1 de jun de 2012

MP: há provas ‘contundentes’ do mensalão mineiro

Testemunhas são ouvidas no Fórum de Belo Horizonte e promotor anexa documentos que mostram movimentação financeira entre estatais, as agências SMP&B e DNA e a campanha de Eduardo Azeredo (PSDB) ao governo mineiro
O ano era 1998 e o hoje deputado federal Eduardo Azeredo, do PSDB, tentava se reeleger governador de Minas Gerais. Perdeu para o ex-presidente Itamar Franco. Mas os fantasmas daquela eleição até hoje assombram Azeredo. Teria sido o precursor do chamado mensalão, o uso de recursos de empresas públicas para pagamento de campanhas, com uso de agências de publicidade mineiras. Um recurso que depois seria usado, em escala nacional, também pelo PT.
O Ministério Público mineiro defendeu nesta quinta-feira que existem “provas contundentes” da existência do mensalão mineiro. O processo corre na 9ª Vara Criminal do Fórum de Belo Horizonte e teve documentos anexados pelo promotor de Defesa do Patrimônio Público, João Medeiros, que comprovariam a movimentação financeira entre estatais mineiras, as agências de publicidade SMP&B e DNA e a campanha de Azeredo. “Temos perícias que demonstram a saída de recursos das empresas do estado para a campanha, via SMP&B e DNA”, diz Medeiros, ouvido pela repórter Amália Goulart, do jornal Hoje em Dia.
Esse dinheiro teria saído principalmente da Copasa, estatal de saneamento mineira, repassados às empresas de Marcos Valério, um dos donos das agências de publicidade e finalmente chegado à campanha tucana em Minas.
Entre os réus está o próprio Marcos Valério, o então tesoureiro da campanha, Cláudio Mourão, e o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia, atual presidente do PSB em Minas Gerais, que seria o coordenador da campanha de Azeredo - Walfrido nega. A defesa do ex-ministro alega que ele não participou da campanha. A de Valério, que o empresário não recebeu dinheiro público.
Azeredo, como é parlamentar, não é citado como réu no processo. O foro privilegiado dá a ele direito de ser julgado apenas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
No 247
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O artigo 54 da Constituição, o ministro e os blogues

“A quantidade de jornais e TVS nas mãos de políticos põe em dúvida a contribuição desses meios de comunicação para a democracia brasileira” - (Frase de Humberto Dantas - doutor em ciência política pela USP - para a revista Ética)
Ontem tivemos o brinde do dia. As declarações do Ministro Gilmar Mendes - leia aqui - , que vai acionar a justiça para contestar patrocínios concedidos por empresas estatais aos chamados "blogs sujos"; obrigando assim que empresas estatais deixem de "patrocinar ataques às instituições".

Amnésia do "coronel" sobre o artigo 54 da Constituição/88

No entanto, o ilustre "alcaide das leis" - fez vistas grossas até aqui, pelo "estupro" que vem sofrendo a Constituição Federal, em seu artigo 54, que proíbe deputados e senadores, desde a expedição do diploma, de possuirem concessões de rádio e TVs. O dispositivo também proíbe que parlamentares sejam "proprietários, controladores ou diretores de empresa que goze de favor decorrente de contrato com pessoa jurídica de direito público". No artigo 55, a Constituição prevê a perda do mandato do congressista que desobedecer a qualquer uma das proibições do artigo 54.

Observem aqui, o que Gilmar "nunca percebeu"

No Brasil, 271 políticos são sócios ou diretores de 324 veículos de comunicação. O Projeto Donos da Mídia cruzou dados da Agência Nacional de Telecomunicações com a lista de prefeitos, governadores, deputados e senadores de todo o país para mapear quais deles são proprietários de veículo de comunicação. Nesta página, o usuário encontrará gráficos estatísticos e as listas dos políticos separados por cargo, partido, localização ou tipo de veículo. O gráfico ao lado mostra o número de políticos sócios divididos por cargo.

Dos 271 veículos, como estão distribuídos por partido político:

DEM (58 = 21,4%); PMDB (48 = 17,71%); PSDB (43 = 15,87%); PP 23 = 8,49%); PTB 16 = 5,9%); PSB 16 = 5,9%); PPS 14 = 5,17%); PDT 13 = 4,8%); PL 12 = 4,43%); PT 10 = 3,69%); PMN 04 = 1,48%); PRTB 03 = 1,11%); PSDC 02 = 0,74%); PV 02 = 0,74%); PTdoB 02 = 0,74%); PRP 01 = 0,37%); PAN 01 = 0,37%); PRB 01 = 0,37%); PSC 01 = 0,37%).

Veículo de comunicação ligados ao PT

Tenho que ressaltar (textualmente) aqui, que nem o Partido dos Trabalhadores, escapa a sanha de desrespeitar a Constituição de 1988, que segundo o portal Donos da Mídia, compõe tristemente a lista, com 10 veículo de comunicação, - leia aqui - nas mãos dos seguintes políticos:
1) - Antonio Carlos de Pádua Alves, Prefeito de Serranos (MG), dono da Rádio Quintal do Samba - em Viçosa - MG. 
2) - Carlos Borges Garcia, Prefeito de Bom Jesus do Itabapoana (RJ) - dono da Rádio Difusora Vale do Itabapoana. 
3) - Hugo Canellas Rodrigues Fº , Prefeito de Iguaba Grande (RJ) - dono da Rádio Translago - JUNIG - de Iguaba Grande. 
4) - João Alves da Silva, Prefeito de Sucupira (TO), dono a Rádio FM Sergipe - Aracajú (SE) - TV Record de Salvador (BA), e TV Sergipe - Aracajú (SE). 
5) - João de Deus Souza, Deputado Estadual (PI) - dono da Rádio Clube AM e TV Clube de Teresina (SE). 
6) - José Carlos da Silva, Deputado Estado (BA) - dono da Rádio 87 FM de Votuporanga - (sp). 
7) - José Nunes de Oliveira, Prefeito de São João das Missões (MG), dono da Rádio Salamanca de Barbalha, em Barbalha (CE). 
8) - Ronaldo Lopes Correa, Prefeito de Manhumirim (MG) - dono da Fundação Bom Jesus de Manhumirim. 
9) - Waldenor Alves Pereira Fº, Deputado Estadual - dono da Rádio Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB - Vitória da Conquista (BA). 
10) Geraldo Magela, Deputado Estadual (DF), dono da Rádio Difusora de Nova Serrana (DF).

A comunicação do governo antes e depois de Lula

A grita que se ouve hoje, em especial da chamada "grande mídia" é pelo simples fato, do bolo publicitário, era dividido em meia dúzia de apaniguados leia-se: (GAFE: Globo, Abril, Folha, Estadão), e as migalhas que sobravam, era rateada com o resto.
No ano passado, o orçamento da União teve R$ 626,4 milhões para gastos com publicidade dos atos do poder público. Até setembro, foram pagos R$ 300,5 milhões, sendo R$ 81,2 milhões em publicidade institucional e R$ 219,3 milhões na área de utilidade pública.
Lula para o desgosto da grande mídia, inteligentemente, pulverizou a distribuição de verbas com publicidade, pelo Brasil inteiro. Para se ter uma idéia, em seu primeiro mandato, em 2003, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, enviou recursos de propaganda oficial para 499 veículos. Em 2010 a marca atingiu 8.094 empresas, e focou um volume maior para as emissoras de rádio, aquelas que tem penetração nos fundões do país. Em 2003, Lula direcionou verbas para 500 rádios, já em 2010, esse número pulou para 2.800. Além do governo direcionar melhor as verbas, atingiu muito mais gente, pois em cidades pequenas, esses veículos de comunicação, falam direto com a população.
Essa distribuição de verbas de publicidade, já foi alvo de muita reclamação, em especial, entre os "apaniguados" acima citados, pois sofreram um abalo significativo em suas contas, pois um dos maiores anunciantes,  sempre foram os governos, tanto o federal, como os locais. O governo Lula, inverteu prioridades, e fez a alegria dos pequenos veículos de comunicação, na nunca viram nem o cheiro de verba pubicitária do governo federal.

