24 de mai de 2012

Presidente do banco do Vaticano é demitido e silencia sobre razão

Ettore Gotti Tedeschi
O presidente do banco do Vaticano, o Instituto para as Obras Religiosas (IOR), Ettore Gotti Tedeschi, foi destituído de seu cargo, informou nesta quinta-feira a assessoria de imprensa da Santa Sé.
O funcionário, consultado pela imprensa, não quis explicar as razões de sua renúncia: "Prefiro não falar, do contrário posso dizer as palavras erradas", comentou.
Em um comunicado oficial o Vaticano explicou que Tedeschi foi destituído "por não ter cumprido várias funções de importância prioritária." A decisão foi tomada por "unanimidade" pelos diretores da instituição, indica a nota.
Nomeado em 2009 para acertar as contas do IOR, Gotti Tedeschi, simpatizante da Opus Dei e, durante anos, maior executivo do Banco Santander na Itália, foi acusado pela imprensa de ter cometido irregularidades e de violar as leis italianas contra a lavagem de dinheiro.
Depois das denúncias, feitas em 2010, a justiça italiana abriu uma investigação judicial contra dois diretores do banco do Vaticano por violação das leis italianas contra a lavagem de dinheiro, colocando a instituição bancária da Santa Sé novamente no olho do furacão depois dos escândalos que a atingiram na década de 80.
Nessa ocasião, o Vaticano manifestou sua "máxima confiança" nos diretores dos bancos envolvidos.
Na nota divulgada nesta quinta-feira, o Vaticano reconhece que se trata de uma medida necessária "para manter a vitalidade da entidade" e que a mudança de dirigente "ajudará" o banco a "reativar relações eficazes e amplas entre o IOR e a comunidade financeira, baseadas no respeito mútuo aos padrões bancários internacionalmente aceitos".
No Terra
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Governador tucano poderia ter evitado a greve dos metroviários

No período de uma semana a população paulista se viu por duas vezes refém da falta de uma política pública de transportes públicos, por inoperância do governo do Estado de São Paulo.
Na sequência de panes diárias nos sistemas da CPTM e do Metrô, os cidadãos paulistas foram vitimados por uma colisão de trens do Metrô e, agora, afetados pelo caos na cidade diante da paralisação dos metroviários.
Essa última situação se dá pela falta de sensibilidade do governo no processo de negociação com o sindicato dos trabalhadores, aliada à ausência de planejamento e ação coordenada para atenuar os problemas previsíveis com a paralisação.
O governo Alckmin, mais uma vez, deixou a população abandonada à própria sorte e se apressou em acionar a força policial para reprimir os protestos da população, que são vítimas diárias do apagão dos transportes em São Paulo, e lançou com celeridade um culpado. Aliás, celeridade não usual em seu governo quando trata de resolver as questões do Estado, mas desta vez ele foi rápido em definir como culpado: “a greve é eleitoreira”.
Há anos a população é mal assistida de serviços de transportes públicos coletivos. A CPTM recebeu nova roupagem de trens novos com serviços velhos, que é facilmente constatada com as paralisações, reduções de velocidades, por conta de problemas nas subestações de energia.
O Metrô está superlotado e também foi atingido pelo descaso do governo do Estado. Diante do caos vivido por milhares de pessoas, que perderam seus compromissos e enquanto outros passaram horas parados em congestionamentos, o governo finalmente cedeu ao bom senso e as negociações avançam.
Na reunião de conciliação do início da tarde, o principal ponto definido foi o índice de reajuste salarial de 6,17%, sendo que até antes da paralisação o governo oferecia 5,71%.
Pelo acordo sinalizado nesta quarta-feira, o vale-refeição dos trabalhadores será reajustado dos atuais R$ 19,50 para R$ 23; vale-alimentação, de R$ 150 para R$ 218 ao mês; mais o pagamento de um adicional de periculosidade de 15% sobre o salário (atualmente é 10%).
Ou seja, o governo tinha margem financeira para fazer a negociação, não havia a necessidade de expor a população paulista a esse sofrimento.
Mas o governador Alckmin optou pela queda de braço com o sindicato, “jogou para a galera” quando atribui a greve à motivação política, como se fosse um agente apolítico,como se não fosse um gesto político buscar solução para o impasse.
O governador poderia ter tido bom senso e sensibilidade de gestão e calcular o custo benefício em defesa dos interesses da população e de, em parceria com os trabalhadores, construir diálogos e soluções.
Deputado Alencar Santana Braga 
Líder da Bancada do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo
No Viomundo

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Câmera da Petrobras flagra criatura gigante no fundo do mar

Câmera de equipamento que estava em uma plataforma de exploração de petróleo no Golfo do México, nos Estados Unidos, captou no último dia 25 de abril a imagem de um ser marinho que é, no mínimo, estranho.
A gravação mostra a "criatura" invertebrada se locomovendo calmamente, lembrando até um lençol de cama, a 2.500 metros de profundidade.
O vídeo foi feito no campo de Cascade, próximo ao estado norte-americano da Louisiana, onde a estatal mantém uma sonda de exploração de petróleo. É possível ver a logomarca da empresa no canto esquerdo do vídeo.
Segundo Álvaro Migotto, vice-diretor do Centro de Biologia Marinha da Universidade de São Paulo (USP), que fica em São Sebastião (SP), não se trata de algo de outro mundo, mas sim de um exemplar de medusa do gênero Deepstaria.
No Cutucando de Leve
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Existem ingênuos na política?

