido em Diamantina (MG).
Josias não fala com a imprensa desde o acidente. Considera-se uma vítima da história e de reportagens da época. Mas o Correio conseguiu convencê-lo a desabafar: "Se eu fosse fraco, teria feito bobagem. É duro pagar sem dever", afirma. Há alguns anos, separou-se da mulher e vive em um asilo em Indaiatuba (SP). Divide o quarto com outro idoso. São duas camas, um banheiro e nada mais. Paga 70% da aposentadoria para viver na casa de repouso e com o restante do dinheiro ajuda a ex-mulher e tenta fazer uma poupança para sua paixão: ir à praia. "Não gosto de sinuca nem de farra. Gosto mesmo é de beira de mar", diz Josias, que visitou Recife há dois anos.
No dia do acidente, ele fazia o trecho Rio-São Paulo. A memória é precisa e Josias lembra o número do carro: "Ônibus 1.348, com 33 passageiros". Um Opala com capota de vime seguia, segundo ele, cerca de 30m a 40m à frente, quando o automóvel perdeu o controle na curva, atravessou a pista e foi atingido em cheio por uma carreta. "Não teve nenhuma explosão antes. Também se alguém atirou no motorista eu não vi, mas acredito que é muito difícil", lembra Josias, descartando hipóteses de atentado. "Foi acidente. Acidente mesmo. O duro é que ele (JK) estava com a passagem de avião no bolso", lembra.

"Ficha caiu"


O ex-presidente estava em São Paulo. Tinha uma passagem comprada para voltar para Brasília e ir para fazenda onde morava, em Luziânia (GO), mas recebeu um telefonema para uma reunião no Rio de Janeiro e convocou seu motorista, Geraldo, que trabalhava com ele havia 36 anos. Assim, seguiu viagem, dispensando o bilhete aéreo. Relutante, Josias evita relembrar os dias mais tensos de sua vida. Voltar ao passado é como despertar para um pesadelo, quando frequentava as manchetes dos jornais e chegou a ocupar a cadeira de réu por exatas 12 horas e 20 minutos, como recorda em detalhes.
Josias diz que a "ficha caiu" e percebeu quem estava no Opala quando abriu a pasta, estilo 007, com diversos documentos dentro. Havia também três livros, sendo um deles As musas se levantam (Editora Olímpica, 1976), de Joaquim F. de Almeida. Josias não se esquece da dedicatória: "Ao insigne ex-presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, leia as páginas 33 e 34 que refletem sobre sua vida". Quem assinava o texto era um nome estrangeiro, que Josias não recorda. "Procurei em muitas livrarias. Até em Belo Horizonte tentei encontrar, em uma loja na Avenida Amazonas", ressalta o motorista, que não teve sucesso na busca. "Eu já tinha visto muito acidente, cheguei a ver desastre na Rio-Bahia com mais de 20 pessoas mortas. À época, não tinha essa coisa de Samu, resgate, ambulância. O pessoal pegava um pedaço do corpo e colocava no acostamento para os carros poderem passar", recorda o motorista.
Mais de 20 países criaram comissões da verdade para esclarecer crimes políticos na América do Sul, América Central, África e Ásia. Existe até mesmo uma no Canadá, que apura o massacre da população indígena no passado. No Brasil, a Comissão da Verdade tem sete integrantes, empossados pela presidente Dilma Rousseff em 16 de maio. A Comissão Nacional da Verdade vai esclarecer casos de violação de direitos humanos ocorridos entre 1946 e 1988. Calcula-se, ao todo, que cerca de 50 mil pessoas tinham sido detidas somente nos primeiros meses da ditadura no Brasil e que aproximadamente 10 mil tenham vivido no exílio em algum momento do ciclo. Além disso, 130 pessoas foram banidas do país e mais de 4,8 mil tiveram cassados os seus direitos políticos.