Família de Gilmar Mendes é dona de TV em Diamantino (MT)

Estou rezando para que Gilmar Mendes faça a denúncia, e mais uma vez, dará um tiro no pé, uma vez que acertará tanto quando o de seus amigos, pois "A TV Diamante", retransmissora do SBT, - veja aqui - é, acreditem, uma concessão de TV educativa apropriada por uma universidade da família do ministro,- leia aqui - que não posso afirmar categoricamente, mas deve receber verbas públicas de publicidades.
Portanto, acho pouco provável que ele leve essa sandice à frente, pois o feitiço irá virar contra o feiticeiro, e mais uma vez, ele expõe a Corte máxima do país, a um ridículo, rebaixando ainda mais a moral do judiciário que anda tão combalido.
Tudo isso, como já disse, só tem precedentes aqui em Pindorama, tudo vira uma grande fofoca, e sempre patrocinada por aqueles que "se julgam acima da lei" - e assim tem sido com Gilmar Mendes, e toda a chamada grande imprensa do país, a ponto da revista Veja se envolver com a contravenção, fabricando factóides, derrubando ministros...
Perseguir blogueiros, e poupar a sí próprio, bem como políticos donos de jornais, rádios e Tvs, é o escárnio que está faltando nesse espetáculo circense.
No Blog do Paulinho
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A Rota da imprensa

Colunistas de Veja.com, Reinaldo Azevedo e Augusto Nunes, em artigos sucessivos, exigem para Lula o mesmo que a ditadura militar determinou a ele em 1980: prisão; o primeiro quer até quatro anos; seu vizinho, algemas; eles merecem rodar ao volante e na janelinha de uma viatura da Rota
A partir de 19 de abril de 1980, em plena vigência da ditadura militar, no plantão de João Figueiredo e sob a custódia do delegado Romeu Tuma, Luiz Inácio Lula da Silva passou 30 dias no xadrez do temido Dops – o Departamento de Ordem Política e Social. A ditadura acabou, Figa e Tumão morreram e o Dops foi extinto. Mas há quem continue querendo mandar Lula para trás das grades outra vez. Mais precisamente, e não por coincidência, dois dos mais hidrófobos colunistas de Veja.com: Reinaldo Azevedo e Augusto Nunes, vizinhos de página virtual.
Cada um ao seu modo, Azevedo com seus jatos biliáticos e Nunes usando e se lambuzando de adjetivos, eles partiram de dois fatos isolados, sem dúvida protagonizados por Lula, para embicarem seus leitores na rota do autoritarismo. Ao mesmo tempo investigadores e juízes, fizeram como se estivessem um ao volante de uma daquelas antigas viaturas da Rota, e o outro na janelinha, para exigirem cadeia sem recurso para o que entenderam como crimes de Lula.
Reinaldo enxergou na conversa reproduzida à Veja pelo ministro Gilmar Mendes, do STF, e negada à revista pelo ex-ministro Nelson Jobim, um verdadeiro atentado de Lula sobre a autonomia do Supremo – ainda que o próprio Mendes, em sua versão atrasada em 30 dias sobre o fato, mal tenha sido enfático sobre a pressão que sobre ele teria sido praticada. Para o colunista, no entanto, Lula deveria ser enquadrado imediatamente no Código Penal como quem tentou obstruir a Justiça e, assim, amargar uma pena de até quatro anos de cadeia.
Nunes, cuja pena claudica à direita num movimento que pode manchar de maneira indelével sua biografia de jornalista centrado, é sempre mais engraçado que Reinaldo, além de ter um estilo incomparavelmente melhor. Mas igualmente escorregou para a pressa e o açodamento, ao enxergar na entrevista de Lula ao Programa do Ratinho um ataque do ex-presidente à legislação eleitoral que mereceria não menos que a humilhante prisão em flagrante com algemas. Nada de reprimendas, multas ou até mesmo a cassação do candidato beneficiado, mas cadeia, xadrez, xilindró. É autoritarismo demais, né, não?
O problema dos dois colunistas não está em seu posicionamento político. Eles podem, é claro, escrever o que quiserem – a tela do computador, afinal, aceita tudo. Mas ao usarem o poder de crítica para pedir a ultrapassagem de todo os ritos democráticos legais existentes na sociedade para tratar de casos como os mencionados – e levar Lula direto de volta para a cadeia -, do primeiro ao quinto se associaram ao que a ditadura fez com o ex-presidente. O pior é que nessa Rota da imprensa ainda tem mais gente querendo entrar para fazer patrulha. Hoje, como dantes, Lula ainda incomoda demais.
No 247
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Charge online - Bessinha - # 1274

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As confissões de Pagot

Em entrevista à IstoÉ, o ex-diretor do DNIT, hoje consultor, denuncia caixa 2 na campanha do PSDB e conta que, em 2010, quando estava na direção do órgão, arrecadou junto às empreiteiras para a campanha do PT
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"Todos os empreiteiros do Brasil sabiam que o
Rodoanel financiava a campanha do Serra"
Luiz Antônio Pagot
Desde o início do ano, o ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) Luiz Antonio Pagot tem prestado consultoria em projetos de navegação fluvial. Os negócios vão bem, mas a incursão no setor privado ainda não foi suficiente para apagar a mágoa que guarda pela maneira como deixou o governo, no rastro do escândalo de corrupção no Ministério dos Transportes. Casado, pai de uma filha, o economista, que é oficial reformado da Marinha, considera-se um técnico competente, de confiança, e diz que nutria pelo governo uma fidelidade quase canina.
Mas a demissão, que classifica como “traição mortal”, alimenta agora um sentimento de vingança. E motivou Pagot, nos últimos dois meses, a fazer uma série de depoimentos à IstoÉ. Em três encontros com a reportagem num hotel em Brasília, todos gravados, Pagot contou detalhes sobre a forma como, no exercício do cargo, foi pressionado pelo governo de José Serra a aprovar aditivos ilegais ao trecho sul do Rodoanel.
A obra, segundo ele, serviu para abastecer o caixa 2 da campanha de José Serra à Presidência da República em 2010. “Veio procurador de empreiteira me avisar: ‘Você tem que se prevenir, tem 8% entrando lá.’ Era 60% para o Serra, 20% para o Kassab e 20% para o Alckmin”, disse Pagot.
Nas conversas, Pagot também afirmou ter ouvido do senador Demóstenes Torres um pedido para que o ajudasse a pagar dívidas de campanha com a Delta com a entrega de obras para a construtora. Mas nem o aditivo de R$ 260 milhões para o trecho sul do Rodoanel foi liberado pelo DNIT – embora tenha sido pago pelo governo de São Paulo – nem o favor a Demóstenes foi prestado, segundo Pagot.
Porém, ele não resistiu ao receber uma missão do comitê de campanha do PT durante as eleições de 2010. Pagot disse que, quando ocupava a diretoria do órgão que administrava bilhões em obras públicas em todo o País, recebeu do tesoureiro da campanha do PT, deputado José De Filippi (SP), um pedido para arrecadar recursos junto às empreiteiras. “Cada um doou o que quis. Algumas enviavam cópia do boleto para mim e eu remetia para o Filippi. Outras diziam ‘depositamos’”, afirmou. As doações, no entanto, teriam sido feitas pelas vias legais, de acordo com o ex-diretor do DNIT.
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CAIXA 2
Segundo Pagot, empreiteiro confirmou que 8% da verba para o trecho
sul do Rodoanel era desviada para a candidatura de Serra ao Planalto
Os segredos que Pagot guardava até agora ajudam a explicar por que a CPI do Cachoeira adiou deliberadamente sua convocação.
Ele diz que está pronto para falar tudo e desafia: “Duvido que me chamem. Muitos ali têm medo do que posso contar.”
Nas entrevistas Pagot forneceu detalhes dos encontros com o tesoureiro do PT, José De Filippi. Ele contou que, em meados de 2010, foi chamado ao QG petista, no Lago Sul, onde foi apresentado a Filippi, que lhe pediu ajuda para passar o chapéu entre as empreiteiras. Dias depois, revelou, os dois voltaram a se reunir no DNIT, onde Pagot lhe apresentou uma lista com cerca de 40 empreiteiras médias e grandes que tinham contrato com o órgão.
Ao analisar hoje a prestação de contas da campanha, Pagot identifica ao menos 15 empresas que abasteceram a campanha do PT a pedido seu: Carioca Engenharia, Concremat, Construcap, Barbosa Mello, Ferreira Guedes, Triunfo, CR Almeida, Egesa, Fidens, Trier, Via Engenharia, Central do Brasil, Lorentz, Sath Construções e STE Engenharia. Elas doaram cerca de R$ 10 milhões, segundo a prestação de contas apresentada pelo PT ao TSE. Filippi disse que realmente foi apresentado a Pagot no comitê da campanha durante o primeiro turno da eleição.
“Mas a conversa tratou da proposta de Pagot de a campanha receber três aviões do Blairo Maggi”, disse Filippi, que negou ter recebido boletos de depósitos. “Num segundo encontro, depois da eleição de Dilma, ficou acertado que Pagot buscaria recursos para saldar dívidas da campanha eleitoral”, admite Filippi.
"Teve uma reunião no DNIT. O Paulo Preto (diretor da Dersa) apresentou
a fatura de R$ 260 milhões. Não aceitei e começaram as pressões"