Minha primeira resposta à pergunta acima é dizer sim. Até para me defender de uma possível vontade de dizer não e com isso cair na generalização sobre a atividade exercida profissionalmente por milhares e milhares de vereadores, prefeitos, deputados, senadores, governadores, ministros, juízes e até presidentes da república.
Contudo, os últimos acontecimentos políticos no Brasil provocados pela operação Monte Carlo da Polícia Federal, onde se descobriu, ao que tudo indica, o ninho de um jornalismo marginal e criminoso entre nós, parecem indicar que sim: existem políticos ingênuos. Ou melhor: políticos e não só cuja ingenuidade poderá agora ser posta à prova, tendo estes a oportunidade de comprovarem a sua boa fé ou – e isso será curiosamente revelador – se usam ou usaram os seus cargos e seus mandatos ou eventuais postos de comando em determinadas situações para cometerem – sob o disfarce das leis que os protegem – crimes contra a democracia, o povo e a constituição federal brasileira.
Tomemos aqui alguns exemplos bem recentes para comprovarmos a nossa modesta tese. O caso do procurador geral da república Roberto Gurgel que, ao receber relatório da Polícia Federal da Operação Vegas sobre as contravenções do empresário bicheiro Carlinhos Cachoeira e que não levou à frente o processo. Ingenuidade ou o procurador compactuou com o crime organizado?
Vendo-se confrontado com a possibilidade de ser chamado a comparecer à CPMI Veja/Demóstenes/Cachoeira para explicar a lambança, quis dar a entender que essa possibilidade seria uma tentativa de vingança dos que estão para responder sobre o Mensalão de 2005. Acontece que o Mensalão de 2005, como lembra o jornalista Mino Carta, está por se provar. Mais que isso: existem indícios de que esse mesmo mensalão, que provocou uma grande CPI no Congresso Nacional, com enormes gastos para os cofres públicos, teria sido concebida no vente de uma operação de crime jornalístico entre o bicheiro e a revista VEJA.
O senador Demóstenes Torres, o Catão do cerrado (como é chamado pelo jornalista Paulo Henrique Amorim), homem íntegro e probo até prova em contrário está a poucas horas de depor na CPMI e ali desfazer a cachoeira de denúncias que pesam contra ele. Na sua ingenuidade, talvez, o ínclito senador Demóstenes pensou em ajudar o Brasil a se livrar de homens corruptos, tornando-se amigo do empresário Carlos Cachoeira, num claro exemplo de maquiavelismo e perspicácia política às avessas. Ou seria o contrário?
Nessa cruzada cívica, juntou-se a jornalistas experientes e também ingênuos, pois a melhor maneira de denunciar os crimes – segundo a tese desses mesmos jornalistas – é unir-se aos criminosos, nem que seja por dever de ofício. Afinal, a melhor maneira de surpreender e denunciar um crime é aliar-se ao criminoso. A tese deveria entrar no currículo das escolas como técnica de jornalismo investigativo.
A revista VEJA, exemplo da mais cristalina ética jornalística e grande defensora dos direitos de liberdade de expressão para ela e alguns coleguinhas, escreveu numa de suas últimas capas esta pequena chamada: ‘Como Demóstenes conseguiu enganar tantos em tanto tempo?’ Quanta isenção, não caro leitor? Quanto espírito crítico… Como é que essa tribuna da liberdade de imprensa, essa luz que ilumina a escuridão no país, se deixou enganar, como todos nós, por tanto tempo? Ingênuos, talvez?…
O relator da malfadada CPI do dito mensalão, senador Osmar Serraglio, outro que deve andar com a pulga atrás da orelha, também apareceu esses dias na imprensa para defender o relatório final dos trabalhos que comandou. Claro: como explicar aos seus eleitores e ao país que Caixa 2 não é pagamento de mensalidade a deputados para votarem matérias de interesse do governo? Como explicar que os vídeos com o funcionário dos correios recebendo propina e do funcionário Waldomiro Diniz foram manipulados para uso criminoso contra membros do governo Lula? Como admitir que fossem enganados por uma quadrilha comandada por um bicheiro e manipulados por interesses corporativos apoiados por jornalistas venais e inescrupulosos?
Ninguém gosta de admitir que foi ou é enganado, ainda mais por bandidos. São histórias que me fazem lembrar o velho e surrado golpe do bilhete premiado. A vítima, gananciosa ou ingênua, jamais se perdoará pelo papel ridículo que faz.
Nos exemplos acima citados, e outros poderão ser comprovados no avançar da CPMI-Demóstenes/VEJA/Cachoeira, ficamos todos com a impressão de que boa parte de nossos políticos, alguns empresários, juízes e donos dos principais meios de comunicação do país são pessoas ingênuas, crédulas nas suas próprias boas intenções e de seus pares e sócios no crime, quero dizer, no desvelo para com a nação.
Conclusão? O ingênuo Policarpo, abençoado pelo chefão, telefonou duzentos vezes ao contraventor Cachoeira para ver se ele era mesmo contraventor. Como não encontrou provas disso, defendendo-o publicamente numa outra CPI, arriscou dizer ao chefão que descobriu umas coisinhas nas conversas que poderiam limpar o país da gigantesca corrupção dos bandidos do PT. Publique-se, disse o ingênuo chefão. Televisões ingênuas e jornais ingênuos repercutiram as conversinhas do ingênuo Policarpo com o exemplar cidadão Cachoeira e o país mergulhou num mar de lama nunca dantes visto entre nós.
Olhos atentos e nada ingênuos de homens praticantes de privatarias e outras licitações ilícitas riam-se a bandeiras despregadas, antegozando a volta ao poder. Nessa altura centenas de milhares de ingênuos se deram as mãos no Legislativo, no Judiciário, na Imprensa, na sociedade em geral e, numa demonstração inequívoca de que somos uma nação que preza a democracia em todos os seus pormenores, julgamos e condenamos cidadãos antes que pudessem se defender.
Nada como o passar do tempo. Sempre haverá uma luz no final do túnel e com toda a certeza ela não provém da imprensa calhorda que debocha do ingênuo cidadão brasileiro, pois ingênuos somos nós, contribuintes e eleitores.
A verdadeira democracia não se compraz com a ação deletéria dos pusilânimes. Muito menos com a ação de uma imprensa que se nutre na seiva da mentira e da chantagem, de um Congresso acovardado e de um Judiciário manipulado por interesses criminosos.
Izaías Almada, escritor, dramaturgo e roteirista cinematográfico, É autor, entre outros, dos livros Teatro de Arena, Uma Estética de Resistência, da Boitempo Editorial e Venezuela Povo e Forças Armadas, Editora Caros Amigos.
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Entrevista de Xuxa vista ao contrário traz mensagem subliminar

Xuxa (foto acima) não tocou em assuntos polêmicos, como o gosto duvidoso da linha de roupas O Bicho Comeu
PROJAC - Teólogos da USP descobriram mensagens subliminares na entrevista concedida por Xuxa ao Fantástico. "Basta rodar o vídeo ao contrário para encontrar respostas sobre temas proibidos", explicou o professor Tércio Abravanel. Incentivado pela reportagem do i-Herald, Tércio elencou suas descobertas:
Munido de um software que lê vídeos ao contrário e, automaticamente, gera lendas urbanas, Abravanel explicou: "Aos 15 minutos, a apresentadora admitiu que namorou Edson e Pelé ao mesmo tempo". Mais adiante, o pesquisador garantiu que o verdadeiro convite de Michael Jackson não foi um pedido de namoro. "O astro pop queria o knowhow de Xuxa para gravar o DVD Michael Jackson só para Baixinhos", explicou. Em outro trecho, a loira revelou a identidade secreta do personagem Praga: "Era Marlene Mattos", disse, emocionada.
Após negar que canta "Tá na hora / Tá na hora / Tá na hora de brincar" entre quatro paredes, a apresentadora divulgou, pelo twitter, o trecho correto que embala seus enlaces: "Pula, pula / Bole, bole / Se embolando sem parar / Dá um pulo vai pra frente / De peixinho vai pra trás".
Perto do final, a apresentadora anunciou que processará Eike Batista por banalizar o uso da letra X.
Xuxa não conseguiu explicar por que dava espaço em seu programa para Conrado, Patrícia Marx, Cid Guerreiro e Andréia Sorvetão.
Em trecho ainda não revelado, o entrevistador teria perguntado "Quer mandar um beijo para quem?", ao que Xuxa respondeu "Pra minha mãe, pro meu pai e pra você."
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Comissão aprova união estável entre homossexuais

A Comissão de Direitos Humanos do Senado aprovou nesta quinta-feira (24) projeto de lei que inclui no Código Civil a união estável entre homossexuais e sua futura conversão em casamento. A proposta transforma em lei uma decisão já tomada por unanimidade pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em maio de 2011, quando reconheceu a união estável de homossexuais como unidade familiar.
Em seu relatório sobre o PL, a senadora Lídice da Mata (PSB-BA) defendeu a proposta lembrando que o Congresso está atrasado não apenas em relação ao STF, quanto em relação à Receita Federal e ao INSS, que já reconhecem casais do mesmo sexo em suas normas. A senadora lembra, no entanto, que a conversão de união estável em casamento não tem qualquer relação com o casamento religioso. A proposta, da senadora Marta Suplicy (PT-SP), ainda terá que passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) antes de ir a plenário e também terá que ser votada pela Câmara dos Deputados, onde deverá enfrentar muito mais resistência do que no Senado, especialmente por parte da chamada bancada evangélica.
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Dilma e a Política Externa Soberana

