22 de mai de 2012

Cachoeira vai "beber água"?

Mal comparando
Vale para o esperado depoimento de Carlinhos Cachoeira nesta terça-feira na CPI que leva seu sobrenome o que já se dizia na Febraban sobre a pressão oficial para a queda dos juros:
“Você pode levar um cavalo até a beira do rio, mas não conseguirá obrigá-lo a beber água!”
O autor da ótima provocação acima é o jornalista Tutty Vasquez, mas a frase do "cavalo que não quer beber água" é do Lord Keynes.
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Collor defende novamente depoimento à CPI de Roberto Civita, Policarpo Jr e Roberto Gurgel

O senador Fernando Collor (PTB-AL) defendeu mais uma vez o depoimento do dono da editora Abril, Roberto Civita; do diretor da revista Veja em Brasília, jornalista Policarpo Júnior; e do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira.
De acordo com o senador, está em curso “mais uma tentativa de manipulação da opinião pública”. Ele acredita que o objetivo é “fazer a sociedade acreditar que há uma campanha de cerceamento à liberdade de imprensa e de controle dos meios de comunicação, simplesmente por se tentar investigar ligações da revista Veja com o crime organizado, por se tentar ouvir o jornalista Policarpo Júnior e o senhor Roberto Civita numa CPI”.
- Nada mais retrógrado, dissimulado e miasmático do que a velha e conhecida tática de desviar o foco do debate para encobrir a realidade – afirmou o senador.
Collor disse haver “fortes indícios” de que a revista, depois de uma nítida mudança de sua linha editorial nos últimos 30 anos, vem, há quase uma década, “mantendo ligações escusas e suspeitas com uma organização criminosa, por meio de troca de favores, por meio de troca de informações, por meio de tráfico de influencia”.
Para o senador, é preciso ficar claro até que ponto há uma “coabitação perniciosa que extrapola uma mera relação jornalista-fonte”. Ele afirmou que investigar “essa coabitação” não tem nada a ver com cerceamento à liberdade de imprensa.
- Falamos de crimes, e não de ferir a livre manifestação – afirmou.
Para o parlamentar, Roberto Civita “encarna a figura do próprio departamento comercial” e sua revista “passou a viver do lobby editorial, para beneficiar outros grupos, e da necessidade de fabricar escândalos”. Para ele, a revista se equivale a “um autêntico cassino”, no qual suas diversas seções “são utilizadas como máquinas de caça níqueis”.
- Esta revista foi capaz de reunir, numa mesma equipe, nos últimos anos, confrades que se dedicam a transformar falsificadores de dossiês em vítimas de achacadores. E pior, utilizam-se de chantagens e meios truculentos contra os críticos da revista, mesmo que ex-colegas de redação, com ameaças por meio de dossiês forjados ou inexistentes. Esse é o modus operandi editorial da revista, sempre com o olhar para o comercial, o lucro – afirmou Collor.
O senador disse que o jornalista Policarpo Júnior – “vezeiro em escusos encontros no Parque da Cidade”, em Brasília – antecipa-se à ação e planeja, com a fonte, as informações a serem obtidas – sempre com a aquiescência de seu patrão.
- Presta-se a ser uma peça passiva em atos supostamente ilegais. E é isso que precisa ser investigado, já que tudo indica que esse esquema é uma das teias mais intrincadas, sofisticadas e importantes da rede supostamente criminosa montada pelo senhor Carlos Cachoeira – disse o senador.
Collor lembrou que Policarpo Júnior teve participação na CPI da Loterj, feita pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro em 2004, e no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, em 2005, quando testemunhou a favor de Carlos Cachoeira. O senador defendeu o comparecimento espontâneo de Policarpo e de Roberto Civita para deporem na CPI e convencerem a opinião pública que “tudo não passa de uma relação típica da lide jornalística, como alegam”.
O parlamentar citou frases de diversos jornalistas sobre as práticas da revista, entre eles Luiz Nassif e Alberto Dines.
Collor disse, ainda, que “até agora ninguém explicou” o porquê de o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e a subprocuradora Claudia Sampaio Marques (esposa do procurador-geral) não terem tomado qualquer providência quanto ao inquérito da Operação Vegas. O senador citou diversas leis e duas resoluções do Conselho Nacional do Ministério Público para afirmar que alguns veem, na ação de ambos, “materialização de crimes de prevaricação e de responsabilidade por descumprimento de prazo a que estão sujeitos os procuradores no trato e no desfecho de inquéritos nos quais se enquadram, acima de tudo, o dever de decidir e o prazo razoável”.
- Ou seja, a mais absoluta obediência ao princípio do dever de ofício. Assim, há que se investigar a motivação de posturas desse tipo. O que de fato há por trás dessa procrastinação? Que interesse outros moveram o procurador-geral da República para agir ou não agir desse modo? Já pensaram se todos os procuradores, baseados no exemplo do procurador-geral da República, desejassem fazer o mesmo? A sociedade espera uma resposta, uma resposta clara e insofismável – finalizou o senador.
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Toda violação será castigada