Luiz Antônio Pagot
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PRESSÃO
Em 2009, o então diretor da Dersa, Paulo Preto, solicitou
uma audiência no DNIT. Queria um aditivo para o Rodoanel
Com os tucanos paulistas foi diferente. Os pedidos eram para um caixa 2 e ele se recusou a atendê-los. Pagot contou que recebeu pressões para liberar R$ 264 milhões em aditivos para a conclusão do trecho sul do Rodoanel.
Segundo ele, em meados de 2009, o então diretor da Dersa, empresa paulista responsável pelas estradas, Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, solicitou uma audiência no DNIT. Levou assessores, engenheiros e um procurador para tentar convencer Pagot a liberar a quantia. Até então, a obra tinha consumido R$ 3,6 bilhões, sendo R$ 1,2 bilhão em repasses da União.
Acompanhado do diretor de Infraestrutura Rodoviária, Hideraldo Caron, Pagot disse que o governo não devia mais nada à Dersa. Quarenta dias depois, houve nova reunião, no Palácio dos Bandeirantes, na qual tentaram recolher sua assinatura num Termo de Ajuste de Conduta (TAC), apresentado pelo Ministério Público Federal.
“A partir daí começaram as pressões”, diz Pagot. Ele diz que recebia telefonemas constantes, não só de Paulo Preto, mas do deputado Valdemar Costa Neto (PR/SP), do ministro Alfredo Nascimento e de seu secretário-executivo, hoje ministro Paulo Sérgio Passos. O caso foi parar no TCU, que autorizou a Dersa a assinar o TAC, condicionando novos aditivos à autorização prévia do tribunal e do MP. Pagot recorreu à AGU, que em parecer, o liberou de assinar o documento.
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ARRECADAÇÃO PETISTA
De acordo com Pagot, o tesoureiro do PT, José De Filippi,
pediu para ele arrecadar junto às empreiteiras
Em meados de 2010, almoçando uma dobradinha no tradicional restaurante Francisco, em Brasília, o procurador de uma empreiteira adicionou para Pagot um elemento novo à já suspeita equação do Rodoanel.
O interlocutor, segundo o ex-diretor do DNIT, revelou que no convênio haveria um percentual para abastecer a campanha de Serra. “Aquele convênio tinha um percentual ali que era para a campanha. Todos os empreiteiros do Brasil sabiam que essa obra financiava a campanha do Serra”, disse. Consulta ao TSE mostra que o comitê de Serra e do PSDB receberam das empreiteiras que atuaram no trecho sul do Rodoanel quase R$ 40 milhões, em cifras oficiais. O representante de uma empreiteira que participou do Rodoanel confirmou à ISTOÉ que manteve contatos com Pagot reivindicando o aditivo.
Questionado, Valdemar Costa Neto confirmou os contatos. Disse que atua “junto à administração pública em favor da liberação de recursos para investimentos que beneficiem” sua região. Nascimento, por sua vez, admitiu ter sido procurado por dirigentes do governo de São Paulo para discutir o aditivo, mas garante que refutou o pedido. Passos negou qualquer pressão.
"Apresentei para Filippi (tesoureiro do PT) uma lista
de 40 empresas. Tinha que ter volume"

Luiz Antônio Pagot
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RESPALDO
A AGU, de Luis Adams, liberou o DNIT de assinar o aditivo para obra em São Paulo
A metralhadora giratória acionada por Pagot também atinge a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti.
Ele diz que, em 2010, quando Ideli era candidata ao governo de Santa Catarina, ela pediu uma audiência no DNIT para tratar de três convênios do órgão no Estado, e, ao final do encontro, solicitou que a ajudasse também na arrecadação de recursos. “Ela queria que eu chamasse as empreiteiras e pedisse para pôr dinheiro na campanha dela”, afirma. Como se negou a ajudá-la, Pagot acha que Ideli ficou ressentida e passou a miná-lo quando chegou ao Planalto. Por meio de nota, Ideli negou que tenha recorrido a Pagot para solicitar recursos.
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VERBA PARA A CAMPANHA
Então candidata ao governo de Santa Catarina,
Ideli Salvatti também teria recorrido a Pagot
Mas as pressões em cima do diretor do DNIT não vinham apenas do PT e do PSDB. Outra confissão de Pagot diz respeito a um jantar que teve com Demóstenes (ex-DEM) e a cúpula da construtora Delta no ano passado. Ao final do encontro, Demóstenes teria chamado Pagot para uma conversa privada, num cômodo de sua casa. Na conversa, Demóstenes disse que estava com dívidas com a Delta e que precisava “carimbar alguma obra para poder retribuir o favor” que a construtora fez para ele na campanha. Como se vê, o DNIT era um tesouro cobiçado por muita gente.
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Claudio Dantas Sequeira
No IstoÉ
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Nem Noblat respeita Gilmar “Dantas”

Quem me chamou a atenção foi Marcel Moreira que, igualmente, fez os prints e encaminhou as imagens.
A coisa tá muito feia para o lado dos rincões dos Mendes, Noblat pela segunda vez chama Gilmar Mendes de Gilmar Dantas, o ato falho é freudiano:


No Maria Frô
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Gilmar Mendes: O Ministro-Instituição Fora de Controle

Fato 1: Gilmar Mendes aparenta estar desesperado.
Fato 2: Gilmar Mendes desesperado lembra o desespero de Serra na reta final das eleições em 2010.
Ele está descontrolado
O que aflige o coração do supremo ministro (ou seria o ministro do supremo)?
Por que atirar para tantos lados?
Já foram: Ex-presidente Lula, o ex-delegado da PF Paulo Lacerda, Hugo Chávez, Petistas (ou petralhas) em geral e, o mais recente, “blogueiros sujos”.
Uma pessoa que entrou em coma durante as eleições em 2010 e acordou ontem, vai se espantar com a mudança radical na fisionomia de José Serra. Até explicar que não se trata dele, mas sim do ex-presidente do STF… melhor deixar quieto!
Além disso, os ataques aos “Blogueiros Sujos” surgem alguns dias depois de matéria da Folha tentando desqualificar grupo de blogueiros que tentam furar o bloqueio pensamento único imposto pela velha mídia.
Os delírios do ministro do STF parecem não ter fim, se iniciaram com a matéria da “Veja” mas ainda perduram. E Gilmar Mendes parece estar gostando disso.
Foi ele que levou para a velha mídia a informação da suposta relação com Cachoeira, antes as histórias de viagens suspeitas para Alemanha e para Goiás se restringiam à internet e às pessoas que apareciam com mais informações retiradas diretamente do relatório das investigações da PF que levaram à prisão de Carlinhos Cachoeira.
Mas parece que para Gilmar a melhor defesa é o ataque. E a bola da vez são os blogueiros, na verdade ele fala no plural, mas é um blogueiro específico. É o mesmo que incomodou Daniel Dantas, tanto que foi alvo de vários processos do banqueiro preso na operação Satiagraha.
Preso na operação e solto por quem? Pelo ministro!
Tudo bem, se o Habeas Corpus não fosse tão suspeito.
Ele ficaria de plantão no STF para dar dois HC seguidos ao Zé das Couves que roubou uma galinha?
O blogueiro sujo incomoda muita gente. E o ministro Gilmar se declarou no ataque aos “blogs sujos” como uma instituição a ser defendida. Isso porque não se vê o tal blogueiro sujo atacando uma instituição, mas podemos ver (e inúmeras vezes) o mesmo blogueiro revelando fatos comprometedores sobre Gilmar Mendes (e também outros ministros, como já fez) e emitindo opiniões críticas.
Ataque é uma coisa, crítica é outra.
Pergunta inocente: Ora, ora, a revista que Gilmar estrelou (e estrela) não se auto-intitula defensora das liberdades de expressão e imprensa? Ou será que estas liberdades são privadas, pertencentes a um setor da mídia?
Será que a mesma revista vai se manifestar quanto à declaração de Mendes, querendo calar o blogueiro? (e para isso usando tática de corte na arrecadação do “blog sujo”).
Será que a instituição Gilmar Mendes vai também pedir para a Procuradoria Geral da República o substrato das empresas estatais que usam o dinheiro público para financiar revistas e jornais que atacam as instituições?
Afinal, a história do grampo sem áudio não teve um objetivo de atacar uma instituição (o executivo, a Presidência da República)?
Os apoios sistemáticos de meios de comunicação a manifestações contra grupos e instituições que os desagradavam, inclusive usando vassourinhas compradas pelo senador Demóstenes Torres também não pode ser considerado ataque à instituição?
Quem seria mais nocivo à uma instituição: blogueiros sujos, exercendo um direito garantido na Constituição de expor e manifestar suas opiniões, ou um ministro da mais alta corte do país que anda atacando a torto e a direito todos que passam pela sua frente, inclusive com acusações sem provas?
Nocivo à instituição é um presidente que joga o respeito pelo STF a níveis impensados. O período de Gilmar Mendes à frente da presidência do STF foi um dos mais polêmicos, patéticos e vergonhosos.
Isso só pra citar algumas…
Fora a paixão pelos holofotes, a quantidade de opinião dada pelo ministro sobre, por exemplo, o Mensalão desautorizaria um ministro que zela pela instituição que representa (representar algo não é ser algo, diga-se) de participar do julgamento do caso.
A instituição que ele (teoricamente) está defendendo está em silêncio. Assistindo excessos do ministro nomeado por FHC. O ministro está só (talvez com a Veja, Globo e cia), mas os demais ministros se distanciam cada vez mais desta situação caótica e aparentemente longe de terminar. Parecem preferir gastar suas energias exercendo o cargo a que lhes foi confiado.
Gilmar Mendes tem andado estranho, parece que está acuado… mas acuado de que? o que aflige o ministro Gilmar Mendes?
Muitos diriam que está no limite da sanidade. Eu não, prefiro não atacar esta instituição de lisura ímpar!
No Ponto & Contraponto
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Contra os capangas do coronel

Impeachment

Por Jetro Fagundes (*), especial para o QTMD?
I mpunidade, mentira, vício
M inistro do Supremo Tribunal
P ensa que por ser vitalício
E stá acima do bem e do mal
A lguém sem a credibilidade
C aricato de juíz é de verdade
H omem que na parcialidade
M anda soltar vilões, bandidos
E spalha, sim, boato venenoso
N ega um Popular Limpo Pedido
T em capanga no Mato Grosso.
*Jetro Fagundes colabora com o site “Quem tem medo da democracia?”, onde mantém a coluna “Ventos do Marajó“.
Créditos das imagens: Foto de Joaquim Barbosa: por Gustavo Miranda.
Foto-arte com Gilmar Mendes: revista Carta Capital.
Montagem do cartaz e tratamento das imagens: Ana Helena Tavares
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Jornalista que fez campanha de Perillo em 2010 diz que recebeu de empresa do ‘Cachoeiragate’