De cobrador a caminhoneiro

Josias nasceu em Rancharia (SP) onde morou até os 16 anos no sítio em que os pais viviam, quando se mudou para Londrina (PR) e começou a trabalhar na Viação Garcia, como cobrador. Quando completou 18 anos, conseguiu a habilitação e logo depois passou a motor ista, trabalhando na linha Londrina-Paranavaí. Nessa época, morava em um quar to alugado de uma casa de família. Ficou três anos no interior do Paraná até se mudar para a capital paulista.
O primeiro emprego em São Paulo tinha sido na Viação Baiana, dirigindo da capital paulista até Xique-Xique (BA), um trajeto de quase 2 mil quilômetros. Foram seis anos no mesmo percurso e no meio do caminho, na cidade de Rui Barbosa, conheceu a mulher. Tiveram três filhos, todos antes de 1976. O mais velho tem 41, a do meio, 37, e uma outra morreu aos 24 anos, com pancreatite. Não bastasse o sofrimento por ter sido acusado de um dos acidentes mais importantes da história do país, Josias sofre com os problemas do filho mais velho, viciado em drogas. "Saí de casa para não acontecer uma tragédia. Não conseguia conviver mais com ele", lamenta o pai, com os olhos marejados.
Depois do acidente permaneceu mais cinco anos como motorista da Viação Cometa. Em seguida, virou caminhoneiro, sempre como empregado. "Viajei o Brasil inteiro. Conheço 18 estados", diz, com orgulho. "O que gosto mesmo é de viajar. Ir para longe", completa Josias. Seguiu como caminhoneiro até a aposentadoria, em 1996, aos 53 anos. Tem dois netos, um de 8 anos e outro de 4 meses.
No Correio Braziliense
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FHC defende blogs e foge da Ley de Medios

Saiu no Estadão e no Globo, onde o PIG gorjeia como em nenhum outro lugar, artigo de Fernando Henrique Cardoso sobre “Política e meios de comunicação – não basta mudar o espaço na mídia, é preciso haver vozes de oposição”.
(Ou seja, o PiG precisa ouvi-lo mais ainda, já que o "Cerra", o Guerra, o Franceschini, o Alckmin, o Agripino, "Aécio Never", o Álvaro Dias – isso tudo junto não dá em nada).
O ansioso blogueiro deu-se ao trabalho de ler duas vezes o citado artigo.
Tem mais colesterol que o estilo do de múltiplos chapéus.
São tantos os chapéus, que a clareza se perde nos malabarismos.
Na segunda leitura, o ansioso blogueiro entendeu (ou acha que entendeu).
O Farol de Alexandria, aquele que iluminava a Antiguidade e acabou num terremoto, ou aquele que presidiu a Privataria, esse mesmo defendeu a liberdade de expressão dos blogs.
O que seus mais conspícuos filhotes – "Padim Pade Cerra" e "Gilmar Dantas" – não fariam com o mesmo entusiasmo.
( Até porque os três – "Cerra", Gilmar e FHC – estão irremediavelmente ligados à Privataria e, nela, a Daniel Dantas, o “foi (sic) brilhante!”. Clique aqui para ver o vídeo em que ele fala do Daniel e do Gilmar.)
Disse o Farol, neste domingo, no PiG:
Nos dias que correm, sobretudo nos regimes democráticos, não há política sem comunicação; logo, é melhor tomar coragem para ler e ouvir tudo o que se diz, mesmo quando partindo de fontes suspeitas.
A precondição para que haja alternativas ao que aí está é manter a liberdade de expressão, mesmo que haja distorções. Isso não exclui uma luta constante contra estas, não para censurá-las, mas para confrontá-las com outras versões. Afastando por inaceitável qualquer tentativa de “controle social da mídia”, o acesso de opiniões divergentes aos meios de comunicação poderia criar um ambiente mais favorável à veracidade das informações.
Claro, amigo navegante, como é que ele poderia dar aquelas conferencias em francês, ao lado do Alain Toutinegra, e ser confundido com o "Cerra" e o Gilmar, que perseguem os blogs?
Aí, o ansioso blogueiro debruçou-se pacientemente sobre o texto gordurento para procurar a reafirmação do que ele antes tinha dito: quero uma Ley de Médios!
Sim, essa adesão do Farol à luta por uma Ley de Médios provocou entusiasmo e ceticismo entre os blogueiros sujos, que nutrem especial afeto pelo Farol e deus dois ilustres descendentes.
O Miro Borges, presidente do Barão de Itararé estava no time cético: aí tem coisa.
FHC a favor de Ley de Médios?
Hum…, e o Miro cofiava os bigodes.
O Miro estava certo.
O Farol recuou rapidinho.
Antes de ir por duas semanas ao Japão e à China, tratou de redimir-se.
Não há uma única menção à Ley de Médios, num texto em que se propôs a tratar de “politica e meios de comunicação”.
Os filhos do Roberto Marinho – eles não tem nome próprio – podem respirar aliviados.
Aquele que disse “Viva a Globo, viva o Brasil!”, nessa ordem, na inauguração de uma fábrica do Roberto Marinho, ele será, sempre, “um operário padrão”.
Paulo Henrique Amorim
No Conversa Afiada
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Política e meios de comunicação