“Toda violação dos direitos humanos será investigada.” Com essa frase, Gilson Dipp, um dos integrantes da Comissão da Verdade, procurou constranger setores da esquerda que procuram levar a cabo as exigências de punição aos crimes da ditadura militar.
Trata-se de pressupor que tanto o aparato estatal da ditadura militar quanto os membros da luta armada foram responsáveis por violações dos direitos humanos. É como se a verdadeira função da Comissão da Verdade fosse referendar a versão oficial de que todos os lados cometeram excessos equivalentes, por isso o melhor é não punir nada.
No entanto o pressuposto de Dipp é da mais crassa má-fé. Na verdade, com essa frase, ele se torna, ao contrário, responsável por uma das piores violações dos direitos humanos.
Sua afirmação induz à criminalização do direito de resistência, este que - desde a Declaração dos Direitos Universais do Homem e do Cidadão - é, ao lado dos direitos à propriedade, à segurança e à liberdade, um dos quatro direitos humanos fundamentais.
Digamos de maneira clara: simplesmente não houve violação dos direitos humanos por parte da luta armada contra a ditadura. Pois ações violentas contra membros do aparato repressivo de um Estado ditatorial e ilegal não são violações dos direitos humanos. São expressões do direito inalienável de resistência.
Os resistentes franceses também fizeram atos violentos contra colaboradores do Exército alemão durante a Segunda Guerra, e nem por isso alguém teve a ideia estúpida de criminalizar suas ações.
Àqueles que se levantam para afirmar que “a guerrilha matou tal soldado, tal financiador da Operação Bandeirantes”, devemos dizer:
“Tais ações não podem ser julgadas como crimes, pois elas eram ações de resistência contra um Estado criminoso e ditatorial”.
O argumento de que tais grupos de luta armada queriam implementar regimes comunistas no país não muda em nada o fato de que toda ação contra um Estado ilegal é uma ação legal. O que está em questão não é o que tais grupos queriam, mas se um Estado ilegal pode criminalizar ações contra sua existência impetrada por setores da população.
Como se não bastasse, integrantes da Comissão da Verdade que dizem querer investigar ações dos grupos de resistência “esquecem” que os membros da luta armada julgados por crimes de sangue não foram anistiados. Eles apenas receberam uma diminuição das penas.
Ou seja, os únicos anistiados foram os militares, graças a uma lei que eles mesmos fizeram, sem negociação alguma com a sociedade civil.
Vladimir Safatle
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A Inexcedível Arrogância da Classe Média

A arenga das sacolas retornáveis, um dos frequentes pequenos flagelos que envenenam a vida dos brasileiros, é exemplo emblemático da arrogância de uma classe média ignorante e autoritária que, por se presumir detentora da “Verdade”, acha-se no direito de impor tal "verdade" ao muitas vezes desavisado cidadão comum. Querem, como dizem, "mudar o hábito” das pessoas para ajustá-las à "verdade" deles (algo semelhante ao que fez a Zélia Cardoso quando confiscou na mão grande a poupança de todo mundo).
Agora, os “iluminados” decidiram entre eles que os supermercados ficam proibidos de distribuir gratuitamente sacolinhas plásticas aos consumidores, embora possam vendê-las! Contaram, para perpetração do despautério, com a colaboração de políticos paulistas num conluio deletério de ignorantes que acham que conhecem o tema poluição (qualquer criança sabe que distribuição gratuita de sacolinha não causa poluição) com políticos oportunistas que buscam holofotes.
São Paulo, infelizmente, é hoje polo reacionário no Brasil – basta considerar os políticos que ostenta e eventos como o de Pinheirinhos –, e, por isto, não surpreende que iniciativas que impõem restrições aos cidadãos comuns surjam quase sempre nesse estado. O que surpreende é a passividade dos paulistas em geral que, ao invés de se insurgirem contra os abusos, os apoiam, talvez por acreditarem no discurso pretensamente científico da classe média estudada (aliás, mal formada), e que se põe como bedel do povo. É lamentável que o povo paulista se deprecie desta forma.
Hélio Mattar, do Instituto Arakatu (que nome mais estrambólico!), é defensor da proibição da distribuição gratuita das sacolinhas, mas não tem qualquer objeção a que sejam vendidas pelos supermercados. Foi o que disse em recente programa veiculado pela Globo News, "Cidades e Soluções". Argumentou em favor do absurdo que assim “levanta-se a discussão”! Ah, e diz que os supermercados, com a economia que farão deixando de distribuir sacolinhas gratuitamente, diminuirão, voluntariamente, os preços dos demais produtos! Epa! Já ouvi isto quando esta mesma turma acabou com a CPMF. É inacreditável, mas o sujeito disse isto, e ainda acha que, assim, conseguirá simpatizantes para sua cruzada estulta.
Hélio Mattar é o ignorante voluntarista que pensa que sua verdade é a Verdade. É sujeito avesso à democracia que quer “ensinar” ao povo, lançando mão de soluções psicodélicas como esta das sacolinhas: dar não pode, vender pode. Sua arrogância não lhe deixa ver o ridículo de suas teses absurdas e vazias. Gente como ele, no afã de parecer importante, aporrinha as pessoas como fazem os mosquitos. É preciso acabar com os criadouros onde essa gente prolifera, e tal se faz com choque de democracia.
Não há meia democracia. A história da sacolinha, um atentado à democracia, é mais um passo na dessensibilização da população em relação a ações autoritárias, e precisa ser combatida energicamente. São atentados como este que vão preparando terreno para subsequentes agressões gratuitas ao povo, supressão de direitos individuais e políticos, e golpes de Estado. O povo paulistano precisa reagir, pois, no momento, é o agredido.
Ramalho
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A imprensa nos tempos de Tarso de Castro