O jornalista Luiz Carlos Bordoni, responsável pela campanha radiofônica de Marconi Perillo na eleição de 2010, afirma que parte do pagamento que recebeu pelo serviço veio de uma empresa fantasma do esquema de Carlinhos Cachoeira. Coisa de R$ 45 mil.
Deve-se a revelação ao repórter Fernando Gallo. Em notícia veiculada nesta sexta (1o), ele reproduz declarações de Bordoni. O personagem lhe contou que saíra da campanha com um crédito de R$ 90 mil. O depósito de R$ 45 mil refere-se a metade dessa cifra.
O dinheiro pingou, em 14 de abril de 2011, na conta da filha do jornalista, Bruna Bordoni. Proveio da Alberto & Pantoja Construções, empresa fantasma que, segundo a Polícia Federal, era controlada por prepostos da quadrilha de Cachoeira. A movimentação bancária foi rastreada e consta dos autos da Operação Monte Carlo.
De acordo com Luiz Bordini, os R$ 45 mil foram borrifados na conta de sua filha depois que ele cobrou a dívida de campanha. Detalhista, Bordini contou que seu contato foi feito com Lúcio Gouthier, hoje assessor de Perillo no governo de Goiás. Ouça-se o jornalista:
“O sr. Lúcio Gouthier me ligou perguntando o número da minha conta pra depositar esse dinheiro. Eu disse a ele que estava viajando, e que minha filha, que paga minhas contas e administra as minhas coisas, iria receber. Dei o número da conta dela para ele. De repente, essa conta foi passada para a Pantoja.”
Bordini acrescentou, em timbre peremptório: “O dinheiro foi depositado pela Pantoja na conta da minha filha. Era dívida de campanha do governador Marconi Perillo, dos R$ 90 mil de saldo do trabalho que prestei a ele no programa de rádio na campanha de 2010.”
Ouvida, a assessorial de Perillo negou que o governador tenha se servido da empresa de fancaria de Cachoeira para realizar pagamentos. E Bordoni: “O Lúcio Gouthier é o homem que resolve todas as questões pendentes das campanhas eleitorais. Ele se responsabilizou por isso, ele resolveu e ele pagou. Pediu o número da conta pra depositar e depositou.”
Lúcio, uma espécie de secretário-faz-tudo de Perillo, foi a pessoa que cuidou, segundo o governador, da venda de uma casa de sua propriedade num condomínio de luxo de Goiânia. Negócio de R$ 1,4 milhão. Na versão de Perillo, o imóvel foi comprado por um empresário.
A PF suspeita que Cachoeira é o verdadeiro comprador da casa. Quando foi preso, em 29 de fevereiro, o bicheiro residia no imóvel. A transação foi paga com três cheques nominais a Perillo. Emitiu-os um sobrinho do contraventor.
A venda da casa é um dos fatos que motivaram a convocação de Perillo para depor na CPI do Cachoeira. Ele será ouvido em 12 de junho. A novidade pendurada nas manchetes por Luiz Bordini oferece matéria prima nova para a inquirição.
O jornalista disse que decidiu trazer os fatos à luz depois que o nome da filha dele foi citado na sessão em que o senador Demóstenes Torres foi ouvido no Conselho de Ética do Senado. “Prestei o serviço honestamente. Não vou deixar que ninguém venha avacalhar minha credibilidade por causa de Cachoeira.”
No Blog do Josias
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Aberta a temporada de caça aos blogs sujos ou "nada além da Constituição"

Está aberta a temporada de caça aos blogs sujos ou "nada além da Constituição". O assunto é bastante propício no dia hoje, no qual se comemora Dia Nacional da Imprensa. A cada dia que passa fica mais aparente que a velha mídia (imprensa em forma de oligarquia brasileira) não tem outra saída, a não ser tentar minar a blogosfera, a quem chama de "estatal" ou de "blogs sujos" e assim por diante.
Gilmar Mendes, o ministro do grampo sem áudio, o mesmo que comparou a profissão jornalística com a de cozinheiros, que concedeu Habeas Corpus para Daniel Dantas, agora abre sua temporada de caça ao que denomina 'blogs sujos'. Quem concede espaço para mais este absurdo (recuso-me a chamar de notícia) é O Globo, em edição impressa de hoje.
O ministro Gilmar está se superando a cada dia. Quando se pensa que ele já atingiu o limite da ética e da vergonha, vem o Mendes com mais uma surpresa. A novidade é esta caça aos "patrocinadores" dos 'blogs sujos'. 
Alguém precisa avisar ao ministro caçador que 99% dos blogs com anúncio ou fazem parte do Google Adsense ou de um sistema semelhante, que gera anúncios randômicos, ou seja, independente da vontade e administração dos blogueiros. O 1% restante é o de casos como Luis Nassif, Paulo Henrique Amorim e outros, que são jornalistas conhecidos do grande público e vendem espaço publicitário em suas páginas.
Tanto no blog do PHA quanto no blog de Luis Nassif há anúncios da Caixa Federal. O argumento é que instituições governamentais não deveriam patrocinar sites ou blogs "que atacam instituições". Se o raciocínio do ministro for correto, então deve-se suspender a concessão de emissoras de televisão como a Rede Globo (a quem Mendes defende) e processar empresas como a Abril, que publica a Veja (a quem Mendes também defende). 
Só a Veja tem contratos milionários com os governos do PSDB, ou seja, dinheiro público para financiar uma revista que se alia ao crime organizado para atacar instituições públicas com factóides. A TV Globo? É o mesmo caso, porque ainda publica em seu jornal impresso editoriais defendendo uma publicação que se alia ao crime organizado, produz factóides ridículos como a 'bolinha de papel' de José Serra, nas eleições de 2010 e assim por diante. 
É importante perceber que existe toda uma ação orquestrada por esta mídia organizadora do Instituto Millenium (ou GAFE: Globo, Abril, Folha e Estadão), com a participação de empresas como o Portal Comunique-se, que após passar toda esta semana atacando a blogosfera, hoje nos manda um e-mail marketing com a solução: seja um campeão de audiência com Noblat, Dimenstein e Nunes. 
Este é um workshop que dispenso inteiramente e de consciência plenamente livre. Primeiro porque não desejo ser campeão de audiência e segundo porque não gosto dos métodos utilizados pelos jornalistas citados.
Está na hora da população brasileira convocar grandes manifestos, semelhantes ao Occupy Wall Street e sair para as ruas deixando claro que esta velha mídia não representa os interesses do povo. E mais: queremos o que está na Carta Magna deste país, "nada além da Constituição", como disse Franklin Martins, a respeito das oligarquias e demais ilegalidades praticadas por estes grandes grupos de comunicação.
Esta semana já vinha clamando pela atenção dos cidadãos brasileiros para a artilharia da velha imprensa, que deseja desviar a atenção de escândalos como a Privataria Tucana, a relação imprensa x Cachoeira e até mesmo a deformação do escândalo do mensalão. 
Queremos, brasileiros, a apuração, investigação, julgamento e condenação dos culpados em todos os casos. Sim! Nós brasileiros queremos que os culpados sejam condenados e presos. A velha mídia não. Esta imprensa que patrocinou, digo PATROCINOU o golpe e a ditadura militar durante 21 anos é quem deseja abafar a Privataria e a relação imprensa x Cachoeira. Esta imprensa é que está contra a blogosfera, apenas por seu caráter democrático. Sim, a imprensa oligárquica brasileira morre de medo da democracia, caso contrário, não teria financiado e apoiado mortes e torturas da Ditadura Militar.
"Nada além da Constituição" é o grito de guerra de todo cidadão brasileiro contra os desmandos de ministros e da imprensa. "Nada além da Constituição" para as ilegalidades praticadas, eu disse ILEGALIDADES PRATICADAS por todas as emissoras de rádio e televisão deste país. Queremos a vigência plena do que consta na carta de 1988, nossa Constituição, nada mais, nada menos.
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MPF faz representação contra Bastos

Procurador argumenta que Cachoeira não teria renda lícita para pagar advogado
GOIÂNIA . O procurador da República no Rio Grande do Sul Manoel Pastana pediu aos colegas do MPF em Goiás que investiguem a origem do dinheiro que o bicheiro Carlinhos Cachoeira tem usado para pagar os honorários do advogado Márcio Thomaz Bastos, ex-ministro da Justiça. O chefe do Ministério Público Federal em Goiás, Alexandre Moreira, encaminhou o caso aos procuradores Daniel de Resende Salgado e a Léa Batista.
Caberá a Resende e Léa, que estão à frente da Operação Monte Carlo, decidir se representação contra Bastos, formulada por Pastana, tem fundamento e deve ser levada adiante. Pastana diz que o bicheiro tem bens apreendidos e, aparentemente, não teria como pagar honorários do advogado criminalista mais caro do país. Bastos teria sido contrato por R$ 15 milhões, conforme cita o procurador com base em reportagens.
"É que o cliente do representado não ostenta renda lícita, que justifique o pagamento de honorários de um advogado em início de carreira, a fortiori de um causídico do nível do ex-ministro da Justiça, que, segundo divulgado na imprensa, teria cobrado 15 milhões de reais a títulos de honorários advocatícios", argumenta Pastana. O procurador entende que o dinheiro de Cachoeira, supostamente chefe de uma organização criminosa, é de origem ilegal e, portanto, Bastos poderia ser responsabilizado com base na lei de lavagem.
Advogados que estão atuando no caso Cachoeira reagiram à investida do procurador. Para Calisto Abdala, advogado de Giovani Pereira dos Santos, contador de Cachoeira, Pastana estaria cerceando a liberdade de defesa.
Procurado, Bastos disse que não falaria sobre o assunto. O ex-ministro pediu que a Ordem dos Advogados do Brasil interceda no caso para defender as prerrogativas do advogado.
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Leandro Fortes acusa Gilmar Mendes de montar esquema na mídia