Em todos os encontros internacionais, entre eles o de Cartagena de Índias, no mês passado, o Brasil vem reafirmando a independência em suas relações externas – depois da vergonhosa capitulação ocorrida durante o governo dos dois Fernandos, Collor e Cardoso.
Política externa soberana não significa o jogo retórico de declarações agressivas, mas a exposição clara de uma atitude serena, e firme.
As relações entre os Estados nacionais são semelhantes às que se dão entre os vizinhos. O ideal é a amizade solidária, mas sem perder de vista o direito de cada uma das famílias a viver de acordo com suas ideias, suas regras próprias de conduta, e seus interesses privados. 
É assim que as visitas são recebidas em espaço próprio, com a família reunida, e a conversa gira em torno dos interesses gerais. Nenhum visitante honrado dirá aos donos da casa como governar a sua família. Nas relações internacionais essa conduta era conhecida, até tempos recentes, como o princípio da autodeterminação dos povos e de não ingerência em seus assuntos internos.
O ideal nas relações externas é o da universalidade. Devemos manter o diálogo diplomático com todos os países do mundo, mesmo que a sua política interna nos desagrade. Enquanto eles não prejudicarem os nossos interesses nem ofenderem a dignidade de nosso povo, não há por que cortar os contatos nem impedir os negócios de vantagens recíprocas. 
Essa universalidade, no entanto, não nos impede de ter laços mais fortes com um ou outro país, de manter alianças políticas e comerciais com determinadas nações ou conjuntos de nações. A política de alianças internacionais é tão antiga quanto as comunidades autônomas. Elas já existiam nas tribos pré-históricas, e sempre se fazem para a defesa ou para a conquista. 
Entre outras alianças de povos primitivos, que o Brasil conheceu de perto, temos a Confederação dos Tamoios – a tentativa, frustrada, da retomada, pelos índios brasileiros, de sua soberania sobre o território, com a expulsão dos portugueses. O erro político dos Tamoios foi buscar a aliança com os franceses, e não ampliar a confederação com outras nações autóctones – o que significaria apenas a troca de amos.
De qualquer forma, os Tamoios – em tupi, os donos antigos do território – tiveram como resultado o abandono posterior da escravidão dos nativos.
O Brasil, naturalmente, está se compondo com a China, a Rússia, a Índia e a África do Sul, em aliança conhecida como Brics. Não é uma formação de caráter ideológico nem militar, mas organização de interesse econômico e de defesa da soberania de cada um deles.
Como em todas as alianças, nessa incorrem riscos, mesmo porque o peso econômico e militar de seus membros é desigual.
Corre-se, entre outros riscos, o de deixarmos em segundo plano a aliança prioritária, com os nossos vizinhos da América do Sul. É preciso romper os tabus, que nos perseguem há mais de um século, e acelerar os entendimentos entre os que vivemos lado a lado e temos origem histórica comum. Mas – e essa tem sido a postura do governo, desde Lula – levamos em conta que o Brasil pode ter inimigos, mas não deseja ser inimigo de ninguém. Daí a correta posição da presidenta da República: defesa da economia nacional é uma coisa, protecionismo é outra.
É certo, no entanto, que, em alguns momentos, as duas ideias se justapõem. Entre a acusação de protecionismo e a de entreguismo, é preferível a primeira. Foi com o protecionismo de sua marinha mercante – assumida por Cromwell, em 1651, com o primeiro dos Navigation Acts – que a Inglaterra se tornou a grande potência imperial do século seguinte.
Um país das dimensões do Brasil necessita do comércio internacional, mas a sua imensa potencialidade está dentro das próprias fronteiras. Está em seu povo, que deve ser protegido contra qualquer forma de domínio estrangeiro.
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Lula e o ressentimento do Estadão

O Estadão até hoje não engole a popularidade de Lula. Nas eleições de 2010, ele apoiou, em editorial, o tucano José Serra e sofreu a sua terceira derrota seguida num pleito presidencial. Em seu conservadorismo saudoso dos tempos da Velha República, quando publicava anúncios da venda de escravos, o jornal da famiglia Mesquita é “prisioneiro do ressentimento” – como intitula o seu editorial desta quarta-feira (23).
O artigo critica o discurso de Lula por ocasião da entrega do título de Cidadão Paulistano na noite de segunda-feira. Nele, o ex-presidente abordou a tentativa de “parte da oposição e da imprensa” de derrubá-lo durante a crise do chamado mensalão do PT – em 2005/06. O Estadão deve ter se sentido incomodado, já que participou ativamente desta frustrada ação golpista.

Obsessões e fantasmas do jornalão

Rancoroso, o editorial afirma: “Mais velho e mais sofrido – e nem por isso mais sábio –, o ex-presidente Lula levou para a Câmara Municipal de São Paulo suas obsessões e os seus fantasmas: as elites e o mensalão”. Além de defender a gestão de Marta Suplicy, tão atacada pelas elites paulistanas e pelo Estadão, Lula ainda “repetiu pela enésima vez ‘que tentaram dar um golpe neste país’”.
Para a cínica famiglia Mesquita, a versão da história do ex-presidente é “falsa”. Não houve tentativa de golpe. Pelo contrário. “A oposição preferiu não pedir o seu impeachment para não traumatizar o país pela segunda vez em 13 anos... O presidente poderia ser afastado, se as elites quisessem levar a ferro e fogo o combate político. Se conspiração houve, em suma, foi para ‘deixar pra lá’”.

Surra histórica da mídia golpista

O ressentimento doentio do Estadão chega a ser patético. O jornal acha que as elites, inclusive a midiática, podem tudo! Elas é que teriam “salvado” o ex-presidente operário. O Estadão só não consegue explicar como Lula, apesar do bombardeio, manteve-se no poder, conseguiu se reeleger e ainda fez a sua sucessora. Lula derrotou a mídia golpista e o Estadão não engole esta surra histórica.
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Brasil será 5º PIB Mundial?

A OCDE acaba de divulgar a projeção do crescimento do PIB de vários países.
Para o Brasil, a projeção é de crescimento de 3,2% em 2012. O da França, de 0,6%.
Ora, se estas projeções se confirmarem, há possibilidade de no final deste ano se tornar o 5º PIB do mundo, superando a França (Brasil teria 2,3 trilhões de dólares e a França ao redor de 2,7 trilhões de dólares). Mesmo que não supere, a projeção da OCDE é de crescimento do PIB francês para 2013 em 1,2% e o do brasileiro superior a 3%.
Embora a qualidade de vida e os serviços públicos não estejam à altura do PIB, não se pode negar que esta dinâmica econômica mundial é surpreendente.
Vejam as projeções da OCDE para outros países:

PAÍS
CRESCIMENTO PIB 2012 (%)
CRESCIMENTO PIB 2013 (%)
Chile
4,4
5,1
México
3,6
3,8
EUA
2,4
2,6
Canadá
2,2
2,6
Japão
2,0
1,5
Alemanha
1,2
2,0
Reino Unido
0,5
1,9
Espanha
- 1,6
- 0,8
Itália
- 1,7
- 0,4
Portugal
- 3,2
- 0,9
Grécia
- 5,3
- 1,3
No de Esquerda em Esquerda
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Desrespeito aos direitos humanos não pode abrigar-se na liberdade de imprensa

Nota oficial

A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) torna público seu veemente repúdio à produção e exibição, no programa "Brasil Urgente", da TV Band Bahia, de entrevista que expõe à humilhação um jovem negro detido pela polícia, acusado de assalto e estupro. Programas policialescos, irresponsáveis e sensacionalistas não podem ser tolerados pela sociedade por se travestirem de produções jornalísticas. Na verdade, estes programas ferem os princípios e a ética do Jornalismo e configuram abuso das liberdades de expressão e de imprensa, por violarem os direitos constitucionais da cidadania.
A entrevista “Chororô na Delegacia: acusado de estupro alega inocência”, veiculada no programa "Brasil Urgente", foi feita por Mirella Cunha, que não é jornalista profissional, na 12ª Delegacia de Itapoã. As atitudes da entrevistadora, que em nada segue a técnica e a ética jornalísticas, deixam evidente a intenção de constranger e humilhar o jovem detido. Diante da sua alegação de inocência da acusação de estupro e de sua disposição de submeter-se a exame pericial para comprová-lo, a entrevistadora debocha do jovem por ele não saber o nome do exame que poderia ser feito para compravar sua inocência e dá gargalhadas.
A entrevista ganhou repercussão nacional pelo YouTube, onde foi postada sob o título “Acusado de estupro quer fazer exame de próstata”. A Band, diante da repercussão negativa na rede mundial de computadores, divulgou nota em que anuncia que “a postura da repórter fere o código de ética do jornalismo da emissora". Informações extraoficiais dão conta de que ela foi demitida.
A FENAJ defende, quando couber, a aplicação de medidas disciplinares aos profissionais do Jornalismo. Entretanto, a Federação dos Jornalistas alerta a sociedade brasileira para a necessidade de responsabilização das empresas da mídia, que definem os formatos de seus programas e os impõem aos profissionais e ao público.
Infelizmente, o caso em voga, registrado na Bahia, não se esgota em si. Práticas semelhantes ocorrem cotidianamente na produção pseudojornalística da grande imprensa – principalmente em programas popularescos de cobertura policial transmitidos em rádios e TVs –, ferindo a dignidade humana.
Diante de tamanho desrespeito aos direitos humanos e transgressão aos princípios do Jornalismo e à ética jornalística, cometidos não só pelos profissionais que se sujeitam a tais práticas, como também pelas empresas que as promovem e pelos agentes do Estado que cometem abuso de poder, a FENAJ reivindica do governo da Bahia a apuração dos fatos e das responsabilidades, no âmbito dos órgãos de segurança pública, e do Conselho Estadual de Comunicação medidas para coibir práticas semelhantes, acionando, no que couber, o Ministério Público Estadual e os poderes constituídos.
Brasília, 23 de maio de 2012.
Diretoria da FENAJ
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O jornalismo não está acima da lei nem pode pisotear ninguém