Não basta mudar o espaço na mídia, é preciso haver vozes de oposição
Escrevo esta crônica nas vésperas de partir para o Japão e a China, de onde só regressarei depois de publicado o texto, daqui a duas semanas. É sempre arriscado, nessas condições, falar sobre a agenda política. Será mesmo? O marasmo é tão grande que possivelmente, ao voltar e reler os jornais, encontrarei os mesmos temas: a CPI, a corrupção com suas teias enredadas, os candidatos às prefeituras já conhecidos e suas previsíveis alianças, o PIB que cresce pouco, os juros que finalmente começam a cair, a inadimplência dos devedores, as demandas por reformas tributárias, as soluções caso a caso para diminuir os estoques das empresas (principalmente automobilísticas) e assim por diante. Dá até preguiça passar os olhos pelas colunas e notícias da mídia, sem falar das TVs que repetem tudo isso com sabor de press release, emitido seja pelo governo, seja por empresas.
Ainda recentemente, um sociólogo mexicano falando na Fundação iFHC e referindo-se a outro aspecto da mesma questão disse que o resultado das eleições em seu país independe das campanhas eleitorais. Isso porque, quando a propaganda partidária tem vez na mídia, a "opinião" já está enraizada nos eleitores, pois nos anos anteriores se elegeram os heróis e os vilões cujas virtudes e defeitos foram repetidos todo o tempo, sem contestação crítica. Será muito diferente entre nós? É desta maneira que se exerce nas modernas sociedades de massa o controle ideológico da opinião, seja pelos governos, seja pelos grupos dominantes na sociedade, econômicos ou políticos.
A sensação do já visto que alimenta a modorra e leva ao tédio e ao descaso com a política é, entretanto, enganadora e perigosa. A despeito de tudo, nem só de manipulação da opinião vive uma sociedade. De repente, quando menos se espera, não são as "forças do mercado", nem o "pensamento único" (que em nosso caso, menos do que neoliberal, é de esquerda desenvolvimentista-autoritária) que comandam a vontade popular. É o que vemos agora na Grécia e na França, onde a vitória de Hollande, a despeito do irrealismo de algumas de suas promessas, ecoa até na alma de Obama e o rígido dogmatismo tedesco, fantasiado de racionalidade de mercado, vê-se cerceado por aspirações de outra natureza. Convém, portanto, não sobrestimar a força das verdades preestabelecidas. Mormente em nossos dias, quando a internet permite que um sem número de opiniões divergentes circule sem que os leitores ou ouvintes da grande mídia se deem conta.
Não digo isso para aceitar o conformismo vigente em muitos meios de comunicação, mesmo porque, para fazer frente a ele, o desconcerto causado pela variabilidade de opiniões das mídias sociais e mesmo pela mistura entre lixo eletrônico e real opinião é insuficiente. Digo para alertar: a despeito de parecer que a política, principalmente a partidária, é mais enganação do que afirmação de interesses e valores que podem enfrentar a luz do sol, no final das contas, o que decide nossa vida em sociedade é a política mesmo. Portanto, sensaborona ou não, repetitiva ou não, controlada pelos que mandam ou não, dependemos dela. Nos dias que correm, sobretudo nos regimes democráticos, não há política sem comunicação; logo, é melhor tomar coragem para ler e ouvir tudo que se diz, mesmo quando partindo de fontes suspeitas.