O jornalista Leandro Fortes afirma que o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), está montando um “esquema de repercussão na mídia”. A declaração do repórter da Carta Capital foi sobre a relação das denúncias de envolvimento do ex-presidente Lula em suposta tentativa de coerção ao integrante do STF, conforme noticiado na última edição da revista Veja.
Fortes avalia as notícias sobre o caso como “confusas”. Segundo o jornalista, a publicação da Editora Abril tem “cara de armação” e tem forte ligação com o ministro do Supremo. Para o repórter da Carta Capital, a imprensa está sendo “totalmente parcial” na cobertura sobre o encontro entre Mendes e o ex-presidente. “A mídia é contra o Lula”, diz.
Desde que a edição da Veja chegou às bancas no último sábado (26), com a matéria que relata a reunião entre os dois em abril, o ministro concedeu entrevistas para o Zero Hora e para o 'Jornal Nacional', da Globo, além da "coletiva" realizada na última terça-feira (29). Até o momento, Lula apenas comentou o caso por meio de uma nota enviada à imprensa na segunda-feira (28), na qual fala ter ficado indignado com a notícia de que estaria pressionando para o adiamento do julgamento dos réus do mensalão.
Sobre a estratégia adotada por ambas as partes, Fortes elogia a postura do ex-presidente e considera que ele não precisa falar. “O Gilmar quer chamar o Lula para um bate-boca, já o Lula não quer se envolver, não julgo a atitude dele”, argumenta o jornalista que ataca setores da comunicação. “A mídia é reacionária e observadora. Atualmente, em muitos casos ela está sendo lamentável e manipuladora, alguns até trabalham a favor de Gilmar Mendes”.
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Gilmar Mendes e Veja: uma mão suja a outra, desde 1992

A relação entre a revista Veja e o ministro do STF Gilmar Mendes, que culminou, na última semana, em acusações contra o ex presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é antiga, e sempre costumou ser muito amistosa. A busca no acervo digital da Veja revela 140 menções a Mendes, parte delas trazendo o ministro como fonte, parte apresentando-o como um gênio do meio jurídico brasileiro ou fazendo supor que Gilmar Mendes é um dos grandes frasistas da História do país. Além disso, a pesquisa traz algumas curiosidades um tanto quanto incômodas para Mendes. Chegaremos a elas.
Entre as 140 menções, dezenas delas estão na seção “Veja Essa”, dedicada às mais interessantes – na concepção da Veja – frases da semana. Todas as citações de Gilmar Mendes são de frases fortes, espirituosas, e carregadas de ataque aos movimentos sociais e a lideranças políticas, como o atual governador do Rio Grande do Sul e ex ministro da Justiça Tarso Genro (PT).
A primeira aparição de Mendes na Veja acontece em 1992. Ele era, então, assessor jurídico do Planalto, subordinado ao ex presidente Fernando Collor, a quem defende na matéria publicada em setembro daquele ano. Gilmar Mendes só volta a aparecer na revista dez anos depois, como advogado-geral da União e candidato ao Supremo Tribunal Federal. Ali, como em 1992, Gilmar e a Veja parecem não se entender muito bem. Diz a matéria: “Dono de um estilo agressivo, Mendes é alvo de maledicências no tribunal”.
Ainda em 2002 há o primeiro capítulo da curiosidade citada no primeiro parágrafo desse texto. Lembremos que, agora, em 2012, o ministro do STF acusa Lula de ter tentado interferir nas decisões do Supremo. Pois, há dez anos, observemos o que nota publicada na Veja relatava: “Quando não se discutia a possibilidade de o advogado-geral da União, Gilmar Mendes, assumir uma vaga no Supremo Tribunal Federal, a relação dele com o Poder Judiciário conheceu momentos de atrito. Certa vez, Mendes enviou uma carta ao STF em que pedia aos juízes que moderassem seu contato com a imprensa”. Sim, Gilmar Mendes, quando advogado-geral da União, tentou interferir na conduta do STF. E mais: já ministro do STF, tentou interferir na conduta da Polícia Federal. Em nota da seção Radar, da revista Veja, em junho de 2007, o jornalista Lauro Jardim afirma: “O ministro do STF Gilmar Mendes telefonou na semana passada para Tarso Genro. (…) Furioso, Mendes reclamou da atuação da PF, que vazou extra-oficialmente o seu nome como um dos beneficiários dos presentinhos da Gautama (…)”.
Durante toda a crise institucional entre Gilmar Mendes e Tarso Genro, a Veja sempre posicionou-se ao lado do ministro do STF. A divergência chegou ao caso do ativista italiano Cesare Battisti, momento em que a revista aumentou o espaço dado a Gilmar para ecoar a gritaria contra o “terrorista” e seus “comparsas”. Em julho de 2008, a Veja publicou uma reportagem de quatro páginas atacando o trabalho da Polícia Federal, que estava então sob comando de Tarso.
Em 2009 começou a paixão entre Gilmar e o colunista da revista, Reinaldo Azevedo, que agora o defende aos gritos contra Lula. Em abril daquele ano, a edição impressa destacava nota publicada no blog do colunista, sobre a discussão entre Gilmar e outro ministro do STF, Joaquim Barbosa, em que Azevedo, como de costume, se investe de ares de juiz supremo: “Joaquim Barbosa está obrigado a provar, como ministro do Supremo, que seu colega tem ‘capangas’. Se Gilmar Mendes tem capangas e Barbosa tem as provas, então está prevaricando”.
Dois anos depois, em dezembro de 2011, o mesmo Reinaldo Azevedo publicava na Veja um artigo de duas páginas, intitulado “Ainda há juízes em Brasília”, em que pouco mais faz do que tecer loas a Gilmar Mendes e ao livro publicado pelo ministro. Escreve: “Mendes é juiz num país livre que quer continuar livre. Que faça escola”.
É claro que, com toda essa trajetória de carinhos recíprocos, a Veja podia contar com Gilmar Mendes quando precisasse desviar a atenção de si mesma, envolvida como está nas ligações gravadas do bicheiro Carlinhos Cachoeira, alvo de uma CPI neste momento. Ao tentarem lavar-se mutuamente, uma mão suja a outra.
No JornalismoB
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De volta ao passado