Nada acontece por acaso. No auge das discussões sobre o papel de profissionais e veículos de mídia nas atividades do contraventor Carlinhos Cachoeira, só agora caiu nas minhas mãos, por uma especial gentileza do autor, o jornalista Tom Cardoso, um livro lançado em 2005 pela editora Planeta, que nos ajuda a entender os rumos da imprensa brasileira.
Tom me ligou dias atrás para fazer uma entrevista sobre o jogador Sócrates e, ao final da conversa, me perguntou se eu já tinha lido seu livro sobre Tarso de Castro, um dos maiores jornalistas com quem já trabalhei. Respondi-lhe que não e, no dia seguinte, o livro já estava em casa sobre a pilha de obras de (ou sobre) amigos que ainda não consegui ler.
O título é tão grande quanto o personagem: 75 Kg de Músculos e Fúria: Tarso de Castro - a vida de um dos mais polêmicos jornalistas brasileiros.
Levei-o comigo para São Sebastião neste final de semana e não consegui parar de ler enquanto não chegasse à última página. Por isso, passei dois dias sem atualizar o blog. De vez em quando, a gente precisa parar de escrever para poder ler um pouquinho...
Mais do que traçar um alentado perfil com as rocambolescas venturas e desventuras de Tarso, que morreu aos 49 anos, em 1991, o livro-reportagem de Tom Cardoso nos leva para um agradável e pedagógico passeio pela imprensa brasileira e seus personagens das décadas de 60, 70 e 80 do século passado.
Naquela época não bastava saber escrever e ser bem informado para ser jornalista. Era preciso também ter coragem, colocar em risco a própria vida para contar o que estava acontecendo. Os que hoje tanto falam em liberdade de imprensa, embora alguns deles tenham colaborado para o golpe militar de 1964, deveriam ler este livro para ver o que era bom para a tosse, o que era censura.
Tarso levou tudo a extremos: seu engajamento político contra a ditadura, brizolista até a alma, suas paixões enlouquecidas pelas mais belas mulheres da época, solteiras ou casadas, de Leila Diniz a Candice Bergen, as noitadas sem fim com os amigos, a ousadia para criar confusões e novas publicações, cada vez que uma delas fechava as portas.
Criado na melhor escola de Samuel Wainer, na Última Hora de Porto Alegre, depois de começar a carreira aos 11 anos no jornal do pai, O Nacional, de Passo Fundo, o gaúcho Tarso de Castro veio bem jovem para o Rio. Em poucas semanas, tornou-se o mais carioca dos cariocas, mestre na arte do bem viver sem pensar no dia de amanhã. Não apenas cobria, mas participava dos fatos ao lado de seus protagonistas, contemporâneo de grandes artistas e políticos nacionais.
A primeira vez que encontrei a figura foi no apartamento do hotel onde Leonel Brizola passou seu último dia no exílio, na Nova York de 1979, às vésperas da sua volta para o Brasil. E quem acompanhava a distinta figura do jornalista que estava lá como amigo do ex-governador?
Pois é, ninguém mais, ninguém menos do que Candice Bergen, uma das grandes estrelas de Hollywood na época, cheia de amor para dar. Não era cascata dele, como muitos amigos mangavam. Ficção e realidade por vezes se confundiam na vida do jornalista.
Tarso já havia ficado famoso como criador e editor do semanário de humor O Pasquim, a mais duradoura e bem sucedida publicação alternativa dos tempos da censura, uma das muitas que ele colocou para circular.
No ano seguinte, nos reencontramos na redação da Folha de S. Paulo - ele editor do Folhetim e eu na reportagem do jornal - e fizemos boas parcerias juntos. Era um tempo em que ninguém ligava muito para prazos ou custos - o importante era descobrir e contar uma boa história que ninguém contou antes, surpreender o leitor. Quem bancava tudo e nos dava plena liberdade para criar e escrever era Octavio Frias de Oliveira, o dono do jornal.
Foi assim também em 1984, quando Tarso já era o principal colunista da Folha. Viajamos juntos o país de ponta a ponta, na cobertura da Campanha das Diretas. Tarso vivia a vida tão intensamente, com tanta pressa, que parecia saber não ter muito tempo pela frente.
"Prefiro viver pela metade por uma garrafa de uísque inteira, do que passar a vida inteira bebendo pela metade", costumava dizer, quando os amigos o alertavam que estava bebendo muito, começando pelo café da manhã, sem hora para parar. E assim foi.
A última lembrança que tenho do amigo foi a sua entrada triunfal no "sujinho" ao lado da Folha, o bar do Mané. José Trajano, eu e outros maus elementos do jornal resolvemos dar uma passadinha ali antes de fazer uma visita ao Tarso na clínica onde ele estava internado. Só que o gaudério deu mais uma das suas escapadas, e foi mais rápido no gatilho: chegou antes ao bar do que nós à clínica.
A nova geração, que não ouviu falar de Tarso nas faculdades, não frequenta mais os "sujinhos" ao lado da redação, mas também não fala com seus chefes e patrões de igual para igual, defendendo até o fim suas ideias e seus princípios, sem medo de perder o emprego.
Em tempos de pensamento único e paus mandados, das fitas e gravações clandestinas oferecidas de bandeja para o "jornalismo investigativo", não fosse pela bebida, Tarso teria morrido de desgosto. Sem querer ser nostálgico, a verdade é que não existe mais lugar para jornalistas como Tarso de Castro, jornalistas com redação própria, como se dizia...
Ricardo Kotscho
No Blog de Un Sem-Mídia
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A carta enigmática da Fuvest