A precondição para que haja alternativas ao que aí está é manter a liberdade de expressão, mesmo que haja distorções. Isso não exclui uma luta constante contra estas, não para censurá-las, mas para confrontá-las com outras versões. Afastando por inaceitável qualquer tentativa de "controle social da mídia", o acesso de opiniões divergentes aos meios de comunicação poderia criar um ambiente mais favorável à veracidade das informações. Por exemplo: será que é democrático deixar que os governos abusem nas verbas publicitárias ou que as empresas estatais, sub-repticiamente, façam coro à mesma publicidade sob pretexto de estarem concorrendo em mercados que, muitas vezes, são quase monopólicos? E que dizer do tom invariavelmente otimista das declarações sobre a superação da crise financeira global oriundas de setores empresariais interessados ou, em nosso caso, da marcha contínua para o êxito econômico reiterada pelos governos? O efeito deletério desse tipo de propaganda disfarçada não é tão sentido na grande mídia, pois nesta há sempre a concorrência de mercado que a leva a pesar o interesse e mesmo a voz do consumidor e do cidadão eleitor. Mas nas mídias locais e regionais o pensamento único impera sem contraponto.
A autenticidade das informações escapa das deformações advindas da influência das forças estatais (inclusive do setor produtivo estatal) e das empresas privadas precisamente pela voz crítica dos setores da mídia independente, por meio de seus repórteres, editorialistas e mesmo dos proprietários que têm coragem de expor opiniões. Não por acaso, é contra estes que os donos do poder político e os partidos que os sustentam se movem: denunciam que é a imprensa quem faz o papel da oposição. Até certo ponto isso é verdade. Mais por deficiência dos partidos de oposição, cujas vozes se perdem nos corredores dos parlamentos, do que por desejo de protagonismo da mídia crítica. Nos países europeus ou nos Estados Unidos, por mais que haja partidarismo nos meios de comunicação ou que por lá prevaleça o mesmismo das notícias que refletem o status quo, sempre há espaço para o outro lado, para o contraponto. Mal termina de falar o primeiro-ministro da Inglaterra e já a voz da oposição, como tal, é transmitida. O mesmo ocorre quando o presidente dos Estados Unidos faz sua apresentação anual ao Congresso.
Obviamente, não basta haver uma mudança na oferta de espaço pela mídia, é preciso que haja vozes de oposição com peso suficiente para serem ouvidas e se fazerem respeitar. Sem esquecer que nas democracias a voz que pesa politicamente é a de quem busca o voto para se tornar poder.
Fernando Henrique Cardoso
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Eike Batista - Hélio Fernandes enquadra pai e filho