“Mino Carta é um chato, se pudesse reescreveria os Evangelhos. Inimigo do regime, Geisel o detestava, mas não tinha rabo preso.” De um depoimento de João Baptista Figueiredo, gravado em 1988 durante um churrasco amigo e divulgado após a morte do último ditador da casta fardada.
No final de 1969, esta capa foi o maior desafio de Veja à
ditadura, mas já a da primeira edição dera problemas
É do conhecimento até do mundo mineral que nunca escrevi uma única, escassa linha para louvar os torturadores da ditadura, estivessem eles a serviço da Operação Bandeirantes ou do DOI-Codi. Ou no Rio, na Barão de Mesquita. E nunca suspeitei que a esta altura da minha longa carreira jornalística me colheria a traçar as linhas acima. Meu desempenho é conhecido, meus comportamentos também. Mesmo assim, há quem se abale a inventar histórias a meu respeito. Alguém que, obviamente, fica abaixo do mundo mineral.
Não me faltaram detratores vida adentro, ninguém, contudo, conseguiu provar coisa alguma que me desabonasse. Os atuais superam-se. Um deles se diz jornalista, outro acadêmico. Pannunzio & Magnoli, binômio perfeito para uma dupla do picadeiro, na hipótese mais generosa de uma farsa cinematográfica. Esmeram-se para demonstrar exatamente o que soletro há tempo: a mídia nativa prima tanto por sua mediocridade técnica quanto por sua invejável capacidade de inventar, omitir e mentir.
Afirmam que no meu tempo de diretor de redação de Veja defendi a pena de morte contra “terrorristas”, além de enaltecer o excelente trabalho da Oban. Outro inquisidor se associa, colunista e blogueiro, de sobrenome Azevedo. E me aponta, além do já dito, como um singular profissional que não aceita interferência do patrão. Incrível: arrogo-me mandar mais do que o próprio. Normal que ele me escale para o seu auto de fé. O Brasil é o único país do meu conhecimento onde os profissionais chamam de colega o dono da casa.
A bem de minha honra, Geisel me detestava.
Foto: AE
Não há nas calúnias que me alvejam o mais pálido resquício de verdade factual. Os textos que me atribuem para baseá-las nascem de uma mistificação. Pinçados ao acaso e fora do contexto, um somente é de minha autoria e nada diz que me incrimine. E pouparei os leitores de disquisições sobre minha repulsa visceral, antes ainda que moral, à prisão sem mandado, à tortura e à pena de morte. Quando o Estadão foi pioneiro na publicação de um artigo assinado Magnoli, limitei-me a escrever um breve texto para o site de CartaCapital, destinado a contar a história de outra peça de humorismo, escrita em 1970 por um certo Lenildo Tabosa Pessoa, redator, vejam só, do Estadão, e intitulada O Senhor Demetrio. Ou seja, eu mesmo, marcado no batismo por nome tão pesado.
Lenildo pretendia publicar seu texto no jornal, os patrões, Julio de Mesquita Neto e Ruy Mesquita, não deixaram. Surgiu em matéria paga o retrato de um hipócrita pretensamente refinado que, como Arlequim da política, servia ao mesmo tempo Máfia e Kremlin. O senhor Demetrio, de codinome Mino. Diga-se que Lenildo encontraria eco três anos depois no programa global de um facínora chamado Amaral Neto, também identificado como Amoral Nato, que repetia Lenildo no vídeo. Como se vê, tom e letra das calúnias estão sujeitos a mudanças ideológicas.
Ao negarem espaço nas páginas da sua responsabilidade à diatribe de Lenildo, os herdeiros do doutor Julinho quiseram respeitar a memória do meu pai, que trabalhou no Estadão por 16 anos, e meu honesto e leal desempenho na criação da Edição de Esporte e do Jornal da Tarde. O Estadão, evidentemente, não é mais o mesmo. Lenildo e Amaral Neto me tinham como perigoso subversivo de esquerda. Em compensação, hoje sou acusado de ter dirigido naquele mesmo 1970 uma Veja entregue “à bajulação, subserviência e propaganda da ditadura”. É espantoso, mas a semanal da Abril em 1970 era submetida à censura exercida na redação por militares. Eu gostaria de saber o que acham os senhores Pannunzio, Magnoli e Azevedo a respeito de quem na mídia brasileira se perfilava illo tempore ao lado da ditadura. Ou seja, quase todos.
E Arci, impávido, ofereceu a cabeça de Millôr Fernandes
ao ministro Golbery.
Fotos: Marcelo Carnaval e Manoel Amorim/Ag O Globo
Quem, de fato foi censurado? Os alternativos, então chamados nanicos, em peso, do Pasquim a Opinião, que depois se tornaria Movimento, sem exclusão de O São Paulo, o jornal da Cúria paulistana regida por dom Paulo Evaristo Arns. A Veja, primeiro por militares, depois por policiais civis no período Médici. Com Geisel, passou a ser censurada diariamente, de terça a sexta, nas dependências da Polícia Federal em São Paulo, e aos sábados, à época dia de fechamento, na própria residência de censores investidos do direito a um fim de semana aprazível. Enquanto isso, Geisel exigia que os alternativos submetessem seu material às tesouras censórias em Brasília, toda terça-feira.
Sim, o Estadão também foi censurado e com ele o Jornal da Tarde. A punição resultava de uma briga em família. O jornal apoiara o golpe, mas sonhava com a devolução do poder a um civil, desde que se chamasse Carlos Lacerda. Este não deixava por menos nas suas aventuras oníricas. O Estadão acabou sob censura, retirada contudo em janeiro de 1975, no quadro das celebrações do centenário do jornal. Carlos Lacerda foi cassado. Diga-se que ao Estadão permitia-se preencher os espaços vagos deixados pelos cortes com versos de Camões, em geral bem escolhidos, e ao Jornal da Tarde com receitas de bolo, às vezes discutíveis. O resto da mídia não sofreu censura. Não era preciso.
Julio Neto e Ruy Mesquita não dariam espaço às calúnias
de um tal de Magnoli.
Fotos: Alfredo Fiaschi/AE e AE
Quando me chamam para fazer palestras em cursos de jornalismo, sempre me surpreendo ao verificar que o enredo que acabo de alinhavar é ignorado pelos alunos e por muitos professores. Acham que a censura foi ampla, geral e irrestrita. Meus críticos botões observam que me surpreendo à toa. Pois não se trata de futuros Pannunzios, Magnolis e Azevedos? No caso deste senhor Reinaldo, vale acentuar uma nossa específica diferença. Não me refiro ao fato de que eu reputo Antonio Gramsci um grande pensador, enquanto ele o define como terrorista. A questão é outra.
Ocorre que, ao trabalhar e ao fazer estágios na Europa, entendi de vez que patrão é patrão e empregado é empregado, e que para dirigir redações o profissional é chamado por causa de sua exclusiva competência. Ao contrário do que se dá no Brasil, por lá não há diretores por direito divino. Por isso, ao deixar o Jornal da Tarde para tomar o comando dos preparativos do lançamento de Veja, me senti em condições de exigir certas garantias.
No Estadão tivera um excelente relacionamento com a família Mesquita, fortalecido pela lembrança que cultivavam de meu pai, iniciador da reforma do jornal que Claudio Abramo aprofundou e completou. Gozei na casa então ainda do doutor Julinho, filho do fundador, de grande autonomia, aquela que facilitou a criação de um diário de estilo muito próprio, arrojado na diagramação, em busca de qualidade literária no texto. Estava claro, porém, que a linha política seria a da família. Com os Mesquita me dei muito bem, foram de longe meus melhores patrões, talvez os remanescentes não percebam que por eles tenho afeto, embora, saído do Estadão, não me preocupasse em mostrar que minhas ideias não coincidiam com as deles.
E Golbery, gélido, disse: "Eu não pedi a cabeça de ninguém,
senhor Civita".
Foto: AE
Convidado finalmente pelos Civita para a empreitada de Veja, solicitei uma liberdade de ação diversa daquela de que gozara no Jornal da Tarde. Só aceitaria o convite se os donos da Abril, uma vez definida a fórmula da publicação, se portassem como leitores a cada edição, passível de discussão está claro, mas a posteriori, quer dizer, quando já nas bancas.
Pedido aceito. A primeira Veja, espécie de newsmagazine à brasileira, foi um fracasso. Além disso, já irritou os fardados por trazer na capa a foice e o martelo. A temperatura subiu com a segunda capa, a favor da Igreja politicamente engajada. A quinta, com a cobertura do congresso da UNE em Ibiúna, foi apreendida nas bancas. E também o foi aquela que celebrou a decretação do AI-5 no dia 13 de dezembro de 1968. Tempos difíceis. Mas a edição de mais nítido desafio aos algozes da ditadura é de mais ou menos um ano depois. A chamada de capa era simples e direta: “Torturas”, em letras de forma.
A história desta reportagem começou cerca de três meses antes, com uma investigação capilar conduzida por uma equipe de oito repórteres encabeçada por Raymundo Rodrigues Pereira. Foram levantados 150 casos, três deles nos detalhes mínimos. Emílio Garrastazu Médici acabava de ser escolhido para substituir a Junta Militar e pela pena do então coronel Octavio Costa acenava em discurso, pretensamente poético ao declinar a origem do novo ditador por dizê-lo vindo do Minuano, à necessidade do abrandamento da repressão. Raymundo e eu recorremos a um estratagema, e saímos com uma edição anódina para celebrar o vento gaúcho. Falávamos da posse, da composição do ministério, do discurso. Chamada de capa: “O Presidente Não Admite Torturas”.
Ofereço este número de Veja à aguda análise de Pannunzios, Magnolis, Azevedos e quejandos. (Nada a ver com queijo.) Bajulação e subserviência estão ali expostas da forma mais redonda. Naquele momento, a mídia foi atrás de Veja, e por três dias falou-se mais ou menos abertamente de tortura. Logo veio a proibição, que Veja ignorou. Na noite de sexta-feira a reportagem da equipe de Raymundo descia à gráfica para arrolar 150 irrefutáveis casos de tortura, dos quais três em detalhes. Ao mesmo tempo, eu mandava cortar os telefones da Abril para impedir ligações de quem pretendesse interferir, autoridades, patrões e intermediários. A edição foi apreendida nas bancas, e logo desembarcou na redação a censura dos militares.
Este sim, "nosso Trotski", a Arci pediu minha
 cabeça e conseguiu.
Foto: AE
Quando ouvi falar em distensão pela primeira vez, meados de 1972, pela boca do general Golbery, à época presidente da Dow Chemical no Brasil, pareceu-me possível alguma mudança na sucessão de Médici. De fato, Golbery, que vinha de conhecer, articulava na sombra a candidatura de Ernesto Geisel, títere sob medida para as suas artes de titereiro. Meados de 1973, assenta-se a candidatura obrigatória de Geisel. Alguns meses após, ministério em gestação, Golbery, futuro chefe da Casa Civil à revelia de Médici, me sugere uma conversa com o recém-convocado para a pasta da Justiça, Armando Falcão. Assunto: fim da censura em clima de distensão.
Conversei duas vezes com Falcão enquanto Roberto Civita entre janeiro e fevereiro de 1974 apontava em Hugh Hefner um notável filósofo da modernidade. Mal assumiu a pasta, dia 19 de março de 1974, Falcão chamou-me a Brasília para comunicar que a censura se ia naquele instante. Sublinhei: “Sem compromisso algum de nossa parte”. “Claro, claro”, proclamou, e me deu de presente seu livro de recente publicação, intitulado A Revolução Permanente. Mais tarde Golbery comentaria: “Falcão é o nosso Trotski”.
Três semanas após, a censura voltou, mais feroz do que antes. Duas reportagens causaram a costumeira irritação, fatal foi uma charge de Millôr Fernandes. Em revide, decretava-se que a censura seria executada em Brasília às terças-feiras. Fui visitar Golbery no dia seguinte, eu estava de veneta rebelde, levei meus dois filhos meninotes, e andei pela capital federal de limusine. No meu livro de próxima publicação, O Brasil, a sair pela Editora Record como O Castelo de Âmbar, descrevo assim a visita ao chefe da Casa Civil.
“A secretária do ministro, dona Lurdinha, senhora de modos caseiros, redonda rola sobre o carpete sem perder o sorriso, chega-se ao meu ouvido, murmura: “Veio também o senhor Roberto Civita, quer ser recebido mas não tem hora marcada”. Não deixo que o tempo se estique inutilmente, tomo a visão panorâmica da antessala e vejo Arci, entalado em uma poltrona com expressão perdida na paisagem da savana descortinada além das vidraças. “Que faz aqui?” E ouço meu próprio latido.
“Vici me contou que você viria, e eu gostaria…”
“Você não pediu audiência, não tem hora”, proclamo.
Ele insiste, à beira da imploração. O meu tom chama a atenção de Manuela e Gianni, encaram a cena sem entender o assunto, percebem porém que o pai está muito irritado, enquanto o outro tem jeito de pedinte. Lurdinha traz uma laranjada para as crianças e avisa que o general está à espera. Admito: “Você entra comigo, mas se compromete a não abrir a boca”. Ele promete.
Na conversa que se segue no gabinete da Casa Civil, o meu argumento é óbvio, Veja é uma revista semanal que encerra o trabalho na noite de sábado e vai às bancas às segundas-feiras, obrigá-la a submeter textos e fotos aos censores na terça significa inviabilizá-la. Pergunto a Golbery: “Os senhores pretendem que Veja simplesmente acabe?” Não, nada disso. “Então é preciso pôr em prática outro sistema.”
O chefe da Casa Civil entende e concorda. Diz: “Vá até o Ministério da Justiça, fale com Falcão, a Lurdinha já vai avisá-lo, diga a ele que vamos procurar uma saída até amanhã no máximo, a próxima edição tem de sair regularmente”.
Golbery fica de pé, hora da despedida. O general não conhecia o patrãozinho que até aquele momento cumpriu a promessa feita na antessala. E de supetão abre a boca: “General, se o senhor acha que devemos tomar alguma providência em relação ao Millôr Fernandes…”
Golbery fulminou-o: “Senhor Civita, não pedi a cabeça de ninguém”.
Poucos entenderam que o Minuano
poderia despertar ciclones.
Foto: Reprodução
Vici e Arci, ou seja, Victor Civita e Roberto Civita, assim se chamavam no castelo envidraçado à beira do Tietê, esgoto paulistano ao ar livre. Esse entrecho já o desenrolei em O Castelo de Âmbar sem merecer desmentido e o próprio Millôr o colocou no ar do seu blog logo após a publicação no final de 2000. Ao sair do gabinete de Golbery, eu disse a Roberto Civita “você é mesmo cretino”, como depois o definiria na conversa de despedida com o pai Victor, mas poderia dizer coisa muito pior. Quanto à minha saída da direção de Veja e de conselheiro board abriliano, descrevi o evento em editorial de poucas semanas atrás. Faço questão de salientar, apenas e ainda, que não fui demitido, e sim me demiti para não receber um único centavo das mãos de um Civita, nem que fosse a comissão pelo empréstimo de 50 milhões de dólares recebidos pela Abril da Caixa Econômica Federal, juntamente com o fim da censura, em troca da minha cabeça. A revista prontamente caiu nos braços do regime.
A partir daí, tive de inventar meus empregos para viver. Ou por outra, para viver com um salário infinitamente menor (insisto, infinitamente) do que aquele dos importantes da imprensa, e nem se fale daqueles da televisão. Ganham mais que os europeus e de muitos americanos. Em outro país, um jornalista com o meu passado não sofreria as calúnias de Pannunzios, Magnolis e Azevedos, e de vários que os precederam. Muito representativos de uma mídia que manipula, inventa, omite e mente. Observem os fatos e as mentiras da atualidade imediata, o caso criado pelo protagonismo de Gilmar Mendes e pela ferocidade delirante dos chapa-branca da casa-grande. Além do mais, há em tudo isso um traço profundo de infantilidade, um rasgo abissal, a provar o estágio primitivo da sociedade do privilégio, certa de que a senzala aplaude Dilma e Lula e mesmo assim se conforma, resignada, dentro dos seus habituais limites.
Os caluniadores são, antes de mais nada, covardes. Sentem as costas protegidas pela falta generalizada de memória, ou pela pronta inclinação ao esquecimento. Pela impunidade tradicional garantida por uma Justiça que não pune o rico e poderoso. Pelo respaldo do patrão comprometido com a manutenção do atraso em um país onde somente 36% da população conta com saneamento básico, e 50 mil pessoas morrem assassinadas ano após outro. Confiam no naufrágio da verdade factual, pela enésima vez, e que tudo acabe em pizza, como outrora se dizia, a começar pela CPI do Cachoeira e pela pantomima encenada por Gilmar Mendes. E que o tempo, vertiginoso e fulminante como sempre, se feche sobre os fatos, sobre mais uma grande vergonha, como o mar sobre um barco furado.
Mino Carta
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Selic a 8,5% e o mundo não se acabou