Quando se discute liberdade de imprensa no Brasil, os sinais costumam chegar truncados. Às vezes por ingenuidade, normalmente por má-fé, quem defende esse princípio universal de forma absoluta e radical costuma ser instrumento de uma manipulação que só convém ao pior tipo de interesse.
Os usurpadores da democracia são canalhas da pior natureza. Historicamente, se bandeiam para o lado da opressão ao menor sinal de fraqueza dos que verdadeiramente defende valores como justiça, igualdade e tolerância. São predadores da civilização.
Não estou falando apenas dos policarpos e comunicadores com algum lastro de cultura. Esses são os profissionais que, a peso de ouro, conspurcam a República e se aliam aos poderosos mais inescrupulosos. Também há o baixo clero, o esgoto, a excrescência, os que praticam os abusos mais indecorosos, a troco de nada, sem nenhum requinte, a não ser o de crueldade.
Se tiver estômago, assista a esse vídeo, de uma concessionária da Band na Bahia, em que uma suposta repórter chega ao mais baixo nível da comunicação. Parece que ela está fazendo teste para entrar no CQC. Caso não soubesse se expressar por meio de palavras, característica a princípio humana, seria o mais acabado exemplo de animal selvagem e ilógico. Desumano.
Antes de mais nada: não estamos aqui para defender bandido. O desgraçado da "reportagem" assume seus crimes e nem protesta quando, de passagem, narra ter sofrido prováveis agressões físicas. Só insiste com veemência que umas das acusações não procede, a de estupro. Tudo isso, a veracidade ou não do discurso do marginal, é irrelevante diante da postura da pretensa entrevistadora.
Nem vale a pena perder tempo com ponderações. Essa moça, Mirella Cunha, é o que, além de ridícula? Meu repertório de adjetivos infames é vasto, mas insuficiente para descrever o asco que ela me despertou. Que Constituição se prestaria a garantir o direito de alguém, sádica e bestialmente, humilhar, constranger e tripudiar? Para depois julgar de forma sumária? Nenhuma Carta Magna permite esse arbítrio, muito menos a nossa. Isso não é liberdade de imprensa. É abuso, sociopatia, desvio moral, a indecência que vocês imaginarem. Tudo, menos jornalismo.
Essa moça que aparece segurando um microfone merece ser processada. Ela é uma esculhambação, uma meliante indigna dessa e muitas outras profissões. A que ponto chegamos? Mais do que a Justiça, a própria imprensa não pode dar cobertura à existência desse tipo de profissional.
Cabe uma precaução: a censura prévia é impensável, destruiria os pilares do jornalismo. Mas, a partir do momento que algo foi publicado, cada veículo deve se responsabilizar pelas consequências do que divulgou. Se houve erro, assuma. Se houve crime, que pague por ele.
Ninguém, nem nada, pode estar acima da lei. Nem mafiosos nem garotas de programa (jornalístico, no caso).
Marco Antonio Araujo
No O Provocador
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Família Civita já passou por CPI para explicar corrupção do Grupo Abril

Os parlamentares do nosso Congresso precisam perder o medo de convocar barões da mídia e jornalistas para depor em CPI.
Na época da ditadura – no ano de 1982 – o irmão de Roberto Civita já depôs, e não foi por perseguição dos militares. Foi por se envolver num escândalo de corrupção, acusado de favorecimento por ministros e dirigentes de bancos estatais.
Quem conseguiu convocar a CPI foi a oposição à ditadura, através de um requerimento do então deputado Del Bosco Amaral do PMDB. Mas o partido da ditadura, o PDS (sucessor da ARENA e ancestral do DEM e do PSD), capturou a presidência e a relatoria da CPI.
A história começou em 1980, durante o governo do general Figueiredo. O jornal O Estado de S. Paulo rompeu com o corporativismo na imprensa e publicou denúncias do escândalo de corrupção do Grupo Abril, donos da revista Veja.
Tratava-se da construção dos hotéis Quatro Rodas, em pontos turísticos no Nordeste, com incentivos fiscais da SUDENE e dinheiro público vindo de empréstimos do BNB (Bando do Nordeste), Banco do Brasil e até do extinto BNH (Banco Nacional da Habitação), criado para financiar só a habitação, foi colocado para financiar hotel de luxo, na hora de dar "aquela ajudinha" ao Grupo Abril.
O assunto acabou virando a CPI Quatro Rodas, na Câmara dos Deputados, em que o diretor do Estadão, Rui Mesquita Neto, depôs como testemunha, e falou sobre a série de reportagens cobrindo o escândalo de corrupção da Abril.
Em outra sessão de inquéritos da CPI foi a vez de Richard Civita (irmão de Roberto Civita), então presidente da empresa Hotéis Quatro Rodas, depor para dar explicações sobre o rombo produzido nos cofres públicos.
A Abril não conseguia pagar os empréstimos e nem terminar os hotéis. Para resolver a questão, os ministros da ditadura deram um jeitinho: o BNB e o Banco do Brasil viraram acionistas dos hotéis como forma de quitar a dívida, amargando prejuízos.
Os parlamentares da CPI ligados à ditadura e amigos dos Civita, fizeram a CPI “terminar em pizza”, com um relatório favorável ao Grupo Abril.
Os parlamentares de oposição fizeram um relatório alternativo, com demonstrativos de perícias contábeis, mostrando o prejuízo causado aos cofres públicos.
Como se vê, até na ditadura teve parlamentares que chamaram os Civita às falas por maracutaias com ministros poderosos. Então é inaceitável que hoje, em plena democracia, nossos congressistas "pipoquem" e não cobrem explicações sobre a parceria Veja-Cachoeira, claramente mostrada pelas recentes investigações da Polícia Federal.
Helena Sthephanowitz
No Rede Brasil Atual
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Demóstenes sem testemunha. E o Civita?

O ex-demo Demóstenes Torres já está no inferno. Ele não conseguiu sequer testemunhas de defesa para as audiências do Conselho de Ética do Congresso Nacional. O mafioso Carlinhos Cachoeira, tão chegado do senador, negou o seu convite para depor. Já o advogado Ruy Cruvinel anunciou ontem que também não irá, “em consideração à família” e por “optar por sua privacidade”.
No Conselho de Ética já é dado como certo o pedido de cassação do mandado do ex-líder do DEMo no Senado. Há risco, inclusive, de que ele seja imediatamente levado para a cadeia. Desta forma, dois famosos demos teriam visitado o presídio – antes dele, o ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, cotado para ser o “vice-careca” de José Serra, também passou alguns dias na cadeia.
Mas os advogados de Demóstenes Torres ainda podem acionar outras testemunhas de defesa. Eles até poderiam convidar o capo da “prestigiada” revista Veja, Bob Civita. Durante muitos anos, o ex-demo foi a principal fonte da revista. Ele era apresentado como um “mosqueteiro da ética”, um oposicionista firme e impoluto. Civita também poderia escalar o seu editor, o Policarpo Jr., que conhece bem o submundo do crime, e alguns calunistas de aluguel para defenderem o pobrezinho do ex-demo.
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Tucano confirma que recebia R$ 25 mil por mês do esquema Cachoeira