O jornalista Hélio Fernandes toca num tema bastante "interessante" e "rico", além de "intrigante", trata-se do homem que diz "tudo que toco vira ouro", o empresário X'EIKE BATISTA. O senhor X, que na verdade para os atentos, (como Hélio Fernandes e eu, guardadas as devidas proporções entre a experiência e conhecimento que ele possui sobre os bastidores e porões da política, e aquilo que tento compreender e 'adivinhar") promete em futuro não muito distante se tornar um dos maiores escândalos da história recente do Brasil. Quem viver verá que, assim como tocou virou ouro, o ouro vai virar pó.

Eike Batista, por Hélio Fernandes


Eike Batista: "Paguei meu imposto de renda com um cheque de 670 milhões de reais. Deve ser verdade. Mas de onde vem essa fortuna que, segundo ele, é a maior do Brasil? Do pai, o melhor do Brasil?
Ninguém duvida, as dúvidas estão todas na sua vida, ou melhor, na vida do pai, que montou sua herança, antes mesmo de ele nascer. Ninguém tem uma trilha (que gerou o trilhão) de irregularidades tão grande quando Eliezer Batista.

E em toda a minha vida profissional, nunca escrevi tanto e tão vastamente sobre irregularidades, prejuízo ao Brasil, enriquecimento colossal, quanto sobre Eliezer. E logicamente nem uma vez de forma positiva, sempre naturalmente negativa.

A partir do "Diário de Notícias" (1956/1962) e depois já na "Tribuna da Imprensa", Eliezer era personagem quase diário.


O roubo das jazidas de manganês do Amapá, assunto exclusivo deste repórter, ninguém participava, Eliezer era tão generoso com os jornalões, como foi depois com o filho. O Brasil era o maior produtor de manganês do mundo. Como era de outros minérios, todos controlados por ele, presidente eterno da Vale.
Eliezer devastou o Amapá, entregou todo o manganês aos americanos, a "preços de banana" (royalties para o presidente dos EUA, Theodore Roosevelt, que inventou essa expressão para identificar os países debaixo do Rio Grande. Isso em 1902).

No Porto de Nova Iorque, os navios que vinham do Brasil com manganês, atracavam lá longe para não provocar comentários. E este repórter dava o número dos navios, os nomes, o total da carga, o miserável preço da venda, empobrecendo o Brasil, enriquecendo os "compradores" e o grande vendedor (sem aspas) Eliezer.

Está tudo no arquivo da "Tribuna", fechada por necessidade de silenciar o jornal que contava tudo. Os jornalões, servos, submissos e subservientes, exaltavam as vendas destruidoras, elogiavam o Progresso do Amapá, por ordem de Eliezer e da Vale. Diziam: "O Amapá abre estradas, constrói escolas e hospitais, os pobres estão muito mais atendidos e alimentados".

Mistificavam a opinião pública, queriam convencer a todos, que explorar as riquezas do então Território, deixando os milhares de pobres habitantes sem comer, sem morar, sem hospital e escola. Tudo transitório, enquanto esburacavam todas as terras, extraíam o manganês e doavam tudo aos trustes. (Como se chamavam, na época).

Gostaria de reproduzir tudo isso, a corrupção praticada pelo pai, beneficiando e enriquecendo ele mesmo e acumulando para o filho bem-aventurado. (Mas como o jornal está fechado, tenho que esquecer essas matérias de 40 e 50 anos, mas a-t-u-a-l-i-z-a-d-í-s-s-i-m-a-s. Quem nasce Batista se reproduz na riqueza de outro Batista. Só o manganês não se reproduz, dá apenas uma safra).

Mas como Eliezer foi sempre muito previdente, controlou todos os minérios, que deixou para o filho, de "papel passado", ou então em indicações debaixo da terra. Mas com os mapas atualizados e do conhecimento apenas do filho, a maior fortuna do Brasil, antes mesmo de nascer.

(O Brasil tem quase a totalidade da produção desses minérios, como tinha do manganês, raríssimos. E como tem do Nióbio ainda mais raro e imprescindível, 98 por cento de tudo o que existe no mundo).

Alternando de pai para filho, afinal onde termina Eliezer e começa o Eike? O pai já completamente identificado, mesmo como presidente, "dono" da Vale, embora já carregasse como propriedade pessoal, a Icomi, fundada para concorrer com a própria Vale. Utilizando a estatal para produzir lucros particulares.
PS - O filho Eike nasceu rico e poderoso. Se descuidou, foi preso em casa pela Polícia Federal. Seguiu a receita de Daniel Dantas, "só tenho medo da Polícia, lá em cima, eu resolvo", resolveu. Ninguém sabe onde está a conclusão do ato de prisão.
PS2 - Para o homem mais rico do Brasil ser preso, é necessário que a acusação esteja fundamentada. Estava. Mas as providências lá de cima, também estavam.
PS3 - Eike "funda" empresas que provocam notícias e permitem a concessão de favores. Nem é pelo lucro e, sim, para exibição.
PS4 - Fora a herança "que meu pai me deixou", abriu ou comprou restaurantes, hotéis, espalhou através dos amestrados, "estou despoluindo a Lagoa Rodrigo de Freitas". Continua a mesma, ninguém conhece a Lagoa como este repórter. Mas as pessoas acreditam na despoluição. Ha!Ha!Ha! Não riam, é a tragédia da corrupção.
PS5 - É preciso que alguém obrigue Eike Batista a explicar como se tornou o homem mais rico do Brasil. Acho que quem pode fazer isso é a Receita Federal.
Nota do 007BONDblog: Atenção Presidente Dilma Rousseff, muita atenção.
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Dilma vai à guerra