Notícia 1: Com a decisão de quarta-feira passada, o Copom (Comitê de Política Monetária) trouxe a taxa Selic para o mais baixo patamar da sua existência: 8,5% ao ano.
Notícia 2: com a Espanha em crise total, bancos ameaçados, a própria Espanha ameaçando sair da União Europeia, a taxa básica do país explodiu para... 5,5% ao ano.
A diferença é acachapante. O país ainda pratica taxas de juros estratosféricas. Só agora caminha para uma taxa básica apenas muito elevada - não escandalosamente elevada.
Desde agosto o Banco Central vem perseguindo essa redução de juros. No início, enfrentando o alarmismo inconsequente de analistas financeiros e comentaristas de rádio e TV.
Em outros momentos da história, esse alarmismo sempre logrou manter a Selic em patamares escandalosos. E sempre as mesmas figuras - Mailson, Loyolla, Blanche, Tendências - acenando com o fim do mundo, com a volta da hiperinflação e outros fantasmas.
O que levou o BC, agora, a derrubar a taxa Selic foram os mesmos fatores que deveriam ter levado à queda da Selic em 2008: queda na atividade econômica, reduzindo as pressões sobre preços. Mas, naquele tempo, em plena crise, o BC - presidido por Henrique Meirelles mas tendo, entre seus diretores, o atual presidente Alexandre Tombini - subiu os juros, ao invés de descer.
Há muito se sabe que é mínimo o efeito da Selic sobre os índices inflacionários. Ela pouco impacta taxas de juros (cujo spread é imensamente superior às variações da Selic), e, por conseguinte, níveis de estoque, de demanda.
Mas são imensos os estragos sobre os recursos orçamentários - tirando dinheiro de investimento, saúde, educação, segurança para pagar juros.
O BC de agora não ficou mais sábio do que o dos tempos de Meirelles. Apenas sua orientação política - no melhor sentido da palavra - mudou. Mudando, deixou de ser prisioneiro de falácias monumentais, brandidas diariamente por analistas pífios.
Por exemplo:
1. Passou a aceitar que as medidas prudenciais (as que impactam diretamente o crédito) são muito mais eficazes que a elevação da Selic.
2. Constatou o óbvio: que, a não ser por alguma pressão sobre serviços, a inflação brasileira é fundamentalmente influenciada pelos preços internacionais de commodities e por indexação de contatos - sobre os quais a Selic não tem nenhuma interferência.
O desafio, agora, será impedir um crescimento pífio do PIB este ano. Terá que suar muito:
1. O consumo interno garantiu o PIB dos últimos anos. Daqui para frente, seu crescimento será cada vez mais próximo do crescimento do PIB. Há um primeiro salto, quando ocorre a mudança nos hábitos de consumo das classes incluídas. O primeiro salto esgota parte da capacidade de contrair financiamentos.
2. Bens de consumo durável e cadeias podutivas continuam sob fogo intenso dos importados. Por enquanto, o novo nível do dólar não segurará a invasão externa. Muito menos permitirá aumento das exportações de manufaturados.
3. Resta a perna do investimento. É por aí que o governo aposta todas as suas fichas. Anunciou um conjunto de medidas de apoio. Mas serão necessários alguns meses ainda para que os empresários acreditem que a nova etapa - crescimento baseado em investimentos - já se consolidou.

Falácias do rei da Selic

Luiz Carlos Mendonça de Barros foi um dos analistas que, em agosto do ano passado, desancou a decisão do Banco Central de reduzir a Selic. Na época, sofismou. Sustentou que o quadro internacional não tinha mudado tanto, quanto alegava o BC, para justificar a queda dos juros.
Agora, muda de opinião.
A diferença dos dois momentos é que, em agosto, Luiz Carlos estava na ponta errada do mercado futuro de juros. Agora, afinou a aposta.
Mesmo assim, continua sofismando.
Não se sustenta a tese de que os investimentos externos são essenciais para garantir a colocação dos títulos longos da dívida, como pretende ele. Pelo contrário.
Primeiro, porque nos próximos anos o BC deixará de rolar pelo menos R$ 50 bilhões da dívida pública, devido à redução do estoque.
Depois, porque o investimento externo aumenta a dívida, ao invés de reduzir, pelas razões abaixo expostas:
  1. O investimento externo entra no país, em dólares. Suponha que seja US$ 1 bi.
  2. O investidor vende no mercado e recebe reais - com os quais investe em títulos públicos.
  3. Na sequência, o BC é obrigado a comprar os dólares para impedir a apreciação excessiva do real. Cada 100 dólares que entra aumenta, as reservas cambiais em US$ 1 bi e a dívida pública bruta em US$ 1 bi. Teoricamente aumentou a dívida pública em US$ 1 bi mas constituiu reservas em dólares no mesmo valor. Logo a operação seria neutra do ponto de vista do endividamento.
  4. Ocorre que, mesmo com a queda da Selic, os títulos públicos pagam 8,5% ao ano, enquanto as reservas são remuneradas a 1% ao ano.
  5. No final de um ano (sem computar variações cambiais), só por conta daquela operação, as reservas cambiais estarão em US$ 1,01 bi, enquanto a dívida pública (contraída para adquirir as reservas) em US$ 1,09 bi.
  6. Portanto, a tal operação de financiamento da dívida pública em dólares, no fundo aumentou a dívida pública em 7,5% ao ano. Isso agora, com a Selic a 8,5%. Com a Selic a 11% - como defendia Luiz Carlos - ao final de um ano, cada dólar que entrava para financiar a dívida pública provoca um aumento de 10% ao ano no estoque da dívida.
  7. A dívida pública cresce 7,5% ao ano em cada aplicação de dólares em títulos públicos. Já cresceu muito mais. Aí vem o Luiz Carlos e informa o distinto público de que, por conta do aumento da dívida pública, o BC não pode reduzir a Selic nem abdicar do investimento externo... que aumenta a dívida pública
Da Folha de S. Paulo
LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS

Juros, uma fronteira importante

Juros reais mais baixos são uma vitória para a sociedade, mas trazem dose maior de responsabilidade
Amanhecemos ontem com a menor taxa Selic desde que o sistema de metas de inflação foi criado, em 1999. O mesmo pode ser dito se considerarmos o juro real (que desconta a taxa de inflação prevista para os próximos 12 meses).
Olhando para a frente, isso quer dizer que as aplicações financeiras devem render aos investidores algo próximo de 3% ao ano. Se descontarmos o pagamento do Imposto de Renda, o numero é ainda mais baixo. Sem dúvida, cruzamos mais uma fronteira importante na evolução da economia brasileira.
Os juros juntam-se agora a outras mudanças estruturais que vêm ocorrendo desde que o presidente Fernando Henrique Cardoso liderou a luta contra a hiperinflação, em 1994. O Brasil tem uma situação fiscal sólida, com o Banco Central reportando ontem que a dívida do governo, descontados ativos líquidos, equivalia a 35,7% do PIB do país.
Mesmo se olharmos para a dívida bruta (56,8% do PIB em abril), vivemos hoje em um país pouco endividado quando comparado com o mundo desenvolvido. Em 12 meses, o deficit nominal chegou a 2,42% do PIB, abaixo do teto de 3% que prevalece na zona do euro e atualmente quase inatingível para vários países que dela fazem parte.
Outra mudança relevante nos últimos anos foi a transformação do real em moeda confiável, forte e que precisa da intervenção do Banco Central para evitar sua valorização excessiva. Apenas os juros continuavam em níveis muito elevados, mesmo depois de acomodar-se em níveis mais civilizados nos últimos anos. Agora vamos viver -devedores e credores- em um equilíbrio mais coerente com a situação macroeconômica que construímos com tantas dificuldades.
Mas para que essa nova realidade dos juros possa ser perene, como as outras mudanças que citei, será preciso uma posição mais cuidadosa do governo -principalmente do Banco Central- na gestão da política econômica. Um juro real elevado representa uma defesa natural maior contra flutuações em preços importantes da economia causadas por forças de mercado ou por erros de política econômica.
Por exemplo, com os juros reais próximos de 3% ao ano, a flutuação da taxa de inflação precisa ser muito menor do que a que ocorria no passado, quando os juros reais chegavam a mais de 8% ao ano.
Com espaço bem menor de segurança, a fronteira entre juros reais positivos e negativos pode ser cruzada com maior frequência e rapidez. Principalmente porque estamos vivendo em um mundo afetado por fortes forças deflacionárias e que poderão mudar de direção se a crise mundial der sinais de acomodação.
Vejam, por exemplo, a queda recente dos preços do petróleo nos mercados internacionais e que salvaram a Petrobras de correção forte nos preços dos combustíveis. Se a economia mundial se recuperar, os preços do petróleo voltarão a subir, e um reajuste será necessário.
Outro exemplo importante desse cuidado adicional é a administração da taxa de câmbio. O financiamento da dívida pública interna, principalmente na parte mais longa de seus vencimentos, depende em grande parte dos investidores estrangeiros.
Com juros mais baixos, o valor do real nos mercados de câmbio passa a ser muito mais decisivo para a manutenção desses investidores em nosso mercado.
E não estamos falando de investidores de curto prazo, ou especuladores, como habitualmente diz nosso ministro da Fazenda.
A responsabilidade pela manutenção da estabilidade microeconômica daqui para a frente será, no final, do BC na condução da política monetária. Os ajustes nos juros Selic, devido a mudanças conjunturais, terão de ser mais rápidos e com maior eficiência. Além disso, a importância das expectativas de mercado em relação à taxa futura de inflação também vai aumentar na administração dos juros, forçando o BC a considerá-la de forma mais relevante nas suas decisões.
Como tudo na vida, juros reais mais baixos representam uma vitória para a sociedade, mas trazem no seu bojo uma dose maior de responsabilidade e eficiência.
LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS, 69, engenheiro e economista, é economista-chefe da Quest Investimentos. Foi presidente do BNDES e ministro das Comunicações (governo Fernando Henrique Cardoso). Escreve às sextas-feiras, a cada 14 dias, nesta coluna. lcmb2@terra.com.br
Luis Nassif
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Guia simplificado do impeachment de Gilmar Mendes

A Folha.com de vez em quando coloca no ar algo realmente relevante - como este detalhamento sobre como se processaria (processará?) o impeachment de Gilmar Mendes. Reparem que, dos quatro crimes de responsabilidade que justificariam seu impedimento, há motivos de sobra para enquadrá-lo, pelo menos, no terceiro e no quarto:
  • "...ministros do STF (...) também podem ser julgados...
  • ...se cometem um crime de responsabilidade, eles são julgados pelo Senado Federal. É o que comumente chamamos de impeachment.
...Diz o art. 39 da Lei 1.079/50, diz que são crimes de responsabilidade dos ministros do STF:
  1. alterar, por qualquer forma, exceto por via de recurso, a decisão ou voto já proferido em sessão do Tribunal;
  2. proferir julgamento, quando, por lei, seja suspeito na causa;
  3. ser patentemente desidioso no cumprimento dos deveres do cargo;
  4. proceder de modo incompatível com a honra dignidade e decoro de suas funções.
E como é que funciona esse julgamento? Bem, nunca tivemos um caso de um ministro do STF sofrendo democraticamente um impeachment, por isso dependerá muito de como o STF e o Senado interpretariam a lei, mas, de forma geral, essas são as regras previstas:
Qualquer cidadão (alguém que esteja com seus direitos políticos vigentes), pode denunciar um ministro do STF que esteja no exercício de seu cargo. Mas a denúncia pelo crime de responsabilidade é feita ao Senado Federal e não ao STF. Essa denúncia deve conter provas ou declaração de onde as tais provas podem ser encontradas.
A mesa do Senado, então, a recebe e a encaminha para uma comissão criada para opinar, em 10 dias, se a denúncia deve ser processada.
O parecer da comissão é então votado e precisa de mera maioria simples (maioria dos votos dos senadores que apareceram para trabalhar naquele dia). Se for rejeitada, a denuncia é arquivada. Mas se for aprovada, ele é encaminhada ao ministro denunciado e ele passa a ter 10 dias para se defender. Será baseado nessa defesa – e na acusação que já foi analisada – que a Comissão decidirá se a acusação deve proceder.
Se decidir que sim, passa-se então a uma fase de investigação, na qual a comissão analisa provas, ouve testemunhas e as partes etc. Findas as diligências, a comissão emite seu parecer que, novamente, apenas de maioria simples para ser aprovado. Se o Senado entender que a acusação procede, o acusado é suspenso de suas funções de ministro do STF.
A partir daí o processo é enviado ao denunciante para que ele apresente seu libelo (suas alegações) e suas testemunhas, e o mesmo direito é dado ao ministro-acusado.
O processo então é enviado ao presidente do STF, que é quem vai presidir o julgamento no Senado (da mesma forma como ocorreu no impeachment do então presidente Collor, em 1992). A partir daí, o julgamento feito pelo Senado passa a parecer muito com um julgamento feito por um tribunal do júri, mas com 81 jurados (senadores).
As testemunhas são intimadas para comparecerem ao julgamento. O acusado também é notificado para comparecer e, se não comparecer, o presidente do STF (que estará presidindo o julgamento), o adia, nomeia um advogado para defender o acusado à revelia, e determina uma nova data na qual haverá o julgamento, independente da presença do ministro-acusado.
No dia do julgamento, depois de se ouvir as testemunhas, as partes e os debates entre acusador e acusado, estes se retiram do plenário e os senadores passam a debater entre si. Findo esses debates, o presidente do STF faz um relatório dos fundamentos da acusação e da defesa, e das provas apresentadas. E aí, finalmente, há uma votação nominal (aberta) pelo plenário, que é quem decidirá se o acusado é culpado e se deve perder o cargo.
Para que ele seja considerado culpado e perca o cargo, são necessários dois terços dos votos dos senadores presentes. Se não alcançar esses dois terços, ele será considerado inocente e será reabilitado imediatamente ao cargo do qual estava suspenso. Se alcançar os dois terços dos votos, ele é afastado imediatamente do cargo, mas o processo não termina aí: dentro de um prazo de até cinco anos, o presidente do STF deve fazer a mesma pergunta novamente aos senadores. E, aí sim, se for respondida afirmativamente, ele perde o cargo definitivamente..."
No Náufrago da Utopia
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