Espremendo o bagaço da reunião da CPI do Cachoeira, até que deu suco.
Apesar de atacar o trabalho da Polícia Federal, tentando anular provas; apesar de tentar jogar vários nomes de políticos ao vento como "amigos", querendo diluir o nome Marconi Perillo entre tantos outros; o pouco que falou o ex-vereador tucano Wladimir Garcez foi bastante útil.
Ele confirmou que recebia em torno de R$ 20 mil da empreiteira Delta para assessorar o ex-diretor Cláudio Abreu, e mais R$ 5 mil para assessorar Carlinhos Cachoeira.
É o primeiro integrante do PSDB goiano, muito próximo de Marconi Perillo, que admite receber dinheiro da organização de Cachoeira.
O resto da reunião foi mais do mesmo. Muito demotucano querendo tumultuar para melar a CPI, muito resmungão tucano tentando afastar as investigações de Perillo, quando o depoimento de Garcez admitindo receber dinheiro de Cachoeira, só reforça a encrenca para o lado do governador tucano.
ZéAugusto
No Amigos do Presidente Lula
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Cascata

Ao contrário do que se diz, é fácil prever o resultado de uma CPI como a do Cachoeira. Basta somar os diferentes vetores conflitantes, pesando as forças das representações e seus elos diretos ou indiretos com os assuntos abordados. No caso específico, essa dinâmica tende a zero.
Os adversários de Sérgio Cabral, Demóstenes Torres, Marconi Perillo e Agnelo Queiroz (aqui inclusos alguns inimigos da Copa do Mundo) apostam nas punições dos respectivos desafetos, mas não se incomodariam em abandonar o projeto pela absolvição dos próprios aliados. A oposição vê na Delta um atalho para demolir a imagem empreendedora do governo Dilma. O Planalto responde acenando com a esquecida Privataria Tucana. Todos brincam de guerrear, enquanto os bodes expiatórios são preparados para o sacrifício no momento oportuno.
Parte do PT quer iluminar os bastidores nebulosos do escândalo midiático em torno do chamado “mensalão”, para refrear a ideologização dos votos no STF. Quanto mais aposta nos questionamentos ao procurador-geral Roberto Gurgel, no entanto, mais atiça o corporativismo e o senso de autonomia do Judiciário. Que, por sua vez, possui diversos instrumentos persuasivos contra a exaltação eventual de deputados e senadores.
Outra ala da esquerda luta para atingir o tal Policarpo Jr e a Veja, seu panfleto reacionário, criando precedente para elucidar os abusos da imprensa corporativa nos últimos anos. Mas a blogosfera está redondamente enganada se pensa que os nobres congressistas abraçarão uma cruzada brancaleônica pela “murdochização” de Roberto Civita. A mídia graúda sabe o que está em jogo ali e mostra que não poupará esforços para desmoralizar os trabalhos da Comissão caso ela afronte certos limites. E, convenhamos, é bem fácil desmoralizar nossos egrégios representantes.
Faltam poucos meses para o período eleitoral sepultar de vez a CPI e as expectativas que ela criou. Algo que seus protagonistas aceitarão com um suspiro aliviado e a certeza do dever cumprido.
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O rapaz pobre, "estuprador", e o jornalismo de esgoto, branco e rico

Escrevi recentemente um artigo para o Global Voices sobre o rapaz Paulo Sérgio, negro e pobre, humilhado em um programa da Bandeirantes da Bahia por uma jornalista branca e obviamente privilegiada, mas acredito que eu precise expressar minha opinião de forma ainda mais clara. E o faço a seguir.
No vídeo, Paulo Sérgio chora, se desespera, enquanto é chamado de estuprador - o que ele nega - mas, no fim, pouco importa. O desrespeito da repórter - e do programa, da Bandeirantes e da falta de regulação da mídia que o governo nega à sociedade - não é só ao rapaz, mas também à suposta vítima de estupro, pois se tivesse efetivamente sido estuprada estaria vendo o crime ser tratado como galhofa na TV.
Mesmo que um ladrão - e confesso, mesmo que sem julgamento - Paulo Sérgio não merecia ser tratado da forma que foi. aos criminosos a lei, a prisão, e não a humilhação pública sob a tese de que estaria "pagando" pelo que fez. Ser humilahdo e ter a vida destruída em público não é "pagamento", é tortura.
A jornalista, branca, bonita, com educação (em tese), não faz ideia, por exemplo, de onde vem Paulo Sérgio, do que passou. Não que isto, em si, desculpe atos criminosos, mas ao menos nos permite compreender parte do problema. E a própria jornalista não é a única culpada, mas sim um produto do jornalismo brasileiro atual, com felizes ecxeções, que busca apenas o entretenimento e que é capaz de transformar até o estupro (suposto) em uma forma de fazer rir.

Processo

O ministério Público da Bahia irá processar a jornalista... Mas só ela? Ela é culpada, claro, mas não é a única. Não saiu só de sua cabeça a ideia de humilhar o rapaz, mas este é o mote do programa da qual faz parte, assim como de vários outros, e de sua rede de TV. Não partiu dela unicamente a iniciativa  de humilhar o rapaz, ou qualquer pessoa em situação semelhante, mas é a regra deste tipo de programa, incentivado por seus diretores e donos de TV.
Não faltam jornais que pingam sangue, com closes grotescos de vítimas - inocentes ou não - que tratam o ser humano como lixo sem respeito por sua dignidade e pelos direitos humanos. Na TV a mesma coisa.
Não adianta punir (apenas) a jornalista, reclamar do programa e dar um tapinha na cabeça da Band a título de "não façam mais isso, ok?". É preciso ir atrás da concessão da rede, realmente causar algum dano, ameaçar de forma que haja uma mudança. Da forma como tudo acontece hoje, a rede finge que reconehceu o erro e o repete na semana seguinte. E é isto mesmo que acontecerá, já que a Band ameaça demitir a jornalista, mas não comenta sobre o nojo que é seu programa e dificilente mudará alguma coisa.
E não podemos nos esquecer da conivência de agentes do Estado - policiais - e do governo da Bahia por permitir que um canal de TV entre da forma como fazem em delegacias para humilhar presos, que estão sob a tutela e responsabilidade do Estado.

Comédia versus jornalismo

Será que teremos no futuro repórteres fazendo paidas de desastreas aéreos? Já temos o CQC, cujos comediantes se auto-declaram "jornalistas", mas são repudiados por muitos dos verdadeiros trabalhadores de jornais, rádios e TV's, pois não exercem a profissão com ética e dignidade, mas transformando tudo numa grande piada. E, infelizmente, os policialescos que pipocam pela TV fazem um serviço semelhante, mas adicionando a degradação social no hall da comédia.
Trata-se de um jornalismo feito pela elite e para as elites, para que estas possam rir da desgraça alheia, de onde não querem se aproximar. Estereotipam a periferia, aplaudem a violência contra o pobre, contra o negro, criminalizam as lutas e tem medo, pavor, de que haja uma reação capaz de subverter essa realidade. É o serviço oficial da elite para manter seus privilégios e manipular mesmo - ou especialmente - aqueles "do andar de baixo" para que aceitem sua posição. 
Oras, riam de sua desgraça e da de seus semelhantes. Mas façam isso em casa.
A Confecom aconteceu há anos, o Ministério das Comunicações não se moveu desde então e a farra continua.