Estudante pede 'Fora Rodas, fora PM' em redação da Fuvest


Candidato grifou letras para compor mensagem; texto foi escolhido um dos melhores do vestibular
21 de maio de 2012 | 16h 57
Uma das 29 redações apontadas pela Fuvest como as melhores do último vestibular tinha uma mensagem subliminar que passou imperceptível aos olhos dos avaliadores. Um candidato ou candidata grifou letras ao longo dos três parágrafos que, lidas na sequência em que foram destacadas, compõem a frase "fora Rodas fora PM". O caso foi revelado pelo portal G1.
A Fuvest retirou o texto do ar na tarde desta segunda-feira, 21. Segundo a Assessoria de Imprensa da entidade, a redação continua sendo considerada de "bom nível", mas foi apagada "para não incentivar que outras pessoas façam o mesmo tipo de brincadeira nas provas futuras".
A USP, por meio de sua Assessoria de Imprensa, afirmou que não comentaria o caso.
O reitor da universidade, João Grandino Rodas, firmou convênio com a Polícia Militar em setembro do ano passado para reforçar o policiamento no câmpus do Butantã, zona oeste. Em novembro, o flagrante de três alunos portando maconha motivou uma onda de protestos que culminou com a invasão e ocupação do prédio da reitoria. Os estudantes também entraram em greve para exigir a saída da PM do câmpus. A paralisação durou de novembro a março deste ano.
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Comentário de Fr@ancisco:
Primeiro os "blogs sujos", agora a "redação suja", e de "sujo" em "sujo", a democracia vai ficando limpa da  "massa limpinha e cheirosa", pra desespero da doutora Cantanhêde e outros, mortais e imortais, da cavalaria ligeira, da mídia millênica da Dona Judith.
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Brilhante torturador

O Tribunal de Justiça de São Paulo julga hoje (22) o recurso do coronel da reserva Carlos Brilhante Ustra contra a sentença na qual foi reconhecido como torturador de presos políticos. A sentença inicial foi proferida no dia 8 de outubro de 2010, na 23.ª Vara Civil do Fórum João Mendes, em São Paulo. Foi uma decisão inédita.
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