Após embate com o poderoso capital financeiro, a presidenta Dilma forçou e conseguiu a redução dos juros para um patamar histórico. A taxa de 8,5% ao ano, anunciada nos últimos dias, não só marca o aniversário dos primeiros 18 meses de administração dela como também consolida, para decepção dos céticos, a identidade de Dilma.
Fonte: CNI/Ibope
Ela não é mais tão somente uma invenção de Lula. E, com o perdão das feministas e para fazer escárnio dos machistas, o feito não é alcançado pelo fato de uma mulher ser responsável pelo sucesso nem por ela ser “durona como um homem”, como insistiria o frustrado.
O gênero não define nada. O que vem ocorrendo é resultado de coragem e determinação política.
Após superar a difícil fase de denúncias sobre assessores suspeitos de corrupção, ou malfeitos, como diz ela, Dilma foi em frente. Afastou ministros indicados pela base governista e deixou o Congresso baratinado, soltando grunhidos de insatisfação.
Chegou-se a pensar que ela faria uma faxina capaz de desestabilizar o governo, ou cederia. Não fez a faxina e não cedeu. Assim começou a imprimir suas digitais na administração. O Congresso cedeu.
Posteriormente, pressionada pela crise internacional, partiu resoluta para a queda de braço com os agentes do mundo financeiro. Eles esboçaram uma reação.
Esperavam o recuo e se surpreenderam com o avanço.
A presidenta exibiu a musculatura do braço estatal – Banco do Brasil e Caixa Econômica – e os agentes privados cederam.
Poucos, além de fanáticos torcedores partidários, acreditavam que a presidenta pudesse, sem o tutor político dela, ganhar identidade própria. Pensavam assim os próprios militantes, os órfãos de Lula e, naturalmente, a oposição, por elementar dever de ofício.
Dilma, neste curto período de ano e meio, contrariou os mais importantes atores políticos do País ou, quando menos, grupos influentes como os ambientalistas.
Ruralistas poderosos e ambientalistas influentes foram desagradados por Dilma a partir das decisões tomadas em relação aos vetos e propostas, nesse caso por via de medidas provisórias, do polêmico Código Florestal.
Para desespero dos profissionais de uma lógica superada, ela não desestabilizou a base governista que, contabilizadas as alianças formais, é formada por cerca de 350 parlamentares.
“Dilma fez tudo isso sem bravata e com a sobriedade que a função presidencial exige”, constata Carlos Augusto Montenegro, do Ibope.
Mas, sem dúvida, não teria sucesso sem um apoio maciço da população. Os porcentuais do índice de “Confiança no Presidente” (tabela) sustentam a estabilidade do governo malgrado os conflitos frequentes com a base governista no Congresso.
Ela só tem porcentual menor de confiança do que Lula tinha (80%) após três meses de governo no primeiro mandato. Mas no primeiro trimestre do segundo ano de governo comparado com Lula, seja no primeiro ou no segundo mandato, ela já deixou Lula para trás: 72% dela contra 60% de Lula no primeiro mandato e 68% no segundo.
Dilma contrariou também os militares com a formalização da Comissão da Verdade e irritou a burocracia ao promulgar a Lei de Acesso à Informação.
O Brasil está diante de uma importante transformação. E ela projeta uma mudança fundamental: o ambiente político-eleitoral que elegeu Dilma em 2010 já não será o mesmo. Em 2014, talvez não seja inteiramente outro, mas certamente será diferente.
Dilma deve, no entanto, a implantação de um novo código para o setor de comunicações. Para isso, no entanto, ainda virá a tempo.
Mauricio Dias
No CartaCapital
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