Manipulação é a regra

Um jornalismo emancipatório, crítico, faria com que houvesse ação, revolta, talvez até mudanças. Uma regulação da mídia, impondo a ética e punindo coisas grotescas como programas policalescos onde as vítimas são ridicularizadas tanto quanto os que as vitimam em um show de horrores em busca de ibope, apavora os donos do poder, que perderiam seu principal instrumento de doutrinamento e controle.
É interessante que na mesma semana em que surge este caso - apesar do vídeo não ser exatamente novo - tenhamos (com seus respectivos limites de comparação e tamanho, claro) por exemplo um jornalista da Globo chamando de 'babaca" um jogador que se recusou a participar de um quadro do principal dominical da rede. Ao fazer 3 gols, Herrera, do botafogo, teria "direito" a pedir uma música no programa. E se recusou, dando a entender que achava uma tolice.
E é de fato uma tolice. Em seu direito de se recusar a participar involuntariamente de um programa de TV, Herrera despertou a ira daqueles que tomam o jornalismo (seja o policial, o esportivo ou qualquer outro) como simples entretenimento, até mesmo humor. Me recordo de quando um jogador de futebol americano ao fazer 3 touchdowns pediu uma música de uma banda de metal extremo em outro programa da mesma Globo, mas editaram o vídeo fazendo aprecer que ele pedira o de uma cantora qualquer, porque o metal, talvez, fosse demais para os ouvidos do pobre telespectador e, afinal, a cantora era parte do cast era da gravadora da... Globo!
A manipulação é clara, a falta de ética mais clara ainda.
É um exemplo que parece não ter relação, mas mostra como é fácil e comum a manipulação da mídia, a falta de ética e como tudo fica impune, apesar do governo ter noção do que acontece. Mas nada faz.
Em São Paulo, estamos no meio de uma greve do Metrô e trens e em todos os jornais não ouvimos a voz ou não lemos a opinião de nenhum metroviário, apenas do governador e de seus imediatos. Não há espaço para as reividnicações dos trabalhadores, apenas para a criminalização da greve através de frases como "São paulo está um caos" e afins. Esta é a regra. A voz dos patrões frente o resto.
A mídia faz o que quer, como quer e nada a impede.
Não se trata, porém, apenas de regular a mídia, de impor limties éticos, mas de se investir em educação, em cultura. Há quem consuma este lixo, há uma retroalimentação. Esta que só pode mudar com conscientização, com longo trabalho de ensinar direitos humanos, com educação de qualidade e emancipatória e a intenção de mudar a sociedade.
Raphael Tsavkko Garcia
No Blog do Tsavkko - The Angry Brazilian
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Desocupação foi de 6,0% em abril

A taxa de desocupação de abril de 2012 foi estimada em 6,0% para o conjunto das seis regiões metropolitanas. Na comparação com março (6,2%), não ocorreu variação estatisticamente significativa. Frente a abril de 2011, quando a taxa foi de 6,4%, verificou-se declínio de 0,4 ponto percentual. O contingente de desocupados foi estimado em 1,5 milhão de pessoas em abril no agregado das seis regiões investigadas, apresentando estabilidade em relação ao mês anterior e a abril de 2011. A população ocupada atingiu 22,7 milhões para o conjunto das seis regiões, não assinalando variação significativa frente ao mês de março. No confronto com abril de 2011, foi verificado aumento de 1,8%, o que representou um adicional de 396 mil pessoas nesse contingente em 12 meses. O número de trabalhadores com carteira de trabalho assinada no setor privado, em abril desse ano, foi de 11,1 milhões no agregado das regiões pesquisadas. Este resultado foi considerado estável frente a março. Verificou-se crescimento de 2,8% neste indicador na comparação com abril de 2011, o que representou um adicional de 308 mil postos de trabalho com carteira assinada no período de um ano. O rendimento médio real habitual dos trabalhadores, apurado em abril de 2012 em R$ 1.719,50 para o conjunto das seis regiões, caiu 1,2% em relação a março de 2012. Na comparação com abril de 2011 esta estimativa aumentou 6,2%. A massa de rendimento médio real habitual dos ocupados, estimada em 39,4 bilhões em abril de 2012, caiu 0,9% frente a março e cresceu 8,0% comparado a abril de 2011. A massa de rendimento real efetivo dos ocupados (R$ 39,1 bilhões), estimada em março de 2012, ficou estável no mês e subiu 7,8% no ano.
A Pesquisa Mensal de Emprego é realizada nas regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. A publicação completa da pesquisa pode ser acessada na página
www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/trabalhoerendimento/pme_nova/default.shtm.
Desocupação fica estável em todas as regiões metropolitanas na comparação com março
Regionalmente, na análise mensal, a taxa de desocupação não registrou variação em nenhuma das regiões metropolitanas pesquisadas. No confronto com abril de 2011, a taxa recuou 1,9 ponto percentual nas regiões metropolitanas de Recife e Salvador. Na região metropolitana do Rio de Janeiro esta estimativa subiu 0,8 ponto percentual e manteve-se estável nas demais regiões.
Em relação a março último, a análise regional mostrou que, o contingente de desocupados não assinalou nenhuma variação significativa. No confronto com abril de 2011, verificou-se queda no número de desocupados nas regiões metropolitanas de Recife (25,2%) e de Salvador (18,6%). Foi observada elevação nessa estimativa na região metropolitana do Rio de Janeiro (21,2%). Nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte, São Paulo e Porto Alegre o quadro foi de estabilidade.
Nível de ocupação fica em 53,7%
O nível da ocupação (proporção de pessoas ocupadas em relação às pessoas em idade ativa) foi estimado em 53,7% para abril de 2012 no total das seis regiões. De março para abril, esse indicador não se alterou, o que também ocorreu no confronto com abril do ano passado. Regionalmente, na comparação mensal, todas as regiões mantiveram-se estáveis. Frente a abril de 2011, esse indicador subiu 1,1 ponto percentual na região metropolitana de Belo Horizonte.
Analisando o contingente de ocupados, segundo os grupamentos de atividade econômica, de março para abril de 2012, apenas o grupamento da construção registrou variação (4,7%, mais 84 mil pessoas). No confronto com abril de 2011, ocorreram acréscimos nos grupamentos da construção (9,9%, mais 168 mil pessoas) e da educação, saúde, administração pública (5,7%, 196 mil pessoas) e os demais grupamentos ficaram estáveis.
Na comparação mensal, rendimento médio cai em quatro regiões metropolitanas
O rendimento médio real habitual dos trabalhadores, na análise regional, em relação a março último, aumentou nas regiões metropolitanas de Porto Alegre (1,0%) e de Belo Horizonte (0,5%). Apresentou declínio em São Paulo (1,7%), Recife (1,6%), Rio de Janeiro (1,6%) e Salvador (1,4%). Na comparação com abril do ano passado o rendimento cresceu em todas as regiões.
Na classificação por grupamentos de atividade, o maior aumento no rendimento médio real habitualmente recebido em relação a abril de 2011 foi de 10,9% em Serviços Domésticos.
Já na classificação por categorias de posição na ocupação, o maior aumento no rendimento médio real habitualmente recebido, em comparação com abril de 2011, foi para as pessoas que trabalharam por conta própria (12,9%):
No IBGE
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Mais uma do nosso Rupert Civita

Mesmo com os panos quentes que parlamentares tentam por na CPI do contraventor Carlinhos Cachoeira, uma coisa já se tornou de conhecimento público: a revista Veja usa suas páginas e jornalistas para plantar notícias falsas contra seus inimigos.
Não faltam provas de que esse é o modus operandi — para usar um termo reservado a quadrilhas e serial killers — da família Civita. São vários grampos feitos pela Polícia Federal que escancaram os procedimentos ilegais praticados por um dos jornalistas da publicação em Brasília.
Rupert Civita, ou Roberto Murdoch (referência ao magnata das comunicações envolvido em um escândalo de grampos ilegais na Inglaterra), já mandou um recado por meio de seus capangas: quem insistir em denunciar as relações criminosas de sua revista vai sofrer retaliações. Atitude bem típica de mafiosos: constranger, intimidar e ameaçar.
Contra a Record, retaliação sempre houve, mas agora tende a se tornar puro desespero. Eu já cantei essa bola aqui neste blog.
Eles são previsíveis. Basta ver nota publicada na coluna Radar, de Veja, assinada por Lauro Jardim, aquela mesma citada nos grampos da polícia entre o bicheiro e Policarpo Junior.
Novamente, neste final de semana, sem o menor constrangimento, as páginas de aluguel da revista se prestam a anunciar mais uma crise imaginária na emissora. Só que agora o delírio é retumbante: a Record vai fechar o ano de 2012 com um prejuízo de R$ 100 milhões. Uau.
O jornalismo analfabeto funcional foi escancarado. Como afirmar o prejuízo de uma empresa em 2012 se ainda estamos em maio? Chega a ser engraçado. E, como sempre, Radar não cita fontes, nem poderia, já que a maioria do que se publica naquela coluna é fruto da mente perversa desses senhores que se julgam acima da lei e da democracia.
Dá pra entender os motivos de mais esse ataque da Veja contra o empresário Edir Macedo. A Record é um dos poucos grupos de comunicação que não participaram do "acordão" em não denunciar as ligações suspeitas da revista com o crime organizado. Globo e Folha (UOL) deram as mãos em nome da impunidade. Contra o Brasil.
Marco Antonio Araujo
No O Provocador
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Jornalistas na CPMI, por que não?

A possibilidade de convocação de jornalistas e/ou empresários de mídia para depor na CPMI do Cachoeira provocou uma unânime reação contrária da grande mídia brasileira. O argumento principal é de que jornalistas e/ou empresários de mídia não poderiam se submeter ao constrangimento de serem questionados publicamente por deputados e senadores. Afinal, políticos constituem alvo permanente do “jornalismo investigativo”. E, claro, a convocação representaria uma perigosa ameaça às liberdades de expressão e da imprensa.
Da relação inicial de pessoas convocadas a depor na CPMI, aprovada na reunião do dia 17 de maio, não constam jornalistas nem empresários de mídia.
Há relatos de que ações de bastidores foram realizadas por altos executivos dos grupos Globo e Abril junto a partidos políticos e parlamentares, inclusive com ameaças de retaliação política, caso fossem convocados os suspeitos de relações promíscuas com o esquema criminoso. Dois dos principais grupos de mídia brasileiros considerariam inaceitável a convocação de jornalistas e/ou empresários – independente das comprometedoras conversas telefônicas já conhecidas – entendida como “um precedente perigoso para o futuro” e “uma verdadeira humilhação para toda a classe” (ver aqui).
Estarão corretos os argumentos e será que os temores alegados se justificam?
Última Hora e TV Globo
Em países de tradição democrática consolidada, a convocação de jornalistas e/ou empresários de mídia para esclarecer suspeitas relativas a atividades empresariais e ao exercício profissional, em comissões no parlamento e em inquéritos policiais, não só tem sido feita como não é considerada constrangimento ou ameaça. Ao contrário, a convocação é entendida como servindo ao interesse público e à democracia e é aplaudida, inclusive, pela mídia tradicional.
O melhor exemplo disso é o que está acontecendo na Inglaterra em relação à investigação do grupo News Corporation, tanto na Câmara dos Comuns, quanto no Inquérito Levinson (ver “As diferenças entre Brasil e Inglaterra”).
Aqui mesmo na Terra de Santa Cruz, ao contrário do que alega a grande mídia, há pelo menos dois precedentes importantes: a CPI da Última Hora, em 1953 e a CPI Globo x Time-Life, em 1966.
Na CPI da Última Hora, sugerida ao presidente Getúlio Vargas pelo próprio Samuel Wainer com o objetivo de investigar as operações de crédito realizadas entre o Grupo Wainer e o Banco do Brasil, foram convocados os jornalistas Samuel Wainer e Carlos Lacerda, que prestaram dois depoimentos transformados, respectivamente, nas publicações Livro branco contra a imprensa amarela e Preto e branco (ver aqui).
Na CPI Globo x Time-Life, criada “para apurar os fatos relacionados com a organização Rádio e TV e jornal O Globo com as empresas estrangeiras dirigentes das revistas Time e Life”, foram convocados, dentre outros, Rubens Amaral, ex-diretor geral da TV Globo; Joseph Wallach, assessor técnico de grupo Time-Life junto a TV Globo; Robert Stone, correspondente do grupo Time-Life no Brasil; Walter Clark, diretor-geral da TV Globo; João Calmon, dos Diários Associados e presidente da Abert; e o diretor presidente da TV Globo, “doutor” Roberto Marinho, que além de prestar depoimento por duas horas ininterruptas, submeteu-se ainda a longuíssimo questionamento (cf. Projeto de Resolução nº 190 de 1966 [Relatório Final], publicado no Diário do Congresso Nacional I, Suplemento B, em 12/1/1967, pp. 1-79; ver ainda, neste Observatório, “Para ver a TV Globo”).
Interesse público e democracia
É verdade que lá se vão várias décadas, as circunstâncias políticas, a composição da Câmara dos Deputados, a identidade doutrinária dos partidos e as motivações eram outras. De qualquer maneira, não se justifica o argumento do “precedente” alegado pelos executivos da grande mídia: no passado, o Congresso Nacional convocou e tomou depoimentos de jornalistas e empresários de mídia em Comissões Parlamentares de Inquérito.
Quando se trata de esclarecer práticas, identificar autores e propor medidas de proteção para salvaguardar o interesse público e a democracia, os únicos critérios que devem prevalecer para a convocação ou não de qualquer cidadão para depor em uma CPI são a existência fundada de suspeitas de atividades criminosas.
A observância desses critérios é o que se espera dos membros da CPMI do Cachoeira na medida em que o trabalho avance e que, eventualmente, surjam informações complementares confirmando a necessidade de convocação de jornalistas e/ou de seus patrões. Por que não?
Venício A. de Lima, professor titular de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado) e autor, entre outros livros, de Regulação das Comunicações – História, Poder e Direitos; Paulus, 2011
No Observatório da Imprensa
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Camus superstar

Paris — Nos últimos anos criou-se um novo tipo de intelectual francês, produto da televisão e misto de filósofo e pop-celebridade. Eles aparecem nos painéis de discussão política ou debate cultural na televisão — e como têm painéis de discussão política e debate cultural na televisão francesa! —, são bem articulados, muitas vezes controvertidos e acima de tudo fotogênicos. Na sua maioria são jovens e têm uma quantidade assustadora de cabelo.
Eu estava vendo um desses programas em que eles aparecem e me ocorreu o seguinte: o Albert Camus nasceu na época errada. Tinha tudo para ser uma estrela da mídia, só que não existia a mídia, pelo menos não na maneira avassaladora com que existe hoje.
Era um homem bonito, e devia muito do seu destaque no mundo intelectual de Paris — e certamente sua vantagem na comparação com o outro filósofo público da época, Jean-Paul Sartre — ao seu ar de galã noir. Segundo maldosa fofoca contemporânea, os dois tinham sorte com as mulheres, o Sartre só precisava se esforçar mais um pouquinho.
Tanto Camus quanto Sartre eram celebridades, mas de um círculo restrito. Suas diferenças mais evidentes, e as opiniões políticas que acabaram determinando o fim da sua amizade, foram expostas em artigos e réplicas e tréplicas na imprensa de esquerda, com escassa repercussão fora do círculo. Pode-se imaginar os dois debatendo suas ideias num programa de televisão moderno.
Como no debate entre Kennedy e Nixon, que, segundo se diz, definiu a eleição de Kennedy e inaugurou o uso efetivo da televisão como arma eleitoral, Camus e Sartre talvez empatassem nas ideias, mas Camus ganharia longe nos quesitos imagem e simpatia. Como o carismático Kennedy ganhou do lúgubre Nixon.
Por menor que seja o público dos seus debates, os novos filósofos eletrônicos têm sempre uma plateia algumas centenas de vezes maior do que a que ouvia Sócrates, por exemplo, na Grécia, ou a dos admiradores de Camus ou Sartre em volta de uma mesa de café em Paris.
No caso de Camus, só se pode lamentar seu nascimento precoce. Se há um filósofo que mereceria uma projeção e um público de superstar é ele. Bom, Sócrates também, mas duvido que ele se acostumasse com as luzes.
Luís Fernando Veríssimo
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Tribunal em SC decide que bancos vão ter que cobrir cheques sem fundos de clientes

Instituições financeiras têm responsabilidade sobre o comportamento de seus clientes, inclusive com a obrigatoriedade de cobrir cheques emitidos sem provisão de fundos pelos seus correntistas. A decisão, considerada uma guinada jurisprudencial, é da 3ª Câmara de Direito Civil do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, aplicada no julgamento de duas apelações sob relatoria do desembargador Fernando Carioni.
“A partir do momento que o banco fornece o talonário de cheques ao correntista sem suficiência de saldo mínimo em conta-corrente, descumpre uma obrigação imposta por lei, que, gerando um prejuízo a outrem, faz nascer a responsabilidade civil para reparar o dano decorrente de sua atividade”, analisa o magistrado, em seu acórdão. Ele baseou sua decisão nas regras do Código de Defesa do Consumidor, pois vislumbrou uma relação de consumo entre as partes – mesmo que por equiparação, com a consequente responsabilidade civil objetiva da instituição e a aplicação da teoria do risco da atividade.
Nos dois casos em análise, pequenos comerciantes receberam em troca de produtos e serviços cheques emitidos sem provisão de fundos pelos clientes. Embora não correntistas das respectivas instituições financeiras, as vítimas foram por elas prejudicadas. “Não há nenhuma dúvida de que a devolução de cheques sem provisão de fundos decorre da falha da prestação do serviço das instituições financeiras, pois os correntistas somente podem fazer uso desse título de crédito após autorizados por seu banco, que, antes, deve fazer cumprir todas as normas regulamentares relativas à conta-corrente”, explica o relator.
Por fim, o desembargador ressalvou o direito dos bancos, em ações regressivas, buscarem cobrir eventual prejuízo junto aos seus próprios correntistas. Nas duas ações em discussão, as instituições financeiras foram condenadas ao pagamento dos prejuízos materiais registrados com a emissão de cheques sem fundo de seus clientes. A decisão foi unânime. Cabe recurso aos tribunais superiores. (Acs 2012017315-9 e 2012.010350-9).
No TJSC
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Charge online - Bessinha - # 1263

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As calçadas e a cidadania que não passa

As condições das calçadas de 12 capitais brasileiras foram alvo de um estudo realizado pelo Mobilize Brasil - movimento em prol da mobilidade urbana sustentável. As capitais alcançadas pelo levantamento foram Porto Alegre (RS), Curitiba (PR), São Paulo, Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ), Goiânia (GO), Brasília (DF), Salvador (BA), Fortaleza (CE), Natal (RN), Recife (PE) e Manaus (AM). Os dados a seguir foram colhidos do sítio eletrônico www.mobilize.org.br.
Tomou-se áreas e ruas com grande circulação de pessoas e nas proximidades de aparelhos públicos importantes como estações de transportes e hospitais.
Os seguintes itens foram levados em consideração, no levantamento: irregularidades no piso, largura mínima de 1,20 m, conforme norma ABNT, degraus que dificultam a circulação, outros obstáculos, como postes, telefones públicos, lixeiras, bancas de ambulantes e de jornais, entulhos etc, existência de rampas de acessibilidade, iluminação adequada da calçada, sinalização para pedestres, paisagismo para proteção e conforto. Porto Velho, como se pode constatar, não estava entre as cidades pesquisadas. De todo o modo, isso não impede que se afirme categoricamente: poucas capitais no Brasil apresentam um descaso tão grande para com o cidadão pedestre.
Há uma cultura equivocada, enraizada nas pessoas, de que a calçada está exclusivamente sob a vontade do proprietário do imóvel. Assim, pode ele dispor dela como melhor lhe aprouver.
Andando pela cidade se vê coisas impressionantes. Há pessoas que fazem floreiras, há os que rebaixam toda a frente e instituem, à revelia de qualquer norma, estacionamento para clientes, há os que instalam bancas, cadeiras e mesas e outros adereços, para comércio formal ou informal, tudo sob o olhar complacente do Poder Público Municipal.
Há aqueles que durante a reforma ou a construção, invadem a via pública com resíduos, obrigando as pessoas a transitarem, perigosamente, pelo leito trafegável pelos veículos. O abuso ocorre, inclusive, nas grandes obras públicas em Porto Velho, sem qualquer sinal de reprimenda, pelos órgãos públicos contratantes.
Enfim, a lista ficaria muito grande. O que se tem, em resumo, é uma combinação altamente nociva à cidadania: uma cultura arraigada nas pessoas, de desrespeito às normas de postura urbana e uma omissão do poder público em fazê-las cumprir.
Enquanto isso, a cidadania espera que tudo passe e que se possa, afinal, passar pelas calçadas. Nem se falou aqui de pessoas com mobilidade reduzida, como os cadeirantes, as pessoas idosas, os obesos ou mesmo aqueles que temporariamente precisam do uso de uma moleta, por exemplo.
Esta cidade não é para eles. E aí surge o dilema, pois a cidade também não é para os carros, como se pode constatar da ausência de sinalização suficiente e dos buracos nas vias públicas.
Vamos ficar atentos: a cidadania é uma senhora exigente e bem acompanhada. Onde ela não passa, não passam todos os outros direitos.
Ercias Rodrigues de Sousa é procurador da República em Rondônia, procurador regional dos direitos do cidadão.
No ANPR
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Demóstenes revela: "fui abusado por Cachoeira"

A assessoria do Senado estuda contratar um tradutor de libras para interpretar o silêncio de Cachoeira
SHOW DA VIDA – O Brasil inteiro se comoveu com o depoimento corajoso do senador Demóstenes Torres ontem à CPI do Fantástico. Com os olhos marejados, o parlamentar revelou pela primeira vez que durante a infância foi repetidamente levado para trás de uma queda d’água onde recebeu propinas à força e concedeu contratos licitatórios.
"Fui abusado por Cachoeira", disse com um esgar. Após dolorida pausa, completou: "Não foi uma nem duas vezes. Foram várias". Enfático, Demóstenes negou ter namorado Pelé: "Foi só uma tabelinha. Todo mundo sabe que a Delta foi o grande amor da minha vida", explicou.
O parlamentar também contou que o cantor Elton John teria lhe proposto casamento. Aos prantos, Demóstenes contou que disse sim. As núpcias só foram canceladas por que o megastar não concordou em contratar Fernando Cavendish para organizar o cerimonial. “Elton me disse que tanto ele quanto a Rainha jamais concordariam em colocar um guardanapo na cabeça, e eu não poderia me entregar a alguém tão desprovido de noção”, soluçou o senador.
No Congresso, o depoimento de Carlinhos Cachoeira foi marcado por bem menos emoção. Após empregar todas as variações linguísticas existentes para explicar que ficaria calado, Carlinhos Cachoeira resolveu ceder: "Só falo se me derem um Nextel." Apreensivos, todos os parlamentares desligaram os seus celulares.
Sem alarde, agentes da Polícia Federal anunciaram a operação Charles Chaplin: "Grampearam o silêncio de Carlinhos Cachoeira. Divulgaremos o resultado nos próximos dias", anunciou o superintendente Jean Dujardin.
Anderson Silva foi convocado para tentar quebrar o sigilo de Cachoeira.
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Gurgel se contradiz e confirma paralisação das investigações sobre Cachoeira por 1 ano

http://goo.gl/Xw6c1
O Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, respondeu ao ofício da CPI do Cachoeira que cobrava explicações sobre o engavetamento da Operação Vegas da Polícia Federal em setembro de 2009 e, infelizmente, confirmou que entre este engavetamento e o início da Operação Monte Carlo "cair do céu", um ano depois, a organização criminosa de Carlinhos Cachoeira atuou sem ser importunada por qualquer investigação federal.
A resposta do Procurador-Geral está mais para uma peça em sua defesa jurídica e de sua mulher subprocuradora, invocando fundamentos legais para justificar o engavetamento, do que uma explicação convincente à nação, e mesmo assim apresenta contradições do ponto de vista jurídico.
Gurgel alega (no item 7) que o sobrestamento (engavetamento no popular), foi para fazer uma ação controlada, ou seja, algo como deixar a quadrilha atuar para pegá-la com boca na botija, na hora certa.
Mas o problema é que não havia ação controlada nenhuma, nem em curso, nem solicitada.
A cronologia dos fatos não deixa dúvidas de que houve, no mínimo, erro, quando ele diz que só em março de 2011 teve a confirmação de que havia outra investigação, sem mostrar nenhuma "ação controlada" desde 2009.
Lamentavelmente a suposta organização criminosa operou livre de investigações durante a campanha eleitoral de 2010, época em que o bicheiro reinou em Goiás para eleger políticos de seu esquema e, quem sabe tentar influir no resultado da própria eleição presidencial, já que há a suspeita sobre qual o real papel do ex-sargento Dadá no episódio do "dossiê no comitê de Dilma", inventado pela revista Veja.
A íntegra da resposta está no site do MPF.
ZéAugusto
No Blog do Saraiva
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